quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A Epopeia das Trevas (87). Eu, o Presidente elegi-me, impus-me para governar


Para a paz mundial estabilizar, os impérios devem ensinar
empregar a nossa gestão participativa

Os arquivos electrónicos onde se guardam
as palavras, os passes secretos das fortunas fáceis
Nesta Angola que não é minha quem enriquece rouba
e roubar é tão fácil
Basta pertencer ou amigar à família no poder
E nascem condomínios, partem-se os domínios
dos casebres
Recebe-se o bónus dos negócios, ignomínias
Lamento muito, mas acho que não devo ser desprezada

Por aqui não existe nada seguro, tudo é inseguro
Quando o meu Presidente fala à nação, parece que está na ONU
Com palavras muito cultas, exorta a nossa cultura
a incultura da fome omite-a.
Ah! A fome, isso é da competência das agências internacionais
Eu, o Presidente elegi-me, impus-me para governar
Receber as altas individualidades que poisam nos nossos palácios
E falar… e falar que dentro dos próximos anos, sempre os mesmos
lutaremos, faremos qualquer coisa
Impávida e não serena a epidemia da fome alastra, estende-se como os desertos

Tão frágil parece o meu corpo na fortaleza da minha beleza

O mar encrespava em sinfonia
Com as nuvens negras do FMI parecendo chuva
A natureza remexia-se. Ordenava os preparativos
o desejo entre tantos venho já ausentes
Até logo, até amanhã entre aguardentes
que se perdem por um fio

O maldito humano destrói a comida marítima
Os marinhos, marinheiros em terra procuram a vida humana para alimentação
As barbatanas famintas para não serem extintas
Se alguma coisa em minha casa virem entrar, é certo que me vão assaltar

A minha vida de lavadeira não acabou
Tanta roupa que levei, lavei, e o sol não secou
Devo andar seminua, nua para um estrangeiro namorar
Se alguma comida para casa quiser levar
Não sou prostituta, sou um submarino que usa lastrar
O meu silêncio espectral é um acto eleitoral, conjuntural

Não sei o que não quero
Vesti uma hiper mini-saia aventureira, fronteira bivalve
Um amigo prevenia os incautos e escreveu na minha bifurcação:
«Perigo! alta tensão! Sida! qualquer um serve para se sentar na minha cadeira eléctrica»

A formação mais fácil da rentável escravatura: carregar no gatilho

Ah! Que agora neste outro poder libertador dos senhores negros
disputo aos abutres uma réstia de comida

Imagem: ALTO HAMA

O PREGADOR MPLA, SARL (Fim)



A vossa vida é como o vento; vem e esvai-se. É a sepultura donde nunca conseguem sair. As casas dos novos-ricos estão sempre cheias de guardas; as vossas estão bem guardadas pela fome. Nem cama têm para se consolarem; apenas um parco lençol, alguns plásticos, um cobertor e um balde para água; dormem infelizes no chão. Mesmo assim o Chefe Eterno não vos deixa, espanta-vos com pesadelos e visões da fome. Para quê tanto sofrimento; se a morte é melhor.
Viver um nadinha é confortável. Não há um único momento em que não me incomodem; sentem enorme prazer inexplicável. Só o Chefe Eterno o sabe. Transgridem constantemente. Escolhem as madrugadas para nos perseguirem; vivem o terror nos restos das casas dos colonos.

O faminto está ensacado e injustifica o Chefe Eterno
Porque só o Chefe Eterno é Todo-Poderoso? Os filhos do Chefe Eterno estão sempre a transgredir; acusam os filhos dos famintos e torturam-nos até se cansarem. E não adianta pedir misericórdia ao Todo-Poderoso Chefe Eterno. A injustiça do Chefe Eterno é permanente; injustifica, impossibilita viver.

Não temos princípio, pelo que nunca teremos fim. Acreditámos no ontem, e lixámo-nos hoje; só restam sombras desse naufrágio. Falam sempre que nos precisam ensinar; já renderam o coração. Está tudo tão seco; enfeitiçaram a verdura. Assim são as veredas de quem acredita no Chefe Eterno; mas os hipócritas nunca perecem. Tiram-nos tudo; e não podemos perguntar, que fazem? O Chefe Eterno revogará a sua ira; e protegerá os maldosos. Nem nos juízes podemos confiar; a quem pediremos misericórdia? Mesmo que nos respondam, nunca ouvirão a nossa voz, porque são surdos.

E enviam-nos tempestades à força do camartelo para os nossos casebres. Nem nos permitem respirar; até o ar é deles. As forças militares protegem-nos; por enquanto ainda são os mais fortes. Não nos podemos justificar, porque seremos condenados. São perfeitos em tudo; devido a isso somos imperfeitos. Protegem os ímpios e consomem os rectos. As terras são para eles; os juízes cobrem os rostos; se não foram eles que roubaram, quem foi então? Andam sempre em grandes velocidades; porém tudo marcha para trás Os juízes deixam as nossas queixas nas prisões do esquecimento; constantemente mudam de rosto.

Estamos cheios de dores, porque sabemos que nunca declarados inocentes seremos. Porque não há ninguém que nos livre do Chefe Eterno? As mãos do Chefe Eterno não descansam, consomem-nos bruscamente. Até das nossas peles fizeram candeeiros muito elegantes, bonitos. A vida de escravos envergonha-nos de levantar as cabeças. Se nos exaltamos chamam-nos selvagens e antipatriotas; depois acalmam-nos com a promessa de que a nova vida vem aí. Porque esqueceram as nossas mães e os nossos pais? Os nossos dias minguam; deixem-nos tomar um pouco de alento. Queremos fugir para outro reino; só que está difícil, ou impossível lá entrar. Já não há luz nesta terra da morte; as trevas do Chefe Eterno eternizam-se.

O faminto mostra a sua sabedoria e pede ao Chdefe Eterno que se arrependa
Não dão resposta às nossas desgraças? Só o Chefe Eterno tem direitos? Obrigam-nos a calar as vossas mentiras? Com a vossa zombaria sempre presente? A doutrina política do Chefe Eterno é pura e limpa. A sabedoria do Chefe Eterno aprofunda-se mais que o inferno.

O Chefe Eterno defende-se dos famintos
Eu sou o povo e quando me for levarei a sabedoria. O meu coração não sente, o vosso é-me indiferente. Inventores de conspirações; diplomados, falsos doutores. A vossa sabedoria? É ficarem calados; São maldosos e invejosos; querem o nosso dinheiro. Querem acabar com a realeza e implantar a república da democracia. Apartem-se! Porque só eu tenho o direito de falar, de reinar, de governar.

O Chefe Eterno exalta o MPLA, SARL
Defenderei tudo o que estiver errado; disto depende a minha salvação.
Eu sei que sou justo; por isso defendo as minhas causas. Alguém tem coragem para me desafiar? Tirem as vossas mãos, que daqui não levam nada. Porque passam o tempo a escrever coisas ruins contra mim? Apesar de estar tudo podre, alguma coisa se aproveita.

O Chefe Eterno exige ao MPLA, SARL mais miséria para a população
O que nasce viverá poucos dias; ficará seco como os campos desertos, porque não há nada para neles semear. Vivem na imundície e querem ser puros? Os vossos dias estão contados. Deitam-se e levantam-se com o lixo; mesmo assim conseguem dormir. Espiritualmente estão mortos; a cabeça está vazia de noite e de dia. Perderam a esperança de serem homens; desgastam-se nas neolíticas pedreiras.

