segunda-feira, 12 de julho de 2010

O imperialismo chinês na futura colónia de Angola


«Estacionar no «Prédio dos Chineses»
É um verdadeiro Deus nos acuda… Onde foi erguido, havia um parque que beneficiava os moradores da área. Sendo um edifício normal e não um objectivo estratégico, de segurança ou semelhante, os moradores próximos não entendem a razão do impedimento de se estacionar frente a ele

Falar das dificuldades de estacionamento é como bater na mesma tecla. Na luta diária, entre voltas e mais voltas, com um pouco de sorte, lá se encontra o tão desejado espaço para estacionar.

O que é complicado nesta procura, é encontrarmos lugares barrados que não deveriam estar, como por exemplo, espaços «privados», alguns até abusivamente, defronte de empresas ou outros, que, depois de terminado o expediente e até ao seu início no dia seguinte, deveriam estar disponíveis para quem precise estacionar o seu carro, sobretudo morando nas proximidades. Infelizmente, assim não acontece, como no caso do edifício CIF ou «Prédio dos Chineses», como é mais conhecido, na rua do 1.º Congresso.

Tratando-se de um imóvel de escritórios normal, logo não se compreende porque razão os seguranças aí colocados impedem que se estacione na rua frente a esse prédio, a partir do fim do expediente, durante à noite e mesmo aos fins de semana. Colocam cones para fechar o espaço que deveria servir para quem quisesse estacionar. Há alguns dias, os seguranças em serviço, numa atitude musculada e bastante agressiva, quase agrediram um casal que mora do outro lado da rua e que estacionou a sua viatura nesse local. A justificação deles foi que o casal mora do outro lado, portanto, não tem que estacionar ali porque é «privado» e ponto final! Entretanto, o grande paradoxo é que do outro lado há uma igreja indiana que faz cultos todas as noites entre as 18h30 e as 20/21h. Dada a dificuldade para estacionarem na área, muitos dos indianos encontram facilidade de parquear durante esse período no estacionamento interior do prédio CIF. Para o efeito, um dos seguranças em serviço coloca um colete laranja para ser distinguido e, a troco da infalível «gasosa», facilita esse estacionamento aos participantes ao culto.

No local onde foi erguido esse prédio, havia um parque que beneficiava os moradores da área, que perderam essa facilidade. Sendo um edifício normal e não um objectivo estratégico, de segurança ou semelhante, como é o caso da Procuradoria Militar ao lado e Assembleia Nacional mais acima, os moradores próximos não entendem a razão do impedimento de se estacionar frente a esse prédio. Quem quiser desembolsar a quantia que os seguranças em serviço pedirem, até pode com alguma dificuldade em chegar a acordo, estacionar durante o período em que a empresa tem o expediente fechado.

Não deveria ser permitido o impedimento de se estacionar nos espaços em frente às empresas no período em que estão encerradas, durante o fim-de-semana e feriados, como acontece com o prédio acima citado. Facilitaria muito a quem tem carro e… até paga taxa de circulação!»

Imagem: http://afonsoloureiro.net/blog/?p=4633

Corrupção, crime e desemprego ameaçam economia moçambicana


O país está a passar de bestial a besta
– segundo uma publicação britânica

“Não obstante a muito badalada queda da taxa de pobreza, de 69% em 1997 para 54% em 2003, o número absoluto de pessoas abaixo do limiar da pobreza subiu para 11,7 milhões numa população de cerca de 20 milhões”

Maputo (Canalmoz)
http://www.canalmoz.com/default.jsp?file=ver_artigo&nivel=1&id=6&idRec=8287

- Apesar do crescimento económico registado nos últimos anos, que, em termos reais, é atribuído por analistas a mega projectos do género Mozal, o desempenho da economia moçambicana situa-se ainda entre as piores do mundo. De um total de 133 países, Moçambique está em 129° lugar no índice de competitividade do Fórum Económico Mundial; em 172° lugar (entre 182 países) no índice de desenvolvimento humano das Nações Unidas; e nos últimos 12 lugares em termos de PIB per capita anual. Estes dados vêm citados num artigo da revista inglesa, «The Economist» para quem “a corrupção, o crime e o desemprego continuam a ameaçar” os relativos sucessos até agora registados.

A publicação inglesa refere que “não obstante a muito badalada queda da taxa de
pobreza, de 69% em 1997 para 54% em 2003, o número absoluto de pessoas abaixo do limiar da pobreza subiu para 11,7 milhões numa população de cerca de 20 milhões”.
A «The Economist» salienta que “está previsto que o último levantamento dos agregados familiares a nível nacional, a ser divulgado em Agosto, irá reflectir poucas melhorias”, acrescentando que “a desigualdade está a crescer”.
Debruçando-se sobre às eleições de Outubro de 2009, a «The Economist» diz que o nosso país “foi retirado da lista das ‘democracias eleitorais’ compilada pela Freedom House dos Estados Unidos devido às tropelias que marcaram o plebiscito”, à semelhança de escrutínios que têm vindo a ser realizados desde 1994. O poder do partido dirigente permeia toda a sociedade, corolário do projecto totalitário introduzido no país por altura da independência, registando-se um “aumento do nepotismo e da corrupção”.

De igual modo, frisa a «The Economist», “verifica-se a expansão do crime organizado, aparentemente com apoio político”, apontando como exemplo o caso de Mohamed Bashir Suleman, “um dos incondicionais do Partido Frelimo e o mais proeminente homem de negócios do país, que no mês passado passou a constar da lista oficial dos Estados Unidos respeitante a narcotraficantes”.
De acordo com a revista inglesa, “os doadores internacionais começam a preocupar-se” com a situação, e nos princípios do corrente ano “um grupo de 19 países ocidentais ameaçou suspender a ajuda económica a Moçambique a não ser que a situação fosse corrigida”.

A ajuda económica a Moçambique, que mais se assemelha a balões de oxigénio, pese embora o facto de figuras de proa do regime terem minimizado a posição publicamente assumida pelo grupo dos 19, “apenas depois de ter, de mansinho, acordado em aplicar as 35 medidas propostas pelo chamado G-19, é que a ajuda voltou a ser canalizada” para o nosso país. No que se refere a 2010, Moçambique deverá receber apoios externos, equivalente a mais de metade o Orçamento Geral do Estado, facto que irá contribuir para um maior endividamento da economia nacional.
(Redacção)

2010-07-12 07:35:00
Imagem: group.xiconhoca.com/

domingo, 11 de julho de 2010

Actividade bancária, a extinção da democracia


O sistema bancário foi a maior monstruosidade que alguns seres humanos inventaram. O banco do Vaticano e o BCP são dos melhores exemplos da mediocridade humana.

É caricato que as populações sabem que os bancos não funcionam a seu contento, e os banqueiros desconhecem-no. Porque possuídos pelo demónio da especulação imobiliária, de tudo o que é especulação, os banqueiros malditos apressam o seu fim, o dos governos, dos povos e das nações.

Foi um tempo, um vendaval, um vandalismo bancário que ainda teima em sobreviver. Mas outro fogo inquisitorial devora-o no repasto das labaredas. E quase que dominaram o mundo com a religião que lhes deu origem.

Delenda est Carthago
Imagem: mesquita.blog.br/page/323

sábado, 10 de julho de 2010

BCP apresenta queixa na PGR e CMVM por causa de boatos


O banco foi alvo, nos últimos dias, de uma série de rumores difundidos por 'e-mail' e sms, referindo graves dificuldades financeiras.

O BCP vai apresentar hoje uma queixa na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e, segunda-feira, na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra desconhecidos, pela prestação de informação falsa ao mercado, uma notícia avançada na edição de hoje do "Diário de Notícias".

10/07/10 14:40 DIÁRIO ECONÓMICO


Em causa está a divulgação de um e-mail de origem desconhecida, assim como um sms igualmente anónimo, sobre alegadas "graves dificuldades financeiras" da instituição presidida por Carlos Santos Ferreira [a que erradamente chamam BCP Millenium].

Nestas mensagens chega-se mesmo a referir uma possível intervenção "do Governo" no banco já na segunda-feira, aconselhando os clientes "a tomar as medidas adequadas, no que respeita quer a contas à ordem e a prazo quer a outras aplicações (...)"

Estas mensagens anónimas alarmaram alguns clientes do Millennium bcp, que durante os últimos dias têm interrogado os funcionários aos balcões do banco, chegando alguns a levantar o seu dinheiro em depósito. Os e-mails e sms tiveram origem no Norte do País.

O Millennium bcp desmente verificar-se um levantamento em massa de depósitos por parte dos clientes, confirmando apenas ter recebido alguns pedidos de esclarecimento. Contactado pelo "Diário de Notícias", o Banco de Portugal não prestou qualquer declaração.

