sábado, 19 de setembro de 2009

Terezin. Campo de concentração nazi que parece de Luanda




Homenagem a uma mulher israelense: alma rosé

regente-heroína sob o signo do holocausto

A música não era sagrada para o regime nazista. Mesmo nos campos de extermínio ela era meio de diversão, elemento tranqüilizador e álibi para o regime. Mas também a possibilidade de fuga interna e forma de protesto.

O campo de concentração Terezin (Theresienstadt) ficava a 60 quilômetros da capital da então Tchecoslováquia, Praga. Para dezenas de milhares de prisioneiros tratava-se de uma estação de passagem para as câmaras de gás de Auschwitz. Para o regime nazista, era chamado de ‘campo-modelo’. De início, toda e qualquer atividade artística era punida com a morte. O que não impediu muitos condenados de inventar todo tipo de artifício para não se separar de seus instrumentos. Um violoncelo – grande demais para passar despercebido – era, por exemplo, desmontado, e, uma vez dentro do campo, o músico voltava a colar suas partes. Com esses instrumentos contrabandeados, realizavam-se concertos secretos nos porões ou sob os telhados de Terezin.

Logo, os mentores do holocausto perceberam como explorar até mesmo a energia artística ‘ilegal’ dos sofridos detentos. Exibir a rica atividade musical em Terezin era uma forma de provar à opinião pública que as notícias sobre os horrores dos campos de concentração não passavam de propaganda dos inimigos do nacional-socialismo, legitimando as atividades do regime. O fato de cada vez mais atores, diretores, cientistas e músicos serem confinados aos guetos garantia produção musical de alta qualidade em Terezin.

Uma ópera infantil, ‘Brundibar’, de Hans Krása chegou a ser utilizada pelos nazistas como instrumento de propaganda. Os ensaios da ópera infantil composta em 1938 realizaram-se num porão, acompanhados por piano, ou apenas por um acordeão. Dependendo de se os músicos podiam permanecer ou se eram subitamente transportados para Auschwitz, havia por vezes uma pequena orquestra. Apesar de tudo, cantar a ópera, ainda que por alguns momentos, era como um reencontro com a infância roubada. ‘Brundibar’ foi executada 55 vezes em Terezin, porém a maioria dos participantes não sobreviveu.

No campo tchecoslovaco, não apenas se executava música, como também se compunha intensamente. Entretanto, em 16 de outubro de 1944 quase toda música emudeceu em Terezin. O trem de transporte ER 949 levou Peter Deutsch (ex-regente da Orquestra Real de Copenhague), o libretista Leo Strauss e compositores como Pavel Haas, Viktor Ullmann, entre outros, para Auschwitz. Os mais idosos, como Hans Krása, autor de ‘Brundibar’, foram diretamente para a câmara de gás, após o desembarque.

O próprio campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia, possuía uma orquestra feminina, com cerca de 50 instrumentistas, entre 17 e 20 e poucos anos de idade, sob a regência de Alma Rosé, além de outras dez, que copiavam as peças a mão. Para que música na sala de espera da câmara de gás? Para os de fora, a existência dessa orquestra era um álibi, a falsa prova de que os internos viviam em condições humanas. Mas também não faltavam verdadeiros melômanos entre os oficiais da SS, entre eles o abominável Dr. Josef Mengele, apelidado o ‘Anjo da Morte’, extremamente musical e que, mesmo durante o exílio na América do Sul, não deixava de freqüentar concertos. Outros, como Adolf Eichmann, exigiam entretenimento durante a inspeção dos campos.

As musicistas eram confrontadas diariamente com uma amarga tarefa: cronicamente subnutridas, executar música de forma convincente, para os assassinos de suas famílias e amigos, e possivelmente seus próprios futuros algozes. Um precário prolongamento da vida, que podia acabar numa nota mal tocada.

Apesar dos relativos privilégios de que gozavam as instrumentistas, música era acima de tudo uma forma de trabalho forçado em Auschwitz, envolvendo de 10 a 12 horas diárias de ensaios. Além disso, a qualquer hora um oficial podia resolver escutar sua melodia favorita, e neste caso as mulheres tinham que estar sempre a postos. Outra cruel função da orquestra feminina era tranqüilizar os novatos, que acabavam de chegar ao campo após a viagem no vagão de carga de um trem. Nesse contexto de vida ou morte, a figura da regente Alma Rosé toma proporções de heroína. Com enorme habilidade psicológica, ela conseguiu durante anos, manter o difícil equilíbrio entre o rigor necessário à disciplina da orquestra e o calor humano indispensável à sobrevivência mental de cada uma das mulheres sob a sua batuta. Até hoje, algumas das musicistas de Auschwitz afirmam dever a vida a essa mulher. (por augusto valente)

http://fazendoestrelas.blogspot.com/2009_01_01_archive.html

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Afundem o Bismarck. “ O Caso das Escutas”


Se a conversa é sempre a mesma e não se passa para a acção, então tudo não passa de infantilidade, não tem qualquer valor.
Estas coisas de andarem por aí com escutas é o querer, o regressar do nazismo e do estalinismo. E habituam-se de tal modo que depois já não conseguem parar. Tão viciados estão que só desejam escutar! Escutar! Matar! Matar!

Se fosse instituído o campeonato da incompetência Portugal ganhá-lo-ia sempre invicto. É como os povos colonizados, saem uns logo entram outros. E nada melhora, muito pelo contrário tudo piora. Tudo está mais acessível, rapina-se com uma velocidade nunca vista.

Que valor tem um general sem soldados? É como um livro sem páginas.
Enquanto os gananciosos e corruptos usurparem o poder, nunca haverá democracia. Um poder infestado de mentirosos e imunes, que afrontam, desonram a Lei e arrogam-se democratas. Esvai-se é tudo tumultuando inquestionavelmente.

Escondo-me das dores de Portugal. Portugal é baluarte firme da mentira e da hipocrisia na Europa. É como a religião que é o acto subtil de escravizar povos.

ALTO HAMA

«Os Serviços de Informações de Segurança (SIS) de Portugal (ou será – para não estar sempre a falar do Burkina Faso – da Serra Leoa?) em comunicado repudiam as declarações do director do Jornal “Público”, José Manuel Fernandes, e negam qualquer intervenção na difusão do e-mail no qual um dos seus jornalistas avança com o nome de Fernando Lima como a pessoa que liderou o «Caso das Escutas».

Calada a inimiga pública número um (Manuela Moura Guedes da TVI), o primeiro-ministro, José Sócrates, disse à SIC que não fará comentários sobre esta matéria: “Li a notícia mas esta não é a altura ideal para comentar. Estou em campanha eleitoral e é nisso que me concentro”, sublinhou o também secretário-geral do Partido Socialista.

Na base deste caso está a alegada autoria de Fernando Lima, antigo jornalista do Jornal de Notícias e assesssor do Presidente da República, Cavaco Silva, como responsável pelo «Caso das Escutas», de acordo a edição de hoje do “Diário de Notícias”.

O jornal diz que Fernando Lima revelou ao jornal “Público” que suspeitava estar a ser espiado pelo Governo. E assim, de suspeita em suspeita, se vai fazendo a vida do reino lusitano.

O encontro entre Fernando Lima e Luciano Alvarez, do “Público”, terá acontecido em Abril deste ano, num café em Lisboa, no qual o jornalista recebeu um dossier com a informação.

Posteriormente Luciano Alvarez enviou um e-mail ao correspondente do “Público” na Madeira, Tolentino Nóbrega, que é publicado hoje no “Diário de Notícias”, no qual conta toda a história: O Presidente da República achava que José Sócrates o andava a espiar e que por isso tinha enviado numa visita de Estado à Madeira um elemento do Ministério da Administração Interna para espiar os passos do Presidente.

No e-mail o jornalista do “Público” diz ainda que é mais seguro falar por e-mail com Fernando Lima do que pelo telefone, uma vez que alegadmente os telefones da Presidência estariam sob escuta.

Recorde-se que o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã já tinha revelado no dia 9 de Setembro que este “Caso das Escutas” havia surgido de Belém através da pessoa de Fernando Lima.

José Manuel Fernandes disse esta manhã à Rádio Renascença que o e-mail que hoje é publicado no “DN” foi forjado e que ninguém dentro do “Público” enviou o e-mail para o exterior.

“'Se ele parece fora dele e simultaneamente em, pelo menos, três órgãos de informação diferentes é por que houve uma intrusão no nosso sistema informático e uma colocação a seguir dessa troca de mails - com eventual truncagem de passagens de um dos mails com objectivos que eu só posso considerar políticos”, disse à RR José Manuel Fernandes.

O director do “Público” acrescenta ainda que '”isto é uma actuação típica dos serviços de informação e serviços de comunicação de imprensa”, e admite que o SIS possa estar envolvido nesta matéria, algo que entretanto foi desmentido em comunicado.

Conclusão? Muita parra e pouca, ou nenhuma, uva. Desde logo porque, ao contrário do que seria de esperar, os «macacos» desta história não estão nos galhos certos. E quando assim acontece (e acontece muitas vezes), os produtores de conteúdos continuam a dizer tudo o que lhes mandam dizer.

A convivência entre os diferentes poderes na Serra Leoa, perdão, em Portugal, não tem sido fácil. O suposto Estado de Direito democrático em Portugal ainda é, apesar dos anos, um feto que tarda em nascer.

É claro que o «quero, posso e mando» que hoje está instituído por essas Redacções fora, apenas serve quem entende que o jornalismo é uma mera forma de propaganda. Propaganda sobretudo político-económica. E é nesse contexto que deve ser entendida mais esta farsa protagonizada por bons bordeleiros.

Seja por via de assessores mais ou menos anónimos, seja por fontes bem colocadas mas igualmente anónimas, (quase todos) os Jornalistas são comidos à grande e à francesa com a conivência activa de muitos que trabalhando nas Redacções não passam de néscios a quem foi dado o poder de um capataz.

E, de facto, aos jornalistas falta-lhe cada vez mais autoridade moral para contestar o que quer que seja. Se todos podem ser jornalistas, se os jornalistas podem ser deputados, assessores de políticos, publicitários etc. nada mais é preciso para que o bordel esteja completo.»

Imagem: http://www.chargeseditoriais.com/

Divagações do Politburo 18Set09


Jornal de Angola 12 de Setembro de 2009

Maior responsabilidade para o poder local
Administradores vão ser eleitos

Auto-emprego
Jovens do Bié têm crédito e ferramentas de trabalho

Kuando-Kubango
Guerra foi criada pelo “apartheid”
- Afirma comandante das Forças Armadas

Editorial. A importância da educação
Foi boa a ideia de instalar instituições de Ensino Superior em várias regiões de modo a evitar assimetrias. Daqui a alguns anos Angola pode orgulhar-se de ter um número considerável de quadros nacionais suficientes para responder aos desafios.

Uíge
Milhão e meio de kwanzas para o OGE

Comunicado
Pede-se a quem encontrar passaportes: Yezhang Chang e Cai Changem

Luena
Distribuição de água no Luena com novo sistema de captação

Administração municipal do Cazenga toma medidas contra o comércio ilegal.

