terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A Epopeia das Trevas (92). Povo que não lê é cego… e não vê. Só os esgotos são livres, o tema nunca se esgota


A política e o poder harmonizam muito bem
Muitos políticos, poucos lugares vagos no pódio
A concorrência eleva-se, nos meus seios a despontarem cheios
O Sol percorre as distâncias de todos os dias
Ilumina os obscuros, poderosos corredores da arte bancária
que conduzem aos cofres subterrâneos pesados pelos quilates
das diamantíferas gemas gemidas
e petrolíferas doentias

A bantologia abre os alicerces da vozearia:
amanhece, a bronzeada levanta-se sai à busca sem vida
Andou, navegou, olhou, sonhou
Regressa, não encontrou o tempo perdido
Esta bronzeada agora, adora sonhar
Reverteu, perdeu o caminhar, continua a recuar
sem independência

Convidaram-me para passar o ano novo
Recusei. Obstinei, passei-o na apanha de mabanga
Assada, saboreada com maluvo na companhia honesta dos mangais
Divertimo-nos imenso. Como o cessar-fogo, e tudo continua na mesma
Não temos quadros, não os queremos, corremos com eles
para manter a desorganização que conduz à mãe da corrupção
E tudo não se enquadra… retrocede à Idade Média… às origens de Richard Leakey
Povo que não lê é cego… e não vê
Só os esgotos são livres, o tema nunca se esgota

Vi que caminhávamos irremediavelmente para a destruição
e sorríamos como sempre. Estávamos finalmente livres, independentes
donos do nosso destino, do nosso futuro
Livre! Na minha bifurcação da mabanga no mangal
Genial! Como chamar alguém, ou dizer que é génio
porque há muitos idiotas
Que estancam uma comporta e as outras continuam com fugas
Nesta Angola não podemos fazer nada certo
porque tudo está errado

Desfaço-me nas escarpas dos meus cabelos
à espera que tudo se conceba num minuto de vida
Permanece na eternidade, da intranquilidade
Observo muita gente lutar a favor e contra
Os contras são muitos, poucos os defensores
Aguardo o vencedor nos contrários
A sua balada dos dias melhorar
sem lutar!?
Na Terra restam os últimos raios de fogo
e nela nada de humano, ninguém para os deter

Ouço duas pessoas numa só. Com qual devo falar?!
Com o são ou o bêbado? Qual dos dois devo escutar?!
Prefiro consultar o meu estatuto de cidadã da exclusão social
sem casebres
Enquanto isso, o circo das organizações não governamentais prossegue
Os descolonizadores da infame hipocrisia evoluem no trapézio
Os homens são todos iguais, os sistemas políticos não
Os homens são diferentes na cor da pele
mas as mentes estão intactas, não diferem, convergem
A genética é bem conhecedora:
a maldade não tem cor, hipocrisia também não
Até os filhos renegam os pais, estes também
A árvore cresce para estar mais próxima do Sol
O filho deixa os pais morrerem à fome, os pais também

Os pássaros voam para as árvores porque se sentem seguros
Amanhecem com o silêncio porque a noite foi ruidosa

GRIPE C. (Fim)


O marxista-leninista é como aqueles robots dos filmes de ficção cientifica que por onde passam deixam um rasto de destruição, de depredação que só visto. É a reencarnação do mais diabólico que jamais aconteceu.
Nunca se deve confiar num marxista-leninista porque é fatalmente traiçoeiro. Porque será que ele se implanta muito bem onde há enxames de analfabetos?
Sair da escravidão colonial e entrar na servidão dele é libertar? Não!!! É outra patética servidão. Agora que o primeiro passo foi dado, o segundo é desinfectar o marxista-leninista.

E a liberdade almejada começa de facto e de jure. Nas fábricas dele produzem-se imbecis e canalhas. E qualquer um o pode testificar… se o conseguir. Porque ninguém se pode aproximar de um local marxista-leninista sem autorização. Se não é abatido, o tipo acaba na prisão sem culpa formada – melhor dito, inventada – onde se inventa cada descabida acusação. Ele é como os abutres. Sempre a pairar, a rodear para esquartejar as sobras dos moribundos da fome.

Ah!.. Gloriosa revolução que a todos escureces, deságuas e empobreces.
Lutas e libertação em África. A maior palhaçada de todos os tempos. Regra geral os governos africanos cultivam sem o saberem (?) genuínas figuras de palhaços. É de acreditar que alguns embaixadores contém a custo o riso quando na presenças deles. É muito curioso que fazem tudo para imitarem os brancos mas, fica tudo tão bizarro. Notável é continuarem sempre com os mesmos erros e disso não se dão conta. Não restam dúvidas que serão – já o são – novamente colonizados.

Tudo não passa de uma podridão aviltante. É cúmulo do analfabetismo uma só pessoa ter três, quatro, cinco carros só para dar ar de ostentação de riqueza. Ou um muito caro, e claro, muito luxuoso. Isto é exclusivo do analfabetismo. Até porque a sua habitação rodeia-se de esgoto ao ar livre, e as suas crianças lá brincam… com a morte. E na maioria dos casos tais crianças passam fome. O que interessa é dar aparência de novo-rico. Não é necessário lembrar que a isto se chama pura e simplesmente… boçalidade.

É o marasmo africano num beco em saída. Enquanto continuamos no assistir do lançamento de baldes com águas turvas e imundas dos prédios à Idade Média, tudo o mais que se queira implementar, melhorar, como a imprensa palaciana muito gosta de lhe chamar, este quotidiano angolano, luandense, prosseguirá mergulhado no anacrónico progresso. Será que Angola necessita outra vez da colonização para sair do lodaçal político e social?

Se as populações permanecem na miséria, porquê insistir em projectos de alto luxo? E para os miseráveis e esfomeados nada?! Significa que as independências africanas são apenas uma mera fantochada que nem sequer deveriam existir. Porque são mais horrendas que os colonizadores. Isso das independências selvagens deve já terminar.

Para sobrevivermos aos regimes ditatoriais e altamente corruptos é importante a criação de células clandestinas, de crise, de resistência. Não é necessário que sejam idênticas às da Al-Qaeda, mas células que contraponham os apetites vorazes dos destruidores das nossas vidas, da nossa democracia e das nossas liberdades.

MPLA, a desgraça de Angola. Com a independência o colonialismo fortaleceu-se, mudou de cor mas, continua o mesmo. É preciso ter coragem para denunciar que piorou, está mais atroz, mais nauseabundo. Isso da independência foi uma forma subtil para prosseguir na senda capitalista da exploração desregrada dos povos das colónias. Sim! Continuam colónias escravas de novos senhores, estupores.

Isto é sumamente importante até para o futuro democrático da Humanidade. Na realidade Angola continua colonizada. Angola ainda não conseguiu sair das amarras, das correntes da escravidão colonialista. E continua válida a célebre sentença: «Coitado do mentiroso, mente uma vez mente sempre. Ainda que fale verdade, todos dizem que mente»

Voltaire. Em Portugal eles estavam matando mulheres e crianças por comer carne nos dias santos.



Na Espanha a inquisição detinha todo o controle – todos os instrumentos de tortura eram usados para prevenir o crescimento da mente. A Espanha, que tinha expulsado os judeus, ou por assim dizer, seu talento; que tinha expulsado os mouros, ou seja, seu bom gosto e sua indústria estavam ainda lutando por todos os meios religiosos para reduzir o país à imbelicidade da verdadeira fé. Em Portugal eles estavam matando mulheres e crianças por comer carne nos dias santos. E isto para agradar o mais misericordioso dos deuses.

http://www.mphp.org/racionalismo/voltaire---robert-g.-ingersoll.html

Na Itália, o país se prostrava coberto por um enxame de cardeais e bispos e padres e monges e freiras e todos os representantes do santo ócio. A inquisição estava lá também -- enquanto mãos se juntavam em oração ou se estendiam em busca de esmolas, outras apertavam com alegria e decisão as alavancas das mesas de tortura, ou acendiam as fogueiras das santas chamas.

