sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Cavaco Silva e a sangria desatada


"...No futuro, o neo-colonialismo obedecerá a esquemas de Estados, subordinados a programas das multinacionais. A colonização portuguesa foi feita ao sabor do espírito aventureiro de um povo que se sentia mal-tratado na sua própria terra. O Estado só apareceu para estragar." In "Os colonos" de Antonio Trabulo

«Conquista da paz constitui bem maior do povo angolano – Cavaco Silva
A conquista da paz, em 4 de Abril de 2002, constitui o bem maior do povo angolano nos 35 anos de Independência, considerou o presidente português, Aníbal Cavaco Silva, em entrevista recente à Angop, em Lisboa.

http://www.rna.ao/canalA/noticias.cgi?ID=38578

Numa retrospectiva histórica, Cavaco Silva descreveu o percurso do país desde 11 de Novembro de 1975, destacando o marasmo em que foi levado, face ao conflito armado, o rápido crescimento económico e a assumpção políticodiplomática na arena internacional, oito anos depois do silenciar das armas.

Disse que os angolanos "agarram a paz" como ninguém. "Da última vez que estive em Angola falei com muitos políticos, e nenhum deles pensava em voltar à guerra, constituindo bom presságio para o país", argumentou.

"Temos de pensar que antes da paz, os angolanos passaram momentos de muita tristeza, mas olhando para o futuro vislumbra-se esperança e certeza na realização plena do seu povo", afirmou.

Cavaco Silva apontou que um longo caminho, contudo, se tem ainda por percorrer e, neste momento, "o Governo está muito certo ao olhar para a reconstrução do interior do país, apostar na educação e na saúde, em resumo, na valorização da vida e no respeito ao ser".

No capítulo da economia, reiterou que, apesar dos avanços inequívocos, deve-se fazer um esforço para a sua diversificação.

Por outro lado, reconheceu o papel, cada vez mais actuante e decisivo de Angola, na resolução dos problemas que afligem a humanidade, particularmente o seu engajamento na preservação da estabilidade na África Austral e Central.

"Este estatuto tem-lhe conferido autoridade e influência em África e no Mundo", expressou, ao referir-se à "placa giratória" em que Luanda se viu transformada, nos últimos tempos, com registo de movimento inusitado de personalidades de todos os quadrantes, além das representações nacionais em fóruns mundiais, como a participação do Presidente José Eduardo dos Santos na Cimeira do G-8, em Julho de 2009, na Itália.

Na entrevista, Aníbal Cavaco Silva garantiu que "Portugal estará ao lado de Angola nesta sua afirmação na arena internacional".»


«Sangria desatada
Na África, como em todo o mundo, a ação do capital estrangeiro gera sangria de divisas, e não enriquecimento. Inclusive quando a exploração imperialista traveste-se de “investimento produtivo”: Angola, segundo maior exportador africano de petróleo, enfrenta desequilíbrios em sua balança de pagamentos porque as transnacionais do setor importam os bens de produção que utilizam.

http://tudosobreangola.blogspot.com/search?q=discurso

A “solução” encontrada pelo imperialismo e pelas classes dirigentes compradoras é a mais cruel possível: incremento da exploração do campesinato. A produção agropecuária é cada vez mais direcionada à exportação visando cobrir défices. E aqui se desfaz outra idéia falsa sobre a África: o continente da fome exporta alimentos. A paupérrima Burkina Faso fornece açúcar à França, a faminta Etiópia produz carne para o mercado inglês. É verdade que os países africanos também importam comida – ou recebem-na dos EUA e da Europa em programas de “ajuda humanitária” que não passam de dumping contra os produtores locais. Mas só importam porque exportam: como toda sua produção é voltada ao mercado externo, faltam alimentos para seus habitantes. É exatamente por isso que um dos itens da pauta de reivindicações da greve geral que parou a Guiné em janeiro era a suspensão das exportações de gêneros de primeira necessidade.
Mais uma vez, o imperialismo lucra com falsas soluções para problemas que ele mesmo criou: recentemente, as fundações Gates e Rockefeller anunciaram um programa de modernização da agricultura africana à base de pacotes tecnológicos da chamada “revolução verde”: pesticidas, sementes trasngênicas, etc.
De acordo com Eric Holt-Gimenez, Miguel Altieri y Peter Rosset [1] , pesquisadores da Universidade de Berkeley (EUA) e militantes do movimento Food First, o programa funcionaria como um instrumento de expropriação dos camponeses: obrigados a envididar-se para fazer frente aos custos desses pacotes, grande parte deles terminaria por perder a terra.
Mas os povos lutam
À medida que se aprofunda a exploração, avoluma-se também a resistência.
Em novembro último, a população de Abdijã, capital da Costa do Marfim, acorreu em massa a protestar contra a intromissão da França nos assuntos do país. O Exército francês disparou contra os manifestantes, matando 64 civis.
Na Nigéria, maior exportador de petróleo do continente e responsável por 10% do fornecimento aos EUA, o monopólio anglo-holandês Shell viu-se forçado, nos últimos meses, a evacuar instalações e suspender a prospecção depois que algumas de suas áreas foram tomadas por camponeses armados.
No Senegal, os ferroviários estão na linha de frente da luta contra a desnacionalização da economia e deflagraram uma greve contra a privatização da linha Dacar-Níger. Mas onde o movimento sindical se mostra mais forte é na Guiné: a greve geral de janeiro arrancou da gerência do Estado a redução do preço do arroz e dos combustíveis e a suspensão das exportações de gêneros de primeira necessidade.»

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A origem da dívida angolana às construtoras portuguesas


A pessoa indicada para pagar esta divida às empresas portuguesas é… José Sócrates, o esquartejador de Portugal. Senão vejamos:

«Na semana passada (Jul-2008) José Sócrates fez uma visita de 24 horas a Luanda, e brindou o governo de José Eduardo dos Santos com esta declaração. "Quero que o governo de Angola saiba que [...] temos confiança no governo angolano e no trabalho que tem desenvolvido".

De acordo com o primeiro-ministro, esse trabalho tem "permitido que Angola tenha hoje um prestígio internacional, que tenha subido na consciência internacional e que seja hoje um dos países mais falados e mais reputados". Esta é de facto uma declaração extraordinária sobre o governo de Angola. Este não é, sob nenhum critério de qualidade da democracia, um governo de prestigio internacional.

Que não se pense que esta caracterização do Estado angolano é um exagero. Porventura poderíamos considerar que é uma opinião apenas partilhada por ONG (Organizações Não Governamentais) defensoras dos direitos humanos, como a Human Rights Watch, ou activistas inoportunos como Sir Bob Geldof, que recentemente numa palestra proferida a convite do BES em Lisboa se atreveu a criticar o governo angolano. Mas não é esse o caso.

O insuspeito Banco Mundial há já vários anos que publica um relatório sobre a qualidade de governação no mundo. Esse documento apresenta dados sobre os seguintes aspectos: 1) Pluralismo e responsabilização do governo; 2) Estabilidade política e ausência de violência/terrorismo; 3) Eficiência governativa; 4) Qualidade da regulação; 5) Estado de Direito; e 6) Controlo da corrupção. Para Angola, o último relatório publicado em 2008 inclui dados para todos estes indicadores entre 1996 e 2007. Tendo em conta estas dados, o governo angolano encontra-se posicionado entre os piores do mundo. O único indicador em que Angola escapa à liga dos últimos é aquele que mede o grau de violência/ terrorismo no país. Devido ao fim da Guerra Civil, houve ao longo dos últimos anos uma melhoria assinalável neste domínio. Mesmo assim, Angola continua a estar entre os 20% dos países no mundo onde o nível de violência é maior.

Além disso, no último número da revista Foreign Policy, (Julho/Agosto, 2008, pág. 67) é apresentado o Índice dos Estados Falhados para 2008. Neste índice publicado anualmente e financiado pela Fundação Carnegie Fund for Peace, Angola está posicionada juntamente com outros países cujos governos também não se distinguem pela qualidade, tal como a Guiné Equatorial, o Ruanda, e a Bielorússia, entre outros.

No entanto, poder-se-ia argumentar que esta caracterização de Angola no contexto mundial é relativamente injusta. Angola é um país africano, e África tem um passado e um presente particularmente difíceis que não podem deixar de ser tidos em consideração quando analisamos a qualidade da governação. Mas mesmo sob este prisma regional, Angola é sistematicamente avaliada como um dos países mais mal governados de África. Apesar do fim da guerra, a concentração de poderes em torno de José Eduardo dos Santos, e do seu 'entourage' no complexo presidencial, Futungo de Belas, continua. E a acreditar nos dados do Banco Mundial, não houve melhorias assinaláveis nos diversos indicadores da qualidade de governança desde o fim da guerra. Mesmo a iminência de eleições em Angola, embora sejam um sinal importante de alguma abertura do regime, não chegam para alterar substantivamente estas avaliações.