Segundo o mesmo jornal, o BCP não tem quaisquer problemas de financiamento, não tendo necessidade de proceder a mais amortizações de empréstimos até final do ano.

Comentários (8)
Paulo R, Porto | 10/07/10 17:24
Onde há fumo há fogo ...o email é ridiculo , no entanto qq agente de mercado percebe que o BCP , como outros em Portugal e na Europa , estão em apuros como qq empresa estará , hoje a viver tempos nunca vividos. Agora uma coisa tenho a certeza , num negocio de confiança como os bancos este tipo de rumores nada abona a favor seja de quem for . Lamento que as entidades reguladoras estejam quietas e caladas em alturas destas , onde á minima suspeição deveriam informar o mercado da real situação de todos os agentes de credito neste país.

kinz, | 10/07/10 16:57
o bcp tem uma gestao tipo bpn...so meterem ao bolso...so manfios...o melhor que lhes podia acontecer seria um millennium bpi com gestao maioritaria do bpi

vg, oeiras | 10/07/10 16:53
Nem com o *****nho da Catarina melhoram a imagem?

antivara, | 10/07/10 16:32
Talvez haja u7m fundo de verdade, que as dificuldade sentidas de liquidez referenm.se ao ordenados antecipados que vão pagar ao Vara para deixar de trabalhar ..:)

Como sempre compensa ser aldrabão neste país!

Robin dos Bosques, Floresta de Sherwood | 10/07/10 15:53
Vai apresentar queixa por um Email ou SMS com rumores? Só os parvos que respondem a Emails a pedir os números dos cartões de crédito ou dos códigos dos cartões de autorização de serviços é que acreditam nesses Emails. Que tal se explicassem melhor a saída do sr. Vara? Em vez de dizerem para as câmaras que não falam sobre esses assuntos? Então o sr. Vara sai e recebe a totalidade do ordenado até ao fim do contrato? Que palhaçada é esta?!? Que gestores-da-treta são estes? Isto também é um rumor? Não querem falar não é?!? Então TOCA A RETIRAR O DINHEIRO DESTE BANCO COMEÇANDO PELOS PPR`s. TOCA A NÂO SUBSCREVER OS PLANOS DE INVESTIMENTO PROPAGANDEADOS PELO AMIGO APRESENTADOR DA TV E EX-TREINADOR DO AROUCA. Há que sair devagarinho deste banco (do nosso banco) até que estes artistas aprendam a lição da tranparência.

rmd, LISBOA | 10/07/10 15:47
Adoro Portugal... tenho vergonha em ser Português. Tornámo-nos num povo sem ambição, em que as conversas de café, o sms, o email, tem mais credibilidade que qualquer facto. Iremos chegar ao tempo em que se não tiver no FACEBOOK então não é verdade, e qualquer noticia ai exposta fará parte dos 10 mandamentos... Produzam e deixem de empatar...quem ainda faz alguma coisa por este país.

daniel, Lisboa | 10/07/10 15:25
Outra vez especulação.......
Quem lançou este e-mail, já deve ter de lado alguns milhoes de euros para investir na bolsa, quando as acções baixarem drasticamente, e para isso na bolsa portuguesa é facil, basta um e-mail a circular e tá feito.
Quem tem dinheiro gera dinheiro, basta especular..........

smmc, | 10/07/10 15:20
A inveja é, de facto, muito feia!!! Todos falam mal do BCP, mas poucos percebem de finanças ou economia!! Deve ter sido algum engraçadinho ignorante de OIC que lançou o boato... Cambada de mentirosos....invejosos...

MUITO IMPORTANTE - MILLENNIUM BCP ABRE FALÊNCIA A PARTIR DE SEGUNDA-FEIRA, 12 JULHO 10


Peço desculpas a todos os meus seguidores, por ter dado poucas notícias relativo a este banco. Segundo uma fonte muito importante e credível, o MILLENNIUM BCP vai apresentar notícias de sua falência. Aconselho a prevenirem-se. In bcpcrime.blogspot.com

Editorial. Comunidade internacional: ingenuidade ou cumplicidade?


Apesar de prever um crescimento anual da economia moçambicana na ordem dos 6% ao longo dos próximos cinco anos, ultrapassando o dos países vizinhos, e de considerar que o sector bancário em expansão irá apoiar esse crescimento através dos mercados de crédito emergentes – mais um dos eternos paliativos para conter as nossas justificadas inquietações – um estudo divulgado há dias pela «Companies & Markets», de Inglaterra, salienta que “Moçambique continua a sofrer de um fraco ambiente de negócios” e que “embora tenha registado avanços em termos de democratização desde o fim da guerra civil, o sistema democrático permanece fraco”. Nós acrescentaríamos: EM RISCO.

Maputo (Canalmoz) -
http://www.canalmoz.com/default.jsp?file=ver_artigo&nivel=1&id=6&idRec=8279

Somos um País óptimo. Isto vai dando para tudo.
E acrescentaríamos isso, porque na sua parte mais sensata e clarividente, o estudo faz ainda notar que há “aumento dos níveis de corrupção e de exclusão política” dos que “não apoiam o partido Frelimo”. Quem são afinal os corruptos para os autores do estudo?
Não concluem. Mas consideram que a corrupção continuará a constituir um desafio significativo que tornará mais difíceis as tarefas para se combater a pobreza e as desigualdades de rendimento.
Refere, contudo, que tudo isto se deve a uma oposição fraca a opor-se a um poder da Frelimo que actua cada vez com maior impunidade. Não diz de onde vem o fôlego dos corruptos, mas o que vale é que o sentido de cidadania crescente vai encarregando-se de esclarecer. Nas ruas os cidadãos conversam sobre o tema e percebe-se que os prevaricadores já foram tipificados e identificados e vão-se conhecendo cada vez melhor as suas cumplicidades com os “donos” do regime.

O que o estudo britânico não diz é que os doadores e financiadores que avançam com as constatações optimistas sobre Moçambique não tardarão a serem considerados pelos moçambicanos excluídos como um dos principais factores de desestabilização do clima político interno do País, quando todos se convencerem que os aliados de quem nos está a afundar são precisamente os que financiam a sobrevivência deste regime de corruptos em que vivemos hoje.
Temos um governo que diz combater a corrupção, mas na casa onde a soberania nacional assume a sua expressão mais simbólica – a Ponta Vermelha – a Residência Oficial do Chefe de Estado – esse mesmo governo recebe, com pompa e circunstância, cidadãos de conduta duvidosa, desde um condenado a vinte anos de cadeia ainda a não cumprir pena mediante alegação dela ainda não ter transitado em julgado, a “barões” de toda a espécie. É como dizer fartai vilanagem. É como dizer: roubem e trafiquem à vontade, nós estamos aqui para vos proteger.

Temos um governo que pretende fazer crer que combate a corrupção, mas continua a dar evidências aos juízes e outros magistrados do que pode ser o seu futuro se se desviarem da “linha da ordem”. Ameaça velada.
Temos um governo que diz combater a corrupção, mas que fruto da exclusão de quem pretende contribuir para um País de gente séria que continue a orgulhar-nos com os seus hábitos e costumes, continua a humilhar-nos com os maus exemplos que proporciona aos seus concidadãos.
Temos um governo que diz combater a corrupção, mas já ninguém duvida que é, simultaneamente, jogador e árbitro.
É este estado de coisas que a dita comunidade internacional quer continuar a apoiar? Com que tipo de moçambicanos é que a comunidade internacional quer estar? De que lado?

Será que os moçambicanos todos vão aturar muito mais tempo estas brincadeiras todas sem que a paciência se esgote?
Será que esta coisa das autoridades já não conseguirem manter a ordem nos mercados, já não conseguirem evitar a corrupção dos agentes da polícia de trânsito, já não conseguirem evitar a corrupção dos agentes da polícia municipal em Maputo, não é o princípio de uma desordem que nem mil exércitos conseguirão conter?
De que valerão os discursos e os gestos de apoio à Sociedade Civil se a máfia local já criou a sua própria “Sociedade Civil” para sugar os fundos que vão estando disponíveis para alegadamente a fortalecer?
Estamos de facto encurralados se a própria comunidade internacional não abandonar rapidamente a sua tendência nata para a cegueira.

Será muito difícil verem que o próprio partido no poder incumbiu as suas elites de criar organizações para chuparem a ajuda supostamente destinada a uma real sociedade civil?
Ou será que a dita comunidade internacional também já está tomada pelo crime organizado e bem metida no jogo sujo, como os mais impacientes já comentam?
É demasiada apatia para podermos acreditar que se trate de ingenuidade. Tal como o governo confunde os cidadãos, com os seus maus exemplos, a comunidade internacional tem de ser mais explícita nas suas opções para que não seja confundida. “A mulher de César não basta ser séria, precisa parecer”.
A hipocrisia não passa despercebida eternamente.
Já nas ruas se fala disso.

