sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Governo sem solução para as exigências do povo. Os preços não vão baixar


“A subida de preços é irreversível, o Governo está a trabalhar para acalmar os ânimos. Mas os preços não vão baixar – Alberto Nkutumula, vice-ministro da Justiça, porta-voz do Conselho de Ministro Enquanto isso a convulsão continua, com a polícia a disparar balas reais e a matar pessoas, com destaque para crianças e inocentes

Maputo (Canalmoz) – Depois de na quarta-feira o Chefe do Estado ter vindo a público condenar a revolta popular e apenas pedir calma, sem ter dado resposta às inquietações generalizadas do povo, todas as expectativas ficaram concentradas no Conselho de Ministros e na resposta que este poderia vir a dar aos apelos dos manifestantes que paralisam por completo a vida económica e social do chamado Grande Maputo, que engloba a capital do país e Cidade da Matola, desde quarta-feira. Convocado de emergência para tratar o estado de ebulição que se vive nestas duas cidade, por causa da subida do custo de vida, longe de responder ao desespero do povo, o Conselho de Ministros apenas fez o balanço dos danos causados pelas escaramuças.
Praticamente, as expectativas de solução do problema que coloca agora em posição radicalmente antagónica a já chamada “maioria desqualificada”, que é o Povo revoltado, e o governo do Partido Frelimo no poder, caíram frustradas.
O Governo não sabe o que fazer perante a subida do custo de vida. Apenas repete o discurso dos programas e políticas do Plano Quinquenal do Governo, e reitera que os preços não vão baixar, aconteça o que acontecer.
A reunião do Conselho de Ministros dirigida por Armando Guebuza e que não contou com a presença do primeiro-ministro Aires Ali, durou mais de três horas.
A conferência de imprensa estava marcada para as 12:30 horas, mas só veio a acontecer pouco depois das 14:00 horas. E nada de novo foi dito. Apenas foi uma espécie de repetição do discurso do Presidente da República Armando Guebuza, que constitucional é o chefe do Governo.
Alberto Nkutumula, porta-voz do Governo, veio simplesmente ler um papel de uma página que tinha o balanço que o Governo faz dos estragos causados. Aliás, até o próprio balanço traz dados que contradizem os que circulam na comunicação social. É exemplo disso, o número de mortos. Para o governo morreram apenas 6 pessoas. Mas fala-se de mais de 16 pessoas que perderam a vida, vítimas de baleamentos protagonizados pela Polícia da República de Moçambique (PRM) que se está revelar incapaz de lidar de forma preventiva com a revolta popular.
A polícia não está a prevenir, mas sim a matar os populares. E inclusive a matar inocentes, principalmente crianças. E enquanto o comportamento da polícia se mantiver, o número de mortes pode subir.
Segundo o Governo, da revolta popular, resultaram para além dos mortos, 288 feridos, 23 estabelecimentos danificados e saqueados, 12 autocarros vandalizados, dois vagões contendo milho e cimento saqueados, cinco viaturas e duas motorizadas queimadas, quatro postes de transformação de energia queimados e duas bombas de combustível vandalizadas.
Em termos globais, segundo o porta-voz do Governo, estes prejuízos estimam-se 122 milhões de meticais. Isso segundo o Governo, corresponde a uma perda de 3910 postos de trabalho.

A retórica continua

Alguns populares ouvidos pela nossa reportagem na manhã de quarta-feira, disseram-nos que esperavam do Governo respostas ou acções que pudessem aliviar o elevado custo de vida.
O Canalmoz questionou o porta-voz do Governo sobre as acções concretas que Governo deverá levar a cabo para responder às exigências do povo. Respondeu nos seguintes termos “o Governo reitera o seu compromisso de continuar a trabalhar lado a lado com o povo, e reitera igualmente a sua determinação de prosseguir com a implementação do Programa Quinquenal do Governo, instrumento fundamental de luta contra pobreza”.
Insistimos e pedimos ao porta-voz do Governo para falar de acções concretas. Trouxe o seguinte discurso: “O Governo está a trabalhar arduamente de modo a melhorar a vida dos moçambicanos”.
Voltámos a pedir a Alberto Nkutumula que nos explicasse o significa “trabalho árduo do Governo”. Disse que o trabalho é a “criação de mecanismos para cumprimento do plano do Governo que tem em vista a erradicação da pobreza”.
Resta agora saber se o povo se identifica e aprova o “trabalho árduo” de que fala o Governo ao analisar o seu próprio desempenho que na óptica popular é tão negativo que suscitou o caos que se vive nos últimos dias na capital do país, Maputo, e todos os arredores, incluindo a cidade da Matola. Pelo que ontem se via nas ruas não há solução à vista.
As forças policiais estavam a ser completamente desautorizadas em vários pontos da cidade, a ponto de terem sido chamadas a intervir unidades das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) o que poderá colocar o País à Beira de uma nova guerra civil se o bom senso não prevalecer.
Ontem, as televisões privadas mostraram em várias artérias o povo a derrubar painéis metálicos de propaganda eleitoral que a Frelimo insiste em manter espalhados pela Cidade depois de passado quase um ano após o último acto eleitoral. A população revoltada derrubava esses cartazes com a foto de Guebuza, em acções sem precedentes. Depois de derrubados os manifestantes pisavam ostensivamente a cara do presidente do Partido Frelimo. Noutros casos sem derrubarem os cartazes apedrejavam-no. Vários cidadãos ouvidos por uma das estações televisivas privadas, na Zona do Xiquilene, chegaram mesmo a dizer que se Guebuza não tem soluções é melhor ir embora.

(Matias Guente) 2010-09-03 08:15:00
Imagem: http://noticias.sapo.mz/

Governo não está a levar a sério as exigências do povo


– afirmam partidos da oposição

Maputo (Canalmoz) – Os partidos da oposição com representação na Assembleia da República, afirmam que, o que o Governo está a propalar desde que rebentaram os tumultos não está a convencer a ninguém. Dizem mesmo que o Governo está a “brincar com o povo moçambicano”.
“Tudo que o Governo está a dizer sempre o disse e não passam de politiquices”. Quer a comunicação do Presidente da República assim como do Conselho de Ministros não respondem aos anseios do povo moçambicano, para os partidos da oposição.
O Secretário-Geral (SG) do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) Ismael Mussa disse ao Canalmoz que as manifestações abrandaram quando anunciou-se a comunicação do PR. Mas a comunicação do PR, segundo Mussa, não trouxe nada de novo e a violência voltou. Com a sessão do Conselho de Ministros, diz, a violência voltou a baixar, porque havia expectativa em relação à resposta do Governo. Mas o Governo voltou a não trazer respostas. Mussa acrescenta que o Governo se está revelar incapaz perante a actual situação económica. “Os discursos não estão a convencer a ninguém”.
O SG refere que o povo quer saber o que vai acontecer nos próximos dias em relação ao custo de vida.
Para Ismael Mussa este é o momento em que o Governo deve deixar-se de discursos desenquadrados com a realidade e trazer soluções para o elevado custo de vida. “Não adianta convocar o Conselho de Ministros para voltar a falar do Plano Quinquenal do Governo e dos famosos planos que até aqui se têm revelado falidos” afirmou peremptoriamente o secretário-geral do MDM.

É o cúmulo da incapacidade

O Canalmoz ouviu também Fernando Mazanga, porta-voz da Renamo. Diz que o Governo longe de trazer soluções está a mostrar o mais levado grau de incapacidade de liderar.
Para Fernando Mazanga o Governo não trouxe solução. Longe disso, apenas atiçou a fúria popular.
Mazanga diz não entender que numa altura como esta em que o povo quer saber como ter pão, água, e luz, o Governo apareça apenas a falar que está engajado na famosa luta contra pobreza absoluta.
Mazanga lamenta que a agitação não tenha rosto, com o qual o Governo possa negociar, mas avança que esta não pode constituir justificação para que o executivo não resolva o problema.
“O Governo não deve andar a procura do rosto da manifestação para dialogar, porque não existe nada para negociar a não ser baixar os preços, assim como os populares apelam”, conclui Fernando Mazanga, porta-voz da Renamo.

