sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Jornal de Angola, 07 de Janeiro de 2010


Porta-estandarte do marxismo-leninismo e órgão oficial da nova Constituição

Transparência. Conta Geral do Estado melhora meios de gestão

CAN 2010. Direcção da UNITA pede mais isenção à organização

Palestra União dos Escritores. Combate ao terror requer concertação

Kwanza-Sul. Tocota é um paraíso turístico adormecido. Da montanha do dragão jorra água quente medicinal.

Editorial. O dialogo democrático. Ninguém mais vai fazer uma leitura enviesada de um texto constitucional que ficou sem fundamentos em 1992 e muito menos impô-lo, em nome de uma ciência jurídica.

Movidas pelo desporto. Mulheres marcham pelo futebol

Kwanza-Sul. Projectos sociais em fase de arranque na Conda. A estação de captação e tratamento de água está a ser reequipada para melhorar a distribuição à população.

Saúde. Mortes por cólera no Huambo

Imagem: campo de concentração de Luanda

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A Ocidente do Paraíso (1). Prefácio


A meus pais
que finalmente contemplam
a magnífica paisagem eterna
depois de resistirem
às tormentas da vida.

A Patrícia Martinelli
que me maravilha
com a sua doce, terna
e eterna amizade

Prefácio

Estou nessa selva do mundo do trabalho tentando sobreviver rsrsrs.
Não é fácil ser super criativa, inteligente, eficiente, inovadora… o tempo todo!!! eca... estão mistificando o papel do trabalho? Temos que ser super?
Bom, às vezes penso em só arar um canteiro de palavras e vê-las brotar em versos por aí...
(Patrícia Martinelli)

Creio que a Patrícia Martinelli espelha muito bem a nossa actual vivência tão imobilizada, tão amarrada da nossa selva do trabalho e em mais em tudo o que nos rodeia. Afinal passados tantos séculos, tantos milénios e conseguimos apenas uma extraordinária vitória… sermos infelizes. Produzimos infelicidade a rodos, a esmo.

Lembro-me muito bem quando na minha juventude subjugado pela superstição e escravidão da religião, onde instigado por todos os poros tinha que ser obediente a Deus e aos grandes senhores e muito especialmente temê-los.

Mais tarde quando comecei a aprender, a descobrir o Caminho, vi que caminhava num reino empestado de hipocrisia. Creio que a Igreja ao impor-nos a sua santa ignorância é a causadora de todos os males que avassalam este mundo e o outro. Essa religião destrói-nos, corrói-nos as almas, coloca-nos prematuramente nos ritos funéreos dos cadáveres.

Continuamos sem rumo e nas mesmas regras das grandes corporações internacionais e religiosas. Numa sociedade doentia porque teimosa na imposição do regresso à ditadura global, do governo electrónico mundial, marcial. Controlados ao ínfimo pormenor por robôs numa Idade Média electrónica. Caminhamos a passos seguros e rápidos para a grande prisão planetária onde já incrustam os primeiros gradeamentos.

Os acontecimentos que se seguem baseiam-se na vivência com um amigo que me acompanhou ainda éramos crianças e depois do encontro final quase quarenta anos passados. Depois do seu falecimento lembrei-me de narrar a sua vida. Creio que era muito simples, humilde e humano, daquelas pessoas que dificilmente encontramos. No fundo trata-se apenas de um Homem. Um desconhecido que provavelmente ninguém se lembrará. Mais um… na luta pela sobrevivência na selva da mediocridade humana. Acho que ainda não aprendemos o suficiente para vencer a selva da vida, ou a vida na selva.

Enquanto existirem seres humanos a morrerem de fome neste mundo, dificilmente acreditarei na democracia. Receio que seja mais uma ilusão. Enquanto houver fome no mundo, ou mortes por falta de assistência médica, porque não têm dinheiro, acredito que a democracia, ou melhor dito, as democracias navegam muito longe da realidade.

Dêem-me uma alavanca e dominarei os aventureiros e especuladores.

No fundo todos procuramos, sermos apenas livres e lutarmos por melhores condições de vida.

Esta é a história de mais um ser humano que morreu porque não tinha nada para comer… proibiram-lhe o alimento espiritual.

Enquanto não acabarmos de vez com as ditaduras que teimosamente nos desafiam, nos oprimem, nunca seremos felizes.

Escrever com simplicidade é tão difícil quanto ser bondoso.
William Somerset Maugham

G.G.

Imagem: http://tramagal.blogspot.com/



A Epopeia das Trevas (FIM). A Patrícia Martinelli


E findamo-nos sem essência, sem o germinar das lápides atiradas ao abandono do tempo. Depois reencontradas nas cavernas escuras e escusas, sem a iluminação da alta voltagem inofensiva do sublime amor.

Esta história humana presente é o calvário, o purgatório, o martírio do amor sem a proporção divina das zebras desequilibradas entre o amar e sem viver. Condenámo-nos à nascença a amar, mas recusam-nos, teimam em nos odiarem. Não é ser, é ter alguém no Governo em quem confiar. Não existe nada de divino em que acreditar. Temos que apreender a dizer não, a este faz-tudo de amor clonado em vão. Evitemos que estes vendedores revendam o ardor da paixão. Não podemos resumir esta contenda nos gestos augurais das suas vestais até já continentais.

As plantas ondulam porque amam o vento. Se ele lhes faltasse o ódio reinaugurar-se-ia de verde amarelecido.
As asas do estímulo vivencial são o código genético desconhecido que nos faz voar, perfumar, o aroma para amar. E quem isto ousar proibir, também será proibido.

Os sensores do amor quando activados desordenam-se. No futuro serão bloqueados porque perigarão os instrumentos sensíveis das naves interplanetárias. E será imaginado, recriado um longínquo planeta amoroso para amantes eternos. É que os circuitos do amor desafiam as leis e a velocidade física. Não há, nunca existirá máquina que calibre a sua invisível intensidade. Porém, ele, o amor, esforça-se e tem mais que força, perenidade para viajar pelo infinito do Universo.

Deixai que os sedentos bebam da sua água pura, para que a impureza humana na poluição das águas não cause pandemias, e aconteça a sua extinção. Apenas um minuto de imensidão amorosa vale milhões de anos planetários. Para quê lutar se estamos sempre presos nos tentáculos das suas areias movediças, acariciantes, desse eterno sentimento. Tudo se extingue e parece em vão, o amor não! O amor tem muitas pernas mas quatro estão sempre presentes: duas femininas e duas masculinas. O útero da deusa mãe aguarda o seu convidado e os pés dos amantes movem a escala Richter.

Promete pois que amarás o amor e que nunca te cansarás da sua tentação. A diferença que existe entre o rico e o pobre é que o pobre é rico de amor. E o rico vive na pobreza espiritual à procura do amor. A plenitude virá quando soarem as badaladas cardíacas, rítmicas do relógio bioquímico do nosso coração. Não haverá tormenta que nos domine, que nos separe, porque estamos acorrentados, desmaiados nesse sem sentido, perdidos nos outros sentidos.

