quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A Epopeia das Trevas (36)


- Mentor, antes de aqui cair molhei os pés na biblioteca de Baco. Li textos sobre os Jingola que me surpreenderam. Resumi-os:
Os Jingola odeiam as pessoas, comparam-nas a cães e gatos porque detestam estes animais. Gostam de ratos, da feitiçaria, de vírus e fantasmas. Aprenderam a não confiar em ninguém. O que mais odeiam é a sua sombra. Costumam afirmar que é uma assombração. Convictos, dizem que a inventaram, descobriram.
- Hum! Qualquer na sua superstição milenar vê sombras no seu quotidiano. É como levantar muito cedo, ir para o trabalho e voltar à noite a casa. Biliões de seres humanos desnotaram que os seus cérebros atrofiaram. Desconseguem pensar, e se intentam, lá aparece a mensagem na TV, porque é a primeira coisa que fazem quando chegam a casa. A mensagem é imutável: deitem-se, porque amanhã é dia de trabalho. Levantem-se, está na hora de ir para o trabalho. Exemplificam com um americano que afirma: nasci para enriquecer como empresário, ou ser um homem famoso, trabalhando muito consigo-o. Omitem que ele pouco ou nada dormia, e que acabou na psiquiatria, na psicologia com psicalgia, ou morreu de ataque cardíaco. São bibliotecas de ligação dinâmica, chegam ao trabalho com um chip embutido no cérebro. Muito submissos como a oposição Jingola, não incomodam, não pensam. Se algum consegue remover o chip, começa a pensar, revolta-se… exigindo melhores condições de pensamento. É logo acusado de senzaleiro das ideias incendiárias, não patriota e sumariamente julgado e para um gulag enviado.
- De revolta como Ulisses num gulag marítimo, porque Penélope transcende o amor. Ulisses vai amar na volta do mar
- Ao ir e voltar do trabalho no mar confuso, inúmeras horas irreversíveis são concedidas ao trânsito automóvel. E levantar às quatro, cinco da manhã…essas horas não são pagas. O trabalhador começa a trabalhar logo que se levanta da cama, isso deve ser pago.
- Não pagam porquê?
- Porque apenas existem quatro classes na sociedade. Presidente, ministro, director e os…lémures.

Na senzala, as senzaleiras espevitam-se. Elas e os ratos naufragam na pequenez da ruela esfrangalhada. Uma senzaleira sem tempo para se coçar, encosta-se no restante tapume. Concerta a carapinha, ajeita o pano, enxota as moscas com a vassoura de mateba. Apela excitada:
- Que vergonha meu Deus! Ó caçulinha da mamã traz a escova e a pasta de dentes! Vou entrevistar-se na rádio!
À velocidade de super-mulher os dentes cariados são escovados. O dentífrico não cumpriu a sua missão porque não se notou mudança no alvar dental. Era de fabrico ocioso. O repórter batia com o pé no chão, pressionado pelos estúdios que queriam e não sabiam se deviam despejar o saco da publicidade para o vácuo. A dama encima o hálito renovado no microfone.
- Prontos! Posso dentar!
- Minha senhora, bom dia!
- Sim, bom dia!
- Como se chama?
- Teresa Maka.
- Tanta comoção, porquê?
- Desde as quatro matinais que estamos com isto, desconseguimos mais nos dormir.

O Cavaleiro do Rei (46). Novela


- Deixa-te disso. Pronto, compra uma espada usada, sei lá.
- Estou no negócio de espadas há muito tempo. Olha, vou comprar uma dessas feitas na Nigéria. Se tiveres o azar de a usar, desfaz-se.
- Está bem, podes comprar, também é só para ir a uma festa.
- Uma festa?! Vais com quem?!
- Sozinho.
- Hum! Não acredito. Com tantas mulheres que te perseguem.
- É a verdade.
- Lá vou, mas digo-te uma coisa, parece-me que temos mais um panilas…

La Padep entrou com facilidade no Palácio Castelo-forte. Seguiu os vasos de flores que a princesa lhe indicara na mensagem escrita. O último estava junto a uma porta. Bateu cinco vezes conforme indicado. Antes desta se abrir nota que alguém conhecido surge com passo apressado. É Epok que pára desconfiado como um SS. La Padep simula que está a arrumar a espada e avança em frente. Epok levanta os ombros à não te rales e segue o seu caminho. La Padep olha em todas as direcções. Ninguém à vista.

Novamente bate cinco vezes à porta. A beleza virgem da jovem princesa abre o coração da porta. La Padep entra com a velocidade de quem acaba de efectuar um acto pecaminoso. Apertam-se com força. Desejam que os corpos se derretam nos fluidos do amor. Ele aproveita e simula arrancar-lhe os mamilos. Ela lamenta-se:
- Não fundas as lâmpadas dos meus faróis.
Põe-lhe a mão no ventre húmido e escaldante, ela suplica-lhe:
- Ai! Não estragues as pétalas da minha rosa.

Quando se ama verdadeiramente, o desejo sexual é incontrolável. Ele atira-a para a cama. Prepara-se para profanar a real virgindade. Ela não vai na conversa:
- Tira a banana do prato.
- Do prato? Da bandeja!
- Não fica bem uma jovem princesa grávida.
- Dizem que assim ficam muito bonitas.
- Não! Não! Dá cá o pepino.
Delicadamente com as mãos retira o vegetal das suas profundidades. Masturba-o carinhosamente. Ele geme.
- Ai! Kituta, Kitutinha!
- Que engraçado! És tu, a única pessoa que se lembra do meu nome.
Aumentou o ritmo do êmbolo humano. O motor acelerado ao máximo gemia descontrolado.

Na vigilância habitual, Pinturas ouve um som distante. Encosta o ouvido à porta. Sabe que as jovens gritam por qualquer coisa. Considera normal, mesmo assim previne Epok.
- Não sei o que se passa com a vizinha do lado.
- Qual vizinha?
- Essa aí…
- A princesa?
- Sim, essa mesma.
- Pinturas de macaca, fala de uma vez.
- Ela está a gemer. Será que está com paludismo?
- Ou está a ver um filme pornográfico, ou a masturbar-se.

Ouve-se um gemido muito intenso. Daqueles cheios de prazer. O pepino de La Padep explodiu. Epok e Pinturas batem à porta da princesa. Apenas o silêncio responde. Epok com brutalidade atira-se contra a porta e esta salta.
- Princesa… está bem?
- Sim nobre Epok.
- Ouvimos um gemido.
- Estava a dormir. Acordei com um pesadelo.

Imagem: Angola em fotos

Divagações do Politburo 12Ago09


Jornal de Angola 07 de Agosto de 2009

Rede multicaixa está desactivada

Informação é importante para avaliar efeito de estufa

Província da Huíla em destaque na aplicação de acções
Programa de habitação é exemplar

O sonho de uma casa no Kuando-Kubango
Milhares de moradias estão a ser construídas

Os diamantes também estão em crise e os preços a caírem para o valor mais baixo dos últimos anos.
Empresas diamantíferas encerram ou abrem falência

Chefe de Estado moçambicano inaugura hotel de quatro estrelas

Distribuição de materiais agrícolas tem novo modelo no Kwanza-Norte

Empresa portuguesa Indícios pretende trabalhar em Angola
A Indícios, uma empresa sedeada no Porto, especializada na área de recolha de informação para Estudos de Mercado, quer operar em Angola a partir do próximo ano, numa altura em que já trabalha na localização de um espaço para as instalações e no processo de uma sociedade.
A Indícios pretende trabalhar com empresas angolanas, para avaliar as tendências do consumidor nacional face à variedade de produtos lançados em Angola.

Huambo
Companhia brasileira VR Trade cria empregos em Tchindjendje
Pelo menos cem empregos directos podem ser criados

Passaportes chineses perdidos passados em nome de:
Lin Cheng Gui, Znang Xiu Fu, Chen Xiaomei, Hu Jingun, Xu Bingji, Fu Chang Cheng, Zhan Niu e Don Bin.

Financiamento facilitado pelo banco ou construtora
Copacabana Residencial, Total Club, Burd Brasil, Hamplia, Galson e ProImóveis

Prevenir o crime
Magistrado pede sensibilização para banir acusações de feitiço

Mercado de trabalho
Jovens dos centros de formação recebem ferramentas de trabalho

Internet
Sapo Angola tem novos espaços
A Sapo Angola, o portal que dá visibilidade aos conteúdos noticiosos dos parceiros na sua rede, lançou oficialmente em Luanda quatro novos sites que garantem informação actualizada sobre música e gastronomia angolana, astrologia e lazer.
Desde que começou, há um ano, a Sapo Angola conta com a colaboração institucional dos ministérios da Ciência e Tecnologia e da Comunicação Social e de empresas como o Jornal de Angola, Agência Angola Press, Televisão Pública de Angola, Rádio Nacional de Angola, Angola Telecom, Movicel, Multitel, Unitel, e TV Cabo.

Namibe
Falta de livros preocupa alunos













Gross-Rosen. Campos de concentração nazis que podem ser de Luanda



Experiências pessoais

Segunda Guerra Mundial: a caminho da morte.

Do gueto de Lodz, fui levado para Auschwitz. Após a seleção feita por Mengele, fui levado para o campo de ciganos, em Birkenau. O terror, os maus tratos e os assassinatos lá cometidos pelos guardas alemães, capos e dignitários, são difíceis de descrever. Não sei dizer como, mas sobrevivi. Fui levado de volta a Auschwitz e vendido como escravo a uma empreiteira.