Na Alemanha estavam matando pessoas acusadas de fazer um pacto com o inimigo do homem. E no nosso bom país, perseguiam Quakers, roubando homens e crianças de outras crenças, tirando crianças do seio das suas mães, e exigindo trabalho com o chicote. A superstição dominava o mundo!

Só existe uma utilidade para a lei, só uma desculpa para o governo -- a manutenção de liberdade – para dar a cada homem o que é dele, para assegurar ao fazendeiro o que ele produz no solo, ao mecânico o que ele inventa e fabrica, ao artista o que ele cria, ao pensador o direito de expressar o que ele pensa. Liberdade é a respiração do progresso.

Na França o povo era a diversão dos caprichos do rei. Em toda parte estava a sombra da bastilha. Era sentida no sol mais forte, na casa mais feliz. Com o rei caminhava o chefe da tribo; atrás do trono ficava a câmara de tortura; a igreja recorria à mesa de torturas, e a fé era garantida com a fogueira; a ciência estava proscrita, e a filosofia, assim chamada, era o reino da superstição.

Nobres e padres eram sagrados. Servos eram vermes. A idolatria sentava no banquete e a indústria reunia as migalhas e os restos.

OS DIAS DE JUVENTUDE
Voltaire era do povo. Na linguagem de hoje, ele não tinha nenhum ancestral. Seu nome verdadeiro era François-Marie Arouet. Sua mãe era Marguerite d'Aumard. Sua mãe morreu quando ele tinha sete anos de idade. Ele tinha um irmão mais velho, Armand, que era crente, religioso e bastante diferente. Esse irmão costumava dar oferendas para a igreja na esperança de compensar a descrença do irmão. Até onde sabemos, nenhum de seus ancestrais era gente alfabetizada.

Os Arouet nunca escreveram uma linha. O abade de Chaulier era seu padrinho, e apesar de abade, era um deísta que não dava importância alguma para a religião, exceto com relação a seu salário. O pai de Voltaire queria fazê-lo um advogado, mas ele não tinha nenhum interesse pelas leis. Com a idade de 10 anos ele entrou no colégio Louis Le Grand. Era um colégio jesuíta e lá ele permaneceu por sete anos, saindo aos dezessete, e nunca freqüentando outra escola. De acordo com Voltaire, ele não aprendeu nada nessa escola com exceção de um pouco de grego, um pouco de latim, e uma grande quantidade de absurdos. Nesse colégio Louis Le Grand não ensinavam geografia, história, matemática, ou qualquer outra ciência. Era uma instituição católica controlada por jesuítas. Naquela época a religião era defendida e apoiada pelo estado. Atrás de toda crença estava a baioneta, o machado, a roda, a fogueira e a câmara de tortura.

Enquanto Voltaire estudava no colégio Louis Le Grand, os soldados do rei perseguiam os protestantes nas montanhas de Cevennes, para pendurá-los nos patíbulos, para torturá-los, para colocá-los na roda, para queimá-los na estaca.

Aos dezessete Voltaire decidiu dedicar-se à literatura. Seu pai disse, referindo-se aos dois filhos François e Armand: "Eu tenho um par de filhos tolos, sendo um em verso e o outro em prosa". Em 1713 Voltaire, tornou-se diplomata. Ele viajou para Haia junto com um ministro francês e lá ele se apaixonou. A mãe da garota o rejeitou e ele mandou as roupas para a moça para que ela o pudesse visitar. A trama foi descoberta e ele foi expulso. Ele enviou para a moça uma carta, e nela você percebe a característica de Voltaire: "Não se exponha à fúria de sua mãe. Você sabe do que ela é capaz. Você já experimentou muito bem. Finja. É a sua única chance. Diga a ela que você já me esqueceu e que agora me odeia; depois de dizer-lhe isso, ame-me muito mais".

Depois deste episódio, Voltaire foi formalmente rejeitado pelo seu pai. Seu pai enviou uma ordem de prisão e deu ao filho a escolha da prisão ou do exílio. Ele finalmente consentiu em tornar-se um advogado e disse: "Tenho trabalhado num escritório de um procurador que se detém em detalhes sem importância". Nessa época ele concorreu a um prêmio, escrevendo um poema que falava sobre a generosidade do rei que construíra o coro da catedral de Notre Dame. Ele não ganhou. Trabalhando um pouco mais com o procurador ele passou a odiar a lei e começou a escrever poesia e descrever a tragédia. Grandes questões estavam agitando a opinião publica. Questões que colocaram uma enchente de luz naquela época.

Albert Camus. Como em todos os lugares, as quimeras do "crescimento" e do "desenvolvimento" não são mais do que chamamentos disfarçados para se sacrif


Durante os meses de maio e junho, aconteceram manifestações por toda Argélia (entre elas, duas em Argel), apesar de que muitas delas haviam sido proibidas pelas autoridades.

http://www.algosobre.com.br/historia/administracao-colonial.html

Segundo os organizadores, as manifestações deviam ser pacíficas; como já é costume, as frações social-democratas organizam manifestações com o objetivo de subir no carro do movimento que lhes escapa. Isso parecia ter dado resultado durante um "período de calma", no qual os manifestantes seguiam docilmente os organizadores que patrocinavam como ação levar cartas de petições dirigidas ao governo. Mas a calma desse período resultou muito relativa e finalmente durou pouco tempo. A tentativa desmobilizadora fracassou e desde meados de junho, os confrontos recomeçaram com maior vigor, assumindo traços semi-insurrecionais. Além disso, o movimento se estende agora a novas regiões da Argélia.

Na sexta-feira, 1 de junho, os distúrbios explodem em Khenchela (550 km a leste de Argel), Aurès (um morto), Aïn Fakroun (500 km a leste de Argel) e El Ghozlane (130 km ao sul de Argel).

Duas semanas depois, na quinta-feira, 14, na mesma Argel, violentos enfrentamentos explodem, cerca das 13 horas, em torno da praça 1º de Maio entre proletários e a polícia antidistúrbios: "As pedras e os projéteis lançados pelos manifestantes são respondidos com granadas lacrimogêneas, canhões de água e balas reais. Alguns hangares do porto de Argel são saqueados. Esta parece ser a ação mais importante desde o início da revolta nascida em 18 de abril em Cabila. [...] Nas ruas de Argel, os nomes das cidades [são] pronunciados como as notícias de uma frente de que ninguém chega a prever suas chamas. [Em] ‘Kenchela, um morto – diz um -. [Em] Skikda, atrás das barricadas’, responde outro. ‘Souur El Gozlan destruído. E ‘Annaba, também’. Agora, a revolta ultrapassou amplamente Cabila, cujas zonas não se apaziguam há uns quarenta e cinco dias." (15) A manifestação de 14 de junho reuniu na capital entre 500.000 e 2.000.000 pessoas segundo as fontes. Todas as manifestações que se haviam sucedido durante os dois meses precedentes tinham seguido um único itinerário, imposto pelo estado. Esta foi a primeira ilegalmente desviada, sob a determinação dos proletários, para a sede da presidência da república.

Forças e debilidades do movimento
É necessário se remontar a 1988 para achar uma explosão similar na Argélia (de que falaremos a seguir). Num contexto mundial ainda globalmente marcado pelas debilidades das lutas de nossa classe, os últimos movimentos importantes a escala do continente africano datam igualmente de vários anos (16). Como em outros lugares do planeta, as ilhotas de intensa valorização do capital (extração de ouro, diamantes, urânio, mas também petróleo e gás...) e de pólos de concentração industrial coexistem na África com amplas zonas abandonadas pelos capitais, que constituem verdadeiras reservas internacionais de mão de obra barata, castigada por "recordes" de miséria absoluta.

