quinta-feira, 2 de outubro de 2014

UNITA refunda jornal Terra Angolana





Luanda –  Na sequencia da onda de censura/manipulação  a que são alvos por parte da comunicação social estatal, o  Presidente da UNITA, Isaías Samakuva manifesta internamente ver reabilitado o Jornal “Terra Angolana”, afecto ao seu partido, no sentido de torna-lo numa publicação mais abrangente iniciando com a sua “despartidarização”.

Fonte: Club-k.net 

Ana Margoso é a nova directora
Para o efeito,  aquele dirigente  político formulou recentemente convite a uma jornalista nacional,  Ana Margoso, para se tornar directora-geral  daquela publicação.  Margoso, que é formada em relações internacionais, é uma influente  jornalista  e com passagem em vários órgãos de comunicação social  em Luanda. Goza do respeito do  líder da UNITA, e este por sua vez,    acredita que ela seja a pessoa que pode ajudar a “refundar” aquela publicação distanciando-a do cunho partidário.
A par do Jornal de Angola (fundado desde a época colonial), o “Terra Angolana” pode ser considerado  como a segunda publicação mais antiga e em circulação em território nacional.
De acordo com dados históricos, o Jornal “Terra angolana”, foi  fundado pela UNITA em 1979, a partir de um campo para treino  militar, conhecido por “base do Delta”, no interior da Namíbia onde também ensaiavam emissões de rádio.  Os seus pioneiros  foram Fernando Wilson dos Santos (já falecido) e Franco Meneses Marcolino Nhany, o actual Secretario da organização da UNITA.  Mais tarde, a publicação passaria a ser publicada a partir de Lisboa mas com reportagens colhidas ou despachadas a partir da jamba, antigo quartel general do “Galo Negro”.
No período que sucedeu aos acordos de paz de bicesse, que resultou no regresso da UNITA, as cidades, o “Terra Angolana”, passou a ser distribuído em Luanda, mas mantendo a sua feitura  a partir da capital portuguesa.  O seu director geral, era a época, o malogrado  Norberto de Castro,  ex- quadro sénior da representação da UNITA em Portugal, que mais tarde aderiu ao regime sendo  enquadramento como director  de comunicação  e imagem da Sonangol.

Nos últimos anos o “Terra Angolana” passou a ser editado a partir de Viana, tendo reduzido/perdido  a sua aceitação  devido a carga partidária  que se confundia a um “boletim partidário”.  É por esta razão que o líder da UNITA, tenciona dar outra dimensão a publicação que se traduz em despartidarização e pondo-o ao serviço da sociedade como um semanário normal. 

Combustíveis. “os agentes económicos, que são, cumulativamente, decisores políticos.”







1.  Por norma, a problemática dos preços dos combustíveis gera comentários de diversos tons.
2.  Nas economias de mercado mais desenvolvidas, as variações nos preços internos dos combustíveis são resultantes de oscilações no preço internacional do petróleo, que, por sua vez, são consequência de contracções na oferta, ou então, de aumentos sensíveis na procura global. É, pois, o império da lei da oferta e da procura sobre o mercado.

