segunda-feira, 7 de março de 2011

A RUA DO SOL NASCENTE (actualização)


Estou abrasado nas catorze horas da tarde no vulcão solar da terra. É que o ar não está quente, está ardente, como se o inferno adquirisse morada, e daqui não mais desejasse sair. Embrenho-me na rua dos cidadãos sem pátria, onde qualquer automóvel depois de a atravessar deixa uma nuvem de pó vermelho da cor da miséria. A azáfama é a habitual, digna da actividade marginal. Os bebés viajam nas costas das mães, enquanto elas se esforçam na paciência e sorte de alguém, a maioria utiliza o feitiço, que lhes compre algo da escravidão da sua sobrevivência.
A ronda dos ditadores faz-se omnipresente com exército, guarda presidencial, forças de segurança especiais, polícia antiterror, polícia secreta, e outras tantas forças apenas para desabarem sobre as populações, se elas ousarem manifestar o seu descontentamento. Vida de ditadura é repressão permanente de canhão.
As desgraçadas estão no olho da rua porque lhes espoliaram as lavras, as terras, destruíram-lhes as casas, a que jocosamente os novos-ricos lhes chamam de casebres. Antes, onde faziam o seu negócio da venda, apareceram uns espertalhões das desordens superiores que lhes chamaram de burras, porque não sabiam que tudo é pertença do Estado. E com o cuidado de prevenirem que afinal também são donos das pessoas. Tanta conversa suja para logo em seguida anunciarem nos meios de difusão massiva integralmente partidarizados que a miséria das populações vai acabar, porque mais um shoping center se vai edificar pago com dinheiros ilícitos. Aliás, tudo se compõe de ilicitude. Mas não é por demais evidente que casa de espoliado é casebre? Os maridos, e demais idiotas que acreditaram na tal luta de libertação deles, esperam pela mesada em vão. Só a tudo têm direito quem é eleito do partido sem coração da família sem restrição.
Os reconhecimentos policiais são constantes, esvoaçantes, verdejantes como as moscas de bojos possantes. Os cumpridores da lei ficam contentíssimos quando lhes ordenam executá-la nas zungueiras e similares, que é o que existe demais. E atiram-se desumanamente sobre as infelizes que nasceram por muito azar num Golfo da Guiné onde o petróleo transpira por todos os poros novos-ricos. Aqui já não existe terra, nação, pátria, população, mas apenas o martírio diário dos barris de petróleo. Mas os polícias não vão policiar as empresas e os empresários da corrupção, não. Apenas policiam a estrema pobreza da expiação. E carregam à Khadaffi sobre as miseráveis que totalmente indefesas, injustiçadas, até queimadas como feiticeiras. E os barris de petróleo sucedem-se, enquanto nos palácios da ditadura se festeja mais um acontecimento importante: o preço do petróleo sobe, sobe… dá e sobra para pagar a mercenários.
Frequentemente como se acompanhadas ou protegidas de nuvens de pó, novo sistema de alta tecnologia de segurança importado (?) desfilam desabridas escoltas de dirigentes fingindo que resolvem os problemas do povo, quando na verdade, resolvem os seus interesses pessoais e os das suas famílias. Porque ainda existe a teimosia que governar é colocar toda a família no poder, para que se mantenham os negócios, os palácios, e a miséria das populações seja sempre abrangente. O povo é um jardim zoológico, com a diferença de que no zoo é habitual darem comida aos animais, neste zoo humano não. Cada um que assalte o seu pão de cada dia.
A actividade da especulação imobiliária progride como coelhos que se multiplicam extraordinariamente: o único trabalho é alimentá-los e nascem, reproduzem-me epidémicos como os mosquitos do paludismo. De tal modo que dentro de pouco tempo não existirá nenhum local livre, porque tudo se destruiu com novos... estruturantes.
E dos muitos carros luxuosos pagos astronomicamente com as contas da contabilidade que não existe, Angola não tem contabilidade organizada. Os Técnicos de Contas trabalham na ilegalidade, ao sabor da invenção de documentos das entidades patronais, e se não se acomodarem correm o risco do despedimento coercivo, e se ousarem abrir as bocas pende-lhes o assassinato. Pudera, a perda da vida humana está tão vulgarizada. Perante isto, não é possível falar de empresas e empresários. «Perguntem ao vento que passa».
Descem dos seus afamados coches triunfais, carregados de luxo petrolífero, novas-ricas na anedótica tentativa de imitação de figuras famosas da música e do cinema, com orgíacas e reluzentes pulseiras de diamantes pagas a cento e cinquenta mil dólares. Enquanto na Rua do Sol Nascente morre-se facilmente, porque não se tem dinheiro para comprar coartem para curar a malária.
O nosso futuro é inevitavelmente revolucionário.
Assim não, porque a revolução é inevitável. Pode-se colmatar por agora, mas ela acontecerá, infelizmente parece com extrema violência porque ninguém está interessado em travá-la. Os milhões, biliões de dólares do petróleo são muito mais importantes que qualquer ser humano, cidadão angolano perdido na Rua do Sol Nascente.
As manas Lwena e Maria abancaram-se à toa. A Lwena vende cigarros, mau uísque, desse para consumo dos seguranças, bolachas, mais algumas coisas e gasosas. A Maria é kinguila, vende e compra moeda estrangeira, só dólares e euros. E claro, já estão aprontadas para lerem o jornal do dia. Maria activa-se, remexe-se, e inicia o seu folhetim jornalístico:
- Olha, agora andam na guerra das bandeiras.
- Como assim?!
- Vou-te já contar: a vida decorre normalmente. Nas ruas jovens vendedores e zungueiras fogem depois das espoliações e surras da polícia. Os geradores, ninguém confia na ditadura da electricidade, lançam fumo tóxico mortal, o único país do mundo onde isto é normal, e a barulheira intencional para encher o saco do vizinho. Tudo o que é ilegal valoriza-se. Parece que ninguém tem noção do que é lei. Os novos-ricos então, ainda sob a protecção da ditadura, mas já com o peso da síndroma Tunísia, não querem saber se os vizinhos estão a morrer ou não, com as suas tropelias de quase quarenta anos legalizadas. E teimosamente dizem que é uma antiga ditadura democrática, logo, quem não é da ditadura, é contra ela. Nada mais fácil do que isso. A bandidagem já incontrolável, pois são mais que as mães, e apesar de Angola estar infestada de petróleo por todo o lado, e isto justifica a deportação dos sem futuro para os rincões, pois o petróleo é incompatível com o povo. Este, ao pé do perfume petrolífero, apresenta um valor exíguo. E onde há petróleo, há dinheiro, e o resto não interessa.
Os corruptos continuam com a justificação, de que não senhor, o dinheiro que ganham, é com muito suor esforço e lágrimas. Claro que isto não convence ninguém, e eles parecem fingir que pela banda está tudo numa boa. Os políticos sempre com as mesmas políticas de quarentena já quarentona, quando abrem as bocas, é de fugir, tipo, salve-se quem puder. Nada mais insuportável, do que ouvir sempre os mesmos com o mesmo dicionário.
Entretanto, a banda atingiu tal desenvolvimento tecnológico, que até para cortar uma chapa de zinco, ou serrar um vulgar tubo de ferro, é necessário um chinês ou um português. E o tuga recorda-nos muito cioso os regulamentos dos tempos coloniais. E afirma sem pejo: «Na minha empresa, negro não pensa, executa.» Provando com isto que a banda ainda não é independente, e que o sem futuro ainda não se libertou da escravatura.
Os problemas do povo subsistem na intolerância política, como se a banda fosse uma prisão cercada de grades de Kabinda ao Kunene. Aí, não sei em que bairro, apesar da proclamação da independência e de uma nova Constituição, a intolerância política revive os bons velhos tempos da intransigência revolucionária. É necessário alimentar o facho e o forno da revolução, e quem nela não se enquadrar, a pena de morte é de se esperar.
Um professor vulgar militante de um partido político da oposição sobrevivente, tem o direito de hastear a bandeira do seu partido no bairro do seu coração, não é?! E assim o fez, mas há sempre alguém que espia, que diz sempre sim. A polícia política é como a Igreja, só acredita num Deus. E claro, prenderam o professor militante. E ele pergunta aos novos mentores do campo de concentração da banda, aqui dignamente representados por um chefe da polícia: «Mas afinal, estou preso, porquê?». «Prontos! Já te estás a fazer de parvo. Então não sabes porque é que foste preso?». «Absolutamente que não!». «Estás preso… porque és de um partido da oposição ilegal!». «Ah! Essa está muito boa, então como é, a banda é só para vocês?» «Evidentemente, aqui não há lugar para mais ninguém. Vais ser julgado e condenado sumariamente.» «Então serei julgado por ser militante de outro partido político?!». «Correcto e afirmativo!».
E veio em socorro do professor o secretário-geral do partido da oposição ilegal. Entra em cena e afirma peremptório: «Farei uma greve de fome em defesa desse homem. Esse professor é-me mais valioso que todos os vossos poços de petróleo». «Ai é?! Que bom, faz lá a tua greve de fome. Junta-te aos nossos exércitos de esfomeados... e esperamos que morras, será menos um que chateia. Até porque temos instruções para acabar com todos vocês, pois parece que não, mas ainda são muito perigosos, e estão implantados em todos os recantos... como uma epidemia cancerosa. Ah! Já sei o que queres… almejas ser lembrado como o mártir da liberdade, não é?! A tua morte será certa, como a nossa vitória». «Ao que chegámos, até os vossos sobas prendem gente?!». «Claro, ó Mártir! Temos orientações superiores para prendermos quem quisermos. A banda é nossa, porra!!!». «Absolutamente, e quando a síndroma Tunísia lhes bater às portas, vão fazer mais como então?!». «Essas coisas aqui nunca chegam. Temos órgãos devidamente estabilizados, quero dizer, estalinizados, policiais e de defesa suficientes, postados por todos os lados como parasitas, não sei se estás a ver. Os olhos e ouvidos da nossa revolução que é imparável. O nosso poder é eterno e abençoado pelas potências internacionais e pela nossa Santa Igreja. O petróleo dita as regras do jogo».
O Mártir preferiu o silêncio. Meditou, que o fim de qualquer ditadura é sempre igual. Como se os problemas de um país se resolvessem na continua prisão e repressão. Quanto mais o poder diariamente e arbitrariamente infligir ferocidade sobre o seu melhor bem que é a população, o dia fatal chegará. E tudo e todos se erguerão, e a ditadura varrerão. E o Mártir confesso da democracia, preparou-se física e mentalmente para enfrentar os caminhos da greve de fome. Os caminhos da vitória gloriosa, da libertação, contra a opressão. Assim falou o Mártir da democracia.