Se as medidas para inverter esta tendência não forem consequentes, pode não tardar que as coisas se tornem irreversíveis como na Somália e outros casos em que de um dia para o outro o que parecia óptimo se tornou um martírio. Essas coisas acontecem quando menos se espera.
Estamos cansados de falar deste risco a que em tempos idos no Brasil se chegou a chamar qualquer coisa como “Risco Brasil”.

(Canalmoz / Canal de Moçambique) 2010-07-09 07:17:00

Imagem: www.guiayoba.com.br/

Em Moçambique. Crime violento e insegurança pública aterrorizam comunidades


Concluiu a Força Moçambicana para Investigação de Crimes e Reinserção Social

– As comunidades têm um enorme pavor ao crime violento e insegurança pública que vêem ocorrendo em Moçambique, pois retarda o seu desenvolvimento, conclui a organização não governamental denominada Força Moçambicana para Investigação de Crimes e Reinserção Social (FOMICRES).

Maputo (Canalmoz)
http://www.canalmoz.com/default.jsp?file=ver_artigo&nivel=1&id=6&idRec=8277

O director executivo da FOMICRES, Albino Forquilha, baseando-se num estudo que abrangeu 12 mil moçambicanos, aponta que 66 por cento considera que, para além do horror, o crime violento e a insegurança pública se transformaram num fenómeno que está a comprometer os seus sonhos de desenvolvimento.
O interlocutor falava, ontem, em Maputo, sobre a segurança pública e o seu papel no desenvolvimento económico e social do Estado. Aponta como causas que estão na origem do referido crime violento e insegurança pública, a transferência e porte ilícito de armas de pequeno porte, largo tráfico de gente, o desemprego, migrações ilegais perante a incapacidade de controlo nas fronteiras.

Albino Forquilha, cujo estudo foi desenvolvido com uma outra organização não governamental designada JOINT, diz também que os fenómenos acima mencionados interferem no cumprimento dos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio (ODM´s) e, por conseguinte, colocam o país numa situação negativa. Ele classifica esta constatação de “forte”, na medida em que vem sendo subsidiada por um misto de acontecimentos nas comunidades, tais como assaltos à mão armada.
Forquilha apela para a observância de medidas cautelares da situação que denuncia, pois, em Setembro do ano corrente, os Estados que fazem parte das
Nações Unidas e que são signatários da campanha dos ODM´s, irão apresentar em plenário os seus relatórios sobre esse compromisso. “Quando falamos dos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio (ODM’s), referimo-nos ao desenvolvimento dos Estados”, disse.

Na sua alocução aponta com veemência que as guerras, a insegurança pública e o crime violento, têm parte dos factores que ensombram o sucesso dos ODM´s. Sublinha que a sociedade civil não está e nem deve ficar alheia a esses e outros fenómenos, mormente nesta altura que “o crime e a insegurança pública no país estão a atingir níveis preocupantes”. Não apresenta números para consubstanciar tal situação, mas diz que para sua mitigação há que haver envolvimento de todos os segmentos da sociedade, incluindo o Estado moçambicano.
Apela igualmente para o esforço e a melhoria da disponibilidade de meios para o funcionamento da Polícia.

(Emildo Sambo) 2010-07-09 07:14:00

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Banco BPC opta pela tecnologia Off-line


Talvez por achar mais vantagens na execução dos seus movimentos bancários, o banco BPC decidiu-se pela última novidade técnica: a da novel engenharia informática angolana que investiu, e bem, no sistema de vanguarda Off-line.
Assim q.e.d. de «quod erat demonstrandum ('o que devia ser demonstrado);»

«Falha de sistema trava operações em tempo real.
BPC incita clientes a levantarem dinheiro nos balcões onde abriram as suas contas.
Off-line, alternativa encontrada para operações de levantamento e pagamentos.» in Jornal de Angola 07 Junho 2010

Imagem: barnabe.weblog.com.pt/



quinta-feira, 8 de julho de 2010

Extraterrestres invadem Luanda


Uma nave extraterrestre acaba de aterrar em Luanda. Sabe-se que é para reabastecimento de provisões, porque neste momento em que vos escrevo, eles espoliam-nos pelo sistema de teletransportação, a energia eléctrica, a água e a comida. Estão a sugar-nos, melhor, a espoliarem-nos tudo.

Entretanto, há notícias confirmadas da aterragem de várias naves em diversos locais da cidade de Luanda. A luta é desigual, porque os invasores decerto vindos de outra galáxia, são muito poderosos.

Apelamos por socorro a todas as nações e povos do planeta Terra.

Ajudem-nos a combater estes invasores antes que seja tarde de mais.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Manuel Vicente Corporation.


A 20 de Maio de 2002, o presidente do Conselho de Administração e director-geral da Sonangol, Manuel Vicente, associou-se à Grinaker LTA International Holdings, ao Banco Africano de Investimentos e à Mário Palhares no estabelecimento da Grinaker LTA Angola – Construção Civil e Obras Públicas. A cada sócio coube a quota de 25% do capital da sociedade.

RAFAEL MARQUES
http://makaangola.com/?p=440〈=pt-pt

Poucos meses após à sua criação, a Grinaker LTA Angola – Construção Civil e Obras Públicas, em parceria com a construtora portuguesa Soares da Costa, ganhou o contrato para a construção da sede da Sonangol, em Luanda, no valor de 83.5 milhões de dólares. A obra teve início em Junho de 2003, tendo o edifício, de 21 andares, sido inaugurado no segundo semestre de 2008.

Do mesmo modo, a Grinaker LTA Angola, em parceria com a Soares da Costa, também mereceu, em 2006, a obra da sede da Sonangol Pesquisa e Produção, subsidiária do Grupo Sonangol. O edifício de 14 andares, teve um orçamento inicial de 56.6 milhões de dólares e encontra-se em fase de acabamentos.

Em termos legais, a participação de Manuel Vicente, como accionista da Grinaker LTA, configura actos passíveis de corrupção e de conflito de interesses. Para além dos cargos na Sonangol, Manuel Vicente, na altura, exercia o cargo de administrador do BAI, em representação da Sonangol, a accionista maioritária. No mesmo período, o cargo de presidente do Conselho de Administração do BAI estava confiado à Mário Palhares.

Reacção do Banco Africano de Investimentos

A 15 de Maio de 2010, o Semanário Angolense publicou um resumo da presente investigação após três semanas de tentativas, sem sucesso, em obter uma reacção formal por parte do principal visado, Manuel Vicente.

O Banco Africano de Investimentos (BAI) respondeu à referida matéria na edição 307, de 05 de Junho de 2010, do Semanário Angolense. Assim, o BAI considera que a matéria “contém passagens falsas ou inverídicas, lesivas dos interesses da nossa instituição.”
Mais esclarece o BAI “que a Grinaker é uma sociedade comercial de capitais inteiramente privados, que resulta da transformação de uma sociedade por quotas em sociedade anónima, no ano de 2002, efectuada por escritura notarial que evidencia a entrada no seu capital de uma sociedade estrangeira, a construtora sul-africana Grinaker LTA, em parceria com o Banco Africano de Investimentos. A primeira era detentora de 47% do capital e o segundo de 51%.”

O BAI afirma que tanto Manuel Vicente como Mário Palhares “subscreveram o capital social em 1% cada, e na condição de administradores indicados pelo BAI” e realça que “as acções representativas daquela participação no capital social estão sob custódia efectiva da instituição.”

A declaração do BAI reitera que as obras da Sonangol adjudicadas à construtora Grinaker, associada em consórcio, resultaram da apresentação das melhores propostas em concurso público.

Os factos

Como evidência da sua boa-fé, o BAI defende Manuel Vicente e Mário Palhares aludindo à escritura notarial de constituição da empresa Grinaker LTA Angola sem, no entanto, apresentar quaisquer provas em contrário.

A presente investigação compulsou também o referido documento de constituição da empresa – “a escritura de 20 de Maio de 2002, lavrada de folhas 50 a folhas 62, verso, do livro de notas para escrituras diversas n° 198-A do 2° Cartório Notarial (…)”. Esta escritura determina a divisão de quota de 22,500.00 kwanzas cada a favor do BAI, da sul-africana Grinaker, de Manuel Vicente e Mário Palhares. Logo, confere a cada sócio percentagens iguais equivalentes a 25% do capital da empresa.

O documento notarial estabelece que, “em consequência dos actos que foram operados e por acordo dos sócios transformam, sem dissolução, esta sociedade por quotas, em sociedade anónima de responsabilidade limitada (…)”.