Se, para a eliminação do proletariado excedente (para as necessidades de valorização do capital, evidentemente), as mal denominadas catástrofes naturais não bastam (na realidade, penúria, fome, enfermidades diretamente ligadas ao modo de produção, entre as quais está a destruição do sistema imunológico, catalogada sob o nome de AIDS), os massacres e as guerras imperialistas, exoticamente atribuídas aos "ódios tribais" e os "conflitos interétnicos", complementam a imunda tarefa. Como em todos os lugares, as quimeras do "crescimento" e do "desenvolvimento" não são mais do que chamamentos disfarçados para se sacrificar aos interesses do capital. Por isso, contra toda ideologia que baseia sua análise na teoria de "países pobres e países ricos", nós afirmamos que a miséria mundial do proletariado não tem outra solução que não seja mundial e revolucionária.

Uma das maiores forças do movimento atual na Argélia consiste justamente em que é uma negação viva do mito derrotista burguês, segundo o qual a luta do proletariado não teria atualidade. A situação descrita aqui corrobora além do mais em diversos pontos a "caracterização geral das lutas atuais" (17), que nós pusemos em relevo numa de nossas revistas anteriores, a saber:

• O proletariado sofre hoje, sem uma resposta geral digna desse nome, a degradação extrema de sua situação, assim como grandes massacres.

• Quando o proletariado manifesta sua existência o faz repentinamente e de forma diretamente violenta, com base na sua ação direta, e tende a se afirmar fora de todo terreno particular ou setorial (locais de trabalho, bairros...). Essa afirmação violenta nega as divisões mantidas pela burguesia (trabalho, idade, origem, gênero...) e tende a se generalizar com um rechaço global ao estado e todo enquadramento social-democrata e reivindicativo (contra toda mediação do estado, dos partidos burgueses, contra as palavras de ordem legalistas, pacifistas, eleitorais...).

Estes traços essenciais de afirmação da luta proletária caracterizam também hoje o movimento proletário que se desenvolve em Cabila, em particular, e na Argélia, em geral:

• O velho arsenal social-democrata não tem nenhum efeito frente à ação determinada e violenta do proletariado.

• A revolta não proclama objetivos precisos e explícitos e não propõe nada de positivo.

• Os proletários expropriam diretamente a propriedade burguesa para satisfazer imediatamente as suas necessidades.

Imagem: http://images.google.com/hosted/life/l?imgurl

Os apagões em Luanda do Politburo revolucionário


O nosso querido e endeusado Politburo presenteou-nos com mais dois apagões: 12Jan10 das 17.30 às 05.00 do dia 13Jan10. 10Jan10 das 19.15 às 19.25 horas.

São extremamente necessários estes queridos apagões porque testam as capacidades dos nossos queridíssimos líderes. Este sofrimento e esta escravidão são necessários para purificar o nosso fervor revolucionário.

A revolução ainda agora vai no ímpio adro. Muitos e muitos mais sacrifícios serão consentidos pelas massas populares imoladas, rumo ao socialismo científico, ao Homem Novo.

O nosso marxismo-leninismo tem que aprofundar os conhecimentos técnicos até ao aniquilamento total de muitas gerações mas, ele é e será vencedor.

Viva o nosso povo sofredor!
Viva o nosso iluminado líder!
Só unidos em torno da nossa vanguarda marxista-leninista venceremos. E nunca mais existirá escuridão.
Com o nosso Politburo na iluminação e nós na mais continuada escuridão.

MILLENNIUM BCP É MESMO "LADRÃO"


"BCP continua a roubar ainda hoje em dia e posso provar" O comendador Joe Berardo, terceiro maior accionista do BCP, teceu hoje críticas sobre o banco onde detém uma posição 6,2%, voltando à carga com as acusações de "roubo" e de "aldrabice", afirmando que tem provas desses actos.


"O BCP continua a roubar ainda hoje em dia e posso provar", atirou Joe Berardo, no decorrer do 'Ideia Fórum', promovido pelo jornal 'i' e que decorreu hoje em Lisboa. Mais tarde, na saída do encontro, o empresário madeirense que detém 6,2 por cento do BCP, de acordo com os dados compilados pela agência de informação financeira Bloomberg, afirmou que "há poucos dias, Gordon Brown [primeiro-ministro inglês] disse que o presidente executivo do Royal Bank of Scotland tinha uma reforma muito elevada, de 800 mil libras por ano.

Aqui [no BCP], alguns administradores reformados ganham mais do que isso". "São valores extremamente elevados. Não tenho problema de eles serem bem remunerados, mas sim com as aldrabices feitas, alterando os resultados para daí beneficiarem eles próprios", reforçou Joe Berardo. (Jornal de Negócios) - 24-06-2009 A Procuradoria-Geral da República acaba de confirmar a acusação imputada a cinco dos ex-administradores do Banco Comercial Português (BCP). De acordo com a nota enviada à comunicação social, o despacho final do DIAP de Lisboa foi proferido ontem.

O documento informa que estão em causa alegados crimes entre 1999 e 2008, entre eles a utilização de contas “off shore” detidas pelo BCP, "de modo a determinar os valores de mercado e a cotação dos títulos do BCP no mercado de valores. Justiça PGR confirma acusação a cinco antigos administradores do BCP por Marta F. Reis, Publicado em 25 de Junho de 2009 A Procuradoria-Geral da República acaba de confirmar a acusação imputada a cinco dos ex-administradores do Banco Comercial Português (BCP). De acordo com a nota enviada à comunicação social, o despacho final do DIAP de Lisboa foi proferido ontem.
O documento informa que estão em causa alegados crimes entre 1999 e 2008, entre eles a utilização de contas “off shore” detidas pelo BCP, "de modo a determinar os valores de mercado e a cotação dos títulos do BCP no mercado de valores. A PGR adianta que os cinco suspeitos são acusados de falsificar a contabilidade do banco, "com vista a ocultar as perdas resultantes para o Banco, no valor aproximado de 600 milhões de euros".

São ainda acusados de receber "prémios avultados, calculados em função de resultados deliberadamente empolados, com um prejuízo para o banco de cerca de 24 milhões de euros". Segundo a PGR, foram requeridas medidas de coacção de coacção de incidência patrimonial - que podem ir da arrestação de bens ao congelamento de contas bancárias. Ontem "Público" e "Expresso" avançaram que a acusação do Ministério Público visava Jorge Jardim Gonçalves, Filipe Pinhal, Chrisopher de Beck, António Rodrigues e Castro Henriques são os cinco nomes no processo. Jornal "i" (26/06/2009)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A Epopeia das Trevas (91). Não há, nem acredito nos mistérios dos ministérios das promoções das mulheres angolanas


Acho isto tão vulgar, que não sei se devo narrar.
Deixaram-se só
A minha família… uns morreram nos contentores de armas na Libéria
Outros nas catanas da Serra Leoa, outros na Somália metralhados
Os meus pais e os meus filhos em Angola bombardeados
E não sei mais quantos nas ruas cadavéricas do Ruanda

Cacei um marido. Sempre bêbado chegava a casa e batia-me
Fugi-lhe do lar onde a nascente do sol deixou de fluir
Estou feliz na companhia da rua dos ratos.
Não há, nem acredito nos mistérios dos ministérios das promoções das mulheres angolanas
As associações de direitos humanos não me podem valer
São como as telenovelas importadas, vemo-las e achamo-las interessantes
Deram-me a liberdade, tiraram-me a Universidade

Estou a estragar a minha tristeza. Esquecida, abandonada, como se não existisse
De facto não existo, porque a minha Angola se afundou
Nos campos petrolíferos
Doem-me as costas, estou muito tempo na mesma posição
da governação. Agachada sem uma réstia petrolífera
Sem estribos para subir, mudar a situação
Se tento descansar, alertam-me que estou a preguiçar
Paro, levanto-me. Não sei quem ligou os holofotes solares
Parecem uma lanterna grande. A luz ilumina as copas das árvores
Já não são verdes. Ela aproxima-se, vai-me dar banho.

