quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Bloco democrático: Declaração sobre os 35 anos de independência


1. A conquista da Independência Nacional, no dia 11 de Novembro de 1975, foi o culminar da luta de todo o nosso Povo, uma luta que conheceu várias etapas, onde se experimentaram diversas modalidades e se destacaram inúmeros protagonistas.

2. No dia 11 de Novembro de 1975, rompemos, finalmente, e em definitivo, as amarras que nos asfixiaram durante 5 séculos, encetando um novo percurso. Tomámos, assim, nas nossas mãos, a responsabilidade pela definição do nosso próprio destino.

3. Infelizmente, o modo como acedemos à Independência não foi o sonhado por todas as gerações de Angolanos e Angolanas que se bateram, com denodo e abnegação, por esse dia tão esperado.

4. O 11 de Novembro de 1975 encontrou o Povo Angolano profundamente dividido, praticamente com cada um de nós entrincheirado nos limites estreitos das suas convicções e afinidades políticas. Fruto das contingências da época e da ambição de poucos, desvalorizamos o bem maior que era a unidade e solidariedade entre os Angolanos.

5. Não foi possível, de imediato, iniciarmos a construção de uma Pátria Una e Indivisível, onde todos coubéssemos sem distinção. A Guerra que se seguiu ao Dia da Independência produziu resultados nefastos e com reflexos de muito longo prazo, ao ponto de vermos prolongado o sofrimento do Povo Angolano por mais 27 anos.

6. Hoje, 8 anos depois do fim da Guerra Civil, e não obstante a Paz Militar, sentimos que nos faltam Paz Civil e Paz dos Espíritos, condições essenciais para pudermos, como Um Só Povo, trilhar os verdadeiros caminhos do desenvolvimento.

7. O Bloco Democrático, partido político herdeiro de um património histórico de luta pelas causas mais profundas dos Angolanos e das Angolanas, constituído como uma verdadeira e sólida federação de democratas apostados num futuro melhor para o nosso país, saúda todo o Povo Angolano por mais este Dia Glorioso.

8. O Bloco Democrático promete que tudo fará para que os tempos vindouros sejam de Paz, Concórdia e Progresso, com o concurso de todos, sem exclusões nem discriminações.

9. Viva a Independência Nacional! Glória aos que por ela tudo fizeram, dando o seu melhor!

Luanda, 09 de Novembro de 2010.
O Presidente do Bloco Democrático
Justino Pinto de Andrade

Declaração política dos POC sobre os 35 anos da Independência Nacional


Angolanos, parabéns pelos 35 anos de independência!

1 - Neste contexto, somos a averbar que seria desonra de nossa parte se não reconhecêssemos os ganhos alcançados, embora muito aquém do esperado. Entretanto, são de facto 35 anos de independência, que supostamente estaríamos livres sim senhor, decisores de nossas ideias e arquitectos de um país que seria na sua essência o miradouro para o triste continente africano. Mas, isto não acontece, verdade seja dita e nesta hora de balanço, os POC e uma maioria esmagadora de angolanos lúcidos, concluem que estamos a regredir substancialmente. Saímos de um regime comunista de partido único, para um regime ditatorial de único partido, cujo governo se serve do nome de um Estado que deveria ser soberano para afundar no lamaçal do neocolonialismo um povo humilde e modesto que se sacrificou para um bem-estar que hoje lhe é literalmente negado, facultado por políticas e atitudes que tendem a incrustar nos cidadãos uma postura de conformismo e obediência cega, assegurada pelo analfabetismo, subtilmente encorajado pelo Executivo actual.

2 - Imbuídos por um sonho de futuro radiante projectado por Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi, na senda de N’Ginga Mbandi, Ekuikui, Mandumen, Muatchianvua, Mutuyakevela e outros, caímos no ardil lançado por homens enigmáticos que nos negam o genuíno direito a terra e a vontade de bradar aos céus: “o orgulho de ser angolanos na pátria onde nascemos”. Pois, volvidos 35 anos, assistimos impotentes ao desfilar de um cortejo de promessas, perplexidades, manobras dilatórias, mentiras, roubos, assassinatos de patriotas indomáveis e destemidos e o afastar cada vez mais da realidade deste sonho de que Angola seria realmente para os filhos angolanos. Mentira.

3 - Este estado de coisas, sem exagero, modéstia a parte, com a maior das mágoas, força-nos a declarar: “Os angolanos estão decepcionados”, “Antigos combatentes, veteranos de guerra e reformados das FAA, não se coíbem em dizer que os anos de luta em armas foram de facto um sacrifício em vão”.

4 - Nesses 35 anos de liberdade e auto determinação de Angola, no contexto das nações, infelizmente lacrou no rosto dos angolanos a frustração motivada por uma governação predadora dos desígnios fundamentais da nossa angolanidade, vulnerável ao estrangeirismo e ao desvio do ideário que motivou a consciência nacionalista, daqueles que pegaram em armas para pôr fim à escravatura portuguesa. Esses 35 anos, 8 de paz total, serviram já para dissiparmos todas as dúvidas e aprimorarmos todos os projectos que a priori visariam a construção de uma verdadeira nação reencontrada no tempo e no espaço, inclusiva, participativa. Isso, caros angolanos, não aconteceu e pelo andar da carruagem, não é tão cedo que tal desiderato se vai efectivar. Pelo contrário, é morte de uma nação genuína e por cima dela, vemos erguer um país arco-íris híbrido, elitista, estrangeirista, exclusivista, discricionário e anti-popular em que o nepotismo, o compadrio e o favoritismo se sobrepõem aos valores morais e ao direito natural fundamentado no: “para cada um segundo seu trabalho e a cada um segundo sua capacidade, sem distinção alguma”.

Esta constatação, se justifica pelo simples facto de tudo andar a volta da figura do chefe, tais como:
1 – Um empresário para ter êxito no ramo, tem que fazer parte do ciclo da nomenclatura;
2 – Jovem recém-formado que precisa de emprego, tem que ser militante do MPLA;
3 – Um quadro competente que queira projecção, deve ostentar nome de alguém ligado ao poder;
4 – Artista talentoso, mas se quer ganhar um prémio tem que tecer rasgados elogios ao Chefe de Estado;
5 – Contrariamente, político assumido afecto a oposição, é alvo a ser ofuscado, salvo aos que assumem o papel de repetidores do regime.

Em suma, o regime pretende impor aos angolanos um modelo de democracia fechada, onde o sistema no seu todo é comandado por alguém a partir do seu gabinete, longe da pluralidade, do modus-vivendi dos pacatos cidadãos e do debate franco e aberto. Um sistema onde o povo é serviçal do regime ao invés de ser o dono do poder e o verdadeiro soberano da pátria.

6 - A guerra não deve ser a eterna culpada dos males com que os angolanos se debatem. Os detentores do poder de decisão, deveriam sim trabalhar para uma verdadeira unidade nacional, factor catalisador da auto-estima, rumo a prosperidade nacional. A conquista do multi-partidarismo que todos esperavam iria conduzir o país para uma democracia real, lamentavelmente os detentores do poder a todo o custo inviabilizam. A injusta maioria qualificada arrebatada nas eleições fraudulentas de Setembro de 2008, não está a servir a maioria consagrada na medida em que deu azo a uma Constituição que apenas responde os interesses de um pequeno grupo, e no âmbito da adequação das leis ordinárias à Constituição, está a produzir normas que agridem o processo democrático em Angola e fere os direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos apunhalando assim a democracia nascente.

A Liberdade de Expressão; Liberdade de Imprensa, o direito de manifestação, de reunião, na prática desapareceu; a opressão e as restrições tomaram ao de cima, em suma sentimo-nos oprimidos. Para dizer que não faz sentido, dia 09 de Novembro de 2010, em plena comemoração de mais um aniversário do dia da Independência, mulheres pacíficas enquadradas na Associação Plataforma de Mulheres em Acção, apoiadas pela Open Society e Mãos Livres, sejam impedidas brutalmente de manifestar na conquista de seus direitos, onde quatro das mulheres participantes e pertencentes a organização, foram enviadas para a cadeia.

7 - Os concidadãos de Cabinda e das Lundas que pelos meios acordados pela Constituição reivindicam por direitos condizentes com as especificidades que os caracterizam, são ordenados simplesmente a calarem-se e a ficarem sossegados. Contudo, os POC, nesse dia de reflexão que é o 11 de Novembro, assume e declara publicamente que não é com o calar das vozes e outros meios coercivos que se vai resolver o problema e se dissipar as diferenças que fazem a força da diversidade de Angola.