Tendo em conta a "qualidade" do governo angolano qual deve ser o posicionamento do poder político e em particular de José Sócrates? É evidente que as relações económicas dos Estados democráticos não se cingem a outros Estados democráticos, nem devem.

Por toda a parte, a diplomacia assume vertentes económicas importantes, especialmente desde o fim da Guerra Fria e o consequente desalinhamento dos países. Angola está rapidamente a tornar-se num dos principais parceiros económicos de Portugal. A ser crucial, Sócrates poderia lembrar-se que mesmo a fazer negócios, não deixa de ser um líder democrático. Este tipo de discursos sobre a credibilidade do governo africano não são correctas e servem apenas para 'deslegitimar' o conceito de democracia dentro e fora do país.»

José Sócrates e o Futungo de Belas de José Eduardo dos Santos
Marina Costa Lobo 25-Jul-2008 Jornal de Negócios
Imagem: minhaliteraturaagora.blogspot.com

Sem energia eléctrica não é possível governar, a não ser à Idade Média, o que parece se pretende.


Persiste-se na teimosia de que é possível governar sem energia eléctrica.
A água… a água… até na água há diferença. Só abastece alguns, os novos descobridores. E assim secamos, sempre na dúvida se teremos água e energia eléctrica garantidas, porque sem isto… será o fim deste mundo? Será!

Reposição de texto
O maior erro que a EDEL-Empresa de Distribuição de Electricidade de Luanda, cometeu, foi o abandono da manutenção interna dos edifícios na coluna montante. Quando os fusíveis fundem, o que é frequente devido às normas selvagens de convivência instituídas, qualquer curioso vai logo lá tentar repará-los. As consequências disso são abundantes: desequilíbrios de fases, incêndios e mortes. Melhor confessando: o apelo à selvajaria, quase quarenta anos sem lei, qualquer a faz e a utiliza em seu proveito. Tudo vai acabar mal, porque tudo piora, se deteriora, e já ninguém parece conseguir governar esta jangada petrolífera.

Comunicado
ENE-Empresa Nacional de Electricidade e EDEL-Empresa de Distribuição de Electricidade-EP
As empresas ENE EP e EDEL EP, comunicam aos seus clientes e à população em geral, que devido à existência de um défice na capacidade de produção e distribuição à região de Luanda, têm vindo a efectuar restrições no fornecimento de electricidade na cidade de Luanda.
As interrupções tem incidência no período nocturno, podendo no entanto por razões imprevistas, ocorrerem fora deste período. Medidas estão a ser implementadas visando eliminar os constrangimentos oportunamente, pelo que pedimos as nossas sinceras desculpas pelos transtornos causados. As restrições da presente semana, vão incidir sobre as zonas descritas no mapa abaixo. In Jornal de Angola 07 de Outubro de 2010

Este mês, Outubro, foi abundante, normal. Significa que finalmente atingimos o rumo certo. Os cortes frequentes da energia eléctrica são a razão da nossa existência.

24Out 05.52-15.49 23Out 03.14-03.42 22Out 15.59-17.12, 18.26-19.48 20Out 09.07-09.39 17Out 18.43-19.03 16Out 13.57-15.01 15Out 04.15-05.40, 06.41-06.06 14Out 18.54-19-47 13Out 14.46-16.02
11Out 03.52-05.07 07Out 07.29-08.34, 03.20-03.23 06Out 08.45-09.54 05Out 13.21-15.54, 04.30-05.55 04Out 13.08-15.58, 16.06-18.01 03Out 15.23-17.15 02Out 07.45-09.04, 11.44-14.17

Governo aprova proposta de lei que cria a Ordem dos Contabilistas Auditores


Maputo (Canalmoz) – O Governo aprovou ontem a proposta de lei que cria a Ordem dos Contabilistas e Auditores de Moçambique (OCAM). Trata-se de uma pessoa colectiva de direito público com autonomia financeira, patrimonial e regulamentar, que visa defender os interesses dos profissionais ligados à área de contabilidade e autoria.
A nova ordem, que carece ainda da sua aprovação pela Assembleia da República, poderá dispor dos seus próprios meios e adquirir património próprio para a prossecução dos seus objectivos, assim como poderá criar instrumentos normativos próprios que se julguem necessários para regular a conduta dos associados.
A proposta da criação da OCAM foi aprovada no decurso dos trabalhos da 37ª sessão do Conselho de Ministros, realizada ontem.
De acordo com o porta-voz do Conselho de Ministros, Alberto Nkutumula, a OCAM terá como principais atribuições fazer valer os direitos e deveres dos contabilistas e auditores.
Nkutumula disse ainda que a OCAM terá o poder de disciplinar os contabilistas e auditores, o que significa que em caso de violação de regras relativas ao exercício da profissão a Ordem poderá sancionar aos seus associados.
Acrescentou que a aprovação desta lei, implica que só poderá ser autorizado a exercer a profissão de contabilistas e auditores, todo aquele que estiver inscrito e reconhecido pela Ordem.
Entretanto, de acordo com o porta-voz do Conselho de Ministros, com a criação da OCAM o Governo vai criar um órgão de supervisão das actividades realizadas pelos contabilistas e auditores, subordinado ao Ministério das Finanças, como forma de se garantir a tributação dos impostos para o Estado.
O órgão de supervisão, segundo Alberto Nkutumula, visa igualmente averiguar a idoneidade dos auditores de algumas empresas que declaram que a empresa em que estão em frente teve prejuízos, enquanto só teve benefícios, o que de certa forma lesa o sector das finanças do Estado.
“No caso em que haja má fé dum contabilista ou auditor, que declara que uma empresa não teve nenhum rendimento, mas sim prejuízos, enquanto, na verdade, foi o contrário, o Estado moçambicano pode sair a perder. Neste caso, o órgão será subordinado ao Ministério das Finanças e terá como função principal: zelar pelo comprimento integral e respeito pelas normas das actividades dos contabilistas e auditores”, disse Alberto Nkutumula.

Fundo de Desenvolvimento dos Transportes
Na mesma sessão, o Conselho de Ministros apreciou e aprovou o Decreto que altera o nº 2 do artigo 4 do Decreto 38/2010, de 15 de Setembro, que cria o Fundo de Desenvolvimento dos Transportes e Comunicações, estabelecendo que as operadoras de telefonia móvel, poderão também contribuir para o mesmo fundo.
A alteração, de acordo com o ministro de Transportes e Comunicações, Paulo Zuncula, visa a correcção de uma “falha de redacção no texto enviado à imprensa para a sua publicação”. O referido nº 2 do artigo 4 determinava que a contribuição para o fundo (FTC) seria feita pelos subscritores das operadoras e não pelas operadoras, como agora passa a estar determinado depois da correcção.

(Egídio Plácido) 2010-10-20 07:14:00

Editorial. Zambeze: Soberania ou mais “ração para patos” ?