Edição 29 - Junho de 2000

Ganhei um uniforme de prisioneiro com um número, onde também era estampado um triângulo vermelho. Geralmente, os judeus ganhavam um triângulo vermelho sobreposto com um triângulo amarelo, que juntos formavam uma Estrela de David. Desta maneira era mais fácil sermos reconhecidos como judeus. Ganhei duzentos gramas de pão, um pedaço de salame e fui embarcado num vagão de gado, junto com mais de sessenta pessoas. Não sei dizer quantos dias fiquei nesse trem. Paramos em um lugar chamado Wüstegiersdorf, perto de Breslau. Fomos levados para um campo chamado Kaltwasser (água fria). Fomos recebidos por um oficial da SS, o comandante do campo. Era um homem já passado de sessenta anos. Era imberbe e de rosto enrugado. Foi apelidado por nós de "bube" (vovó). Fez um discurso cheio de impropérios, ofensas e ódio. A expressão mais branda era "judeus desclassificados".

Era um campo só de judeus e a maioria, de Lodz. Parece que o comandante já sabia disso, porque logo tratou da infra-estrutura do campo. Nomeou um comandante judeu. Este, por sua vez, escolheu capos e outros para os trabalhos no campo. Tudo sob as ordens do comandante alemão. As condições em que vivíamos eram as piores possíveis. Grassavam a fome, frio, sujeira e maus tratos.

Não pertencíamos mais a Auschwitz, mas a Grossrosen. Os doentes e os que não conseguiam mais trabalhar eram mandados para Grossrosen e lá exterminados. Em Kaltwasser, um SS me arrancou os dentes sadios, sem anestesia, proibindo-me de gritar ou gemer. Éramos despertados de madrugada, antes do sol nascer. Fomos contados e mandados para a floresta, para a construção de fortificações. Para não perder muito tempo nas idas para o trabalho, uma parte dos prisioneiros foi designada para construir um novo campo no próprio local do trabalho, na floresta. O novo campo chamava-se Lager Lerche. Neste campo recebemos um novo comandante, também de Grossrosen. Este trouxe consigo um Lager Aelteste (comandante judeu). Por coincidência, ele era de Lodz e tinha em nosso campo muitos conhecidos, de antes da guerra. Estes conhecidos tomaram os lugares dos capos e dos outros.

Para nós, isto não fazia diferença. As relações entre os eles e nós, prisioneiros, eram, de maneira geral, satisfatórias. Em compensação, os guardas SS eram da pior espécie. Nos batiam sem dó ou piedade. Várias vezes o mestre de obra intervinha para salvar um infeliz do massacre. O comandante – um sádico nato – só se referia a nós de "sau" (porca). De tanto gritar sau, nós o apelidamos de sau. Chegou o mês de dezembro. Estávamos no ano de 1944. A Alemanha estava perdendo a guerra. Fomos forçados a trabalhar ainda mais duro. A frente russa estava se aproximando e eles precisavam das fortificações. O "sau" nos reuniu e prometeu que no dia 24 de dezembro, na volta ao campo depois do trabalho, cada um de nós receberia duas sopas reforçadas e mais duzentos gramas de pão. No dia 25 não iríamos trabalhar.

Estávamos contando os dias. Quando chegou o dia 24, todos estavam exultantes, esperando a hora de voltar ao campo. Entrando no campo, estávamos esperando para ser contados como sempre e esperando pela tão sonhada sopa e a migalha de pão. O sau se postou como sempre em nossa frente e entre xingamentos e impropérios, onde a palavra "sau" foi repetida inúmeras vezes, disse que não merecíamos mais comida, porque não havíamos trabalhado o suficiente. Disse que não seríamos punidos porque era Natal. Entramos nos barracos frustrados. Pouco tempo depois, o gongo soou. Corremos animados para a praça onde sempre éramos contados, na esperança de recebermos a prometida sopa e o pedaço de pão.

Fomos alinhados pelos capos, esperando pelo comandante sau. A noite estava limpa, sem nuvens, mas o frio era glacial. Estávamos só com o uniforme listrado de prisioneiro, que não esquentava. O frio começava a entrar até em nossos ossos. Depois de muito tempo o sau apareceu. Os guardas se postaram atrás da cerca de arame farpado. Um guarda abriu o portão e o sau entrou. Estava bem abrigado do frio e visivelmente alcoolizado. O Lager Aelteste gritou a plenos pulmões: achtung (atenção). Ao comando, tiramos o quepe e esperamos em silêncio. O sau começou a sua arenga.

As palavras saíam esticadas e às vezes sem nexo. O que deu para entender era que nós, os saujuden (porcos judeus) matamos Jesus. Infelizmente não podíamos ser mandados para Grossrosen, porque tínhamos de acabar as fortificações. Ele, um bom cristão que era, ia vingar o sangue de Jesus, que nós derramamos. Por isso, íamos ficar ao relento para sentir o frio que Jesus sentiu. Depois de mais xingamentos, entrou nos alojamentos dos guardas. O frio se tornava cada vez mais intenso, Olhávamos para as janelas do alojamento e os víamos comendo e bebendo. Sabíamos que nosso fim chegara. Muitos de nós começaram a cair. Não fomos autorizados a prestar socorro de espécie nenhuma. Mesmo querendo, não tínhamos meios de prestar algum socorro. Depois de muito tempo e muitas baixas entre nós, apareceu um cabo que ordenou a volta aos barracos.

Dia seguinte, 25 de dezembro, de madrugada, saímos para sermos contados. O sau não apareceu. O sargento mandou trazer os outros prisioneiros que ainda estavam vivos, mas não podiam andar. Após a contagem, ofereceu uma sopa a quem quisesse remover a neve em volta do campo. Meu pai ainda estava vivo e se ofereceu ao trabalho. Trouxe um pouco de sopa para mim. Esta foi a última reunião junto com meu pai e como prisioneiro nos campos de extermínio nazistas. Daquele dia em diante não saímos mais para o trabalho. Nos primeiros dias de 1945, fomos levados para a marcha da morte. Levou mais cinco meses até a minha libertação. Quando chega o Natal e vejo a alegria nas faces das pessoas, lembro-me daquele Natal no Lager Lerche e lembro as pessoas caídas na neve. Lembro o Natal do ano de 1944, que nunca sairá de minha memória.

Aleksander Henryk Laks
Presidente da Associação Brasileira dos Israelitas
Sobreviventes da Perseguição Nazista - Sherit Hapleitá – RJ

http://www.morasha.com.br/conteudo/ed29/experiencias2.htm

imagens
http://www.adrenaline.com.br/forum/papo-cabeca/215777-fotos-campo-de-concentracao-gross-rosen.html

Chineses chafurdam na lama


Luanda – A espiral da foto fumega para afugentar mosquitos. Diz que demora doze horas a queimar. É mentira! Dura só seis porque os chinas reduziram a sua espessura a metade.

Os chinas chafurdam na lama exemplar deste poder, desta governação. Já detectaram que é muito fácil o embustear da facturação. Encorajados pela promiscuidade e facilidade que o poder concede vendem embustes e naturalmente distribuem comissões.

Antes da queda, nota-se sempre o moribundo que é um poder a desfalecer.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Divagações do Politburo 11Ago09


Jornal de Angola 21 de Março de 2009

Uma Nação espiritualmente tolerante

«Queremos cooperar com a igreja na construção do mundo melhor»

Tudo parou até o trânsito
Uma cidade (Luanda) de braços abertos emocionada com a visita do Papa.

Bento XVI num gesto fraterno disse aos angolanos que também na sua Alemanha natal houve uma guerra devastadora e que depois o povo ergueu a cabeça e limpou as feridas da destruição. Por isso, compreende melhor as provações pelas quais passaram os angolanos.

Zimbabwe
Governo de Mugabe revê em baixa previsões de receitas orçamentais

Grandes investimentos
Empresários da Lunda-Sul reclamam financiamentos

Empresa lança projecto habitacional de média e alta renda nos Ramiros
O empresário disse que o projecto é de angolanos com parceria estrangeira e vai construir 600 casas de luxo a serem comercializadas ao preço de dois mil dólares o metro quadrado. «O objectivo do projecto é também o de descentralizar administrativamente os serviços prestados na cidade de Luanda»

«Mais disciplina, mais produção para uma vida melhor»

Luena
Conflitos violentos em casa levam mulheres ao suicídio

O mérito de uma mulher valente
Eulália Amélia Luís Sebastião considera-se uma mulher realizada e feliz, fruto de tudo quanto fez para o desenvolvimento da sociedade e em particular a emancipação da mulher na província do Kwanza-Norte, onde reside actualmente.
É militante do MPLA desde 1974.

Investir na competência, sustentar o desenvolvimento

Crónicas à média luz
Artur Queiroz
O pastor de Namacunde
A casa do pastor de Namacunde foi levada pelas águas. Há um rio que se enfureceu contra a opressão das margens e saltou para as tábuas do palco de um Brect enlouquecido. Ontem a nuvem era uma gota suspensa e hoje é um rio que corre caudaloso. Leva casas, leva bois, leva crianças, leva pedaços de vidas que restaram das eternidades de sofrimento.

P.S. O rio só não levou, arrastou o Artur Queiroz porquê?!
Aiué! Nossa Senhora da Muximéééée´!!!

A Epopeia das Trevas (35)


É um dia de juízo para a polícia. Chegou um carro patrulha com seis polícias diligentes. Apeados, encafuam-se nas ruelas. Um tenro Órfão alarma a combinação. Culpados e inocentes dão nos cascos. A terra freme como cavalos de corrida num hipódromo. Os incansáveis vigilantes dos dias e das noites, polícia não dorme, não é?!, aprofundam-se, aferram-se nos labirintos. A missão seja ela qual for, é sempre para repor a legalidade.

