domingo, 17 de janeiro de 2010

Um diamante de sangue para Naomi Campbell?


A supermodelo britânica Naomi Campbell recebeu durante uma cena organizada por Nelson Mandela em 1997 um diamante de sangue, regalo do ditador africano Charles Taylor, segundo assegurou a acusação no processo que segue contra o ex mandatário da Libéria em La Haya por crimes de guerra.

ELMUNDO.ES

Desconhece-se se Campbell (de 39 anos) será citada como testemunha neste processo, segundo indicou um porta-voz do tribunal ao ser consultado a respeito. Também se desconhece se a actriz Mia Farrow, a qual ao que parece procede a informação, será citada como testemunha. A acusação está convencida de que o diamante provém de um envio da Serra Leoa (que estava em plena guerra civil) que Taylor tentou levar em segredo à África do Sul para ali vendê-lo.

O acusado negou as acusações ao ser interrogado sobre o tema. Um porta-voz de Farrow disse que a actriz se encontra actualmente na África e não está localizável para se pronunciar sobre o tema. Campbell, por sua parte, declarou que apoia o Tribunal especial para os crimes de guerra na Serra Leoa, mas na medida do possível não quer pronunciar-se publicamente sobre nada mais. A juíza Brenda Hollis relatou ante a corte que depois da cena com o presidente sul-africano Mandela, Taylor enviou a Campbell um "grande diamante" à habitação do seu hotel.

A defesa de Taylor esgrimiu como defesa que não há uma declaração jurada a respeito da modelo, senão que se trata de una "anedota" difundida por Farrow. Taylor é acusado de crimes de guerra contra a humanidade em 11 casos, entre eles um massacre contra civis, violações massivas, recrutamentos forçados de meninos e saques. O imputado nega todas as acusações.

Foto: Antonio Martínez Xoubanova

sábado, 16 de janeiro de 2010

A Epopeia das Trevas (96). Os estrangeiros controlam-me, mandam-me trabalhar porque os meus libertadores são hábeis no desempregar



E a religião destrói Angola

Não sei por onde sair, o esgoto governamental
está a fluir
Piso nas pedras descalçadas, insegura espero não cair
outra vez
Mas que grande merda! Está tudo a ruir!
neste mercado das moscas ao ar livre
Comprar qualquer coisa importada
não importa. Não produzimos nada nesta nação vendada
Com tanta gatunagem receio ser assaltada
Os que roubaram, roubam, são, serão roubados

Pedi uns tostões emprestados sem juros
que restaram do escrito a lápis desta inconstitucional república
Bolachas, rebuçados, pastilhas elásticas, cigarros
depois gasosa. Bebidas alcoólicas não, bêbado se complica!
Foi o que comprei e nas mãos e cabeça carreguei
Cheguei, tive muita sorte, os gatunos estavam colaterais
Peguei numa travessa, limpei-a e nela arrumei a venda
Fiquei meia escondida na gruta de entrada do prédio
Um fausto vizinho, desses da democrática riqueza
corrupta
Se complicam muito comigo, com a minha pobreza
Que faço lixo, que contraria a sua natureza
São muito desconfiados, medrosos, vivem na insegurança
Da venalidade, imoralidade, dependem de armado segurança
Da ilicitude dos bens arregimentados contra natura

Ninguém paga a alguém
Depois do vizinho fausto, os fiscais policiados, sem vencimentos, sem sustentos
Para sobreviverem rapinam-me os mantimentos
Atacam o ponto mais fraco. A mulher indefesa
Os empresários, salafrários e outros otários
da impunidade fiscal tributários
Taxados heróicos impostores das fugas aos impostos
Sem a pena, com plena protecção do poder civil, militar
e presidencial
Deveres, obrigações, cumprem com os arremedos guturais
das ameaças mortais
A minha venda, desvenda algum dinheiro. Porra! Andei bem!
Hoje iludi, venci a fome. Por quanto lamento?! E amanhã, depois…
a luz e a água vão me controlar, cortar
Não vou cozinhar sem gás, sem ocupação, não posso pagar
Emprego?! Só para estrangeiros seguranças e policias

No espelho, conservo a pobreza, a leveza da minha beleza
Sempre a me chatear. Querem fiado aviar, depois… para pagar
Ah! Sou muito desavergonhada. Irrompo pelos escritórios deles
Antes que saiam com os vencimentos e gastem-nos nas amantes
Exijo tumulto, a minha confusão apresento
Envergonhados, retiram o que me devem, fazem pagamento
As esposas deles copiaram-me. Assediam-nos e vazam-lhes as carteiras
Deixam-lhes penúrias medidas, para umas cervejas bebidas
Com as amantes na mínima condição de fãs, fás sustenidas

Os estrangeiros controlam-me, mandam-me trabalhar
porque os meus libertadores são hábeis no desempregar

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A Epopeia das Trevas (95). O dia-a-dia no meu campo de concentração de Luanda


Talvez sejam os dias sem sol que nos fazem tristes e agressivos
Os dias quando nascem não são para todos, continuam apenas para alguns. Sempre os mesmos como uma dinastia milenar. Nesta terra nada mudou, muito pelo contrário, tudo piorou.

Não apreendo a matriz genética dos nossos políticos
Há armas nos quintais, nas ruas, nos lares, nos carros… e nas crianças
Postos de controlo disseminados, com carteiristas fardados
Sem civilização, com máfias, sociedades secretas
E atributos genéticos que nos condicionam
Como o gene que bloqueia a noção de compromisso, de responsabilidade
«Está bom, não há problemas. Daqui a pouco já passo por aqui. Depois telefono, amanhã passo aí. Vou telefonar sem falta. Na próxima segunda-feira, volto mais tarde.»
É a politica dos apocalípticos
Um passo em frente e três atrás
O pressuposto de uma política congénita
O mais importante é acabar com o povo.

O dia-a-dia no meu campo de concentração de Luanda

Não sei se conseguirei dormir
para de manhã me levantar
Os estertores, estupores das festas que não decidem as frustrações
da violência sonora, da agressão espiritual, neuronal
Do sono inconstante, é irrelevante
Marés negras, petrolíferas de sons intranquilos
que enfeitam as infernais noites
Deito-me na ânsia de não ouvir tal mensagem
Até agora nada! Devem estar cansados
de tanto beber, amarrados, acostados

Os pardais já voam sonoros
O meu relógio biológico despertou
Saio da cama, obrigo-me a levantar
Sem água, sem luz, sem nada para manjar
Não sei o que fazer
Disseram-me que na Internet há muita comida
Não sei onde isso fica, como lá chegar, vou procurar
Hei-de qualquer coisa lá encontrar
para me consolar

Ah! Esta negra existência!
Porque querem acabar com a minha raça!?
Só branco é bonito, e negra feia porque escura, escurece o ambiente?
Hipócritas! Então que acabem com a escuridão das noites
Façam operação ocular para extrair a cor preta, negra
Depois não verão mais a minha beleza exótica, tropicalíssima
Bem feito! Malandros! Sacanas, é o que são!

O regresso em força do marxismo-leninismo (Fim)


O nosso povo é heróico e generoso, sofredor. Apesar de quase há cinquenta anos outra vez escravizado, não será de mais esperar outros cinquenta até ao culminar da grande marcha do glorioso marxismo-leninismo. Sofrer agora para obter a gloria eterna depois. O nosso povo será finalmente livre. Sob a sábia direcção do nosso Guia Eterno, da nossa bandeira e do nosso Hino, o MPLA já deu muitas e muitas vitórias ao nosso povo. Muitos e muitos cortes de energia eléctrica e muita e muita mais miséria vos esperam. Mas com o MPLA tudo se ultrapassará. O MPLA é a vanguarda da classe operária e camponesa. Um só partido, um só marxismo-leninismo. Camaradas! O marxismo-leninismo vencerá! Que vivam para sempre os sábios ensinamentos do nosso Aviador.