Maputo (Canalmoz/Canal de Moçambique) - O litigio com o Malawi sobre a navegabilidade do Rio Zambeze pode parecer apenas uma questão de soberania. Naturalmente uma questão pura e simples de soberania facilmente nos empolga como moçambicanos. Como empolga qualquer povo. Mas a euforia é perigosa, porque pode ocultar outro tipo de questões em que conflituem interesses do Estado e Privados.
Se os cidadãos se distraírem e relaxarem o seu sentido de cidadania, corremos o risco de nos surpreendermos com o Governo moçambicano do dia. Alguém nas suas competências, disfarçado, a decidir em função de eventuais interesses particulares, escondido atrás da “Pátria Amada” e da “auto-estima”, para fazer valer as suas aspirações acumulativas, fazendo habilidosamente passar-me por cidadão acima de qualquer suspeita, pode estar antes, de forma muito inteligente, de facto a puxar a ração ao seu pato.
Pode-se estar em presença de mais um caso em que vem a propósito lembrarmo-nos do adágio popular: “com a verdade me enganas”.
A pergunta que anda aí é se a questão da navegabilidade do Zambeze está mesmo bem contada. Já para não falar dos documentos publicados pelo SAVANA que deixam a crer que ou nas nossas instituições andam todos loucos, ou já não se pode confiar nas nossas instituições, ou os ministros entre um copo e uma reunião já começam a ter lapsos perigosos de memória.
As dúvidas neste caso, que nos querem fazer crer tratar-se de um mero caso de soberania, são muitas. Aparecem porque há pessoas com responsabilidades políticas a alto nível do Estado que têm interesses privados em empreendimentos que beneficiarão ou perderão consoante a posição que, em nome do Estado, o Governo tome. E aqui a questão já não é só a navegabilidade dos rios Chire e Zambeze – rios que misturam as suas águas nas proximidades de Inhangoma, entre Tete, Zambézia e Sofala, sob o olhar sereno da imponente Montanha da Morrumbala – o ponto mais alto do País – onde termina a cordilheira dos Libombos e onde há séculos as pretensões do Império de Gaza começavam a diluir-se perante a influência do Império da Marávia.
São também os interesses conexos de quem tem o mandato de decidir em nome do Estado, que levantam dúvidas. As participações em empresas. Os portos.
Quando se coloca a questão de beneficiar ou perder em função da decisão, às vezes o gato esquece-se que tem o rabo de fora. Com os patos acontece o mesmo…
A ida do ministro dos Transportes e Comunicações, Paulo Zucula, ao Malawi para a inauguração do tal porto fluvial de Nsanje, deixa-nos a pensar: que questão de soberania é esta que tendo feito o presidente Guebuza não ir, não foi suficiente para que não fosse lá ninguém do Governo? Afinal era uma jogada pessoal ou uma questão mesmo Nacional? E se era uma questão nacional o ministro Zucula foi lá fazer o quê? Estamos em presença de um traidor?
Quando não havia caminhos-de-ferro navegava-se no Zambeze e o ecosistema foi preservado até aos dias de hoje. Não há desenvolvimento com risco zero para a natureza, lembrava há anos o Dr. Mário da Graça Machungo quando se tratava de contornar a gritaria em torno da Mozal, que acabou quase por obra do espírito santo quando os mais acérrimos vociferadores ecológicos foram convidados a aderir à causa das vantagens.
No Zambeze já se navegou ainda não há muito para se escoar melaço da Açucareira de Marromeu para o Chinde por forma a realizar dólares para financiar armamento usado na guerra civil e para se tentar superar a crise quando os dirigentes que ainda hoje temos eram contra o capitalismo.
Quem sabe o que era e é a “Zambeco”, que também é ou era concessionária da Ilha Salia, no delta do grande rio, sabe do que estamos a falar.
Foi até um sobrinho do dono da Zambeco, holandês, que entretanto foi corrector de açúcar em Manhattan, que orientou a operação coordenada a partir da Beira.
Lembrar-se-á, certamente – se não, é para avivar memórias que também servem os jornais – quem hoje nos fala de soberania e estudos de impacto ambiental no Zambeze para se determinar a navegabilidade do Rio, que nos anos oitenta encalhou na foz do Zambeze, junto ao farol do Tímbuè, no Chinde, o cargueiro Castle Glory. O engenheiro Óscar Carvalho, o da Conseng, será capaz de contar melhor esta história porque era na altura o director nacional de Transportes Marítimos e Fluviais. Amílcar Pacheco, esse grande homem das capitanias, já nos deixou. Mas ainda andam por aí, agora ligados ao negócio do Cajú, antigos pilotos da Força Aérea Moçambicana, dos hélios, que podem também falar um pouco do que preocupava em tempos o governo do dia quando as coisas da navegabilidade do Zambeze corriam mal.
Mas a navegabilidade do Zambeze vem do tempo de Livingston, cuja esposa até está sepultada na zona. As dúvidas podem ser tiradas pela historiadora Maria da Luz Prata Dias que até escreveu recentemente uma peça publicada na maravilhosa revista Índico das Linhas Aéreas de Moçambique, exactamente onde aflora esta questão.
A acrescentar a esta conversa toda queremos também perguntar para que serve afinal a SADC? É para ser construída ou é para simplesmente alimentar jogos políticos de senhores que querem usar os seus mandatos para fazerem coisas como as que criticam nos outros, como foi o caso de George Bush filho pelo que fez no Iraque?
Mas está bem, dúvidas temos todos. Por isso perguntamos: Zambeze: uma questão de soberania ou de mais ração para os criadores de patos?

(Canalmoz / Canal de Moçambique) 2010-11-04 06:28:00

Uganda votará lei que condena gays à morte


O continente africano reúne o maior número de países (36) com leis contra práticas homossexuais

Maputo (Canalmoz) - O continente africano reúne o maior número de países (36) com leis contra práticas homossexuais. Quatro deles, Mauritânia, Nigéria, Sudão e Somália, condenam à morte quem viola a proibição. Mas o número deve aumentar, pois nos próximos dias o Uganda prevê a aprovação de novo decreto, seguindo a mesma toada que as nações já citadas.
Este movimento africano contra a homossexualidade está a espalhar-se por todo o continente, de acordo com Mónica Mbaru, responsável pelo programa africano da Comissão Internacional pelos Direitos Gays e Lésbicos, temendo-se, por isso, um «efeito dominó».
“Esse é nosso grande medo, já que muitos países deram início a debates sobre o tema. No Quénia, processos constitucionais já retiraram conquistas positivas alcançadas antes da proposta de Uganda. A Tanzânia lançou uma campanha contra o activismo gay. Na Etiópia, líderes religiosos já se pronunciaram contra o apoio aos direitos homossexuais”, disse Mbaru, em declarações à Globo, revela a comunidade GLS Moçambicana no seu boletim informativo desta semana.

(Redacção) 2010-11-04 05:56:00

ÁFRICA DO SUL. Nacionalização de sector mineiro considerada de “política desacreditada”


Pretoria (Canalmoz) - O presidente da Câmara das Minas da África do Sul, Sipho Nkosi, considera que a política de nacionalizações nunca foi bem-sucedida em nenhuma parte do mundo. Falando durante a reunião anual da Câmara das Minas em Joanesburgo, Nkosi disse que essa polícia “era uma prática antiquada e desacreditada, que acabou por empobrecer um grande número de países, alguns dos quais em África”.
As declarações de Nkosi surgem numa altura em que facções do partido no poder na África do Sul, o ANC, advogam a nacionalização do sector mineiro do país. Reagindo às declarações de Nkosi, a Liga Junenil daquela formação política (ANCYL) declarou sentir “repugnância pelas mentiras propaladas pela Câmara das Minas da África do Sul”. Um porta-voz da ANCYL, Floyd Shivambu, disse que o presidente da Câmara das Minhas “havia manifestado ignorância, e que havia exemplos que demonstravam que a nacionalização do sector mineiro era viável”. Shivambu citou o caso da empresa estatal de petróleos da Venezuela, e ainda os exemplos do Chile, Noruega, Botswana e Namíbia
O Conselho Nacional do ANC decidiu numa sessão recentemente realizada que a direcção do partido no poder na África do Sul iria investigar a viabilidade da nacionalização do sector mineiro sul-africano.

(Redacção / Business Report) 2010-11-04 06:21:00

Governo de Barack Obama bate recorde na contratação de gays


Maputo (Canalmoz) - Com menos de dois anos na Casa Branca, Barack Obama já entrou para a História por ser o presidente norte-americano que mais indicou funcionários gays. De acordo com estimativas da militância, Obama já deu cargos a 150 pessoas abertamente homossexuais.
Já ultrapassou a marca atingida por Bill Clinton, que em dois mandatos contratou 140 gays. As funções ocupadas pelos homossexuais indicados por Barack Obama vão de oficiais de polícia a membros de comissão e dirigentes de agências. “De tudo que ouvimos de dentro da administração, eles queriam que isso fizesse parte de seus esforços pela diversidade”, disse Denis Dison, porta-voz do Projecto de Compromissos Presidenciais do Instituto de Lideranças Gay e Lésbica, reporta a GLS Moçambique, no seu boletim enviado à nossa redacção

(Redacção) 2010-11-04 05:54:00

Bloco Democrático Apresenta-se Publicamente


Luanda - O BD, que surgiu na sequência da extinção da FpD ditada pela não realização dos mínimos requeridos por lei de 0.5% nas eleições de 2008, assume no seu Manifesto como compromisso fundamental a defesa da democracia participativa e do desenvolvimento social com o objectivo maior de fazer de Angola uma potência regional de dimensão atlântica para enriquecer os Angolanos.

Fonte: VOA CLUB-K.NET

Na comunicação desta quarta-feira Justino Pinto de Andrade afirmou que o Bloco Democrático era a partir de agora uma força política de facto e de juris com a qual os Angolanos podiam contar na consecução das suas ansiedades sociais.


O académico descreveu as angústias que os responsáveis do partido viveram para ultrapassar dificuldades burocráticas e as ameaças de livre exercício político principalmente no interior do país.

Como manda a lei, o partido da bandeira verde esperança recolheu mais de 7 mil assinaturas em 14 das províncias. Este facto desmistifica segundo o responsável, a crença que colocava a FpD como partido exclusivo de intelectuais:

Justino Pinto de Andrade presidente do Bloco Democrático.

