terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Albert Camus. Na situação colonial africana, a dominação é imposta por uma minoria estrangeira






Esses conflitos gerados pelo processo de colonização da África podem sinteticamente ser interpretados, de acordo com Kabengele Munanga, através da noção de situação colonial:

http://www.algosobre.com.br/historia/administracao-colonial.html

“o conceito de situação colonial aparece como noção dinâmica, expressando uma relação de forças entre vários atores sociais dentro da colônia, sociedade globalizada, dividida em dois campos antagonistas e desiguais, a sociedade colonial e a sociedade colonizada. Na situação colonial africana, a dominação é imposta por uma minoria estrangeira, em nome de uma superioridade étnica e cultural dogmaticamente afirmada, a uma maioria autóctone. A necessidade de manter a dominação por suas vantagens econômicas e psicossociais leva os defensores da situação colonial a recorrerem não apenas à força bruta, mas a outros recursos...” (MUNANGA, 1988:10).

O esforço do colonizador para manter a dominação não apenas através da violência, pode ser representado pelas inúmeras obras literárias vinculadas a ideologia da dominação. Edward Saïd, por exemplo, discutindo a obra de Camus recorda que muitos elementos dessas narrativas (por exemplo, o processo de Meursault, em O Estrangeiro, editado em 1942) “constituem uma justificação furtiva ou inconsciente da dominação francesa, ou uma tentativa ideológica de embelezá-la.” (SAÏD, 2000)

Em maio de 1945 Camus está em Paris, dirigindo o jornal Combat, e embora mostre mais interesse pela situação da Argélia do que a imprensa francesa em geral, inicia uma série de artigos sobre o massacre com poucas informações, mantendo-se a distância e, procurando não tomar partido a favor dos argelinos revoltosos: “Diante dos acontecimentos que hoje agitam a África do Norte, convém evitar duas atitudes extremas. Uma constituiria em apresentar como trágica uma situação que é apenas séria. Outra implicaria ignorar as graves dificuldades em que hoje a Argélia se debate” (TOOD, 1998: 392). Camus declara em seus artigos que os “indígenas” norte-africanos não querem mais ser franceses, e que os árabes querem para a Argélia uma constituição e um parlamento. Para finalizar a série de artigos Camus escreve como última frase: “É a força infinita da justiça, e só ela, que deve ajudar-nos a reconquistar a Argélia e seus habitantes...” (TOOD, 1998: 394), expressando, assim, a ambiguidade que o fará alvo das críticas dos seus detratores nacionalistas argelinos.

A ambiguidade em relação ao futuro da Argélia está presente nos textos jornalísticos de Camus e também em sua obra de ficção, mas, recorrendo novamente a Munanga, podemos interpretar que “...o esforço constante do colonizador em mostrar, justificar e manter, tanto pela palavra quanto pela conduta, o lugar e o destino do colonizado, seu parceiro no drama colonial, garante, portanto, o seu próprio lugar na empresa.” (MUNANGA, 1988: 21).
III - Como ser francês sendo africano

Segundo Edward Saïd (2000), “Camus é o único autor da Argélia francesa, que pode com alguma razão ser considerado de envergadura mundial. Como Jane Austen, um século antes, é um romancista cujas obras deixaram perceber as realidades imperiais que se ofereçam tão claramente à sua atenção...É uma figura imperialista bastante tardia...”, ou seja, Camus, para Saïd, tem um olhar colonialista sobre a Argélia, a postura de francês ocupando um território africano. Mas vejamos o olhar de um francês da França sobre Camus: “Às vezes, algum Gallimard deixa Camus numa estação de metrô, e então, com rosto magro, pálido, o andar desajeitado, friorento, embrulhado num casaco dado por Michel Gallimard, gola erguida, ele tem o ar infeliz como um homem perdido, um estrangeiro, numa cidade hostil, cinzenta, sinistra.”(depoimento de Robert Gallimard citado por TODD, 1998: 349).

Imagens: Albert Camus e esposa.
http://www.inch.com/~ari/ac.gifs/acfrancine.jpg
Ao lado, Simone Beauvoir e Jean- Paul Sartre. Abaixo, André Breton: intelectuais em defesa da Argélia
http://images.google.pt/

Jornal de Angola 26 de Novembro de 2009




Diário do Povo. Órgão marxista-leninista totalmente partidarizado

Subdirector do Fundo diz que há compromissos com a gestão fiscal. FMI elogia reformas económicas em Angola.

Ministro garante inspecção ambiental nos Petróleos

Malange. Antigos combatentes são cadastrados

Governo promove encontro sobre os direitos humanos

Sobre o OGE. UNITA explica moção de censura

ACP analisa o impacto económico e financeiro das mudanças climáticas

Lunda-Sul. Presidente do Supremo avalia sector da Justiça

Kuando-Kubango. Vice-ministro quer maior apoio aos ex-militares

Antiga vila da Bela Vista é referência económica no Huambo. Cachiango em franco crescimento.

Editorial. O PIB e a economia diversificada. Temos em Angola muitas pessoas empreendedoras que apenas precisam que se lhes dê oportunidade para poderem desenvolver actividade produtiva. Estamos numa fase de reconstrução nacional, e o maior esforço tem e deve ser feito pelos angolanos.

FMI diz que metade das perdas dos bancos pode estar oculta

Em Benguela. Ministra anuncia concretização do programa de comércio rural

Diversos perdeu-se passaporte em nome de Wang Qibing e Xu Qigui

Aborto voluntário condenado pelo Bispo da diocese do Uíje

Administração municipal do Kuito investe milhões de dólares em obras


















segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A Epopeia das Trevas (74). Não mates para não seres morto!


Não desisto da desgraça enquanto existir a miséria
Estou na penitência, na negra existência do zénite
Não há ninguém que se disponha a lutar
e só pensar que existe sempre alguém
iluminado
Existirá sempre alguém que nos mostra
o despertador
Existirá sempre um Velho Mundo

O Novo Mundo, já ancestral descoberto
Com o desejo de acabar, alienar a nossa raça
cumpriu-se
Em breve passaremos a armazém zoológico extinto
A filme de dinossauros e pterodáctilos
Assim foi com os Índios americanos
com todos
Uma exterminação democraticamente eleita
porque imperfeita
O ouro negro é muito valioso. Eu dourada de negro não
Fizeram com que os meus feitiços perdessem o poder,
um feitiço atómico destronou-me

Sou bela como flora fora
E que se decrete para sempre
As mulheres belas, a beleza delas será para sempre
Plantada no jardim Universal
no regadio da aurora polar

Apesar de tudo a suave brisa marítima
paira sob o meu semblante
E por vezes as montanhas me parecem humanas
Quem diria que nas grandes viagens
parecemos mais humanos
Quem diria que os seres humanos
perdem-se na aventura
Quem diria que dos intermináveis diálogos
nos tornamos desumanos, selvagens, doces e amargos
Quem diria que não podemos sobreviver
sem insónias
Quem diria que do encorpado final
vinhateiro ficaria uma doce recordação

O apogeu, o fausto do Velho Mundo contendia
Não entendia a recente civilização, nova do Novo Mundo
A época medieval destruiu os resquícios
das antigas civilizações, e o homem aprendeu fortemente
a cultivar o instinto mortal
De rasgar, destruir os povos que viviam em harmonia com a Natureza
A gritaria assustava a vida dos mares, dos rios, das montanhas, das florestas:
«Onde está o ouro!?.. Onde está o ouro!?»
A inocência do húmus na terra guardava-o

Os milhares de cadáveres humanos que não atribuíam valor ao metal da discórdia foram martirizados e abandonados na terra virgem, insatisfeita.
A Natureza iniciou a revolta gigantesca que perdura, perdurará, até apagar a tocha do incandescente humano.

Não mates para não seres morto!

Imagem: Folha8

Luanda, capital mundial dos apagões


Luanda 07Dez09. Mais um apagão das 09.55 às 17.30 horas. E não informam seja o que for do motivo do apagão. No marxismo-leninismo é assim. Em saudação ao VI congresso do MPLA obrigámo-nos a mais um corte glorioso, revolucionário apagão. Entretanto, de mais este congresso nada de novo há a assinalar, exceptuando a renovação da ditadura marxista-leninista.

Convém salientar que no marxisno-leninismo não existem eleitores, população muito menos. Tudo o que for vivo é carne para canhão.

