terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Os estádios do nosso desenvolvimento (Fim)


Milhares de trabalhadores despedidos, depois vêm a inocente afirmação de que o crime é um fenómeno. A intolerância zero e o combate à corrupção são ineficazes porque se aplicados significam o fim do MPLA. De qualquer modo com tal dimensão de analfabetismo e feitiçaria impossibilitam-se os remédios para as doenças sociais. A única preocupação prevalecente é furar Angola à procura do precioso líquido. Não, não é a água, é o petróleo. Mais que isto é só conversa, nada mais se faz neste marxismo-leninismo petrolífero.

E Luanda é a campeã mundial do CAN 2010 dos apagões. Apagões e curto-circuitos marxistas-leninistas. A nossa energia eléctrica ainda está no comunismo primitivo. Mas, com as nossas sinergias revolucionárias atingiremos, demore o tempo que for necessário, os píncaros do marxismo-leninismo. Sim, o nosso Politburo é unânime: o bem-estar do nosso sacrificado povo será almejado. Triunfaremos nas melhorias, nas condições sociais, no fim da pobreza.

O nosso povo é sábio, e sabe que nós sabemos que só o marxismo-leninismo nos guindará para a estratosfera. Sob a clarividência do nosso guia eterno, até o Universo se nos renderá. A nossa luta é contínua e venceremos porque somos guiados, reforçados agora por dois deuses. Um marxista-leninista e outro católico. E desfolharemos o tal jornal que constantemente nos lança para as cordas do ringue convencido que acabaremos por desfalecer. Mas não, a nossa luta contra essas folhas prosseguirá até à última folha, à última página. Se necessário lutaremos capítulo por capítulo. Mas capitular isso nunca, jamais.

«Importa salientar que o Jornal Folha 8 tem pautado a sua acção informativa no exercício de um mau jornalismo, assente na ausência sistemática de rigor, seriedade e responsabilidade editorial. Trata-se, assim, de um jornalismo sem idoneidade editorial. Ao persistir na produção de textos cujos conteúdos mostram uma tendência clara para o atropelo aos fins gerais da comunicação social, o Jornal Folha 8 viola deliberadamente os limites da liberdade de imprensa de forma clara e desafiante.» In http://cncs-angola.blogspot.com/

Eis William Tonet, director do semanário angolano FOLHA 8. O jornalista angolano mais premiado de sempre. Distinguido com oitenta prémios pelas várias entidades da governação angolana ou a ela ligados.

De repente dei comigo a pensar como nascem os terroristas: Quando na democracia os injustiçados, e são aos milhões, clamam por justiça e não são contemplados, muito pelo contrário permanentemente desprezados. O que é que esperam?! É o sistema democrático que precisa de reformas urgentes. A democracia é elitista, só funciona e protege os ricos e espoliadores.

Até quando pactuaremos com os falsos democratas que fabricam a democracia e o terrorismo?! Até porque depois de uma ditadura, segue-se outra. É isto que a China, por exemplo, renova, impõe ao Mundo. Com a condenação a 11 anos de prisão do democrata chinês Liu Xiaobo, ainda muitos países rejubilam com tal feito. Especialmente em África e muito naturalmente em Angola.

Vejam o que fizeram à nossa democracia. Na realidade os capitalistas alteraram-na, adulteraram-na. Só os capitalistas milionários e os novos-ricos são exímios democratas. Hoje a democracia é como a religião. É um rebanho de escravos pronto para a imolação no precipício. As democracias fabricam o terrorismo e depois vivem aterrorizadas.

E o entusiasmo pelo Plano C dos estádios é de tal monta que a Teoria da Involução da Espécie Angolense, do renomado naturalista Ngola Darwin, contempla o seguinte: Os luandenses que habitam nos terraços dos prédios, e são muitos, mais do que se imagina, devidamente autorizados (?), só pode, pela governadora de Luanda, Francisca do Espírito Santo, desenvolvem obras nas beiras dos terraços no sentido de as furarem e lá construírem casas de banho. E tudo o que for merdice cairá pelos prédios abaixo. Preparemo-nos pois para brutas epidemias até à extinção final do que resta da raça angolense.

Angola, o templo dos infiéis


Sempre o mesmo partido com mesma partitura e os mesmos políticos sem inovação, permanece a mesquinhez. É um prazer reinar em palácios rodeados de aparatos militares e outros esbanjamentos luxuosos, enquanto nas cercanias andrajosos arrastam-se na vã tentativa da obtenção de uma moeda ou de uma bênção.

A África e particularmente Angola regridem para o tempo da caça aos escravos. Já não existem limites para enxames de irresponsáveis e incompetentes. E nenhum se prende, nem demitido é, porquê?! Porque se renovaram marxistas-leninistas, foras-da-lei. Destruidores de povos e de nações. Promovedores de intempéries, de hecatombes. Como é possível este lixo da História ainda sobreviver? Porque as democracias fedorentas alentam-nos, dividem os despojos com os abutres.

Como é terrificante ver intelectuais acomodados no sistema que já desistiram da luta.

«Kopelipa” Abre Fabrica De Montagem De Mercedes«
Terça, 26 Janeiro 2010 01:26
«Lisboa - O general Manuel Helder Vieira Dias “Kopelipa” esta empenhado num novo projecto que visa abrir em Angola uma fabrica de montagem de automóveis da marca Mercedes cujas instalações irão situar-se no Município de Viana. O principal gestor que da rosto ao projecto é um cidadão português, Álvaro Torre, que até Dezembro ultimo presidia o conselho de administração do Grupo Media Nova.

Fonte: Club-k.net

Para alem da fabrica de montagem , o general “Kopelipa” conta igualmente com uma standard/oficina de venda de Mercedes, no novo bairro, Talatona cujo responsável é um jovem de sua confiança, Estalino.

A experiência mais alta, do General, em matérias de automóveis deu-se em finais de 2007, quando lhe foi confinado a liderança de um projecto idêntico entre a chinesa Dongfeng e a japonesa Nissan para a produção de automóveis na unidade do pólo industrial de Viana, a norte de Luanda. A iniciativa cujo resultados se desconhece previa produzir até 30.000 veículos por ano em Angola, entre carrinhas de caixa aberta, autocarros de pequeno, médio e grande porte, comerciais ligeiros, carros de passageiros multiusos e o jipe Nissan Paladin.

Na altura a CSG Automóvel, empresa financiada com verbas do Fundo Internacional da China, que controla as verbas da cooperação económica entre a China e Angola, já havia encomendado cerca de 2.800 veículos.»

O Cavaleiro do Rei (74. Difícil é andar sob o aguçado fio desta catana. Dum lado o inferno, do outro o inferno. É esta a Nova Vida.


O alguidar abarrota de pão, parece que não conseguiu vender nada. Aparecem três clientes das escolas. Serve o primeiro. O bebé chora, amorosamente encosta-lhe a chupeta do seu mamilo. O cliente entrega-lhe o dinheiro. Inicia uma dança para embalar o bebé. Serve os clientes que restam. Vem mais três, mais um, mais outro. Cada vez que recebe o dinheiro vira-se de costas e dança, agitando o seu magro traseiro enquanto olha enlevada para o seu bebé. Vai-lhe dando palmadinhas no delicado rabinho para exprimir a sua felicidade e a pensar alto:
- Filhinho, hoje não passa fome!
O alguidar está quase vazio. Ela tira um pão, e portando-se como um cliente come também o seu almoço. O negócio hoje deu para comer. Em homenagem à sua beleza um jovem oferece-lhe uma gasosa. Ela bebe e come tão contente enquanto dança imaginando que está na festa da eleição da Miss Angola.

