quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Morte de Generais na Gaveta


Por Serafim Kanda:
Os resultados do inquérito sobre a morte dos 19 oficiais superiores das Forças Armadas Angolanas (FAA) no acidente de aviação de 14 de Setembro de 2011, na cidade do Huambo, deverão ser arquivados, segundo fonte da Força Aérea Nacional (FAN).
Sob anonimato, o oficial, confidenciou que os resultados do inquérito atribuem a responsabilidade do acidente ao comando da FAN e ao piloto do aparelho.  O despenhamento da aeronave Embraer-120, na descolagem, causou a morte imediata de 17 dos 23 passageiros e tripulantes. Dois dos seis feridos, que se encontravam em estado grave, faleceram no Hospital Militar Principal, o que elevou, para 19, o número de vítimas mortais.
No dia a seguir ao acidente, a 15 de Setembro, uma outra aeronave da força aérea, do tipo SU-22, despenhou-se quando realizava um voo de rotina no Lubango, província da Huíla. O seu tripulante, o tenente-coronel António Firmino “Murray”, morreu no acidente.
Segundo a fonte, “este inquérito seria da competência da Inspecção das Forças Armadas Angolanas. A maior parte dos inquéritos mandados instaurar na Força Aérea nunca são divulgados, porque eles [os comandantes que se auto-investigam] não aceitam aparecer como culpados”.
Ainda de acordo com a mesma fonte, os resultados definitivos do inquérito revelam que, na altura da descolagem, tripulava o avião um estagiário “e não podia ser ele a fazê-lo”.
No acidente morreram, entre outros, os tenentes-generais Bernardo Leitão Francisco Diogo “Lelu Kizua” e Elias Malungo Bravo da Costa Pedro “Kalias’; o brigadeiro Demóstenes Katata; os coronéis António Alfredo Ramiro Cardoso Miguel Estevão, Elias de Jesus Vasco Cunha e Fonseca Luís Ventura; o capitão de mar-e-guerra, Gonçalo Simão Mendes; os tenentes-coronéis António Garcia Gonçalves e Pascoal José Mateus Pedro; o major Américo Vasco Brandão e o sargento-chefe João Andrade Nascimento dos Santos.
Apurou-se também que o então Chefe do Estado-Maior da FAN, general Francisco Lopes Gonçalves Afonso “Hanga”, tem solicitado, ao executivo,  verbas para a renovação da frota da força aérea, que actualmente se encontra  em muito más condições. Os aviões da força aérea são conhecidos, na instituição, como ‘caixões voadores’. Para além da renovação da frota, esta instituição militar carece também de radares e helicópteros-ambulância.
Só no ano passado a FAN registou mas de seis acidentes aéreos. Em nenhum dos casos foram divulgados os resultados dos respectivos inquéritos. Apesar dessas debilidades, as FAA continuam a afirmar-se como uma potência militar em África.
Entretanto, alguns oficiais ligados à comissão de inquérito têm-se insurgido contra o cancelamento e arquivamento  do inquérito. Terão detectado uma série de irregularidades envolvendo diversos oficiais generais, entre outros dirigentes, que se servem de meios da FAN para proveito próprio. Há também fortes indícios, segundo as mesmas fontes ligadas ao inquérito, do uso de aeronaves da FAN para facilitar o corredor de tráfico de drogas entre Angola, Guiné Bissau, São Tomé, República Democrática do Congo e África do Sul.
A situação da FAN tomou novos contornos quando, a 28 de Março do corrente, um helicóptero do tipo Allouette 3, pertencente à FAN despenhou-se no trajecto Kuito – Huambo. O aparelho levava a bordo dois tripulantes e quatro profissionais da Televisão Pública de Angola (TPA). O tripulante Manuel André e o operador de câmara Feliciano Saiminho (Mágico), faleceram no acidente.
Na última semana de Julho, o comandante-em-chefe das FAA, o Presidente José Eduardo dos Santos, exonerou o general “Hanga” como parte das medidas destinadas a desanuviar a tensão na FAN. O general Altino dos Santos, ligado ao Estado Maior General, é um dos principais candidatos para comandar a FAN e proceder à sua reestruturação, segundo informações avançadas pelo Novo Jornal.


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