quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O Cavaleiro do Rei (50). Novela


Uma jovem pensa que foi transportada para o local errado, devaneia:
- Se procuramos o santo hospital?! Porra! Este gajo está drogado. Ai meu Deus!.. viemos parar num hospital de loucos!
- Silencia-te herege!
Outra jovem reclama das condições.
- Isto não é lugar para uma donzela. Devem interrogar os patrões que criam falsos empregos. Porque trabalhamos e há vários meses que não nos pagam. Isso sim! Seria um trabalho sério. Ah!.. deixem-nos em paz.

Ele lançou um olhar insinuante para a pretensa donzela. Viu a profundidade das pernas abertas na curta saia, que ela sem notar (!) deixava ver o início da claridade do prazer eterno. Devia ter quinze anos. Notou que as restantes ofereciam o mesmo quadro que só a mãe Natureza sabe criar. Perguntou para todos:
- Acreditam em Deus ou no rei?
Ao que todos responderam.
- Em Deus!!!
- Estamos mal. Bom, vamos fazer assim. Donzelas para a esquerda, os outros para a direita. Vão ser levados para o braço secular.
Uma voz feminina descontente ouve-se:
- Desculpe, mas não abraço desconhecidos.
- Vão levar tais torturas que jamais ousarão desafiar o rei. Guardas! Levem-nos para o santo lugar.

O grande inquisidor escolheu para o inspirar, um que tinha sido seu antecessor. O seguidor dos prazeres da carne na fogueira que antes experimentara desnudadas aventuras nos corpos indefesos entregues ao sabor de um Deus inexistente. Suplício delicioso num pensar demente. O padroeiro Santo Torquemada do nosso Real Santo Oficio. O grande inquisidor deu ordens para prepararem sete leitos. Um noviço baralha-se:
- Sete? E o que fazemos dos outros?
- Sei lá. Também não te interessa. Nunca ouviste falar da lenda das sete magníficas? E o maldito chefe dos Templários que foi queimado num dia treze?
- Não.
- Essa lenda diz, que por causa delas o mundo nunca terá paz. Noviço quem faz os filhos?
- São os homens.
- Pobre espírito corrompido. Quem faz os filhos são elas. É por isso que não as queremos na Igreja. No dia em que isso acontecer será o nosso fim. Elas quando produzem dois filhos, um é sempre pior que o demónio. Entendes agora porque não as queremos na Igreja?
- Sim, mestre Torquemada.
- Os treze levai para a grande tortura divina. Vai para lá e aguarda até que trate da purificação destas virgens. Duvido muito disso, acho que há muito alguém tratou da sua desflorestação. Desde quando existem florestas virgens hoje em dia? Vai rachando os ossos a esses republicanos.
Sete noviças preparam-se para o martírio das jovens. Ordenam:
- Dispam-se.
- O quê? Não me dispo na presença de homens.
Forçam-nas a tirarem as roupas. Restam as duas peças íntimas. Torque exclama descontrolado:
- Um conjunto da Triumph.
- Não, velho chalado, é Chanel.

Devaneios 20Ago09


Chaparro, Alandroal 31/07/09 08:53
E fez muito bem . Qualquer dias também legalizava a poligamia , a pedofilia , o incesto ,etc que também podem ser chamadas pelos envolvidos formas de "amor" . Claro que os lobbyes gay , como não lhes convém , apelam à revisão da constituição .

DIÁRIO ECONÓMICO

Avelino olegario, california usa 31/07/09 07:45
a crise no algarve? a crise no turismo e grande! e e mundial !.... e muito grande mesmo....os grandes descontos nao e so no algarve !...mesmo aqui em toda a california. usa. , por exemplo ,sao francisco e uma das cidades mais bonitas , e mais turisticas do mundo ,e esta a sofrer imenso tambem !.....eu vejo isso todos os dias..tem hoteis as moscas e fazem grandes descontos , restaurantes vazios, lojas a menos de meio gas,,e porque ?.... sao varios os factores...primeiro o povo esta descapitalizado com a crise nos bancos e no sector financeiro, emprestimos dificeis, segunda cortaram-lhes os altos limites nos cartoes de credito ,terceiro muita gente evita viajar de aviao devido a gripe que anda por ai, quarto as moedas fora da zona euro no cambio estao fraquissimas o euro esta demasiado forte!..., quinto ha muita gente desempregada a viverem do fundo de desemprego que nao da para nada!..... nao da para comer nem dormir em grandes hoteis ,nem fazer vida grande no algarve!.. ou em qualquer sitio bom sitio ou paraisos de de luxo!...portanto, nao e de admirar que os hoteis do algarve se encontrem a saldo.ate 50% de desconto!...... para mim assim o algarve esta melhor que antes!.....porque ha 4 ou 5 anos atraz nem fazer reserva num hotel eu conseguia, e eramos la tratados como cidadoes de segunda classe !....recordam-se eram bichas enormes para comer num restaurante, e era altamente roubado nos precos , pagava uma alta conta , era tudo carissimo ,a comida e o servico era de terceira classe,...embora eu tivesse que pagar de primeira classe, como eu falava portugues ligavam-me pouco ,se fala-se ingles com pronuncia americana tudo mudava e ja me tratavam muito melhormas lixavam-me nos precos!...porque eles la preferiam os ingleses , os alemaes, os holandeses, os suecos,os suicos, ect ect. eu que sou lusoamericano era tratado como se fosse lixo!.. nao desejo mal a ninguem pelo contrario, seria bom que todos tivessem bastantes negocios !.. e que o algarve nao tivesse em crise !...mas .... lembrem-se deste ditado muito antigo "ha males que ve-em por bem!.....talvez nos tratem melhor na proxima vez!....dado que agora ja nao te-em tantos clientes como tinham e vou aproveitar grandes descontos!...avelino olegario .california usa.

Pedro, Lisboa 07/08/09 12:12
Para mim é tudo especulação... lembram-se tb de um investidor Chines para o Benfica? Muita conversa e nada... Se isto for verdade que interesse pode ter um banco chines no BCP? Ou compra mais do que 50% do BCP e controla a sua bela maneira ou é tudo fogo de vista... para alguem ganhar dinheiro com subidas de 5%... e se desfazer das acções do BCP!!! a CMVM para variar não suspende o titulo, até se esclarecer estas noticias... Regulador??? Chamo mais compadrio...

jm, 07/08/09 12:15
E assim teremos mais umas centenas de lojas chinesas, além das que já inundam o nosso pobre País...

Cheli&Chela;, 07/08/09 11:56
O preço do petróleo deixou há muito tempo de ter qualquer relação com a dinâmica da oferta e da procura no mercado mundial. Se, aos stocks a aumentar há 4 semanas nos EUA, juntarmos os stocks crescentes de petróleo nos petroleiros das petrolíferas, ancorados por esse mundo fora, temos uma ideia de quanto a especulação mundial tem forçado o preço desta matéria-prima. O pavor dos Estados de que a deflação se acentue e ponha em causa "as douradas perspectivas" de retoma económica, ou o fim da recessão, apregoadas por Obama e os G-19, "explica" porque às poderosas forças especulativas privadas se juntam as públicas. O único preço que sobe neste momento é o do petróleo, e está tudo dito. Outro exemplo: hoje mesmo se anuncia uma retoma mensal forte da exportação alemã em Junho. Tudo bem em teoria: a China voltou ao mercado das compras de máquinas-ferramentas, automóveis, etc. Mas, hoje mesmo também, uma organização sindical da polícia alemã denuncia que, desde que o esquema de troca de automóveis velhos por novos foi introduzido na Alemanha, organizações do crime internacional já exportaram mais de 50.000 veículos velhos, que de outro modo iriam para a sucata. ...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A Epopeia das Trevas (39)


O que aconteceria se desvendássemos, falássemos, abríssemos a nossa alma? Fazer o invisível, visível? Há muito receio supersticioso. As pessoas vivem noutro mundo possuídas pelos cultos religiosos.
A História recheia-se de guerras santas, de extermínios, de cultos de libertação. Todas, asseguram-nos, são libertadoras. Então porque continuamos oprimidos? Porque não são guerras de libertação. São guerras de continuação da opressão.

Durante muitos anos da minha vida ensinaram-me que os outros povos eram atrasados, incivilizados. Necessitavam do alimento feérico da fé cristã, da condução paradisíaca. Libertar-se-iam dos seus deuses, desconheceriam a maldade, sombras, trevas do paganismo demoníaco. Em consonância os políticos arremetem-nos vida melhor, e a religião promete-nos viver no paraíso eterno. Mas quando um governo se irresponsabiliza perante os cidadãos no abastecimento mínimo de água, luz, comida, chapas de zinco para refazer alojamento e alguma roupa, isto é escravidão. Comparando os tempos, os modernos ultrapassaram os antigos. Nunca aconteceu na História tanta escravidão, submissão, espoliação como actualmente.

Os Jingola autóctones colonizados libertaram-se. Os seus libertadores sangraram o fim colonial e esclavagista. Em seguida como navios escoteiros desbordaram a humanização da História. Submetidos às leis modernas da nova escravatura, às leis da imutável fome, às leis das epidemias que a acompanham. É o destino dos povos, a frustração da História. Isolados como ilha perdida algures em qualquer oceano, à espera da morte salgada. Regimes de excepção suspensos em actos anticonstitucionais, empresariais, actos gratuitos. Não há mandados de citação, há mandatos penais. O poder empresarial é oculto, temeroso. Governante que não caminha pelo meio do seu povo, é impopular, receoso.

A tuberculose galopante inscreveu-se no quadro das epidemias. No hospital os lugares disponíveis são insuficientes. Apesar de alguns novos focos, a cólera, dizia-se, já não assustava. A equipa médica afirmou que seria extinta nos próximos cinco anos.

Este é mundo de dinossauros, seres de pedra com mentes de fontes incoerentes que inutilizam a validade da luz natural, cerebral. Ocos de linha dura, anzolam-nos na sua demência. Prescrevem-se choques nos tecidos tenebrosos mas, os encéfalos teimam que dependemos da inutilidade deles… perfeccionistas da lei de Murphy. Carentes, crentes no poder vitalício permanecem esqueléticos até à morte, a desordenar. Desusam o sentimento de culpa, não antecipam formação de jovens substitutos. Enfadam-se na demagógica criação de empregos, nas oportunidades à massa cinzenta rejuvenescida. As pontes desabam, a do poder não.
O homem mais poderoso e o homem mais fraco não têm a mesma importância. O homem mais fraco é mais importante, porque a qualquer momento derruba o homem mais poderoso

O meu melhor amigo é o silêncio do odor da santidade florestal embalsamado, dos lamentos confessados, convictos. Os meus inimigos são os quatro cavaleiros do apocalipse: o especulador imobiliário, o advogado, o especulador financeiro e o agente funerário. Mas, o meu maior receio é ser queimada por heresia.
Acreditamos, defendemos resoluções, revoluções, e depois deixamo-nos arrastar na correnteza da odienta pobreza
Educaram-me, ensinaram-me, reeducaram-me que a civilização Ocidental é superior. Mais tarde descobri com sorrisos solitários, o quanto estava lesado. Não produzi estátuas ou outras obras de arte porque a minha beleza, o purismo das minhas formas, são renascimentos para os artistas amantes dos superiores primitivismos. A minha civilização é inferior na tecnologia, mas é superior na minha outra impressão de sol nascente.