Que se santifiquem os mártires do amor, e que nos próximos tempos um salmo planetário seja cantado na cosmologia. E dos suicidas infelizes apenas porque amaram… serão edificadas estátuas de beijos com luz estelar aos viajantes espaciais com a inscrição:

AOS INFELIZES DO AMOR TERRENO QUE APENAS AMARAM

Imagem: campo de concentração de Luanda




























A Epopeia das Trevas (118). O problema da fome já está resolvido, vão-nos eliminar e não terão mais despesas para nos suportar


O amor perdido é como a fome. Quando conseguimos comida
saciamo-lo. E acreditamos que ele está próximo, que voltou
A comida voa sem retorno, as asas do amor também
Quando da fome me libertar, prometo amar
o amor
Até lá adquiri a certeza, tenho o direito de me revoltar
porque não me deixam alimentar. Quase meia centúria
mal conduzida
Para o trânsito proibido dos tubarões onde não se pode amar
Nem o trigo nos deixam semear. Os campos estão lavrados
armas neles vão plantar. O problema da fome já está resolvido
vão-nos eliminar e não terão mais despesas para nos suportar
Têm muito tempo para dispararem, para nos matarem
Nem um segundo para amarem
Grande parte do tempo da nossa vida é gasto em eleições
E sofremos com estas desilusões
Porque não há um partido político do amor

Se critico a Igreja, sou excomungada, herética hierarquizada
Se blasfemo o Islão, espera-me a Jihad, a intifada, a cimitarra
Se ouso opor-me ao comunismo, enviam-me para um gulag
Se luto contra o capitalismo, prendem-me porque persigo o marxismo
Se exijo a parte do rendimento do petróleo que me pertence prendem-me
ou assassinam-me por incitação à violência
Se faço uma manifestação contra a corrupção, premeiam-me com seis meses de prisão
Se denuncio as democracias ocidentais que repartem os biliões de dólares com os seus amigos petrolíferos, eliminam-me, acusam-me de nacionalista
Se exijo emprego e pão, dão-me o sarcasmo da fome
Se não sou militante do partido do governo, espancam-me
Se há muita fome e miséria surgem muitas frentes de libertação nos enclaves Se há um só Deus porque existem guerras religiosas?!
Se há tiroteio depois das eleições, é porque o partido que governa é o melhor, insubstituível, imperdível
Se o petróleo está sempre primeiro, a fome está sempre no último lugar
Se me emprego na prostituição, o único emprego que há e onde a concorrência é tão elevada, desleal, que obriga a preços muito baixos... prendem-me porque sou debochada, sem carácter
Se as iluminadas, ortodoxas, peculiares… igrejas teimam, queimam-nos com o sol das teocracias. São estas, a subserviência das democracias
Se não tenho luz e água, um qualquer arauto tranquiliza-me: «a revolução ainda não terminou»
Se sai um colonizador entra outro
Se não tenho direitos, perdi a existência, a minha defunta independência, não sou ser humano! Perdi-me!
Onde está a minha liberdade?!
No próximo movimento de libertação!

Fui às compras na cidade próxima
Não tive sucesso. As mulheres fugiam muito preocupadas,
perguntei-lhes: fogem porquê?!
«Estávamos muito bem, de repente sentimos chicotadas nas costas»
Sabem quem foi?
«É um jacaré, um espírito. Toda a gente está a fugir com medo
Ninguém consegue escapar-lhe»

Imagem: campo de concentração de Luanda

Jornal de Angola, 04 de Janeiro de 2010


Porta-estandarte do marxismo-leninismo e órgão oficial da nova Constituição

Tribunal de Contas aumenta auditorias

Lunda-Norte revela planos para o próximo ano. Água potável para mais de 25 mil famílias e vários centros médicos.

FNLA considera o 4 de Janeiro início das revoltas

Baixa de Cassange é referência histórica de Angola. Região Marca o ponto final à escravatura de que o povo angolano era alvo.

Editorial. Livres e independentes. Valeu a pena todo o sacrifício consentido durante a luta armada de libertação nacional. Libertámo-nos do colonialismo e estamos hoje a construir uma sociedade em que não haja pobreza, analfabetismo, fome, doenças. Somos livres e independentes e saberemos, com trabalho e sabedoria, levar Angola a patamares de desenvolvimento que criem bem-estar para todos os angolanos.

O consumidor angolano está muito virado para ver fisicamente o produto que compra e a pagar com dinheiro vivo. Começa a existir, mas ainda não está disseminado, o mecanismo de pagamento on-line. Rui Santos, membro da Direcção da Associação Tecnológica de Angola (ATA)

ZAIRE. Polícia considera “exemplar” comportamento da população

Melhoria da vida de populações foi a prioridade em Cambambe

Imagem: Campo de concentração de Luanda


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Mais um prémio da emulação socialista


10Fev10 das 13.46 às 19.55 horas. O nosso querido Politburo martirizou-nos com mais um apagão. Estes outra vez regulares cortes de energia eléctrica destinam-se a testar as reais capacidades da resistência do nosso heróico e generoso povo.

A nossa revolução prossegue imparável… como sempre… para o precipício marxista-leninista.

Jornal de Angola, 02 de Janeiro de 2010


Porta-estandarte do marxismo-leninismo e órgão oficial da nova Constituição

Violência doméstica controlada em Benguela

Huambo. Combate à fome e à pobreza é uma prioridade de Muteka

Água e energia eléctrica. Cândida Celeste promete no Namibe materializar governação participativa.

Finanças da província do Uíge registam diminuição de receitas

Diversos vende-se. Navios e embarcações comerciais e petrolíferas a bom preço

Diversos precisa-se. Prédios c/5º andares. Guest House de 15 Apartamentos, necessita-se p/compra urgente.

Em memória dos mártires da pátria desenvolvamos o país e reforcemos a democracia.

Condições de vida melhoram no Cunene. Projecto “Água para todos” fez com que a população deixasse de percorrer longas distâncias à procura do líquido. O governo provincial adquiriu grupos geradores para reforçar o fornecimento de energia eléctrica.

Cinema nacional com elevada produção

Novos desafios na gestão cultural

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A Epopeia das Trevas (117). Tantas e tantas fardas por todo o lado. Luanda é um gigantesco quartel militar


Sei agora que após a tua despedida da vida
o amor deixa rastos invisíveis, invencíveis
O Taj Mahal e o Mausoléu de Halicarnasso não superam a grandiosidade
desta tua prematura púbis cabeluda, onde anotavas
apontavas, desfloravas qual densa mata do Maiombe

Na eterna espera do teu regresso
talvez estejas a um minuto, ou biliões de anos-luz
num longínquo desconhecido. A distância que nos separa
desse muro cósmico, será nos próximos milénios assegurada
Quando os vindouros proclamarem o ressurgir da vida
do suspenso momentâneo actual
Por aqui cada dia tudo está a ficar demasiado violento
As tempestades, os ventos, ultrapassam as maiores batalhas
Rompem facilmente a História destas muralhas

Eras a minha sinfonia, a harmonia, antes da agonia
outra vez deste mar
Deste colapso esverdear. Até os pássaros deixaram de voar
Secaram tudo. As florestas, os bosques, os rios. Esconderam o encantar
do já nada existe para amar. Tudo está esclarecido, estarrecido
noutra dimensão a pairar. Nos confins da inconsciência
do reduzir outra vez tudo a pó

Outra melodia será universalizada quando este Jesus Cristo acabar
e outro surgir do fundo das águas
Ele está a ser modelado, e desta vez para sempre
será libertado. Não ouvirão parábolas, apenas o seu olhar de compaixão
Para os maldosos, crentes insistentes, não existirá perdão
Grande reconstrução, um gesto e uma bênção

Eras como o pranto dos jasmins, que ainda conservo no mesmo canto
na alcova do nosso recanto. Quando enlevados, abraçados
encalhados na ventania que anunciava os primeiros pingos
da agitação atmosférica próxima. Depois bem regados, enregelados
Como era possível dois desaparecerem e ficar um só corpo?
Ainda não consigo entender, para onde ia
o que acontecia ao outro ser