Respondendo a pergunta colocada sobre o que de diferente faria, o presidente do partido disse compreender as dificuldades por que passa a democracia em Angola. Mesmo assim considerou que é preciso ser-se mais ousado, referência ao desempenho das demais formações já existentes:

Mais ousadia e debate de ideias a marca de destrinça do Bloco Democrático segundo Justino Pinto de Andrade.

Depois do reconhecimento pelo Tribunal Constitucional, o Bloco Democrático vai reorganizar-se para estender a sua acção as mais recônditas áreas do território.

O primeiro passo contudo será o preenchimento dos órgãos sociais e de direcção, nomeadamente o Conselho Nacional, o que passa pela designação dos respectivos Delegados provinciais que são membros de pleno direito.

A Convenção Constitutiva realizada entre 3 e 4 de Julho passados elegeu um presidente que é Justino Pinto de Andrade, o Secretário-geral e 1/3 dos membros do Conselho.

Entretanto não foi possível aceder a qualquer documento que confirme a legalização da força política, sobretudo através dos meios públicos de comunicação afectos ao próprio tribunal.

Afastamento de “Quim” Ribeiro conotado ao assassinato de investigador do caso BNA


Lisboa - O afastamento do comissário Joaquim Ribeiro do comando da policia em Luanda, esta a ser em meios da corporação em Luanda, conotado ao caso do funcionário do comando geral da policia, superientendente-chefe, Domingos Francisco João que apareceu morto por desconhecidos.

Fonte: Club-k.net

Comandante irá provar que é inocente

O superientendente-chefe Francisco João, estava a fazer um inquérito para consumo interno da policia sobre “o caso BNA”. Terá interrompido o trabalho na seqüência de uma cabala a que foi alvo e que resultou na sua detenção na cadeia de Viana. No dia em que foi posto em Liberdade, quatro elementos não identificados interceptaram a viatura que o transportava disparando, a queima-roupa contra ele e um oficial dos serviços prisionais, Domingos Francisco Mazakina. O incidente deu-se por volta das sete horas junto ao mercado do Zango, município de Viana.

De acordo com informações competentes, o malogrado Domingos Francisco João estaria propriamente a investigar o episodio de agentes da policia que teriam se apoderado de volumes de dinheiro em casa de um funcionário do sector de contabilidade do BNA, Fernando Monteiro que se encontrava escondido na residência deste bancario em Viana. O dinheiro teria sido encontrado por elementos da área de investigação criminal do comando da divisão de Viana, numa residência ao Quilometro 8, no município em referencia.
Os oficiais teriam posto ocorrente o Comandante da Sétima Divisão da Polícia Nacional de Viana, Augusto Viana Coceiro e este por sua vez terá contactado o comissário Joaquim Ribeiro para por lhe ocorrente a cerca dos volumes de dinheiro que os agentes da sua unidade haviam encontrado. Informações não desmentidas aludem que Augusto Viana terá sentido nas palavras de “Quim” Ribeiro indicadores que encaminhassem os dois comandantes para uma posição de “tomarem proveito da situação”.

Uma existente versão acena que ambos terão repartido certa quantia excluindo ou desvalorizado o papel dos agentes que encontraram o dinheiro. Um desses terá feito lamentações “fora” que resultaram no vazamento ou fuga de informação quanto ao assunto.
No seguimento de apurações internas, ambos comandantes terão sido alvo de inquérito resultando na suspensão de Joaquim Ribeiro e de Augusto Viana que antes de ocupar o cargo de comandante de divisão de Viana era o director do gabinete de “Quim” Ribeiro.

Corre que Joaquim Ribeiro, teria nos últimos tempos manifestado sinais de alguma ostentação. A três semanas atrás realizou o casamento de um filha cuja cerimônia é descrita como demonstrativa “de quem tem”.

Em Maio do ano em curso, Joaquim Ribeiro teria sido citado como estando a fazer uma campanha passando a informação de que iria pedir demissão da policia. A “campanha” foi antecedida de reclamação de figuras do regime, em torno de si. Chegou a ser associado a uma rede de burla que telefona a personalidades angolanas do MPLA fazendo-se passar por conhecido do “partido”. Esta rede, conhecida como “ rede do jogo da garrafa” fazia chantagem as suas vitimas e quando fossem descobertos sob ameaças de policia, citavam o Joaquim Ribeiro dando a entender que gozavam da proteção do mesmo. Há suspeita de que os burladores terão apenas usado o nome do comandante para intimidar sem que o mesmo soubesse que o seu nome estava a ser usado abusadamente por redes de bandidos.

Comandante terá sido vitima de intrigas ?
Em fórum privado, “Quim” Ribeiro diz-se inocente, acreditando que irá provar e atribuiu a situação que enfrenta como resultado de intrigas contra a sua pessoa por parte de elementos que pretendem lhe tirar da corrida dos possíveis futuros substitutos de Ambrósio de Lemos. O indicador que o deixou convicto que estaria na linha de sucessão para o cargo de comandante geral da policia esta relacionado a uma comunicação feita ao mesmo antes da suspensão alegando que seria promovido a comissário-chefe que é a patente que o comandante provincial deve ostentar à luz de um decreto presidencial sobre ajustamento entre a função e a patente.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Lei dos Crimes Contra a Segurança do Estado Vai Ser Alterada


Luanda - A alteração mais mediata do futuro diploma é a abolição do Artigo 26) da lei 7/78, nos termos em que estava redigido.

Fonte: VOA CLUB-K.NET

Neste Artigo sob a epígrafe “Outros Crimes” cabia todo género de acusação. A sua revogação vai retirar os fundamentos para detenções arbitrárias como aquelas que ocorriam na província de Cabinda, efectuadas pela polícia nacional:


Lembro que foi sob este Artigo que foram julgados e condenados no passado dia 3 de Agosto os activistas cívicos, entre eles o Padre Raul Tati.

A aprovação deste diploma é aguardada com expectativa, por causa dos efeitos imediatos que pode produzir para o caso de pessoas detidas ou mesmo condenadas.

Sobre este assunto Sérgio Raimundo que é o Advogado de defesa dos Activistas mesmo assim mostrou-se confiante, adiantando que a alterar da lei estimulará o Tribunal Constitucional na tomada da decisão final:

Com a futura lei também fica para trás o Artigo 23, do “lock out e incitamento à greve” cuja contradição vem da anterior carta magna que já consagrava a greve como um direito fundamental.

O diploma que uma vez aprovado terá ainda de ser regulamentado contém entretanto dois Artigos, 25, 26 e 27 “Ultraje ao Estado, seus símbolos e órgãos; Perturbação do funcionamento de órgão de soberania e Violação de Recintos” susceptíveis de restringir liberdades fundamentais.

Observadores estão a reagir com prudência. Céptico está Nelson Pestana que não vê nenhuma evolução e vai mais longe quando diz que a nova legislação só vem conformar à centralização de poderes consagrados na nova Constituição à figura do presidente da República:

Apesar das garantias dadas de como aceitava falar, não voltamos a conseguir o contacto com o deputado do MPLA Sérgio Rescova.

Constitucionalista português diz que constituição angolana é igual a de Salazar


Londres - Jorge Miranda, um dos mais respeitados constitucionalista português desenvolveu um estudo de 42 paginas, em torno da nova constituição angolana. O Estudo do Professor catedrático das Faculdades de Direito da Universidade de Lisboa e da Universidade Católica Portuguesa conclui que a mesma é igual à constituição portuguesa de 1933, e de Napoleão e uma autoritária do brasil. Isso está na página 42

Fonte: Club-k.net

Aproxima-se a regimes autoritários africanos

“O sistema aproxima se, sim, do sistema de governo representativo simples , a que, configurações diversas, se reconduziram a monarquia cesarista francesa de Bonaparte, a república corporativa de Salazar segundo a Constituição de 1933, o governo militar brasileiro segundo a Constituição de 1967 1969, vários regimes autoritários africanos” Le-se no estudo cujo conteúdo o Club-K publica na íntegra.

A Constituição de Angola de 2010 por Jorge Miranda *

1. As primeiras Constituições dos países africanos de língua portuguesa
I – O acesso à independência dos cinco países africanos de língua portuguesa não se fez ao mesmo tempo e nos mesmos termos em que decorreu o acesso à independência dos demais países da África. Naturalmente tal como por toda a parte, esse tempo e esse modo haviam de determinar os seus sistemas políticos e constitucionais originários.

Com efeito, depois de ter sido longamente retardado por causa do regime político autoritário em Portugal, deu se a ritmo acelerado logo que este regime foi substituído, e em cerca de 15 meses. Os “movimentos de libertação” que tinham conduzido a luta (política militar ou só política) receberam o poder, praticamente sem transição gradual, por meio de acordos então celebrados com o Estado Português. Nuns casos (Guiné, Moçambique e Angola) os próprios movimentos viriam a proclamar a independência e a outorgar Constituições; noutros casos (Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe), ela seria declarada formalmente por assembleias eleitas, mas todas dominadas pelos respectivos movimentos, transformados também logo em partidos únicos.

