segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Emboscada de Corda contra Motociclista. Por Maka Angola


O motociclista António Paulo sofreu ontem, 24 de Dezembro, uma emboscada na via pública, em Cafunfo,  combinada entre agentes policiais e guardas privados, que lhe causou graves ferimentos no pescoço. A vila de Cafunfo situa-se no município do Cuango, na província da Lunda-Norte.

Por ordem de efectivos policiais, guardas da empresa privada de segurança Bikuar, montaram a emboscada nas imediações da Travessia de Katewe, com uma corda a atravessar a estrada, de acordo com António Paulo. A Bikuar presta serviços à empresa de exploração de diamantes Sociedade Mineira do Cuango.

Ao passar, a uma certa velocidade, “os guardas puxaram a corda, que me atingiu no pescoço, caí da motorizada e comecei a sangrar muito”, explicou a vítima.

Segundo o motociclista, que prestava serviço de moto-táxi, da referida travessia à Cafunfo, a punição deveu-se à sua indisponibilidade para pagar, minutos antes, 1,000 kwanzas ao chefe do controlo de reguladores de trânsito, conhecido apenas por Gasparito.

“O Sr. Gasparito mandou-me parar e, pessoalmente, cobrou-me 1,000 kwanzas de ‘taxa’ para poder circular à vontade o dia todo. Eu disse que ainda não tinha ganho nada e não tinha dinheiro. Continuei a minha viagem”, disse António Paulo.

Em reacção, “o Sr. Gasparito ordenou ao colega dele Tony, para perseguir-me. No meu regresso, o Tony já estava no posto da Bikuar e quando me viu gritou para os guardas puxarem a corda da emboscada”, esclareceu.

O ferido foi levado à 2ª Esquadra policial, em Cafunfo, enquanto o agente Tony apreendeu a motorizada.

Por sua vez, o oficial de dia, conhecido apenas por Imperial, procedeu à acareação dos factos com os envolvidos, incluindo o guarda da empresa Bikuar, que executou a ordem de puxar a corda.

Como resultado do inquérito informal, o oficial Imperial ordenou a evacuação do ferido para o Hospital Central de Cafunfo, onde foi tratado apenas com a emissão de uma receita para a compra de medicamentos.

O mesmo oficial encarregou também o agente Tony, como o responsável pelo acidente, de assumir os custos com o tratamento de António Paulo, que teve de recorrer a um posto médico privado, onde contraiu uma dívida de 11,000 kwanzas.

Esta manhã, António Paulo foi apresentar queixa formal à Secção Municipal de Investigação Criminal (SMIC), na 2ª Esquadra. Na presença do correspondente do Maka Angola em Cafunfo, o oficial de serviço informou que não estão a receber queixas hoje e pediu desculpas pelo inconveniente.

Homicídios

Os actos de violência de agentes policiais e militares, contra cidadãos indefesos, têm estado a aumentar na região do Cuango.

A 20 de Agosto passado, por volta das 19 horas, uma patrulha conjunta de soldados das FAA, pertencentes à 75ª Brigada de Infantaria, e agentes da Polícia Nacional detiveram três garimpeiros, nas imediações de Katewe, no posto de Controlo do Rio Café.

Os garimpeiros telefonaram ao seu patrocinador, conhecido apenas como Ruben, e um dos soldados falou directamente com ele, tendo exigido o pagamento de US $500 para a libertação dos garimpeiros. O patrocinador alegou não ter tal montante, nem mesmo o valor de rebaixa para o resgate, fixado em US $300.

Houve discórdia, segundo agentes da polícia que descreveram o caso ao Maka Angola. Um cabo das FAA, identificado apenas como Nando, disparou contra o cidadão da República Democrática do Congo, Lefu Kule, de 32 anos.

Os outros dois companheiros puseram-se em fuga. Mais tarde regressaram ao local e encontraram Lefu Kule semi-enterrado numa vala. No dia seguinte, pela manhã, a polícia procedeu à investigação do corpo, e por cinco dias impediu a família de remover o corpo. O comandante municipal da Polícia Nacional, Celestino Caetano, ordenou o enterro de Lefu Kule por um dispositivo fortemente armado da Polícia Nacional e das FAA. À família do malogrado foi apenas permitido cavar a sepultura, no cemitério junto ao aeródromo de Cafunfo.