O Chefe Eterno mostra a sua impiedade
Terão ciências de vento; e andarão à procura de pão e não o encontrarão; com os aumentos nunca vistos do preço do petróleo, podemos e queremos o poder. Desde que tenhamos bem-estar, os outros que se safem. Aproveitem as ruínas dos vossos miseráveis casebres para habitarem; esta é a vossa consolação. A riqueza sempre foi para uns poucos; a distribuição dos rendimentos também.
O maior orgulho e prazer do MPLA, SARL é ver-nos, fazer-nos imensamente infelizes. O MPLA, SARL veio dum reino longínquo, o reino da tristeza e da desolação.

Voltaire. E o sacerdote dizia: Deus vos fez ignorantes e vis; ele me fez sábio e santo; vós sois as ovelhas; e eu, o pastor


Os infiéis de determinada época se transformam nos santos da época seguinte. Os destruidores do velho são os criadores do novo. À medida que o tempo passa, o velho se vai e o novo, por sua vez, torna-se velho. Há no mundo intelectual, como no mundo físico, decadência e crescimento, e no túmulo dos que decaíram nasce a juventude e a alegria.

Robert Green Ingersoll
http://www.mphp.org/racionalismo/voltaire---robert-g.-ingersoll.html

A história do progresso intelectual é escrita na vida dos infiéis; direitos políticos têm sido escritos por traidores, e liberdades de mentes, por hereges. Atacar um rei era traição; disputar com um sacerdote, uma blasfêmia. Por muitos séculos, a espada e a cruz foram aliadas. Juntas elas atacavam os direitos dos homens. Elas se defendiam entre si. O trono e o altar eram abutres irmãos gêmeos, vindos do mesmo ovo.

Jaime I disse: 'nenhum bispo, nenhum rei'. Ele deveria ter acrescentado: 'nenhuma cruz, nenhuma coroa'. O rei era o dono dos corpos dos homens. O sacerdote era dono da alma. Um vivia de taxas coletadas pela força; o outro, de esmolas coletadas pelo medo – ambos eram ladrões, ambos pedintes.

Esses ladrões e esses pedintes controlavam dois mundos: os reis faziam leis e os sacerdotes faziam crenças. Ambas atribuíam sua autoridade a Deus. Ambos eram representantes do Eterno.

Com as costas recurvadas, o povo carregava as obrigações de um, e com as bocas abertas de espanto, recebia os dogmas do outro. Se o povo tentasse ser livre, seria esmagado pelo rei, e todo sacerdote era um Herodes que esmagava as crianças pensantes.

O rei governava pela força, e o sacerdote, pelo medo, e ambos dependiam um do outro.

O rei dizia ao povo: "Deus vos fez servos, e me fez rei; ele vos fez para o trabalho, e me fez para a alegria; ele vos deu trapos e ferramentas e me deu palácios e roupas ricas; ele vos fez para obedecer e me fez para comandar. Esta é a justiça de Deus".

E o sacerdote dizia: "Deus vos fez ignorantes e vis; ele me fez sábio e santo; vós sois as ovelhas; e eu, o pastor; vossas peles pertencem a mim; se não me obedeceis aqui, Deus vos punirá e vos atormentará para sempre num outro mundo. Esta é a misericórdia de Deus".

"Não deveis usar a razão. A razão é uma rebelde. Não deveis contrariar – a contradição é nascida do egoísmo. Deveis acreditar. Aquele que tiver ouvidos para ouvir, que ouça". O céu era só uma questão de audição.

Felizmente para nós tem havido traidores e hereges, blasfemadores, investigadores, pensadores, amantes da liberdade, homens de gênio, que deram suas vidas para melhorar as condições dos seus semelhantes.

Isto pode ser suficiente para nos fazer perguntar: o que é a grandeza?

Um grande homem adiciona a o nosso conhecimento, amplia os horizontes do conhecimento, liberta as almas das bastilhas do medo, cruza mares desconhecidos e misteriosos, desbrava novas ilhas e novos continentes para o domínio do conhecimento, novas constelações do firmamento para nossas mentes. Um grande homem não busca aplauso e colocação. Ele busca a verdade. Ele busca a estrada para a felicidade, e o que ele obtém ele compartilha com os demais.

Um grande homem joga pérolas aos porcos, e os porcos são freqüentemente transformados em homens. Se os grandes mantivessem para si as pérolas, grandes multidões seriam bárbaras hoje.

Um grande homem é uma tocha na escuridão, um farol. Na noite da superstição, é uma inspiração e uma profecia.

Grandeza não é uma dádiva para a maioria; ela não pode ser de qualquer um; não pode ser dada de um para outro homem; eles podem se dar poder e colocação, mas não grandeza.

A posição não faz o homem, assim como o cetro não faz o rei. A grandeza vem de dentro.

Os grandes homens são os heróis que libertaram os corpos dos homens; eles são os filósofos e pensadores que deram liberdade para os espíritos dos homens; eles são os poetas que mudaram os povos e encheram as vidas de milhões com canção e amor. São os artistas que cobriram os muros nus da vida com triunfo e gênio.

Missão Haiti. Em momentos de crise, as pessoas chegam ao extremo de produzir bolinhos de argila


Invertendo a lógica que costumamos presenciar nas grandes cidades brasileiras, onde as populações mais pobres ocupam as áreas de morros e escarpas, formando as famosas favelas, enquanto os mais abastados desenvolvem seus bairros em áreas planas e longe de perigos como desabamentos, enchentes e outras mazelas.

Hoje faz uma semana que cheguei a Port au Prince, capital do Haiti. Conto aqui a primeira impressão que tive sobre a cidade, e mais tarde sobre o país. Nas reuniões prévias que tive em Brasília sobre a missão, fui por várias vezes alertado para a situação complicada e perigosa a qual se encontra esse povo.

http://nativo21.blogspot.com/2009/02/missao-haiti-ii.html

Porém, sempre me ficou uma dúvida se não existia um certo exagero por parte dos colegas da Agência Brasileira de Cooperação, com a finalidade de nos preparar para uma situação nada tranqüila. A primeira visão que se tem da capital haitiana é a do grande e famoso bairro Cité Soleil (Cidade Sol), que se tornou símbolo de violência no Haiti, com 250 mil pessoas, a maioria crianças, amontoadas em barracos, sem energia, água potável e sem esperança de um futuro melhor.

A visão de Porto Príncipe parece assustadora. A cidade é composta por grandes aglomerados sem uma estrutura definida, invertendo a lógica que costumamos presenciar nas grandes cidades brasileiras, onde as populações mais pobres ocupam as áreas de morros e escarpas, formando as famosas favelas, enquanto os mais abastados desenvolvem seus bairros em áreas planas e longe de perigos como desabamentos, enchentes e outras mazelas. Aqui, os morros, já sem nenhuma vegetação, são ocupados por uma infinidade de construções cinza, e as famílias mais ricas constroem seus refúgios paradisíacos acima da cidade, como a observar do alto a cidade agonizante aos seus pés.

No Haiti restam apenas 2% da vegetação natural. Não existe sistema de transporte que garanta a integração viária neste pequeno país de 27.700 km2. Enfrentando uma grave crise econômica, social e política, com a forte presença militar estrangeira em seu território, e com a massiva pauperização da população, o índice de analfabetismo alcança 45% da população; menos de 1 pessoa, dentre 50, possui um emprego fixo. Vale lembrar que, num passado promissor, o Haiti foi o maior produtor mundial de cana de açúcar e um dia foi a colônia francesa mais rica e influente das Américas.