O general esteve aqui fardado. Parece que está com medo. Tinha um segurança militar colocado num canto estratégico, com a pistola pronta para ser sacada. Quatro senhores faziam-lhe observações sobre as obras. Olhámo-nos durante uns momentos. Todos olharam para mim. Apontaram os dedos na direcção do nosso prédio. O general continuou a olhar-me de rosto duro. Deu uma grande gargalhada e exclamou:
- Oh! Essa merda aí?
Bajuladores, todos o acompanharam no riso. Depois foram-se embora. Preocupado contei tudo à Lwena, e acrescentei.
- Vamos embora daqui, vão-nos roubar a casa.
Ela disparatou.
- Vá você se quiser. Vou arranjar uma casa de capim. Não se esqueça do seu filho.
- O almirante já me disse que ele é muito perigoso.
- Oh! Ele está com Sida, costuma ir em tratamento na África do Sul. As moças aqui da área são todas dele. Lembras-te daquela vizinha, a Mitó?
- Aquela ali do outro prédio à esquerda?
- Sim, essa mesma. Está com Sida… Vai-se casar e o marido não sabe. Vai apanhar Sida… dá-me aí esses pratos para lavar.
- Queres-me obrigar a viver na miséria, viver num país assim é viver? Se falamos demais corremos o risco de sermos assassinados. Não tem nenhum interesse viver nesta merda. Que porcaria de vida esta.
- Se quiser ir embora vá, ninguém te obriga a ficar aqui.
- Mas para onde o marido vai, a esposa acompanha-o, não é sua parva?!
- Faça como quiser!
- É muito difícil viver com esta população. Gostam de viver na miséria, na escravidão. Não sabes que estás outra vez colonizada? E que este colonialismo é pior que o outro?!
- Ah! Quero lá saber disso!

O meu filho alerta-me:
- Pai… deixa eles roubarem. Se fazes queixa ao ministro das Finanças vão-te matar.
- Mas ninguém se revolta porquê?! Grandes burros! Mataram o Savimbi, agora não têm ninguém para se desculparem. Nem falam nada sobre os assassinatos selectivos…
- Pai, se continuares assim também te vão matar.
- Sim. Difícil é andar sob o aguçado fio desta catana. Dum lado o inferno, do outro o inferno. É esta a Nova Vida.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A Epopeia das Trevas (106). Para haver democracia é lícito apear o poder ilícito


O governo que não sente, tem olhos e não vê
Tanta cegueira nos palácios doutrinais, governamentais com livros que nunca se abrem
Na visível continuação da idade das trevas
A Natureza evolui, os homens perdem-se na vegetação
das aprazíveis florestas que violentam
Viver no luxo e nos gastos supérfluos também é um crime contra a humanidade
As armas são o símbolo do poder. As mentes desarmadas são valiosas para a democracia
Para votar é necessário que hajam eleitores
Para haver eleitores é necessário que hajam eleições
Para haver eleições é necessário que haja democracia
Para haver democracia é lícito apear o poder ilícito
abandonar futebóis e outros caracóis
Erigir escolas, universidades, com bons professores para que a indigência acabe
Sem universidade não existe liberdade. Existe a incultura da fome

O poder é como um navio
necessita de bons marinheiros, bom imediato e competente comandante
A navegação é garantida na atenção constante do leme e da proa
O rumo da navegação é garantido. Sempre em frente!
Comandante ordene! O navio da governação está pronto!
Para navegar ao ritmo da democracia consolidada à proa, à ré
a bombordo e a estibordo
Por incúria o navio aderna perigosamente e fica à deriva
O comandante e o imediato têm que ser substituídos
A incompetência cede lugar à competência de quem sabe dirigir a embarcação
e conduzir o povo, a tripulação, para porto novo
Não deixemos esta democracia afundar. Não há submarinos para a salvar
Há mergulhadores para nos abismar
Vai, navio da democracia! Navega na calmaria mental
evita os escolhos, vigia de noite e de dia!
Democracia com curto-circuitos é incendiária
A da negligência da vela acesa também o é
quando a governação priva de energia eléctrica
a população

Entretanto os esgotos no caudal da liberdade
passeavam, arrastavam
rumavam o esgotamento democrático

Há democracias de cinco níveis:
1- A curto prazo: a democracia é subvertida por um golpe de estado
2- A médio prazo: as instituições não se adaptam à nova vida
3- A longo prazo: quem desafiar o poder enfrentará
carros de assalto, helicópteros, aviões, e exposições armamentistas
4- Eterna: a democracia é um reino infestado de corrupção, e de violação permanente da Constituição
Como um navio bem pintado, aparelhado exteriormente.
No interior a ferrugem, a podridão. Os ratos corroem o que resta das estruturas. Ao afundar ninguém a bordo se apercebe
5- Democracia nuclear: quem ameaçar, quem não concordar, leva com o arsenal da explosão atómica e tudo vai voar, ficar sem ar

Os estádios do nosso desenvolvimento (2)


Mesmo assim a governação descuidada, à toa, chama-lhe desenvolvimento económico e social., que faz subir o PIB, mas os mais avisados, mais atentos têm razão quando categoricamente garantem que é um desastre económico e financeiro. Uma recessão angolocal. E os políticos acoitados em comités de especialidades sazonais recomendaram ao mais alto Estádio da Nação a construção massiva de estádios por tudo quanto é Angola.

Porque é o método mais eficaz de combate à fome, concluíram sabiamente. Valha-nos Deus que o nosso Politburo é douto. E também pela bênção do braço secular, tentacular, abraçado da Igreja, como os espiões duplos. Ora trabalha contra o regime, ora o favorece. A história interminável dos estádios torna-se um elementar acto de contrição da fé. Mais uma cruzada do bispado, uma pescaria local porque está muito difícil noutra.

Sobre a recolha das assinaturas para contrariarem a hegemonia do hercúleo Plano C, é importante lembrar que as pessoas têm medo de colocarem os seus nomes à vista. Afinal o terror marxista-leninista continua impecável. Nada mudou, pelo contrário fortificou. Daí… elementar meu caro Watson. Até porque o governo angolano recorda sempre os mártires da repressão colonial, mas da repressão actual não. Portanto, isto não é Angola, é uma carnificina.

Necessitamos de uma profunda análise, de lutadores que não utilizem submarinos para atacarem na calada do dia. Porque na calada da noite já era. Os nossos políticos são como alguns submarinos… mergulham profundamente e jamais retornam à superfície. Ficam bem lá escondidos no fundo do mundo. E quando decidem respirar, voltar ao ar livre, muitas armas e algemas os esperam. A viver assim é com certeza um futuro muito violento que renasce.

E os países do controlo reforçado nos EUA que o digam: Por enquanto são catorze. Cada vez se aprofunda mais o fosso entre o mundo e o submundo. Que maravilhoso seria viver neste mundo sem a presença de seres humanos. A bestialidade final espera-nos. Mais uma vez o aproveitamento oportunista das religiões arrasta-nos para mais um conflito inevitável. Entre a ganância de uns e a espoliação de milhões, que bom seria viver sem religiões. E tudo o que existe de errado está na civilização Ocidental que lhe dá origem.

Por isso temos que construir a nossa informação do futuro. Por uma informação ao serviço do Povo, lutemos e implantemos a nossa gloriosa revolução marxista-leninista. Transformemos a novel classe operária da informação, como o exemplo a seguir dos lutadores incansáveis que sem salários dão o seu melhor. A nossa revolução prosseguirá inabalável com tais abnegados exemplos. Vivam os camaradas trabalhadores da gloriosa Rádio Nacional de Angola sem vencimentos! Viva a novel informação revolucionária! O marxismo-leninismo triunfará!

Depois do desabamento da torrencial chuva que afogou a péssima reconstrução dos habituais bairros da desolação de Luanda, o séquito Presidencial inaugurou o estádio de futebol 11 de Novembro que custou 226 milhões de dólares. O séquito do estádio, apesar de estar próximo, não visitou as populações sinistradas do caudal meteorológico. E nos passeios das ruas os formigueiros chineses espoliando a mão-de-obra angolana reparam-nos.