A vanguarda marxista-leninista vencerá. Prometer sempre a mesma coisa e não fazer nada é o nosso lema. Apesar de moribunda a nossa população confia cegamente em nós. É que as nossas forças de dissuasão vigiam. Todos são patriotas. Não existem descontentes, tudo e todos são felizes debaixo das baionetas caladas dos nossos exércitos que controlam e abatem qualquer intento de manifestação, tumulto ou revolta.

Viva a doutrina marxista-leninista. Sob o comando dos nossos deuses líderes, os nossos olhares e mentes iluminam-se como uma gigantesca árvore de Natal

Mas porquê em pleno 2009 ainda existem coisas destas? Será que a humanidade caminha outra vez para as ditaduras férreas? E porquê os campeões da democracia apoiam ditadores e promovem a espoliação das populações em nome da democracia? E mais porquê continuamos a viver nesta ignomínia?

Quando é que estas coisas acabam? Quando e como terminará esta humilhação? Este campo de concentração?

Imagem: http://www.grupoescolar.com/a/b/8B02B.jpg

Até o carapau nos espoliaram


Não há países pobres. Há é governantes idiotas que nunca saberão o que é governar.

E com o analfabetismo ímpar que o MPLA forçou e segue no mesmo batucar. Exterminou a população angolana. Reduziu-a ao zero, a um Zé-ninguém. E nos discursos oficiais ou não, os representantes dos agora eleitos de Deus na Terra, os governantes do MPLA sentem-se orgulhosos, extremamente felizes por tal feito.

Não são os prédios, as torres, os condomínios e os estádios mal concebidos e mal erigidos pela FAMÍLIA e seus asseclas criminosos que lhes retiram o estatuto de mais um estado falhado.

Nesta conjuntura de zorra total, os honestos amealham para construírem casebres. E as matilhas de cães ferozes nacionais e internacionais afastam-se dos seus palácios inseguros rodeados de seguranças. E destroem, fazem voltar ao pó a pobreza a que condenam o povo. Agora pária, estrangeiro.

Maravilhoso é viver num casebre porque honesto. Maldição é viver em palácios construídos com o roubo, a espoliação descarada num endocolonialismo e pode-se dizer, racismo negro.

E pomposamente o MPLA oferece-nos as mesmas condições de guerra: a luz a tartamudear, a água a pingar, a telefonia móvel celular e Internet similar e tudo o que é mal-estar. Corrompem a Nação, finalmente corrompem também a religião. Eram ateus, agora convertem-se, corrompem o cristianismo. Só pode ser a doença de Alzheimer.

Estão estes escravocratas exactamente como no colonialismo. Quando os nacionalistas alvoreciam e proclamavam a revolta popular e depois o fim da escravidão e a independência. Afinal a história repete-se. O MPLA revendeu-nos aos subimperialistas portugueses e brasileiros e ao imperialismo chinês. É extremamente bizarro, forças de ocupação que se dizem que investem em Angola.

E corromperam, até o mar venderam às frotas de navios estrangeiros. Extinguiram o peixe, o carapau acabou. Extinguem tudo e nem uma sobra nos deixam.

Imagem. Folha8

Albert Camus. O berbere, então, perdendo a terra, tornou-se o proletário rural, caindo na miséria.




II - A Argélia

A Argélia é um país situado ao norte da África, ocupando uma área total de 2.381.741 km2, a maior parte situada no Deserto do Saara. Sua população se distribui por um relevo formado principalmente pelo deserto e pela Cadeia do Atlas. Nos anos próximos a 1960 a população constitui-se de uma grande maioria de árabes e berberes, correspondendo os europeus (sobretudo franceses) a somente 10% do total. O idioma oficial é o árabe, sendo o francês a principal língua estrangeira falada no país. Dialetos berberes sobrevivem na Kabilia Ocidental, nas montanhas e entre os tuaregues. Os berberes tem preservado sua cultura e costumes de povo montanhês, ao passo que o árabe era mais voltado ao trabalho de pastoreio e era considerado um povo nômade. A parte oriental é de domínio típico do berbere; já a porção ocidental, mais seca, é caracteristicamente árabe. O islamismo é a religião majoritária.

http://www.algosobre.com.br/historia/administracao-colonial.html

Argel, a capital, têm uma população estimada em 943.142 habitantes em 1966. Nos anos 60 a Argélia possuía duas universidades, a de Argel (1879) e a de Oran (1967). Em 1949, as escolas primárias para franceses e muçulmanos foram fundidas num só sistema, porém em 1958, apenas 12% das crianças de todas as comunidades estavam matriculadas. O território da atual Argélia chegou a ser no século XVI o centro do império otomano na África do Norte. As populações tribais mantiveram suas culturas ao permanecerem no interior da Argélia, pois a dominação otomana ocorria principalmente nos meios urbanos.

No século XIX a Argélia foi invadida pela França. Através da tática de criar colônias agrícolas militares que seriam bases de provisões junto às áreas de luta, os franceses procuraram minar a resistência nativa, destruindo a agricultura árabe em razias com uma violência que não poupava nem mulheres e crianças. Apesar do bombardeio e pilhagem das aldeias, os berberes, sob a liderança de Kader [2] , não se renderam, e foram expulsos para o sul. Kader foi preso na fronteira com Marrocos em 1847, quando franceses apoiados na antiga administração turca defenderam a participação árabe no governo, iniciando-se uma fase de “respeito” às instituições locais. Em 1845, embora persistisse a insegurança, 40.000 colonos franceses haviam se estabelecido na Argélia. Em 1850 já era de 110.000 o número de colonos, entre franceses, italianos e espanhóis. O berbere, então, perdendo a terra, tornou-se o proletário rural, caindo na miséria.

O governo de Napoleão III foi marcado por uma forte militarização na Argélia e quebrou o sistema de propriedade tribal nativa, fixando árabes e berberes em minifúndios e aumentando a miséria dos agricultores. Em 1870, a região da Kabilia revoltou-se. Reprimida a insurreição, os colonos franceses apossaram-se de 500.000 hectares em detrimento da população árabe. No início do século XX, 1918, um grupo de intelectuais árabes, “os Jovens Argelinos” se organizam baseando-se em idéias nacionalistas, reivindicando melhorias para a população árabe. Nos anos 30 já se falava em supressão do governo francês e igualdade entre nativos e europeus, mas foi após a II Guerra Mundial que os problemas argelinos agravaram-se, pois, na medida em que a França deu aos colonos o direito de se estabelecerem nas melhores terras, quando mais de 1.500.000 famílias berberes não possuíam terras, provocou êxodo rural e miséria, agravando-se os problemas nas áreas metropolitanas e fazendo com que um décimo da população vivesse, então, da caridade pública. Nesse ambiente surge a chamada “Questão Argelina”, um dos maiores problemas internacionais do pós-guerra. Em maio de 1945 houve uma grande chacina de civis argelinos por soldados franceses, no massacre de Setif. A repressão francesa é intensa, militares admitem entre 6 e 8 mil mortos, nacionalistas falam de quarenta a cinqüenta mil. Em 1º de novembro de 1954, foi anunciada oficialmente a revolução argelina.

Imagens: Campa de Albert Camus: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/
Chefes da FNL que assinaram a declaração de "insurreição de 1o de novembro de 1954", na Argélia. Em pé: da direita à esquerda: Rabah Bitat, Mostefa Ben Boulaid, Didouche Mourad e Mohammed Boudiaf. Sentados: Krim Belkacem e Larbi Ben M'Hidi.
http://images.google.pt/

Jornal de Angola 25 de Novembro de 2009




Diário do Povo. Órgão marxista-leninista totalmente partidarizado

Esforços do Governo devem ser reconhecidos

Plano Nacional. OGE de 2010. Foram aprovados ontem com votos favoráveis do MPLA e da Nova Democracia. A UNITA, o PRS e a FNLA abstiveram-se.

Oposição opta pelo silêncio

Plano Nacional tem instrumentos para mitigar assimetrias

Deputada pede verbas do OGE para travar violência no género

Associados imobiliários buscam soluções para a habitação

Editorial. Cidadãos e criminalidade. Que as autoridades policiais continuem a fazer um estudo aprofundado sobre a prevalência do cometimento de crimes para poder agir com maior eficiência, quando tiver de neutralizar grupos de marginais que se dedicam a actividades criminais de diversa natureza.