Mas, repetimos, não seria bom que essas leis, esses procedimentos do governo actual, empurrassem os angolanos para a clandestinidade, quando propalamos aos quatro ventos, “somos totalmente independentes, totalmente livres e com isso temos as vias abertas para a construção de uma Angola estável e igual para todos”. Infelizmente estamos muito longe disso.
Para termos uma ideia, a aprovação do Projecto de Lei Contra a Segurança de Estado e a Lei dos Partidos Políticos é mais do que um regresso aos tempos de guerra, onde não se podia, nem sequer dizer “tenho fome”. Senão, e como exemplo, vejamos:

Lei contra a Segurança de Estado,
Artigo 25º, dispõe: (Ultraje ao Estado, seus símbolos e órgãos)
1 – Quem, publicamente, em reunião ou mediante a difusão de palavras, imagens, escritos ou sons, ultrajar maldosamente a República de Angola. O Presidente da República ou qualquer outro órgão de soberania é punido com pena de prisão de 6 meses a 3 anos ou com a multa de 60 a 360 dias.
2 – Se o ultraje tiver por objecto a bandeira, as cores, a insígnia ou o hino da República, a pena de prisão é até 2 anos ou de multa até 240 dias.
3 – Se o ultraje for dirigido a membros da Assembleia Nacional, do Governo ou a magistrados, a pena de prisão é de 2 anos ou de multa até 240 dias, se a pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição penal.
Lei dos Partidos Políticos, Artigo 38º

Incitamento à violência:
É punido nos termos da Lei Penal em vigor o dirigente ou activista de um partido político que por escrito, actos, gestos ou declaração pública, no exercício ou por causa do exercício das suas funções:
a) – Incitar à violência ou empregá-la contra a ordem constitucional e legal vigente;
b) Atentar contra a unidade nacional;
c) Fomentar o tribalismo, racismo, regionalismo ou qualquer forma de discriminação dos cidadãos;
d) Incitar à violência contra membros ou simpatizantes de algum partido ou ainda contra outros cidadãos.

É preciso lutarmos para que se abra uma nova dinâmica no domínio social, para alterar ou destruir a estrutura social existente considerada de alto risco, onde uns têm tudo mais alguma coisa e outros não têm nem sequer a dignidade como humanos, onde o Cartão de Militante do MPLA ironicamente tem mais valor do que O Bilhete de Identidade. Outrossim, a estratégia urbanística, consubstanciada na Requalificação das zonas urbanas, em toda a extensão do território, não responde as necessidades prementes dos angolanos, assim como, a metodologia encontrada para a materialização desta política, é excessivamente violenta e de algum modo desumana.

Tudo isso semeou em nós o pavor e levanta a razão de nos indagarmos: Será que vamos viver mais num estado de ditadura onde o nosso filho, tal como no passado, vai outra vez à cadeia, só por ter gritado e reclamado por um pedaço de pão para mitigar a fome, mesmo passando pelas injúrias que vivemos no “ Ché menino não fala política?”

Sua Excelência Senhor Presidente da República, Senhores Deputados, Membros do Governo, Representantes da Sociedade Civil, Representantes da Comunidade Estrangeira acreditada em Angola, sem animosidades, destemperados, com o espírito crítico e patriótico, coloquemos a mão na consciência e respondamos em uníssono se de facto, é realmente por esta Angola que nos sacrificamos? Muito dinheiro foi esbanjado e desviado, o erário nacional está usurpado, muito tempo foi perdido fruto do empirismo e do espírito de mercenarismo em que aqueles que estavam a frente dos dossiês e projectos, falsificaram estudos de viabilidade para disso tirarem proveitos económicos e como resultado, esses reajustes paliativos que na sua essência não é o ideal preconizado.

Bem-haja o 11 de Novembro e que realmente em 2012, os angolanos se revejam e possam livre e condignamente escolher outros representantes que venham a corrigir o curso da nossa história, flagelada desde há 500 anos.

Luanda aos 10 de Novembro de 2010
A Direcção dos POC

Declaração da UNITA sobre a celebração do 35º aniversário da independência de Angola


1. Por ocasião da celebração do 35º aniversário da proclamação da independência nacional, a UNITA saúda os antigos combatentes e todos os veteranos da Pátria e rende homenagem à memória de todos os partícipes da luta multiforme, dura e prolongada, que resultou na conquista da independência nacional, em 11 de Novembro de 1975.

2. Foram protagonistas desta gloriosa epopeia vários actores, em várias partes de Angola e do mundo, com destaque para os três Movimentos de Libertação Nacional: a FNLA, o MPLA e a UNITA, dirigidos respectivamente por Álvaro Holden Roberto, António Agostinho Neto e Jonas Malheiro Savimbi.

3. Estes dirigentes nacionalistas subscreveram os Acordos do Alvor, em Portugal, em Janeiro de 1975, que estabeleceram a obrigação de se realizarem eleições gerais para uma Assembleia Constituinte em Outubro de 1975 e a data da independência de Angola em 11 de Novembro de 1975, a ser solenemente proclamada pelo Presidente da República Portuguesa, enquanto representante do país descolonizador.

4. Infelizmente, nem as eleições foram realizadas, nem a independência foi proclamada pelo Presidente da República Portuguesa, na presença dos legítimos representantes do povo angolano que subscreveram os Acordos do Alvor. Angola nasceu, assim, como país independente, sem eleições, sem unidade nacional, sem tolerância e sem a democracia que produz a paz.

5. Volvidos 35 anos, a grande maioria do povo angolano ainda não usufrui os frutos da independência, porquanto:

a) Os seus direitos e liberdades fundamentais bem como os seus direitos políticos, económicos, sociais e culturais continuam a ser sistematicamente violados pelos poderes públicos.

b) O actual Presidente da República exerce o poder político há mais de 30 anos, sem se submeter à eleição e ao controlo do povo soberano de Angola. Estabeleceu um regime autoritário sob uma Constituição autocrática que ofende a democracia e não serve as legítimas aspirações de liberdade do povo angolano.

c) O potencial de riquezas do país não está a ser empregue para o bem-estar do povo. O país continua sem um programa de desenvolvimento inclusivo e sustentável, enquanto estratégia para um combate eficaz à pobreza. O actual Executivo promove a exclusão por via da partidarização da sociedade, do apartheid económico e outras manifestações hegemónicas.

d) Enormes recursos provenientes do petróleo e de outras fontes de riqueza nacional continuam a ser desperdiçados, esbanjados e desviados dos cofres do Estado pelos governantes, conforme provam vários relatórios de organizações nacionais e internacionais credíveis e nunca desmentidos.

e) Vive-se um aparente momento de crescimento económico e de prosperidade material do qual a grande maioria dos angolanos não participa nem beneficia. É gritante a falta de investimentos sérios no desenvolvimento humano e em infra-estruturas de saneamento básico.

f) Os sistemas de educação, saúde e de segurança social estabelecidos contrariam os objectivos seculares da independência de Angola.

g) Tal como em 1975, a economia política angolana continua estruturada para o exterior e dependente do exterior.

h) O Estado da Angola independente institucionalizou a corrupção a coberto da qual os titulares dos seus órgãos de soberania e a elite dominante utilizam recursos públicos para promover empreendimentos privados e enriquecimentos ilícitos enquanto os angolanos continuam mergulhados num nível de miséria pior que a dos tempos do colonialismo.

6. Perante este quadro, a UNITA declara o dia 11 de Novembro de 2010, dia da celebração do 35º aniversário da independência nacional, um dia de profunda reflexão sobre o futuro de Angola.

7. A UNITA exorta, assim, todos os patriotas a reflectir sobre as estratégias mais adequadas para a concretização efectiva dos objectivos da independência nacional para o benefício de todos os angolanos e das gerações vindouras.

Luanda, 10 de Novembro de 2010

O COMITÉ PERMANENTE DA COMISSÃO POLÍTICA DA UNITA

O mistério dos cinquenta milhões da embaixada em Washington


Curto-circuito no relacionamento entre Luanda e Washington
Pelos vistos, não está nada fácil a resolução da maka dos 50 milhões de dólares do BNA, que é o montante de um milionária transferência para os EUA que desde 2002 tem vindo a ser sucessivamente bloqueada pelas autoridades norte-americanas.

Morrodamaianga.blogspot.com

A última tentativa de fazer chegar o referido montante aos EUA passou pela conta da embaixada angolana em Washington, o que também parece não ter resultado diante do novo bloqueio imposto pelo Departamento de Tesouro.
As informações mais recentes sobre o dossier dão-nos conta de uma aparente subida de tom no relacionamento diplomático entre as duas capitais, com o Ministro das Relações Exteriores a convocar o encarregado de negócios norte-americano em Luanda a fim de lhe pedir explicações oficiais sobre o que se está a passar em terras do Tio Sam com os 50 milhões de dólares.
Para já pouco mais se sabe, uma vez que o encarregado convocado não estava em condições de esclarecer as autoridades angolanas sobre o ponto da situação do milionário dossier.
1 comentários:
Baia-Azul disse...
Há uma questão que é fundamental dominar nesta área dos mercados financeiros e das transferências financeiras oficiais; a questão não está no volume de dinheiro a transferir, mas no destino que é dado a este dinheiro. Estou ligado ao mercado financeiro e todos os dias existem estas chamadas "wire transference" ou "cable transference" e enganam-se os que pensam que uma vez transferido, o dinheiro pode ser usado como a gente quer. Não é bem assim. Por isso é que é fundamental usar o dinheiro electrônico, os pagamentos feitos em "money orders", cheques e outros instrumentos que permitem identificar os beneficiários e o tipo de pagamentos contra os serviços que são prestados. Quando isso acontece até se podem efectuar outras tantas transferências de 50 milhões de dólares. Mas este dinheiro é usado, por exemplo, para alimentar vaidades, pagamentos duvidosos e a entidades obscuras que não o justificam então nem que a transferência fôr de 300 mil dólares é imediatamente bloqueada. Para perceber como funcionam estas instituições onde existe uma sensibilidade aos factores de corrupção precisamos perceber as suas leis e as ligações com o mercado. Só o facto de sermos um estado soberano e independente não nos dá o direito de fazermos transferências ausentes da essência de "good faith" para outro país.