Enquanto aguarda pelo restabelecimento da lei, o motorista afunda-se no assento com as mãos na nuca. Ficou pachorrenta sentinela na viatura. Atira uns réditos para uma donzela bem nutrida de carnes frescas. Ela não dá cavaco. O vencimento de polícia está num escalão tão baixo que não dá para comprar um sutiã, quanto mais um biquíni. Ela pisca-lhe os olhos com tal intensidade, que parece que o circuito de voltagem óptico se desregulou. Ele não entende a mensagem semafórica, acredita que ela está no ponto nevrálgico. A carne quente dele rejubila, solta o verbo.
- Estamos muito quentes, vem, vamos arder!
- Seu burro! Os bombeiros chegaram….

Os Órfãos chegaram, cercaram-no à má cara. Crianças com armas de guerra aperradas, e armas brancas afiadas, dos filmes imitadas, cópias de segurança efectuadas. Ainda não têm noção do matar, do coração parar. Por isso matam, como se fosse a brincar. No abandono da inocência pedem meças:
- Sai daí, vamos dar uma volta, depois regressamos.
E foram passear, dar umas voltas pela cidade com as deselegantes da mesma idade.
- Mentor, este conflito entre Órfãos e Politburo permanecerá por milhares de anos.
- Dou o meu acórdão. Nalguns bairros os Órfãos disputam a invisível força armada da defesa civil militarizada. Sem abrir concurso os Órfãos impõem soirée até à matina.

Continuo na travessia das endechas do Homo oeconomicus.
Cooperadores discutiam, não se entendiam. Antes, juntaram-se e consagraram uma cooperativa habitacional. Imaginaram, levantaram habitações cooperativistas. A felicidade eterna nasceu-lhes nos rostos, sentiam-se notáveis. Faziam bom rosto à fortuna. Nas janelas à francesa os casais extasiados, vigiavam a filharada que brincava a ter futuro. Tranquilidade absoluta garantida por seguranças privados, armados. Era mais que um jardim. Um botânico e outro das delícias. Passaram à história o paradoxo do amor, roubaram o tempo de antena para amar. O casario era embarcação de vento em popa

Começou-lhes a dar o vento no rosto. Atingidos pela magia negra apressada restaram descorados, mitómanos, tensos, enfeitiçados, hipertensos… ficaram a ver navios. Casas construídas em menos de dois anos desfaziam-se aos pedaços. Fendas nas paredes utilizadas para cabeças estreitarem os íntimos lares. Inventou-se a hipótese que dantes o local foi cemitério. Persistiu-se na razão de Estado que os Jingola viviam, viveriam sempre em casebres.
- Mentor, esta magia é contagiosa?
- Muito! O Politburo apoiado pelos seus amigos estruturais de todo o mundo redouram os alicerces da democracia popular. Outra vez guerrear para aqui facturar. As guerras inventaram-se para alguns enriquecerem. Guerra… é o acto ou efeito de destruir, para depois reconstruir. São as filosofias da vida, das visões fantásticas dos canhões que disparam o vinho de Cristo, que nos afogam ou banham em sangue. Suam-nos, que a espécie humana é um tremendo erro da Criação. O Criador errou na manipulação genética. Falseou a costela. Criou o Inferno para os bons e a Terra para os maus. Alguns bons escaparam do Inferno para a Terra. Actualmente lutam ferozmente… luta desigual porque há muito sofrimento, muita miséria, muita fome. Os bons são poucos, os maus por enquanto ainda são muitos. Como alguém afirmou: Todos os Politburo sempre mentem.

O Cavaleiro do Rei (45). Novela


Ainda existem reinos, que por vontade própria regressam, vivem, revivem, convivem na Idade Média. Este é um desses reinos

La Padep, imprudente, assomou à janela. Viu a imagem habitual do reino. A negra, para sempre a negra, carrega para sempre uma criança às costas. Apanha qualquer lixo do chão, e dá na criança que come e ri. Quer dizer, negros e negras para sempre confundem-se com o lixo. Fazem parte dele.

La Padep considerou: os juristas, economistas, advogados e empresários nacionais, que já não existem, políticos que se engasgam ao pronunciar uma palavra, contratam empresários estrangeiros degredados. Bem protegidos vendem-nos toda a merda. Com defeitos de fabrico, estragados, os restos das fábricas alimentares, de bebidas, tudo o que é importado. Toda a merda do seu lixo industrial aqui chega. Os lucros abissais dos dólares do inferno são carregados em malas pretensamente diplomáticas. Parece que ninguém se lembra que esta lavagem de dinheiro alimenta directa ou indirectamente os circuitos do terrorismo internacional. Impunemente já não pagam salários. Ninguém tem direito a receber pelo trabalho digno. Só os que roubam tem direito a salários pagos no estrangeiro. Se alguém reclama, não faz sentido. Porque os canos das pistolas aparecem em qualquer momento encostados nas cabeças. Manifestações são proibidas. Ainda bem! Porque fazem aumentar a raiva, o ódio do juízo final, à espera da guilhotina no final da Monarquia Francesa, tal e qual igual como aqui.

São bobos da corte, bobos do rei. Que faremos de alguém que nunca leu um livro?
Toda a família tem uma ovelha ranhosa. Sempre foi assim, certo?
Não! São duas. Um homem ou uma mulher que arruínam a nossa vida. Depois aparece outra para saborear o que resta das ruínas. Sempre assim. Depois mais outra, até que ousamos dizer, se o conseguirmos, basta!

Os fundamentos da vida estão em procurar. Saber procurar e aprender. Essa é a verdadeira essência. Depois de cansados, pontapeados, desprezados, encontramos finalmente o derradeiro Caminho. Essa verdade última, que poucos conseguem descortinar. Finalmente viver em paz com Deus, com o Universo. Mas isso ainda é um pouco da suprema Verdade. Quando estamos prestes dela, o Criador ordena que seja para sempre parado o motor da vida, que é o nosso coração cansado das nossas angústias devido aos pecados cometidos. Porque na nossa vil e vã existência fomos ensinados a odiar.

Subverter a opressão de meia dúzia ao serviço de interesses estrangeiros que nos escravizam, é fazer a revolução. A população aguarda ansiosa.

La Padep desfez o embrulho que a princesa lhe enviara. Era a indumentária vermelha e negra dos mosqueteiros do secreto Santo Oficio. A temida polícia secreta do rei. Vestiu-se e lembrou-se que faltava a espada especial dos paladinos do rei. Isso não seria difícil, porque no mercado Roque Santeiro existe tudo. É apenas uma questão de dinheiro. Pediu a uma jovem, das muitas que esperançavam serem suas namoradas. Tantas pretendentes que se lhes perde a conta. Ela aconselhou:
- Olha, vê só La Padep, este dinheiro não vai chegar!
- Fofinha, faz só confusão com o vendedor, quem sabe…
- Não sou dessas. Se faltar algum dinheiro vai exigir que namore com ele, sabes como são esses gajos, não é?!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A boa governação


Luanda – Por causa da segurança da Hillary Clinton
A meio da manhã a população nas ruas de Luanda surpreendeu-se com mais uma investida dos fiscais do GPL – Governo da Província de Luanda. Espoliaram todas as cadeiras e tudo o que desse para alguém se sentar. As pobres idosas não escaparam do saque.
Comentário de uma mais-velha:
«Este poder já está a ir longe de mais. Não lhes chega o saque das populações com a vietnamização em curso. Tanto e tanto ódio que geram.»

O peixe podre das Organizações Ribral
Este minimercado pertence a dois sócios: Luís Filipe, angolano e Jimmy Jong, chinês naturalizado angolano. Situa-se na rua da Liga Nacional Africana nºs 97/99, telef: 222 447 776, Luanda. Uma vizinha pediu ao empregado da limpeza de um prédio das redondezas para comprar peixe. Foi lá na Ribral e veio com peixe a cheirar mal. A senhora quis atirar o peixe para o lixo. Perante a insistência das vizinhas para se queixar na polícia económica e mandar de volta o peixe podre, o jovem palerma lá foi devolver a podridão que a Ribral aceitou facilmente. Convém salientar que já por várias vezes estas coisas e similares acontecem e a Ribral sai-se impune.

É assim: carne fora do prazo… mudam o selo de validade e tornam a vender. (Muitos dos estabelecimentos de Luanda assim fazem). Queixar na fiscalização? Não adianta, eles estão bem pagos, bem corrompidos. Convém salientar que quanto mais tempo o MPLA estiver no poder… a exterminação da população é certa. Que recolonização atroz.

As falhas de energia eléctrica
Continuam, cada vez piores. Nos campos de concentração nazis a luz não falhava. No campo de concentração de Luanda não dá mesmo este fingir de governar, de gazear. Pudera! Com uma oposição da esquina.

O bilhete de identidade
Segundo fonte digna de crédito: «o estrangeiro chega em Luanda, passada uma semana tem o bilhete de identidade de cidadão angolano.»

Hillary Clinton em Luanda


Não esperem pela Hillary Clinton, ou quem quer que seja, para resolver os problemas de Angola. Esse é o grande mal, esperar que estranhos mudem as coisas. Perante tal incapacidade é muito cómodo, atirarem-se com as culpas para os outros, não é assim? O angolano tem que decidir e acabar com o que está errado e incerto no seu pais.

Claro que se os estrangeiros nos ajudarem… isso é pura intromissão. E não existem ajudas desinteressadas. Mesu ma jikuka, abram os olhos!