Os angolanos são tão incompetentes, tão inúteis que nem passeios sabem reparar. Governar estádios é preciso, a população ingovernável não. Que estranho é este poder de governar estádios. Governar quatro estádios de futebol é demasiado fácil, governar um país é muito complicado. E a nossa vida vai melhorar… construir-se-ão mais cemitérios.

Imagem: FOLHA 8

O Cavaleiro do Rei (73. Aventureiros de todo o mundo, bem-vindos a Angola. Este Governo saúda-vos!


O eterno problema do mundo é as mulheres?! Não, são os homens!
No futuro as mulheres alcançarão a liberdade total. Nelas se concebem os filhos com a nossa ajuda. No futuro os filhos nascerão em laboratórios sem mulheres. Nascerão perfeitos numa fábrica sem os inconvenientes genéticos da imperfeição. Os homens farão encomendas de mulheres que os amarão verdadeiramente. E as mulheres também. Com isto a maldade acabará para sempre porque todos nascerão perfeitos. O homem ou a mulher encomendarão o par dos seus sonhos, bebé ou adulto, que se fabricará rapidamente. Livre de maldades a humanidade triunfará. O ser humano atingirá a sua pretensão: Ser feliz para sempre.

Está estendido ao comprido no chão. Por cima o anúncio de fundo branco com letras azuis. Governo da Província de Luanda, Direcção Provincial da Juventude e Desportos. As pessoas passam, raramente param, observando o jovem moribundo habituadas à morte que a todo o momento esperam. Como se renascessem de um imenso cemitério de mortos-vivos, para quem a morte nada significa. Observam e seguem caminho na direcção de qualquer porta, de qualquer lugar ou habitação, que na realidade são cemitérios. Milhares de restos mortais do apocalipse desta vida de Angola. O jovem ainda teve forças para olhar para cima e ler o anúncio de fundo branco com letras azuis.

Todos os aventureiros mundiais estão aqui.
Aventureiros de todo o mundo, bem-vindos a Angola. Este Governo saúda-vos!

O Bispo de Malanje disse que a Rádio Ecclésia para chegar a todo o país basta carregar no botão. Certo, mas falta carregar no botão da inquisição do Mpla.

O relacionamento familiar provoca alguns, ou imensos efeitos biológicos no nosso corpo, na nossa saúde. Incluindo as relações com os vizinhos. Estes relacionamentos são importantes para a nossa saúde. Reconsiderem sempre antes de efectuarem qualquer invectiva.
A complexidade da alma humana reside no enigma da alma feminina. Uma mulher é sempre uma incógnita, um ser desconhecido.

Se fosse possível não dormir, não dormiria. Escreveria de noite e de dia.
Creio que trinta anos depois consegui finalmente descodificar as simples palavras de Albert Camus: «Não escreverias tanto sobre a solidão se dela soubesses extrair o máximo» Sim! Não devemos deixar-nos subjugar pelo tempo da solidão, pois que isso nos conduz ao encantamento do estrangeiro na sua pátria. Estrangeiros no nosso lar. Acabando por descobrir que a beleza das nossas Negras é apenas estrangeira na sua pátria, no seu Continente. Uma angolana sem pátria mas contudo globalizada. Já não é negra. A beleza da negra acabou para sempre. O que dela resta está nos ínfimos circuitos dos chips da informação que inventaram para a manobrarem, ludibriarem. E tudo se perde, se extingue, jamais volta.
Acredito que a realidade da afirmação de Albert Camus é um pedido de revolta eterna contra todos os que pretendem que sejamos estrangeiros na nossa própria terra.

Quando aflitivos chamaram-me muitas vezes de Patriota. Na noite da independência guardei as costas de Agostinho Neto. Continuei a arriscar a minha vida por estes sacanas. Depois chamaram-me igual número de vezes… colono. Como podemos confiar nesta gente que ainda nos governa?

Mais uma empresa com auto financiamento. Há quatro meses que não pagam aos trabalhadores. Onde estão os sindicatos? Já não existem, o poder comprou-os.

Olho para a vendedora de pão com chouriço: habitualmente por volta das treze horas a jovem senta-se no parapeito cimentado do jardim descuidado da Angop, Angola Press. À sua direita fica a Direcção Provincial do Ministério da Juventude e Desportos. Tirou o alguidar de plástico amarelo da cabeça e poisou-o à sua frente. Retirou de um braço o pequeno balde plástico azul que serve para acomodar alguns objectos do seu bebé, que o carrega nas costas. É bonita, deve ter aí uns dezassete anos. O penteado deixa cair intencionalmente alguns restos de cabelo no seu rosto. Tem a cor do sol amarelo do fim dos dias que nos restam deste eterno poder faraónico.

Imagem: FOLHA 8

domingo, 24 de janeiro de 2010

A Epopeia das Trevas (105). «Homens inteligentes, com boa cultura politica e jurídica, não passam disso». Impostores que lêem Shakespeare… são assim o


Aderi, sou fã do movimento espontâneo, Vamos Destruir Luanda
Existem campeonatos do mundo para tudo, mas não existe nenhum para a fome
Falta o campeonato do mundo para premiar a melhor ditadura
E torneio para o melhor governo destruidor de casebres
Libertem-me da fome e dominarei o mundo

Estou cansada de chorar, os novos senhores
dos escravos esgotaram-me as lágrimas
Até isso me espoliam
Espero a ordem desnorteada usada para me matarem
dos partidários sem trabalho
onde todos os anos há tiranos
Não era necessário tal terror
na luta armada de libertação
Mahatma Gandhi e a inteligente não-violência, conduziu a independência

Por isso aqui estou desfolhada, desflorestada. Ainda me resta a ossada
no campo de concentração Bantu, concentrada
Fechem, eliminem os campos de concentração Bantus
A orquestra sinfónica Bantu está desatinada
Bantu, não obrigue o seu irmão a morrer de fome!

O dia despontou nas cercanias do Sol
Com tal inspiração que lhe apetecia repintar o Universo
Como um pintor a iniciar a sua tela
Próximo, a água ensaiava passos de dança
Com a areia marítima e a minúscula vida agitava-se,
corria
Procurando sobreviver como eu às inconstâncias
da luta ferida, das mordidelas petrolíferas do dia-a-dia
Como folhas de plantas sempre amarelecidas
tombadas, esquecidas na selva da sobrevivência
humana
O caótico humano despertou, civilizou a vida marítima
que mudou de rumo querendo confundir o Criador
Uma multidão de vozes abandonava-se perseguida pelo cavaleiro apocalíptico da fome
Sempre a cavalgar onde não há corrida e comida
O dia distanciava-se afoito do Sol. Terminou a sua tela
da desgraça para o dia seguinte

Carros sem estradas servem os sistemas alternativos
circulatórios sanguíneos, bloqueios dos becos cardíacos sem saída
Mas são salutares, os tanques de guerra errantes militares
Para me amedrontarem com a dissonância dos evos
Ah! Adoro o tilintar das garrafas com o líquido da nossa perdição
É o povo Bantu de garrafa na mão. Das noites claras e dos dias escuros
Evito o encontro com a tristeza mas ela persegue-me
Sonda-me. A minha cor é diferente, devo passar fome?!
Descobri: a fome é negra! Tudo o que é péssimo é Negro!
Ó Deus dos Brancos! Pintai-me da vossa cor!
Depois do vosso colonialismo, a tirania Bantu

Epidemia de amigdalite e poliomielite silenciou e paralisou a oposição política.
No dizer de Aquilino Ribeiro: «Homens inteligentes, com boa cultura politica e jurídica, não passam disso». Impostores que lêem Shakespeare… são assim os grandes actores»

sábado, 23 de janeiro de 2010

A Epopeia das Trevas (104). As igrejas ajudam-me na miséria. Aviltam-me com o que não tenho, dinheiro


