sábado, 24 de maio de 2008

Fumo


Um cientista Petrofaminto disse que a população era famosa pelo seu analfabetismo. Não tinham direito a instrução. Descobriu que só usavam dez por cento do cérebro.
Não sei distinguir se é a água que arrasta o lixo, ou este que a persegue.
Lixo, água e comida. Na transfusão diária à Nação, o boom da cólera expandiu trinta mil infectados e morticínio de quase mil.
A acção planejada das chuvas divulgará subitamente a epidemia.
Na terra ávida por cadáveres, a cólera diminuirá quando a população escassear.

Abriguei-me num contentor à desespera que a chuva desalentasse. Para obter tal permissão, comprei uma cerveja. Senti que a minha respiração se dificultava devido ao fumo que vulcanizava no interior. Apenas duas pequenas janelas nos extremos velavam o arejamento. Desloquei-me para a mais próxima, era o fumo do Vesúvio. Olhei para a jovem que fingia ser empregada. Tentei defender-me.
- Donde vêm tanto fumo?
- Dos geradores.
- Vamos morrer intoxicados. Presumo que há deleite nisto.
- É isso! Um é do general, o outro é da padaria. Já refilei, deram-me a importância do desprezo. Subi ao castelo dos deuses sanitários, fui ameaçada com a morte. São como Napoleão, é tudo deles, pensam que são invencíveis.
- Descolonizadores, novos mentores.
- É isso!Um quilombo da morte, uma grande quilombada.
Os olhos começaram-me a arder, a garganta a condescender. Fugi para debaixo de um toldo, que servia de habitação a duas famílias que ficaram sem casa. Foi destruída por um príncipe, para construir uma mansão. Podia abrigar-me da chuva, se fizesse despesa. Só havia cerveja. A chuva amainou. Daqui até ao próximo campo de concentração, terei que desandar cerca de vinte quilómetros.
Gil Gonçalves

O Dia-a-Dia no meu Campo de Concentração 22MAI08


Tiroteio, vozes agitadas, camufladas.
Batem no portão, com a mão.
Abro. Que será então? São eles! A maldição!
Um convicto diz: «é ela!»
Eu, o quê!?
«Sonhei contigo. No sonho estás envolvida na tentativa
de assassínio do nosso presidente»
Sonhaste mal!
«És acusada de crimes contra a segurança do estado»
Às quatro da manhã?
«Não existe tempo. Compramo-lo, pertence-nos»
Privatizaram-no.
«A secreta não tem momentos, não tem horas
Tem tempos»
Tu que me acusas. Olha-me bem.
Sou antiga combatente. Guardei as costas do presidente.
Não te lembras de mim? Trabalhámos juntos.
Votaram-me ao abandono. Até agora, nem um mísero tostão
«Assim será!»
Gil Gonçalves

quinta-feira, 22 de maio de 2008

21MAI08 O Diário de Anne Frank




Campo de Concentração de Luanda, reino Petrofaminto. Onde o colonialismo e a escravidão com o PMLA nunca acabarão.

No fascismo e no colonialismo havia fome local. Agora, no capitalismo e na democracia a fome é global.

Sem luz, sem água e… sem combustíveis. Não são necessários terramotos nem ciclones. Metade da cidade continua sem luz desde quinta-feira, 15MAI08.

Kommandanten da EPAL-Empresa Pública de Águas de Luanda, provaram que a água é um mineral. Acho que se enganaram, pensaram que era mais um poço de petróleo. E roubaram buéréré de bala. Ficaram, estão bem balados, enlataram, fortunaram.
Porra! São trinta e tal anos a carregar água para um quinto andar! Um sacana ainda me disse em ar de gozo. «Aguenta mais trinta!».

Já há quem pernoite nas bombas de abastecimento de combustíveis. O combustível está de menos. Vi empurrarem um Ferrari por falta de combustível. A nossa Opep informal já bisna. E já tem um recorde histórico. O litro da gasolina, referencia Luanda está… a duzentos e cinquenta kwanzas.

Angola necessita urgentemente de apoio internacional para combate à pobreza e á fome. Angola é muito pobre, não produz petróleo nem diamantes. É um país sem recursos. Vive das doações internacionais.

Agora, os Oberkomando têm alarmes nos carros, como os da police, para desengarrafarem e escaparem-se do trânsito. Veste-se um casaco, uma gravata, um jipe muito caro com os esmaltes a brilharem… e eis um governante.

A locutora da LAC-Luanda Antena Comercial, no noticiário das 12.30 do dia 19MAI08, disse que o preço do petróleo atingiu novo recorde de… 175 dólares.

A TPE- Televisão para Estrangeiros, decidiu-se e mandou para as calendas dos idiotas permanentes, o seu astro, vedeta, Ernesto Bartolomeu. Estes do PMLA-Partido Marxista Leninista de Angola, só ligam às pessoas quando fazem guerra. Depois abandonam-nos, desenrasquem-se por aí. Já não precisam mais do Ernesto Bartolomeu. São os sacanas de merda do PMLA da única rádio, única televisão e único jornal diário.
Gil Gonçalves

O Dia-a-Dia no meu Campo de Concentração 21MAI08


Convivo com o cinismo e a hipocrisia que ultrapassam
O Monte Quilimanjaro
Não sei se isto é um reino, uma república
Ou um principado. Também ninguém sabe
O que é, ou o que vai ser
Actualmente é uma ilha cercada de fortificações
Por todos os lados
Tem petróleo, diamantes, uma rádio, uma televisão
E um jornal
A aspereza da nobreza é vitalícia

Adaptei um Katha Upanixade à minha realidade:
Difícil é andar sob o aguçado fio, gume de uma catana
Dum lado fome, do outro miséria
Por cima estado de sítio, por baixo repressão
Atrás policia, à frente prisão
É árduo, dizem os tiranos, é o caminho da desolação
Gil Gonçalves

quarta-feira, 21 de maio de 2008

O Reino Perdido


Inicialmente publicado no Jornal O Observador

Governar é muito fácil, basta ter um povo analfabeto.

Desempoeirava os arquivos na lisbonense Torre do Tombo quando encontrei um manuscrito surpreendente.
A corte do Rei D. João V de Portugal que reinou de 1706 a 1750, vivia luxuária com as naus que chegavam e descarregavam ouro e diamantes brasileiros. Era o rei dos deuses. O Convento de Mafra tangou 120 milhões de cruzados. O dízimo à igreja de Roma ultrapassou 200 milhões. O Aqueduto das Águas Livres?.. o povo pagou. Um rei que influencia reis actuais, copiam-no, suplantam-no. Insatisfeito, D. João V queria mais riquezas, o que prova que quanto mais se têm mais se quer, e ordenou os preparos de três embarcações, com destino à Africa Ocidental, na deriva da rapina, no saque de mais ouro e diamantes.

Acabou-se a aparelhagem das naus que almiranteadas por D. Fuenteovejuna, desacostaram numa manhã sedativa. Usaram a prática de apenas os capitães conhecerem o destino da viagem. Chegaram às ilhas de Cabo Verde, fizeram a Volta ao Largo, depois ficaram à mercê dos bons ventos rumando para sul. Muito navegaram e bordejaram até ao encontro de uma grande tempestade que dir-se-ia os aguardava. As vagas não vagavam as naus que descombinadas perdiam o desejo, o ser de boa paz. Chuva e ventania intensificavam-se, o que forçou as naus a largarem-se as mãos, e saírem da rota como países mal governados. Dias aziagos sucederam-se com esforços para não se afastarem, para continuarem como namorados, mas em vão, a nave capitã perdeu-lhes os vultos. O almirante do mar oceano Fuenteovejuna, não se surpreendeu quando se mareou que andava à deriva. Como os homens que fazem guerra, o mar também se cansa e amaina. Seguiu-se a dança do universo visível e um estafado marinheiro soltou algo parecido com um grito:
- Terra à vista!
- Louvado seja Deus Nosso Senhor! - Exclamou o capitão que acrescentou:
- Vamos consertar a devastação da tempestade, renovar os viveres e saber onde acostámos.

