sábado, 4 de dezembro de 2010

Recomendações da 1ª Cimeira multipartidária dos Partidos políticos na oposição. 1ª Cimeira multipartidária


Ao Conselho Nacional de Comunicação Social

Objecto: Apêndice das recomendações saídas da Cimeira

Excelências,
Respeitosos cumprimentos.

Convictos de que não é possível a omnipresença dos órgãos do governo central; na qualidade de interlocutores e porta-vozes do povo; impulsionados pela urgência de se contribuir para a estabilidade, cujo papel da imprensa torna-se imprescindível; mandatados pelos delegados de 36 representações politicas participantes da 1ª Cimeira Multipartidária, realizada no passado dia 21 de Setembro de 2010, eis-nos mais uma vez presentes.

Dentre outros aspectos de relevo nacional e não só, a Cimeira destacou como preocupante o actual estado da Comunicação Social que descamba para a intolerância. Neste âmbito, achamos mais profícuo solicitar uma audiência com o Conselho Nacional de Comunicação Social que consideramos órgão de predominância moral, capacitado a julgar as situações e propor às instâncias máximas, medidas adequadas para soluções dos problemas identificados.

Das preocupações
Portanto, os motivos que nos levaram a interpelar o CNCS, são os seguintes:
1 – Tem-se verificado nos últimos tempos a um distanciamento, se não mesmo a multiplicação de obstáculos que se criam no exercício da actividade do jornalista, nalguns casos de forma propositada que quase retiram todo o crédito aos expostos nos artigos 40°, 44° e 45° da Constituição (embora sem aplicação directa) que desenham um quadro a priori formidável sobre os pressupostos de uma verdadeira Democracia. Na realidade, estas premissas, todas elas conjugadas na prática, sofrem atropelos consideráveis que nos forçam acreditar na tese de que o jornalista que seria o vector da Liberdade se coloca hoje num verdadeiro impasse: “Ou colabora, ou padece”!

Se teoricamente o conceito de Liberdade de Expressão é um dado adquirido, já o mesmo não se pode falar sobre aquilo que se vem verificando no dia-a-dia. O artigo 40° (Liberdade de expressão e de informação), recomenda: 1 - Todos têm o direito de exprimir, divulgar e compartilhar livremente os seus pensamentos, as suas ideias e opiniões, pela palavra, imagem ou qualquer outro meio, bem como o direito e a liberdade de informar, de se informar e de ser informado, sem impedimentos nem discriminações. 2 – O exercício dos direitos e liberdades constantes do número anterior não pode ser impedido nem limitado por qualquer tipo ou forma de censura.

Na realidade, estamos muito longe de vermos o cumprimento desta disposição constitucional. Contudo, dados, incluindo os mais recentes, como foi o da tentativa de assassinato do radialista da Rádio Despertar Manuel Jójó, comprovam que em Angola o jornalismo é uma actividade de alto risco.

Deveres e obrigações
Acusações mutuas de não cumprimento do estatuído, são uma constante. Neste sentido, a Cimeira resolveu apelar que: uns e outros honrem com seus deveres e que respeitem “o direito que cabe a todos”, tal como Sua Excelência a Ministra da Comunicação Social, Carolina Cerqueira, fez recordar. Portanto, se registamos acusações de que uns não respeitam a deontologia (jornalistas) e outros não facilitam para que a actividade do jornalista se efective sem sobressaltos (governantes, actores políticos e sociais), é porque: ou há disfuncionamento dos órgãos ou há interferência politica grosseira, ou os termos dos decretos que regem o sector não foram suficientemente compreendidos, pelo que recomendamos que o CNCS proponha ao ministério ou o ministro do pelouro que elabore e dimane uma Carta juridicamente homologada que faça lembrar as regras, assim como em debates de esclarecimento público, venha repor a harmonia entre actores públicos e privados; políticos e governantes, agilizando a actividade dos jornalistas.

Este clima pouco abonatório, está na base de muitas vezes, os profissionais dos órgãos privados não puderem cumprir com o dever da triangular no apuramento dos factos da informação recebida, pelo que são quase sempre forçados a publicar uma versão dos factos, sem terem a possibilidade de “chekar”. Este facto tem sido palco de críticas e objecções, neste caso, injustamente. Tudo porque, repetidas vezes se vêm rejeitados pelas fontes de consulta quando o caso seja um ministro, funcionário público, membro do governo ou do MPLA. Este clima reprovável, estende-se até as forças da ordem que tratam igualmente os jornalistas dos semanários como inimigos, chegando algumas vezes a molestá-los.

Jornalistas prós e contras
Uma questão vem sendo recorrente: Angola encontra-se num período de Ditadura; de Democracia ou de Transição?


Difícil é a resposta. O que acontece é que: A atitude das autoridades que estão a frente das instituições do Estado que regulam e regem as práticas dos componentes da Comunicação Social, de todas as maneiras indicia a existência de dois mundos, separados por uma barricada invisível: um onde militam os órgãos de imprensa pró-governo: TPA, RNA, JA, ANGOP, e outro pertencente aos órgãos privados totalmente hostis, o que em conformidade com aquilo que recomendam seus estatutos, não condiz à verdade. Conhecemos apenas “o Jornalista” que de forma equidistante e exemplar é chamado a exercer a actividade no cumprimento da deontologia jornalística e da ética profissional. Esta tendência de certo modo animada pelos próprios governantes, faz com que os jornalistas da imprensa dita privada, que já em si debatem-se com problemas inumeráveis de falta de meios, desapoiados e entregues a si próprios, sejam maltratados.

Outra questão que nos foi colocada: - Se na realidade existe órgãos do Estado, porque razão regista-se este tratamento desprezível e discriminatório para com as forças políticas de oposição ou reservado aos cidadãos que se revelam pela crítica?

Esta preocupação pareceu maior quando nos fizeram lembrar que todas as instituições que representam o Estado: CNCS, Ministério da Comunicação Social, adicionando os sindicatos, nunca se dignaram, nem a repudiar, nem a mostrar qualquer remorso ou comiseração pelos assassinatos ou tentativas de assassinatos de profissionais que por uma razão ou outra se posicionam do lado da crítica também considerada viril. A lista dos que morreram assassinados desde o caso mais remoto de Ricardo de Melo (Imparcial Fax), ao mais recente de Alberto Tchakussanga (rádio Despertar), passando pelos actos frustrados, vai se alongando, sem que as autoridades de direito, tenham demonstrado qualquer preocupação o que força-nos a deitar todas as responsabilidades ao Governo. Logo, somos solidários, quando se diz que, em Angola, a Liberdade é de facto uma palavra tão Sagrada, quão perigosa, também ela é.

Proibidos de publicitar em órgãos “ditos hostis”
É notória e deixa-nos a percepção quase indubitável que subtilmente, os bancos, empresas, empresários nacionais e estrangeiros, foram proibidos de deixar publicidade nas publicações privadas, sob pena de verem seus contratos rescindidos ou obstáculos erguidos nas suas actividades. Segundo constam, paira nesse mundo empresarial uma nebulosa de medo em fazer passar publicidade de suas empresas ou projectos, nos jornais que se identificam com a crítica politica, social e governamental.