Imagem: heeygirl.blogspot.com

A ditadura das manifestações da paz da energia eléctrica



Pelos apagões anotados aqui na banda, facilmente se vê que as coisas continuam de mal a pior, apesar de os governantes nos garantirem que a nossa vida vai melhorar. Mas a nossa vida está sempre a piorar, e não há mais em quem acreditar. E por incrível que pareça, encetaram uma louca campanha partidária que é de ferir os nossos ouvidos.
Regressaram quarenta anos atrás, outra vez para a desgraça marxista-leninista, acreditando que isso é outra vez possível. Completamente desnorteados de Kabinda ao Kunene, não sabem o que fazer, porque estão isolados de massa cinzenta, os cérebros abandonaram-nos, ameaçam tudo e todos na tentativa desesperada da sobrevivência. De que Angola não é a Tunísia, o Egipto, etc. Quando já na Perestroika e no desastre da economia global também juravam o mesmo. Que essas coisas nunca aqui chegariam porque estamos incólumes, vacinados.

Eis o registo dos apagões de Fevereiro 2011
27Fev 06.00-17.38, 22.48-23.59 24Fev 12.29-12.43 21Fev 15.03-15.20 17Fev 13.38-14.19 16Fev 20.19-20.35 15Fev 12.04-12.51 13Fev 06.44-17.14 11Fev 01.58-02.20 10Fev 16.14-16.53, 16.56-17.01 09Fev 15.08-15.45 08Fev 12.15-12.33 07Fev 10.42-10-53 06Fev 08.24-10.24 02Fev 18.03-18.35 01Fev 22.09-22.54

Carlos Gil porta-voz da EDEL, Empresa de Distribuição de Electricidade de Luanda, disse em entrevista à LAC-RNA, que as empresas do canteiro de obras de Luanda destroem os cabos eléctricos e não assumem as suas responsabilidades.

Agora também já temos apagões na Internet:
PCA da Angola-Telecom forçado a dizer que corte da internet deveu-se a falha técnica.
Segundo a Rádio Ecclesia, há uma avaria na Angola Telecom que afecta milhões de angolanos, incluindo operações bancárias. Parece que o ministro de tutela fará um pronunciamento
Segundo a rádio LAC-RNA, a falta de Internet deve-se a uma avaria no cabo submarino na zona do Cacuaco.

E apagões na distribuição de água:
E da distribuição da água que está tão corrupta, que primeiro abastecem as ditaduras deles: os palácios, torres, prédios, condomínios, tanques subterrâneos, e depois os miseráveis que estão sempre em último lugar, como compete numa ditadura altamente militarizada, e abençoada pelas nossas santidades da Igreja, que não tendo mais onde ir buscar dinheiro, bajulam o bando do petróleo para conseguirem alguma coisa para sobreviverem, porque trabalharem não sabem, a não ser o santificar o santo nome do deus deles em vão. Porque há mais do que um deus: o deus inventado, o da Igreja, e o Deus real, o dos escravos, incompatível com os sacerdotes que nos falam rodeados pelas chamas do Inferno.

Quando o mesmo é desaconselhado aos subdesenvolvidos?


OS PAÍSES DESENVOLVIDOS CONTINUAM A TER EMPRESAS PARAESTATAIS
Quem não cuida de si próprio vive em sobressaltos…
Beira (Canalmoz) – A economia mundial está em crise e os países com menos recursos aguentam ou suportam um fardo desproporcional. Num arranjo ou concerto de fortes regras do relacionamento político-económico estão de tal maneira elaboradas que ganha sempre o mesmo num combate completamente desigual.

Canal de Opinião
por Noé Nhantumbo

Os organismos multilaterais que dirigem as finanças internacionais são a cara da dominação mundial por um grupo de países que acontece serem os mesmos que venceram a última guerra mundial.
Com sistemas liberais económicos instalados estes países acordaram entre eles todo um conjunto de regras que lhes permitem aceder a recursos e utilizá-los em seu benefício.
Naquilo que é considerado de interesse estratégico todos estes países possuem acções do Estado em todas as esferas de produção. Desde ao fabrico de sistemas de armas ao aprovisionamento de petróleo e alimentos seus governos têm uma palavra a dizer. Muitas vezes as investigações e pesquisas de topo e que envolvem grandes concentrações de recursos são inteiramente pagas pelos governos e depois os resultados apropriados pelas corporações privadas. Existe um forte sentimento de que para se manterem à frente dos outros há que reservar fundos para a pesquisa e que sectores chaves para a defesa nacional têm de estar completamente sob controlo governamental.
Assim embora a Boeing seja uma corporação privada ela vive substancialmente dos contratos que possui com a Força Aérea americana e outros departamentos das forças armadas daquele país. Mesmo o seu ramo de produção de aeronaves civis conta com um amplo apoio do governo americano.
Na França os aviões de guerra são produzidos por um consórcio em que participa o governo francês.
Na Inglaterra e noutros países o mesmo acontece em diversas esferas da produção de bens julgados estratégicos e de interesse nacional.
Quando o governo dos EUA foi em socorro da General Motors e de bancos e outras empresas daquele país em plena crise financeira internacional não se ouviu nenhum executivo do Banco Mundial ou Fundo Monetário Internacional manifestar-se contra aquela intervenção.
Quando se sabe que a maior parte da produção chinesa comercializada internacionalmente desde brinquedos a veículos é feita por empresas estatais, do exército daquele país ninguém se manifesta contra.
Todo este historial tem a ver com a situação de países como Moçambique que à boleia do BM/FMI enveredaram por políticas de liberalização selvagem de suas economias e agora se vêem abraços com crises em todo o seu sistema produtivo. Mesmo naquilo em possuíam vantagens comparativas agora não passam de importadores ou vendedores de ‘comodidades’ minerais ou agrícolas em bruto. A apetência ou corrida aos créditos que as instituições multilaterais prometiam levou-lhes a hipotecar os fundamentos económicos de seus países. Ignorando as dinâmicas e as causas de seus problemas correram pelo dinheiro e agora estão simplesmente sufocados de dívidas e seu valor ou índice creditício não para de descer.
Enquanto seus conselheiros e assessores internacionais se preocupam com stocks de alimentos e procuram a todo o custo garantir que não haja dependência nos produtos essenciais da parte de governos como o de Moçambique só vêem lamentações e exclamações relacionadas com a provável subida dos preços do petróleo no mercado internacional e suas consequências para a economia nacional. Os governos não são proactivos nem possuem agendas que signifiquem disposição de encontrar soluções para os problemas de seus países.
Vamos utilizar Moçambique como exemplo sobre o que se passa no domínio agrário. Este país possui tudo para ser auto-suficiente e exportador de produtos agrícolas mas na actualidade é deficitário até em tomate e cebola. Cronicamente dependente de importação de trigo e cevada quando muito bem poderia produzir uma larga parte das suas necessidades. Onde está o obstáculo principal para que algo de interessante aconteça neste país? Porque não se aproveitam os recursos existentes? Pelo que tudo indica quem governa não conseguiu até aqui situar-se nesta área específica da economia e o que faz é por impulsos externos. Houve a febre do tabaco nalgumas províncias e destruíram-se pomares de citrinos para semear tabaco. Agora importam-se citrinos dos países vizinhos. Semeou-se jatropha numa corrida desenfreada contando com exportações fabulosas para os consumidores do primeiro mundo. E pelos vistos ainda ninguém ganhou um chavo com mais fruto de uma “revolução verde” de gabinete.
Quem se pretende governo deve possuir uma agenda estratégica e uma visão do mesmo tipo. O que é estratégico e vital para o país não pode ficar refém da especulação reinante no mercado de futuros tanto em alimentos como em energia. Quem governa com senso e transparência é capaz de aglutinar conhecimentos e experiência cruciais para a elaboração de planos que vão de encontro com a realidade e que ajudam a resolver os problemas existentes.
Não se pode dizer não à cooperação internacional nem as instituições de Bretton Woods mas pode-se construir capacidade interna de produção e armazenamento dos stocks vitais de que o país necessita. Se os outros constituem joint-ventures entre governo e privados porque não pode o governo de Moçambique juntar esforços e meios e estabelecer empreendimentos agrários de grande porte para intervir na produção e comercialização? Isso decerto que não está proibido. Não que o governo vá produzir. Ele só teria que fomentar de modo prático a produção envolvendo empresas de preparação de terras, empresas de assistência técnica que contariam com participação financeira do estado. Aqueles dinheiros que foram praticamente oferecidos pelo Tesouro a empresas detidas por “camaradas” poderiam muito bem ter sido utilizados para alavancar empresas moçambicanas de produção agrária e sem vínculos políticos com quem está no poder.
A produção, a batata ou o milho não tem partido nem são filiados em alguma organização democrática de massas. Agir assim é consentâneo com o interesse nacional pois os alimentos são estratégicos da mesma maneira que o petróleo. Os preços quando sobem sufocam os cidadãos e isso como se sabe é uma fonte de potenciais conflitos sociais.
Se toda a planificação que se faz no domínio da agricultura tem em vista pescar vantagens que resultem da participação deste ou daquele governante na autorização dos projectos de grande porte como o das bananas do Nampula ou alimentos de Vanduzi ou Chokwé, o país produzirá para a sua auto-suficiência. As empresas que se instalam no país com capital predominante estrangeiro tem agendas e objectivos próprios que passam por opções que nem sempre coincidem com aquilo de que o país carece.
É preciso encontrar formas diferentes de abordar a questão agrária e isso passa da vontade política de tratar de todo o dossier sem tabus nem pretensões de defesa de ideologias que já se mostram falidas, contra-produtivas e autênticos contra-sensos em relação ao sistema económico abraçado.
Produzir o suficiente para escapar às oscilações especulativas do mercado internacional requer a capacidade de juntar a experiência e conhecimentos de quem já provou que sabe, os recursos financeiros públicos e privados nacionais, a aquisição de tecnologia de ponta para o efeito, pois só assim se poderá alcançar os rendimentos que fazem a diferença nas melhores condições económicas. Já não se pode fazer intervenções na agricultura com a tecnologia dos tempos do petróleo barato.
Só um governo com integrantes que pensem todos os dias é que se poderá alterar o actual quadro… (Noé Nhantumbo)