A resposta do banco revela a mesma ligeireza e improbidade com que a sua estrutura accionista mistura capitais públicos com capitais privados de dirigentes ao arrepio da legislação em vigor. Dois exemplos relevantes para o envolvimento da Sonangol nos actos ora expostos são aqui revelados. Primeiro, o representante da Sonangol Londres, José Carlos de Castro Paiva, enquanto gestor público e em representação da petrolífera nacional, é o presidente do Conselho de Administração do BAI. Castro Paiva exerce ainda o duplo papel de testa-de-ferro e representante da Dabas Management, uma companhia estabelecida nas Bahamas, que é detentora de 5% do capital do banco. O segundo caso tem a ver com o actual administrador da Sonangol, Sebastião Pai Querido Martins, cuja empresa familiar Gianni Janice Darlings tem um por cento do capital do BAI.

Caberia à Sonangol e não ao BAI responder pela adjudicação dos contratos, uma vez que o BAI, em momento algum, representa a petrolífera nacional. O caso do BAI, no contexto da corrupção em Angola merece, no entanto, abordagem específica em tempo oportuno.
A legalidade dos actos

O fenómeno da corrupção em Angola tem revelado uma contradição extraordinária. A aprovação de novas leis para combater o mal tem correspondido, na prática, ao incremento da impunidade e dos actos lesivos ao património do Estado, ao bem-estar dos angolanos e à moral pública.

Assim, importa contextualizar as normas jurídicas e a inconformidade dos actos praticados por Manuel Vicente, enquanto gestor público. Até 10 de Junho de 2003, durante o período em que a direcção da Sonangol atribuiu o contrato ao consórcio formado pela Grinaker LTA Angola e a Soares da Costa, vigorou a Lei das Infracções contra a Economia (Lei 6/99). Essa Lei estabelecia (art. 48º), como acto de corrupção passiva:

“Aquele que, trabalhando em organismo do Estado, empresa pública, de capitais públicos ou mistos, por si ou por interposta pessoa, com a sua autorização ou ratificação, solicitar, aceitar ou receber dinheiro, bens, qualquer vantagem patrimonial ou benefício de outra natureza, para antecipar, demorar, praticar ou omitir acto contrário aos deveres do cargo que ocupa, será punido, de acordo com o valor dos bens ou benefícios obtidos, nos termos do artigo 421º do Código Penal em vigor”.

Já o art. 49º da mesma lei definia, como acto de corrupção activa, o seguinte:

“Aquele que der ou prometer ao trabalhador de organismo de Estado, empresa pública de capitais públicos ou mistos por si ou interposta pessoa, dinheiro, bens, qualquer vantagem patrimonial ou beneficio de outra natureza que não lhe sejam devidos para assegurar a prática, a omissão, a antecipação ou a demora de um acto será punido com as penas estabelecidas no artigo anterior”.

Assim, Manuel Vicente violou a lei por ter usado o cargo que ocupa para autorizar o contracto de construção do edifício da Sonangol, a favor de uma empresa de que é sócio qualificado, garantindo assim, para enriquecimento pessoal, a partilha dos lucros da empreitada. Por outro lado, enquanto administrador e vice-presidente do BAI, Manuel Vicente também incorreu em acto contrário à lei ao usar a sua posição de representante de capitais públicos, no banco, para fazer sociedade com esta instituição financeira, na Grinaker LTA Angola.

Por sua vez, os sócios estrangeiros, a Grinaker International Holdings e a Soares da Costa, incorreram em acto de corrupção activa, de um funcionário público, conforme o artigo supracitado.

Adiante, a Lei dos Crimes contra a Economia (Lei nº 13/03), em vigor desde 10 de Junho de 2003, revogou, parte da Lei nº 6/99, incluindo os arts. 48º a 49º, acima descritos. Essa lei definiu o empregado público como sendo “aquele que exerce funções não só em serviços públicos como em empresas públicas e sociedades de capitais públicos. A mesma lei remeteu para o Código Penal (arts. 318º a 323º) a definição e criminalização dos actos de suborno e de corrupção de servidores públicos.

A posição de Manuel Vicente, como presidente do Conselho de Administração e director-geral da Sonangol, influenciou a sua tomada de decisão na atribuição do contrato a uma empresa na qual detém participação qualificada. O Código Penal (art. 322º) estabelece tal acto, de recebimento de promessa na partilha de lucros da empreitada, como acto de corrupção sujeito a uma pena maior de dois a oito anos de prisão.

Em conformidade com o Código Penal, por continuação do contrato na vigência da Lei dos Crimes contra a Economia, de 2003, os sócios estrangeiros, a Grinaker LTA International Holdings e a Soares da Costa incorreram no acto de corrupção activa (art. 321º) de um funcionário público, Manuel Vicente.

Como prática corrente, as empresas estrangeiras têm estabelecido sociedades com figuras poderosas do regime, como Manuel Vicente. Por via deste expediente, tais empresas não só acedem a contratos multimilionários e muitas vezes sobrefaturados como também beneficiam da impunidade de que estão investidos os principais membros do regime.

Tratados Internacionais

Já a entrega da obra do edifício sede da Sonangol Pesquisa & Produção, ao consórcio formado pela Grinaker LTA Angola e Soares da Costa, decorreu num quadro legal de incorporação do Protocolo da SADC contra a Corrupção no direito angolano. O Conselho de Ministros aprovou o referido tratado regional a 8 de Agosto de 2005, através da Resolução 38/05, conferindo ao ordenamento jurídico angolano uma definição mais abrangente e específica sobre os actos de corrupção.

Para o caso em análise, o Protocolo estabelece (art. 3º, 1, c) como prática de corrupção “qualquer acção ou omissão praticadas por um funcionário público no exercício das suas funções, com o fim de obter ilicitamente benefícios pessoais ou para terceiros”. O tráfico de influências também é definido como acto de corrupção de acordo com o art. 3º (1) ( f).

A Lei da Probidade Pública, ratificada a 25 de Março de 2010, como instrumento principal da política de tolerância zero contra a corrupção, reafirma as disposições legais abordadas no presente texto.

Conclusão

O saque do património do Estado e o enriquecimento ilícito são causas que têm conduzido ao agravamento da pobreza, do atraso no desenvolvimento humano da maioria absoluta dos angolanos, assim como tem fermentado o potencial de instabilidade sócio-económica e política do país. A corrupção institucional viola a dignidade dos angolanos.

Imagem: leikatou.blogspot.com/

Outro Pravda


«Que estranha normalidade...

"Política monetária regressa à normalidade" – assim titula "O País" a sua principal matéria económica da última edição.


Mas é o mesmo "País" e na mesma matéria, que, citando "operadores do mercado bancários" por si contactados, adianta "que se continuam a verificar alguns constrangimentos de liquidez decorrentes da política monetária. A taxa de redesconto do banco central mantém-se nos 30% e os títulos de tesouro deixaram de ser descontados nas reservas". Em quê que ficamos Luís Faria?»

Há ANGOLANOS que têm o direito de não gostar da forma que "o nosso dinheiro" é gerido!


Anónimo disse...
Americanos sabem muito! Nao vamos so ficar aqui a concordar com eles como tem sido costume. Eu estou na EUA e sei que tambem ha corrupcao aqui. Comportam-se como se fossem policias do mundo e os outros paises nao sabem gerir os seus assuntos.
1 de Julho de 2010 21:36


Anónimo disse...
Esse discurso do "também há corrupção aqui ou ali" é ridículo! Todos sabemos que existe corrupção em tod lado, a diferença está no tratamento dos corruptos. Se no EUA algum político é suspeito, provavelmente é processado e responde num tribunal em que tem que provar a inocência aqui não, a vista de todos passeam riquezas injustificadas e fica mesmo assim! A corrupção mata pessoas, deixem de panos quentes. O samericanos têm o direito de bloquear lavadores de dinheiro.
2 de Julho de 2010 09:08

Anónimo disse...
Todos temos assistido na TV o que acontece quando um Americano, Um Alemão, Um Inglês, um Japonês e outras nacionalidades são apanhados na malha da corrupção e trafico de influencia. As empresas fecham mesmo e eles vão rapidamente ao tribunal.
Aqui criamos tolerância Zero e não acontece nada. Prenderam uns do staff menor para jogar areia para os olhos do mundo e nada mais. Muitos angolanos conhecem casos de corrupção em que continua tudo na mesmo. Assim não dá...!
2 de Julho de 2010 09:47

