sexta-feira, 20 de junho de 2008

Ó Cantador Alegre


As minhas passadas seguem o habitual ritmo compassado da luta continua… do cantar de José Afonso:

Ó cantador alegre
Que é da tua alegria?
Tens tanto para andar
E a noite está tão fria

Degeneração moral é vista como inevitável na ausência de controlos sociais contra ganância e competição. William Golding

O homem aprendeu a dominar, a piorar, amarrou a Natureza. Julgou-a como um banco de fundos ilimitados. Saques, saques a fundos perdidos. Finalmente abandonou-a, divorciou-se, desamou-a. A Natureza domina o homem, ele surge nela como planta daninha. Está a mais, não faz parte da equipa. Deus criou os homens para divertimento. Sorri, vendo-os exterminarem-se com as armas que todos os dias inventam. Hipocritamente inventaram a esperança, a espera contínua da morte. Dizem carregados de profunda maldade, que é a ultima coisa que resta. É a maldade sem limites. Matam-se, e depois choram os mortos.

Oh, esta saudade, esta tristeza do alvor da perdida Natureza. Para quê tantos instrumentos sofisticados, se basta observar formigas, para prever as inclemências do tempo que nos desassossegam. Desentendo porquê, os seres humanos estão sempre muito ocupados. Falta-lhes tempo para observar uma árvore. As religiões estão ultrapassadas, nada mais têm a desdizer, temos que as substituir por aquelas que amam a Natureza.

O alarde altipotente: vamos trabalhar, viver, conviver diariamente com a hipocrisia e a vigarice? Não é possível desumanizar assim! Temos que refutar, reabituar, resgatar a insolvência da nossa sobrevivência. Lutar antes do entardecer. A limpeza de alma da Natureza ciclicamente destrói os homens. Poupa alguns para recomeçar o ciclo do deixar o circo pegar fogo. Os elementos da Natureza conscientizam-se: «eis que retomam a multiplicação, um nunca acaba, vão hostilizar, cometer as atrocidades anteriores arquivadas no déjà-vu. Quanto baste, acabamos com eles».
Gil Gonçalves

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Meditando. Água


A falta de água já almejou uma semana. Não escasseia como habitualmente, rareia intensamente, imensamente. E intriga-nos porque ninguém fala, esclarece o que se passa. São as peças teatrais da repetição exclusiva marxista-leninista até á exaustão.

A vizinha esclareceu que não há água porque as empresas das destruições civis desviou-a para as suas obras. Se isto for verdade, decerto tratar-se-á da mais ignóbil monstruosidade das empresas das obras deles, porque para nós nunca serão, do crime da especulação imobiliária.

Que saibamos, nem Mugabe fez isto ao seu povo. Matar, exterminar pela sede um povo. O terror revive-se neste campo de concentração. Sem água, sem se saber porquê, todos os boatos são imprevisíveis. E se for para provocar uma revolta da população? Quem estará por detrás disto? Serão os assíduos controladores de tudo! Petróleo e diamantes sim, democracia, pão, água e luz não. Vamos ensaiar o beber petróleo e comer diamantes.

Eis que julgar e condenar jornalistas é fácil. E quem nos mata pela sede, e sem água nos provoca epidemias, nos faz reviver nos campos de concentração nazis e soviéticos, nunca, jamais serão julgados e condenados?

E uma bela e esplendorosa coisa acaba de acontecer: É que, para lá do Cacuaco e do Benfica, e depois mais além, sempre á beira-mar, toda a orla marítima será só deles, privatizada por eles, os Senhores do Petróleo. O petróleo é dos maus, mais valioso que a água. É a única mais-valia e valor acrescentado.

Creio que o mais acertado é conjecturar que são tantos, e alguns tão imensos, edifícios que a água não consegue percorrer os circuitos habituais. Tá-se muito mal, vamos bazar para onde?

Não são necessárias manipulações genéticas para produzir monstruosidades.
Gil Gonçalves
Imagem: Digital Net

Cultura Tradicional Bantu (VII)


O enterro
Muitos grupos enterram os defuntos perto de suas casas ou dentro delas e destroem-nas quando termina o luto.
É mais comum sepultá-los junto da aldeia e à beira dos caminhos para que os vivos lhes rendam uma pequena homenagem, todas as vezes que passam, inclinando a cabeça, guardando silêncio ou depositando alguma oferta no túmulo.

Encontram-se cemitérios em paragens solitárias e bem defendidas nas florestas. São cemitérios familiares, embora possam pertencer ao grupo. Normalmente cada aldeia tem um cemitério comunitário.
Os povos pastores enterram o chefe de família reduzida no curral dos bis ou no lugar onde se acende a fogueira, dentro da cerca de paus que rodeia a casa, onde enterram também as mulheres. As crianças sepultam-nas no curral dos vitelos, os jovens junto de sua casa, as raparigas iniciadas dentro da cerca onde guardam os pilões da farinha.

Os especialistas da magia, bem como os caçadores e guerreiros, quando tem renome, são enterrados à beira dos caminhos muito frequentados ou nas encruzilhadas, e sempre ao pé duma árvore para pendurar os seus instrumentos de trabalho, armas e troféus.
Pode-se deduzir que procuram contentar o defunto colocando o seu cadáver em lugares familiares e rodeado dos seus objectos e bens, ao mesmo tempo que fortificam com a sua presença a solidariedade.
Em alguns lugares, colocam o cadáver numa cubata especial onde permanece meses ou anos até ser enterrado.
Normalmente, cavam na terra sepulturas horizontais com quase dois metros de profundidade. No fundo e ao lado, abrem uma câmara mortuária onde colocam o defunto deitado ou de cócoras. Isolam-nas com ramos.

Quando enchem a sepultura, a terra não toca no defunto. A esta câmara podem vir visitá-lo os seus familiares antepassados, e ajudá-lo a completar o rito de passagem.
Outros grupos cavam as sepulturas em forma circular porque colocam o cadáver de cócoras. Alguns enterram-nos de pé.
Os Quibalas de Angola depositam os chefes sobre rocha e cobrem-nos com pedras bem trabalhadas, formando um sarcófago rectangular. Submetem os cadáveres a uma espécie de mumificação. Introduzem-lhes pela boca, com a ajuda dum funil, óleo de palma a ferver. Esta operação prolonga-se até que as vísceras desfeitas lhes saem pelo reto.

A prática muito espalhada de colocar o cadáver de cócoras, em posição fetal, simboliza o seu segundo nascimento. Talvez também o deixem assim porque é uma das posições preferidas pelos Bantus, que aguentam nessa posição horas seguidas.
Não há unanimidade na orientação do cadáver, se bem que a maior parte o coloca na direcção este-oeste; outros colocam-no na posição norte-sul. Pensamos que não dão importância a este pormenor pois não têm mitos nem crenças astrais.

Os participantes nas festas fúnebres acompanham o cadáver até à sepultura e observam silêncio. Só os mais chegados podem repetir os lamentos e enaltecer o defunto, que transportam aos ombros ou atado a um pau comprido.
Outros grupos permitem estas manifestações quando o morto sai de casa e é enterrado, pois durante o caminho não são permitidos. A comitiva avança a passo rápido com ruidosas manifestações de alegria.
Os que algum modo estiveram em contacto com o cadáver, ao que o transportaram e em geral os acompanhantes, depois do enterro têm de tomar banho num rio para «tirar o cheiro do morto», ou lavar as mãos.

Há grupos em que o viúvo e o homem que amortalhou a defunta ficam em interdito social pela sua excepcional impureza. Não podem fazer vida comunitária, enquanto a família da falecida não lhes proporcionar duas mulheres. As relações sexuais limpam a impureza e destroem o tabu.
Deixam sobre a sepultura algum objecto: uma cabeça de boi, uma cabaça ou garrafa com água, mel, aguardente, alguns alimentos, um copo, uma taça, um prato, qualquer instrumento de trabalho, os troféus de caça.

Com certa periodicidade ali depositam alimento e bebida. Quando enterram uma pessoa, os alimentos ajudam-na a realizar a viagem para a sua nova mansão.
Não acreditam que os mortos venham a comer e a beber às suas sepulturas. Apenas tomam «a essência das oferendas», o seu princípio vital animador, agradecem a recordação dos seus descendentes e retribuem copiosamente.
Os Bantus explicam assim este rito que foi ridicularizado e apresentado como exemplo da sua credulidade pueril: «só a noção de símbolo nos oferece uma interpretação plausível. As oferendas feitas aos mortos… são apenas meios de entrar em contacto com eles, de estabelecer entre eles e os vivos uma coerente vital; assim penetra alguma coisa na existência dos espíritos da parte dos seus devotos e vice-versa.»

Esta mesma explicação justifica a prática de enterrar objectos junto do defunto. Colocam a seu lado comida, utensílios, sementes, armas, tabaco e até roupa. Precisa disso para a viagem.
Por isso, os grandes chefes deviam ser acompanhados à sepultura por uma escrava e um escravo, pelo menos. Este deplorável costume praticava-se para que os chefes protegessem o grupo, que sacrificava alguns indivíduos para proteger a comunidade. Se bem que em muitos casos isso se fez só por prepotência, para demonstrar a autoridade e dar relevo invulgar às festas.
A África negra sacraliza os alimentos; servem de símbolo eficaz para que o homem, e sobretudo a comunidade, contactam com realidades místicas tornando-se propícias e se estreitem numa comunhão de vida.
In Cultura Tradicional Bantu. Pe. Raul Ruiz de Asúa Altuna. Edições Paulinas
Gil Gonçalves
Imagem: http://www.macua.org/livros/olhar1np.html

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Lírio-do-Amazonas. São Paulo


Hoje fui visitar minha irmã que mora em SP, São Paulo, (capital). Uma cidade para lá de moderna-arcaica... uma mistura absurdamente fantástica dos mundos... favelas, opulência, caos no trânsito, belíssimos museus... Mas há muros invisíveis na cidade...há circuitos que não se cruzam... há quem não saiba que nessa enorme São Paulo, coexistam tantos mundos, tanta riqueza e tecnologia que o Homem inventou e tanta dor e tristeza que o Homem não superou em sociedade – e provavelmente nunca supere...

Pois, não dá para ir sempre visitar quem gostamos – mesmo não sendo longe – fica sempre caro o deslocamento!!!

Que amanhã seja um maravilhoso dia de Sol!!!!