O fantasma da fome parece rondar eternamente a população haitiana. Em momentos de crise, as pessoas chegam ao extremo de produzir bolinhos de argila, isso mesmo, argila, para saciarem a fome e não perecerem diante dela. Não existe água tratada. Não tem energia elétrica na maior parte do país. Não existem hospitais. As escolas são poucas e ainda pagas pela população. As atividades comerciais se resumem ao vende-vende de bugigangas e de produtos alimentícios (de qualidade duvidosa) em “feiras” e beiras de estradas, além do frenesi dos tap-taps (carros velhos e batidos que fazem o transporte coletivo). No Haiti não há ônibus para a locomoção das pessoas. O Haiti tem o tamanho do estado de Alagoas e uma população de cerca de 9 milhões de pessoas. Cerca de 85% delas estão na zona rural. Encontrei um quadro de desorganização total das instituições públicas. Aqui o Estado é sempre ausente. Cerca de 60% do que é consumido vem de importações e de doações de outros países.

Porém, passada essa primeira impressão que me deixou bastante triste, começo a vislumbrar possibilidades de melhoria e de esperança de um futuro melhor. Visitando comunidades rurais em várias regiões do país, pude observar qualidades no povo haitiano que parecem estar esquecidas ou escondidas. Na verdade, parece que essas qualidades são evitadas pela maioria das pessoas que podem fazer algo para ajudar. Encontrei comunidades rurais organizadas para a melhoria da produção. Famílias que se unem para construir e manter escolas comunitárias, onde o governo não está presente, a fim de diminuir a situação de analfabetismo. Quase todos os haitianos falam francês e creolo, uma variação do frances falado por 100% da população.

Muitos haitianos falam inglês e espanhol, como forma de não ficarem marginalizados. Uma estratégia de sobrevivência. Uma infinidade de instituições internacionais se faz presente no país tentando ajudar de alguma forma. Os haitianos têm uma forte convicção de sua soberania e lutam com todas as armas e forças para preservar isso. Porém, 99% da população vivem na pobreza extrema, dominados por 1% que detem toda a riqueza e se alia a forças externas (políticas e financeiras) para manter essa eterna situação de subjugação da população.

Nossa missão está no meio do trabalho, já visitamos comunidades, mercados, instituições públicas. Cada vez mais acreditamos que sim, temos possibilidades de fazer um bom trabalho. A idéia original era de implementar um programa de aquisição de alimentos, nos moldes do PAA – Programa de Aquisição de Alimentos – brasileiro. Porém, vimos que o país ainda não tem condições nem força política para tanto, apesar de já existirem experiências pulverizadas financiadas por instituições internacionais, como o Programa Mundial de Alimento – PMA, das Nações Unidas. Esses programas geralmente realizam aquisições de alimentos de produtores que têm uma escala de produção e uma certa qualidade garantida, excluindo totalmente os pequenos agricultores locais. Partimos, então, para a implementação de uma experiência menor, organizando associações e investindo em assistência técnica e extensão rural.

Dessa forma, estaremos ajudando o Haiti a criar seu próprio programa de fortalecimento da agricultura familiar, sempre voltado para a inclusão social e a segurança alimentar, ponto de partida para o desenvolvimento dessa nação tão sofrida.
Num lugar assolado por catástrofes naturais, pobreza e corrupção excessiva, mas cheio de belezas naturais, com um potencial incrível para turismo e produção de alimentos (não devemos esquecer que o Haiti está cercado pelo belo mar verde-azulado do caribe), fico com a sensação que temos, no Brasil, experiências de sobra para prestar uma boa cooperação aos nossos irmãos latino americanos.

Albert Camus. "Vocês não podem nos matar porque já estamos mortos".


A ação do proletariado na Argélia é, desde os primeiros dias, diretamente violenta e dirigida contra "sua própria" burguesia. A partir de um acontecimento particular e local, como uma gota d’água que faz transbordar o vaso, o proletariado consegue afirmar de imediato sua existência. Ocupa a rua por todos os lados. Em seguida a delegacia deixa de ser o alvo exclusivo, e a vingança proletária se generaliza contra o conjunto de instituições do estado, tanto civis quanto militares. A violência de classe contra a burguesia se produz sem concessões: incêndios, destruições, saques, reapropriação direta das mercadorias, combate à repressão...

http://www.algosobre.com.br/historia/administracao-colonial.html

Como sempre, diante desses acontecimentos, a burguesia trata de acalmar como pode a efervescência proletária, utilizando simultaneamente a porrada e o suborno. Desde segunda, 23 de abril, as unidades antidistúrbios são deslocadas de Tizi-Ouzou (capital de Cabila) até Beni-Douala, situada a 20 km. No dia 24, as autoridades, manifestando seus "desejos de apaziguamento", anunciam a suspensão do chefe adjunto da segurança da wilaya ("prefeitura") de Bugía, a detenção do milico autor dos disparos mortais em Beni-Douala e a colocação em funcionamento de um "programa especial de ajuda econômica a essa região". Além do mais difundem chamados à calma efetuados pelos familiares do estudante assassinado, que se dizem decididos a "iniciar os procedimentos judiciais para que se julguem os responsáveis".

Mas nem as promessas, nem os chamados à calma que os parentes das vítimas fazem, assim como os partidos e organizações social-democratas (RCD, FFS, MCB...) (5), nem tampouco a ação das forças repressivas conseguem impedir que o conflito se generalize. Ao mesmo tempo se produz um novo ataque ao edifício dos tribunais, que reflete a pouca ilusão que têm os proletários nos resultados das "perseguições ou processos judiciais". Os partidos social-democratas se mostram incapazes de modificar esta determinação e orientação violenta dos proletários, que escrevem em suas bandeiras: "Vocês não podem nos matar porque já estamos mortos". A indigência total em que foram jogados pelo capitalismo os impulsiona a lutar sem concessões.

Alguns números podem dar uma idéia da situação. De 1991 a 1999, em oito anos, o "poder de compra" do proletariado na Argélia baixou 60%. Entre 1999 e 2001, o número de pessoas declaradas "vivendo em condições de pobreza" passou de 10 para 14 milhões, dos 30 milhões de habitantes que tem a Argélia. Cerca da metade da população vive com menos de 50 dólares por mês, enquanto os aluguéis de apartamentos privados nos distritos populares oscilam entre 130 e 170 dólares por mês. Não surpreende que a taxa média seja de mais de sete pessoas por domicílio.

As negociações com o Fundo Monetário Internacional para renovar os créditos concluíram com um acordo que implicava a reestruturação do setor público e a indústria. Essa reestruturação produtivas impôs a supressão de 400.000 empregos. Dado o declínio industrial nessa região, aos operários concernidos não lhes restava nenhuma esperança de encontrar outra solução laboral.

Anteriormente aos distúrbios, a taxa de desemprego havia alcançado oficialmente 40% da população ativa. Um fato revelador da tensa situação social é que o único setor em que se encontrava trabalho era o das empresas privadas de segurança. Na Argélia existem mais de 80 sociedades desse tipo, nas quais às vezes trabalham até 1.500 pessoas. O que resulta mais sintomático é que as mais numerosas sejam as sociedades de segurança industrial.