A 13 de Dezembro, a mesma área de Katewe registou outro caso de homicídio imputado a efectivos da Polícia de Guarda Fronteira. O cidadão da República Democrática do Congo, Hobei Makila, de 37 anos, foi morto por um agente policial, que o atingiu com um tiro no lado esquerdo do maxilar.

Um grupo de agentes policiais havia interceptado uma moto-táxi, cujo passageiro era Hobei Makila. Segundo depoimentos de testemunhas oculares, incluindo do taxista, um dos agentes revistou o cidadão congolês, encontrou US $100 num dos seus bolsos e “confiscou-o”. Por ter reclamado a devolução do seu dinheiro foi baleado. Acabou por falecer no Hospital Central de Cafunfo.

Efectivos da Polícia Nacional procederam ao seu enterro no Bairro Gika, na área de Ngonga Babi.


A Tentativa de Golpe de Estado. Por Rafael Marques de Morais


O segundo comandante-geral da Polícia Nacional, comissário-chefe Paulo de Almeida, concedeu esta manhã uma grande entrevista à Rádio Ecclésia.  Revelou, para espanto de muitos, uma suposta tentativa de golpe de estado contra José Eduardo dos Santos.

makaangola

Paulo de Almeida garantiu que a tentativa de manifestação, a 23 de Novembro passado, sobre o caso de Cassule & Kamulingue, visava outros objectivos.

“Temos provas de que [a manifestação] era para tomada ao poder. Temos provas de que era para o assalto ao poder.”, disse o comissário-chefe. “Isso não é manifestação”, esclareceu.

Segundo o comandante, a repressão policial contra os manifestantes visou tão somente impedir a tomada do poder. Paulo de Almeida contrariou a ideia de que as tentativas de manifestação, ocorridas no país desde 2011, têm sido pacíficas. Para si, a ideia de manifestação pacífica é apenas uma propaganda contra o poder.

Gostei da entrevista.

Gostei mais da franqueza do principal responsável pela ordem pública no país, na sua qualidade de segundo comandante-geral para a Ordem Pública.

O comissário-chefe confirmou, sem tergiversar e com orgulho, que é o comandante da repressão  contra o exercício dos direitos civis e politicos consagrados na Constituição, mas incómodos para o regime.


Com serenidade, o comandante também deixou claro que o papel fundamental da Polícia Nacional é o da defesa do poder presidencial de José Eduardo dos Santos. A Constituição é o chefe, o resto é irrelevante.  A lei e a ordem que a polícia protege não é senão a manutenção do poder pessoal do chefe e dos que o rodeiam.

Mas, isso não é novidade. A tentativa de golpe de estado é.

O primeiro acto de ilegitimidade e crime definidos na Constituição, no seu artigo quarto, é a “tomada e o exercício do poder politico com base em meios violentos ou por outras formas não previstas nem conformes com a Constituição”.

As declarações do comissário-chefe são bastante problemáticas na medida em que bastou apenas a repressão, à bastonada e com gás lacrimogêneo, dos manifestantes que se preparavam para assaltar o poder. Paulo de Almeida descreveu como os golpistas tomariam controlo do palácio do governador de Luanda, à Mutamba, e o palácio presidencial na Cidade Alta.

Primeiro, não houve qualquer pronunciamento do presidente, cujo poder esteve prestes a cair nas mãos de golpistas sem rosto.

Segundo, a Procuradoria-Geral da República não intentou nenhuma acção criminal contra os supostos assaltantes do poder.

Terceiro, a própria polícia, sob comando do  comissário-chefe Paulo de Almeida, não deteve nenhum suspeito da intentona.

Quarto, é um caso raro no mundo uma tentativa de golpe ser repelida exclusivamente por forças policiais, usando apenas os seus métodos embrutecidos de pancadaria.

Todavia, as declarações do comandante da Polícia Nacional sobre o golpe de estado oferecem algumas leituras interessantes sobre a situação política actual no país.

As tentativas reais e imaginárias de golpe podem justificar as constantes “dores de dente” que levaram o presidente a permanecer um quarto do presente ano fora do país. Avisado e temeroso como é, Dos Santos pode estar a colocar-se a bom recato.

