sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Divagações do Politburo


Jornal de Angola 04 de Setembro de 2009

No fim-de-semana
Comités de especialidade elegem novas direcções

Kwanza-Sul tem 300 hectares para casas

Longonjo
Resisto civil eleva receitas

Tribunal de Luanda
Julgado de menores tem centenas de casos

Aeroporto de Saurimo
Testes restringem acesso à pista

Direitos humanos
Situação no Bié é satisfatória – diz Bento Bembe

Marimba terra de reis
Monte Verde tem condições para o turismo

Entre Maio e Agosto
BDA (Banco de Desenvolvimento de Angola) financiou projectos na agricultura e indústria

BCP concede micro-crédito

Casos de polícia
Especuladores e piratas condenados em Luanda
Taxistas especuladores e pastor pirata de discos

Governo quer expandir escolas rurais e dar formação adequada aos docentes

Namibe
Munícipes recebem terrenos para a construção de casas

Mamã Muxima é o rosto da unidade nacional
- afirma reitor do santuário padre Mário Torres

Nível do mar a subir
ONU pede acordo climático antes do desastre económico

Leste de África
Falta de chuva é ameaça para milhões de pessoas

















Sered. Campo de concentração nazi que parece de Luanda




Do outro lado, ouvíamos a dor, os gritos, o pânico de quem vai morrer gaseado. As primeiras pessoas a morrerem eram quase sempre as mais baixas, as crianças, não pelo gás venenoso, mas por esmagamento. Imagino vagamente, o que devia ser o pânico daquelas pessoas.
Depois da minha passagem pela água da vida, fui retirar os corpos que estavam estendidos no balneário ao lado. Vinte minutos depois da morte, ainda sentia um cheiro intenso e venenoso, que me fazia lacrimejar. Foi aí que conheci os irmãos Frank e Darcy Segal, um de quinze anos e outro de sete. Os três éramos encarregados pela limpeza de corpos do nosso bloco e de mais oito blocos adjacentes. Frank e Darcy tinham estado em Sered na Eslováquia, onde perderam os pais.

Frank parecia um anjo, era alto com olhos azuis e um cabelo possivelmente preto. Darcy, o mais novo, era um miúdo muito esperto e também de olhos azuis. Muitos corpos tivemos de carregar no mês de Novembro onde o inverno começava a ser o nosso maior inimigo. O Inverno começava a aproximar-se a passos largos. Estava à porta mais um Inverno rigoroso. Mais implacável que as forcas, que os fornos era o frio de Theresienstadt. Dizimava milhares de idosos. Um dia desses onde o Inverno se tornava impiedoso, os SS pegaram num velho moribundo e penduraram-no numa árvore. Eram já altas horas da manhã e estavam aproximadamente doze graus negativos em Theresienstadt. O velho, nu, foi regado com água fria pelos nazis. Umas hora depois estava morto, congelado. A explicação para tal acto foi dada por um oficial, atarracado e gordo. “- Ele estava com calor! Parece-me que agora está mais fresquinho.”

Às cinco da manha, estavam milhares de pessoas em pé, em frente do pobre homem. Tirámos as boinas e baixamos as cabeças. Começou tudo a rezar. Diante de nós estava um velho, mas mais importante, diante de nós estava a morte da moral. Disse bem alto, que diante de nós estava o Deus que em tempos tínhamos adorado, mas que agora morrera. Pendendo numa árvore aquele corpo parecia uma imagem eclesiástica. Voltei costas e dirigi-me para o meu bloco, pensado como era possível acreditar num Deus naqueles momentos. Os dias em Theresienstadt foram penosos. Frank conseguia sempre arranjar uma comida suplementar, trocando dentes de ouro que roubava do amontoado de ossos nas valas comuns. Ouro pelo pão, pela vida. Seis meses depois, já não sentia o cheiro. Estava a trabalhar com os irmãos Seagal na produção de um gás chamado, Zyklon B e na continuação do trabalho anterior. Devido à minha produção de Zyklon B, as mortes tinham, assim, a minha assinatura e isso revoltava-me.

Houve dias que punha as culpas em mim e aquela mão pequenina de Darcy na minha perna a dizer-me para não chorar porque a culpa não era minha, era a minha única salvação. A produção desse gás revelou-se fatal para Darcy, que muito novo e muito frágil, morrera intoxicado. Foi Frank, sob o sorriso de dois guardas, que levou o seu irmão até à sua última morada. Com uma cara em lágrimas e com uns olhos sem vida fez a caminha arrastando o seu falecido irmão. Chegou à vala, deu um beijo na sua estrela de David e no seu irmão. Ele sentia-se realmente só, sem pais e sem a pessoa que mais amava, o seu irmão, não tinha forças para continuar. Eu completamente abatido não tinha forças para o ajudar. Estava vazio, sem esperança. Depois desse dia parecíamos dois zombies naquele campo. Houve noites que me apeteceu morrer, mas pensava em Eva e isso dava-me forças para continuar mais um dia.

Apercebi-me que todos nós pelo desgosto ficamos com as mesmas expressões; a boca sempre semi aberta e com os olhos de quem já chorou um rio. A 7 de Junho de 1942, transportei o corpo de Frank para o cemitério de Theresienstadt, a vala. Frank não tinha sido gaseado, enforcado ou mesmo queimado vivo. Frank tinha morrido de desgosto. Tentei puxar por ele, mas ele estava muito fraco, não comia pois sentia uma dor imensa na sua alma. Acabava assim a vida de uma família, sucumbindo o seu elemento mais vivo, Frank. Morria uma grande criança, dizimava-se mais uma cabeça sonhadora. Agora estava sozinho dentro de um mundo esquelético. Sentia saudades de Eva. Imaginava coisas terríveis e pedia, hipocritamente, a Deus que a ajudasse. A primavera não tinha força para fazer crescer uma só flor no campo de Theresienstadt. Nunca vi estrelas num céu impregnado de um fumo espesso e preto. Numa noite de primavera os SS e os seus cães entraram no meu bloco, cento e cinquenta pessoas incluindo eu, fomos escorraçados até ao corredor principal do campo. Estávamos juntos das forcas. Senti-me com medo, mas no entanto, era aquilo que desejava, morrer. Só pensava que a minha dor iria ter fim.

Fomos postos em cima de uma cadeira. Milhares de pessoas, gritavam: “Tende Piedade! Eles são também humanos!”. Entre gritos de misericórdia ouvia as suas rezas. Cada um de nós tinha ao lado um SS e um cão. Existia uma suave reacção de todos nós, mas quem podia fazer frente aos SS com cães, com apenas 45 quilos. Parecíamos sacos de cimento a serem carregados. Puseram-me a corda ao pescoço. Parecia que tudo estava a acontecer muito devagar. Ao meu lado estava uma criança de nove anos a olhar para os lados e a chamar, chorando, pela sua mãe.
- De vocês todos, só cinquenta sairão daqui, para trabalhar numa fábrica dearmamento em Plazow. – Dizia o Major do campo.- Que a sorte esteja convosco. Dizendo isso, cem cadeiras foram retiradas com um pontapé. Estremeci e como quem se afoga, tentei inspirar fundo. Segundos depois tudo tinha acabado. A criança que se encontrava ao meu lado, morreu meia hora depois. Era muito pequena e pesava treze quilos, o seu pescoço não partiu. Ficou na corda a espernear, morrendo assim asfixiada.

Quanto a mim, depois de me tirarem da corda e depois de ter contemplado aquele espectáculo, desmaiei. Quando acordei, estava a caminho de Plazow nos vagões que me eram já tão queridos, pelo menos nada me aconteceria enquanto me encontrasse em viagem.

vascoribeiro177@hotmail.com. Páginas Pessoais www.mat21.cjb.net
www.eqdiferenciais.com.sapo.pt/Index.htm

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Os Templários, esses grandes senhores de mantos brancos. Os seus costumes, os seus ritos, os seus segredos (1)


MICHEL LAMY

Nota do editor português
Não se sabe ao certo se, entre os primeiros nove templários que foram a Jerusalém, um deles seria do Condado Portucalense: Gondomar (ou Gondemar?). Mas supõe-se que a presença da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo (mais tarde denominada por Ordem do Templo) em Portugal data de 1126, e sabe-se que os Templários estavam solidamente implantados no país em 1157, quando foi nomeado Grão-Mestre Gualdim Pais, figura emblemática que comandou a reconquista de Santarém e Lisboa, ao lado de Martim Moniz. Em 1128, D. Teresa concedeu-lhes o castelo de Soure, e como recompensa dos seus feitos guerreiros, D. Afonso Henriques outorgar-lhes-á a cidade de Tomar, bem como as terras compreendidas entre Tomar e Santarém. Foi assim que o castelo de Almourol, contemplando todo o Tejo, entrou na posse da Ordem.
É também certo que a decisão papal de extinguir a Ordem não seria bem acolhida e, em 1311, D. Dinis ordenou o levantamento de um processo, que decorreu em Salamanca, para averiguar a culpabilidade dos templários da Península Ibérica. Os templários portugueses seriam ilibados. Logo depois, D. Dinis enviou ao papa João XXII dois emissários para negociarem o renascimento da Ordem do Templo. Surgiu a Ordem de Cristo, de que foi investido Grão-Mestre Gil Martins (em 15 de Março de 1319), e cujos cavaleiros usavam um hábito idêntico ao dos templários: apenas uma cruz branca inscrita dentro da cruz vermelha (para assinalar a pureza da instituição ressurgida) os distinguia. Os dignitários do Templo conservaram os seus lugares na nova Ordem, que alojou também muitos templários refugiados, de França e outras nações européias.
É em Tomar que encontramos uma maior concentração de bastiões da Ordem, com tributos inestimáveis para o nosso patrimônio arquitetônico. E o caso do castelo de Tomar (também chamado dos Templários), que estaria unido por passagens subterrâneas à Igreja de São João Baptista (santo venerado pela Ordem, que nos seus templos e capelas conta com inúmeras representações de baphomets - cabeças degoladas) e à Igreja de Santa Maria do Olival, onde Gualdim Pais foi sepultado. O seu túmulo, ao que se sabe, está vazio - mais um enigma para a constelação dos mistérios do Templo.
A arte gótica, segundo Michel Lamy, terá sido introduzida pelos Templários, que se associaram a mesteirais cagots, possuidores de segredos de construção e dos trabalhos em pedra (possíveis antecessores dos «pedreiros-livres» ou franco-mações). O estilo manuelino será, em Portugal, o herdeiro direto do gótico e o seu grande expoente é o Convento de Cristo, cripta da Ordem de Cristo, após se ter instalado por alguns anos em Castro Marim e ter regressado à oríginal sede do Templo. Na charola do Convento de Cristo encontramos a disposição octogonal, fiel à cosmologia da época e representando o hemisfério celeste. Os Templários, e os seus herdeiros Cavaleiros de Cristo, teriam desenvolvido os conhecimentos de astrologia e astronomia (as duas ciências, como se sabe, eram indissociáveis) que lhes serviram para iniciar a aventura dos Descobrimentos. A esfera armilar, na famosa Janela do Capítulo, lá está para nos lembrar o papel dos Cavaleiros nas Descobertas, assim como o ângulo de 34º que encontramos nos vértices das fachadas das capelas góticas, que será o ângulo que a constelação de Cão Maior faz com a Taça (Graal) e com Leão, conforme representado no baixo-relevo da Igreja de São João Baptista. Esta estará ainda ligada por subterrâneos a um outro monumento de Tomar, o Convento de Santa Iria, onde se observa um boi esculpido na pedra (Constelação do Boieiro), herança visigótica de que a Ordem do Templo se terá apropriado. No plano arquitetônico, há também que realçar o «olho de boi» sobre a Janela do Capítulo, de que se diz indicar a direção do ovo alquímico, que serviria para a transmutação do metal em ouro e que, juntamente com a carga trazida das viagens marítimas à Terra Nova, seria a explicação do tesouro templário, misteriosamente desaparecido e talvez depositado em... Tomar.