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3.  As contracções na oferta advêm, quase sempre, de constrangimentos nos países produtores. Umas vezes, são guerras, outras, são conflitos políticos internos agudos. Os aumentos na procura global por petróleo têm, geralmente, como principal razão uma expansão na actividade económica, com centro de gravidade nos países que marcam a agenda da economia mundial.
4.  São, pois, os grandes produtores e os grandes consumidores os responsáveis pelas alterações do preço do petróleo nos mercados internacionais. Os mais pequenos limitam-se a absorver (a internalizar), à sua maneira, os impactos causados pelos demais.
5.  Estamos hoje a viver uma acentuada redução na procura internacional de petróleo, pelo facto de a economia norte-americana se ter tornado praticamente auto-suficiente – não só em petróleo mas, também, em gás. Mas ainda devido à estagnação das principais economias europeias. E por a economia chinesa estar em desaceleração. Essas grandes economias – e outras emergentes – são quem determina o comportamento da procura.
6.  No lado da oferta há um conjunto restrito de países a marcarem o compasso do mercado, com destaque para os países integrantes da OPEP. O leque desses vendedores é incomensuravelmente mais pequeno que o leque dos compradores. Daí que os compradores se sujeitem aos interesses dos vendedores, que até fazem coalizões, como é o caso da OPEP.
7.  Mas economias desenvolvidas os Estados primam pela ausência na tomada de decisão sobre os preços dos combustíveis a praticar internamente. Como há concorrência, só episodicamente se vêem diferenças de preço – mínimas – entre os vendedores. Eles convergem e nunca são subsidiados.
8.  Em Angola, a política de subsídio aos combustíveis é uma prática corrente e tem, para já, um duplo efeito: atrai fornecedores pouco competitivos (respaldados num ganho seguro à custa do OGE) e também afugenta potenciais fornecedores competitivos (mais habituados ao jogo do mercado, e sempre muito receosos de prováveis incumprimentos por parte do Estado).
9.  No nosso caso, os subsídios aos combustíveis têm um peso não negligenciável na despesa do OGE (fala-se em cerca de 12%), percentagem atingida no ano de 2013. A cifra de 5,5 mil milhões de usd que o Estado direcciona para os subsídios aos combustíveis corresponderá a 4% do PIB.
10.                São valores preocupantes quando comparados com os encargos do Estado para com sectores importantes, quer no campo económico, quer no campo social. Os exemplos geralmente mais referidos são a agricultura, a saúde e a educação.
11.                A opinião mais generalizada entre os analistas é de que esse desvio de recursos do Orçamento Geral do Estado prejudica grandemente o exercício das demais funções sociais do Estado. Fica-se, assim, com a ideia de que o efeito imediato de um alívio da carga dos subsídios aos combustíveis seria uma canalização de mais recursos financeiros para os sectores sociais.
12.                Não acredito que tal venha a ser feito de um modo linear, pois as decisões sobre a repartição do “bolo orçamental” obedecem ainda a outros critérios, entre os quais a capacidade real de absorção e de uso eficaz desses recursos. O aumento dos recursos e o seu uso eficaz estarão interligados.
13.                O alívio da carga dos subsídios aos combustíveis deve fazer-se de um modo suave e gradual, sem grandes roturas, para que os resultados esperados sejam os mais convenientes. Tal como o aumento das dotações orçamentais para os sectores carentes deve obedecer a critérios de eficácia na sua utilização, pois não basta construir escolas e hospitais ou centros de saúde, se eles não forem dotados dos meios materiais e humanos que permitam o seu funcionamento em boas condições.
14.                O argumento geralmente esgrimido pelos adeptos de uma retirada – brusca e total – dos subsídios é o de que, no final, eles beneficiam os mais ricos. Esquecem-se, porém, que a nossa sociedade é constituída maioritariamente por pobres, e que, no caso de se optar por desampará-los – retirando bruscamente os subsídios – serão os mais prejudicados.
15.                Para que os preços dos combustíveis sejam competitivos, primeiro que tudo, há que desenvolver políticas efectivas de competição, o que não sucede entre nós, sendo a prática mais corrente a do estímulo aos monopólios ou aos oligopólios restritos. Quer uns, quer os outros, sempre respaldados nos interesses dos os agentes económicos, que são, cumulativamente, decisores políticos.

“o desmoronamento da seguradora nacional “AAA”, e do BESA”






1.  O público leitor de jornais e, também, todos quantos seguem atentamente os noticiários depararam-se com informações alarmantes a respeito de uma das instituições bancárias tidas como das mais robustas e melhor cotadas no nosso mercado financeiro – o BESA. Já antes, e não há muito tempo, tínhamos sido surpreendidos com o desmoronamento da seguradora nacional “AAA”, o que, pela certa, terá causado dano em muitos dos que nela confiaram. Que eu saiba, as verdadeiras razões do desmoronamento da “AAA” ficaram como que no chamado “segredo dos deuses”. Por isso, no grande público permanecem ainda imensas dúvidas, face ao comportamento sigiloso de quem tem a obrigação de gerir a sociedade com grande transparência.