Exaustos, deitaram-se na areia fina do imaginário paraíso. A vegetação adensava-se e o sol rompia com a sua fornalha, o que levou Fuenteovejuna a profetizar:
- Chegámos ao país do sol!
Saboreava-se o amável convite da Natureza para bater sorna, mas o deleite não foi demorado porque das sombras da vegetação surgiram alguns seres humanos escuros, achocolatados. Um destaca-se, ergue a mão em sinal de cumprimento e Fuenteovejuna pergunta-lhe:
- Onde estamos, quem são?
- Watula! (já chegámos) saudaram os nativos na sua língua.
Fuenteovejuna, à James Cook na Austrália, sabiamente esclarece os seus homens:
- Meus senhores… estão no reino dos Watulas!
Viu a inutilidade da sua conversa porque os nativos não o entendiam. Esboçou-se, esforçou-se e marimbou-se. De repente surge uma jovem, uma natividade de extraordinária beleza que faz uma afirmação desconcertante:
- Eu entendo a tua prosa.
Fuenteovejuna olhou guloso para a jovem natividade, como alguém que não comia nada há muito tempo. Admirou-se, admirou-a, despiu-a mentalmente, aparentava vinte e cinco anos. Cor de chocolate claro, lembrava uma estátua de deusa perdida, à muito procurada pelo argonauta, uma lenda das maravilhosas ilhas encantadas, que nenhum escultor ainda esculpira. Como um sonho nunca viajado, encontrado, nunca revelado. Os seios nus, erectos e mamilos de endoidecer qualquer hominidio, sugeriam que acabavam de aportar no paraíso perdido. A cobrir-lhe o sexo já publicitava, estampava a maravilhosa invenção da tanga. Fuenteovejuna esqueceu-se de Deus porque sentiu um arrepio de paixão terrena passar-lhe pelo centro do corpo. Rouquejou:
- O meu nome é Fuenteovejuna, como é que sabes a minha língua?
- Chamo-me Kufundisa, (fazer justiça) e a tua prosa aprendi nos computadores dos Dólares.
- Como se chama este reino, e quem são os Dólares?
- Este reino, agora chama-se Ajimbila, (ficam perdidos) e os Dólares governam-nos, oprimem-nos... os Dólares chegaram aqui nalgumas naves especiais, com pessoas brancas, a que o nosso povo estupidamente chama deuses e que conluiados com o rei absoluto, Ka Ubu (o eterno) nos zeraram as almas. Os nossos filhos precocemente sabem que a vitória da morte é certa. Não temos comida, não temos nada…somos zeros … para sobrevivermos bazámos para a selva. Todas as riquezas do nosso reino são para os Dólares, para Ka Ubu e a sua tribo.
- E vocês não se revoltam?
- Não dá, porque Ka Ubu e os Dólares têm muitos guardas, um exército poderoso e muitas armas sofisticadas. Quando nos apanham, e como somos da oposição, fazem tais feitiços que desaparecemos e os assassinos nunca são descobertos. Também extraem um líquido, a que chamam ouro negro, e é com ele que movem as máquinas dos Dólares, e da tribo de Ka Ubu. Também extraem muitos diamantes. Somos alguns milhões e morremos de fome… infindavelmente condenados às galés infortunadas. Os do Ka Ubu estão sempre em festas, e tem umas máquinas que se chamam rádios, e estendem-nos a tentação dos convites para as maratonas deles. Nesses dias bebemos muito e comida nicles. O nosso povo nesses dias usa o passatempo da bebedeira. Os únicos que lutam ao nosso lado, que nos apoiam muito são os Ecléticos. Eles têm uma rádio, mas é quase clandestina. Apoiam os nossos ideais de justiça e igualdade para todos. São uma verdadeira rádio de Kalunga. Espalham o embrião revolucionário da evangelização, a fraternidade, o amor, e noticiam… clamam, proferem sempre a verdade. As atrocidades dos Dólares e de Ka Ubu são oportunamente denunciadas, mas não deixam que o sinal da rádio vá muito longe. Quando os Ecléticos tentam longinquar o sinal e passar o direito à informação para todos, acusam-nos de malfeitoria, prendem-nos, ameaçam-nos, e se necessário libertam-nos para o universo paralelo da morte. Também contratam muitos estrangeiros aventureiros do piorio… malfeitores para nos perseguirem, nos explorarem. Ka Ubu desinteressa-se das nossas vidas. Sobrevivemos mergulhando na prostituição. Ka Ubu aprecia muito a minha beleza, consegui-lhe fugir do harém mas a qualquer momento receio ser recapturada… ele quer que eu seja sua esposa, mas não aceito, não gosto dele… ninguém lhe gosta!

Fuenteovejuna, depois de ouvir tudo o que a bela Kufundisa disse, guardou um profundo silêncio, depois nublou-se e desanuviou:
- Minha beleza espectacular…
- Ah! Muito obrigada…
- … Kufundisa, apoiamos-te a restabelecer a paz, harmonia, justiça, para que não haja mais fome neste reino.
- E como o farás?
Fuenteovejuna não se sentia bem. A fofinha perturbava-lhe a mona. Tinha outras intenções. Depois da aventura, se terminasse a contento comeria, sugaria, todo o corpo, a beleza da Kufundisa. Decidiu-se:
- Vamos parlamentar com os Ecléticos, para que espalhem a sua rádio por todo o reino, isso é o mais importante… e quanto às armas que eles utilizam… tens alguma ideia?
- Sim! Falarei com o papá Akakakula, (dar o primeiro alimento a uma criança) era o nosso rei… continua muito bondoso, o nosso povo gosta muito dele. Foi destronado devido às ambições de Ka Ubu, e dos seus amigos Dólares.
- Kufundisa, temos que espiar as instalações dos Dólares e Ka Ubu. Alguns homens vão contigo, depois idealizaremos um plano de ataque.
- Sim! Guardarei eterna gratidão por tudo o que fazes pela nossa liberdade, pelo nosso povo… mas por favor não te exponhas demasiado!
Olharam-se durante um profundo momento no universo dos seus olhos. Sentiram o feitiço inevitável que atrai as duas raças, as duas cores maravilhosas. O efeito do feitiço foi rápido, abraçaram-se, beijaram-se num ímpeto de quedas de kalandula, avassalador de desejos perdidos, a aguardar o futuro prometido, ferido na angústia de tantas esperas.

Mais tarde, Kufundisa confundindo-se com a selva, reuniu-se com seu pai Akakakula, e o chefe dos Ecléticos, Mutongi (lutador). Akakakula apresentou a Fuenteovejuna algumas armas usadas pelos guardas de Ka Ubu e dos Dólares. Entretanto, os espiões enviados por Fuenteovejuna também se lhes reuniram, e deram o ponto da situação.
Depois de Kufundisa conseguir instruir devidamente o manejo das armas, e de Mutongi prometer apoio na sua rádio com palavras em código aos resistentes, assentou-se que os alvos primordiais seriam o líquido, chamado de ouro negro. Sem este líquido, Ka Ubu e os Dólares chorariam amargurados.

Efectuaram-se vários ataques com sucesso. Ka Ubu e os Dólares preocuparam-se, porque viam as imensas riquezas fugir-lhes como areia ao vento. Ka Ubu convocou de imediato um dos muitos vice-reis, e demandou-lhe:
- Não sabes quem está por detrás disto?
- Não, meu rei, não sei!
- Que morbidez…
Ka Ubu tinha que demonstrar a sua zanga, insatisfação, e o melhor para um rei é ver a cólera no seu rosto, gritar, e gritou:
- …seu mórbido, só pode ser essa maldita da Kufundisa, e do seu pai, esse meia-armador Akakakula.
- Sem dúvidas meu rei! O Mutongi dos Ecléticos está a passar uma mensagem na rádio dele da Kufundisa… ela diz que há muita corrupção no reino, e que vai tomar o poder com a ajuda de estrangeiros.
- Estrangeiros!? Quem, os Dólares!?
- Não meu rei, não são Dólares, são outros câmbios.
- Outros!?.. Quem!?.. Confisca-me a Kufundisa e o maldito pai dela. Vai-te e torna-te com ela… maldita azarada!