Imagem: http://3.bp.blogspot.com/_

Divagações do Politburo 09Set09


Jornal de Angola 02 de Setembro de 2009

Peritos da SADC preparam encontro
Kinshasa acolhe Cimeira de Chefes de Estado
- líderes da região devem discutir reestruturação da organização

Shiji Gao especialista chinês
“Construção de edifícios em Luanda faz lembrar Pequim de há dez anos”

Pensamento de José Eduardo dos Santos
Académico (Mário Pinto de Andrade) defende publicação dos discursos presidenciais

Os 96 anos da cidade
Lobito em festa na encruzilhada do progresso

Colômbia
Maior traficante de heroína está a contas com a Polícia

Cimeira da união Africana abordou conflitos recentes

Gabão
Paris apela ao futuro Presidente melhor distribuição da riqueza

Primeiro semestre
Crise financeira afectou negócios entre China e continente africano

“Nosso Super” na cidade do Uíge está a registar grande facturação

O banco BIC oferece 1.000.000.00 de dólares à selecção de Angola pela conquista do Campeonato Africano das Nações

Água mineral “Luso” retirada do mercado

Populares aconselhados a morar fora do perímetro dos aeroportos

Rangel
Casos de poluição sonora devem ser denunciados

A limpeza pública de Luanda e o sistema multicaixa

O papel da medicina tradicional
Plantas medicinais abundam em Angola

Escola de prestígio internacional
Tchivinguiro forma agrários para servir o país
Instituto recebeu alfaias e laboratórios que melhoram qualidade do ensino

Taag leva felicidade ao Kuito







Terrorismo bancário. O banqueiro de Deus


O escândalo do banco ambrosiano não caiu no esquecimento
Este é um dos "posts" que não entraram na Quarta-feira, 20ABR. Vou tentar "postá-lo" hoje.
Na respectiva leitura tenha-se em atenção este facto

«Quatro suspeitos respondem pela morte do "banqueiro de Deus"» é o título de um artigo de Alexandra Prado Coelho no PÚBLICO de hoje, com o seguinte destaque:

“O italiano Roberto Calvi, próximo do Vaticano, foi encontrado enforcado numa ponte de Londes em 1982. Mais de 20 anos depois o crime vai ser julgado.”

O assunto, já antigo de muitos anos, foi recentemente abordado pelo DN (Diário de Notícias), na sua edição de 2 do corrente mês, com o título “O poderoso Estado da Santa Sé”, artigo de Kátia Catulo, de cujo texto destaquei:

“O seu prestígio [do Vaticano] como Estado sofre, no entanto, um forte abalo, em 1982, quando várias personalidades do clero são envolvidas no escândalo da falência fraudulenta do Banco Ambrosiano. As relações do Vaticano com o Estado italiano pioram em 1987, após a Justiça ordenar a prisão do cardeal Paul Marcinkus, secretário de Estado do Vaticano e director do Instituto de Obras Religiosas - organismo financeiro envolvido no escândalo do banco italiano. Este capítulo negro da História do Vaticano servirá, porém, para mostrar ao mundo a sua influência.”

Recordo que Marcinkus foi também chefe da segurança do papa.

O referido artigo do PÚBLICO faz, portanto, um apanhado do grande escândalo que foi a fraudulenta falência do Banco Ambrosiano que envolvia importantes figuras da Igreja como o referido cardeal. Escândalo a que a referida jornalista do DN aludiu como “capítulo negro da História do Vaticano”.

Veja, pois, o mencionado artigo do PÚBLICO.

«Chamavam-lhe "o banqueiro de Deus" pelas relações estreitas que mantinha com o Vaticano. Na manhã de 18 de Junho de 1982, Roberto Calvi foi encontrado enforcado por baixo da ponte de Blackfriars, em Londres, com os bolsos cheios de pedras, tijolos e dinheiro. Pouco tempo antes o influente Banco Ambrosiano, a que Calvi presidia, tinha falido.

O caso foi durante os últimos 20 anos considerado um dos mais obscuros mistérios da história criminal da Europa, inspirando inúmeras teorias e ocupando detectives amadores. Durante algum tempo pensou-se que o banqueiro se tinha suicidado, mas esta semana, mais de duas décadas depois da sua morte, um tribunal italiano chamou para julgamento quatro pessoas, suspeitas de serem responsáveis pelo crime: o mafioso Giuseppe Pippo Caló, o boss do crime organizado romano Ernesto Diotallevi, um empresário da Sardenha, Flávio Carboni, e a antiga namorada deste, a austríaca Manuela Kleinszig.

Depois de anos de investigação, a acusação concluiu que a Máfia matou Calvi por este ter gerido mal o dinheiro que a Cosa Nostra lhe confiara (e que depois da morte do banqueiro os "padrinhos" terão conseguido recuperar). As investigações centraram-se sobretudo nos milhões de dólares que saíram das contas offshore do Banco Ambrosiano nas semanas que antecederam a morte de Calvi.
Os advogados de Pippo Caló e de Flávio Carboni negaram já as acusações e afirmam que a morte de Calvi foi suicídio. De acordo com esta tese, o banqueiro, devastado pela falência do Banco Ambrosiano, ter-se-ia morto.
Carboni, que era amigo de Calvi, foi, supostamente, uma das últimas duas pessoas a vê-lo com vida. "[A acusação] afirma que Carboni foi para Londres com Calvi para o entregar às pessoas que o assassinaram", explicou Renato Borzone, o advogado que representa Carboni.

Pippo Caló, de 73 anos, preso desde 1985 por crimes ligados à Máfia (mas não à morte de Calvi), participou na audiência preliminar do processo, segunda-feira, através de uma ligação vídeo a partir de uma prisão no centro de Itália. Kleinszig e Diotallevi não estiveram presentes - a primeira está supostamente na Áustria e o paradeiro do segundo é desconhecido.
A estrondosa falência do Banco Ambrosiano foi o maior escândalo financeiro do pós-guerra em Itália. O colapso seguiu-se ao desaparecimento de 1,3 mil milhões de dólares em empréstimos que o banco tinha feito a várias empresas-fantasma na América Latina.

O "buraco" não atingiu apenas o Ambrosiano, mas reflectiu-se também nas caixas do Instituto das Obras Religiosas, o banco do Vaticano, que era o principal accionista do Ambrosiano. Quando o escândalo foi descoberto, Calvi foi julgado e condenado, mas enquanto aguardava o resultado de um recurso, conseguiu sair do país - via Áustria - com uma mala que continha documentos cruciais sobre as actividades do banco.

A acusação do processo que agora decorre afirma que o banqueiro foi morto em grande parte porque sabia de mais sobre a forma como os fundos da Máfia estavam a ser "lavados" através do Vaticano e do Banco Ambrosiano. Vários mafiosos "arrependidos", que aceitaram colaborar com a justiça, confirmaram já o envolvimento da Cosa Nostra no crime e deverão ser testemunhas essenciais no julgamento, que terá início a 6 de Outubro.»

http://notasereflexoes.blogspot.com/2005/04/o-escndalo-do-banco-ambrosiano-no-caiu_22.html

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Divagações do Politburo 08Set09


Jornal de Angola 01 de Setembro de 2009

Actividade parlamentar
Grupo de deputados visitam Kwanza-Sul

FAA (Forças Armadas Angolanas) têm grande responsabilidade na estabilidade da região da SADC

Novo aeroporto aberto ao tráfego
Bienos passaram do sonho ao voo

Luís Sambo promete mobilizar recursos para acelerar progressos na área da saúde

Professor catedrático Sérvulo Correia
“as leis Constitucionais são mutáveis”
A realidade angolana tende para a necessidade da presidencialidade do regime

A reconstrução e a comunidade
É boa notícia os materiais de construção importados serem desagravados em termos de impostos aduaneiros, o que se vai repercutir positivamente nas despesas dos que querem ter casa própria. Ter casa própria, não é demais repetir, é um dos grandes sonhos de qualquer angolano.