No entanto, faz-se lembrar igualmente que essas publicações sobrevivem dessas publicidades. Logo, quando agentes económicos são subtilmente intimados a não publicitar, este procedimento é tido como visando silenciar a Imprensa Livre, subentendido, matar a Liberdade de Imprensa.

Não se faz informação em Angola
De um tempo a esta parte, observa-se que a informação no seu significado etimológico e destinada ao grande público, ficou geneticamente alterada.

No conteúdo dos telejornais já não mora a verdade, para além de questões muito correntes e passageiras. O resto é constituído de sujeitos do folclore, reportagens turísticas, da moda e grande parte novelas e música.

As análises sobre a conjuntura feitas pelos jornalistas especializados, ou comentaristas ocasionais, assim como as emissões de perspectiva política, social e económica, redundam no domínio total de interesses do partido no poder, sem contudo dar-se espaço para o debate contraditório, portanto constante do artigo 45° da Constituição.

Se porventura se quiser outra versão dos factos, tem de se recorrer a imprensa escrita, infelizmente lida apenas por uma minoria de pessoas. Imprensa que diga-se está igualmente, uma sob risco, outra, ou impedida de circular, ou sujeita a muitos obstáculos na sua circulação, sobretudo no interior e nas zonas suburbanas. Facto que compromete o preceituado no artigo 44° da (Liberdade de imprensa) que fundamenta:

1 – É garantida a liberdade de imprensa, não podendo esta ser sujeita a qualquer censura prévia, nomeadamente de natureza política, ideológica ou artística.

2 – O estado assegura o pluralismo de expressão e garante a diferença de propriedade e a diversidade editorial dos meios de comunicação.

3 – O Estado assegura a existência e o funcionamento independente e qualitativamente competitivo de um serviço público de rádio e de televisão.

4 – A lei estabelece as formas de exercício da liberdade de imprensa.

Por outra, celebrou-se timidamente o dia internacional do jornalista aos 03 de Maio, depois o da imprensa aos 08 de Setembro. Recentemente festejamos com pompa e circunstância a atribuição do já celebrizado “Prémio Maboque do Jornalismo” e a eleição dia 13 de Setembro do novo corpo gerente do SJA – Sindicato dos Jornalistas Angolanos em que foi reconduzida a perspicaz Luísa Rogério. Na mesma esteira aplaudimos o aniversário da TPA. Todo este emaranhado de celebrações e festas, abriu dois parênteses: 1 - (que do nada fez-se a história do jornalismo angolano); 2 - (apesar dos feitos alcançados cujo mérito vai para os anciãos do nosso jornalismo que desde os tempos souberam resistir incólumes as tentações até a consagração da Democracia, esta é ainda relativa). Relativa porque, mesmo assim, não vimos acções bem orientadas e divulgadas que nos levassem a crer que há de facto interesse em se dar um cunho mais realista à Liberdade de Expressão; Liberdade de Imprensa. Como prova disso, no dia 29 de Setembro, um grupo de jornalistas no Lubango foi impedido de exercer sua actividade.

Missão do Jornalista
Durante os debates realizados com especialistas do ramo, ficou reforçado o conhecimento de que: a missão do Jornalista não é a de agradar, anuir à mentira ou atacar gratuitamente o governo. É sim respeitar integralmente os princípios da isenção e transparência, objectividade e verdade conforme rezam os estatutos e a ética do jornalismo. Soubemos igualmente que a linha editorial de qualquer órgão de informação que se preze, não é direccionada para coleccionar presentes, mas sim para ajudar o governo a localizar e identificar problemas para que sejam prontamente resolvidos, contribuindo assim para uma sociedade mais justa, objectivo primeiro da “Boa Governação”, principio que aliás, é também partilhado na sua profundidade por todos os actores políticos.

Tempo de antena fraudulento
Foi igualmente motivo de debate durante a 1ª Cimeira, a questão do uso fraudulento do tempo de antena pelo partido maioritário que muito provavelmente por conivência das directorias dos órgãos estatais, beneficia de 80% mais de tempo de antena do que os restantes que são impedidos de publicarem seus comunicados ou vêem rejeitados os pedidos de cobertura de suas actividades. Infelizmente em Angola, só acontece quando noticiado. E como não se anunciam as actividades da oposição, “supostamente não existimos”. Quando, sendo o MPLA governo e o Presidente da República igualmente presidente do MPLA, tudo o que é feito é MPLA. Logo, outras forças políticas são completamente ofuscadas. Isto para justificar o facto de se evocar injustamente a apatia da oposição quando o que acontece, é tão somente o facto das actividades que realizam não serem divulgadas pelos órgãos estatais, únicos de abrangência nacional e internacional.

Órgãos estatais, órgãos privados
Desde que foi votada a Lei de Imprensa N° 07 de Maio de 2006 que assegura o direito de informar e de ser informado; que liberalizou a Comunicação Social, permitindo a coexistência de órgãos de comunicação públicos; assistida por directivas que acabam com o monopólio do Estado nos órgãos estatais, alterando igualmente o regime de responsabilidade dos jornalistas, nenhum diploma foi aprovado que regule na sua profundidade a actividade.

Nossas propostas:
O conjunto do atrás descrito, ligado a necessidade de se formalizar o Estatuto do profissional da Comunicação Social, requer um estudo afincado e um debate aberto, alargado e destemperado com todas as partes envolvidas. Esta proposta visa literalmente avançarmos para um patamar que nos liberta do preconceito discriminatório que caracteriza o presente envenenado entre a classe jornalística e entre esta e os potenciais protagonistas ou produtores dos feitos noticiosos (como são os governantes; políticos e representantes da sociedade civil), para se alcançar um equilíbrio de funcionamento. Pois, cremos que o objectivo tanto da imprensa privada como da imprensa estatal é comum: estar ao serviço do povo soberano, servindo como interlocutor válido e credível entre a sociedade e o Estado/Governo.

É nesta conformidade que viemos propor o seguinte:
Rogamos a Sua Excelência, José Eduardo dos Santos, na qualidade de Presidente da República e Chefe do Executivo que faça um pronunciamento público sobre o estado alarmante que caracteriza o exercício da Democracia, em particular o da Liberdade de Expressão; Liberdade de Imprensa e a sorte que está reservada aos jornalistas nos últimos tempos, sem contudo ignorar outros factos genéricos no quadro da segurança de todos os cidadãos angolanos.

1 – Que se convoque um Congresso dos jornalistas que deve anteceder a criação do Conselho da Administração Global de Coordenação em carteira, para se discutir a fundo e se perfilar o presente e o futuro da Comunicação Social e os parâmetros efectivos da Democracia no quadro da Liberdade de Expressão/ Liberdade de Imprensa, seriamente flagelados e comprometidos.

2 – Que seja proposta a constituição de uma Comissão para a regulamentação do Estatuto do jornalista, do Estatuto Editorial dos órgãos, com vista a consubstanciar os pressupostos constantes da Lei de Imprensa N°07/06 de 15 de Maio de 2006. Supomos que esta regulamentação permitirá clarificar e tipificar os meandros do jornalismo e do jornalista que esconde algumas ambiguidades que diga-se impede o bom desempenho do profissional e de sua protecção.

3 - Que sejam subvencionados os materiais intervenientes na produção da matéria jornalística para consumo público, com realce para os intervenientes na confecção da imprensa escrita. Já que nos parece existir dois pesos, duas medidas neste aspecto logístico, comparativamente a outros órgãos como são o JÁ, TPA, RNA que são subvencionados a 100% pelo Estado, contando com o apoio moral e as facilidades politicas.