Patrícia Martinelli

terça-feira, 17 de junho de 2008

William Tonet, num Buraco Negro Petrolífero


Uma das consequências da falta de liberdade é o subdesenvolvimento económico, científico, técnico e cultural. Os países explorados tornaram-se economicamente débeis e em muitos casos, lançados numa situação caótica que os obriga a retomar ou a continuar a sua dependência dos outros países mais desenvolvidos.
Libertar é transformar pela violência uma ordem social estabelecida por minorias. E por isso mesmo libertar uma sociedade, é fazer a revolução. É preciso libertar o Homem não só do esclavagismo colonial, mas ainda de qualquer forma de dominação social no interior de cada país. Nenhuma classe deve poder explorar outra.
Agostinho Neto. 20 De Janeiro de 1978. Discurso na Universidade de Ibadan, Nigéria


Os aromas petrolíferos isentam-se das redacções jornalísticas democráticas, e interpenetram-se nos palacianos petróleos brutos dos idiotas permanentes. Aqui não há julgamentos, porque não existem jornalistas, porque quando um país é dirigido, governado por especuladores imobiliários... satura-se de bancos, e há sempre espaço para mais um, e só existe uma explicação: estão para mais uma lavagem de dinheiro e imobiliária especulação.

O perigo está aqui, real. Quem domina, quem comprou Angola, são eles, as marabuntas, os especuladores imobiliários que governam, dirigem Angola. Ordenam os julgamentos, a exterminação dos jornalistas privados, porque os outros são dos comités especializados em idiotice permanente. E os jornalistas que colidem com as suas máquinas destruidoras de casebres, prendem-se, eliminam-se, porque podem cheirar petróleo e volatizá-lo.

O jornalista William Tonet, e também o Graça Campos, são estrangeiros, com bilhetes de identidade angolanos. Como outros milhões como eles, já não podem atravessar ruas, passeios, entrarem à vontade nas suas casas, circularem livremente, porque Angola já não é nossa. Porque falsos engenheiros informáticos e de operadoras de comunicações, em especial brasileiros e portugueses, ganham três, cinco mil dólares mensais, com mordomias mais… e aqui instalados, os estrangeiros, escravos angolanos, que ganham algumas centenas de dólares ensinam-nos como é que se trabalha.

Aqui não se julga ninguém, porque os estrangeiros são angolanos, e os angolanos são estrangeiros. Portanto devemos apoiar os anunciados julgamentos massivos de jornalistas estrangeiros.

É só deles e para eles, os que colocaram Angola num buraco negro, onde para lá sugam tudo e todos, e nenhum é julgado, condenado.

Pobríssimos espirituais angolanos que se condenam a devolverem o que roubaram. Os jornalistas estrangeiros denunciam o roubo, a corrupção dos nacionais, e esperam-nos os estabelecimentos prisionais. Para estrangeiros, não para nacionais.

É uma mais-valia, um valor acrescentado.

Gil Gonçalves
Imagem: http://fotos.sapo.pt/WYYzZnYlfjjhkC3wuIJu

Cultura Tradicional Bantu (VI)


Ritos fúnebres
Pelo contrário, se se realizarem com descuido ou forem deformados, o defunto esquecido vagueará sem destino, desgraçado, e o olvido dos seus acarreta desprezos e terríveis vinganças para os vivos. Converte-se num perigo permanente e pode ocasionar males.
A solenidade dos ritos está em proporção com o prestígio social e, sobretudo, com a influência vital do defunto. Os chefes merecem honras especiais que se revestem da maior solenidade, com a reunião da comunidade. Assim, conservam o seu estatuto social no outro mundo e não guardam ressentimentos contra as suas comunidades que, por outro lado, desejam prestigiar-se com pomposas festas, as comidas, bebidas e danças adquirem tal relevo, que não há festa que as supere. Vi, nestas ocasiões, sacrificar até quinze bois! As festas poderão prolongar-se por um mês se o chefe for importante.

Está bastante espalhado o costume de deixar corromper o cadáver do chefe até que a cabeça se desprenda do tronco. O crânio deve ficar para o herdeiro, como feitiço protector. Às vezes, arrancam-lhe as unhas para fabricar poderosos feitiços ou manter viva a sua presença, já que a sua personalidade se prolonga até aí.
Confiam tanto no seu poder que, em muitos grupos, os dignitários o sepultam num lugar escondido, por exemplo no leito dum rio, para evitar que seja esquartejado e a sua carne destinada a vivificar feitiços.

Foi frequente ocultar a morte do chefe durante meses, até um ano por vezes. Talvez tentassem evitar convulsões sociais ou fosse exigido por situações políticas.
O luto pelo chefe pode durar várias semanas e obriga a todos. O trabalho é proibido. Nalgumas partes, a infracção castigava-se com a morte. Os que morriam durante o luto não podiam ser enterrados.
Os escravos não tinham honras fúnebres visto que a sua nula influência social não os tornava temidos nem havia interesse algum em os prestigiar como antepassados.

Também não são necessárias quando morre um estrangeiro. Como este não participa da interacção derivada da consanguinidade, a comunidade não tem nenhum interesse em o naturalizar entre os antepassados.
A infâmia de certas enfermidades ou a brutalidade do rompimento da vida não oferecem garantias duma acção benéfica. Além disso, seria um insulto aos antepassados. Assim, são excluídos, os suicidas, os tarados psíquicos, os epilépticos e os celibatários.

Logo depois de morrer, enterram os feiticeiros, quase sempre mutilados (partindo-lhes as pernas, por exemplo) para que não voltem, ou abandonam-nos aos animais, ou queimam-nos e dispersam as suas cinzas ou lançam-nas à água.
Nalguns grupos, também sofrem esta sorte os que morrem de fome. Tem receio que, se forem enterrados dentro do território comunitário, a propaguem.
Há grupos que crêem que os condenados por feitiçaria se revestem, no além, de um corpo insignificante, repugnante, com um cheiro nauseabundo e com cabeleira encarnada. Levam uma vida errante por regatos e mananciais, encarnam em bestas ou em gatos (por isso, rejeitam este animal) e comem carne humana.

Castigados a não participar na vida dos seus parentes, dedicam-se a transtornar o ritmo de vida individual e comunitário. Pela sua índole malévola, inveja, ressentimento e vingança, podem ocasionar toda a espécie de males, inclusive convulsões sociais. Até conseguem possuir indivíduos. Rondam de noite pelas aldeias e intervém no feiticismo. Podem aparecer aos vivos em forma de espectros ou fantasmas. A sua visão produz a morte do visitado ou de algum familiar.

Logo que alguma pessoa morre, os seus familiares começam a chorar, a gritar e a dançar sem cessar, com um ritmo cadenciado e monótono. Lamentam a sua perda, chamam-no pelo seu nome, agradecem os seus favores, exaltam as suas virtudes, amaldiçoam o causador da morte e desejam a felicidade ao defunto.
Os parentes e amigos acompanham a gritaria com gestos, contorções e danças. Assim, demonstram aos antepassados a bondade do falecido, que procuram contentar para que não regresse carregado de influências nefastas. As festas, além disso, entretêm e dão coragem ao defunto enquanto espera a sua transformação em antepassado.

Lavam, o cadáver, vestem-lhe as melhores roupas, perfumam-no ou besuntam-no com óleo de palma. Alguns grupos, depois de o desnudar e antes que lhe chegue a rigidez, colocam-no na posição em que deve ser enterrado: sentado de cócoras, com os braços sobre o peito.
Cobrem-no com um pano, manto ou pele de boi e fica sentado numa cadeira ou deitado numa esteira. Assim preside às festas. Os familiares e amigos passam pela sua frente a saudá-lo antes de participar nos ritos.

Esta preparação do cadáver não só honra a sua família como privilegia o defunto, que se apresenta com dignidade no além-túmulo.
Não praticam nenhum género de mumificação, embora por vezes esvaziem o cadáver apertando-lhe o ventre.
Logo que uma pessoa morre, saem os emissários a comunicar a notícia à parentela. Todos têm de ser avisados ainda que se encontrem distantes. É que o parente que não vai aos ritos pode ser acusado da feitiçaria causadora da morte. Além disso, é um dos momentos em que mais se acentua o sentimento de solidariedade comunitária já que colaboram com o parente para que encontre paz.

Mesmo que trabalhem na cidade, deixam as obrigações e deslocam-se às suas aldeias. Só circunstâncias extremas podem impedir a participação nas festas fúnebres dum familiar.
As cerimónias duram dias. O cadáver costuma chegar a decompor-se. Abundam a comida e a bebida. Matam bois, cabras, porcos, e galinhas. Cada familiar contribui com algum presente. As mulheres preparam as bebidas tradicionais, os instrumentos de música arrancam e a dança começa.
Comendo e bebendo, conversando e dançando, passam vários dias. São as grandes festas da sociedade bantu. E, como a mortalidade é grande e a parentela extensa, encontramos o bantu em frequentes festas.,

Não se esquecem de derramar um pouco de sangue das vítimas ao redor do cadáver para que participe também, ou com ele aspergem as paredes da casa para mostrar ao defunto e aos antepassados que os sacrifícios cruentos são propiciatórios e impetratórios. De vez em quando, um dos parentes chega junto do cadáver e oferece-lhe um bocado ou um gole que entorna a seus pés ou lhe introduz na boca.
Estas comidas e bebidas tentam diminuir a tristeza do morto para que se conforme com a mudança operada.

Suspeitamos também que estes sacrifícios de vítimas animais encerram um conteúdo sagrado, sacrificial e inclusive de aliança, que hoje se perdeu ou que não conseguimos captar. A dança e a alegria exteriorizam o prazer da participação conseguida «mistericamente». Assim, mundo invisível e visível fundem-se na mais eficaz comunhão e o defunto honrado torna-se definitivamente comungante-participante com os dois mundos

A maioria dos grupos sacrificam animais, sobretudo bovinos, somente nestas festas. Embora precisem de proteínas e sendo o bantu um apreciador incansável de carne, reservam os seus animais para os alambamentos e para aos sacrifícios propiciatórios. Os ritos fúnebres, pela abundância de animais mortos, desempenham uma missão compensatória do desequilíbrio alimentício e da errada dietética.
Estes ritos terminam com uma refeição que consolida a familiaridade. Decorre no meio de muita alegria porque o defunto já está satisfeito, em companhia dos seus antepassados e pronto a revigorar a sua comunidade.
In Cultura Tradicional Bantu. Pe. Raul Ruiz de Asúa Altuna. Edições Paulinas
Gil Gonçalves
Imagem:
http://www.macua.org/livros/olhar1np.html


Meditando. Robert Mugabe


Quem defende Robert Mugabe, defende a ilegalidade. Leva a África para o caos. Prova que existem mentes que deviam estar internadas num hospício. Esta África é governada por um manicómio, onde abundam loucos, atrasados mentais. A incompetência é mestra da demência.