Da parte do regime não tem havido quaisquer rodeios em acusar a UNITA e a sua liderança como sendo um perigo para a paz e a democracia. O governo perdeu a legítima oportunidade de acusar e levar a julgamento os homens da UNITA que convocaram a manifestação do dia 23 de Novembro.

Assim, resta especular que os alegados mentores do golpe se encontram acoitados no seio do exército nacional, do executivo ou da própria presidência.

O barulhento do Adolfo Campos, o menor Nito Alves e outros jovens frustrados –
 conforme definição presidencial – que se têm manifestado contra o regime, mal têm recursos para organizar um almoço entre si. Como chegariam ao palácio? Munidos de megafones apenas? Excluída essa possibilidade, na sociedade civil, resta o Abel Chivukuvuku e a sua CASA-CE, actualmente a terceira força política no país.

A CASA-CE não aceitou participar na referida manifestação. Optou por algo diferente e complementar: a colagem de cartazes a exigir justiça para o caso Cassule & Kamulingue. Por essa iniciativa, a referida coligação política pagou com a vida do Manuel de Carvalho Ganga. Este jovem foi morto a tiro pela Unidade de Segurança Presidencial, na madrugada do mesmo dia, depois de ter sido detido a colar cartazes no Estádio dos Coqueiros.

Aqui importa perguntar se a CASA-CE tentou dar um golpe de estado no cemitério da Santana. Esta formação política organizou uma marcha funerária para enterrar o seu membro, a 27 de Novembro. A polícia do comissário-chefe Paulo de Almeida reprimiu a procissão funerária, com gás lacrimogéneo e um aparato desproporcional. A marcha fúnebre decorria a quilômetros do palácio presidencial e movimentava-se em sentido contrário ao assento do poder. Qual é a explicação?

Há uma explicação mais simples.  A intervenção do comissário-chefe Paulo de Almeida pode ser vista no âmbito de uma disputa interna de poder para a chefia da Polícia Nacional.  Há pressões internas para a reforma, em breve, do actual comandante-geral, comissário-chefe Ambrósio de Lemos. Quanto mais radical e aparentemente fidelíssimo ao chefe, mais o comissário-chefe Paulo de Almeida poderá augurar à nomeação para tão cobiçado posto.

A psicose que afecta muitos membros do regime, sobre a eventualidade de um dia virem a perder o poder requer a intervenção de psiquiatras e quimbandas. O medo dos dirigentes parece superar o da população.

Outro aspecto importante da política angolana, a ter em conta, é o culto que alguns dirigentes professam: falar à toa. O comissário-chefe Paulo de Almeida também faz parte desse grupo.

Por ora, a inventona golpista só tem um suspeito, o próprio comissário-chefe Paulo de Almeida.

A última manifestação em Luanda.





BP do MPLA garante combater “em nome dos seus militantes” tentativas de desestabilização do país


Luanda – O Bureau Político do MPLA, partido no poder desde 1975, assegura que “continuará a lutar, em nome dos seus militantes, simpatizantes e amigos, pela consolidação da paz e da segurança interna e externa do país, combatendo energicamente todas as tentativas ou acções que visem desestabilizar o país e atentar contra as regras da democracia e da convivência pacífica”.

Fonte: Club-k.net

Estas declarações constam num dos parágrafos de uma nota de imprensa daquele partido distribuída, esta terça-feira, à imprensa, alusivo ao 53º aniversário do massacre de Baixa do Cassanje, ocorrido a 4 de Janeiro de 1961, na província de Malanje.

Ei-la.

Passados 53 anos do Massacre da Baixa de Kassanje, o MPLA garante, em nome dos seus militantes, simpatizantes e amigos, que continuará a lutar pela consolidação da paz e da segurança interna e externa do país, combatendo energicamente todas as tentativas ou acções que visem desestabilizar o país e atentar contra as regras da democracia e da convivência pacífica.
 
“Comemora-se, a 04 de Janeiro, o DIA DOS MÁRTIRES DA REPRESSÃO COLONIAL, em homenagem às vítimas do massacre ocorrido na Baixa de Kassanje, província de Malanje, em 1961, onde centenas de indefesos camponeses foram barbaramente assassinados, por reivindicarem melhores condições de trabalho e uma vida digna.