II – As primeiras Constituições foram: a de 1973 (depois substituída pela de 1984), quanto à Guiné Bissau; as de 1975, quanto a Moçambique, S. Tomé e Príncipe e Angola; e a provisória, de 1975 (depois substituída pela de 1980), quanto a Cabo Verde.
E tiveram de comum:

a) Concepção monista do poder e institucionalização de partido único (correspondente ao movimento de libertação do país, ou, relativamente a Angola, ao movimento vencedor na capital);

b) Abundância de fórmulas ideológico proclamatórias e de apelo às massas populares;

c) Empenhamento na construção do Estado – de um Estado director de toda a sociedade;

d) Compressão acentuada das liberdades públicas, em moldes autoritários e até, em alguns casos, totalitários;

e) Organização económica do tipo colectivizante;

f) Recusa da separação de poderes a nível da organização política e primado formal da assembleia popular nacional.

Em Cabo Verde e na Guiné Bissau, os regimes eram definidos como de “democracia nacional revolucionários” (art. 3º em cada uma das Constituições, respectivamente de 1980 e 1984), sendo o Partido Africano de Independência de Cabo Verde ou da Guiné e Cabo Verde a força política dirigente da sociedade e de Estado (art. 4º).

Moçambique era um Estado de democracia popular, pertencendo o poder aos operários e camponeses, unidos e dirigidos pela FRELIMO (art. 2º da sua Constituição).
Em Angola, o MPLA Partido do Trabalho constituía “a vanguarda organizada da classe operária” e cabia lhe “como partido marxista leninista, a direcção política, económica e social do Estado nos esforços para a construção da sociedade socialista” (art. 2º da Constituição).

Em S. Tomé e Príncipe, era o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe, como vanguarda revolucionária, a força política dirigente da Nação, cabendo lhe determinar a orientação política do Estado (art. 3º da respectiva Constituição).

III – O poder fora conquistado por movimentos de libertação vindos de duras lutas, que exigiam um comando centralizado e, por vezes, personalizado. Por outro lado, a despeito da diferença de condições, na África dos anos 70 e 80 também era o modelo de partido único que prevalecia por toda a parte. Finalmente, Portugal não deixara nos seus antigos territórios nem instituições, nem tradições democráticas, liberais e pluralistas – até porque desde 1926 tão pouco houvera aqui instituições dessa natureza e foi só a seguir a 1974 (já depois de consumada a separação) que em Portugal se ergueu, de novo e com mais aprofundamento, o Estado de Direito.


Tudo isto e a influência ou a aproximação à União Soviética (então no máximo do seu aparente apogeu) poderão explicar o carácter não democrático e o afastamento dos modelos ocidentais nos cinco países de língua oficial portuguesa .

2. As transições constitucionais democráticas

I – A partir da segunda metade dos anos 80, os regimes instaurados começaram a revelar nítidos sinais de esvaziamento, de incapacidade para resolver os problemas, de falta de consenso ou de legitimidade – sobretudo em Angola e Moçambique com dramáticas guerras civis alimentadas do exterior.

De 1990 para cá abrir se iam em todos os cinco países, embora em termos e com resultados diversos, processos constituintes em resposta a essa situação:

– Em Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe e Guiné Bissau, processos de transição verdadeira e própria, por iniciativa dos próprios regimes no poder – processo de revisão constitucional no primeiro e no terceiro casos e culminando na aprovação de uma nova Constituição formal no segundo;

– Em Moçambique e Angola, processos de transição ligados aos processos de paz e conduzindo também a novas Constituições.
Em todos os países viriam a efectuar se eleições gerais, inclusive com vitória da Oposição em Cabo Verde e em S. Tomé e Príncipe; a seguir, em Cabo Verde far se ia uma nova Constituição .

II – As Constituições saídas dessa mudança viriam a ser as de 1990, quanto a S. Tomé e Príncipe; de 1984, quanto à Guiné Bissau (com revisões de 1993, 1995 e 1996); de 1992, quanto a Cabo Verde e Angola; e de 2004, quanto a Moçambique.

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CUBA. Polícia reprime oponentes do regime durante marcha pacífica. Jornalista independente detido pela segurança



Pretoria (Canalmoz) - Reina Luisa Tamayo, mãe do falecido preso político, Orlando Zapata Tamayo, e dezenas de dissidentes cubanos, foram duramente agredidos e apedrejados na manhã do último domingo em Banes, Holguín, informaram fontes da oposição interna ao regime no poder em Havana. O caso ocorreu quando Tamayo, acompanhada de activistas políticos e várias personalidades ligadas ao grupo de pressão, Damas de Branco, tentavam dirigir-se ao cemitério onde se encontra sepultado Orlando Zapata Tamayo, falecido a 23 de Fevereiro do corrente ano após uma greve de fome de mais de 80 dias.
A acção repressiva, que foi desencadeada pela Brigada de Resposta Rápida, resultou ainda na detenção de cerca de 39 pessoas. Três machimbombos da Segurança do Estado transportaram os detidos para local incerto. Em declarações à Rádio Marti momentos antes a sua detenção, Reina Luisa Tamayo disse que opositores pacíficos e membros das “Damas de Branco” que a acompanhavam haviam sido apedrejados e golpeados por grupos convocados pela Segurança do Estado.
Entretanto, a polícia política cubana prendeu no mesmo domingo o jornalista e escritor, Luis Felipe Rojas. A esposa, Exilda Arjona, disse que a prisão do jornalista era uma tentativa do regime evitar que os activistas dos direitos humanos e órgãos de comunicação social independentes se sirvam de uma fonte para noticiar sobre o que se passa em Cuba. (Redacção / http://diariodecuba.com)

2010-11-02 05:23:00
Imagens: Orlando Zapata Tamayo e Reina Luisa Tamayo

Em plena reunião pública. Secretário do bairro Jorge Dimitrov propõe institucionalização de “guias de marcha”


O secretário do bairro é uma figura criada pelo partido Frelimo e existe praticamente em todos os bairros e povoações do país

Maputo (Canalmoz) - Durante uma reunião pública no bairro Jorge Dimitrov (Benfica), na cidade de Maputo, o secretário deste bairro impôs aos moradores locais a obrigação de exigir “guias de marcha” a todas as pessoas que pretendem arrendar casas e passar a habitar naquele bairro.
A reunião teve lugar no passado sábado, dia 30 de Outubro, no “Círculo” e tinha como objectivo a reflexão dos moradores sobre os problemas locais.
O secretário do bairro de Benfica, cujo nome não conseguimos apurar, popós esta iniciativa como forma de reduzir a criminalidade, que é cometida por pessoas aparentemente residentes no bairro, mas desconhecidas.
Para o secretário, a solução passa por institucionalizar as “guias de marcha” para permitir fácil controlo dos moradores do bairro e assim reduzir a criminalidade.
A tese do secretário do bairro foi veemente repudiada por alguns cidadãos que lotavam o espaço do “Círculo”.
Alguns intervenientes que pediram a palavra, logo após a apresentação do secretário do bairro, criticaram-no claramente.
“Neste país temos um único documento para nos identificar como moçambicanos, que é o Bilhete de Identidade. Esse documento serve em todo o território nacional. Então, aqueles que vierem de outros locais a pretender arrendar casas aqui, podem utilizar esse documento e o arrendatário pode aceitar sem problemas”, disse um interveniente de nome Rogério Paulo Gongondela que foi secundado por muitos outros.
Entretanto, Matilde Santos, outro membro do secretariado do bairro, propôs a mudança do nome de “guia de marcha” por “declaração de transferência de bairro”. Matilde disse que a expressão “guia de marcha” pode criar remorsos a muitos moçambicanos, mas disse que é necessário haver um documento passado pelas estruturas do bairro de onde sai um cidadão a confirmar o seu “bom comportamento”.
O debate prosseguiu, sem consenso, entre os moradores do bairro de Benfica, mas ficou a alerta sobre o pensamento que está a dominar os membros do partido no poder.
As “guias de marcha” foram institucionalizadas em Moçambique durante o período do regime marxista, adoptado e imposto pela Frelimo nos anos subsequentes à independência. Deste período, marcado também pelas aldeias comunais, guardam-se muitas e más recordações.

Projectos e limpeza acordados
Entretanto, na mesma reunião do bairro foi acordado entre os moradores que passarão executar serviços de limpeza das ruas locais, substituindo o conselho municipal que se revela incapaz de limpar os bairros.
A população de Benfica saudou ainda o anúncio feito pelo respectivo secretário do bairro de que a população local passaria a beneficiar dos Fundos de Investimento de Iniciativas Locais, os célebres “7 milhões”.