O Cavaleiro do Rei (48). Novela


Depois de passar a ponte levadiça e antes de chegar ao fosso, um guarda junto da Grande Muralha alarma. Epok aproxima-se, interroga-o:
- Quem roubou as piranhas?
Ninguém sabe, ou não quer responder. Epok olha para baixo. Vê um grande buraco cavado por baixo do Grande Muro. Agora já sabia como os géneros e as piranhas desapareceram. Junto ao túnel estava um papel pendurado com uma espinha de peixe que dizia: OS PESCADORES DO ROBIN ALAMEDA SQUAD. Epok previne o chefe da guarda:
- Ponham guardas de metro a metro.
- Já fizemos isso.
- Ponham arame electrificado.
- Quase há cinquenta anos que a luz está sempre a falhar.
- Temos os geradores.
- Roubam as baterias e o combustivel.
- Se isto acontece na Grande Muralha do Grande Palácio Castelo-forte, não quero imaginar como será no reino e vice-reinos.

CAPÍTULO XIV
O Real Santo Ofício

Esta aliança de interesses empresariais moderados com uma estrutura mafiosa de poder está na base do fato de sermos hoje o país com a distribuição de renda mais injusta do planeta, de não conseguirmos alimentar o povo numa terra tão bem dotada de recursos naturais, de sermos balançados pelos esquemas de especulação financeira como qualquer república de banana. A verdade é que a estrutura mafiosa de poder, e a corrupção sistêmica que a sustenta, tornam inviável qualquer esforço de reforma do Estado, de modernização institucional, de evolução para uma sociedade civilizada.
In O mosaico partido. Ladislau Dowbor


Entretanto, a anunciada manifestação dos estudantes republicanos, que apenas pediam os passes de acesso aos transportes reais, apesar destes estarem autorizados há seis meses – sempre os seis meses – proibiu-se. Parece que ninguém se lembra, ou é cego, que existe espalhado por todos os cantos do reino o seguinte:

NÃO SÃO PERMITIDAS MANIFESTAÇÕES NO REINO!

Mesmo assim os jovens republicanos não desistem. Animados do mais profundo ideal, com o sangue a escorrer e a ferver nas artérias juvenis do corpo ávido de patriotismo, marcharam contra os diabocratas. O Real Santo Oficio aguardava-os, prevenido pelo zeloso alcaide-mor, vice-rei do condado Jingola.

A guarda pretoriana conduzida em quadrigas puxadas por quatro cavalos brancos simbolizando a vitória real, investiram contra o que lhes tinham dito, que eram milhares de jovens leões esfaimados. Pescaram vinte. Treze leões e sete jovens leoas que parecendo peixes atiraram-nos a esmo para debaixo dos pés dos condutores. Conduzidos à presença do grande inquisidor, antes passaram por um túnel que lembrava as noites muito escuras das ditaduras. Ratos e morcegos circulavam felizes na liberdade oferecida a baratas e restos de lixo. Ouviam-se gemidos que qualquer coração não suporta. Pararam junto a um altar de sacrifícios. O grande inquisidor oferece aos olhares a tranquilidade das suas vestes brancas, que acompanha com uma cruz papal. Levanta-a e começa o interrogatório:
- Acaso procurais o Santo Graal?

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Os piratas do Golfo da Guiné


A população consome-se nas chamas da intolerância.

A verdade que os políticos não querem ver, é que no fundo de cada desempregado, espoliado, deserdado, excluídos da sociedade e esfomeados existe uma Al-Qaeda.

No tempo do colonialismo, o negro apartado da sociedade roubava a roupa estendida e o que estivesse à mão. Hoje, independente, vê como uma desgraça natural as terras dos seus ancestrais espoliadas, especuladas a 2.500.00 dólares o metro quadrado. Os casebres e pertences reduzidos a pó como na Somália. Vive em campos de concentração, dependente da mais atroz escravidão.

De vez em quando recebe um pouco de água e luz. Os estrangeiros roubam-lhe o emprego. Não tem direito à distribuição dos rendimentos do petróleo. A única benesse ofertada é estádios de futebol e de basquetebol que acirram a miséria e retiram os orçamentos dos hospitais. Que se transformam em castelos pavorosos do mais cruel vampirismo. São os hospitais do terror.

Governado à Myanmar o angolano deixa-se abandonar governado por quatro letras que já não dizem nada. São as letras da Transilvânia. Estamos encurralados no poder do bando de piratas do Golfo da Guiné que nos querem matar à fome.

Custa a acreditar como ainda regimes ditatoriais subsistem, como se vivêssemos na Idade das Trevas. Não há dinheiro para hospitais mas, para estádios de futebol não falta. Como se permite nacional e internacionalmente que pessoas tão mal-afamadas permaneçam no poder?

Como acreditar nos políticos mundiais pois se eles apoiam o neocolonialismo e a escravidão? Continuamos a viver na hipocrisia e na mentira. Os políticos actuam, seguem os exemplos destrutivos dos violentíssimos ventos devastadores e tempestades.

E eternamente felizes para sempre estarão no eterno poder da estadolatria. Na produção das desconfianças diárias e tumultos que se sucedem neste campo de concentração de Luanda criado por mentecaptos imperiais. Uma catástrofe que amadores politiqueiros desencadearam. Um fogo ateado que não se consegue extinguir.

Para os hospitais funcionarem é precisa vocação, para a governação qualquer idiota serve. Isto não é um governo, é um fabricante de delinquentes, corruptos e especuladores. É um governo dos abismos da morte.

Imagem: http://sol.sapo.pt/photos/bangon/picture136734.aspx

O Senhor dos Estádios


Há governantes que para demonstrarem convenientemente a sua governação deveriam indumentarem-se de arcos, flechas, tangas e machados de pedra.

E o Senhor dos Estádios enviou esquadrões de cavalaria, matilhas de cães raivosos, demolidores para devorarem populações. Colunas de tanques, tudo o que é e não é polícia. A sua guarda pessoal e impessoal. Todas estas forças para a invasão e reconquista do Iraque de Luanda. Desgraçados… porque se lembraram de inventarem um nome assim para um bairro?!

E o Senhor dos Estádios satisfez-se com tamanha malvadez, pelo sofrimento que flagelou as populações que lutaram para ele continuar eternamente no poder. E conclamou os seus amigos para na terra destroçada erguerem estádios e outras desorientadas construções. Só em Angola é que está a dar. É tudo tão fácil. Corre-se com a população e constrói-se. Quem refila leva nos cornos.

O Senhor dos Estádios tem apenas uma ideia fixa: mais estádios, mais futebóis, basquetebóis e caubóis. E o seu reino infestou-se de carniceiros e cães pardieiros que semeiam muitos estádios de futebol, muitos prédios, condomínios, torres e demais desordens. Às populações ordenaram-lhes que se concentrassem nas tendas dos campos de concentração. E que depois serão encaminhadas para as câmaras de gás que sobraram dos nazis.

E o Senhor dos Estádios ordenou aprontar grande negócio nacional e internacional. Calculando afronta da população orientou aos milhões de dólares guardados no cofre de âmbito pessoal, que se gastassem quantias principescas nas polícias e exército para baterem onde dói mais… na população. Chamou mais estrangeiros para apoiarem o plano da devastação populacional final. Estrangeiros, daqueles revolucionários com elevadíssimos salários, e incomensuráveis mordomias. Dividiu com esses agentes o dinheiro do petróleo. E aos seus súbditos tendas… mais nada. As crianças no futuro do amanhã muito incerto choram abandonadas dia e noite, estateladas na macabra tempestade petrolífera.

E o Senhor dos Estádios obrigou os desgraçados das tendas a prepararem, a festejarem os milhões gastos no Can 2010. Difícil é a agua, a luz, sem emprego, e o dinheiro para o pão está cada vez mais difícil. Os preços vão subindo, subindo. Com tal tratamento e agradecimento, os que votaram no Senhor dos Estádios, ele sabe que a cólera os enviará para os céus. Porque para os infernos irão eles. Lenta e seguramente a população escasseará. A prova disso é que já não há espaço nem médicos que cheguem nos hospitais (?).

O Senhor dos Estádios assume que esta gentalha dos casebres chateia muito. E a discriminação é tal, infernal até nos cemitérios. Há-os para ricos e para pobres. Dantes a nossa luta era contra os brancos, agora é entre nós. A única lei que funciona é a da pedra. O demónio tomou conta definitivamente desta cidade. Até os gatos miam tão estridentes, (será alguma vingança, alguma manifestação de protesto? mas, as manifestações estão proibidas, exceptuando as do poder, claro) imitam vozes de criancinhas. É arrepiante, já não são as noites do cio da gataria.

A Epopeia das Trevas (38)


- Senhora, passa aí duas bombas.
São dois saquinhos de plástico transparentes. Bem visíveis saltam letras maiúsculas: Bad Whiskey. 43% Volume. Rápidos, entornaram a uíscada pelo túnel estomacal. O lirismo invadiu-os. Descolaram mais dois saquinhos que emborcaram. Os desejos reprimidos extravasaram.
- Porra pá! Esta merda é demais!
- Puta que o pariu!
- Hum, se alguém me chata, vamos se matar!
- Apetece-me uma pistolada!
- Eu também!
- Vamos se torrar!

As palavras espumavam bucais nos antes pacatos servidores dos bens alheios. A desfaçatez estonteou-os.
- Ó senhora, bombeia mais dois. Pagamos amanhã.
- Já estão admirados, desestruturados, os olhos orbitados… não vão reassegurar a empresa?
- Quero lá saber da empresa!
- Vamos se encostar no quarto mundo do passado, no presente, sem futuro.