P. S. Bom, ainda não destruímos completamento o que os portugueses nos deixaram. Não há problema, falta pouco, está quase tudo de rastos. Cumprimos o que melhor sabemos fazer. Os outros constroem e nós destruímos.

Imagem: http://www.elpais.com/recorte/20070120elpepuint_9/LCO340/Ies/Hillary_Clinton.jpg

Flossenbürg. Campos de concentração nazis que parecem de Luanda




Berlim, 22 jul (EFE).- O presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, e o ministro de Assuntos Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, inauguraram hoje um museu no antigo campo de concentração de Flossenbürg, com um apelo contra o esquecimento do nazismo.

"É impossível explicar a morte de milhares de pessoas. O importante é que a história não se repita", disse Yushchenko, que foi com a família ao lugar em que seu pai, Andrej, passou seis meses confinado como prisioneiro de guerra.

"Estamos em um local que representa a vergonha da Alemanha", afirmou Steinmeier, com relação ao campo de concentração que reuniu 100 mil pessoas presas, das quais 30 mil morreram.

Flossenbürg, no sul da Alemanha, foi aberto em 1938 pelos nazistas, e seus prisioneiros foram libertados pelas tropas americanas em 23 de abril de 1945.

Trata-se do último dos antigos campos de concentração nazistas em que se abriu um centro de documentação para lembrar o ocorrido durante o Terceiro Reich.

Até 1990, o local quase não era conhecido, apesar do monumento erguido em 1946, em memória das vítimas do nazismo.

Durante décadas, o campo de concentração foi considerado um mero cemitério, até a construção do novo museu, que possui uma exposição permanente que documenta o destino daqueles que permaneceram confinados no local. EFE

http://brasil.notiemail.com/noticia.asp?nt=11233336&cty=2

imagens
http://holocaustmusic.ort.org/uploads/pics/Flossenburg2.jpg
http://www.english.illinois.edu/maps/holocaust/art/horen2.gif

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O Livro das demolições (1)


Conheci o Job nos terrenos e nas casas dele. Parecia-me homem sincero, recto e temente ao seu MPLA. Tinha fama de muito bondoso e afastava-se dos especuladores imobiliários e das suas negociatas. Proliferou sete filhos e três filhas, muitas lavras e muita gente condizente para o servir.

Costumavam radiodifundir que era o mais rico do reino. Os seus filhos ultrapassavam o tempo em grandes festas. Convidavam as suas irmãs a comerem e a beberem com eles. Job escolhia algumas cabeças de gado e enviava-as para o seu MPLA, como prova de gratidão, vassalagem.

Um dia o MPLA visitou-o para lhe agradecer as ofertas. Num repente aparece o General do Jardim Éden. O MPLA pergunta-lhe:
- Donde vem?
O General Jardim Éden respondeu.
- Ando a vigiar estas terras.
Disse o MPLA ao General Jardim Éden.
- Já viu o meu vassalo Job? Não há ninguém no reino que se lhe compare. Muito honesto, justo, mais que vertical e detesta os especuladores imobiliários.
Respondeu o General Jardim Éden ao MPLA.
- Hum! Acho que ele não faz isso em vão. O meu MPLA concede-lhe muito apoio. É um dos poucos vassalos protegidos. O seu gado, as suas casas e as suas terras não param de aumentar graças ao MPLA. Ele que fique na miséria, que passe fome, vai odiar o MPLA e demais camarilha.
Disse o MPLA ao General Jardim Éden.
- Parece-me que você anda com o olho nestas terras. Sei que alguns já espoliaram algumas… chegam, instalam-se… já está tudo feito.
O General Jardim Éden fez a saudação militar e saiu da presença do MPLA.

Um dia, a filharada de Job estava numa festa na casa do filho mais velho. Depois chegou um mensageiro e disse a Job:
- Os bois lavravam, as tropas do General Jardim Éden chegaram e levaram-nos. Disseram que estavam com fome. Feriram os empregados. Só eu escapei.

Chegou outro mensageiro que disse:
- Incendiaram, arrasaram tudo, nem as crianças escaparam. Os empregados morreram queimados. Só eu escapei.
Ainda outro mensageiro apareceu e disse:
- Eram pelo menos trezentos pelotões armados como na invasão do Iraque. Roubaram, reduziram tudo a pó… incluindo móveis e utensílios. Só eu escapei.

Mais um mensageiro chegou e disse:
- Estava a tua filharada numa festa em casa do filho mais velho. Como agora tudo acontece, o governo é o principal criminoso, os demolidores e espoliadores atacam às três, quatro da manhã… pareciam, vieram como um tufão que arrastou as casas e todos os que lá estavam. Ninguém ficou vivo. Só eu escapei para te contar o que se passou.

Job levantou-se muito chateado, rasgou a sua manta, atirou-se para o chão e clamou:
- O meu destino é igual ao dos outros espoliados. Trabalhamos nas nossas terras, edificamos as nossas casas a que o MPLA chama casebres. Chega o General Jardim Éden e rouba-nos tudo. Bendito seja o nome do MPLA!
Mesmo assim Job não se revoltou nem amaldiçoou o MPLA.

Imagem: MORRO DA MAIANGA

Os eleitos


Eis os gloriosos lutadores, vencedores, vendedores da luta de libertação. Eles são a luta, a Nação. Eles merecem os biliões de dólares porque foram apenas eles que lutaram. São apenas os merecedores. São apenas eles que são povo, angolanos.

É mentira! Não há nenhum reordenamento da cidade de Luanda. Primeiro, a incompetência é demasiada para tal. Segundo, trata-se duma bruta negociata com divisão das comissões. Só não vê quem não quer.

Não, não são pessoas normais, são superintelectuais. Inventivos, talentosos, cheios de expediente. Notabilíssimos, imprescindíveis, superdotados. Porém, não conseguem resolver seja o que for. Porque é tudo conversa fiada. Onde muito se fala não nasce obra.

Angola assinou um contrato com Hollywood para a produção de filmes de terror. Não são necessários estúdios nem cenários. Com tanta desolação é tudo real. Os filmes de terror realizados e produzidos em Luanda, já batem recordes de bilheteira.

E a reacção química conseguida com o analfabetismo e a feitiçaria, geram o envenenamento sustentável desta nação. E tudo, o feitiço vai levar. Não é por acaso que está corriqueira a violação sexual de crianças de tenra idade. Até parece que é instituição nacional.

E as rádios Pravdas aproveitam-se e dão grande destaque como lhes compete. Mas, diga-se em abono da verdade que desviam a atenção. São manobras de diversão.

E temos três ministérios das finanças. Um é o normal, outro está na Sonangol, e o outro na presidência da República. Podemos dizer que temos três cofres geridos sem parcimónia.

E os intelectualóides continuam a vibrar os mesmos sons e o mesmo gestual das palavras. As mesmas orações não bentas, não benditas. Já não vale a pena ouvi-los. O cansaço atingiu o limite de quem ainda esperava algo deles. Pobres nabos que vegetam nas quintas dos nabais.

Por aqui a água nas torneiras só desce, sobe de vez em quando e nas festas nacionais. Como um escravo que não a espera. E como os intelectuais dos quintais angolanos que são de fingimento, de trazer por casa, Angola viverá, dependerá exclusivamente de ONGs e coisas assim de… externa e eterna mendicidade. Viver num mundo (neste país, claro) extremado de maldade onde conseguir sobreviver é pura sorte.

E a oposição tumular... mas que palhaçada democrática. Fazerem-se eleições e pronto. Estão os problemas resolvidos. O problema é que há muitos democratas, e os tachos não chegam para todos. Por exemplo, com a infestação de democratas em Angola, os navios da democracia não suportam o peso e afundam-se.

Imagem: http://alemmarpeixevoador.blogspot.com/

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A Epopeia das Trevas (34)


Revejo as lâmpadas acesas dia e noite. A energia parece gratuita, ninguém assume pagar, ou os Jingola têm cegueira diurna. Estudam o manual de como desperdiçar energia facilmente, que é distribuído gratuitamente. Há intenção de não querer saber, ninguém requerer atenção ao outro. O chamamento de antemão é entonado, destoado: «não chateia pá!» na insistência segredam: «deixa-o falar, vai-se cansar!».
- Maremoto conduto!!!
- Não! É de moto-próprio!
Assustei-me e desassustei-me. Mais uma conduta de água quebrou-se, rompeu-se. A água liberta da prisão jaz caudalosa, persegue os interstícios do solo desestabilizado. Concebe uma via rápida com cratera. O rio chegado arreda coisas e pessoas. A visita líquida é desejada pelas crianças que se fantasiam de rãs e sapos. Atiçam-se:
- Vamos brincar no rio das condutas!
Um mais crescido, taciturno, explica solenemente à criançada:
- Chama-se rio das condutas porque tem nascentes em todo o lado. Mas, ninguém sabe explicar onde nasce.

Um poeta de última geração é rimado pelo ritmo caudal. Refaz-se, impoluto rebrilha o cabedal dos sapatos nos intervalos da calçada. Processa cantante:

Nesta planície de petróleo jorrante, jactante
De sol e solo exuberantes. Descontraídos novos-ricos cativantes
De desconstruídos, expectantes currais eleitorais errantes
Requisitados, mal abençoados pela natureza Humana
De festeiros participativos 24 sobre 24 horas
Que fortaleza tem esta tristeza! Viver na extrema pobreza!