(Alexandre Luís) 2010-11-02 05:27:00
Imagem: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=11223

Matanças em Mussorize. Populares lincham cidadão que matou uma menor por espancamento



Manica (Canalmoz) – É uma situação de “estado selvagem” o que se vive no distrito de Mussurize, a sul da província de Manica. São matanças atrás de matanças, sem que haja quem consiga pôr ordem na comunidade. A população deste distrito linchou um cidadão de nome Aizeque Mugodua Sitole, de 30 anos de idade, acusado de matar uma menor de 10 anos por espancamento.
O cidadão ora linchado era residente no posto administrativo de Dacata, distrito de Mussurize, a sul de Manica.
As razões que o terão levado a espancar a vítima até à morte são desconhecidas.
Nesta comunidade, a Polícia quase que não existe para resolver estes problemas. Só esteve lá para fazer registo das mortes e reportá-los à imprensa.
O porta-voz do comando provincial da PRM em Manica, Belmiro Mutandiua, disse que a Polícia apurou que a menor morta por espancamento respondia pelo nome de Elisa Chianzo.
A Polícia suspeita que antes de matar a criança, o criminoso, tê-la-ia violado sexualmente.
A população local diz ter assassinado o cidadão depois dele ter falado de crime de violação da menor, embora ele se tenha recusado a admitir que fora ele que lhe tirara a vida.
Segundo a Polícia, o criminoso, ora linchado, dissera que quem matou a pequena Elisa foi um comparsa que, entretanto, não foi neutralizado pela comunidade.
Ficou por se saber se o linchado foi quem matou a criança, mas admitiu-se apenas por fortes suspeitas. Já cá não está para se apurar a verdade.
A Polícia quase que não existe para lidar com os problemas da comunidade.

(José Jeco) 2010-11-03 05:33:00

Criminosos voltam a se exibir na cidade de Maputo


Bandidos atacam viatura de patrulha da Polícia com armas de fogo

Maputo (Canalmoz) – Criminosos voltaram a exibir-se às forças policiais, atacando uma viatura de patrulha da PRM, em plena Avenida Guerra Popular, no centro da cidade de Maputo. O ataque aconteceu na noite de segunda-feira, mas nenhum agente da Polícia foi ferido.
Depois dos disparos, os gatunos empreenderam uma fuga até ao interior do bairro de Chamanculo, onde dois deles, entre os quais uma mulher, acabaram neutralizados e presos pela Polícia. Neste momento, decorrem as investigações para se apurar as suas conexões.
Pedro Cossa, porta-voz do Comando Geral da Polícia da República de Moçambique, disse ontem à imprensa que os meliantes circulavam naquela avenida por volta das 20 horas numa viatura sem iluminação, e quando se aperceberam da movimentação do carro de patrulha da Polícia, pensaram que estavam a ser seguidos, tendo logo aberto fogo contra os homens da Lei e Ordem.
Segundo Cossa, durante a perseguição numa operação que durou pouco mais de duas horas, parte dos ocupantes da viatura acabaram abandonando a viatura, mas a Polícia foi a tempo de deter dois deles, que neste momento estão encarcerados na 18ª Esquadra.
Segundo Cossa, os criminosos detidos disseram à Polícia que o autor dos disparos e outros elementos desceram algures no bairro de Chamanculo, durante a perseguição!

Outras ocorrências
Pedro Cossa disse que durante a semana passada, foram registados em todo território nacional 179 casos de natureza criminal, contra 207 registados no período homólogo do ano passado. Destes casos, 61 foram contra propriedade, 45 incidiram-se contra pessoas e 11 contra tranquilidade e ordem públicas.
Já na província da Zambézia, oito indivíduos foram detidos indiciados de roubo de 150 mil meticais num estabelecimento comercial, com recurso a catanas. Eles introduziram-se no interior, amarraram o guarda e depois roubaram. Ainda na Zambézia, no distrito de Alto Molócuè, três indivíduos de 20 e 24 anos estão a contas com a Polícia, indiciados de homicídio.
Na província de Gaza está detido um jovem de 28 anos, indiciado de roubo de treze cabeças de gado com recurso a uma arma de fogo.
Na cidade da Matola, na rua das ‘’laranjeiras’’, dois indivíduos estão detidos depois de terem sido surpreendidos a assaltar uma jovem com recurso a arma do tipo pistola.

Acidentes de viação
Durante a semana passada, foram registados 66 acidentes que resultaram em 58 óbitos, 72 feridos graves e 113 ligeiros. Quanto à tipologia dos acidentes, 38 foram por atropelamento, 12 choques entre viaturas, 10 despistes e capotamento e 11 por má a travessia de peões.
No que toca ao controle de álcool, foram fiscalizadas 17.648 viaturas, impostas 3.429 multas, 448 cartas apreendidas por excesso de velocidade, 22 automobilistas detidos por condução ilegal.
A Polícia disse ainda que na semana passada foram repatriados 360 moçambicanos da África do Sul através da fronteira de Ressano Garcia. Já no extremo norte, em Cabo Delgado, dois polícias tanzanianos identificados por Sikule e Martins, foram autorizados a entrar no território nacional para virem recapturar dois tanzanianos indiciados de terem morto uma pessoa numa das cadeias daquele país vizinho.

(Cláudio Saúte) 2010-11-03 05:52:00

Carta (a alguns poucos) amigos


Nada como tempos difíceis para se ver de que lado estão todos aqueles que, embora fisicamente semelhantes, ainda há pouco viviam nas copas das árvores e nos copos da subserviência.
Embora avisado, sempre pensei que muitos dos que me rodeavam teriam capacidade para, de quando em vez, usar a amovíel coluna vetebral. E, acrescento, alguns usam-na mas fora das horas de serviço, o que nos tempos que correm já não é mau.
Não deixa, contudo, de ser curioso verificar e, é claro, registar para memória futura, que muitos deixaram de me conhecer de um dia para o outro, mau grado terem trabalhado anos e anos comigo. É a vida.
É por tudo isto que é melhor querer o que se não tem, do que ter o que se não quer. E, definitivamente, não quero ter amizades ou qualquer outro tipo de relacionamento com gentalha que antes de me cumprimentar olha para o lado para ver se o capataz está a ver.
Aliás, como em tudo na vida, as dificuldades são óptimas para esclarecer muitas coisas. Por manifesta e reconhecida ingenuidade da minha parte, desconhecia os novos valores da “amizade” moderna: mentira, deslealdade, ódio pessoal, ambição mesquinha, inveja e incompetência.
Se calhar é por tudo isto que os bons são cada vez menos, e que os detentores do poder continuam a descalçar-se (abrindo as janelas por causa do cheiro) sempre que têm de contar até doze.
Um abraço do,
--
Orlando Castro
Jornalista (CP 925)
A força da razão acima da razão da força
http://www.altohama.blogspot.com
http://www.artoliterama.blogspot.com
http://www.orlandopressroom.com

Este orçamento (ASSALTO) é uma peça construída de forma atabalhoada para tapar buracos e encobrir a verdadeira dimensão do endividamento do Estado


PAYS DE MYERDA , | 01/11/10 18:43
PODEM FECHAR TODOS SEUS MYERDAS DOS BANCOS
HÃO-DE FALIR TODINHOS

USA , | 01/11/10 18:14
REPITO;
OS PORTUGUESES SAO TODOS UNS PALHACOS, NAS PROXIMAS ELEICOES LA VAO ELES A CORRER EM FILINHA PARA VOTAR NESTA CORJA QUE POR LA TEM ANDADO A 36 ANOS A ROUBAR OS TUGAS, OU SEJA A VENDER A SOBERANIA. PORTUGAL JA ESTA HIPOTECADO A DECADAS, OGORA E SO FAZER O LEILAO.

Para alem de todos os tugas serem palhacos, uma grande parte sao trafulhas, mentirosos,vigaristas, criminosos, uns invertidos, acomodados, preguicosos, uns grandes porcos, nao cuidam dos dentes nem da boca e nao se respeitam, adormeceram no tempo etc...etc...