As minhas passadas seguem o habitual ritmo compassado da luta continua… do cantar de José Afonso:

Ó cantador alegre
Que é da tua alegria?
Tens tanto para andar
E a noite está tão fria

Degeneração moral é vista como inevitável na ausência de controlos sociais contra ganância e competição. William Golding

O homem aprendeu a dominar, a piorar, amarrou a Natureza. Julgou-a como um banco de fundos ilimitados. Saques, saques a fundos perdidos. Finalmente abandonou-a, divorciou-se, desamou-a. A Natureza domina o homem, ele surge nela como planta daninha. Está a mais, não faz parte da equipa. Deus criou os homens para divertimento. Sorri, vendo-os exterminarem-se com as armas que todos os dias inventam. Hipocritamente inventaram a esperança, a espera contínua da morte. Dizem carregados de profunda maldade, que é a ultima coisa que resta. É a maldade sem limites. Matam e depois choram os mortos.

Oh, esta saudade, esta tristeza do alvor da perdida Natureza.
Para quê tantos instrumentos sofisticados, se basta observar formigas para prever as inclemências do tempo que nos desassossegam.
Desentendo porquê os seres humanos estão sempre muito ocupados. Falta-lhes tempo para observar uma árvore.
As religiões estão ultrapassadas, nada mais têm a desdizer, temos que as substituir por aquelas que amam a Natureza.
O alarde altipotente: vamos trabalhar, viver, conviver diariamente com a hipocrisia e a vigarice? Não é possível desumanizar assim! Temos que refutar, reabituar, resgatar a insolvência da nossa sobrevivência. Lutar antes do entardecer. A limpeza de alma da Natureza ciclicamente destrói os homens. Poupa alguns para recomeçar o ciclo do deixar o circo pegar fogo. Os elementos da Natureza conscientizam-se: «eis que retomam a multiplicação, um nunca acaba, vão hostilizar, cometer as atrocidades anteriores arquivadas no déjà-vu. Quanto baste, acabamos com eles».

O Cavaleiro do Rei (48). Novela


O cavaleiro La Padep sente o julgamento do juízo final quando Epok lhe diz à toa:
- Caramba, vocês são piores que a Revolução Francesa.
- Não entendo, aqui nunca houve revolução…
- Pois fica sabendo que além dos nossos bens, também querem o que de mais íntimo temos.
- Não estou a perceber.
- Não te faças de parvo… violaste a suprema intimidade da princesa.
- Também hei-de violar a tua.
- O quê? Qual?
- O teu real rabo.
- Filho da puta, guardas!!! Levem-no!

Conduziram La Padep para a poterna por cima do fosso das piranhas. Suspenderam-no por uma corda amarrada aos tornozelos de cabeça para baixo, a cerca de um metro do nível da água. As piranhas sempre esfomeadas saltavam tentando trincar um pedaço da sua carne. Algumas conseguiram apanhar-lhe um pouco de cabelo, graças aos esforços que fazia para ludibriar as suas poderosas mandíbulas. As forças enfraqueciam. A noite chegou. Com Epok na dianteira, os convidados cansados de assistir ao fim de menos um republicano, recolheram-se para os seus aposentos reais. A vida de La Padep não chegaria a ver o sol da manhã do dia seguinte.

Aí por volta das quatro horas da madrugada, vários vultos rasgam a escuridão da noite. Movem-se como panteras negras, imperceptíveis aos olhares e ouvidos humanos. São os jovens do condado onde há sempre zanga, que não resistiram aos apelos das mensagens que lhes tinham sido entregues. Vieram em socorro do seu líder. O local da vala antes aberta ainda era visível. Trabalharam a cem à hora. A água acabou em minutos. Colocaram tábuas de madeira que traziam, no fosso seco. Assim como uma escada que também transportaram. Poisaram-na em cima das tábuas, subiram-na e com uma faca cortaram a corda que prendia La Padep. O nosso herói estava salvo. Um pouco de sangue escorria-lhe da cabeça, devido a uma piranha muito atrevida. Teve forças para agradecer.
- Muito obrigado queridos republicanos. Isto é uma ditadura. O imperador é o culpado disto tudo. Para a semana vamos fazer uma manifestação na embaixada dos EUA. Vamos perguntar pelas contas do líquido negro.

Os esfomeados e as esfomeadas, mesmo assim sempre muito belas, parece que a fome as faz ficar mais bonitas, de tal modo que fazem inveja à mais famélica modelo nas passarelas da moda. Aproveitaram mais uma vez e carregaram as piranhas. Ainda a luz da manhã não tinha sido convidada, e já se ouviam os pregões nas ruas.
- Comprem, comprem! É peixe do rei, faço bem barato!
As piranhas vendidas a baixo preço depressa desapareceram. Graças à piscicultura real os esfomeados nesse dia não passaram fome. Uma zungueira reconhece saracoteando o rabo.
- Vivam as ajudas humanitárias do reino da ONU!

Ao raiar do dia na torre de menagem, Epok com potentes binóculos pretende observar o que resta do corpo de La Padep. Vê a corda que flutua ao sabor do vento. Comenta para quem quiser ouvir:
- Porra! Estas piranhas são demais, nem a corda escapa.
Aponta os binóculos na direcção da água, na esperança de ver algum osso a flutuar. O fosso está seco.
- Filhos da puta de guardas. GUARDAS!!!!!
- Sim chefe, favoreça.
- Baixa a ponte levadiça.
- Atenção, ordens do chefe Epok, atirar as tábuas para baixo!
- Não foi isso que eu disse caralho!
- Chefe… é a nossa palavra-chave.

«Semelhante ao que o MPLA faz nos órgãos públicos»


«Jornalista da Despertar penalizado por enaltecer Abel Chivukuvuku
Domingo, 16 Agosto 2009 12:55

CLUB-K.NET

Lisboa – Figuras que tomaram parte da ultima reunião da Comissão Política da UNITA, em Luanda lamentam o facto de um jornalista da Radio Despertar, tratado por Kalombe, ter sido advertido/ralhado por fazer, em directo, referencias (tidas como enaltecimento) a Abel Chivukuvuku.

Semelhante ao que o MPLA faz nos órgãos públicos

De acordo com “insiders”, a reportagem do jornalista fazia apresentação dos dirigentes que entravam para a sala da reunião em Viana, porem, quando Chivukuvuku entrou, o repórter terá passado em directo, algo mais ou menos assim: “Acaba de entrar uma das principais figuras desta reunião que julgava-se que não vinha, mas que agora esta ai, o Dr Abel Chivukuvuku”.

Foi testemunhado que instantes depois, elementos suspostamente do partido foram ter com o jornalista na qual as pessoas que estavam próximas escutaram advertência que dava conta que o mesmo estava a ser ralhado devido aos comentários que alegadamente enalteciam Abel Chivukuvuku em detrimento do líder do partido que merecia tal honra.

Especulações no terreno, davam conta da existência de suspeitas segundo a qual Chivukuvuku não tomaria parte da reunião no primeiro dia deixando assim que partidários seus levantassem questões favoráveis a si (entenda-se Concresso extraordinário). Tal suspeitas estavam a ser inicialmente associadas a ausência de elementos próximos a si como Carlos Morgado que veio a se saber mais tarde que faltou por razões profissionais/ academicas. (Esteve a leccionar).

A Radio Despertar, é uma emissora próxima a UNITA por via dos seus accionistas. Foi autorizada pelo Governo na seqüencia dos acordos de Lusaka. É externamente criticada pelo excesso partidarizado da sua linha editorial. Um ex DG, Alexandre Salombe chegou a por o cargo a disposição por discordar da mesma.

Na altura, o jornalista Jorge Eurico advertiu que a UNITA por via da Radio Despertar estava a repetir a mesma coisa que o MPLA faz com as Rádios do Estado na qual o “Galo Negro” situava-se na linha da frente como critico.

Tal similaridade em partidarizar os órgãos de comunicação nota-se pelos seguintes registos:

- Reunião da CP da UNITA são cobertas em directo como se trata-se de um assunto de Estado, na RNA ou TPA os congressos do MPLA passam na sua integra como se fossem órgãos oficial do partido.

- Na Despertar, os discursos do Presidente da UNITA, I. Samakuva passam na sua integra semelhante, a TPA que faz o mesmo com discurso de JES proferido nas vestes de Presidente do MPLA em reuniões do Comitê Central.

- O Incidente de esta semana do jornalista advertido é semelhante aos inúmeros e com maior descaramento, ocorridos na TPA ou RNA. Um reputado jornalista, Ernesto Bartolomeu chegou a ficar suspenso por mais de 5 meses por descordar do favoritismo e dos excessos de noticias do MPLA nos noticiários daquela estação estatal.»

Imagem: http://www.correiodopatriota.com/

O Livro das demolições (Fim)


Demolições e desalojamentos forçados - José Patrocínio
Quinta, 13 Agosto 2009 01:18

Lobito - Gostaria de começar esta reflexão, sobre o que devemos entender por Desalojamentos Forçados. De acordo à Observação Geral N.º 7: Direito a uma Habitação Adequada, das Nações Unidas, entende-se por “desalojamentos forçados” como sendo “o facto de fazer sair pessoas, famílias e/ou comunidades das suas casas e/ou das terras que ocupam, de forma permanente ou provisional, sem oferecer-lhes meios apropriados de protecção legal ou de outra índole nem permitir-lhes o acesso a eles”.

De qualquer das formas e ainda de acordo ao mesmo documento, o referido Comité chegou à conclusão que “os desalojamentos forçados são prima facie incompatíveis com os requisitos do Pacto” (Pacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais).
O que se pretende com a presente reflexão é trazer a público as posições do sistema de direitos humanos das Nações Unidas sobre o assunto. Na realidade a questão de demolições e desalojamento forçado é grave e a comunidade internacional desde há algum tempo que tem vindo a abordar tal questão. É assim que em 1976, a Conferência das Nações Unidas sobre os Assentamentos Humanos, definiu que só se deveriam “iniciar operações importantes de evacuação quando as medidas de conservação e de reabilitação não são viáveis e se adoptem medidas de recolocação”

Ainda de acordo ao mesmo documento, em 1988, na Estratégia Mundial de Habitação até o Ano 2000, aprovada pela Assembleia Geral na sua resolução 43/181, reconheceu-se a “obrigação fundamental [dos governos] de proteger e melhorar as casas e os bairros em lugar de prejudicá-los ou destruí-los”. Pode-se ler ainda que, no Programa 21, declarava-se que “dever-se-ia proteger legalmente a população contra o desalojamento injusto das suas casas ou suas terras”. Mais adiante, tal documento relembra que no Programa do Habitat, os governos se comprometeram a”proteger a todas as pessoas contra os desalojamentos forçados que sejam contrários à lei, tomando em consideração os direitos humanos, e garantir protecção e reparação judicial nesses casos”. A própria Comissão de Direitos Humanos tinha assinalado que “a prática dos desalojamentos forçados constitui uma violação grave dos direitos humanos”.