O meu sonho, os outros sonhos, terminaram
Só os pesadelos começaram, recomeçaram. Não há porvir
enquanto este governo e os seus aliados internacionais
persistirem em nos reduzirem a pó
A seguir o que resta do divino vai ruirá
Perco muito tempo à procura das nossas palavras perdidas
quando revivo o passado no ferro de engomar
Cada peça de roupa retrata momentos dos dias

Depois de tudo terminar, alimentamos o lamentar
Onde tudo começa e acaba só a morte o sabe

Onde estás, para onde fores lembra-te de mim
Há sempre um jasmim. Remodela os nossos passatempos
com novos pensamentos. Encontraste os jardins eternos
dos jasmins. Planta-os, rega-os. Finalmente tens tempo
para encontrar o amor vencido. O paraíso da morte está sempre desperto
no meu desespero de viver ao pé de ti, tão perto
Tarda, mas sei que vai chegar, me vai libertar
E só a morte nos liberta
Aqui continuamos no nascer e crescer desesperados,
acorrentados desejamos galgar as montanhas da feroz ditadura

Quando um simples monte se torna um obstáculo intransponível
Deixamo-nos vencer, obedecer a qualquer voz de comando
E obedientes de medo nunca venceremos, nunca triunfaremos

Tantas e tantas fardas por todo o lado. Luanda é um gigantesco quartel militar

Jornal de Angola, 29 de Dezembro de 2009


Porta-estandarte do marxismo-leninismo e órgão oficial da nova Constituição

Transparência e boa governação na mira. Medidas para “tolerância zero” em estudo. Chefe de Estado quer a participação dos cidadãos no desenvolvimento sustentável.

Presidente da Assembleia nacional manifesta confiança no futuro do país

Ministra promete registo predial simplificado

Jornal Folha 8 acusado de fazer jornalismo sem ética

Abraão Gourgel optimista. BNA garante um ataque cerrado a desestabilizares do mercado.

Estádio da Tundavala faz “chorar de alegria”. Aeroporto da Mukanka é também aberto ao tráfego e foi decretada tolerância de ponto.

Editorial. Água para todos. Os investimentos públicos têm dado prioridade à melhoria substancial das condições sociais das populações, no sentido de conceder-lhes uma boa qualidade de vida.

Mercados. Barril de “Brent” fecha com subida

China apresenta boas perspectivas para liderar a economia mundial

Estádio da Ombaka foi inaugurado ontem com a bênção da igreja católica

ESTÁDIO DA Tundavala. Novo empreendimento tem tecnologia de ponta

Perdeu-se passaporte chinês em nome de Wang Xiaojiang, Quiongjie, Zhon Jihua, Zhou Zheng Guo, Ge Yanliang, Xiaje Ni e Zhao Jianrong.

Namibe. Cândida Celeste promete o reforço do fornecimento de energia e água.
Kuito. População vai consumir mais luz
Zaire. Casas iluminadas na comuna de Kinzau

Huambo. Reabilitação de estádios incluído no programa de investimentos





segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

ATINGIMOS O ZERO (Fim)


Há também outros, sempre documentários diários. Não sei para que é a servidão de qualquer acontecimento mundial, este ser obrigatoriamente comentado pelo Papa vaticinador do Vaticano. Mais parece um comentador desportivo da nossa Rádio 5. E como é fácil ludibriar as massas sim e não católicas garantindo que a jovem Susanna Maiolo que o atacou sofre de perturbações mentais. Porquê escamotear a verdade? O que realmente aconteceu? Que amargura vive nessa mulher? Que atrocidades lhe fizeram?

Que loucuras globais, que mistérios se escondem nos políticos nas actuais políticas mundiais que nos governam tal e qual como num asilo de loucos? Isto não é a globalização mundial, é a loucura global, total, totalitária. Caminhamos como que hipnotizados para o suicídio da massiva globalização. E ninguém consegue submergir deste mergulho, desta escuridão.

É imperioso realizar transformações sociais profundas para resgatar as populações à dignidade sem promessas falsas. É que a feitiçaria anda a monte. Está tão disseminada por esta Angola descontrolada que se não for parada assistiremos, contribuiremos definitivamente para o golpe final da nação angolana, para gáudio dos especuladores nacionais e da conjura nacional e internacional. É que os jovens aderem massivamente aos comités clandestinos da especialidade da feitiçaria.

Como estão abandonados pelo Politburo, que perde o tempo em estádios e na devassidão faraónica, a juventude abandonada, desempregada, sem futuro, espoliada dos poços de petróleo, sem fundo de desemprego – isto é a continuação do marxismo-leninismo – não tendo outra visão de vida, atira-se de corpo e alma para a feitiçaria. No fundo é a sobrevivência de Angola que se joga nos bastidores dos estádios de futebol. É o CAN 2010 da feitiçaria. E quase cinquenta anos depois o ministro das Obras Públicas, mais um general, Higino Carneiro, atesta quase com orgulho: «Não temos quadros.» Foi certeiro… como as nossas universidades que não merecem tal nome.

Dinheiro do Estado é para uso pessoal e para enriquecimento ilícito. Para universidades pessoais para formação exclusiva de quadros da corrupção. O dinheiro que se gastou nos estádios se fosse investido numa universidade de referência, os préstimos seriam os desejados. Mas como ainda nos sujeitamos aos caprichos pessoais de um chefe supremo, continuaremos subjugados pela FAMÍLIA e desempregados estrangeiros.

E enquanto descarrilados no comboio da paz, o futuro desestabilizado acontece, perece. Convém lembrar que a continuação da imposição da chefia e seus chefitos é tribalismo. Não formam quadros porque têm medo de perderem o poder. Havendo quadros devidamente formados manter-se-á a mesma perdição da subjugação da militância do sempre o mesmo partido com os mesmos políticos que sem inovação permanecem na utilíssima mesquinhez.

É um imenso prazer reinar em palácios rodeados de aparatos militares e outros esbanjamentos luxuosos, enquanto nas cercanias andrajosos arrastam-se na vã tentativa da obtenção de uma moeda ou de uma bênção. A África e particularmente Angola regridem para o tempo da caça aos escravos e dos irresponsáveis e incompetentes.

E nenhum é preso, nem demitido porquê?! Porque são marxistas-leninistas, foras-da-lei. Destruidores de povos e de nações. Promovedores de intempéries, de hecatombes. Como é possível este lixo da História ainda sobreviver? Porque as democracias fedorentas alentam-nos, dividem os despojos com os abutres. É terrificante ver intelectuais acomodados no sistema que já desistiram da luta. O marxismo-leninismo não pode triunfar.

E reforçam-se reinaugurando as estruturas do poder popular e dos comissários do povo para melhor responderem às características revolucionárias do processo em curso. Assim esmagarão qualquer tentativa golpista da reacção interna e externa.

E a igreja segue com a história que lhe é característica. Fingindo que luta contra a opressão, sempre camuflada do lado deste governo que continua genuinamente colonial. De facto se a igreja estivesse interessada há muito que Angola seria independente. Convém a manutenção dos escravos nos currais.

Quanto mais analfabetos melhor, não chateiam, bebem, dormem hipnotizados, abandonados, queimados pelos álcoois religiosos.

A Epopeia das Trevas (116). Acabou a vigarice da independência, voltei a lavar roupa. Consegui emprego como lavadeira


Ouvi um grande cientista afirmar que esta é a civilização da psique,
a psique do dinheiro. Nada mais fácil. Para enriquecer rápido
basta tirar um curso desses que explica como curar a mente.