Luanda, capital do país, mudou muito desde os anos setenta

Hora de prestar contas. Blair responde à justiça sobre a invasão do Iraque

Camponeses recebem instrumentos de trabalho. Aberto ano agrícola 2009/2010.

Diversos perdeu-se passaporte em nome de Zhu Xue Kong e Shi Jian Guo

Polícia nacional vai encetar combate aos roubos à mão armada e assaltos

Fornecimento de energia eléctrica na quadra festiva está garantida

Kuando-Kubango. Capico tem mais uma escola

Cunene. Novas salas de aulas em Onhanga

Bié. Alunos na vila do Kunhinga beneficiam de merenda escolar

Educação. Milhares de crianças no Zaire inseridas no sistema de ensino

Bom ano agrícola no Waco Kungo

Avaliação de risco financeiro. Luanda abre no próximo ano Centro de Seguro de Crédito.

















domingo, 6 de dezembro de 2009

A Epopeia das Trevas (73). Sem ensino não consigo escolar


Comparo-me como
margens adormecidas despertadas pelo mar sem sono
Alto o luar querendo iludir o mar
Perto a aragem da noite revela as sombras
dos mangais na vegetação marginal

Depois de uma angustiante e longa ausência
fito-me para longe dos tormentos por momentos
Indecisa, perdida, que o amor não vê
Corremos loucos uns contra os outros
desviamos o encontro dos nossos olhos
Não conseguimos abraçarmo-nos durante um momento
e prometemos que seríamos escravos dos novos senhores

Canso-me tanto destes príncipes e princesas
tão distantes e tão próximos
sempre com a mesma estrela embandeirada, enganadora
Tudo tão próximo, tão distante

Com petróleo e diamantes em excesso
preparo a fuga
O regresso do insucesso, da ecuménica economia
Quando roubam… é aos milhões
O FMI apoia, lembra que a actual, mundial
democracia é demoníaca. Grande invento, esse da democracia
para nos continuarem a escravizarem
subtilmente

Para as praias da braça das barcas da ignomínia
Mais regresso forçado para os colonizadores, que me esperam
além dos Açores
Perdida nas marés negras petrolíferas
sem diamantes
Das forças, forcas policiais, militares e políticas do desespero
das crónicas epidemias mortais

Corria no dia afogado pela chuva, vagueava
para não molhar o cabelo
Para não surgir com a minha feminilidade desfeita
Como é belo amar o meu cabelo molhado

Quando a guerra começou… começou há milénios
Começou com os homens e acabará com eles
Não é significativo pensar que as guerras acabarão
porque os homens ainda não acabaram
Mas é significativo pensar que o amor
acabará com as guerras

Esqueci que sou africana, sou uma fulana, mendiga mundana
Salvei um branco da morte, estava pronto para imolar
Pus o meu corpo à sua frente, depois cantou-me uma canção
para me desprezar

E muitos segredos se perderam
na Ocidental civilização arderam
Voltei à escravidão, sem livros na mão

É o corpo deles que governa, domina o mundo. Não usam a mente
Não sou produtora, sou caçadora predadora
Dialogo sem pensar
A farra da minha mente é uma imensa discoteca barulhenta
ferrugenta
Nos prédios que herdamos dos colonos, revivem
Vivem na gótica imaginação fluorescente do passado
Ando sempre a procurar e encontro-me sempre no mesmo lugar
Não consigo sair, porque não tenho dinheiro para nada adquirir
Vivo na dimensão do ar, enquanto me deixam respirar
E na panela de lata importada não encontro nada para me alimentar
Sem ensino não consigo escolar

Imagem: Folha8

Abandono de trabalho (?). Revolução laboral


sábado, 5 de dezembro de 2009

A Epopeia das Trevas (72). Tanta riqueza à minha volta nesta cidade sem revolta




Garantem-me que a guerra é necessária
e que o homem é necessário para ela
para que haja violência nas palavras
Guerra!.. Na minha África (?) do contrabando de armas
E dos campeões do poder corrupto
e vitalício

Como rochas afastando-se do luar antes da tempestade
E a chama do fogão possuindo
a cafeteira líquida antes da ebulição
O fardo pesado na formiga leve antes da fome
dos Invernos sem vida
O sol vigoroso brincando com as folhas das árvores
antes das queimadas
Negros que deixaram de serem homens
perseguidos pelo sono das madrugadas
Sempre caminhando antes do sol nascer

A encosta deixando rolar a pedra
antes do solo plano
O barulho do cair da chuva no fritar das batatas
antes de tragadas

Os esgotos não canalizam, edificam a democracia incipiente
Sim! O ar livre dos esgotos, esgota o caudal democrático
na refulgente riqueza dos novos-ricos
do petróleo, do diamante luminescente
Riqueza incomparável na pobreza miserável
Os meus pés da fome não andam, rastejam
como as serpentes que enfeitiçam
Nos trilhos dos caminhos sinuosos, impetuosos
soçobram os rios auríferos, petrolíferos, diamantíferos
Nos pontos fracos dos calcanhares ricos
Resta-me a realeza dos tormentos
dos lamentos intemporais
tanta riqueza à minha volta
nesta cidade sem revolta
Vejam! A pobreza deixou de ser
tristeza

Neste mar imenso, profundo, com pessoas rasas
Pequenas, superficiais com meios poderosos
imensos e profundos, lançam dejectos intensos
nos mares lamacentos e infecundos
Enquanto o chapéu de palha que esconde a cabeça
do sol quente e teimoso
Avista-se a carroça com as rodas de madeira
no caminho cheio de pedras chiando
O homem sentado quase adormecido
chicoteia o cavalo
que indiferente arrasta tudo isto
seguindo no indiferente caminho
Perdido na escuridão, na solidão sonolenta da minha alma

Descobriram-me nas Montanhas da Lua
No monte Quilimanjaro, no Lago Vitória, Tanganica
e a minha tanga
Antes deles, passei lá as férias com as minhas amigas
Agora sinto medo do mar
estão tubarões nos seus altares dos holocaustos
Nos pedestais, multidões de condenados e esfomeados
sofrem os horrores dos ditadores democratas sem democracia
noite e dia

Albert Camus. Processo chamado de pilhagem da sociedade dominada




Camus cresceu sob os cuidados da mãe, de origem espanhola, dos tios e do irmão mais velho Lucien. Lucien Camus, o pai, era de origem francesa, da região da Alsácia e morreu na batalha de Marne, em 1914. Albert Camus, jornalista, passando também pela carreira teatral, como autor e como diretor, passou a morar na França a partir de 1940. Foi militante da Resistência, colaborando com o jornal clandestino Combat, do qual foi redator-chefe após a ocupação nazista.

http://www.algosobre.com.br/historia/administracao-colonial.html

Sua infância foi vivida em Belcourt, bairro popular de Argel, morava na rua de Lyon, fronteira entre o bairro árabe de Marabout e o bairro francês de Belcourt, tendo ao norte os “indígenas” [1] e ao sul os outros. “Em Belcourt, na margem esquerda, mora o populacho dos franceses da Argélia, alegres, generosos, vaidosos, fanfarrões, que se entusiasmam ou se abatem muito depressa. Estarão esses neofranceses, como os chama M.O.Stott, fermentando sua superioridade sobre os indígenas? Ou um sentimento de inferioridade por serem eles, por sua vez, humilhados, colonizados, pelos funcionários vindos da França, os Francaouis, instalados em remunerações privilegiadas? Comerciantes, carroceiros, aterradores, pedreiros de Belcourt não tiram férias na França.”(TODD 1998:30)

Essa forma de estratificação social foi discutida por Kabengele Munanga, que ao analisar a colonização africana afirma que

“A sociedade colonial compreende os estrangeiros de origem metropolitana, isto é, do país colonizador, os europeus ou de raça branca não-metropolitanos e os não europeus, geralmente de origem asiática, os coloured ou homens de cor. Os grupos não desempenham o mesmo papel na colônia mas cada um deles tem preeminência sobre os autóctenes. O de origem metropolitana é o mais ativo, pois cabe a ele a função de dominar política, econômica e espiritualmente. Suas atribuições podem ser classificadas da seguinte maneira: a administração dirige a colônia segundo a política colonial; as companhias comerciais e industriais assumem a exploração da produção, afim de organizar os lucros em benefício da metrópole, processo chamado de pilhagem da sociedade dominada; por fim, as missões cristãs, encarregadas da educação dos colonizados, da conversão de suas almas e de seu encaminhamento progressivo ao universo do dominador. Os brancos não metropolitanos e os asiáticos (coloured) dedicam-se a atividades comerciais intermediárias.” (MUNANGA, 1988: 10-11)

Em Belcourt, Camus pôde conviver com os árabes e nomes como Ahmed, Fatma, lhe eram familiares. Brancos pobres e árabes não freqüentavam as casas uns dos outros, mas compartilhava-se o méchoui (carneiro assado no espeto) nas praias e também o ódio pela polícia durante os tumultos. Esses pobres temiam o desemprego e acusavam árabes, judeus, napolitanos, marselheses e outros estrangeiros de roubar-lhes trabalho. A xenofobia convive próxima à solidariedade.