Isto está bom demais para os portugueses, luso-angolanos e angolanos de ocasião que retornam, outra vez rapidamente e em força. Dantes eram anti-marxistas, agora são comunistas comodistas.
Duas crianças angolanas alheadas destas jogadas colonialistas jogam no computador. Uma exclama vitoriosa: «Um tiro no navio de guerra Angola!» Diz a outra eufórica: «Está a afundar-se rapidamente?!» e a outra meio desconfiada «Está mesmo?!»

Os investimentos marxistas-leninistas devem canalizar-se para a energia eléctrica, e não para os estádios e edifícios do luxo da espoliação, onde abundam as conferências dos nababos. Sem isto a miséria de Angola continuará na mesma palhaçada dos habituais discursos nacionais e internacionais. É que sem energia eléctrica não é possível qualquer desenvolvimento. A FAMÍLIA parece não ter noção do que é um investimento. Para quê construir sem electricidade? Justifica-se pela corrupção que alimenta os nascentes senhores dos escravos.

Entretanto o Governo (?) de Angola insiste nas suas duas actividades principais: construir estádios de futebol e destruir milhares de casas dos espoliados dos dividendos petrolíferos, para empregar os falidos das quadrilhas imobiliárias internacionais.
Se as terras são do Estado e nós lá estamos em cima delas, não é’! E o Estado pelo que se vê espolia-nos das terras dele, deles, então este Estado não nos dá qualquer garantia de futuro. Eu nunca investirei nada, não. Porque este Estado depois vai-me espoliar, roubar, vigarizar.

Aliás o Marxismo-leninismo apregoa-se oficialmente: «Isto é tudo do Estado!» Convicção dos fiscais do GPL-Governo da Província de Luanda, na habitual espoliação das proletárias e proletários nas ruas. Senhor PR, isto está tudo descontrolado. Vê-se o início do um contra todos e todos contra um.
O poder popular do MPLA insiste-se, continua-se. O MPLA não consegue despir a anarquia do marxismo-leninismo. O Mpla é um vírus da família Ebola. Só se extingue quando já não existir nenhum angolano vivo.

Na realidade, na verdade, se analisarmos profundamente a cultura angolana, veremos que actualmente o MPLA não lhe tem nada. Absolutamente nada que o identifique com a cultura Ngola. A única coisa que o identifica de facto é a do invasor. O MPLA é presentemente o colonizador, a força de ocupação estrangeira em Angola, um espoliador. Uma obra-prima do marxismo-leninismo. É o discurso ultra marxista-leninista no melhor estilo de Fidel Castro. Infelizmente não somos cubanos.
Sem dúvida! Há homens que nascem superdotados. O nosso Presidente da República merece o título honoris causa de: «O nosso Obama angolano». Mas que discursos, mas que inspiração.

E o nosso marxismo-leninismo antes de melhorar vai piorar. Quando o Soberano alterar a sua Constituição C, então sim! Teremos de facto e de jure outro Zimbabué. E então seguiremos maravilhados com a nova religião imposta – como todas – do marxismo-neocolonialismo. A meia dúzia dos seguidores coloniais vai então livre de obstáculos acabar com o que resta dos esfomeados. Finalmente livres para a especulação imobiliária que é o melhor, o mais fácil caminho para ganharem dinheiro sem trabalharem.

É também o regresso ao estalinismo e nazismo. Vêm aí outra vez o terror político bolchevique. Já se esqueceram dos tempos em que existia o tal ministério da segurança do Estado?! Quem não sabe ou não se lembra?! Pois… acaba de chegar, renovar para a aniquilação da oposição. Recomeçam as prisões sumárias e os assassinatos?! Às iniciativas actuais da oposição o regime responde com a aniquilação. Este regime soçobra reforçando a repressão. O comboio das trevas antes de descarrilar definitivamente arrasta, devora tudo à sua passagem e paragem na estação final. A sua extinção.

Esta luta de libertação é a continuação de outra atroz escravidão.




Voltaire. Ele descobriu que o Imperador Constantino, que levou o cristianismo ao poder, assassinou sua esposa, Fausta, e seu filho mais velho, Crispus



A maturidade do homem

Voltaire começou a pensar, a duvidar, a questionar. Ele estudou a história da igreja, das crenças. Ele descobriu que a religião de sua época se apoiava na inspiração das escrituras – a infalibilidade da igreja – os sonhos de eremitas insanos -- os absurdos dos Pais da igreja – os erros e falsidades dos santos – a histeria das freiras – a astúcia dos padres e a estupidez dos povos.

http://www.mphp.org/racionalismo/voltaire---robert-g.-ingersoll.html

Ele descobriu que o Imperador Constantino, que levou o cristianismo ao poder, assassinou sua esposa, Fausta, e seu filho mais velho, Crispus no mesmo ano em que ele convocou o concílio de Nice, para decidir se Cristo era um homem ou o filho de Deus. O concílio decidiu no ano de 325 que Cristo havia sido consubstanciado com o Pai. Ele descobriu que a igreja estava ligada a um marido que assassinou sua esposa, um pai que matou o filho por ter colocado em dúvida a questão embaraçosa da divindade do Salvador. Ele descobriu que Teodósio convocou um concílio em Constantinopla em 381 no qual foi decidido que o Espírito Santo provinha do Pai. Que Teodósio, o jovem, convocou um concílio em Éfeso, em 431, que declarou que a Virgem Maria havia sido a mãe de Deus. Que o imperador Marciano convocou outro concílio em Calcedon, em 451, que decidiu que Cristo tem dois arbítrios – e que em 1274 o concílio em Lion decidiu que o Espírito Santo provinha simultaneamente do Pai e do Filho.

Portanto, passaram-se 1300 anos para que se estabelecessem umas poucas questões que haviam sido reveladas por um Deus infinito à sua igreja infalível.

Voltaire percebeu que essa crença insana havia enchido o mundo de crueldade e medo. Percebeu que paramentos eram mais sagrados do que virtudes – que imagens e cruzes – que fragmentos de ossos e pedaços de madeira eram mais preciosos do que os direitos e vidas de homens, e que os guardadores dessas relíquias eram inimigos da raça humana.

Com toda a energia de sua natureza, com toda a capacidade de sua mente, ele atacou esta "Besta Triunfante".

Voltaire era o apostolo do bom senso. Ela sabia que poderia não ter existido uma língua primitiva da qual as demais derivaram. Ele sabia que cada língua era influenciada pelo ambiente. Ele sabia que a língua do gelo e neve não era a língua das palmeiras e flores. Ele sabia também que não havia milagre algum na língua. Ele sabia que era impossível que a história da torre de Babel tivesse acontecido. Ele sabia que tudo o que existe no mundo é natural. Ele era inimigo da alquimia, tanto na língua como na ciência. Uma frase sua é suficiente para mostrar sua filosofia a este respeito: "Para transformar ferro em ouro, duas coisas são necessárias: primeiro, a aniquilação do ferro, e segundo, a criação do ouro".

Voltaire nos deu a filosofia da história.

Voltaire era um homem de bom humor, de boa índole e alegre. Ele desprezava com todo o coração a filosofia de Calvino, a crença da sombra, do rigor, do sobrenatural. Ele tinha dó daqueles que necessitavam da religião para ser honestos e para ser felizes. Ele tinha a coragem de aproveitar o presente para prever o que o futuro traria.

E, no entanto, por mais de cento e cinqüenta anos o cristianismo tem combatido esse homem e sujado sua memória. Em todo púlpito seu nome tem sido pronunciado com escárnio, e todo púlpito tem sido um arsenal de ofensas. Ele é um homem do qual nenhum clérigo tem dito a verdade. Ele tem sido combatido igualmente por católicos e protestantes.

Padres, pastores e bispos e missionários, deões e papas têm enchido o mundo com ofensas e calúnias contra Voltaire. Acho curioso que os pastores não digam a verdade sobre o inimigo da igreja. Na verdade, por mais de mil anos quase todo púlpito era uma fábrica onde eram cunhadas as difamações.