Estamos a gerar filhos idiotas para internamento psiquiátrico.
Há uma degeneração somática devido às fobias
que assolam constantemente a mente.
É quase um milagre dormir em paz. As funções genéticas alteram-se
porque o sono não consegue ser reparador
Somos todos pacientes, acordamos a qualquer momento da noite com pesadelos
Não conseguimos dormir mais, e se insistimos acordamos com espasmos violentos
Porque não conseguimos retirar as preocupações que dominam o nosso cérebro
Este, quando a claridade do dia surge está como bêbado
Como se acabasse de jorrar uma garrafa de uísque
Na tentativa de o ajudar fuma-se um cigarro, depois outro
As próximas noites serão continuadas como uma floresta virgem,
onde aparecem escavadoras que desflorestam o sono reparador das noites
Surge a saída: os tranquilizantes que no início resultam
mas depois vazam-nos a existência
Porque não existe paz para a mente
Os filhos gerados desta mutação sem o verde planetário,
que existia, recebem os dotes dos progenitores e a sua missão é muito simples:
Destruirem os bairros, as cidades, os países, a Terra

Não há nada… nem ninguém que não se enterre
Nas comissões das corrupções sectoriais que enchem
os destemperados petrolíferos da fome
Oh! Como vos desnaturais

Acabou a vigarice da independência
voltei a lavar roupa. Consegui emprego como lavadeira
Lavo e engomo. Regressei ao passado colonial pois então! A minha luta com o tanque
de esfregar os tecidos não pára
Não consigo vencer o tanque. Há sempre roupa para lhe colocar e lavar,
e a ferro passar, engomar. A senhora proíbe-me de almoçar
Com fome saio fraca, quase a desmaiar

Meu Jasmim Branco! Foste e deixaste, abandonaste-me a tua Jasmim da Noite
Eras como um alaúde sem Idade Média. Não ouvirás os beija-flores
Não verás mais o prodígio do equilíbrio do seu sugar
Nem as marés quentes que se estendem, horizontais
E verticais sob os mangais. Alarmam, chamam os caranguejos das marés
Que se desabrigam a saírem das suas caves inundadas
Caminham como aranhas na maré-cheia, rotina marginal
Não me verás mais ondular no verde intenso do capim. Sem ti, senti
a memória passada do meu biquíni. Na frequência oscilante da fragrância marítima

Jornal de Angola, 21 de Dezembro de 2009


Porta-estandarte do marxismo-leninismo e órgão oficial da nova Constituição

Preferência para a matriz C. Sociedade civil de Malanje realça valias das três propostas.

Editorial. A reforma administrativa. O cidadão, quando em contacto com os serviços públicos, pretende que os seus problemas sejam resolvidos com celeridade, sobretudo agora que o país está a conhecer um grande crescimento económico, que se traduz particularmente no surgimento de muitas empresas em todas as regiões.

Sonangol garante resolver problema dos combustíveis no país em 2010

Namibe. Jornalista da TPA vence prémio de jornalismo

A importância da dieta alimentar no combate ao VIH-SIDA

Serviços de saúde. Directora do Hospital Geral do Lobito assegura assistência medicamentosa.




domingo, 7 de fevereiro de 2010

A Epopeia das Trevas (115). Uma grande empresa de negócios mundial é como uma grande igreja. Os negócios têm uma religião, a igreja também


Que não receia a escuridão da mente. Na dúvida aproxima-se
e pede-nos auxílio, porque se sente tranquilo, dominado
Apenas com a apresentação de uma vulgar cruz
reis, príncipes, grandes senhores foram dominados
Porque não terá que continuar assim?
A verdade é o temor eterno das coisas, e quem se aventurar a descobri-las
o Caminho que conduz ao Deus deles, terá funestas consequências
Porque quem o descobriu primeiro, esses são os eleitos
e nenhum deus admite concorrência
Uma empresa poderosa que domina o mundo aceita outra no mercado?!
Não! Porque isso é desleal! Acorrem de imediato os seus defensores
contratando os melhores advogados. São os segredos ocultos dos cultos religiosos

Uma grande empresa de negócios mundial é como uma grande igreja
Os negócios têm uma religião, a igreja também
De modo que, como somos todos cegos, estamos impedidos de o ver
As searas plantadas que os nossos pés delimitados pelos campos minados
da história da infâmia esbarram panfletários:
NINGÉM MAIS ROUBA! APENAS NÓS! EU!

O silêncio da noite interrompe-se pela vozearia contaminada, alcoolizada
pela hipocrisia do Ocidente que finge, apoia, tiraniza as repúblicas do petróleo
que nos exterminam. Onde estão, onde ficam os intelectuais angolanos!?
Perderam-se algures offshore e onshore
Um povo não se conhece pela riqueza do solo, do subsolo
Um povo é rico pelo número dos seus intelectuais
Nunca pela adorada propensão alcoolizada, fomentada, injustiçada
Não havendo justiça há muita mão à disposição

Para amar basta brotar, gostar de dois promontórios e uma fenda
Não, não gostam… fingem. É um sentimento vago, que se esvai como a cópula
É um prazer momentâneo. O ser humano habituou-se
a não perder tempo com as súplicas da Natureza
E os banqueiros nunca dormem, obrigam as marés
dos mares de gente a apressarem-se, a carregarem as ondas do papel-moeda
Que tem um som similar à ondulação, um canto, um cheiro matinal
superior ao do mar, universal. Fabricam tudo

Não sabem que conseguiram criar fábricas onde o amor sai enlatado?
Agora tudo serve de negócio. É verdade!
Quero amar, vou a um supermercado e compro uma lata cheia de amor
Levo-a para casa, abro-a, apresento-a ao meu amado
E aí temos uma noite grandiosa de suspiros e ais enlatados
Depois despejamos tudo na pia, e o destino é o mar
Podem imaginar como o mar se sente. Nunca pensaram nisso,
repararem que todo o planeta assim procede
As pessoas sentem remorsos quando se aproximam da espuma branca marítima

Porque sabem que os restos do seu amor andam por ali perdidos
Creio que têm receio que os oceanos engravidem
E que as marés ao encherem inundem a leveza da neve transparente
As areias das praias com… como filhos enjeitados
Para quê tê-los, se não há tempo para os educar
Não se lhes dispensa nenhuma atenção
Nem sequer os levamos para contemplar uma árvore…
Para quê se o verde já foi comprado por algum dos inúmeros banqueiros
e insconstitucionais. Isto é assim: entre fazer amor e gerar um filho, há que escolher. Dez minutos de coito, e o dinheiro no seu banco deixa de render
Os pais teimosos que conseguem fazer filhos, no fim têm a surpresa habitual
As poupanças nos depósitos bancários utilizam-se para pagamentos a psicólogos e psiquiatras.

Outra vez sem energia eléctrica!


CHAMEM OS BRANCOS!!! Os camaradas da EDEL, Empresa Distribuidora de Electricidade de Luanda, repararam, não se sabe quantas vezes, o cabo que se queimou, que está sempre a se queimar, então, como estes bantus são todos electricistas, um deles mexeu nos condutores eléctricos da escada do prédio e incendiou. Ainda se nota o cheiro característico do queimar deixado pela energia eléctrica.