Ergo a custo (a fome) a cabeça bem para o alto e vejo os meus seios nas montanhas
Alguns pássaros voam para mim, e saúdam-me
De repente sem saber porquê, grito: Ó Nzambi! Ó Nzambi!
O banho de sol é muito quente
Estou a transpirar, na escassa roupa para me tapar
Desperto da minha volúpia. Ele está próximo, capto a sua voz
Já chegou outra vez, a colonização. O seu olhar cobiça-me os seios. Adivinho o que vai dizer
«Ó negra, estás a preguiçar muito!»
Baixo-me e arrasto os frutos dos cafeeiros
Com a ferramenta de madeira, arrastadeira
Os outros estão a preparar os sacos para ensacar
Não sei quando vem a libertação desta transpiração
Ela chegará! Chegou a dipanda!
Finalmente livre… nas ruas da amargura, sem vestidura
A vender a minha desventura corporal a qualquer um

Adestrava o cúmulo do tumulto da multidão
Perguntei-lhes: vieram a salomão?
Responderam: está fortalecido na prisão do camaleão
Dos nossos professores de direito constitucional
Vi-o, o lixo da criança que a alimentava
Na tábua rasa que flutuava, não homologada no livro da fome
Das páginas dos recordes Guiness. Atrevi-me a lamentar:
Glorioso, elementar sofrimento eleitoral
Não durmam eleitos, abandonem os leitos

GRIPE C. (2)


Evidentemente que está na cara que o dinheiro para esses projectos é para embolsar. E com a ilegalidade dos Técnicos de Contas o dinheiro desvia-se com tanta facilidade… é como ganhar dinheiro sem trabalhar. Só a incompetência é justa. Aquele que é competente escorraça-se da quadrilha. E todos a rodos, corruptos venceremos!
E assim edificaremos a prometida pátria dos trabalhadores marxistas-leninistas.

Não devemos negligenciar a urgência do carregar esta turba para o hospital psiquiátrico mais próximo, antes que seja demasiado tarde. Porque a qualquer momento vão lançar-nos as suas tropas pessoais para que disparem sobre qualquer um de nós. Devaneios?! Num regime marxista-leninista é corriqueiro um bestiário destes.

Para estes marxistas-leninistas a energia eléctrica não tem qualquer utilidade. Sim! Para que serve uma energia eléctrica de 150 a 170 voltes? Apenas para as empresas deles pessoais e impessoais venderem geradores. Fazem bons negócios, é só fartar de facturar. O mais importante – não dá trabalho – é sobrefacturar. Exportar? Só o petróleo por enquanto é que está a dar. E contudo eles movem-se na corrupção.

De Cabinda ao Kunene, um só corrupto! Uma só corrupção! A Nação inglória é incerta. Outro aspecto que chama a atenção é o profundo desprezo com que o marxista-leninista presenteia o proletariado. Na riqueza o marxista-leninista é violento, virulento. Só ele é que tem direito ao usufruto dos dólares. Os seus irmãos pagam com a prisão ou a morte a reivindicação da parte que lhes é negada, sonegada.

As democracias ocidentais condenam veementemente o marxismo-leninismo, mas nos outros continentes apoiam-no sem reservas. Por aqui se pode premiar a célebre hipocrisia da democracia. Quer dizer: no interior do lar há democracia, no exterior selvajaria. Os célebres democratas são assim: onde há matérias-primas não há democracia. E fazem acordos secretos com os marxistas-leninistas para que estes se apresentem de vez em quando como democratas. Soa bem, e dá para embebedar a opinião pública local e internacional.

O importante é promover conflitos e arrastar populações como deslocadas, refugiadas. E exterminá-las como os espanhóis fizeram nas suas colónias.
Outro exemplo quiçá o mais notável, é o despeito absoluto com que o marxista-leninista trata a Constituição. Rasga-a, despreza-a a todo o momento, e altera-a a seu bel-prazer conforme lhe dá na gana. É extremamente insensível ao sofrimento alheio. Não se compadece de ninguém. É um ser dantesco e vampiresco.

Concebeu-se para desgraçar e concentrar em galinheiros, currais e noutros pardieiros quem não aderir ás suas hostes bárbaras. Corrompe e trespassa com facilidade espantosa a Nação com a sua população. Onde há corrupção, o marxista-leninista está sempre de prontidão. Depois não há nada mais feio, mais pavoroso do que vê-lo de fato e gravata de marca – horripilante – esbanjar os dólares espoliados, petroleados.

Que imundície meu Deus! É como as galinhas, debica aqui e ali. E onde há casebres, ele vigia-os. E quando se apega ao poder tem uma cola especial que lhe adere de tal forma que não a deixa mais de lá sair. É a eterna cola, um feitiço que se vende algures no Roque Santeiro. E ele acaba de institucionalizar uma moda jamais vista em Luanda: carros e pedestres na azáfama diária transportando recipientes na procura do precioso líquido. Bom, agora é dos líquidos preciosos: água e combustível para geradores. Este é também um reino de geradores eléctricos.

Voltaire. A igreja acreditava firmemente na existência de feiticeiras e demônios.


A igreja pensava que o ar era cheio de demônios; que o pecador era uma espécie de casa habitada por maus espíritos; que os anjos estavam do lado dos homens, enquanto que os diabos estavam contra; enquanto que Deus, quando as recomendações e doações eram o bastante, expulsava os maus espíritos da área.

http://www.mphp.org/racionalismo/voltaire---robert-g.-ingersoll.html

Satã tinha poder sobre o ar; conseqüentemente, ele controlava o congelamento, o mofo, os relâmpagos e as tempestades; e a principal ocupação da igreja era com sinos, com água benta, com incenso, com cruzes, para vencer o príncipe da força do ar. Confiava-se muito na força dos sinos; eles eram salpicados com água benta e seu som limpava o ar de impurezas e diabos. E os sinos protegiam as pessoas de relâmpagos e tempestades. Naquela época a igreja costumava anatemizar os insetos.

Processos eram instaurados contra ratos e existiam julgamentos; todo convento possuía seu mago mestre, que vendia incenso, sal e sírio, e consagrava palmas e relíquias. Toda ciência era vista como uma inimiga. Todo fato era mostrado pela igreja com ironia. Investigadores eram vistos como perigosos. Pensadores eram traidores; e a igreja exercia toda a sua força para evitar o progresso da humanidade.

Não havia verdadeira liberdade, nenhuma real educação, nem filosofia, nem ciência – nada além de credulidade e superstição. O mundo estava sob controle da igreja e de Satã.

A igreja acreditava firmemente na existência de feiticeiras e demônios. Desta maneira a igreja tinha todos os inimigos sob seu poder. Bastava acusá-lo de feitiçaria que a malta ignorante o fazia em pedaços. Tão comum esta crença, a crença no sobrenatural, que fazia com que as pessoas simples fizessem qualquer acordo com os diabos e espíritos do mal. Esta terrível doutrina fazia com que qualquer pessoa lançasse suspeitas sobre seus amigos; ela fazia com que maridos denunciassem suas esposas, crianças, denunciassem seus pais, e os pais denunciassem seus filhos. Ela destruiu as amenidades da humanidade; tirou a justiça dos julgamentos; quebrou os laços de amizade; encheu de veneno a taça de ouro da vida; e transformou a Terra numa perdição povoada de diabos maliciosos, abomináveis e traiçoeiros; este era o resultado na crença no sobrenatural; este era o resultado de desprezar as evidências dos nossos sentidos, e confiar em sonhos, visões e medos; este era o resultado do ataque contra a razão humana; este era o resultado de depender da imaginação, no sobrenatural; este era o resultado de viver neste mundo para um outro vindouro; em depender de padres, em vez de depender de nós mesmos.

Os protestantes competiam com os católicos; Lutero ficou lado a lado com os padres e promoveu a crença em diabos e maus espíritos. Mas para o católico, todo protestante era possuído pelo demônio. Para o protestante, todo católico era a casa do diabo. Toda a ordem, toda a sucessão de causas e efeitos era desprezada; o natural deixava de existir; o sábio e o ignorante estavam num mesmo nível; o padre era apanhado na rede que ele mesmo preparara para o servo; e o cristianismo se transformou num enorme hospício comandado pelos loucos.

Quando Voltaire nasceu a França era comandada pela igreja; era um período de corrupção disseminada; os padres eram na maioria libertinos; os juizes, cruéis e maus. Os palácios reais eram casas de prostituição. Os nobres eram insensíveis, orgulhosos, arrogantes e cruéis até o último degrau; a igreja passara mil anos até chegar a este estado de coisas.