Com o auxílio dos Dólares facilitou-se imenso o chefe dos guardas de Ka Ubu, capturar a fofinha, tenrinha Kufundisa. Já na presença da tirania, ressoa-se o fadário:
- Já nada me alumia… por causa de vocês donzelas caiem reinos, impérios… agora no meu reino nasceu uma revolucionária. Tu e o teu Toussaint l’Ouverture! Dar-te-ei uma bolinação que jamais esquecerás.
- Ai é! E que bolinação é essa?
- Kufundisa, não me omitas, sabes que te desejo, que tenho todas as mulheres que quero. És a eleita, a privilegiada, a princesa do meu harém! Neste reino todas as mulheres me pertencem, e tu não és excepção!
- Não!!! Como disse um antepassado: até que as leoas tenham seus próprios historiadores, as histórias de caça continuarão glorificando o caçador. Somos corpos à espera no teu matadouro!
- Guardas, tirem-me daqui este tsé-tsé! Prisão com ela! Que o chicote a acaricie!
Na prisão, as encantadoras costas de Kufundisa ardem com o fogo das chicotadas. O sangue da injustiça escorre-lhe porque sempre existirão muitos oceanos injustos e quase nenhuns riachos justos. Mas Kufundisa era muito sacana porque nem lamento, gemido, pedido de misericórdia osculou.
Entretanto, Fuenteovejuna e os seus amigos tomam conhecimento da prisão de Kufundisa. A revolta alastra-se, alcança o auge. Os Ecléticos com a ajuda dos populares estendiam o sinal da rádio a todo o reino, e denunciavam que Ka Ubu e os seus amigos Dólares se aprestavam à rendição. A situação desfavorecia o chefe dos Dólares que tentou negociar com os revoltosos, mas em vão. Ka Ubu, sentindo-se só, raspa-se para lugar de incertezas, para o exílio habitual de um reino amigo. Um grupo de pressão chefiado por Fuenteovejuna assola a prisão e liberta Kufundisa. Os dois agora amantes aproveitam-se da situação, saltam-se, abraçam-se, beijam-se interminavelmente. Kufundisa está de rastos.
- Meu amor conseguiu! Oh! Como te amo!
- Também eu… sem a tua coragem nada disto seria possível!

Repôs-se Akakakula no trono. Mutongi rei dos Ecléticos viu a sua rádio definitivamente entronizada. Cânticos, louvores e batucadas a Kalunga foram proclamados, entoados, ritualizados. Uma época de trevas terminara, e uma informação para os sem voz recomeçara. A educação, o progresso do reino democratizaram-se. Akakakula proclamou o novo reino com o nome Azériua. (são felizes).

Fuenteovejuna foi-se, era um aventureiro, deixou Kufundisa com um filho. Foi para as Américas rastreando Francisco Pizarro, Fernando Cortês, do elixir da longa vida de Ponce de León… onde houver el dorados, misteriosas cidades do ouro, lá estaremos e nunca de lá sairemos.
Não tardou que aportassem a Azériua as naus com os missionários da evangelização, da espada da delapidação. Aventureiros e pistoleiros sucediam-se na busca incansável da pergunta: «onde está o ouro?» e os nativos respondiam: «aqui não, mas lá muito, muito longe tem» a África Negra é, será o destino dos eternos aventureiros. Ainda hoje na densidade das selvas do Golfo da Guiné, alguns mais-velhos quentes das fogueiras nas noites frias, contam às crianças a lenda do povo de Azériua.
Civilizar é destruir com o petróleo do nosso descontentamento, das nossas desgraças, misérias, fomes.
Gil Gonçalves

A Guerra da Fome (IV)


Inicialmente publicado no Jornal O Observador

O LIVRO DO PRAGADOR

Existem apenas três democracias: Branca, Negra e Petrolífera.

Depois de tanto sofrimento nesta economia popular, ainda vou mais no inferno?

A fome é mais útil aos outros do que àquele que a possui
Aqui, o tempo e a sorte não pertencem a todos. Os sábios não têm direito a pão. De repente ou não, o mau tempo está sempre a cair-nos em cima. Em cima deles nunca cai. As redes malignas deles fizeram com que diminuísse o nosso peixe. Sábios aqui, não têm valor. Só é sábio quem tiver muito dinheiro. Nas províncias não há quase ninguém, fogem para a capital. Houve um polícia que levou um tiro nas costas em defesa da pátria. Há oito anos que está imobilizado. Ninguém se lembra, nem quer saber deste pobre homem. Aqui, a força vale mais que a sabedoria. Os sábios são desprezados, não têm valor. As palavras dos tolos são ruidosamente ouvidas. Com tanto barulho as palavras dos sábios não se escutam. As armas de guerra valem mais do que qualquer sabedoria. E um só atirador destrói os nossos bens.

A loucura da fome causa muitas desgraças
O lixo é tanto e por todo o lado, que até o perfume Coco Chanel número cinco de 1922 desconsegue ludibriar os maus cheiros. Os tolos têm dois corações: um à esquerda e outro à direita. Aqui, os tolos quando abrem caminho à força, gritam que são sábios. Quando alguém incomoda um governador, fica sem lugar. Cometem-se muitos erros e não há ninguém que os assuma. Os ricos e os tolos assentam-se em lugares altos. Os príncipes andam sempre em carros da cor do petróleo. Que brilham graças aos contratados dos diamantes. Os servos quase não têm por onde andar. Quem abre as covas está muito cansado. Os mortos da fome não tem conta. Alguns governantes já levaram chuva de pedras. Não há excelência na sabedoria para dirigir.
As cobras quando mordem alguém ficam envenenadas. As palavras dos tolos devoram-nos. As palavras quando caiem das suas bocas espera-se o pior. Por mais que as multipliquem o fim é sempre o mesmo. Nunca se cansam de falar. Os príncipes comem de manhã, à tarde, à noite. Estão sempre a comer. Os esfomeados lutam para conseguirem um pão. Eles conseguem refazer as forças depois do cansaço da comida. Quem não tem nada para comer, nunca se cansa. Os tectos das casas estão destruídos, a água goteja, ninguém se sente culpado. Passam a vida a fazer convites para festas. O vinho é demais. O dinheiro acaba depressa. Vida de esfomeado é assim. Eh! Não conheço ninguém que aqui não amaldiçoe os novos-ricos.

Não se perde nenhuma oportunidade para comermos. Daí as festas sem fim.
Não tendo pão para lançar sobre as águas, como o acharemos passados dias? Repartir com sete, ou com oito? Não temos comida. Como vamos repartir o que não temos? Quando um esfomeado cai, para o sul ou para o norte, no lugar em que cair ali ficará. Ninguém quer saber. Só nos resta olhar para o vento, porque não temos nada para semear. Queremos lá saber qual o caminho do vento. O que queremos é comida. Pela manhã não posso colher nada. Já disse que não tenho nada para semear. Atroz é a luz da fome, que provoca cegueira. Como podemos ver a luz do sol? Como viveremos muitos anos com a fome? A fome é alegria? Alegra-te jovem com as tuas bebedeiras, e anda pelos caminhos da destruição, de olhos nublados pela bebida. Não consegues remover o mal que está entranhado na tua carne. Quem o removerá?

A fome da mocidade prepara-a para a velhice e morte precoces
Para nós jovens, todos os dias são maus dias. Tudo escureceu. Quero lá saber dos conselhos. O que é que há aí para beber! Ando sempre bêbado. Ninguém quer saber de mim. Todas as portas que conhecia já se fecharam. Quando me embebedo não temo nada. A rua é a minha casa paterna, eterna. Quem se mete comigo, despedaço garrafas e rasgo, corto quem me chatear. Durmo no pó da rua sem espírito. E quanto mais bebo, mais sábio fico.