Atendendo à interrelação e interdependência que existe entre todos os direitos, os desalojamentos forçados violam frequentemente outros direitos humanos. Além de infringir claramente os direitos consagrados no Pacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais, “a prática dos desalojamentos forçados também pode dar lugar a violações de direitos civis e políticos, tais como o direito à vida, o direito à segurança pessoal, o direito à não ingerência na vida privada, à família e o lar, e o direito de desfrutar em paz os bens próprios”.

De acordo ainda à Observação Geral N.º 7, “o próprio Estado deve abster-se de levar a cabo desalojamentos forçados e garantir que se aplique a lei a seus agentes ou a terceiros que efectuem desalojamentos forçados”. De acordo ao Comité, este pressuposto vê-se reforçado também pelo disposto no parágrafo 1 do artigo 17 do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, que complementa o direito a não ser desalojado forçadamente sem uma protecção adequada.

Antes de que se leve a cabo qualquer desalojamento forçado, em particular os que afectam a grandes grupos de pessoas, “os Estados Partes deveriam velar por que se estudem em consulta com os interessados todas as demais possibilidades que permitam evitar ou, pelo menos, minimizar a necessidade de recorrer à força”.

Por último, gostaríamos de lembrar que aquando da revisão de Angola, em Novembro de 2008, pelo Comité dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais, foi recomendado que Angola deve:
a) adoptar medidas firmes para conseguir que só se recorra a desalojamentos em última instância e adoptar leis e directivas que definam rigorosamente as circunstâncias e condições para levar a cabo um desalojamento em conformidade com a Observação Geral n.º 7 do Comité sobre o Direito a uma Habitação Adequada (art. 11.1) e os desalojamentos forçados (1997);
b) investigar todas as alegações do uso excessivo da força por parte dos funcionários da polícia e do Estado que participam nos desalojamentos forçados e pôr os autores à disposição da justiça;
c) velar para que se ofereça a todas as vítimas dos desalojamentos forçados uma alternativa de Habitação Adequada ou indemnização e para que as vítimas tenham acesso a recursos jurídicos eficazes;
d) garantir que todos os desalojamentos forçados que sejam levados a cabo no contexto da Copa Africana das Nações, um evento desportivo que se celebrará em 2010, cumpram com os requisitos e as directrizes da Observação Geral N.º 7.

Apenas devemos perguntar. O Governo de Angola está a observar o seu compromisso perante os Pactos Internacionais de Direitos Humanos e as suas recomendações?

José Patrocínio
Lobito
04 de Agosto de 2009
Fonte: SA
CLUB-K.NET

Nordhausen. Campos de concentração nazis que parecem de Luanda




O campo de concentração nazi de Nordhausen, na Alemanha, foi ocupado pelas tropas americanas em 12 de Abril de 1945, tendo sido libertados todos os prisioneiros que tinham conseguido sobreviver aos maus tratos que lhes eram impostos. Meses mais tarde, um cinema em Budapeste (Hungria), passa um documentário sobre esse acontecimento. Duma vala comum, as tropas americanas retiram cadáveres juntamente com seres vivos, em estado lastimoso, que os nazis desumanamente para ali haviam lançado.

Os espectadores mantêm-se em silêncio, horrorizados com as imagens. De repente, uma mulher dá um grito lancinante: acabara de ver, entre os vivos retirados da vala comum, o seu filho Alexandre Balzer, que havia sido preso pela Gestapo (polícia política de Hitler) e que julgava já morto, pois não aparecera após a libertação de todos os prisioneiros dos campos de concentração. Ao ter conhecimento deste drama, a Cruz Vermelha Internacional procede a investigações para encontrar o paradeiro do seu filho. Acaba por descobri-lo num hospital. Os mais tratos por que havia passado tinham enfraquecido de tal forma a sua memória que nem sequer se recordava qual era a sua nacionalidade. Entregue aos cuidados dos americanos, o seu estado foi melhorando e à mãe foram concedidos vistos para que o pudesse visitar na Alemanha.

Fonte: Diário Popular n.º 1446, de 06-10-1946, pp. 1 e 3

http://www.leme.pt/historia/efemerides/1006/

Imagens: http://holocausto-doc.blogspot.com/2009/01/fotos-da-life-sobre-o-holocausto-no.html

Devaneios 17Ago09


Neste momento, ainda não está definida a localização do hospital a construir na capital de Angola, pelo que ainda não é possível saber quando é que o projecto estará concretizado.
ES Saúde vai construir hospital privado em Luanda
A Espírito Santo Saúde vai construir um hospital privado em Luanda, projecto que implicará um investimento global de 100 milhões de euros, anunciou Isabel Vaz, presidente da empresa do Grupo Espírito Santo para a área da saúde. Nesse sentido foi já constituída uma empresa, detida em partes iguais pela ES Saúde e pela Escom, empresa do GES com forte presença em Angola.
http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=353794

DIÁRIO ECONÓMICO

Manuel, Lx 31/07/09 06:42
Finalmente imperou o bom senso!
Na natureza, acasalamento (casamento) = macho x fêmea = vida = perpectuação da espécie!
Macho x macho, ou fêmea x fêmea = vazio = fim da espécie.
Homem x homem; Mulher x mulher, ou Homem x mulher, podem associar-se, para salvaguarda de patrimónios, ou actividade económica, ou outros quaisquer objectivos, mediante criação de parceriais (empresas).
Aceitemos a diferença, mas com dignidade! É ridiculo que PS e outros de Esquerda incluam este tema como Bandeira, quando temos tanta coisa séria para tratar: cretinice!

Zé, Aveiro 31/07/09 07:57
Macho (infértil) x fêmea (infértil )= vazio = fim da espécie
Macho x fêmea (que não queiram ter filhos) = vazio = fim da espécie
Ou seja, segundo este argumento estúpido, as pessoas inférteis, pessoas que não queriam ter filhos e pessoas idosas já não se podem casar, pois o único propósito do casamento é reprodução. Eu acho que também as pessoas não poderiam divorciar-se sem que tivessem filhos para justificar o casamento.
Vamos lá ser sérios se faz favor.
Faz alguma diferença na sua casa se dois gajos se casarem? Ou duas gajas? Torna a vida mais complicada? Não!
Temos direito de dizer que um homem de 80 anos não se pode casar com uma rapariga de 18?
Sem falar que se fizerem uma pequena pesquisa no Google, irão ver que os biólogos cada X mais encontram várias espécies onde existem “casamentos” homossexuais. Deixem-se de conceitos da idade média e pensem nas coisas com inteligência.
Ninguém fala de casamentos de igreja, fala-se de casamentos civis, e toda a gente que paga os seus impostos tem direito de ter a pessoa que ama ao seu lado, que essa pessoa seja uma rapariga, um rapaz, um negro, um branco, um amarelo ou um roxo com bolinhas amarelas.

Cátia, 31/07/09 08:47
Manuel,
Falta aí um raciocínio. Não pdoe haver reprodução entre pessoas do mesmo sexo mas, as pessoas não ficam estéreis só por se casarem com pessoas do mesmo sexo. Tanto é possível os casais homossexuais contribuirem para a prossecussão da espécie, há os que o fazem. Uma mulher só rpecisa de um dador de esperma para poder reproduzir-se (até há explicações sobre como fazê-lo publicadas na Internet), com um homem é mais complicado. E depois de resolvida a questão da reprodução, o casal homossexual pode fazer algo tão importante como a reprodução e que também faz parte do percurso de prossecussão da espécie, que é a criação do novo ser humano. Além disso, Manuel, actualmente o casamento já não tem como finalidade principal a reprodução, tanto que várias pessoas se casam sem esse objectivo. Aí está o cerne da discriminação, uma casal heterosexual pode casar-se e constituir família sem perspectivas de reprodução mas, um casal homossexual não pode.

sábado, 15 de agosto de 2009

O Livro das demolições (5)


Perto, talvez apelando aos antepassados, cantando a sua desdita, a negra-bantu demonstra, desmonta as coxas muito salientes e os seios fartos, muito dissidentes que equidistantes bamboleiam, falantes. O Ordens Superiores regozija-se com a beleza natural, espontânea da bantu.
- Job… explicar estas coisas não é nada fácil… tornámo-nos nós o MPLA, mais puros e justos que o Criador. Já não confiamos em ninguém. Nem em nós confiamos… tornámo-nos num metal cheio de ferrugem com os alicerces a desabarem a todo o momento. Resta-nos ainda o pó para respirar. Vivemos num imenso holocausto como as nossas fogueiras da Inquisição Bantu, onde assamos vivos os corpos dos nossos, e há felicidade nisso. Vivemos os últimos dias das tormentas tecnológicas, das promessas… que finalmente o ser humano alcançaria o bem-estar e a felicidade eternos.

As desgraças atingiram tal dimensão que os meios existentes já não satisfazem a demanda. Inventámos uma sociedade onde só existe a ira e a loucura. Tentamos lançar raízes mas as águas sobem e não as deixam viver. Chegam com tal força que despedaçam tudo o que encontram pelo caminho. E não há quem nos livre. Depois vêm os famintos… o instinto de sobrevivência que os transforma em salteadores, predadores. E da terra não vem mais trabalho porque dela só resta pó.

E sem trabalho que fará o homem? Espera que a fome chame a morte. Esta vem e anuncia a agonia. E quem se salvará? É por isso que necessitamos do nosso MPLA… de alguém que nos dirija. Só ele entende os nossos anseios e faz obras para nos contentar. Se a chuva é demais a culpa não é dele. Também não é culpado pela espoliação, inundação dos campos. Quando isso acontecer procurem um lugar alto para se salvarem. Estendam as mãos e aguardem que alguma coisa virá. Porque será que os ricos são ignorantes, e os pobres sempre sábios? Porque na pobreza se aprende a viver e na riqueza se aprende a destruir. O pobre conhece as veredas da escuridão e o rico nela anda às apalpadelas, sempre com a espada preparada para matar.

O pobre vive na esperança, o rico vive no desespero. O pobre vive com medo dos castigos do nosso MPLA, e nós os ricos recebemos prémios. Não dá ir na conversa das outras ideologias políticas e nos aventureiros que são muitos. É por isso que ficamos sem nada. Talvez esses da ajuda da paz te arranjem um bocado de sabão, óleo e arroz. Como o MPLA e os seus estrangeiros estão em todo o lado, eles também podem ajudar com qualquer coisa. Seja como for nunca te desvies do MPLA. Ele está no nosso coração. Vamos prolongar a vida das pessoas até às eleições. Depois podem correr como entenderem… da fome claro!