A hipocrisia Ocidental espalha-se por Angola ao ritmo do bigue-bangue
Está muito desenvolvida, até já tem disciplina universitária garantida
Está como os cães que também já não acreditam nos seus donos. Crise de hipocrisia canina
Ladram hipocritamente para os gatunos
Tão cínicos estão que fingem que gostam da comida que o dono lhes dá
E ladram no melhor sono da noite
Prazerosos em acordarem os donos
Ladram óperas
Os donos levantam-se agitados, dirigem-se para os amigos infiéis
As caudas peludas agitam-se. Justificam o ladrar tentando morder o ensonado
dono, fingindo que é um gatuno. Muitos proprietários aperceberam-se do logro
Já não lhes falam, ladram-lhes
A curto prazo uma serenata canídea será uivada

Como querem que acredite em Deus?!
Creio no Grande Deus da Fome. Quando morrer tenho o seu paraíso garantido
Antes de lá chegar aguardo por uma comissão da ONU para me governar

Kilimanjaro, a lenda do enterro do Rei Salomão
Tanta sabedoria deixada, talvez nunca igualada
Tenho que penetrar no fundo do tempo e trazê-lo à superfície

É uma instituição bajuladora que serve apenas para amigos
Chama-se propagação nacional de malfeitores
As igrejas ajudam-me na miséria. Aviltam-me com o que não tenho, dinheiro
Mesmo assim insistem porque senão!.. Deus que tudo vê, vai ficar muito zangado e não me agraciará. Meto-me no dinheiro emprestado para pagar o que não devo, assim mo exigem os abençoados pastores. Depois fome, a interminável cura
Do remediar dos meus males. Jovem precocemente velha
Angolana a morrer de fome e de doenças
Penetro o olhar no fundo da minha alma e vejo:
Chegamos a velhos e antes do derradeiro ai, descobrimos que andámos a vida inteira desgovernados

Não sei porque é impossível encontrar um governo de sábios
Os governos são como as lotarias, como os casinos
Apostamos, não acertamos, perdemos
Paradoxo: populações morrem à fome e aos governantes nunca lhes falta comida
Outro paradoxo: onde não há comida os ratos humanos multiplicam-se
Mais outro paradoxo: onde o ser humano se atrela, doenças e epidemias não faltam
Não consigo entender o porquê do angolano construir e depois destruir
Passa o tempo a edificar e a derrubar
É isso! Não consumimos bebida, ela consome-nos
E as farras, as festas perseguem-nos
As ruas entrevadas por onde passo parecem inundadas por rios de álcool
Parecem peixes, confundem-se com garrafas alcoólicas
a boiarem na corrente sem destino
A nossa existência depende dos vapores, dos volumes alcoólicos
do rodopio no éter
Quando dizemos a um possesso emborrachado:
«Não estás em condições de sair, podes ser assaltado. Não conduzas o teu carro. A polícia vai-te prender»
«Oh! Quero lá saber! A mim ninguém me maltrata, me prende»
E elas acontecem. Depois dos vapores vagamente extintos, os pobres ébrios arrependidos juram nunca mais beberem. Voltam à anormalidade:
«Vou beber só um copito»
Desajeitados como plantas sem água, como antenas parabólicas desdentadas

Neste beber, vejo crianças nascer, brincar, crescer… sofrer

A Epopeia das Trevas (103). Sem leitura não há desenvolvimento intelectual, é por isso que o meu cérebro não funciona


Da soberania mil perigos me esperam, perseguem-me
São estas delícias sem vida
Quando nascemos ficamos, não pisamos
em qualquer terra
Mas é em qualquer lado que morremos, em qualquer terra

Senhor:
Porque escolheste apenas Angola para lançares as tuas pragas
esquecendo, protegendo outros lugares onde os ardilosos se escondem
nesta terra tão vasta
Porque não provocas a doença do sono nos sedentos do poder fácil
nos idiotas e similares
Porque não os hibernas, porque não os pões a dormir, eternamente, congeladamente
Que, prometemos-te que os sensores electrónicos que os vigiam
sofrerão rigorosa manutenção e vigília
Estamos tão cansados de tanto o nosso soberano nos esbofetear
que já não temos mais faces para dar
Já estamos no receio do viver desfigurados. Que faremos Senhor?!
Não sabes?! Não te lembras?!
Cá estamos no cume do cinismo, de tanto fingir
que em Angola existe democracia
Não existimos, fingimos

Falamos, criticamos… e nunca nos cansamos?!
Os românticos abolicionistas lutavam contra a desigualdade
Lutar para abolir a escravidão é uma coisa, a sua formação é outra
Libertarem-me e continuar escrava é puro romantismo
Liberta no cativeiro, cativa da liberdade da chama trémula da vela
Os campos de concentração angolanos são um imenso oceano
Onde só navios da fome navegam

As roupas muito justas no meu corpo sensual
despertam a sensualidade no olhar dos homens
E esquecem as formigas transportando comida na vertical parede
As plantas mostrando a sua beleza ao seu namorado Sol
Perto, restos de uma cadeira comentando a vida passada
de opositores políticos
Crianças saem da escola fugindo da morte
dos velozes automóveis enlatados nas estradas
sem escoamento
A morgue vigia-as. Chegam a casa famintas… espera-as a insaciável fome

O sinal vermelho paralisa os mastodontes metálicos
O verde surge. Lançam-se numa louca corrida pelo capim da selva asfaltada
A História da Humanidade é a história das guerras
para o controlo das matérias-primas. As civilizações desapareceram
devido ao desenvolvimento de armas sempre mais poderosas
Até à descoberta do nuclear. Sempre em conflito com a Natureza
Os idiotas não sabem que ela tem consciência
A revolta final é a revolução da Natureza. Como uma gigantesca empresa de limpeza e saneamento a terra é varrida, limpa da erva daninha humana
A civilização humana termina, outra surge. O ciclo é repetitivo. A Natureza sente-se só, cria humanos para se divertir. Quando cansada dá-lhes com a raquete, como se fossem uma bola de ténis

Sem leitura não há desenvolvimento intelectual, é por isso que o meu cérebro não funciona
Os outros povos avançam e nós recuamos, contentamo-nos em apanhar migalhas que eles vão deixando
De qualquer modo esta é a mais atroz escravidão que ainda não foi devidamente contada. O mais ignóbil acto criminoso de todos os tempos. Exterminar povos. Sob a voz do comando angolano: COMAM A FOME!!!

«Protejo aprova "carta reivindicativa ibérica"»




Movimento Protejo reúne-se este sábado

O Protejo - Movimento pelo Tejo, que integra 26 organizações da bacia do Tejo e um total de 600 cidadãos aderentes, realiza no sábado a sua segunda reunião, para delinear a intervenção para 2010 e aprovar uma “carta reivindicativa ibérica”
Paulo Constantino, porta-voz do movimento, considera ser fundamental transportar para o plano da União Europeia a questão da política de transvases espanhola e o regime de caudais ecológicos mínimos. Deste modo, a “carta reivindicativa ibérica”, que tem estado a ser articulada com associações congéneres espanholas e que deverá ser aprovada sábado, constitui uma base de trabalho fundamental para a acção futura em defesa do Tejo. Nesse documento, os movimentos em defesa do Tejo de Espanha e Portugal “exigem o direito à água em quantidade e qualidade na bacia no Tejo”, recusando “a política de transvases em Espanha”, que, no seu entender, deve e pode ser substituída “progressiva e totalmente”.

“Queremos que a União Europeia faça uma avaliação de impacte ambiental à política de transvases espanhola, como fez ao plano de barragens de Portugal, e que aprove um plano de financiamento para a criação de alternativas. Este plano deve passar por uma gestão sustentável da água, que garanta que cada bacia hidrográfica se basta a si própria, em vez de financiar a construção de aquedutos e regadios”, disse Paulo Constantino. Na carta reivindicativa é, nomeadamente, pedida a supressão da reserva de mil hectómetros cúbicos para transvases do Tejo, prevista no Convénio de Albufeira (assinado entre Portugal e Espanha em 1998), “visto que não existem estes excedentes na bacia hidrográfica do Tejo”, contrariando a Directiva Quadro da Água.