4 – Aplaudimos a criação da Comissão encarregue para regulamentação da Imprensa via Internet; ao mesmo tempo que apelamos que sejam facultadas as iniciativas tendentes ao fácil acesso dos cidadãos à Internet;

5 – De acordo os pronunciamentos da Ministra da Comunicação Social atinentes as directivas vigentes sobre a lei de Liberdade de Imprensa e a proliferação das rádios comunitárias, que sejam esclarecidos os critérios reais para a obtenção das licenças que habilitam a abertura de rádios e televisões comunitárias, em conformidade ainda com o artigo 45° (Direito de antena, de resposta e de réplica política), no seu ponto 2 – Os partidos políticos representados na Assembleia Nacional têm direito de resposta e de réplica política às declarações do Executivo, nos termos regulados por lei;

6 – Que sejam definidos e regulados o tempo de antena na RNA e TPA dos partidos políticos;

7 – Acabar com as interferências políticas, sobretudo com as investidas subtis do Comité de Especialidade ligado ao ramo.

P/U: A grande verdade é que, se realmente as leis e derivados teóricos que regulam o mundo da Liberdade de Imprensa são idílicas, a permissão para sua materialização prática se assemelha à uma ascensão ao monte Everest. Portanto, no quadro da Comunicação Social, debatemo-nos igualmente com estes problemas que rogamos sejam acautelados pelo CONSELHO NACIONAL DE COMUNICACAO SOCIAL – CNCS que nos moldes achados próprios e convenientes, poderá a tempo oportuno interpelar quem de direito, para os devidos esclarecimentos e consequente prossecução.

Luanda aos 27 de Outubro de 2010
Os partidos políticos na oposição

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A banda larga da energia eléctrica, da água… e da Internet




«INTERNET: A nossa "banda larga" está cada vez mais estreita, mais lenta e mais intermitente...
Disseram-me que o problema está na capacidade actual do único "back-bone" da Angolatelecom, que já não chega para as crescentes encomendas. Alô? É da Angolatelecom?» In morrodamaianga.blogspot.com

Água
Já há muito flui como a Internet. Em Luanda, na Pomobel, ao Zé Pirão, a Teixeira Duarte SA, rebentou com a água e a energia eléctrica. Há meses que a água corre pela berma da rua e já apresenta o que serão futuras e brutas crateras. Os fiscais por aqui desandados limitam-se apenas a perseguir os lavadores de carros. Mas a TD não, porque são sócios do banco Millennium Angola e logo da Sonangol… os intocáveis. Não são parte da solução, são parte da destruição.

Energia eléctrica
O maior erro que a EDEL-Empresa de Distribuição de Electricidade de Luanda, comete, é o abandono da manutenção interna dos edifícios na coluna montante. Quando os fusíveis queimam, o que é frequente devido às normas selvagens de convivência instituídas pela actual conjuntura, qualquer curioso vai logo tentar repará-los… coloca-lhes um monte de fios. As consequências disso são abundantes: desequilíbrios de fases que geram incêndios, mortes, e o cambalacho de colocar empresas privadas que facturam exorbitantemente pelo serviço que deveria ser gratuito, prestado pela EDEL.

Segue a desgraça de mais um mês de cortes… sabotagens, efectuados pelo nosso “inimigo” referente ao mês de Novembro:

30Nov 14.09-14.21 27Nov 18.42 às 01.08 do dia 28Nov 26Nov 18.48-23.59 24Nov 00.08 +- 04.00 17Nov 12.18-20.51 14Nov 04.34-07.11 11Nov 11.46-11.57 10Nov 16.22-16.30 08Nov 08.54-18.03, 21.12-21.18 06Nov 09.18-09.30, 13.49-20.28 05Nov 20.13-2353 04Nov 00.55-01.10, 17.18 às 03.50 de 05Nov

Viva o nosso glorioso partido de vanguarda
Viva a aliança operário-camponesa
Viva a clarividência do nosso esclarecido
Viva o homem novo
Viva o Terror
Viva a corrupção
Viva a podridão
Viva a miséria da população
Vivam os caixotes do lixo, o supermercado dos Sem Futuro






Editorial: Em Moçambique. Empresas de países doadores não são cúmplices da Corrupção a alto nível?


Maputo (Canalmoz/Canal de Moçambique) - O ano está a chegar ao fim. Estamos em Dezembro de 2010. Estamos a dias da segunda década do século XXI, e a “farra”, de um grupinho depravado sobre os ombros dos “Famintos”, “Miseráveis” e “Ignorantes” por imposição, continua, ao som da música do FMI e de certos doadores que não querem uma reforma real e efectiva.
As permanentes reformas cosméticas que alimentam a grande mentira sobre Moçambique – continua a não poder ser contrariada.
A ideia de Moçambique “um caso de sucesso” – no desespero pela sobrevivência ditado pelas próprias realidades internas em certos países doadores – não deixa de ser insistentemente propalada. É quase um “feitiço”. À boa maneira das inverdades que de tantas vezes repetidas até parecem verdade…
O caso deste actual Moçambique está-se a tornar um escândalo. Só o sente quem sofre e só vê os preços a subirem sem nada poder evitar como irá acontecer muito em breve quando o trigo voltar a fazer o preço do pão galgar e o diesel finalmente ultrapassar a barreira do sossego – os 31,00 Meticais.
Quem vive da mentira não quer saber do que dizem os cientistas moçambicanos não atrelados ao poder instalado à força. Porquê? Umas vezes são os moçambicanos que devem escolher o seu destino, outras é bom que quem já abriu os olhos nem apareça a estragar a “farra”. O que é isto?
Não será o sucesso desta governação como o sucesso das economias de certos países que de um enorme sucesso se vieram a revelar um enorme fiasco?
A “farsa” já é de tal maneira vergonhosa que já nem sequer querem reconhecer que os bons costumes da economia de mercado não estão a ser respeitados em Moçambique. Toca a música que convém. Os mesmos são sempre a solução para tudo. “Digam, digam o que querem que se faça, não nos tirem é o saco das notas das mãos.” A pouca vergonha chegou tão longe quanto isto!
A economia de mercado é arma de arremesso só quando convém. A democracia é só para manter os que sofrem açaimados?
Quem repara nisto tudo fica com a impressão de que se está perante autênticos gangsters que um dia falam uma mentira e outro dia contam uma nova mentira, conquanto se garanta que o “saco das moedas” lhes permaneça nas mãos.
Não será porque o saque agora dá jeito a algumas confrarias e casas dos deuses?
Um dia pede-se transparência, outro dia assobia-se para o lado perante as mais aberrantes formas de corrupção nítida.
O baile quando a “música” satisfaz os predadores já anima?
Isto não é uma pouca-vergonha?
Que confiança podem ter – neste ou em qualquer outro governo de Moçambique que se assemelhe – cidadãos do País que não conhecem os negócios que um certo grupinho fez e faz com certos grupos económicos “globalizados”, em nome do Estado Moçambicano, com os recursos que, constitucionalmente, estão reservados ao Estado como é o caso dos recursos minerais?
Já que certos doadores falam tanto de transparência – para mostrarem a sua idoneidade, que merece, diga-se, obviamente quando é o caso, os nossos mais sinceros respeitos – porque razão não vêm esses mesmos doadores a público exigir que empresas como a Vale, Sasol, Riversdale, Kenmere, BHP Billiton, ANADARKO, ARTUMAS, Mozal, etc.. publiquem os contratos que têm com Moçambique e mostrem, de forma aberta e absolutamente transparente que afinal são diferentes dos chineses que eles mesmos tanto criticam e com quem, aliás, por trás da cortina, até negoceiam?
Querem enganar quem?
Quando estão em causa empresas de certos doadores, convém a esses mesmos doadores apoiarem o silêncio e o secretismo. Quando as conveniências são outras, pedem transparência. Qual é a diferença entre isto e o comportamento das máfias? Um dia uma coisa, outro dia outra?
Querem enganar quem?
Há doadores e doadores, acreditamos. Não estamos a meter todos no mesmo saco, obviamente. Mas é preciso que os que querem fazer parte da solução, apareçam como tal para que os moçambicanos que não fazem parte da pandilha corrupta saibam claramente quem são uns e quem são os outros.
Os moçambicanos que continuam a ter muito respeito pelos doadores honestos querem saber quem são os que já não têm condições para serem parte da solução por se terem transformado em parte do problema. Os honestos têm de ajudar os moçambicanos a saberem quem são os doadores que são parte da solução e quem são os que se tornaram parte do problema.
Quem vai nu com o Rei?
A corrupção que uns fomentam não pode continuar a ser encoberta pelos outros.