Kuando-Kubango
Assaltante linchado por populares

Malanje
Direcção da Cultura estuda regras para combater a poluição sonora









Stutthof. Campo de concentração nazi que parece de Luanda


Varsóvia, Polônia, 1932
Depois que os alemães invadiram a Polônia em 1939, a família de Dora fugiu para Vilna, na Lituânia. Quando os alemães ocuparam Vilna, o pai de Dora foi baleado e o resto da família foi para o gueto de Vilna. Dora, sua irmã e sua mãe foram deportadas para o campo de Kaiserwald na Letônia e, em seguida, para o campo de concentração de Stutthof, próximo a Danzig. Sua mãe e sua irmã morreram em Stutthof. A própria Dora foi baleada antes da sua libertação, mas ela sobreviveu.

Sim, nós fomos punidas em Stutthof por--eu ainda tinha a minha mãe e a minha irmã, e nós fomos punidas por três mulheres que escaparam do campo. Sabe, recentemente estive em Auschwitz e vi os arames, e os fios de eletricidade e tudo voltou à minha mente naquele momento. Eu ainda não entendi como elas fizeram para escapar. Realmente não entendo, porque em cima... os fios de eletricidade nem sempre estavam ligados, mas quando viam alguém se aproximando demais ou tentando tocá-los, eles ligavam e elas morriam.

Agora, como estas três mulheres não foram atingidas pelos fios elétricos, eu não sei. Mas elas escaparam. Eles não conseguiram encontrá-las. E nós fomos punidas, ficamos nuas durante doze horas no frio e o castigo adicional foi: eles levaram quatro ou cinco mulheres, não me lembro quantas mulheres, e, na frente das outras--ficamos em uma fila, sabe--eles estupravam de um modo que eu nunca havia lido ou visto em lugar algum, nem mesmo em filmes ou na televisão, e sabemos quanto a programação da televisão é ruim, com todos os tipos de histórias.

E ver mulheres jovens serem estupradas por homens com pedaços de pau, e...e minha mãe estava perto de mim e ela colocou as suas mãos nos meus olhos, [para que] eu não deveria ver uma relação sexual pela primeira vez. Eu nunca havia visto uma relação sexual.

http://www.ushmm.org/wlc/ptbr/media_oi.php?MediaId=902

Imagem:
http://citadino.blogspot.com/2009/04/deportacao-dos-judeus-hungaros-parte-2_24.html

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A Epopeia das Trevas (47)


- Vencido no jogo ebriático do álcool mas não convencido. Para liquefazer… escrever, dizem que é importante ter um estilo e utilizar metáforas. Quando inventaram a pólvora diziam a mesma coisa. Na era do nuclear, inventaram outras contendas. No tempo em que o pensamento domine a matéria, não gostarão dos raios luminosos extraordinários: «porque o tom azulado deste pensamento está muito carregado, a tonalidade daquele pensamento rosa está demasiado clara, o matiz desse pensamento vermelho foge à cor do sangue.» Os editores continuarão a perseguir-nos, dirão: «o estilo e a metáfora das cores não tem harmonia na estrutura, falta-lhes carácter». Sempre escravos da vontade deles. Estes são os verdadeiros ditadores benévolos. Só a sua ponderabilidade é imanente. Enfim, nenhum poder que se preze apoia intelectuais. Nos intelectos reside o prazer da resistência vital. Quem disser que a escravatura acabou é um sonhador. A democracia dos escravos é a revolta.

Ulisses mergulha a mente, docemente nos mares espumosos, superficiais cristais oceânicos. Sucede-se uma praia que se deleita com a nudez horizontal de Penélope. A ondulação melodiosa sobe e desce transparecendo a areia que encosta, refrescando o desejo da fremente epiderme. Penélope senta-se, enche as mãos de areia e passa-as pelos seios que avolumam, depois afunda-as na púbis, na vagina da leal ausência. Olha longínqua para o infinito oceano, e desprende-se:
- Meu esposo, nos mares onde navegas é fácil enfrentares a fúria das ondas. Em Ítaca não suporto as ondas da intempérie humana que me perseguem. Os dias passados são perdidos, irrecuperáveis. Tudo muda. Só o bater das ondas do mar permanece imutável. Se as pessoas fossem assim…
Ulisses cheio de vocação na terra emocionada usa o cansaço da rouquidão.
- Mas não são, nunca serão!
- Mas gostam dos momentos dessas semelhanças… conduzem-se como focas.
- Conduzem-se como loucos, vivem em carros loucos, em loucas estradas, que se altercam loucamente. Destarte é a civilização.

No barco, cinco homens do serviço de estrangeiros aguardavam-nos pacientemente. Mentor e Ulisses percebem a trapalhada da incongruente vadiagem estacionária. Um, cozinha as palmas das mãos em banho-maria, retempera-as pronto a servir-se. Soturno, explana manhoso:
- Nós facilitamos a entrada ilegal de estrangeiros, para depois à saída facturarmos.
Com dolo determinado exigiram cinco mil dólares. Mentor demoveu-os numa baixada de dois mil.
Mentor e Ulisses estão a bordo. Mentor convida-me:
- Vem! Tu e nós na patera, rumo a Gomera… depois Ulisses deixa-te em Ítaca.
E fui.

A Natureza continuava a pintar com tinta de água. Os seus pincéis pareciam violoncelos nos vidros da janela. A água corria, parecia que tinha pressa em chegar ao seu destino. Queria distrair-me, e a distracção é a corrupção da mente.
Andar à corda, a cirandar sem trigo para joeirar… a fome é uma questão política. Os políticos dividem os trigais entre si. Nas ruas, os vendedores revendem as sobras do PIB. Esta vida tresanda a bebida. Lembra, incontestável campeonato de barris de pólvora alcoólica, fermentada na imensidade inquisitorial. Paira, ressente-se o provável canto monótono do regresso às armas, à morte, à destruição.
Exportadores de petróleo, importadores de álcool. Escravos clonados no sono, do sonho escravo de dezoito quilombos. Frustrados no aroma pantanoso da liberdade. Sem formação, o escravo liberto prossegue na escravidão. Submisso no céu inundado de nuvens negras do FMI.

O Cavaleiro do Rei (57). Novela


A coisa pegou a sério. Nas outras cantinas de rua criaram-se concursos semelhantes. Tornava-se necessário existir um órgão centralizador. Numa reunião geral o Frequentador propôs a criação do Comité Miss Jingola que foi aceite. Os prémios subiam. Criou-se um comité especial que circulava pelas ruas a observar qual era a zungueira mais bonita. Tinha um prémio de mil dólares. O desfile passou a ser semanal. Nas cantinas de rua o prémio subiu para cinquenta mil dólares. Aboliu-se o desfile nu porque as desgraçadas chegavam em casa e apanhavam surra dos maridos e namorados ciumentos. No fim de um concurso alguém propôs à vencedora que no futuro contavam com o patrocínio de um casebre. Ela não concordou e protestou indignada:
- Dessas da nova vida, dos zangos e da patriotada que acabaram de ser construídas e estão a cair aos bocados… não!!!

As zungueiras andavam mais bonitas que nunca. Sempre à espera de um prémio. Metiam inveja a muita boa gente. O Comité entrou em contacto com outros países para criar o Miss Zungueira Universal. Todas queriam participar, esfomeadas não faltavam, especialmente as do Níger, Sudão Mali etc. Era óptimo para mostrar a verdadeira beleza da Mulher Jingola. Todas se preparavam com ansiedade para disputarem o concurso e ganhar a coroa universal.
A marquesa das Mulheres Abandonadas levou esta pretensão ao cavaleiro Epok. Pediu a sua opinião.
- Nobre Epok, estas gajas estão a ir longe de mais, que faço?
- Nobre marquesa, acha que devo preocupar-me com isso? É apenas um assunto de mulheres… decidam vocês.
- Cavaleiro… estou aqui em nome da centralização dos poderes.
- Está bem mas nada de exageros. Por este andar quando quiserem fazer amor com os maridos vêm aqui solicitar autorização.
- Isso é que é um puro exagero!
- Cara marquesa recomendo que consulte o Comité da Misse Politburo.
- Concordo, é de facto o órgão propositado.

No dia seguinte saiu um despacho que teorizava:

DESPACHADOS

Considerando que a pretensão do Comité Miss Zungueira Universal é ilegal, indigno e antipopular, senão vejamos:
1- Ilegal porque não preencheram os requerimentos que a Lei manda. Um deles, fundamental, exige muita coragem para o obter. São necessários pelo menos doze meses de espera. Só isso desmotiva o mais corajoso.
2 - Indigno porque não aceitamos analfabetas, porcas e pobres esfomeadas a viverem em casebres com a pretensão de representarem o Reino. Que pensará de nós a comunidade internacional? Vão fazer-nos mais chacota. Só sabem é despirem-se, vestirem-se… não sabem.

A vingança do Frequentador não se fez esperar. Reuniu com as zungueiras e deu-lhes a conhecer.
- Já sabem não é?! Fomos ilegalizados!!!
- Sim… sabemos.
- Vamos criar um novo concurso. A Miss Zungueira Alcoólica.
Como os prémios eram tentadores as bonitas jovens passaram a beber. O prémio principal era vinte caixas de cerveja. Eis aqui a origem do alcoolismo nas jovens Jingola. O Santo Ofício confiscou o Frequentador e deportou-o para o vice-reino do Namibe. A acusação era simples: apelo à violência, ideias republicanas e ofensas à dignidade da mulher abandonada.

Imagem: Angola em fotos

Os Templários, esses grandes senhores de mantos brancos. Os seus costumes, os seus ritos, os seus segredos (5)


MICHEL LAMY

Multidões cada vez mais numerosas puseram-se a caminho de Jerusalém. A cidade pertencia aos califas de Bagdá e do Cairo que permitiam o livre acesso aos peregrinos. Mas tudo mudou quando os Turcos se apoderaram de Jerusalém, em 1090. De início, contentaram-se com vexar os cristãos e, por vezes, espoliá-los, infligindo-lhes humilhação atrás de humilhação, obrigando-os a executarem gestos contrários à sua religião. De escalada em escalada, a situação agravou-se: houve execuções, torturas. Falou-se de peregrinos mutilados, abandonados nus no deserto. De Constantinopla, o imperador Alexis Comnène lançara o sinal de alarme.