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2.  Veio ao de cima agora o chamado “Caso BESA”, cujo desenvolvimento terá ajudado a despoletar o ainda mais complexo “Caso BES”, que envolve um dos grupos familiares mais mediáticos no panorama financeiro português, com fortes ramificações no nosso país.
3.  Há muito que se espalhavam pequenos sinais de que o Grupo Espírito Santo estava envolvido em actos pouco claros e nada transparentes. Alguns  dos seus tentáculos internacionais passaram por vistorias policiais e periciais que indiciavam que algo não corria bem no seu seio. Porém, o alerta mais estridente soou com a informação do iminente colapso do BESA – veiculada pela comunicação social portuguesa – resultante do desconhecimento do paradeiro de cerca de 5,7 mil milhões de dólares norte-americanos atribuídos por aquele banco a clientes “supostamente” desconhecidos. Quase em simultâneo, foi também veiculada a notícia de que o Presidente da República decidira conceder uma garantia soberana ao BESA, para cobrir os eventuais danos causados pelo crédito malparado causado pela atribuição de dinheiros a figuras principalmente ligadas à nomenklatura que orbita em torno do partido no poder.
4.  Esse “suposto” desconhecimento da identidade dos beneficiários dos aludidos fundos é um facto demasiado grave, pois, qualquer instituição bancária que se preze – e, com maioria de razão, uma entidade com o histórico bancário herdado do BES – não pode ter facultado tão elevados recursos a “desconhecidos”. Muito menos deveria prestar tal benefício a quem não provou possuir garantias reais capazes de servir de respaldo ao crédito, em caso de incumprimento das respectivas obrigações.
5.  Corre ainda a notícia de que um dos que mais proveito retirou dessa forma perdulária de aceder ao crédito bancário, terá sido o próprio Presidente da Comissão Executiva do BESA, na altura, Álvaro Sobrinho, o que configura uma clara prática de improbidade e de enorme promiscuidade: ser juiz em causa própria.
6.  A alegada conexão do anterior PCE do BESA com altas figuras do regime beneficiárias dos créditos – hoje tidos como “activos tóxicos” – que provocaram o desmoronamento do BESA, terá sido facilitada por entidades de proa da ESCOM (Espírito Santo Commerce), uma das mais complexas alavancas dos interesses do Grupo Espírito Santo no nosso país.
7.  O BES, com mais de 50% do capital é ainda, até agora, o principal accionista do BESA, tendo como parceiros a Portmill (24%), o Grupo Geni (18,99%), e uma pequena percentagem do seu capital está distribuída por accionistas individuais.
8.  À Portmill estarão ligados altas figuras da política nacional, como o actual Vice-Presidente da República, Manuel Vicente, “Kopelipa” e o General Dino. À Geni estará ligada à filha mais velha do Presidente da República, Isabel dos Santos.
9.  Em Portugal, o BES foi desmantelado, por determinação do Banco de Portugal, atirando os chamados “activos tóxicos” para o agora chamado “Banco Mau”, entre os quais o BESA. O Banco de Portugal constituiu também um “Banco Bom”, com o nome provisório de “Novo Banco”. Ao tomarem conhecimento dessa decisão, as autoridades angolanas retiraram a garantia soberana anteriormente concedida pelo Presidente da República, sem a qual o BESA ficou exposto às contingências do mercado.
10.      Sabe-se que o governo de Angola pretende dar um novo rumo ao BESA, remodelando a sua estrutura accionista. Para isso, colocam-se alternativas, uma das quais seria a sua distribuição por entidades bancárias estatais, o BPC e o BCI. Talvez não seja essa a melhor, dado que se trata de entidades bancárias cuja “saúde” suscita muitas dúvidas. E onde mais facilmente se poderiam repetir os erros de avaliação do risco de crédito cometidos pelo BESA…
11.      O tratamento a dar ao “Caso BESA” tem que ser devidamente ponderado, pois terá implicações em diversas áreas de actividade. Por exemplo, o BESA detém 62% do capital social do BESAACTIF, uma sociedade gestora de fundos de investimentos. Dos restantes, 35% pertencem à ESAF – Espírito Santo Participações Internacionais – uma das maiores sociedades gestoras de fundos de investimento portuguesas. E os 3% residuais são detidos por pequenos investidores.
12.      A ESCOM, maioritariamente participada pelo Grupo Espírito Santo, desenvolve múltiplas funções no nosso país, nomeadamente, mineração, imobiliário, energia, obras públicas, cimentos, oil & gás, etc. Uma eventual falência que se venha a verificar na ESCOM porá em causa um número bastante grande de interesses, gerando, inclusive, um significativo aumento no nível do desemprego.
13.      Tudo isso me leva a pensar que seria aconselhável as autoridades angolanas adoptarem uma atitude mais transparente na gestão do “Dossier BESA”, como forma de dissipar as fundadas suspeitas que sobre elas recaem, de estarem mais preocupadas em proteger os interesses particulares da sua nomenklatura.

“atacar a ilha era uma resposta à ajuda de Fidel Castro a Angola”





Henry Kissinger planejou bombardear e minar Cuba em 1976

O livro 'Back Channel to Cuba' revela que o plano dos EUA de atacar a ilha era uma resposta à ajuda de Fidel Castro a Angola