Os moçambicanos que não são parte do problema que envergonha hoje o País querem saber claramente quem são os doadores com carácter e quem são os sem carácter. Quem não têm nada para esconder que dê o exemplo.
O processo de globalização tem de passar por um processo de catarse.
Os doadores comprometidos com os bons costumes e com a decência têm de aparecer a dar bons exemplos e a impor que as empresas sediadas nesses mesmos países sejam as primeiras a dar bons exemplos.
Quem tem medo que os moçambicanos fiquem a saber algo dos contratos que estão a tornar Moçambique numa cotada de predadores?
Quem tem medo que os povos dos países doadores percebam que alguns dos seus funcionários não são santos como se querem fazer passar?
É por demais sabido que já não se consegue provar nada no meio desta máfia que se instalou. Mas consegue-se perceber. É quanto basta.
Quando os moçambicanos se queixam nas suas conversas com cidadãos de certos países doadores de que aqui a corrupção chegou ao ponto de ter cobertura aos mais altos níveis do Poder, e a resposta, invariavelmente é: “no nosso país também é assim”, o que devemos fazer todos juntos? Calarmo-nos?
Nesta fase da globalização é essencial que os figurões da elite predadora de Moçambique sejam denunciados e os dos países doadores também.
No que concerne à questão dos recursos minerais, particularmente!..
Os maiores suspeitos de corrupção em certos países europeus estão a aparecer em Moçambique em lugares de destaque em certas empresas. Porque fugirão eles para Moçambique? E por que razão até aparecem colados às mais altas figuras do Estado Moçambicano? Quando os corruptos estão debaixo do nariz serão precisos mais seminários para se acabar com eles?
Porque se andará sempre a falar mal dos chineses se os moçambicanos não têm motivos fortes para concluírem que os chineses são mais corruptos que os outros que se querem fazer passar por santos?
Onde difere a abordagem de certos doadores da dos chineses quando se trata de negócios?
Onde está a maior transparência num caso do que noutro?
Nos países doadores, onde a “transparência” é norma, será que não existem mecanismos que obriguem as empresas neles domiciliadas e a operarem no exterior, a não esconderem questões fundamentais, como por exemplo os contratos, os relatórios financeiros, e outros instrumentos que permitam ter-se a certeza de que não estão elas mesmas envolvidas em esquemas corruptos?
Se esses mecanismos existem por que é que os doadores honestos não os usam para acabar com esta sujeira?
Certos representantes dos Estados dos países doadores será que não são corruptos como os há nos países receptores da ajuda? Não estarão todos a participar da mesma “farra” e já ninguém tem como sair da embrulhada em que se meteram?
Se não existem mecanismos que forcem empresas como as aqui citadas [VALE, SASOL, KENMARE, ANADARKO, ARTUMAS, MOZAL, etc.,etc.] a serem transparentes, por que razão não criam esses mecanismos? Para na corrupção poderem fazer frente aos chineses? Quererá isto dizer que a corrupção é que está a dar? Onde fica o limite entre o “Céu” e o “Inferno”?
O que é que os doadores estão fazendo em Moçambique para travar a corrupção ligada à exploração de recursos minerais? Corrupção é só o “refresco” do Polícia? Corrupção é só a “taxa de andamento” nas secretarias das instituições públicas? Só nos tribunais é que há corruptos? Quando se trata de governantes aliados às grandes empresas de certos países doadores já não há corrupção? Aqui é parceria? É a tal dita “Win-Win cooperation”? “Right wing”? “Left wing”?
Nos recursos minerais não há corrupção? Não será que aí não convém falar muito porque há altos interesses envolvidos das elites predadoras de ambas as partes – dos receptores da ajuda internacional e dos doadores?
O que é que os doadores estão fazendo no que concerne à corrupção em Moçambique? Seminários? Conferências internacionais? Reformas cosméticas? Só discursos, discursos, e mais discursos? Será que com esta estratégia discursiva de se fazer de conta que se combate a corrupção vamos conseguir acabar com os conflitos de interesses e fazer com que os megas-projectos contribuam de facto para a economia nacional?
A quem querem continuar a enganar os senhores envolvidos nestas trapaças?
Será mesmo que entre cidadãos dos países doadores e dos países receptores já não há gente séria que nos possa tirar deste lodo pestilento, inquinado e infecto?
Como não?
Irmos todos à luta é necessário. Quem por um lado faz política atiçando os moçambicanos contra os estrangeiros e por trás só se associa aos mais mafiosos, merece mais créditos?
E os que passam a vida a falar em transparência e não a praticam, merecem o quê?

(Canalmoz/Canal de Moçambique) 2010-12-03 06:25:00

Historiador diz que Governação de Angola é "Uma Catástrofe"


Washington - Angola é um “gigante com pés de barro” porque apesar do seu crescimento económico é um país marcado por um crescente “esquadrão de pobres” e com uma “governabilidade fraquíssima”.

Fonte: VOA

A opinião é de Carlos Pacheco que acaba de publicar o livro “Angola: Gigante com Pés de Barro”.

Pacheco, historiador e autor de vários estudos publicados sobre os primórdios da luta armada em Angola e sobre o processo colonial disse á Voz da América que a corrupção de que tanto se fala se instalou em Angola logo após a independência.

Para além disso a governação foi assumida na independência por dirigentes do MPLA que “não conheciam Angola” e que ignoraram ou mesmo perseguiram uma elite “euro-africana” que estava disposta a cooperar e a fazer parte da nova Angola, disse Pacheco.

O colonialismo português contudo “não foi auspicioso” e é acusado pelo autor de culpabilidade pela “catástrofe” que se deu em Angola após a independência. O colonialismo português, disse o autor, deixou o país sem uma “inteligência” e uma classe empresarial nativa. Mas, disse Pacheco, Angola independente herdou uma das melhores economias de África que foi destruída sistematicamente pela “incapacidade” e ignorância dos novos dirigentes quanto às realidades angolanas.