Imagem: tvecologica.wordpress.com

Policia Prende Jovens Manifestantes, Dentre Eles O Rapper Brigadeiro Mata Frakus


Luanda – Pelo menos 15 a 20 pessoas concentradas no primeiro de Maio acabam de ser detidas (1:00 da manha) pela Policia Angolana quando se preparavam para participar na manifestação pacífica contra ditadura em Angola. Já com voz de prisão encontra-se o cantor angolano Brigadeiro Mata Frakus.

Fonte: Club-k.net

Jornalistas foram também presos
O rapper Luaty Beirão vulgo Brigadeiro Mata Frakus que nos últimos dias estava sendo perseguido por ter proferido duras criticas contra o presidente Eduardo dos Santos, num espectáculo musical realizado em Luanda. Os outros jovens que se encontravam com o mesmo estão a ser ouvidos.

Estão igualmente presos, no Comando Provincial de Luanda, toda a equipa do Novo Jornal, que se deslocaram ao local para cobrir a manifestação. A saber: A jornalista Ana Margoso, Pedro Cardoso, Afonso Francisco e Idalio Kandé.

De recordar que os jovens aderiram a manifestação depois de uma convocatória feita algumas semanas atrás pela internet. A cidade de Luanda esta em estado de policiamento. Antes da meia noite de domingo foi visto um Mercedes de cor preta andando pela cidade com megafone apelando as pessoas para não sairem as ruas. Há também informação indicando que grupos de especialistas israelitas foram proibidos de sair da cidade.

* Notícia em actualização

sábado, 5 de março de 2011

Secreta ameaça FOLHA8 de morte e impede a sua publicação. As nossas vidas correm perigo, a qualquer momento…


Luanda, Angola. MPLA REIMPLANTA O TERROR DO 27 DE MAIO
O jornal FOLHA8 não se publicou esta semana, edição de 05Mar11, devido a que os empregados da gráfica privada onde é impresso, receberam muitas ameaças por telemóvel de desconhecidos, ameaçando-os que se o imprimissem, as responsabilidades pelo seus assassinatos recairiam sobre eles, os trabalhadores da gráfica. E o medo fez com paralisassem o trabalho, de modo que o Folha8 não saísse para as bancas.
E os autores dos telefonemas anónimos decretaram que o Folha8 é um jornal que incita à violência.
Sem dúvida que as nossas vidas correm perigo. O MPLA está a instigar a sua máquina de guerra para a eliminação física de tudo e de todos que não estejam de acordo com a sua linha política que é: a corrupção, a espoliação, e a manutenção dos campos de concentração da morte, espalhados por toda a Angola.
Angola arde, Angola é o inferno.
Quem denúncia a corrupção comete o crime de incitação à violência.
Estaline está vivo, e acena-nos com a morte.
O que o MPLA pretende é muito simples: quer ficar sozinho com a sua família e com Angola como propriedade privada. E quem não estiver de acordo, pum! pum!
O MPLA quer a guerra total e completa. Nunca quem fez uma guerra altamente fratricida está em condições de falar em paz, só o podendo fazer com o demónio. Aliás como sempre o fez e faz.
Escutar as rádios, as TVs e os jornais do Mpla que agora nos bombardeiam mais do que nunca, de noite e de dia com propaganda estalinista ortodoxa, isto não é incitação à violência?
Mas, mais guerra contra quem? Contra as moscas e mosquitos que nos infestam, e para os quais não há solução há mais de trinta anos, e a população que já ultrapassou o que se considera miséria?
O regresso aos bons velhos tempos das matanças regressou.
Esperamos que os angolanos não se deixem matar como os nazis faziam. Que transportavam milhões de farrapos humanos para os gazearem nas câmaras de gás dos campos de extermínio massivo.
A Gestapo e as SS abriram filiais em Angola, e parece que já exercem actividade. É só escutar os noticiários dos meios de comunicação do Mpla.
O incrível disto tudo, é que com as fronteiras de Angola muito inseguras, se crie mais um conflito interno que decerto provocará mais uma vez o caos. Não será isto mais um suicídio?
Obrigar milhões de angolanos à miséria, isso não é uma indecente incitação à violência?
Quando, como agora, ameaçarem-nos de mil e uma maneira mortais, isso não é incitação à violência?
Quando só o Mpla pode fazer manifestações, e mais ninguém o pode, é terminantemente proibido, isso não é incitação à violência?
Toda a riqueza mineral… tudo que lhes cheira a dólares está em poder do célebre bando dos seis do Mpla. Isso também não é incitação à violência?
Quando não há possibilidade intelectual de debate surge a violência do Mpla. E nisto ele está muito por baixo, porque quem não tem capacidade cerebral… usa o tiro e a morte, porque não sabe conversar. O importante é as universidades do analfabetismo, e o nascimento de uma nova pátria com o apoio incondicional da nova vida da Igreja petrolífera que entrega o povo angolano aos cemitérios do Mpla. Isto também não é incitação à violência?
A maneira com que se prendem e condenam os opositores políticos, isto não é incitação à violência?
O MPLA apela à população angolana para se manter vigilante. Só pode ser vigilância da corrupção e da miséria que não param, até já bateram o recorde mundial.
Acabar com os mercados, como o do Roque Santeiro, e obrigar os milhares de vendedores a mendigarem nas ruas, não é isto um cadavérico incitamento à violência?
Inundar Angola de estrangeiros e oferecer-lhes os nossos empregos, isto não é um incentivo à violência?
Neste momento o Mpla tem pelo menos quatro facções: a Facção-JES, de José Eduardo dos Santos, actual Presidente de Angola, o Mpla-Ut, a União das Tendências democráticas, os seguidores de Nito Alves, e o Comité da Mudança do Mpla. Qual delas vencerá? É devido aos seus problemas internos graves que o Mpla tenta desviar as atenções para a Unita, como tradicional bode expiatório. Mas desde quando é que alguém consegue fazer uma guerra, ou um golpe de estado com quatro contentores de munições de um navio apreendido e retido no porto do Lobito?
Não deixaremos que o Mpla-JES encerre a democracia nas prisões da ditadura.
E porque é que o Mpla mantém ao seu serviço jornalistas mercenários e incendiários, como o tristemente célebre José Ribeiro, do Jornal Necrotério de Angola. Isto não é um mais flagrante incentivo à violência?
A luta entre os petrolíferos e os espoliados de tudo intensifica-se. Que vença o melhor.
E juramos que faremos de Angola uma pátria petrolífera… quando nos libertarmos do extermínio das nossas populações.
Isto não é uma pátria, é um vulcão petrolífero.
Por este andar temos mais candidatos ao TPI. Ditadores angolanos: o Tribunal Penal Internacional espera-vos!

sexta-feira, 4 de março de 2011

Em Angola, denunciar a corrupção é crime de difamação


O calvário de mais um jornalista angolano, Armando José Chikoka, condenado a um ano de prisão por juízes corruptos. Agora, até a um monumental monte de lixo se chama democracia.
E ao respirar, sente-se o cheiro intenso da ditadura que ainda polui o ar e os nossos corações.
Este petróleo cheira a morte, a corrupção, a miséria.
Uma máfia terrível que divide entre si os biliões de dólares do petróleo, e como se não lhes chegasse… privatizam Angola e os angolanos. Sim! Até as populações são propriedade privada, porque vivem na escravatura e à obediência cega da vida e morte dos seus senhores.
Mantém exércitos privativos que espalham o terror nas populações. Exércitos fortemente armados e municiados, um hino, uma bandeira e um palácio, e aqui temos mais uma ditadura, para nos impor a selvajaria diária.
Os tempos seguintes adivinham-se atrozes, sangrentos, humilhantes. Os escravos têm que aprenderem a levantarem a cabeça, e dizerem, BASTA! NÃO!
O importante é defender muito em especial, os interesses chineses, brasileiros, portugueses, etc., para que a nossa escravidão permaneça, e um grupo de déspotas nos devorem os corpos e as almas.
Tudo isto sob o olhar de peixe morto, da cumplicidade e complacência da Igreja corrupta, que para mendigar uma sobras petrolíferas vende o rebanho humano dos poucos crentes que lhes restam. A igreja é, e será sempre, a igreja do demónio. De cónegos e padres frustrados que revendem as almas à ditadura, porque de quociente intelectual tão baixo, a única saída que lhes resta das suas vis e vãs existências, é o inútil sacerdócio nas igrejas às moscas, mas infestadas de sacerdotes pedófilos. E insistem que pregam o evangelho na terra.
Sim, o evangelho segundo Santo Pedófilo.