Libertar Jerusalém
O Ocidente emocionou-se. Não podia tolerar-se que os peregrinos fossem mortos. Não podiam deixar-se os lugares santos nas mãos de infiéis. O ano 1000 passara, mas...
Pedro, o Eremita, que assistira, em Jerusalém, a verdadeiros atos de barbárie, regressara muito decidido a erguer a Europa e pôr os cristãos no caminho da cruzada. Viram-no percorrer distâncias consideráveis, montado na sua mula, a que a multidão arrancava as crinas aos punhados, para com elas fazerem relíquias. Quando Pedro, o Eremita, passara por algum lugar, os espíritos encontravam-se inflamados; homens, mulheres, crianças, mostravam a impaciência de tudo deixarem para se dirigirem a um único destino: Jerusalém. E, uma vez lá, se veria o que se fazia...
Do lado dos senhores notava-se um pouco mais de prudência na atitude. Mais razão, sem dúvida, mas também mais a perder: as terras que já não seriam protegidas, os bens que poderiam atrair cobiças, etc.
A 27 de Novembro de 1095, o papa Urbano II pregou num concilio provincial reunido em Clermont. Proclamou: «Cada um deve renunciar a si mesmo e carregar a cruz.» O sumo pontífice via aí também uma ocasião de meter na ordem esses leigos que se espojavam na luxúria e brincavam aos arruaceiros. Ir libertar Jerusalém seria o caminho da salvação.
Aos milhares, os peregrinos haviam cosido sobre as suas vestes cruzes de tecido vermelho, que viriam a valer-lhes o nome de cruzados. Inicialmente, foram os pobres, os mendigos, os famintos, que quiseram libertar Jerusalém, metendo-se ao caminho em bandos andrajosos que gritavam «Deus assim o quer!» E aqueles que não partiam faziam dádivas para que os outros tivessem com que sobreviver, durante a viagem. Alguns tomavam a decisão obedecendo a um impulso, a um sinal: uma mulher seguira um ganso que deveria levá-la à Cidade Santa.* Foram também referidos pássaros, borboletas e rãs que se pensava mostrarem o caminho.
* Há que ver aí uma similitude com o jogo da glória ou do ganso e o jogo da semana, que conduziam ambos ao Paraíso ou à Jerusalém celeste (cf Michel Lamy, Histoire secrète du Pays Basque, Albin Michel).
Pedro, o Eremita, e o seu lugar-tenente, Gauthier-Sans-Avoir, arrastavam atrás de si uma turbamulta heteróclita que começou a sua cruzada matando os judeus do vale do Reno e pilhando os bens dos camponeses húngaros. Chegaram a Constantinopla no sábado de Aleluia de 1096. Foi o início do fim. Na Ásia Menor, depois de Civitot, uma parte desses cruzados mal armados que não sabiam combater foi massacrada. Os sobreviventes pereceram quase todos de fome ou de peste, em frente à Antioquia.
Estes últimos viram chegar então - melhor seria dizermos, por fim - o exército dos cruzados, o dos homens de armas que tinham acabado por seguir o exemplo dos mendigos. Fortemente armados, determinados, esses guerreiros apoderaram-se de Antioquia. O objetivo final estava próximo: Jerusalém, terra prometida. Os cantos elevaram-se mal avistaram as muralhas da cidade. Deixou de haver mendigos e nobres, restando apenas cristãos em êxtase, maravilhados com a sua façanha.
A 14 de Julho de 1099, a tropa pôs-se em movimento e atacou a cidade. Jerusalém foi conquistada, num fogoso ímpeto, logo na manhã do dia 15.
No entanto, os cruzados não eram santos. De passagem, tinham pilhado e violado, a ponto de os cristãos orientais se terem visto forçados a refugiar-se junto dos Turcos: inconcebível. Em Jerusalém, também se não comportaram com uma caridade digna de nota. Inúmeros muçulmanos tinham-se refugiado na mesquita Al-Aqsa; os cristãos desalojaram-nos e fizeram uma hecatombe. Um cronista anotava: «Lá dentro, o sangue chegava-nos aos tornozelos», e Guilherme de Tiro precisava: A cidade apresentava um espetáculo tal de carnificina de inimigos, uma tal efusão de sangue, que os próprios vencedores se sentiram chocados pelo horror e a repugnância.
Durante uma semana, sucederam-se os massacres e combates de rua, até o odor do sangue provocar náuseas.

Imagem: http://www.los-templarios.com.ar/Templario001.jpg

Sobibor. Campo de concentração nazi que pode muito bem ser de Luanda


Tudo pelos meus filhos
Foto Ilustrativa

Primeiro vieram os tiros, depois os gritos estridentes e, finalmente, o silêncio da morte. Mais tarde, entre cochichos na barraca das mulheres, descobriu-se que se tratava de uma tentativa de fuga de alguns prisioneiros do campo.

Edição 33 - Junho de 2001

Tempos depois, Esther ficou sabendo que Yidel, seu querido irmão e único sobrevivente na família, estava naquele tiroteio. Seu mundo desabara; agora só restava ela. Dois anos antes, quando o pesadelo de Hitler começou na Polônia, seus amados pais haviam sido mortos a sangue-frio pelos nazistas. Yidel, quatro anos mais velho que ela, passou a ser seu pai e sua mãe, um porto seguro durante a difícil vida no campo de concentração. Agora ele se fora. Ela tinha vinte anos e estava completamente sozinha. “Ele morreu como um herói”, tentava se consolar. “É melhor morrer com um tiro nas costas do que na câmara de gás”.

Ao descobrir que iria ser transferida para o campo de morte de Sobibor pensou que seu destino seria a câmara de gás. Até então, Esther tivera bastante sorte. Durante os últimos dois anos, vinha sendo transferida de um campo para o outro, mas todos eram “campos de trabalho”, onde os presos trabalhavam como escravos para os nazistas, existindo, assim, a possibilidade de sobreviver. Mas Sobibor, assim como Treblinka e Belzec, era um campo de extermínio.

Ao ser transportada para Sobibor, Esther sabia que seu fim estava próximo. Estranhamente, porém, ao entrar pelo portão principal de Sobibor, sentiu esperança no coração, e não desespero. “Você vai fugir deste lugar”, uma voz interior lhe dizia. Aquela certeza permaneceu dentro de si, mesmo após ter visto a cerca eletrificada, os guardas armados nas torres e os ferozes cães de guarda com seus caninos afiados.

Sobibor não era somente uma “fábrica de morte”, era também o lugar onde moravam os nazistas que “trabalhavam” nos campos. Assim sendo, eles requisitavam pessoas qualificadas para satisfazer suas necessidades e para manter o campo. Às vezes, chamavam marceneiros e dentistas. Outras vezes, quando estavam entediados, músicos, cantores e dançarinas.

Um dia, os nazistas procuraram quem soubesse tricotar. Das oitocentas pessoas que chegaram a Sobibor naquele dia, Esther foi uma das sete escolhidas. “Acabarão nos substituindo”, uma das mulheres sussurrou. “Ninguém sai vivo daqui. Temos que fugir!”

Assim que Esther chegou ao campo, juntou-se a outras mulheres que planejavam fugir daquele inferno. A fuga de Sobibor ficou historicamente famosa por ter sido a maior fuga de prisioneiros de um campo de extermínio durante toda a Segunda Guerra Mundial.

Na véspera da fuga, Esther despediu-se daqueles que haviam optado por ficar. Muitos estavam extremamente doentes, outros com medo. “Não vamos conseguir”, pensava Esther enquanto se despedia. “Mas melhor um tiro nas costas do que morrer nas câmaras de gás”.

Naquela noite, apesar da apreensão, ela adormeceu, e no sonho viu sua mãe, falecida há mais de dois anos, que entrava pelo portão principal de Sobibor. “Mama”, gritou chocada. “O que você está fazendo aqui? Você não sabe que vamos fugir amanhã?” – “Eu sei”, respondeu sua mãe. “É por isso que vim. Estherle, eu vim para dizer que você vai conseguir! E eu vou lhe indicar o lugar para onde deve ir quando fugir”. Sua mãe a pegou pela mão, fê-la passar pelo portão, levando-a até um celeiro. Fazendo-a entrar, disse com firmeza: “Você virá para este lugar e aqui, sobreviverá”. Dito isto, a mãe desapareceu.

Esther acordou assustada e, tremendo, sacudiu a mulher com quem dividia a barraca. Contou-lhe o sonho. Mas esta não se impressionou. “Isto não quer dizer nada; esqueça”. Mas Esther não se importou com as palavras desencorajadoras de sua companheira e prometeu a si mesma: “Se, por milagre, eu sobreviver, não descansarei até achar o lugar que minha mãe me mostrou!”

No sonho, Esther havia reconhecido o celeiro. Conhecia o lugar muito bem. Na infância, naquele mesmo lugar, tinha rolado na palha e brincado de “pique-esconde” com seu irmão. O celeiro ficava na propriedade de um fazendeiro cristão, amigo de seu falecido pai, um homem bondoso que vivia a dezoito quilômetros de sua cidade natal, Chelm.

Mas Chelm estava ocupada pelos nazistas. “É para lá que você fugiria?”, perguntou, incrédula, a companheira. “Você deve estar louca... Vai se jogar nos braços do inimigo. Antes morrer aqui.”

Mas Esther estava firme em seu propósito de chegar até o celeiro, se conseguisse escapar. “Minha mãe não apareceria à toa no meu sonho. Se ela me disse para ir ao celeiro, deve ter uma boa razão”.

Na manhã de 14 de outubro de 1943, trezentos prisioneiros de Sobibor, empunhando armas contrabandeadas por simpatizantes, rebelaram-se, rendendo guardas e cortando os fios elétricos da cerca. A fuga se iniciava. O caos tomou conta do lugar. Centenas de prisioneiros pulavam a cerca, sob o fogo dos guardas, que atiravam sem parar. Ao saltar para a liberdade, Esther foi atingida, mas não parou de correr. Mancando e com sangue jorrando da cabeça, correu em direção à floresta. Sempre temera ser atingida pelas costas. Na hora da verdade, aquilo lhe parecia insignificante. Mesmo enfraquecida pela fome e pelos ferimentos, não se deixou abater.

Encontrou um grupo de partisans a quem se juntou, por algum tempo, enquanto recuperava parte de suas forças. Escondiam-se, de dia, avançando durante a noite. E quando a fome e a sede imperavam, batiam nos casebres onde eram atendidos por caridade. Os partisans imploraram para que Esther ficasse com eles, já que não era seguro perambular sozinha pelas matas. Queriam-na parte de seu grupo e de sua causa. Mas nada a podia deter. Irredutível, tinha que encontrar o celeiro que vira em seu sonho. E o encontrou, duas semanas mais tarde.

Em meio à densa vegetação, avistou o que procurava tão tenazmente. Assegurando-se de que o celeiro estava vazio, subiu a escada e se instalou. Fez uma cama na palha e, exausta, abandonou-se ao sono. No dia seguinte, faminta, foi atrás de comida e encontrou um fazendeiro que lhe deu pão e uma garrafa de leite. Voltou ao celeiro para comer e, enquanto devorava o pão, notou que a garrafa de leite caíra dentro do monte de palha. Com muita sede, começou a procurar a garrafa no meio da palha, cada vez mais afoita, sem se preocupar com o barulho que fazia.

De repente ouviu uma voz; alguém devia estar dormindo do outro lado do celeiro. “Quem está aí?” disse o vulto, assustado. “Minha vez chegou”, pensou Esther. “Quem está aí”, o vulto repetiu. Esther ficou paralisada. Parecia-lhe a voz de seu irmão. “Yidel?... Yidel, é você?”, gritou incrédula. “Esther!” berrou o vulto, “Estherle! Minha irmã” – “Mas Yidel... eu pensava que você tinha morrido! Contaram-me que você tinha sido baleado no campo”, disse atônita. “Não, Esther, naquela noite eu fui o único que conseguiu fugir. Todos os outros morreram. Mas, e você, Estherle? Soube, também, que você estava morta! Mas como você me encontrou?” Yidel emendava uma pergunta na outra, dando-se conta do que havia acontecido.