Na sua entrevista António Pacheco defendeu a criação de um tribunal internacional contra a corrupção para julgar dirigentes corruptos “ de onde quer que eles sejam”.

Velejador deixou um novo comentário na sua mensagem "A Verdadeira história da Build Angola




Trabalhei em 2009 para a empresa Build Invest na Angola e posso afirmar e comprovar que o povo Angolano esta a ser lesado, quem quiser mais informações fico a disposição, brunosulic@hotmail.com


Dr Miguel deixou um novo comentário na sua mensagem "A Verdadeira história da Build Angola":

Prezado Bruno, tenho certeza que seus comentarios são verdadeiros mais você comete um engano quando fala que trobalhou para a BUILDINVEST,você trabalhou para BUILDBRASIL,os srs. Antonio Paulo de Azevedo Sodre, João Gualberto Ribeiro Conrado Jr,Paulo Henrique de Freitas Marinho e Ricardo Boer Nemeth ,nunca foram socios da Empresa BUILDINVEST,a qual tem varias ações contra estes srs e já foram condenados pela JUSTIÇA BRASILEIRA a indenizar com pagamentos de Multas por usarem a marca BUILDINVEST indevidamente .


Dr Miguel deixou um novo comentário na sua mensagem "BUILD ANGOLA deixou um novo comentário na sua mens...":

Esta empresa BUILD BRASIL é codenada pela JUSTIÇA BRASILEIRA a pagar multas por usar marcas de empresas que não pertence a ela, entre outras ações.


Velejador deixou um novo comentário na sua mensagem "A Verdadeira história da Build Angola":
Dr. Miguel, Build Invest, Build Brasil ou qualquer outro nome que se de a esta empresa nao importa, os diretores sao sempre os mesmos e a intenção tambem ! Quando eu estive em Luanda a serviço para estas pessoas pude ver o quanto e como o Povo Angolano pode ser lesado facilmente, como nao concordo me desliguei da empresa e voltei para o Brasi. Sugiro ao Grupo Build apresentar a lista e os contatos dos clientes que ja tiveram obras entregues

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Canal de Opinião: por Luciano Pires (*) COMO FICARÁ A CHINA DO FUTURO ???


Maputo (Canalmoz) – De um amigo recebemos a opinião que se segue. Publicamo-la para reflexão:

COMO FICARÁ A CHINA DO FUTURO ???

Alguns conhecidos voltaram da China impressionados. Um determinado produto que o Brasil fabrica em um milhão de unidades, uma só fábrica chinesa produz quarenta milhões...
A qualidade já é equivalente. E a velocidade de reacção é impressionante. Os chineses colocam qualquer produto no mercado em questão de semanas... Com preços que são uma fracção dos praticados aqui (NR: no Brasil).
Uma das fábricas está de mudança para o interior, pois os salários da região onde está instalada estão altos demais: 100 dólares.
Um operário brasileiro equivalente ganha 300 dólares no mínimo que acrescidos de impostos e benefícios representam quase 600 dólares.
Quando comparados com os 100 dólares dos chineses, que recebem praticamente zero benefícios.... estamos perante uma escravatura amarela e alimentando-a.
Horas extraordinárias? Na China? Esqueça!!!
O pessoal por lá é tão agradecido por ter um emprego que trabalha horas extras sabendo que nada vai receber por isso...
Essa é a grande armadilha chinesa.
Não se trata de uma estratégia comercial, mas sim de uma estratégia de poder.
Os chineses estão tirando proveito da atitude dos marqueteiros ocidentais, que preferem terceirizar a produção e ficando apenas com o que ela “agrega de valor”: A marca.
Dificilmente você adquire nas grandes redes comerciais dos Estados Unidos da América um produto “made in Estados Unidos”.
É tudo “made in China”, com rótulo estadunidense.
As Empresas ganham rios de dinheiro comprando dos chineses por centavos e vendendo por centenas de dólares...
Apenas lhes interessa o lucro imediato e a qualquer preço. Mesmo ao custo do fechamento das suas fábricas. É o que se chama de “estratégia preçonhenta”.
Enquanto os ocidentais terceirizam as tácticas e ganham no curto prazo, a China assimila essas tácticas para dominar no longo prazo.
Enquanto as grandes potências mercadológicas que ficam com as marcas, com os designes... Os chineses estão ficando com a produção, assistindo e contribuindo para o desmantelamento dos já poucos parques industriais ocidentais.
Em breve, por exemplo, já não haverá mais fábricas de ténis (NR: sapatilhas) ou de calçado pelo mundo ocidental.
Só as haverá na China.
Então, num futuro próximo veremos os produtos chineses aumentando os seus preços, produzindo um “choque da manufactura”, como aconteceu com o choque petrolífero nos anos setenta.
Então já será tarde de mais. E o mundo perceberá que reerguer as suas fábricas terá um custo proibitivo e irá render-se.
Perceberá que alimentou um enorme dragão e que dele ficou refém.
Dragão que aumentará ainda mais os preços, já que será ele quem ditará as novas leis de mercado pois quem manda é ele.
É ele e apenas ele quem possui as fábricas, inventários e empregos. É ele quem vai regular os mercados e não os “preçonhentos”.
Iremos, nós e os nossos filhos, assistir a uma inversão das regras do jogo que terão impacto de uma bomba atómica... chinesa.
Nessa altura é que o mundo ocidental irá acordar, mas já será tarde.
Nesse dia, os executivos “preçonhentos” olharão tristemente para os esqueletos das suas antigas fábricas, para os técnicos aposentados, para as
sucatas dos seus parques fabris desmontados, etc. E então lembrarão, com saudade, o tempo em que ganharam dinheiro comprando baratinho dos “escravos” chineses, vendendo caro aos seus conterrâneos.
E então, entristecidos, abrirão suas “marmitas” e almoçarão as suas marcas que já deixaram de ser moda e, por isso, poderosas.
PEDE-SE A TODOS QUE REFLITAM E COMEÇEM A COMPRAR – JÁ – PRODUTOS DE FABRICO NACIONAL, FOMENTANDO O EMPREGO DO SEU SEMELHANTE, DO SEU AMIGO, DO SEU VIZINHO E ATÉ MESMO O SEU... (Luciano Pires) / (*) Director de marketing da Dana e profissional de comunicação)

2010-12-02 04:48:00

Doadores apertam o cinto. Falta de fundos força Governo a reduzir admissão de professores e de alunos


São precisos 468 milhões de dólares para garantir crescimento da Educação em 8%. Quebra de crescimento nos próximos três anos estimada já em 3%.