É por isso que as populações aderem cada vez mais à feitiçaria e a qualquer igreja improvisada. É que a nossa Igreja está demasiado petrolífera. Obtêm daí dividendos e vende o seu rebanho à colonização.
Não, a Igreja não é uma ditadura como essas com um ditador há mais de trinta anos no poder. A Igreja é uma ditadura milenar.
Se Deus é omnisciente e omnipresente, como é que o Papa lhe pede para interceder nos conflitos humanos, e noutras misérias?
Teologia é a artimanha diabólica de pretender provar uma entidade superior que não existe.

Como é triste verificar que estão a criar as condições que conduzirão à inevitável luta de vida ou morte. Sim! Porque o que sucede é a luta de um povo que não quer mais se deixar levar para o matadouro do extermínio.

Canal de Opinião, por Ricardo Araújo Pereira. Este país não é para corruptos




Em Portugal, há que ser especialmente talentoso para corromper. Não é corrupto quem quer
Maputo (Canalmoz) - ... Que Portugal é um país livre de corrupção sabe toda a gente que tenha lido a notícia da absolvição de Domingos Névoa. O tribunal deu como provado que o arguido tinha oferecido 200 mil euros para que um titular de cargo político lhe fizesse um favor, mas absolveu-o por considerar que o político não tinha os poderes necessários para responder ao pedido. Ou seja, foi oferecido um suborno, mas a um destinatário inadequado. E, para o tribunal, quem tenta corromper a pessoa errada não é corrupto - é só parvo. A sentença, infelizmente, não esclarece se o raciocínio é válido para outros crimes: se, por exemplo, quem tenta assassinar a pessoa errada não é assassino, mas apenas incompetente; ou se quem tenta assaltar o banco errado não é ladrão, mas sim distraído. Neste último caso a prática de irregularidades é extraordinariamente difícil, uma vez que mesmo quem assalta o banco certo só é ladrão se não for administrador. O hipotético suborno de Domingos Névoa estava ferido de irregularidade, e por isso não podia aspirar a receber o nobre título de suborno. O que se passou foi, no fundo, uma ilegalidade ilegal. O que, surpreendentemente, é legal. Significa isto que, em Portugal, há que ser especialmente talentoso para corromper. Não é corrupto quem quer. É preciso saber fazer as coisas bem feitas e seguir a tramitação apropriada. Não é acto que se pratique à balda, caso contrário o tribunal rejeita as pretensões do candidato. "Tenha paciência", dizem os juízes. "Tente outra vez. Isto não é corrupção que se apresente." (Ricardo Araújo Pereira, com a devida vénia do Canalmoz)

Editorial. “Mau tempo” no Magrebe, “mar chão” a Ocidente


Maputo (Canalmoz) - Num relativamente curto espaço temporal de duas décadas, dois acontecimentos de extraordinária importância marcarão a história da humanidade: o desmoronamento do império soviético, em 1991, e os levantamentos dos povos árabes em curso no norte de África e no Médio Oriente. Ambos com um denominador comum: regimes totalitários no poder que caem pelas bases. Os tiranos que já tombaram – ou que estão em vias de saltar do poder – têm também algo em comum. Reclamam governar em nome das bases e alegam sistematicamente que vão às bases para se inspirarem na acção governativa. Oprimem, roubam e vigarizam em nome das bases. Quem os contesta é descrito como não possuindo base social de apoio, de estar a soldo de interesses estrangeiros – “mãozinha externa”; não terem ideologia e agirem sob a influência de substâncias psicotrópicas como alega o coronel-terrorista líbio, Muammar Kadhafi. Essa não é uma linguagem desconhecida no nosso país. Testemunhámo-la quando patriotas moçambicanos se batiam pelo fim de uma cópia fiel do que por essas paragens a Norte ainda prevalece ou prevaleceu a Leste. Cá dentro, entre nós, também não existia oposição – apenas “instrumentalizados” ou “saudosistas” do colonialismo. Linguagem de algozes!...
Ainda por cá andam esses que agora vêem, assustados, os seus camaradas de outras latitudes serem varridos pelos ditos seus “maravilhosos povos”.
A par da repressão violenta que neste momento ocorre na Líbia, os levantamentos dos povos árabes deixam também transparecer outras amargas realidades. Assistimos a uma comunidade internacional manietada por interesses de ocasião e a uma atitude passiva de instituições mundiais que, por regra, deviam intervir atempada e decididamente se a sua prática fosse coerente com o que passam a vida a repetir: Democracia, Direitos Humanos.
Quando muito, acenam-nos com paliativos, como ficou demonstrado numa recente sessão do Conselho de Segurança das Nações Unidas, ou com medidas cosméticas enunciadas pelo líder da mais poderosa democracia do planeta e que era a esperança dos povos oprimidos. No fundo, uns e outros preocupam-se mais com a segurança dos seus interesses estratégicos, financeiros e económicos. Os povos que aguardem, que morram… é a cínica mensagem que fica!
Em vez de cortarem todas as saídas ao tirano líbio, encostando-o à parede com um simples fechar da torneira que jorra petróleo para os mercados internacionais, ameaçam-no com cortes nos fornecimentos de armas – depois de lhas terem fornecido. São essas mesmas armas que estão a ser usadas na repressão de manifestantes pacíficos em Misrata, Sabrath ou Sabha, na Líbia.
Isto é apenas uma parte das incongruências do Ocidente do dito mundo livre. Acaba por ser com armas compradas pelos ditadores, a quem defende os Direitos Humanos, que os Direitos Humanos de povos que se querem libertar estão a ser espezinhados.
É petróleo a ser trocado pelo direito de oprimir.
Vêm depois dizer ao mundo que congelaram as contas bancárias do ditador, como se a oligarquia corrupta acoitada sob uma tenda em Bab al-Aziziyah tivesse tido a leviandade de esconder o produto do saque nos cofres da polícia.
Kadhafi já tinha dado sinais da sua índole, mas começaram por reabilitar aquele que havia mandado assassinar friamente cidadãos de quase todos os países membros do Conselho de Segurança que seguiam a bordo de uma aeronave civil.
Pela mão desses mesmos círculos que hoje querem fazer-nos crer que só agora se aperceberam da têmpera de Kadhafi, perante o olhar incrédulo de familiares e amigos dos que tombaram em Lockerbie, o pirata do ar entrou pelos salões da Zona Euro, exibiu-se na New York Plaza, no meio de calorosos abraços de Blairs & Berlusconis, enquanto outros estendiam-lhe a mão. Como aqui se diz, “estamos juntos!”
Este comportamento cínico dos políticos do Ocidente que se pretendem defensores da liberdade, é um mau sinal para os povos da África mais a Sul que continuam à mercê de regimes que nunca primaram pela transparência e pela decência, nem pelos direitos humanos e muito menos por eleições que legitimam mesmo sabendo que foram um “esterco” de desrespeito pelos mais elementares princípios democráticos.
Em Abidjan, na Costa do Marfim, um político batoteiro recusa aceitar o veredicto popular, mesmo que isso signifique lançar o país no caos e na miséria, com o inevitável cortejo de mortos e estropiados. É este o cenário que temos de enfrentar no nosso continente? Será que continuaremos a assistir aos mesmos paliativos quando novos plebiscitos se realizarem sob a aparência de jogo limpo?
Os povos estão a chegar à conclusão, felizmente, que devem agir para mudar. E infelizmente chegaram à conclusão que é mesmo preciso empurrar para que o Mundo mude e avance, e a Liberdade com responsabilidade chegue finalmente.

Moçambique e as parecenças com a Líbia, Tunísia, Egipto & Company

Da mesma maneira que as lideranças de vários países do Magreb e Médio Oriente se apoderam ou apoderaram da riqueza dos respectivos territórios para proveito próprio, fingindo governar, mas subtilmente mantendo o nível de educação formal muito baixo e evitando a todo o transe a profissionalização dos cidadãos, os povos entenderam perfeitamente que a sua primeira grande opção de luta era auto-formarem-se para depois assumirem o poder. Ainda que formados têm estado continuamente a serem atirados para o desemprego e a serem subalternizados por quem tem armas numa mão e a cátedra de analfabetos na outra.
Em Moçambique os sucessivos governos têm estado a iludir o povo. Promessas não cumpridas enquanto as elites engordam é o que se tem visto.
As elites enriquecem cada vez mais, não só em termos de controlo das riquezas minerais, do controlo de amplas áreas de terra arável fértil e da manipulação da pobreza, como bem constatou o professor doutor Castel-Branco quando alertava há dias que “a pobreza é rentável em Moçambique”, como agora até o FMI já o admite.
É afinal a elite política a fazer dinheiro à custa dos doadores que dão para os pobres mas acaba tudo nos bolsos dessa mesma pequena elite arrogante e predadora. É a tal elite que de “PARPA” (Plano de Acção para Redução da Pobreza Absoluta) em “PARP” (Plano de Acção para Redução da Pobreza) vai-nos PA(R)PANDO como fizeram as elites do Magreb e do Médio Oriente com os recursos naturais. Os povos daqueles territórios estão a por fim ao PA(R)PANÇO com manifestações e está-se a ver quem falando todos os dias de paz, na hora da verdade perde o verniz e ataca com grande potencial bélico os seus próprios compatriotas. Lá como cá a música para entreter e manter os povos distraídos é sempre a mesma: “o nosso maravilhoso Povo”… Lá como cá a mesma treta: sistemático impedimento de manifestações cívicas, controlo de internet e de sms, balas reais em cima do Povo para depois cantarem: “o povo gosta de mim”… (Canalmoz / Canal de Moçambique)

quinta-feira, 3 de março de 2011

A República dos emparedados vivos





E o governo do eterno poder popular agora estruturante, decidiu oferecer às populações uma revolucionária solução arquitectónica, mais uma, única no contexto mundial: emparedar vivas as suas populações.
E se bem o pensou, pior o fez. O plano foi aprovado em Conselho de Ministros, ou parece mais o Conselho da Revolução. E vai de emparedar vivo tudo o que é pessoa. Que Alá e os seus jasmins nos libertem desta inquisição.
Além da denúncia dos emparedados vivos junto ao Hospital Militar, nas traseiras da Pomobel, ao Zé Pirão, e ao lado da Angop, também emparedaram mais seres humanos. Mas eu não tenho conhecimento desta nova política do emparedamento nacional. Será mais uma actividade da nossa secreta?
Este governo desenvolve actividades muito perigosas, consideradas de flagrantes delitos. Temos que descartá-lo, colocá-lo de quarentena. Este governo quer a nossa destruição. Não dá para confiar em gente que passa a vida a nos aldrabar.
Devemos organizar uma manifestação, e exigir a demolição do governo e das suas construções anárquicas, ilegais. Não é assim que eles fazem com os casebres? Vamos mobilizar o Dr. David Mendes, pois então!
O lugar desta gente é na prisão! É urgente, inadiável, libertarmo-nos dos libertadores. Na realidade o que pretendem é a continuação da nossa eterna escravidão.
Tantos massacres que já nos fizeram, e fazem, atente-se para a greve da água, da energia eléctrica e da Internet, a subida de um dia para o outro dos preços dos produtos alimentares, agora só nos faltava mais esta: o emparedar-nos.