Eleições em 2011
Zâmbia prepara nova Constituição

Agricultura prepara condições para produzir o óleo de palma

Petróleo
Excesso de oferta nos mercados provoca a redução dos preços

Vivenda T3 e T4. cond. Cuxi e Hípico, chaves na mão. 750.000.00 USD

Poluição sonora
Médico defende mais protecção a trabalhadores expostos ao ruído

Professores do futuro
Escola abre em Setembro

A falta de água potável está na origem da febre tifóide
Hospital Central da Lunda-Norte precisa de tratamento de choque

Jornada africana de medicina tradicional
Representante da OMS defende casamento entre medicina tradicional e convencional

Conferências do MPLA nos municípios
Renovação na continuidade em Benguela

Cambambe
Evacuações de doentes diminuiu no meio rural

A miragem da riqueza faz deles pobres homens


















Divagações do Politburo 07Set09


Jornal de Angola 27 de Agosto de 2009

Governo prepara censo populacional em 2010
- Objectivo é assegurar um planeamento eficaz e ordenamento do território territorial

Praça financeira na Baixa de Luanda

Famílias separadas pela guerra vão trocar impressões na Coreia

Responsável do Banco Mundial destaca potencialidades de África

Armazéns estão cheios
Produtores de café mabuba aguardam por melhor preço

Camponeses da província do Bié recebem sementes e utensílios

Ruído causado por igrejas em debate no Hoji ya Henda

Entre EDEL e administração
Distribuição de electricidade é tema de reunião na Maianga

Fiéis começam a chegar ao santuário da Muxima
A primeira grande peregrinação à Muxima aconteceu em 1650 quando se repôs a imagem da santa no altar-mor da igreja depois de os holandeses terem sido derrotados e expulsos de Angola. Antes o culto realizava-se em torno de uma capela de pau-a-pique que havia numa zona que foi engolida pelo rio Kwanza.

Kwanza-Sul
Administração municipal do Sumbe indignada com construção anárquica

Serviços sanitários no Cunene preocupados com o sarampo

Benguela
Destacada formação da juventude para o desenvolvimento do Cubal

Casamento entre a música e a leitura

Cultura
Proibição de festas sem licença reduz casos de poluição sonora

Feira do livro
Bispo católico defende fomento da cultura nacional em Malanje

Vice-ministro da cultura na homenagem ao escritor Uanhenga Xitu
É figura íntegra












sábado, 5 de setembro de 2009

A Epopeia das Trevas (44)


Mentor trouxe uma caixa de cerveja vazia e Ulisses acomodou-se nela. Mentor abriu latas de sardinha e atum. Gritou para a vizinha que tinha gerador para que trouxesse cervejas frescas porque tinha visitas em casa, e que depois pagaria a conta. Pediu-lhe também para mandar um dos filhos procurar pão. Havia uma mesa pequena funcional que acomodou os convivas. Como a água escasseia sempre, as latas de conserva vazias serviam de pratos. Depois de algumas garrafas terem prestado o aquecimento mental, foram abandonadas no repouso do esquecimento tumular. Mentor aborda Ulisses:
- Ulisses… tu… em terra?!
- O meu nome é Odysseus! Não sei quem foi o parvalhão que inventou esse nome. A língua grega desvalorizou-se? Ah!.. Esses latinos com a mania de esconder a originalidade das civilizações. Copiam-nos e depois apagam-nos. Como se não existíssemos no tempo. Ainda bem que os arqueólogos da verdade nos desenterram, e provam a nossa maturidade. A verdadeira História está agora a ser contada. Os nossos deuses são iguais aos actuais, apenas mudaram de nome. Por mais tentativas que façam, acabam sempre por retroceder às origens. É isso que se chama História.
Interrompi porque achei que algo estava errado.
- Ulisses, não coma mais sardinhas, o atum é mais digesto.

Ele olhou-nos como se fossemos o mistério da natureza humana. Mostrou a melancolia do tempo passado nos barcos errantes que atrofiavam o destino do seu regresso, sempre nos mares traiçoeiros
- Há trinta anos que ando nesta vida. Tenho imensas saudades da minha terra, da minha Penélope, da minha família. Acho que a Penélope já arranjou outro. Custa-me a acreditar que ela aguente as comichões do luar das noites. As paredes vaginais devem estar derretidas, porque Vénus a contempla. Sinto imensos ciúmes dos venusianos que adulteram Penélope, mas as minhas flechas serão certeiras. Quando chegar destruirei esse maldito planeta. Provocarei o caos no sistema solar. Ah!.. Mas que divindades são estas que separam marido e mulher, que se deleitam horrorizando o amor! Como poderei amar a Deus acima de todas as coisas? Se tenho que escolher entre duas divindades, Deus e Penélope, e como não me é possível amar duas entidades ao mesmo tempo, então escolho, quero amar apenas uma: para sempre amarei e mergulharei no néctar divino que Deus me deu. Não farei nenhum sacrifício, porque Penélope é o meu Deus do amor. Ela pode comer-me, banquetear-se com o meu corpo, com o meu espírito, quando e onde lhe aprouver. Quando se actua verdadeiramente no amor, o corpo e a mente somem-se… deixam de existir… pronto! Passam para uma dimensão desconhecida. Ficam a viver no planeta Etéreo, e dele não desejam sair. O corpo na terra, e a alma ligada por um cordão umbilical tão frágil, que uma qualquer ave bebé no seu primeiro voo indeciso o pode interromper. Amar é o mais poderoso dos sentimentos. É como um império que a qualquer momento rui. Onde há imenso poder, imensa fortaleza devidamente consolidada, os inimigos abundam, espreitam. As muralhas do amor são rompidas, não resistem à tragédia dos laços familiares. O amor está condenado a navegar, a ser transportado, carregado, a viajar no esforço das ondas do mar. E elas batem cada vez com mais força, invadem, perigam a segurança das nações. Advertem que o amor é restituído, deixando o que resta, após a invasão das águas imensuráveis terra adentro. Depois os choros, a tristeza da destruição dos pedaços dos jardins suspensos que aterraram na inundação previsível. As vagas quando chegam trazem ofertas, e no regresso acompanham-se por um grande coro cósmico, esquecem as oferendas, enrolam, e como uma mão gigantesca que se fecha, ainda fazem último esforço com um dedo, e levam para o abissal o feijão da tormenta humana. Onde há muito dinheiro há muita injustiça.

O Cavaleiro do Rei (53). Novela


Capítulo três

O Feiticeiro do Centro com ares de intelectual e cérebro bem lavado pela propaganda estalinista repete-se:
- Camaradas e compatriotas membros do glorioso partido dos Feiticeiros. A nossa grandiosa luta de libertação nacional, os nossos heróis que tombaram, não derramaram o seu sangue em vão. Alguns de nós tombaram nas esquinas devido aos assaltos dos telemóveis e às espoliações e destruições dos nossos ancestrais bens. A nossa luta ainda não terminou. Agora a nova guerra de libertação nacional orienta-se sabiamente contra os esfomeados. É uma luta sem tréguas…
Alguém da assistência interrompe, faz-se ouvir.
- Porra! Este gajo veio para aqui por engano! Vai para o Palácio do rei!
O orador sente que alguma coisa está errada. Verifica os papéis e justifica-se.
- Desculpem, enganei-me no discurso. Vou continuar... como dizia: a nossa luta de libertação nacional, sabiamente conduzida pelo nosso Grande Feiticeiro fez com que a exclusão e escravidão…
- Olha o gajo! Agarra! Atrás dele!

Uma turba qual vulcão cai em cima do orador. Este torna-se num minúsculo ser. Pancadaria cai-lhe no corpo. O Grande Feiticeiro aparta os ânimos. A vítima recompõe-se. Um exaltado esclarece:
- Pensas que estamos em 1975?! Essa conversa já não dá. Já abrimos o olho… vai directo ao assunto.
- Está bem, já sei o que querem… oiçam por favor: As brigadas do bilhete de identidade estão sem plastificação. Roubaram-lhes um mês de vencimento. Não têm alimentação, “esqueceram-se” de pagar-lhes os vencimentos. O dinheiro dos carros para os apoiar desviaram-no. A desmotivação avança. O feitiço para sabotar as eleições resultou. Tudo está definitivamente enfeitiçado, para que não hajam eleições. Quem as quiser, que invente outra nação ou vá para o reino do Gabão... tenho dito.
- Vês que quando queres sabes falar? Muito bem! Muito bem!
E premeiam o orador com uma grande chuva de palmas.

Capítulo quatro

Sou o Feiticeiro do Sul. Posso afirmar que o Santo Oficio perdeu as forças para nos combater. Temos feiticeiros infiltrados nos centros de decisão. Não há actividade sem feitiço. Temos escolas que formam bons feiticeiros. Somos rigorosos com os nossos remédios. Conseguimos acabar com famílias inteiras. Finalmente conseguimos o respeito e admiração que merecemos.

Conclusões

O Grande Feiticeiro prepara-se para encerrar os trabalhos.
- Camaradas Feiticeiros e… desculpem isto dos camaradas. Sabem… foi tanto tempo que por vezes não esquecemos… Feiticeiros e Feiticeiras finalmente realizámos o nosso sonho com este primeiro congresso. Devidamente legalizados já podemos atirar as pernas para a frente. A feira dos feitiços aqui perto é um êxito. No topo de vendas está o feitiço da fome, do roubo e dos poetas. Estamos em todo o lado, somos imparáveis. Há ainda quem não tenha as suas quotas em dia. Tem trinta dias para as pagar. Findo o prazo serão contemplados com um poderoso feitiço. Às delegações estrangeiras dizemos: bem-vindos e roubem à vontade.

Apelo ao pessoal de serviço para limparem a porcaria que fizemos. O cheiro está insuportável. Limpem com lixívia nacional, importada não dá. Ah!.. Antes disso convém lembrar: A nossa capital é a mais exótica do mundo. As nossas esposas bem enfeitiçadas passeiam nas ruas apresentando o nosso genuíno folclore nacional. Com as oferendas em qualquer recipiente ficam bem enfeitadas com o que carregam na cabeça. Esse é o seu penteado tradicional. Nunca se esqueçam do mais importante. Para obter dinheiro basta matar um familiar.