(Matias Guente) 2010-09-03 08:11:00
Imagem: http://noticias.sapo.mz/

APELO DA AMNISTIA INTERNACIONAL. A Polícia só pode usar fogo real para proteger vidas


Pretoria (Canalmoz) - A Amnistia Internacional instou ontem a polícia moçambicana a não usar munições letais para dispersar as manifestações violentas que estão a ter lugar na capital Maputo e na cidade da Matola, “a não ser que vidas humanas estejam em risco”.
De acordo com relatórios dos media, seis pessoas, entre elas duas crianças, foram assassinadas durante os confrontos entre a polícia e os manifestantes que protestavam pelo aumento dos preços de produtos básicos no País.
Os protestos ainda continuam a ter lugar na cidade.
“Reconhecemos que a polícia está a tentar conter um protesto violento, mas fogo real – munições com força letal – não pode ser utilizado excepto se for estritamente inevitável para proteger a vida” disse Muluka-Anne Miti, Investigadora da Amnistia Internacional para Moçambique, residente em Inglaterra.
A Amnistia Internacional apela às autoridades policiais Moçambicanas que garantam que os agentes na rua utilizem apenas meios não letais para controlar a situação e dispersar os manifestantes.
De acordo com um relatório recente da Amnistia Internacional, pelo menos 46 pessoas foram ilegalmente mortas pela Polícia em Moçambique entre Janeiro de 2006 e o final de 2009.
“O Governo deverá levar a cabo uma investigação independente e imparcial das circunstâncias em que as mortes de hoje ocorreram e, se as pessoas que morreram foram assassinadas pela polícia, o Governo deverá levar os responsáveis à justiça”, disse Muluka-Anne Miti.
Apesar dos repetidos apelos, alguns deles feitos em visitas ao país, as autoridades locais têm fornecido muito pouca informação sobre as investigações aos assassinatos cometidos pelas forças policiais.
Nalguns casos, a Amnistia Internacional foi informada de que as investigações sobre as mortes provocadas pela polícia não tinham lugar porque se presumiam dentro da legalidade.
Os padrões internacionais aplicáveis, exigem uma investigação eficaz a todos os casos de morte ou ferimentos graves que resultem da utilização da força ou de armas de fogo pela polícia.

(Redacção) 2010-09-03 08:10:00
Imagem: http://noticias.sapo.mz/

Caso não sejam estancadas a tempo. Crises sociais podem originar actos de xenofobia no país


- Aponta uma pesquisa social que resultou num livro lançado na segunda-feira desta semana em Maputo, na qual se aponta também que os estrangeiros consideram os moçambicanos de preguiçosos e com trabalho menos satisfatório.

Maputo (Canalmoz) – As crises sociais que assolam o país, de alguns tempos a esta parte, podem originar actos xenófobos, caso o Governo e a sociedade não encontrem atempadamente medidas para assegurar um ambiente de paz, harmonia e entendimento mútuo entre estrangeiros e nativos moçambicanos, conclui uma pesquisa denominada “A Construção Social do Outro – perspectivas cruzadas sobre estrangeiros e moçambicanos”.

A obra que procura sinais de existência de xenofobismo em Moçambique é do sociólogo moçambicano Carlos Serra e outros sete pesquisadores. As pesquisas foram realizadas em cinco cidades moçambicanas, nomeadamente Maputo, Matola, Beira, Nampula e Pemba, tendo como enfoque os violentos ataques xenófobos havidos na África de Sul em 2008.
Os pesquisadores atento, por um lado, aos ataques xenófobos da África de Sul e, por outro, às crises socais que vêm ocorrendo em Moçambique mostram-se preocupados a ponto de chamar atenção para que os estereótipos existentes entre moçambicanos e estrangeiros não resultem em xenofobia activa.

Os pesquisadores que apontam vários exemplos que podem concorrer para o surgimento de xenofobia, consideram preocupante o facto de em Moçambique a pobreza não estar a diminuir e registar-se, inclusivamente, um aumento em muitas áreas urbanas. Ademais, “a existência de bons carros e casas extravagantes ilustra o enriquecimento de uma elite”, porém “os muitos utentes dos “chapas” que tem custos reais cada vez mais altos, continuam sem benefícios”.

“Enquanto se alarga o fosso entre ricos e pobres e enquanto os estrangeiros nas grandes cidades são associados à riqueza e ao bem-estar, os ataques que se desenvolvem visando os estados ou as populações privilegiadas podem tornar-se xenófobos”, aponta a obra.

Ainda de acordo com pesquisadores, os questionários da “A Construção social o Outro” têm o “mérito de demonstrar as contraditórias imagens construídas sobre os estrangeiros”. Por exemplo, apesar de os moçambicanos concordarem que “os estrangeiros criam empregos, constroem fábricas e ajudam a desenvolver o país, também concordam que os estrangeiros exploram Moçambique e trabalham menos que os nacionais”.

“Os estrangeiros são, muitas vezes, acusados de usar meios misteriosos e ilícitos de enriquecimento, incluindo o comércio de drogas ou pedras semi-preciosas, usando a magia e bruxaria para ganhar vantagens”, documenta-se na mesma obra que acrescenta que em resposta a esses “desaforos” os estrangeiros acusam os moçambicanos de preguiçosos: “não trabalham, de forma tão árdua e que a qualidade de seu trabalho é menos satisfatório”. (Inocêncio Albino)

2010-09-02 14:05:00

Imagem: http://noticias.sapo.mz/info/artigo/1089633.html

Maputo e Matola a ferro e fogo




Maputo (Canalmoz) - Maputo e Matola viveram ontem um dia de enorme agitação e todas as actividades económicas e sociais estiveram paralisadas. Ao meio do dia a situação era terrível, sobretudo na periferia da capital do país. À tarde as coisas abrandaram mas não terminaram. Até altas horas da noite ainda havia disparos e distúrbios nos arredores de Maputo e dentro da cidade da Matola.
No início da manhã ainda se podia circular embora já se fizesse sentir grande agitação, mas por volta das 08h as vias que dão acesso à capital e cidade da Matola começaram a ser literalmente fechadas por manifestantes que protestavam contra o custo de vida e os aumentos dos preços de pão, água e energia. Os manifestantes usaram pneus a que atearam fogo e colocaram obstáculos nas vias para impedir os que insistiam em colocarem-se à margem dos protestos.
Cerca das 09 horas já não se podia entrar ou sair do Grande Maputo.
As vias que dão acesso ao norte do País e aos países vizinhos foram barricadas pelos manifestantes que usavam ainda pedras para arremessar a quem se atrevesse a violar o bloqueio. A Polícia respondeu violentamente usando balas reais e cedo começaram a surgir os primeiros relatos de feridos graves e até de mortos.
Devido à reacção da Polícia que interveio com força, os manifestantes, que aparentemente agiam por toda a parte sem aparente liderança mas apenas impedindo a circulação rodoviária, começaram a assaltar e pilhar estabelecimentos comerciais.
A ira popular foi crescendo e até ao fecho desta edição não havia quem garantisse que as manifestações se ficariam pelo dia de ontem. Corriam de novo sms’s anónimas a apelar para a continuidade dos protestos até sexta-feira, três dias portanto.
O governo queixava-se de que não sabia com quem dialogar e na sua primeira aparição, já por volta das 14 horas, através do ministro do Interior, José Pacheco classificou os manifestantes de bandidos, acirrando a ira da população que sempre viveu com grandes dificuldades mas que ultimamente está a ficar sem qualquer hipótese de sobrevivência.
Muita gente foi morta e ferida. Não há ainda um balanço oficial mas estimava-se em vários círculos que os mortos iam para além de uma dezena e os feridos para cima de meia centena.
Muitas lojas e grandes estabelecimentos comerciais grossistas foram assaltados. Diversos tipos de mercadorias foram levadas por gente que se podia ver que se tratava de cidadãos completamente desesperados com a condição de vida a que estão sujeitos.

Várias viaturas particulares e de transportes semi-colectivos de passageiros foram atingidos pelos populares, pois os insurgentes não distinguiam os alvos sobre os quais faziam recair a sua fúria.
Nas diferentes artérias de Maputo foram usados contentores de lixo, pedregulhos, troncos, secções de condutas de água e saneamento, enfim tudo o que pudesse constituir obstáculo para paralisar a capital e arredores. Foram arrastados para as estradas pneus que incendiados impediam o trânsito de viaturas. Quem a qualquer custo tentava chegar aos seus postos de trabalho foi apedrejado.
Para piorar o ambiente, uma Polícia agressiva e arrogante entrou em acção supostamente para conter os ânimos mas acabou por agravar a situação. No lugar de repor a ordem, vendo que não conseguia conter os protestos, pôs-se a disparar balas reais para tudo quanto é canto atingindo na maior parte dos casos pessoas que nem se quer estavam a participar dos tumultos, apenas andavam de regresso aos seus domicílios.
Foram mortas a tiro crianças. Na Av. Acordos de Lusaka, a principal via para o Aeroporto Internacional de Maputo uma criança de 13 anos foi morta por uma bala real na cabeça. Uma outra foi ferida. Nesta mesma avenida, à tarde um senhor foi baleado, pois a Polícia confundiu-o com manifestantes.
Foi usado, em alguns casos, gás lacrimogéneo contra gente inocente.
Na Praça dos Combatentes também houve crianças feridas a tiro.
Uma dependência do Millennium-bim foi assaltada.