Instituído pela Assembleia Nacional como Data de Celebração Nacional, o MPLA considera o 04 de Janeiro como uma jornada de reflexão e exaltação, pelo contributo prestado por esses bravos camponeses, vítimas da violência do então regime colonial português, que tentava silenciar os anseios dos angolanos à liberdade.

Ao assinalarmos o 53º aniversário desse hediondo acto, o Bureau Político do MPLA manifesta o seu reconhecimento a todos os patriotas que se sacrificaram e deram a vida em defesa dos ideais de autodeterminação, ciente de que o seu exemplo vai perdurar na história e na memória do povo angolano.

Passados 53 anos do Massacre da Baixa de Kassanje, o MPLA garante, em nome dos seus militantes, simpatizantes e amigos, que continuará a lutar pela consolidação da paz e da segurança interna e externa do país, combatendo energicamente todas as tentativas ou acções que visem desestabilizar o país e atentar contra as regras da democracia e da convivência pacífica.

O MPLA exorta a todo o povo angolano a continuar a construir um país livre e soberano, onde a paz, tão duramente conquistada, seja o alicerce para a reconciliação nacional e o desenvolvimento de Angola, no quadro da sua estratégia de desenvolvimento, para que possa crescer mais e distribuir melhor.      

MPLA – ANGOLA A CRESCER MAIS E A DISTRIBUIR MELHOR
PAZ, TRABALHO E LIBERDADE
A LUTA CONTINUA
A VITÓRIA É CERTA.

Luanda, 03 de Janeiro de 2014.
O BUREAU POLÍTICO DO MPLA

sábado, 4 de janeiro de 2014

Terror Continua nas Lundas. Por Maka Angola


O supervisor da empresa privada de segurança Bikuar, conhecido como Ratinho, disparou à queima-roupa e atingiu, na cabeça, Maró Maria Franco, de 28 anos. O corpo do motorista inclinou-se ligeiramente para a frente. A cabeça tocou no volante, a chave continuou na ignição. O jovem morreu sentado, por volta das 13h45, na viatura que conduzia, a 27 de Dezembro, na área diamantífera de Calonda, no município do Lucapa, província da Lunda-Norte.

A seu lado, o jovem que o acompanhava, no Toyota Land-Cruiser, saiu ileso.

Matar tem sido o lema entre os guardas das empresas privadas de segurança, ao serviço das companhias diamantíferas, nas Lundas. A impunidade tem sido a palavra de ordem entre os proprietários das referidas empresas, por norma altos oficiais do exército e da Polícia Nacional.

Nesse cortejo de mortes, a diferença tem estado apenas nos detalhes sobre como a vida alheia, nas Lundas, não vale nada.

Segundo depoimentos prestados pelo irmão do malogrado, António Aleluia, de 19 anos, que se fez presente ao local, Maró Maria Franco foi morto porque se recusou a entregar a chave da viatura. O supervisor da Bikuar havia bloqueado a via com outra viatura e exigiu a chave para confisco do Toyota. “O meu irmão disse que estava conduzir na via pública e não tinha nada de entregar as chaves. Foi morto por isso”, reafirmou António Aleluia .

Maró Maria Franco trabalhava para um comprador de diamantes de nacionalidade senegalesa, conhecido localmente como o Boss Petit Ba. Transportou uma equipa de garimpeiros, ao serviço do seu patrão, para uma zona de exploração artesanal. A abordagem fatal aconteceu na sua viagem de regresso.

“Eu fui remover o corpo do meu irmão porque a polícia estava lá no local, incluindo o comandante da Polícia do Sector de Calonda, o intendente Mário Muandumba, mas não fazia nada e as horas passavam”, disse António Aleluia.

“ Só depois de eu ter pegado no corpo, um dos oficiais disse para eu esperar, para eles tirarem dados. Como eu estava muito nervoso, colocaram-me na viatura do próprio comandante Muandumba”, afirmou o irmão da vítima.

Na viatura do comandante encontrava-se já o motorista da Alfa-5, que transportava o supervisor da Bikuar e, segundo depoimentos recolhidos junto da polícia local, terá facilitado também a sua fuga da cena do crime.