Job, ficou horas astronómicas, canónicas, a fitar o infinito cosmogónico. Job, sentiu eclipsar-se, não conseguia explicar-se o porquê do aparecimento do MPLA. O porquê de tanta trama que tal criatura produz tanto drama. Job, ficou com a cabeça em pantanas, no Paleozóico, não conseguia discorrer o pântano do comportamento andróide. Conseguiu absorver o álefe das borrascas humanas e tocou o céu.
- Os amigos do MPLA são como as ondas do mar. Quando chegam abraçam-nos, quando vão… não voltam mais. São como corvos que aguardam pacientes… como as silenciosas pirâmides egípcias. No alto dos seus templos esperam pela colheita de quem plantou. Posso firmar que a história da humanidade e deste MPLA, é a história de quadrilhas selvagens bem organizadas.

Imagem: MORRO DA MAIANGA

O Livro das demolições (4)


O Ordens Superiores do MPLA foi em auxílio do seu vassalo, e disse a Job:
- Não sei se aguentas o que te vou dizer, mas digo-te algumas verdades. Comeste e bebeste com muitos. Emprestastes o teu dinheiro e agora não te querem saber. Só mesmo um Job!.. edificaram empresas com o teu dinheiro… ajudaste muita gente?! Pareces o Job da Bíblia. Nunca vi nem conheci um idiota como tu. E alguns ainda aparecem e levam algumas bananas que por milagre se salvaram. Quem te mandou confiar no MPLA? Milhões confiaram nele e vê como estão. A morrerem à fome!.. o MPLA disse que tens que esperar mais trinta, cinquenta anos para saíres da miséria… e que depois de morto ressuscitará e virá salvar-nos uma vez mais do imperialismo internacional. Morto ou vivo nunca desiste da luta anti-imperialista.

Entretanto o Ordens Superiores deu parecer aos arquitectos e engenheiros portugueses, brasileiros e chineses que construíam um bruto condomínio, brutas torres e prédios nas terras que já não eram de Job. Serviriam também para alegrar, para lazer da nobreza e do MPLA. Para passarem brutos fins-de-semana na fuga da agitação da cidade, da barulheira e da anarquia dos nobres súbditos sem lei.

Perto, algumas cobras oposicionistas, descontentes, rastejavam à procura de local mais aprazível para respirar. Sentiam-se deslocadas nas suas próprias tocas. Iam bem chateadas. O Ordens Superiores continua a desvendar os males do mundo ao grande idiota Job.
- A questão fundamental da vida é a utilidade pública. A grande descoberta de todos os tempos. A maldita invenção que os homens fizeram – o dinheiro –. Porra meu! Já viste a quanto está o metro quadrado de terreno... 2.500.00 dólares! Uma colossal fortuna. Ó meu não sei se tás a ver como se ganha dinheiro sem trabalhar! Aqui não há população, o que manda é o dólar. A negralhada que se lixe… que morram prá aí! O dinheiro dá muita satisfação a quem o possui e que nunca se satisfaz, quer sempre mais e mais. Fica obcecado… como uma ideia fixa… torna-se numa doença. A pessoa deixa de ser humana, vira uma desumanidade sem limites. É o vale-tudo. Daí não desmagnetiza o seu pensamento. No fim vem a loucura, a neurose a necessitar de urgente tratamento psiquiátrico. Provoca guerras para obter mais e mais até à destruição do planeta… da humanidade. Provoca uma grave contradição: O dinheiro resolve muitos problemas, mas quanto mais abundante mais problemas trás. É isto a origem da maldade.

O Ordens Superiores vai ao Hummer acabado de importar com o dinheiro do petróleo do povo, traz a caixa térmica, abre-a. Retira uma garrafa geladíssima de Dom Perignon com cinco anos de idade. Convida Job mas este recusa com a cabeça. Satisfaz-se com uma farta golada. Reconta a exercitação de Job.
- Sabes Job… o nosso MPLA é como um universo-ilha. Os ricos são fábricas de lixo. Os seus lares produzem-no em abundância porque consomem muito. E obrigam-se a consumir o que a sua ira produz. Nem as plantas e os animais lhes escapam, porque montanhas de resíduos lhes caiem em cima todos os dias. Quando a consciência da Natureza se revolta, chamam-lhe calamidade natural... e as vítimas são imensas… os seres humanos que escapam vivem dispersos, na fuga incerta, permanente. A Natureza sussurra os seus segredos, mas já ninguém os entende ou finge não entender. Aparece-nos em visões à noite e desaba em cima de nós, precisamente quando estamos no sono mais profundo. Acordamos espantados e estremecemos perante tal poder. Os espíritos vagueiam à nossa volta, poucos povos já os entendem. O vento fala-nos, previne-nos, mas os nossos olhos já nada vêem. Está tudo corrompido, somos todos corruptos!

Neuengamme. Campos de concentração nazis que parecem de Luanda




As pessoas eram presas ou deportadas para os campos de concentração não pelo que tinham feito, mas pelo que eram.
As primeiras vítimas da perseguição dos nazistas foram opositores do regime alemães: comunistas, social-democratas e sindicalistas, que foram as primeiras vítimas dos campos de concentração.

Os grupos perseguidos e os primeiros campos de concentração

Quando Hitler subiu ao poder a 30 de janeiro de 1933, ele não o conseguiu com um discurso basicamente anti-semita, mas sim com um discurso anti-capitalista e dizendo resolver os graves problemas econômicos da Alemanha. O anti-judaísmo estava ainda em plano secundário[28], embora fosse uma questão essencial do nazismo A política nazista inicialmente considerou como inimigo central os adversários políticos. A utilização dos primeiros campos de concentração está relacionada com as primeiras ondas de prisões massivas de opositores do regime do início do regime de Hitler, em 1933.

As primeiras vítimas da perseguição dos nazistas foram opositores do regime alemães: comunistas, social-democratas e sindicalistas, que foram as primeiras vítimas dos campos de concentração. A partir de 1935, começaram a também ser concentrados um dos grupos perseguidos e discriminados pelos nazistas, os denominados "associais", no caso, os Vorbestraften (os denominados "criminosos trabalhistas" - "Berufsverbrechern" ou "BVern")[29]. A partir de 1936, também passaram a ser levados aos campos os roma e sinti[30], internados inicialmente no campo de ciganos Marzahn, na cidade de Berlin, e logo em seguida no campo de Dachau), homossexuais[31], testemunhas de Jeová[32], outros "associais" (desempregados, prostitutas) e alguns opositores políticos cristãos e protestantes.[33]

Segundo Michael Berenbaum, "prisioneiros políticos, testemunhas de Jehová e homossexuais eram levados para os campos de concentração não para morrer, mas como punição e com o intuito de mudar o seu comportamento. No entanto, muitos deles morreram durante seu encarceramento nos campos."[34] Berenbaum também afirma que "os nazistas não queriam o seu [das testemunhas de Jehová] extermínio; no entanto, mais de um em três testemunhas morreram em campos de concentração", ou seja, um terço delas. [35] Isso ocorreu, porque eles se recusavam a assinar documentos, em que abriam mão de sua fé e defendiam a ideologia nazista.

As pessoas eram presas ou deportadas para os campos de concentração não pelo que tinham feito, mas pelo que eram. Eles foram criados para encarcerar e exterminar pessoas indesejáveis à ideologia nazista, aquelas consideradas seres considerados "inferiores", de "raça inferior", não-arianos: os judeus, ciganos, eslavos, associais. Os prisioneiros políticos não se enquadravam nesse perfil, mas como opositores eram considerados perigosos ao regime. Com a expansão territorial, as pessoas que se opunham à ocupação ou a ela resistiam eram levados a realizar trabalho forçado para os campos de concentração. Até mesmo membros do Partido Nazista, caso criticassem o Estado ou regime, eram levados a campos, mas dificilmente sofreriam maus-tratos como os demais ou morreriam nos campos, Havia claras diferenças de tratamento dispendido a cada grupo vítima do nazismo nos campos.

O universo concentracionário começou a se desenvolver com a construção do campo de Dachau a 20 de março de 1933, localizado perto de Muenchen, na Baviera.. Os primeiros campos foram erigidos, sobretudo, na região industrial da Thuríngia e de Sachsen, havendo alguns isolados em outras regiões da Alemanha nazista. Segundo os historiadores alemães Wolfgang Benz e Barbara Distel, pode-se fazer uma divisão de três tipos desses primeiros campos: 1) 85 eram campos improvisados, que atualmente não são nem lembrados; 2) o campo de Dachau, com seu sistema de filiais expandido, e o campo de Sachsenhausen, ao norte de Berlin; 3) os 15 conhecidos e famigerados campos de Emsland.[36]

Também denominados de campos "selvagens" ("wilde" Konzentrationslager), esses campos foram sendo instalados de forma não-sistemática para prender opositores políticos do nacional-socialismo. Esse tipo de campo teve como característica central uma existência curta, em decorrência da divisão entre a SA e a SS para a administração dos campos. Posteriormente, a SS ficou responsável pela administração do sistema concentracionário. Os campos de Dachau e Sachsenhausen foram exceção dos campos dessa primeira fase. Além disso, Dachau não só continuou seu funcionamento, como também se tornou um "campo modelo" ("Musterlager") para a construção e funcionamento dos futuros campos de concentração.[37]

Nessa primeira fase dos campos, de 1933 a 1936, denominada pelo historiador Israel Gutman[38] de "terror político", "os campos eram utilizados com fins "educativos""[39]. Depois de 1936, somente os campos de Dachau e Sachsenhausen continuaram ativos. Os demais eram campos menores e improvisados que deixaram de funcionar. Além disso, no início, eram as SA que administravam os campos, mas a partir de 1934, depois da Noite dos Longos Punhais, quando dirigentes nazistas foram assassinados a mando de Hitler, a administração dos campos de concentração passou a ser de responsabilidade da SS.

Posteriormente, outros campos na Alemanha nazistas foram sendo fundados, já tendo em vista a Segunda Guerra Mundial e seus numerosos prisioneiros: os campos de concentração de Buchenwald em 1937, Neuengamme em 1938, Flossenbürg em 1938, Mauthausen em 1938 (localizado em Linz, na Áustria, território da Alemanha com o Anschluss), e Ravensbrück em 1939.

http://www.rumoatolerancia.fflch.usp.br/node/1605

Imagens:
http://www.holocaustresearchproject.org/
http://www.strikehold504th.com/jim/wobbelin504.jpg

Devaneios 15Ago09


internauta, 03/08/09 02:35
Não vale a pena contar com PJ. São uns nabos. Aliás, pedir ajuda à PJ é o mesmo que quase ser praticamente acusado de burlão ou coisa mais ou menos grave. Quando pedi ajuda à PJ, fui acusado logo nos primeiros segundos e fizeram uma data de insinuações maldosas.