Eis a ementa do morrodamaianga.blogspot.com
«Aconteceu no Maculusso: GPL autorizou um emparedamento
As fotografias retratam a situação dramática em que ficou a parte frontal de alguns prédios que se encontram localizados no Maculusso, entre o Hospital Militar e o Colégio Elizangela Filomena.
A zona residencial é vulgarmente conhecida como "prédios dos cubanos".
Na sequência da autorização de construção que foi concedida pelo GPL, um mastodôntico edificio está a ser construído na "fronha" dos prédios que já lá se encontram há mais de vinte anos, pondo em causa um direito constitucional dos habitantes que com esta decisão foram emparedados.
De facto é de um verdadeiro emparedamento que se trata. É exactamente isto o que se está a passar ali no Maculusso
A area disponível onde o novo prédio nasceu deveria servir para edificação de um espaço verde destinado aos habitantes da referida zona residencial.
Já vi muita coisa mal feita em Luanda na sequência de decisões da administração, sobretudo no âmbito desta ocupação de todos os espaços disponíveis para se erguer a "selva de betão/imobiliário" que é agora o grande negócio dos nossos novos-ricos e dos seus parceiros estrangeiros.
Mas como sempre disse e volto a dizer, nada em Luanda está tão mal que não possa piorar ainda mais.
Esta é a regra fundamental para estarmos sempre preparados para o que der e vier.
Por outras palavras a pior decisão nesta matéria da administração ainda não foi tomada.
O que os meus olhos têm visto ali é algo que eu nunca julguei que fosse possível, sobretudo que fosse tornado possível por uma decisão tomada por uma entidade pública.
Mas ainda mais grave do isso, parece ser a passividade com que os habitantes dos prédios emparedados aceitaram o sacrificio supremo que lhes foi imposto pelo GPL em nome sabe-se lá de que direitos.
Nos tempos que já lá vão o emparedamento era uma tortura mortal usada pela Inquisição da Igreja Católica.
Era a verdadeira morte lenta.
Salvaguardadas as devidas distâncias, não vejo muitas diferenças com o emparedamento que trago hoje para este morro.»

Reacção Do MPLA Mostra Fraqueza Do Próprio Regime - Rafael Marques


Luanda - O que começou por ser visto como algo pouco sério tornou-se nos últimos dias motivo de apreensão para o regime angolano. Um apelo anónimo a uma manifestação anti-governamental, em Luanda, no próximo dia 7, provocou reacções de nervosismo na esfera do poder e as informações de ontem davam conta da convocatória para este sábado de uma concentração de apoio ao partido do Governo, o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola).

Fonte: PÚBLICO Club-K.net

"Há muito nervosismo e redobrou-se a acção policial", disse ao PÚBLICO o jornalista e activista anti-corrupção Rafael Marques, que confirmou a convocatória de uma contra-manifestação para dia 5. "É o MPLA que transforma [a convocatória] num evento mediático ao reagir e tomar medidas preventivas excessivas", considera. "A reacção do MPLA vale mais do que a própria convocatória, acaba por demonstrar a fraqueza do próprio regime, não havia necessidade de responder a uma convocatória anónima."

O apelo a um protesto contra o regime de José Eduardo dos Santos, à imagem das revoltas no Norte de África, e aparentemente influenciado por elas, é uma mensagem sob o título "Nova Revolução do povo angolano" que corre há cerca de duas semanas na Internet. "A manifestação antigovernamental em Angola vai começar no dia 7 de Março de 2011, de Cabinda ao Cunene. O acto central terá lugar no Largo da Independência em Luanda. Em toda Angola, vamos marchar com cartazes exigindo a saída do Ze Du, seus ministros e companheiros corruptos", refere a convocatória.

O texto é assinado por Agostinho Jonas Roberto dos Santos, designação fictícia que juntou os nomes dos líderes dos movimentos independentistas de Angola ao do actual Presidente e se apresenta como fundador de um desconhecido Movimento Revolucionário do Povo Lutador de Angola (MRPLA).

Há uma semana, o secretário-geral do MPLA, general Dino Matross, teve uma reacção que denotou o nervosismo do poder, ao afirmar na rádio estatal que não se devia confundir "o que se passa nos países do Magrebe com a realidade angolana" e que, se fosse caso disso, o regime tomaria "medidas sérias". Mais tarde, o director de informação do partido, Rui Pinto de Andrade, afirmou à AFP que "só comenta coisas sérias".

O carácter anónimo da iniciativa levanta reservas, mesmo a críticos do MPLA, e não faltam sequer interpretações de "teoria da conspiração". "Quem não me garante que os serviços de informação não estão por detrás de tudo isso para saberem como está a organização do país?", escreveu o portal Angola24 Horas.


Bom para a democracia
Rafael Marques considera que o protesto marcado para as 0h00 do dia 7 "não se vai concretizar", porque "as pessoas não se vão juntar a quem não conhecem" e "não há nenhum tipo de mobilização". Além disso, observa, não se marca uma manifestação para a meia-noite. Mas "está todo o mundo, os luandenses, a falar do assunto e isso é bom para a democracia".

O professor universitário Fernando Macedo, que tomou também conhecimento do apelo pela Internet, considera que a convocatória devia ter ser sido feita de "forma transparente", com os promotores a identificarem-se. A iniciativa traduz, em seu entender, "um estado de espírito em relação a um momento histórico", mas a forma como foi feita "constitui em si um obstáculo à mobilização".

"Há motivos sociais e políticos para descontentamento. Se há capacidade de mobilizar pessoas ou realizar a manifestação, não tenho elementos para dizer", afirmou ao PÚBLICO Macedo, que é também um activista cívico e vê semelhanças entre o exercício do poder em Angola e nos regimes da Tunísia, Egipto e Líbia."Se o Presidente continuar no poder por mais tempo, e a exercer o poder como está a exercer, os angolanos vão-se organizar e vão fazer uma manifestação pacífica contra ele", acredita.

Lideranças temem efeito de contágio
O exemplo do Norte está a preocupar diversas lideranças africanas, que temem um efeito de contágio. A Guiné-Equatorial proibiu mesmo a difusão de imagens das manifestações em Tunes e no Cairo, segundo os Repórteres sem Fronteiras.

A agência AFP identificava há dias Angola, mas também Camarões, Chade, Guiné-Equatorial ou Zimbabwe, como países onde a pobreza, a corrupção e a falta de liberdade poderiam suscitar a cólera popular. Mesmo democracias reais como a África do Sul ou o Senegal não estão imunes a convulsões devido à pobreza extrema da maioria da população. Shehu Sani, militante nigeriano dos direitos do homem, manifestou à agência a convicção de que "a revolta popular na África do Norte vai inspirar a África subsariana de Angola ao Burkina Faso, da Nigéria à Eritreia". "A questão não é saber se o movimento popular acontecerá, mas quando", disse.

A AFP moderava, porém, tal optimismo, ao lembrar que a queda dos regimes tunisinos e egípcio foi possível pela benevolência dos exércitos e pelo uso da Internet e das redes sociais, que mobilizaram jovens à volta de partidos e sindicatos tradicionais - dados que não se verificam a sul do Sara, onde as forças armadas estão enfeudadas a quem detém o poder e a Net tem baixa penetração. Para além disso, a multiplicidade de etnias, manipuladas com fins políticos, torna difícil a unidade necessária a contestações de grande dimensão.

Seguidores De Nito Alves Receiam Que Se Repete Mais Um 27 De Maio


COMUNICADO DE IMPRENSA

POVO ANGOLANO !
As revoluções Populares que estão a varrer as ditaduras do Norte de Africa em breve cruzarão a Africa Sub-Sahariana. São ventos de mundança.

Angola tem uma das mais longas ditaduras em Africa e no mundo. Angola tem um dos regimes mais corruptos e arrogantes do mundo a coberto de uma falsa democracia pluralista, razão pela qual passados que são 19 anos, que corresponde a 4 legislaturas, o regime não permitiu a alternancia do Poder.

Por esta razão o Povo Angolano deve ter calma, paciencia e agir com inteligência e solidariedade para que se realize em Angola a mudança de regime , sem violência gratuita ,nem pilhagem dos bens púbicos e privados.

POVO ANGOLANO!