Jornalista português lança hoje biografia de Mandela


Pretoria (Canalmoz) - É lançado em Lisboa, hoje, 11 de Novembro de 2010, o livro, “Mandela: a construção de um homem” de autoria do jornalista português António Mateus. Editado pela Oficina do Livro, a obra é prefaciada pelo comentador político afecto ao Partido Socialista português, António Vitorino, figura ligada ao BCI por via da Caixa Geral de Depósitos. Graça Machel assina o posfácio.
De 50 anos de idade, António Mateus iniciou a sua actividade jornalística no jornal O Globo em 1982. Desde então serviu as agências NP e Lusa, de que foi chefe de delegações em Maputo e Joanesburgo, de 1986 a 2003. Durante a vigência do regime de ditadura em Moçambique, António Mateus foi expulso do nosso país por decisão do então ministro da Informação, Dr. Teodato Hunguana. Depois disso, após o Acordo Geral de Paz, visitou Moçambique por diversas vezes.
A par dessas actividades, a carreira de António Mateus incluiu colaboração com canais televisivos, e BBC, Voz da América, RDP, revista Visão e Jornal Expresso.
Foi o primeiro Conselheiro de Comunicação da CPLP, Director-fundador da revista Focus, Editor de Política Internacional da RTP.
António Mateus é autor de outros dois livros: "Homens vestidos de Peles Diferentes" (Ulmeiro) e "Selva Urbana" (Colibri). (Redacção)

2010-11-11 06:11:00

Canalmoz solidariza-se com fotojornalista ferido no Afeganistão


Maputo (Canalmoz) - Cresce a campanha solidariedade para com João Silva, fotojornalista do «The New York Times» que ficou gravemente ferido devido à explosão de uma mina no Afeganistão o mês passado. O Canalmoz associou-se à campanha, tendo inserido no seu portal (www.canalmoz.com) uma chamada à página oficial de João Silva na Internet, apelando à solidariedade para com o nosso colega de profissão, nascido na África do Sul e que é de origem portuguesa.
João Silva, de 44 anos, encontra-se hospitalizado nos Estados Unidos, após ter sido evacuado do Afeganistão para um centro de saúde na Alemanha.
Além da guerra no Afeganistão, o fotógrafo cobriu os conflitos no Iraque, nos Balcãs e no Oriente Médio, o que lhe rendeu vários reconhecimentos e prémios, segundo noticiou a agência de notícias espanhola, EFE.

(Redacção) 2010-11-11 06:14:00

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

José Eduardo dos Santos apadrinha negócios ilícitos. Declarações a propósito dos 35 anos da independência de Angola


Jornalista Rafael Marques acusa Eduardo dos Santos de apadrinhar negócios ilícitos

Em entrevista no programa Pessoal e Transmissível, da TSF, o jornalista angolano e activista na luta contra a corrupção Rafael Marques de Morais voltou a acusar o presidente angolano José Eduardo dos Santos de apadrinhar negócios ilícitos.
Publicada por: publico

Rafael Marques de Morais TSF

Em declarações a Carlos Vaz Marques, Marques apontou ainda o dedo a Portugal, considerando que é um país subserviente em relação ao regime de Luanda.

Nesta entrevista, que passará na íntegra hoje pelas 19h00, na véspera do dia em se cumprem 35 anos sobre o 11 de Novembro de 1975, em que o MPLA, de Agostinho Neto, proclamou unilateralmente a independência de Angola, o destacado jornalista e pesquisador acusou José Eduardo dos Santos de fechar os olhos, apadrinhando desta forma negócios ilícitos, dizendo que ele “apregoa a transparência para depois, na prática, fazer o contrário”.

Nesta entrevista, o activista na luta contra a corrupção, que ainda há semanas foi perseguido pela polícia durante uma deslocação à região diamantífera das Lundas, voltou ao tema que é alvo do seu site “Maka”, que constitui uma iniciativa anti-corrupção.

Contactado pela TSF, o ministério português dos Negócios Estrangeiros optou por não comentar estas declarações, assim como a embaixada de Angola em Lisboa.

"Partilhar experiências"
Entretanto, em Luanda, para a comemoração dos 35 anos da independência, o presidente da Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros, o deputado do CDS/PP José Ribeiro e Castro, filho de um antigo governador-geral da Angola do tempo colonial, destacou a importância desta visita para “partilhar experiências”.

Ribeiro e Castro considerou que “o facto de existirem críticas é um sinal de que existe debate democrático no país”.

“Por um lado, as pessoas queixam-se que não há democracia mas, por outro lado, a própria prática dessas críticas de uma forma aberta é sinal de que existe liberdade de expressão e do próprio debate democrático”, considerou o antigo líder do CDS/PP.

O último caso a bater à porta das investigações de Rafael Marques, e divulgado há cinco dias no site “Maka”, sumariza o "papel do investimento estrangeiro no aumento, consolidação e institucionalização dos esquemas de corrupção, em parceria com a liderança política do país”.

A 12 de Junho de 2009, o ministro de Estado e chefe da Casa Militar da Presidência da República, General Manuel Hélder Vieira Dias Júnior, “Kopelipa”, criou, como sócio maioritário (40 por cento), a empresa Auto-Star Angola. Ao director-adjunto do Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN), Manuel José Cardoso do Amaral Van-Dúnem, e ao “fiel depositário dos negócios do general”, Manuel Domingos Inglês, cabe uma quota de 10 por cento cada. Por sua vez, os empresários Herculano de Morais e António de Lemos, têm respectivamente 30 por cento e 10 por cento das quotas da sociedade.

“Kopelipa” tem vindo a ser considerado um dos homens mais poderosos de Angola, estendendo a sua actividade inclusive a Portugal. Há dois anos, pagou um milhão de euros por duas áreas no Douro para produzir vinho e exportar, conforme o PÚBLICO já noticiou.

Os libertadores da independência perdida


As naus já perdiam o navegar e os libertadores seguiam pelos matos a desmatar, a desbravar a liberdade.

Com a ajuda das forças progressistas do mundo fizeram-se muitas promessas: que o nosso povo seria o mais feliz deste mundo e agora jaz no outro.
A independência chegou e de rompante os nossos corações conquistou.
E as promessas multiplicavam-se: que o nosso povo vive na miséria. Que vamos acabar com os musseques e reconstruir uma nova cidade, reconstruir tudo.

Não, não era uma libertação, era uma revolução. E para a apoiar, segurar, fazia-se mister imprescindível a implantação de outra GESTAPO, para prender tudo e todos os que não estivessem de acordo com as leis revolucionárias. E uma só religião, o ateísmo. Povo há quinhentos anos temente a Deus, assim tão de repetente dizem-lhe que Ele não existe, não dá mesmo. É uma atrapalhação e daí a tremenda confusão nas cabeças a abarrotarem de superstição na imolação socialista.

Às Testemunhas de Jeová que se recusavam a combater, a sua religião proíbe-o, utilizava-se o método da NKVD soviética: um tiro na cabeça. E a revolução prosseguia o seu caminho imparável no caminho incerto das conquistas revolucionárias… ao lado dos outros povos amantes da paz, da liberdade, do progresso e da justiça.

E revolucionou-se o comércio com a instituição das bichas, que comparado com o que hoje se passa, era uma bênção divina. Quem ousasse acrescentar algo que não se coadunasse com a pureza marxista-leninista, apelidava-se de contra-revolucionário, defensor da ideologia pequeno-burguesa, burguês… e lá ia mais um pobre diabo para a prisão do campo revolucionário da reeducação.

No fundo era uma concorrência desleal ao Tarrafal. A prisão de S. Paulo que deveria ser uma peça de museu, reabre-se em força no festejo de novas vítimas para os novos algozes, que sentem um prazer mórbido em torturar e aniquilar o semelhante. Trabalho não lhes faltava, era outra concorrência terrivelmente desleal aos campos de concentração nazis.

Sempre com a verborreia de que era necessário fazer a guerra para acabar com a guerra, destruíram a nação na acção libertadora de tantos libertadores. Antes iniciou-se a destruição sistemática de tudo o que era colonial. Todas as estruturas portuguesas condignas destruíram-se selvaticamente apenas porque foram os colonos que as construíram. Era importante acabar com todas as reminiscências ocidentais e conduzir o povo angolano rumo ao abismo dos SEM FUTURO.