É a vigésima vez que este electricista bantu incendeia o prédio. Mas isto é geral, prática anormal em toda a Luanda. Os incêndios devidos a curto-circuitos são constantes. Parece existir um prazer mórbido em destruir. Há sim um gozo pela destruição, porque depois são apanhados a rirem. E tudo numa boa. Estes bantus ainda não têm noção do que são leis de convívio social. Ainda seguem escrupulosamente os ensinamentos do maravilhoso, saudoso, Poder Popular.

Angola teima em não querer sair das trevas. Em Angola e em Luanda as únicas coisas que funcionam são a demolição de casebres. Um Governo quase com cem membros e os fiscais do Governo da Província de Luanda que espoliam selectivamente, por exemplo são ávidos por óculos, os bens dos vendedores das ruas.

CHAMEM OS BRANCOS!!!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Luanda. A anarquia interminável da energia eléctrica.


Mais um super apagão. 03Fev10 das 23.30 às 00.50 do dia 06Fev10.
Com tantos prédios, torres, condomínios, estádios de futebol e outras inúmeras construções, os cabos eléctricos não suportam tal consumo. Mas, o mais importante é a anárquica instalação de aparelhos de ar condicionado potentes sem justificação e os incontáveis liga e desliga das empresas fornecedoras de energia eléctrica que destroem os cabos que transportam energia até às nossas habitações. E milhares de curiosos que se fazem passar por electricistas.

Luanda não tem energia eléctrica. Está tudo destruído como bem compete. E não vale a pena falar qual será a energia eléctrica que alimentará o tal projecto do milhão de casas. E sem quadros terão que entregar tudo aos estrangeiros e fatalmente regressarem ao destino do colonialismo. Não vale a pena virem com conversas e as ilustrativas politiquices porque isto é irremediável. Não me digam que também para isto é necessário um plano director.

Em saudação à nossa nova Constituição, o nosso querido Politburo saúda-nos mais uma vez com grande e colossal, extraordinário, revolucionário apagão marxista-leninista. Há sempre que reforçar, cerrar fileiras em torno do nosso querido Deus Líder para que tenhamos mais prémios destes, mais apagões. E continuaremos muito felizes na sua Graça.

E Luanda desenvolve-se com garrafas de cerveja cheias de óleo alimentar, uma tampa com um furo, uma torcida improvisada. É esta a energia eléctrica desta futura nova Constituição: Reduzir Angola ao pó da escuridão. A besta marxista-leninista regressa em força. E sendo tão maldosos, acabarão na maldade que criaram. E submissa a oposição condescende. Pouco ou nada mais lhe resta. Está como a religião, é a oposição benfeitora do rebanho da escravidão.

Como era de esperar, a actividade marxista-leninista ressurgiu em força… destrutiva como habitualmente nas sobras da energia eléctrica. E tal como num tremor de terra esperam-se muitas réplicas sem iluminação. É mais rentável investir em fábricas de cerveja e similares. Com a água de borla os lucros são fabulosos. Para quê investir na energia eléctrica. O petróleo é quanto baste. Em memória dos mártires da energia eléctrica e da água, desenvolvamos e reforcemos o marxismo-leninismo. Libertámo-nos do colonialismo e continuamos escravos do marxismo-leninismo.

Angola só está virada para a especulação imobiliária. É o paraíso mundial de tudo o que é especulador. Fantástico o número de empresas de construção civil e de negociatas imobiliárias para meia dúzia de novos-ricos. É simplesmente impossível… é uma aberração incurável.

Angola é o país do abandono de trabalho e de passaportes perdidos dos chineses. Como é monstruoso verificar diariamente nas páginas do Jornal de Angola. Até agora ainda ninguém veio a público explicar o motivo de tanto despedimento. Parece claro que só existe uma explicação: invasão dos lugares deixados à força pelos angolanos para os estrangeiros desempregados.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

«Luanda. - Detida cidadã vietnamita em posse de 36 passaportes»


«Obter um novo passaporte era uma boa solução. Para isso bastava, através de um anúncio num jornal, dizer que se perdeu o passaporte, que a Embaixada passava um novo – limpo – automaticamente.»

«Perdeu-se passaporte chinês em nome de WANG Xiaojiang, Quiongjie, Zhon Jihua, Zhou Zheng Guo, Ge Yanliang, Xiaje Ni e Zhao Jianrong.»
In Jornal de Angola, 29 de Dezembro de 2009

«mas o então director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Júlio Pereira, avançou uma outra explicação a este jornal: «Não pode ser descurada a possibilidade de as perdas de passaportes estarem relacionadas com a existência de cidadãos chineses em território nacional vindos de outros países onde residiam ilegalmente e esta ser uma tentativa de apagar as rotas seguidas».

Ou seja, para aqueles que entravam em Portugal sem visto (vindos por estrada, sobretudo a partir da antiga Jugoslávia) ou com vistos de turista (para qualquer país da União Europeia), entretanto caducados, obter um novo passaporte era uma boa solução. Para isso bastava, através de um anúncio num jornal, dizer que se perdeu o passaporte, que a Embaixada passava um novo – limpo – automaticamente.
A Embaixada em Lisboa também explicou (em 2002) que era muito rigorosa quando despachava novos passaportes, exigindo documento de residência legal em Portugal e um visto de trabalho; se este era fácil de obter (num restaurante ou numa loja de conterrâneos), já o primeiro seria impossível. Mesmo assim, e confirmando as suspeitas do director do SEF, o PONTO FINAL apurou então que todos os que «perdiam» passaporte obtinham um novo.»
http://pontofinalmacau.wordpress.com/2009/10/06/embaixada-chinesa-em-lisboa-colaborou-com-praticas-ilicitas/


Detida cidadã vietnamita em posse de 36 passaportes

Luanda - Os Serviços de Migração e Estrangeiros (SME) detiveram na última segunda-feira, no município de Viana (Luanda), uma cidadã de nacionalidade vietnamita em posse de 36 passaportes de diversas nacionalidades.

ANGOP

Em declarações prestadas hoje, quarta-feira, à Angop, o porta-voz do SME, Simão Milagres, informou que a cidadã, de 40 anos, identificada por Nguan Hai Liy possui apenas como documento de identificação uma licença de condução emitida na República de Cuba.

Dos 36 passaportes, um é propriedade de um cidadão vietnamita e os demais de cidadãos chineses, sendo que 21 não têm qualquer tipo de visto, e 15 têm os vistos vencidos.

Na sua posse, acrescentou a fonte da Angop, foram igualmente encontrados cinco cartas de condução modelo antigo e uma da SADC, de diversos utentes, supostamente emitidas pela Direcção Provincial da Huíla de Viação e Transito.

Nesta senda, o SME apela à colaboração da população na denúncia de cidadãos em situação de ilegalidade ou envolvidas em práticas ilegais.

A cidadã será encaminhada ao tribunal para julgamento.

http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/politica/2010/1/5/Detida-cidada-vietnamita-posse-passaportes,e03869ef-a979-4b03-a7b3-7182ff601503.html

Imagem: WIKIPEDIA

Luanda, Janeiro de 2010. Apagões. Interrupções no fornecimento de energia eléctrica.


Luanda, no contínuo caos económico e social

No período em referência, Janeiro 2010, a actividade marxista-leninista no derrube da nossa energia eléctrica foi breve, porquê? É fácil de explicar: deve-se às olimpíadas da laranja CAN 2010, para que os estrangeiros vejam as capacidades do nosso Politburo em construir estádios de futebol e organizar futebóis. A questão é que dar pontapés na bola qualquer um os dá, agora construir e organizar uma universidade, ler um livro… isso são coisas muito complicadas… de deitar dinheiro para o lixo.