Voltaire usou sua mente para combater as superstições de sua época.

Ele lutou com toda arma e todo argumento que de que ele dispôs. Ele era o maior de todos os caricaturistas e usava toda o seu divino veneno sem piedade. Em pura e cristalina ironia ele não teve similar. A arte da ironia foi levada por ele quase à categoria de ciência. Ele conhecia e praticava qualquer subterfúgio. Ele combateu o exército da hipocrisia e pretensão, o exército da fé e da falsidade.

Voltaire foi incomodado pelos mais baixos e insignificantes espíritos de sua época, pelos covardes e bajuladores, por aqueles que desejavam ganhar os favores dos padres, pelos apadrinhados dos nobres. Algumas vezes ele se deixou ser incomodados por esses miseráveis; algumas vezes ele os atacava; mas por esses ataques ele poderia ser perdoado há muito tempo. No âmbar de seu gênio, Voltaire preservou esses insetos, essas tarântulas, esses escorpiões.

Albert Camus. Os serviços especiais ou a polícia podem atirar. O exército de base, não o dos generais, têm primos e irmãos que vivem numa situação de


O processo de negação prática desde abril de 2001 renovou três aspectos que foram a força do movimento de 1988:

• Ataque a instituições e forças do estado.
• Ausência de reivindicações precisas, expressão de esgotamento generalizado de paciência dos proletários conscientes de não terem nada a perder, e de tampouco terem algo a ganhar negociando com o estado.

http://www.algosobre.com.br/historia/administracao-colonial.html

• O escasso resultado do tradicional enquadramento social-democrata do movimento (19).

Esta breve incursão histórica é suficiente para mostrar que o rechaço às estruturas de enquadramento social-democrata, como as lutas pela identidade, não cai do céu nem provem unicamente das condições de exploração imediatas. Aprender das lições de lutas passadas tem suma importância, e esta continuidade é infelizmente mal assumida hoje. Nós não dispomos de expressões claras ou textos de minorias provenientes da região, mas sabemos que as manifestações aconteceram em torno dos "monumentos" postos pelos proletários de fins de 1988. Nossa classe conseguiu assim manter viva a memória operária apesar das múltiplas tentativas de eliminar seus vestígios. Em todo caso, o desgaste progressivo das ideologias burguesas no transcurso de cada uma dessas lutas levou o proletariado a recusá-las cada vez mais abertamente.

Nestas bases, o movimento atual superou em certos pontos o seu predecessor:
• A "afirmação pela identidade cultural" e a "libertação nacional" já não são mais as portadoras da esperança dos proletários, para os quais quarenta anos de independência (dos quais vinte de governo do FLN) não trouxeram mais do que miséria e massacres suplementares.
• A ideologia islâmica perdeu seu peso, ao mesmo tempo que perdeu credibilidade a fração social-democrata que a representa, a FIS (20). "Hoje os muçulmanos não conseguem explorar as reivindicações dos jovens argelinos", ressaltou um historiador (21). Os próprios proletários denunciam as "concessões do presidente Bouteflika aos muçulmanos" como a recente diretiva governamental que proíbe o beijo nos bancos públicos e parques.

• Os movimentos independentistas parecem desacreditados quanto a sua capacidade de fazer mudanças reais. Apesar dos acentos "bérberes" de seu programa, a chegada do RCD ao governo não significou nenhuma mudança nas condições de vida em Cabila. Ao contrário, o proletariado denuncia sua participação nos planos de austeridade.

Cada onda de luta passada prepara assim diretamente as condições de um enfrentamento de classe futuro cada vez mais violento. Cada enfrentamento entre revolução e contra-revolução é um momento de exacerbação das contradições de classe, no curso do qual as máscaras caem, as ideologias desmoronam, as ilusões se dissipam..., abrindo-se assim a via da expressão cada vez mais clara do proletariado para a qual o empurram suas determinações históricas.

Da mesma maneira, o papel do exército na repressão feroz de 1988 (encarcerando, torturando, assassinando...) o faz aparecer hoje minado por contradições, pelo fato de que muitos soldados atuais participaram nos distúrbios da época. A exacerbação das contradições em seu seio constitui um limite para a repressão militar, ao menos quanto à amplitude que a mesma poderia tomar se o movimento continuar seu desenvolvimento. Inclusive um sociólogo ressalta: "Eu não penso que eles disparem contra o povo argelino. Os serviços especiais ou a polícia podem atirar. O exército de base, não o dos generais, têm primos e irmãos que vivem numa situação de merda.

E se há mortos, os jovens vão romper com tudo, e isso seria uma aventura." (22) Se bem que esta realidade parece surgir como produto da continuidade histórica da luta de classes, isso não significa nunca que tudo estivesse disposto de antemão. Com efeito, até agora não conhecemos nenhum sinal sério de fraternização ou de derrotismo interno contra o mesmo exército, nem tampouco chegaram até nós sinais de que o proletariado tenha tentado tomar as armas que havia nos edifícios que atacou. Além disso, não se deve esquecer o papel que ainda podem ter as forças contra-revolucionárias, como as frações "direito humanitárias", que também preparam a repressão sob uma máscara de denúncia, tentando de fato encerrar o proletariado numa "luta pela democracia contra os generais sanguinários".

Convém, segundo os apóstolos do pacifismo e do parlamentarismo, libertar Bouteflika da influência dos onze generais maiores (entre eles nove antigos oficiais do exército de libertação) que dirigem a Argélia, para permitir que o "processo democrático se desenvolva com normalidade". Isto significaria, mais uma vez, que a guilhotina parlamentar corte a cabeça do proletariado. Está claro que entre o sabre e o rochabus as urnas podem ter ainda um lugar honorável!

As soluções democráticas propostas pela burguesia
É evidente que a burguesia tenta também aprender as lições das lutas passadas. Por exemplo, como em 1988, a imprensa fala de uma "desesperança argelina", como um efeito específico do governo atual. Mas é óbvio que as condições às quais está submetido o proletariado não são exclusivas de um governo particular nem de uma nação particular.

Imagem: http://www.fantasticfiction.co.uk/images/x1/x8488.jpg

Matar à fome. Estes países foram forçados a abrir os seus mercados e as suas terras ao agrobusiness global, aos especuladores


Nada do que os decisores políticos digam deveriam obscurecer o facto de que a crise alimentar de hoje é o resultado tanto de uma incessante pressão para o modelo agrícola da "Revolução Verde" a partir dos anos 1950 como da liberalização comercial e das políticas de ajustamento estrutural impostas aos países pobres pelo Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional a partir dos anos 1970.

por GRAIN [*]

O original encontra-se em http://mrzine.monthlyreview.org/grain260408.html
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

Estas receitas políticas foram reforçadas com o estabelecimento da Organização Mundial do Comércio em meados dos anos 1990 e, mais recentemente, através de uma barragem de acordos bilaterais de livre comércio e de investimentos. Juntamente com uma série de outras medidas, elas levaram ao implacável desmantelamento de tarifas e de outras ferramentas que os países em desenvolvimento haviam criado para proteger a produção agrícola local. Estes países foram forçados a abrir os seus mercados e as suas terras ao agrobusiness global, aos especuladores e às exportações de alimentos subsidiados de países ricos.

Em tal processo, as terras férteis foram desviadas da produção para mercados locais de alimentos em favor da produção de commodities globais ou de plantações fora da estação e de alto valor para supermercados ocidentais. Hoje, aproximadamente 70% de todo os chamados países em desenvolvimento são importadores líquidos de alimentos. [5] E dos estimados 845 milhões de pessoas famélicas no mundo, 80% são pequenos agricultores. [6] Acrescente-se a isto a re-engenharia do crédito e dos mercados financeiros para criar uma indústria maciça da dívida, sem qualquer controle sobre os investidores, e a profundidade do problema torna-se clara.