Este orçamento (ASSALTO) é uma peça construída de forma atabalhoada para tapar buracos e encobrir a verdadeira dimensão do endividamento do Estado – mas esforçando-se por não prejudicar as clientelas do governo Sócrates. É assim que, mesmo em meio à crise, são mantidos intactos projectos aberrantes como o do novo e inútil aeroporto de Lisboa , o do TGV, o da terceira ponte sobre o Tejo, o do Hospital de Todos os Santos, etc. No exacto momento em que se corta brutalmente no rendimento disponível dos trabalhadores, em que o IVA é aumentado para a mais elevada taxa de toda a Europa, em que se retiram regalias sociais imensas, em que se provoca um aumento do desemprego ainda maior, o governo do sr. Sócrates insiste nos projectos megalómanos dos seus amigos empreiteiros. E isto sem falar nas parcerias público-privadas (PPP), que estão fora do OE e continuam de vento em popa.
Um país que quer se desenvolver deve desonerar tributariamente aqueles que criam riqueza – a começar pelos trabalhadores – e financiar o Estado através da tributação dos sectores que não a criam, ou seja, os sectores rentistas (finanças, imobiliário e PPPs). Em Portugal os governos têm feito exactamente ao contrário: para a banca e os rentistas das auto-estradas, todos os benfícios fiscais possíveis e até salvamentos ruinososos (como no caso do BPN e do BPP); para os trabalhadores e empresários produtivos, o agravamento fiscal extorsivo.
Aprovar esta proposta de OE é apenas adiar uma ruptura que se verificará dentro em breve, deixando o governo Sócrates continuar a endividar o país e a gastar desbragadamente por mais alguns meses. Se aprovados, os aumentos de impostos propostos serão devorados no sorvedouro do governo Sócrates. As soluções terão de ser outras e para alcançá-las Portugal terá de recuperar a sua soberania monetária. O abandono do Euro deveria começar a ser discutido.

Para lá de URGENTEEEEE!





Posted By: Marcia Frazão

To: Members in Pedras não foram feitas para matar mulheres.

Para lá de URGENTEEEEE!

URGENTEEEEE! Ainda dá tempo! Se a gente chover emails para o presidente iraniano, talvez ele seja complacente e talvez até comece a lutar pela revisão das leis iranianas. Vamos enviar emails para ele? O endereço da página é www.president.ir/en/ Como muita gente pode ter receio de escrever para lá (confesso, fiquei morrendo de medo), e depois de vencer o medo, relutar sobre o que escrever, segue um modelo equilibrado, diplomático, isento de qualquer ofensa, elaborado por Luiz Amaral, um arquiteto português , membro da causa Pedras Não Foram Feitas Para Matar Mulheres:


My name is -----.I am a ---- years old Brazilian -------.

I pay my respects to Iran, to Islam, and to your leadership of that great country.I must underline that I have no religious preferences and I believe that if there is a God in the Universe, in due time, he will "treat" Christians, Jews, Muslims, Hindus, Buddhists and all others, with the same kind of judgemental attitude, for we all are born equal, no matter race, skin colour or sex. I have no intentions to give you any kind of lecture about human rights... or wrongs. Nevertheless, despite our different cultural backgrounds (differences makes us both more rich and complementary) we both belong to the brotherhood of mankind. While living under the same Sun and over the same Hearth, we share a common destiny. We face and are called to act under common global challenges.Differences are only visible when we look at the way we both "respond" to those challenges...Today I am begging for your superior understanding of human nature.Does Sakineh deserves to die?I know that WE ALL DESERVE to die...I'm also sure we ALL WILL DIE.Please consider the best interest of Iran Please consider the best interest of IslamBe prudent and be wise. Save Sakineh's live!The whole world will thank you and will also start looking at Iran as companion and a partner in the great adventure of mankind towards greatness, peace and happiness.
Thank you!

Esposa de dirigente do MPLA gasta USD 25 000 na loja da Louis Vuitton


Lisboa - Maria Laura Cardoso, mulher do político Boaventura da Silva Cardoso, governador e primeiro Secretario do MPLA em Malange, é citada pela Revista brasileira Veja (edição de 29 de Outubro), como tendo deixado “vendedoras chocadas” ao esbanjar cerca de 25 000 dólares na Loja da Louis Vuitton , em Ipanema, Brasil.

Fonte: Club-k.net

Senhoras do regime destacam-se pelo esbanjamento

“Deixou o local vestida só pés a cabeça com roupa da grife francesa” diz a revista numa reportagem em torno dos gastos feitos no Brasil por esposas de personalidades políticas angolanas. A magazine não cita em quanto é que terá custado o hotel onde a esposa do governador do regime do MPLA se hospedou nem tão pouco refere se os gastos terão saído da sua conta ou se fica a expensas do governo provincial de Malanje.

Cita apenas que para além da Louis Vuitton a outra marca que também faz sucessos entre os angolanos é a Ave Nuance, multimarcas de importados. Entre as peças mais procuradas, segundo a revista estão as roupas e acessórios da designer americana Anna Sui, que custam entre 15000 e 2000 reais e sapatilhas francesas Repetto, as preferidas da modelo inglesa Kate Moss.

Entre os gastos de outras personalidades a revista cita a cidadã Anair Vaz Borja, de 31 anos, funcionaria de uma petrolífera. A mesma terá investido 5000 reais em programas de beleza da clinica de Alberto Serfaty, Leblon que atende a 25 angolanos por semana.

Baseando-se em dados do ministério da hotelaria brasileira, a Revista Veja informa que em 2009 o Brasil recebeu visita de 20 000 angolanos contra os 5361 que visitaram o país em 2005.

Segundo a mesma revista muitas angolanas viajam ao Brasil para visitar as clinicas de cirurgia plástica e fertilização artificial. Citam a cidadã Angelina do Céu, 30 anos apresentada como esposa de José Aníbal Rocha Lopes, ex governador da província de Cabinda e actual deputado do MPLA pelo enclave. Angelina do Céu, segundo a revista é mãe de uma criança de 9 meses nascida na Perinatal da Barra.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Diário da caverna. Devaneios do Homem Novo


«Eu tenho alunos do terceiro e quarto anos que ainda têm dificuldades de fazer contas de somar… pasme-se. Contas de somar, sem exagero. Há alunos que escrevem tão mal que você não consegue ler. Há alunos que falam tão mal que você não consegue entender. Talhos, peixarias estão nas mãos de estrangeiros.» in Fernando Heitor. Folha 8 09Out10
Acabo de estudar os discursos de Kin-Il-Sung I e confesso que são muito edificantes. Fiquei deveras esclarecido, sinto-me com ganas… de repente baptizei-me num magnífico líder.

Ó politizados na irresponsabilidade, espoliados do petróleo, dos diamantes, dos empregos, dos casebres e das tendas. Nunca em trinta e cinco anos se instituiu tanta miséria nestes dias de vida lavados pelo vulcão de Luanda.
Os nossos problemas resolvem-se com as nossas manifestações, sempre autorizadas, de apoio incondicional na manutenção do poder eterno da nossa esclarecida, clarividente liderança. Esses deuses omnipresentes… mas o que é que fizeram dos livros? Mano, se durante a tua existência nunca conseguiste ler um livro, então a tua estadia foi em vão.
O que se passa com o abastecimento da energia eléctrica e água é a declaração da anarquia institucional. Não é preferível mudar-lhes o nome para energia destrutiva e água invisível?
«Negoceia-se fazenda com 175 a. com financiamento aprovado.
Negoceia-se fazenda com 200.000 pés de abacaxi.
Arrenda-se, óptima vivenda “Lar do Patriota” 350 m2 de construção, ampliações e acabamentos extras, piscina, churrasqueira, bar esplanada 1 suite, 2 quartos, 2WC, salões de 50m2, cozinha, grande pátio coberto, parque pavimentado 6 carros e 2 geradores insonorizados 20KW, toda climatizada.» In Jornal de Angola 24Out10
As ratoeiras inventaram-se para que os ratos não roubem os seus irmãos humanos.
Sim, realmente, para quê eleições se não existirá ninguém para votar. Porque até lá, com a inflação galopante da miséria e a imposição da fome nacional, a população sucumbirá. Tem ainda a apoiá-la bastas doenças e epidemias. E o Politburo a bater palmas de regozijo por mais uma vitória eleitoral antecipada.
E esta revolução criou uma nova classe social: os desbravadores dos caixotes do lixo, o prémio especial da nossa nova vida.

Os geradores incrementam-se, o fumo tóxico e a matança daí resultante também. Pelo andar deste carro fúnebre, a curto prazo será impossível sobrevivermos a tal engenharia genética.
Um Politburo que obriga à proliferação de geradores numa cidade capital que nos intoxicam, nos derretem a vida, não nos merece qualquer consideração. É este o rumo deste moderno Awschvitz, agora empossado no comité de especialidade da subida dos preços. E a Igreja e esta ditadura estão na mesma moldura. Atabalhoaram, transformaram um povo numa espécie animal desconhecida. O que esperar de um povo educado numa universidade por docentes experimentados no roubo e na corrupção. Convicto, este povo segue tão salutares exemplos.
Os especuladores imobiliários e os seus sócios também não estarão imunes à onda de assaltos, incluindo a perda de vidas. As seitas religiosas não são o parte-coração da nossa aflição. Na nossa caminhada para Awschvitz é o pavor da proliferação das seitas imobiliárias que nos perseguem com os seus ritos sanguinários e secretos, com financiamentos das seitas bancárias. Que sofisticada é esta democracia do Inferno. A caminho deste Awschvitz sem arame electrificado porque não tem energia eléctrica. Um país desorganizado é como casebres em ruínas, onde fazem morada ratos e outros espécimes. E os descamisados aumentam nos supermercados dos caixotes do lixo. A prole dos esfomeados bandeirantes invade, aumenta os grupos que fazem concorrência na recolha do lixo. Há dois petróleos: um para os endinheirados do Politburo e outro para os espoliados e esfomeados.