Imagens. L’étranger http://images.google.pt/
Árabes: http://leiturasdahistoria.uol.com.br/ESLH/Edicoes/14/artigo117255-1.asp
A Argélia foi vítima da onda colonialista europeia, que invadiu a África no século XIX. Na foto, argelinos reunidos em um café, em 1899

A revolta dos escravos. O maior líder da revolta foi traído por sua própria confiança na liberdade.



Por Aloisio Milani

PAZ INATINGÍVEL Os brancos se negavam a aceitar uma rendição ou um acordo de paz. Três comissários franceses com 6 mil soldados chegaram a São Domingos para tentar acabar com as disputas políticas e as rebeliões dos escravos. Logo depois a monarquia caiu na França e a República foi proclamada. Em meio às negociações dos comissários, os franceses declararam guerra contra a Inglaterra e os rebeldes também se mobilizavam na medida da evolução política do Velho Continente. Os exércitos dos ex-escravos se movimentaram entre apoios à Espanha, Inglaterra e França durante os anos seguintes. Em 1794, a França aboliu a escravidão de todos os seus territórios. Toussaint, lutando pelos franceses, conseguiu expulsar britânicos e espanhóis da colônia. Foi nomeado pela metrópole chefe do exército. Chegava ao auge de seu poder. Quando Napoleão Bonaparte foi eleito primeiro-cônsul, São Domingos proclamou uma Constituição, tornando-se província autônoma. Contudo, em 1802, Napoleão se tornou cônsul vitalício e começou a reação. Já com o domínio da Louisiana, ao sul dos Estados Unidos, enxergou São Domingos como um ponto-chave para a expansão do império francês no Novo Mundo. Enviou uma armada para a ilha:47 mil homens sob o comando do general LeClerc.

Toussaint não acreditava que Napoleão quisesse restabelecer o domínio e a escravidão, mas virou-se contra o governante. Após fracassos de seu exército, rearticulou as forças sob seu comando e imprimiu sobre as tropas francesas derrotas memoráveis. Ainda bem-intencionado com os colonizadores, o líder negro fez um acordo de paz e se deixou levar, preso, até a França, na tentativa de negociar. Acabou morto numa prisão em Forte Joux, nos Alpes. O maior líder da revolta foi traído por sua própria confiança na liberdade.

O movimento independentista não parou. Nova rebelião, desta vez liderada por Dessalines, derrotou as tropas de LeClerc e proclama a independência da ilha em 1804 sob o nome de Haiti. O ciclo da revolução negra se fechava depois de mais de uma década de conflitos com um saldo de pelo menos 200 mil mortes entre os rebeldes.

“A revolta iniciada por Toussaint L’Ouverture visava assegurar aos habitantes da colônia os mesmos direitos que os da metrópole. Era uma luta pela igualdade, e essa luta sempre foi um equívoco dos movimentos negros. Jacques Dessalines, aliado de Toussaint, não pensava em igualdade. Sabia que a liberdade de sua gente só estaria assegurada se lutasse pelo poder”, explica Afonso Teixeira Filho, tradutor para o português da obra Os jacobinos negros.

A repercussão da revolução de São Domingos foi gigantesca para a luta contra a escravidão. Ainda maior era o temor dos escravocratas de que a revolta influenciasse todas as Américas. O historiador John Hope Franklin escreveu, em Da escravidão à liberdade, que os americanos ficaram horrorizados diante das notícias do que acontecia no Haiti. A partir de 1791, “muitos preocuparam-se mais com os acontecimentos no Haiti do que com a luta de vida ou morte que se desenvolvia entre França e Inglaterra”. No Brasil, muitos comentaristas nativos e estrangeiros escreveram sobre os perigos da revolta em terras tupiniquins, embora a influência tenha sido limitada. Alguns milicianos mulatos no Rio de Janeiro usavam retratos de Dessalines.

EXEMPLO PARA O MUNDO “No período da Regência (1831-40), o termo ‘haitianismo’ foi usado como um epíteto contra jornais que supostamente representavam os interesses da população de cor livre e abordavam persistentemente a questão racial”, diz Stuart Schwartz, em Segredos internos – Engenhos e escravos na sociedade colonial. Nenhum dos inquéritos judiciais contra as rebeliões escravas na Bahia apontava a inspiração haitiana, mas não há dúvidas sobre sua importância na luta contra a escravidão colonial.

A revolução de São Domingos tocou no cerne dos interesses da época. Naquela geopolítica, a derrota das tropas francesas fez com que Napoleão vendesse a Louisiana a preços baixos e evitou uma possível expansão nas Américas. Gerou, claro, grande impacto no mercado do tráfico de escravos e no preço do açúcar. Quando o parlamentar francês Jean Jaurès, autor de História socialista da Revolução Francesa, classifica a Revolução Francesa de “triste ironia da história humana”, uma análise pode ser estendida ao Haiti. Isso porque a própria riqueza do comércio de escravos deu orgulho suficiente para a burguesia francesa lutar pela Revolução Francesa – liberdade e igualdade de direitos dos seres humanos. Ou seja, a desumanidade da escravidão gerou a revolução da emancipação humana. E a principal fonte de recursos dessa burguesia, a venda de escravos a São Domingos, se esvaiu depois que a liberdade impregnou as mentes dos habitantes do Haiti. Causou outra ruptura. Ironia de um realismo fantástico.

© AKG IMAGES/LATINSTOCK

Abandono de trabalho (?) 05Dez09


sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A Epopeia das Trevas (71). Carregar no gatilho é fácil, carregar na mente é difícil




Vieram para descobrir as riquezas, o cheiro da vida do solo
Depois da Gonduana chuva caída
E do meu grito de vitória da águia
Ao pairar nas alturas, descer e caçar a presa
sem amargura
No som do silêncio da água do rio
sombreado pelas verdes, esvoaçantes ramagens
das aves, nas naves nidificadas. Depois ele desmatou

El Che chegou
Mentiu-me, não me libertou
A minha amiga condessa de Monte Cristo ensinou-me
Usa o sorriso da Mona Lisa e espera até conseguires reaver
tudo o que nos hostilizam
Os bancos
Roubam, roubam-nos, assaltam-nos. Ficámos invisíveis, transparentes
Uma coisa é impossível nos roubarem… a fome

Estava deitada em cima do fim-de-semana
Na praia o meu corpo saboreava a areia
demasiado atraente, quente do sol que senti
Um estranho impulso a correr para a transparência da água
Mergulhei rapidamente, mergulhando cada vez mais
Estava prestes do fundo quando abri os olhos
ávidos de crianças que não viam o futuro
nos campos de concentração angolanos
Sentei-me no fundo marinho para sempre
A pensar que é nos silêncios ondulatórios
que nascem as reflexões. Perdi a coragem de regressar à superfície

Sou pura e límpida como a noite. A sua beleza persegue-me
com o aroma da minha vaidade
Falo, ordeno às florestas que dancem
As minhas histórias chegam do céu
Não preciso de melhorar a minha beleza
Nem o meu aspecto, gosto dos meus olhos escuros
Sou bela como a noite
Passeio no mar, da ondulada vegetação plantada
As montanhas, os montes, os campos, obedecem aos meus desejos
Ao caminho sem amor eterno do meu paraíso perdido
Os tesouros da vida que me roubam
depositam-nos nos bancos deles
das ordens superiores
hostilizam e espoliam
neste terror negro incomparável

A glória perdida jamais volta
enterra-se nos museus

Receamo-nos, evitamo-nos como se fôssemos assassinos
Viajo no tempo da dissensão
As leis da física atrapalham-me
Durmo à beira da electrocussão
Nos sinais luminosos extemporâneos
do amanhã porque não consigo saltar
soltar-me desta dimensão. Estendo os braços, fecho os olhos
na direcção do porto mais visível do espaço
Aí sempre começa e acaba o meu diálogo
Venham meus tesouros da selva, sigam-me! Sigam-me!
Recordemos o enigma da chaminé
das ruínas da nossa civilização no Zimbabué

Carregar no gatilho é fácil, carregar na mente é difícil
Quando ando, gosto de entregar, sentir saltar os meus seios,
Desprendê-los ao salutar, saudável retorno solar

Sempre mais um Iraque e outro Afeganistão



E todos os dias os preços sobem. Todos sabemos qual é a origem. Ouvimos a conversa habitual que: «vamos tomar medidas!». Contra quem? Contra a FAMÍLIA?! Luanda está outro Portugal, com a mestria que se lhe conhece.