“Mama me disse como agir. Ela me apareceu num sonho e me indicou o lugar para onde devia ir depois de fugir de Sobibor. Disse-me que aqui estaria segura. E você, Yidel, há quanto tempo está aqui?” “Há dez meses”, respondeu o irmão. “O amigo de papai me deu guarida aqui desde que fugi”. “Yidel, tudo o que eu quero é que você fique sentado ao meu lado a noite inteira, segurando a minha mão para eu poder acreditar que tudo isto é real, que você está salvo e ao meu lado”, disse Esther, chorando.

No dia seguinte, os dois irmãos ouviram um apito alto e forte vindo de fora do celeiro. “Este é o sinal para eu sair. É o amigo de papai que quer falar comigo”, explicou Yidel.

Os olhos do fazendeiro estavam tensos e preocupados: “Não sei se posso deixá-lo ficar aqui por muito mais tempo. Uma mulher estranha foi vista perambulando por aí. Temo que os vizinhos suspeitem de alguma coisa”, disse, com voz amiga e gentil.

“Aquela mulher é a minha irmã”, exclamou Yidel e, emocionado, contou a milagrosa história de sua irmã, do sonho e da fuga de Sobibor. O fazendeiro emocionou-se, respondendo: “Se D’us fez com que vocês se reencontrassem, quem sou eu para separá-los? Sua irmã pode ficar com você no celeiro”.

Esther e Yidel se esconderam naquele celeiro durante nove meses, graças à orientação carinhosa de uma mãe que, de um outro mundo, zelava por seus filhos. E, ao final da guerra, foram resgatados pelos russos.

Transcorrido mais de meio século, restam apenas 30 sobreviventes de Sobibor para contar a história; e Esther e Yidel encontram-se entre eles. Para os dois irmãos, cada dia é uma renovada celebração do milagre do amor maternal, um legado que desafia o tempo e a memória.

Tradução livre do livro
“Small Miracles for Women”

http://www.morasha.com.br/conteudo/artigos/artigos_view.asp?a=348&p=2
Imagem: http://www.holocaustresearchproject.org/ar/sobibor/Globocnik%20at%20Sobibor.jpg

Divagações do Politburo 16Set09


Jornal de Angola 11 de Setembro de 2009

Nova Constituição
Corpo diplomático informado sobre o processo constituinte

Inaugurada a ponte “4 de Abril”
Presidente anuncia Programa para Benguela
- Plano é motor de progresso económico e social da região Centro e Sul

Economia nacional está em recuperação

Conferencia do G8 em Roma sobre a igualdade do género
Genoveva Lino defende legislação para protecção da mulher

Lunda-Sul
Obras sociais crescem na periferia de Saurimo

Editorial
Política do ruído

Fraude evidente
Comissão anula parte dos votos das eleições presidenciais afegãs

Moçambique
Camponeses melhoram rendimentos com aumento da produção de tabaco

Poderes mundiais
Plano geral de contabilidade de Angola precisa de actualização com novas técnicas

Porto de Luanda
Sílvio Vinhas foi distinguido como gestor

Cunene
Ambulantes preocupam autoridades

Diversos perdeu
Passaporte chinês, passado em nome de: Yuan Feng

Kwanza-Norte
Centenas de agricultores recebem apoio
Programa “Angola Jovem” dá a possibilidade de criação de empresas

Combate á malária
Cortinas com insecticida lançadas em 2010

Viana
Centenas de pessoas querem construir casa

Postal diário
A nova cadeia do Luena e os sonhos do ministro Ngongo

Obras
Construção do cemitério do Benfica

Cidade capital do Kwanza-Norte está a precisar de serviços funerários

Defende governador do Kwanza-Sul
Erradicação do analfabetismo é forma de exercer a cidadania

População do Milunga quer rádio e televisão para viver emoções do “Africano” de Futebol

Garante governo local
Huambo tem condições para exportar alimentos

Huíla
Governo reconhece dificuldades no acesso dos jornalistas às fontes

Conservatória do Longonjo arrecada milhões de kwanzas

Lixo doméstico em Luanda
Contentores modernos no sistema de recolha






terça-feira, 15 de setembro de 2009

A Epopeia das Trevas (46)


- O racismo mais violento é o preconceito intelectual… o crescimento económico esvai-se.
- O crescimento económico é um pai muito rico, um presidente eterno e com os filhos na afronta da fome.
- Sem livros não há desenvolvimento, não há emprego.
- Por acaso há universidades para desempregados? É que, jogo sempre na equipa deles, meto muitos golos, e dizem-me que estou perdido. Não consigo jogar nessa equipa. Não pertenço à classe dos que recebem ordens superiores, porque significa que vivemos como inferiores. A minha Penélope já está velha, vende qualquer coisa para sobrevivermos. Os nossos dois filhos e a filha seguem a determinação do tintol. Sabes… em Jingola a única liberdade que nos resta é acariciar, rodar com os dedos, copos com qualquer mistela que se beba. Entristece-me a certeza que nenhum letrado da nossa pena escreve sobre os nossos feitos gloriosos. Nós… sim… nós… gloriosos alcoólicos, temos muitas odisseias para viver, para quem as queira narrar. Muitos, infindáveis livros encher-se-iam... construiriam uma biblioteca do tamanho de uma grande cidade. O nosso dia-a-dia dá para escrever uma obra literária, onde o autor ganharia – de sombra e água fresca – o prémio Nobel da Literatura.
- Devaneios de um alcoólico não se levam em conta.

Reapreciou-se o tilintar alaudado do medieval garrafal. Era a vizinha que aproveitou para abastecer a circunstância atenuante. O ébrio com a mente adjudicada, afortunou-se, imaginou princesa com xanto, e devaneia-lhe:

Princesa do saracotear, cervejar
Deixaram os punhais Setembrinos e Novembrinos
enferrujar
As sementes dos teus olhos perderam-se
no triste adubo verde, sem livros
Estão sempre os teus olhos tristes
sem medida cautelar
És probabilidade, defunta sem choro, figura decorativa
As noites delongam-se, mordentes noite e dia
Escravas, nas costas carregadas de garrafais crianças
Os teus lábios endureceram sem porvir
Só de fora para fora, de fora para dentro não

A minha tristeza voa, só vê desolação,
na nação
Tudo esbanjado pelo partido e não repartido
Sem bater pés não andam, desandam
Está tudo entupido, carcomido
Tudo de fachada fechada, enregelada

A tristeza de contemplar poetas
de poesia engarrafada
Poemas de escravos independentes
na pátria dos poetas mortais
Sempre as mesmas vozes se levantam
cabisbaixas nas repetidas intenções

O ambiente lembrava navio alcoólico que perdeu o leme, balançado nas cristas das ondas. Ainda não atingira a profundidade abissal desejada. Como os relatórios do FMI, equações certas, políticas erradas.
Divinos devaneios para quem sabe liquefazer-se. – Astuciou Ulisses.
O vizinho esforça-se para subtilizar os instrumentos das cordas vocais. Por sorte a mente colabora.

O Cavaleiro do Rei (57). Novela


Ainda existem reinos, que por vontade própria regressam, vivem, revivem, convivem na Idade Média. Este é um desses reinos.

Consultou os amigos e estes concordaram. As zungueiras desconfiadas convocaram uma reunião. Poisaram os alguidares no chão. Sentaram-se à sua volta para evitar os roubos. A conclusão foi rápida, não são como as reuniões do partido dos generais e dos outros partidos políticos que nunca mais acabam. Andar um dia inteiro para nem conseguir cem dólares e ganhar o que os bêbados ofereciam sem trabalhar era tentador. A porta-voz das esfomeadas e sem casebres falou:
- Está bem, mas primeiro passem o dinheiro.
- Não, depois fogem com ele!
- Não fugimos... Ah! pá... Vamos embora!
- Está bem, está bem, está aqui o dinheiro.
Improvisaram uma passarela. Elas passearam, riam muito, estavam muito contentes. O dinheiro já estava seguro nas suas mãos. Achar a vencedora foi fácil. Era a única que tinha uma saia muito curta e os seios quase nus.

Recebeu uma salva de palmas da assistência. Preparavam-se para sair a correr. O Frequentador impede-as:
- Ó misse zungueira vem cá!
Indecisa e desconfiada guardou uma prudente distância.
- Fala amigo!
- Se desfilares de soutiã e biquíni ganhas mais mil.
O Frequentador consultou os bêbados que gulosos de prazer concordaram. Ela aquiesceu claro:
- Por esse dinheiro até desfilo nua, passa para aqui o dinheiro.
Como não tinha soutiã, e o seu biquíni era uma vergonha, pediu às suas amigas que lhos emprestassem. Abriram os panos que serviram de protecção. Trocaram as roupas. Um bêbado reclamou:
- Falta uma coisa. Onde se viu uma misse desfilar sem sapatos altos?!

Uma jovem amiga tirou os sapatos e emprestou-os à miss zungueira. A multidão crescia para assistir ao insólito espectáculo. A misse apresentou a sua beleza à multidão barulhenta que crescia. O Frequentador faz-lhe nova proposta:
- Cinco mil… se desfilares nua!
- Passa já o dinheiro!
- Espera aí!
Vira-se para a multidão, e pede-lhes que façam uma colecta porque vai aparecer nua. Muito rápido o dinheiro é recolhido. A misse zungueira passa na passarela a correr. A multidão muito numerosa protesta.
- Queremos o nosso dinheiro de volta. Queremos sentir a alma do material Jingola.
Ela volta e passeia com lentidão. Nestas ocasiões solenes algum nervosismo apodera-se dos presentes.
- Não estou a ver nada!
- Deixem-me ver porra!
- É muito cabeluda, parece que não tem racha!?

Os Templários, esses grandes senhores de mantos brancos. Os seus costumes, os seus ritos, os seus segredos (4)


MICHEL LAMY

Primeira parte
O nascimento da ordem do templo
Breve história da ordem do templo

Esta obra não tem a ambição de retomar toda a história da Ordem do Templo sob o ângulo dos acontecimentos factuais mas sim de esclarecer as suas zonas mais obscuras. No entanto, para compreender o que se passou, há que ter presente no espírito que esta Ordem viveu dois séculos e evoluiu necessariamente. À data da sua morte, não podia ser idêntica ao que era à nascença. Mudou porque o seu ideal se viu confrontado com duras realidades. Teve de se adaptar, uma e outra vez, tomar em mão as questões temporais, perdendo sem dúvida, ao longo dos anos e das necessidades, uma parte da sua pureza original, tal como um adulto que por vezes tem dificuldade em encontrar em si a criança maravilhada, o minúsculo ser de olhos puros que, no entanto, foi.
A Ordem do Templo foi influenciada pelo seu tempo, mas este modificou-a, orientou-a, contribuindo para a História com as suas próprias correções.
Para nos orientarmos nesta evolução, pareceu-nos útil apresentar, de forma muito breve, neste primeiro capítulo, uma história breve dos Templários e, sobretudo, da sua época.