É também pedida a revisão do regime de caudais definido no Convénio de Albufeira, num processo com participação “pública activa”, quer das organizações ambientalistas quer dos meios académicos, e a implementação de um “sistema de monitorização de caudais permanente e on-line, que permita o controlo do cumprimento do regime de caudais ao longo de toda a bacia hidrográfica do Tejo”. Paulo Constantino adiantou que a carta conterá as bases, a enquadrar do ponto de vista jurídico, para apresentação de uma queixa à Comissão Europeia por incumprimento da Directiva Quadro da Água na bacia hidrográfica do Tejo e para apresentação do pedido do “estudo de avaliação do impacte ambiental estratégico da política de transvases em Espanha”. Caso a Comissão Europeia “não fiscalize devidamente” a aplicação da Directiva, as organizações irão apresentar queixa ao Provedor de Justiça Europeu, afirmou.

Na reunião de sábado deverá ainda ser aprovado o plano de actividades do movimento para 2010, que inclui um intercâmbio de movimentos ibéricos em defesa do Tejo (descida do rio desde a barragem de Cedilho até às Portas de Ródão) e a celebração do Dia Mundial da Água (22 de Março) com uma acção para divulgar os projectos em defesa da água existentes no país. As I Jornadas da Água do Tejo, a realizar em Maio, associando aspectos técnicos e científicos a manifestações culturais, uma exposição de fotografia com uma “visão ampla e concreta das crises, conflitos e catástrofes da água”, em Agosto, e uma Marcha Azul da Água do Tejo/Estafeta da Água, mobilizando os cidadãos dos dois países para a defesa do rio, no último trimestre do ano, são outras actividades previstas.

A aprovação de uma "carta reivindicativa ibérica" foi o resultado da segunda reunião do Protejo - Movimento pelo Tejo realizada a 16 de Janeiro, em Vila Nova da Barquinha.
O documento, defendido pelas 26 organizações da bacia do Tejo que integram o Protejo, vai servir de base à apresentação de uma queixa na Comissão Europeia contra os transvases espanhóis.



sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A Epopeia das Trevas (102). O meu ambiente, a vivência diária é um constante filme de terror de Stephen King


Nós queremos ser outra vez colonizados

Tinha uma amizade fortalecida com ele, desde que subiu a ministro não fui mais reconhecida. Somos traidores, traímo-nos

Nestas vagas marítimas fico irreconhecível
Africano quando sobe na vida é o céu, é Deus nas nuvens
Troca os amigos, despreza a amizade por um vulgar automóvel reluzente, acompanhado de mulheres e garrafas de uísque
Voltamos para as ruínas dos nossos templos
Resignamo-nos expectantes na tradição da sanzala, do quilombo
Habituamo-nos à fome, à miséria e aqui não há escadas para subir
É sempre a descer. O chão move-se à espera, na carne seca apodrecida
No procurar nos contentores do lixo as cascas que sobraram dos bananais
E conseguiram que os nossos filhos sobrassem geneticamente modificados estuporados.

Quando chegam, depois da borrasca garrafal, da mistura de aguardentes, oferecem-nos apenas fumo: «Mãe, queres um cigarro?»
Depois de exorbitarem, mal amarem, gastarem o que ganharam
com parceiras amantes que desceram das nuvens da noite
Com os nomes esquecidos em cataplasma. Servindo-se da Bíblia com aleivosia:
«Está escrito: jovem diverte-te». Reforçam: «O meu relógio não tem horas, perdeu o tempo nas noites fartas do álcool»

Podemos nas noites escuras ser claros, transparentes nos nossos diálogos
Então as noites escuras podem ser claras
Como são estranhos e insondáveis os amores de uma mulher

Nasceram num local, algures em qualquer rua
Ele cedo aprendeu a engraxar sapatos para sobreviver
Rapidamente adaptou-se, aprendeu a arte de roubar
Ela cedo aprendeu a vender o seu corpo para sobreviver
Não perdeu muito tempo. Especializou-se no oferecer, no dar prazer aos homens
Sexo é uma arte!
Mais tarde, ele terminou os seus dias a enfrentar, a encontrar
uma bala certeira policial. Assim se foi , não se acertou, desconhecia que podia ao menos ser feliz
Ela mais tarde foi convidada por uma grande amiga
A SIDA, para uma reunião eterna
Faleceu, perdeu a imunidade da felicidade, convencida de que foi feliz
Os jovens hoje deparam-se com a desdita
Bum! Bum! O som das balas carregado de pólvora

Vivo nos telhados dos casebres dos estados falhados
Não tenho nada, não posso defender a pátria
Zelar o que não me pertence. Quando tenho dificuldade para dormir
escuto os políticos da minha Angola. Recebo o remédio eficaz para a minha insónia da prisão, prisioneira no meu país
As estruturas coloniais foram deixadas, estava tudo feito, e nada foi continuado Apenas: «Destruir tudo o que é do colono»
Não basta ter os cofres abastados, se as mentes não foram educadas para os prover. Esgotam-se e apela-se à divinal providência. Confiar no marasmo:
«Há muito dinheiro! Faremos tudo de novo! É mais um barril de petróleo!»
Não podemos industrializar a nossa agricultura porque somos analfabetos
Temos muitos desempregados. As vistas curtas daltónicas, confundem o tractor com um ser humano
O meu ambiente, a vivência diária é um constante filme de terror
de Stephen King

Na conversão da UNITA em diocese já sabemos qual é a sua revelação


A UNITA finge que é da oposição. Para além dela quem mais resta? Apenas alguns engraçados que querem dar nas vistas utilizando a democracia. Mas para a conquistar, a democracia, é necessário lutar, lutar muito, inclusive com a própria vida. Mas, parece que estão outra vez à espera que alguns estrangeiros “burros” se metam nisso. Porque angolano é incapaz. Até nos discursos usam assim umas camisas muito bonitas, especiais…

Angola e os angolanos suportam o destino predestinado da glória eterna da colonização. Para quê perder mais tempo com isto se não existe ninguém que resista a esta opressão. Tem que ser alguém angolano que dê mostras de oposição, de luta contra a ditadura. Não existindo, para quê perder mais tempo com Angola?

Na conversão da UNITA em diocese já sabemos qual é a sua revelação. Desculpem lá mas esta é a verdade sem rodeios. Não existindo “confronto”, a José Eduardo dos Santos não se podem atribuir culpas do estado actual da Nação, do seu assalto à Constituição. Caramba! Mas não existe ninguém em Angola que lhe faça frente? Têm assim tanto medo dele? Porquê?! Porque ele é mais esperto, mais inteligente que toda e qualquer oposição. Perante a infantilidade da oposição reina a astúcia da velha raposa.

Imagem: http://www.chargeseditoriais.com/

Os estádios do nosso desenvolvimento (1)


A oposição está na estadia, estática nos estádios sem oposição em Angola, onde sonha que talvez um dia exista. O MPLA e José Eduardo dos Santos reinarão pelo tempo das pirâmides gizadas e ponto final. Ainda resistem alguns gatinhos de lencinhos que fazem oposição cheios de vaidade, de darem nas vistas, tipo eu sou o único, o bom disto. Miam e dão umas arranhadelas de vez em quando. Uns mios e pouco mais. São oposicionistas da gataria. Só lhes faltam as gatas no cio. Como não mudam o discurso… estão no partido dos insuportáveis. Será por isso que a Igreja e a sua Rádio Ecclesia, agora a Rádio da nossa desconfiança, são fãs do marxismo-leninismo? Os gatinhos vão miando e os ratos vão passando. Consummatum est.

Ainda temos muito que reaprender com os portugueses. Eles lêem muitos jornais desportivos e vêem muitos jogos de futebol. Os angolanos como belos exemplares colonizados seguem-lhes os costumes de país muito desenvolvido no desporto. Há povos que nasceram para serem colonizados. O povo angolano testemunha-o.