Devaneios 05Set09


sila , cascais 25/08/09 12:08
Julgo que faltou ao sr. Nabo dizer que nunca nehum país sobreviveu, quando baseou o seu poder quase exclusivamente em recursos naturais, perecíveis. Julgo que já, hoje, o sr Putin está aver que o gás e o petróleo não lhe asseguram uma vida independente.

DIÁRIO ECONÓMICO

A Rússia tem de procurar outras vias de desenvolvimento. Para tal são precisos meios que a Rússia,por ora, não tem. E dificilmente os terá, como o sr. Putin sabe. Ele está a ver quão difícil está a ser a conversão da Alemanha de Leste, mesmo quando inserida e auxiliada por um país próspero. Do comunismo para o capitalismo é mais difícil do que do fascismo para o capitalismo.

PÚBLICO ÚLTIMA HORA
31.08.2009 - 16h42 - Eu, Abrantes
Privatizar tudo, TAP - RTP - CP - Ministério da Educação - Saúde - Justiça. Temos que privatizar também a DEMOCRACIA, pois a organização politica portuguesa deixa muito a desejar. PORQUE RAZÃO CONTINUAMOS NA CAUDA DE EUROPA???? É QUE O ESTADO É O PRINCIPAL CULPADO DISSO.

31.08.2009 - 16h40 - Zé Paulo, Lisboa
Se os bancos dão prejuízo e levam dinheiros do estado e vocês (patetas!) aplaudem;se os fabricantes de automóveis são subsidiados pelos estados e vocês (patetas!) nem piam;se o Amorim é subsidiado em milhões e vocês (patetas!) nem dão por isso;se NENHUMA companhia de aviação de bandeira dá lucro (nem tem que dar,é um serviço público)...E outra coisa:qual seria o prejuízo se a TAP fechasse?Porque é que a TAP dá prejuízo?Quem mandou o Pinto adquirir a falida PGA ao José Manuel de Mello?Quem manda o Pinto repaarr os aviões no Brasil com as nossas OGMA aqui em Alverca?Pensem,pensem a cabecinha não é só para pôr o chapéu.

31.08.2009 - 16h24 - Caro eleitor e contribuinte: sabia que stá a pagar com o seu dinheiro a campanha eleitoral desonesta do "engenheiro" Sócrates?, se não sabia, leia isto
Quanto custou o luxuoso encarte publicitário da RAVE (Alta Velocidade) e do MOPTC (ministério das Obras Públicas) que está a ser distribuído com os jornais deste país? Quem pagou essa despesa escandalosa? Quem o mandou fazer, pagar e distribuir a quatro semanas das eleições? Trata-se de uma interferência clara, vergonhosa no debate eleitoral, em que o dinheiro de todos nós, o dinheiro dos contribuintes portugueses serve para promover o “engenheiro” Sócrates e as espanholizadas empresas do regime, e visa ridicularizar uma das linhas de força do programa do principal partido da oposição (não fazer da despesa de 4 a 7 biliões de Euros, que vai custar o TGV, a prioridade nacional nestes tempos de crise social e económica, e reexaminar todo o dossier com calma e sentido de Estado). Ninguém se indigna? A Comissão Nacional de Eleições nada tem a dizer? Os editorialistas da nossa grande imprensa acham bem? Que país de opereta, este Portugal de “engenheiros” do Domingo, cada vez mais empobrecido, cada vez mais atrasado em relação à Europa e cada vez mais manipulado. Não admira que a nossa juventude, de Norte a Sul, esteja toda a querer emigrar

21.05.2009 - 10h58 - Anónimo, Irlanda
Aqui na Irlanda está na capa de todos os jornais... Vamos ver agora quais serão as consequências. Os Irlandeses dizem que toda a gente sabia disto, só que nunca ninguém tinha ainda formalmente provado. Foram escritos alguns livros sobre o assunto, principalmente por aqueles que foram abusados enquanto crianças, mas formalmente foi a primeira vez que tal se fez. A Igreja Católica tem muito peso na sociedade Irlandesa; se o que percebi está correcto é pela Igreja que passa todo ensino público Irlandês até à Universidade, sendo que são eles que gerem as escolas.

Terrorismo Bancário 05Set09


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DIÁRIO ECONÓMICO





nelson costa, porto 29/06/09 09:23



O banco naturalmente vai recorrer como o fez anteriormente. Esta administração de Carlos Santos Ferreira e Armando Vara tem tido um gestão MERCENÁRIA não resolve os problema das burlas do BCP antes nega-as encandalosamente contra todos os factos, cada dia que passa o bcp mais se descrebiliza, as autoridades não actuam com firmeza, entretando o tempo vai passando e esta gente vai auferindo remunerações escandalosas sendo este o único objectivo. O efeito sistémico deste banco é monstruoso e todos os portugueses sofrerão com esta situação. HAJA AUTORIDADES QUE ACTUEM PARA BEM DE PORTUGAL.





Filipe, Lisboa 29/06/09 10:55



E o papel das auditorias externas? Ninguém fala nisso?





bruno, setubal 29/06/09 11:24



Apenas um comentário, o Madoff sabe hoje a sua sentença bpn,bpp,e bcp todos vão passar impunes e as sentenças prescrever e nada vai acontecer a estes ladrões encartados que roubaram milhões.Banco de Portugal!!! impune! partilho da opinião do prof. Medina Carreira este país é governado e manipulado por gente nogenta!!





Filipe, Lx 29/06/09 12:07



Não há problema cobram-se mais comissões aos clientes.Os clientes pagam isto a reforma o avião privado e os 40 seguranças do Engº Jardim Gonçalves e tudo o que não se vê nem se sabe.





"Estamos determinados e dispostos a tudo, de uma forma cívica, mas já com pouca calma porque seis meses é tempo suficiente para o sofrimento que temos passado", disse, garantido que "há muitas pessoas para quem esta [os depósitos no BPP] era a única forma de subsistência".





PÚBLICO ÚLTIMA HORA





17.05.2009 - 13h31 - Veritas, Cascais



Reina a impunidade nesta miseria deste país!! Hoje só por opção e por farteza ficarei do lado dos desordeiros, pois que mal vem para a sociedade se atuirarmos umas pedrinhas a um carro-patrulha?? Certamente que não serão as mesmas do que levar um banco à falência e mandar para o desespero e desemprego milhares de pessoas! Se os banqueiros e os empresários desonestos que tanto contribuiram para o desespero actual não são punidos, porque raio tem a policia de se meter numa fetsa de bairro? Se existir uma revolta social (só espero que não seja só o pessoal dos bairros a se revoltarem!) eu estarei logo na primeira linha, pois penso honestamente que é o que estamos a precisar neste momento! Precisamos por o país a ferro e fogo e lutar pelos direitos que nos têm sido retirados ... É hora de dizer basta!!







sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Sonho de uma dinastia atípica (Fim)


E Luanda vai ficar sem água, sem luz e sem esgotos. Os prédios, torres, condomínios e estádios de futebol da especulação e corrupção nacionalizados disformam, excedem o consumo previsto. Quando chegarem as chuvas e os ventos violentos, os custos não suportarão os proveitos. Mau negócio para os príncipes lavadores dos dinheiros do povo. Milhões de espoliados, abandonados e desempregados lutam nas ruas dos bairros decretados campos de concentração. Os novos-ricos triunfantes, não viverão em paz com o dinheiro da infâmia. Vegetarão no terror dos assaltos, na distribuição da riqueza forçada. Os assaltos e mortes reverterão grotescos. E se o negócio da carne de cães e gatos floresce é porque os chineses são bons clientes.

O angolano vive como um naufrago. Amealha durante um ano para gastar tudo na festa de aniversário. Depois passa fome e volta a poupar. Ou quando casa, a festa de casamento é altamente principesca. Tem que se dar a impressão de que se é rico. Depois em casa como marido e mulher não sobrou para uma arca congeladora. Ostentar riqueza perante tanta degradação social e moral no futuro adiado, dependente de estrangeiros. Por quanto mais tempo ficaremos nesta ditadura? E continuamos a brincar aos países. Porquê não haver luz e água, sempre difíceis? É fácil de ver que alguma coisa está errada. Por quanto tempo mais a hipocrisia internacional sustentará a falsa democracia em Angola? Primeiro eram os economistas sem crise. Angola sempre incólume aos desaires económicos. Agora são os economistas da Constituição incerta, para a ditadura enviar para o lixo a Constituição e ficar no poder até morrer. É porque o Ocidente e os EUA os apoiam.

Como disse Luís do Nascimento: «o país mais corrupto do mundo, não tem processos por corrupção.» E com a violação da constituição pelo PR o estado democrático e de direito esfumou-se. Agora é um Estado de tumultos. Regressámos à ditadura democrática do proletariado. De certeza que já não é o maioritário. É o MPLA minoritário. E sem luz e água liquida-se facilmente a oposição. Porque a população há muito que se finou. À mesma velocidade que se erguem infra-estruturas e se edificam outras, também à mesma velocidade se destroem. É como um Vietname, sem civilização. Não se apercebem que o aumento de potência dos ventos é para limpar a face da terra, varrer o lixo dos especuladores imobiliários. Não há diferença nenhuma entre o MPLA e o colonialismo, porque ambos investem no litoral. No interior de Angola a fome é atroz.

É formal, a genética incompetência firma-se no poder. Não o abandona porque confunde-se com a sabedoria inventada. Isolam-se e comandam povos estrategicamente analfabetos, empurrados até ao extermínio. A lotação e descontrolo hospitalar motejam-nos. Os substitutos negros do colonialismo branco são pobres imitadores da barbárie. Possuídos do sentimento destrutivo, fazem da governação a desolação. O cúmulo é que clamam que implantam a democracia. Que estranhos e pavorosos democratas nas pegadas de Estaline. E por incrível que pareça, as coisas tendem a piorar. O confronto não é de ideias mas, tumultuoso, inevitável.