Tropeçámos, tropeçamos tanto, e ainda há quem diga que não vamos correr muito, para não tropeçarmos.

Gil Gonçalves
Image: http://en.wikipedia.org/wiki/Image:Demonstration_against_Mugabe.JPG

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Herança Jacente Petrolífera


Elas, duas jovens que conseguiram viajar até aos vinte e cinco anos da lisonjeira imaturidade, andavam na estatal Universidade. Perguntadas se já chegaram, estudaram o Keynes ou o Adam Smith, responderam que não, não sabiam quem eram, nunca tinham ouvido falar.

Tinham tudo. Conquistaram com uma luta de libertação. Iludiram o Povo dizendo-lhes que as riquezas são nossas, são populares, do Povo. É tudo do Povo. Fácil foi iludir os idiotas populares, citadinos. Porque as quadrilhas petrolíferas e diamantíferas abundam nas cercanias. Assim, como mais uma das milhentas vezes que há-de porvir na História, os categóricos do marxismo-leninismo impuseram sem mais delongas a independência, ás pressas, à toa, assim como agora no Tribunal Constitucional.

Em nome da religião marxista-leninista, é tudo uma mera questão de religião, juraram que o Povo jamais seria escravizado, martirizado, esfomeado, aldrabado. Vai daí, em nome do Povo, tudo em nome do Povo, quadrilharam o petróleo e os diamantes. Como não queriam dividir com ninguém, onde já se viu quadrilha organizada dividir o saque com mais alguém?
E consumou-se. Afinal era tudo um erro de semântica. Povo, somos nós, o partido marxista-leninista. Os nossos ideais são puros e inocentes, como a extracção petrolífera e diamantífera, efectuadas pelas empresas estrangeiras nossas amigas. E agora também as nossas empresas pessoais, de direito quadrilheiro.

Porra! Até agora conseguimos aguentar-nos trinta e tal anos sempre em nome do Povo. Povo é o nosso petróleo e diamantes. Mas, estamos agora num momento de mortais consequências imprevisíveis. Os idiotas estão a ficar espertos, despertos, e já dizem que as estrelas não são mais do Povo. Tramamo-nos, tramam-nos, que a Revolução Francesa é a única coisa da História que se repete, e desesperançados desesperamos já despencados.

Convictos de que seria sempre assim, uma independência sem objectividade, sem liberdade e tudo, tudo em nome do Povo nas suas mãos, nos nossos cofres, nas nossas contas estrangeiradas, bem guardadas, cifradas.

Se não fossem Locke e Voltaire, estaríamos eternamente no poder, poderosos com a ajuda e vontade de Deus, que nos deu estas riquezas pessoais e do Povo impessoais.

Grande Maka: agora vem com essa das eleições. Vamos perdê-las, porque decifraram que nós somos piranhas importadas, de bantus disfarçadas. Querem a parte que lhes pertence, mas não nos convence. Mas qual quê! Com que direito! Que se atrevam! Tudo, mais-que-tudo, está com a nossa família. Da nossa herança marxista-leninista nunca, jamais abdicaremos. Petróleo, diamantes, bancos, bancas, bancadas, tudo o que é e não é comunicações, supermercados, aviões, e tantas e tantas outras confusões.

Se tudo é nosso, tutelado, da nossa família, tal e qual a herança de Constantino, como ousais inventar eleições perdíveis, para nos magnetizarem as riquezas obtidas, dos nossos dedos desgastados, engatilhados nas armas do sílex revolucionário.

Idiotas eleitores, cândidos, ingénuos! Como possibilitam a existência de eleições, com todas as riquezas do nosso país nas nossas mãos, da nossa família camorra!

É o martírio das eleições clânicas, das fogueiras da inquisição medieval.

Inicialmente publicado no semanário Folha 8
Gil Gonçalves


domingo, 15 de junho de 2008

Lírio-do-Amazonas. Dúvidas


Minhas dúvidas profissionais são como uma estranha febre....elas vem, me fervem, me abalam, me levam a um delírio de querer fugir para um outro trabalho mais tranquilo, mas como?
Não consigo deixar essas pequenas histórias que comecei a ver em capítulos semanais da aula de geografia! São cerca de 280 crianças toda semana!!!!
Quero largar tudo mas algo me diz que eu posso tentar mais uma vez, que como educadora eu não devo desistir...

A febre passa... começaremos um projeto político-pedagógico para a escola e embora eu tenha várias ressalvas ao modelo de educação daqui, não consigo não me envolver – já pensei em mil coisas novas – provavelmente muitas ficarão em meus sonhos... não há verbas, talvez nem tanta abnegação para negar minha vida pela deles... Mas não consigo deixá-los! Estou com problema de salas. Fui conversar com minha coordenadora pensando em propor uma tentativa de utilizar sons ambientes durante as atividades, pois li uma pesquisa que mostra que os jovens têm conseguido se concentrar melhor quando ouvem uma música, ou deixam algum aparelho de TV ligado.

Pois antes de eu expor minha ideia ela sugeriu exatamente isso!!!
Deve haver uma razão para eu estar onde estou e devo terminar meu trabalho, nessa etapa para depois tentar alçar outros vôos...

Tive uma proposta tentadora de trabalho, não para ganhar mais, mas para não entrar mais em sala de aula, trabalhar na área em que fiz meu mestrado. Sinto que tenho coisas importantes a aprender como educadora antes de sair...

Patrícia Martinelli

Meditando. Traidores




Na hodierna democracia africana, vocábulo originado no Zimbabué. Traidores, são todos aqueles que concorrem, disputam, as eleições legislativas, e fatais, as presidenciais.

As populações cansadas, esgotadas, de aturar os presidentes mais que trintões, camaleões no poder, e dele não querem se abster. Votam contra, e são eliminadas, canibalizadas.

Ninguém escapa. O vocábulo traidores também é conhecido pela síndroma de Idi Amin.
Gil Gonçalves
Imagem: http://www.threesources.com/archives/Mugabe%20Shrugs.bmp

sábado, 14 de junho de 2008

Discursos Políticos (VI). Agostinho Neto


É que de facto, fez-se tanto barulho com os tiros em Angola que até alguns foram parar aos Estados Unidos da América. Camaradas, eles vão regressar. Eles vão ter outra vez a sua casa, a sua oportunidade de trabalho dentro do nosso país.
O Partido funciona para o Povo e não somente para os seus militantes.
Os trabalhadores do nosso País, os operários e os camponeses, devem ter o sentimento real de que os meios de produção, quer dizer as máquinas, os tractores, os meios de transporte, as enxadas, as ferramentas que são uma propriedade e são sua propriedade para benefício de todo o Povo.
Nós não controlamos a chuva, se não houver chuva vamos morrer de fome? Não?
Embora nós tenhamos muitos rios, o nosso Povo ainda sofre de falta de água.
A formação de quadros é uma preocupação essencial e por isso o nosso Governo tem estado a dar muita atenção à formação dos jovens.
Numa parte das nossas cidades há casas de construção definitiva, muito lindas, belos palácios, e do outro lado há as casas de adobe, casas de madeira, tacanhas, pequeninas, onde só muito dificilmente se pode viver.
E não é fácil convencer toda a gente de que determinados privilégios que alguns angolanos ainda vivem hoje devem ser abandonados em favor das classes trabalhadoras.
Eu ainda estive aqui mesmo, em Cabinda, creio que com a Comissão Política, a verificar um facto. É que, por exemplo, um operário qualificado aqui no nosso País ainda ganha menos do que uma dactilógrafa.
Precisamos de fazer uma nova Revolução! E a tomada de posição sobre esses problemas vai provocar evidentemente, convulsões grandes dentro do país. Vai provocar uma reacção de determinadas camadas sociais, que nós devemos combater com decisão, para que a exploração não continue, para que, de facto, nós tenhamos à disposição daqueles que produzem os meios suficientes para a sua vida e não nas mãos de alguns dos nossos compatriotas que ainda pensam que na ociosidade podem também ter uma vida tranquila. Os ociosos não devem viver tranquilos no nosso país.
Agostinho Neto. 15 De Setembro de 1978. Discurso em Cabinda.

A Unta exprimiu excelentemente a ideia da necessidade de seguir a orientação do Partido, sem que a mesma se considere um organismo partidário. Essa é a posição correcta.
A fuga do campo para a cidade tem de ser evitada.
Vou referir-me a uma dessas decisões. Trata-se da transferência da cidade para o campo de todos os desempregados que congestionam os nossos centros urbanos. Quer dizer que uma das decisões tomadas pelo Bureau Político, recentemente, é a transferência imediata de todos os desempregados que residam nas cidades para o campo, para se dedicarem à agricultura.
A libertação significará o fim da esperança capitalista da exploração e da dominação.
Agostinho Neto. 2 De Outubro de 1978. Discurso no encerramento da 3ª conferência nacional da Unta.

Nós fizemos estruturas demasiado pesadas que fazem com que o aparelho governativo, por falta de quadros, não possa marchar convenientemente. Mas, nós temos ainda, a tendência de formar diversos departamentos, muitos departamentos, que depois não podemos preencher que existem simbolicamente, por vezes, apenas com um funcionário e que está ali sem poder realizar qualquer trabalho.
Falando, propriamente, dos problemas da juventude, nós todos estamos conscientes de que ela é o futuro. Nós temos de cuidar da nossa juventude. Temos de orientar bem a nossa juventude, educá-la bem.
Os fracçcionistas estiveram a desmobilizar a nossa juventude, tornando-a anárquica, desobediente e desorganizada. Ela deixou de ter respeito pelos organismos do Partido.
Dificilmente, nós encontramos alunos que sigam o ramo de agricultura, ou que sigam a pecuária.
«Temos que guiar-nos, também, pela história. Temos que guiar-nos por aquilo que é realmente nosso, angolano porque o povo é angolano. E se nós não respeitamos as tradições, os costumes, a história do nosso Povo, nós não podemos organizar nada». Absolutamente nada.
Aqui foi feita, neste mesmo local, uma conferência, com o camarada Lúcio Lara, em que os estudantes não sabiam cantar o Hino Nacional.
O problema do trabalho. Nós, às vezes, temos dificuldades em engajar todos os jovens no trabalho. Não porque não haja trabalho. Aqui há trabalho suficiente para todos os angolanos.
Teremos de resolver problemas como o da habitação. Os jovens a uma determinada idade, querem casar. O problema do casamento, por vezes, é complicado porque não há casa, não há habitação. Como resolver, agora, o problema da construção de um lar?
As nossas raparigas, uma boa parte nas cidades, o que faz a partir de uma certa idade? Começa a pintar os olhos e a colocar-se à janela a ver se alguém olha para ela. É uma esperança de resolver uma situação.
Ora, isto não pode ser. Isto é porque não há respeito pelas jovens. Não há respeito pelo sexo feminino. Consideramos, sempre, que são inferiores.
Agostinho Neto. 17 De Outubro de 1978. Discurso na abertura da 1ª conferência nacional da Jmpla-Pt.