A política agrícola perdeu completamente o contacto com o seu objectivo básico principal de alimentar pessoas. A fome dói e o povo desespera. O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas estima que os recentes aumentos de preços significaram que um acréscimo de 100 milhões de pessoas já não pode mais permitir-se comer adequadamente. [7] Governos estão freneticamente a procurar proteger-se do sistema. Aqueles afortunados, com stocks para exportação, estão a retirar-se do mercado global a fim de cortar os seus preços internos da disparada dos preços mundiais.

Em relação ao trigo, proibições ou restrições a exportações no Casaquistão, Rússia, Ucrânia e Argentina significa que um terço do mercado global agora foi encerrado. A situação em relação ao arroz é ainda pior: China, Indonésia, Vietname, Egipto, Índia e Cambodja proibiram ou restringiram severamente as exportações, deixando apenas umas poucas fontes de oferta de exportação, principalmente a Tailândia e os EUA. Países como o Bangladesh agora não podem comprar o arroz de que precisam porque os preços estão demasiado altos. Durante anos o Banco Mundial e o FMI disseram aos países que um mercado liberalizado proporcionaria o sistema mais eficiente para produzir e distribuir alimentos, mas hoje os países mais pobres do mundo são forçados a uma intensa guerra de competição contra especuladores e comerciantes, os quais estão a ter um belo dia. Hedge funds e outras fontes de capitais errantes (hot money) estão a despejar milhares de milhões de dólares em commodities a fim de escapar ao resvalar dos mercados de acções e ao esmagamento de crédito, colocando os stocks de alimentos fora do alcance das pessoas pobres. [8]

Segundo algumas estimativas, os fundos de investimento agora controlam 50-60% do trigo comercializado nos maiores mercado de commodities do mundo. [9] Uma firma calcula que a quantia de dinheiro especulativo em commodities futuras – mercados em que os investidores não compram ou vendem uma commodity física, como arroz ou trigo, mas meramente apostam sobre movimentos de preços – inchou de US$5 mil milhões em 2000 para US$175 mil milhões em 2007. [10]

1 COMENTÁRIO


Anónimo disse...
a podridão a escoria,a escumalha, que os hipocritas que governam as nações, e´que fomentam o terrorismo.
a maoria do terrorismo, é fomentado pelas injustiças, as desigualdades.
a hipocrisia é abundante,etc...

Jorge
8 DE JANEIRO DE 2009 19:34
http://guineveremedicina.blogspot.com/

como explicam isto, se eu disser que um prisidente de uma nação é criminoso,ladrão, os politicos Portugueses, tiveram o cuidado de criar leis para penalizar o cidadão comum.

quem difamar um presidente de uma nação está lixado, mesmo que diga a verdade.
a minha mãe antes de de falecer esteve, em coimbra,internada,no hospital na neurocirugia, e lá conheci uma jovem que trabalhava na televisão de angola tinha um temor no cerebro,e falava com ela para que ela não desanima-se, mas, a vários anos que o temor, lhe estava a distruir o cerebro dela.

Portugal é um país pobre por causa, da classe politica,porque o país tem capacidade técnica.
só que esses nunca tem hipotese, em estar em lugar chave.
como se justifica essa jovem vir a portugal para os medicos poderem auxilia-la.com o equipamento etc....

é os outros cidadão de angola, que não tem pessoas na televisão para encaminha-la,para coimbra, etc... o que é feito da riquesa de angola? se os politicos ( essa escumalha e ladrõers) gostassem do povo, obetinham bons hostpitais,pagavam a tecnicos para formar tecnicos no seu povo ,(e mandavam os seu estudantes por esse mundo fora para adequerir sabedoria que no regresso, traziam esses saberes para auxiliar o meio onde estavam inseridos, é assim se faz o progresso) o que alargavam os horizontes,do seu povo,para que as pessoas ganhavam mais dinheiro para o seu sustento e de suas familias.e assim geravam mais riqueza, é o mundo seria melhor etc...

um proverbio que eu ouvi, é mais facil encontrar um corvo branco que um politico honesto.
saudações para todas as pessoas de bem, de todo o universso.

«O problema deste tipo de imigração é que ela é completamente iletrada.»


1. Luis, Almada. 08.01.2010 14:49
Tem piada que não vi o Afonso nada preocupado
... com as revistas a cidadãos de 14 países, 13 dos quais muçulmanos (a excepção é Cuba). Mas agora aqui anda ele agora todo escamado porque no B.I. dos egipcios vem a “confissão religiosa do seu detentor”.


Ainda nem sequer percebeu que pelo menos no Egipto todos têm os mesmos direitos e deveres enquanto que em Israel não apenas nos B.I.'s também consta a confissão religiosa como por lá o apartheid atingiu requintes superiores ao da África do Sul, porque em Israel auto-estradas e estradas há onde os não judeus estão proibidos de viajar.

1. Henrique Silva, Lisboa. 08.01.2010 14:26
Eles andam aí...
Deixem andar estes oportunistas políticos que vivem do populismo barato de direita e da incoerência retrógrada da esquerda, e daqui a nada aparecerá um novo 'Messias' que repetirá as eleições alemãs de 33, e 'unirá' de vez toda a Europa. Só espero é que os milhões de tugas espalhados por África, América, Ásia e Oceânia, não sofram na pele com esta demagogia analfabeta italiana, porque na Europa já a temos vindo a sofrer na pelo. Estes atrasados mentais (demagogos italianos), esquecem-se facilmente das heranças históricas que deixaram em África. Os tugas, ainda deixaram o legado da língua e acima de tudo os elos sangue e uma sociabilização menos descriminativa nos países por onde passamos, o que nos vai valendo para conseguirmos ainda ter uma nação com ligações profundas aos países que foram ex-colónias, e que de resto, a meu ver, temos aproveitado muito pouco... Importar estas demagogias (tanto de direita, como de esquerda) da 'Europa Civilizada', poderá levar-nos (ainda mais) para o abismo. Viva a Lusofonia! Via o nosso Multi-culturalismo! Viva Portugal!

2. Joao, Amadora. 08.01.2010 14:20
Perfeitamente normal e algo que já se esperava
Ora cá começam os reflexos de um descontrolo na politica de emigração, deixam entrar estrangeiros sem qualquer controlo, o crime aumenta devido a entrada de individuos sem emprego e qualificações, que para viverem fazem tudo o que lhes for possivel. Depois há a revolta do povo que acolhe, este incitado por discursos de direita nacionalistas, populistas e tão demagógicos como os discursos de esquerda que apregoam o facilitismo na entrada de emigrantes.

1. Luis, Almada. 08.01.2010 13:22
“O problema deste tipo de imigração
...é que ela é completamente iletrada.” ??? Exactamente como foi a dos anos 60 e 70 do século passado dos portugueses para países europeus e muito antes para Brasil, Venezuela, ex-colónias. Ainda mais os nossos emigrantes não tinham também formação profissional. Tal e qual não tinham muitos dos emigrantes de países europeus que inundaram as Américas, África e Ásia. Mas que lá chegando se tornavam proprietários de fazendas, minas e recursos naturais sem despenderem um cêntimo, por doação dos poderes coloniais, assim pilhando e transferindo para estrangeiros as riquezas dos indígenas. Nos USA até dizimaram os povos nativos para entregar as suas terras a estrangeiros. Pelo menos os nossos emigrantes e os seus colegas de Espanha, Turquia, Marrocos, etc., tinham e têm o mais importante: capacidade e vontade de trabalhar. Exactamente o que têm os emigrantes de hoje.

2. jp, lx. 08.01.2010 13:13
sem comentários
estou chocado, já alguém aqui pensou nos nossos antepassados, que no Sec.XX emigraram às centenas de milhar para bairros de lata em Paris, para a Venezuela, Newark, Brixton, África do Sul, Suiça, Luxemburgo, Etc, tivessem sido recebidos assim?