Anónimo disse...
O Hospital Maria Pia foi construído há mais de 100 (cem) anos, cem anos! O Américo Boavida tem mais de 50 anos, o do Prenda tem mais de 40 anos. Todos os hospitais construídos pelo colono estão vivos e de boa saúde.
O Hospital Geral de Luanda, construído há 4 (quatro) anos pelo ex-Governador de Luanda Capapinha está em risco de desabamento. Os doentes já foram evacuados e distribuídos por vários hospitais do colono.
Esse é o resultado da corrupção angolana. É apenas um caso entre muitos que resultam na morte e miséria dos angolanos.
O corrupto foi premiado com um lugar no Comité Central do MPLA e é Deputado da Assembleia Nacional. O Parlamento e o Partido deviam chamar o responsável por este crime e sancioná-lo e o Procurador Geral da República, que anda muito atarefado com processos dos pilha galinhas, devia instaurar um processo crime contra os que roubaram o dinheiro destinado a construção do Hospital Geral de Luanda.
2 de Julho de 2010 17:37

Anónimo disse...
Eu nunca disse que os angolanos nao sao corruptos! Oque voces devem ter em conta e que os americanos quando os seus interesses sao ameacados criam sempre situacoes. Eu vivo aqui e sei que os americanos nao fazem isto porque tem pena dos angolanos. Politica internacional e complexa meus senhores. Por exemplo, voces nao sabem que isto pode ter sido uma maneira encontrada para forcar Angola aceitar o AFRICOM, mas epa vamos deixar por aqui...
3 de Julho de 2010 02:35

Anónimo disse...
Eu nao sou corrupto porque tambem detesto estes, mas sou muito realista. Sou realista ao ponto de nao pensar ingenuamente que aqueles que estao contra aqueles com os quais tambem estou contra estao necessariamente a favor de mim. Nao sejamos ingenuos por amor de Deus! Politica Internacional sempre funde-se com a economia. Estados unidos ja apoiou/apoia milhares de ditadores ao mundo inteiro. Antes de Sadam ter sido "inimigo" dos Estados Unidos tinha sido um grande amigo dos EUA. A lista de corruptos e ditadores que foram apoiados pelos EUA e enorme. Nao caiam no erro de pensar que eles estao a fazer isto para ajudar-vos. Nao se enganem meus caros irmaos...
3 de Julho de 2010 02:46

Anónimo disse...
A verdade e que estas classificacoes de PEP e um exorme peso aos negocios da Sonangol. Se existe corrupcao na Sonangol isto e problema que os angolanos devem resolver. Se estao mesmo tao interessados em combater a corrupcao entao que retirem as Chevron e Halliburton de Angola. Deixem a Sonangol crescer e nao criem mais impecilhos. Ataquem a Britsh Petroleum que lixou com o mar. Deixem a nossa empresa crescer a vontade...
3 de Julho de 2010 03:04

Anónimo disse...
Acham que estes senhores do poder para roubar precisam faze-lo apartir dos EUA? Eles nao sao tao burros assim. O SA ja reportou que caso estas brincadeiras vao enfrente as transferencia bancarias que demoravam um dia podera levar um mes. Isto meus senhores e um peso aos negocios da Sonangol e do proprio Estado. Estes Senadores ficam nos escritorios deles e muitos nem se quer leem os dossie. Partem apenas pelo estereotipo de Pais africano e corrupto. Esta classificacao e suficiente para bloquear tudo. Se bloquearem todos bancos angolanos quem ira realmente sofrer e o Pais todo. Aqueles que querem vir a tratamento, estudo, ferias, etc nao estarao ilesos. Os governantes de Angola nao precisam roubar dinheiro apartir do EUA. Estudem as disputas comercias entre EUA e paises como India, China, Russia, Brasil, etc e quem sabe comecarao terao a mesma opiniao.
4 de Julho de 2010 05:00

Miguel P. disse...
Como é possível sentimentos 'anti-imperialista' na presença de uma boa medida dos EUA? Eles não querem dinheiro sujo na economia deles e fazem bem. Não são os tugas que incentivam o 'investimento' do nosso dinheiro para benefício de privados! Um comentador fala que deviamos mandar a Chevron e a Halliburton para casa e deixar a Sonangol desenvolver-se... enfim a arrogância angolana é demais, a nossa indústria petrolífera depende das empresas estrangeiras! A Sonangol produz um coxito e não tem capacidade, o mesmo expert aconselha os EUA a chatearem a BP... em Angola há derrames e não passam na TPA, se contares as horas que a TPA dedicou ao derrame no Golfo do México vais chorar e a BP está debaixo de fogo!
Este país precisa de seriedade. Aproveito para parabenizar a UCAN pelo Estudo.
5 de Julho de 2010 08:32

Anónimo disse...
Meus caros, PEP quer dizer Politically Exposed Person (entidades com exposição politicas, como empresas públicas, também são consideradas). Não é crime ser PEP, crime é ser um PEP criminoso. As entidades com exposição política representam um potencial de corrupção e por esta razão o sistema financeiro deve estabelecer uma relação mais cuidada, com mais perguntas na presença de transações suspeitas para eliminar a possibilidade de lavagem de dinheiro. Para vossa informação, todos os senadores americanos são por definição PEP e os bancos têm uma tratamento especial na relação que matêm com eles.
5 de Julho de 2010 08:39

Anónimo disse...
Caro Miguel P. o senhor nao entendeu oque escrevi. Eu nao disse que Angola deve correr com a Chevron e Halliburton...uhhhh. Eu disse que se os americanos estivessem mesmo muito interessados em ajudar no combate a corrupcao deviam tirar as empresas deles de Angola. O sistema financeiro e deles e infelizmente existem ainda poucas alternativas. Tudo comeca com o facto do dollar ser reserva internacional. Eles nao querem ajudar voces. Miguel ou nao sabes ler ou estas a fazer isto de proposito.
5 de Julho de 2010 17:38

Anónimo disse...
Os politicos angolanos nao precisam roubar o dinheiro de Angola apartir do EUA. Se guardas conseguem roubar Cem Milioes no BNA quanto mais um Governador? Politico e gatuno vivo nao investe dinheiro nos Estados Unidos. O bom rendimento estao noutras paragens.
5 de Julho de 2010 17:45

Miguel P. disse...
Antes de citar o "negócios da Sonangol" seria boa ideia perceber em que é que estes negócios têm beneficiado Angola. EU não sei se o país já ganhou alguma coisa com as investidas no mercado financeiro português ou com a compra de edifícios na baixa de Nova Iorque. É precisamente esse tipo de investimento errático que chama a atenção dos organismos que combatem a lavagem de dinheiro.
6 de Julho de 2010 12:10

Anónimo disse...
Miguel P. e melhor nao CONFUNDIR. China Sonangol com Sonangol, estamos claro? Sim o problema e que muito de nos prefere o caminho do cinismo e ate aplaudem quando uma empresa do Pais tem o seu caminho bloqueado. A ideia e de que estao a fazer isto tambem para nos ajudar. Hahahah, Angola nao e centro do Mundo, mas como gerimos o nosso dinheiro e problema nosso.
6 de Julho de 2010 15:21

Miguel P. disse...
Cinismo? Uma empresa pública que aplica de forma pouco clara fundos publicos não pode ser questionada? Porque é angolana e o manual do patriotismo inventado por certos patriostas o diz? Estes memsos patriotas que querem comprar SUVs de luxo para deputados quando ainda existem escolas sem carteiras, escolas debaixo de árvores? Fico perplexo com a arrogância dessa gente que anda a destruir o país e ousa dar aulas de patriotismo aos outros. 'Podemos' gerir como quisermos a nossa fortuna mas não podemos obrigar toda gente a aceitá-la. Como o "problema é nosso" há ANGOLANOS que têm o direito de não gostar da forma que "o nosso dinheiro" é gerido!
7 de Julho de 2010 08:00

Imagem: altohama.blogspot.com/

Só o PIB da California (em crise) é superior ao de todos os países africanos.