Com estádios de futebol, sem universidades e energia eléctrica. Com a nova Constituição, sem arborização e com o fumo dos carros e dos geradores, Luanda é uma cidade irrespirável, envenenada. Luanda é sem dúvida uma cidade do Inferno, onde a incompetência está sempre em primeiro lugar. Com esta receita que parece saída da feitiçaria, Angola será reduzida a pó.

O nosso insigne ministro da Indústria, Manuel Vicente, afirmou muito recentemente que vai diversificar a economia com a edificação de diversas fábricas nos também mais diversos sectores económicos.

Como é que isto é possível sem energia eléctrica?! É sórdido ver bancos dependentes do funcionamento de geradores. Claro que o serviço prestado é mau e duvidoso porque regra geral não garantem os cinquenta ciclos exigidos pela corrente alterna.

Resumo dos apagões em Luanda:
Janeiro 2010
31Jan10 das 18.35 às 18.48. 29Jan10 das 13.00 às 13.15. 26Jan das 19.20 às 02.10 do dia 27. 19Jan10 das 12.57 às 13.25. 17Jan10 das 19.10 às 19.20. 12Jan10 das 17.30 às 05.00 do dia 13Jan10. 10Jan10 das 19.15 às 19.25 horas.

Dezembro 2009
31Dez09 das 23.50 às 00.08 do dia 01Jan10. 20Dez09 das 06.04 às 16.50. 20Dez09 das 01.00 às 03.00.16Dez09 das 05.56 às 20.50 do dia 19Dez09. 14Dez09 das 19.00 às 00.15.13Dez09 das 15.23 às 20.55. 12Dez09 das 21.13 às 00.45. 11Dez09 das 15.23 às 20.55. 09Dez09 das 08.08 às 12.50. 08Dez09 das 18.15 às 21.20. 07Dez09 das 09.55 às 17.30. 03Dez09 das 08.00 às 17.00.

Novembro 2009
17Nov09 das 18.30 às 23.00 horas, 18Nov09 das 09.30 às 10.00, 20Nov09 das 17.50 às 23.00, 23Nov09 das 11.25 às 17.45, 26Nov09 das 16.00 às 22.07

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O Cavaleiro do Rei. (FIM)


Olho para lá do horizonte e o que vejo? Os Povos de todo o mundo revoltados contra os impérios. Estes impérios que teimam na sobrevivência a ferro e fogo. Que subjugam o mundo na teoria das duas democracias: uma interna e outra externa, a da fome. São os nossos eternos inimigos. Vejam as águias deles a voarem bem alto, depois descem com muita rapidez para os seus objectivos habituais. Acabarem com as nações. Eles querem lá saber de democracia nos outros povos.

Então o Senhor de Angola mandou derrubar a cidade de Luanda e mandar construir outra nova para nela colocar os senhores do petróleo. Porque o dinheiro é tanto, tanto que não sabem como o gastar. E veio uma grande chuva de enxofre e fogo desde os céus sobre a Sodoma e Gomorra deles.
E eles não se deram conta porque estavam ocupados em grandes orgias e maratonas. Deleitados nos banhos de dinheiro que não foi utilizado no desenvolvimento social, na extinção da fome dos Petrofamintos.
Manual da Destruição 45:12

Ah Kituta! Meu tesouro escondido à espera de ser descoberto. Hei-de descobrir o teu esconderijo.
E toda aquela campina… faz-me lembrar aquela árvore que vi... e a derrubaram para construírem mais um condomínio.

Princesa Kituta:
Minha leve areia fina acariciada pelo desaguar da água do Rio Kwanza. O teu pai abandonou-nos, não sabemos porquê. A continuação deste caos fará com que o nosso reino se parta aos bocados. Ficará como a Somália? Como o Sudão? Como a RDC, e tantos outros exemplos?! Sempre a ouvirmos música em mono, quando o estéreo é melhor?! Se os estrangeiros aventureiros e os seus amigos internos não forem expulsos, não haverá presidente actual ou futuro que os aguente. Já se assassinam entre eles. A seguir serão os nossos intelectuais. Facilmente moverão as suas influências internas e externas, e teremos uma desestabilização permanente.

Os republicanos da União Total querem cinco mil dólares por mês. É um crédito que os leva ao descrédito. É a democracia do feitiço. A chefia não se impõe, nasce naturalmente.
Ninguém se esqueça que cada esfomeado é um revoltado. Como existem milhões e milhões de esfomeados, é fácil colocar um cartaz no meio deles assim: RECRUTAM-SE TERRORISTAS. Quem aceita passar fome?

Angola parece que não faz parte de um continente. Parece uma ilha, um buraco que surgiu de um universo paralelo da fita de Mobius. Onde tudo permanece sem paralelo noutro lugar. Desafia as leis da física mais elementares. É necessário enunciar uma nova teoria. Mas, para quê perder tempo com Angola?! Só as forças do feitiço o sabem. Só os poderes do Grande Feiticeiro podem desvendar este extraordinário feitiço. Angola está irremediavelmente enfeitiçada.

Angola está como um pedaço de um continente, onde alguns abutres negros debicam pedaços de outros milhões de abutres negros.
Temos que fazer uma revolução verdadeira e retirar Angola da lista da Peste Negra da Idade Média. Temos que nos libertar dos ratos, destes causadores dos nossos males. Eliminando-os acabam-se com as pestes. E virá a Liberdade.
Este reino petrolífero não é o Iraque, nem o Afeganistão e muito menos o Irão.

E quanto mais me fodem mais fodido fico. – Bramam de raiva os Petrolíferos.
Um reino, um país, ou nação bem organizados para funcionarem necessitam apenas de: drogados, prostitutas, alcoólicos, feiticeiros, esfomeados e alguns políticos?!
Assim mais guerra será certa. Ela está sempre anunciada. Porque só vai existir um candidato às eleições. O mesmo de sempre.

Governar é muito fácil. Basta ter um povo analfabeto.

Meu Rei! Para sobrevivermos é muito simples: Queremos empregos dignos e reformas da velhice também dignas. Subsídios das vendas do petróleo e dos diamantes. E as vendas a crédito que não existem!

Não queremos ser escravos para sempre. Outra vez no colonialismo e escravidão. PORRA! ESTAMOS A MORRER À FOME.

FIM

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

ATINGIMOS O ZERO (2)


Nesta total degradação não é possível suportar tantas atrocidades. Não dá para viver… nem para sobreviver. Os novos-ricos andam muito descuidados, então que se cuidem porque serão, junto com os seus bens, as vítimas preferenciais. Ninguém vive em paz. A miséria e a degradação social produzem tal imbecilidade que a população tornou-se tão animalesca que a única saída é fugir.

Também impressiona não ver ninguém com um livro de leitura. Também não os há. É política governamental não fomentar, expandir a literatura. A pouca que há, nacional, tornou-se cansativa porque repetitiva. Mesmo assim a maioria dos autores são de leitura duvidosa porque enaltecem os feitos da má governação eterna. Continua a impressionar o porquê não se falar dos autores estrangeiros, publicitar.

É como se não existisse Literatura Universal. Promover apenas as banalidades da literatura nacional é contribuir profundamente para o suicídio da identidade cultural. E assim não há país, há uma tribo. E também assim com tanta boçalidade é facílimo governar, espoliar, escravizar. Já não existe povo, apenas autómatos controlados por controlo remoto.

