Domingo, 25 de Dezembro de 2011

A Mãe África viu o seu corpo ser lavado de déspotas e autocratas absolutistas no ano de 2011


Lá vai tombando 2011… por: Eugénio Costa Almeida©
A Mãe África viu o seu corpo ser lavado de déspotas e autocratas absolutistas no ano de 2011. O que se espera e se deseja é que haja essa devida continuidade em 2012 (citação do Novo Jornal)
O continente africano viu o ano que finda ter sido bué profícuo em factos, evoluções e alterações políticas e sociais relevantes e, nalguns casos, trágicos.

Desde logo os acontecimentos ocorridos no Norte de África e que ficaram reconhecidos pela “Primavera Árabe”. Uma onda político-social, grande parte dela alicerçada nas redes sociais e no despotismo de muitos dos seus líderes, varreu toda a margem sul do mediterrâneo com evidentes impactos na margem norte e em algumas ilhas daquele mar interior.

Na Cote d’ Ivoire (Costa do Marfim – porque é que temos de adoptar, quer os lusófonos, quer os anglófonos, como genérico e obrigatório, o nome francófono e não fazemos o mesmo com Moçambique ou Açores; isto seria uma forma de afirmação da Lusofonia –), o desejo de permanência foi derrotada pela vontade de mudança, mesmo que esta não tenha sido absolutamente clara e inequívoca, excepto para os Poderes fundados fora do continente, “comme d’ habitude…”.

O paradoxal e controverso “Pai da União Africana” foi tragicamente deposto e expungido – o termo correcto é mesmo assassinado – sem que conseguisse almejar e ver concretizada a sua enorme e ascética vontade realizada. Ser o presidente de todos os Estados africanos amontoados no seu aluado e fantasista Estados Unidos de África.

A República Democrática do Congo (RDC), mais um cancro que nunca mais parece ser extraído, continuou nas páginas noticiosas pelas piores – uma vez mais – razões. As eleições gerais mostraram que em muitos países africanos a democracia ainda é um mito, ou mesmo um tabu. As provas de total ineficácia democrática e evidentes fraudes na RDC foram tão evidentes que o Tribunal Constitucional precisou de várias semanas para as sancionar e com o vencedor do costume: quem já estava no Poder, ou seja, e neste caso, Kabila Júnior.

Também em Angola as ondas das redes sociais tiveram os seus impactos com várias manifestações ocorridas no País, a maioria em Luanda, mas também, no Namibe, na Huíla e em Benguela, a exigir mais transparência democrática, mais e melhor combate a uma corrupção instalada, mais luz, mais água, e mais alternância no Poder.

Como em 2012 vai ocorrer eleições gerais em Angola – legislativas e pré-presidenciais (este ou esta é eleito(a) por via semi-indirecta, já que é empossado o líder do partido mais votado, mesmo que este não mais que uma maioria simples, e isso não é de todo impossível, numa eleição justa, livre e verdadeiramente democrática) – é provável que a alternância no Poder possa acontecer. Tudo é possível e tudo é expectável.

São tão imagináveis quanto críveis em sociedades que se querem realmente democráticas e livres como tão sabemos apregoar aos quatro ventos. E se assim somos – até prova em contrário, e não serei eu a desmentir vozes tão ilustres, aceito como veras essas afirmações –, podemos sempre esperar ver acontecimentos eleitorais como os recentemente ocorridos em Moçambique e na África do Sul onde os partidos claramente maioritários foram claramente derrotados e sobreveio a tão salutar alternância.

Tudo é sempre plausível, possível, nos sonhos dourados de um eleitor…

São os mesmos sonhos que ocorrem nos zimbabueanos que, também no próximo ano, vão ter eleições gerais e onde um autocrata dinossauro se tenta perpetuar no poder e só de lá sair como o ditador norte-coreano Kim Jong-Il, ou seja, após a sua morte. Parece-me que Mugabe não lê os jornais nem vê as notícias ou saberia o que também aconteceu com Kadhafi, por se querer manter ad-eternusna dourada e melosa cadeira do Poder…

A Mãe África viu o seu corpo ser lavado de déspotas e autocratas absolutistas no ano de 2011. O que se espera e se deseja é que haja essa devida continuidade em 2012.

A todos os leitores e colaboradores do Novo Jornal, e a todos os angolanos votos de Bom Natal e que 2012 traga as necessárias mudanças que tanto desejamos.

©Artigo de Opinião publicado no semanário angolano Novo Jornal, “Opinião” ed.205, de 23-Dezembro-2011, pág.21.
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