Estamos carentes dos não crentes. De nos lavarem sistematicamente as mentes. E os estrangeiros postados no topo observam-nos finalmente vitoriosos. A nossa chefia postada na caverna muito negra, muito escura aplaude-os: «Estão a vê-los?! Cumprimos tudo conforme as vossas instruções petrolíferas e diamantíferas. Vejam-nos definitivamente domesticados, abrutalhados, armazenados… amigos estrangeiros… nunca mais vos incomodarão.» Meia dúzia de ex/escravos governam milhões ainda sem carta de alforria.
Não são as roupas que são indecentes, mas quem as usa.
E os apoiantes da ditadura lavam-lhes a imagem: «A África é o continente berço da humanidade. O futuro está na África»
A avó criou as duas crianças com muito sacrifício. Já crescidas, cuidadas, vividas, retribuíram-lhe… envenenaram-na.
O dinheiro petrolífero suja as matas de betão. O que interessa é facturar sob um mar de cadáveres.
Muita gente diz que viu, falou com Jesus Cristo, com Deus, com a Virgem Maria, e muitas mais divindades. Mas ninguém conseguiu fotografá-los ou filmá-los.
O último partido político. «Então, tu por aqui? Sempre na incessante busca do homem desencaminhado, órfão político. Pois é… então o que fazes, quais são as últimas?» «Ando na demanda do último partido político.»
Estamos no pleno desenvolvimento, e contudo sem energia eléctrica. Infeliz povo que se deixa conduzir por pastores da desgraça. O constante desliga e liga destrói-nos o que resta dos nossos equipamentos e electrodomésticos. Dinheiro para comprar outros, está onde?! Até lugar para enterrar defuntos já se foi. Os cemitérios existentes estão em vias de declarados coisa de utilidade pública, reserva especial. E em cima do repouso dos nossos mortos edificar-se-ão centros comerciais, e magnificas torres de escritórios.
E vi um homem que parece só entender de futebol que nos ensina o que é, como deve ser Angola, e nela nos lecciona como se consegue dinheiro com facilidade e também como se educa a teimosia do homem novo nascido desta invulgar juventude. Ensinar-nos como apoiar os jovens sem qualquer interesse partidário, apenas porque compreende e se curva perante os anseios da mocidade inexistente, mais que evidente. Isto é que é a sublime apologia da humana caverna. E que triste exemplo da mediocridade humana tecer considerações, pretender dar lições a um homem, quiçá o único intelectual angolano, e não se sujeitar aos seus ensinamentos críticos. Agora até um insigne, talvez o único homem vivo de facto e de jure, Justino Pinto de Andrade, ser enxovalhado por um adepto do embrionário futebol angolano. Essa não! Que o adepto solicite imediatamente desculpas ao DR. Justino. Já o disse algures e repito-o: este é o tempo momentâneo da ascensão dos idiotas e similares ao discricionário poder. Isto não é política, é destruir o que ela nunca foi. Como é possível um homem nadar em dinheiro perante milhões de náufragos a sucumbirem agarrados em vão na âncora, no derradeiro suspiro das plataformas petrolíferas de alguns que de momento se arvoram de os únicos que institucionalizaram a democracia. Afinal as plataformas petrolíferas também produzem democratas.
Estamos no plano do pleno desenvolvimento, e contudo querem impor-nos o viver sem energia eléctrica.

Algures em Luanda, os cinco chineses desconjuntados pelo paludismo jaziam há alguns dias quase entre a vida e a morte. Um talvez chefe deles preocupava-se em diariamente dar-lhes um comprimido que não se sabia se era para baixar a febre ou não. O mwangolé vizinho da obra em que trabalhavam barafustou com o chinês que tomava conta deles. O chefe chinês não ligou, quer dizer, os cinco colegas morreriam pela certa. Então o nosso mwangolé cheio de compaixão levou os doentes para o hospital público mais próximo e passados dias salvaram-se.
Que infeliz povo, o angolano, que se deixa massacrar por governantes que elegeu com votos nas urnas. É uma democracia de lobos que devoram humildes e pacificas ovelhas. Como bancos de sangue sempre disponíveis para vampiros sempre sedentos de repastos se saciarem. Uma reserva estratégica para se banquetearem. Como gigantescos currais de gado inaugurados para abate. Pelo movimento pendular, abraçaremos mais um teatro de operações de mãos estendidas para conseguir algo de comida ofertada pelos brancos que escorraçámos.

Continuamos a assistir ao desfile de governos no poder, melhor dito, de palhaçadas… de aventureiros que levam à bancarrota os seus países, e a comunidade internacional não se move, finge, deixa andar. Desconfio mas é que o nosso planeta Terra foi invadido por uma raça de extraterrestres que nos dominam. Claro que isto não é nada de novo, mas que mais pode ser?
Que patético ousar afirmar depois da derrocada arquitectada e fomentada pelo inútil poder se diga com convicção: «A situação está difícil, já não se vê nenhuma luz no fundo do túnel.» O maior erro que o quase cinquentenário cometeu, e comete, foi vender-nos às redes mafiosas dos especuladores imobiliários internacionais conluiados com os novos-ricos locais. Farto-me de dar voltas na cabeça, e não consigo discernir qual é o sistema económico que vigora em Angola. Bom, acredito que é simplesmente a pureza de uma economia selvagem. Mas é que não existe nenhuma economia, existe é um grupo que rapina tudo para si sem deixar algumas moedas. Isto sim é que é o actual sistema económico que sobrevive. Na realidade quem nos governa é a fome. É um governo da fome e para a fome.

Há enxames de economistas que papagueiam a rodos sob o estado da economia. Mas ela definha-se no inexistente. Se os políticos são incompetentes, a economia também o é. E na multidão de economistas renasce o que não é. Se o governo atira a população para a fome, e revelando-se frívolo segue de plantão no poder? Porque a oposição é decerto, ou de grande modo, conivente. É um sofisticado satélite da lotaria habitacional.
É que estamos de tal modo no rumo do roubo e da corrupção que nada mais nos resta. Sim! Dos tubarões aos peixes mais minúsculos todos roubam, e se assaltam. Mais um país africano que ganhará o campeonato dos estados-falhados. Parece que está a dar brincar aos países. Sem dinheiro para pagar vencimentos, o poder desfigura-se na sistemática afirmação que existe crescimento económico. Todos sabemos que não é bem assim, e o poder insiste nesta maledicência. Mas parece que há, dá sempre para sustentar concubinas, amantes. Mas, perante este estado de coisas caótico a culpa é do governo, ou será porque a grande maioria da população, tal como em Portugal por exemplo, estão possuídas por uma epidémica idiotice natural?! Mas a culpa não é nossa, do povo, é do governo que não nos governa, lamentam-se. Mas quem votou nesse governo foi quem?!! Foi o povo, claro! Não se pode esperar nada de povos que passam o tempo em orgíacas e intermináveis festas.

Imagem: helenasantini.blog.uol.com.br




segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Espaço aéreo zimbabueano considerado dos mais perigosos


Pretoria (Canalmoz) - O Departamento de Aviação Civil do Zimbabwe (CAAZ) admitiu que os sistemas de vigilância e comunicações de que dispõe são obsoletos, o que faz com que o espaço aéreo do país seja considerado entre os mais perigosos de todo o mundo. David Chawota, director executivo do CAAZ, é citado pelo semanário o «Sunday Times» de Joanesburgo como tendo declarado perante um comité parlamentar que o sistema de vigilância do Aeroporto Internacional de Harare havia-se tornado obsoleto há pelo menos seis anos.
Segundo a fonte, diversas transportadoras aéreas internacionais optaram por desviar as suas rotas para o espaço aéreo de Moçambique e do Botswana quando efectuam voos entre aeroportos europeus e a África do Sul.
A par disso, as infra-estruturas do sector da aviação encontram-se dilapidadas. A quebra registada no número de voos com destino ao Zimbabwe provou uma redução acentuada nas receitas do sector da aviação civil, facto que contribuiu para o actual estado de coisas. Dos 82 mil voos registados nos aeroportos do Zimbabwe em 1997, o país contabilizou dois anos mais tarde um total de 30.000 voos, cifra que não será ultrapassada em 2010.

(Redacção) 2010-11-01 05:53:00