Cérebros sem neurónios, sem sentido, sem vida. Até a informação deixou de existir. Os noticiários radiofónicos estão orientados para disseminarem a ignorância. Voltámos às trevas! Comparar Salazar com este tempo de antenas não tem sentido. Na prática pode-se jurar que Salazar era um gajo porreiro. Não é possível regredir ainda mais que antes.

É verdade sim! Que aterradora regressão no tempo do nevoeiro cerrado que Angola acaba de fazer. Não é de acreditar que isto bata certo. É imprevisível o que vai acontecer. É possível em 2010 obrigar a democracia para uma ditadura democrática? Aqui por estas bandas é de acreditar que esses planos totalitários escorrerão nos caudais da época das próximas chuvas.

Entretanto, a UNITA finge que está na oposição. Para despertá-los e a toda a oposição, vamos virar as nossas baterias contra eles e não contra José Eduardo dos Santos. É à oposição que compete reverter o actual estado da Nação. Temos presidente de Angola?! Não! Presidente dos estádios de futebol, sim!
A UNITA finge oposição.

Para além dela quem mais resta?! Apenas alguns engraçados que querem dar nas vistas utilizando a democracia. Mas para a conquistar, a democracia, é necessário lutar, lutar muito, inclusive com a própria vida. Mas, parece que estão outra vez à espera que alguns estrangeiros “burros” se metam nisso. Porque angolano é incapaz (?).

Até nos discursos usam assim umas camisas muito bonitas, especiais… para fazerem, manterem a diferença. Angola e os angolanos suportam o destino predestinado da glória eterna da colonização. Para quê perder mais tempo com isto se não existe ninguém que resista a esta opressão. Tem que ser alguém angolano que dê mostras de oposição, de luta contra a ditadura.

Não existindo, para quê perder mais tempo com Angola?! Na conversão da UNITA em diocese já sabemos qual é a sua revelação. Desculpem lá mas esta é a verdade sem rodeios. Não existindo “confronto” a José Eduardo dos Santos, não se podem atribuir culpas do estado actual da Nação e do seu assalto à Constituição. Caramba! Mas não existe ninguém em Angola que lhe faça frente? Têm assim tanto medo dele? Porquê?!

Porque ele é mais esperto, mais inteligente que toda e qualquer oposição. Perante a infantilidade da oposição reina a astúcia da velha raposa. E neste zero de Luanda prosseguem nos quintais os ferozes ataques contra desprevenidos cidadãos dos cães mastins que dilaceram os corpos dos esfomeados, dos condenados à morte pelos campos petrolíferos. Fica extremamente perigosa a aprovação, legalização canídea de quem ordena nesta cidade.

Transformaram-na num canil governado por cães raivosos eternamente à solta, soltos no poder. Prontos para nos esfacelarem. Luanda é uma urbe de cães selvagens. Por aqui facilmente notamos que como seres humanos não temos qualquer finalidade ou utilidade nesta governação que é contrária à génese humana. Ele é a erva daninha desta Natureza. Muito especiais são os especuladores imobiliários que nos transformam em cães. Não vivemos nas cidades deles mas sim em canis de betão. São como bombas, são como terroristas dos imóveis e ninguém ousa gradeá-los.

Imagem:ALTO HAMA

A Epopeia das Trevas (114). Não toleramos oposição, e muito menos iluminados. O seu seguidor papal é infalível em tudo no que diz e faz


E há quem acredite que estamos num estágio muito avançado da evolução
Perdemos o tempo que nos resta da vida a pressionar teclas com os dedos
Alimentamos as pilhas que restam da civilização. As teclas do amor
que alimentam o nosso coração, não se pressionam
Que o amor é uma ciência, uma arte. Malditos dissabores sejam estes
Conheci e vivi no sistema que me obrigaram a seguir
Lutei com as minhas forças dia e noite para o manter
Mas com o tempo descobri que era enganador, ditador

Obrigada a seguir leis, doutrinas que acreditava serem correctas:
Amarás a um único deus para sempre
Para seres recompensada na vida terás que trabalhar como uma escrava
Porque no fim receberás muitas recompensas e terás uma velhice condigna
Não desprezes o teu pai e a tua mãe
Respeita, obedece aos teus superiores, porque serás recompensada
Elogiada na glória dos céus
Não cometas adultério, e sobretudo nunca faças amor com os teus pais
Nem com os teus irmãos, porque isso é contrário às leis da Natureza
Evita o descanso, porque o teu patrão espera, desespera, vigia-te constantemente
E sem ele nunca serás ninguém, porque é ele que te paga pelo teu trabalho
E se não te pagar não terás dinheiro para comer
Morrerás de fome, tu e os teus. Por isso ajoelha-te perante ele
A Igreja abençoa-o primeiro, e depois virás tu, porque a Igreja
sem eles não subsiste. Arrasta-te e não penses porque serás excomungada
queimada nas fogueiras seculares das oficinas abençoadas do sangue
do santo Graal. A tua missão é trabalhar e obedecer-lhes
Se assim não fizeres, se tentares descobrir o Caminho, teremos que te aniquilar
Porque o muito pensar faz descobrir coisas de Giordano, de Galileu, de Da Vinci
e outros apócrifos

O nosso tempo não tem espaço
Os nossos teólogos estão atentos. Deus, seja ele quem for
aquele que inventámos, o nosso Deus
que nos domina, que nos controla
Que domina as mentes dos homens, essa entidade implacável
que nos nomeou como seguidores eternos
Ele que nos deu o poder para governarmos a Terra
Por isso somos os senhores do Universo e de tudo o que nele vive
Não toleramos oposição, e muito menos iluminados
O seu seguidor papal é infalível, em tudo no que diz e faz
A verdade é, somos nós, não existe outra
Sofram e morram à fome, porque no fim o reino dos céus será abençoado
com a vossa presença. Ai de quem duvidar desta eterna verdade
porque não foi em vão que inventámos o reino do inferno
Quem for a nosso favor tem o céu, quem for contra tem o inferno
Nada mais fácil que esta sentença para dominarmos o Universo
das almas perdidas que nós criámos e alimentamos. Só existe uma verdade absoluta
Somos os detentores dessa verdade que criámos
com o apoio das mais abomináveis mentiras
A vida sem mentira não tem significado e para a apoiar acabámos
com o útero dos carvalhos, e gerámos a grande hipocrisia divina
Esse demónio de duas patas, esse bípede selvagem indomável

«Bispos Das Igrejas Devem Abster-Se Da Política - William Tonet»



Luanda - Depois de muita conversa e pouca ou nenhuma argumentação convincente, depois de se terem condicionado favores a uma adesão às teses do governo entre várias entidades do poder tradicional, o país conheceu a aprovação sem surpresas do PROJECTO C.

Fonte: Folha 8 CLUB-K.NET

A parcialidade perigosa


Porém, é preciso dizer que a “não-discussão” e “apresentação-avaliação” de todos esses projectos a fundir para formar o texto definitivo da nova Constituição de Angola, foi bastante complicada a nível do território, pois se discussão dos temas chave não houve, em certas regiões a “apresentação-avaliação” não ocorreu de forma visível e abrangente, como foi o caso da maioria das províncias. Remetendo-nos à teoria, convenhamos que em democracia, chegada a fase crucial da votação, os actores políticos e todos os cidadãos inscritos nas listas eleitorais podem votar, a favor, contra, abster-se ou não participar, e todos estes actos são contabilizados com igual peso, uma vez todos serem iguais perante a lei e disporem dos mesmos direitos. Isto se não houver batota, claro está, o que está longe de acontecer no nosso país.