As sementes da revolução estavam sendo semeadas inconscientemente por cada nobre e clérigo; elas estavam germinando lentamente nos corações dos maus; estavam sendo aguadas pelas lágrimas da agonia; havia um desejo de sangue; trabalhadores bronzeados pelo sol, curvados pelo trabalho, deformados pela pobreza, olhavam para as gargantas brancas das moças debochadas e pensavam em cortá-las.

Naquela época os interrogatórios eram conduzidos com instrumentos de tortura; a igreja era um arsenal de superstições. Milagres, relíquias, anjos e demônios eram tão comuns como mentiras.

Para conhecermos um grande homem, precisamos conhecer seu ambiente; devemos ver o palco no qual ele atuou; conhecer o ato em que ele representou; e devemos também conhecer sua platéia. Na Inglaterra George I estava divertindo-se com o "May Pole" e o "Elefante". Então, George II, ciumento e colérico, odiando os ingleses e sua língua, fazendo de si, entretanto, uma imagem de ídolo diante da qual os ingleses se orgulhavam de se curvar – triunfantemente esnobe – fazendo o código penal a cada dia mais sangrento – 223 ofensas punidas com a morte – as prisões cheias e os patíbulos apinhados – esforçava-se de toda maneira para reprimir a ambição do homem para ser homem, enquanto a igreja se esforçava na cerimônia e na supertição para fazer o homem bom – enquanto o estado dependia do couro, da corda e do machado para fazer os homens patrióticos.

Albert Camus. Como sempre, quando a burguesia se encontra diante da radicalização de uma luta num território determinado, faz todo o possível para enc



Em meados de junho, a burguesia constata que perdeu todo controle da situação em Cabila; a insurreição vence nas ruas e assedia as forças repressivas que se vêem obrigadas as entrincheirar-se dentro de campos fortificados:

http://www.algosobre.com.br/historia/administracao-colonial.html

"Em Tadmït, Ouadhias, Boghni, Akbou, Aïn el-Hamman, Mekla, Larbaa-Nath-Irathen, Azazga, Bugia..., todas as brigadas da polícia nacional oferecem o mesmo espetáculo de fortins assediados, pórticos bloqueados, muros destroçados, fachadas incendiadas, portas arrombadas e, nos arredores, restos de pneus queimados, postes caídos e árvores tombadas, bloqueando todos caminhos que conduzem às brigadas. Por todos os lados, os comerciantes se negam a servir aos policiais. O boicote é total. As 36 brigadas de Cabila são aprovisionadas por Argel, mediante helicóptero ou rotas de comboios fortemente armados. Um jovem de Tigzirt, por ter lançado um pacote de cigarros para um policial, por cima do muro do quartel da brigada, quase foi linchado. O levantamento se transformou em insurreição generalizada. [...] Há três semanas não existe um só policial nas ruas de Cabila. Entrincheirados, a missão dos policiais é defender sua brigada e suas vidas. A região está nas mãos dos insurrectos". (10)

Contra o "particularismo cabilista", a luta se estende a outras regiões


Como sempre, quando a burguesia se encontra diante da radicalização de uma luta num território determinado, faz todo o possível para encerrá-la e evitar sua extensão.

"As autoridades temem que o movimento se espalhe como uma mancha de azeite. Os enfrentamentos já se estendem até as imediações de Sétif e os confins do leste de Cabila. No sábado, 28 de abril, houve uma tentativa de manifestação em Oran e Bourmedés, próximo de Argel, enquanto uma forte tensão reina na capital" (11), constatava um "enviado especial". A tática do governo é então apresentar a luta dos proletários em Cabila como um "combate pela identidade bérbere", mas ao mesmo tempo esse jornalista assinala com dedo prudente: "O medo de que o movimento ultrapasse Cabila levou o poder a tentar enquadrá-lo como uma reivindicação estritamente lingüística, escondendo o conjunto das reivindicações sociais e políticas que se expressam e que são comuns a todo o país. Isolando Cabila, Argel espera dispor o resto da população contra o particularismo de Cabila, com o objetivo de impedir toda unificação na contestação." (12) As frações burguesas instaladas no governo esperam utilizar os 250 km que separam Argel da província insurgente, para sufocar os riscos de "contaminação".

Mas o que se produz é o contrário, por muitos fatores:

• As condições de sobrevivência miseráveis impostas pela burguesia não são monopólio de Cabila, mas de toda Argélia, o que claramente constitui uma condição favorável para a generalização.

• Os proletários em Cabila atacavam alvos que, por seu significado, tornava difícil esse tipo de falsificação burguesa de que se trataria de uma reivindicação bérbere. Até os jornalistas reconheceram "que o incêndio que Cabila hoje conhece não tem comparação com as tensões que agitam regularmente a região. Desta vez não se trata em absoluto de reivindicações culturais e lingüísticas [...], mas de uma verdadeira explosão social. [...] Inclusive as formações políticas com forte inserção em Cabila, que controlavam e enquadravam não há muito tempo as reivindicações de identidade, já não são consideradas pelos manifestantes. Estes já não querem nem ouvir falar de reivindicações pacíficas e não têm dúvidas comunicar isso aos responsáveis da Frente de Forças Socialistas (FSS)" e, sobretudo, aos dirigentes da União pela Democracia e a Cultura (RCD), que pagam com isso sua participação no governo." (13)

Em 25 de abril, "as cidades de Sidi Aïch, El-Kseur, Tazmalt, Barbacha, Seddouk e Timezrit são presas dos saques de jovens exaltados que gritam palavras de ordem antigovernamentais. Os carros particulares não são respeitados, do mesmo modo que os tradicionais partidos que defendem a causa bérbere e de Cabila, que também foram destroçados e saqueados. [...] Os manifestantes incendeiam o edifício central da coleta de impostos, de Akbou e Barbacha, na Pequena Cabila. A estrada nacional entre Bugia e Argel foi bloqueada com barricadas levantadas pelos amotinados, impedindo toda circulação nuns 60 quilômetros." (14)

Ao atacar os partidos nacionalistas e expressar com clareza suo rechaço aos chamados "pela identidade", ao denunciar diretamente o "poder assassino", os proletários estão lutando concretamente pela extensão e o reconhecimento universal de sua luta. De fato, a carta da luta autonomista ou de identidade nacional não conseguiu se impor. Desde fins de abril, o conjunto da classe dominante foi tomado como alvo e reconhecido pelo que é: inimiga do proletariado. Esse reconhecimento inclui expressamente tanto frações autonomistas quanto frações governamentais, tanto as socialistas quanto as que não o são, tanto as oficiais quanto as de oposição. No 1º de maio, a RCD anunciava a retirada de seus dois ministros do governo de Argel, mas tal gesto não bastou para voltar a dar credibilidade a este partido frente aos proletários.

Imagem: http://4.bp.blogspot.com/_sg7ZLXwmom0/

«É inacreditável o que os Grandes Srs. ensinam ao mais pequenos»


Banco Millennium Angola, um banco tótó


campiao, lisboa | 09/11/09 12:37
No intervalo de tempo de cerca de 16 horas, entre as 08H00 e as 24H00 do dia 6 de Novembro, surgiram três notícias contraditórias:
No início da manhã (08H00), as notícias eram positivas - “petróleo ganha 4% na semana com retoma dos EUA” e que “os fortes ganhos no dia 5 de Novembro nas bolsas foram um sinal muito bom”, concluindo que as matérias-primas devem ter um comportamento idêntico ao das acções “como indicador da economia e da procura”.

DIÁRIO ECONÓMICO

No início da tarde (15H00), a praça nova-iorquina registava uma queda a acentuada, devido ao facto de, em Outubro, a taxa de desemprego ter caído para os 10,2%, ou seja, mais 0,3% do que as estimas e 0,4% acima do registado em Setembro. Acrescentando que “é muito difícil justificar subidas das acções quando temos estatísticas como estas. A dinâmica de subida do mercado provavelmente acabou. Este número [do desemprego] é muito, mas mesmo muito, negativo de modo estrutural para a economia". Este dado revela a péssima situação em que se encontra a economia norte-americana e mundial, com excepção das economias emergentes.