DIÁRIO ECONÓMICO

Não vale a pena contar com as pessoas da PJ, a partir daí nunca mais contei com eles para nada e desenrasquei-me sozinho. Mais vale, comprar uns livros e estudar bastante o modo operandis dos criminosos. Usar um bom firewall e um antivírus é o mínimo dos mínimos. Usar se possível o firefox em vez do internet explorer da microsoft. Usar webmail em lugar do outlook express da microsoft. Bloquear os scripts em VB e em Java. Nunca usar uma conta de administração do Windows ou o root do Unix. Não abrir emails de quem não conheça. Abrir os emails somente em modo texto e nunca em modo mime.Ter cuidado em ir a sites que não conheça e ter cuidado com redireccionamentos. Usar o WOT http://www.mywot.com/ que é à borla. Pode usar o http://www.spamcop.net/ para filtrar os mails com spam, Phishing, malware. Use uma conta oficial do tipo clix.pt ou telepac.pt e puxe os emails para o servidor da spamcop.net, assim vai passar a perna aos criminosos mais facilmente. Ser sempre desconfiado e estar sempre de pé atrás, pois os criminosos são muito criativos e extremamente inteligentes, pois fazem sempre engenharia social.

Carlos, Lisboa 30/07/09 10:10
E não foram piores, pois diminuíram quase para metade a cobertura do crédito mal parado por provisões (de 240% para 132%) e obrigam os novos funcionários a descontar 1,5% para o fundo de pensões, baixando a comparticipação do banco de 4% para 1,5%. Se não fosse esta engenharia financeira, os resultados seriam muito mais baixos e o rácio Tier I não estaria nos 8%. Portanto, acções do BCP são para esquecer temporariamente.

Avelino olegario, california usa 31/07/09 08:27
Estou a dar grandes parabens a angola , e ao povo angolano, angola ultrapassou a nigeria !.em exploracao de crude, bestial!..... e uma boa noticia, angola e uma nacao irma de portugal, e devemos procurar ajudar, angola e ficar muito contentes com as boas noticias para o povo angolano !..foi um povo que ja sofreu e passou muito,guerras atraz de guerras, eu conheco muito de angola vivi la nos anos 70 que grande nacao , catorze vezes e meia maior que portugal !.......imaginem ? e um pais riquissimo em petroleo e com minerios por todo o lado,e um pais riquissimo em tudo que ainda nao esta explorado!..tem de tudo!..ate tem das melhores praias do mundo!.....ainda me recordo do norte de angola ,e do dia em que deixei luanda aonde vivi, e quando regressei a lisboa pouco tempo antes da independencia , eram tiros de morteiros por todo o lado ,parecia uma cidade fantasma!...havia centenas e centenas de mortos empilhados junto aos hospitais, sobretudo ao hospital do maria pia, e nos bairros do prenda entre o maianga e o aeroporto,ou na cuca nem e bom falar!...quando eu escrever o meu livro dos meus tempos em africa contar-ei tudo o que vi!... tenho muito para contar!..... foi de grande emocao e de grande alegria que senti ao ler tao maravilhosa noticia para o povo angolano.

Vitor Cruz, América Latina 31/07/09 00:41
Pois os espanhóis fartam-se de ganhar dinheiro com o facto de varias pessoas homossexuais querem casar e vão a Espanha para isso mesmo, é um destino em que este factor os faz ganhar muito dinheiro. Imagino que a Portugal que lhe convém dar a imagem de país aberto. Estamos num meio global que os governos e os Estados devem seguir as vertentes, se somos um Estado Laico devemos dar o direito de casamento a todas as pessoas. Ou então assumismo que fazemos o que a Igreja Católica quer, mas porque carga de águas me vou importar se duas mulheres querem casar? Que nos vai afectar? Acho que pouco a pouco, mas sem os velhos do Restelo por favor

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

A Epopeia das Trevas (37)


Estampa-se tiroteio. A ruela força-se, abala-se com a rusga pessoal e impessoal. Os desordenados saltam como coelhos na demanda das luras, perseguidos por caçadores do defeso. A senhora, à fula exclama maldizente:
- Ah, já chegou a política Politburo!

Os perseguidores dos ideais da lei, homens nascidos, crescidos, educados, e com históricos tiroteios contínuos rebaptizados, calejados nos dedos indicadores, movem-se como gatos retesados de salto sobre os ratos. O oficial, aprumado, nivela por baixo o zelo da leitura dinâmica da lei. Tem o hábito de perguntar. Sem perguntas, sem interrogatórios não é possível cumprir a lei. Interroga a Teresa Maka que está com a esperança renascida.
- Esse estupefaciente está drogado?
- É… é memo!
- Está a tirotear assim porquê?
- Quando engatilha, diz que se liquida.
- Inda não se matou? É pena!

Os polícias estão oásicos, agradáveis, bem acomodados em seguras trincheiras. Não intentam ofensiva. Teresa Maka exaspera-se:
- Estão a me estressar, avancem, lhe apanhem!!!
- Estás maluca ó quê? Não quero ser balado!
- Ah, afinal vocês têm medo da pistolada?!
- Absolutamente!... Sim… não… não é isso… estamos à espera que o gajo se distraia, ou adormeça, depois enchemo-lo de buracos. Garantidamente que tem o tempo contado, não se lembrará do registo de nascimento. Lembrar-se-á do dia em que morreu.

Mentor, social e religiosamente aprecia factual:
- É a civilização da bala no cumprimento do seu destino. O mais fácil que existe, e não são necessários cursos, escolas, universidades… é carregar no gatilho. A nossa civilização e as nossas vidas dependem apenas de um dedo encostado no gatilho de uma arma. São as armas que decidem o nosso futuro. Qualquer de nós arrisca-se a cada momento no mau caminho. Sem humanismo a vida não tem sentido. Os nossos sonhos dourados, desejados, desaparecem nos anseios de um qualquer com qualquer arma.

Onde há muitos seguranças é porque há muita insegurança. São estátuas humanas empertigadas para segurar o que se rouba, o que não se dá aos esfomeados. Parei junto a dois deles, ouvi diálogo edificante.
- … Filmei tudo! Mandaram-me lá fazer serviço de emergência nessa noite.
- Põe no play.
- Porra! Custa aceitar.
- Oh, fala lá meu!
- Nunca pensei ficar assim destoado.
- Que coisa? Já estou desassossegado!
- Foi na Ilha de Luanda… casais… de marido e mulher. Elas afastavam-se, a pôr o pé na estrada, como leoas berrantes que atraem a caça noctívaga. Os carros paravam com olhos de lince, surripiavam uma, o marido esfregava as mãos de contente, aclamava feliz: «já levaram a minha! Já levaram a minha!». Quando a outra se contentava, estava com sorte, o consorte rejubilava: «Hoje vou encaixar cerveja!». Elas faziam rapidinhas o serviço social, e entesouravam nos maridos.
- Eh! Eh! Bem feito! Acreditámos nas promessas do Politburo… vamos enfastiar-nos de colonizadores.
- Ó meu, novos colonizadores novas linguagens.
- E eles sabem falar a nossa língua?
- Não! Temos que aprender a língua deles.
- E vamos ter tempo para estudar tantas línguas?!
- Para quê? Temos a linguagem corporal.

Para ferver as mágoas do sistema nervoso central cumpliciaram numa bebida transparente que uma vendedora esquinava.

Imagem: http://alemmarpeixevoador.blogspot.com/

O Cavaleiro do Rei (47). Novela


Por mais que tentemos disfarçar, existe sempre um pormenor que nos escapa. As mulheres são nisso muito hábeis. Pinturas viu que a parte superior do micro-biquíni da princesa estava molhada, manchada. Como mulher já tinha passado por esses melindres. Voltou-se de frente para Epok, piscou-lhe um olho, depois piscou os dois para debaixo da cama. Epok tira a espada e mergulha-a na direcção indicada. La Padep faz o seu corpo rolar. Salta e põe-se de pé. Pega na sua espada. Apara o golpe fatal que Epok lhe assesta. A sua espada desfaz-se em pedaços. Sente-se arrependido por a ter comprado no mercado Roque Santeiro, quando no reino existem, ou existiam bons aços da F. Ramada. Está tudo como o poder… tudo falsificado. A guarda pretoriana chega. Epok ordena-lhes:
- Levem-no para a masmorra dos republicanos. Ela, aponta na direcção da princesa, fica com dois guardas permanentes à porta.

Epok revoluteava com a cabeça para descobrir como é que os géneros desapareciam. Tantos controlos e nenhum funcionavam. Esta gente para roubar tem uma inteligência fora de série. Também é verdade que mestres não lhes faltam. Os maus hábitos aprendem-se com os de cima, com os nossos superiores, com os nossos governantes. – Sentenciou o nobre Epok.

CAPÍTULO XIII
O martírio de La Padep

É importante lembrar aqui que não se trata propriamente de pobreza, de escassez de recursos. O mundo produz atualmente 30 trilhões de dólares de bens e serviços por ano, o que significa, para 6 bilhões de habitantes, uma renda per capita da ordem de 5 mil dólares. Para uma família de quatro membros, isto significa 20 mil dólares por ano, 1.700 dólares por mês. Em outros termos, o que o planeta produz é amplamente suficiente para assegurar a todos uma vida digna e confortável. O nosso problema não é de crescimento econômico, é de distribuição, e da organização social correspondente. O lema de um recente congresso de economistas ilustrava bem esta questão: “Crescer por crescer, é o princípio de uma célula cancerosa”.
In parcerias e alianças: o bom senso na gestão social Ladislau Dowbor

- Pinturas!
- Fala lá pá!
- Traz-me esse opositor republicano comedor e violador dos bens reais.
Ela está com uma saia tão minúscula como Epok nunca viu no reino. Para chatear não tem nada a cobrir-lhe as partes íntimas, o que se nota facilmente. Pergunta-lhe:
- É a última moda saída da parabólica do Brasil?
- É, pior que isto não há.
- A moda do pronto a foder.
- Vocês perderam a tesão, são todos panilas.
- Porra! Não quero apanhar Sida!
- Agora já entendes. É por isso que andamos quase nuas seu parvo. Estão sempre com medo, é por isso que já não sabem foder.
- Traz-me o comedor dos bens reais!
- Comedor dos bens reais?!
- Ó macaca, o que anda a comer a princesa!
- Quem me dera ser comida por ele.
- Sua suja, és muito porca!
- Por acaso até não! A minha rata é desinfectada a todo o momento com os perfumes mais caros do mundo.
- Quando o rei chegar vou pô-las vestidas dos pés à cabeça.
- Vais arranjar problemas. Felizmente o rei tem um dom. É o único que sabe apreciar mulheres.