A semelhança dos pronuciamentos públicos de alguns dirigentes do MPLA , nomeadamente , Julião Mateus Paulo «Dino Matrosse»-Secretário Geral do MPLA, Rui Falcão Pinto de Andrade –Secretário do B.P para a informação, e de Virgilio Fontes Pereira –Presidente da Bancada Parlamentar do MPLA, nos dias de hoje,fazem nos lembrar os pronuciamentos instigadores da violência gratuita nas vesperas dos acontecmentos do 27 de Maio de 1977 , levados acabo por Costa Andrade «Ndunduma», Rui de Carvalho, João Melo , Agostinho Mendes de Carvalho. Estes atribuiam os males que naquele então enfermava a jovem República Popular de Angola aos verdadeiros patriotas, escondendo a sua verdadeira intenção- Inviabilizar a implementação da lei 5-2-1976 – A conhecida lei do PODER POPULAR.-O resultado do projecto de inviabilidade do PODER POPULAR , foi o haulocausto do 27 de Maio de 1977 que dizimou mais de 80 mil almas, entre , crianças,adolescentes, velhos, mulheres, ministros, comandantes, governandores a todos niveis e soldados.

Inviabilizado que foi a lei do PODER POPULAR, surgiram os novos ricos do Partido MPLA e da Republica de Angola, que hoje ostentam milhões de dollares , que foram e (continuam a ser) roubados ao Povo Angolano.

COMPATRIOTAS !

A Governação de José Eduardo dos Santos atingiu o Pico da Corrupção e da incompetência e com os ventos da Revolução na Africa do Norte , engendram novas estrategias para resistirem e sobreviverem .Esta realização de uma passa por criarem um estadio de sitio em angola que passa necessariamente pela realização, manifestaçao forçando os cidadãos por varias formas de sairem a rua para posterirmente fazer uso de todas as armas possivel ao seu alcance e repetir a prosa a semelhança do que aconteceu apois ao 27 de Maio de 1977. – O que condenamos cotegoricamento.

Tendo em consideração que as promessas eleitorais não estão a ser cumprida ,assim como a aproximação da realização das eleições para prestação de conta todos estes factores concoreem para o elevado grau de antagonismo entre os diferentes grupos sociais em Angola,o que constituem motivo mais que suficiente para preocupar as eleites que sobrevivem a custa da ditadura instaurada em Angola.

Nesta conformidade , o Presidium da Fundação 27 de Maio , alertamos ao POVO ANGOLANO , para não se deixar levar e participar nesta manifestação porquanto a pessoa que convoca tal manifestação não tem cara , assim como o movimento que ele representa não se conhece em Angola. Pois chama nos atenção o nome pela qual ele se identifica a saber « Agostinho Jonas Roberto dos Santos», o que se pressupõe utilizar as inicias de que Lideres que todos nós conhecemos .

Ao POVO ANGOLANO que pretende mudança de regime , pensamos que o poderá fazer nas proximas eleições previstas para 2012, votando livre sem pressão e em consciência . Nesta altura podera manifestar esta vontade ,votando contra o regime ditatorial que governa Angola a mais de 33 Anos, contrariado assim a vontade dos falsos Angolanos de ver novamente Angola banhada de sangue dos seus proprios filho.

POVO ANGOLANO!

Este comunicado não visa desmobilizar as mentes , que estão dispostos a sacrificios imensuráveis para ver distruidos as correntes da ditatura em Angola, mas tão somente a experiencia de um passado recente de a mais de 30 anos obriga-nos a ponderar as nossas actitudes , a reflectir antes de agir, permitindo avançarmos com segurança quando acharmos conveniente , isto para mantermos firme a paz alcançada com mutio sacrificio e assegurar uma transiçao pacifica para nova ordem , sem deixar espaço de manobra para todo tipo de oportunistas que nunca faltam em qualquer revolução.

Luanda, 28 de Fevereiro de 2011
O VICE-PRESIDENTE INSTITUIDOR DA FUVISMA
JOSE FRAGOSO

“Não Deixemos Espaços De Manobra Aos Incapazes” - Dino Matross


Luanda – O secretário-geral do MPLA, Julião Mateus Paulo “Dino Matrosse”, denunciou hoje, em Luanda, as tentativas de incitação à violência que determinados círculos vêm protagonizando com a finalidade de interromper o processo de reconstrução do país em curso.

Fonte: Angop Club-K.net

SG do MPLA diz haver tentativas de incitação à violência
O dirigente partidário, que falava no encerramento do V Congresso Ordinário da Organização da Mulher Angolana (OMA), disse que as reiteradas tentativas de incitação à anarquia, à desobediência, à violência e à subversão, por círculos muito bem identificados, visam interromper o trabalho de reconstrução do país que está a ser levado a cabo sob a liderança do presidente José Eduardo dos Santos.

“Temos de estar atentos e em prontidão para denunciar todas as manobras que visem mergulhar outra vez o nosso país na confusão e na destruição gratuita”, reiterou, precisando que o povo angolano tem direito à paz, à tranquilidade e uma vida digna.

“Não deixemos espaços de manobra aos incapazes de apresentar soluções construtivas para o país”, disse, acrescentando que “não ganhamos nada” facilitando a frustração e até mesmo o desespero daqueles que fazendo uso da mentira, da deturpação, da calúnia, da intriga política e das manobras de diversão procuram atingir fins inconfessos, enganando os incautos.

“Por isso, exortamos as mulheres organizadas na OMA a manterem-se na vanguarda do processo de consciencialização e mobilização da mulher angolana e das suas famílias, tendo em vista o seu engajamento permanente nas tarefas de combate à pobreza, rumo ao desenvolvimento do país e à consolidação da democracia", apelou.

A sessão de encerramento do conclave foi assistida por membros do Bureau Político do MPLA, governantes, deputados, entidades religiosas, representantes do corpo diplomático e outros convidados.

Bloco Democrático apela aos órgãos militares para não intervir violentamente contra o povo


C O M U N I C A D O DE I M P R E N S A

Luanda - 1. O Bloco Democrático tomou conhecimento de uma convocatória, feita por indivíduos desconhecidos, de uma manifestação pública contra o regime de José Eduardo dos Santos e contra o MPLA, a realizar-se no dia 7 de Março. Tal manifestação seria simultânea em diversas cidades do nosso país e até mesmo junto de algumas das nossas representações diplomáticas. Posteriormente, surgiram na imprensa dois nomes como sendo dos supostos organizadores da manifestação: Agostinho Roberto Jonas dos Santos e Sérgio Ngueve dos Santos. Tratam-se de figuras, no mínimo, desconhecidas, ou que se terão acobertado sob nomes disfarçados.

Fonte: BD/Club-k.net

2. Em mensagem divulgada por SMS, e também a coberto do anonimato, correu a informação de que a UNITA e, em especial, o seu Secretário-Geral, Abílio Kamalata Numa, seriam os mentores da manifestação, com o fito de desestabilizar o país e promover uma nova guerra.

3. A juntar a toda esta confusão, corre ainda na Internet uma carta-denúncia de um suposto militante do MPLA (que terá preferido manter o anonimato, alegadamente para se proteger) mostrando profunda indignação por ter sido convocado para uma reunião de emergência na sede do seu partido onde se debateu precisamente a questão da suposta manifestação do dia 7 de Março.

4. Em tal reunião de emergência, os presentes terão sido instruídos no sentido de criarem “grupos de contenção dos manifestantes” e ter-lhes-ão sido entregues “máscaras de gás lacrimogéneo e orientados para se infiltrarem no seio da manifestação, caso haja, e criarem tumultos”. Seriam, igualmente, infiltrados membros dos Serviços de Inteligência, a paisana, “para instalar o terror contra os manifestantes indefesos”.

5. Através do seu Comité Provincial de Luanda, o MPLA promoveu no dia 1 de Março, num dos pavilhões da Cidadela Desportiva, um encontro público de militantes com o objectivo claro de os mobilizar para, no dia 5 de Março, Sábado, realizarem uma manifestação pública, dita de promoção da Paz, e para o repúdio da outra manifestação que teria lugar no dia 7 de Março.

6. Estão, pois, criadas as condições psicológicas para se desencadear uma onda repressiva e persecutória que faz lembrar outros momentos de triste memória que Angola já viveu e com consequências trágicas.

Somente cegueira política e uma tremenda irresponsabilidade podem aconselhar tais atitudes.

7. Se é verdade que o MPLA tem o direito de promover manifestações públicas, é verdade que os outros partidos, instituições ou personalidades também o têm, como dispõe a Constituição da República no seu artigo 47º (liberdade de reunião e manifestação), e a Lei da Manifestação, desde que se respeitem os limites legais.

8. Para o Bloco Democrático, face a obstrução à Lei da Manifestação pelo próprio Governo e à crescente opressão reinante pelo regime que, sistematicamente, viola a liberdade individual e colectiva, é natural que os cidadãos procurem reagir por processos semi-clandestinos.

9. Algumas das mensagens que circulam sobre a manifestação do dia 7 de Março inserem no seu texto apelos ao derrube do “Regime do Ditador José Eduardo dos Santos”. Este é um recurso político que em nada se coaduna com a cultura política nem com os princípios democráticos que enformam o Bloco Democrático.

10. Seria, pois, incoerente, participarmos, ou animarmos uma acção que pode conduzir a uma completa perda de controlo e lançar a confusão na nossa sociedade, com consequências imprevisíveis.

11. Seria, também, ingenuidade embarcar numa acção que tem, claramente, “a mão invisível” daqueles que se preparam para desencadear mais “uma acção de limpeza”, à semelhança de outras no passado, e de muito triste memória. Com uma nova chacina, livrar-se-iam dos elementos julgados incómodos, e criariam o vazio democrático que lhes garantiria o prolongamento da sua acção delapidadora dos bens e dos recursos públicos, prosseguindo, então, com mais liberdade na senda da corrupção e de outras práticas mafiosas de que se tornaram, afinal, exímios executantes.

11. Assim, o Bloco Democrático chama a atenção da opinião pública nacional e internacional para mais este exercício de castigo e de razia que se prepara contra aqueles que ousam demarcar-se e repudiar a nefasta acção governativa.