Luanda está tão maravilhosa com o napalm da civilização. Com torres, condomínios e prédios dos milhões de dólares desviados dos partidos casebres. Luanda é dos filhos de um presidente. Luanda existe, Angola já não. Será como outro Afeganistão pois então. É Luanda só para o CAN2010. E limpam-lhe as ruas da arraia-miúda porque parece mal com tantos estrangeiros maioritariamente africanos que estão a trafegar. Como se eles não soubessem o que é miséria. Não… é só por causa de alguns brancos que não suportam moscas verdes que rodeiam negros.

E a hipocrisia internacional à Ocidental deslavam-se, apoiam, forçam até caírem de podres os dois dedos de uma mão que nos oprime.

Ontem foi mais um revolucionário, glorioso apagão marxista-leninista das 08.00 às 17.00 horas. E injustificam-se como se só eles existissem. Nunca ninguém chega a saber porque os cortes sistemáticos (anunciam a queda do regime?) acontecem. Aqui não há povo. Apenas um só povo e um só palácio que tartamudeia como a luz.

O carro cheio de polícias parou. Lestos alguns saltaram e não se preocuparam com a única coisa honesta que existe em Luanda: os vendedores honestos das ruas. Espoliaram todos os óculos de uma quase criança. Tinha aí doze ou catorze anos. E carregaram-nos, ele e dezenas de óculos. A explicação porque só roubaram os óculos da criança? Para estarem devidamente equipados no CAN2010.

Ontem pelas 17.00 horas vejo uma jovem zungueira na rua com apenas duas vassouras para vender. Há algo de muito errado porque ela quase não consegue manter-se em pé. Deve ter aí uns vinte anos. Chamo a Lwena para garantir que não estou errado. E num lamento de revolta exclamo:
- Lwena, olha… assim quer dizer que ela está completamente na miséria!
- Sim… é!.. deve estar com fome… acho que é por falta de comida.

Hoje pelas 11.00 horas da manhã outra zungueira está com uma pequena banheira com umas parcas coisas para vender. Senta-se, mas pouco depois não suporta a posição, deita-se e dorme. É a fome que a desfaleceu. Um segurança acorda-a e impede-a de dormir. Ela fica especada como uma vítima de um campo de concentração nazi antes de ir para a câmara de gás. Dir-se-ia que escapou do gás mas perecerá no campo de concentração de Luanda.

O governo das trevas encetou o plano final da exterminação do povo angolano.

As kinguilas (mulheres que cambiam divisas) na Mutamba, na baixa de Luanda, surraram nos fiscais do GPL-Governo da Província de Luanda.

Dois mil trabalhadores do GRN-Gabinete da Reconstrução Nacional da Presidência da República de Angola, há três meses sem vencimentos manifestaram-se. Pelo menos quatro foram presos. Dos vencimentos nada se sabe. In Rádio Despertar
Se até a Caixa Social das Forças Armadas Angolanas também não paga e cortou os subsídios… nem general escapa. In FOLHA 8

Só há dinheiro para estádios e para CANS2010, 2011, 2012.

Tudo soçobra. Está na hora das demissões voluntárias dos governantes e da hipocrisia da FAMÍLIA, dos portugueses, brasileiros e chineses.

Estamos numa zorra total. Noutro Iraque, outro Afeganistão.
Estrangeiros nacionais, internacionais e angolanos de ocasião. Deixem-nos viver como bantus. Não nos imponham os vossos modos de civilização exangues, sem vida. E não adianta igualar-nos ao Dubai porque faliu.

Abandono de trabalho (?) 04Dez09

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A Epopeia das Trevas (70). Desta minha desgraça, o petróleo enegrece-me


Não sou independente, ressalto a minha personalidade
Não realizei este sonho… continuo muito infeliz

O meu descontentamento porque nunca serei feliz
Proibiram-me de admirar as grandiosas obras de arte
Que humanos semelhantes produziram
Apesar que sou uma obra-prima
Não me deixam transmitir os meus sentimentos
Tudo o que sinto e penso, um oceano de perenidades
Uma beleza de imensidades, uma importação de sem serenidades

Uma ténue demonstração de beleza, uma mostra fugaz de humanidade
Da qual o ser humano parece amedrontar-se
E só a demonstra quando vê destruição?!
Aí a sua vida parece protegida
nesse elo desconhecido
A genialidade despertou-me a maldade
da Ocidental civilização atómica
Chegou a independência dos libertadores
negros
Com novas promessas, novos colonizadores

As trombetas tocam, alteram a tranquilidade
Os ditadores comerão as suas palavras
e durante milénios serão odiados
Os medíocres acompanhá-los-ão
com ou sem quatro estações

Não sou genial, apenas procuro o Caminho
da independência que me espoliaram
nem nas ruas posso vender
para sobreviver
porque logo soltam os cães
todos me querem morder

Desta minha desgraça, o petróleo enegrece-me
O sol reflecte-se na pele branca
Na minha absorve-se
De manhã sou azul do céu, à tarde amarela do sol
À noite sou chocolate Jasmim da Noite

Algo tão fundamental como o amor
Que aparece tão distante, longínquo
Como por vezes me parece o meu desespero
Tanta maldade me fizeram
e fazem. Desfazem-me

Não acredito em nada!

Não surge ninguém em quem acreditar
Só ditadores e corruptos eleitos nas falsas eleições
que o Ocidente me impõe
Acredito em mim como um ser divino
Procuro o apoio, a saída da desesperança
da tortura das palavras
dos meus manos intelectuais (!)

Das torturas, tonturas do meu coração
Alguém em quem confiar com todas as minhas forças
Acreditar, confiar, amar ninguém
Que esteja sempre por perto e me diga:
Levanta-te e caminha que te amparo
No infinito dos céus e dos tempos

No finito terror bancário dos números sem universo

Jornal de Angola 24 de Novembro de 2009



Diário do Povo. Órgão marxista-leninista totalmente partidarizado.

Editorial. A reforma educativa. A reforma do ensino em curso é uma das grandes tarefas das autoridades, que asseguram que as mudanças introduzidas no sistema educativo há alguns anos estão a produzir resultados positivos. O que se pretende com essa reforma é que o sector da educação e ensino atinja níveis elevados de desempenho.

O que significa ser escritor

Empresário luso reconhece. Incremento de feiras em Angola demonstra progresso económico.

Investimento. BESA admite dispersar capital na futura bolsa de Luanda

Estimativa para 2010. Economia chinesa continua a crescer

Incentivos à compra incluem carros. Empresas oferecem cabazes para todo tipo bolso.

Apartamento T3, condomínio Astros, P/550.000 USD

Diversos perdeu-se passaporte em nome de Zhang Yingyu, Ding Shu Jun, Chen jwcun e Zhang Yan Feng.

A Escola Nacional de Administração-ENAD, realiza uma conferência subordinada ao tema: As Responsabilidades do Sistema Bancário no Fortalecimento da Economia Angolana.

Angola foi escolhida para albergar a XVIII Sessão da Assembleia Parlamentar Paritária dos países de África, Caraíbas, Pacifico e União Europeia.

“O ensino da matemática em Angola está mal” a afirmação é da professora do ISCED Mbiyavanga Bemba.

Kwanza-Norte. Responsável do INAC defende participação da sociedade civil no apoio social à criança.