As fogueiras da Inquisição da África Negra

Contém cenas altamente chocantes

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O Livro das demolições (3)


E Job sente-se como o programa de arranque, o sistema operativo corrompido que não inicia o computador.
- Ah! Não vou ficar aqui toda a vida a olhar para a noite. Não me espoliaram este tocador de CD portátil. Vou ouvir umas músicas e dançar uns bons bocados. Chorar não adianta. Lembro-me que os colonos quando fugiram, preveniram-me que não valia a pena trabalhar na terra, porque depois de estar tudo bem, apareceria alguém que ma roubaria. Não acreditei, agora dou-lhes razão. Fui e continuo muito parvo. Pedir um empréstimo bancário (!). Nem pensar! Só se for para importar cerveja. Os bancos não arriscam fazer empréstimos a longo prazo. Consideram que investir na agricultura não dá lucros. Porque quando chegam as chuvas as culturas destroem-se. Depois há que fazer novo empréstimo. O lucro tem que ser imediato, caso contrário… não deixam nada.

E Job, cheio de contentamento pela miséria oferecida pelo seu MPLA, ainda crê que é um dom divino do MPLA do seu sol, da sua terra, da sua miserável vida. E reza para que o seu Comandante Real tenha longa vida. Mas o seu estômago desperta e aqui vê a verdade das verdades.
- Sinto-me muito cansado e com fome. Nem sei onde dormir… não me deixaram tenda, disseram-me que depois iria algures aí para algum estendal, tendal… vou apanhar um bocado de capim e fazer um casebre. Esses do MPLA nascem e querem tudo só para eles. Nascem infectados com a doença do dinheiro. Bom, vou ver se consigo vender alguma coisa no maior mercado do continente da fome. Ou carregar sacos às costas, ou vender água fresca para viver. Arranjar uns papelões para dormir… tenho que safar-me. O MPLA disse que não me abandonaria, mas já estou farto dessa conversa. Os seus conselheiros dão-lhes maus conselhos e só aparecem onde há dinheiro à vista. Os príncipes estão muito ocupados com os seus negócios, vivem num mundo distante. O reino é deles, por isso vivem-no e repartem-no. Além disso nada mais existe. Fazem por parecer cultos, mas estão ocultos… como se não existissem. Não gostam que os perturbem, a não ser que lhes levem um bom negócio. Eles são a lei e nela repousam. Ninguém tem coragem de os abordar, pois o seu poder é imenso. É um MPLA maior que o seu reino, que muitos reinos. Aqui não há pequenos, só grandes. E quem tenta lá entrar jamais sai. É que não existe porta das traseiras. Porque têm um cemitério particular muito mal iluminado, para que não se possam ver as inscrições das lápides. As amarguras dos miseráveis nunca são escutadas, mas os latidos dos cães escutam-nos com muita atenção.

E Job lembrou-se que o mais cansativo, o que cansa na realidade mais pura é a fome e a espoliação.
- Cavar, cavar de dia e de noite à procura de diamantes que depois de encontrados ocultam-nos. As minas são propriedade real do MPLA, disso ninguém duvida. Dançam, pulam, pululam de contentes porque já não há espaço nos cofres para colocarem as riquezas. Para viver neste reino é necessário matar, vigarizar e espoliar. São estas as leis que funcionam. Quem não as cumprir não sobrevive. Só o oculto permanece e não se pode desvendar. Tudo é permitido para obter o nosso pão. Os milhões de esfomeados em vão suspiram ao governo dos desgovernados. Nada temem e nada receiam, porque os seus exércitos não dormem, estão sempre de atalaia e reforçados no Orçamento Geral do Estado. Ai dos prevaricadores! Apesar disso não dormem descansados. Vivem na perturbação constante de um levante, porque duas malditas rádios e semanários democráticos atiram tudo para fora, não deixam passar nada. Acusam-nos de democratas malvados, de maldita democracia que denuncia constantemente os corruptos. É por isso que ninguém gosta dos democratas e da democracia.

Maidanek. Campos de concentração nazis que parecem de Luanda




Campo de Maidanek. Por Desconhecido 07 de July de 2008

Acabo precisamente de ver o lugar mais terrível do mundo - o campo de extermínio alemão em Maidanek, na Polônia, que foi, em verdade, uma fábrica para a produção de morte. As autoridades soviéticas e polonesas calculam em 1 milhão e 500 mil o número de pessoas, de quase todos os países da Europa, que os nazistas ali mataram nestes últimos três anos.

Há que ver para acreditar! Já estive presente a numerosas investigações acerca de atrocidades cometidas pelos alemães; nunca, porém, vi tão clara a evidência dos seus crimes. Depois da inspeção de Maidanek, estou propenso a dar como verídico tudo o que me contem em matéria de barbaridades germânicas, por mais selvagens, cruéis e depravadas que sejam.

Percorri todo o campo; examinei as câmaras de gás, fechadas hermeticamente, em que muitas das vítimas morreram asfixiadas, e os fornos em que os seus restos foram cremados; vi grande número de esqueletos, e mais de 20 cadáveres que os alemães não tiveram tempo de queimar, antes da chegada do Exército Vermelho às imediações de Lublin; vi muita cinza de ossos, amontoada nas proximidades dos fornos, afim de ser levada para os campos, e aí espalhada como adubo para as plantações de couve. Em Krempitski, a uns quinze quilômetros a leste, vi reabrirem-se túmulos onde se haviam feito sepultamentos em massa, e contei 368 corpos, decompostos parcialmente, de homens, mulheres, e crianças, executadas em Maidanek por vários meios e modos, cada qual mais desumano. Só naquela floresta, ao que estimam as autoridades, o número de sepultados é maior de 300 mil.

Fazendo parte de um grupo de correspondentes estrangeiros que foi à Polônia a convite do Comitê Polonês de Libertação Nacional, sentei-me com a comissão Russo-Polonesa de Investigação de Atrocidades, e interroguei testemunhas, entre as quais três oficiais alemães que serviram no campo. Estes homens admitiram francamente que Maidanek era um posto para eliminação altamente sistematizada - embora negassem, como era de esperar, qualquer participação pessoal nos homicídios, o que os não livrará, provavelmente, do devido processo pela parte que tiveram no monstruoso episódio.

Segundo o depoimento das testemunhas, a produção de morte culminou no dia 3 de novembro de 1943, quando o número de execuções subiu a 18 e 20 mil, a tiro, gás, forca, e por outros meios.

Quem se aproxima de Maidanek tem a mesma impressão, mais ou menos, que os filmes americanos nos transmitem, quando figuram na tela um campo de concentração. O que primeiro se vê, é uma dupla cerca de arame farpado, de 3 a 4 metros de altura, que estava carregada de eletricidade. Dentro, um após outro, grupos de edifícios verdes, de aspecto austero - mais de 200 construções, ao todo. Do lado de fora da cerca, 14 altas torres de metralhadoras, e, a uma extremidade, canis, com capacidade para acolher uns 200 cães bravos, especialmente treinados para perseguir prisioneiros que tentassem fugir.

Perto da entrada, encontra-se a casa de banho, onde os presos, que tinham de ser mortos mediante inalação de gases venenosos, tiravam as roupas, e tomavam um banho de chuveiro. Era costume, em tais casos, aplicar um banho às vítimas, antes da execução, porque a água quente abria os poros, e assim se tornava mais rápido o efeito dos gases. Alguns passavam dali à sala imediata, hermeticamente fechada, e de onde saiam para a cremação. Através de aberturas no telhado, os alemães despejavam latas abertas de um gás venenoso (Zyklon B) à base de ácido prússico, que mata rapidamente.

Vizinhas à casa de banho, há mais duas câmaras de morte, apropriadas para este gás, ou óxido de carbono. Uma delas mede, em área, 17 metros quadrados, e lá, ao que nos disseram, 100 a 110 pessoas eram executadas de uma vez. Ao redor do piso das salas, estende-se um tubo de aço, com aberturas a intervalos de 25 centímetros, para dar escapamento ao óxido de carbono. Nestas câmaras de morte, há também espaços abertos, com cobertura de vidro, pelos quais os alemães podiam observar o efeito do gás nas vítimas, e determinar o momento de remover os cadáveres.

A cerca de quilômetro e meio das câmaras de gás, vê-se um enorme crematório de tijolo. Dir-se-ia um pequeno alto-forno para uma usina de aço. O combustível (carvão) era atiçado por um fole, de funcionamento elétrico. Havia de cada lado cinco aberturas; por um lado entravam os corpos, e por outro saiam as cinzas, e acendia-se o fogo. A bateria de fornos tinha uma capacidade, só que se calcula, para cremar 1.900 cadáveres por dia.

Não longe dos fornos, havia uma grande quantidade de urnas de barro que, segundo disseram testemunhas, eram destinadas a receber as cinzas de algumas das vítimas, que os alemães vendiam às respectivas famílias, por preços que subiam até a soma de 2.500 marcos.

Vimos ainda uma mesa de concreto, onde se depositavam, antes da cremação, os cadáveres, para o fim de tirar o ouro que acaso tivessem nos dentes. Nenhum corpo era aceito no forno, se não trouxesse no peito a marca indicadora de ter passado pelo exame dos dentes.

Estive num imenso armazém, onde se espalhavam pelo chão dezenas de milhares de sapatos, inclusive de crianças, até de um ano, e todos em mau estado. É que os alemães usavam o campo, não só para exterminar as suas vítimas, senão também como um meio de obter vestuário, de modo que, se aqueles sapatos ali ficaram, terá sido talvez pelo fato de os não julgarem, os nazistas, suficientemente bons. Alguns aliás eram evidentemente dos mais caros.

Noutro armazém, em Lublin, vi outras dezenas de milhares de peças de roupa, que haviam pertencido aos mortos. Interroguei um oficial alemão, e ele me declarou que tinha dirigido a expedição, para a Alemanha, durante um período de dois meses, de roupas das vítimas de Maidanek, em proporções que deram para encher 18 vagões.

A identidade dos nazistas, responsáveis pelos crimes aqui mencionados, é perfeitamente conhecida. Os poloneses, com quem conversamos, são todos de opinião que eles devem ser executados no mesmo campo terrível onde cometeram as atrocidades. O vice-presidente Andrey Vitos, do Comitê Polonês de Libertação Nacional, lamenta que certos círculos americanos, favoráveis a uma paz de suavidade com o Reich, não tenham uma oportunidade de examinar mais de perto a brutalidade germânica. O comitê pretende conservar, tal como está, a parte principal de Maidanek, para que perdure pelo tempo, através das gerações, aquela prova incontestável da crueldade alemã.