Matola
Na Matola, o ambiente foi o mesmo. No bairro de Infulene, a Polícia pôs-se a disparar e a arremessar gás lacrimogéneo indiscriminadamente. Houve quem até em casa foi perturbado pelo gás lacrimogéneo. Um jovem que se dirigiu à Polícia para pedir socorro por ter sido afectado pelo gás, foi recebido com bofetadas, alegadamente porque fazia parte dos agitadores. A Polícia a certa altura deu mostras de estar desnorteada. De tal forma que não sabia ver quem simplesmente estava a transitar de um lugar para o outro e quem realmente estava envolvido nos protestos.
Ainda em Infulene, um jovem foi alvejado a tiro pela Polícia. A gasolineira (BP), que funciona junto à empresa Cervejas de Moçambique, foi também incendiada. A loja de conveniência foi esvaziada.
No bairro Zona Verde, a desordem durou quase toda a manhã. A Polícia a certa altura ficou sem gás lacrimogéneo. Face à adesão da população começou a disparar com balas reais. A dado momento, os cidadãos cercaram o carro da Polícia e partiram faróis frontais e traseiros da viatura com a matrícula PRM-00355. Neste bairro, assim como no de T3, houve também saques em estabelecimentos comerciais e contentores.(Emildo Sambo, António Frades, Redacção)

2010-09-02 14:09:30

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Estátuas marxistas-leninistas


As estátuas marxistas-leninistas vivas das ossadas petrolíferas cancerígenas permanecem de pé, nas plataformas de barro. É preciso apeá-las.

Simplesmente, no mundo moderno não há lugar para ricos. Isso são trevas do passado que não mais se quer recordar, reviver. Este tem que ser o tempo do calvário das ditaduras agora sustentadas pelo imperialismo chinês.

Salazar tinha uma polícia muito sofisticada da escola nazi, e trambolhou, rebolou, soçobrou. Agora que estes subservientes o queiram imitar… esta não!

E faremos de Angola um pátria de chineses. Os angolanos-chineses e os chineses-angolanos.

Angola que deveria ser um paraíso para todos vivermos, não senhor, meia dúzia de códigos genéticos adulterados fazem dela o inferno.

E os nossos ricos dos nossos milhões de dólares espoliados justificam-se: é da crise mundial!

«O que pedimos a Deus é que Dê aos moçambicanos um coração mole» Dom Dinis Sengulane

Imagem: entretenimento.uol.com.br

A comunidade internacional sente-se insegura. A sede do partido da Frelimo foi atacada coisa que nunca aconteceu anteriormente



02 de Setembro de 2010, 11:37
Esta é uma situação atípica em Moçambique. A reunião extraordinária do Governo é alvo de curiosidade por parte de todos devido a duas razões: primeiro porque o Primeiro Ministro, Aires Ali se encontra no Vietname e depois porque o Governador do Banco de Moçambique, Ernesto Gove, também faz parte da reunião.

http://noticias.sapo.mz/

Segundo a jornalista Mafalda Brízido, da TSF, "O governo moçambicano olha para o governo como um pai e como um bom filho, estão à espera de respostas".


"A sede do partido da Frelimo foi atacada coisa que nunca aconteceu anteriormente, exactamente porque este é um partido que está no poder desde sempre", conta a jornalista Quando questionado sobre a demissão do governo, a jornalista afirma que o povo não reclama por isso mas sim pela apresentação de problemas com salvaguarda ainda para o facto da divida que Moçambique tem em relação a financiamento estrangeiro.


Ao explorar uma zona mais elitista da cidade, a jornalista Mafalda Brizido passou pela Costa do Sol onde vive grande parte da comunidade internacional, "os estrangeiros estão a comprar os bens essenciais - farinha, pão, enlatados - com medo daquilo que possa acontecer. As pessoas não se sentem seguras"


Maputo: Tiroteio na Avenida Julius Nyerere
Um forte tiroteio registou-se hoje manhã em Maputo, na Avenida Julius Nyerere, entre Magoanine e Xiquelene. Escasseiam pão e combustíveis.

Depois de uma calma aparente nas primeiras horas do dia, um forte tiroteio registou-se hoje manhã em Maputo, na Avenida Julius Nyerere, entre Magoanine e Xiquelene, constatou a Agência Lusa.

No local está um grande contingente policial, da PRM (Polícia da República de Moçambique) e da Força de Intervenção Rápida. Populares arrastaram contentores de lixo para a estrada.
Governo em reunião extraordinária

Na zona da Polana-Caniço, em Maxaquene, jovens tentaram arrombar uma loja de chineses, que vende televisores, mas foram impedidos pela chegada da polícia, que disparou para o ar.

Na zona, constatou também a Lusa, havia grupos de jovens a colocar pneus na estrada, que se escondem nos becos do bairro à chegada da polícia e que voltam à estrada quando esta dispersa.

Em Maputo, com quase todos os estabelecimentos encerrados, há dificuldades em abastecer as viaturas com combustível. Nas poucas padarias abertas hoje de manhã formam-se longas filas.

Na periferia, há populares à procura de locais que vendam alimentos. São raros os locais abertos.

Fonte: Expresso
Quinta-Feira, 2 de Setembro de 2010


Um dia após a manifestação - Cidade de maputo sob clima de tensão
02 de Setembro de 2010, 11:00

Um dia após as manifestações, a avenida Acordos de Lusaka continua a arder e a polícia não mede esforços para tentar controlar a situação. Enquanto isso, a população não se sente intimidade e teme em manter-se no local, aumentando assim a tensão naquela via que dá acesso ao Aeroporto Internacional de Maputo, a Praça dos Heróis, ao hospital Geral de Mavalane e alguns ministérios e escolas.

Pneus, troncos e contentores de lixo, são alguns dos objeectos usados para bloquear a via e impendindo assim, a circulação de viaturas.

Ao contrário daquela avenida, as avenidas da Marginal, Joaquim Chissano, Angola entre outros pontos considerados de tensão, a situação continua sob controlo policial.

O clima, na capital do país, é de aparente calma, mas como diz o ditado "Vale mais prevenir que remediar". E é essa atitude que a população tem vindo a tomar, respondendo assim o apelo das autoridades que aconselharam as pessoas a "manterem-se dentro das suas casas até a situação estiver cem por cento controlada".

Para além dos carros particulares e dos repórteres nas ruas, não há sinais de transportes públicos. Escolas e empresas - tanto públicas como privadas - continuam com as portas fechadas, até mesmo os cafés e restaurantes não quiseram arriscar.

Balanço

Os prejuízos já são visíveis por toda cidade de Maputo, a começar pela 46º edição da FACIM que marca o quarto dia do eevento com portas fechadas.

Segundo as autoridades, 32 instâncias comerciais foram vandalizadas, incluindo uma bomba de combustível queimada. 10 mortos, centenas de feriados (incluindo graves e ligeiros) e 142 pessoas estão presas.

Segundo a TVM, o Conselho de Ministros encontra-se reunido para definir estratégias sobre a actual situação do país e encontrar soluções p viabilizar essa mesma situação.

SAPO MZ

Manifestações em Maputo







Quinta, 02 Setembro 2010 06:25 Redacção
“Governo continuará a trabalhar para assegurar o retorno à normalidade”

Depois de várias horas de silêncio, enquanto os moçambicanos clamavam por uma explicação, o Chefe de Estado, Armando Guebuza, deu o rosto ao seu povo um pouco depois das 18h00, nos seguintes termos:

http://www.opais.co.mz/

“Nas primeiras horas e ao longo do dia registou-se uma agitação em algumas zonas da cidade de Maputo e Matola, o pretexto desta manifestação é a subida do custo de vida nestes dois municípios e no país. Lamentavelmente em vez de uma manifestação pacífica assistimos a manifestações que já se saldaram em óbitos e em ferimentos graves e que resvalaram para cenas de vandalismo e destruição e saque de bens.