E quando um governo há quase cinquenta anos não consegue abastecer electricidade e água às populações, não é governo, são comandantes de campos de concentração. Nas demolições sem indemnizações, nota-se a malvadez governamental. Os promotores benfeitores imobiliários já lá estão com as comissões financeiras para construírem bairros muito bonitos e eficientes. E assim enriquecem com a miséria das demolições das populações. É difícil de conceber que em 2009 ainda persistam personalidades esquizóides que regridem, arrastam tudo e todos para o campo de concentração da eleição presidencial indirecta atípica. O mundo aprova e demite-se o povo. Sem população não haverá eleição. E eternamente o mesmo poder se reelegerá.

In Gomes Galonga no FOLHA 8

A Epopeia das Trevas (43)


O pequeno corredor no centro do casebre guardava sete vasos de hortelã. Pensei que era por causa dos gatunos. Em simultâneo olhei para eles e para Mentor que explicou:
- Como a hortelã é óptima para as doenças respiratórias, comprei vasos e neles a plantei. Cresceu rápida, ficou atraente. As folhas esverdeavam a liberdade das plantas.

A meio da noite acordava com a respiração opressa que lembrava chiadeira de gatos. Levantava-me, ia a um dos vasos, colhia quantidade suficiente. Mastigava-a, engolia-a e pouco depois sentia-me melhor. A expectoração saía forçada pela tosse, os pulmões arejavam e a respiração normalizava.
Tinha um pequeno jardim e notei que alguns pardais apareciam. Duma vez contei oito. O piar era muito barulhento mas agradável. Talvez protestassem porque não tinham comida. Revivia neles a salutar Natureza. Coloquei-lhes recipientes com arroz e água. Vieram regularmente, comiam, bebiam e iam. No passar dos dias,noto que um pardal corria com os outros. Surpreendi-me… porque ele assenhoreou-se da comida e bebida. Quando outros pardais apareciam, ele voava como um míssil, e zás! Não queria compartilhar a sua propriedade privada.

Habituou-se à minha presença, sentia-se à vontade, mas sempre desconfiado. Reconhecia a área como um cão ou gato. A cadeira onde me sentava não escapava à vigia. Sentia-se ser de casa.
Gostava de observar o crescimento da hortelã. Numa manhãzinha verifiquei constrangido que quase desaparecera, incluindo raízes. Não tardei a encontrar explicação. Os outros pardais, furiosos porque estavam proibidos de se alimentarem da comida do colega, vingaram-se na hortelã… como se eu fosse culpado.
Enfureci-me, retirei-lhes o arroz e a água. Gritei-lhes: «aqui não há mais comida e bebida para ninguém». Fi-lo por vingança, decidido a nunca mais enfrentar ingratidão de asas.

O comensal reapareceu, viu que a comida desapareceu, piou estridente até se cansar. Imóvel, provavelmente pensava: «mas, que mal fiz?!». Repetiu-se por quatro dias, quando percebi com grande surpresa: Não era um, era uma pardaleja que acompanhava o seu pequenino que iniciava o manejo das asas. O bebé abria o bico à espera que lá caísse qualquer coisa. A mãe desesperada bicava areia e enfiava-lha pela goela. Mas o bebé não se calava, queria comida de verdade. Percebi… era chantagem. A mãe culpava-me da morte do filho pela fome. Senti-me varado, gritei-lhes: «chega, estou despassarado!»
Lembrei-me que os pardais são como as pessoas esfomeadas. Quando têm fome, são válidas quaisquer regras de sobrevivência.
Arrastei os vasos para lugar seguro, replantei a hortelã. Coloco-lhes regularmente arroz e água. Agora, ela tem condição para alimentar o filho. Deixa-o localizado porque sabe que está seguro. Dá umas voltas, quem sabe…talvez discutir com o marido que ousou abandonar o filho.

Os cães e o vento uivavam nervosos, temerosos da escuridão que agitava os sons do silêncio da noite. Tiros ouviam-se de vez em quando. Era um nocturno melancólico de uma sinfonia fantástica.
Ouvimos o miar de gato na porta da rua seguido de arranhadelas que vão aumentando de tom. Depois o ladrar de cão seguido de dois socos. Ficámos muito atentos, expectantes. Mentor esboça um largo sorriso, levanta-se e abre a porta rapidamente. Depara-se com alguém que traz um mostruário de vendas. Não demonstra surpresa, adivinhara quem chegara.
- Ulisses… não é possível… a venderes telemóveis!? Sempre com astúcia!
- Claro… depois será o disfarce de presidente de um partido político. Exigirei o dinheiro que me é devido, depois financiarei uma armada grega para atacar os Politburo. Vou-lhes lançar setas, onde lhes dói mais.
- Entra, entra, vou procurar algo para te sentares.

O Cavaleiro do Rei (52). Novela


A Nação está completamente enfeitiçada. Quem quiser ser general, ter uma óptima mulher, um emprego, apanhar o marido da outra, apanhar a mulher do outro, tem que pedir-nos um feitiço. Vou desvendar-lhes um grande segredo: conseguimos enfeitiçar o rei. É por isso que não conseguimos ir em frente. Pelo contrário, cada vez mais para trás. O rei está bem enfeitiçado porque nunca nos deu valor. Tem o que merece. Isso prova que somos muito poderosos. Mas, um dos maiores e mais bem sucedidos feitiços que fizemos foi sobre o SPR, Sistema de Pagamentos do Reino.

Um feitiço feito à meia-noite, onde reunimos e invocámos todos os trovões e faíscas do mundo. Resultou em cheio. Toda a gente trabalha e ninguém recebe nada. Na realidade estão desempregados. Depois aperfeiçoaremos este feitiço para atingir a nossa meta que é, entregar o reino aos estrangeiros e obter cem por cento de desempregados. Temos que avançar mais. Estamos a ser ultrapassados pelos grandes feiticeiros brancos da genética e da clonagem. Temos que estar atentos ao que se passa no mundo. Temos que estudar muito. Proximamente enviaremos uma delegação para aprender as modernas técnicas dos feiticeiros brancos.

Levanta o seu bastão encimado por uma caveira que lança raios de luz. Dezenas de crianças escolhidas como as melhores na arte da feitiçaria, entram e cantam.

O nosso rei e rainha
Já não tem nada para nos dar
Acabaram-se os nossos sonhos
Nada mais há para enfeitiçar

Declaro o início dos trabalhos. – Disse o Grande Feiticeiro.
- Pelo Poder!
- Do Feitoço!
- A Luta!
- Pelo Feitiço!

Capítulo dois

Intervém o Feiticeiro do Norte:
- Trabalho não nos falta. A aderência é digna de Cátaros. A Católica sente receio devido à escassez de fiéis. Os militares preocupam-se, os partidos políticos também. Isto é novo para nós. As crianças perseguem-nos aos milhares. Temos que aumentar os nossos honorários. Nunca imaginei ver tanta gente na feitiçaria. Temos que formar quadros urgentemente, porque podemos perder o controlo da situação. Uma universidade já está a ser construída. Conseguimos erguer um grande armazém onde estão amontoados ossos aos milhares. As ruas já são iluminadas com velas em caveiras. O combustível é retirado dos corpos que tombam com a fome. Devido à falta de apoio está tudo nas mãos de estrangeiros. Em breve correremos com eles respeitando as nossas leis em vigor.
Por todo o reino um só!
- Feitiço!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Sonho de uma dinastia atípica (1)


Botsaris vai além, lembrando que a África está atrasada no tratamento de todas as epidemias existentes no mundo.
- A África é muito desorganizada politicamente, o que dificulta qualquer tipo de ação. Eles não conseguem controlar doenças que foram facilmente combatidas em outras partes do mundo, como a tuberculose e a febre-amarela. Lá todos os sistemas de saúde são precários, situação agravada por rivalidades éticas e tribais. In JB ONLINE

Presidente angolano disse a Hillary Clinton que haverá eleições «na devida altura»
Sim! Eleições nas indevidas indirectas atípicas. Proclamar antes do Parlamento que já fui eleito por maioria silenciosa. E lá chegado, lá aclamado, no poder eterno continuado. A eleição indirecta atípica garante a manutenção da FAMÍLIA e dos seus amigos coloniais nacionais e internacionais. É importante preservar o poder até porque há os estádios do CAN para inaugurar e no campeonato jogar. E depois há o mundial a seguir e nele também lá estar. É atípico ficar mais de trinta anos no poder. Decerto a dinastia isabelina se sucederá porque Angola é um Estado privatizado, de graça.

Moçambique segue no terceiro presidente, Cabo-Verde no quarto, Guiné-Bissau no sétimo, São Tomé e Príncipe no terceiro, África do Sul no quarto, enquanto Angola permanece desde 1975 na ditadura revolucionária do proletariado e no centralismo democrático. Voltar à eleição da Assembleia do Povo agora inventando o modelo sul-africano da eleição feita pelos parlamentares. Significa que em Angola jamais haverá eleições. Tudo seguirá pelo direito divino como se observa nas imagens da TPA onde o PR é divinizado. Em Angola a noção do tempo perdeu-se. Sem poder para legitimar a Constituição como pode o PR impor-se à Nação? Só acreditando que somos todos míseros escravos e analfabetos. E fingir-se-á de surdo como habitualmente e alterará a Constituição para que os seus filhos gozem do direito de sucessão ao trono.

Este poder destruiu Angola e as suas populações. Destruiu a Nação e quer imortalizar-se numa falsa democracia. São os democratas das casas demolidas com o dinheiro do petróleo. Há uma coisa importante. O dinheiro do petróleo não é deles, é nosso, do povo! Vamos reaver o dinheiro que nos roubaram. Um governo que não garante água e luz deve imediatamente abandonar e entregar o poder a quem queira e saiba governar. Quem se interesse pelo bem-estar das populações.