Muitos… muitos jovens deambulam. A facturação dos biliões petrolíferos sobe, o desemprego também. Novas ruas novos nomes: ruas dos desempregados, apinhados. Futuros continuadores da involução Jingola. Sem estudos, sem ciências humanas, morais e sociais. Apoiados por pretensa ciência, lentes na ciência penitenciária. Futuros trapeiros patriotas, neófitos vendedores de tralhas para aquecer. Os cavaleiros andantes nas justas pela libertação descuidaram brechas da neocolonização. Olvidaram o buraco negro da aldeia global, a senda triste da eterna escravidão neocolonialista.

Pode-se ruminar que não há emprego para ninguém. É constante noticiar mais desemprego. Despedidos porque a empresa faliu, ou há trabalhadores a mais. Mil e uma estratégia sem lei nem rei para trabalhadores autónomos, que do pé para a mão, vão para o olho da rua. Os Jingola lixados emparceiram com rebuçados, bolachas, cigarros e cacarecos que as esposas remendam. No mar de lama da magnitude da globalização empresarial, peixe graúdo abocanha peixe a miúdo.

O polícia monta guarda num mercado de rua. De vez em quando volteia, passeia, pára. De olhar frouxo repara, enquanto descansa o peso dos braços nas mãos enlaçadas, nas costas coladas. Está armado e equipado. O telemóvel espalha sem som nem tom o seleccionado timbre horripilante arquivado. À velocidade de cágado dormente desenlaça uma mão, solta o telemóvel da cintura, petrifica-se. Está colocado pelos Órfãos.
- Passa o telemóvel!!!

Imagem: http://alemmarpeixevoador.blogspot.com/

O Cavaleiro do Rei (44). Novela



Epok assusta-se com o barulho na porta.
- Abre esta merda!
Reconheceu a voz. Lembrou-se que a porta estava fechada por dentro, abriu-a.
- Ó pinturas horríveis e mal-educadas.
- Fechaste a merda da porta porquê?!
- Para não te aturar… diz-me como ficou o trabalho nas cozinhas.
Como resposta ela pegou numa lima e começou a limar as unhas. Apontou com a cabeça para o cozinheiro, este diz:
- Chefe, os géneros acabaram. Estava quase tudo estragado. Vinte quilos de…
- Couve, tomate, etc… já sei. Só sabem é roubar, aprenderam com quem? A Pinturas esteve lá a fazer o quê?
- Ai é!? Não sabes ler? Isso não faz parte do meu perfil ocupacional.
- Pára de limar as unhas! O rei saberá que são muito mal-educadas?
- Se não gostas tens que te habituar! Melhor que nós não há!
- Há sim! As piranhas. Só que com as tuas pinturas vais poluir a água e as piranhas não sobreviverão. Entretanto o teu belo corpo de real súbdita será um belo petisco. Faremos boas latas de conserva para exportação. Negras com piranhas enlatadas. Ah! Ah! Ah!
- Grande sacana, desgraçado. Vou preparar um relatório para o rei.
Epok encara o cozinheiro que treme de medo.
- A partir de agora quero ver os géneros estragados!

CAPÍTULO XII
La Padep e a princesa

A armadilha que prende os pobres é impressionante. Os pobres são muitos, e votam. E como são muitos, o que se fizer pelos pobres rende votos. Logo, qualquer medida que favoreça os pobres constitui demagogia, autêntica compra de votos. Ah, se os pobres não pudessem votar, seria ideal, pois poderíamos fazer políticas para os pobres sem que isso deformasse a vontade popular e pesasse nas eleições. Mas votam, e como há eleições a cada dois anos, pode-se fazer política para os pobres uma vez a cada dois anos. Considerando que a desigualdade é de longe o principal problema do país, tentar travar políticas que a reduzam não é oposição, é sabotagem.
In Oposição a quê? Ladislau Dowbor

O cavaleiro La Padep, depois das injustas marteladas que levou nos ossos, conseguiu solidificá-los. Foi a sua amada princesa que conseguiu surripiar dos seus pais o dinheiro necessário para pagar a um físico amigo, e a outro muito conhecido pela fama dos seus unguentos. Tinha-lhe recomendado para evitar a todo o custo as pretensões de qualquer feiticeiro, que não curavam nada, pelo contrário, faziam imensos estragos.

Graças aos cuidados da sua querida, que não poupou esforços, sentia-se como um peixe raro, desses dos aquários reais que não lhes falta nada. Incluindo água e temperatura sempre agradáveis, livres de poluição. Como os cães reais, que têm uma clínica privada para o tratamento de uma simples verruga, ou da comida excessiva. Enquanto os súbditos aguardam com impaciência fora dos portões triplamente reforçados com os melhores aços importados, os restos das latas importadas.

Imagem: Angola em fotos

Palácios e casebres


Com generais no poder, temos uma democracia de casernas, guerra diária, democrática. O modo que o poder utiliza para extermínio da população, é um poder demente, de loucos no poder, sem saber. Doentes, que matam lentamente outros por puro prazer. Sádico poder. Pessoas assim no poder, não são confiáveis. Mais parecem animais desconhecidos, ainda não catalogados pela ciência. Seres humanos de certeza não são.

Isto não pode continuar com meia dúzia de iluminados que promovem a selva. Um poder selvagem, incivilizado. Quanto mais tempo no poder, mais desgraças nos contemplarão. Teremos refeições diárias bem tumultuadas. E depois há sempre outros revolucionários que se aproveitam da situação para instituírem também uma outra podre, pobre nação.

Estes outros espíritos ainda andam de intelecto titubeante, exasperante. É necessário lembrar que esta democracia é familiar. O poder é da FAMÍLIA. O poder dos musseques de betão, dos actuais campos de concentração. Um poder estalinista da deportação, dos deslocados internos. É proibido viver em casas. Só é permitido viver em tendas. E com isto, outra vez o colonialismo.

Um poder que espalha ódio, inevitavelmente será odiado. Enquanto o povo mendiga, a FAMÍLIA no poder chama a si os excedentes petrolíferos, e negocia a miséria, a morte da população que não tem direito a nada. É-lhe recusado o direito de viver. E perecem na morte tão facilmente. Como nas câmaras de gás nazis. Este é o poder da morte. Matar, destruir a vida do próximo. É esta a lei dos feitiços e dos feiticeiros do poder.

São tal e qual como os mosquitos do paludismo, insaciáveis por sangue. Isto não é um poder, é a Peste Negra. Governo que só vive do petróleo, afunda-nos numa maré negra. É um governo muito pesado, e as estruturas existentes não suportam o seu peso.

Há de facto importante desenvolvimento económico e social para um punhado de pessoas, prova-o a construção de estádios de futebol, de prédios e condomínios e outras construções anárquicas.

Mas que se faz com uma população forçada, concentrada ao analfabetismo?
Caminha para o ciclo das milícias. Se até extinguem ruas para construírem os seus prédios

Imagem: Médico da Peste. WIKIPEDIA



«Está para vir a crise maior: o dólar ir pra cucuia»



«Anónimo disse...

Parabéns! Gostei muito deste blog, que achei por acaso.
A propósito da volta "em grande do câmbio no paralelo", li num site muito "insider das fofocas" do governo norte-americano, que os embaixadores dos EUA foram orientados para açambarcarem a maior quantidade de moeda nacional dos países onde fazem missão. A razão? Dizem os tais "insiders" que está para vir a crise maior: o dólar ir pra cucuia. E assim, as embaixadas terão que ter dinheiro para se sustentarem durante um ano. De quantos milhões de kwanzas precisa a embaixada dos camones?»

http://morrodamaianga.blogspot.com/2009/08/as-nossas-kinguilas-havemos-de-voltar.html#comments

Imagem: Americanos no Iraque

Sturmkolonen (colunas de assalto)



Se soubesse que o mundo acabava amanhã, eu, ainda hoje, plantaria uma árvore.
Martin Luther King


Sem dúvida, eis algumas das empresas que estão no negócio das demolições, das espoliações das populações. Anunciam-se no nosso “Pravda”, o Jornal de Angola.

The One-Loft Service
Proimoveis
Galson-Incorporação e projectos
Bem Morar
Hamplia
Nova Vida Imogestim-Africon
Organizações Super-Campuá, Lda
Clássicos do Sul

Mas a rainha, a grande vedeta da vendeta, é sem dúvida as Organizações Jardim do Éden. Esta é a número um da desgraça das populações, o Kommandant der Gruppe (comandante do grupo)

Imagem: MORRO DA MAIANGA



Dachau. Campos de concentração nazis que podem ser de Luanda


Campo de concentração de Dachau
Origem: WIKIPEDIA, a enciclopédia livre.

Coordenadas: 48° 16' N 11° 28' E

O Campo de concentração de Dachau foi construído em 1933 pelos nazistas em uma antiga fábrica de pólvora próxima a cidade de Dachau, cerca de cinco quilômetros ao norte de Munique, no sul da Alemanha.

História
O projeto deste campo de concentração, o primeiro dos nazistas e projetado pelo Kommandant Theodor Eicke, foi o modelo para os outros campos construídos. Dachau chegou a abrigar mais de duzentos mil prisioneiros de mais de trinta países e, a partir de 1941, foi usado para o extermínio de cerca de trinta mil pessoas. Muitas outras pessoas pereceram em virtude das condições do campo. O campo chegou a possuir uma câmara de gás, mas não há registros de que tenha sido usada.

Segundo cálculos da Igreja Católica, pelo menos três mil religiosos entre padres, bispos e outros foram mantidos lá. Um dos prisioneiros, Karl Leisner, foi beatificado pelo Papa em 1996. Após rumores se espalharem pelo campo em relação a uma directiva de Heinrich Himmler de executar todos os prisioneiros, um dos presos mais célebres do campo, Oskar Müller, enviou mensageiros até o exército norte-americano para que estes dispersassem o campo. A 28 de Abril, um alto comissário da Cruz Vermelha, Victor Mauer, tentou convencer o último comandante do campo, Heinrich Wicker, a se render. Wicker decidiu antes retirar a maioria dos guardas SS.