Moxico. Jornalistas melhoram conhecimentos

Angolanos e moçambicanos juntos no ramo empresarial

Com efeito de estufa. Concentração de gases atinge nível pessimista




Luanda, desenvolvimento económico e social 03Dez09



Luanda, capital mundial dos apagões

03Dez09. Apagão das 08.00 às 17.00 horas

Abandono de trabalho (?) 03Dez09

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A Epopeia das Trevas (69). Governar é uma arte, os idiotas acham que não



Reconheci-te fugitiva da janela do avião
furtiva. Numa tarde africana sem fim
sempre demasiado pálida, sem serenidade
desgastada, com muita chuva tropical
Sempre no sonho que corria para ti
e abraçámo-nos
Olhámo-nos durante quase cinquenta anos
da História que nos persegue

Da doce ternura apunhalada
Enquanto a chuva violentava a nossa fragilidade
Porque o Universo deixou
é apenas
Um homem e uma mulher fingindo amarem
Despertei, perdi-te para sempre
É por isso que viajo na esperança
De encontrar-te à janela
de um avião furtivo

A minha terra natal era o meu mundo
Lembro-me de sentir a sua força
quando caminhava no seu chão fecundo
Agora ando carregada, perfumada, lançada ao imundo
Das gerações sem vida
da ditadura angolana
do seu petróleo
dos seus diamantes
do futebol e dos estádios reais
inflamantes, infamantes

Era graciosa, sem correntes, aprisionada no trânsito dos riachos
E dos seus jardins celestiais que me ensinavam a ser mulher
Divina como uma sinfonia
no capim celestial
Diziam-me que a Natureza era um quadro, uma pintura
executada pelos meus antepassados
Que vieram de muito longe

E que os bebés amamentavam-se da seiva das flores
Diziam deles que eram outras frágeis pinturas
Outras criaturas, outras flores no jardim celestial para sempre proibidas
de serem colhidas

Que foi assim que tudo começou no nosso Mundo
Os rios eram serpentes e o sol convidou-os a meditar na vida
Continuava tudo assim até que um ditador vendeu-nos
vendeu
Os raios do sol que brilhavam nas pedras transparentes
Perdi o presente e hipotequei o meu futuro

Sentava-me amanhecida no alto do morro do Moco
E esperava que o sol me cativasse
Em baixo as pessoas floresciam na transparência matinal
Movendo-se para a tristeza do infinito estender suplicante
Das mãos, do corpo na solução mendicante
Sem rumo, sem universo visual
Que jaz no palácio presidencial
dele, deles

O meu quotidiano terminou
Era um conjunto de recordações permanentes
É imperador, rei, o nosso presidente
decerto de Shaka Zulu descendente
Em pré guerra civil sempre vivente
Desesperando que o mandato messiânico arquitectado
sem eleições presidenciais
Perdure nas gerações vindouras, perpetuado

Governar é uma arte, os idiotas acham que não
Com as cabeças de picos agrestes tão distantes
Como uma sensibilidade difícil, onde não se planeja
Dirigir é tão suave, simples

O ditador complica o que é tão fácil

Marcolino Moco, O Robin Hood Agolano. (fim)



Para construírem um milhão de casas, necessariamente têm que destruir outro milhão de casebres. É o eterno problema do espaço. Angola é tão grande e Luanda tão pequena. Além da injustificada especulação dos preços dos bens de consumo, somam-se o aumento do preço da electricidade e das rendas dos imóveis do Estado. Só falta subir os preços dos combustíveis para incendiar o que resta do casebre angolano. Em Angola a população nem direito a casebre tem. E quem ferozmente apoia esta moção, são consórcios portugueses, brasileiros e chineses.

«Não devia levar mais de um ano, algo que chegaria a toda essa complexidade se o presidente da Angola, que seria seguramente José Eduardo dos Santos, penso eu, com mais ou menos votos que o MPLA na primeira ou na segunda volta, tivesse sido eleito em 2008 ou 2009, com o tempo para sair em grande com um sucessor qualquer que fosse, desde que é angolano, e com as questões fundamentais, se não resolvidas pelo menos equacionadas.» *

É a hipocrisia destes maus governos que cria, alenta o terrorismo. A grande espoliação que o MPLA e outros estrangeiros nos executam, pagar-se-á com altos juros. Angola, o melhor exemplo do tosco africanismo. E ao longo destes quase cinquenta anos, gerou-se, desenvolveu-se cada monstruosidade… já não é um país de pessoas, é uma selva de monstros da morte.

Parece que ninguém sente ou não vê que vivemos em permanente estado de guerra. Com água e energia eléctrica permanentemente racionados. Com o constante bombardeamento e destruição dos nossos casebres efectuados por generais inimigos. Com a comida racionada, com um imperador divino tal Hirohito que nos tira a vivência quando lhe apetece. Com empregos só para as hordas estrangeiras que continuamente nos invadem. Com os principais órgãos de informação em poder de mercenários. Que grande esforço de luta de libertação nacional teremos de renovar para alcançar finalmente a tão dolorosa mas salutar liberdade? Quando seremos finalmente independentes?

Nota-se claramente que há a intenção de transferir tudo e todos de Portugal e doutros países para Angola. Se a nossa oposição realmente existisse, combatesse, o MPLA já não estaria, fugiria, abandonaria o poder.
«Se há males que vêm pelo bem, talvez possamos aproveitar esse tempo para criarmos então uma verdadeira nova república, sem reservas mentais, onde, mesmo com algumas fintas, estas sejam feitas dentro das linhas do campo do jogo e não fora de campo só para alguns.» *

É que muito naturalmente tudo se transforma, não é! Já é um canil?! E já não somos pessoas, somos cães que nem ladrar sabemos?!. Além de nos incomodarem bastante, que baste, com a poluição religiosa que até e além disto, que mais as igrejas bajuladoras ao Chefe sabem fazer?!
Quem afirma que existe desenvolvimento económico sem energia eléctrica, que sejam de imediato detidos e levados a tribunal. Uns bons tempos no degredo ser-lhes-ão benéficos.

«A política, a ética e o direito devem interagir razoavelmente.» «A ética deve ocupar o ângulo recto e cimeiro desse triângulo para imperar sobre a política e o direito, onde a política contribua para relançar uma nação que se constrói a partir de várias nações, como dizia Agostinho Neto» *
Abandonaram a plantação, só desplantam árvores. Cimentam-se torres, condomínios, prédios, em qualquer lado, em qualquer solo. E o prédio vai-se afundar. Porque o solo não é sólido, é líquido. Assenta em terreno com lençol freático. O importante é navegar no pomar já sem frutas, falido. Multidões de ministros, de vices disto e daquilo, generais e directores (?). Com tantas vozes de comando as tropas ficam pelo caminho. Nunca alcançarão o objectivo. As empresas que executam as obras (!) em Luanda são comandadas por engenheiros? São mesmo engenheiros ou Zé cariocas? Ou gatos-pingados? Mandataram-se para destruírem Luanda?!

«Só assim deste triângulo amoroso pode nascer e crescer muitos filhos saudáveis os robustos, tais como um Estado de justiça, paz e democracia económica, social e cultural, dois; um Estado confinável e criador de expectativas positivas em todo tecido multiétnico e multicultural, porque assente na transparência da sua actuação quotidiana. Isto é que seria sério, político e direito. O resto é torto e tortuoso.» *
* Marcolino Moco em Benguela, numa concorrida palestra promovida pela ONG ‘Omunga’, vencedora da estreia do prémio nacional dos direitos humanos organizado pela Sociedade Civil. http://www.apostolado-angola.org/

Imagem FOLHA 8: eis a garantia da nossa felicidade que nos dá a FAMÍLIA angolana e os seus amigos portugueses, brasileiros e chineses.

Marcolino Moco, O Robin Hood Agolano. (2)



É fácil conseguir emprego: ele não conseguia emprego porque não roubava, tinha a mania que era honesto, então resoluto enfrentou-se com o empregador que nos governa. «Você é gatuno?» «Sou!» «Então o emprego é seu. Nós necessitamos é de bons gatunos». É esta a intolerância dos engajados.
«Mas, com as despropositadas manobras dilatórias efectuadas até aqui, pode não ser agora, que o presidente consulte o Conselho da República e se defina com seriedade para quando as eleições presidenciais» *

O problema do angolano?! É péssimo em números. Agora estão maníacos com os prédios. Que mania lhes virá a seguir? Os prédios são a continuação dos crimes na noite da governação que nem dormir nos deixam. E como nos levantaremos ensonados para trabalharmos? Não importa, porque os comandantes do campo de concentração de Luanda não trabalham. Enviam outros espoliados para açambarcarem o que restar (?) dos corpos das populações. Tudo não passa de crimes e toda e qualquer acção praticada cai sempre na alçada do crime. São tantos os governos que nos ordenam a saber: o governo palaciano e presidencial, o dos deputados, o dos ministros, o dos generais, o dos novos-ricos, o dos portugueses, brasileiros e chineses. São de facto muitos governos.