Maputo (Canalmoz) – Os doadores estão cada vez mais reticentes em dar dinheiro a um Governo “corrupto, de exclusão social e não transparente”. E o impacto disso já se reflecte em sectores chaves nacionais, como da Educação, onde por escassez de fundos o Governo pretende reduzir a admissão de professores e de alunos nos próximos três anos, precisamente os anos que faltam para terminar o presente mandato de presidente da República, Armando Guebuza que é simultaneamente o presidente do Partido Frelimo. Em princípio 2014 é o ano das próximas eleições gerais.
O ministro da Educação, Zeferino Martins, anunciou que nos próximos três anos (2011 -2013), o Governo vai reduzir o recrutamento de professores de todos níveis, bem como baixar o número de vagas actualmente disponíveis para a entrada no ensino médio (11ª classe).
O Canalmoz sabe que os cortes no sector da Educação resultam da redução sistemática dos fundos alocados ao Governo pelos doadores. Estes estão cada vez mais desinteressados em desembolsar dinheiro para um Governo que o classificam como “corrupto, de exclusão e não transparente.”
Aliás, nas 3 cartas que o principal grupo dos doadores (G19) endereçou ao Governo nos finais de 2009, de forma geral, exigiam mais “transparência, inclusão e empenho no combate à corrupção”.
Foi no âmbito destas exigências que chegou a haver a crise entre os doadores e o Governo no início deste ano, onde aqueles se recusavam a desembolsar fundos de financiamento directo ao orçamento para 2010. A situação foi aparentemente ultrapassada, mas as divergências entre as partes prevalecem, pois o Governo não está a mostrar bons sinais de “transparência, combate à corrupção e inclusão social”.

Procura de novos “patrões”

Para não se submeter à pressão dos doadores e manter as suas políticas amplamente criticadas pela maioria dos Estados membros do G19, principalmente os países nórdicos, Alemanha, e Inglaterra, o governo virou-se para outros lados para pedir apoio financeiro.
Pelo menos para o sector da Educação, o Ministro Zeferino Martins anunciou que o Governo solicitou à organização Fast Track Initiative (FTI), fundos avaliados em 160 milhões de dólares para cobrir algumas despesas e contornar o défice. Esta organização apenas garantiu 131 milhões de dólares, mantendo o défice de 29 milhões de dólares em relação aos anseios do Governo. Este apoio foi disponibilizado pela FIT e Banco Mundial, numa reunião havida em Madrid, em Novembro último.
Como mais soluções não aparecem, o Governo vai optar por fazer cortes de investimento na Educação. Para além da redução de professores e de vagas de ingresso no nível médio, o ministro da Educação disse que haverá ainda reduções na tiragem dos livros escolares de distribuição gratuita.
Sem abordar directamente a questão da transparência exigida pelos doadores, o ministro da Educação, que falava num encontro com jornalistas, disse que “o défice é um grande desafio para o sector”. E uma das soluções é optar por uma “gestão rigorosa de modo a evitar desvios de fundos ou aplicação de fundo em sectores que não sejam prioritários.”

São precisos 468 milhões de dólares para garantir crescimento da Educação em 8%


O crescimento do sector de educação em vários aspectos, relativamente à expansão de ensino, construção de infra-estruturas escolares, bem como o desenvolvimento institucional nos anos anterior (2007 - 2010), situou-se em 8%, mas nos próximos três anos irá reduzir para 5%, havendo uma diferença de 3%. Isto devido ao défice causado pelos cortes dos doadores.
Segundo o ministro da Educação, para manter o crescimento do sector nos 8% ou mais nos próximos três anos, são necessários 468 milhões de dólares.

(António Frades/Redacção)

2010-12-02 04:54:00

Tráfico de seres humanos Justiça condena pai acusado de vender sua filha em Mossurize

Manica (Canalmoz) - A Justiça condenou a seis anos de prisão maior um pai que vendeu sua filha menor, a um cidadão de nacionalidade sul-africana no distrito de Mussorize, província de Manica. Alega-se que ao vender sua filha, o pai pretendia liquidar dívidas que contraíra na compra de produtos comerciais para abastecer um pequeno centro comercial de que é proprietário.
Segundo o procurador chefe distrital de Mossurize, Heriques Alves Rafael, o cidadão ora condenado pelo tribunal provincial de Manica, agora encarcerado nas selas da cadeia provincial de Manica, responde pelo nome Jon Thaund Mavavi, e tem 37 anos de idade. É pai de 5 filhos e residente no posto administrativo de Mavuco, a sul de Mussorize.
A menor, cuja identidade omitimos por questões de protecção dos direitos da criança, foi transaccionada por 15 mil rands, cerca de 75 mil meticais ao câmbio actual. A menina iria servir como esposa do referido sul-africano. Pelo menos este era o acordo a que se havia chegado para a transacção da miúda, como consta. Entretanto, dados disponíveis indicam que muitas vezes as meninas levadas de Moçambique para Africa do Sul, com promessas de trabalho ou mesmo de casamento, acabam servindo a ‘indústria da prostituição’ naquele país vizinho.
Embora a venda da menor tenha sido gorada, a Justiça em Manica diz tudo estar a fazer para localizar o comprador da menor, e quiçá encontrar as raízes do tráfico de pessoas em Moçambique.
Este caso não é isolado. Notícias de tráfico de mulheres e crianças, principalmente raparigas, são frequentes em Manica. Num estudo recente da organização pró direitos da criança, ‘Save de Children’, apurou-se que as províncias de Manica, Tete e cidade de Maputo são as que se encontram na vanguarda do tráfico.

(José Jeco) 2010-12-02 04:42:00

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Portugal está "insolvente" e vai ter de recorrer ao fundo europeu. – diz Citigroup


Pretoria (Canalmoz) - Portugal está "insolvente" e pode precisar de recorrer ao fundo de resgate europeu a que já recorreram a Grécia e a Irlanda, segundo o economista chefe do Citigroup, citado pela agência de informação financeira Bloomberg.
"A atenção dos mercados pode voltar-se para a dívida soberana de Portugal, que aos actuais níveis das taxas de juro e das taxas de crescimento é menos dramático, mas ainda assim insolvente", afirmou Willem Buiter, economista chefe do Citigroup, num relatório avançado ontem.
O economista disse ainda que Portugal "vai ter de recorrer em breve ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira". (Redacção)

2010-12-01 05:30:00

Construtoras portuguesas pedem a Moçambique "quotas especiais" na contratação de mão-de-obra


Pretoria (Canalmoz) - A Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas de Portugal (AICCOP) considera "um êxito" a missão empresarial a Moçambique, mas apela às autoridades moçambicanas para "aplicarem quotas especiais" para empresas que queiram investir no país, refere o OJE citando a Lusa.
O presidente da AICCOP, Reis Campos, disse à Lusa que "muitas empresas portuguesas", de um total de duas dezenas, "estão muito interessadas" em investir em Moçambique, mas os empresários portugueses da área de construção civil depararam-se com a exigência de quotas para trabalhadores estrangeiros por parte do governo moçambicano, dado que a lei do trabalho no País estabelece tectos no número de contratação da mão-de-obra estrangeira, admitindo somente a entrada destes trabalhadores desde que não haja nacionais qualificados ou em número insuficiente para preencher o quadro de pessoal.
Citado pela Lusa, Reis Campos disse ter apresentado ao executivo de Maputo uma proposta de aplicação de quotas especiais para as empresas que entrem em Moçambique.
"Neste momento, precisamos nas nossas empresas que este número não seja tão díspar, pelo menos no início", disse Reis Campos à Lusa.
Numa pequena e média empresa a lei moçambicana admite apenas a contratação estrangeira em 10% da totalidade dos trabalhadores, o equivalente a um trabalhador estrangeiro num universo de 10 moçambicanos. Reis Campos sugere no entanto que "podiam ser dois ou três".
A AICCOP, segundo a LUSA, considera Moçambique "estratégico" para a internacionalização do empresariado português, assinalando "a aliança" com as construtoras moçambicanas como importante para o crescimento dos dois países.