Na Argélia, as necessidades mais elementares dos proletários, como a água potável, a moradia e a eletricidade, não estão cobertas. Os mais afetados por estas condições de vida são os jovens de menos de trinta anos, que constituem 70% da "população ativa". A cada ano, chegam cerca 300.000 jovens a um mercado de trabalho que não necessita deles. Agredidos até o limite de não ter possibilidades próprias para sobreviver, inventam estratégias para se arranjar. Visto preço dos aluguéis, é impossível sair do núcleo familiar e viver por sua conta. Esta é a razão pela qual os jovens repetem voluntariamente anos escolares para adiar a data em que ingressarão no serviço militar e em que passarão seu primeiro dia como desempregados. Compreende-se assim o papel que a juventude desempenha na revolta. Mas não nos deve assombrar que os jornalistas aproveitem a situação para expressar seus clichês sociológicos favoritos. Partindo da realidade do dilema entre o exílio e o desemprego, os jornais fomentam a imagem do "mal-estar dos jovens" e sua "sede se justiça e democracia", negando e escondendo que é o proletariado de todas as idades que enfrenta a justiça e a democracia.

Varrendo toda terapia cidadã, os proletários, que não têm nada a perder senão seus grilhões, empregam a única arma de luta eficaz para a nossa classe, a ação direta: "Os jovens manifestantes não querem falar com um poder que os despreza. Eles mesmos desprezam o poder. Então se rompe tudo aquilo que é símbolo do estado. Os manifestantes não querem dialogar" (6), se lamenta um desses escrevinhadores.

Imagem: http://www.manics.nl/images/misc_wp4_1024x768.jpg

Jornal de Angola, 19 de Dezembro de 2009



Diário do Povo. Porta-estandarte marxista-leninista
Banco Millennium Angola, um banco do Plano C

Dirigente do MPLA apela ao combate ao analfabetismo

Camama. Colocada primeira pedra do “Distrito Residencial”. Projecto é financiado por banco chinês.

Processo constituinte. Críticas da UNITA à forma do debate

Chefe de Estado recebeu do PCA da Sonangol garantias de trabalho conjunto

Planos do banco para 2010. BPC entra com 200 balcões e um milhão de clientes.

Casa modelo apresentada ontem. Novo Condomínio nasce no Benfica. O projecto foi orçado em 35 milhões de dólares para a construção de 11 mansões de alto luxo, numa dimensão de 720 metros quadrados de área total. O valor da mansão está situado entre nove a dez mil dólares o metro quadrado.

Editorial. Angola e RDC privilegiam diálogo. Acreditamos que de facto pelos resultados alcançados e tal como manifestou Raymond Ntunga Mulongo, ministro da Cooperação Internacional e Regional da RDC a reunião vai ficar marcada nas relações entre os dois países.

Mercados. Petróleo em alta em Nova Iorque

Internacionalização. Sonangol explora petróleo no Iraque

Luanda/Bengo. Zona Económica Essencial já tem administradores. Manuel Júnior explica que os Pólos de Desenvolvimento combatem a pobreza e dão emprego.

Diversos perdeu-se passaporte chinês passado em nome de Yi Fan Huang, Shi Cheng Zhan, Yong Yan Lin e Chen Chaggem.

Hotel Mombaka volta a abrir

Benguela. Aeroportos prontos para receber integrantes e adeptos da série C

Morte do escritor Jorge Macedo provoca suspensão de médico. O escritor morreu por não lhe ter sido prestada a devida assistência médica.

Alfabetização. Manuais devem ser adaptados à realidade do ensino de adultos

Quadra festiva. Centros de saúde em alerta

Capital (Luanda) privada de energia amanhã

Acção Humana leva brinquedos a centenas de crianças doentes

Kwanza-Norte. Direcção de Cultura prossegue combate às igrejas ilegais

Escritores de literatura infantil valorizam transmissão de valores

Estádio da Tundavala foi entregue ao Estado

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A Epopeia das Trevas (86). Por esta e a outra hipocrisia Ocidental


O Governo angolano recorda mártires da repressão colonial. Da repressão pós-colonial anterior, actual, permanente não.

Já anunciei que quero alugar o meu coração
os inquilinos pagarão a renda com amor
na minha morada eterna, e não me despojarão
Pagarão pontualmente a renda do meu coração

A nossa loucura tudo esmaga, esvazia os nossos corpos
como monstros lendários em selvas reais

Quem sabe o que está certo ou errado?
Porque não me deixam humedecer no meu cacimbo?

Somos pequenos, grandes actores
no enredo deste interminável filme

Deleito-me a passear nos passeios esburacados
desventrados pelos lodaçais sempre inundados
Os nossos governantes sem itinerários deslocam-se nas rodas
dos ventos ciclónicos, movendo a intempérie para outras rotas
O seu exibicionismo é a corrupção da inteligência
Não há separação de raças porque nas bebedeiras
somos todos iguais
O cinismo e a hipocrisia são a barbárie da sobrevivência humana
entram democratas saem ultra direita
A solidariedade entre nós?!
Ainda estamos a aprender com os ratos
a política cultural

As nossas guerras de libertação petrolíferas, diamantíferas
E nas florestas regadas de petróleo
os bichos deixaram de cantar
Caçam-se para a fome mitigar

Ouvirei sempre a minha doce voz de anjo no céu
Estou muito longe e contudo tão perto dos vossos corações
Não, não desisti tão cedo descontente! Quão difícil é acreditar!
Com tanto amor que não tive e agora tenho no céu
o que nunca tive na terra

As minhas lágrimas não são de desespero
são de ódio ancestral ainda subjugadas
por esta e a outra hipocrisia Ocidental

Pareceu-me ouvir as vozes dos anjos no céu
a chamarem-me para debaixo da terra
Dificilmente tentei sempre andar em cima dela
E facilmente consegui para sempre nela debaixo ficar
Na paz eterna que não me souberam dar

Acompanhem-me como se fosse a minha última festa
Chegaremos à morada eterna que neste dia encontrei
Sentirão os meus últimos sorrisos
porque me vinguei da vida com a morte

Não me lamentem, o vosso dia não tardará!

Imagem: Construção chinesa no Uíge, http://1.bp.blogspot.com/_

O PREGADOR MPLA, SARL (1)



Diz o ditador: sem violência arbitrária, este mundo seria uma tristeza.
Enquanto o poder estiver com os idiotas, a fome nunca acabará.
Outra vez! Antes eram os russos e cubanos, agora são os chineses.
Existe escassez de cemitérios ou os mortos são abundantes? Extermínio da população em curso?!
O futebolista tem a inteligência nas pernas, o sábio tem-na no cérebro.

O Senhor da Constituiçao padece imutável. Os filhos dos famintos dispersam-se, perdidos não sabem o que querem. O nosso segredo é fazermos tudo em degredo. Adormecemo-los com narcóticos poderosos. Quando acordam enchem-se de visões. De vez em quando tentam espantar-nos com os seus temores. E acabam eles por estremecer. São apenas espíritos que se arrepiam nos seus devaneios. Somos mais justos que Deus e assim queremos continuar, mas os tempos infelizmente estão sempre a mudar. Não confiamos no nosso povo, são muito falsos, traiçoeiros.

Mesmo que lhes ponhamos boas escolas, boas casas, rebentam com tudo. Têm muita razão quando depois dizem que foi o governo. Até se queixam de uma simples torneira estragada que lhes inunda a casa. E que o governo não resolve nada, não os ajuda. São muito sacanas, um povo safado. Não procuram sabedoria, (também quem lha dará?!) e quando se lhes fala nisso, inventam uma doença. Dizem que não têm tempo, e quando o têm a cabeça começa a doer quando se lhes dá um livro para ler. Mas são muito simples, muito humildes. Basta uma caixa de papelão vazia, alguns pacotes de bolacha, cigarros, umas bebidas e já está o negócio montado. Não são muito exigentes, nem empreendedores porque os filhos milionários receberam Angola de bandeja. De qualquer modo já chegam os problemas que têm. Para quê complicar as coisas?