E os libertadores da Pátria libertaram só para eles, para as suas famílias e os seus amigos, o petróleo e os diamantes. Para isso instituíram a corrupção e o uso e abuso do erário público. Porque era fundamental para combater o inimigo deter todos os bens nas mãos dos famosos libertadores E são sempre os mesmos revolucionários que nos governam, sempre com o mesmo dicionário. Mas, verdadeiramente Angola está no saque da vitória final e da vitória certa.

E os discursos paternalistas doentios de estadistas sucedem-se. Afinal não aprenderam nada sobre Angola. Na verdade não é possível sintonizar tal aleivosia:

Que interesse tem esta independência sem energia eléctrica, sem água, sem nada.
E agora já sabemos para onde vamos: para lado nenhum, isto é, na eterna procura da independência perdida. Somos apenas um povo constantemente perseguido por fiscais e congéneres que nos espoliam o que nos resta… a fome.




Situação militar tensa em Cabinda


Cabinda - A facção da FLEC leal a Nzita Tiago reivindicou um ataque ontem em Cabinda… e a facção leal a Alexandre Tati afirma que se houve uma ofensiva das Forças Armadas Angolanas contra tropas rebeldes.

Fonte: VOA CLUB-K.NET

Sem esclarecimentos de Luanda fica a hipótese de se terem verificado dois ataques, um da FLEC e outro das FAA.


A facção leal a Nzita Tiago diz que atacou a escolta militar de uma viatura que transportava funcionários de uma empresa de prospecção de petróleo. O general Nhemba Pirilampo disse à VOA que no ataque as suas forças abateram um total de 12 militares e civis. Diz também que os ataques vão continuar até que Luanda aceite negociar a paz com Nzita Tiago em vez de manter conversações com Tati e Estanislau Boma

Aliás, o brigadeiro Gimbi Semfa, leal à facção da FLEC de Alexandre Tati afirma que três horas após o ataque de Nhemba um campo de Boma foi atacado pelas FAA tendo sofrido três mortos 4 dois feridos.

Levanta-se, assim, a hipótese de se terem registado dois ataques, mas Luanda ainda não confirmou qualquer acção militar contra as forças de Boma e descreveu o ataque de Nhemba como um acto terrorista.

Estanislau Boma lamentou que as suas forças tenham sido atacadas durante uma trégua e num momento em que se devia falar de paz. Não está fora de causa que a acção das FAA, como retaliação pelo ataque de Nhemba, tenha sido desencadeado contra o alvo errado – Boma.

Dirigente da UNITA hostilizado por defender realização de congresso


Lisboa - Foram dadas como confirmadas informações segundo ais quais a UNITA teria instruído os seus secretários províncias a fazerem defesa da realização do próximo congresso para depois das eleições de 2012, e não para 2011. António Francisco Hebo, o Secretário Provincial da UNITA no Kwanza Norte é citando como estando a observar ambiente de hostilização por ter alegadamente defendido a realização de um congresso partidário para próximo ano, conforme mandam os estatutos do seu partido.

Fonte: Club-k.net

António Hebo fez tal defesa a margem da reunião da Comissão Política realizada a 27 de Setembro do corrente. Na seqüência da posição tomada, o partido cortou-lhe o salário. O dirigente deslocou-se a Luanda por motivos de saúde e não teve apoio do seu partido. Há informações confirmando que foi recebido esta segunda feira (8 Novembro) por Isaias Samakuva, o Presidente do partido para manifestar o seu “desagrado” quando as sanções que esta a enfrentar.

De referir que as estruturas dos Secretariados províncias estão a cerca de 4 meses sem receberem as suas verbas. O sector de finanças da UNITA em Luanda decidiu por enviar um subsidio para os Secretários províncias para cobrir as seus despesas. Em justificação interna, os responsáveis das finanças confirmam que António Hebo não recebeu “de facto” o subsidio em causa e alegam que na sua condição estão cerca de nove secretários sem receberem salários.

António Hebo ficou notabilizado como sendo um dos mais novos quadros da UNITA a dirigir um secretariado. Em Novembro de 2009, o governo da província do Kwanza Norte impediu lhe de realizar uma greve de fome contra a “exclusão e incumprimento dos acordos de Paz entre a UNITA e o Governo de Angola”.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

REPORTAGEM. Luanda cara e pobre




Tiene crudo. Mucho. Y las petroleras, las inmobiliarias, los bancos y China la han elevado a la cúspide en la lista de ciudades más encarecidas del mundo en 2010. Pero la capital de Angola es mayoritariamente pobre. Sus calles muestran la convivencia extrema entre escasez y opulencia en África. Otro buen ejemplo de espejismo económico.

FRANCESC RELEA Y EMANUELE GIUSTO 07/11/2010
http://www.elpais.com/articulo/portada/Luanda/cara/pobre/elpepusoceps/20101107elpepspor_9/Tes

Desde la planta 25 del hotel Presidence, el panorama de la ciudad más cara del mundo es una alucinación, un bosque de grúas sumergido en humo de tráfico y colores de arrabal; entre el sueño que levanta el dinero y el caos de la miseria. La ciudad más cara del mundo no está en Suiza, EE UU o Japón. Ni en China o Rusia. Tampoco figura en ninguno de los países conocidos como "tigres asiáticos", ni en las economías emergentes. Está en África, continente rico en materias primas y maldito por décadas de colonialismo, guerras, sequías, enfermedades, hambrunas y gobernantes sin escrúpulos. La urbe más cara del planeta para los expatriados, según un estudio pormenorizado de la consultora internacional Mercer, es en 2010 Luanda, capital de Angola (en 2009 lo fue Tokio, hoy en segundo lugar). Una ciudad con casi cinco siglos de vida desde su fundación por los portugueses en un puerto natural en el Atlántico, y una nación que ha padecido y padece varios de los grandes males africanos. El más grave, la guerra que duró 38 años, primero contra las tropas coloniales portuguesas y luego entre grupos guerrilleros que lucharon por la independencia (1975). Una guerra que devastó el 70% de las infraestructuras y dejó el país sembrado de minas. El Gobierno -J. E. dos Santos es presidente de la república desde 1979; las primeras elecciones democráticas de 2008 ratificaron al Movimiento Popular de Liberación de Angola (MPLA), en el poder, al derrotar a la opositora Unión Nacional para la Independencia Total de Angola (UNITA), el gran enemigo durante la guerra civil- ha recuperado la red principal de carreteras entre Luanda y las provincias, pero hay miles de kilómetros de rutas secundarias y puentes por reconstruir.


Un hotel cuesta desde 350 euros al día; alquilar un piso, 9.000 al mes

"Apenas hay producción propia, Todo es caro por-que todo ES importado"

Los barcos repletos de mercancías se pasan meses anclados en el puerto

Su economía gira sobre el oro negro. China es su primer comprador

Con la firma de la paz en 2002, Luanda se convirtió en un hervidero de obras, donde proliferaron los rascacielos, sedes de compañías petroleras, de seguros y bancos, que han enriquecido a promotores inmobiliarios. Las Torres Atlántico, frente a la bahía de Luanda, que albergan las sedes de tres empresas petroleras, Sonangol (la compañía estatal), Esso y British Petroleum (BP), y un edificio de pisos, 250 millones de euros de inversión; la Torre Angola, de 70 pisos, en fase de construcción, y la torre China International Fund, son símbolos del boom económico de Angola que ha dado a luz a la nueva Luanda, una especie de El Dorado para modernos pioneros, hombres de negocios de todo el mundo, y a otras cosas. Durante los primeros años de la posguerra, las críticas a la corrupción imperante en la nueva Administración fueron constantes por parte del FMI y los países donantes, que veían cómo millones de dólares en ayuda se esfumaban del presupuesto del Estado. La corrupción (figura entre los 20 países más corruptos) y las pésimas condiciones de vida de la mayoría de angoleños no han desaparecido del escenario.

"Un termitero", así define el escritor luso José Eduardo Agualusa, hijo de colonos blancos portugueses, la atmósfera de Luanda, con su arquitectura colonial decadente, castigada por impactos de mortero; con los rascacielos que brotan, irregulares, clavados en el enredo de calles demasiado pequeñas y destrozadas para permitir el flujo de todoterrenos y coches de alta gama. En el tráfico congestionado de Luanda, recorrer un kilómetro puede suponer horas, no en vano algunos vehículos llevan tele incorporada; las fuerzas del orden no parecen ayudar a mejorar el tránsito, convirtiendo la "gaseosa", la manera amable de pedir el soborno, en la insistente palabra clave de la capital.

Porque aquí no hay taxis. Para qué, si apenas hay turistas, deben pensar las autoridades municipales. El transporte público está en manos de los candongueiros, minibuses blanquiazules que serpentean por la ciudad por 100 kwanzas (0,7 euros) cargados con hasta 20 pasajeros apiñados en un calor húmedo e insufrible. Las plazas hoteleras en Luanda son limitadas. Por una habitación se debe casi suplicar aquí, conseguirla cuesta tiempo y dinero, no menos de 350 euros diarios. Los pisos de alquiler oscilan entre 3.500 y 14.000 euros al mes, y un almuerzo en un restaurante no baja de 35. El salario mínimo oficial es de 143, pero muchos no ganan más de 36. Dos tercios de la población cuenta con apenas 1,4 euros al día.