É que diariamente é tanta gabarolice, tanta javardice que já ninguém sabe o que são leis. É uma grande algaraviada, não é?! O governo actua com a população como os governos ocidentais contra o terror internacional. O governo trata-nos como terroristas. Todas as empresas sem excepção fazem fugas ao fisco. O governo deixa-as em paz. Em contrapartida persegue as zungueiras. Atira-se à parte mais fraca. Finge que pune os que verdadeiramente, atrozmente contrariam a lei.

Angola é também um condomínio dalguns funcionários da Presidência da República. Melhor dito, funcionários do Terror porque nas ruas é tal o aparato da Guarda Presidencial que obrigamo-nos a rezar para que nada de inadvertidamente nos aconteça. E ultimamente reforçaram-se… Parece que no fundo é a ajuda à promoção de tumultos civis que não estarão longe de outra guerra incivil.

«Sem o escândalo actual do controlo unilateral dos meios de comunicação público» «Uma politica de meios privados de comunicação não discriminatória» «Que os candidatos e partidos políticos tenham tempo igual para pensar e traçar as suas estratégias» *

Agora todos os dias são maus presságios Acabar com a raça é preciso. Não se dão conta, mas isso é certo. Imitam terrivelmente as SS nazis. Pelos flagrantes actos de corrupção nunca são presos, mas prendem, aterrorizam os inocentados. É outro poder noutra cidade. Há quem admita que para nos defendermos deste terror é mister a criação de milícias populares, outra ODP, Organização da Defesa Popular ao serviço da democracia.
«Que nesse tempo seja dado o tempo para que o MPLA e o presidente José Eduardo dos Santos tenham tempo então de resolver o problema de uma sucessão civilizada.» *

Foto da desgraça petrolífera FOLHA 8

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A Epopeia das Trevas (68). Que triste final acreditar sempre na invenção dos homens



Neste lado deste lago estou
na ansiedade do peixe sem água
A sua mágoa nadou na noite fria, lamento-lhe o chorar
Porque não me limpam o meu mar de lágrimas?!

O meu amor negro trocou-me por uma branca
por outro amor
Aguardo exausta que Job me recompense
Que ouvirei os anjos no céu cantar
Que estarei muito perto deles como aqueles
Que acreditaram em mim e fugiram do desprezo
Como farão todos os que esperavam o fim da escravidão
Que aparece, perece, parece
que só depois da morte

Que triste final acreditar sempre na invenção dos homens
Um não! São muitos lobos disfarçados
Mas onde estás tu? Porque não me dás uma esperança?
Basta uma ténue recordação para ousar ser feliz
A verdade é como os restos de um espelho
Que restou do construir, e assim nos ensinaram
a desistir, a destruir
Só nos reconhecemos quando estamos frente das suas ruínas

A vida é um forte distúrbio anseio alcoólico
Foge toldada do suave e abrupto nevoeiro do palmar
Onde os álcoois perseguem a nossa existência
Os vapores são intensos, agradáveis intentos
Se conseguimos despertar, despeitados e frustrados abismamos
Na invasão do torpor, do clamor. Medíocre, logo existo!
Da vitória universal: bêbados de todo o mundo, uni-vos!

A proa da neblina não se rompe, recomeçam as nuvens neuronais
da existência, da angústia como veículos na cidade sem luz
Com apenas os seus faróis encandeados em movimento
Como jasmins amarelecidos tentando reencontrar a seiva perdida
da vida
Sombras escondidas das noites perdidas
Não há dias, apenas monumentais estátuas estáticas sem alvorecer
Nos olhares vazios, inchados do silêncio perdido algures
Este é o mar, o nosso navegar dos petroleiros alcoólicos

Como a dificuldade de obter a simplicidade
Da aragem silenciosa da flor-de-Diana
Natureza abandonada aos fogos florestais
Verde-cinza sem ondulação, no sonolento sol dos dias sem fim

O rejuvenescer para envelhecer, nascer para recomeçar
morrer sem transformar o que nos rodeia
Aprisionados na cor da nossa dor

Folhas de palmeira pesadas dobradas pelo verde da dor
E o tempo não é eterno
Na tragédia da noite pedi a Deus que me inspirasse
Mas, olhar? Sim! As paredes de casa têm fissuras
por onde a minha liberdade
pode espreitar

Marcolino Moco, O Robin Hood Agolano. (1)



«Injustiça gera injustiça, violência mesmo branda gera violência.» *
«Façam-se eleições presidenciais já, com actual ou com a nova constituição» *
Na sua gloriosa luta contra outra vez a infeliz ditadura do proletariado do nosso Politburo, o nosso Robin Hood Moco alerta-nos para o mau pastor que leva as suas ovelhas para outro precipício. Manos! Despertem! Notem que a ditadura ganha-nos terreno porque a democracia esmorece, adormece. Vale-nos este lutador, qual Robin Hood Moco, que sem dúvida vale por milhões de nós que nada fazemos além de opositores submissos, estóicos. Lutem! Os campos de concentração nazis estão, aterrorizam-nos nas nossas portas.

Há homens que nasceram para presidentes de clubes de futebol, mas para presidentes da república não.
Há homens que arrastam populações para campeonatos de futebol. Os nazis divertiam-se muito com essas coisas. Milhões de dólares gastos no CAN2010, e nas tendas rasgadas populações têm por companhia a vozearia da demência bajuladora. Tudo para o CAN2010, para as populações a promessa de que com mais muitos anos no poder eterno a miséria acabará e a água e a luz nunca jorrará, nunca iluminará. Os milhões de dólares do petróleo dividem-se entre os que se fingem de governantes democratas. Até dão para comprarem brutos carros Aston Martin em Portugal, que já vão só neste ano em mais de vinte.

«O Aston Martin, também conhecido como o carro do James Bond, é um dos mais procurados pelos "pobres" dos mwangolês que vão à Tuga fazer umas comprazitas. Só este ano mais de 20 rukas dessa gama já passaram para as "nossas" mãos e para os nossos engarrafamentos». «O costureiro Augustus disse à SIC que 70% da sua clientela é angolana, numa altura em que se prepara para abrir mais lojas em Luanda e Benguela.» «Este creme exclusivo é para pele, custa 12 mil euros e tem o nome de cada cliente. Os angolanos disputam este produto com a malta do Dubai.» In http://morrodamaianga.blogspot.com/

Nunca tão poucos gastaram tanto em tão pouco tempo.
E depois aqui na banda com esgares de crocodilo juram que não dá, porque a conjuntura internacional está deficitária, numa depressão. E que aqui na banda não se despede ninguém. Mas, por exemplo os despedidos são aos milhares nas empresas de construção estrangeiras por falta de pagamentos. E somam outros milhares pelo somatório dos anúncios de abandonos de trabalho (?) no Jornal de Angola. Com o pretexto da desconjuntura económica e financeira e como ensinam os manuais do marxismo-leninismo, agora é que é roubar como nunca se roubou.

Quem não pega num livro é escravo do outro que lê. Um governo que fomenta o analfabetismo na população vende-a aos estrangeiros. Esta é sem dúvida a autópsia do povo angolano pelo poder quadrilheiro quase cinquentenário.

Tudo o que se diz ser ficção mais tarde acaba por ser realidade. E todos os aventureiros políticos na generalidade acabam assim: Que valor tem pois um general sem soldados? É como um livro sem páginas.

Imagem do petrofaminto: FOLHA 8

Robin Hood. Os pobres vêem-no como livre e generoso, os ricos e poderosos temem-no.


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Nota: Esta página é sobre o herói mítico da Inglaterra. Se procura outros significados da mesma expressão, consulte Robin Hood (desambiguação).

Robin Hood na Floresta de Sherwood

Robin Hood (conhecido em Portugal como Robim dos Bosques) é um herói mítico inglês, um fora-da-lei que roubava dos ricos para dar aos pobres, aos tempos do Rei Ricardo Coração de Leão. Era hábil no arco e flecha e vivia na floresta de Sherwood. Era ajudado por seus amigos "João Pequeno" e "Frei Tuck", entre outros moradores de Sherwood. Teria vivido no século XIII, gostava de vaguear pela floresta e prezava a liberdade. Ficou imortalizado como "Príncipe dos ladrões". Tenha ou não existido tal como o conhecemos, "Robin Hood" é, para muitos, um dos maiores heróis de Inglaterra.