Apelo aos esfomeados a que busquem o MPLA, SARL
Vá, respondam! Para qual dos demónios se virarão? A ira é o nosso prazer; são tolos porque não têm oposição. Tentam construir casas, mas logo são amaldiçoadas, derrubadas, arrasadas. Parece que os vossos filhos estão a salvo, mas não há ninguém que os liberte. Os famintos não têm nada para devorar; nem espinhos têm para comerem; e os assaltantes estão sempre atentos. Da terra não sai nada; Só aflição. Nascem para trabalhar, o que não há; por mais que se levantem estão sempre a cair.

Buscarei sempre o MPLA, SARL; não adianta contestarem. As coisas diabólicas são feitas pelo MPLA, SARL; e são tantas que já lhes perdemos a conta. Terra com chuva a mais, as colheitas destruídas; esse é o dom do nosso Chefe Eterno. Só os nobres têm direito aos lugares altos; e daí vêm a vossa salvação. Os mais espertos que nós são aniquilados; e as vossas mãos não carregarão nada. Não admitimos concorrência de sábios; os conselhos partem de nós.

De dia e de noite sem luz para que andem às apalpadelas. A minha mão forte pega na espada para castigar os prevaricadores. Esta é a esperança dos pobres. Bem aventurados os que o Chefe Eterno castiga; nunca desprezem os nossos castigos. Porque as vossas chagas e feridas não serão curadas, e é preciso ter sorte, que os hospitais tenham medicamentos. Das angústias não se livrarão, porque o Chefe Eterno vos tocará. Nunca se livrarão da fome da morte; nem da guerra, nem da violência da minha espada.

Por mais que fujam não se livrarão dos açoites; serão assolados pelas marchas forçadas das maratonas. Não os temerei e da vossa fome rirei. Comerão as pedras e a terra dos campos. Tudo faltará nas vossas habitações; viverão sempre em tendas. Não terão sementes para multiplicar; só o capim crescerá.
Nem sepulturas terão na velhice; nem tempo, nem trigo. Estamos fartos de os admoestar; oiçam e meditem o que o Chefe Eterno vos esclarece.

Os famintos não se podem queixar
Oh!.. se alguém conseguisse pesar a miséria que já causei; felizmente que não existem balanças para essa tarefa. Teria que ser mais pesada que os campos petrolíferos e diamantíferos; é por isso que os esfomeados não valorizam as minhas palavras. Todo o poder e o veneno do Chefe Eterno estão comigo; os esfomeados tentam armar-se contra mim. Que se cumpram os meus desejos e que o Chefe Eterno se mantenha sempre no poder. Nunca mostramos compaixão aos aflitos; nem àqueles que temem o Chefe Eterno. Envergonham-se porque confiaram em nós; andam confusos com tantos partidos políticos.

Não conseguem livrar-se do opressor; gostam dos tiranos. Calem-se; e nunca nos apontem erros. Nem tentem repreender-nos; cairá sobre vós um vento de metralha destruidor. Por mais que nos implorem nunca serão servidos; habituem-se às nossas mentiras. Voltai para junto de nós, porque a causa do Chefe Eterno é justa.
O meu paladar vem do reino; e o vosso da sua miséria. Cansaram-se da guerra; finalmente a paz, que mais querem?! O esfomeado espera ao sol que lhe paguem o salário. Não consegue dormir porque até de noite trabalha. Descomunais são as noites, o seu fim também. Não têm roupa para vestir, não podem comprar medicamentos. Morrem de doença porque não têm dinheiro. Na verdade a esperança é a primeira coisa a morrer; por isso já a perderam.
Se milhões de seres humanos aplaudem os pés dos jogadores, isso significa que são bípedes.

Jornal de Angola, 18 de Dezembro de 2009



Diário do Povo. Porta-estandarte do marxismo-leninismo
Banco Millennium Angola, um banco da nossa espoliação

Ministro Rabelais. Comunicação Social continua modernização

Conselho consultivo do ministério iniciou ontem. Interior investe para maior segurança dos cidadãos.

Cabinda destaca a paz

Nova Democracia quer eleições ao abrigo da nova Constituição

Editorial. A prevenção de acidentes. Aproxima-se a quadra festiva e a Polícia Nacional fez questão de lançar mais uma campanha de prevenção rodoviária em todas as estradas do país. O que se pretende é que não haja acidentes de viação e se eles existirem, que não resultem em perdas de vidas humanas.

Sonangol realiza estudos em terra. A Sonangol apela à compreensão e colaboração de todos. Em particular das comunidades locais, na execução do projecto que pode acarretar alguns incómodos para as comunidades locais.

Cabinda apresenta encantos do Maiombe

Diversos perdeu-se passaporte chinês em nome de Jinmei Yang

Hospital geral de Luanda. OMA ofereceu bens essenciais e brinquedos às crianças doentes.

Zaire. ENE promete melhorar fornecimento de energia

Lar Kwzola. Total festeja com crianças

Polícia pede mais profissionalismo às empresas privadas de segurança

Bengo. Reabilitação da barragem das Mabubas promete fornecer electricidade à província.

Malanje. Crianças hospitalizadas festejam o Natal

Huíla. Assistência médica garantida em duas povoações

Lunda-Sul. Governo investe em escolas e centros de saúde em Saurimo

Obras obrigaram a cortes. Reposta energia em Malanje

Literatura. Tchissole ganha prémio António Jacinto

Atentado à saúde pública. Shoprite apanhado com bens impróprios para o consumo.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A Epopeia das Trevas (85). Insistimos nos negócios que o vento leva



Um governo das maratonas e para as maratonas
que insiste beber o álcool não original das nossas origens e dos nossos destinos

Insistimos nos negócios que o vento leva
e na vocação das festas inatas para arder o tempo que nos sobra em demasia
A hipocrisia é a satisfação do dever cumprido
Semear injustiças é colher revoltas
Mesmo que o nosso governo faça alguma obra para algum africano ver
nós acabaremos com ela
Se tivéssemos a bomba atómica seríamos alcunhados «o Continente do cinzeiro radioactivo»
Se a bebida fosse livros eu seria muito culta
Até nos concursos internacionais de bebidas alcoólicas somos discriminados
porque de antemão todos sabem que somos vencedores
E nesta batalha não há Waterloo

Não fico exausta
Mas constrangida de não correr pela areia das praias
proibidas
Um instante muda muito, muita coisa

As estátuas dos meus seios erectos, modelados
como fruta afrodisíaca na avidez do espanto do prazer
na espera do alimentar a vida
e voltar a endeusar-me
sem corrupção nem queda
da actual governação
algo muito fácil
Sou uma deusa lendária amada, desejada por todos os deuses
e perante a realidade destas coisas sem mundo

Ó embarcações da emigração clandestina
levai-me e que chegue viva às fronteiras trágico-marítimas
da nova colonização

O prédio onde ainda consigo viver, restam alguns alicerces
ainda bem! Prefiro o capim seco da liberdade campal
Comprometo a minha queda africana
abismal
Ao assinar contratos de qualquer espécie
nacionais ou internacionais… para quê!? Se depois ficam esquecidos,
rasgados, abandonados nas lixeiras desproporcionadas, desgovernadas,
é por isso que o meu povo é acérrimo defensor da delinquência
Quantas mais leis, mais desordens
Melhor será não existir lei, porque a desordem está organizada
devidamente institucionalizada

Ai de mim se conseguir desenvolver a minha inteligência
Ficar culta, lá me chegam os ancestrais sacramentos:
«Vai lavar a loiça, a roupa e varrer o chão
depois cozinha funji com quiabos, jimboa e cacusso assado
Traz o jindungo regado com a bebida da nossa trovoada
tempestade tropical
Em seguida despertaremos a sombra do secular embondeiro»

Lutamos, sofremos, vivemos, morremos
Sem dinheiro. Está com eles e esses
das companhias petrolíferas

Raramente por amor. Se não existisse hoje, amanhã?!