3. João Vieira, Vila Nova de Gaia. 08.01.2010 12:56
Imigração iletrada...
O problema deste tipo de imigração é que ela é completamente iletrada. Não tem hipótese de sobreviver a trabalhar por que não sabe fazer nada. Não tem qualquer formação profissional. É desta mão de obra que a Europa precisa, quando está a braços com a profissionalização dos seus naturais ? Este tipo de imigração não sabe fazer outra coisa senão viver de expediente nomeadamente roubar, traficar e assassinar pessoas...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A Epopeia das Trevas (94). Era assim que pensávamos na nova ideologia revolucionária: só os livros marxistas-leninistas eram edificantes


Isto não é Angola
são banqueiros e demais carniceiros
na carnificina
Se fosse como eles, se roubasse estaria rica. Este é o único meio que ainda subsiste para enriquecer
Que me provem o contrário. Não haverá ninguém
que me atire o primeiro milhão de dólares para me desenganar
porque a lei protege-os
Os poderosos e a gatunagem protegem-se dos fracos e desprotegidos
e daí o atroz terrorismo

Não adianta recorrermos porque existem duas advocacias:
uma para pobres, outra para ricos, e os deserdados…
Não foi em vão que esta palavra foi pela primeira vez pronunciada Deserdados… porque os cancerosos poderosos a herdaram
A garantia da minha recente liberdade era atirar para o lixo os livros técnicos deixados pelos colonialistas, porque na nova vida não teriam nenhum proveito. Era assim que pensávamos na nova ideologia revolucionária: só os livros marxistas-leninistas eram edificantes
E ainda o são
Quando demos pelo engodo, era demasiado tarde
Voltámos às cavernas, aos túneis do espírito sem luz
Novamente nas garras dos vampiros
A ouvir cigarra cantar e a ver formiga guardar

MEU POVO,
Quando ouvirem os políticos a falarem guardem silêncio
Quando eles se cansarem falarão
e sereis escutados
De noite não tenham medo das sombras das ditaduras deles
Pelo contrário, congratulem-se pelo luar que vos oferece
a democracia
não confiem em nenhuma igreja
porque vos levam à escravidão
Porque nos tempos que correm
devemos agradecer tão sublime jornada libertadora

Quando virem outros esfomeados passarem ao vosso lado
Não os desprezem. Eles indicam os caminhos que esperam
aos que desviam maliciosamente os caudais das nossas riquezas

Diariamente ouvirão muitos cantos de promessas
As mesmas musicas tocadas sempre nas mesmas rádios, jornais, TVs
Existirão sempre muitos ditadores com ares místicos
mas poucos serão escutados
Nas tormentas das cidades aprendam a mergulhar nas multidões
Afastem-se e observem-nas
Verão oradores no circo com muita palhaçada

Nas muitas horas vadias contem o tempo que resta para viverem
Verão depois que passaram muitos anos colonizados
E não terão mais horas vagas para recuperar o tempo perdido

Conhecem muitos governantes mas não pessoas
Nunca conhecerão ninguém
se não conhecerem profundamente uma delas
E quando finalmente sós e abandonados
Lembrem-se que os vossos pais
Nos silêncios das tumbas aguardam a vossa companhia
e estarão sempre convosco

E pior que o pior é ser melhor

O regresso em força do marxismo-leninismo (2)


Quer-nos forçar ao regresso da escravidão, ao despojo das nossas riquezas. Tudo e todos em Angola são pertença do nosso partido – o inesquecível, o inquebrantável o invencível MPLA – e apenas dos membros da cúpula do Politburo. Não, não é para mais ninguém. Para a população continuamos a garantir-lhe a fome, o colonialismo e a escravidão. Os cortes de energia eléctrica continuarão sem apelação porque assim o exige a nossa estrondosa revolução. E das cinzas nascerá o tal nosso novo homem electrocutado. O marxismo-leninismo ensina-nos que exterminaremos a energia eléctrica. E provaremos ao mundo a força do marxismo-leninismo sem energia. Que vivam para sempre os ensinamentos do marxismo-leninismo.

E os investidores estrangeiros continuam na mesma… cada vez piores. Não entendem nada de África e muito menos de Angola. Sempre com a mesma filosofia da miséria e espoliação das populações. Como muito facilmente se vê pela pobreza dos textos que parecem naturalmente encomendados. Pois… o principal investimento que deve ser feito em Angola é o combate à corrupção. Sem isso nada adianta, fica o apenas vêm para aqui para especularem no compadrio da FAMÍLIA angolana.

E criar, apoiar mais desestabilização e violência sociais, o que já é um facto muito incerto. A miséria das populações já é insustentável. E a energia eléctrica… simplesmente não existe. É para angolano ver e estrangeiro ludibriar. São geradores eléctricos que geram napalm por todo o lado. E assim nunca se foi nem se vai para lado nenhum. Não se pode viver continuamente de mentiras. Para bem investir em Angola aconselho-lhes a leitura de L’Afrique Noire Est Mal Partie de René Dumont, Éditions Du Seuil. Cultura Tradicional Bantu, de PE. Raul Ruiz de Asúa Altuna, Edições Paulinas. E também Albert Camus sobre a Argélia. Depois podem investir à vontade.

Evidentemente que nenhum aventureiro perde tempo com leituras. A ortodoxia marxista-leninista do MPLA conduzirá inevitavelmente Angola a outro conflito bélico e a mais outra irreparável destruição. É demagogia elementar utilizar as mudanças climáticas para justificar a pobreza das populações. Os únicos responsáveis pela hecatombe climática e pobreza mundial são os bancos da governação.

«A linha de argumentação respectiva é o de que um combate efectivo à corrupção poderia vir a ter consequências desagregadoras para regime devido à intensidade que o fenómeno assumiu e a particularidades como as seguintes:
a) lealdade ao regime compreende práticas toleradas de corrupção em proveito de indivíduos e grupos que constituem os seus elementos de equilíbrio;
b) o clima de rivalidades e invejas existentes entre os referidos grupos tenderia a exacerbar-se e a afectar a coesão interna do regime por mero efeito de uma redução da acumulação privada.» In http://www.club-k-angola.com/

Energia eléctrica (?). Desde que os chineses estão com a energia eléctrica é inconcebível o que acontece. Os chineses sabem o que fazem? Ou desviaram-na para o CAN? Assim não dá. Correram com os brancos mas continuam escravos deles. São coisas do marxismo-leninismo.
O marxismo-leninismo vencerá! A marcha até à vitória final do marxismo-leninismo ainda se alonga, mas sob a sábia direcção do nosso Timoneiro, Líder, Arquitecto, Pai, Chefe, Deus, etc, etc, o nosso povo alcançará a liberdade, o pão, o trabalho e a felicidade.

Matar à fome. Há que reverter a política alimentar de imediato!


Desde há algum tempo a ascensão dos custos dos alimentos no mundo todo envoleu as famílias, os governos e os media numa tempestade. O preço do trigo subiu 130% no ano passado. [1] O arroz duplicou de preço na Ásia só nos primeiros três meses de 2008 [2] , e na semana passada atingiu alturas récorde no mercado de futuros de Chicago. [3] Durante a maior parte de 2007 o disparar dos custos do óleo de cozinha, das frutas e dos legumes, bem como dos produtos lácteos e da carne, levaram a uma queda no consumo destes ítens. Desde o Haiti até os Camarões e o Bangladesh, as pessoas estão a ir às ruas em cólera por serem incapazes de ganhar para a comida que precisam.

por GRAIN [*]

O original encontra-se em http://mrzine.monthlyreview.org/grain260408.html
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Com medo da perturbação política, líderes mundiais têm estado a apelar por mais ajuda alimentar, bem como por mais fundos e tecnologia para promover a produção agrícola. Enquanto isso, os países exportadores de cereais estão a fechar as suas fronteiras a fim de proteger seus mercados internos, ao passo que outros países foram forçados a comprar em pânico. Será isto uma perturbação momentânea nos preços? Não. Uma escassez alimentar? Não, tão pouco. Estamos num colapso estrutural, o resultado directo de três décadas de globalização neoliberal.