Los millones de pobres sobreviven en este lugar de precios disparatados gracias al pulmón del comercio local que es Roque Santeiro, uno de los mercados al aire libre más grandes de África, donde es posible toda compraventa. Ropa, comida, reparaciones, cursos de inglés, hasta pequeños cines en tiendas que emiten el último éxito local. Roque Santeiro es un mercado informal creado por el Estado en una superficie de dos kilómetros cuadrados que tuvo una importancia capital en la economía de Luanda durante 25 años. El volumen de negocios ronda los ocho millones de dólares diarios. En agosto pasado, el Gobierno cerró el mercado que estaba junto al puerto y lo trasladó a 30 kilómetros de la ciudad, por razones de salud pública y delincuencia.

Son algunas estampas de esta ciudad extrema, en la que un técnico expatriado de Washington tiene que duplicar sus ingresos para mantener un poder adquisitivo similar, aunque la calidad de vida no sea la misma, dice el economista angoleño Manuel Ennes Ferreira, que emigró a Lisboa con 25 años en 1980. Vivió los tiempos duros de la guerra, fue dirigente del MPLA, hasta que se pasó a las filas de la disidencia. Ex consultor del Banco Mundial y la CE, entre otros, asegura que todo es muy caro "porque todo es importado, la producción local es casi inexistente. Los costes de importación, transporte y comercialización son elevadísimos y, además, en Luanda no hay competencia porque impera un oligopolio cuando no un monopolio". Las causas de la locura de precios en la capital angoleña no terminan aquí. "No hay suficiente electricidad porque las presas no consiguen abastecer la demanda", prosigue. "La mayoría de empresas tiene generadores que queman fuel por el que pagan un alto precio".

Los costes de transporte, una de las razones de la carestía de la vida en Luanda (algunos ejemplos: caja de queso de untar, 14 euros; cubo de fregona, 70; hamburguesa, 13...), tienen que ver con el funcionamiento deplorable del puerto, carcomido por la ineficiencia y la corrupción. El mar del Marginal, la bahía del paseo marítimo, es verde, químico, está muerto. Y los barcos, repletos de mercancía, permanecen anclados, quietos durante semanas y meses, con la tripulación hundida en el aburrimiento, como si Angola pudiera permitirse el lujo de tirar el dinero. Y no. Su industria es paupérrima; necesita desesperadamente los materiales que no sabe producir por sí misma y la mano de obra que llega de China, Brasil y Portugal, tres de los grandes suministradores.

Hoy en Angola, como en casi todo el continente africano, brigadas de obreros chinos trabajan de sol a sol (capaces de levantar edificios de 20 plantas en dos meses, encerrados en el recinto de obra, con camas calientes) en la construcción de autopistas de seis carriles, puentes, hospitales, presas, centrales eléctricas... El trato es simple. China pone en pie las infraestructuras inexistentes a causa de la guerra o el subdesarrollo a cambio de las materias primas que necesita para alimentar su propio crecimiento: cobre, madera, hierro, aluminio, níquel... En este caso, el material de intercambio es el petróleo. Angola (1,9 millones de barriles/día) es junto a Nigeria (2,1 millones) el mayor productor de crudo de África.

La dependencia del petróleo de la economía angoleña coloca al país en una situación volátil, con altos y bajos, según el vaivén del precio del crudo. En 2007, cuando el barril estaba a 64,2 euros, su economía creció el 21%. Pero la mayoría de los 17 millones de angoleños (la mitad, menores de 20 años) son sumamente pobres. Un informe de Save the Children indica que Angola tiene el mayor índice de mortalidad infantil del mundo en relación a la riqueza nacional, y está en el furgón de cola en el Índice de Desarrollo Humano de la ONU, con desigualdades sociales gigantescas, epidemias de cólera y sin posibilidad de alcanzar ninguno de los Objetivos del Milenio para el Desarrollo (salud, educación, reducción de pobreza). Gran contradicción: ha exhibido un crecimiento económico imparable en la última década y, al tiempo, pésimas estadísticas sociales... El PIB per cápita ronda los 2.500 euros; el general, los 46.430 millones.

Algunos analistas opinan además que el vigor inaudito de la economía angoleña es ya agua pasada. El FMI prevé un crecimiento para 2011 del 4,5% del PIB. "Vamos a entrar en un nuevo ciclo recesivo, lo que tendrá impacto en la búsqueda de materias primas. Los dos dígitos se acabaron", subraya Ennes Ferreira. Además de petróleo, Angola tiene diamantes, pero el mercado internacional de piedras preciosas cayó y hoy es negocio poco rentable. Las exportaciones de diamantes no llegan a los 1.428 millones de euros anuales, cuando el petróleo supone 28.570 o 35.700 millones.

Así, su economía gira alrededor del oro negro, que genera el 80% de los ingresos del Estado. Recientemente, la petrolera italiana ENI anunció el descubrimiento de un nuevo yacimiento (junto al socio angoleño Sonangol) a 129 kilómetros mar adentro. La perforación llegó hasta 2.300 metros de profundidad y alcanzó dos depósitos, con capacidad para extraer 6.000 barriles diarios.

China es el primer comprador del petróleo angoleño desde que recientemente superó a Estados Unidos. Muchos préstamos bancarios de China a Angola están cerca de su cancelación. El Gobierno albergó un tiempo la esperanza de que Angola sería para China el socio preferente en África. Y que llegarían grandes inversiones a largo plazo en agricultura y creación de un tejido industrial. Sueño roto. China construyó infraestructuras, pero los obreros se marcharon. No era una ayuda desinteresada, y Angola no es la cabeza de puente del gigante asiático en África, a pesar de que su presencia es visible en Luanda, Huambo, Lobito y zonas del interior, donde carteles en caracteres chinos indican la ejecución de grandes obras.

El profesor Ennes Ferreira sospecha que los dos Gobiernos pueden preparar, de cara a las elecciones de 2012, un nuevo acuerdo de cooperación económica en el que las infraestructuras estarán dirigidas al sector vivienda. Algo que el presidente Dos Santos prometió al ganar las elecciones: construir un millón de casas en esta legislatura.

Luanda tiene escasez crónica de viviendas. Salta a la vista. Más de cuatro millones de habitantes (son seis, en total) viven hacinados en los barrios de musseques, un inmenso mar de chabolas en la periferia, que nacieron desordenadamente en la guerra, sin agua ni luz y sin mínimas condiciones de habitabilidad. Allí es donde suenan los ritmos de la kizomba, la semba y el kuduro, danza histérica y tarantulada, género musical que mezcla ritmos electrónicos con el hip-hop suburbial que Angola ha conseguido proyectar al mundo. Su inventor, Tony Amado, vivía con sus cinco hijos hasta hace nada en las musseques, en una de esas casas sin puertas ni ventanas. Y en Benfica, también en las afueras, vive Arauis con su mujer y tres niñas sonrientes llenas de trencitas de colores. "Aquí no hay agua ni electricidad", cuenta. "Cada 15 días tenemos que llenar los pozos contratando camiones cisterna, los mismos que transportan gasóleo. No tenemos alternativa, moriremos jóvenes". Seguramente. En el país donde se alza la ciudad más cara del mundo, la esperanza de vida no llega al medio siglo.

Y tampoco Luanda, esta suerte de far west actual, es meta para turistas. Sobre todo por la enorme dificultad para conseguir un visado -que no existe como tal, sino bajo el eufemismo "visado de corta duración"-, lo cual es muestra del férreo control político imperante. No hay criterio mínimamente claro en el consulado angoleño en Lisboa a la hora de emitirlo o denegarlo. Una vez en el país, el viaje más difícil es, sin duda, a Cabinda, el enclave del norte, entre Congo Brazzaville y la República Democrática del Congo. El 60% de la producción de petróleo angoleño se extrae de esta provincia, que también tiene oro y recursos forestales. El Frente de Liberación del Estado de Cabinda combate desde 1975 por la independencia del enclave. Su última aparición dejó dos futbolistas y un conductor muertos en un atentado terrorista contra la selección de fútbol de Togo en la Copa de África. Para Cabinda hace falta un permiso especial, que se da con cuentagotas. No quieren testigos incómodos, o desconfían de todos.

Aun así, la paz y el crecimiento atrajeron a Angola a portugueses y brasileños que creyeron ver en ella la alternativa a Portugal. Oleadas han llegado a la tierra bendita por la naturaleza, rica en oro, cobre, mármol y granito, azúcar y café. Junto a los cuadros técnicos y trabajadores de baja cualificación, reclamados por empresas angoleñas y portuguesas, hay un porcentaje de aventureros y pequeños empresarios por cuenta propia que buscan suerte. Muchos duran poco en la disparatada Luanda y se adentran en las provincias del interior. Ennes Ferreira critica lo que denomina "comportamiento de manada" de "miles de empresas que se lanzaron a la aventura angoleña sin calcular riesgos. Había que invertir en Luanda para ser considerado un empresario de éxito".