Bilhete de identidade e os filhos milionários (Fim)


Porque sem fazerem nada, basta como habitualmente na qualidade de accionistas aguardarem calmamente que os seus parceiros petrolíferos lhes creditem os milhões de dólares habituais nas suas contas especiais. O MPLA, SARL cumpre obedientemente as ordens superiores dos seus patrões estrangeiros que são: continuar sem escrúpulos a escravizar, a chicotear, a espoliar, a colonizar e neocolonizar o povo angolano.

O MPLA, SARL tem muitas filiais, rádios, televisões e jornais que espalham dia e noite as mentiras grotescas dos quase cinquenta anos de informação estalinista e nazista. Tal e qual como numa religião, o MPLA, SARL apresenta-se nas vestes de Deus e impõe a ignorância e a superstição nas populações. E juram que não existe ninguém como ele, com irresponsabilidades acrescidas, com experiência inigualável na governação da corrupção. Assim continua na imposição das trevas marxistas-leninistas. Completamente soltos, deslavados, conluiados com os amigos importados. Sem oposição que lhes faça frente, apenas a de ocasião. É uma ténue oposição do cifrão (?). É uma oposição estóica porque de tanto apanhar ainda impele: vós, MPLA, já estais satisfeitos? Se não, podeis malhar-nos mais até à exaustão.

Os filhos milionários garantem que são empresas mas não. São quadrilhas locais, nacionais e internacionais. Quando unidas ao governo que já deixou de o ser, é cigano.
E edificaram tamanha multidão de analfabetos que se impossibilitou constituir, prosseguir tal nação. E os escravos não conseguiram libertar-se. E Angola não conseguiu libertar-se do neocolonialismo, extingue-se. E com a secular frustração o mergulho alcoólico é certo. E a independência trouxe-nos mais pavor, horror, torpor. Resta o fim, a desilusão. A ilusão dos campos de concentração.
Neste campo de concentração do terror luandino, o nosso petróleo não beberemos. Os nossos diamantes não comeremos. Nas torres, prédios e condomínios, cagaremos. Nos bancos e nos banqueiros mijaremos. E também cagaremos e mijaremos nos estádios de futebol. Aos nossos saudáveis arcos, flechas e tangas voltaremos.

É um crime neste momento esbanjar dinheiro em futebóis da fome.
Internacionalmente os preços baixam e nos otários de Luanda sobem. Por aqui se vê o desempenho da equipa económica (?) governamental.
Nós, os do MPLA, asseguramos que cumprimos a nossa missão histórica. Finalmente já nada resta para destruir. Angola não é um país, é o que resta da África.
Luanda aos poucos evolui para um gigantesco necrotério. Parecem os tempos da guerra sem ela. A escravidão e o colonialismo continuam, ainda não acabaram. Até agora não houve nenhum movimento de libertação que nos libertasse.
O MPLA não combateu Salazar para libertar o povo angolano. É que Salazar não gostava de corruptos. O MPLA não é um partido político. É um grupo de maus actores que representam bem um filme macabro. O mais importante é construir prédios, qualquer coisa de betão. A população que mendigue, se arraste abandonada, sem futuro. Este governo do MPLA é como o fumar, mata!

Como é que ficarão os chineses quando se libertarem do comunismo? Os dias e especialmente as noites continuam sobrecarregados, ultrajados de neocolonialismo. As grandes importações de álcool contribuem para o desenvolvimento da pátria angolana. Vem aí mais uma farsa eleitoral angolana à Vaticano cardeal. Vota-se, sai fumo branco… e eis um vencedor eleito por Deus. O que é necessário é outra má receita para cozinhar as próximas eleições.

E com os milhões de dólares gastos nos estádios de futebol… no Can 2010, a nossa economia desenvolve-se, cresce. É mais uma mais-valia para o crescimento dos nossos bolsos pessoais. Depois, tudo às moscas, em ruínas. Estas coisas não conservam empregos. Só conservam a vaidade… dos vaidosos. Nos portões quase cinquentenários da nossa recessão, numa economia sem contabilidade, sem vendas a crédito. Na tragédia da economia da selvajaria. Foi, e será sempre, o investimento adequado para permanecer eternamente na sombra da bananeira do poder.
"Nos tempos dos escravos levavam-se os grandes e os fortes, e deixavam-se para trás os débeis e os enfermos. Hoje, os grandes e os fortes vão por sua própria vontade, vivem um inferno para atravessar o Mediterrâneo e chegar ao sul da Europa, encontrar trabalho e um lugar para dormir.” In Trevor Manuel, ministro das finanças da África do Sul

Jornal de Angola, 12 de Dezembro de 2009



Diário do Povo. Porta-estandarte oficial do marxismo-leninismo
Banco Millennium Angola, o seu dinheiro vai a pique

Ghana. Cônsul elogia contributo de Angola para a paz na África Central e do Sul.

MPLA. Marcha em Luanda saúda o congresso

Huambo. Direitos humanos é tema de palestra

MPLA preocupado. Estrada Cacula-Quilengues com grande atraso nas obras

Políticas estruturais. Cenário macroeconómico exige poupança pública

Associação de médicos e jovens. Embaixada dos EUA financia projectos para desenvolver a democracia no país.

Mamã Muxima. A força mítica das margens do Kwanza

Editorial. O desempenho escolar. Angola está a criar de forma imparável as condições para atingir um dia indicadores de desenvolvimento elevados, particularmente ao nível da educação e ensino, uma área que constitui alavanca para levar o país a sair do atraso económico e social. Os números divulgados relativos ao desempenho escolar são animadores.

Considera mediação. Processo político no Zimbabwe está registar alguns progressos.

SADC examina estratégia contra a pobreza

Petróleo. Previsão de subida na procura mundial

Diversos perdeu-se passaporte chinês em nome de Zhang Zhongxiang

Roubo. Quadrilha assalta Banco BIC (em Luanda) e mata um dos guardas a tiro.