No dia seguinte, a 29 de abril de 1945, a 42ª Divisão de Infantaria do Exército dos Estados Unidos (EUA) foi encarregada de libertar o campo de concentração. A primeira visão que os soldados tiverem, ao chegar ao campo, foi de centenas de mortos, empilhados, junto a um comboio de 39 carruagens. Segundo consta, os mortos estavam lá havia dias (alguns já em avançado estado de decomposição). Tinham sido retirados apressadamente de outro campo de concentração, Buchenwald, e a maioria morrera de fome durante a viagem.

Os soldados, totalmente em estado de choque com a visão, tomaram para eles o lema "Take no Prisoners" (Não fazer prisoneiros) e começaram a executar os primeiros SS que encontraram. Há vários registos de execuções, na maioria actos de vingança individuais de soldados e até de alguns prisoneiros, que atacaram os seus antigos opressores.

A situação durou apenas alguns minutos; o Tenente da Companhia, Felix Sparks, rapidamente tentou controlar a situação, de modo a evitar um banho de sangue desnecessário. Ao todo, morreram cerca de 50 SS (entre a tomada do campo e as já referidas execuções). Foram levados cativos cerca de duzentos guardas.

As execuções de Dachau levaram alguns militares da 42ª Divisão a tribunal marcial, acabando todos ilibados.

Após a libertação do campo, os 32 000 prisoneiros que lá se encontravam saíram num espaço de seis semanas. Durante essa altura, formou-se um Comité de prisoneiros, que funcionando como um governo, se encarregou de evitar fugas de prisioneiros e melhorar as condições dos campos.

A libertação dos prisoneiros foi morosa: além dos habituais problemas de desnutrição e dificuldades em arranjar transporte dos presos para o seu país natal, havia uma epidemia de Febre Tifóide que dizimou milhares de presos. Como tal, de modo a evitar uma pandemia europeia, foram curados e vacinados todos os presos.

A partir de 1948, o campo de Dachau foi usado como campo de refugiados, situação que perdurou até cerca da década de 60, onde se erigiu o Memorial que hoje existe.

Dachau é célebre não só por ter sido um dos maiores campos de concentração nazis, mas também por ter sido o primeiro a ser construído no regime hitleriano (foi construído cerca de seis semanas após Hitler ascender ao poder).

Mortes em Dachau
1940 - 1515
1941 - 2576
1942 - 2470
1943 - 1100
1944 - 4794
1945 - 15384 (Houve o reaparecimento da epidemia de Tifo o que elevou a taxa de mortalidade).

Imagem: http://hsgm.free.fr/recent2/dachau.jpg

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O Cavaleiro do Rei (43). Novela



A atenção de Epok desviou-se pelo som de dois Bips provenientes do ER. E-mail Real. Olhou para o monitor e tentou lembrar-se das teclas de acesso. Esses das escolas ensinam mal, mas com um pouco de esforço conseguirei. Tecla para ali, tecla para aqui e já está. O primeiro e-mail vinha da Rádio Real. Falava de um pai que num mercado ali para os lados de Viana, perguntou ao filho de sete meses porque é que ainda não andava. Muito chateado deu-lhe pontapés. Elevou-o e esmagou-o de encontro à parede. Justificou-se nas calmas.
- O filho é meu, faço-lhe o que quero.
E continuou calmamente a passear pelo mercado.

O outro e-mail dizia que o rei estava no reino Burundi. No Burundi? Ah!.. Não está de férias no Brasil? Esta é boa! Foi lá passar férias? Não entendo…
O texto completo dizia:

Do templo perdido na selva do reino dos Genocídios aconteceu a reunião dos R-7. Os sete reinos mais teimosos do mundo. Jingola, Zimbabué, Níger, Burundi, Sudão, Somália, e Reino do Ruanda. Permitiram ao rei Jingola fazer o discurso de abertura. Isso seria apenas o único trabalho da reunião. Porque confessaram estarem muito apressados. Preocupados por terem saído dos seus reinos. O rei Jingola enerva-se:
- Temos que acabar com isto rápido. Tenho muitas casas para partir.
- Não sei se a rainha já conseguiu arranjar alguma coisa para o almoço. Ninguém tem nada para comer. – Disse o rei do Níger.
- Deixei um massacre a meio no Darfur. – Falou o rei do Sudão.
- Estão à minha espera para bombardear o aeroporto. – Desabafou o rei da Somália.
- O meu avião está quase sem combustível. Vou roubar um bocado aos depósitos do avião do meu colega Jingola. Combustível não lhe falta. Gatunou o rei do Zimbabué.
- Tenho que acompanhar a invasão do Ruanda. – Disse o rei do Burundi, preparando-se para se levantar.
- Vou dar-te um monte de socos na merda da tua cara, infeliz rei do Burundi – Ameaçou o rei do reino do Ruanda.

O rei Jingola pediu calma. Levantou-se e devido às pressas dos presentes improvisou um discurso:
- Camaradas reis. Temos que acabar com as nossas preocupações pessoais. Temos que escolher um desporto mais saudável. Deixarmos… ser gladiadores no circo africano. Acabar com o desporto de nos matarmos uns aos outros. Não conseguimos entender o porquê da fome que aumenta. As nossas populações fogem dos campos. Ninguém quer trabalhar. Fogem para as capitais, vendem qualquer coisa. Sentem-se felizes. Será que é assim tão difícil acabar com a fome? Temos que efectuar mudanças urgentes…
O discurso é interrompido pelo rei do Ruanda.
- Peço desculpa. Acabo de ser informado que o Burundi está a invadir o meu reino.

Os reis abandonam o local a correrem, receosos de ao chegarem aos seus reinos, estes já tenham os tronos ocupados por outros usurpadores.

Imagem: http://alemmarpeixevoador.blogspot.com/

A Epopeia das Trevas (33)


- Os Órfãos!!! Os Órfãos!!!
Quatro deles expeditos travam-se duma zungueira, dizem-lhe para repor o alguidar cheio de bolinhos como antes no chão. Servem-se à vontade até o alguidar esvaziar, desandam à cata de novas presas. Algumas férteis em liderança desnotaram-se e conseguiram ludibriá-los. Depois da razia, unem-se e pedem contas à miséria. Os próximos dias serão acrescidos à lei marcial da fome. De semblante mais pesaroso e alguidares mais leves preparam-se para cavar. Para revender e comer terão que convencer financiadores o que não será fácil: «você está maluca da cabeça, você ainda não pagou o que deve, e queres mais?» elas defender-se-ão: «empresta só amiguinha, vou pagando aos poucos» o ultimato: «não tenho mais dinheiro, porra!»

A selva humana é a mais traiçoeira, a mais perigosa, nela, vale-tudo. Cada segundo um perigo espreita. Novos perigos, novas maldades. Mais predadores atentos para saltarem, golpearem. Mabecos de uniforme plantam-se no areal, recitam bestial. Novo pânico, aflição renovada:
- São os gatunos Politburo!
- Manas, vamos bazar!
- Como então!? Nos esvaziaram!
As escapadas do anterior armam disfarce. O convencimento não dá, os guardas Politburo são muito vivos, cangam as precisas escapadas da marabunta. Contestam, sabem que em vão:
- Moxi, os Órfãos. Iadi, vocês. Vão naqueles dos armazéns!
- Absolutamente! Patrulhámos por lá, ficámos negativos. Ganhamos mal, mesmo assim não nos pagam. A fome esforça-nos à ração de combate.
- Vão no salu do Politburo!
- Eh pá! Onde há fome… salve-se quem puder!
- Jiboiados, salafrários, ordinários de merda!
- Cala a boca, te ensacamos na prisão correccional.
- É o quê? Com a minha bebé?
- Absolutamente.

Os alegres samurais da lei ajeitam-se fotogénicos para a corrida. O chefe dá ordem. A chaparia, as rodas, assobiam arenosas. Lá vão de olhos na divisão dos despojos. As malfadadas restam-se no silêncio das maldições, enquanto as rodas da maldade vão longe da vista, longe do coração. Os lamentos ocos repetem-se:
- Levanto ferro às quatro da manhã sem descontinuar, andar na lua da nevoenta luta continua. Demos-lhes o poder, proibiram-nos ler, ao longe sem comer.
- Amiguinha, é a filosofia anti-humanista dos novos-ricos da história da carochinha, e das suas endechas: «Por excelência ao levitar pela manhã decido: qual vou lixar hoje? Se não o fizer, desconsideram-me, perdem-me o respeito, não sou chefe. Um príncipe real a toda a força, deve estrangular a vida de outrem. Salutar, saboroso é destruir o destino dos que aspiram viver. Para obter bons negócios é importante aniquilar os amigos».

A minha longa jornada sucedia cuidada. Moscas, lixo, poças de águas sujas, buracos e assaltantes Órfãos à espreita. A Rádio Oráculo actualiza o numeral colérico: Quarenta mil infectados, e mil e quinhentos mortos.
Apercebi-me, afastei-me, segurei-me. Vi alguém assomar-se num terceiro andar, e zás! O conteúdo dum alguidar é atirado. Que assomo! É água com restos de peixe. Remiro para cima, vejo o deserto. As atiradoras são mais rápidas que o vento. Fazem lançamentos como no jogo das escondidas. São finas como ratos na madrugada. Desalentam-se saber bem ou certo, é mais fácil assim. Nas varandas preparam a comida, desajeitam-se em deitar a água suja na pia. Escolhem o caminho preguiçoso. O entupimento séptico está na Média. Tudo porta a fora.