A batota, assinale-se para conhecimento de quem ainda não sabe, não se pratica unicamente durante as sessões de voto. O “terreiro em que a batota pode ser exercida é muito mais abrangente, por exemplo, quando se prometem favores que nunca serão realizados, quando se faz o tráfico de influências, quando gente que deveria manter uma neutralidade exemplar vêm a público opinar e elogiar este e denegrir o outro, não estamos no campo da lisura e neutralidade.

Isto para dizer que não se está a ver por que raio de cargas de água um eminente bispo jubilado da Igreja Metodista e um outro seu confrade, respeitável entidade da Igreja Católica do Uige, cada um deles do alto do seu prestigio religioso, quiseram emprestar um mau exemplo ao virem, publicamente tecer considerações desabonatórias contra um dos actores políticos do nosso país, que exerceu os seus direitos constitucionalmente consagrados, suportados pela competente Lei dos Partidos Políticos em vigor e o regulamento da Assembleia Nacional.

Ora este requisito de reserva não impede que os religiosos de carreira, bispos incluídos, em função da responsabilidade social que cada um deles tem nas suas congregações e no todo nacional, possam, possam e devam dar as suas contribuições a nível dos respectivos conclaves.

Assim, baseando-nos no facto de que tanto o Bispo jubilado da Igreja Metodista, como o bispo do Uíge não deram qualquer contributo para a elaboração do texto de nova Constituição, talvez por não terem visto incluídas no texto da proposta constitucional as suas visões pessoais para o país ou a visão da igreja, parece-nos coerente perguntar em que lógica emergem as suas críticas à um partido político que não votou a favor e o que é que ela vem fazer nesta carruagem.

Na realidade, quando os diferentes actores religiosos se misturam no exercício político, não respeitam as suas funções nem tão-pouco se respeitam, pois dão um mau exemplo de parcialidade aos fiéis e aos cidadãos, gerando assim um longo rolo de suspeições.

Os padres, e também os bispos, devem executar um papel pacificador, mediador, de imparcialidade, mas infelizmente nos últimos tempos o prestígio de muitas Igrejas tem estado a decrescer pelas posições parciais dos seus mais emblemáticos representantes, como se eles quisessem recuar no tempo e levar os angolanos para uma época que faça lembrar o tempo da inquisição, essa “Santa Inquisição” de triste memória, cuja história temos estado a beber, agora que nos encontramos em fase de doutoramento em Toledo, antiga capital europeia da Inquisição e onde foram escritas páginas sombrias da Igreja Católica Apostólica Romana, que seria melhor nunca mais rememorar, nem praticar, como bem tem dito e assumido o Santo Padre.

É claro que em Angola ainda estamos longe de enveredar por esse caminho, mas já estivemos mais longe do que agora, e se um dia isso acontecer é bom que se saiba que foram intervenções deste tipo que ajudaram a lá chegar.

Portanto, foi mau, pois não parece legitimo, que neste momento se esteja a questionar se os padres e bispos actuaram ou não, sempre do lado certo e com posições angolanas e nacionalistas, no período colonial ou se por terem exercido o sacerdócio naquele período, devem ser excomungados. Se essa for a lógica nunca se lançarão as verdadeiras sementes da reconciliação e harmonia entre os angolanos, que não são obrigados a pensar sempre da mesma maneira.

É que a voz de um bispo assim como a de um bom padre respeitável, têm muito peso, e se incentivarem o sectarismo, a partidarização, ou qualquer forma de radicalismo, podem levar a que se cometam muitos excessos.

Além disso, o mais intrigante é que estas duas personalidades da Igreja passaram com o mata-borrão, escova, borracha e sabão por cima da mais que duvidosa prisão de alguns intelectuais da sociedade civil de Cabinda, incluindo homens da igreja, como se já estivessem de acordo com o sucedido e a corroborar as suspeições que recaem sobre eles.

De salientar que a forma como estes cidadãos e cristãos estão a ser tratados perante a indiferença e o silêncio das Igrejas, independentemente do que se venha a apurar não abona de maneira alguma para o seu bom nome e reforço do seu imenso prestígio. Pelo contrário, a situação está a ser muito politizada e a Igreja, em vez de se manter em silêncio, devia precisamente denunciar a politização do caso, por se tratarem de figuras com ligações as Igrejas submetidos a maus tratos inadmissíveis, que nos levam a vaticinar o pior. E o pior todos sabemos o que se pode visionar.

Seria bom, pois, que estes bispos dissessem também o que se passa na outra vertente, para que os fiéis não tenham cada vez mais receito de se confessar com temor de as suas confissões poderem chegar ao conhecimento dos órgãos castrenses, policiais e militares.

O Cavaleiro do Rei (80). Os estrangeiros que aqui se instalam parecem refugiados. Muitos continuam a chegar com a mesma ideia, sempre na busca da eter


Kituta: um amigo meu teve um acidente, o causador fugiu-lhe. Foi à esquadra da polícia mais próxima disseram-lhe para apresentar queixa numa outra esquadra. Acho que eles estavam a gozar.

Os assaltantes estão piores que as piranhas do nobre Epok. Levam portas e janelas. Levam tudo e quem não tiver dinheiro leva nos cornos.
Quando o gerador, por exemplo, de um hospital avaria, não se pode fazer nada. Fica-se à espera que as peças venham do estrangeiro.
O vice-rei dos Exércitos aflige-se. As tropas aderiram à Associação dos Alcoólicos Petrolíferos e aos ensinamentos do Grande Feiticeiro.

Não queremos saber do líquido negro e da política para nada. Como bem nos iluminou o Rei: Queremos é comida! Que nos interessam as democracias se passamos fome?! Que nos interessa a luta contra o terrorismo internacional se passamos fome?! Pelo contrário ele fortalece-se.
No reino tudo o que nos prometem é mentira… é tudo tão triste.
Ninguém confia em ninguém. Conseguimos um feito notável. A propensão para o roubo. Oh! Como sofremos do complexo do colonizado.

Os dez milhões de dólares que o reino garante que vai utilizar para apoiar as vendas, não são para desenvolver a economia. Quem consome, quem vende, são as empresas dos nobres. Estão aflitos porque não vendem.

Porque nós vamos distribuir o petróleo e os diamantes pelos generais, tal e qual como depois da Morte de Alexandre o Grande. Podem chamar-lhe Nova Somália se quiserem, mas é isso que vai acontecer. Acaso o resto da outra África (!) não está demasiado igualitária?! E os Senhores nos enviaram para a sua destruição.
Manual da Destruição 18,19

Quituta: O nosso segredo da vida resume-se apenas em: nos segredos de um homem e de uma mulher.
Este reino é muito engraçado. Compraram vacas reprodutoras ao Brasil por três mil dólares e na Argentina por mil e quinhentos. No nosso vice-reino mais a Sul as vacas custam quatrocentos dólares. Fizeram bom negócio. Estes nobres são negociantes de vanguarda.

Os estrangeiros que aqui se instalam parecem refugiados. Muitos continuam a chegar com a mesma ideia, sempre na busca da eterna árvore das patacas. É o colonizador a redescobrir o colonizado.
Como disse António Aleixo:

Vêm da serra um aldrabão
Vender sêmea por farinha
Passados tempos já diz
Esta rua é toda minha

Temos que saber escolher: ou gatos ou ratos. Prefiro gatos para caçar os ratos no único reino do mundo onde roubar não é crime. Os estrangeiros têm que ser vigiados. Antes de chegarem devem-se conhecer os seus antecedentes criminais.

Imagem: FOLHA 8