Nos caminhos de peregrinação
Recuemos no tempo até ao final do século X. Na nossa época, temos dificuldade em imaginar o que foram os terrores do ano 1000. A interpretação das escrituras convencera toda a cristandade de que o Apocalipse se produziria nesse ano fatídico. Revelação, no sentido etimológico do termo, mas também destruição, dor: regresso de Cristo à terra e julgamento dos homens, separação entre eles para mandar alguns para o paraíso, para junto dos santos, e os outros para os infernos, a fim de aí serem submetidos a tormentos eternos.

Os cristãos viveram com angústia esse ano 1000 e a sua aproximação. E nada se passou, pelo menos nada pior do que nos anos precedentes. A Igreja enganara-se na sua interpretação das Escrituras? Deus teria esquecido os seus filhos na terra? Não, claro que não. Era algo diferente. A catástrofe fora evitada. Deus fora tocado pelas preces dos homens. Perdoara. Sim, mas por quanto tempo? E se apenas se tratasse de um adiamento? Era preciso rezar, cada vez mais, rezar sempre.

No século anterior, os cristãos tinham-se feito à estrada para irem em peregrinação a locais onde estavam enterrados santos. Estes últimos havia, sem dúvida, intercedido em favor dos homens e Deus deveria ter-se deixado convencer. Um dos mais eficazes deveria ter sido Santiago que, de Compostela, atraía milhares de homens e mulheres que deixavam a sua família, o seu trabalho, abandonando tudo para irem rezar àquele local da Galiza onde a terra acaba.

Tinha-se passado perto da catástrofe final, as fomes de 990 e 997 eram prova disso. Tinha-se evitado o pior, o método já era conhecido: era preciso cada vez mais que os homens se fizessem à estrada, que os monges rezassem, que todos fizessem penitência. Não seria conveniente ir mais longe, realizar a suprema peregrinação, a única que merecia verdadeiramente a viagem de uma vida: ir aos lugares onde o filho de Deus sofrera para resgatar os pecados dos homens, Jerusalém?

Michelet escreveu: «Os próprios pés conheciam o caminho», e John Charpentier faz notar: Feliz aquele que regressava! Mais feliz aquele que morria perto do túmulo de Cristo e que podia dizer-lhe, segundo a audaciosa expressão de um contemporâneo [Pierre d'Auvergne]: Senhor, morrestes por mim e eu morri por vós.

Imagem: http://www.symbolom.com.br/wiki/images/Templarios.jpg

domingo, 13 de setembro de 2009

"Não podemos nos calar mesmo que nos custe a morte"




"Governantes angolanos matam pessoas que falam" – diz Frei João Domingos
Domingo, 13 Setembro 2009 10:55

Luanda - Frei João Domingos, o profeta do nosso tempo, no seu estilo critico, afirmou na sua homilia de hoje, que Jesus viveu ao lado do seu povo, encarnando todo seu sofrimento e dor, conhece a realidade do povo e os nossos políticos e governantes não, porque só estão preocupados com os seus interesses, suas famílias e próximos.

*Baptista das Neves
Fonte: Club-k.net

"Não podemos nos calar mesmo que nos custe a morte"

Disse ainda que por causa de muita corrupção e injustiça inviabilizam o andamento do sector judiciário que se pode demonstrar nos entraves aos processos quando eles são os réus. Por isso, muitos governantes que tem grandes carros, numerosas amantes, muita riqueza roubada ao povo, são aparentemente reluzentes mas estão podres por dentro.

Diante deste quadro, o Frei chamou atenção aos angolanos para não se calarem, "que continuem a falar e a denunciar as injustiças, para que este pais seja diferente", asseverou o Frei João Domingos. A sua recomendação foi mais longe ao dizer que não podem ser calar mesmo que nos custe a morte, assim como aconteceu com muitos angolanos, a exemplo de Jesus.

Nos exemplos de injustiça, expropriação e desvalorização do povo apresentou os desalojamentos forcados, que são feitos para beneficiar um pequeno grupo de generais e outros membros do grupo dominante!

Tendo em conta a crise de valores em que o país se encontra, o frei … recomendou aos angolanos sem excepção para que pratiquemos os valores que Jesus Cristo recomenda: solidariedade, justiça, amor, honestidade, dedicação ao outro, seriedade, paz, a vida, etc.


Curiosamente, não se esqueceu do CAN, que na sua perspectiva de nada vale se não temos bons jogadores, empenhados. De nada vale também se o povo sofre e passa fome, porque o valor de uns países vale pelas pessoas e não pelos diamantes, petróleo e outras riquezas.

Recorde-se que a homilia tinha como tema a identidade de Jesus que se sintetiza na superação do sofrimento, no bem e não na dor como algumas pessoas erradamente pensam.

Terrorismo bancário. Feudalismo financeiro


Opinião: Reservas de ouro, segredos do Fed e feudalismo financeiro
Março 29, 2009 – 2:05 am

MRA

A questão de quanto ouro está guardado nos cofres de Fort Knox, e a quem pertence, alimenta polémicas em meios políticos e financeiros dos Estados Unidos, desde há muitos anos, mas sem repercussão assinalável nos chamados media de referência.

Hoje, a uma semana da cimeira do G20 sobre o futuro do sistema financeiro global, o diário londrino Times resolveu dar à estampa um artigo, sob o título “Haverá algum ouro guardado em Fort Knox, o cofre mais seguro do mundo?”.

Mais vale tarde, do que nunca, mesmo que o articulista não vá tão fundo quanto o assunto merece e a severidade da presente crise do modelo financeiro mundial aconselha.

Por outro lado, também seria interessante saber por que razão um dos jornais mais emblemáticos do conglomerado mediático do globalista Rupert Murdoch resolveu agora dar cobertura aos paladinos das teses monetárias que, imperialmente, durante anos, censurou, substimou e desacreditou.

O que o Times diz

No artigo, é dada nova expressão a velhas dúvidas dos críticos norte-americanos sobre as desvantagens do abandono do padrão-ouro e a sustentabilidade do actual sistema monetário do país. Ele assenta em papel-moeda cuja garantia de reembolso, em termos de contra-valor, é apenas outro papel - dólar - e a palavra do governo de Washington.

Neste quesito, a ombridade da Presidência dos Estados Unidos ficou seriamente danificada quando, em 1971, Richard Nixon anunciou ao mundo que “temporariamente”, o país iria suspender os pagamentos em ouro aos detentores de dólares.

A medida, que rapidamente passou a definitiva, liquidou o acordo de 1944, selado em Bretton Woods pelas 44 nações aliadas contra a Alemanha e o Japão. Foi ele que serviu de base à criação do actual sistema monetário internacional.

Com aquela decisão, unilateralmente, banqueiros e políticos norte-americanos impediram que outros países preocupados com o endividamento público estadunidense seguissem o exemplo da França e da Suíça e exigissem que as suas reservas em dólares também fossem reembolsadas em ouro, ao preço pré-acordado de 35 dólares a onça.

O artigo do Times explicita mais razões para os antigos e actuais temores:
“Proeminentes investidores e pelo menos um congressista estadunidense” estão preocupados sobre a quantidade e a titularidade dos depósitos de ouro guardados na caixa-forte do Kentucky;
A preocupação assenta na circunstância de as autoridades nunca terem permitido uma auditoria independente para averiguar se as barras lá acumuladas, conforme diz o Tesouro, valem realmente 137 mil milhões/bilhões (mm/bi) de dólares;
Os receios aumentaram após o colapso e a nacionalização de várias instituições financeiras do país.
Será que o ouro foi usado para financiar a orgia especulativa de Wall Street? Será que ele “ainda é propriedade exclusiva” dos EUA?
Na boca de Ron Paul - congressista republicano do Texas que integra a corrente “libertária” do Partido Republicano, afecta à escola do pensamento económico austríaco - é colocada uma frase que repete desde os anos 70: “Já passaram muitas décadas desde que o ouro de Forte Knox foi devida e independentemente auditado e contabilizado. (…) O povo americano tem o direito a saber a verdade”;
Paul, com uma vintena de co-signatários, lançou uma petição naquele sentido;
Por seu turno, a organização GATA - Gold Anti-Trust Action - resolveu contratar um escritório de advogados para, em Abril, exigir ao presidente Obama que cumpra a promessa de “uma abertura sem precedentes” e termine com o secretismo sobre a propriedade do ouro americano e as operações de compra e venda do metal precioso, realizadas desde 1971;
Investidores e especuladores especialistas no metal amerelo, repetidamente, têm acusado o governo e as autoridades monetárias de inundarem o mercado com ouro de Fort Knox para manterem artificialmente alta a cotação do dólar e baixo o preço da commodity, alegadamente através de swaps com outros bancos centrais;
O Times confirma que nenhum auditor independente tem acesso aos cofres onde está depositado o ouro dos Estados Unidos, “embora supervisem o processo”;
Segundo o diário londrino, a correspondente americana da nossa Casa da Moeda - US Mint - garante no seu site que os 147,3 milhões de onças em Fort Knox “são guardados como um activo dos EUA”, sem fornecer mais pormenores;


A crise financeira global, o pró-activismo russo e chinês favorável ao fim do dólar como reserva monetária mundial e as práticas do Fed de fabricar dinheiro a partir do nada, integram o explosivo cocktail que será servido ao delegados presentes na reunião do G20, na próxima semana, em Londres.

O que o Times não diz
O banco central dos Estados Unidos - Reserva Federal (Fed) - é uma entidade privada cujos capitais são controlados pelos bancos que comandam o opaco mundo da alta finança global, a partir de Wall Street e da City de Londres;
Cinco presidentes americanos ou foram assassinados ou sofreram atentados por se terem oposto ao modelo de um banco central dominado por bancos privados;
O controlo accionista do Fed é um dos segredos mais bem guardados do país;
O Sistema da Reserva Federal, na prática, é um cartel de bancos privados a quem os políticos do país deram, em 1913, o monopólio exclusivo da criação de moeda e, por via disso, da gestão dos fluxos monetários;
Em troca desta e de outras benesses, a classe política norte-americana recebeu a promessa dos banqueiros de terem acesso permanente aos recursos monetários necessários para alimentar a máquina do Estado e satisfazer os ímpetos despesistas dos partidos no poder;
Para além da cobrança de juros, os banqueiros viram aprovada a lei que criou o Imposto sobre o Rendimento e, desde então, os cheques dos contribuintes americanos são endossados ao Fed e não à Fazenda Nacional (Tesouro);
Desde a sua fundação, nenhum cargo executivo do Fed - incluindo os que formalmente são propostos pelo Presidente dos EUA - foi ocupado por alguém sem o beneplácito das dinastias financeiras Rothschild, Morgan e Rockefeller;
O Sistema da Reserva Federal, criado para “dar estabilidade” à moeda e à economia gerou duas grandes depressões (1929 e 2007) e várias recessões severas;
Entre 1913 e 2008, o valor do dólar registou uma desvalorização de 98%;
O sistema é gerador de um imposto invisível - inflação - que deliberadamente é apresentado como resultante da subida dos preços quando, na realidade, é provocado pela depreciação da moeda;
O dinheiro é criado a partir da dívida gerada pelo governo junto do banco central e não da riqueza produzida na economia real pelas empresas e pelos particulares;
Por cada milhão de dólares de crédito concedido pelo banco central ao governo nove milhões são concedidos aos outros agentes económicos e apenas um milhão é mantido como reserva;
O sistema é uma infinita espiral de dívida - pública e privada.