Imagem: http://alemmarpeixevoador.blogspot.com/

O poder é eterno


Quem se eterniza no poder envelhece a nação e tudo fica senil. Os malfeitores, os aventureiros e especuladores colam-se como rémoras e chupam o sangue do povo. O conceito de nação desaparece. Tudo esmorece, apodrece. Num caos destes ninguém consegue ter um sono reparador, libertador das forças que permitem a um ser humano descansar para trabalhar. Este estado de coisas não pode continuar, tem que acabar.

Onde se edifica um prédio deles, nasce o terror. Tudo se compõe de pavor. A bestialidade nazi reaparece e uma nova luta de libertação recomeça. É preciso travar o avanço estrangeiro e repor o legítimo poder nacional. O poder está anormal.

A polícia protege o poder, a população é tratada como animais no matadouro… à espera dos vampiros da morte. Que nem sobras deixam. Tudo se amontoa no poder desumano. Sempre gerador dos crimes, de guerra civil.

Ainda subsistem muitas Cubas com dois irmãos no poder. Que ousam dissertar sobre democracia. E estas coisas acabam sempre em tragédia. Porque este governar é uma fábrica de produção em série que fabrica crimes. Eis o poder dos banquetes palacianos que governa a população faminta.

Que desenvolvimento económico e social se espera e nos desespera se tudo é realizado na vigarice. A própria concepção de civilidade nacional e mundial que vivemos é a mais pura e a mais horrenda selva jamais existente na História. E os ventos do Islão conquistam a África.

Pobres angolanos submissos, ainda escravos não libertos que se deixam espoliar, roubar, vigarizar, rapinar. Enquanto os habituais proclamadores, simples fazedores falantes de exercícios intelectuais tentam mas, não são condutores de homens.

Luanda não é uma cidade, é um amontoado de destroços humanos deslocados, forçados.

Imagem: http://alemmarpeixevoador.blogspot.com/

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A Epopeia das Trevas (32)


- Prefere morrer de fome na velhice?
- Não tenho coragem para enganar pessoas.
- Jasmim da astuta Noite… Tanta demanda, tanto tempo perdido em vão à procura dele…
- Dele?!...
Sim! Sim! Do dinheiro, quitare. A riqueza monetária é o Santo Graal.
Ouvi o coro transparente de vozes infantis a ensaiar um cântico de louvor a Deus. Um piano acompanhava-as. Vozes tranquilizantes no angelical Paraíso, alento para almas destroçadas. Magnificat para penetrar o espírito deificado. O Bispo Éden deixou-me. Foi a cantarolar, a sorrir como se fosse o homem mais feliz deste mundo. Juntou-se às crianças, afagou-as, abraçou-as, beijou-as, nublou-se de branco como no reino dos céus.

- Mentor… estaquei! Quanto mais mergulho nas religiões, mais confusa fico. Ah, se o perfume dos jasmins saturasse as nossas consciências… as palavras honradas movem-se como o vento pela rama jasminal.
- Os possuídos pelo dinheiro como milho dão as cartas, jogam, nunca perdem. Os terra-a-terra jogam na carta constitucional, perdem sempre.
- À boa vida.
- Quando um vírus de nível quatro ataca, e está prestes a dizimar a população, pára porque não sobrevive sem portador. As igrejas lutam para que os fiéis esfomeados não sucumbam. Sem mão-de-obra extinguem-se. Mas, as seitas religiosas adulteram, não panificam a religião. Inundam nos pobres de Cristo banalidades supersticiosas… poluição religiosa. Os Estados são pessoas de bem, nos píncaros do desenvolvimento científico. Entretanto, legalizam seitas religiosas que atentam a dignidade humana, mais-valia da fome.
- Resta a religião natural do bombeiro abnegado que falece para salvar o próximo. Os vivos permanecem, a memória dos bombeiros mortos também.

Dos largos anos do poder executivo ao reboliço do povo, do chover no molhado, vêm vivas incrementados nos baldes com águas das lavagens das roupas e detritos das cozinhas. De atalaia, as militantes reincidentes continuam o despejo dos recipientes. Com técnica militante rudimentar mas funcional, promovem chuva ácida para arejar o ambiente. Ainda não aderiram, ratificaram convenções locais sobre destruição presente. Sem princípios, meios, prestam os fins
Um carro apresta-se para interiorizar uma grávida, a amiga despede-se a cantar vitória:
- Faz boa viagem, não te esqueças, quando voltares traz-me as roupas da moda.
- Querida, tens que esperar aí uns quatro meses.
No estado interessante as Politburo endinheiradas viajam para Olísipo, rebentam, retornam. Não desejam que os filhos nasçam em Jingola. Preferem-nos nacionais estrangeirados.

Como formigas obrigadas a desviarem-se de obstáculos democráticos, as zungueiras flúem no trânsito popular ineficiente. As zungueiras são pobres clientes da grande democracia. Desafortunadas, a ela não dão crédito, não recebem créditos. A pequena democracia é dos clientes Politburo VIP afortunados, com créditos. Democracia legítima com actos ilegítimos, contrariando o direito de sobrevivência. Diviso a anunciação de sol a sol, da fuga desesperada do formigal mulherio. Os filhotes corcovam nos costados maternais. Os alguidares movem-se como navio agitado pela procela. As sem-pão param a prudente distância, a ver de que lado sopra o vento. Sem peitos para correr, o imprevisto confronta-as, tentam fazer marcha-atrás, estão cercadas. Cacarejam, como galinhas acossadas por galo de briga. Como habitualmente em grande desaire, gritam como só mulher sabe:

Imagem: http://alemmarpeixevoador.blogspot.com/

O Cavaleiro do Rei (42). Novela


AFRE, Associação dos Feiticeiros Reais de Jingola.
Antes dos Portugueses chegarem, nós já cá estávamos. O nosso povo pratica a feitiçaria como um acto normal de soberania. Faz parte das nossas tradições. Em troca de qualquer coisa, praticamos e inventamos novos ritos. Exigimos o tratamento de médicos tradicionais. Senão lançaremos um grande feitiço sobre o reino.
Isto preocupa-me. Este reino está cheio de feiticeiros e feiticeiras. São mais poderosos que os republicanos.

ASARE, Associação dos Analfabetos Reais de Jingola.
Não queremos livros, não queremos ensino. Não queremos universidades, estamos fartos de estudar. A nossa cabeça não aguenta. Não aos livros! Ainda bem. Estes ao menos são honestos. Grande poupança nos sacos azuis.

AERE, Associação dos Esfomeados Reais de Jingola.
Exigimos apenas vinte navios com comida, que será vendida e paga daqui a dez anos. Senão vamos saquear tudo o que se mexer.
Vão mas é trabalhar. Querem tudo de borla. Ir para os campos? Não aceitam. Só querem ficar na capital do reino, reais sacanas.

UNTRE, União Nacional dos Trabalhadores Reais de Jingola.
Queremos acabar com o assédio sexual nos locais de trabalho.
Isto é uma manobra de diversão. Se tivessem bons salários, acabava-se o assédio sexual. Deviam exigir mais dinheiro, mais condições sociais.

O Partido dos Republicanos da União Total, exige eleições livres e justas, já! Os republicanos estão sempre a falar de eleições no reino. Estão loucos?! Nunca! Jamais! Ninguém conseguirá alterar o sistema de planificação centralizada do reino e vice-reinos.

Um documento carimbado com as palavras MUITO SECRETO chamou-lhe a atenção. Era do marquês do Santo Oficio.
Meu rei, levo ao seu superior conhecimento:
Muita atenção aos republicanos da família dos Areópagos da árvore Andrade (Persea venosa). Não é a primeira vez, nem será a última que tentam tomar o poder. São muito inteligentes e devem estar permanentemente vigiados pelo nosso Santo Oficio. Um deles candidatou-se a presidente da futura República. Outro faz muitos comentários. Falam muito e à vontade na rádio dos republicanos, que assim não dá. Apelam à revolta. Acho que é hora para a nossa secreta dar-lhes uns bons tiros. Acabar com eles e como sempre deixar no esquecimento. Republicanos chatos. O culpado é quem inventou isso das repúblicas e das democracias. Porque não nos deixam em paz?! Estamos há trinta anos no poder. E sentamo-nos e sentimo-nos bem. Porque não esperam mais trinta anos para lhes darmos as condições adequadas? Invejosos!

CAPÍTULO XI
A reunião dos R-8

«A própria insuficiência de governo torna mais difícil a construção da capacidade de governo. É da insuficiente capacidade democrática de governo que surgem as nossas impressionantes polarizações entre ricos e pobres. A partir de um certo grau de concentração de renda, esta já não representa apenas um problema de justiça social, e sim um fator de desequilíbrio de poder político, tanto para os pobres como para os ricos.»
In A Reprodução Social Ladislau Dowbor

Devaneios do Politburo 04Ago09


Jornal de Angola 25Jul09
Primeiro trimestre. Índice de criminalidade baixa no país.

Aumentam agressões físicas no município do Cazenga.

Sindicato da indústria ligeira sem registo de despedimentos.

Ensino
Governo angolano gasta por mês um milhão de dólares em bolsas.

Huambo
Milhares de famílias na Caála já beneficiam de água potável.

Festas barulhentas
Cultura ameaça punir a poluição sonora.

Jornal de Angola 31Jul09
Luanda tem planos para construir casas.

Urbanização Nova Vida
Consórcio vai demolir as obras que estão fora do projecto inicial.