O dever do homem consiste em dar graças pela fome concedida e guardar os seus mandamentos
Por mais que tente, a bebida não me deixa encontrar palavras agradáveis.
As palavras da sábia bebida agarram-se a mim de tal modo, que não consigo retirá-las. Falar de livros são coisas inúteis. Prefiro aqueles que ensinam a beber. Uma coisa há que me incomoda muito: ficar sem bebida. Quer seja bom quer seja mau, o que interessa é que me faça perder o juízo. Especialmente o vinho a martelo, eternamente importado.
Há coisas que são intemporais e a previsão meteorológica diz que vai vir muita chuva, disto todos sabemos. E os nossos desgovernos sabem-no? Fingem… são países só com dirigentes, porque povo há muito que não existe. Uma coisa o esfomeado nunca sabe… o que irá comer amanhã?
Gil Gonçalves

terça-feira, 20 de maio de 2008

Última hora...


Prevê-se que o ciclone Darfur mude de direcção, e nos próximos dias assole Angola.

Gil Gonçalves

Última hora




O ciclone Darfur, devastador, com grau cinco na escala de Simpson, atingiu Joanesburgo na África do Sul. A devastação é enorme. Já fez dezenas de vítimas.
Gil Gonçalves




Imagens: bbc.co.uk

Help


O Dia-a-Dia no meu Campo de Concentração 18MAI08


Voltei a lavar roupa. Consegui emprego como lavadeira
Lavo e engomo. Regressei ao passado colonial. À minha luta com o tanque
De esfregar os tecidos, tchica, tchica, tchica, não pára
Não consigo vencer o tanque. Há sempre roupa para lavar
E a ferro passar, engomar. A senhora não me outorga almoçar
Com fome saio fraca, quase a desmaiar
Meu Jasmim Branco! Foste e deixaste, abandonaste a Jasmim da Noite
Eras como um alaúde sem idade média. Não ouvirás os beija-flores
Não verás mais o prodígio do equilíbrio do seu sugar
As marés quentes que se estendem, horizontais
E verticais sob os mangais. Alarmam os chama-marés
Obrigam-se a sair das suas caves inundadas
Caminham como aranhas na maré-cheia, rotina marginal
Não me verás mais ondular no capim grande. Sem ti, senti
A memória passada do biquíni. Na frequência oscilante da fragrância marítima

Gil Gonçalves

18MAI08 O Diário de Anne Frank




Campo de Concentração de Luanda, reino Petrofaminto. Onde o colonialismo e a escravidão ainda não acabaram.

Ninguém gosta, mas se o rei diz que gosta, então todos gostam. Mas, quando a comida falta, os lobos humanos atacam

Outra seita religiosa, uma igreja matumba, à toa, surgiu e ensina: «abandonem as vossas esposas e arranjem outras na nossa igreja».

Angola exporta bwé de petróleo e importa buéréré de bebida alcoólica. Idiotas de ocasião são meia dúzia, idiotas permanentes são incontáveis.
As nossas pontes… despontam-se sem pontes, todas alternativas, paliativas. O crime não compensa, em Angola recompensa. Este reino é obra de petrofamintos.

Há países que para existirem, necessitam apenas de um presidente, um hino, uma bandeira… e ministros para enfeitarem ministérios… e um banco nacional para depositarem as vendas petrolíferas. E serem patriotas, para ficarem com os rendimentos do petróleo. E é sempre um grande acontecimento, uma grande festa, quando um Herr qualquer, abre um site na Internet. É a ganância do engarrafar dinheiro que engarrafa o trânsito automóvel.

A maioria dos homens nascem convencidos que são bons governantes, é por isso que a fome é atroz. Não se esqueçam que as companhias petrolíferas pagaram, corromperam cientistas, para estes afirmarem que a poluição petrolífera é um falso problema. Porque é que os idiotas permanentes permanecem no poder?

Que homens são estes? Os poderosos dos EUA, da ONU, o Papa… movem-se muito mas, as coisas complicam-se cada vez mais. Já estão fora de controlo né!? Agora os homens nascem idiotas, nada há a fazer!

Tantos obreiros, escavadores que desbravam, esburacam esta nossa Terra para nela enfiarem prédios, torres, condomínios, negociatas… que depois abençoados tufões, ciclones, terramotos e vulcões, arrasam, purificam a Terra.

Burma, Myanmar, mais um terror ditatorial que impressiona, que congela o sangue.
Gil Gonçalves

O Dia-a-Dia no meu Campo de Concentração 17MAI08


Os pardais já cantam
O meu relógio biológico está a despertar
Saio da cama, forçada a levantar
Sem água, sem luz, sem nada para comer
Não sei o que fazer
Disseram-me que na Internet há muita comida
Não sei onde fica, como lá chegar, vou procurar
Hei-de qualquer coisa encontrar
Para me consolar
Ah! Esta negra existência!

Porque querem acabar com a minha raça!?
Só branco é bonito, e negra feia
Porque escura, escurece o ambiente!?
Hipócritas! Então que acabem com a escuridão das noites
Façam operação ocular para extrair a cor preta, negra
Depois não verão mais a minha beleza
Exótica, tropicalíssima
Bem feito! Malandros! Sacanas, é o que são!

Gil Gonçalves

O Diário de Anne Frank 17MAI08


Campo de Concentração de Luanda, reino Petrofaminto. Onde o colonialismo e a escravidão ainda não acabaram.

Mais outra vez, o desenvolvimento social parou. Das 08.45 às 18.45 sem energia eléctrica Um dia escuro, muito escuro, tudo o que é social está no escuro. O desenvolvimento económico tá bom. O social tá adiado.

A água míngua, continua na mesma. São cágados que trabalham. Por isso nunca se esperará uma mudança de ritmo. Entretanto, por ordens superiores, ordenou-se uma sindicância à Epal-Empresa Provincial de Águas de Luanda. O chefão é acusado do normal desvio de fundos. As contas bancárias congelaram-se.

O Dr. Raul Araújo, Ex/bastonário da Ordem dos Advogados, informou que alguns juízes condenam inocentes conluiados com advogados. Intimamente sorri, porque é propaganda eleitoral.

O metro quadrado de terreno já está a dois mil e quinhentos dólares.

Começou a circular em força a Coca-Cola de um litro de fabricação local. As mamãs petrofamintas contabilizam os lucros com a venda por grade com dez garrafas.

Na realidade, a África Negra volta rapidamente aos bons velhos tempos coloniais. As elites negras no poder felicitam-se. E os habituais experimentados corruptos permanentes afirmam: «até agora ninguém apresentou provas».

Gil Gonçalves

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Como um pintor a iniciar a sua tela


O dia despontou nas cercanias do sol
Com tal inspiração, apetecia-lhe repintar o Universo
Como um pintor a iniciar a sua tela
Próximo, a água ensaiava passos de dança
Com a areia marítima, e a minúscula vida corria
Procurando sobreviver como eu às inconstâncias
Da luta ferida, das mordidelas do dia-a-dia
Como folhas de plantas sempre amarelecidas
Tombadas, esquecidas na selva da sobrevivência
O caótico humano despertou a vida marítima
Que mudou de rumo querendo confundir o Criador
A multidão de vozes abandonava-se perseguida
Pelo cavaleiro apocalíptico da fome
Sempre a cavalgar onde não há corrida, comida
O dia distanciava-se afoito do sol. Terminou a sua tela
Da desgraça para o dia seguinte
Gil Gonçalves

Outro Jesus Cristo




Eras a minha sinfonia, a harmonia, antes da agonia do mar
Do colapso esverdear. As gaivotas deixaram de voar
Secaram as florestas, os bosques, os rios. Esconderam o encantar
Já nada existe para amar. Tudo está esclarecido
Noutra dimensão a pairar. Nos confins da nossa inconsciência
Outra melodia será universalizada
Quando outro Jesus Cristo surgir do fundo das águas
Ele está a ser modelado, e desta vez para sempre
Será libertado. Não ouvirão parábolas, apenas o seu olhar de compaixão
Para os maldosos, crentes insistentes, não existirá perdão
Grande reconstrução, com um gesto, uma bênção
Gil Gonçalves

Onde estás


Onde estás, para onde fores, lembra-te de mim
Há sempre um jasmim. Remodela os nossos passatempos
Com novos pensamentos. Encontraste os jardins eternos
Dos jasmins. Planta-os, rega-os. Finalmente tens tempo
Para encontrar o amor vencido. O paraíso da morte está sempre desperto
O meu desespero de viver está perto
Está a tardar, sei que vai chegar, então me liberto
Só a morte nos liberta!
Nascemos desesperados, crescemos acorrentados
Desejamos galgar montanhas

Quando um simples monte se torna um obstáculo intransponível
Deixamo-nos vencer, obedecer a qualquer voz de comando
E obedientes não venceremos, nunca triunfaremos
Gil Gonçalves

A última amante


domingo, 18 de maio de 2008

16MAI08 O Diário de Anne Frank


Campo de Concentração de Luanda, reino Petrofaminto. Onde o colonialismo e a escravidão ainda não acabaram.