O governo desestabiliza-nos, depois sadicamente diz que é a população que provoca desordens. É a feroz ditadura de Cabinda ao Kunene. Sempre os mesmos no poder, o estalinismo regressa, fortalece-se. Os espíritos das trevas de Mugabe e Idi Amin pairam, inspiram o poder em Angola. A diferença que há entre a Igreja e a ditadura? A Igreja destrói civilizações e as ditaduras, nações. É ingenuidade sustentar que um poder que se instituiu pela violência e permanentemente a exerce nunca sucumbirá com palavreado. Só a violência o derruba, o aniquila. Quando um poder com biliões de dólares nos impele para a fome, significa que o demónio existe. Quem sente prazer em formar e dirigir analfabetos nota-se claramente que odeia livros. E um poder que odeia leitura é extremamente perigoso. É como um intelecto de pacotilha. Qualquer demagogo se autopromove.

A miséria da população avança infernal, enquanto nos palácios o bem-estar consome a espoliação do que resta da população. Todos os prédios, torres e condomínios existentes são propriedades do povo angolano, porque é o somatório do que lhe roubaram. A população deve exercer o seu direito elementar que é confiscá-los por perdas e danos. E é necessária vigilância porque o “inimigo” tem muitas escutas espalhadas pelas ruas e esquinas. Angola e especialmente Luanda são fábricas de produção da morte. São como a feitiçaria que destrói a África negra, exala-lhe o último suspiro.

In Gomes Galonga no FOLHA 8

A Epopeia das Trevas (42)


A estirada para Tule avançava, diminuía o percurso. A paisagem da juventude Jingola que enchia baldes com água para lavar carros e solidificar a fé comestível, não melhorava. Jovens dengosas auscultavam nos vidros dos carros e trocavam impressões sobre o preço da carne. Os seguranças permaneciam encostados, apoiados nos pilares. Outros sentados em improvisadas cadeiras.

De repente o ambiente intempesta-se. Dois desabridos seguranças manifestam dor da alma. Um narra para os colegas os últimos acontecimentos. Roga apoio, mas os colegas limitam-se a ouvi-lo, porque ao mínimo deslize perdem o emprego.
-… O director da empresa da vanguarda Politburo apresentou lamentos: Descobriu que algumas alvíssaras se evadiram dos cofres. Vai daí, nada mais fácil do que culpar os seguranças. O indistinto prosélito, qual mastodonte fóssil do Mioceno ordenou: «chamem a polícia Politburo». A polícia chegou, ele deu-lhes a quantia necessária para as investigações e actuaram de imediato. Cismaram para quatro seguranças, arrastaram-nos e divertiram-se muitas horas a cascar-lhes chapadas com catanas nas costas e nas faces. Num deles, os Politburo arrancaram-lhe as unhas dos dedos das mãos. Depois atiraram-nos para um albergue com os ossos tão amassados que alguém se lembrou de dizer: «essa pasta óssea dá para fazer pastilha elástica».
- Mentor… é doença mental?
- Hum, hum. Prometeram-lhes mundos e fundos, a felicidade eterna. No princípio é fácil abusar da boa fé das pessoas, com muitas promessas eleitorais que se perdem nos vendavais. Tiram-se muitos dividendos, mas com o tempo tudo se desmorona. É como a prisão perpétua.

Adiantei-me numa rua onde se escutava uma ode ao automóvel. Buzinas estrondeavam, trombeteavam coro metálico de harmonia com vozes humanas. Realmente parecia um imenso manicómio. Tantos loucos varridos à solta! Alguns punhos erguidos agitavam-se temíveis. A explicação saltava à vista: um enorme contentor abandonado na rua obstruía os sentidos do trânsito. Nenhum carro entrava ou saía. Satisfiz a minha curiosidade num automobilista:
- Esta rua está condicionada a parque de estacionamento de contentores?
- Não! O motorista abandonou o contentor às cinco da manhã, e continuou… zarpou para a bebedeira com o camião.
- E?...
- E como pertence a uma empresa de um Politburo, não podemos fazer nada… senão levamos nos cornos.

O casebre de Mentor não prestou a mínima atenção quando chegámos. Parecia que as chapas onduladas que cobriam o telhado sorriam com a nossa presença. Mais chapas zincadas rodeavam o casebre. Contra elas o lixo e a água do esgoto próximo remavam, rumavam para incerto destino. Mentor abriu a porta gótica e entrámos. Pegou numa vela, acendeu-a. As sombras dos objectos revelaram-se como fantasmas. Cuidei-me ao sentar-me numa cadeira tresmalhada. Tinha um calcanhar vulnerável. Precavi-me, firmei-a na parede com cuidado. Desconfiada, se a estrutura resistiria à pressão. Mentor sorri, apresenta explicações:
- Sabes, não dá para ter uma casa em condições. Só o mínimo indispensável, porque quando chegam os assaltantes e os predadores das demolições do Politburo, se não conseguem roubar nada, pegam-lhe fogo. Obrigamo-nos a viver no estilo gótico. Luz é impossível… à noite abundam aparições de alicates fantasmas que cortam os vultos dos imateriais cabos. Olha… temos que prestar atenção às velas, algumas parece que explodem.

O Cavaleiro do Rei (51). Novela


Capítulo XV
Os feiticeiros

«O país pobre tem reservas limitadas. O Brasil tem reservas da ordem de 30 bilhões de dólares, a Argentina algo como 10 bilhões. Para comparar, um especulador médio como Edward Jones maneja, segundo o Business Week, 255 bilhões de dólares, a Merril Lynch algo como um trilhão de dólares. Mohamed el Erian, que tanto contribuiu para quebrar a Argentina, algo como 180 bilhões. Joseph Stiglitz, premio Nobel de economia de 2001, explica o processo de forma meridiana, usando o exemplo concreto de uma operação na Tailândia. Um especulador de Wall Street pede um empréstimo de um bilhão de dólares aos bancos tailandeses, em moeda local. Como se trata de um grande investidor internacional, os bancos locais ficam encantados.
Com este bilhão, o especulador sai comprando dólares no mercado local. Vendo o dólar sumir do mercado, outros banqueiros e especuladores locais também passam a comprar dólares, cuja cotação sobe vertiginosamente. Depois de um tempo, o especulador revende parte dos dólares para pagar o empréstimo local, e sai com um lucro líquido de 400 milhões de dólares para cada bilhão empatado. Não produziu nada, não precisou movimentar um centávo seu, e como o controle do movimento de capitais é pecado mortal na doutrina dos que Stiglitz chama apropriadamente de “fundamentalistas do mercado”, o dinheiro sai do país. O especulador não precisou sair de Manhattan. A poupança de um país é transferida para outro. Isto se chama “globalização”.»
In Altos juros e descapitalização da economia. Ladislau Dowbor

Apesar dos convites que os feiticeiros lhe fizeram, Epok preferiu ignorá-los. É certo que tinha alguns feiticeiros na família, mas não queria nem era aconselhável que os nobres soubessem disso, porque decerto criariam intrigas para lhe lixar a vida e ocuparem o seu lugar. As invejas eram muitas. Já tinha sobrevivido a muitos feitiços porque o dele era muito forte, mais poderoso que o petróleo.

Então anuncia-se a realização do 1º Congresso dos Feiticeiros Petrolíferos, no Palácio dos Feitiços. Diz a lenda que o Palácio nasceu devido ao esforço conjunto de unidade mental quando todos viviam em harmonia. Fizeram um grande feitiço e do nada surgiu a obra, que ainda continua a ser motivo de orgulho e coesão mental. Os trabalhos do congresso dividiam-se em quatro capítulos.

Capítulo um

Abertura dos trabalhos feita pelo Grande Feiticeiro. Ele entra acompanhado por várias jovens feiticeiras semi-nuas. Lançam-se dezenas de morcegos, cobras, galinhas, corvos, mochos, ratos, aranhas, baratas, porcos, pregos enferrujados, caveiras e ossos à sua passagem. O corredor central é ladeado por panelas com água a ferver, junto com mistelas para que sejam efectuados alguns feitiços como prova de organização. No púlpito o orador começa a palrar.

Corsários e piratas na Zon sem Tv Cabo


Para saber quem domina o mundo você deve saber qual grupo não se pode criticar.
Kevin Alfred Strom

Brincar às empresas de comunicações é o principal passatempo da infantilidade. O que interessa, o que é mais importante é botar tudo pela borda fora. Que botado abaixo já Zonestá. Como é cativante observar o derrubar, o que resta de um país. Porque de pessoas que governam e de pseudociência empresarial parece que já nada resta. E destruir as rosas é o mais interessante. Portugal abandalha-se, aderna perigosamente a estibordo e a bombordo assaltado, tomado por piratas electrónicos e corsos.
E a dinastia isabelina assumiu um acordo dinástico com a Zon, para que Angola se contemple, fique a ver Zon sem Cabos.


«"O Conselho da Autoridade da Concorrência decidiu aplicar às arguidas que integram o Grupo PT uma coima de 45,016 milhões euros e às arguidas que integram o Grupo ZON uma coima de 8,046 milhões de euros, perfazendo um total 53,062 milhões de euros", refere o comunicado da AdC.

ALTO HAMA

A sanção, passível de recurso (como convém para que, mais uma vz, a culpa morra solteira), corresponde a dois por cento do volume de negócios das empresas arguidas em 2003, diz o regulador. O valor da coima é superior à de 38 milhões de euros que a AdC aplicou à PT em Agosto de 2007 por recusa de acesso à rede de condutas no subsolo aos concorrentes TVtel e Cabovisão.

Embora calcule, fazendo fé nos exemplos de um país que teima em distanciar-se das regras básicas de um Estado de Direito, que tudo vá ficar em águas de bacalhau, tudo quando sirva para castigar uma empresa (a Zon Tv Cabo) que me cobra um serviço (Internet e telefone) que há sete dias só presta quando quer, e quer poucas vezes, é bem feito.

É que a Zon Tv Cabo teima em considerar-me cliente europeu para pagar, e terceiro mundista para usufruir dos seus serviços. Se calhar porque julga que ainda estamos (e se calhar estamos) no tempo do quero, posso e mando.


Fada do bosque disse...