Os agricultores de todo o mundo produziram um récorde de 2,3 mil milhões de toneladas de cereais em 2007, mais 4% do que no ano anterior. Desde 1961 a produção mundial de cereais triplicou, ao passo que a população duplicou. Os stocks estão no seu mais baixo nível de 30 anos, é verdade, [4] mas o que importa é que há bastante comida produzida no mundo para alimentar a população. O problema é que esta não chega a todos aqueles que dela precisam. Menos da metade da produção de cereais do mundo é comida directamente pelas pessoas. A maior parte vai para a alimentação animal e, cada vez mais, para biocombustíveis – maciças e inflexíveis cadeias industriais. De facto, uma vez que se olha por trás da cortina fria das estatísticas percebe-se que há alguma coisa de fundamentalmente errado com o nosso sistema alimentar. Nós permitimos os alimentos serem transformados de algo que alimenta pessoas e lhes proporciona meios de vida seguros numa commodity para especulação e regateio. A lógica perversa deste sistema chegou ao máximo. Hoje ela está a fitar-nos na cara e a dizer que este sistema coloca o lucro dos investidores antes das necessidades alimentares dos povos.

Realidades do mercado

Os decisores políticos que moldaram o sistema alimentar mundial de hoje – e que supostamente são responsáveis por impedir tais catástrofes – sairam-se com um certo número de explicações para a crise actual que toda a gente já ouviu repetidas vezes: secas e outros problemas que afectam colheitas; procura em crescimento na China e na Índia onde supostamente as pessoas estão a comer mais e melhor do que no passado; colheitas e terras a serem desviadas maciçamente para a produção de biocombustíveis; e assim por diante. Mas eles não contam a plena profundidade do que está a acontecer. Há algo mais fundamental em funcionamento, algo que reúne todas estas questões, e que os chefes das finanças e desenvolvimento mundial estão a manter fora da discussão pública.

A FÁBULA DO VELHO CÃO



Uma velha senhora foi para um safári na África e levou seu velho vira-lata com ela.

Um dia, caçando borboletas, o velho cão, de repente, deu-se conta de que estava perdido.

Vagando a esmo, procurando o caminho de volta, o velho cão percebe que um jovem leopardo o viu e caminha em sua direção, com intenção de conseguir um bom almoço .

O cachorro velho pensa:
- Oh, oh! Estou mesmo enrascado ! Olhou à volta e viu ossos espalhados no chão por perto. Em vez de apavorar-se mais ainda, o velho cão ajeita-se junto ao osso mais próximo, e começa a roê-lo, dando as costas ao predador

Quando o leopardo estava a ponto de dar o bote, o velho cachorro exclama bem alto:
- Cara, este leopardo estava delicioso ! Será que há outros por aí ?

Ouvindo isso, o jovem leopardo, com um arrepio de terror, suspende seu ataque, já quase começado, e se esgueira na direção das árvores.
- Caramba! pensa o leopardo, essa foi por pouco ! O velho vira-lata quase me pega!

Um macaco, numa árvore ali perto, viu toda a cena e logo imaginou como fazer bom uso do que vira: em troca de proteção para si, informaria ao predador que o vira-lata não havia comido leopardo algum...

E assim foi, rápido, em direção ao leopardo. Mas o velho cachorro o vê correndo na direção do predador em grande velocidade, e pensa:
- Aí tem coisa!

O macaco logo alcança o felino, cochicha-lhe o que interessa e faz um acordo com o leopardo.
O jovem leopardo fica furioso por ter sido feito de bobo, e diz:
- Aí, macaco! Suba nas minhas costas para você ver o que acontece com aquele cachorro abusado!'

Agora, o velho cachorro vê um leopardo furioso, vindo em sua direção, com um macaco nas costas, e pensa:
- E agora, o que é que eu posso fazer ?

Mas, em vez de correr (sabe que suas pernas doídas não o levariam longe...) o cachorro senta, mais uma vez dando costas aos agressores, e fazendo de conta que ainda não os viu, e quando estavam perto o bastante para ouvi-lo, o velho cão diz:
- Cadê o filha da mãe daquele macaco? tô morrendo de fome! disse que ia trazer outro leopardo para mim e não chega nunca!

Moral da história: não mexa com cachorro velho... idade e habilidade se sobrepõem à juventude e intriga. Sabedoria só vem com idade e experiência.

Recebido por email


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A Epopeia das Trevas (93). É brincar com o fogo, queimar-se, abandonar o povo, demitindo-o das eleições


Vendem-se armas a prestações a qualquer estado falhado
O fornecimento do armamento garante o exercício
do poder ao exército
Os fabricantes incentivam a violência
para o fabrico de mais armas
É por isso que as guerras modernas
se fazem, se prestam a prestações
As fábricas da morte encorajam-se
Há sempre alguém que diz: as armas são necessárias
para o desenvolvimento económico e social
do nosso povo

E as populações correm para o seu destino
da morte
A fugir dela e da corrupção dos ditadores
Eles e ela estão sempre presentes
Estamos perante eles, quer queiramos quer não
Sem dúvida que isto é uma dádiva demoníaca
que facilmente se verifica nos espaços dos cemitérios
Porque não fazemos de todos esses funerais
o despertar da nossa luta contra a fome!?
Os rostos das multidões dos mortos não são iguais

Sempre a dependência, não a independência, surge
quando a leitura não mora nos hábitos de um povo
Depois qualquer importação serve
E que por vezes a desunião faz a força
A demagogia constante é a inconstância da verdade
Não necessito do Ramadão para jejuar
A fome é a minha religião, nada tenho para adorar
Não posso evacuar a minha tristeza, disso tenho a certeza
Falar da Sida é como o alastrar da guerra
no Iraque, noutro e noutros
como um comboio sem paragens
sem estações
Quantos mais morrerem, menos interesse despertam

Quando o horror é trivial, habituamo-nos ao seu efeito mortal
É o quotidiano. Quando a monotonia das situações se repetem
como nos campos de concentração nazis
Na companhia dos espectros da morte, o inimaginável acontece
Ficamos cúmplices dos algozes. Nas amarras dos malditos
que ainda fazem dos seres humanos, o regresso aos campos
Dos membros esquartejados, acompanhados de uma sinfonia filosófica
que orienta o final cadavérico da espécie humana

A diferença que existe entre um cavalo e um homem é a seguinte:
O cavalo tem quatro patas, o homem tem duas mãos e dois pés
O homem tem cérebro, mas muitas cavalgaduras não

Mal governar é morrer rapidamente, é um suicídio
não necessário, mas está sempre presente
É brincar com o fogo, queimar-se, abandonar o povo,
demitindo-o das eleições
Ainda resta algo
A serenidade perdida jamais é restituída

O REGRESSO EM FORÇA DO MARXISMO-LENINISMO (1)


Enquanto existir um ditador, os jornalistas e a democracia submergem.
A nova Constituição C prevê eleições?!
ÚLTIMA HORA. A EPAL, a empresa que abastece (?) Luanda de água, informa que garante o abastecimento nesta quadra festiva.
ZORRO aterroriza no Cacuaco, arredores de Luanda. Mascarado tal e qual como a personagem, excepto na arma que é uma AK, Zorro já liquidou três habitantes. Promete que só pára quando liquidar 50 mulheres e 50 homens.
A escravidão e o colonialismo ainda não acabaram. Escravos angolanos! A EDEL deseja-lhes um feliz Natal perene de escuridão. E o nosso partido de vanguarda enaltece-nos: ó escravos do marxismo-leninismo, feliz Natal e um próspero Homem Novo.

O saque de Angola continua sob o disfarce das forças progressistas e marxistas-leninistas.

São cerca de vinte e três horas. No largo circundante ouvem-se lamentos, gritos, ameaças de uma jovem: «Seus chineses de merda, já vão ver o que é uma prostituta» e desenreda a sua odisseia do oportunismo carnal da jovem angolana. «Fiz-lhes tudo o que quiseram, (e enumera pormenorizadamente) agora paguem-me, quero já o meu dinheiro. Este é o meu trabalho, o único que o MPLA me garante. Quero já o meu dinheiro. Senão vão ver o que lhes acontece.»