Numa palavras aos nossos compatriotas que participam nesta manifestação estão a contribuir para trazer o luto e dor no seio da família moçambicana e para o agravamento das condições de vida dos nossos concidadãos. O governo está consciênte da situação em que vive o nosso maravilhoso povo, e situação agravada por factores externos que incluem a crise financeira e de alimentos e a subida do preço dos combustíveis.

Foi neste contexto que foram tomadas diversas medidas para conter o impacto destas crises na vida do cidadão com destaque para os subsídios aos combustíveis e para importação do trigo. Ainda neste plano o Governo tem estado a incrementar o plano de acção de produção de alimentos e de uma forma geral apertar as suas acções na luta contra a pobreza nos meios urbano e no campo, tendo registado progressos na implementação deste plano de produção de alimentos bem como no abastecimento de agua e saneamento do meio nos transportes e comunicações e na saúde e educação e na melhoria das vias de acesso.

Apraz-nos notar que estas conquistas foram resultado abnegado dos moçambicanos em particular, que também se empenham na melhoria da sua habitação e no abastecimento em produtos diversos aos seus compatriotas bem como na aquisição de viatura para uso pessoal ou para o transporte colectivo de passageiros.

Sabemos que ainda é pouco para o nível das necessidades do nosso maravilhoso povo, temos plena consciência disso, é por que continuamos empenhados na luta contra este flagelo chamado pobreza que aparece com grande destaque no programa quinquenal do governo incluíndo a sua componente urbana. É participando na implementação deste programa e não opondo-se ou destruíndo que o seu resultado que continuaremos a registar progressos na melhoria das nossas condições de vida. É por isso que é importante elevar e valorizar as nossas conquistas individuais e colectivas, neste contexto saquear uma barraca, loja ou armazém, vandalizar uma viatura ou uma residência pode parecer que represente um retrocesso apenas para o seu proprietário, meio da emoção porém, podemos esquecer que também representa um retrocesso para aqueles que dele dependiam para o abastecimento, transporte ao emprego uma lista de beneficiários que pode incluir alguns dos envolvidos nestes actos.

Destruindo mercados, estradas e outras infra estruturas sociais e económicas é atentar exactamente contra aquilo que nos tem estado a ajudar a combater a pobreza da nossa pátria amada. A observância da lei, ordem e tranquilidade públicas é também uma posição fundamental na criação de mais investimento nacional e estrangeiros que contribui para a geração de mais postos de trabalho e para dar a mais compatriotas nossos uma oportunidade para participarem de forma directa ou indirecta da luta contra a pobreza em Moçambique e para terem melhor qualidade de vida.

Compatriotas queremos exortar-vos para se manterem calmos e serenos e para não aderirem a qualquer tipo de agitação, exortamos ainda a todos os nossos compatriotas para dissuadirem os ingénios e manterem a vigilância e a denunciarem as autoridades os agitadores, e a preparação ou realização de actos que atentem conta a vida ou contra a ordem assim como contra a tranquilidade públicas. Empenhemo-nos todos no aumento da produtividade nos nossos sectores de actividade continuando assim a fazer da luta contra a pobreza a nossa agenda individual e colectiva.

Lamentamos profundamente a perda de preciosas vidas humanas e a destruição de bens públicos e privados. Apresentamos as nossas condolências as famílias enlutadas, por esta agitação que retirou do seu convivío os seus entes queridos. Estendemos a nossa solidariedade a todos os que foram afectados por estes actos”.


Sinto-me órfão... quando se chega a esta situação, nós já estamos a perder”
Quinta, 02 Setembro 2010 06:36 Redacção
O Governo devia dialogar com os manifestantes, com quem agora está na rua

Neste momento o que se pode dizer em relação ao que está acontecer?

Sinto uma certa impotência porque eu gostaria de fazer um apelo, mas quem sou eu para apelar. Apelo a quem? Que está este momento vandalizando que vai me escutar a mim, que vai deixar de fazer o que está a fazer porque algém como eu, que sou um simples escritor, vai dizer alguma coisa.

Meu sentimento é de uma grande fragilidade. Eu sinto-me órfão, no sentido em que acho que quando se chega a esta situação, nós já estamos a perder. A partir do momento em que ela inrrope, tudo o que fizemos já devíamos ter feito antes. Porque é muito difícil depois fazer a coisa certa quando ela já devia ter acontecido. O que eu quero dizer quando falo neste sentimento de orfandade, neste sentimento de desamparo, é que eu precisava como cidadão, de gente que queria sair de manhã para trabalhar ter alguma instrução, alguma orientação. Que alguém viesse das forças da ordem, da autoridade e me desse alguma instrução, como disse a doutora Alice Mabote. Sinto que existe uma ausência completa como se a greve fosse da parte do próprio Governo. Não há greve, isto que está a contecer, já disse há poucos, não é uma greve, são manifestações que depois, inevitavelmente, não só em Moçambique como também em todos os outros países é apropriado por gente marginal, por gente que nem sequer paga água e luz. Quer dizer, há muitos desses que estão a reclamar aumento de preços. É gente que vive desse lado informal do mundo, da economia. Esta situação agora é no sentido defensivo, já devíamos ter feito antes.

Neste momento, qual deveria ser o papel dos órgãos de informação?

Eu quero congratualar a STV, que mais uma vez esteve no momento certo no ar e substituiu aquilo que seriam as outras vozes, vozes do Governo, de alguém que me vai dizer a mim como cidadão. O Governo devia dialogar com os manifestantes, com quem agora está na rua... Mas eu também compreendo que haja uma certa dificuldade, mas quem é a cara quem é o rosto, quem representa esses rostos. Mas o que eu não aceito é que não haja diálogo com o cidadão comum, com este trabalhador que quer saber se pode ir ou não, porque se trabalha não sabe se volta para casa, que quer que isto se faça com segurança, (...). Essa despreparação é inaceitável.


Temos que encontrar soluções para a vida deixar de ser cara
Quinta, 02 Setembro 2010 06:34 Redacção
Ali apelou ao povo moçambicano, em particular a população da cidade e província de Maputo, muita calma

Falando a nossa equipe de reportagem que integra a sua comitiva na visita que desde esta terça-feira efectua à República Socialista do Vietname, o primeiro-ministro, Aires Bonifácio Ali, mesmo tendo sido encontrado de surpresa, mostrou se bastante preocupado com as manifestações e distúrbios que se registam desde ontem na cidade de Maputo. Ali apelou ao povo moçambicano, em particular a população da cidade e província de Maputo, muita calma. Pediu, igualmente, que este abandonasse ou não se envolvesse em manifestações e distúrbios que, na sua opinião, em nada ajudam na redução do custo de vida se não agravar a situação. “As pessoas que estão agir desta forma não estão a ajudar em nada o país, só complicam a situação. Neste momento, temos que estar com muita seriedade, muita calma e voltarmos aos nossos locais de trabalho, de residência de forma a encontrarmos soluções para os problemas. Se a vida está cara nós temos que encontrar soluções para a vida deixar de ser cara e todos temos que trabalhar e cada um assumir responsabilidades e não provocar desacatos e desordem”, apelou o primeiro-ministro, tendo acrescentado que as dificuldades que o país esta atravessar neste momento estão a registar-se um pouco por todo mundo, mas a sua solução não vem de manifestações mas sim de mais trabalho. Por outro lado Aires Ali disse que o Governo já esta a trabalhar com vista a encontrar soluções consistentes para combater a fome e o custo de vida no país, tendo referido que a sua visita ao Vietname é exemplo disso. O primeiro-ministro moçambicano encontra-se naquele país do Sudoeste asiático para prosseguir com as negociações já iniciadas pelo Presidente da República, Armando Guebuza, em Janeiro de 2007, para que os vietnamitas que actualmente ostentaram o título de segundo maior exportador mundial do arroz, possam investir em Moçambique para massificar a produção desta cultura em quantidades indústriais, para que o país deixe de depender das importações.


“A primeira medida tem que ser tomada pelo cidadão”
Quinta, 02 Setembro 2010 06:24 Redacção
"O combustível não vai baixar, nós não temos nenhum poço onde possamos ir ligar um camião cisterna para tirar petróleo"

Eu sinto-me órfão, no sentido em que acho que quando se chega a esta situação, nós já estamos a perder. A partir do momento em que ela inrrope, tudo o que fizemos já devíamos ter feito antes. Porque é muito difícil depois fazer a coisa certa quando ela já devia ter acontecido.