É Orlando, parece que toda a falta de vergonha da Europa se concentrou em Portugal...
Isto é de loucos. Um País sem eira nem beira. Nem merece vir no mapa.
O melhor é investirmos numa ponte, que nos ligue até ao Sahara, pois quando o último tusto, for saqueado e já pouco falta, ficaremos numa posição geográfica, bastante distante do nosso entorno natural. Uma situação periclitante, esta de não nos conseguirmos inserir em lado nenhum!...
Ele há cada uma! Boa te vai Zé!...»

Imagem: http://olhares.aeiou.pt/charges_divertidas_foto2417995.html

Divagações do Politburo 03Set09


Jornal de Angola 25 de Agosto de 2009

África avalia programa contra a gripe A

Capital de Moçambique é igual a Luanda

Destacado papel da Líbia no Sudão

AIA (Associação Industrial de Angola) quer eliminação de impostos para produção dos bens nacionais.

Visita de Jacob Zuma é a concretização de um sonho do empresariado nacional.

As portas estão abertas para ter a sua casa

Fiscalização e segurança na importação garante maior qualidade dos alimentos.

Em caso de acidente
Bombeiros em prontidão no aeroporto (internacional de Luanda)

Cursos profissionais abrem perspectivas

Governadora quer livros expostos nas zonas suburbanas de Luanda




Onde se queimam livros acabarão por se queimar pessoas. Heinrich Heine


Os queimadores e aterradores governos que odeiam livros são aceites no relacionamento internacional. Porquê?! Isto também deveria fazer parte da ameaça climática global.

Conforme notícia o PÚBLICO ÚLTIMA HORA o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, alertou hoje na Conferência climática mundial, em Genebra, que o mundo “está a avançar para o abismo” devido à intensificação do fenómeno das alterações climáticas.
Acho que Ban Ki-moon deveria alertar também: “está a avançar para o abismo” devido à intensificação do fenómeno governamental da não propagação do incentivo dos livros às suas populações. E que acabassem imediatamente com as perseguições aos escritores.


«1933: Grande queima de livros pelos nazistas

No dia 10 de maio de 1933, foram queimadas em praça pública, em várias cidades da Alemanha, as obras de escritores alemães inconvenientes ao regime.

O dia 10 de maio de 1933 marcou o auge da perseguição dos nazistas aos intelectuais, principalmente aos escritores. Em toda a Alemanha, principalmente nas cidades universitárias, montanhas de livros ou suas cinzas se acumulavam nas praças. Hitler e seus comparsas pretendiam uma "limpeza" da literatura.

Tudo o que fosse crítico ou desviasse dos padrões impostos pelo regime nazista foi destruído. Centenas de milhares de livros foram queimados no auge de uma campanha iniciada pelo diretório nacional de estudantes.

Albert Einstein, Stefan Zweig, Heinrich e Thomas Mann, Sigmund Freud, Erich Kästner, Erich Maria Remarque e Ricarda Huch foram algumas das proeminências literárias alemãs perseguidas na época.

O poeta nazista Hanns Johst foi um dos que justificou a queima, logo depois da ascensão do nazismo ao poder, com a "necessidade de purificação radical da literatura alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura alemã".

Assim como desde a pré-história se acreditava nos poderes purificadores do fogo, o regime do mestre da propaganda – Joseph Goebbels – pretendia destruir todos os fundamentos intelectuais da por ele tão odiada República de Weimar.

Oportunismo e distanciamento
A opinião pública e a intelectualidade alemãs ofereceram pouca resistência à queima. Editoras e distribuidoras reagiram com oportunismo, enquanto a burguesia tomou distância, passando a responsabilidade aos universitários. Também o exterior acompanhou a destruição distanciado, chegando a minimizar a queima como resultado do "fanatismo estudantil".

Entre os poucos escritores que reconheceram o perigo e tomaram uma posição estava Thomas Mann, que havia recebido o Nobel de Literatura em 1929. Em 1933, ele emigrou para a Suíça e, em 1939, para os Estados Unidos. Quando a Faculdade de Filosofia da Universidade de Bonn lhe cassou o título de doutor honoris causa, ele escreveu ao reitor: "Nestes quatro anos de exílio involuntário, nunca parei de meditar sobre minha situação. Se tivesse ficado ou retornado à Alemanha, talvez já estivesse morto. Jamais sonhei que no fim da minha vida seria um emigrante, despojado da nacionalidade, vivendo desta maneira!"

Também Ricarda Huch retirou-se da Academia Prussiana de Artes. Na carta ao seu presidente, em 9 de abril de 1933, a escritora criticou os ditames culturais do regime nazista: "A centralização, a opressão, os métodos brutais, a difamação dos que pensam diferente, os auto-elogios, tudo isso não combina com meu modo de pensar", justificou. Em 1934, a "lista negra" incluía mais de três mil obras proibidas pelos nazistas. Como disse o poeta Heinrich Heine:

"Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas."»

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,834005,00.html
Imagem: http://www.fortunecity.com/campus/finals/910/fotohis.html

Ilse Koch. A Cadela de Buchenwald e o Esfolador do Reno




Ilse Koch passou para a posteridade como “A Cadela de Buchenwald”. Adoro esse epíteto. A Cadela de Buchenwald. Sugere maldade, sugere sadismo, e era isso mesmo que se podia dizer de Ilse Koch. Ela era má, ela era sádica. Mulher de um comandante de campo de concentração nazista, amante de um dos oficiais subordinados ao marido, Ilse desenvolveu gosto especial pela crueldade. Apreciava cavalgar pelo território da prisão e, em meio ao passeio, apontar para um prisioneiro:
- Este!

O escolhido de Ilse era arrastado para uma sala, onde os esbirros o chicoteavam com método e devoção. Ilse assistia ao espancamento e delirava de prazer ante o sofrimento da vítima.

Mas não foi isso que a transformou em A Cadela. Foi outro costume: o de mandar esfolar os prisioneiros mortos para usar as peles deles como pantalhas dos abajures da sua casa. Ilse preferia os prisioneiros tatuados, que, naturalmente, rendiam abajures com motivos mais alegres.

A Cadela de Buchenwald. Raras mulheres na história da Humanidade foram tão infames. Assassinas seriais, então, isso quase não se encontra. Houve Marie Besnard, por exemplo, que passou alguns anos do começo do século 20 atarefada em envenenar parentes e contraparentes a fim de amealhar heranças e livrar-se de metidos. Mas não foi por maldade que Marie Besnard matou; foi por conveniência. E seus assassinatos eram limpos, nada de vísceras expostas, nada de estrangulamentos, nada de armas brancas ou empalamentos.

É que as mulheres não são movidas pela mesma agressividade que é marca do mundo masculino. Há monstros de sobra entre nós, homens. O Estrangulador de Boston, o Vampiro de Londres, o Esfolador do Reno. Há Landru, que seduziu mais de 200 mulheres e eliminou pelo menos 10 durante a I Guerra Mundial incinerando-as em um forno industrial. Além dos celebérrimos Hitler, Pol Pot, Stalin et caterva. Vasculhe as estatísticas policiais: os homicídios são, quase sempre, obra dos homens. Os acidentes de trânsito fatais, idem. A violência física, da mesma forma.

O homem é naturalmente agressivo e violento. A Civilização, no entanto, nos faz sublimar esses instintos bárbaros. Algumas formas clássicas de sublimação da nossa selvageria são: a música, as artes e… os esportes. Arrá! Eis o busílis! Os esportes! Li, como sempre leio, a Martha Medeiros escrevendo dias atrás sobre o futebol feminino. Disse, a Marthinha, que falta às jogadoras a força física que têm os homens. Falta. Mas não é a força física que torna o futebol masculino mais atrativo do que o feminino. É a agressividade. E não me refiro exclusivamente aos zagueiros truculentos ou aos volantes carniceiros. Nada disso. Porque um bom atacante é muito mais agressivo do que um zagueiro. O bom zagueiro é cerebral. O atacante, não. O bom atacante é puro instinto. Não é à toa que os grandes atacantes roçam a marginalidade. Um Edmundo, um Romário, um Ronaldo. Um Éder, um Renato Portaluppi, um Maradona. Um Heleno de Freitas, um Garrincha, um Roberto Rivellino. Os maiores atacantes em todos os tempos foram algo próximo a desajustados. Tinham de ser. Ou não seriam atacantes.

É o que falta ao futebol feminino. A ferocidade, a barbárie, a selvageria, a crueldade, a maldade, a violência, a brutalidade do mundo masculino, todas essas idiossincrasias que transformam homens em monstros. Ou em gênios.

Publicado em Interessante, ou não!,

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Sachsenhausen. Campos de concentração nazis que parecem de Luanda


Campo de concentração de Sachsenhausen
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Coordenadas: 52° 45′ 57" N, 13° 15′ 51" EHolocausto

Sachsenhausen foi um campo de concentração na Alemanha, que esteve ativo desde meados de 1936 a abril 1945. Recebeu este nome, devido à região onde se localizava. Sachsenhausen fazia parte da cidade de Oranienburg em Brandenburgo. De agosto de 1945 até por volta de 1950 Sachsenhausen serviu como um acampamento especial soviético. Foi o primeiro de una série de instalações construídas pelos nazis, para confinar ou liquidar em massa opositores políticos, judeus, ciganos, homossexuais, Testemunhas de Jeová, e posteriormente milhares de prisioneiros de guerra.

Prisioneiros
Prisioneiros, 19 Dez 1938
O campo de concentração começou a funcionar em 12 de Julho de 1936, quando a SS transferiu para lá 50 prisioneiros do campo de Esterwegen. Numa primeira fase, o campo de Sachsenhausen foi destinado principalmente a prisioneiros políticos, mas em 1938 foram levados para lá milhares de judeus, a partir de 1940, milhares de polacos e desde 1941 milhares de militares soviéticos, 18 mil dos quais foram fuzilados.

Durante a segunda guerra mundial, Sachsenhausen se expandiu num sistema de trabalho forçado em 60 subcampos, concentrados ao redor das industrias de armamentos, que utilizavam mão de obra gratuita dos prisioneiros, na região de Berlim. Os presos também foram sujeitos a experimentos médicos. Em Janeiro de 1945 havia mais de 65 mil prisioneiros em Sachsenhausen, incluindo mais de 13 mil mulheres.