O poder popular da EDEL-Empresa Destruidora da Electricidade de Luanda, desolou-nos sem luz das 09.30 às 17.30. Pouco tempo depois notou-se uma tremenda oscilação, daquelas de estragar tudo. Algumas zonas da cidade, do campo de concentração, ficaram às escuras. Que deleite destruidor, copiador dos deuses de Burma. Somos os únicos, os melhores deste e do outro mundo. Milhares de geradores, mais milhares de tambores de combustível. Tá arriar! Não há combustível que chegue. Já tem bichas nos postos de venda. Governantes burmosos, ineptos, incapazes, irresponsáveis.

Na água mantém-se o mesmo cenário. Os trabalhos prosseguem a mau ritmo. Exactamente como na Assembleia do Povo, que alguns chamam Assembleia Nacional. Regressamos de facto e de jure à idade da pedra e a justiça popular continua a ser feita em nome do povo.

Não sei! Estas eleições… mais de uma hora de blá, blá, para o PMLA-Partido Marxista Leninista de Angola, e um minuto para os outros partidos. São eleições de fraude! Já tem fraude antecipada!

A Paulina disse-me que em Agosto, ela e as outras alunas não vão mais à escola, por causa das eleições. Vão recolher-se a aguardar a epidemia do Zimbabué.
Li, desculpem, vi, olhei o Jornal de Angola órgão oficial do PMLA… e passados tantos e tantos anos continuam os mesmos idiotas permanentes, pois que não têm oportunidade para serem idiotas de ocasião. Privilégio apenas concedido a alguns cérebros ainda não vendidos ao PMLA. E esse monte de papel inútil, desculpem, dá para embrulhar lixo, mas continua a sujar as mãos. Proponho alterar o nome para Jornal de Burma.

Vi no blogue do mosqueteiro
Eugenio Almeida Pululu que a Sonangol anda a comprar os bancos. Claro, assim eles já podem movimentar, transferir, ou melhor, desviarem os dólares que quiserem.
Outra coisa chata que li no outro mosqueteiro
Orlando de Castro Alto Hama, quando se referia ao 19º Campo de Concentração da Sonangol. Onde já existem dois milhões de almas penadas, e quinhentos mil desempregados. Está lá o Feldkommandant (Comandante de Campo) Sócrates, que cumpre ordens para vender as sobras do campo.

Gil Gonçalves

O Dia-a-Dia no meu Campo de Concentração 16MAI08


Não sei se conseguirei dormir
Para de manhã me levantar
Os estertores, estupores das festas que não decidem as frustrações
Da violência sonora, da agressão espiritual, neuronal
Do sono inconstante, irrelevante
Marés negras de sons intranquilos
Que originam as infernais noites
Deito-me na ânsia de não ouvir tal mensagem
Até agora nada! Devem estar cansados
De tanto beberem, amarrados, acostados

Gil Gonçalves

Pensamento...

Figura da semana. Patrícia Martinelli


A
Patrícia Martinelli
ainda a meio do Sonho

SONHO

Sei agora, que após a tua despedida da vida
Deixarás rastos de amor invisíveis, invencíveis
O Taj Mahal, o Mausoléu de Halicarnasso,
não superam a grandiosidade
Da tua prematura púbis cabeluda, onde anotavas
Apontavas, desfloravas-te, suspensa nos jardins babilónicos

Na eterna espera do teu regresso
Não sei discernir, o que é certo, o que é errado
O que é certo, é errado. O que é errado, é certo.

Tão próximos e contudo tão distantes
Como num sonho, suspensos nos cordões umbilicais
Sonhar é viver, é renascer a cada movimento
Conhecido e desconhecido, sem distâncias, sem barreiras
Sonhar é realizar o amar para a amada

Dois veteranos sonhadores
Proclamam o ressurgir geográfico da vivência
Do suspenso momentâneo actual

Cada dia tudo fica demasiado violento
As tempestades, os ventos, ultrapassam as maiores batalhas
Rompem facilmente a História das muralhas

Sonhar é desejar viver
Sonhar é construir mundos
Sonhar é arrastar a amada
Para o longinquo imaterial afastamento
Da matéria quântica

Sem sonhadores
O Universo existe e não se extingue
Porque alguns sonhadores teimosos
Sonham

Gil Gonçalves

sábado, 17 de maio de 2008

15MAI08 O Diário de Anne Frank


Campo de Concentração de Luanda, reino Petrofaminto. Onde o colonialismo e a escravidão ainda não acabaram.

O poder popular da EDEL-Empresa Destruidora da Electricidade de Luanda, deixou-nos sem luz das 12.000 às 17.00 horas. Às 18.000 novo corte durante 15 minutos.
É todos os dias assim. Tantos biliões de dólares...
Além da poluição governamental, imaginem milhares de geradores a trabalharem... isto é um genocídio patrocinado pela ONU aos povos petrofamintos.

Mas, essa ONU conversa bem, apoia muito bem, riem bwé com estes maus governantes. Ah! Afinal basta ter petróleo, depois fingir e dizer que este país tá-se a desenvolver. Essas companhias petrolíferas são muito corruptas, por isso existem muitos corruptos no poder. O que queremos é o vosso petróleo o resto não interessa! PORRA! ESTAMOS A MORRER À FOME!!!

Água: Antes sempre mal, agora tá-se mesmo mal. O oleoduto da água na nossa rua rebentou. Sempre difícil. Tá mais difícil.
Passeios das ruas continuam sempre esburacados, não dão para navegar. Os restos dos azulejos, banheiras, cadeiras e outros similares das obras dos novos-ricos, vão-se amontoando no que antes se chamavam de passeios. Isto é deles, são militantes do partido, têm direito a tudo.

Trânsito automóvel sempre mais difícil. Tem obras por todo o lado. Fazem muito pó, e doenças e barulho, e não nos deixam dormir. Vão circular mais 600 autocarros.

Quem foi que lhes disse para governarem assim!? Suspeito da ONU, da UE.
Estamos bem desgovernados por idiotas permanentes.
Mas, a ONU não lhes consegue tirar do poder porquê? Já sei! Todos se dividem no petróleo e nos diamantes. Um dia vou lá na ONU e vou-lhes dar um monte de tiros. Como fazem nas universidades dos USA. Depois admiram-se com o aumento dos terroristas. É a ONU que os fabrica! E agora com milhões de esfomeados... contra milhões de petrofamintos ninguém combate. Vai ser uma grande guerra, daquelas da mãe pátria. GUERRA DE ESFOMEADOS, DA FOME!

Gil Gonçalves

quarta-feira, 14 de maio de 2008

O PRÉDIO DO PODER POPULAR (V)




É nacional, é neocolonizado, eu gosto! É irracional, é petrofaminto!

Quando um regime é ultra-corrupto, e a única coisa que funciona é o palácio presidencial… que valor tem qualquer documento escrito, acordos, convenções e relações internacionais?

EDEL-EMPRESA DE DISTRIBUIÇÃO DE ELECTRICIDADE – E.P.