Thiago Patricio, de 32 años, consejero delegado de Monteadriano, un grupo del sector de la construcción, afirma que Angola es tierra de oportunidades. Una tercera parte de su volumen de negocios proviene de Angola. "Preparamos la infraestructura logística para el arranque de las obras", explica. "Era difícil entrar en el interior del país, no había carreteras ni autopistas, nuestra especialidad. Comenzamos por Huambo. En un año construimos 170 kilómetros allí. Es un gran mercado para nosotros. Llegamos a tener 1.600 trabajadores, 250 portugueses, el resto angoleños. El Gobierno ha mejorado en control y planificación, la Administración funciona mejor". ¿Corrupción? Pelotas fuera. "Es un problema mundial. Quien está en los negocios debe estar atento. Ha mejorado". Manuel Borges, ingeniero, es gerente de una empresa de consultoría de proyectos. Nació y vivió en Angola hasta los 13 años. Regresó a los 47. Recuerda los 38 de guerra para subrayar que esta es una nación muy nueva, "sin tiempo para recuperarse y crear infraestructuras. El desarrollo agrícola está en fase inicial, el Estado no ha tenido tiempo de estructurarse". Y tiene la certeza de que "durante años, Angola necesitará mano de obra cualificada".

Pero en este país nuevo, la relación entre la antigua colonia y la metrópoli es complicada. Portugal arrastra un sentimiento de culpa, tal vez por eso las empresas lusas dedican gran esfuerzo a la responsabilidad social y son las que más trabajan en la formación del angoleño. Atacar a Portugal puede ser un objetivo recurrente para el Gobierno del país africano. Pero la población ya no es tan sensible a estos mensajes. Y aunque en las escuelas se explica la lucha contra la esclavitud y el colonialismo, los jóvenes se dan cuenta de que los problemas de Angola no son solo culpa de otros.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

República dos geradores de Luanda. Actualização


Mais um apagão: das 21.09 às 21.19 horas

A energia eléctrica está tal e qual como este regime… de excepção.


Entretanto mais um corte de energia eléctrica:
08Nov 08.54-18.03
Desde que haja petróleo, a energia eléctrica e a água não fazem falta.
A demolição final de Angola continua imparável.
Não acredito que este regime se aguente assim muito tempo no poder.
Vão fazer prisões massivas, eliminação de opositores?
Acho que se abre o caminho para outra Somália, Guiné-Bissau, Sudão ou Nigéria. É o destino da fatalidade africana que chama.
Este governo é alérgico à energia eléctrica e água, desde que eles tenham… e como nada lhes falta.

domingo, 7 de novembro de 2010

Vamos demolir Angola


Já não há ninguém que lhes resista, já não há ninguém que lhes diga não.
Enfatizam-me amiúde que os negros são afamados porque não gostam de trabalhar, que são muito preguiçosos. Este mistério desta cabala é demasiado fácil de explicar: Não lhes dão trabalho e ademais espoliam-lhes os empregos, como é que querem, como é que eles hão-de gostar de trabalhar?!
E por isso mesmo, a revolução sempre presente, ensina-nos que reconstruir é demolir.
E o líder em plena campanha eleitoral aborda um eleitor: «Vai com toda a certeza votar em mim, não é?!» e o eleitor aterrorizado: «Sim, senhor presidente, mas por favor não mande mais demolir a minha casa!»
De uma coisa adquiri a certeza: este tempo está tão irreal, perdido num sonho, latente pesadelo onde me sinto como um viajante perdido no tempo. Custa-me acreditar na ferocidade do ser humano, é sem dúvida um facto incontestável o seu instinto tão destruidor. O destino do humano é a selvajaria.
Não desisti, jamais desistirei dos meus sonhos, eles fortalecem a minha alma. São a esperança da minha perseverança. Lutar é sonhar, é amar. Sem sonhos o amor perder-se-ia. Nascemos, vivemos na ânsia permanente de o encontrar, e encontrando-o não o perder. Não, não é e tudo o vento levou mas, e tudo o vento deixou.
Apesar destas noites cada vez mais intensamente turbulentas, ainda consigo escutar os seus silêncios.
Se tivéssemos coragem de expor todos os nossos sentimentos íntimos, decerto aconteceria uma revolução social. Os costumes nunca mais seriam os mesmos.

Vamos Demolir Angola
Sob o lema, Vamos Demolir Angola, o nosso glorioso Politburo com a desfaçatez que o caracteriza, encetou uma grandiosa campanha de requalificação de Angola em geral, e de deita abaixo tudo onde hajam seres humanos em particular. A viverem em pardieiros ou não, a que majestosamente as correntes mais conservadoras da eliminação física e moral ultrajaram com a introdução nos espoliados do petróleo do acervo… casebres.
Ora, os detentores dos lucros do petróleo habitam em luxuosos palácios, os que não têm acesso nem a um mililitro de petróleo vivem em casebres, mesmo que a sua habitação seja valorizada neste inferno da imolação imobiliária. Este ainda é o povo que não se pode aproximar destes novos senhores feudais. Este povo tem apenas o direito reservado de viver em campos de extermínio, as estrelas das noites que os contemplam têm muitas histórias de terror para narrarem, se entretanto o conseguirem porque da maneira que as coisas andam, nem imprensa teremos, também a vão demolir. O Politburo já conseguiu abolir a família angolana que simplesmente deixou de existir, demoliram-na.

Os bancos logo acorreram em massa esporeados pela angolanidade do lucro fácil, não trabalhoso, obrigados a sustentarem no seu capital social a inutilidade dos eternos habituais bajuladores e o apoio incondicional da Igreja do Deus local. Pudera, sem ela que seria de Angola?! E os bajuladores são os únicos que sabem governar, mais ninguém está habilitado para isso. Porque são detentores dos mais insignes diplomas passados pelas mais famosas universidades marxistas-leninistas.
O que dá trabalho, como a agricultura, que se dane. Bastam alguns pós de conversa: que daqui a alguns anos teremos os nossos campos inchados de produtos, e as nossas populações finalmente libertas da fome. E que o fim da miséria do nosso povo é uma batalha antecipadamente ganha, aliás como todas as outras, pelo nosso famosíssimo Politburo.

De imediato os bancos lançaram-se ao assalto da reconstrução nacional sob as ordens da divina chefia, com o lema: PARTIR, É DEMOLIR!
Antes era o inimigo principal que destruía as habitações com bombas, como se eles fossem os únicos que destruíram Angola. Agora em paz (?) na imprensa escrita, falada e muda, (censurada) somos informados a todo o momento que o bairro tal vai ser demolido, que o mercado tal vai ser demolido – é incrível notar que estes demolidores não constroem mercados municipais, é tudo para arrasar – que as casas da rua tal vão ser demolidas, que o campo de futebol vai dar mais um shoping, que a seguir todos os bairros também serão demolidos… só se houve falar de demolições. Parece que ainda ninguém notou que eles querem demolir integralmente a cidade (?) de Luanda para investirem na especulação imobiliária e a população desaparecer, varrerem-na do mapa?
E as crianças aprenderam uma brincadeira nova: o vamos brincar de demolir Angola! Também lhe podemos chamar muito adequadamente, República dos Tês, a saber: T1,T2.T3, e T4
A delinquência em Luanda tal como a corrupção, para acabar, antes que Angola se volatilize definitivamente, com esse ninho de cobras, há que começar por cima. Mas não, começa-se sempre por baixo, sempre ao contrário. Está quase, falta apenas um pouco para a sua total demolição. As chuvas actuais dão o mote, não há construções feitas a correr, logo atabalhoadas que as suportem. A questão é: como será o desenlace final de milhões de espoliados que aguardam o Juízo Final do ajuste de contas com os seus captores?

Até a Bíblia já profetizava que o Politburo tomaria o poder e com o apoio dos nossos bispos governaria eternamente Angola. E o Senhor abençoou, inspirou e conduziu Angola para um estado de direito, onde todos são iguais e gozam de todos os direitos conforme as leis divinas. E veio uma época de paz, de harmonia social e desenvolvimento sustentado sob o patrocínio do Altíssimo. E todos viveram felizes, muito longe do neocolonialismo e da escravidão. A água e a energia eléctrica jorravam como cascatas perenes. As famílias oravam incessantemente ao seu Senhor, e quando os seus pedidos não eram atendidos, devia-se a que não eram bem queridos aos olhos do Senhor. E lá vinha um sacerdote muito experimentado que elucidava que o pedido ao Altíssimo não fora convincente. E que deviam continuar as orações muito fervorosamente até dilacerarem os joelhos, porque a boa reza deve ser feita com o crente ajoelhado.