O que é que nós queremos no Zimbabué? Aqui eu creio que o mundo está um pouco confuso, não sabe bem o que é que nós estamos a defender no Zimbabué.
Os objectivos do Zimbabué parecem não estarem bem definidos para o povo Zimbabueano através dos seus líderes.
Agostinho Neto. 18 De Outubro de 1978. Entrevista à TV Búlgara.

Os órgãos do Governo não cessam de perguntar aos dirigentes, como é que nós podemos satisfazer as necessidades mais prementes do povo, neste momento.
Dentro de dez, vinte, trinta anos a situação será completamente diferente.
Segundo a bíblia, deus tirou um pouco de barro do chão, fez uma figura de homem e, depois, assoprou… e, aquela figura, começou a respirar. Bom, a nós, parece-me, falta assoprar. Falta-nos o sopro.
Havia o Chefe do Governo, depois um colaborador do Chefe do Governo e, depois, três colaboradores do colaborador do Chefe do Governo e uma quantidade enorme de directores nacionais, que faziam com que um papel que devia chegar, no mesmo dia, a uma repartição, chegasse só dentro de três ou quatro semanas, depois.
O Comité Central decidiu eliminar, na estrutura governamental, o posto de primeiro-ministro e os postos de vice-primeiros-ministros, para que o Chefe de Estado possa contactar, directamente, com os ministros, em qualquer altura, sem necessidade de intermediários.
Esta medida, como não podia deixar de ser, produz várias reacções, uns ficam alegres, outros ficam tristes. Mas a alegria e a tristeza são factos que nós vivemos todos os dias. E o que é mais importante é que é preciso, de facto, resolver os problemas do povo. Isso é que é o mais importante.
Nós olhamos para a direcção de toda esta máquina governativa e… pensamos que há funcionários a mais nos Ministérios. Vamos diminuir o número de funcionários nos Ministérios para irem para as províncias.
Sobre a defesa da legalidade. Quer dizer que nós fazemos leis, nós fazemos decretos, fazemos despachos e nem sempre a sua execução é controlada, do ponto de vista jurídico. Há muitos atropelos à lei.
Devemos organizar, junto do Presidente da República, uma Procuradoria-Geral da República, um Procurador da República que possa indicar onde é que os direitos dos cidadãos são violados, por este ou por aquele organismo, para que o Presidente da República possa actuar quer reprimindo, quer exercendo qualquer espécie de acção em relação a esses mesmos organismos.
Agostinho Neto. 10 De Dezembro de 1978. Discurso no acto central do 10 de Dezembro.
Gil Gonçalves

Seguranças


Onde há muitos seguranças é porque há muita insegurança. São estátuas humanas empertigadas para segurar o que se rouba, o que não se dá aos esfomeados. Parei junto a dois, ouvi diálogo edificante.
- … Filmei tudo! Mandaram-me lá fazer serviço de emergência nessa noite.
- Põe no play.
- Porra! Custa aceitar.
- Oh, fala lá meu!
- Nunca pensei ficar assim destoado.
- Que coisa? Já estou desassossegado!
- Foi na Ilha… casais…de marido e mulher… elas afastavam-se, a pôr o pé na estrada, como leoas berrantes que atraem a caça noctívaga. Os carros paravam com olhos de lince, surripiavam uma, o marido esfregava as mãos de contente, aclamava feliz: «já levaram a minha! Já levaram a minha!». Quando a outra se contentava, estava com sorte, o consorte rejubilava: «Hoje vou encaixar cerveja!». Elas faziam rapidinhas o serviço social, e entesouravam nos maridos.
- Eh! Eh! Bem feito! Acreditámos nas promessas dos Senhores do Petróleo … vamos desesperar outros colonizadores.
- Ó meu, novos colonizadores novas linguagens.
- E eles sabem falar a nossa língua?
- Não! Temos que aprender a língua deles.
- E vamos ter tempo para estudar tantas línguas?
- Para quê? Temos a linguagem corporal.

Para ferver as mágoas do sistema nervoso central, cumpliciaram numa bebida transparente que uma vendedora esquinava.
- Senhora, passa aí duas bombas.
São dois saquinhos de plástico transparentes, onde bem visíveis saltam letras maiúsculas: Bad Whiskey. 43% Volume. Rápidos, entornaram a uíscada pelo túnel estomacal. O lirismo invadiu-os. Descolaram mais dois saquinhos que emborcaram. Os desejos reprimidos extravasaram.
- Porra pá! Esta merda é demais!
- Puta que o pariu!
- Hum, se alguém me chata, vamos se matar!
- Apetece-me uma pistolada!
- Eu também!
- Vamos se torrar!
As palavras espumavam bucais nos antes pacatos servidores dos bens alheios. A desfaçatez estonteou-os.
- Ó senhora, bombeia mais dois. Pagamos amanhã.
- Já estão admirados, desestruturados, os olhos orbitados… não vão reassegurar a empresa?
- Quero lá saber da empresa.
- Vamos se encostar no quarto mundo do passado, no presente, sem futuro. Temos direito a beneficiar de uma quota mensal dos rendimentos petrolíferos mas, os que fingem que nos governam são nacionais, e nós estrangeiros.
Gil Gonçalves

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Matadouro Petrofaminto


A
Jorge Eurico
timbrado e aprumado


Grande parte das dificuldades das organizações comunitárias nesta área resulta não da falta de vontade de fazer as coisas, mas das mais diversas manipulações jurídicas e políticas que sofrem, quando não de ameaças dos especuladores imobiliários.
In Políticas Municipais de Emprego. Ladislau Dowbor http://www.dowbor.org

Muitos… muitos milhares de jovens deambulam. Como aves com asas feridas, porque o caçador atira a esmo, diverte-se. A facturação dos biliões petrolíferos sobe, o desemprego também. Novas ruas novos nomes: rua dos desempregados, apinhados. Futuros continuadores da involução Petrofaminta. Desaprumados, descuidados nos estudos, mas muito estudados por psicólogos. Desprezados pelas ciências humanas, morais e sociais. Apoiados por pretensa ciência mas, lentes na ciência penitenciária. Futuros trapeiros patriotas, neófitos vendedores de tralhas para aquecer. Os cavaleiros andantes nas justas pela Libertação descuidaram brechas da neocolonização. Não olvidaram o propositado buraco negro da aldeia global, a senda triste da eterna escravidão, campo de concentração neocolonialista.

É vitória certa ruminar que não há emprego para ninguém. É uma constante nacional noticiar mais desemprego. É uma mais-valia, um valor acrescentado. Despedidos porque a empresa faliu, sumiu, ou há trabalhadores a mais… Mil e mais uma estratégia sem lei nem rei, para trabalhadores autónomos, que do pé para a mão, vão para o olho da rua, onde não há minas petrolíferas nem diamantíferas.

Os Petrofamintos lixados emparceiram com rebuçados, bolachas, cigarros, e cacarecos que as esposas remendam. No mar de lama da magnitude da globalização empresarial, peixe graúdo abocanha peixe a miúdo.

O polícia, monta guarda e aguarda vítima num mercado de rua. De vez em quando volteia, passeia, pára. De olhar frouxo repara, enquanto descansa o peso dos braços nas mãos enlaçadas, nas costas coladas. Está armado e equipado. O telemóvel espalha sem som nem tom o seleccionado timbre horripilante arquivado. À velocidade de cágado dormente desenlaça uma mão, solta o telemóvel da cintura, petrifica-se. Está colocado pelos Petrofamintos.
- Passa o telemóvel!!!

É um dia de juízo para a polícia. Chegou um carro patrulha com seis polícias diligentes. Apeados, encafuam-se nas ruelas. Um tenro Petrofaminto alarma a combinação. Culpados e inocentes dão nos cascos. A terra freme como cavalos de corrida num hipódromo. Os incansáveis vigilantes dos dias e das noites, polícia não dorme, aprofundam-se, aferram-se nos labirintos. A missão seja ela qual for, é sempre para repor a legalidade.

Enquanto aguarda pelo restabelecimento da lei, o motorista afunda-se no assento com as mãos na nuca. Ficou, pachorrenta sentinela na viatura. Atira uns réditos para uma donzela, bem nutrida de carnes frescas. Ela não dá cavaco. O vencimento de polícia está num escalão tão baixo que não dá para comprar um sutiã. Ela pisca-lhe os olhos com tal intensidade, que parece que o circuito de voltagem óptico se desregulou. Ele não entende a mensagem semafórica, acredita que ela está no ponto nevrálgico. A carne quente dele rejubila, solta o verbo.
- Estamos muito quentes, vem, vamos arder!
- Burro! Os bombeiros chegaram….
Os Petrofamintos retornaram, cercaram-no à má cara. Crianças com armas de guerra aperradas, e armas brancas afiadas, dos filmes imitadas, cópias de segurança efectuadas. Ainda não tem noção do matar, do coração parar. Por isso matam, como se fosse a brincar. No abandono da inocência pedem meças:
- Sai daí, vamos dar uma volta, depois regressamos!
E foram passear, dar umas voltas pela cidade com as deselegantes da mesma idade.

- Mentor, este conflito entre Petrofamintos, novos-ricos e especuladores imobiliários, alimenta o ciclone sul-africano, e realimenta um mais poderoso ciclone angolano.
- Dou o meu acórdão. Nos bairros os Petrofamintos disputam a invisível força armada da defesa civil militarizada. Sem abrir concurso, os Petrofamintos impõem soirée até à matina.
Gil Gonçalves

A Lenda do Uirapuru


A lenda do uirapuru é interessante.