12. O Bloco Democrático prosseguirá na senda da luta política democrática com o vigor que lhe é característico, e afirma a sua disponibilidade para discutir com as restantes forças políticas democráticas para a busca dos melhores caminhos que conduzam à Paz Social e Política entre os angolanos de todas as latitudes, num processo de unidade com os cidadãos que exigem e esperam soluções.

13. Ao MPLA apelamos que deixe para trás a cultura da intolerância e da manipulação política com fins inconfessos.

14. Aos órgãos militares e de ordem pública apelamos que se abstenham de intervir violentamente contra o povo, a maior vítima da guerra fratricida, da miséria e da pobreza reinantes.

Liberdade, Modernidade, Cidadania
Viva o Bloco Democrático! Viva a Paz!
Luanda, 02 de Março de 201
O Presidente do Bloco Democrático
Justino Pinto de Andrade

Ala Reformista Do MPLA Alerta Que Angola Está A Viver Um Momento Gravíssimo


PARA: - ASSEMBLEIA NACIONAL DA REPUBLICA DE ANGOLA
C-/C : - TRIBUNAL CONSTITUCIONAL
- TRIBUNAL SUPREMO
- PROCURADORIA-GERAL DA REPUBLICA
- COMITE CENTRAL DO MPLA
- ORDEM DOS ADVOGADOS
- AOS GRUPOS PARLAMENTARES

ASSUNTO: PROPOSTA PARA RESOLUÇÃO PACIFICA DA CRISE ANGOLANA

Excelentíssimo Sr. Deputados da Assembleia Nacional!
Caros Presidentes dos Grupos Parlamentares!

A democracia, na medida em que permite a ascensão do povo ao poder e a constante renovação dos dirigentes máximos de qualquer organização estatal, possibilita um contínuo debate a respeito do comportamento daqueles que exercem ou pretendem exercer a representatividade popular, bem como de todos os demais fatos de interesse colectivo.

A partir dessa singela constatação, é possível deduzir que os regimes ditatoriais e autocráticos, por serem idealizados e conduzidos com abstracção de toda e qualquer participação popular, mostram-se como o ambiente adequado à aparição de altos índices de corrupção.

A debilidade democrática facilita a propagação da corrupção ao aproveitar-se das limitações dos instrumentos de controlo, da inexistência de mecanismos aptos a manter a administração adstrita à legalidade, da arbitrariedade do poder e da consequente supremacia do interesse dos detentores da protestas publica face ao anseio colectivo.

Esse estado de coisas, longe de se diluir com a ulterior transição para um regime democrático, deixa sementes indesejadas no sistema, comprometendo os alicerces estruturais da administração pública por longos períodos. Ainda que novos sejam os mecanismos e as práticas corruptas, os desvios comportamentais de hoje em muito reflectem situações passadas, das quais o povo angolano vem reivindicando.

É o caso inédito do Artigo 244º da nossa Constituição que promove as regalias da impunidade e o vínculo à ilegalidade institucionalizada e o bloqueio total da reconciliação da família angolana.

A ineficiência estatal, seja na esfera legislativa, administrativa ou jurisdicional, é um importante factor de desenvolvimento das práticas corruptas. Como manifestações inequívocas das falhas do aparato estatal, podem ser mencionadas:

a) As decisões arbitrárias, que resultam de uma excessiva discricionariedade dos agentes públicos e desvirtuam o uso do poder, estimulando as práticas corruptas e o seu uso em benefício de terceiros;

b) As conhecidas mazelas no recrutamento dos ocupantes dos cargos comissionados, que relegam a plano secundário a valoração da competência e prestam-se ao favorecimento pessoal, o que termina por estimular a corrupção em razão dos desvios comportamentais de tais agentes;

c) O corporativismo presente em alguns sectores do Poder, em especial no Judiciário e no Legislativo, isto sem olvidar o Ministério Público, como o Tribunal Supremo. Em Angola apesar de não ostentar esse designativo, tem prerrogativas próprias de um Poder o que em muito dificulta a investigação de ilícitos praticados pelos sectores de maior primazia nesses órgãos;

d) A quase que total ineficiência dos mecanismos de repressão aos ilícitos praticados pelos altos escalões do poder;

e) A concentração, em determinados funcionários, do poder de administrar ou arrecadar elevadas receitas; e

f) A tolerância, em especial na estrutura policial, das práticas corruptas.

Concluímos porem: que não há uma autoridade política, alguém a quem se possa recorrer, que tome uma providência a altura do que a situação exige. Não há uma referência moral, cuja voz se faça ouvir e respeitar. Pois, tanto o Tribunal Constitucional como o Tribunal Supremo mantêm, cada um o seu modo, vínculos ou preferência política num grau de intimidade com o poder que os desqualifica árbitros, como agentes ordenadores desinteressados.

Os desvios comportamentais que redundam em estímulo à proliferação da corrupção, na medida em que se apresentam como práticas rotineiras, possuem uma dimensão mais deletéria e maléfica à organização estatal. Emitem o surgimento de um código paralelo de conduta, à margem da lei e da razão, que paulatinamente se incorpora ao standard de normalidade do homo medius.

Uma vez iniciado esse processo, difícil será a reversão ao status quo, fundado na pureza normativa de um dever direccionado à consecução do bem de todos. Tudo isso, são as conclusões chegadas pela UT-MPLA como sendo causas fundamentais de reivindicações.
Excelências!
Realçamos que :

Angola está a viver um momento gravíssimo. As evidências de corrupção sistemática, de formação de quadrilha no governo e de privatização partidária do Estado, são hoje maiores, sob a administração do presidente José Eduardo dos Santos, do que foram de qualquer outros tempos da nossa história. -Tudo isto percorre para o aumento dos antagonismos entre os diferentes grupos sociais em Angola, razão pela qual motiva a grande insatisfação da maioria do povo, que vive privados de tudo o que é digno para a vida humana.

A UT/MPLA, tomou conhecimento através da internet do manifesto Antigovernamental em Angola, prevista para dia 7 de Março de 2011. - Portanto ao termos em consideração o acima exposto, logo ela é legítima, a julgar ainda pelo artigo 47 da constituição que consagra sem reserva a realização de manifestação pacífica.

As Reivindicações pelo povo Angolano exigido encontram sustentação nos artigos, 73,74, 127, e 129 da actual carta Magna, pelas constantes violações dos artigos 1, 2, 3,4, 6, 22, 47,52,53,75,79, 80, 90, 108 especialmente o seu ponto 5, 115 e outros.

Nesta conformidade, em nome de todo o povo angolano amantes da paz, democracia e direitos humanos A UT/MPLA recomenda a Assembleia Nacional, no uso das suas competências contidas nos artigos números 161 na sua alínea (m), 162 na sua alínea ( a), 164 as suas alíneas (e, g) e da vontade popular, a criar condições imediatas para aplicação do artigo 127, o seu ponto 2 e 3; o artigo 128 o seu ponto 2 e artigo 129 o seu ponto1 as suas alíneas (a, b); o ponto 2 as sua alíneas (a, b e c) consagrados na carta Magna.

Com este pressuposto pretende-se evitar os actos de violência gratuita, vandalismo, vingança de oportunistas e todos aqueles que por ocasião do género aproveitam para fazer justiça por mãos próprias, pilhagem dos bens públicos e privados. Consequentemente, tais actos culpabilizam sempre inocentes, bem como o governo reivindicado, assim como a própria assembleia nacional como o órgão legislador e fiscalizador dos actos do executivo, pois a experiência de um passado recente é prova evidente do que esta a ser salvaguardada na referida tese. Por isso:

“NÓS NÃO CONCORDAMOS E NÃO APOIAMOS TAL MANIFESTAÇAO”

Sendo as reivindicações do Povo Angolano legítimas, a UT/MPLA, sugere a realização de uma plataforma de entendimento a ser feito na base do consenso entre todas as forças política e impreterivelmente a sociedade civil representada como poder popular e o governo reivindicado, este que devera respeitar sem reserva a vontade popular, em observação a Carta Magna, os seus artigos ( 2 e 3)

Nesta plataforma deve vir reflectidos os moldes e procedimentos do direito de protecção e segurança da Pessoa do Presidente destituído e dos seus colaboradores mais próximos. - Como tese destes argumentos a UT/MPLA, concorre a preservação da vida humana – contra a lei de talião – porque a vingança extingue a vida humana ao invés de preserva-la - à favor de todos implicados no crime contido no artigo 127 da actual carta magna.

O hegemonismo político, a ingovernabilidade, a corrupção institucional e a insegurança jurídica, designam a origem, o processo e a natureza da crise presente e devem demarcar um ponto de não retorno no tempo que estamos a viver. E o que é mais grave, é a eminência de mudanças que, para melhor ou para pior serão rápidas e drásticas – como podemos constatar.

Os anos de paz, como esperava o povo angolano ser a mais-valia para o país florir têm sido para maioria, uma decepcionante surpresa; Uma deplorável confirmação de expectativas e prognósticos. Uma breve retrospectiva desta lucidez desafia a capacidade de acção de qualquer membro da família angolana.

Grato pela atenção que possa merecer este exposto, expresso na base da pacificação e irmandade as mais sinceras considerações patrióticas.