Novo sistema de captação melhora o abastecimento de água na Província de Benguela. Água em quantidade e qualidade nas torneiras.

Jornal de Angola 01Ago09
Situação urbanística de Luanda exige resposta integrante e eficaz. Reafirma a ministra e governadora Francisca do Espírito Santo.

Vice-governador Bento Soito (de Luanda) sobre o programa de realojamento.
Programa do Zango vai melhorar a qualidade de vida.

Bié (Província de Angola)
Ministro pede rigor na gestão pública.

Engenheiro Antas Miguel alerta para urgência
Capital (Luanda) precisa de novo sistema de esgotos.
O engenheiro Antas Miguel admitiu, ontem, que o actual sistema de drenagem das águas pluviais e residuais de Luanda já não corresponde à densidade populacional, estimada em cerca de oito milhões de habitantes.













Campos de concentração nazis que parecem de Luanda. Chelmno


Anatomia de um inferno. A resistência de Chelmno

O Exército Vermelho aproxima-se. Antes de fugirem, os SS destroem os últimos vestígios do empreendimento de extermínio. Depois executam os judeus que compõem a mão-de-obra das faxinas. É o que relata a testemunha Miszcak, ao mesmo tempo que refere a última tentativa de revolta destes infelizes:

«Começaram a liquidação dos últimos judeus. Fizeram-nos sair em grupos de cinco. Ordenaram-lhes que se deitassem por terra e derramaram-lhes tiros de revólver na nuca. Desta vez, os judeus revoltaram-se. Um deles, Max Zurawski, armado com uma faca, conseguiu furar o cerco dos guardas e fugiu. Os guardas não conseguiram descobri-lo. Os alfaiates judeus partiram o portão que dava para o bosque. Dois alemães entraram no bosque. Um deles era Lenz. Os judeus mataram-nos. Então, foram apontadas metralhadoras para o interior do armazém de mantimentos. Começaram a disparar e atearam fogo ao edifício.»
Não houve sobreviventes.


Marcel Rubi, O Livro da Deportação.
Tradução de António Moreira e Maria Piedade Moreira.

Foto: Condenados de Chelmno preparam-se para entrar na câmara de gás.

http://anatomiadeuminferno.blogspot.com/2008/06/resistncia-de-chelmno.html?zx=6d52978bcc8eeb3b

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Devaneios do Politburo 03Ago09


Jornal de Angola 16Jul09

Agenda até 2012.
Governo aprova projecto de grande impacto social.

O ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas de Portugal, Jaime Silva, reconheceu as potencialidades agrícolas de Angola, comparando-as, com as do Brasil, Estados Unidos e Cuba.

O presidente do conselho de administração da empresa “Mundo Telecomunicações”, Manuel João Carneiro, disse que a solução do mercado nacional é a convergência de plataformas de comunicação, que passa pelos rádios comunicadores, computadores (Internet) telefonia fixa, móvel e Vdip.
Os computadores facilitam a comunicação através da Internet.

Negócios na Filda
Produção agrícola nacional apresenta potencialidades.

Cultivo do café no país com boas perspectivas.

Jornal de Angola 17Jul09
Tribunal de Luanda regista entrada de processos de despedimento ilegal.

Custos com a electricidade e água desencorajam empresários.

Os projectos do Governo
O Governo de Angola continua a apostar no crescimento do país, no crescimento económico, na construção de obras estruturadas, na criação de emprego e na harmonia social.

Banco BIC disponibiliza mais fundos para crédito à agricultura e pecuária.

Jornal de Angola 25Jul09
Elsa Barber, directora nacional do INADEC
Consumidor angolano tem pouca cultura de denúncia.

Café
Angola deve incentivar torrefacção.

Angola2010
Um país unido e movido pelo futebol.

AIA – Associação Industria de Angola. Feiras.
Manifestar solidariedade com o reconhecimento do papel do Presidente da República e Chefe de Estado, Engº José Eduardo dos Santos, feito no âmbito da FILDA.

AIA – Associação Industria de Angola
Actividade económica
O Governo está atento e medidas estão a ser tomadas para que o sector económico e social não sejam afectados, bem pelo contrário, que o país continue na senda do crescimento económico.








Candidato à presidência da República de Angola escapa a assassinato


Muito rápido no caminho da Guiné-Bissau? Já nada nos surpreende.
João Kanbowela escapou a um atentado no passado sábado, cerca das vinte horas em Luanda. Os autores, segundo testemunhas, tentaram armadilhar a sua viatura para que explodisse. O atentado incluía também a sua família.

Fonte: RÁDIO DESPERTAR
Imagem: http://www.multipress.info/antigo/ver.cfm?m_id=16050

sábado, 1 de agosto de 2009

Breve história do terrorismo bancário (30)


Fortunas. Veja aqui a lista dos mais ricos de Portugal

Pedro Duarte 29/07/09 20:10

DIÁRIO ECONÓMICO

O empresário Américo Amorim continua a ser o homem mais rico de Portugal, embora tenha perdido 35% da sua fortuna.

A edição de Agosto da revista Exame divulga a lista dos portugueses mais ricos, que revela que as grandes fortunas do país voltaram a diminuir pelo segundo ano consecutivo.

O português mais rico continua a ser Américo Amorim, embora o empresário tenha perdido 35% da sua fortuna devido aos seus investimentos na área financeira, tendo agora um valor estimado de “apenas” dois mil milhões de euros, revela a revista Exame em comunicado.

Em segundo lugar surge Belmiro de Azevedo, que viu a sua riqueza ser cortada em metade nos últimos dois anos, e em terceiro lugar está a família Guimarães de Mello, com uma fortuna avaliada em 1,24 mil milhões de euros.

A Exame nota que 2009 é o segundo ano consecutivo no qual o valor das 25 maiores fortunas do país recua, uma vez que este aumentou sempre de 2004 a 2007.

Lista das 10 maiores fortunas:

Posição Nome Valor da fortuna
1 Américo Amorim 2,0 mil milhões de euros
2 Belmiro de Azevedo 1,43 mil milhões de euros
3 Família Guimarães de Mello 1,24 mil milhões de euros
4 Maria do Carmo Moniz Galvão Espírito Santo Silva 731,8 milhões de euros
5 Luís Silva e Maria Perpétua Bordalo Silva 695 milhões de euros
6 Alexandre Soares dos Santos 665,11 milhões de euros
7 João Pereira Coutinho 645,8 milhões de euros
8 Salvador Caetano 637,4 milhões de euros
9 Joe Berardo 618,2 milhões de euros
10 Manuel Soares Violas e Silva e Rita Violas Oliveira Sá 610 milhões de euros

Fonte: Exame

BPN versus BPP, Sicilia 30/07/09 00:25
Neste pais o crime compensa...Não fora o uso fraudulento de fundos comunitários de apoio aquando do primeiro quadro de apoio comunitário e o senhor Amorim não estaria nesta lista...Mas convenientemente o processo arrastou-se na nossa linda justiça durante 10 anos e prescreveu...



Devaneios 01Ago09


Cheli&Chela;, 16/07/09 10:21
É bom que apareçam estes comentários dos especialistas independentes, que vão ao arrepio dos "opinion makers" do mercado (leia-se OPEP conluiada com os Fundos de Investimento+ Especuladores).

DIÁRIO ECONÓMICO

Realmente, custava a acreditar que a "recuperação económica" da Economia Mundial levasse a uma recuperação dos preços do petróleo para o dobro dos registados no final de 2008. Ou seja, mais uma vez os especuladores manobraram bem e fizeram elevadas mais-valias. Agora é fazer short-selling e apostar na "retoma" em 2010...

Sem papas na lingua, Porto 20/07/09 11:02
Viva a corrupção...!!! Viva a vigarice...!!! Viva Portugal...!!! Vivam os nossos politicos e instrituições..., VIVAM...!!!

costa, frankfurt 18/06/09 10:42
Na Alemanha estemos contentes por poder trabalhar aos sabados.
Em Portugal quase se fecha uma fabrica por nao querer trabalhar aos sábados ou por falta de flexibilidade!!??
Entao mas afinal o que QUEREM OS PORTUGUESES??

MAMM, Sintra 15/07/09 14:12
A globalização foi-nos vendida como o único caminho a seguir (economicamente falando), sobrepondo-se a liberdade e a democracia (politicamente falando). A culpa é de todos nós que na busca da felicidade individual esquecemos o colectivo (Aqui entra o cidadão comum, o político e o empresário).
Resumindo, como a história comprova, sem margem para qualquer dúvida, o que conta é ter Poder .
Ora o poder económico sempre comandou o Mundo e, eventualmente comandará, mas as massas, como a história também o comprova, revoltam-se com consequências imprevisíveis.
A globalização já é um fenómeno demasiado grande para este pequeno planeta cheio de ambição humana.
O recurso a mentira, manipulação é de tal modo evidente que se deixou de acreditar no manancial de informação que nos é servida.
Eu acredito que estes trabalhadores estão convictos que a explosão desta fábrica é a melhor solução para os seus problemas.
Não inventem, Gripe A . O que é isso face a revolta latente que parece ganhar cada vez mais força. Acham que há força que consiga conter o exército (motivado) de desempregados.
Então pensem bem no que está na base do terrorismo.

Tomar consciência, Lisboa 28/07/09 16:54
Os portugueses têm tido a vida muito facilitada. Após o 25 de abril comeram à custa do que O Prof. Salazar poupou e cá deixou. Depois passaram a comer das esmolas ( subsídios da UE) e dos empréstimos externos. Está a chegar a hora da verdade. Já há alguma mas vai haver muita fuminha.