À COMISSÃO DE MORADORES DO PRÉDIO

AVISO

Exmos. Senhores,

A EDEL vem pela presente, comunicar à entidade supra citada, que esgotou o prazo de noventa dias concedido para a reabilitação da instalação eléctrica do edifício sito na Rua… de acordo com a 2ª carta de notificação.
Em virtude da situação se manter inalterada, a EDEL declina quaisquer responsabilidades sobre eventuais prejuízos humanos e materiais resultantes do mau estado da instalação, e ainda em razão disso, futuras intervenções a quaisquer anomalias no Edifício, ficarão condicionadas ao cumprimento estrito da reparação de rede interna.

Sendo tudo quanto nos oferece sobre o assunto, as nossas,

Cordiais Saudações

DEPARTAMENTO DE FISCALIZAÇÃO, EM LUANDA AOS 12 DE MAIO DE 2008

Plo Chefe Dpto De FISCALIZAÇÃO
Amorbelo Esanjú Amos Martins
Assinado: Luís Coelho

Gil Gonçalves
Imagem da escuridão:http://linafuko.files.wordpress.com/2007/08/escuridao.jpg



O PRÉDIO DO PODER POPULAR (IV)


Inicialmente publicado no Jornal O Observador

Andamos no ar, porque nem passeios temos para andarmos a pé.
As velhas e os velhos lamentam os terrenos perdidos, que eram suas lavras, que os generais impunemente receberam, roubaram, seguindo os bons exemplos dos colegas de Myanmar, e outros africanos. É como no úlimo filme de James Bond, ANGOLA, ORDEM PARA ROUBAR.


AVISO
A comissão de moradores do prédio, vem mais uma vez, chamar a atenção dos moradores para tomada de consciência dos graves problemas de energia eléctrica que o nosso edifício apresenta. Como é do conhecimento de todos, já recebemos vários avisos por parte da EDEL nos quais declinam quaisquer responsabilidades, sobre eventuais prejuízos humanos e materiais resultantes do mau estado da instalação e que futuras intervenções à quaisquer anomalias no edifício, ficarão condicionadas ao cumprimento estrito da sua recomendação.
O prazo para reparação está esgotado e na reunião marcada para analisarmos os problemas de energia do prédio notou-se uma fraca aderência dos moradores. Por isso, e se quisermos mudar este quadro, a comissão de moradores vem por este meio avisar os moradores que devem contribuir por apartamento com a seguinte quantia para a referida reparação:
200 USD, para pagamento da mão-de-obra
300 USD, para compra do material
A referida quantia deverá ser entregue no 3º andar Esq., e quaisquer duvidas serão esclarecidas e as opiniões serão bem vindas. O prazo para entrega da quantia, segundo acordado na reunião é dia 20 de Março. Findo este prazo a comissão de moradores declinará quaisquer responsabilidades sobre o assunto e passará a responsabilidade para os moradores que não fizerem o pagamento no prazo estipulado. A Comissão.

Há dois andares, podemos dizer três, que não necessitam de intervenção. Também, por oito metros de cabo eléctrico e dois fusíveis pagar-se 1.000.00 USD por andar, cada tem dois apartamentos… isto chama-se aventureirismo empresarial…não admira que enriqueçam rápido. E sabe-se de antemão que tudo ficará pior que antes. Nada melhora, sempre a piorar, todos mandam, não existe lei, a não ser a petrolífera, o resto que se lixe, que vá para as calendas petrolíferas.

As empresas estatais existem na prática para servirem a nomenclatura. Qualquer problema do cidadão resolve-se com contribuição comunitária o (vamos se associar) de boas reminiscências do poder popular. Quem não paga, ou não tem dinheiro, quem o tem são sempre os mesmos, fica assim até desabar, arder, desaparecer. Mas sem dúvida alguma que o cerne da questão é o analfabetismo, e continua-se teimosamente sem investimentos na educação. É tudo para petróleo ver.

Um grupo de cidadãos quer criar uma frente patriótica antipetrolífera e proclama-se: não contando com as anunciadas, mas ignoradas catástrofes da vingança da Natureza, sem água, sem energia eléctrica, muitos carros de luxo, muitos seguranças privados que guardam o medo dos novos-ricos, clínicas só para governantes dentro e fora do país. Quanto mais petróleo mais miséria. Estes são os legados da libertação, da revolução. O eclipse da corrupção no discurso vaivém. Os problemas do Povo resolvem-se com petróleo e diamantes. A energia eléctrica soluça, a água convulsa, tudo se entope devido ao excesso do petróleo e diamantes

As obras da nomenclatura são tantas, tantas que já não se consegue respirar. É um deserto de pó nacional. Um reino infestado de geradores eléctricos que quando ligados ultrapassam a poluição do gigante chinês e número impressionante de depósitos de combustível que a qualquer momento numa reacção em cadeia, fará com que os postulados da Física sejam revistos. E depósitos de água nos terraços, nas habitações, e subterrâneos. Nada é real, é tudo virtual.
Gil Gonçalves

O PRÉDIO DO PODER POPULAR (III)


Inicialmente publicado no Jornal O Observador

Quando há depressão económica à vista, o preço do petróleo enlouquece, e todos ficam na loucura colectiva, vê-se que outra guerra é certa.

Uma folha de papel A5 entra como vento sem tempestade por baixo da porta. Nela impressa continua a ilusão do devaneio trintenário da deputação do poder auto-adesivo.
Convocatória
São por este meio convocados os moradores do prédio para uma reunião com a comissão de moradores que será realizada amanhã (Sábado) às 9 horas no patamar entre o 3º e 4º andar. A reunião tem como objectivo analisar e resolver os problemas de energia no prédio.
A Comissão
Analisar e resolver os problemas do prédio… nenhum dos moradores entende de instalações eléctricas, e não foi presente nenhum técnico para prestar esclarecimentos

No fim da reunião, o novo-rico comissionado impõe o seu ponto de vista. Que a reparação da energia eléctrica custará 2.200 USD, cada vizinho pagará (parece que foi assim, porque é notório onde há dialogo confuso, há sempre cambalachada) 220 USD.
Os novos-ricos militantes insistem no regresso dos bons velhos tempos marxistas-leninistas, agora também tecendo, corrompendo a teia de Penélope.
Festejam os ganhos extraordinários do petróleo. Exportam-no, importam tudo, agulhas também. Como não interessa, dá muita chatice produzir internamente, importar é fácil, apesar que há a outra chatice da congestão dos portos, como será a seguir? Os preços das importações sobem e esconde-se maldosamente que virá a confrontação interna sem limites dos que morrem à fome por causa do petróleo. E o que se reconstruirá com preços tão elevados? Que interessa depender do petróleo, se não se produz nada internamente? O dinheiro obtido da alta petrolífera esgotar-se-á rapidamente. Até porque serão incentivadas, utilizadas energias alternativas e o petróleo cairá, adormecerá. E como todos querem endinheirar, no petróleo esbracejar, nadar e por causa dele afogar.

Para se libertar da má governação dos homens, o mar inventou as marés. Vazante e depois enchente, onde devolve o que resta da civilização… o lixo humano.
Libertar um Povo é construir-lhe universidades.
Quando um governante manda construir estádios de futebol e depois dá-lhes o pontapé de saída, marca mais um golo na miséria mental, milenar do seu Povo.
A História moderna esconde um facto notável: o consentimento, o apadrinhamento de Estados clonados da prossecução do cerrado nevoeiro medieval, com passaportes sem limites para a inconsciência.
Um país bem organizado tem: palácios, estádios de futebol, um canal de televisão, uma única rádio, um partido único, petróleo e diamantes, escolas de samba, esgotos ao ar livre, toda a gente a vender nas ruas, governantes que anunciam milhões de lucros mas desconhecem-se as despesas, muitas, muitas festas com muitos luxos, sem bibliotecas, sem livros, muitas ruínas, batuque de granadas dia e noite para ninguém dormir, muito lixo, muita população com muita, muita miséria, muita fome. Em suma: um país com um governo da Torre de Pisa.