A minha primeira reacção é de repúdio, condenação a estes actos que em si são ilegais, violentos e que em nada contribuem para o esforço de todos os moçambicanos que estão empenhados na luta contra a pobreza. O Governo de Moçambique tem a luta contra pobreza como um objectivo a alcançar. A pobreza urbana é contemplada, tendo em conta aquilo que acontece no meio urbano e que se desenvolve no dia-a-dia, o governo tem mecanismos de interracção de diálogo com os cidadãos, este mecanismo que é liderado pela sua Excelência Presidente da República Armando Emílio Guebuza através da presidência aberta, por um lado, e através de vários fóruns consultivos que estão estabelecidos para o diálogo.

Que tipos de medidas o governo está a tomar para acabar com as manifestações?

A primeira medida tem que ser tomada pelo cidadão, não se deixar enganar por aventureiros, malfeitores e bandidos que não se apresentam, usam cidadãos inocentes, a grande maioria menores – aqui os pais e encarregados de educação têm uma grande responsabilidade. O Governo desde ontem, através do nosso porta-voz apela para não aderirem a este acto. O Governo através da Polícia da República de Moçambique está presente para defender as liberdades e direitos dos cidadãos que estão a ser vítimas, vendo os seus bens a serem usurpados, a serem destruídos. Paralelamente, há um pacote de medidas de carácter económico que o governo tem vindo a tomar no âmbito de controlo de preços, no âmbito de incentivos para que o cidadão possa se aguentar nesta grande preção de aumento de custo de vida, que tem que ver com o combustível. O combustível não vai baixar, nós não temos nenhum poço onde possamos ir ligar um camião sisterna para tirar petróleo.

Acha que há uma mão externa a incentivar a população a perturbar a ordem pública?

Alguém tomou a iniciativa de veicular a informação de incitação a manifestação. Esse alguém será a mão que desencadeou tudo.

Já foi identificado?

Estamos a trabalhar no sentido de identificar e sobretudo responsabilizá-lo pela instabilidade que ele criou à cidade de Maputo e cidade da Matola.


Manifestações em Maputo
Quinta, 02 Setembro 2010 06:44 Redacção
Manifestações denunciam afastamento do poder político em relação aos cidadãos

A contenção fictícia e administrativa da economia durante o período eleitoral só podia agora levar a um aumento generalizado dos preços dos produtos. Houve um certo menosprezo por parte do governo sobre a capacidade de manifestação da população e o que se evidencia é que há um sentimento por parte da população que estamos agora a testemunhar.

João Mosca Economista

Por muitas razões que eventualmente possam existir e reconhecidas as dificuldades que o país atravessa, de qualquer das formas qualquer situação de violência e de transgressão à ordem pública não são aceitáveis. Repudio este tipo de manifestações. As pessoas devem encarar a situação com a maior tranquilidade porque violência gera violência e as manifestações de força podem impulsionar os ímpetos de agressividade.

A contenção fictícia e administrativa da economia durante o período eleitoral só podia agora levar a um aumento generalizado dos preços dos produtos. Houve um certo menosprezo por parte do governo sobre a capacidade de manifestação da população e o que se evidencia é que há um sentimento por parte da população que estamos agora a testemunhar.

Com ou sem organização dos acontecimentos o que fica logo manifesto é que existe um sentimento alargado de insatisfação por parte da população devido ao aumento do custo de vida e com isto o agravamento da pobreza. Nenhuma análise séria poderia evitar chegar à conclusão de uma possibilidade deste tipo de acontecimentos. Quem pensava que esta era uma situação impossível só não conhecendo a realidade em que as pessoas vivem. Houve da parte de quem é de direito uma “menosprezação” dos antecedentes deste fenómeno.

Esta governação e outras dos últimos anos são governações completamente vazias de conteúdo, vazias em termos de políticas económicas e vazias de objectivos e ideais para a Nação. São governações viradas para as pessoas onde estas se servem e deixam de servir; são governações que atendem a interesses de grupos e não o país. Nós não vemos um discurso do país, o que se assiste é a existência de uma incompetência governativa.

O problema da corrupção é um dos problemas mais sérios deste país. E o principal ponto de corrupção é a forte promiscuidade que existe entre governantes, governação e negócios que capturam a capacidade do Estado de dirigir, regularizar e fiscalizar a economia e faz do Estado um instrumento para obtenção de interesses de particulares e de grupo que esquece depois aquilo que é a população. E o 1 de Setembro pode, neste caso, ser tido como o afastamento do poder político e da governação em relação aos cidadãos porque as agendas pessoais e as agendas do grupo estão acima daquilo que é a agenda nacional, a agenda de um projecto para o país. E este problema é um problema central que sem o resolvermos devidamente não haverá solução para este país.


O cinto já se apertou e chegou a um momento de exaustão
João Colaço Sociólogo
Os nossos problemas jamais serão resolvidos pela violência e a verdade disto é que as pessoas mais atingidas são inocentes. O direito à manifestação e a greve são princípios consagrados na Constituição mas em momento algum a Constituição nos atribui o direito à violência. Portanto, gostaria de apelar a todas pessoas envolvidas neste processo para que mantenham a calma uma vez que ainda há muito tempo para se dialogar com as autoridades para que se possa resolver da melhor maneira os problemas da população.

Esta situação espelha uma ruptura do contracto social entre o Estado e a sociedade. Estamos diante de um fenómeno que agora se repete pela segunda vez depois de ter sido registado algo de género há dois anos e parece que as motivações são similares. O cinto já se apertou e chegou a um momento de exaustão, uma vez que os preços dos produtos básicos estão a aumentar. Esta frustração já está a atingir também extractos sociais mais estáveis, ou seja, pessoas da classe média. Temos assistido manifestações por parte de jovens de universidades privadas e agora são os populares que se amotinam e não sei exactamente se são contra o governo ou o Estado.

Há uma lógica de organização dos sectores populares que muitas vezes não é compreendida por quem não faz parte deste mesmo círculo. O governo não terá tomado muito a peito o cinco de Fevereiro, houve um menosprezo às manifestações que naquele dia se revelaram espontâneas. O dia 1 de Setembro confirmou que há na verdade uma estrutura realmente arquitectada.

Temos que reflectir que a acção governativa virada à cidade é nova e não tem ainda um ano sequer, o que significa que os problemas da governação anterior prevalecem na governação de hoje. Penso que de 5 de Fevereiro a 1 de Setembro de 2010 pouco se fez na cidade para alterar este quadro social e económico enfrentado pela grande maioria da população moçambicana. Quero acreditar que paralelamente ao possível crescimento de alguns sectores da economia moçambicana assiste-se também a uma acumulação elevada que ao invés de socializar a riqueza e oportunidades para todos aumenta as nossas desigualdades sobretudo nas cidades, e quando nós falamos do centro urbano isto é gravíssimo. Significa na verdade que estamos muito longe de podermos afirmar de viva voz que há desenvolvimento.

Será importante que haja mais diálogo, inclusão, participação, investimento, emprego, moderação e mais democracia que possam trazer estabilidade e o desenvolvimento e tudo o que os moçambicanos anseiam.


“Este é um momento oportuno para diálogo”
Dom Dinis Sengulane
É uma situação extremamente preocupante e nós queríamos apelar uma vez mais ao bom estilo do povo moçambicano para que continuem a manifestar o seu estilo normal da valorizaçãzo do diálogo e que recorram a meios pacíficos para manifestar qualquer sentimento que vai na alma. É muito triste assistir à destruição de infra-estruturas que de singulares. Isto não é típico dos moçambicanos. Apelamos a uma atitude de civismo porque o país é nosso, e destruindo o que é nosso estamos a nos destruir a nós mesmos. Paz é o nosso grande apelo neste momento. O que pedimos a Deus é que Dê aos moçambicanos um coração mole e não um coração endurecido. Não podemos aderir a actos de violência que só nos fazem ficarmos mais pobres e desgraçados.

Os moçambicanos já deram provas da sua capacidade de resolver situações adversas usando da sua capacidade de diálogo, meios pacíficos de manifestar o que lhes vai na alma. Este é um momento oportuno de manifestar mais uma vez essa capacidade. O nosso apelo é de que manifestemos que de facto temos esta capacidade.