E devido ao trabalho incansável de Deus – Ele é como a nossa polícia, nunca dorme – o Vaticano foi industriado para beneficiar a paradisíaca Angola com dezoito santuários, porque o povo era tão temente, e de igual modo tão supersticioso – devido ao trabalho abnegado dos sacerdotes – e o petróleo ainda dava, jorrava e enchia barris até fartar vilanagem. E Angola e o seu povo foram irremediavelmente tomados, assaltados pelo seu Deus. E em cada canto e esquinas habituais somavam-se inumeráveis igrejas servidas por imensos séquitos sacerdotais. E o Senhor rejubilava porque o dízimo a prelatura sustentava. O povo bem estupidificado oferendava-lhes as suas poupanças e a sua pobreza de espírito. E o céu enriquecia-se com o maná da idiotice fácil. E o fausto sacerdotal enchia-se de tesouros terrenos, e os camelos abasteciam-no regularmente. Em nome de Deus tudo é possível. Mas a feitiçaria espreitava e os bancos também. E criminosos e aventureiros famosos pelas suas actividades acorreram em massa beneficiados pelo eterno poder civil assumido e tragicamente instituído. Proporcionava-se o enriquecimento fácil, lucros fraudulentos, logo astronómicos vindos do clero petrolífero. E logo, logo se iniciou a espoliação de tudo o que era autóctone, e nos paços episcopais as cartas pastorais obrigavam os fiéis a rezarem com força inaudita porque Deus estava muito zangado, e daí as calamidades que assolavam a bela, rica, apetecível, avidamente cobiçada Angola. E os púlpitos azafamados não tinham bolsos a medir perante tantas oferendas aos dignos representantes eleitos por Deus na terra de Angola. Tão analfabeta, de povo tão incauto, tão dócil, tão fácil de dominar e subjugar.

Os mosquitos são como as igrejas, quando entram já não saem. E tudo ficou, restou partidarizado, incrivelmente arruinado. E quando a aristocracia se recusa peremptoriamente sanar a miséria dos plebeus, a justiça popular triunfa.
E o Vaticano, cumprindo um sonho profético, enviou um cardeal tarefeiro a Angola na missão solene de mais uma graça – desgraça – divina: a santa prospecção do petróleo angolano. As vaticanas finanças do banco Vaticano urgem por remodelação. E conseguir uns barris de petróleo bem abastecidos made in Angola, o dinheiro novamente brilhará de intenso fulgor, de brilho matizado, barbaramente dourado, estigmatizado. E às novenas e procissões não bastarão os andores
E a luta de libertação libertava mais alguns poços de petróleo, e a energia eléctrica, a água e tudo o mais, oprimia-se, espoliava-se. E a arma secreta de qualquer governo para dominar os seus povos é o futebol.
O que é necessário percorrer para que as ditaduras não me persigam? É que cresci e vivi debaixo de uma, e ao longo da vida elas sucedem-me como tempestades violentas, daquelas aterradoras devidamente acompanhadas de perigosas faíscas da morte.
Já repararam com toda a certeza que Luanda – é Angola pois claro – destruíram-lhe todos os mercados construídos pela população. Bom, Luanda não tem mercados municipais porque os terrenos são utilizados para a próspera especulação imobiliária.

E o terror reinstalou-se sob o disfarce dos deuses dos bancos brancos
E selvaticamente gritaram-nos possessos: «vocês vão morrer intoxicados!» Como a injustiça funciona em força e os demónios voam sanguinolentos, resta-nos aguardar que a justiça prometida, tal como a liberdade nesta terra, retorne audaz porque assim como estamos a justiça popular não deve tardar, não vai faltar. Os crimes da actividade bancária inspiram a onda de assaltos da apátrida juventude espoliada, órfã de país.
Bancos Khmer chegados a Luanda e logo desatinados na louca correria ao ouro petrolífero. Catapultados de poder, espoliam terrenos nas traseiras dos prédios que são legalmente condomínios, têm dono. Instalam a anarquia de potentes geradores que nos assassinam com gases tóxicos e o barulho 24 sobre 24 horas. De portas e janelas fechadas porque o cancro espreita, são três crimes sempre na teimosia de que tudo em Luanda nasce impune. Poluição sonora, veneno ambiental e espoliação de terrenos. É assim que chumbado ao poder factura o Banco Millennium Angola, na rua Rei Katyavala 109, Luanda. Mas afinal ainda não descobriram quem são os selvagens?! Tudo parece a postos para tumultuar porque não dá mais para os aturar. A indemnização será muito choruda, as perdas e danos demasiam.

O reinventar da luta clandestina
As obras clandestinas continuam sob o olhar cúmplice da Nova Constituição e de El-rei. Este esconderijo clandestino afronta-nos porque a flagrante ilegalidade destas obras revela que só a destruição dos casebres é legal. Porque não praticam a demolição nas obras ilegais da nomenclatura?! Isto acontece já há pelo menos três anos nas traseiras da Pomobel, junto ao Largo Zé Pirão, em Luanda. Actualmente, brasileiros contrataram escravos chineses para gáudio da nomenclatura. São três prédios que estão a destruir. Até nas traseiras deles já funciona um estaleiro. Sempre em nome do livre-arbítrio, isto é, sem direito a indemnizações porque o estado de facto e de jure… rasgaram-no.
Convém salientar que para acabar com a criminalidade e a corrupção, é imperioso, fundamental, começarmos por cima. Enquanto tal não acontecer, os criminosos e os crimes jamais terminarão. Não haverá polícia que chegue. O elenco policial combate criminosos e não miseráveis ou esfomeados.
O futuro perdeu-se, foi-se, deixou de existir. Está tudo muito sombrio, incerto, sem saber o que vai acontecer. Nada de bom não será com certeza. Há a intenção obscura de destruir Angola?! Então que decretem a sua destruição.
Ó bendita República Popular das Demolições!

Luanda, muito urgente! Precisam-se electricistas


Para reparação e manutenção da rede eléctrica de Luanda.
Já ninguém explica o que acontece, a que se deve tanta incapacidade, desleixo, deixa andar. Significa que Luanda é mais um exemplo da genuinidade africana?
Viva o caos!

Entretanto mais um corte:
06Nov 13.49-20.28

Significa que o petróleo não resolve nada, só complica. Como é curioso verificar que o petróleo é a desgraça, é a miséria, a ruína, a fome de Angola.

sábado, 6 de novembro de 2010

Mercedes-Benz e o Tráfico de Influências em Angola



As várias investigações, produzidas sob os auspícios da Maka, têm gerado um interesse cada vez maior na denúncia de novos casos de corrupção, como era desiderato do projecto.

Rafael Marques de Morais
makaangola@gmail.com
http://makaangola.com/?p=512&lang=pt-pt

O último caso, a bater à porta da Maka, sumariza o papel do investimento estrangeiro no aumento, consolidação e institucionalização dos esquemas de corrupção, em parceria com a liderança política do país. Trata-se do “distribuidor geral da Mercedes-Benz para a Daimler em Angola”.

A 12 de Junho de 2009, o ministro de Estado e chefe da Casa Militar da Presidência da República, General Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa”, criou, como sócio maioritário (40%), a empresa Auto-Star Angola. Ao director-adjunto do Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN), Manuel José Cardoso do Amaral Van-Dúnem, e ao fiel depositário dos negócios do general, Manuel Domingos Inglês, cabe uma quota de 10% cada. Por sua vez, os empresários Herculano Adelço de Morais e António de Lemos, têm respectivamente 30% e 10% das quotas da sociedade.

Acresce que o website do grupo belga Societé de Distribution Africain (SDA) confirma a criação da Auto Star com o propósito de estabelecer “uma parceria belga e angolana que oficialmente representa a Mercedes e a Evobus, em Angola”. Apresentada como subsidiária da SDA, a Auto Star Angola, segundo o website, dispõe de uma moderna infrastrutura na zona industrial de Viana, com um espaço de 2,000 m², que alberga escritórios, oficinas e stands de venda. A brochura de apresentação da empresa refere que a mesma ocupará uma área total de 89,000 m² com instalações “projectadas pelo Gabinete de Arquitectura da Mercedes-Benz”. O referido espaço está situado na Zona Económica Especial, em Viana, Luanda, sob implementação e jurisdição do Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN). Até Abril passado, o General Kopelipa dirigiu o GRN, enquanto Manuel Van-Dúnem, o outro sócio da Auto Star Angola se mantém como director-adjunto deste órgão.

Os sócios estrangeiros e a lei
A Societé de Distribution Africaine é um grupo criado pelo belga Philippe de Moerloose, o seu CEO. O Relatório do Painel de Peritos sobre a República Democrática do Congo, de Novembro de 2009, mencionou Philippe de Moerloose por violação à Resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas (nº 1807, a, 5) de 2008. [1] A referida resolução estabelece que qualquer remessa de armas ou material afim, para a RDC, deve ser comunicada antecipadamente às Nações Unidas, de acordo com o seu mandato sobre a missão de paz neste país.[2] O empresário belga, segundo o relatório, detém 70% das acções da Hewa Bora Airways, usada no transporte de armas e munições, em 2008 e 2009, para o exército congolês. O mesmo Phillipe de Moerloose também é citado na qualidade de presidente-fundador da Demimpex, empresa que serviu de intermediária na venda de veículos militares ao governo congolês, em 2008. Os peritos confirmaram junto das autoridades belgas que esta empresa, ora associada à Auto Star Angola, não tinha qualquer licença para importação, exportação ou trânsito de armas, munições, equipamentos militares e tecnologia afim. De acordo com o grupo, a legislação belga, sobre intermediação, aplica-se aos seus cidadãos e empresas, independentemente da passagem ou não de material militar pelo seu território.