Estas são, entre outras, as razões pelas quais estamos a assistir, em câmara lenta, ao colapso do sistema financeiro global.

O sistema é uma pirâmide, tipo Dona Branca ou Madoff, mas inventada e gerida por banqueiros com o alto patrocínio dos políticos e dos governos.

A filosofia que lhe está subjacente é o feudalismo financeiro. Nele, velhos senhores exploram novos servos - os que contraíram empréstimos para comprar casa, carro, electrodomésticos - e não sabem viver sem dinheiro de plástico - bem como os empresários que querem financiar os seus negócios.

As cenas dos próximos capítulos são “dejá vu”.

Porém, no século XXI, sem “classe média”.

Ao presidente mulato foi reservado o papel de comunicar às massas que “os tempos são difíceis” e vamos ter de “fazer alguns sacrifícios”…

MRA Dep. Data Mining

Pedro Varanda de Castro, Consultor

Eldorado 12Set09


Cristina Silva Diz: Setembro 13, 2008 às 11:45 am
Ana Maria pinto gostei de saber que uma mulher quer abrir uma empresa de construção civil em Angola ,e desde já gostaria de pedir que se conseguires e precisares de pessoal para trabalhar eu sou a Cristina Silva e tenho carta de pesados , e adorava trabalhar em Angola .Neste momento estou desempregada e preciso mesmo de trabalhar ,tenho três filhos para sustentar e aqui em Portugal não há trabalho e o pouco que há é mal pago e dão preferência aos homens .obrigada e boa sorte .

Bruno Deus Diz: Setembro 15, 2008 às 3:24 pm
Olá, procuro trabalho em Angola.
Neste momento e à sensivelmente 12 anos que trabalho como técnico de lavandarias industriais, tradicionais e domésticas, (desde as maquinas de lavar, secar , calandras de passar lençois, geradores de vapor etc..). Possuo tambem desde 2001 carteira profissional de técnico de gás e a de mecânico de aparelhos a gás.
Voltando às lavandarias estou a trabalhar tambem, como técnico de doseamento automatico de detergentes liquidos desde a sua programação até à sua instalação.( consoante o tipo de roupa e o tipo de nódoas a retirar a programação é naturalmente diferente).
Tenho 31anos. email brunodeus@sapo.pt
Enviarei curriculo caso me seja solicitado.

Francisco das chagas silva Diz: Setembro 16, 2008 às 12:27 pm
Gostaria de ir para Angola, mas não consigo enviar curriculo diretamente para empresa que quero trabalhar, sou operador de maquina de isntalação e pesadas, sou operador de patrol,quero muito ir pela empresa Odebrecht ou Queiroz Galvão , me mande como faço,para enviar os meus dados. me mande com urgência. francisco das chagas silva

MICHEL MARINS Diz: Setembro 17, 2008 às 4:54 pm
OLA! sou um homem trabalhador a procura de uma oportunidade p/ trabalhar em ANGOLA. Atualmente trabalho numa empresa em q. desenvolvo varias funções;emissão de notas fiscais,minutas,grades,entrada e saida de fornecedores,serviços bancarios,lavagem de loja, carregar e descarregar caminhão,não me importo de trabalhar muito seja como ajuante de predeiro,escavador,pintor não importa o serviço.
Por que sei que vou receber um salario digno e justo p/ poder sustentar minha familia.certo de que vou receber um oportunidade p/ trabalhar em uma destas empresas concei-tuadas que estão em ANGOLA.Obgo. Pela atenção !

Sérgio Almeida Diz: Setembro 20, 2008 às 8:25 pm
Viva!
Onde é que uma pessoa que já trabalha há 7 anos na Gestão de uma Unidade de Saúde em Portugal (ou seja, coordena, gere e fiscaliza num Centro Hospitalar, tudo o relacionado com alimentação, limpezas, lavandarias dos seus clientes, neste caso doentes, médicos, funcionários, etc, num total de cerca de 1500 refeições diárias) pode trabalhar em Luanda?
Num grande hotel talvez.
Agradeço contactos de direcção de Hotéis, já construídos ou no início de funcionamento.
Melhores cumprimentos.

vitor reis Diz: Setembro 21, 2008 às 7:09 pm
sou electrecista na area da construçao e outras, e estou a tentar ir trabalhar para angola . Como posso faze-lo?

FRANCISCO ALVES Diz: Setembro 21, 2008 às 8:06 pm
Sou eletricista já trabalhei na Líbia Africa do Norte quando funcionário da Petrobras; gostaria de trabalhar en Angola,
na area de petroleo ou na construção civil se alguem presisar é só entra en contato obrigado.

Hugo Almeida Diz: Setembro 21, 2008 às 10:27 pm
Sou medico dentista com pós graduação em implantologia e protese fixa, licenciado em portugal,gostava de saber se existe oportunidade de trabalho em angola, um abraço.

http://engenhariacivil.wordpress.com/2007/08/25/mercado-de-trabalho-em-angola-2/#respond

Devaneios 12Set09


PÚBLICO ÚLTIMA HORA
03.09.2009 - 11h11 - Anónimo, Lisboa
O "politicamente correcto" é alarmar as pessas para poderem tomar medidas extremamente caras, mas que caem bem junto de grupos ambientalistas extremistas. Durante toda a existência da Terra, o clima sempre teve variações, mais ou menos abruptas e mais ou menos extremas. Há 15 mil anos os gelos cobriam toda a Europa, até aos Pirinéus. Há 2 mil anos, os romanos cultivavam a vinha no então clima ameno desta ilha. Quando os Vikings chegaram à Gronelândia, esta ilha estava coberta de vegetação ... e daí o nome que lhe deram: Ilha Verde!!!!. O clima da Terra sempre teve grandes variações. A influência astronómica, a do vulcanismo, etc., são muito mais relevantes para as variações climáticas do que toda a actividade humana. Que se fala de combate à poluição, muito bem. Que se fale de combate às variações climáticas é pura demagogia, para agradar a grupos muito influentes e vocais. Gastar biliões para agradar a estes grupos é puro suicídio ecoñómico!!!!!


DIÁRIO ECONÓMICO
SangueAzul, Lisboa 31/08/09 11:12
Os casinos deviam todos arder, deviam ser incendiados e queimar até à fundação.
Não desenvolvem em nada a sociedade, muito pelo contrário contribuem para o seu declinio...

Fernanda Lopes, Lisboa 31/08/09 12:22
Senhor Benet, diz o senhor que as actividades parasitas como as dos casinos nada gerem para a economia e dever ser desincentivadas, Pois então deixe-me dizer-lhe o seguinte: somos uma familia de 3 pessoas que trabalha no casino do estoril. O meu marido é porteiro, eu tabalho como administrativa e o meu filho na sala de jogos. Como é que o Sr tem o descaramento de dizer o que disse. Os casinos geram centenas de postos de trabalho e isso é importante para a economia. Das duas uma. ou o sr é muito egoista e so olha para o seu umbigo, ou é um completo ignorante que nao sabe o que diz.
Cumprimentos

Bairrada, Aveiro 31/08/09 15:08
O problema é que o facto de uma dada actividade "criar" emprego não a torna por si só uma actividade útil para a SOCIEDADE ! Claro que quem está "dentro" da actividade tem alguma dificuldade em perceber, por isso convém dar um exemplo "extremo" :
- A prostituição será útil para a sociedade ?
- O tráfico de droga será útil ?
- O furto de viaturas (e não só) será útil ?
Contudo não tenho qq dúvida que alimenta muitas famílias, e alguns até vivem muito bem à conta dessas actividades.
Pensando bem, chega-se à conclusão que uma das poucas actividades indiscutivelmente útil para a sociedade é a agricultura, e está bem à vista a forma como a "sociedade" a trata.
Por isso que se dane a útilidade ! É o salve-se quem puder, é preciso é pôr a mão na massa. Assaltar casinos é um acto heróico !

sábado, 12 de setembro de 2009

A Epopeia das Trevas (46)


Mentor aplaudiu. Reavivou mais cerveja que se movimentou alegremente no semblante dos navegantes. Ulisses refresca-se:
- E nada restará de humanismo, mas a purificação dos eleitos sobreviverá. Eles, os eleitos, serão para sempre os Abençoados, e reinarão para todo o sempre. A vida encurta-se, o amor alonga-se. Não existe, nunca existirá nenhuma espada poderosa que acabe com ele. Os que acreditam conhecerão os segredos do Universo, e neste lugar as moedas de oiro não têm valor. Não é concebível viver num mundo onde o dinheiro prevalece sobre tudo. Para vivermos em felicidade, temos que prescindir, acabar com o dinheiro. As sociedades humanas não podem continuar a existir… trabalhando à espera que uma moeda caia do céu. O mundo é nosso, não é de alguns. A areia está em todo o lado, e nós não. No entanto somos como ela, abundante, é por isso que não temos valor. Contudo ela aparece nos edifícios, fomos nós que a carregámos, e a eles não temos direitos. Somos, vivemos como as areias dos desertos. Somos um imenso mar de areia, soprados pelo vento, vamos para ali, para aqui, e assim permanecemos. Transformaram-nos em pó, com o destino, a missão única de aumentarmos os terrenos dos cemitérios, que já não chegam, pois que a fome, as epidemias e pandemias, são a única liberdade que nos resta. Até os cemitérios dos que nos matam à fome, são sublimes mausoléus, e nós quando a morte nos convida… os nossos familiares regateiam um pouco de terra… porque mesmo depois de mortos a ela não temos direito. Somos párias no além.

O característico perdurar sonoro inconfundível faz aparição. Aparenta motim, humana borrasca de borracho destoado. As chapas do casebre crepitam com a corrente eólica do etanol. Vão saltando dos gonzos ogivais pregados. A voz é rouca, indecisa:
- Este vizinho está sempre a mudar as chapas da porta! Juro-lhe que hei-de encontrá-la!
Mentor apreende-se.
- Nunca mudei a porta, o álcool é que a faz de muda.
O vizinho parece estar no labirinto a fugir do Minotauro. Desequilibra-se e aterra com a massa corporal na porta de entrada. A fragilidade do material obedece-lhe, e como um furacão recebe-se na mesa que tenta fugir-lhe, limitando-se a mudar de posição. Faz tremendo esforço para se levantar, as pernas não obedecem vitimadas pelo vendaval, e os destroços espraiam. Ulisses zomba-lhe:
- Se os pés pensassem, não suportariam a dor do chão.