Vicente Jiménez Nova York
ELPAIS.COM

O secretário norte-americano de Estado Henry Kissinger esteve a ponto de desencadear um conflito de imprevisíveis consequências com a União Soviética em 1976 por causa das sempre tempestuosas relações com Cuba. Kissinger planejou naquele ano, durante o Governo do presidente Gerald R. Ford, minar e bombardear os portos da ilha e suas instalações militares em resposta à decisão de Fidel Castro de enviar tropas a Angola. O plano contemplava uma resposta militar soviética, o que teria levado a uma “guerra geral”. Por fim, o ataque, planejado para depois das eleições de 1976, não ocorreu, já que as urnas deram a vitória ao democrata Jimmy Carter.
O relato se apoia em documentos sigilosos divulgados nesta quarta-feira, incluídos no livro Back Channel to Cuba (o canal oculto em direção a Cuba), dos pesquisadores William M. Leogrande e Peter Kornbluh, que narra as negociações e contatos secretos entre Washington e Havana depois da revolução de 1959. O livro foi lançado nesta quarta-feira no Hotel Pierre, de Nova York, cenário de um dos muitos encontros nunca divulgados entre representantes de ambos os países.
Se decidirmos atacar, não podemos fracassar. Não podemos agir pela metade
Henry Kissinger
Kissinger, em uma reunião realizada em 24 de março de 1976 com os principais assessores de segurança, entre os quais o futuro secretário da Defesa Donald Rumsfeld, comentou: “Se decidirmos atacar não podemos fracassar. Não podemos agir pela metade”. Kissinger se referia a outras ações encobertas promovidas pelos EUA para derrubar Castro, como a da Baía dos Porcos, em 1961. “Creio que vamos ter de triturar Castro”, disse Kissinger ao presidente Ford em um encontro na Casa Branca em 25 de fevereiro desse mesmo ano, segundo o memorando da reunião. “Mas não podemos fazer isso antes das eleições (presidenciais de 1976)”, acrescentou. “Estou de acordo”, respondeu Ford.
Atacar Cuba seria a última opção se outras medidas de pressão não conseguissem fazer com que Castro desistisse de intervir em outros países africanos depois de seu envolvimento para ajudar o Movimento Popular para a Libertação de Angola, de António Agostinho Neto, contra os ataques de grupos insurgentes apoiados pelos Estados Unidos e o regime racista da África do Sul. O plano ordenado por Kissinger contemplava também o envio de fuzileiros navais à base de Guantánamo para “esmagar” os cubanos.
Kissinger, que foi secretário de Estado de 1973 a 1977 e agora tem 91 anos, planejou o ataque para evitar que Washington ficasse com uma imagem de fraqueza por seus debates internos em razão da retirada da guerra do Vietnã. “Se se propaga pelo mundo a percepção de que estamos tão debilitados que nada podemos fazer com uma ilha de oito milhões de habitantes, então dentro de três ou quatro anos teremos uma crise real”, disse Kissinger na reunião de março com os conselheiros de segurança. O secretário de Estado estava também muito irritado pelos frustrados esforços de aproximação nesse mesmo ano, com reuniões secretas entre representantes de Washington e Havana no aeroporto La Guardia, de Nova York, e um encontro de três horas no citado Hotel Pierre, de Manhattan.
A possibilidade de que um ataque a Cuba provocasse um conflito armado com a Rússia também foi levada em conta. Segundo o plano, “uma nova crise cubana não conduziria a uma retirada soviética”. Por isso o documento advertia: “As circunstâncias que poderiam levar os Estados Unidos a uma operação militar contra Cuba têm de ser suficientemente graves para justificar medidas posteriores de preparação para uma guerra geral”. O livro tem um capítulo dedicado aos países que ajudaram a melhorar as relações entre Estados Unidos e Cuba. Entre eles, a Espanha é expressamente citada. Peter Kornbluh explicou a EL PAÍS como o “ditador Francisco Franco se ofereceu no início dos anos 60 para atuar como intermediário, e como os Estados Unidos requisitaram a ajuda da Espanha no final dessa década”.
Se se propaga a percepção de que estamos tão debilitados que não podemos com uma ilha, então teremos uma crise real
O livro narra como o secretário de Estado Dean Rusk, seguindo ordens do presidente Lyndon B. Johnson, solicitou ao Governo espanhol que levasse uma mensagem “muito especial” a Castro, dadas as boas relações entre Madri e Havana. O Ministério de Relações Exteriores enviou a Cuba o diplomata Adolfo Martín-Gamero. A mediação não deu resultados, mas “foi um sério esforço para tentar acalmar Castro em um momento em que Che Guevara havia siso assassinado na Bolívia”, afirma Kornbluh. A mensagem especial era que, em virtude do ocorrido com Guevara, Cuba deveria distanciar-se da órbita soviética. Se Castro aceitasse, Washington estaria disposto a remover o embargo.
Em outro saboroso capítulo são detalhados os esforços de famosos personagens para melhorar as relações entre os dois países. Entre eles, o prêmio Nobel Gabriel García Márquez, que mediou a crise dos balseros, de 1994; o ex-presidente Carter e o ex-presidente da Coca Cola Paul Austin.
Imagem: Kissinger, na Casa Branca em 1971. / TOM BLAU (CORDON PRESS)