O tipo de estragos registados fazem-nos retroceder cada vez mais na nossa pobreza, de tal maneira que a capacidade de avançarmos está a ser posta em causa. Sejamos aqueles moçambicanos próprios e dignos do nome, que já manifestaram que mesmo coisas dolorosas e chocantes sabem manifestar-se pacificamente.


“Era preferível procurarmos resolver o problema através do diálogo”
Sheik Aminuddin

Acompanhei a situação com muita tristeza e mágoa. Solidarizo-me com a população pela situação difícil porque estamos a passar e que certamente afecta a todos nós. Mas queria também apelar à calma porque os momentos de que estamos a passar é uma crise internacional que afecta todo o mundo. Esta atitude não é prudente uma vez que a violência só traz destruição e muitas perdas e não constitui a melhor forma de resolução de problemas. Era preferível procurarmos resolver o problema com as autoridades através do diálogo porque já estávamos a sofrer as consequências da pobreza e para acabarmos com a mesma precisamos de um projecto a longo prazo, o que não se resolve de um dia para o outro. Trata-se da repercussão de um problema vivido internacionalmente.

O governo podia até contratar vietnamitas para virem plantar o arroz dadas as condições naturais do país e assim aprenderíamos a suprir as nossas dificuldades com a experiência de outros países que já passaram por elas. Queria também apelar a população à calma para evitar muito luto e destruição.

O país precisava de viver a sua própria pobreza
Lourenço de Rosario, reitor da Apolitécnica
É de lamentar que se tenha chegado a este ponto de crise. No seio das famílias, a distribuição de renda é algo que nós temos vindo a viver nos últimos tempos não só pela subida de preços, mas também pela depreciação da nossa moeda, são dois factores que se conjugam e qualquer cidadão tinha admitido a sensação de que seria algum ponto de ruptura.

Lamento imenso que não tenha havido a prevenção necessária, do ponto de vista de trabalho junto das comunidades, de modo a que as pessoas tivessem a serenidade suficiente para poderem enfrentar a crise. Não basta utilizar apenas meios de comunicação social, etc. É preciso ir até às pessoas, porque estas estão preparadas para viver com pouco. O problema é que preciso perceber por que é que estamos a viver com pouco. De facto está a se viver com muitas dificuldades e isso gera conflitos em qualquer parte do mundo. Se calhar todos nós, agentes de educação, governantes, sociedade civil, privilegiamos se calhar um olhar crítico do ponto de vista das falhas que têm acontecido no seio da nação porque também prefere privilegiar esse olhar crítico. Agora, quando acontece isto, não prevenimos, então temos que remediar. Portanto, não poderíamos ficar parados e assistir aquilo que nós chamaríamos de leite derramado. Nós não podemos dizer que quem está na rua são os agitadores, bandidos, e etc., porque seria uma falha de análise e eu como académico, não me envolvo neste tipo de facilitismo. Também estão nas ruas, os cidadãos que clamam por uma justiça social. Agora, não sei se eu apoio o irmos à rua. Acho que não. Eu não apoio, porque a rua traz-nos aquilo que se chama caos, e o caos não ajuda a serenar os ânimos. É preciso encontrar os interlocutores para isto. Ninguém pode ir para a rua conversar com as pessoas que estão agitadas. É muito difícil, não há diálogo possível. Agora, é preciso que com serenidade, se faça um trabalho sobre como nós devemos encarar esta crise económica e social, porque não vale a pena estarmos a disfarçar.

Estamos a viver grandes dificuldades de distribuição de renda porque o país está a viver grandes dificuldades económicas. Nós ouvimos os governantes a dizerem que a economia do país não está lá muito bem como nós esperávamos, naturalmente que a crise internacional também nos atingiu, o que contraria um pouco as mensagens que recebemos há um tempo atrás, que se dizia euforicamente que a crise não nos iria atingir. Se calhar isso nos distraiu um pouco e não nos preparamos devidamente para podermos prevenir estas situações, e neste momento está tudo a cair assim. É bom que hajam analistas que continuam a colocar todos estes cenários, mas é também bom que, as igrejas, as escolas, etc, consigam chegar às comunidades de modo a passar uma mensagem de serenidade, para podermos enfrentar esta crise. Eu sempre disse que, se calhar, o país precisava de empobrecer, viver a sua própria realidade.

Nós verificamos que estamos a viver uma situação ilusória. Esta realidade virtual que nós estamos a viver mostra que tudo tem que mudar, e se calhar vamos enfrentar maiores sacrifícios. Tem que haver alguém com coragem, que pode explicar que o futuro é este mesmo, e vamos viver com dificuldades e temos que encarar isto com alguma serenidade. Se calhar é mais realista isso do que, por exemplo, ouvir dizer que vão para casa, amanhã nós vamos conter o preço do pão, vamos baixar o preço do combustível. Se nós tivéssemos encontrado uma outra forma de enfrentar isto, explicando as pessoas, deixando de aumentar os preços, subsidiar os transportadores, agricultores, provavelmente hoje estávamos numa outra situação.


As subidas criaram um impacto psicologicamente negativo
Brazão Mazula reitor do ISTEG
Trata-se de uma questão complexa uma vez que a população está a manifestar-se em relação ao custo de vida que realmente é alto, sobretudo agora com o agravamento dos preços. Por um lado a população tem uma lógica e o governo e o Estado têm outra lógica e no meio temos um elemento que poucas vezes nos referimos a ele, que é a globalização. Neste caso, a crise económica internacional mais cedo ou mais tarde se manifestaria muito mais grave nos países pobres e o governo se viu obrigado a aumentar os preços, o que dá a entender que o salário é muito baixo.

O que se quer é uma maior aproximação entre a população e o Estado, por isso eu apelo aos cidadãos para se manterem calmos e voltarmos à serenidade que caracteriza o povo moçambicano e desta forma encontramos a devida solução para pelo menos minimizarmos este custo de vida. As autoridades também devem ter uma calma para se aproximarem e ver quais são os impactos antes de anunciar as medidas que, tal como podemos ver, são cumulativas. Esta acumulação de anúncios de subidas de preços criou um impacto psicologicamente negativo para todo o cidadão. Também apelo para um diálogo entre o consumidor e o Estado.

Nós temos que trabalhar mais na prevenção de crises mais do que na solução das mesmas e também compreendermos que não são muitas alternativas que o Estado tem de, em pouco tempo, minimizar este tipo de crise dada a nossa dependência que é muito forte. Enquanto os outros países ricos encontram formas alternativas de estabilizar ou controlar as suas crises nós não temos. E o controle desta crise não é simplesmente político mas sim é a produção, as exportações nacionais estão muito abaixo daquilo que são as importações. Temos que caminhar com políticas económicas de sustentabilidade de modo a que a médio e longo prazos possamos aumentar a produção. E talvez, se for necessário, adoptar-se medidas económicas corajosas porque penso que as manifestações significam descontentamento e o país não pode caminhar descontente.


Manifestações em Maputo
Quinta, 02 Setembro 2010 07:12 Redacção
“A população deve discernir o que quer das manifestações”

Dra Alice Mabote, LDH

O governo que saiu das eleições tem o dever de quando tiver informação de qualquer situação tomar as devidas precauções para que as pessoas possam se posicionar. O governo devia ter negociado com os empresários para ver de que modo podiam aumentar os preços com vista a fazer face a esta crise económica para podermos encontrar uma solução. Aquando das eleições tomaram medidas para não subirem os preços para alcançar os seus intentos.

Nos outros países, assim como aqui noutro período, as coisas básicas eram eleitas para fazer face à vida difícil dos cidadãos, nomeadamente o pão, sabão, água, luz e os trabalhadores e estudantes tinham cartões e isso aliviava as pessoas. Hoje, o rico, o corrupto, o pobre, e quem ganha honestamente compram ao mesmo preço. Mas não quero com isto incitar as pessoas às manifestações, antes pelo contrário, apelo à população para que tenha calma e saiba discernir o que quer das manifestações.

“Os trabalhadores perderam a confiança nos sindicatos”
Daviz Simango MDM
As pessoas de direito que deviam ter ido ao público promover o diálogo não o fizeram e fica manifesto que não há diálogo e há muita arrogância, o que leva à criação deste tipo de violência. O factor de partidarização, que não permite a criação ou o surgimento de sindicatos mais dedicados aos interesses dos trabalhadores cria esta inexistência de um interlocutor claro do povo para dialogar com o governo. Os sindicatos não funcionam e os mesmos estão sob ordens. Com quem vai dialogar o governo? Isto dificulta qualquer tipo de diálogo e complica o processo neste tipo de greves. O governo deve apostar no diálogo e conversar com pessoas de direito e estas pessoas que deviam estar nos sindicatos não existem, o que existe são pessoas que são braços-direitos do partido no poder, pessoas que vivem à custa do comando do partido no poder, portanto, o diálogo deixa de existir. Os trabalhadores perderam a confiança nos sindicatos e não espaço para o diálogo. Se existissem os sindicatos e os mesmos estivessem organizados haveriam procedimentos criados de diálogo com o governo e eventualmente evitar-se-ia esta situação.