Depoimentos de sobreviventes dos campos nazistas

Motke Zaidl e Itzhak Dugin:

"No momento em que se abriu a última vala, reconheci toda a minha família. Mamãe e minhas irmãs. Três irmãs com seus filhos. Elas estavam todas lá. (...) Quanto mais se cavava para o fundo, mais os corpos estavam achatados, era praticamente uma pasta achatada. Quando se tentava segurar o corpo, ele esfarelava completamente, era impossível pegá-lo. Quando nos forçaram a abrir as valas, proibiram-nos de utilizar instrumentos, disseram-nos: É preciso que se habituem a isso; trabalhem com as mãos (...) Os alemães haviam até acrescentado que era proibido empregar a palavra morte ou a palavra vítima, porque aquilo era exatamente como um cepo de madeira, era merda, aquilo não tinha absolutamente nenhuma importância, não era nada."

Prisioneiro de Treblinka:

"No interior do vagão, ficavam tão apertados que talvez nem sentissem frio. E no verão sufocavam, porque fazia muito, muito calor. Então os prisioneiros tinham muita sede, tentavam sair. (...) E algumas vezes faziam de propósito, muito simplesmente saiam, sentavam-se no chão, e os guardas chegavam e lhes davam um tiro na cabeça. (...) Uma vez os judeus pediram água, um ucraniano que passava proibiu de dar água. Então a prisioneira que pedia água jogou-lhe na cabeça a panela que segurava, então o ucraniano recuou um pouco, dez metros talvez, e começou a atirar no vagão, a esmo. Então aqui ficou cheio de sangue e de miolos."

Franz Suchomel, SS Unterscharführer:

"Treblinka nessa época funcionava a plena força. Estávamos então começando a esvaziar o gueto de Varsóvia. Em dois dias, chegaram cerca de três trens (...) Chegaram a Treblinka cinco mil judeus, e entre eles havia três mil mortos (...) Eles haviam aberto as veias, ou estavam mortos, assim... Descarregamos semimortos e semiloucos. (...) Nós os amontoamos aqui, aqui e aqui. Era milhares de humanos empilhados uns sobre os outros. Empilhados como madeira. Mas também outros judeus, vivos, esperavam ali há dois dias, pois as pequenas câmaras de gás já não eram suficientes. Funcionavam dia e noite, naquele tempo.

Simon Srebnik:

"Lembro-me de uma vez, eles ainda viviam, os fornos já estavam cheios, e eles ficaram no chão. Todos se moviam, voltavam a si, aqueles vivos... E quando eles os jogaram aqui nos fornos, todos estavam reanimados: foram queimados vivos (...) Quando vi tudo aquilo, aquilo não me tocou. Só tinha treze anos, e tudo o que havia visto até ali eram mortos, cadáveres. Jamais havia visto nada de diferente. (...) Eu pensava: deve ser assim, é normal, é assim. (...) As pessoas tinham fome. Iam e caiam, caiam... O filho tomava o pão do pai, o pai o pão do filho, todos queriam permanecer vivos (...) Pensava também: Se sobreviver, só desejo uma coisa: que me dêem cinco pães. Para comer... Nada mais."

Filip Müller - sobrevivente das cinco liquidações do "comando especial" de Auschwitz:

"O gás, quando começava a agir, propagava-se de baixo para cima. E no pavoroso combate que travava então - pois era um combate - a luz era cortada nas câmaras de gás, ficava escuro, não se via nada, e os mais fortes queriam sempre subir mais alto. Sem dúvida sentiam que quanto mais subissem, menos o ar lhes faltava. (...) E ao mesmo tempo quase todos precipitavam-se para a porta. Era psicológico, a porta estava lá... E é por isso que as crianças e os mais fracos, os velhos, encontravam-se embaixo, e os mais fortes por cima. Nesse combate da morte, o pai já não sabia que seu filho estava lá, debaixo dele."

http://www.2guerra.com.br/sgm/index.php?option=com_content&task=view&id=644&Itemid=52

Imagens:
http://shamash.org/holocaust/photos/images/MedExp01.jpg
http://www.eyewitnesstohistory.com/images/maidanek3.jpg

Desperados 13Ago09


Domingos Veiga Diz:
Agosto 19, 2008 às 3:57 pm
Sou Electricista Industrial com pratica de autonomo, domotica, bem como rede estruturadas e construçao civil.

cleuber Diz:
Agosto 19, 2008 às 7:11 pm
gostaria de trabalhar em Angola, sou tecnico de saude e segurança do trabalho como posso ir trabalhar lá? sperando respostas….grato!!1

Aldecir Diz:
Agosto 20, 2008 às 4:36 am
Sou encarregado de barragens tenho muitas anos de esperiencia na area e gostaria de saber como posso mandar meu corriculo para odebrecht.
Desde ja agradeço a atenção.

anibal da Rocha Dias Diz:
Agosto 21, 2008 às 8:52 pm
5ºano de engenharia civil,procura emprego ou estagio numa empresa de construção em angola

Francisco Ribeiro Diz:
Agosto 22, 2008 às 5:06 pm
Boas! Estou a pensar deixar a vida de Policia, por alguns anos maximo 5, gostava de saber se alguem conhece empresa que contrate pessoal parav la trabalhar! Tenho carta de condução todas as categorias exepto autocarros, tecnico de INEM, SOCORRISTA, tecnico seguranca a instalações, curso basico de mecanica( com alguma experiencia.

fabio roberto Diz:
Agosto 23, 2008 às 3:09 am
sou soldador tig e eletrodo gostaria de saber com faço pra arrumar uma vaga para viajar para angola pela odebrecht . tenho certificado para comprovar.

lucas eduardo gonçalves Diz:
Agosto 25, 2008 às 11:05 pm
queria saber como faço para ir trabalhar em angola tenho ensino medio completo e muitos cursos profissionalizantes!Queria trabalhar na area de informatica

luiz alberto Diz:
Agosto 26, 2008 às 1:55 pm
preciso desse emprego para ficar um tempo fora tenho experiencia em soldador

ricardo guillermo viola lozano Diz:
Agosto 28, 2008 às 9:56 am
Prezados: Sou Engenheiro Civil, Italiano com longa experiência em saneamento básico e todo tipo de construçao.
Depois de trabalhar em Angola com construtoras españolas, tenho a intençao e o orgulho de querer voltar para esa. A minha intençao é a de individualizar-me ou asociar-me co empresas construtoras angolanas. Assim mesmo outro objetivo é a de ensinar ou assesorar em todo tipo de cosntruçao assim como ingressar no campo de Seguros e Analisis de seguros, evaluaçoes, cadastro de terras, etc.
Estou a disposiçao de cualquer consulta. Meu correio
é :rg_viola@yahoo.com. Um abraço e espero, com a ajuda de vcs., voltar o mais breve possível a Angola, terra maravilhosa e exemplo do futuro.

http://engenhariacivil.wordpress.com/2007/08/25/mercado-de-trabalho-em-angola-2/#respond

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O Livro das demolições (2)


Noutro dia veio uma delegação de alto nível chefiada pelo MPLA. O General Jardim Éden estava presente. Então o MPLA disse ao General Jardim Éden:
- Onde tens andado? Porque não proteges os bens do meu vassalo Job?!
O General Jardim Éden respondeu:
- Estou sempre vigilante, está tudo sob controlo e não notei nada de anormal.
Disse o MPLA ao General jardim Éden:
- O vassalo Job merece a minha admiração. É a única pessoa honesta que resta no reino. Tomara que houvesse mais como ele. Confesso que os corruptos ganharam o campeonato da corrupção… e apuraram-se para o campeonato mundial. Facilmente obterão a vitória final.
O General Jardim Éden respondeu ao MPLA:
- A vitória é incerta. O terror da corrupção termina em assassinatos, ajustes de contas, até à vitória final do grande terramoto político. Parece que já sabemos como isto vai acabar.
O MPLA disse ao General Jardim Éden:
- A nossa secreta informou-me que você está envolvido no roubo das terras. Tratamos disso depois. Peço-lhe que não atente contra a vida de Job.

O General Jardim Éden baldou-se. Quando viu o luxuoso avião particular do MPLA desaparecer no céu mandou alguns dos seus matadores de confiança darem uma grande sova a Job, mas de maneira que não o matassem.
O corpo de Job ficou macadamizado. Job apanhou uma folha de bananeira para limpar as feridas. Tudo à sua volta parecia uma chuva de cinzas. Sentou-se nos restos de tijolos e na madeira queimada. A sua esposa disse-lhe:
- Ainda gostas do MPLA?! Depois do que o General Jardim Éden dele te fez?! És muito parvo!
- As mulheres não entendem nada destas coisas. Apesar do General Jardim Éden me espoliar e privatizar tudo o que tinha, devo obediência e lealdade ao MPLA.
- Eu é que trabalho na terra!.. o teu fanatismo é escravidão, não é lealdade! És um grande atraso de vida! Onde estão os teus amigos do MPLA, em quem tanto confiavas?
- Hão-de vir... Hão-de vir!

E chegaram alguns amigos do MPLA que confortaram Job. Um disse-lhe que a sua conta bancária estava em baixo. Os outros tristemente confessaram que também lhes espoliaram e demoliram tudo o que tinham. Que o mal era geral... um reino de demolições. Trabalhar de verdade não era possível, porque espoliar continua fácil. Ficaram uns dias a acalentá-lo e sentaram-se nas sobras de algumas cadeiras. Depois, cansados foram-se embora. Um deles ao despedir-se reafirmou:
- O reino da fome está combalido.

Apareceram alguns grupos de espoliados, esfomeados que aproveitaram as sobras. O local ficou igual a um deserto. Job bocejou, apetecia-lhe dormir. Falou para o vento cúmplice que arrastava as cinzas:
- Tantos e tantos anos de trabalho em vão. Não dá para trabalhar nesta terra, porque depois vem um General Jardim Éden e fica com ela, privatiza-a. Finge que a trabalha à espera que surja um sócio estrangeiro. Mas eles já não acreditam nisso e a terra abandona-se. Fica para acampamento de deslocados que na verdade são refugiados, e assim sucessivamente. As trevas dominam este reino. O MPLA está sempre lá em cima sentado no seu trono. Raramente desce, sobe, ou sai. Adora rodear-se de pessoas que mais parecem lâmpadas fundidas, que dão pouca luz, ou acendem de vez em quando. A minha terra, a minha Luanda, a minha Angola, contaminam-se, nunca mais nelas nada crescerá. Resta-me olhar para as nuvens e para os restos das árvores que parecem fantasmas ao luar. Tantos anos em vão que trabalhei. Agora tudo ficou igual às noites escuras. Nunca mais perderei anos, meses e dias nestas coisas.

Imagem: Estádio de Luanda 1
http://www.girabola.com/estadios-do-can-2010-caracteristicas/