OMA oferece presentes de Natal a crianças de lares e hospitalizadas

Polícia económica alerta. Especuladores vão ser punidos

Kwanza-Norte. Aldeia Nova privada de água há três meses

Huíla. Famílias camponesas da Chibia recebem toneladas de sementes

Zaire. Tomboco relança produção agrícola

Projecto Angola jovem. Casas para a juventude distribuídas no Lubango

Abuso sexual de crianças. Papa conversa com bispos irlandeses

Alto Comissário para os Direitos Humanos. ONU está alarmada com ataques aos estrangeiros na África do Sul.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A Epopeia das Trevas (84). Governar é fácil, perguntem aos abutres


Vejam o que me fizeram e não retiveram
Os sons que agora oiço dos pés nus e mãos estendidas
O meu nome está à venda, esse sentimento perdido
Como uma pequena janela, que nem isso já tenho
E o meu nome era o futuro… depois do ano 2000
O meu futuro, o meu relógio parou, já não se usa
nos programas rodados sem computador
Nem comecei, parei, à espera da hora,
demora falar
Perdi a escalada do véu que me conduz ao céu

Estamos juntos, tão próximos e contudo tão distantes
Como lágrimas de crianças órfãs
Como tudo o que é belo e sempre efémero

Governar é fácil, perguntem aos abutres
Quando dois homens não se entendem, o dinheiro está errado
Tenho que apressar-me, vou revolver o lixo da esperança
Sem ela, de encontrar o que resta do meu nome
Sento-me, sinto-me cansada

Tudo o que for construído, destruído será
no cinismo da hipocrisia africana
onde diariamente tudo se agrava
Cai aos pedaços, sem terramotos
Os vulcões humanos ardem africanos
Tudo se grava, cai dia após outro dia
Sem escolas, sem ensino adequado
O meu cérebro está atrofiado
É por isso que dizem «É o Continente atrasado»
A História humana é a história dos punhais
Se os campos de futebol lavrassem terra
teríamos abundância de comida
Adeptos do futebol, escravatura moderna

Não consigo afirmar-me à espera do profeta
As lágrimas saltam no meu rosto quando penso
Os animais agitam-se enquanto Deus estende as suas mãos
A um amor desconhecido sentado na margem dos mil rios

Vi a mãe entregar o seu bebé para fugir da fome
O mar tentando galgar montanhas inundando inumanos
voltando aos princípios
Os seres humanos perdidos na selva de betão
Acorrentados, armadilhados felizes na bestialidade
para sempre eterna

O bebé para sempre abandonado sorrindo
para o mundo hostil
Vi muitos nós para sempre complacentes, cúmplices na desgraça
Vi os silêncios de cada instante no nosso olhar de cada dia
Como cães selvagens na fuga incerta para um lugar
Tentei adormecer no desalento amanhã da mamã
Confirmar a aventura, continuar na desventura
neste pão angolano sempre órfão

Vara regressa com outra vara, a de corrido à vara


Aterrorizou a área financeira, agora lança-se noutro terrorismo… da área não-financeira. Desejamos muitos êxitos ao Senhor Vara e que regresse o mais rápido possível aos tribunais e à prisão, que é o lugar onde têm alguma utilidade.

«Armando Vara regressa hoje ao BCP

Armando Vara regressa hoje ao trabalho no Millennium BCP, com responsabilidades na área não-financeira.
O regresso de Vara surge depois de este ter suspenso as suas funções como vice-presidente na sequência da constituição como arguido no processo Face Oculta.

DIÁRIO ECONÓMICO

O banqueiro, que desde o início do caso Face Oculta manifestou interesse em continuar a ser útil ao BCP, vai assumir responsabilidades na área não-financeira, tendo o aval da gestão e dos accionistas de referência do banco comandado por Carlos Santos Ferreira.»

Comentários
ÓLHÓMEU ..., | 04/01/10 11:02
Um arguido a administrar o dinheiro dos outros cidadãos, num Banco ...
Porreiro !
Vou sacar de lá o meu dinheiro.
Brincamos ou quê ?


schieder da silva, munique | 04/01/10 11:20
COM A JUSTICA QUE TEMOS NAO ERA DE ESPERAR OUTRA COISA ;


Jorge, | 04/01/10 12:16
Mostra que nada teme e que tem carácter.

Bilhete de identidade e os filhos milionários (1)


Bilhete de identidade: cartão ou documento que, expedido por autoridade competente, contém dados essenciais que identificam seu portador (nome, filiação, data de nascimento, assinatura e impressão digital do portador etc.); bilhete de identidade, carteira de identidade. In dicionário Houaiss

Com mais duas fotos fica bilhete de identidade de cidadãos nacionais. Mais duas fotos bem lindas seriam Estaline e Lenine ou Robert Mugabe e Hitler. Mas as duas fotos verdadeiramente apropriadas seriam a de uma zungueira a ser espoliada por polícias ou os casebres destruídos e também espoliados. Ou ainda a população num campo de concentração e crianças ao relento, no martírio do frio e da chuva mortais. E neste reino das conferências os convidados torcem, desviam as palavras como o compositor alemão, salvo erro, Richard Strauss, que na sua música não denunciava, esquecia as atrocidades nazis nos campos de concentração.

Correctíssimo também seria as fotos de Holden Roberto e Jonas Savimbi. As fotos de Agostinho Neto e de José Eduardo dos Santos destinam-se apenas a fins políticos. A tentar convencer que só existem dois líderes em Angola, um falecido e outro renascido. Pretende-se cilindrar as mentes até à exaustão, derretê-las de depressão. A espelhar o desprezo de identificações que nos vota, na comemoração do seu aniversário o PR conviveu, enalteceu a miséria das populações devidamente bem identificadas do Panguila.
É inútil confiar em alguém que está enamorado, bêbado ou em campanha eleitoral. Shirley MacLaine

Serão a reencarnação dos espíritos das feras? Assim, governar é uma selva exemplar. Este MPLA é matreiro como os lobos. Então, aqueles que sempre estiveram com ele, agora que já não precisa, abandona-os nos esburacados tendais rodeados e assolados por vendavais. Quando soar, rebater mais confusão, os chineses que o apoiem. É como as igrejas que nos bombardeiam com os seus cultos barulhentos. Não são igrejas de Cristo, são parcerias do demónio. Eis a actual situação de Angola sem bilhete de identidade. Numa opressão e espoliação jamais consentidas que nos conduzirão inevitavelmente para outra luta armada. Muito mais violenta que a anterior.

Existem idiotas no poder que parece que não pensam. O bilhete de identidade adulterado vitima-se, reflecte as tremendas alterações climáticas que desfarão, arrasarão tudo o que se construiu. E então veremos a inutilidade de tanta construção e do gozo impune da identificação.
Tanto dinheiro gasto em vão. Assim não haverá dinheiro que chegue… desde que lhes baste, que nos imponham a fome. É necessário proibir, velarem-se leis que cassem a actividade dos especuladores da identificação. Tal como as empresas imobiliárias em que Angola é só deles. Que sejam imediatamente detidos. Que se lhes faça tenaz perseguição. Que se criem grupos de pressão “vingadores”. Que sejam vassourados para sempre da face da terra angolana.

Assim nunca sairemos do caminho da oposição submissa das esquinas silenciosas.
Estes são os tempos mais violentos de que há memória. E eles, os tempos, continuarão, os governos apoiam, originam tão selvático estado de coisas que por pouco nos inibiremos de sairmos das nossas casas. Por enquanto ainda podemos andar em algumas ruas. Quase que não passamos de inúteis traumatizados. Apenas nos lamentamos e afora isso pouco ou nada mais fazemos. Não tomamos opções, estamos como que amarrados no tempo.

Deixamos as coisas andarem. Tornámo-nos cobardes porque nos deixamos condenar, escravizar por qualquer governo ou governante de meia-tijela. Para gáudio dos ditadores e dos seus falsos valores. Ainda não repararam que está quase proibido duas pessoas se amarem? As ruas metem-nos medo porque a qualquer momento nelas somos assaltados, violados, roubados e assassinados. Depois os cidadãos vão jurar que o bilhete de identidade não lhes pertence. É dos cidadãos vitalícios Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos. Onde está, como fica o pessoal e intransmissível?!

As ruas aterrorizam-nos, tornam-nos doentes mentais à espera de tratamento adequado. E depois a justiça não funciona, ou demora muito nas montanhas de papelada que produz. Compramos uma arma legal ou ilegalmente e aí vamos nós para a nossa protecção pessoal e da nossa família. Infelizmente não podemos mais contar com a polícia porque os crimes são aos milhares… ou aos milhões?