Entretanto, o vizinho consegue equilibrar-se no chão com a ajuda da parede. Tenta mostrar, ludibriar a sobriedade, parecer que não está bêbado.
- Monitor… Mentor… és o único que visito aos tropeções!
Olha à sua volta, e vê os derrames do madeirame.
- Não venho só, trago-te alguns escombros… ruínas do nosso PIB. Estes lugares, estas ruas esburacadas enterram o trânsito democrático A questão não é o ter, é o cinismo do ser. O navio do dilúvio da escravidão negreira está à deriva.
Mentor sente uma visão profética:
- Só falta acontecer um vulcão, um tremor de terra e um ciclone… bebes, e não cumpres as regras do trânsito. Sinal vermelho é para parar.
- Oiço e vejo tudo vermelho outra vez, já não suporto o cinismo dessa agressividade.
- Cada vez que me visitas deixas a casa em pantanas.
- Pantanas?!... Ah, … o pântano do poder não me deixa respirar. Trago o perfume dos jardins de Babilónia apagados… lembrados, do paganismo alcoólico.
- Embebes-te porquê?
- Os gatunos sem utilidade pública incendiaram-me o casebre. Antes, os esgotos e a água das condutas rebentadas reuniram-se, e foram arrastando os poucos alicerces que o casebre possuía. Fiquei apenas com o habitual, o que resta da minha cabeça. O governo Politburo é conivente, não vale a pena. Isto é para destruir. Não é por acaso que o álcool persegue, prefere a população. Creio que não sobreviveremos muito tempo. É como nos estádios de futebol, entrosados e acutilantes. Fome, doenças, epidemias, alcoolismo, droga, feitiçaria… que extinguem um povo a curto prazo. Na prática já não existem, só restam as suas sombras. Quem os governa, prepara-lhes a solução atípica final. Com palavreado perfumado, um cemitério apocalíptico espera-os, onde finalmente repousarão. É como a censura e o racismo… solidarizam-se sempre.

O Cavaleiro do Rei (55). Novela



Um polícia chega. Até ao momento não conseguiu lixar a vida de ninguém. Irá para casa com as mãos cheias de fome. Ouve o barulho de aves no cimo da igreja. Vai ao carro e retira uma carabina de cano curto. Não é a ideal para tiro. Mas vale a pena tentar, sempre se consegue algo para comer. Aponta a arma, dispara e um corvo cai quase aos seus pés. Acto contínuo, os crentes que estavam em oração profunda, assustam-se e pensam num castigo de Deus, abandonam a igreja incluindo o padre. O polícia surpreso olha para a multidão. Pensa em pedir reforços. Depressa vê o erro que cometeu. Atrapalhado confessa:
- Pensei que fosse outra ave! Alguém a quer?
- Seu parvo! Isso era uma ave disfarçada de feiticeiro. Fujam enquanto temos tempo.
O polícia não sabia o que fazer. Foi ensinado desde criança a temer o feitiço. Aliás na sua família eram todos feiticeiros. Achava que tinha que dizer algo. Era esse o seu dever.
- Hum! Essa igreja deve ser uma célula da Al-Qaeda. Esta cidade parece a capital do terrorismo internacional.

Epok sentiu o que restava da sua alma, ao vibrar com a informação do marquês das Epidemias. Além das existentes, outras mais poderosas estavam a chegar. É certo e sabido que somos demasiado desumanos com os nossos súbditos. Achou que o rei devia tomar medidas para que acontecimentos demasiado notórios não acontecessem jamais. Sob pena de uma revolta protagonizada pelos mais pacíficos. Quando estes se revoltam, não há quem os segure.

Capítulo XVII
A misse zungueira

Um país “descobre” que falta energia, e organiza-se de última hora um sistema de racionamento energético, como se o abastecimento e o consumo de energia não fossem previsíveis. Isto depois de décadas de incessante martelamento publicitário incitando-nos a comprar maiores geladeiras, aparelhos de ar condicionado e outras formas de maximização de consumo energético. Os Estados Unidos “descobrem” que estão chegando ao fim das suas reservas de petróleo, e se lançam em aventuras militares, quando todo o seu modelo foi organizado na promoção do uso perdulário da energia, inclusive como fator de “status” social. Os países produtores de petróleo contabilizam a venda dos seus recursos como se fosse produção, fator de aumento do Pib, quando na realidade estão vendendo hoje os recursos que faltarão às próximas gerações: a conta dos recursos naturais dilapidados não entra na contabilidade nacional. Os residentes de uma região não são informados sobre o uso de agrotóxicos que podem estar contaminando os lençóis freáticos, gerando doenças, reduzindo o valor dos seus imóveis: pelo contrário, os agrotóxicos só entrarão nos nossos sistemas de informação aumentando o Pib dos produtores.
In Informação para a cidadania e o desenvolvimento sustentável.
Ladislau Dowbor

Um Frequentador das cantinas de rua sentia-se orgulhoso em estar com os seus amigos e olhar para a devastação à sua volta. Um imenso cemitério de garrafas e latas vazias que poluíam o chão. Quase não se podia andar, sob risco de tropeçar numa delas, e a queda inevitável, desamparada, sem sobriedade traz sempre imprevistos.
Aí umas oito bonitas zungueiras em fila, passam como se estivessem num concurso de misse. O Frequentador aborda-as:
- Ó bonitas… venham cá!
- Diz lá.
- Vamos fazer um concurso de misse zungueira.
- Ah! Vamos embora, esse está bêbado!
- Estou a falar verdade. Vá, desfilem aí uma de cada vez. O prémio para quem ganhar é mil dólares. A segunda classificada quinhentos e a terceira duzentos.

Os Templários, esses grandes senhores de mantos brancos. Os seus costumes, os seus ritos, os seus segredos (3)


MICHEL LAMY

Porque, finalmente, digam o que disserem determinados historiadores encartados, a criação da Ordem do Templo continua envolta em mistérios; e o mesmo acontece com a realidade profunda da sua missão. Inúmeros locais ocupados pelos Templários apresentam particularidades estranhas. Atribuíram-se aos monges-soldados crenças heréticas, cultos curiosos e às suas construções significados e até poderes fantásticos. A seu respeito, fala-se de gigantescos tesouros escondidos, de segredos ciosamente preservados e de muitas outras coisas.
As diversas hipóteses formuladas contêm, sem dúvida, muito mais partes de sonho do que fatos provados, mas, mesmo por detrás das mais loucas, há muitas vezes parcelas de verdade que há que pôr a claro, por muito que desagrade aos racionalistas inveterados.
No que a isto respeita, convém determo-nos, por breves instantes, num caso curioso: o de Umberto Eco. Depois do seu êxito mundial, O Nome da Rosa, este universitário italiano vendeu vários milhares de exemplares de uma outra obra: O Pêndulo de Foucault. Nela, amalgama a seu bel-prazer tudo o que se relaciona com o esoterismo e os Templários, acumulando citações desinseridas do seu contexto, truncando-as de forma a adulterar as teses apresentadas; em resumo, utilizando processos bem conhecidos da desinformação. O objetivo de Umberto Eco parece ter sido ironizar, troçar de todos quantos procuram a verdade fora dos caminhos muito trilhados, o que, no entanto, é, em certa medida, também o seu caso. Encarniçou-se especialmente contra aqueles que se interessam pelos mistérios dos Templários: uns loucos! Por três vezes, é a frase que põe na boca de uma das suas personagens: «Desde o tempo em que eles [os Templários] haviam sido enviados para a fogueira, uma multidão de caçadores de mistérios procurara encontrá-los em todo o lado, e sem nunca apresentar a menor prova» - «Quando alguém repõe em jogo os Templários, é quase sempre um louco» - «Mais tarde ou mais cedo, o louco põe os Templários em jogo» - «Também há loucos sem Templários, mas os loucos dos Templários são os mais insidiosos» - «Os Templários continuam a ser indecifráveis devido à sua confusão mental. É por isso que tantas pessoas os veneram.»
Pois bem, assim seja. Convido todos quantos se interessam pelos Templários a partilharem um pouco de loucura comigo, na investigação dos mistérios da Ordem do Templo. Deixemos Umberto Eco entregue ao seu psicanalista, para que este lhe explique o que o levou a ler centenas de obras a que não atribui qualquer crédito e que procura ridicularizar.
Corramos antes o risco de, em conjunto, nos aventurarmos por caminhos não balizados, mesmo que possamos perder-nos neles. Tentemos esclarecer, de passagem, os mistérios das origens da Ordem e a influência de São Bernardo. Interessemo-nos pela colossal potência econômica e política que a Ordem do Templo representou e pelos meios que empregou, pelas fontes da sua riqueza. Investiguemos se foi herética e que cultos estranhos foram eventualmente praticados no seu seio. E, para tal, dediquemo-nos a examinar os vestígios que os Templários nos deixaram, nomeadamente gravados na pedra. Interroguemo-nos sobre a origem do impulso que deram à arquitetura da sua época e sobre as fontes dos seus conhecimentos nesta matéria. Procuremos na sua prisão e no seu processo as chaves mais misteriosas. Estudemos o que pode sobreviver desta Ordem e, por fim, visitemos alguns locais onde podemos respirar o odor estranho da sua presença e procurar os sinais tangíveis daquilo a que se convencionou chamar a História Secreta dos Templários.
Mas, antes, refresquemos por um instante os nossos conhecimentos, passando em revista os dois séculos da história da Ordem, de modo a adquirirmos assim os pontos de referência necessários para a análise da sua evolução no tempo.

Imagem: http://api.ning.com/files/

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Divagações do Politburo


Jornal de Angola 06 de Setembro de 2009

Programa nuclear iraniano defendido por Hugo Chávez

África Austral
Segurança alimentar regista melhoras

Comércio entre Angola e Brasil dominado pelo sector petrolífero
Números sem alteração em relação ao ano passado

Bié
Agricultura garante micro-créditos

Educação
Uíje com novas salas de aulas

Luanda com crematório

Casos de polícia
Condenado um condutor por embaraçar o trânsito

Terrenos para construção no Kilamba Kiaxi
Munícipes podem solicitar pedidos e informações a partir de amanhã

O caos do trânsito rodoviário e os sinais de mudança

Vários equipamentos sociais estão a ser construídos
Mercado “Portão do Leste” em Saurimo

Namibe
Novas fábricas dão um sopro à economia local

Moxico
Técnicos de saúde para recém-nascidos em actualização

Poluição sonora
Direcção da Cultura do Huambo restringe locais com música alta






A Epopeia das Trevas (45)


Por momentos o silêncio imperou. A lua vista da única e pequena janela parecia flutuar ao acaso no céu. Teimava em desafiar, mostrar que a noite é efémera, e só lembrada porque lança abraços sonolentos, hipnóticos. Até um guerreiro destemido como Ulisses não resiste aos tombos horizontais, do leito sem espaços conjugais. Ulisses vive momentâneo no sono, no sonho eterno de uma Penélope confrangedora. Mentor, menta a hortelã e aromatiza as palavras:
- Que saudades do meu amigo Ulisses. Vejo-o, sei que é um doce sonho. É mais uma das suas astúcias. És tu Ulisses… agora já entendo porque sentia o barulho agradável das ondas do mar… que nos acompanham com a sua melodia misteriosa desde o nascer até morrer. És tu a origem dos búzios, desse sussurro permanente encostado ao ouvido, e para sempre inalterável.
- Estou farto desta merda de vida e dos humanos, só quero voltar para a minha imortal Penélope.