JCRC disse...
O debate está de facto animado. Muitos estão tentar dizer que existe uma espécie de complôt contra Angola, mas o relatório não se resume à casos angolanos, quem leu o primeiro post aqui no morro e leu o relatório percebe que há casos envolvendo outros países. Nós angolanos, temos que deixar de pensar que somos o centro do mundo. Como disse alguém aí, os EUA têm o direito de bloquear a entrada de fundos ilícitos na sua economia.
Outra questão, continuo a ser seduzido por temas que aparecem nas alas, agora é o Hospital Geral de Luanda. Cresci a ouvir os kotas a dizer "o português não deixou nada"... mas a verdade é que o Maria Pia (a.k.a Josina Machel) tem 100 anos e está aí para as curvas enquanto que este "puto" está a cair...
6 de Julho de 2010 14:13


Anónimo disse...
JCRC, juntar o caso Hospital Geral de Luanda, com a questao Sonangol e passar dos limites da coerencia. Sim nos os angolanos nao somos centro do mundo, mas nem tao pouco sao os americanos. Se bem que e dificil sonhar por isto, eu quero ver quando o dolar ja nao for "reserva internacional". China produz produtos baratos; Arabia Saudita petroleo; Alemanha BMW; EUA produz somente ou melhor imprime somente dolares apartir do FED.
6 de Julho de 2010 15:08

Soberano Canhanga disse...
O HGL é uma grande pena... Uma morte na infância... Há que diminuir a mortalidade infantil em Angola, a começar pela morte dos novos hospitais...
6 de Julho de 2010 15:19

Anónimo disse...
Quero apenas fazer duas referências; a primeira sobre o comentário do Anónimo posted as 15:08 do dia 6 de Julho. Parece-me uma grande incoerência da sua parte justificar as nossas incompetência indo buscar o sucesso da China. Quando você diz "quando o USD deixar de ser reserva internacional" pode tirar o cavalinho da chuva. Com a grave crise do deficit dos governos do espaço euro, com a China a soltar a "coleira" da sua moeda e a política monetária do UK não vejo o USD a deixar de ser reserva internacional a médio prazo. Quanto aos produtos baratos da China só mesmo para África. O beneficio que a China tirou e ainda tira da globalização com a deslocalização das indústrias ocidentais para as terras de Mao Tse Tung está agora num processo inverso (riscos económicos e políticos). Quanto aos PEP, meu caro amigo, nenhum país que se preze aceita investimentos de países que ao minimo puxao de orelhas, a minima critica ao seu sistema de governo ameaçam logo retirar o investimento. Os únicos que aceitam esta chantagem é Portugal e o Brasil. Já paramos para nos perguntarmos porque é que Portugal (já agora podemos incluir a Venezuela e o Brasil) é o único destino dos nossos investimentos privados? Porque temos uma contrapartida de negociação fortissima; eles são pobres. O Brasil não precisa dos nossos investimentos e a Venezuela tem o mesmo adn politico dos angolanos.
6 de Julho de 2010 18:21

Chegae! disse...
Passando para convidar a todos para o evento que acontecerá de 25 a 28 de outubro no Derville Allegretti.
Confira mais em tccbrasilafro.blogspot.com
7 de Julho de 2010 01:04

Anónimo disse...
Caro Dada, o "padrao" que o Eng. Vicente disse nao significa necessariamente algo negativo que ha "medo" de se revelar. A contabilidade da Sonangol e baseada ao "padrao" Plano Oficial de Contas. Aquilo na verdade nao e "padrao" nenhum...hehehe. Quando o Eng. Vicente diz padrao como Contabilista que sou penso que ele esta referir-se ao GAAP(padrao do EUA)-- General Accepted Accounting Principles; IFRS --International Financial Reporting Standards, UK GAAP, etc. Ele com certeza que nao quiz dizer/admitir que haja surukuku na Sonangol. A Sonangol e obviamente uma empresa angolana que obedece os principios contabilisticos angolanos. Se quizer listar-se na NYSE(New York Stock Exchange) tera obviamente de reportar a sua actividade em funcao do Padrao GAAP. Isto e uma actividade que carece muito esforco por parte da empresa converter do sistema angolanao ao sistema ou padrao americano. Nao sera este padrao que esta motivar o PEP.
7 de Julho de 2010 01:19

JCRC disse...
@Anónimo 6 de Julho 2010 15:08 eu não juntei coisa nenhuma, se revisitar o meu comentário percebe que eu introduzo o caso do hospital com a expressão "outra questão" porque a única forma de comentarmos temas das "alas" é esta.

Quanto à sua previsão assustadora para o dólar, não posso concordar. O comentário do anónimo das 18:21 diz porquê. A China sofre pressões para liberalizar o yuan e mais tarde ou mais cedo terá a classe média a reclamar por mais poder e com os problemas do euro e a baixa profundidade da libra, resta-nos o dólar.

Dizer que os EUA limitam-se a imprimir USD é que é ultrapassar os limites da coerência. Os EUA são um grande produtor de petróleo como a Arábia Saudita, não produzem produtos baratos mas muitos aparelhos montados na China são desenhados nos EUA (iPod, por exemplo) eles não produzem BMW mas produzem Ford, Tesla... aliás, são a maior economia do mundo, só o PIB da California (em crise) é superior ao de todos os países africanos.
7 de Julho de 2010 07:12

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terça-feira, 6 de julho de 2010

A Ocidente do Paraíso (81). O 27 de Maio está na forja. Lucas apresenta-me o Comissário Politico das FAPLA.


O Mauro crescia rapidamente. Agora a grande questão era a sua alimentação. Passou a alimentar-se de caldos de galinha que era a única coisa que se conseguia arranjar. Devido à má alimentação começou a ter problemas com os dentes. Enviei um apelo ao meu pai em Portugal para enviar comida para criança.
Fiquei surpreendido quando alguém apareceu vindo de Portugal com uma caixa com géneros alimentares. Era o pai do Aurélio que cumprimentei meio envergonhado. O meu pai sabia da sua vinda a Angola e entregou-lhe a encomenda. Ele conseguiu regressar mas ninguém da família viria. Veio gerir a sua empresa. Perguntei como estavam todos e particularmente a Marta:
- A Marta comentou que você merecia melhor.
Referia-se ao facto da Tina ser negra. Fiquei surpreendido com a afirmação mas preferi não fazer comentários. Ele notou:
- Já vi que a sua esposa tem a casa bem arrumada e organizada.
- Ela era governanta numa pensão.
- Pensei que fosse uma dessas que não sabem fazer nada.
Seria sempre mais ou menos assim. Os preconceitos de um branco viver com uma negra continuariam, nunca acabariam.

O 27 de Maio está na forja. Lucas apresenta-me o Comissário Politico das FAPLA, Bakalof, recentemente vindo da URSS. Conduzia um jipe de caixa aberta pequena, de cor amarelo-torrado, onde na companhia do Lucas demos umas voltas pela cidade. Lucas confidencia-me que ele me considera uma pessoa fixe. Algumas vezes Bakalof convida-me para sair. O destino é sempre o mesmo, a ilha de Luanda. Por mais que tente, Bakalof evita qualquer diálogo sobre a situação do país. Na companhia de algumas cervejas tento provocá-lo sobre a guerra generalizada que o país enfrenta. Bakalof prefere o mutismo, ou apenas responde com um sorriso. Nunca lhe consegui obter qualquer comentário.
O homem parecia extremamente reservado. Cansado, desisti de lhe colocar qualquer questão. Tirámos algumas fotografias juntos. Apesar de muito insistir com o Lucas que também queria uma cópia dessas fotos, esse desejo nunca me foi satisfeito.

Vou às reuniões regulares na Vila Alice. Parece haver uma desorganização cada vez mais saliente. Já não existem directivas como habitualmente. A situação parece-me confusa. Tentava trocar impressões com alguém mas não conseguia, ninguém me ligava. Senti-me marginalizado. Simplesmente discorri que estavam a afastar militantes. Não queriam mais brancos?! Muito preocupado com este estado de coisas falei com o Lucas. Ele mostra-se enigmático:
- Já viste, se daqui a alguns dias nos encontrarmos frente a frente, e um tiver que matar o outro? O Neto já está velho. Temos que mudar o Velho por um novo. Nós da frente Norte é que lutámos… o Nito é o nosso chefe.
Não me disse mais nada. Mas o aviso era claro. Alguma coisa iria acontecer. E como me desprezavam, isso significava que me afastaram do MPLA.
Fui pela última vez à Vila Alice, e entreguei-lhes a minha farda e a pistola.

Promessas leva-as o vento


A nova Constituição de Angola, dita “atípica”, ou Presidencialista-Par(a)lamentar, votada e aprovada pelo Parlamento no dia 10 de Fevereiro deste ano num precipitado aproveitamento das distracções e excitações causadas pelo afã da Copa de África das Nações, não trouxe só o que se pode considerar um retrocesso da sinuosa rota para a instalação de um regime democrático no nosso país, também causou alguns embaraços a um bom número de funcionários do Estado que até essa data estavam ao serviço do gabinete do primeiro-ministro, Paulo Cassoma.


E, diga-se, desta vez não se pode dizer que houve discriminação, todos eles, desde os do mais baixo escalão aos do topo da hierarquia foram postos no mesmo saco e tiveram que aguentar da mesma maneira o choque causado pelo “golpe de Estado jurisdicional” gizado nos ateliers do Futungo, tal como se pronunciou Marcolino Moco a propósito desta nova Constituição.