(Redacção / OJE / Lusa) 2010-12-01 05:31:00

Canal de Poesia, por Carlos Cardoso. Cidade 1985


Maputo (Canalmoz) – Fez ontem 10 anos que Carlos Cardoso nos deixou fisicamente. Foi barbaramente assassinado por gente sem escrúpulos. Uma parte da justiça foi feita. Outra está por se fazer. Em memória do grande icon do jornalismo moçambicano, ontem os amigos e numerosos citadinos, nacionais e estrangeiros, designadamente a Mãe, o filho, a então esposa e demais familiares, estiveram no local do crime, agora melhorado e transformado num local mais aprazível. Esta sua poesia de 1985 mostra Carlos Cardoso e o seu amor também por Maputo, apesar de ter nascido na Beira.

Cidade 1985

De manhã quando acordo
em Maputo
o almoço é uma esperança.
Mãe tenho fome
marido tenho bicha
e mil malárias me disputando a vontade.

De manhã quando acordo
em Maputo
o jantar é uma incerteza
o serviço uma militância política
do outro lado do sono incompleto
e o chapa-cem um regulado impiedoso
no quatro barra oitenta sem contra-argumento.

De manhã quando acordo
em Maputo
o vizinho já candongou o que me roubou
a estomatologia não tem anestesia
a chuva abriu dialecticamente mais um buraco na estrada
e o conselho executivo continua desdentado de iniciativas.

De manhã quando acordo
em Maputo
Porra para a vizinha que estoirou a torneira do rés-do-chão
Porra para o guarda que não ligou a bomba quando veio a água
Porra para os cem gramas de carne apodrecidos
no silêncio desenergético de Komatipoort
mais as ó eme sede de efes
e o soldado que ainda não ouviu dizer que os passeios
são lugares públicos e os fulanizados exploradores de outrora
que se preparam para cuspir na tua campa, ó Mataca
às ordens de um Mouzinho boer.

De manhã quando me percorro
em Maputo
enfio ominosamente o cérebro numa competentíssima paciência desembainho felinamente mais uma mentira diplomática
e aguardo a lucidez companheira me leia
nas acácias em sangue
nos jacarandás estalando sob a sola epidérmica do povo
que este é ainda o eco estridente do Chai
até que Botha seja farmeiro e Mandela Presidente.

Então,
com a raiva intacta resgatada à dor
danço no coração um xigubo guerreiro
e clandestinamente soletro a utopia invicta.

À noite quando me deito
em Maputo
não preciso de rezar.
Já sou herói.

(Carlos Cardoso) 2010-11-23 05:43:00



















Mudar a vida, transformar o mundo


Nada melhor para um autor do que ter leitores inteligentes.
Podem não estar de acordo, e ainda bem!; podem, por vezes, ser mal-educados e até grosseiros, quando ocultam a cobardia no anonimato - mesmo assim, desde que inteligentes, vale a pena tê-los. Ao longo de uma vida de combates e causas tenho sido objecto de comentários azedos e indecorosos. Não me afectam. Já o disse e escrevi em amiudadas ocasiões. Evidentemente, as injúrias ficam a com quem as pratica e, acaso esses correspondentes fossem decentes e dignos, escrever-se-iam directamente. O meu correio electrónico está aposto no final das crónicas que subscrevo. E tenho por costume responder a toda a gente.

Baptista Bastos - b.bastos@netcabo.pt

Mas há políticos, comentadores, analistas, jornalistas que são objecto de frases escabrosas, comportando insultos pessoais. Há quem não aguente esta onda de canalhice. Ainda há tempos, uma jornalista conhecida solicitou, à direcção do diário onde trabalha, a supressão dos "comentários" que leitores desbocados faziam electronicamente. Eram pequenos textos absolutamente repugnantes. Os artigos dessa jornalista atingiam os objectivos a que se propusera: zurzir nos lombos de reaccionários, de biltres e de safados. Estes reagiam com a cobardia de quem não dá a cara.

O escrevinhador anónimo não fornece, somente, a dimensão do infame. Trata-se de um espírito doente, da ordem da psiquiatria, a que os psiquiatras atribuem uma catalogação específica. O correio electrónico quase se transformou num confessionário de medrosos (e de merdosos), habitualmente ressentidos, de Direita, antigos legionários e filhos e netos de pequenos fascistas de trazer por casa.

Há artigos e ensaios que explicam estas situações. A circunstância de não haver regulação permite que indivíduos caluniem todos aqueles que entendam. Geralmente, pessoas de quem não gostam, por este ou aquele motivo, por esta ou por aquela razão. Frequentemente, essas aleivosias seguem a dignidade do visado, pegam-se-lhe como lapas e prejudicam, profundamente, a pessoa e as famílias.

Tenho para mim que a gravidade da questão reside, essencialmente, aí. E como sou absolutamente contra qualquer espécie de censura, prefiro o carácter fraudulento e desprezível do canalha anónimo do que a redução do que ele diz a uma mordaça.

A existência, e a prática, do leitor inteligente permitem que a discussão atinja níveis elevados. No caso vertente, há correspondentes (não me refiro a blogues, bem entendido) cujo grau cívico, intelectual e cultural é tão baixo que repugna. Não é de estranhar. O nível de leitura dos portugueses é baixíssimo; a escolaridade obrigatória não é nada obrigatória; os seus interesses limitam-se ao conhecimento dos nomes dos futebolistas, aos clubes a que pertencem ou a que vão pertencer; e a ter comportamentos selváticos, antes, durante e depois de certos desafios.

Digamos, sem rebuço, que o português comum ignora o que se passa em Portugal nos domínios da política, da arte, da literatura, da ciência. O programa da RTP-1, "Quem quer ser milionário" é elucidativo. Às perguntas mais rudimentares sobre História, Geografia, os concorrentes respondem com autênticas bojardas. E muitos deles possuem cursos superiores!

Na quarta-feira, p.p., o "Público" noticiava que jovens, dos mais qualificados que até hoje existiram no nosso País, estão em debandada para o estrangeiro. Não são nenhum daqueles que aparecem no tal programa, certamente. Mas a imagem de Portugal é-nos também devolvida pela Imprensa que temos. Um Imprensa acrítica, preguiçosa, notoriamente tendenciosa e sempre, ou quase sempre, favorecedora de quem está no poder - ou para lá caminha. O contra-senso é que, entre os mais novos, há excelentes jornalistas… e péssimo jornalismo.

Há dias, o meu velho camarada Germano Silva, grande jornalista e admirável historiador da cidade do Porto, telefonou-me. Discreteámos, levemente, sobre as coisas gerais e sobre o jornalismo em particular. Ele, como eu, não ocultámos a nossa perplexidade ante a regressão que a Imprensa portuguesa tem assinalado, nas duas últimas décadas. Regressão intelectual, moral, ética e estética, estilística, filosófica. Que aconteceu? Uma apressada "licenciatura" em comunicação social e logicamente, uma aberrante entrada nos jornais de pessoas mal preparadas, que são exploradas até ao tutano e, a seguir, atiradas pela porta fora.