E o novo-rico ressalta o seu estatuto, o mandato militante:
- Se nós fossemos unidos, podíamos ter um tapete nas escadas do prédio, do quinto andar até ao rés-do-chão.
Gil Gonçalves

O PRÉDIO DO PODER POPULAR (II)




Inicialmente publicado no Jornal O Observador

No conjunto, a realidade é que a maior parte das terras agrícolas do país é utilizada como reserva de valor, por grandes proprietários que preferem imobilizar grandes áreas e esperar que se valorizem por efeito de investimentos públicos e privados de terceiros, do que desenvolver actividades produtivas. Esta situação é em geral mal disfarçadas pelo que se tem chamado pudicamente de "pecuária extensiva". In Reforma Agrária: Dados Básicos. Ladislau Dowbor

Entupiram as fossas nasais do esgoto, como uma baleia esguichou, marulhou, evacuou o lodo humano oprimido nas galerias tubulares. Deu à costa frontal do prédio. Ninguém se importunou com o habitat anormal, convivência sem regras. O perfume abjecto dita o paradigma da aceitação social, o lazer decisório impõe o retorno medieval, do cavar vala e escoar o fedorento nojo pela rua afora. E obram-se, comemoram-se festejos pelo feito alcançado, devidamente autorizados por quem de direito. A água da infiel estatal servidora abastece a horas incertas. No primeiro andar, torneiras coloniais, esgotadas pelos anos funcionais jorram minando os alicerces prediais, culminando na destruição precoce. Batem-se palmas e sorrisos por tais feitos nunca antes vistos.

No quinto andar acomodaram-se portas com bocados de lenha tétrica. Desesperadas, esperam a visita de Edgar Allan Põe. Lúgubres paredes invocam os espíritos antepassados. Repartem-se, aproveitam-se, sobram bocados. Na casa de banho dois buracos fétidos espreitam os necessitados. No chão fissurado que despeja, invade o tecto do quarto andar desfeito, que estóico nas restantes áreas, funda-se, desce, afunda submarinista.
Electricistas com instrumentos sofisticados: um alicate qualquer, na falta algo improvisado, puxam, repuxam cabos. A potência desordenada aumenta, os fusíveis restantes enfraquecem, adoecem sem remédio. Acabou-se, extinguiu-se a iluminação. Depois da reposição, algumas labaredas despertam o terror da erupção do vulcão eléctrico. É a fuga com risada para a plateia, pela gratuitidade da tragédia merecida.

Nas traseiras reforça-se a proeminência do poder. Grande, entre os grandes generais imperiais. Manda partir, evacuar paredes. Nascem intramuros, obliteram-se os escapes aguados, como um rio desviado do seu curso, nascem lagos, lagoas que não trazem coisas boas. Na calada da noite ou do dia a retaguarda predial é óptima, segura para passear, lixo amontoar. O calor é o réu da preguiça e demais acções dos humanos sempre cansados! Eternamente, habitualmente despreocupados! Importunados pelos mosquitos dos pântanos palustres e noctívagos comboios de ratos que activam a tubulação da reserva das cisternas de água suspensas. A ratada viaja à velocidade TGV nos carris PVC. Despertam a tribo bantu, táca, táca, táca, táca, infestam, epidemiam, divertem-se, comem, dançam com a peste negra. Batalham os despojos dos matrimónios semanais, esponsais. Tudo carcomido, como fendido por tremores de terra diários como se fosse zona mais sísmica mundial. Como árvores sem folhas, que são esqueletos, teias de aranha.

Juraram! Os prédios não morrerão de pé! De verticais serão homenageados horizontais. Tudo começa depois do nascer, e acaba antes de morrer. Que confuso!.. Não sei se a vida convida a morte, ou a morte abandona-a… abrigada no analfabetismo e na mais pura ignorância, destruindo, arrasando o que sobrou da estrutura arquitectónica colonial. Vitoriamos, universalizamos uma imensa pocilga com inenarráveis porcos.
Gil Gonçalves

O PRÉDIO DO PODER POPULAR (I)


Inicialmente publicado no Jornal O Observador

A juventude é ávida por álcool, porque não tem acesso ao petróleo.

Somente depois da última árvore derrubada, depois do último animal extinto, e quando perceberem o último rio poluído, sem peixe, O Homem irá ver que dinheiro não se come! (Provérbio Indígena) In Rosane Volpatto caradobrasil.com.br

Grande parte das dificuldades das organizações comunitárias nesta área resulta não da falta de vontade de fazer as coisas, mas das mais diversas manipulações jurídicas e políticas que sofrem, quando não de ameaças dos especuladores imobiliários.
In Políticas Municipais de Emprego. Ladislau Dowbor

O prédio caiado de branco, higiénico, era dos Brancos. Ocupei-o, ocupamo-lo nas prerrogativas da liberdade. Vida nova nos prédios que conquistámos. Não são mais do colono Pertencem-nos, tudo agora é nosso. Só meu! Só teu! Vou gozar bué a minha independência. Viva o socialismo! Viva o poder popular! Arrombei a porta, escrevi na parede à entrada, OCUPADO. Os Brancos deixaram coisas bonitas, são minhas, só minhas catitas! Deixaram o que nos roubaram. Colei um biquíni, mini-saia ultracurta, espelhei-me e pirei-me. Vou festejar, passear, tangar, bangar.

Não acabam, não acabem os festejos, são os meus desejos. O tempo passou, senti que algo…jamais voltou. De repente tudo acabou. Chegou o trunfo, triunfo do analfabetismo. Os prédios, o prédio, alagava na vontade soberana o desejo de se autodestruir. A água, a luz, o elevador, não foi terramoto ou ciclone que o danificou. Condutores eléctricos, interruptores, fusíveis, lâmpadas, foram-se das escadas para as mãos habituadas, suadas nestas andanças dos canibais ecléticos, eléctricos. No motor do elevador alojou-se morador, contente com casinha ao dispor. A cagar num papel, amontoando-o no convés da rua. A casinhota de serviço milimétrica forçada a acolher cinco gloriosos inquilinos inesperados, albergados. Novos donos intemporais do lixo que trespassam, iluminam a paisagem devastada do inumerável residual.

Degraus das escadas partidas, pelo arrastar das partidárias botijas de gás. No terraço alega-se construir um paço tradicional com arquitectura perfeitamente natural. Madeira, tábuas, chapas metálicas devaneadas por aí ao deus-dará, ou onde aprovar. As saídas das águas temporais ofuscadas, obrigadas decidem outro rumo: a catadupa no vizinho de baixo, e no seguinte. O do paço confrontado, desalmadamente invoca: «A culpa é da Natureza, não lhe mandei chover»

No quinto andar a meio da varanda plantada, airosa, orgulhosa desenvolve tronco obstinada árvore. O crescimento alonga fenda, buraco desnivelado A ramagem optimiza um estendal de roupa. Tiraram a vontade à água para subir, e a electricidade dificulta o luzir. Recomeça a escravidão da intensiva exploração infantil. As crianças alinham confrontadas com pelotão de fuzilamento. Carregar braçal, animal, o liquido térreo poderoso, oneroso nos seus corpos que desviará a tenra coluna vertebral. Novos tempos, novas arquitecturas. Pedantes inquilinos alcandoram-se. Recém chegados, promovem terramotos que desabam as paredes internas. Alternam estruturas, partir, desfazer, barulhar. O poder das cédulas metálicas consolida-se. Poderoso, majestoso senhorial encafua o gerador na base que era do elevador. Perdido na lei do seu quintal encontrará iluminado o seu oásis patusco.
Gil Gonçalves


Imagem: http://www.sanzalangola.com/galeria/album01/Cruzamento_Mutamba_Luis_de_Camoes_1973_Cedida_por_Caluanda

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Celacantos




Isto não é um país, é uma gigantesca conjura internacional de empresas de construção civil.

O PML-Partido Marxista-leninista, sabe que perderá as eleições, e conta com os aventureiros chineses para o apoiar. Tá na cara que o navio chinês já descarregou o negócio fácil das armas no porto de Luanda. Só mesmo um PML é que faz coisas destas. Angola é e será por vontade própria, trincheira firme do terrorismo local.