Via-se que Ulisses se sentia como barco encalhado. Queria navegar mas não conseguia, porque os escolhos em terra não se comparam aos do mar. Estes são previsíveis, e os que estão em terra tem muitos tentáculos imprevisíveis. Veio bom vento a Ulisses.
- A muita idade traz muito cansaço de muitas aventuras. Chegou a hora do descanso. Quando regressar a Ítaca, espero que Penélope não me desgoste ao dizer-me que não tenho direito à pensão de velhice, depois de tanto trabalhar, depois de tanto lutar, guerrear e encher os bolsos dos outros. Isso será uma grande injustiça. Toda uma vida de trabalho… chegar a velho e não ter direito a nada. Mudam-se os tempos? Não! Quem os muda, é para aumentar a fome que antes existia, mas agora não há mares que se lhe comparem. Sempre contra a maré…de modos que não vi nada de novo, de baixo, e à superfície dos oceanos. Uma coisa vi em terra, uma coisa que nunca pensei ver: a maldade e a fome aumentaram tanto, que nem Zeus o pode quantificar. Assim, que Zeus me perdoe, e Apolo também… mas com tanta fome, como é que vou crer e amar o meu Deus?

Percebia-se que Ulisses enfunava as velas, à espera de ventos de boa feição para fazer-se à vela, na fuga constante do mar para terra, da terra para o mar. Há mar de sargaços, em terra há muitos homens de negócios. Ulisses sabe que o destino do homem é a desumanização.
- As civilizações são maremotos. Emergem e submergem… aparecem e desaparecem. É este o destino trágico do ser humano. Quando nasce é inofensivo. Mais tarde, rodeado pelas forças do mal, instrui-se para destruir. Não faltam malfeitores, professores das ciências diabólicas. Nunca confiem os sentimentos a ninguém, porque nos tempos que correm serão escarnecidos. O ser humano só entende, só responde com a linguagem da violência. Proclama o maldito extermínio da espécie, mas nem todos perecerão. O sábio humanista sobreviverá, depois edificará um mundo novo, livre de malditos. Deixai-os abominar, reinar neste tempo, porque no próximo dilúvio jamais reinarão. Quando surgir no horizonte uma pomba branca cheia de luz resplandecente, é o sinal para os exércitos das trevas avançarem. Virão com cruzes de sangue nos seus tecidos, e as suas espadas serão invisíveis. Um grande terror cairá sobre as nações, que serão desfeitas, e um grande lago vermelho, da cor do sangue, cobrirá a superfície da Terra. As crianças correrão ao encontro das suas mães, e não as encontrarão. As aves ficarão tingidas de vermelho, ninguém escapará do fogo divino.

Apetecia-me chamar-lhe profeta apocalíptico Ulisses, mas contive-me. Receava que a fúria de Aquiles o invadisse. Ulisses dá duas punhadas violentas na mesa. Ouve-se o regresso dos tiros, e os ladrantes cães. Ele ri-se, e fala para as ondas do luar, que de velas desfraldadas inundam a noite:
- Estalajadeiro, a cerveja tremula. Ainda nos falta muito para chegarmos além das profundezas da terra.

O Cavaleiro do Rei (54). Novela


Um feiticeiro infiltrado na igreja fugiu com a família para o estrangeiro, levando os quinhentos mil dólares dos donativos.
Outro feiticeiro digno de menção é o que está na EDVR, a Empresa Distribuidora das Velas do Reino que vai deixar de fornecer velas. Ninguém paga as contas.
O Feiticeiro do Centro interrompe.
- Como é que os coches vão andar nas ruas sem velas? Sem luz os esfomeados pilharão tudo.
- O Santo Oficio já criou esquadrões da morte.
- E os mosquitos?
- Apanhem-nos e comam-nos. Contém o mínimo de minerais essenciais à saúde.

- O Nosso Feitiço!
- Voa! Voa!
- Um só!
- Feitiço!
- Escravos para sempre!
- Da fome e do feitiço!

Nos três dias que duraram os trabalhos as áreas circundantes do Palácio viveram momentos de grande terror. Logo no início a luz e a água foram-se. Um denso nevoeiro era constante, fazia os vultos parecerem fantasmas. As noites eram tão escuras que quem se aventurasse a circular sentia-se como dentro de um poço sem fundo. Como se não bastasse, raios e fortes trovões vindos do céu iluminavam a cena desencorajando mesmo os mais audazes transeuntes. As mães em pânico não sabiam o que fazer com as crianças. Estas imploravam:
- Mamã tira daqui os feitiços.
- Não posso fazer nada, estes feiticeiros são poderosos.
Sobre a água e a luz as vozes eram concordantes.
- Como se não bastasse o rei e os cortes constantes que os nobres nos fazem, agora aparecem os feiticeiros.

Os morcegos e especialmente os corvos vigiavam. Poisavam nas varandas, nas janelas, nos postes da escura iluminação. As baratas, os ratos e as aranhas entravam nas casas atentas a qualquer comida que chegava em casa. Os esfomeados rezavam.
- Meu Deus, por favor acaba depressa com a reunião deles.
As crianças destemidas devido à sua inocência pediam feitiços.
- Faz-me um feitiço para ter uma boneca muito bonita.
- Faz um feitiço para que não vá mais à escola.
- Tenho fome, quero um feitiço com muita comida.
Um esfomeado pegou numa espingarda e disparou para um corvo. Preparou o fogareiro. A ave ficou bem assada acompanhada por quase um quilo de jindungo. No fim da refeição é que foram elas. Uma chuva de corvos e morcegos invadiu-lhe a casa. Os bicos das aves nos corpos pareciam ferros em brasa. Foi para a rua e gritou:
- Tetézinha, atira tudo cá para baixo incluindo os filhos! Porra! Estes feiticeiros não são para brincadeiras!
Como alternativa escolheram a igreja. O padre surpreendeu-se pela repentina aparição de tantas almas.
- Não vão trabalhar? Estão à espera do fim do mundo?
- Salva-nos por amor de Deus, liberta-nos dos feiticeiros!

Os Templários, esses grandes senhores de mantos brancos. Os seus costumes, os seus ritos, os seus segredos (2)


MICHEL LAMY

Podemos não dar crédito a todas estas suposições (ao ponto de nos parecer, lendo as obras dos que investigaram os «segredos» dos Templários, que a Ordem seria uma espécie de súmula das mais variadas e díspares esotéricas de todo o Mundo, sendo quase impossível encontrar um fio de coerência). Mas parece inegável que os Templários e a Ordem de Cristo desempenharam um papel fundamental nos Descobrimentos Portugueses. Diz-se de D. Dinis, o grande defensor da continuação da Ordem, que estaria «iniciado» nos segredos templários... E não foi ele o «plantador de naus a haver», segundo a Mensagem de Fernando Pessoa, último Cavaleiro de Rosa-Cruz, essa Ordem da cruz mística que muitos julgam herdeira dos Templários?
O grande impulsionador das Descobertas foi D. João, mestre de Aviz, e sabemos que a Ordem de Avis estava intimamente ligada a Calatrava e, portanto, ao Templo. Assim, também, as primeiras caravelas ostentavam o pavilhão da Cruz de Cristo, e o Infante D. Henrique, se não era Mestre, era pelo menos governador da Ordem de Cristo. Finalmente, e sem esgotar os grandes nomes da história nacional que estariam ligados a uma pretensa «missão templária», o último rei de Avis foi D. Sebastião, o Desejado, dominado pelo sonho megalômano do Império «onde nunca o Sol se põe» (era, indiscutivelmente, objetivo dos Templários ligar ao Ocidente o Oriente). E foi D. Sebastião que ordenou ao Dr. Pedro Álvares que escrevesse a história da Ordem de Cristo, Compilação das Escrituras da Ordem de Cristo, ordenada por Alvará d’El Rei D. Sebastião, de 16 de Dezembro de 1560. Nesta obra, em vários volumes, conta-se «que a Igreja de Santa Maria do Olival era a única paroquial Igreja de toda a terra de Thomar e Ceras e que o vigairo dela era representado pelo Mestre e Convento sem instituição nem autoridade doutrem», «que a Ordem de Cristo se pode chamar a Ordem do Verdadeiro Templo», e que «parece que o dito Infante D. Henrique soube do tempo da sua morte e como se preparou para ela», entre outras várias «histórias» que valerá a pena esmiuçar-se se se quiser traçar o percurso dos Templários em Portugal, que parece ser indissociável da consolidação e afirmação da nossa nacionalidade. Vemos, pois, que Portugal esteve decisivamente envolvido na implantação e preservação da Ordem do Templo, o que Michel Lamy deixa entrever na sua obra. Esta nota e a documentação iconográfica selecionada para ilustrar a obra, pretendem fornecer algumas pistas para quem deseje prosseguir um estudo sobre a acção dos Templários em Portugal.

ADVERTÊNCIA
A história da Ordem do Templo é um terreno escorregadio que provoca desconfianças aos universitários atuais. Demasiado enigmático, demasiado ligado ao esoterismo para não desagradar aos apoiantes da escola quantitativista, suscita muito poucas vocações em comparação com o que aconteceu outrora. No entanto, deu origem, ao longo dos tempos, a inúmeras obras de qualidade. Investigadores de todos os horizontes tentaram compreendê-la, contribuindo com a luz que era própria da sua formação ou do seu empenhamento político.
Por que razão acrescentar mais um livro aos milhares já publicados em todo o mundo e que estudam pormenorizadamente a vida dos cavaleiros do Templo nas suas Comendas, as operações militares que realizaram, a sucessão dos seus Grão-Mestres, a sua alimentação, as suas armas, etc.?
Se tratasse apenas disso, bastaria efetivamente remetermo-nos para as muito boas obras de John Charpentier, Albert Ollivier, Georges Bordonove, Marion Melville, Raymond Oursel, Alain Demurger e muitos outros. Mas essas obras, por mais sérias que sejam, não resolvem todos os enigmas que a Ordem do Templo levanta.
Muitos investigadores se dedicaram às zonas de sombra desta história, com maior ou menor felicidade, maior ou menor loucura, é preciso dizê-lo. Nem todas as suas hipóteses são fiáveis mas muitos deles trouxeram o seu quinhão de luz a um tema que tinha muitos espaços de trevas. São necessários nomes como os de Louis Charpentier, Daniel Réju, Gérard de Sède, Gilette Ziegler, Guinguand, Weysen, para desbravar as veredas da História Secreta, por mais perigosas e assustadoras para o caminhante que sejam.

Imagem: http://espectivas.files.wordpress.com/2007/07/templarios_baphomet.jpg