O desleixo, a preguiça mental, a mediocridade instalaram-se em todos os sectores da vida nacional. Quando escutamos o prof. Medina Carreira há quem o acuse de apocalíptico e negativista. Porém, ele toca nas questões fundamentais do nosso viver. E há anos que no-lo diz, servindo-se de um idioma luminoso e extremamente pedagógico. Quantos políticos encartados se exprimem com a clareza meridiana de que Medina Carreira é exemplo?, quantos? Acrescente-se que ele é um homem sério, digno e fecundo porque nos ensina sem nada pedir em troca.

A crise moral do País é muito mais grave do que dizem os preopinantes que por aí pululam. Os exemplos, maus, vêm de cima. Como é que os diferentes ramos sociais poderiam ser diferentes? Que fazer? Mudar a vida, transformar o mundo.
b.bastos@netcabo.pt

ANGOLA. Prevê-se crescimento económico em 2010 na ordem dos 5.9%


Pretoria (Canalmoz) - A produção de biocombustíveis já está a ter impacto no crescimento económico angolano, sendo um dos factores por detrás da actual aceleração, juntamente com a subida da produção petrolífera e maior investimento público, de acordo com a “Economist Intelligence Unit (EIU)”.
No seu mais recente relatório sobre Angola, a EIU prevê para este ano um crescimento da economia de 5,9%, uma forte recuperação em relação à contracção de 0,9 % que estima tenha ocorrido no ano passado.
“Prevemos uma forte retoma em 2010, apoiada pela subida da produção e preços do petróleo, investimentos públicos robustos e o início da produção dos primeiros projectos de biocombustíveis”, refere a EIU.
No próximo ano, o crescimento económico deverá acelerar, em linha com a subida da produção petrolífera.
O projecto de Gás Natural Liquefeito (GNL), avaliado em 8 mil milhões de dólares, deverá contribuir para um novo salto do crescimento económico em 2012, para 9,4 %.
Nesse ano, as exportações angolanas deverão atingir 60,7 mil milhões de dólares, um terço mais do que o registado em 2009.
“Prevê-se que se mantenham de modo geral estáveis de então em diante, graças ao abrandamento do crescimento da produção [petrolífera] e moderação de preços”, refere a Economist Intelligence Unit (EIU).
A EIU avança mesmo com previsões de crescimento médio para 2013 e 2014, que estima em 7,7 %, e sublinha que a expansão económica vai continuar a ser de capital intensivo e dependente de importações, concentrada em actividades como a construção e sector financeiro.
O investimento estrangeiro deverá continuar a ser dominado por capital português, brasileiro e chinês, escreve a EIU.

(Redacção / Macauhub) 2010-11-29 11:44:00

Diplomacia dos EUA ainda deita fumo e Assange já anuncia novo dossier. O Bank of America poderá ser o alvo das revelações de Janeiro de 2011


Julian Assange continua em paradeiro desconhecido, mas ontem a revista "Forbes" conseguiu falar com o fundador da WikiLeaks ao telefone. Provavelmente nem a revista americana esperava ser o arauto de mais um anúncio WikiLeaks: o próximo alvo do website será uma "grande instituição financeira" dos EUA.

http://www.ionline.pt/conteudo/91511-wikileaks-julian-assange-prepara-ataque-grande-banco

Forbes: É um banco americano?
Assange: Sim, é um banco americano.

F: Um banco que ainda existe?
A: Sim, um grande banco americano.

F: O maior banco americano?
A: Não comento.

F: Quando acontecerá [a divulgação]?
A: No início do próximo ano.

Este foi o momento da entrevista em que o ex-hacker australiano, que já tem a cabeça a prémio (ver texto secundário), disse não adiantar mais pormenores sobre as revelações. Mas, depois de uma pausa, acabou por revelar que o próximo dossier servirá para "dar uma visão representativa e verdadeira de como se comportam os bancos a nível executivo e irá estimular investigações e reformas [no sector financeiro]".

Ecossistema de corrupção. A entrevista foi dada ao mesmo tempo que um porta-voz do site anunciava que o WikiLeaks continua sob ataque de hackers. Mas a notícia pareceu passar ao lado de Assange, que se concentrou no novo alvo e disse à "Forbes" que os milhares de documentos que a WikiLeaks vai publicar sobre a ainda incógnita instituição financeira não serão tão explosivos como o dossier sobre a Guerra do Iraque, mas servirão para denunciar o que considera ser um verdadeiro "ecossistema de corrupção". E antecipa já um caso semelhante ao escândalo Enron - que remonta a 2002 e que, por envolver a conivência de bancos, directores, funcionários, accionistas e uma empresa de auditoria, se tornou num dos mais famosos casos de fraude fiscal nas últimas décadas do sector. "Quando a Enron colapsou, através de processos legais, milhares e milhares de e-mails, que eram internos, surgiram e funcionaram como uma janela sobre a forma como toda a empresa era gerida", explicou à "Forbes", adiantando: "Foram todas essas decisões pequenas que suportaram violações flagrantes."
Apesar das críticas, Assange não afirma que as acções do banco em questão sejam criminosas. "Tudo o que posso dizer é que existiram práticas não-éticas, mas é muito cedo para sugerir que houve criminalidade. Temos de ser cuidadosos ao aplicar rótulos criminosos nas pessoas enquanto não há certezas."

Modus Operandi. Daniel Hamilton, director do centro de Relações Transatlânticas da Universidade Johns Hopkins, admite ao i que "a natureza ilegal das revelações do Wikileaks podem levar as autoridades norte-americanas a exigir uma resposta legal contra este grupo". Mas sobre o novo alvo da organização, o especialista em Relações Internacionais não se pronuncia. Com a publicação destes documentos, a Wikileaks parece estar a mudar de estratégia: abandona os alvos políticos e concentra-se numa questão global, ao apontar a mira a um nome da lista dos que são vistos como os responsáveis pela actual crise económica e financeira mundial.
A ligação de Assange a Bradley Manning - o soldado de 23 anos que terá passado documentos secretos da administração ao fundador da WikiLeaks - também parece sair de cena. E neste novo teatro, apesar de ainda não se saber quem será o alvo específico do ''ataque'', há indícios claros que levaram os media e os analistas a especulações imediatas, com base numa breve viagem pelo tempo: em entrevista à revista "ComputerWorld" em Outubro de 2009, Assange garantiu que a WikiLeaks tem em sua posse cinco gigabytes de informação, obtidos da hard-drive de um executivo do Bank of America - o maior banco norte-americano.

Bank of America na mira? Contactada por vários jornais, uma porta-voz do banco disse que a instituição está ciente das alegações da WikiLeaks, mas garantiu que "o banco não foi contactado pelo grupo" nem "obteve qualquer prova de que ele tenha as informações". Ainda assim, as acções do Bank Of America caíram 2,5% no rescaldo do anúncio.

Ao longo da tarde, analistas financeiros concentraram-se no tópico para alimentar os blogues e sites noticosos. No seu blogue, Halah Touryalai, jornalista de Banca e Investimentos da "Forbes", antevê: "A menos que os documentos provem que o Hezbollah é financiado por algum banco de investimento de Wall Street, o mais provável é que todos os grandes bancos americanos continuem de pé depois das revelações."

Imagem de arquivo de Julian Assange, fundador de Wikileaks. | Efe