E prosseguimos na nossa gloriosa história de Luanda, 35 anos de ruínas. Esses que estão a destruir os prédios é que deveriam serem desalojados e colocados em tendas. Seria um óptimo serviço que a governação de Luanda faria à cidade. Esta gente tem que ser retirada à força o mais rápido possível. No exterior talvez não pareça, mas no interior os apartamentos estão em ruínas. E há quem os alugue mesmo em risco de desabamento. E elas, autênticas misses, então saem todas muito bonitas deixando atrás de si um rasto de destruição.

As árvores já desabam às quatro de uma assentada. Já não suportam mais o mijar de tanto segurança. Luanda é o maior mictório mundial.
Vale-nos a religião: primeiro limpa-nos os bolsos, depois purifica-nos as almas. O governo utiliza optimamente a fórmula eclesiástica: melhorar, mas não solucionar. Mas que destino cruel este a que nos sujeitaram, condenaram. O de vivermos eternamente nas trevas. Democratizar é cristianizar. Chegaram os novos missionários que evangelizam os povos na democracia. É a nova espoliação do cristianismo democrático. Ainda se fosse o campeonato africano das nações em literatura, agora de futebol.

Não tem qualquer interesse. E quem quiser dominar a África Negra dê-lhe um cântico marxista-leninista. Mas, actualmente o mais importante é aterrorizar. Fazer talvez de Angola o único local do mundo onde não haja respeito por ninguém. Está tudo de tal modo tão confuso que quase já não se consegue separar ninguém do lixo humano.

Em África os governantes têm especial propensão para a ditadura. E sustentada por isso repentinamente uma epidemia desconhecida assaltou Angola. Enviadas amostras para o mais conceituado laboratório mundial em Atlanta nos EUA, os cientistas chamaram-na de estadiologia. É um vírus que transforma grandes superfícies de terra em estádios de futebol.

O vírus tem a particularidade notável de ao instalar-se obrigar as populações locais a viverem em tendas, porque destrói sistematicamente os seus casebres. É considerado um vírus de alto risco, catalogado com o grau 5 da escala internacional de virologia. Obriga a uma catástrofe económica de tal monta que arrasa os cofres estatais – os cofres secretos não – pois que obriga ao dispêndio de incontáveis milhões – não se sabe quem os contabiliza – de dólares para gáudio dos corruptos e especuladores imobiliários dos lodaçais locais e internacionais.

Imagem: http://2.bp.blogspot.com/

«Bank of America desaconselha investir em acções do BCP»


O Bank of America diz que há muitas incertezas no curto prazo em torno do BCP.
Marta Marques Silva
21/01/10 16:20 DIÁRIO ECONÓMICO

BCP em queda

O Bank of America / Merrill Lynch reúne, todos os meses, a lista dos bancos mais e menos preferidos em todo o mundo para o próximo mês.
O BCP volta em Janeiro a integrar a lista das cinco instituições com piores perspectivas para os próximos 30 dias, algo que acontece consecutivamente desde Março de 2009. O banco liderado por Carlos Santos Ferreira é mesmo o único a integrar esta lista por mais de quatro meses consecutivos.
O banco norte-americano justifica a sua posição referindo que existem muitas incertezas no curto-prazo em torno do BCP. "O banco enfrenta a fraqueza das economias nos seus mercados ‘core', a par com a pressão nas margens à medida que a competição se intensifica", referem os analistas da casa de investimento norte-americana. Acrescentam ainda a necessidade de aumento das provisões devido à deterioração da qualidade de crédito. "Sob estas difíceis circunstâncias, pensamos que o core tier I do BCP continuará a ser observado negativamente pelos investidores", adiantam.
A casa de investimento espera desta forma que o BCP tenha uma performance aquém do mercado durante o próximo mês já que, além das razões já apresentadas, o título negoceia com prémio tanto a nível de rácio preço/lucro (P/E), como na relação preço/valor contabilístico tangível (P/TBV).
Na sessão de hoje, as acções do BCP desciam 1,45% para 0,817 euros.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A Epopeia das Trevas (101). A história da História repete-se. Nunca tão poucos espoliaram tantos


Prometeram-me a liberdade Ocidental
em troca obtive a liberdade condicional
neste campo de concentração angolano
Utilizaram a ingenuidade do meu ventre
Colocaram descolonizadores negros, fiéis seguidores
que mantêm a paz, estabilidade
E estrangeiros bem pagos juram que são hábeis governantes, defensores da democracia PIB
As riquezas escoam-se sob a bênção do sol tropical
nos doentes sem hospital
O cofre do meu estômago vaza, enche o Ocidente
e a China

Das duas democracias, ocidentalismo opulento e fome tropical
A riqueza é a democracia e a miséria é a sua filha bastarda
Um dicionário é mais rico porque contém muito léxico
dos esfomeados e miseráveis
da independência das esmolas
Há línguas ricas e línguas pobres
Falar ou não falar eis a escuridão
A história da História repete-se. Nunca tão poucos espoliaram tantos

Deito-me e levanto-me sempre de cabeça no ar
Deitar, levantar. A fome também se deita, se levanta
resiste a todas as peripécias. Cheia de galanteria, muito funcional
Tem boa memória, longa, longínqua
Aprisiona-nos, guarda-nos nas suas muralhas sem ameias
Acorrenta-nos por seculares guardas. Fiel nas encruzilhadas
Sempre à espera porque não sabe impacientar-se. Incansável
nunca esporeia a sua montada. Nunca se esquece
É uma amiga fiel, nunca está só. Milhões e milhões nela se abrigam
É possante, violenta como a tempestade que aflige os desabrigados

Tenho que vender qualquer coisa para não desfalecer
mas os guardas do soberano proíbem-me de o fazer
As polícias dele perseguem-me, roubam-me os haveres
não sei o que dizer, nem o que posso fazer
Apelo aos direitos humanos Ocidentais na secção ramos marginais
que me possam defender. Eles, os causadores da minha condição, têm que me valer. Ontem partiram-me o casebre, já não é o primeiro, a seguir será o terceiro
Ocidentais! Não sabem o que é dormir ao relento, morrer na companhia da chuva e do vento ditatoriais!
A democracia não pode ser apenas para angolano ver
e para o soberano exportar-lhes petróleo

A minha boca magoada porque está sempre fechada
Mas os meus lábios sensuais
o meu ventre delgado, os meus seios mate
De olhos feridos, tudo neles encerrado
O meu corpo ainda canta, encanta, moreno
Sou esta morena do amor não sereno
Quem ousa dar-me força, inspiração, para vencer esta barreira
e conseguir uma ténue claridade?
Oh! Que saudade ter presente, o que resta da minha mente
subjugada pelo eterno presidente

No altar das preces erguidas
onde só príncipes e princesas ousam falar do amor
petrolífero sugado pelo terror da violação constitucional
Onde mendigos e miseráveis ousam falar da fome
A novel nobreza colonialista fala dos seus reinos
os esfomeados falam das noites nas ruas
Entre príncipes, princesas, mendigos e miseráveis
Não existe nada de novo
Excepto que estamos óptimos
aprontados para mais uma colonização

Angola e o soberano do eterno retorno (Fim)



Estão em ruínas por falta de manutenção e de inquilinos selvagens que nunca deveriam viver num prédio. Pessoas oriundas dos matos vão viver em prédios?! É o poder popular ainda em voga?! Mas, até universitários e similares destroem os apartamentos por ignorância primária. O que é que vamos fazer com tantos idiotas? Nada! É aguardar pela autodestruição total. A função deles é destruir.

Perante tanta idiotice é muito fácil José Eduardo dos Santos manobrar e comandar este bando de energúmenos, de otários. Angola não tem futuro com tal estatuto populacional. É confrangedor verificar por falta de ensino os jovens formarem-se no cúmulo da estupidez, na ignorância absoluta. A igreja sub-repticiamente apoia e colhe lucros do partido-estado. Não existe juventude em Angola, existe sim um bando de nados-mortos. O mau pastor leva as suas ovelhas para o precipício. Angola e a África Negra são um conflito permanente.