Vale a pena contar a história vivida por esses homens de carreira ao serviço do Estado no decorrer do colapso político que se seguiu à aprovação da Lei Magna, pois ela define bem a mentalidade vigente no seio das mais altas esferas do Estado, soberanamente desdenhosas dos direitos do pessoal subalterno ao seu serviço, melhor seria dizer seus súbditos.
O que aconteceu a essas pessoas, algumas delas de alta patente, de grau equivalente a directores ou quadros superiores, está ligado ao facto de o posto de primeiro-ministro ter sido abolido. Paulo Cassoma saiu, mas antes deu-se ao trabalho de explicar aos seus subalternos que o Governo tinha pensado neles. Ser-lhes-ia reservado um tratamento digno, pois estava previsto que eles seriam transferidos para postos equivalentes nos quadros de pessoal da Assembleia Nacional ou no gabinete do muito decorativo vice-presidente, para o qual tinha sido nomeado Fernando Dias dos Santos “Nandó”.

Portanto, parecia estar assegurado que nenhum desses funcionários iria para o desemprego, o que significava que, por uma vez, o Governo tinha tomado providências para salvaguardar o futuro dos seus fiéis servidores. Mas a verdade é que nada correu de feição e, passado algum tempo, o Dr. Beny veio a terreno comunicar aos interessados que o vice-presidente “Nandó” já estava servido de pessoal para o seu gabinete e que, como ele queria “tudo limpo (!)”, eles, os ex-funcionários do defunto gabinete do primeiro-ministro, não seria por muito tempo, teriam de ficar em casa. E o salário?... Não havia problema nenhum, o salário seria pago até se encontrar uma solução consentânea dos desideratos de ambas as partes.

Os funcionários acataram. Ficar em casa e receber salário não é assim tão mau como isso, pese embora o facto de não haver subsídios a arredondar os fins de mês e que, por outro lado, receber salário sem trabalhar não dignifica ninguém. Fosse assim ou assado, toda essa gente ficou à espera de melhores dias.

Isto passou-se em Fevereiro e até hoje não há ponta por onde pegar nesta situação. Ou pior, haver até há, é pô-los todos no olho da rua e o problema está resolvido. E segundo tudo leva a crer é exactamente isso que se está a preparar nas oficinas governamentais. Como o Sr. vice-ministro já procedeu à entronização de novos quadros, sendo a maioria capacitados para exercer funções de directores nacionais, não há lugar para ninguém e o que está previsto para breve é pura e simplesmente ter de se proceder a um corte do salário dessa gente que sempre acreditou no que afinal não passou de tretas e falsas promessas.

Imagem: quintasdedebate.blogspot.com

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A Ocidente do Paraíso (80). Uma das minhas alunas é a Irene Neto. É muito inteligente como o pai.


- Então o que é que o traz por cá?
Intrigado com a sua compleição física desviei-lhe a resposta:
- Desculpe, pratica algum desporto?
- Pratiquei halterofilismo até há pouco tempo. Devido aos afazeres actuais deixei de o fazer… mas diga-me o que pretende.
- É sobre a minha esposa – a Tina – ela está quase a dar à luz...
- Francamente, isso é assunto para um hospital e eu não sou parteiro.
- Mas, não sabe que os partos de mestiços são desprezados? Eu não quero correr riscos.
- Essa não sabia.
- Mas é a pura verdade.
- Espere que já vou tratar disso.
Procurou durante uns minutos até que encontrou um livro:
- Olhe, este livro vai ajudá-lo. Era de uma pessoa da minha família. Foi escrito para quem vivia nos matos, longe dos médicos. Têm um capítulo dedicado ao parto sem médico. Desculpe mas não posso perder muito tempo, porque estou a preparar as minhas aulas para amanhã.
- É professor?
- Sim, no Salvador Correia. Uma das minhas alunas é a Irene Neto. É muito inteligente como o pai. Ao princípio levavam-na de carro. Mas Agostinho Neto acabou com isso. Disse-lhe que os direitos são iguais para todos. Sais de casa como todos os alunos e levas uma sandes.
- Agostinho Neto fez isso?
- Apesar de tudo é muito humano. Já aconteceu durante um percurso em que ia com a sua escolta, viu um ferido e interrompeu a marcha para o socorrer. Agora ando muito preocupado, porque estou a preparar slides para fazer projecções aos primeiros estagiários dos petróleos que vão para Itália. Para que não saiam daqui sem os mínimos conhecimentos.

Estudei bem o livro no capítulo dedicado ao parto. Quando a hora chegou preparei-me para ser o parteiro do meu filho. Estendi um papelão grande no chão. A Tina abriu as pernas conforme determinava o livro. Pus uma panela com água até ela ficar morna. Preparei as fraldas e uma lâmina de barbear não usada previamente passada na chama para prevenir infecções, e um limão.
Era o primeiro parto que fazia na minha vida. Primeiro apareceu a cabeça do bebé e depois os ombros. Coloquei os dois polegares nas extremidades da vagina e fiz ligeira pressão, evitando ferir a criança. Isto ajudaria a mãe, e serviria também para que os tecidos não se rasgassem. Os ombros surgiram. O mais difícil estava feito. O recém-nascido de repente saltou como um peixe fora de água. Segurei-o muito delicadamente e deu os primeiros sinais de vida... espirrou e chorou.

O Mauro nasceu. Medi dois palmos da minha mão e com a lâmina cortei o cordão umbilical. Dobrei-o ao meio e enrolei linha com pouca pressão. Coloquei uma gota de limão em cada olho para desinfectar. Depois foi o primeiro banho para ficar devidamente limpo. A toalha e as fraldas ficaram a cargo da Tina.

Imagem: http://pissarro.home.sapo.pt/memorias23.htm

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A Ocidente do Paraíso (79). Na cervejeira Cuca o químico é escorraçado


Agostinho Neto queria reunir com todos os coordenadores dos grupos de acção na Dona Amália. Já lá estávamos à sua espera. Ele chegou, o recinto era muito apertado. Eu estava no meio do nosso grupo. Ele teria que passar por mim quase encostado. Caminhou, fez uma ligeira paragem e por momentos olhámo-nos, olhos nos olhos. Depois fitou-me de alto a baixo. Não consigo imaginar o que ele estaria a pensar.

Lucas previne-me que o estado actual das coisas não era nada bom. A contestação a Agostinho Neto vai crescendo. O descontentamento em relação aos brancos e mulatos evidencia-se. Alerta-me para este facto. Confidencia-me que não foi para isto que lutámos. Quem lutou fomos nós, os que estivemos na primeira região. Quem sofreu fomos nós que estivemos na frente Norte. O MPLA deve-nos isso, e não estamos a ver nada.

São notórias as novas classes e a inversão de valores. O camarada contínuo passa a dar ordens. Os camaradas médicos – enfim todos os técnicos – passam a burocratas sem qualquer valor. Na cervejeira Cuca o químico é escorraçado, porque o trabalho dele é só provar cerveja. O que ele faz qualquer um de nós o pode fazer. Devido a isso a produção pára. Todos os serviços querem ser equipados com coisas novas. Carros não faltam, duram pouco tempo devido à falta de manutenção, ou aos acidentes constantes devidos aos excessos do álcool. Um ministério ainda com as suas máquinas de escrever IBM, impecáveis, abandona-as e importa novos modelos. No Jornal de Angola uma máquina apodrece no Porto de Luanda. Ninguém liga. Gabam-se que o país é muito rico, e que tudo é apenas mais um ou menos um barril de petróleo. A era do consumismo é inaugurada. Para as lojas do povo os brasileiros conseguem exportar garrafões de vinho de marca inventada à última hora – mosteiro – que era uma mistela química que punha muita gente no hospital. Passámos a designá-lo morteiro. Outra táctica dos brasileiros foi conseguirem exportar sal para Angola em embalagens de vidro cujo rótulo dizia: Alho com sal.

Os búlgaros aproveitam a onda e exportam copos de vidro com compota de fruta. Importam-se milhares de calculadoras de secretária com relógio incorporado. A calculadora trabalhava ligada à rede e para o relógio eram necessárias duas pilhas. Era o grande consumismo. A UNTA – a nossa central sindical – democraticamente obriga-nos a descontar um por cento do nosso salário. Nunca conseguimos saber o destino dado a esses dinheiros.

A Tina está prestes a dar à luz. Como me alertaram que no hospital são perigosos os partos de mestiços, porque consideram as negras prostitutas, os partos das crianças mestiças são para matar, decidi pedir auxílio ao cunhado do senhor Figueira.

