Por Serafim Kanda:
Os resultados do inquérito sobre a morte dos 19
oficiais superiores das Forças Armadas Angolanas (FAA) no acidente de aviação
de 14 de Setembro de 2011, na cidade do Huambo, deverão ser arquivados, segundo
fonte da Força Aérea Nacional (FAN).
Sob anonimato, o oficial, confidenciou que os
resultados do inquérito atribuem a responsabilidade do acidente ao comando da
FAN e ao piloto do aparelho. O despenhamento da aeronave
Embraer-120, na descolagem, causou a morte imediata de 17 dos 23
passageiros e tripulantes. Dois dos seis feridos, que se encontravam em estado
grave, faleceram no Hospital Militar Principal, o que elevou, para 19, o número
de vítimas mortais.
No dia a seguir ao acidente, a 15 de Setembro, uma
outra aeronave da força aérea, do tipo SU-22, despenhou-se quando realizava um
voo de rotina no Lubango, província da Huíla. O seu tripulante, o
tenente-coronel António Firmino “Murray”, morreu no acidente.
Segundo a fonte, “este inquérito seria da
competência da Inspecção das Forças Armadas Angolanas. A maior parte dos
inquéritos mandados instaurar na Força Aérea nunca são divulgados, porque eles
[os comandantes que se auto-investigam] não aceitam aparecer como culpados”.
Ainda de acordo com a mesma fonte, os resultados
definitivos do inquérito revelam que, na altura da descolagem, tripulava o
avião um estagiário “e não podia ser ele a fazê-lo”.
No acidente morreram, entre outros, os
tenentes-generais Bernardo Leitão Francisco Diogo “Lelu Kizua” e Elias Malungo
Bravo da Costa Pedro “Kalias’; o brigadeiro Demóstenes Katata; os coronéis
António Alfredo Ramiro Cardoso Miguel Estevão, Elias de Jesus Vasco Cunha e
Fonseca Luís Ventura; o capitão de mar-e-guerra, Gonçalo Simão Mendes; os
tenentes-coronéis António Garcia Gonçalves e Pascoal José Mateus Pedro; o major
Américo Vasco Brandão e o sargento-chefe João Andrade Nascimento dos Santos.
Apurou-se também que o então Chefe do Estado-Maior
da FAN, general Francisco Lopes Gonçalves Afonso “Hanga”, tem solicitado, ao
executivo, verbas para a renovação da frota da força aérea, que
actualmente se encontra em muito más condições. Os aviões da força aérea
são conhecidos, na instituição, como ‘caixões voadores’. Para além da renovação
da frota, esta instituição militar carece também de radares e
helicópteros-ambulância.
Só no ano passado a FAN registou mas de seis
acidentes aéreos. Em nenhum dos casos foram divulgados os resultados dos respectivos
inquéritos. Apesar dessas debilidades, as FAA continuam a afirmar-se como uma
potência militar em África.
Entretanto, alguns oficiais ligados à comissão de
inquérito têm-se insurgido contra o cancelamento e arquivamento do
inquérito. Terão detectado uma série de irregularidades envolvendo diversos
oficiais generais, entre outros dirigentes, que se servem de meios da FAN para
proveito próprio. Há também fortes indícios, segundo as mesmas fontes ligadas
ao inquérito, do uso de aeronaves da FAN para facilitar o corredor de tráfico
de drogas entre Angola, Guiné Bissau, São Tomé, República Democrática do Congo
e África do Sul.
A situação da FAN tomou novos contornos quando, a
28 de Março do corrente, um helicóptero do tipo Allouette 3, pertencente à FAN
despenhou-se no trajecto Kuito – Huambo. O aparelho levava a bordo dois
tripulantes e quatro profissionais da Televisão Pública de Angola (TPA). O
tripulante Manuel André e o operador de câmara Feliciano Saiminho (Mágico),
faleceram no acidente.
Na última semana de Julho, o comandante-em-chefe
das FAA, o Presidente José Eduardo dos Santos, exonerou o general “Hanga” como
parte das medidas destinadas a desanuviar a tensão na FAN. O general Altino dos
Santos, ligado ao Estado Maior General, é um dos principais candidatos para
comandar a FAN e proceder à sua reestruturação, segundo informações avançadas
pelo Novo Jornal.

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