A Alfa-5 e a Bikuar prestam serviços privados de segurança à Sociedade Mineira de Angola (Somipa), a empresa diamantífera que actualmente faz a prospecção de diamantes no Calonda.

O General JJ

De acordo com o depoimento de António Aleluia, na viagem de regresso à vila de Calonda, “o comandante Muandumba falou com o general JJ, a quem tratava por sua excelência, para ficar tranquilo. ‘Sua excelência, vou pôr tudo em ordem, fica calmo’ dizia o comandante”.

O general JJ, cuja verdadeira identidade a testemunha desconhecia, é o segundo comandante provincial da Polícia Nacional no Uíge, subcomissário José João. Até recentemente, o subcomissário exercia as mesmas funções na província da Lunda-Norte. É o principal responsável da empresa Bikuar, no relacionamento com as autoridades locais.

Maka Angola tem acompanhado as intervenções pessoais do general JJ junto da polícia local, sempre que os guardas da empresa cometem actos de homicídio e outros crimes.

João Inácio, tio do malogrado, interveio na narrativa para reafirmar o que é um segredo público na Lunda-Norte. “Os donos dessa empresa são o general JJ, o próprio governador provincial da Lunda-Norte, Ernesto Muangala, e o empresário Santos Bikuku. Não vamos esconder a realidade”.

“Essa empresa é um exército clandestino que criaram para dar cabo do povo”, alegou o tio da vítima.

Em reacção ao homicídio, centenas de populares tomaram de assalto o principal acampamento da Bikuar, situado fora do perímetro da mina, tendo os guardas abandonado o local em debandada. Efectivos policiais foram enviados ao local para dispersar a população a tiro, quando estes destruíam e saqueavam o referido acampamento.

Já no comando policial de Calonda, o comandante Muandumba telefonou ao “general JJ”, diante de vários membros da família do malogrado, para negociar uma compensação. “Na nossa presença, o comandante perguntou-nos o que queríamos, para transmitir ao general JJ”.

O tio João Inácio detalhou a conversa entre o padrasto, em representação da família, e o comandante, em nome do subcomissário José João. O padrasto recusou-se a negociar sem a presença dos familiares directos, na altura em viagem para o local, e exigiu apenas o montante devido para a realização das despesas do funeral, avaliadas em um milhão de kwanzas (US $10,000).

“O comandante Muandumba ligou outra vez para o general JJ [o subcomissário] apresentou a proposta e recebeu instruções e um número de telefone para ligar à direcção da Somipa, para a empresa efectuar o pagamento”, revelou João Inácio.

Maka Angola teve acesso às duas notas de entrega de um total de 900,000 kwanzas à família. A nota da Somipa, datada de 31 de Dezembro, indicava a contribuição de 500,000 kwanzas da concessionária diamantífera e foi assinada pelo seu director de operações, Viacheslav Savelyev. A segunda nota, de 400,000 kwanzas, como contribuição da Bikuar, foi assumida pela Esquadra policial de Calonda e assinada pelo seu comandante, Mário Muandumba.

“Venho por intermédio desta informar que Esquadra Policial do Calonda que em função do incidente ocorrido no dia 27 de Dezembro de 2013, às 13:45 que vitimou o cidadão Maró Maria Frank procedemos à entrega de 400,000,00 Kz (quatrocentos mil kwanzas) valores provenientes da direcção da Bikuar à mãe da vítima senhora Maria Tchabua Ngamba (…)”, lia-se na nota de entrega da polícia.

No entanto, os montantes só foram entregues a 2 de Janeiro.

Injecções de Gasolina no Corpo

Apesar dos grandes anúncios de desenvolvimento que têm ocorrido no país, a morte de Maró Maria Franco expôs a falta de uma morgue no município do Lucapa, uma área com mais de 80,000 habitantes e rica em diamantes.

Os familiares tiveram de levar o corpo directamente para casa. O enterro seria realizado no dia seguinte, enquanto aguardavam pela chegada de mais familiares provenientes de Luanda e Cafunfo.

“Para não inflamar e manter o corpo até ao enterro, tínhamos de injectá-lo regularmente com gasolina. É assim que fazemos aqui para conservarmos os nossos mortos até serem enterrados”, explicou João Inácio.