Versões da história
No entanto o herói não é de fato um ladrão errante que vive em florestas. A história começa quando Robin of Locksley, filho do Barão Locksley é um cruzado e viaja com o Rei Ricardo para catequizar os hereges. Prisioneiro, ele foge e retorna a Inglaterra. No entanto, ao chegar em casa percebe que muitas coisas aconteceram. Aproveitando a ausência do Rei Ricardo, o príncipe John, o segundo herdeiro direto, assume seu trono, aumenta os impostos e mata o pai de Robin, destruindo também seu castelo. Não tendo onde morar, Robin Hood encontra um grupo de homens que moram na floresta e os lidera em uma batalha com o príncipe. Ele quer reaver sua posição nobre e também ajudar aos que se tornaram pobres graças a ganância de John.Ele era um moço de classe média, que costumava roubar riquezas, dos ricos para dar ao pobres entanto até que um dia ele roubo de um rei que tinha um reino muito poderoso e ficou furioso, quando descobriu que foi roubado, e mandou então caçar e matar o pobre Robin Hood e ele foi para a floresta, chegando lá, eles atacarão e Robin Hood se, defendeu dos ataques, que aconteceu quasem morreu, mas até sim sobreviveu, e hoje ele fica conhecido como um héroi.

Na História, Robin Hood, que ganha o apelido por usar um hood (tipo de chapéu com pena) vence o príncipe John e casa-se com Maid Marian, sobrinha de Ricardo. No fim da história, Ricardo Coração de Leão reaparece após sua derrota em terras estrangeiras e nomeia Robin Hood cavaleiro, tornando o nobre novamente.

Se existiu de facto, viveu algures no século XIII. Uma das primeiras referências a tal personagem é o poema épico Piers Plowman, escrito por William Langland em 1377. A compilação Gesta de Robin Hood, de 1400, sugere que as histórias que compõem a lenda circulavam bastante anos antes.

Para quem vive hoje em Nottingham, cidade no centro de Inglaterra que serve de cenário à maioria das baladas iniciais, Robin continua a existir. Além das estátuas, há as ruas batizadas com o seu nome ou o festival anual que lhe é dedicado. E há também o que resta da Floresta de Sherwood, onde é possível encontrar a árvore em redor da qual o bando de Robin se reunia em conselho. É claro que, caso tenha vivido em Yorkshire, a floresta não era a de Sherwood mas a de Barnsdale. No convento de Kirklees, hoje em ruínas, existe também aquela que se pensa ser a sua campa e onde se pode ler: "Aqui jaz Robard Hude".

"Robin Hood" é, desde sempre, por motivos que as versões às vezes alteram, um fora-da-lei. As referências históricas que sustêm as várias teorias da sua existência prendem-se, aliás, na maior parte dos casos, com registos de comparência em tribunais. Por Robin ter existido como "Robin Hood", por a lenda ser já contada ou por simples coincidência, parece ter havido antes de 1300, na mesma região, pelo menos cinco homens acusados de actividade criminal conhecidos pela alcunha de "Robinhood".

Existem muitos candidatos a ter em conta, e se quiser acreditar que Robin existiu. De acordo com a investigação de Joseph Hunter, em 1852, Robin era Robert Hood e tornou-se fugitivo por ter ajudado o Conde de Lancaster, que se rebelara contra a cobrança abusiva de impostos do Príncipe João, que por sua vez, usurpara o trono de seu irmão, o Rei Ricardo (apelidado de "Coração de Leão", desaparecido numa cruzada).

Em 1998, Tony Molyneux-Smith publicou um livro onde sustenta que a origem da lenda é Sir Robert Foliot, lorde de uma família que escolheu usar o nome de "Robin Hood" para esconder a sua verdadeira identidade como protecção numa sociedade violenta.

Em todos os casos, o herói escolheu a vida clandestina da floresta depois de ter sido injustiçado e a sua opção faz escola, acabando por formar um exército com o qual se opõe à maldade que o rodeava.

Os pobres vêem-no como livre e generoso, os ricos e poderosos temem-no. Na história de Pyle, tal como em muitas outras, Robin veste de verde, maneja o arco como ninguém, não teme nada e vive livre e feliz, rodeado de amigos que se ajudam a cada nova ameaça.

A lenda espalhou-se primeiro nas baladas medievais, passou aos poemas e chegou ao teatro. A história foi escrita, ilustrada, encenada e filmada vezes sem conta até se tornar eterna e versão mais conhecida, provavelmente seja a com texto e ilustrações de Howard Pyle. Mas como notou o escritor Roger Lancelyn Green, foi só no final do século XVIII, depois de as baladas, romances e peças antigas serem coligidas e reimpressas por Joseph Ritson, um amigo de Walter Scott, “que Robin dos Bosques entrou realmente na literatura” (R. L. Green, As Aventuras de Robin dos Bosques , publicações Dom Quixote, Lisboa, 1990, p. 10). Note-se que Ritson, um conhecido escritor e antiquário, fornecia ao próprio Walter Scott material para escrever os seus romances históricos, notavelmente Ivanhoe .

Robin Hood no cinema
Robin Hood teve diversas adaptações para o cinema, entre elas:
Robin Hood, de 1922, com Douglas Fairbanks no papel principal;
As Aventuras de Robin Hood, de 1938, com Errol Flynn no papel principal -- considerado a versão mais marcante do filme;
Rogues of Sherwood Forest, de 1950, com John Derek no papel de Robin;
Robin Hood, de 1973, em formato de desenho animado, e lançada pelos Estúdios Disney. Nessa versão, todos os personagens da história foram transformados em animais, que agiam como humanos: "Robin Hood" e "Lady Marian", por exemplo, viraram raposas e o "Príncipe João" e o "Rei Ricardo" viraram leões.
Robin Hood, o príncipe dos ladrões, lançada em 1991, com Kevin Costner no papel principal;
A comédia Robin Hood: Men in Tights, de 1993, dirigida por Mel Brooks.

Robin Hood na televisão
Robin Hood está atualmente nas telas na rede de televisão inglesa BBC.

Robin de Locksley (que mais tarde se torna Robin Hood) regressa das Cruzadas, onde lutava ao lado do Rei da Inglaterra, quando descobre que a sua terra natal mudou, e para pior. O xerife assumiu o comando e homens terríveis aterrorizam a população.

Robin Hood e os quadrinhos
Robin Hood serviu de principal inpiração para a criação do personagem Arqueiro Verde (Green Arrow). Oliver "Ollie" Queen, personagem de banda desenhada do universo DC, criado por Mort Weisinger e Greg Papp, é um milionário náufrago, que aprende a usar arco e flecha para sobreviver na ilha deserta, passando três meses nela, até o dia em que um grupo de plantadores de maconha desembarcou na ilha para fazer a colheita. Queen os pegou de surpresa, tomou o barco dos traficantes e os entregou à Guarda Costeira. Embora tenha se mantido anônimo, a imprensa local publicou a história e o chamou de Robin Hood moderno.

Por ironia, assim que Queen anunciou que estava são e salvo, sua reapresentação à alta sociedade foi num baile de máscaras beneficente, aonde ele compareceu disfarçado de Robin Hood. Mas, após os meses na ilha, Oliver havia passado a enxergar a vida de forma diferente. Ele não tinha mais paciência para as futilidades e fofocas dos ricos ociosos. Assim, quando um assaltante apareceu na festa, o mascarado Queen assumiu o controle da situação e, armado apenas com suas flechas falsas e a habilidade que desenvolveu na ilha, deteve o ladrão.

Esse ato heróico foi perigoso, porém estimulante, mais divertido do que qualquer coisa que ele tivesse feito em anos. Sem querer, Queen havia encontrado uma maneira de praticar e defender a ética em que acreditava. Já possuía até mesmo um alter ego pronto: o assaltante preso na festa repetira incansavelmente pra a imprensa que um "arqueiro verde grandalhão" o havia dominado, levando os jornais locais a cunhar o nome "Arqueiro Verde".

Imagem: http://www.bbcshop.com/content/ebiz/bbc/invt/bbcdvd2245/bbcdvd2245_2d_lrg.gif

Abandono de trabalho (?) 01Dez09