No final do dia (24H00) a queda da moeda norte-americana e o preço recorde atingido pelo preço do ouro, que este ano já subira 25%, reflectem fortes incertezas sobre a economia. Acresce referir que os dados sobre o aumento surpreendente do desemprego nos EUA, levou os investidores a refugiarem-se no metal precioso. O problema em torno da sustentabilidade da recuperação económica, acelerou a corrida da procura de ouro, por parte dos bancos centrais dos países emergentes, em que a Índia adquiriu 200 toneladas, com vista a diversificar os seus activos do dólar.
Com as fortes incertezas da economia mundial, não é racional o comportamento dos preços do petróleo. A subida acentuada do preço do barril de petróleo, cujos efeitos perniciosos irão sentir-se sensivelmente na economia nos próximos meses, é entendida num quadro unicamente especulativo e artificial.

Silva, Silves | 18/11/09 15:10
Pois, pois, deixaram-se ir no canto da sereia, de juros altíssimos, e coisas do género, e agora queixam-se. Näo tem desculpa o BPN, mas os oportunistas ou tontos que se deixaram enganat, também näo. E de resto, o que pretendem? Que seja o Estado a indemnizá-los, ou seja, todos nós, com o nosso dinheiro, que tanto custa a ganhar com trabalho árduo, e näo com depósitos retribuidos com juros improváveis ou aplicacöes financeiras mirabolantes? Tenham juizinho, vergonha, e näo sejam täo ávidos. Foi a vossa avidez que vos fez perder o dinheirinho. Assim, sirvam-se do exemplo, e para a próxima sejam mais cautelosos. É tudo! E nem um tostäo para os tolos e oportunistas.

ff, porto | 18/11/09 15:31
é enacreditavel
o que os Grandes Srs. ensinam ao mais pequenos

domingo, 10 de janeiro de 2010

A Epopeia das Trevas (90). Oh! Como são insondáveis as tragédias do amor


Inventa-se uma frente democrática, de libertação
Os computadores evoluem, nós não

Recordo a alegria do bater na minha porta cardíaca
a subtileza do ritmo
Qual suave tambor na quietude do meu coração
De amor sem céu, sem sol
iluminado incompreendido
De olhar profundo, demorado, a devorar a vida
O tempo como se não existisse, nada e ninguém
Como se o mundo democrático desabasse
e eu só o continuasse

A minha alma não é gentil, está sempre distante
Céus e terras entretanto permanecem
Continuam dentro de mim a cada instante
Recordando o suave alarido sonante
Aguardando o não feito, mas sempre que fizessem
Na luta diária do abrir portas que me enlouquecem
Acossada nos castelos da ditadura
No solitário andar entre os agentes, errante
Algo que não fica, algo que vai
Como as notas suaves melodiosas de um alaúde
Querer sempre andar mas ficar amiúde
No cruzar aqui e acolá com os agente e não olhar
Convicta de que sou a melhor mas sem virtude

Por vezes o vento pairava, como que indeciso
e indecisa ficava também a goiabeira
Arriscaria dizendo que ela estava cogitando
Será que as árvores meditam?

A mãe prostituía-se, a filha estudava
Quanto mais a mãe se vendia
Mais a filha se aplicava na universidade
A mãe precocemente envelhecia
A filha precocemente escolhia os estudos da vida
A filha rejuvenescia, enquanto a mãe cada vez mais
envelhecia
A mãe amava a sua filha que agradecia
Oh! Como são insondáveis as tragédias do amor

Os cinco jovens perderam a juventude da noite na discoteca
Encontraram muita bebida que não era proibida a menores
No carro conduzido pelo álcool recalcitraram um tronco elefantóide plantado
Eles e o carro viajaram para as discotecas celestes
Não consigo imaginar o estoicismo destas pobres árvores

Imagem: http://www.chargeseditoriais.com/

sábado, 9 de janeiro de 2010

CAN2010, Cabinda


Joaquim Suami, Cabinda. 09.01.2010 13:10
O grupo de elementos da FLEC que metralhou ontem a comitiva da selecção do Togo que viajava para a cidade de Cabinda, atingiu também viaturas em que seguiam jornalistas, entre eles colegas do Jornal de Angola. O ataque durou 15 minutos e provocou 12 feridos, entre os quais três angolanos e nove elementos da caravana togolesa.


Além dos disparos contra os autocarros da caravana, foi atingida uma viatura que transportava jornalistas das Edições Novembro, que publica os dois únicos diários do país, o Jornal de Angola e o Jornal dos Desportos. As forças da Polícia de Intervenção Rápida controlaram a situação, o que permitiu a evacuação dos feridos e dos outros integrantes da comitiva, em que estava o vice-governador provincial, Macário Lembe, o director executivo adjunto do comité provincial do COCAN, Alberto Macaia, voluntários, jornalistas e membros do governo da província de Cabinda.

Os 12 feridos foram transportados para o Hospital 28 de Agosto onde estão a receber assistência médica. O governador provincial de Cabinda, Mawete João Baptista, deslocou-se ao Hospital 28 de Agosto para prestar solidariedade aos feridos.

Imagem: http://www.teiaportuguesa.com/cabinda/imagens/cabinda5.jpg

A Epopeia das Trevas (89). Chega! Basta! Exportamos petróleo e importamos álcool e armas


A espera é tão penosa e faz-me sofrer fechada no palpitar
angustiado, oprimido como nunca senti
Não quero mais regressar como órfã
Quero entrar qual montanha de ventura.
Vou fazer-me ídolo e idolatrar-me pura
Vou fazer do meu mundo uma procura
Com vozes a proclamarem-me que é uma loucura
E não construir outro abismo sem fundo para o meu povo

A tristeza já está insuportável
Sinto-me desfalecer quase insondável
Aguardo a chegada com o seu final.
Com séquito e grande cerimonial
jóias e diamantes do mais puro mineral
Não mandarei mais tocar músicas e fazer grande Carnaval.
Grandes coros a anunciarem a minha eterna
aberrante reeleição
E deslumbrada, os meus descendentes reinarão
Farei uma batalha, uma cruzada, uma moldura sem retrato
Para segurar a minha graça e encantos sempre inseguros
Não deixar jamais o que nascer impuro
Para continuar nele o meu amor, o meu ser
Deixar na sua semente uma grande muralha, um muro
E porvir, sentir dentro de mim a vida renascer

Abandonaram-me, cravaram-me num túmulo encerrada
Nas árvores cem céu, numa desfolhada
Resta-me o aviltamento da humilhação
Sem o renascer, o viver do tempo moderno
na sua teia enredada
Esperando sempre das agruras ser violentada
sem ao menos para descrever um caderno
Enquanto o mundo corre para o futuro
E eu, nós, as pessoas fora dele a sonhar
Esquecendo tudo nele impuro
Vivendo, sofrendo, esperando solitária navegar
Nas tormentas das pontes e dos estádios inseguros

Em 2010 ainda existem regimes ditatoriais

E esta náusea insustentável da violência doméstica
e política
Fez com que: não quero mais marido!
Chega! Basta! Exportamos petróleo e importamos álcool e armas

Convivo no continente da guerra dos traficantes de armas
do conselho de segurança da ONU
Com o consentimento deles, da ONU, que são apenas vulgares seres humanos
Da nova civilização do holocausto, boicotam-se os governos e suicidam-se
as populações à mais execrável fome civilizacional
Somam-se as organizações não governamentais para multiplicarem a nossa fome
Regredindo aos tempos dos cruzados e das cruzadas
Ao templo de Salomão, ao cálice sagrado do sangue Rh P+, mais petróleo
Este bem muito mal gerido que é mais que suficiente para nos iluminar
Mas não basta, nos desbasta:

A electricidade da nossa escuridão, do sempre vai e pouco vem, traz-nos outro mal… a poluição do fumo dos geradores
Não afecta as democracias porque se apoiam nas ditaduras petrolíferas
No segurança, pequeno ditador sentado, cercado com um vulgar cordel
Na vulgarização da Kalashnikov espera os inimigos do estacionamento

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

ÚLTIMA HORA


A FLEC atacou em Cabinda um autocarro que transportava jogadores da selecção do Togo. Alguns estão feridos.
In Rádio Despertar


Imagem: http://www.globalsecurity.org/military/world/war/images/cabinda-map-l.gif

A Epopeia das Trevas (88). Todos os dias amaldiçoamos, odiamos a Ocidental hipocrisia e a sua Igreja poluidora



Tantos que partiram com a fome precocemente, tão cedo
rapidamente
Com brutal indiferença
Como se não existissem sentimentos
Desnecessário é dizer que para rejuvenescer
Fortalecer, reaprender, é necessário aprender sempre
o que
Espanta-me ver, sentir a maldade crescente
Curta, longa como mola esticada
De juventude generosa e ingénua
Todos os dias amaldiçoamos, odiamos
a Ocidental hipocrisia e a sua Igreja

Para conquistar o poder basta-me um contrabandista de armas
Eles e elas são os nossos melhores amigos
Com eles e com elas morremos nas guerras, sustentamos as democracias
ocidentais
Não confio em ninguém. Estes políticos são aventureiros, atrás deles estão, chegam, sempre em movimento outros pares
Falar, discordar, não posso. Arrisco-me a ser presa
assassinada
Todos os dias nos roubam. O Governo perde os recursos financeiros que flúem para as redes de esgotos das empresas, estruturas governamentais dos que nos governam, ou as suas famílias
Nunca se sabe quem dirige
Não dá para viver, temos que fugir
África, Angola são o campo de concentração da globalização

O ébano nu do meu corpo transparente, irreal
Voa, salta todos os obstáculos da imaginação
dos momentos de prazer
Não vendo os sentimentos da minha cor
ainda que no longínquo desejo e vencer
Saber esperar com ânimo e ardor.
Os desejos incontidos que a gente têm.
Sou altiva, serena, convicta da certeza
Que com tanta violência caminhamos para o além.
De tanta emoção incontrolada
de não estar presente mas adiada
o amor é uma doença incurável

Ando sempre atenta porque posso cair num canal
Estes passeios das ruas têm canais, não como os de Veneza
Estes têm valas abertas que permitem o escoamento dos esgotos para as ruas
São como o nosso Governo. É um Governo dos esgotos e para os esgotos
África é o continente negro sempre clareado pela luz solar
Vejo os dias a passar, e a fome não os faz alterar
Sempre em guerra!
Os estrangeiros são evacuados, eu não

Sem convicção, sem conteúdo tudo se parte em pedaços
E fica a chama ardente a consumir a paixão
Perde-se a razão. Ainda não temos Governo
Apenas por enquanto um conjunto de imbecis
Que perderam, ainda não aprenderam
O que é a razão


GRIPE C. (1)



A Gripe A chegou, passou para B e não gostou, involuiu e ficou catástrofe epidémica. Qual o nome que o epidemiólogo-chefe atribuiu a esta nova estirpe ferocíssima? GRIPE C.
Angola, onde se premeia a incapacidade de governar.
Dirigir um país não é o mesmo que dirigir um palácio.

Este marxismo-leninismo tem muita experiência adquirida dos iluminados eleitos por Deus e pelos seus legítimos representantes: Pol-Pot, Kin-Il-Sung, Estaline, Robert Mugabe e outros piores que estes. Com esta doutrina marxista-leninista justifica-se tudo. É apanágio do sistema a chefia – o Politburo – criar as mais horríveis vicissitudes à população. Retira-lhes ostensivamente a água, a luz, o trabalho e o pão. Isto é: exterminam a população para que não hajam vozes, empecilhos que apoquentem os títeres seguidores de um deus qualquer, pior e por eles inventado.

Como são incapazes, incompetentes na feitura material de qualquer coisa – exceptuando o fácil carregar no gatilho – contratam no mercado internacional mercenários para a execução de tarefas, de obras altamente comissionadas, concebidas e construídas com falsas fachadas. Também é notável a exibição marxista-leninista nos meios de comunicação arregimentados onde atacam tudo e todos que lhes desagradarem.

Estes marxistas-leninistas conseguem ludibriar o vento e as suas próprias sombras. Medrosos por excelência, quando se deslocam para qualquer local dos seus reinos o aparato é de tal modo bélico, que os primeiros a fugirem são os cães, gatos, cobras, aves e ratos. Qualquer um da plebe que distraidamente execute um gesto que a guarda do rei interprete como belicoso... lá se foi mais uma pobre alma espoliada, liquidada em nome da revolução. Este marxismo-leninismo serve de pretexto para tudo. E é incontestável.

Há governos legalmente eleitos e apelidados de democracias exemplares que apostam forte e feio neste marxismo-leninismo. Porque facilmente o saqueiam, fazem negociatas, corrompem o Politburo e depois de conseguidos uns barris de petróleo o aplaudem. Lhe batem palmas e juram que é o melhor governo existente na face da Terra. Com um PIB marxista-leninista no palácio real sempre a subir. Pudera, é uma economia de palácio. Estes teimosos marxistas-leninistas promovem… são a nossa desgraça diária, a hecatombe das nossas vidas.

Com eles é só destruição permanente. Fazem de Luanda um campo de caça humana. Divertem-se com a morte dos plebeus. Estes marxistas-leninistas são seres irracionais disfarçados de humanos. O que é surpreendente é que ninguém até agora lhes deu um pontapé para fora, para outro reino.
Irresponsáveis, gabarolas e vigaristas natos, pavoneiam-se dia e noite na mentira de que já nos deram mais água, mais luz, melhoraram muito as nossas condições sociais, que a nossa vida tem melhorado muito.

Quando na realidade basta olharmos e tudo literalmente está em pedaços. Mentir, é a regra número um do marxista-leninista. Por exemplo, o marxista-leninista é peremptório que a agricultura está funcional, bem arada. Claro que é mais um discurso para iletrados. E que todos os outros sectores da economia desenvolvem-se adequadamente. Mas que alijados! Então camaradas! Confessem que não existem estruturas de suporte! É tudo a fingir.

Voltaire. Nome que, se pronunciar na presença de um clérigo, você verá que fez uma declaração de guerra.


Eles são os heróis que mataram os monstros da ignorância e do medo; eles desmoralizaram os gorgons e derrubaram os deuses cruéis de seus tronos. Eles são os inventores, os descobridores, os mecânicos, os reis da utilidade, que têm civilizado este mundo. E encabeçando este exército heróico, o maior de todos, está Voltaire, cuja memória honraremos nesta noite.
Robert Green Ingersoll

http://www.mphp.org/racionalismo/voltaire---robert-g.-ingersoll.html

Voltaire! Um nome que excita a admiração dos homens, a malícia dos sacerdotes. Nome que, se pronunciar na presença de um clérigo, você verá que fez uma declaração de guerra. Pronuncie este nome, e na face dele a máscara da mansidão cairá, e da boca do perdão se derramará uma Niágara de impropérios e calúnias. E no entanto, Voltaire foi o grande homem do seu século, e o que mais fez pela liberdade do que qualquer outro dos filhos dos homens.

No domingo, em 21 de novembro de 1694 um bebê nasceu. Um bebê tão demasiadamente frágil que sua respiração hesitou, e seus pais trataram de batizá-lo o mais rápido possível. Eles estavam ansiosos em salvar a alma do seu filho, e eles sabiam que se morresse antes do batismo, ele estaria condenado a uma eternidade de dor. Eles sabiam que "Deus despreza uma criança pagã". O padre que, com umas gotas de água lhe deu o nome de François-Marie Arouet salvou sua alma – o pequeno que, enrolado em panos, chorava debilmente, respirando com dificuldade, era aquele destinado a romper da garganta da liberdade as garras assassinas e cruéis da "Besta Triunfante".