Dizem que no Sul do Brasil, havia uma tribo de índios, cujo cacique era amado por duas moças muito bonitas.

Não sabendo qual escolher, o jovem cacique prometeu casar-se com aquela que tivesse melhor pontaria.

Aceita a prova, as duas índias atiraram as flechas, mas só uma acertou o alvo. Essa casou-se com o chefe da tribo.

A outra, chamada Oribici, chorou tanto que suas lágrimas formaram uma fonte e um córrego.

Pediu ela a Tupã que a transformasse num passarinho para poder visitar o cacique sem ser reconhecida.

Tupã fez a sua vontade. Mas verificando que o cacique amava a sua esposa, Oribici resolveu abandonar aqueles lugares.

E voou para o Norte do Brasil, indo parar nas matas da Amazônia


Para consola-lá, Tupã deu-lhe um canto melodioso. Assim canta para esquecer as suas mágoas, e os outros pássaros quando encontram o uirapuru, ficam calados para ouvir as suas notas maravilhosas.

Por causa de seu canto belo, chamam de professor de canto dos pássaros

O uirapuru (Leucolepis arada) é o cantor das florestas amazônicas. Seu visual não é dos mais atraentes, normalmente tem a cor verde-oliva com cauda avermelhada, entretanto tem um canto tão lindo, tão melodioso que os outros pássaros ficam quietos e silenciosos, só para ouvi-lo.

Todavia este canto somente pode ser ouvido 15 dias por ano, na época em que constrói o seu ninho.

Não bastasse isto, ele canta somente ao amanhecer, por 5 ou 10 minutos.

Neste pássaro o real e o lendário se confundem, dizem que ele não repete frases musicais.

Por todas estas qualidades os indígenas e sertanejos acham que ele é um pássaro sobrenatural.

Na verdade o seu nome quer dizer: "pássaro que não é pássaro".

Depois de morto o seu corpo é considerado um talismã que dá felicidade a quem o possui.


Para os tupis o uirapuru é um deus que toma a forma de pássaro e anda sempre rodeado de outros, a ele atribuem a virtude de conduzir um refluir de pessoas à casa de quem possui um deles .

http://www.uirapurumidis.hpgvip.ig.com.br/lenda_do_uirapuru.htm
Imagem: Vikipedia.




Discursos Políticos (V). Agostinho Neto


Nós vimos como em vários serviços, em várias repartições públicas havia atitudes que coincidiam perfeitamente com as atitudes dos fracçcionistas.
Nós vimos que foi utilizada uma determinada estratégia e que eram determinadas tácticas. Indivíduos que evidentemente se mostravam muito amigos do Movimento, muito militantes dentro do Movimento, no fundo faziam trabalho contra o MPLA.
E os estrangeiros que não foram capazes de fazer a Revolução na terra deles, vêm fazer a revolução em Angola.
É fácil, aproveitar o descontentamento, o difícil é revolver os problemas. É fácil criar obstáculos, o difícil é dirigir um processo revolucionário.
Não podemos por exemplo, ter numa empresa, grupos de acção que não tenham autoridade política junto das comissões sindicais. Isto não pode ser, e se acontece, a única coisa que nós podemos fazer é dissolver as comissões sindicais. A orientação tem de ser do MPLA. E vamos seguir esta linha firmemente. Que não haja organizações paralelas dentro do País. Quem comanda aqui em Angola é o MPLA
Todos tem o direito de reunir, desde que os objectivos sejam justos, e desde que estejam completamente controlados por qualquer organismo do MPLA.
Agostinho Neto. 12 De Junho de 1977. Discurso sobre o fraccionismo

No Zimbabué há exploração, há dominação e abuso de um determinado grupo social sobre o povo do Zimbabué. Esse povo não pode suportar mais a escravidão.
Sobretudo, pensam em instalar o neocolonialismo em cada país africano. Felizmente, Angola não poderia entrar, não entrou, no seu esquema.
Agostinho Neto. 14 De Junho de 1977. Discurso na abertura da reunião do
Comité de libertação da OUA realizada em Luanda.

Trabalharam noite e dia. Não descansaram. Trabalharam arduamente para conseguirmos os resultados que hoje são a glória deste Congresso, são a glória do MPLA-Partido do Trabalho, são a glória do Povo angolano.
Agostinho Neto. 10 De Dezembro de 1977. Discurso no encerramento do 1º Congresso do MPLA.

Uma das consequências da falta de liberdade é o subdesenvolvimento económico, científico, técnico e cultural.
Os países explorados tornaram-se economicamente débeis e em muitos casos, lançados numa situação caótica que os obriga a retomar ou a continuar a sua dependência dos outros países mais desenvolvidos.
Libertar é transformar pela violência uma ordem social estabelecida por minorias.
E por isso mesmo libertar uma sociedade, é fazer a revolução.
É preciso libertar o Homem não só do esclavagismo colonial, mas ainda de qualquer forma de dominação social no interior de cada país. Nenhuma classe deve poder explorar outra.
Agostinho Neto. 20 De Janeiro de 1978. Discurso na Universidade de Ibadan, Nigéria.

Em Angola, por exemplo, 85% da população vive no campo e é camponesa. Se desprezássemos esta realidade, cometeríamos um grave erro.
Põe-se agora o problema de saber, para garantir o triunfo da Revolução e após a libertação política, quem deverá dirigir o País, para extinguir para sempre a exploração do homem pelo homem.
Pensamos que não necessitamos de passar pelo capitalismo nacional.
Não pretendemos refazer, em Angola, uma classe exploradora qualquer, nacional ou estrangeira
Porque, qualquer explorador é explorador, esta é a sua característica principal. Não importa a cor, ou a sua nacionalidade.
A nossa Revolução é dirigida ao bem-estar da pessoa humana.
Agostinho Neto. 20 De Janeiro de 1978. Discurso na Universidade de Ibadan, Nigéria.

Uma delas, a mais importante neste momento, é a económica, é base material que une os homens, enquanto que a área idealista divide os homens e as nações.
O nosso colega e amigo, Camarada Presidente Sekou Touré exprimiu, muito concretamente, a ideia da organização do nosso Mercado Comum Africano. Aplaudo a ideia. Estou absolutamente de acordo com ele.
Agostinho Neto. 18 De Julho de 1978. Cimeira da OUA, Kartum
Gil Gonçalves
Imagem Vikipedia

Cultura Tradicional Bantu (V)


Os Quimbundos de Luanda conhecem os «quituta» que vivem nos rios, bosques, rochas, fontes. Podem aparecer em forma de cobra com chifres ou de monstro horrível e encarnar através do pai ou da mãe. Também acreditam nas «quiandas», sereias que aparecem na forma de pessoa, costumam ocasionar deformações físicas.
Os génios fixam o seu habitat em lugares e árvores especiais. Para vários angolanos, alguns embondeiros gigantes, os baobás, ficam sacralizados com a presença de génios bons e protectores, e constroem ao pé deles pequenas cubatas-santuários onde lhes oferecem culto. Era frequente dependurar os cadáveres dos feiticeiros dos seus ramos, para que os génios impedissem as suas acções nefastas.
Controlam muitos lugares da natureza, quando habitam neles, bem como as actividades humanas nesse meio.
Há génios no ar, na chuva, na tormenta, no fundo da terra, nas selvas, lagos, rios, nas nascentes, na caça e pesca, nas culturas, viagens, estepes e até nas enfermidades misteriosas.

Também é certo que, depois duma história de guerras, epidemias, fomes, escravidão e enfermidades endémicas, já se habituaram a morrer. A mortalidade é tão elevada e a morte tão imprevista que se lhes tornou familiar. «Esta familiaridade com a Morte é também uma herança africana».
Fatalismo irremediável, resignação, gozo pela passagem, diminuição do ser, mistério e absurdo, desgraça, impotência, transtorno social, consumação, nova realização individual e comunitária, revolta perante um violento desastre antinatural, segurança, receio? Nenhuma destas definições esgota o sentimento bantu ante a morte, mas parece que, no seu conjunto, a definem.

Causas da morte
Os assassinatos são muito raros. Abunda todavia a vingança mortífera do veneno. A maioria das mortes derivadas de consultas ao adivinho são provocadas por fulminantes drogas venenosas.
A origem mais é a feitiçaria. O bantu acredita que algum membro da comunidade, dotado de poderes mágicos ou que deles se apoderou, fulmina a vítima e permanece oculto.
Os familiares do morto recorrem ao adivinho para que descubra o feiticeiro criminoso. O adivinho apresenta um espelho, uma faca e uma cabaça com água, em cujo interior repousam pós vermelhos. Sentam-se na espessura da floresta. O adivinho chama com uns assobios produzidos por um chifre de cabra ou antílope, com palavras esotéricas e gestos cabalísticos, o feiticeiro. Em seguida, no espelho, por vezes na água, aparece a cara do defunto e a seu lado outra pessoa. É o feiticeiro causador da morte.
O adivinho mergulha a faca na água que se tinge de vermelho. Simboliza o sangue do feiticeiro que morrerá, ainda que se encontre longe. De facto, a sua morte realiza-se ou por acção dos familiares ou por acção de algum dos secretos cúmplices do especialista.
Utilizam o veneno como arma mais frequente, discreta e eficaz. Asseguraram-me muitos, porque viram, que o espelho reproduz as imagens. Será necessário apelar para o enorme poder de sugestão que a milenária experiência sedimentou nos adivinhos bantus ou para poderes parapsicológicos de que fazem gala muito amiúde.
Outras vezes, dependuram o cadáver, atado de pés e mãos a um pau ou colocam-no numas andas. Dois ou quatro homens passeiam-no pela aldeia. Diante de toda a assistência silenciosa e aterrada, o adivinho pergunta ao cadáver: - Quem te matou?
O cadáver quase sempre se detém diante duma pessoa e se move bruscamente. Não há dúvida, aquele indivíduo foi o feiticeiro.
Estas práticas originam vinganças, arbitrariedades, abusos e um medo generalizado. É que o acusado não pode apelar, visto que o bantu admite um tipo de feitiçaria inconsciente, como vimos, e, além disso, nunca pode demonstrar a sua inocência ante uma prova tão irrefutável prestada desde o além-túmulo por um defunto ou seus antepassados.
Acusam em especial os indivíduos anti-sociais, misantropos, apáticos, defeituosos, irascíveis, a quem os familiares ou o adivinho odeiam, e os mais ricos. Realizam assim uma assepsia social e uma circulação de bens.
In Cultura Tradicional Bantu. Pe. Raul Ruiz de Asúa Altuna. Edições Paulinas
Gil Gonçalves
Imagem: http://www.macua.org/livros/olhar1np.html

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Eleições geneticamente adulteradas


África dos Celacantos

Quando Keneth Kaunda, ex. / Presidente da Zâmbia, afirma convicto que no Zimbabué, para terminar a contenda das eleições presidenciais, que a solução final é fácil: basta o futuro presidente Morgan Tsvangirai limitar-se a aceitar o cargo de primeiro-ministro, e o perdedor, derrotado, Robert Mugabe, continuar como estava, como está… presidente.