Afundamo-nos! No fundo, muito no profundo, a questão fundamental é que como seres humanos ainda somos muito primitivos. Na verdade ainda há pouco tempo deixámos de assomar nas cavernas. Temos muito caminho para palmilhar, para aprendermos a sermos civilizados. Ainda estamos muito longe disso. Ainda não saímos da barbárie que alguém chamou de civilização. Ainda não sabemos o que é a sã convivência. Por enquanto limitamo-nos a destruir o outro. E que não aconteça o esperado suicídio colectivo.

«As empresas estrangeiras associadas ao Grupo Gema, reveladas neste texto, nomeadamente a SABMiller/ Coca-Cola, a Edifer, a General Motors, a Petrobrás, Sinopec, Escom, Camargo Corrêa e Brasseries Internationales Holding Limited (Group Castel), incorrem na prática permanente de tráfico de influência, de corrupção activa, junto de uma entidade pública angolana. A Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, incorporada no direito angolano, através da resolução 20/06 de 23 de Junho, define e estabelece, Artigo 18 (a)(b) o tráfico de influência como um acto de corrupção.»
In Rafael Marques de Morais Fonte: www.makaangola.com

Que maravilhas! Aqui, em Luanda, por toda a Angola acontecem coisas de aterrorizar, de pôr os cabelos em pé. E porquê?! Porque quase toda a gente invoca, faz ressurgir, despertar as trevas há muito adormecidas. É de arrepiar. Quem duvidar que venha até cá e veja, se maravilhe também com os afundamentos que restam da Igreja de Angola. Particularmente a Igreja de Angola está com um nível tão baixo, baixíssimo, que nos confunde: é a Igreja de Cristo ou do Demónio? Ó pobres leigos! Com que então Jesus Cristo é o seleccionador dos Palancas? Mas que palancada é esta? Isto não é religião, é demência! No desespero da religião… vale tudo! Para quando a segunda vinda de Voltaire!?

Nós só queremos festas. Venham estrangeiros outra vez nos colonizarem, se em troca nos derem espaços para nos festejarmos. Vivemos num eterno festejar, porque nada mais há para alcançar. Vivam, venham pois novos colonizadores e tragam-nos muitas festas. Ficaremos muito felizes. E depois dos estádios de futebol que virá a seguir? Mais estádio, claro.

O Patriota


José Ribeiro, Luanda. 10.01.2010 14:52
A França, país de acolhimento dos mandantes do crime que manchou o nosso CAN, foi o primeiro país do mundo a criticar o bárbaro crime de Cabinda contra uma pacífica caravana desportiva, onde estavam algumas estrelas maiores do futebol mundial e que apenas têm em mente mostrar a sua arte no futebol, nos estádios angolanos.


É bom sinal. Isso quer dizer que as autoridades francesas vão entregar os mandantes do crime, todos os dirigentes da organização terrorista FLEC, à Justiça angolana para serem julgados e pagarem pelo crime hediondo que cometeram contra o mundo. Pode ser até que outros países da União Europeia, como Portugal, cortem o tempo de antena aos assassinos que, triunfalmente, assumiram o hediondo crime, nas estações de televisão SIC e RTP. Não estou certo que isso venha a acontecer, até porque esses órgãos de informação sempre foram a voz de todos os criminosos que em Angola mataram e destruíram e foram os responsáveis das maiores desgraças de Angola nas últimas décadas.

José Ribeiro, Luanda. 10.01.2010 14:50
Em mais nenhum sítio do mundo este trágico acontecimento se iria associar a uma das mais saborosas vitórias de um povo, como é a realização do CAN Angola’2010. Queríamos todos mostrar ao mundo como fomos capazes de fazer a paz e reconstruir o país. Queríamos mostrar as escolas, os postos de saúde, os centros de formação profissional onde ontem apenas existiam escombros e ruínas. Queríamos mostrar o regresso do povo às nossas lavras, às nossas aldeias. Queríamos mostrar os campos cultivados, as novas estradas, as pontes, as barragens, as cidades de cara lavada e o povo com sorrisos de esperança. E os quatro estádios do CAN em Cabinda, Luanda, Benguela e Lubango. Logo tinha que vir a morte, a destruição, o sangue, a desgraça. Sabemos quem disparou e quem mandou pôr o dedo no gatilho. Os primeiros responsáveis por este crime hediondo estão em França, onde recebem das autoridades conforto, apoio financeiro e moral, protecção sem limites. Os mandantes deste crime passeiam-se pela União Europeia e por esse mundo fora como heróis de um Ocidente onde todos os valores civilizacionais foram trocados pela ganância desmesurada e pela suprema hipocrisia.

José Ribeiro, Luanda. 10.01.2010 14:49
Os angolanos sabem que todas as suas conquistas foram arrancadas a pulso e que foi preciso sacrificar muitas vidas humanas para guardar a independência e manter intactas a integridade territorial e a soberania nacional. Todas as nossas vitórias, todas as nossas conquistas, assentam em sacrifícios sem nome, em lutas sem quartel, em combates renhidos contra todos os que nos quiseram submeter. Por isso, apesar de olharmos à volta e ainda vermos tanta destruição, tanta miséria, tanto por fazer, temos um orgulho imenso em sermos angolanos, aqui e agora. Há oito anos, começámos a preparar o CAN que hoje arranca no Estádio Nacional 11 de Novembro. O Chefe de Estado vai dar o pontapé de saída e, nesse momento, vamos todos aplaudir, com lágrimas nos olhos e o coração a sangrar. Mais uma vez, um grande feito de Angola e dos angolanos foi manchado com sangue. Desta vez, com o sangue de angolanos mas também de desportistas e dirigentes da selecção do Togo. Crime mais hediondo é impossível.

José Ribeiro, Luanda. 10.01.2010 14:47
Angola e o seu povo sabem de ciência certa que tudo o que até agora foi conquistado foi arrancado a ferro e fogo, com muitas lágrimas, sacrifícios sobre-humanos e muito sangue derramado. Foi assim sempre. Sabem-no os sobreviventes do hediondo massacre da Baixa do Cassange. E os que ousaram pegar em armas no 4 de Fevereiro de 1961. E na grande insurreição de 15 de Março, em todo o Norte de Angola. Nada do que foi conquistado pelos angolanos, ao longo das últimas décadas foi gratuito ou uma dádiva de Deus. Angola só é um país abençoado porque o solo sagrado da pátria foi regado com muitas lágrimas, muito suor e muito sangue dos angolanos. Os que participaram na luta armada de libertação nacional. Os que foram miseravelmente explorados nas roças, nas fábricas, nos armazéns. Os que apodreceram nas prisões. Tudo somado permitiu que vivêssemos esse dia mágico da Independência Nacional. Não, em Angola a independência não foi servida numa bandeja, com o Hino Nacional e a Bandeira. Foi conquistada a ferro e fogo em todos os recantos da pátria.