Recebeu-me no seu apartamento situado a cem metros do Comissariado Provincial de Luanda. Aquino – era assim que se chamava – depois de o informar que vinha recomendado pelo seu cunhado Figueira, convidou-me a sentar. Era alto e robusto, muito musculoso. Notava-se que praticava algum desporto. Pelo aspecto andaria próximo dos cinquenta anos. O ambiente à nossa volta mostrava desorganização notável. Livros por todo o lado, alguns quase em cima de pratos com restos da refeição do dia anterior. A toalha da mesa abundava de pó. Algumas garrafas vazias de uísque espalhadas indicavam que Aquino era um bom bebedor, tal como Figueira me havia prevenido. Era também evidente que havia a falta de uma mulher. Aquino iniciou o diálogo:

Imagem: http://pissarro.home.sapo.pt/memorias23.htm

quinta-feira, 1 de julho de 2010

A Ocidente do Paraíso (78). Mandaram-me efectuar sentinelas de noite na prisão do São Paulo.


E na empresa conforme instruções do senhor Figueira, falei com o administrador sobre a minha situação, sobre o meu futuro. Garantiu-me que estava a tratar disso. Mas os dias passavam e nem uma palavra de esperança me dirigia. Depois meteu-se numa negociata com a VW do Brasil. As comissões eram avultadas. Corrompeu algumas gentes. Alguém denunciou a corrupção ao governo. Antes de ser preso conseguiu fugir rumo a Portugal. Vi que não tinha mais qualquer oportunidade e apresentei a minha demissão. Era o início da corrupção em Angola. Um novo colonialismo mais terrível que o anterior se iniciava.

A minha principal preocupação agora era garantir as condições de sobrevivência da Tina e da Dina. Estudava intensamente para sairmos da miséria. A barriga da Tina aumentava. Dentro de poucos meses teríamos mais uma boca para alimentar. Os alimentos escasseavam. A Tina teve que lutar muito para conseguir comprar alguns carapaus pequenos no mercado do São Paulo.

A nossa salvação foi a mãe da Tina. Morava próximo do Futungo de Belas e tinha uma lavra na fazenda abandonada do Gomes & Irmão. Mandava os meus jovens cunhados pescarem peixe e apanharem mabanga. Na lavra colhia-se jimboa, jindungo, tomate, alface, etc, que também nos enviava. Se não fosse essa preciosa ajuda provavelmente morreríamos de fome.

Surgem as lojas do povo. Para ter acesso era necessário um cartão. Às quatro ou cinco da manhã a Tina ia para a bicha. Os controladores da bicha davam chicotadas nas mulheres. De vez em quando a Tina também apanhava. Depois de uma longa espera e sofrimento, conseguia trazer alguma coisa para comermos. E desabafava:
- Quem não quiser ficar na bicha dá a vagina aos guardas, ou namora com eles. Ou se der a vagina aos responsáveis da loja ainda é melhor. Entram pela porta do cavalo, fazem sexo e rapidamente atendem-nas. Até levam tudo o que quiserem. Estava assim inaugurada a prostituição generalizada, e o carregar tudo nas cabeças.

Agostinho Neto dirá mais tarde que quem quiser vir para Angola lhes garante o pão com manteiga. Nas reuniões do Comité Central, Agostinho Neto deixa toda a gente falar. No fim diz que acha que é melhor assim e assim, e pergunta se estão todos de acordo. Claro que respondem que sim. Aqui revela a sua inteligência de líder incontestado. Quem cometesse o mínimo erro era imediatamente afastado. Apesar de tudo sentíamo-nos tranquilos. Ele impunha respeito. Bastava a sua presença e ninguém se sentia à vontade. Foram tempos muito difíceis.

Surgiu a directiva do EMG das FAPLA, da resistência popular generalizada. O Lucas pediu-me os meus dados pessoais e recensearam-me. Se fosse para uma das frentes acho que não sairia de lá vivo. Mas como era técnico ficava a apoiar a retaguarda. Mandaram-me efectuar sentinelas de noite na prisão do São Paulo. Custava-me a entender que antes, no colonialismo era prisão, e agora continuava a sê-lo. Deveria ser transformada em museu. O camarada Sacrifício era o chefe. Subiu até ao terraço, aproximou-se de mim e cumprimentou-me:
- Boa-noite camarada.
- Boa-noite camarada Sacrifício.
Esteve uns momentos em silêncio e depois surpreendeu-me com o que me pareceu uma provocação.
- Jesus Cristo foi um grande revolucionário.
Pus-me à defesa, porque não entendia onde ele queria chegar:
- Sim… de facto foi o maior revolucionário de todos os tempos.
- Mas, foi um grande revolucionário ou o maior reaccionário de todos os tempos?!
Tentei argumentar mas ele de repente desceu. Pensei que a questão colocada era um teste sobre o que eu pensava sobre religião. Bastava colocar um pé em falso, para ser conotado como contra-revolucionário, ou agente do imperialismo. Havia muita boa gente que lia um manual e já se considerava mais revolucionário que os verdadeiros revolucionários. Na verdade há sempre uma igreja nos nossos corações. «E só a verdade nos liberta».

Imagem: http://pissarro.home.sapo.pt/memorias23.htm

Luanda, Junho 2010. Racionamento da energia eléctrica, água e comunicações


A água parece contaminada pelo alcoolismo. Cambaleia, tropeça tubos acima e deixa alguns litros na continuação do fingir da não existência. É uma água revolucionária, muito sacrificada. Ainda segue à revelia da democracia.

A Internet está cada vez pior, paga-se e fingem que existe dia e noite, mas não. Antes do acesso convém rezarmos fervorosamente. Pode ser que Deus atenda os nossos pedidos. De qualquer modo precisa-se de muita sorte e persistência. Sim, é isso mesmo. É mais um grande cambalacho institucionalizado e patrocinado pelos nossos novos-ricos.

Depois de colossais investimentos nos telemóveis de última geração, conseguimos ultrapassar os constrangimentos anteriores que se verificavam e agora finalmente temos: «O telemóvel está desligado ou fora da área de cobertura.»

Estamos tão infestados de aventureiros vigaristas que mais parecem mosquitos do paludismo.

Apesar de tudo a energia eléctrica continua a melhorar. Os cortes verificados devem-se às queimadas anárquicas de capim ao longo da linha de alta tensão, que danificam as torres metálicas e os cabos de transporte da energia.
A impressão que se tem é que parece que é o único ministério que funciona, que apresenta trabalho. Oxalá os outros ministérios lhe seguissem o exemplo…

Abaixo o resumo dos cortes de energia eléctrica verificados.

30Jun 14.49-15.53 24Jun 05.26-05.47, 10.06-15.02 23Jun 11.45-12 22Jun 13.46-19.36 21Jun 12-58-14.38, 17.02-18.31 19Jun 15.00-15.43 15Jun 0941-10.13 12Jun 14.51-17.45 07Jun 00.10-03.00 outra vez uma empresa chinesa escavou um cabo eléctrico. 06Jun 05.49-17.55 manutenção.

Imagem: morrodamaianga.blogspot.com/


Obra clandestina... e legal


Só as obras clandestinas deles são e legais, não se podem demolir porque estão incrustadas, encostadas, saturadas de petróleo e diamantes.

Os que trabalham honestamente e erguem as suas casas-casebres, nos longínquos e proibidos acessos bancários que só favorecem príncipes e princesas, esses casebres são logo demolidos, e a clandestinidade da destruição de Luanda com obras toscas, como é o horrendo exemplo gótico digno de um conto de Edgar Allan Poe, permanecem.

Na foto está a última peça arquitectónica nas traseiras da Pomobel, ao Zé Pirão, de um tal general Led que tarda em ser demolida, porque pinta a prova de que o mais importante é destruir as casas-casebres, e como insistem que Angola ainda é só deles, e Luanda um jardim zoológico…

9 Termidor
«Em 27 de Julho (9 Termidor, de acordo com o calendário revolucionário francês) a Convenção, numa rápida manobra, derrubou Robespierre e seus partidários. Robespierre apelou para que as massas populares saíssem em sua defesa. Mas os que podiam mobilizá-las — como os raivosos — estavam mortos, e os sans-culottes não atenderam ao chamado. Robespierre e os dirigentes jacobinos foram guilhotinados sumariamente. A Comuna de Paris e o partido jacobino deixaram de existir. Era o golpe de 9 Termidor, que marcou a queda da pequena burguesia jacobina e a volta da grande burguesia girondina ao poder. O movimento popular entrou em franca decadência.

A Convenção Termidoriana (1794-1795) foi curta, mas permitiu a reativação do projeto político burguês com a anulação de várias decisões montanhesas, como a Lei do Preço Máximo (congelamento da economia) e o encerramento da supremacia da Junta de Salvação Pública. Foram extintas as prisões arbitrárias e os julgamentos sumários. Todos os clubes políticos foram dissolvidos e os jacobinos passaram a ser perseguidos.

Em 1795, a Convenção elaborou uma nova constituição - a Constituição do Ano III -, suprimindo o sufrágio universal e resgatando o voto censitário para as eleições legislativas, marginalizando, assim, grande parcela da população.»
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