Keneth Kaunda, denota senilidade, mas não quer ir para o desencontro final com os antepassados só. Outros como ele, permanecem inalterados, geneticamente neolíticos, cientificamente fósseis celacantos.

Keneth Kaunda, decerto recebeu ordenanças do seu irmão angolano, José Eduardo dos Santos, que se adivinha perdedor, mais um, das próximas eleições presidenciais, que cairão certinhas, em Isaías Samakuva, ou Filomeno Vieira Lopes.

Com isto temos mais uma grande maka:
Nota-se que existe um subterfúgio, para declarar que as reeleições na África Negra não têm valor.

É mais uma grande maka:
Querem-nos reenviar para o sistema tribal, para as suas tribos.

Mais uma maka:
De facto, acercamo-nos dos mabecos. Para quê reutilizar eleições? Perder tempo, bwerere de mortos e abutres na peugada perseverante dos sobreviventes, condenados pela fome devidamente institucionalizada, africanizada.

Grande maka:
Estão totalmente, adulterados geneticamente, porque os seus chips têm deficiências de fabrico… nem com Control+ Alt+Del. As memórias SDRAM estão corrompidas, e no mercado já não existem sobressalentes. No teclado neuronal, cerebral, a tecla Esc desapareceu, escapou-se.

A vitória final da grande maka… é certa!
Os exemplos sucedem-se. Quem depois se interessará em reinvestir na magia cerimonial da África Negra? Eles… sempre os mesmos… basta telemovar para os construtores das Idades Médias da Somália, Darfur, Quénia, África do Sul, Zimbabué, Etiópia… já chega, e… Angola.

Quando no futuro as máquinas do tempo funcionarem, regressaremos no tempo, para trás, e acompanharemos esta espécie humana no seu trajecto inevitável, para a universidade dos eternos idiotas permanentes.

Gil Gonçalves

Cultura Tradicional Bantu (IV)


Feiticismo
Os Portugueses, desde os primeiros contactos com os povos negro-africanos que estes adoravam feitiços e ídolos. Filipo Pígafetta e Duarte Lopes, na sua Descrição do Reino do Congo, publicada em 1591, afirmavam: «E vimos inúmeros objectos, pois cada qual adorava o que mais gostava, sem regra nem medida, nem razão de qualquer espécie… Escolhiam, como deuses, cobras, animais, pássaros, plantas, árvores, diversas figuras de madeira e pedra, e imagens que representavam estes seres já enumerados, pintadas ou esculpidas em madeira, pedra ou outro material…
Os ritos eram variados, mas todos cheios de humildade, como, por exemplo, ajoelhar-se, prostrar-se de rosto em terra, cobrir a face com pó suplicando ao ídolo e fazendo-lhe oferenda dos bens mais estimados. Também tinham bruxos que os enganavam fazendo crer a esses ignorantes que os ídolos falavam.»

Ao formar as categorias dos seres existentes, eles raciocinaram por “exclusão”. Se não, vejamos: o Pré-Existente não encontra lugar na lista. Não é nem “Muntu”, homem, nem, “Kintu”, coisa, nem “Hantu”, localização, nem, com mais razão, “Kuntu”, modo de ser.

A. Kagame insiste em que o Deus bantu não pertence à categoria de «ntu» (ser finito): porque a noção do ser não é unívoca, e sim análoga.

Embora seja mais comum chamar a Deus de Pai, em alguns grupos aparece como Mãe. Um velho soba quimbundo chamava sempre a Deus «Mama Nzambi» (Deus-Mãe) e não «Tatá Nzambi» (Deus-Pai), que seria o comum.

Referimo-nos apenas aos nomes usados em Angola. A denominação mais comum na área banta e empregada em 24 línguas é a de Nzambi, com estas variantes: Nyambe, Njambi, Nzambe, Nzame, Nzama, Njambe, Nsambi, Tshambe, Inambie, Inandzambi, Nhambe e outros.

O. Ribas afirma que deriva de «Kuzamba»: «presentear (a vida, o mundo)»: «dizer, fazer, executar, modelar, ordenar», isto é, «aquele que cria, fala, organiza e faz».
Pode também originar-se da raiz «Yamba» (recompensar, remunerar). Nzambi seria «o remunerador, o benfeitor», ou do radical «mbi», essência pessoal. Expressaria uma entidade abstracta. Em quicongo chamam-lhe «Nzambi-Mpungu» «o grande, o forte, o todo-poderoso, o perfeito, o bondoso, o imenso, o excelente», talvez, porém, por influência cristã.
De qualquer forma, «o sentido original de Nzambi… permanece obscuro, como diz Van Wing. Não obstante, esta obscuridade será relativamente menos densa, uma vez que os dois significados «dizer e fazer» poderiam referir-se a «criar pela palavra e pela acção».
Outro grupo de nomes provém dos radicais «umba, panga, unda, tongla, ilola e, sobretudo, unga» que dão uma noção de «criar fabricando, dando forma, modelando». Assim «Mbunda, Pamba, Umbumbi, Maunda, Karunga, Kalanga, Katonga, Umbumba e Kalunga».
Kalunga (Deus) aparece em vários grupos etnolinguísticos angolanos, norte da Namíbia, fronteira de Angola (nordeste) com o Congo (Zaire) e em grupos junto ao lago Kivu e lago Tanganica. Kalunga, etimologicamente, significa «aquele que, por excelência, reúne». Em diversas línguas bantus, significa também o mar, o oceano, o infinito, a morte, o rei do mundo subterrâneo ou mar, o que atrai a chuva. Kalunga
Encerra um significado real de Grandeza, Imensidão, Infinidade.
Não há certeza sobre o sentido etimológico dos nomes de Deus «Suku, Huku, Sugu».
Alguns os deduzem do verbo «oku-huka»: sobressair, exceder, sobrepujar. Assim, Deus seria «O Altíssimo, o Excelso, o Grande, o Impenetrável.»
Campbel opina que «Sku» quer dizer: «O que socorre as necessidades de suas criaturas».
Outros opinam que poderia derivar-se da palavra umbunda «esuku» (medula das árvores) ou de «uasuku» (o último). Suku seria, assim, o «primeiro de todos».
Parece mais acertado derivá-lo das palavras, também umbundas, «sekulu» e «ise-yukulu» («o velho dos velhos»),« a raiz dos velhos» Deus seria «o pai mais velho de todos os pais humanos.

Tipo cuvale (Kuvale). Puros pastores nómadas do grupo Herero. Somatologia mista caucasóide-bantu: as tradições e diversos traços culturais acusam origens camitas.

Encontra-se uma infinidade de alusões ao controlo divino do universo. Não duvidam de que é o Senhor do mesmo, o seu dono, que vê e conhece os segredos da criação e do homem. Para Deus não há mistérios. «Os Ba-Nhanekas e os Ba-kumbis designam com o nome de Huku ou Suku… ao Deus invisível que vê o que nós fazemos, ouve o que dizemos, e sabe o que pensamos.

In Cultura Tradicional Bantu. Pe. Raul Ruiz de Asúa Altuna. Edições Paulinas
Gil Gonçalves
Imagem: http://www.macua.org/livros/olhar1np.html

Discursos Políticos (IV). Agostinho Neto


Porque uma vez que o Povo, o Povo angolano, tenha nas suas mãos os meios de produção, este povo pode distribuir, de uma maneira equitativa o rendimento nacional.
O operário trabalha durante anos e anos, e quando já não tiver força para trabalhar não tem mais nada.
Mas, para utilizar essas máquinas, é preciso conhecer, é preciso saber, é preciso estudar.
É porque o país, para poder avançar, precisa de ter quadros que sejam capazes de aprender a utilizar as ferramentas que temos no País.
A produção só aumenta se as máquinas forem boas e se os operários forem bons. Nós hoje podemos pôr tractores em cada cooperativa, será que cada cooperativa tem um condutor de tractores? Será que tem um mecânico? Não, ainda não. Chegamos a um momento em que não podemos avançar sem que haja qualificação dos quadros.
Quem não estuda é um inútil, fica estagnado, da categoria não passa.
Agostinho Neto. 5 De Fevereiro de 1977. Discurso na assembleia de militantes em Ndalatando

Se nós não temos um contabilista numa empresa, vamos encontrar um contabilista. E não digamos primeiramente, que ele é burguês ou que é pequeno-burguês. Nós queremos é as contas. Em primeiro lugar queremos as contas – e desde que ele as faça honestamente não há razão nenhuma para ele ficar afastado.
Houve a certo momento em 1962 um fraccionismo, que foi conduzido por Viriato da cruz, nome que não é desconhecido dos camaradas, mas que produziu a divisão do Movimento, por não querer submeter-se a essas regras de centralismo democrático. Quando se discutia um problema, no Comité Director, ele assumia, sempre uma atitude contra a maioria.
Mais recentemente, (1965/66) um outro grande fraccionismo, que se baseou na tribo, que é o Chipenda. Era membro dirigente do MPLA, estava connosco no Comité Director e, certa altura, foi mobilizar a gente da sua tribo – ele é natural do lobito. Pensava ele que poderia ser o chefe dos umbundos
«Revolta Activa», chefiado por Gentil Viana. Da mesma maneira, dentro do movimento, formou um grupo para combater a Direcção do movimento. Claro que hoje está preso.
Nós temos de combater, sempre e com firmeza, qualquer tentativa de fraccionismo. Isto não pode ser admitido numa organização democrática como a nossa em que há democracia, da base ao topo.
Se esse grupo não se convencer com a crítica, é necessário neutralizá-lo imediatamente.
Agostinho Neto. 5 De Fevereiro de 1977. Discurso na assembleia de militantes em Ndalatando.