“Neste momento é importante que o governo saiba ouvir”
Raul Domingos, PDD
Queria manifestar a minha solidariedade para com os manifestantes, mas ao mesmo tempo manifestar a minha preocupação com atitudes de vandalismo que estão a caracterizar esta manifestação. A manifestação é um direito constitucional mas a mesma deve ser ordeira para fazer sentir a quem de direito aquelas que são as reivindicações. A minha solidariedade para com a população que reivindica o alto custo de vida porque os aumentos que foram anunciados não estão dentro das possibilidades de custo do cidadão comum. Neste momento é importante que o governo saiba ouvir. Estamos num momento de crise em que a população sai a rua. É importante que o governo se pronuncie. Quanto às medidas nós sabemos que o nosso país é cheio de recursos que não estão a ser devidamente distribuídos e por isso esses desequilíbrios originam a carestia de vida. Gostaria de apelar ao governo a aparecer em público e dizer algo que possa tranquilizar a população de modo a que tudo quanto é a preocupação do cidadão seja tratado através do diálogo.

“A elite de hoje é pior que a do tempo colonial”
Fernando Mazanga, Porta-voz da Renamo
Em reacção as manifestações que paralisaram a cidade e província de Maputo, Fernando Mazanga, porta-voz da Renamo, diz que as manifestações resultam de uma dor social dos moçambicanos, devido a subida do custo de vida. Existe uma desgovernação que vai dando azo para que haja aumento do fosso entre os cidadãos pacatos e uma elite que está a surgir, e que é pior da era colonial. Esta elite domina tudo e todos. Os meios de produção estão confinados a uma minoria que é esta que manipula a opinião politica, económica e social. O que aconteceu ontem é o calcamento daquilo que são as vontades da população, sobretudo daquilo que lhe vem a alma. Esta é uma replica de 5 de Fevereiro de 2008, é uma pressão para fazer com que o governo do dia, defina acções claras de governação que tem como base o bem estar da população. Tem que haver uma nova ordem social que passa necessariamente pelo respeito da vontade popular.

“Trata-se de uma situação com tendências para se agravar”
Carlos Serra, Socioólogo
Estou extremamente preocupado devido a esta situação grave. Verifica-se uma ordem de ordem emocional e uma situação grave que pode ser vista de várias maneiras. Em primeiro lugar como um tributo de um cansaço social de muito tempo que se expressa de forma anárquica e com tendência para aumentar. Este tipo de problemas sociais que se geram de qualquer maneira pode ser a reflexão o que está a acontecer na África do Sul há bastantes dias. O que é necessário notar é que estão a se fazer disparos com balas reais, e assim a situação é triste e ter muito cuidado com o que se está a passar porque podem se tornar bem mais graves e complexas.

Por outro lado é preciso encarar o papel da polícia, uma vez que estes estão muitas vezes isolados e tentam fugir enquanto a multidão avança. Isto significa também que é preciso ver o lado social da polícia que tem família e quando chega a casa também encontra o arroz e o pão mais caros assim como a água e a luz. Portanto, trata-se de uma situação extremamente complexa com tendências para se agravar e que requer do governo uma reflexão muito rápida e profunda sobre o que fazer.

Acho que devia haver uma intervenção do Presidente da República neste campo. Eu creio que é preciso reatar a maneira dos governantes aparecerem e falarem com o seu povo e eventualmente uma reunião do Conselho de Estado ou qualquer coisa deste género. As pessoas devem ter a capacidade de diálogo e de uma forma simples sem humilhar os outros e sem chamá-los vândalos e marginais porque pode aumentar a raiva e o ódio do lado contrário.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Manifestações paralisam Maputo




Escrito por Redaccao Quarta, 01 Setembro 2010 21:11

Homem armado faz tiro ao alvo a manifestantes

Vejam o homem no primeiro andar da sede do Partido Frelimo, na avenida de Angola, tentando acertar a tiro os manifestantes que atiram pedras.

Veja o vídeo aqui


Serão que este homem estava a disparar balas de borracha?



As cidades de Maputo e Matola estão a ser alvos de distúrbios em diversos pontos, especialmente nos bairros suburbanos, onde vivem as camadas mais desfavorecidas.

Os manifestantes montam barricadas nas estradas, lançam pedras contra a polícia e viaturas e queimam pneus.

http://www.opais.co.mz/

A Estrada Nacional Número 1 – EN1-, a principal do país, está bloqueada em vários pontos. A circulação na EN4, que liga a cidade capital à África do Sul e Suazilândia, é restrita.

A cidade de Maputo está sem transportes públicos, quase só os hospitais estão em serviço.

A Polícia da República de Moçambique – PRM - colocou estrategicamente, em lugares com alta concentração populacional, brigadas policiais altamente equipadas.

No confronto com as forças de segurança algumas pessoas ficaram feridas, entre manifestantes e inocentes. Nalgumas situações, a PRM usou gás lacrimogéneo para acalmar a tensão.

Hoje, entraram em vigor em todo o país novos preços da água e da luz e o pão vai também aumentar em breve. Estes reajustamentos seguem o aumento do preço dos combustíveis, material de construção e produtos alimentares básicos.

Na terça feira, circulou em Maputo, por e-mail e por telefone, uma mensagem a apelar para uma greve.


Duas crianças mortas nas manifestações, voos cancelados, armazéns saqueados
Quarta, 01 Setembro 2010 11:24 Redacção

Duas crianças foram alvejadas mortalmente pela Polícia da República de Moçambique – PRM, na sequência das manifestações populares que estão a acontecer nas cidades de Maputo e Matola.

Há relatos de outras mortes nos vários pontos das duas cidades, onde os distúrbios tendem a atingir contornos incontroláveis.

Na paragem de transporte conhecida por Hulene Expresso, na cidade de Maputo, um autocarro dos Transportes Públicos de Maputo – TPM – foi incendiado, sendo que noutras zonas da cidade várias viaturas estão também a ser vandalizadas.

O sociólogo Carlos Serra descreve no seu blog que a “situação está tensa no prolongamento da Avenida Julius Nyerere, a cerca de 100 metros da Praça da OMM, uma pessoa baleada, a polícia em dificuldades, pedras são arremessadas por todos os lados”.

A Escola Portuguesa, onde estudam maioritariamente estrangeiros, em particular cidadãos de nacionalidade portuguesa, está cercada pelas forças de segurança.

Também a Escola Secundária Armando Guebuza, na cidade de Maputo, foi sabotada pelos manifestantes, que também saqueam os armazéns, roubando produtos alimentares.

Os voos de Maputo para os vários pontos do país e do mundo foram cancelados, porque a tripulação não conseguiu chegar ao aeroporto. Os passageiros que desembarcam no Aeroporto Internacional de Maputo ficam bloqueados.


Frelimo reúne-se, Pacheco chama de “bandidos” os manifestantes e diz que situação está controlada
Quarta, 01 Setembro 2010 14:10 Redacção

O ministro do Interior, José Pacheco, disse que a manifestação popular nas cidades de Maputo e Matola “está sob controlo” da Polícia da República de Moçambique – PRM – e que os distúrbios estão a ser provocados por “bandidos”.

José Pacheco garantiu, há pouco, na Televisão de Moçambique – TVM -, que a polícia “está agora a controlar os focos de violência” e que não será “admitida a manifestação”.

“Esta relativa ordem deve-se ao posicionamento estratégico da polícia. Há baixas humanas, mas ainda é prematuro lançar dados”, disse.

O Governante explicou que durante o confronto com os manifestantes, a polícia tem apelado à ordem, mas, quando se justifica, acciona o gás lacrimogéneo e balas de borracha.

Essas balas, segundo Pacheco, podem matar em situações em que os alvos se encontram próximas do atirrador.

Até aqui, há relatos de três mortes, incluindo duas crianças, que foram atingidas por balas da polícia. Um número importante de pessoas continua a afluir às unidades sanitárias em busca de socorro.