Antes de sua iminente derrota, os nazis ordenaram a transferência dos prisioneiros. Oficiais da SS dispararam contra todos aqueles incapazes de caminhar. As tropas soviéticas libertaram os sobreviventes em 2 de maio de 1945, perto da cidade de Schwerin. Hoje se encontra em Sachsenhausen um monumento em memória ao prisioneiro e funciona um museu que expõe a realidade deste campo.

Com a ocupação de Berlim por parte das forças Soviéticas, Sachsenhausen tornou-se um campo de concentração soviético usado para repressão tanto da população civil como dos antigos militares nazis. Os arquivos registraram a entrada 140 mil prisioneiros durante o tempo de funcionamento do campo e reconheceram a execução de 30 mil prisioneiros, mas este número não inclui outros milhares de prisioneiros de guerra fuzilados.

Sachsenhausen sob os Nazis
Museu e barracões, 2006
O acampamento foi estabelecido por volta de 1936. Devido a sua localização aos arredores de Berlim, este campo tinha uma posição especial entre os campos de concentração alemães. O centro administrativo de todos os campos de concentração situava-se em Oranienburg, e Sachsenhausen transformou-se um centro de aprendizado para os oficiais da SS. As execuções ocorreram em Sachsenhausen, especialmente aqueles que eram prisioneiros de guerra russos.

Aproximadamente 200.000 pessoas passaram por Sachsenhausen entre 1936 e 1945. Destas umas 100.000 morreram de doença, desnutrição ou de pneumonia devido ao frio congelante. Muitos outros foram executados ou morreram como resultado de experimentação médica brutal.

Sachsenhausen sob os soviéticos
Em agosto de 1945 o Campo Soviético nº 7 foi transferido para a área do ex-campo de concentração de Sachsenhausen, onde foram mantidos os prisioneiros políticos e presidiários condenados pelo Tribunal Militar Soviético. Em 1948, Sachsenhausen, agora chamado de Campo Especial nº1, tornou-se o maior dos campos soviéticos. Entre os 60.000 prisioneiros dos 5 anos de administração russa estão jovens alemães com idades de 15 à 18 anos e pelo menos 6.000 oficiais alemães transferidos dos campos aliados. Outros presidiários eram funcionários nazistass, anticomunistas e russos, incluindo colaboradores nazistas e soldados que contraíram DSTs [1]. Valas comuns do período soviético foram encontradas em 1990, morreram pelo menos 12.000 pessoas de 1945 à 1950 quando o campo foi fechado.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A Epopeia das Trevas (41)


Um participativo escuda-se no prudente silêncio. Receia falar porque lhe podem atirar o primeiro pedregulho da incompetência. Os convivas atiçam-no, então descongestiona a perda de coragem da garganta, refina o espírito, evidencia-se e reprova a turma do deixa-disso:
- Os Jingola querem rever os estatutos da fome. Os políticos falam bué, muitos comícios, muitos debates, chuvas de palavras, seca alimentar. Fome canina de vento desabrigado. A fome supera os caudais oceânicos. Os lucros dos bancos sobem, a fome também. Palavras… dar o dito pelo não dito e os reditos maldosos aterram-se, vítimas da sua maldade. Políticos que sorteiam justificação, todos são deuses, daqueles inacessíveis.

O contumaz orador sentiu a boca colar-se. Era um esforço desabituado, contaminado pelo pó tempestivo que inundava a cavidade bucal. Solicitou água mineral, só havia desmineralizada devido às constantes fervuras. A garganta arranhava-se, entupia-se, congestionava-se. Na aflição qualquer água serve. Fez um sorvedouro, uma goleada de goles. Com a garganta reparada desfilou a temática.
- O cortejo feudal do caudal automóvel outonal, luxuário do descrédito actual, envergonha o solo habitual da pobreza mortal. As vestais auguram aos príncipes encantados que o rei dos canhões anunciará eleições. Serão flageladas em 1132, 1133, 1134. Desflorestadas em 1135, 1136, 1137. Desacostumadas em 2009, 2010, 2011, 2012. Aguardadas pela Renascença, abandonadas pelo Barroco. A nossa diferença reside em que não podemos ter ideias diferentes. Quem não está preparado para governar, que vá caçar… gralhas. Urge um bom realizador que grite: CÂMARA! ACÇÃO!

A geratriz das ideias expõe o fervor ideológico. Perde-se o senso moral, abandona-se o bom samaritano. O perigo da política sectária acirra e confronta os espíritos, anima a imersão de conflitos civis. Quando um dos lados está contra tudo e todos, o poder salta-lhe à vista. Os anarquistas omnipresentes lançam poeira nos olhos incautos.
- Há alguém que consiga fugir da prisão preventiva das cidades? Que não se canse de fazer amor, sempre com a mesma mulher?
- Eleições, com biliões? Quando a bondade se vê e deseja…é escarcéu… os Órfãos e os do Politburo são guerreiros, a eleição será pautada à paulada, cacetada. Se os Órfãos ganharem, os Politburo amarram o jogo, vão virar o resultado. Aliançados com grandes negócios, não darão as costas a midas. Se os Politburo perderem – têm que ganhar – os militares estão lá para resolver, para decidir a contenda favorável aos Politburo. É assim que sobrevive uma nação guerreira, com o seu líder eterno colocado nas nuvens. Com ar de mistério no mar desencontrado.
- A espada da barbárie de Urundi suspensa.
- Para cada quadrilha de malfeitores há sempre um herói. Como Bat Masterson e Wyatt Earp, o panteão da história lembra-os.
- Na história da caubóiada.
- Nas leis da História. Os heróis são necessários, entram em acção e repõem a legalidade.

O receio da cólera feria as mentes, congestionava as vias públicas. A cólera é pungente porque o poder não se sente. É sonho diurno. A lábia dos boca a boca interrompeu-se. Radiodifundia-se actualização do vibrião.
- Aguentem a cavalaria! Vai sair locução dos números epidémicos.
- Muda para a Rádio do Oráculo, a outra faz desconto.
- Já está! Deixem radiar.
Rádio Oráculo. Números da cólera…quarenta e dois mil infectados e mil e seiscentos mortos.
Mais informação com o nosso correspondente:
… Desencontro-me no desertus mirabilis. O barqueiro Caronte tem a situação controlada. Desviou um afluente do rio Estige que inunda o desertus mirabilis. As vítimas excedem-se. Os defuntos progridem com os vivos. Estes, para escaparem dos fluidos de Caronte, saltam pelas janelas do hospital, que parece o anjo da morte Mengele. O cheiro dos cadáveres é insuportável. Há mais de um mês que as autoridades locais guardam silêncio. A cólera espalha-se como uma invasão de gafanhotos. Quem divulgue informação do que se passa, as autoridades ameaçam com tribunal ad hoc. No momento em que vos falo, os Politburo montam-me guarda. Dizem que vão cursar-me tratamento de choque informativo. Que tempos coléricos estes. Ó da guarda! Digo adeus ao mundo.
- Mentor…
- Minha Jasmim, a cólera encoleriza os cegos de espírito.

O Cavaleiro do Rei (50). Novela


Amarram-nas de pés e mãos e deitam-nas em camas. As pernas bem abertas. Torque pega nos micro-biquínis Chanel das meninas e cheira-as com prazer.
- Ah!.. que delicioso perfume divino.
- Por favor não nos engravide, porque depois não nos dão emprego, ou correm com a gente de casa.
- Digam lá, o que foram fazer na manifestação?
- Eu só queria um telemóvel.
- Eu queria apanhar-lhe a casa.
- Eu queria calças dessas da moda.
- Eu queria emprego e…
- Calem-se, calem-se, já chega. Que chatas!.. noviças comecem a tortura.
Pegam em dois cubos de gelo com as mãos. Um é passado lentamente pelos mamilos, o outro acaricia o clítoris. Ouvem-se gemidos de prazer.
- Ai meu Deus, quero ser torturada! Torturem-me muito, mexe mais rápido porra.

Torque vai dar uma ajudinha aos treze desgraçados que aguardam a ordem de execução. Faz um gesto. Vem treze panelas com água a ferver que são colocadas por baixo das cadeiras. Os jovens ficam muito aborrecidos.
- Ditadores agora usam panelas de feitiço?! Viraram feiticeiros?!
- Por ora é assim apenas um quentinho. Da próxima vamos cozer as vossas pilas. Manifestações só a favor do rei. Por agora acabaram-se as torturas. Pessoal, carreguem-nos para o sistema de identificação dos republicanos. Depois vigiem-nos dia e noite.

Para surpresa de Torque as jovens não querem sair. Uma quase desmaiada de prazer titubeia:
- Nunca tive uma tortura que me desse tanto prazer. Esta prisão é deliciosa. Vou dizer às minhas amigas que façam manifestações.
Outra manifesta contestação.
- Vou fazer um bom guisado com o teu caralho, juntar-lhe-ei muito jindungo. O meu namorado La Padep vai emocionar-se e confessar que nunca comeu nada igual.
- La Padep? Para esse temos uma tortura que nunca se viu em qualquer tempo. Ler dez mil vezes o nosso programa mínimo e maior, o eleitoral e o especialmente no desenvolvimento da agricultura… acabará por enlouquecer.
- Não! Não! Por favor! Tudo menos essa tortura abominável!
- Está bem... dou-te uma alternativa.
- Qual?
- Copiares os discursos dos nossos dirigentes durante os mais de trinta anos de reinado.

A jovem não resistiu. Sentiu vontade de vomitar, sufocou-se. Torque acudiu-lhe.
- Calma, calma. Dou-te um castigo mais suave. Assistires aos noticiários da TPA, RNA e LAC reais… irreais.
- Nunca, jamais! Prefiro mil vezes a morte!
- Assim seja. Republicanos, como são difíceis. Não entendo porque não se submetem à nossa vontade. É uma questão de tempo, vereis.