Os filhos milionários
Em 1845, Garrett escreveu, nas "Viagens na Minha Terra", o que custava um rico a um país: a ruína no trabalho, a dissolução moral, a miséria mais escanzelada. Garrett não era comunista.
O patronato português, geralmente, é de um reaccionarismo bolorento. Além de demonstrar uma ignorância e uma incultura atrozes.
In Baptista Bastos. http://diarioeconomico.com/

Este MPLA das calendas é uma sociedade anónima de responsabilidade limitada. Tem um presidente do conselho de administração, administradores e directores que repartem entre si as receitas petrolíferas do tal fundo da reserva especial. Os filhos do presidente do conselho de administração são milionários porque têm direito de sucessão e também ao mesmo saco sem fundo lá vão. O MPLA, SARL tem milhares de operários que devido há sua condição de escravos têm direito a não receberem um tostão. Têm outro direito: o de obrigar as suas esposas a vender em qualquer lado qualquer coisa para conseguirem o vencimento que o MPLA, SARL lhes usurpa. Os accionistas do MPLA, SARL investem muitos milhões no estrangeiro, em Portugal, e em Angola não investem no fornecimento de energia e de água. Escravos não necessitam destas benesses.
Imagem: FOLHA 8

Jornal de Angola 10 de Dezembro de 2009



Diário do Povo. Porta-estandarte oficial do marxismo-leninismo

Angola e China. Associação chinesa de amizade quer conhecer as tradições e os costumes do povo angolano.

Voto secreto no MPLA. Presidente José Eduardo dos Santos foi eleito por esmagadora maioria. Líder do partido fala em “grande surpresa”.

Crise na FNLA. Ngonda está zangado com os deputados do partido. Bancada chefiada por Ngola Kabangu ignora as orientações da nova direcção.

Direitos humanos. Conselho de juventude quer mudança nas atitudes.

Bairro Rangel. Munícipes estão descontentes com o trabalho das empreiteiras.

Editorial. Alfabetização e conhecimento. Os órgãos encarregados do ensino de adultos devem prestar especial atenção às condições que são dadas aos alfabetizadores, dando-lhes um bom tratamento em termos de remuneração, a fim de podermos atingir os objectivos que nos propomos ao nível da educação e ensino de pessoas que não puderam entrar antes na escola para aprender a ler e a escrever.

Mercados. Preço do petróleo abriu ontem a subir

Diversos perdeu-se passaporte chinês em nome de Yu Sifeng e He Xiu Lian

Unidades de saúde preparadas para o CAN-2010. Hospitais asseguram serviços de qualidade.

Luanda. No bairro Boavista há Natal sem fome

Desempenho escolar em Luanda agrada a direcção da Educação

Combate à SIDA. Milhões de preservativos distribuídos durante o CAN

Auto-estrada periférica. Via de Viana a Cabolombo está sinalizada e iluminada

Moxico. Milhões de kwanzas em projectos sociais

Falta de enfermarias. Camas com mais de duas parturientes na maternidade de Malanje.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Apagões e curto-circuitos marxistas-leninistas




A nossa sinergia eléctrica ainda está no comunismo primitivo. Mas, com as nossas sinergias revolucionárias atingiremos, demore o tempo que for necessário, os píncaros do marxismo-leninismo. Sim, o nosso Politburo é unânime: o bem-estar do nosso sacrificado povo será almejado. Triunfaremos nas melhorias, nas condições sociais, no fim da pobreza.

O nosso povo é sábio, e sabe que nós sabemos que só o marxismo-leninismo nos guindará para a estratosfera. Sob a clarividência do nosso guia eterno, até o Universo se nos renderá.

A nossa luta é contínua e venceremos porque somos guiados, reforçados agora por dois deuses. Um marxista-leninista e outro católico.

Luanda, caos económico e social
Apagões. Interrupções no fornecimento de energia eléctrica.

Dezembro 2009
31Dez09 das 23.50 às 00.08 do dia 01Jan10. 20Dez09 das 06.04 às 16.50. 20Dez09 das 01.00 às 03.00.16Dez09 das 05.56 às 20.50 do dia 19Dez09. 14Dez09 das 19.00 às 00.15.13Dez09 das 15.23 às 20.55. 12Dez09 das 21.13 às 00.45. 11Dez09 das 15.23 às 20.55. 09Dez09 das 08.08 às 12.50. 08Dez09 das 18.15 às 21.20. 07Dez09 das 09.55 às 17.30. 03Dez09 das 08.00 às 17.00.

Novembro 2009
17Nov09 das 18.30 às 23.00 horas, 18Nov09 das 09.30 às 10.00, 20Nov09 das 17.50 às 23.00, 23Nov09 das 11.25 às 17.45, 26Nov09 das 16.00 às 22.07

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

O Expresso do Oriente. Hércules Poirot no desemprego.

A mítica linha suspenderá as suas actividades.
Expresso do Oriente: fim da sua história
A companhia explica-o pelo impacto de voos baratos e a alta velocidade.
O ramal que une Veneza e Istambul seguirá no activo, a 5670 € por passagem.

Actualizado domingo 27/12/2009 21:45
Francisco Martinez ELMUNDO.ES

Istambul.- A crise também afecta os mitos. O que foi durante 127 anos o trem mais conhecido e luxuoso da terra fez a sua última viagem, deixando no desemprego a um dos detectives mais conhecidos da história, Hércules Poirot.
O Orient Express unia Paris e Istambul através dos Balcãs, e inspirou múltiplas obras literárias como o 'Drácula' de Bram Stoker ou 'Desde Rússia con amor', de Ian Fleming, em que James Bond viajava com a atractiva Tatiana Romanova.

Em 1882 George Nagelmackers, Director da Compagnie Internationale des Wagons-Lits, convidou os primeiros passageiros do Expresso do Oriente para que fossem no seu trem de Paris a Viena. A rota foi expandindo-se e em 1989 já chegava até Istambul. A maioria dos grandes hotéis da velha Constantinopla é dessa época, como o Büyuk Londres ou o Pera Palace, construídos em 1892.

Foi neste último onde Agatha Christie escreveu a obra que acabou por imortalizar o trem: ’Assasinato no Expresso do Oriente'. Uma intriga bizarra e glamorosa que o detective Hércules Poirot resolveu in extremis. O Pera Palace guarda a suite onde se alojou a escritora britânica como museu.
Os amantes dos quilómetros todavia têm una última oportunidade com o transiberiano de Miguel Strogoff e o doutor Zhivago, mas a morte do Expresso do Oriente representa o final de uma época que ficou obsoleta pelos avanços tecnológicos.

Símbolo da ideia de progresso
O Expresso do Oriente merece um obituário como símbolo da ideia de progresso e representante da cultura europeia em Paris, Munique, Viena, Budapeste, Calais, Milão, Veneza, Trieste, Zagrebe, Belgrado, Sofia e Istambul.
O ramal que une Veneza e Istambul seguirá no activo, reservado como serviço de luxo e com um custo de 5670 euros por pessoa. A proprietária da linha Paris-Viena, Euro Night Rail Services reconheceu que "os voos baratos e os trens de alta velocidade forçaram-nos a retirar a linha".

Na estação Sirkeci de Istambul expõem-se objectos do primeiro Expresso do Oriente, como trajes, cartazes ou sinos. O menu base do vagão-restaurante compunha-se de ostras, rodovalho em salsa verde e pudim de chocolate. Eram outros tempos. Agora até a Rainha Sofía voa em 'low-cost'.