Mas teremos de nos esforçar para ver quem é que, no seio do MPLA, pode de facto ter essa honra de pertencer ao Partido. Quem é que terá essa capacidade revolucionária, capacidade política, para poder pertencer ao partido.
Mas será que estamos, de facto, a utilizar toda a nossa inteligência, toda a nossa capacidade de análise para resolver este problema? Eu creio que não.
Será que nós podemos fazer aquilo que queremos? Ou não podemos?
E se a nossa capacidade é pequena o que é que vamos fazer para resolver?
Por vezes, os problemas «acabam» com um telegrama, que se envia à capital e depois fica-se à espera, quando nós próprios sabemos que a capital também não pode resolver esse problema.
Só o poder político não chega, porque fica-se sempre dependente doutrem.
Há inúmeros camiões, automóveis, avariados. Será que nós não podemos cuidar melhor dos carros?
Agostinho Neto. 5 De Fevereiro de 1977. Discurso na assembleia de militantes em Ndalatando.

No MPLA, nós somos um e temos regras para a vida da Organização. Não somos diversos. Somos um ou devemos ser um.
Portanto, quando nós dizemos fraccionismo, significa que alguém dentro da Organização, dentro do país, quis formar grupos que fossem diferentes do MPLA. Ora neste país, o único Movimento que existe é o MPLA e quem defender outro Movimento qualquer, não pode ser tolerado.
Devo dizer aos camaradas – agora já o posso dizer – que alguns deles, alguns que andam fugidos – ou os que estão sob investigação – chegavam às reuniões e, em vez de discutir os problemas que eram inscritos na ordem de trabalho, pegavam num livro e punham-se a ler à socapa. Muitas vezes, tinham sono, dormiam, talvez porque tivessem reuniões de mais.
Primeiramente foi o grupo que se chamava «Comités Henda». Foi eliminado. Depois eram os «Comités Amílcar Cabral». Foram eliminados. Apareceram depois alguns deles, indivíduos que pertenciam a esses dois grupos apareceram numa outra organização chamada «Oca – Organização Comunista de Angola» e também foram eliminados.
Agostinho Neto. 12 De Junho de 1977. Discurso sobre o fraccionismo.
Gil Gonçalves

Meditando no Mpla


No Mpla das ruas marxistas-leninistas.

Quando um partido político genuinamente zimbabueano, faz comícios e fecha as ruas… encerra a democracia.

É o Mpla, no regresso aos bons velhos templos da Idade Média.

Gil Gonçalves

domingo, 8 de junho de 2008

Angola, a vitória final da grande fome

Copm a devida vénia a:
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Portugal terá de se preparar para abrandamento económico angolano


O abrandamento da economia angolana será negativo para as exportações portuguesas, considerou hoje o economista Braga de Macedo, após previsões da OCDE que apontam para uma queda de quinze pontos percentuais no crescimento angolano em 2009 relativamente a 2007.


"Os efeitos do abrandamento da economia angolana terão um impacto indiscutivelmente negativo para Portugal", disse à agência Lusa ex-ministro das Finanças português e professor de economia, que adiantou no entanto que "se a economia angolana continuar a crescer e a aumentar as importações de forma sustentável, isso contribui para criar uma relação mais estável com Portugal".

Em Maio, a OCDE e o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) apresentaram o relatório "Perspectivas Económicas para África 2008", onde calculam que a economia angolana vai cair dos cerca de vinte por cento em 2007 para 11,5 por cento em 2008 e para 5,1 por cento no próximo ano.

As previsões das "Perspectivas Económicas para África 2008", cuja tradução portuguesa é apresentadas em Lisboa na sexta-feira, são mais pessimistas que as do Fundo Monetário Internacional e as que do governo angolano.

Braga de Macedo relativizou a importância da queda no crescimento da economia angolana, lembrando que "o crescimento económico de dois dígitos é apesar de tudo a excepção à regra a nível mundial".

A falta de investimento no sector da extracção petrolífera é o maior travão ao crescimento económico angolano e explica as estimativas da OCDE e do BAD, segundo Braga de Macedo, que liderou até 2004 o Centro de Desenvolvimento da OCDE e preside agora ao Instituto de Investigação Científica e Tropical, responsável pela apresentação de traduções portuguesas das primeiras edições deste relatório.

"Quando existem expectativas de aumento do preço de um bem, investe-se menos", disse o economista, lembrando que são muito poucos os sectores da economia angolana que não dependem do petróleo e que "mesmo que estes cresçam, isso não será suficiente".

O petróleo representa 60 por cento do produto interno bruto (PIB) de Angola e 95 por cento das exportações do país.

"A especificidade de Angola, é a de que acaba por desprezar o investimento noutros sectores da exportação.... Angola especializou-se mais do que seria desejável para a sua população", disse Braga de Macedo.

A mensagem importante do relatório, reforçou, é que o país inverta a tendência de crescimento "contra os pobres", na linguagem dos economistas do desenvolvimento, referindo-se a níveis de crescimento que não têm efeitos proporcionais sobre os mais desfavorecidos.

"Um crescimento de cinco por cento do PIB pode ter grandes efeitos sobre a pobreza desde que seja um crescimento a favor dos pobres, que tente criar empregos e incentivar os sectores económicos domésticos", disse Braga de Macedo.

"Se não se alterar o padrão de crescimento, então é pior. Mas pode haver um ajustamento de políticas que torne o crescimento mais equitativo", concluiu.

Mukanda do Brasil. A grande guerra da fome vem aí


Com a devida vénia a:
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Três quartos da riqueza na mão de 10% dos brasileiros


Três quartos da riqueza do Brasil estão nas mãos de 10 por cento da população e os pobres tendem a pagar mais impostos do que os ricos, revela um estudo hoje divulgado pelo Instituto de Pesquisa Económica Aplicada (IPEA).


"Mesmo com as mudanças no regime político e no padrão de desenvolvimento, a riqueza permanece pessimamente distribuída entre os brasileiros. É um absurdo uma concentração assim", afirma o presidente do IPEA, Márcio Pochmann, ao diário brasileiro Folha de São Paulo, que hoje avança as conclusões do estudo.

Este relatório, a ser apresentado hoje ao Conselho de Desenvolvimento Económico e Social (CDES), destina-se a fornecer elementos para a discussão da reforma tributária no Brasil.

O levantamento indica que, no global, 10 por cento dos brasileiros têm 75,4 por cento da riqueza do país, registando-se entre as maiores cidades brasileiras uma maior concentração em São Paulo (73,4 por cento) e menor no Rio de Janeiro 62,9 (por cento).

No final do século XVIII, ainda enquanto colónia portuguesa, os dados disponíveis indicam que os 10 por cento mais ricos concentravam 68 por cento da riqueza no Rio de Janeiro.

"O dado mostra que o Brasil, a despeito das mudanças políticas, continua sem alterações nas desigualdades estruturais. O rico continua pagando pouco imposto", afirma Pochmann ao diário brasileiro.

A propósito da diferença da carga tributária entre ricos e pobres, o estudo indica que os menos abonados chegam a pagar até 44,5 por cento mais impostos.

A solução proposta pelo IPEA para amenizar o problema é uma tributação exclusiva sobre os brasileiros mais ricos.

Figura da Semana. Nikola Tesla (FIM)




Na continuação de desvendar a conjura da História, nesta semana apresentamos uma das figuras mais enigmáticas da História. Enigmática, porque a maldade dos que fizeram e persistem esquecer, distorcer a História chegou ao fim. As mentiras monstruosas perderam a perenidade.
Gil Gonçalves

QUEM FOI NIKOLA TESLA?
In http://www.umanovaera.com/conspiracoes/tesla.htm

O raio se conservava em um arco estável, embora diferente de um raio comum. E aqui Tesla observava cuidadosamente, porque ele queria ver se a potência iria aumentar, se sua teoria de ondas funcionaria. Logo os relâmpagos tinham seis metros de comprimento, e em seguida, quinze metros. A oscilação estava se tornando cada vez mais poderosa. Vinte e quatro metros – agora trovões se seguiam a cada relâmpago. Trinta metros, trinta e seis metros; o raio subia pela antena acima. Trovões podiam agora ser ouvidos à volta de Tesla (eles foram ouvidos a cerca de 35 quilômetros de distância, na cidade de Cripple Creek). A campina na qual Tesla estava de pé estava iluminada por uma descarga elétrica muito semelhante ao Fogo de Santelmo, lançando um brilho azul. Sua teoria estava certa! Não parecia existir um limite para as oscilações; ele estava criando a mais poderosa oscilação elétrica jamais criada pelo homem. Naquele momento ele conseguiu o recorde, o qual ainda permanece, para raios artificiais. Então tudo parou. As descargas de raios pararam, o trovão se foi. Ele correu para dentro, e descobriu que a companhia de eletricidade tinha desligado sua energia. Ele chamou-os, gritou com eles – eles estavam interrompendo a sua experiência! O capataz replicou que Tesla tinha sobrecarregado o gerador e feito ele pegar fogo, que seus rapazes estavam ocupados apagando o fogo da rede elétrica, e que o inferno esfriaria antes que Tesla tivesse qualquer energia grátis da companhia de força de Colorado Springs novamente!

Todas as luzes em Colorado Springs tinham se apagado. E aquilo, leitores, é para mim o maior feito hack da história. Eu tenho visto espantosos [feitos] hack. O SO [sistema operacional] Atari de 8 bits. O SO Mac. Computadores da companhia telefônica – bem, montes de computadores. Mas eu nunca vi ninguém fazer o maior raio do planeta e desligar a energia de uma cidade inteira, "só para ver o que aconteceria". Por uns poucos momentos, lá em Colorado Springs, ele conseguiu uma coisa jamais feita antes. Ele tinha usado o planeta inteiro como um condutor, e enviou um pulso através dele. Naquele momento do verão de 1899, ele fez história. Está certo, em 1899 – que diabo, perto de um século atrás. Bem, você pode dizer para si mesmo, é uma bela história, e estou certo que George Lucas poderia fazer um danado de filme sobre ele, com efeitos especiais e tudo o mais. Mas isto não é relevante hoje. Ou é? Segure firme o seu chapéu.