Decerto os chineses não apreciaram o funji carnal da gostosa beldade, genuína carne de gazela angolana. Pessoalmente duvido muito. Eles, e a outra igualha vêm imbuídos do espírito de superioridade do novo colonizador, de quem aqui chega e acha que tudo é um alvo fácil. Os chineses envergonharam-se e pagaram à pobre prostituta. Talvez agora depois do VI Congresso do MPLA as coisas mudem… quem sabe. Mas ninguém sabe… sabe sim! Tudo vai descambar, africanizar. zimbabuear.

Entretanto os cortes revolucionários da energia eléctrica marxista-leninista em Luanda prosseguem no nosso biorritmo. A nossa revolução contempla-nos com majestosos, gloriosos cortes de energia eléctrica todos os diabólicos dias. São cortes extraordinários, revolucionários. São os sacrifícios da opção marxista-leninista. É a imolação, a evolução da nossa gloriosa revolução. O importante é o nosso Politburo funcionar o resto é para liquidar, população incluída, não é para olvidar. Os estragos continuados da nossa digna opção marxista-leninista continuarão.

As nossas forças vigiam e estão preparadas para rechaçar qualquer golpe contra-revolucionário do inimigo imperialista. Com o marxismo-leninismo seremos invencíveis. Os nossos, poucos, únicos líderes iluminados garantem a continuação da nossa luta. Ela dominará no Céu e na Terra. Não existirão forças capazes de se oporem aos nossos desígnios. O nosso marxismo-leninismo fortalece-se a cada momento. Não dorme, não come, sempre desperto, atento, porque o imperialismo nunca desarma.

Voltaire. Porque uma sobrinha de Pascal tivera uma doença no olho curada por um espinho da coroa de Cristo.


Em 1552 Dr. Baius começou a discutir certas questões que colocavam sob dúvida a doutrina do livre-arbítrio. Os monges cordelianos selecionaram setenta e seis dessas proposições e o denunciaram ao papa como herege, e do papa obtiveram aquilo que era conhecido como uma bula. Esta bula continha uma passagem duvidosa, cuja compreensão dependia da presença de uma vírgula. Os amigos de Dr. Baius escreveram para Roma para saber onde deveria ser colocada a vírgula. Roma, ocupada com outras questões, mandou outra bula na qual a sentença era colocada sem a tal vírgula. E a disputa continuou.

http://www.mphp.org/racionalismo/voltaire---robert-g.-ingersoll.html

Então surgiu uma grande controvérsia entre os jansenistas e os molinistas. Molini era um jesuíta espanhol que sustentava a doutrina do livre-arbítrio com uma sutileza sua: "O arbítrio do homem é livre, mas Deus vê exatamente como ele o usará." Os presbiterianos de nossa época ainda estão enrolados com este grande absurdo.

Jansenius era um jesuíta francês que levava ao extremo a doutrina da predestinação, assegurando que Deus comanda coisas que são impossíveis e que Cristo não morreu por todos.

Em 1641 os jesuítas obtiveram uma bula condenando cinco proposições de Jansenius. Os jansenistas então negaram que qualquer dessas proposições tivesse sido descrita por Jansenius.

Esta questão de molinismo e jansenismo ocupou a França durante uns duzentos anos.

No tempo de Voltaire, a questão primordial era se as cinco questões condenadas pelo para haviam sido, de fato, escritas por Jansenius. Os jansenistas provaram, então, que as cinco proposições não estavam no seu trabalho, porque uma sobrinha de Pascal tivera uma doença no olho curada por um espinho da coroa de Cristo.

A bula "Unigenitus" foi lançada em 1713, e então todas as prisões se encheram de jansenistas. Esta grande questão de livre-arbítrio e predestinação, meios e responsabilidade, ser salvo pela interferência divina, e condenado pela glória de Deus, ocupara as mentes do chamado mundo civilizado por muitos séculos. Todas estas questões eram debatidas na Suíça; e na Holanda durante séculos; e na Escócia, e na Inglaterra, e na Nova Inglaterra, e milhões de pessoas ainda estão ocupadas tentando harmonizar pré-ordenação e livre-arbítrio, necessidade e moralidade, predestinação e responsabilidade.

Depois da morte de Luís XIV o regente tomou posse, e então as prisões foram abertas. O regente pediu a lista de todas as pessoas, e dentre elas todas lá estavam pela decisão do rei. Ele constatou que não se tinha sequer conhecimento dos motivos que as levaram à prisão. Eles haviam sido esquecidos. Nem eles próprios tinham a menor idéia dos motivos que os levaram à prisão. Um italiano havia passado trinta anos na bastilha sem saber por quê. Logo após ter chegado a Paris trinta e três anos antes ele foi preso e encarcerado. Ele já havia envelhecido. Ele foi o único que sobrou da família. Quando os demais foram libertados, ele pediu para permanecer, e lá ficou pelo resto de sua vida. Os velhos presos haviam sido perdoados, mas em seu lugar outros foram colocados.

A essa época, Voltaire não estava interessado nas questões importantes – quase nada sabia sobre governo e religião. Ele estava ocupado escrevendo poemas, comédias e tragédias. Ele estava cheio de vida. Todos os seus gostos tinham asas, como borboletas.

Ele estava sendo acusado por escrever algumas frases mordazes. Ele então se refugiou em Tulles, a trezentas milhas de distância. Dessa distância ele escreveu decidido: "Eu estou num castelo, um lugar que deveria ser o mais agradável do mundo, se eu lá não estivesse refugiado, e onde não há nada faltando para minha perfeita felicidade, exceto a liberdade de me retirar. Seria delicioso ficar, se eu tivesse a liberdade de sair".

Por fim ele recebeu a permissão de retornar. E novamente ele foi preso; desta vez foi levado à bastilha onde permaneceu durante quase um ano. Enquanto preso ele mudou seu nome de François-Marie Arouet para Voltaire. E desde então passou a ser conhecido com este nome.

Voltaire, tão cheio de vida quanto um verão é cheio de flores, dando opiniões sobre todos os assuntos relacionados a príncipes e reis, foi expulso para a Inglaterra. Da ensolarada França ele foi para a nevoenta Albion. Ele ficou famoso como um dos grandes da Grã-Bretanha. Ele encontrou Pope, um maravilhoso mecânico verbal, um fabricante de flores artificiais, muito semelhantes às naturais, exceto quanto à ausência de perfume e sementes, ele tomou conhecimento de Young, que escrevera "Pensamentos Noturnos"; Young, um velho hipócrita com uma virtuosa imaginação. Um cavalheiro que trabalhara na eleição da senhora do rei, que poderia ser feito um bispo. Ele conheceu Chesterfield, e Thompson, autor de "As Estações", que adorava ver o sol nascer na cama e visitar o interior; com Swift, cujas setas envenenadas estavam sendo lançadas na carne de Mr Bull – Swift, que era tão mau quanto irônico, tão cruel quanto bem humorado; com Swift, um deão e um diabo; com Congreve, quem Addison considerava superior a Shakespeare, que nunca escreveu nada além de uma grande frase: "A catedral procurando tranqüilidade".

Albert Camus. «um movimento de negação da sociedade atual, de ataque ao capital e seus defensores.»



Além desses "traços característicos das lutas atuais", a luta apresenta forças que denotam um nível de enfrentamento ao capital superior ao geralmente alcançado pelas lutas atuais do proletariado.

http://www.algosobre.com.br/historia/administracao-colonial.html

A primeira impressão dessas forças reside no fato de que aqui, inclusive quando superada a rápida surpresa, a burguesia não foi capaz de levar adiante, de forma eficaz, sua contra-ofensiva. Contrariamente ao que se passou, por exemplo, nos distúrbios em Los Angeles (18), todas as tentativas burguesas de destruir o movimento, separando a maioria dos proletários de sua vanguarda, fracassaram.