Como parte da promoção dos interesses comerciais alemães em Angola, o embaixador alemão no país, Jorgen-Werner Marquardt, concedeu uma entrevista ao Semanário Económico, a 12 de Agosto de 2010. Esta publicação pertence ao Grupo Media Nova, cujo proprietário é o General Kopelipa, em sociedade paritária com o seu actual conselheiro, General Leopoldino Fragoso do Nascimento, e o presidente do Conselho de Administração e director-geral da Sonangol, Manuel Vicente.

Durante a entrevista, Jorgen-Werner Marquardt destacou a implantação da indústria automóvel alemã no país, como o sector mais importante de investimentos: “A Mercedes abriu agora em Viana com um espaço de manutenção e venda. Espero brevemente visitar o local. E poderá vir a fazer montagens de camiões num espaço de 500 hectares. Há também em marcha um projecto semelhante da Volkswagen”.

A Auto Star Angola tem como presidente do seu Conselho de Administração, Jörgen Nührmann. Este, entre outros cargos exercidos na Daimler, a empresa-mãe da Mercedes-Benz, foi director de pós-vendas no México.

Do ponto de vista legal, a actual Lei da Probidade estabelece, como acto conducente ao enriquecimento ilícito (Artº 25, 1, a), o recebimento de vantagem económica, através de percentagem em negócio, por parte de um agente público. Este é o caso do General Kopelipa e de Manuel José Cardoso do Amaral Van-Dúnem que, decorrente das suas atribuições no Gabinete de Reconstrução Nacional, amparam o negócio da Auto Star. Por sua vez, a SDA e a Mercedes-Benz incorrem em actos de corrupção activa de agentes públicos angolanos conforme estipulado no Artigo 21 do Código Penal angolano. Os investidores estrangeiros, regra geral, ignoram a legislação contra a corrupção devido ao poder da impunidade circunstancial que contraem ao se associarem às figuras mais abusivas e corruptas do regime. Todavia, a legislação angolana também incorpora tratados internacionais contra a corrupção, como a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção. A Bélgica, país de origem da Société de Distribution Africaine (SDA), é signatária da mesma convenção, desde 25 de Setembro de 2008.

A Lei da Probidade prevê (Artº 31, 1, b) várias sanções, como a reintegração patrimonial, perda da função pública e bens adquiridos de forma ilícita por parte dos agentes públicos envolvidos. A lei (ibid.) estabelece ainda, como medida punitiva, a proibição de contratar com entidades públicas, sendo aplicável à Auto Star Angola.

Conclusão
A relação da indústria automóvel alemã, com o tráfico de influência em Angola, tem um antecedente grave no caso da Volkswagen. Através da Resolução n° 39/04, o Conselho de Ministros autorizou, a 23 de Dezembro de 2004, a Agência Nacional de Investimentos Privados (ANIP) a celebrar um contrato de investimentos com a empresa americana Ancar World Investments Holding, para a instalação de uma fábrica de montagem de viaturas Volkswagen e Skoda, em Viana, Luanda, num investimento avaliado em 48 milhões de dólares. O acordo, assinado a 26 de Janeiro de 2005, incluia um compromisso de cedência de 49% das acções da Ancar a cinco entidades angolanas, nomeadamente:
Acapir Lda., empresa da filha do Presidente da República, Welwitchia dos Santos, vulgo Tchizé dos Santos;
Mbakassi & Filhos, representante oficial da Volkswagen em Angola;
GEFI, empresa do MPLA;
Suninvest, braço de investimentos da Fundação Eduardo dos Santos (FESA), instituição privada do Presidente da República;
Tchany Perdigão Abrantes, prima da filha do Presidente da República.

O empresário António Mosquito protestou contra a cedência arbitrária de 16% das acções que cabiam à sua empresa, Mbakassi & Filhos, a Tchizé dos Santos que, por sua vez, assumiu o cargo de vice-presidente do Conselho de Administração da Ancar – Automóveis de Angola.

Com o propósito de dirimir a disputa, o presidente da Fundação Eduardo dos Santos (FESA), Ismael Diogo, realizou um encontro, na sede da fundação do presidente, “na qualidade de mandatário de Sua Excia, o Presidente da República Eng. José Eduardo dos Santos, para esclarecimento das circunstâncias e veracidade de que a participação na sociedade ‘Ancar – Automóveis de Angola’ da ACAPIR Lda. se devia ao facto de uma sócia ser filha do Chefe de Estado para a obtenção de favores deste para aprovação do projecto de investimento da Ancar Worldwide Investments Holding (…)”

A reunião, segundo a acta, concluiu que, “Em momento nenhum a Ancar Worldwide Investments Holding justificou a oferta de 16% a ACAPIR Lda. ao facto de dela ir beneficiar de favores de Sua Excia. o Presidente da República na aprovação do projecto”. Como consequência, a presidência da Volkswagen, de acordo com informações veiculadas pela imprensa alemã, em Julho de 2005, protelou a execução da linha de montagem de viaturas, em Angola. O relatório MPLA, Sociedade Anónima providencia mais detalhes sobre o caso e pode ser lido em http://makaangola.com/wp-content/uploads/MPLA-Sociedade-anonima.pdf).

Como revelou um analista político angolano, que prefere o anonimato, “quando se trata de negociar com o regime angolano, os investidores estrangeiros não querem ficar de fora dos esquemas de corrupção”.

Os apagões anárquicos festejam-se


Este caos está demasiado pesado, denso como chumbo, na sintonia da incompetência louvada pelos renovados internacionalistas.
Luanda com muito petróleo, mas sem energia eléctrica. As construções da especulação imobiliária anárquica abundam, e provocam uma terrível carência de energia eléctrica e água.
Óptimo para investimentos, né?!
Eis os últimos cortes da energia eléctrica da nossa nova vida e de um futuro melhor:

06Nov 09.18-09.30 05Nov 20.13-2353 04Nov 00.55-01.10, 17.18 às 03.50 de 05Nov

Imagem: morrodamaianga.blogspot.com

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sócrates está no topo da pirâmide dos que dão cabo disto


É uma entrevista arrasadora. Henrique Neto, histórico do PS, diz que Sócrates "é um vendedor de automóveis" que "está no topo da pirâmide dos que dão cabo disto".
Revela que Sócrates disse que cortar na Função Pública era atacar a base eleitoral do partido. A maçonaria "é a coisa pior que pode existir na política". "Ser empresário hoje é ser herói."

Jornal de Negócios Online - negocios@negocios.pt

Acusando o primeiro-ministro de "mentira" e falando também de Mários Soares, Jorge Sampaio ou Pina Moura, Henrique Neto critica a actual forma de direcção do Partido Socialista: "Isto é uma máfia com experiência na maçonaria".

Não perca em exclusivo na edição impressa, uma grande entrevista a Henrique Neto a Anabela Mota Ribeiro.

Mota-Engil. O esquema era de facto simples - montado por uma consultora com a ajuda dos bancos do "regime"(BCP e depois BES)


O presidente da Mota-Engil diz que foi ouvido no DCIAP “sobre questões de natureza fiscal relativas ao grupo”.

Lígia Simões 05/11/10 00:05 DIÁRIO ECONÓMICO

As acções de planeamento fiscal envolvem, diz o Ministério Público, colocação de capitais em sociedades ‘offshore’ ligadas a António Mota e à empresa. Há dois processos autónomos.

Rute , | 05/11/10 09:27
O esquema era de facto simples - montado por uma consultora com a ajuda dos bancos do "regime"(BCP e depois BES) e sociedades inglesas que agiam por conta de sociedades offshores. É "boa" gente, como se sabe. Honesta e competente. A começar nos politicos e acabar nestes administradores da treta que só conseguem ter "sucesso" com esquemas. Aliás todos se conhecem (pudera!) e por conseguinte tentam-se proteger (se um falar...) . Enquanto não se correr com esta gentalha que nos últimos 30 anos tem dominado a cena politica e financeira do país não teremos qualquer hipótese de melhorar.

alex , sagres | 05/11/10 09:26
Esse e todos os que fazem parte do Conselho de Administração, tais como Jorge Coelho e companhia, devem ser investigados e presos por nos andarem a roubar há tanto tempo com o beneplácido deste governo e do PS. Mas também Srs como Ferreira do Amaral, Fernando Gomes, Pina Moura, já há muito deveriam estar dentro, por aquilo que foram como membros de governo e responsáveis de tutelas onde mais tarde e após sairem desses governos terem ido para a liderança de empresas anteriormente tuteladas por si.
Nunca iremos a lado nenhum enquanto não corrermos com esta corja, está na hora de limparmos o País.

Uma vergonha , | 05/11/10 08:26
A familia Mota está metida em todo o tipo de negociatas. Será desta que alguém os mete na cadeia? O país não pode suportar indefinitivamente esta quadrilha de ladrões que se banqueteia com o dinheiro dos nossos impostos.