LUANDA, 28 DE FEVEREIRO DE 2011

PELA COORDENAÇAO DA UT-MPLA
SILVA SIMAO MATEUS
GENERAL

quarta-feira, 2 de março de 2011

O cónego e os padres ditadores


E há mais de trinta anos que erguem paredes e logo a seguir as derrubam. Donde lhes vêm o dinheiro? Creio que não é difícil de responder. Vem dos canais secretos petrolíferos da República da Sonangol.
Nesta epopeia do silêncio da hipocrisia da Igreja, destacam-se os chineses: não estão aqui para ajudar o povo angolano. Estão sim, para apoiar uma elite religiosa que branqueia os dólares da sua congénere petrolífera que nos governa. Nada, nada vem em benefício das populações, porque dia após dia a miséria escancara as portas a belzebu. Angola serve sim para resolver o problema do desemprego chinês. E como é aterrador, próprio de uma ditadura, afirmar que a China é a principal potência económica mundial, e que o seu socialismo científico triunfou, pagando salários de miséria aos seus trabalhadores.
Quando há bem pouco tempo comprei uma toalha made in China, e logo ao utilizá-la se desfez. Lembram-se da história do ferro de engomar da revolução soviética? As ditaduras apoiam-se na realização dos tais tratados de amizade e cooperação eternos. Com tamanha invasão do internacionalismo chinês, já ninguém está descansado na sua casa.
Angola é por vontade própria, o paraíso dos desempregados estrangeiros.
Parece que ninguém da oposição repara, ou finge que não sabe, aliás como tudo o mais, que existe um plano macabro de despedir massivamente os angolanos, para empregar estrangeiros. Estão nesta linha da frente os portugueses? Visitem-lhes as empresas e verão. O autor destas linhas já foi vítima de tais sevícias. Chegaram, e conseguiram desempregar-me. Nesta linha da frente do neocolonialismo, uma escada do novo inferno se renova.
O meu filho, além da humilhação de um falso engenheiro de informática português, que não sabia o que era uma pendrive, e mesmo assim apanhou-lhe o lugar… despediram-no.
Vislumbra-se um horizonte de trevas aterradoras, porque as coisas por aqui estão deveras complicadíssimas.
E nós, presos torturados neste campo de concentração de Luanda, mantemo-nos na dúvida constante, além da arrogância e das ameaças dos novos-ricos e das novas-ricas, isto está inchado de amantes, se hoje teremos água, energia eléctrica ou Internet. Das outras misérias não é necessário comentá-las. Um ambiente de oásis para potenciais investidores… que invistam na energia eléctrica.
E o cónego e alguns padres decretaram-se ditadores dos campos petrolíferos. Também deles beneficiarão. O apoio incondicional que prestam à ditadura petrolífera, utilizar a religião para defesa dos seus interesses pessoais, é a edificação do Ruanda de Angola. Este vírus da igreja divide-nos, arrasta-nos para a morte.
E os bancos, os principais mentores da nossa destruição moral e social, os arquitectos da nossa miséria total e completa, devemos neste momento exercer uma vigilância apertada sobre os movimentos bancários, antes que seja demasiado tarde.
O povo está muito chateado por causa da lei de Murphy, que sob o efeito borboleta do: quem se manifestar vai apanhar… então, roubam-nos tudo, e ainda nos ameaçam com porrada?
Já não se chama Angola, mudou o nome para: República do Grupo Restrito da Sonangol. Assim tudo concentrado, para que seja mais fácil roubar e espoliar.
A nossa rádio, Tv, jornal, cónego e alguns padres Kin-Il-Sung, querem arrastar-nos para o matadouro do extermínio.
E os bancos da lavagem esperam-nos com os seus detergentes. Os preços do petróleo sobem, e os nossos armazéns da fome atulham-se com cimento chinês e mercenários para que não haja lugar a manifestações.

terça-feira, 1 de março de 2011

David Mendes anuncia que vai participar nas manifestações


Lisboa – Um grupo de políticos, pastores e membros da sociedade civil subscreveram uma carta ao Presidente José Eduardo dos Santos notificando que irão participar na manifestação marcada para o dia 7 de Março. Faz parte do grupo, David Mendes, uma dos mais prestigiados advogados de Angola reconhecido por arrastar multidões. Segue a íntegra da carta enviada ao PR.

Fonte: Club-k.net

Carta ao Presidente da República

À
EXCELENTÍSSIMO SR. ENGº JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS, PRESIDENTE DA REPUBLICA DE ANGOLA

L U A N D A

Excelência,

Embora a manifestação convocada para o dia 7 de Março de 2011, não ser de iniciativa, do PDP-ANA, POC e do PARTIDO POPULAR, nós, partidos políticos nacionais, legalmente constituídos a luz da lei vigente no país, em nosso nome e em nome das forças políticas democráticas angolanas e com beneplácito de organizações da sociedade civil e de activistas cívicos: AMPLO MOVIMENTO DOS CIDADÃOS, FORUM DAS AUTORIDADES TRADICIONAIS, MPALABANDA, MANIFESTO JURIDICO E POLÍTICO DO PROTETORADO LUNDA, COLECTIVO MULT-SECTORIAL PARA O DESENVOLVIMENTO INTEGRAL, CONSELHO DE COORDENAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS e de LIDERES RELIGIOSOS de várias confissões, incluindo padres, apoiam e assumimos nossa participação na manifestação popular ora convocada, por ser feita com fundamento no artigo 40º e 47º da Constituição Angolana, aprovada pelo MPLA que diz:

Artigo 40º

“1. Todos têm direito de exprimir, divulgar e compartilhar livremente os seus pensamentos, as suas ideias e opiniões pela palavra, imagem ou qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informado sem qualquer impedimento.

2. O exercício dos direitos e liberdades constantes do número anterior não pode ser impedido nem limitado por qualquer tipo de censura”

Artigo 47º

“1. É garantida a todos os cidadãos a liberdade de reunião e de manifestação pacífica e sem armas, sem necessidade de qualquer autorização e nos termos da lei.”

Tratando-se de uma manifestação pacifica e com objectivo único de exprimir o pensamento reivindicativo do povo que já corre e agita os musseques e cidades de todo país e que se traduz numa verdadeira tensão política e social, derivadas de:

Elevado índice de pobreza, desemprego, descriminação social, falta de acesso a educação e a saúde e de oportunidades para os jovens.

A maioria dos militares Angolanos não tem direito a Caixa Social das Forças Armadas. Nesta situação estão os militares das Ex- FAPLA, do MPLA, Ex-ELNA, da FNLA, Ex-FALA, da UNITA e das FLEC. Nesta condição estão também elementos da Unidade da Guarda Presidencial. Na Polícia Nacional e nas FAA alguns Oficiais Generais e suas famílias exibem riquezas que contrastam com a miséria em que vivem os agentes, soldados e oficiais subalternos.

A economia é dominada pela família de Sua Excelência Sr. Presidente da Republica e de pessoas que a Si rodeiam. Muitos dos dirigentes e membros do MPLA vivem a dizer nas esquinas, tal como o povo, quem são os donos dos bancos, dos hotéis e de outras empresas que desfilam pelo país, enquanto, eles e os empresários angolanos estão na ruína absoluta. Engana-se, assim, quem pensa que a maioria dos membros do MPLA está satisfeita com o regime, pois só não falam em público por medo. Porque o medo atingiu também o MPLA. As zungueiras, que lutam pela manutenção das famílias, já que os seus maridos não têm emprego, são mal tratadas e ou mortas pela Polícia.

Os jovens que para não roubarem ou ingressar na delinquência, passam o dia, debaixo do sol, para vender alguma coisa e sobreviverem de forma honesta, mas, infelizmente, a Polícia Nacional os prendem.

Os jovens não têm emprego nem acesso as Universidades, porque os seus pais não têm capacidade financeira para suportar os custos, enquanto o governo gasta milhões de dólares com a construção de estádios e outras obras fúteis.

A destruição dos grandes mercados a nível nacional como a do Roque Santeiro, de forma violenta, chegando mesmo em muitos casos, como no Sumbe a matarem vendedores, levou milhares de famílias a miséria absoluta.

Na Huila e em todo país os cidadãos estão a ficar sem as suas terras porque os novos latifundiários recebem as propriedades dos autóctones.

O povo com sacrifício constrói as suas casas, mas o regime não respeita as suas propriedades e se assiste em todo país uma onda de demolições.

As liberdades fundamentais não são respeitadas, o medo foi instalado, ninguém pode se manifestar ou emitir opinião diferente das do regime do MPLA.

As igrejas nacionais não são legalizadas ou são encerradas mas as estrangeiras são reconhecidas logo que chegam.

As assimetrias, as injustiças sociais e económicas regionais têm levado a convulsões sociais como as que se vivem em Cabinda e no Leste da Angola.

O cartão de membro do MPLA representa mais cidadania que o bilhete de identidade, pois ele se afirma como partido estado.

Os filhos de Angolanos nascidos fora do país, particularmente nos Congos, são tratados como estrangeiros

Excelência;

Estes são, entre outros, os factos que nos levam a solidarizar com a manifestação e, gostaríamos de exprimir a Sua Excelência Senhor Presidente da Republica, que membros da direcção do MPLA pretendem usar a polícia e as FAA para reprimir a manifestação. Na qualidade de Presidente da República, não deve permitir que a manifestação pacífica se traduza em banho de sangue. Os que querem agir assim, não são seus amigos, pois eles sabem que se isso acontecer, será Sua Excelência Sr. Presidente o único responsável. E, eles sabem também, que a comunidade internacional já não tolera este tipo de comportamento, perseguindo os violadores e os levam ao Tribunal Penal Internacional em Haia.

Excelência;

O futuro pacífico de Angola está nas suas mãos, as mudanças democráticas estão nas suas mãos. Angola precisa de paz e não de guerra ou derramamento de sangue, como pretendem os dirigentes oportunistas do MPLA que estão a incitar a violência e, no final atribuir a Si as responsabilidades, como fizeram com Agostinho Neto no 27 de Maio.

QUE DEUS ILUMINE O SR. PRESIDENTE
QUE DEUS ABENÇOE ANGOLA

LUANDA, AOS 28 DE FEVEREIRO DE 2011

OS SIGNATÁRIOS
SEDIANGANI BIMBI
MANUEL FERNANDES
DAVID MENDES

O voo eterno dos ditadores e das suas eternas ditaduras