É um fato real que na cabeça de tais ações se encontram majoritariamente "juventudes proletárias" (60% da população têm menos de vinte e cinco anos e, além disso, é o grosso da população mais afetada pelo desemprego); também é certo que podem às vezes levar suas lutas sob bandeiras islâmicas, mas as tentativas burguesas de particularizar a ação direta do proletariado, com base nessas realidades parciais, não tiveram até o presente peso real no movimento. A prática do amálgama, que consiste em apresentar a luta da vanguarda do proletariado como uma luta de "jovens amotinados", assaltantes, bandidos e "muçulmanos radicais", não teve o efeito esperado no resto do proletariado na Argélia. O movimento se mostra mais forte do que todas as divisões que a burguesia tenta impor e, como temos visto, quem luta hoje na Argélia é o conjunto do proletariado.

Certas "divisões do trabalho" que a burguesia nos apresenta como políticas não são mais do que técnicas e organizativas. Até agora, a solidariedade e a unidade foram realidades concretas do movimento. Ressaltamos que as ações, como o bloqueio das estradas, pressupõem um certo nível de organização e centralização do movimento. Inclusive se elas fossem hoje realizadas por um punhado de solitários proletários, estas ações constituiriam um esboço da assunção incipiente de aspectos militares de luta.

No período atual, outra especificidade do movimento na Argélia é sua excepcional duração e extensão. Contrariamente à maioria das expressões atuais do proletariado, que aparecem como um simples relâmpago num céu sereno, aqui, o movimento perdura desde o mês de abril... os sinais de tempestade continuam enchendo a burguesia de medo! Desde 18 de abril, o movimento proletário não cessou de se estender, tanto em longitude como em profundidade, e ainda hoje a luta continua:

• Estendeu-se por diversas regiões da Argélia.
• Os alvos atacados são de caráter cada vez mais global; todo símbolo do estado é um objetivo potencial.
• A ação direta se afirma cada vez mais como a única arma do proletariado contra o estado.
• O proletariado tende a traçar, cada vez com maior clareza, sua fronteira de classe com relação ao conjunto da burguesia e, muito particularmente, com as frações de esquerda (FFS, RCD).

Esta força, esta persistência do movimento atual, se situa em continuidade a respeito da força manifestada em lutas passadas. Faz mais de uma década, nós já assinalávamos em nossas revistas centrais que o movimento de 1988 na Argélia tinha sido um movimento de negação da sociedade atual, de ataque ao capital e seus defensores.

Em 1988...
• Os proletários tomaram os edifícios e os bens oficiais (prefeituras, veículos de representantes do governo, diferentes sedes do FLN, delegacias, palácios de justiça e lugares centrais da acumulação capitalista e da administração da mais-valia como bancos e centrais de arrecadação de impostos).

• Fartos das condições de sobrevivência, os proletários em luta não formularam nenhuma reivindicação precisa. Não exigiram reformas, mas, pelo contrário, a revolta esteve ligada às expropriações diretas, evidenciando que o objetivo não podia ser outro que o de se reapropriar do produto social de que os proletários são privados.
• O movimento de 1988 foi obra da rua e se desenvolveu na rua e não de empresas ou setores concretos, o que não deixa lugar para o enquadramento social-democrata, cujos sindicatos não tiveram a possibilidade de jogar o papel de sempre de recuperadores, canalizadores e destruidores da luta.

Está claro que o movimento que abrasa hoje muitas regiões da Argélia apresenta flagrantes similaridades com as lutas de 1988. Voltemos a extrair parágrafos do comentário de Libération de abril de 2001: "Erigindo barricadas, eles destroem os símbolos do estado e os postos de polícia. ‘é a revolta de uma juventude radicalizada [categoria aclassista!] que não tem nada a perder, pois já se encontra esmagada pela miséria e sem esperança’. ‘Vocês não podem nos matar, nós já estamos mortos’, gritam os manifestantes. Lançando pedras, incendiando pneus, com coquetéis molotovs; escapam totalmente do controle de todos os partidos políticos e demonstram uma raiva que ninguém parece poder canalizar: três sedes da FFS e numerosos locais da RCD foram, por outro lado, incendiados".

Imagem: http://farm1.static.flickr.com/160/384746406_3653e77d7d.jpg

«O Islão é o grande factor de instabilidade e a ameaça mor à civilização Ocidental»


AGAUUS, | 18/11/09 15:40
Mas afinal o que é que se passa com os dirigentes (elites) deste país, já entramos no vale tudo à descarada?


Lusitano, Lisboa | 09/11/09 22:38
O Islão é o grande factor de instabilidade e a ameaça mor à civilização Ocidental, contendo em si os vectores do expansionismo militante, a misoginia estrutural , a ditadura opressora e o obscurantismo intelectual. Não se trata da fé em Deus ( Alá ) - que é mui respeitável - , mas sim da essência do projecto social temporal que representa.
Sem medidas urgentes de contenção e reparação de erros auto destrutivos do Ocidente, em poucos anos o Islão será maioritário e imposto a este mesmo Ocidente.
Repito, o mal não está na Fé, mas na indissociável doutrina de construção social que arrasta e obriga - fundamentalmente intolerante e exclusivista, retrocesso dos ganhos dos direitos Humanos , a custo conseguidos e defendidos no Ocidente, muito especialmente a paridade homem / mulher , enquanto ambos criações divinas em pé de igualdade.

André, | 09/12/09 12:20
Mais um? Depois da Islândia e do Dubai, chegámos à Grécia? A este ritmo, quando será a vez de Portugal?

Analista do Povo, Funchal | 07/12/09 10:59
Medalha de Ouro para a Islândia.
Medalha de Prata para o Dubai.
Quem será o 3º classificado? E o quarto...? e quinto...? etc, etc....

José , | 07/12/09 15:58
Coisas da especulação que domina o mundo económico.
Viram boas prespectivas de lucro pois a nível imobiliário o mundo estava a crescer gigantescamente, vá de transformar um deserto em cidade. Os investidores todos contentes fizeram as suas contas "ora como nas outras cidades se ganham x, ali vamos ganhar x 2".
Agora que se arranjem. Aceitaram um pedaço de deserto como garantia em troca de futuros rendimentos gigantescos, agora afundam-se. E lá vão os governos ter de oferecer mais uns 150 dias de impressão de notas aos bancos...

«Venezuela: cidades terão corte de luz diário»



CARACAS - A Venezuela iniciou terça-feira o plano de racionamento intermediário de energia em todo o país. As medidas vão desde cortes de energia até mudanças no horário de funcionamento de serviços públicos. Paralelamente as autoridades do setor buscam alternativas para evitar o desabastecimento.
Uma das propostas é cortar a luz por cerca de quatro horas por dia e autorizar o fornecimento apenas em áreas específicas. Outra medida que deve ser adotada é reduzir o horário de funcionamento dos departamentos públicos, aproveitando a luz do sol, abrindo às 8h da manhã e encerrando às 13h.
No último domingo , o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em seu programa semanal de televisão, não escondeu sua preocupação com a redução do nível de água do mar. No mês passado, Chávez foi à televisão e apelou para que a população reduzisse o consumo de energia em todo país. Em outubro, ele pediu que os venezuelanos parassem de cantar no chuveiro e limitassem em três minutos o tempo do banho.
O racionamento ocorre no momento em que a Venezuela passa por drásticas mudanças na economia. Chávez anunciou a criação de uma taxa cambial dupla – uma para os setores básicos, com um dólar a 2,60 bolívares, e outra para o restante da economia, com o dólar a 4,30 bolívares. O câmbio era mantido estável pelo governo desde 2005 em 2,15 bolívares por dólar
A iniciativa provocou corrida às lojas de produtos importados, principalmente eletrodomésticos. Indignado, Chávez colocou o Exército nas ruas para fiscalizar os abusos e fechou 70 lojas, de segunda para terça-feira.
23:13 - 12/01/2010
Imagem: http://www.chargeseditoriais.com/