O PML da vanguarda da fome troa-se: «A conferência chinesa do novo mapa partilhado da África já cá canta. Temos um exército de milhares de chineses. Não é como da outra vez, os cubanos nem se lhes comparam. E contra milhões de chineses ninguém combate, todos se submetem. Vamos alinhar no novo canto, do nosso louco recanto».

A seguir facilitar-se-ão as prisões e os assassinatos de cidadãos nacionais e estrangeiros, porque quem é violento, nunca a violência abandona. E agora pior, com a senilidade da idade. Apenas aprenderam a engatilharem armas, e a dispará-las, conforme a boa universidade, a única existente, a de Jesse James. Para continuarem no poder, aliam-se aos aventureiros chineses, porque as cabeças mergulharam no caos, já não dão, não batem bem. Querem mais guerra, convencidos que a vão ganhar. Pelo contrário, vão perdê-la, porque tudo e todos estão com o saco cheio, fartos e sempre na mesma espera, na companhia da fome que a todo o momento não nos falta, conforme sempre nos prometem.

Significa também que Angola, sempre por vontade própria, será sempre um bom porto para acostagem de armamento chinês, de contrabandistas internacionais, de diamantes de sangue, de células da Al-qaeda, do contrabando em larga escala de droga, e de tudo igual ou pior. Assim, convém que nos recoloquemos num clima igual, ou superior ao da Guiné-Bissau. E não custa nada, melhor será ficar como Darfur. Felizmente que só lemos os livros de Maquiavel. Assim, finalmente podemos concluir que a luta de libertação nacional não passou, e continua uma infame farsa, para chinês ver. Pobres dementes, que arrastam novamente a Nação, para a podridão.

Já antes noticiei no Jornal O Observador, que os preços da comida subiriam astronómicamente, porque Angola importa tudo. E a demência encoraja-se, regozija-se, com os brutos aumentos dos preços do petróleo. Angola, tem apenas como população meia dúzia de governantes, porque o povo já foi para Holodomor. Tá na cara, que os chineses ameaçaram quem neste momento depende deles. Ou deixam descarregar o navio com as armas, e acabar com o pouco que resta do Zimbabué, ou abandonamos Angola. E Angola condescendeu, que os nossos amigos chineses, podem enviar para o Porto de Luanda, todos os navios chineses carregados com armas que quiserem, para destruírem, subjugarem os países mais próximos, e assim dominarem, eles como imperialistas e nós como sub imperialistas regionais.
Eis a farinha de trigo do desenvolvimento social que no porto de Luanda se descarrega. Muita pólvora e sangue de olhos rasgados, serão contemplados.

Noticias de última hora dizem, que o famoso ictiólogo Bob Geldof acaba de descobrir novas espécies de celacantos em Angola. Espécies que assombram porque vivem em quadrilhas organizadas. Praticam o roubo generalizado do erário público, ostentação impune de riqueza e corrupção de milhões de dólares. Espécies muito perigosas porque eliminam quaisquer outras que se atravessem nos seus caminhos. Extremamente vorazes. Praticam um entretenimento que consiste em cansarem a população à fome e depois terminarem num festim macabro. São fósseis vivos com milhões de anos no poder. Antes de Bob Geldof, já Marcelo Caetano no seu trabalho “ O Meu Depoimento” chamava a atenção para estes grupos aos quais chamou de:”quadrilhas de malfeitores bem organizadas”.
Portanto, a fama destes celacantos já vem de longe.

Entretanto o iminente ictiólogo Bob Geldof, fará uma conferência especial sobre outras espécies de celacantos, outros fósseis vivos espectaculares que desafiam a ciência. Como é possível, estes fósseis continuarem vivos, sobreviverem? São tantos, que originarão a terceira guerra mundial. Refiro alguns: Zimbabué, Myanmar, China, Irão, Venezuela, Cuba, Coreia do Norte. Sem dúvida, são um grande desafio para a ciência.

Este é o caminho do porto seguro da África Negra, onde acostarão inúmeras somálias e darfures.

Gil Gonçalves
Imagens: Bbc, Burma.

Congresso Empresarial da “Nação dos 318”


Transcrição do texto publicado no jornal Folha Universal, da IURD, Igreja Universal do Reino de Deus, em Angola, nº 43 de Abril 2008, página oito.

Congresso Empresarial da “Nação dos 318”

Garantia do sucesso profissional e empresarial


A perspectiva do crescimento da economia angolana – por sinal bastante acentuada – tem servido de incentivo por parte do bispo Augusto Dias, nas palestras da “Nação 318”, para que os membros saibam agarrar as oportunidades, encontrem parcerias para os seus negócios, saibam gerir as suas empresas, encontrem motivação para avançarem, enfim saiam da miséria.
As reuniões acontecem toda segunda-feira às 18 horas, na catedral da fé. São tidas já como “ o maior congresso empresarial de Angola”.
“O crescimento em nível individual, se fará, com maior segurança, naquelas pessoas que têm metas definidas, estiverem motivados, apesar das situações difíceis no seu percurso, forem pró-activos, ou seja forem capazes de darem mais do que lhes é solicitado” - sublinhou o bispo Dias.
Igualmente, estabelecendo uma analogia prática, fê-los reconhecer que o desenvolvimento a curto, médio e longo prazo, deve ser feito num contexto sólido, similar a subida de uma escada degrau a degrau.
Muitos dos participantes testemunham já o sucesso financeiro e profissional por eles alcançado, desde que passaram a frequentar a reunião com regularidade.
Assim pronunciou o senhor Jorge dos Santos. “O congresso empresarial tornou-se para mim um forte aliado no crescimento dos meus negócios. Aqui, colho ensinamentos muito proveitosos, praticados garantem-me o sucesso”.
Mais de cinco dezenas de pastores, se faz presente, numa só fé, com o propósito de abençoarem todos quantos ali se deslocam.

Gil Gonçalves
Imagem: Catedral do Morro-Bento, bispo João Leite, Luanda, Angola

sábado, 10 de maio de 2008

DESIDERATA




Vai serenamente por entre a agitação e a pressa e lembra-te da paz que pode haver no silêncio. Sem seres subserviente, mantem-te tanto quanto possível, em boas relações com todos . Diz a tua verdade calma e claramente e escuta com atenção os outros, mesmo que menos dotados e ignorantes, também eles tem a sua história. Evita as pessoas barulhentas e agressivas; são mortificações para o espírito. Se te comparas com os outros podes tornar-te presunçoso e melancólico porque haverá sempre pessoas superiores e inferiores a ti. Apraz-te com as tuas realizações tanto como com os teus planos. Põe todo o interesse na tua carreira, ainda que ela seja humilde; é um bem real nos destinos mutáveis do tempo. Usa de prudência nos teus negócios porque o mundo está cheio de astúcia; mas que isto não te cegue a ponto de não veres virtude onde ela existe; muitas pessoas lutam por altos ideiais e em todo o lado a vida está cheia de heroísmo.. Sê fiel a ti mesmo. Sobretudo não simules afeição nem sejas cínico em relação ao amor porque em face da aridez e do desencanto, ele é perene como a relva. Toma amávelmente o conselho dos mais idosos, renunciando com graciosidade às ideias da juventude. Educa a fortaleza de espírito para que te salvaguarde numa inesperada desdita. Mas não te atormentes com fantasias . Muitos receios surgem da fadiga e da solidão. Para além, de uma disciplina salutar, sê gentil contigo mesmo. Tu és um filho do universo, e tal como as árvores e as estrelas, tens o direito de o habitares. E quer isto seja ou não claro para ti, sem dúvida que o universo é-te disto revelador. Portanto vive em paz com Deus seja qual for a ideia que dele tiveres. E quaisquer que sejam as tuas lutas e aspirações, na ruidosa confusão da vida, conserva-te em paz com a tua alma. Com toda a sua falsidade, escravidão e sonhos desfeitos o mundo é ainda maravilhoso. Luta para seres feliz.


1927-Max Ehrmann. Renewead 1954 Berta K. Ehrmann
Composto, arranjado e conduzido por:
Fred Werner

Produção de Fred Werner e Les Crane

Tradução livre de Maria Luiza Peixoto

Gil Gonçalves