Quando Voltaire veio para este grande palco de tolos, seu país havia sido cristianizado – não civilizado – por aproximadamente quatrocentos anos. Por mil anos a religião da paz e da boa vontade havia dominado. A lei havia sido dada pelos reis cristãos. E sancionadas pelos 'sábios santos homens'.

Sob o benigno reino da misericórdia universal toda corte teve sua câmara de tortura, e todo pastor usava o esmagador de polegares e a prancha de tortura. Foi tão grande o sucesso do evangelho abençoado que toda ciência foi proscrita. Exprimir honestamente suas idéias, ensinar seus semelhantes, investigar por você mesmo, buscar a verdade, tudo isso eram crimes e a 'santa igreja' perseguiam esses criminosos com a espada e a fogueira.

Os que acreditam num Deus do amor – um pai eterno – puniam milhares de ofensas com a morte e a tortura. Pessoas suspeitas eram torturadas para confessar. Pessoas indiciadas eram torturadas para dizer o nome dos cúmplices. Sob a liderança da igreja a tortura se tornou a única força de persuasão.

Nesse ano abençoado de 1694 todos os escritores estavam sob a influência da igreja e das coroas. A maioria deles eram jogados em prisões, ou empobrecidos com taxas e impostos, exilados ou executados. O pouco tempo que os verdugos tinham de folga era ocupado com a queima de livros. As cortes de justiça eram armadilhas com as quais os inocentes eram apanhados. Os juizes eram quase tão maliciosos e cruéis quanto os bispos e santos. Não havia julgamento com júri e as evidências permitiam o indiciamento do suposto criminoso apenas pelas suspeitas no depoimento. As testemunhas, correndo o risco de ser torturadas, geralmente diziam aos juízes o que eles queriam ouvir.

O sobrenatural e miraculoso dominavam o mundo. Tudo era explicado, mas nada era entendido. A igreja a líder. Os doentes compravam de monges pequenos amuletos de papel que eram benzidos. Eles não procuravam um médico, mas um sacerdote. E os padres vendiam aos doentes e moribundos esses amuletos. Esses pequenos pedaços de papel curariam doenças com a ajuda de santos. Se fossem colocados num berço, você poderia evitar que a criança fosse enfeitiçada. Se fossem colocados numa despensa, os ratos não iriam devorar seu milho. Se fossem colocados na sua casa, os maus espíritos não entrariam pelas portas, e se você os enterrasse no campo, teria bom clima, as geadas atrasariam, as chuvas chegariam quando necessário, e colheitas abundantes abençoariam seu trabalho. A igreja insistia que todas as doenças poderiam ser curadas em nome de Deus, e essas curas poderiam ser realizadas pela oração, pelo exorcismo, tocando ossos de santos, pedaços da cruz sagrada, sendo salpicadas por água benta, ou com sal santificado, ou tocados com santos óleos.

Naqueles dias os santos eram os melhores médicos. São Valentim curava a epilepsia; São Gervásio era excelente para reumatismo; São Miguel, para câncer. São Sebastião era bom para mordidas de cobra e picadas de insetos venenosos; Santa Apolônia, para dor de dentes; Santa Clara, para problemas nos olhos; São Huberto para hidrofobia; era comentado que os médicos diminuíam a confiança na igreja; era o bastante: a ciência era inimiga da religião.

Albert Camus. A palavra de ordem de "libertação nacional" é sempre uma manobra da burguesia mundial para romper nossa luta


Esta cólera não se concretiza verdadeiramente em torno de reivindicações particulares. O fastio é geral e se desenvolve sobre os aspectos "econômicos", "políticos" e "sociais" da sobrevivência que lhes é imposta. A ausência de reivindicações precisas, concretas ou de proposições positivas torna mais árdua a tarefa de liquidação que os reformistas de toda laia sempre procuram efetuar.

http://www.algosobre.com.br/historia/administracao-colonial.html

Só a contraposição à tudo o que vem do poder em geral é explícita. A negação do existente constitui indubitavelmente a força elementar do movimento. Desde o início dos distúrbios, e apesar de todas as tentativas burguesas de chamar para a calma e enquadrar o movimento em polarizações ideológicas, conciliações, reformas e negociações, os proletários se afirmam terminantemente no terreno da luta de sua classe, assumindo diversas necessidades e interesses, e combatendo por impô-los no desenrolar da luta.

Em uma semana de enfrentamentos, a luta se estende por toda Cabila. O número de objetivos não deixa de se ampliar. As expropriações da propriedade burguesa se multiplicam. os proletários tomam as mercadorias que necessitam e destroem voluntariamente tudo que para eles sempre simbolizou repressão e miséria (incêndio do Escritório Central de Impostos, da prefeitura, assim como das sedes dos partidos pela identidade nacional...). Em alguns dias, a ebulição toma todas as cidades de Cabila.

No sábado, 28 de abril, "uma maré humana invade as ruas de Bugia, apesar de os confrontos mais sangrentos ocorrerem em cidades novas e em pequenos povoados... Uma vez mais, os edifícios públicos foram saqueados. Em Bugia, os manifestantes destruíram a casa de cultura, a Repartição da Fazenda, a estação de ônibus". (7) A jornada do sábado, 28 de abril, é a mais sangrenta, com uma trintena de vítimas, momento a partir do qual a relação de forças tendeu globalmente a inverter-se a favor do proletariado. Um jornalista anota que "entre 40 e 60 membros das forças de segurança foram mortos na quinta-feira, 26 de abril, numa escaramuça ao sul de Tébessa". (8) Destaque-se que vimos esta informação uma única vez... Este dado revelaria um armamento mais conseqüente do proletariado

A burguesia desconcertada
A angústia e a surpresa que suscitou na burguesia local o rápido desenvolvimento do movimento foram tão grandes, que ela oscila em sua ação e até se mostra relativamente paralisada. Tendo tentado diferentes tipos de réplica sem êxito, mostra não ser capaz de se dotar de uma linha clara e precisa de resposta.

As estruturas de enquadramento e mediação social foram completamente ultrapassadas. Mais ainda, nas lutas, estas estruturas foram denunciadas cada vez mais explicitamente, como testemunham os ataques aos tradicionais partidos independentistas. Esses fatos demonstram claramente que nenhuma formação política deste tipo consegue canalizar os transbordamentos e, além do mais e sobretudo, que a luta dos proletários em Cabila não é nem nacionalista, nem independentista, como toda luta realmente proletária. A palavra de ordem de "libertação nacional" é sempre uma manobra da burguesia mundial para romper nossa luta, para isolá-la e isolar o proletariado em cada país, e fazer possível assim sua derrota, país por país, frente à "sua" burguesia nacional. (9) Se bem que, na atualidade, esta ideologia foi superada pelo movimento da Argélia, o contexto mundial, marcado por uma grande debilidade internacionalista, faz com que esta luta não seja reconhecida, vivida, compartilhada e assumida como tal, pelo proletariado em outros países. Na França, em particular, a não-luta global do proletariado levou a ver o movimento proletário da Argélia só através de imagens que a burguesia cria, o que provoca uma reação de indiferença, de rechaço ou de defesa de pútridas bandeiras social-democratas. Graças a isso, o estado francês pôde continuar apoiando e enquadrando para as forças da ordem na Argélia impunemente.

Sobre o terreno, não obstante, a capacidade de repressão e controle militar da situação se viu reduzida pela amplitude que tomou o movimento. Os distúrbios não cessam de explodir em outras regiões, separadas por muitos quilômetros de distância, o que dificulta a ação das forças da ordem que não podem estar materialmente presentes em todas as frentes de luta. Os proletários aproveitam a topografia acidentada da região para travar por todos os meios o deslocamento das tropas repressivas, bloqueando as estradas de acesso. Ademais, as autoridades das cidades onde ainda se mantém a paz social temem que a extensão do movimento ganhe essas cidades, e por isso têm grandes reticências a responder favoravelmente aos chamados de reforço lançados pelas zonas onde a luta é forte.

Imagem: http://recollectionbooks.com/bleed/Encyclopedia/Camus/

Jornal de Angola, 20de Dezembro de 2009



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