* * *

O SDI E A BOBINA DE TESLA

O mês passado falamos a respeito de um espantoso feito hack que Nikola Tesla tinha realizado – refletindo uma onda elétrica através do planeta, em 1899, e fazendo o maior raio artificial já feito. Este mês, deixem-me dar uma pequena fundamentação política. Em outubro último fui ao Hackercon 2.0, uma reunião de hackers de computador, os quais vêm de todo lugar. Foi um fim-de-semana informal em um acampamento nas colinas a oeste de Santa Clara. Uma das mais interessantes recordações do Hackers 2.0 foram as numerosas diatribes contra o Strategic Defense Initiative [Iniciativa de Defesa Estratégica, mais conhecido por Guerra nas Estrelas - N.T.]. A maioria dos locutores afirmava que ele era impossível, mencionando problemas técnicos. Assim, muitas pessoas sentiram-se obrigadas a queixar-se contra o SDI, referindo-se jocosamente à conferência como "SDIcon 2.0". Provavelmente, o ponto alto (?) da conferência foi Jerry Pournelle e Timothy Leary no palco debatendo sobre o SDI. Deixarei a descrição à sua imaginação – foi tudo que vocês podem pensar, e muito mais. Pessoalmente, eu estava perturbado de ver tantos talentosos hackers adotando a atitude de "não vamos nem mesmo tentar". Não foi assim que os micros surgiram. Mencionei a um jornalista da revista Time que, se alguém podia fazer o SDI funcionar, eram os hackers que estavam ali. Eu também acreditava que o maior de todos os hackers, Nikola Tesla, tinha resolvido o problema técnico do SDI já em 1899. O fato ocorreu há muito tempo atrás, e foi tão espantoso, que é bem capaz de ter sido esquecido; descrevi-o no último número [artigo anterior - N.T.]. Deixem-me apresentar meu caso sobre a Bobina de Tesla e o SDI.

O USO PELOS SOVIÉTICOS* DA BOBINA DE TESLA

Você se lembrará que eu disse que Tesla tinha nascido na Iugoslávia (na época, a "Servo-Croácia"). Ele não é desconhecido lá; ele é lembrado como um herói nacional. Vejam o museu Nikola Tesla em Belgrado, por exemplo. Tem sido captadas interferências deste lado do planeta, as quais estão causando problemas nas faixas de radioamadores. Equipamentos radiogoniômetros tem rastreado uma interferência na faixa de SW [ Single Wave - Onda Contínua, geralmente usada para comunicações em Código Morse - N.T.], de duas fontes na União Soviética, as quais são aparentemente duas Bobinas de Tesla de alta potência. Por que estariam os soviéticos mexendo com Bobinas de Tesla? Há uma estranha teoria de que eles estão sujeitando o Canadá a uma interferência elétrica de baixo nível, para causar mudanças de atitude [comportamento]. (Suspiro). Em direção contrária, há uma outra teoria, bem mais crível, que eles estão conduzindo pesquisas em radares "além do horizonte", usando as idéias de Tesla (os soviéticos certamente não irão dizer o que eles estão fazendo). Quando li sobre estes testes, fiquei preocupado. Não acho que eles estão mexendo com controle de atitude ou com radar. Acho que eles estão fazendo exatamente o que Tesla fez em Colorado Springs.

COMPUTADORES E ATERRAMENTO

É tempo de outra discussão sobre aterramento. Considere o seu computador. Você sem dúvida já foi avisado sobre eletricidade estática, e de sempre ligar-se à terra (descarregando a estática para a terra, um escoadouro elétrico) antes de tocar o seu computador. Empresas fabricam spray anti-estática para os tapetes. A [eletricidade] estática tem uma faixa de 20.000 a 50.000 volts. Chips de computador funcionam com cinco a doze volts. A isolação interna é feita para aquela voltagem máxima. Quando eles são atingidos por [eletricidade] estática em um escala de milhares de volts, a isolação é perfurada, e o chip é arruinado. Incontáveis computadores tem sido danificados desta forma.

Leia qualquer manual de chips de memória do PC, e você verá avisos sobre [eletricidade] estática; é um grande problema. Mas Tesla estava trabalhando com faixas de milhões de volts. E sua idéia especial – de que o solo em si mesmo podia ser o condutor – adquire agora relevância, aproximadamente um século após a sua dramática demonstração em Colorado Springs. Então, você vê, em nossa sabedoria nós temos aterrado nossos computadores, para protegê-los da [eletricidade] estática.

Nós sempre assumimos que o solo é um escoadouro de eletricidade. Então, com nosso plugues de três pinos, nós aterramos qualquer coisa – os dois pinos redondos na tomada da parede vão para a fiação de energia elétrica (vivo e neutro); o terceiro, o pino redondo, vai direto para a terra. Aquele terceiro pino é comumente ligado através de um fio grosso para um cano de água [metálico], que efetivamente o aterra.

Tesla provou que você pode aplicar ao chão uma carga terrível, de milhões de volts de eletricidade em alta freqüência (Tesla fez sua enorme bobina funcionar em 33 KHz). Lembrem-se, os relâmpagos que saíam de sua Bobina estavam vindo da onda refletindo-se acima e abaixo pelo planeta. Em resumo, ele estava modificando o potencial elétrico do solo, transformando-o de um escoadouro elétrico para uma fonte elétrica.

Tesla fez sua experiência em 1899. Lá não haviam, à época, computadores pessoais com chips delicados ligados à terra. Se houvessem, ele teria fritado cada um deles, em Colorado Springs. Havia, contudo, um equipamento elétrico ligado, à época da experiência, à terra: o gerador da cidade. Ele podia queimar e dar fim à experiência de Tesla. A causa desta falha também é interessante. Ele queimou por causa do "high frequency kickback", uma coisa que muitos engenheiros eletricistas conhecem. Tesla esqueceu que um gerador alimenta-se de potência, e ele estava energizando-o com alta freqüência de sua Bobina. Alta freqüência rapidamente aquece o isolamento; um forno de microondas funciona pelo mesmo princípio. Em poucos minutos, a isolação dentro do gerador aqueceu tanto que ele queimou. Quando as luzes se apagaram em Colorado Springs, esta foi a primeira prova de que a idéia de Tesla tinha possibilidades estratégicas.

É assustador. Imaginem uma Bobina de Tesla, ocupada bombeando uma onda elétrica na Terra. Deste lado do planeta, ele estava conseguindo raios de 39 metros, os quais possuem um diabo de um monte de voltagem e de corrente. E uma simples teoria de ondas mostrará a vocês que aquela espécie de potencial existe também do outro lado do planeta. Lembrem-se, a onda estava se refletindo para lá e para cá, sendo reforçada de cada vez. A grande questão é: quão concentrado o pólo elétrico oposto será. Ninguém sabe. Mas parece provável que a área alvo no solo do lado mais distante poderia ser sujeita a uma considerável interferência elétrica. E se um equipamento computadorizado é ligado à terra, esperançosamente assumindo que a terra jamais será uma fonte de eletricidade, isso será muito ruim para esse equipamento.

Esta espécie de interferência elétrica torna a estática insignificante, por comparação. E não é preciso muita diferença em potencial de terra para destruir um computador ligado a ela. Descargas de raios causam uma cintilação temporária na voltagem de terra; lembro-me de trocar chips de driver em uma rede de computadores que tinha sido atingida por um raio, quando eu morava em Austin. Imaginem o efeito em relativamente delicados [circuitos] eletrônicos, se alguém liga uma Bobina de Tesla no outro lado do planeta, e submete o solo a abruptas mudanças elétricas. As aplicações militares são bastante óbvias – aqueles ICBM [Inter-Continental Ballistic Missile – Mísseis Balísticos Inter-Continentais - N.T.] no Dakota do Norte, por exemplo. É possível que eles possam ser danificados em seus silos, e a partir de uma distância de milhares de quilômetros. Fazendo funcionar duas ou mais Bobinas, você não tem de estar, tampouco, exatamente do outro lado do planeta. Efeitos de interferência podem dar-lhe os pontos remotos que precisar, com sintonias variadas. Pode ser, apenas pode ser, que os soviéticos não estejam fazendo radares "além do horizonte". Pode ser que eles só estejam se ocupando na leitura das anotações de Tesla. E pode ser que eles estejam sintonizando uma grande e real surpresa com as suas bobinas gêmeas.

"GUERRA NAS ESTRELAS" E A BOBINA DE TESLA

Vocês já ouviram sobre a Strategic Defense Initiative [SDI], ou "Guerra nas Estrelas". Nós estamos procurando por uma maneira de parar um ataque nuclear. Exatamente agora, estamos tendo toda espécie de projetos de pesquisa em alta potência, com ênfase em "nova tecnologia". Laser Excimer [excimer - uma molécula diatômica em um nível acima do menor estado energético possível – N.T.], técnicas de destruição cinéticas, e mesmo idéias mais exóticas. Como sabem muitos de vocês que têm escrito programas para computadores, é danado de difícil fazer alguma coisa "nova" funcionar. Pode ser um erro, apegar-se exclusivamente ao "novo". Não seria alguma coisa, se a solução para o SDI estivesse cem anos no passado, no brilho esquecido de Nikola Tesla? Por certo agora nós podemos imobilizar [o equipamento] eletrônico de instalações de metade do planeta. A tecnologia para fazer isto foi conseguida em 1899, e prontamente esquecida. Lembrem-se, não estamos falando aqui de algo vago, ou de teorias não provadas. Estamos falando do recorde mundial de raios, e do inventor daqueles sistemas de energia que acendem as luzes de sua casa à noite.

A BOBINA DE TESLA FUNCIONA.

Tudo que temos que fazer é construí-la. Você pode não acreditar na história sobre Tesla em Colorado Springs, e no ele fez. É realmente espantosa. Por causa dela, ele foi esquecido. E não tenho certeza se você quer ouvir sobre a conexão SDI. Mas, quando você trabalhar em um computador, deve lembrar dele. Sua bobina de Tesla fornece a alta voltagem para o tubo de imagem [monitor] que você usa. A eletricidade para o seu computador vem de um gerador de C.A. de Tesla, enviada através de um transformador, e chega à sua casa através de um transformador de força de três fases de Tesla. As invenções de Tesla... elas ainda estão por aí...



* Este texto foi escrito à época da antiga União Soviética [Nota do Tradutor]

[Nota do editor americano:]

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Chuck Henderson

Texto com Copyright. São reservados os direitos sobre a tradução.

(Texto traduzido por LGA).
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