Pacheco sublinhou que as manifestações estão a ser protagonizadas por pessoas “instrumentalizadas”, e que maior parte da população não é a favor dos tumultos.

A Frelimo, partido no poder, reuniu-se de emergência para encontrar uma saída face ao caos. Edson Macuácua, porta-voz do partido, disse que a Frelimo repudia as manifestações e pede calma.


Caos em Maputo
Quarta, 01 Setembro 2010 12:36 Redacção

A cidade de Maputo está numa situação comparada a de guerra: tiros, incêndio, feridos e mortos, isolamento e pilhagem. É o caos.
Os estabelecimentos comerciais continuam a ser saqueados e os manifestantes nem poupam as farmácias. Uma agência do Millennium bim, na avenida do Trabalho, foi vandalizada, tendo a ATM sido atingido por pedras.

Pessoas afluem à Ponte Cais para tentarem chegar à Matola de barco, dado que as estradas estão interrompidas e os chapas não circulam.

O banco BCI encerrou os seus serviços na baixa, afixando no exterior do edifício um cartaz com os seguintes dizeres: "Por motivo da greve estamos encerrados", segundo escreve Carlos Serra no seu blog.

Vários feridos não páram de dar entrada nas unidades sanitárias e há relatos de bombas de combustível a arder.

As autoridades governamentais ainda não reagiram para travar a violência que sacode as cidades de Maputo e Matola.

Refira-se que duas crianças foram alvejadas mortalmente pela Polícia da República de Moçambique – PRM.


Seis autocarros dos TPM vandalizados
Quarta, 01 Setembro 2010 17:29 Redacção

Seis dos 189 autocarros dos Transportes Públicos de Maputo – TPM – foram vandalizados por manifestantes, na cidade e província de Maputo, que reivendicam o aumento de preço de quase todos os produtos e bens básicos.

De acordo com o porta-voz da empresa, Boaventura Lipanga, os TPM arrecadam receitas diárias na ordem de 450 mil meticais/dia, valor que deverá cair no exercício do dia de hoje.


Distúrbios na cidade da Beira
Quarta, 01 Setembro 2010 17:44 Redacção

Um grupo de alunos da Escola Secundária Mateus Sansão Mutemba, na cidade Beira, a segunda mais importante do país, província de Sofala, bloquearam a avenida Armando Tivane, em frente ao estabelecimento do ensino, incendiando pneus, cartolinas e colocando pedaços de madeira na estrada.

A nossa equipa de Reportagem, baseada naquele ponto do país, visitou o local, onde os alunos lançavam gritos, reclamando o elevado custo de vida. E diziam: “O povo unido jamais será vencido”.

Um forte contigente policial respondeu aos distúrbios e repôs a ordem e tranqulidade públicas.

Na urbe dirigida por Daviz Simango, estão a circular boatos dando conta de uma marcha em direcção ao coração da cidade, o que levou a que alguns estabelecimentos comerciais e de ensino encerrassem as actvidades.


142 Detidos e 32 estabelecimentos vandalizados
Quarta, 01 Setembro 2010 18:28 Redacção

142 cidadãos foram detidos pelas forças de segurança devido ao seu envolvimento nas manifestações que estão a ter lugar desde a manhã de hoje na cidade de Maputo e Matola.

De acordo com o balanço da Polícia da República de Moçambique – PRM -, quatro pessoas perderam a vida, 27 encontram-se feridas, dos quais dois membros da corporação, na sequência dos distúbios que estão a colocar a polícia e as populações frente-à-frente.

Em conferência de imprensa, o porta-voz da PRM, Pedro Cossa, acrescentou que duas viaturas foram queimadas, sendo uma da Electricidade de Moçambique – EDM - e uma particular, um posto de abastecimento de combustíveil foi queimado e quatro postos de energia foram derrubados na Estrada Nacional Número 4.

A estes danos acrescenta-se o saque de três vagões carregados de milho na zona da Matola Gare, 32 estabelecimentos vandalizados, 3 machimbombos dos Transportes Públicos de Maputo queimados e outras três outras viaturas vandalizadas.


Chefe de Estado lamenta mortes e pede calma e serenidade
Quarta, 01 Setembro 2010 19:48 Redacção

O presidente da República, Armando Guebuza, reagiu, por volta das 18:00h, à situação de distúrbios nas cidades de Maputo e Matola, apelando à calma e à serenidade aos moçambicanos.

Armando Guebuza disse não tratar-se de manifestações, mas de uma agitação social que só contribui para o atraso do desenvolvimento do país.

O presidente destacou que o Governo tem estado a trabalhar para aliviar as populações da pobreza, destacando, no entanto, que as medidas “ainda são poucas para as necessidades do povo”.

O Chefe de Estado prometeu restabelecer a ordem e tranquilidade públicas e disse que a solução dos problemas da nação está no “aumento da produção e produtividade”.

“A destruição de bens atenta contra aquilo que leva a pobreza, que é o nosso principal desafio”, alertou Armando Guebuza, lamentando pelas vítimas mortais causadas pelos distúrbios.


Manifestações comprometem FACIM
Quarta, 01 Setembro 2010 20:16 Redacção

A Feira Internacional de Maputo – FACIM -, que arrancou esta semana e se prevê venha a acomodar um número recorde de expositores, praticamente não abriu as portas hoje, devido a agitação social.

Apenas o pavilhão do Brasil iniciou as actvidades, mas quase ninguém o visitou. As entradas e saídas da cidade capital, onde decorre o evento, estavam cortadas e o receio se apossou das pessoas.

Segundo Laurinda Uele, assessora de direcçãao para as Relações Internacionais do IPEX, os acontecimentos desta quarta-feira terão implicações negativas nas receitas do evento, que ainda tem quatro dias “cheios” pela frente.

Participam na 46 edição da FACIM 500 os expositores nacionais e conta-se ainda com 14 países, contra os oito referentes ao ano passado.




Campo do Tarrafal de Luanda que é Angola


O angolano sofre uma brutal mutação: só sabe fazer barulho e partir paredes.
Ah! Esta sagrada esperança, que afinal é a nossa desgraçada desesperança.
No palácio dos nossos deuses, o PIB cresce, nos nossos casebres demolidos, decresce.


Enquanto os mesmos corruptos conseguem ilegalmente milhões de dólares, milhões de angolanos morrem na mais cruel e abundante miséria.
E um ou outro dos nossos sacerdotes marxistas-leninistas das religiões inventadas, afirmam categoricamente que o presidente de Angola se mantém no poder pela vontade de Deus.
A História está repleta destes exemplares que acabaram em chacinas de populações. Porque Deus sendo líder eterno dos ditadores, aprecia imenso o sofrimento dos desterrados petrolíferos. E as populações miseráveis acometidas pela fome, agradecem-Lhe carinhosamente abençoadas por Ele.


Neste Tarrafal de Luanda e Angola
fortificado pela débil oposição encurralada nos currais
com os dóceis carneiros
tão calmamente devorados pelo Leão

As coisas chegadas, importadas, inflacionadas
e tão envenenadas
e Angola e Portugal são tão parecidos
tão coniventes, tão decadentes
porque quase há quarenta anos
perecemos neste Tarrafal

E os chineses não querem angolanos que trabalhem
não querem que ninguém denuncie
vigarices que executam nas obras
de fachada petrolífera
do petróleo que destrói Angola e os angolanos

Todos os assaltantes são presos
publicitados até onde pode a comunicação
os que roubam milhões de dólares
inocentam-se silenciosamente nas contas bancárias
dos paraísos fiscais
Oito mil vendedores do Roque, no Panguila ficam
astronómicos outros milhares no desemprego
Lá no Roque construirão edifícios
para habitar os guardas e chefes
deste campo de concentração do Tarrafal Luandino

E a água? É um luxo pessoal só presidencial

Eis o único emprego que nos deixam!
os assaltos que nos sustentam
novas profissões, limpadores nocturnos de cofres
Pomobel e Ribral, numa só noite

E sobre o MPLA, nada mais há a dizer
vai governar eternamente
não existe quem lhe faça frente
com uma oposição de carpideiras
e uma capoeira com gripe do aviário
a perderem as penas no tempo
do mais lamentável deixa andar
Antes, contra os brancos, e agora entre nós
Negro liquida negro. Nesta sem oposição
o MPLA tem sempre a solução
Porra! Mas que destruição!

Neste campo do Tarrafal de Luanda que é Angola