Imagem: FOLHA 8

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A Epopeia das Trevas (100). Alheadas, já muito desfloradas, jovens com e menos de catorze anos de mocidade


O ataúde promovia o funeral do imbecil defunto
Do destruidor de nações e populações
e hábil negociante de armas
Enganou-nos neste mundo, não vai enganar no outro
O funeral era acompanhado pela multidão
de bajuladores
E meia dúzia de nobres que com ele muito lucraram
Seguidos dos seus lacaios como num faraó
Os analfabetos continuavam, seguiam-no como um deus
Acreditando na esperança das mudanças
Das novas vidas que ele muito prometera

Mais adiante seguia outro cortejo fúnebre. O de um Homem
cuja ocupação foi dar vida, democratizar, ensinar
Acompanhavam-no milhares de pessoas
os que souberam colher a sua sabedoria
Por aqui já ninguém liga a essas coisas
Perderam esses ensinamentos

Entretanto, na praia, a gaivota acreditava que estava só
Como se o mar e os ditadores não existissem
Aproximou-se confiante e deparou-se
com um desprezível governante. De repente lembrou-se
desse déjà-vu
Esqueceu a mariscada e asou para muitas milhas
Deixou-me a penar. Antes dos hediondos bancos
corruptos lá estarem, ela já lá estivera

A ilusão do amor é a escravidão da pessoa amada
Lá, nunca obtemos o que ansiamos
Nessa complexa dimensão
É um beco sem saída que começa nas palavras
e se unem no tempo quando ele inicia a contagem
desses momentos que parecem infindáveis

Em tempos muito distantes isso do amor não existia
alguém o inventou
Como qualquer invento os especuladores banalizaram-no
E compra-se, vende-se, revende-se
em qualquer local de uma rua murcha, amarga, nua

Existe um outro amor que anda há muito perdido
Puro, inocente, difícil de encontrar
Não se compra, não se vende, conquista-se
Quantos, tantos desses amores perdidos
sem dias, nas noites
Feitos máquinas gerando filhos metálicos
Abandonou a sua origem, perdeu-se nos labirintos oficiais
artificiais dos nossos decretos presidenciais

O vento parecia gelado
assolava a tarde enviado pela corrente fria
da olímpica Benguela
Alheadas, já muito desfloradas, jovens com e menos de catorze anos
de mocidade, atraem-se pelos míseros dólares do sexo monetário
destes novos-ricos
Para vestirem e comerem
Pairavam como pardais em busca dos filhos recém-nascidos

As crianças dançavam na areia do lixo
A árvore contemplava-as, acompanhava-as
deslocava-as, abrigava-as
O sopé volumoso rangia, sorria perante tanta infantilidade
Van-Gogh pintou esta infelicidade no lixo da areia

Porquê os idiotas teimam no poder
como imperadores?
Porque são como a câmara de filmar, capta, mas não lê
Pintar é libertar, democratizar o que ninguém vê

Angola e o soberano do eterno retorno (2)


Vão recomeçar as prisões em força porque é fácil de constatar que a GRIPE C veio para arrasar toda e qualquer manifestação de liberdade. As nossas vidas e a nossa liberdade de expressão extinguem-se nesta inquisição política. É o regresso vertiginoso às trevas da ditadura. Para tudo ficar completo só falta ao regime embarcar no fabrico da bomba atómica. Com o terrorismo biológico da GRIPE C os acontecimentos sucedem-se descontrolados. É outra cortina de ferro.

Nota-se calmamente que os planos da GRIPE C são uma terrível orquestração entre o capital da selvajaria internacional e local da FAMÍLIA para a pilhagem total de Angola. As populações serão espoliadas com tal à vontade que até Hitler decerto se arrepiará no Além. Agora os discursos, as palavras de contenção perderão o seu valor. Tudo foi lançado no esgoto democrático desta irradiante governação.

Tudo isto parece um sonho inacreditável mas é real, está mesmo aqui, sente-se, existe. É verdade… quem concebe uma gripe assim, também é capaz de outra situação bem atroz. É que a GRIPE C para vingar terá que eliminar todo e qualquer opositor político. A nossa vivência diária será à nazi, à Estaline. É esta Angola que se afoga, se extingue nas chamas de mais uma feroz ditadura. Daí a aposta sistemática no analfabetismo das populações, com o controlo dos meios de informação e apoio camuflado da tal Igreja sórdida que se mantêm filosoficamente silenciosa com os promotores do analfabetismo para edificarem a ditadura.

Com analfabetos é uma rudimentar governação. Nesta total ilegalidade a impunidade legaliza-se. Não existiremos como pessoas mas como animais selvagens. Seremos caçados como ratos. E para os esgotos não poderemos refugiar-nos porque as forças secretas lá nos esperam para nos eliminarem. Finalmente sem futuro, afogados nos lençóis petrolíferos da Angola cadavérica.

Por exemplo os fiscais do GPL, Governo da Província de Luanda já estão com o plano da GRIPE C em acção: a espoliação selectiva de bens das esfomeadas e esfomeados para uso pessoal. Eis os campos da morte de Luanda. E onde está a condenação internacional? Em cada esquina um ditador. Agora é que se reparte bem o bolo petrolífero sem problemas, sem oposição. A banda vai dar carta branca à outra escumalha estrangeira de nenhuma espécie para utilizar o chicote da servidão. E não haverá problemas.

Na Argélia também diziam isso. A China então sente-se felicíssima perante o sorriso da hipocrisia Ocidental. É o partido único do camarada presidente, mais o centralismo democrático e a ditadura do proletariado. Agora o funcionário da Presidência da República, o militante, o funcionário do partido, ou de qualquer outro órgão do único partido podem denunciar, ou prender qualquer um que lhe incomode, ou lhe apeteça e até usurpar-lhe os bens?!.. Em suma: pode roubar e expropriar como bem entender. É tudo deles e só para eles.

Sem lei e desordem, perante o caos que se avizinha, não haverá garantias para investimentos estrangeiros, a não ser os dos massacres da COTONANG. Os grandes beneficiários com tal Tesouro são os chineses nas suas relações de partidos-estados. E isso da não intromissão nas políticas de outros países por parte da China é pura bazófia, uma descarada mentira. Porque a China intervêm e põe a ferro e fogo sanguinolentos o Sudão. Nas calmas os chineses querem colonizar a África Negra e imporem a fabricação das suas clonagens de má qualidade produzidas.

Se já estávamos entregues ao deus-dará como será agora? Bom, sem errar, em Angola é fácil porque a população está tão hipnotizada, adormecida, tão burra, tão idiota, tão boçal, sem informação… que é muito fácil a qualquer um dominá-la. Estar como um rebanho de carneiros ou de porcos. Aliás vivem como tal, por exemplo: no que resta dos prédios usurpados aos brancos, basta entrar num apartamento e verifica-se que a qualquer momento ele pode desabar.

UNITA, o maior partido da oposição à informação


Em Angola não existe oposição. O MPLA e José Eduardo dos Santos reinarão pelo tempo das pirâmides de Gizé e ponto final. São apenas alguns gatinhos que fazem oposição de lencinhos cheios de vaidade, de darem nas vistas, tipo eu sou o único, o bom disto. Miam e dão umas arranhadelas de vez em quando. Uns mios e pouco mais. É uma oposição da gataria. Só lhes faltam as gatas no cio. Como não mudam o discurso… estão insuportáveis. Será por isso que a Igreja e a sua Rádio Ecclesia, a Rádio da nossa desconfiança, agora é fã do marxismo-leninismo? Os gatinhos vão miando e os ratos vão passando. Consummatum est.

«UNITA Alérgica À Liberdade De Opinião«

«Lisboa - A UNITA (partido que cauciona (in) conscientemente a dominação completa e absoluta da sociedade angolana pelo MPLA) ainda não chegou ao poder mas não tem perdido tempo em tirar as garras cá para fora.

Mais, este partido tem mostrado o seu verdadeiro dom no que tange à (in)observância do respeito pela Liberdade e Diferença de Opinião daqueles que não comungam dos princípios de Muangai.


O Galo Negro (que se contenta com o lugar de número dois do cenário político angolano) ainda não assomou ao Palácio da Cidade Alta mas já cacareja alto, abana a crista e bate as asas com ufania prenunciando já, à partida, qual a sorte que reserva para todas aquelas aves que não têm a mesma pena que a sua.

Prova disso tem sido dada, entre outras instituições políticas do Galo Negro, pela rádio "Despertar". E, como (não) era de esperar, a mais recente da prova de intolerância política - no que a ideias diferentes do partido liderado por Isaías Samakuva diz respeito - foi dada recentemente quando a antiga "Vorgan" censurou as declarações do professor universitário Fernando Macedo.

Fê-lo sem respeito nem consideração quando Fernando Macedo se pronuncianva àquela emissora sobre a aprovação da nova Constituição da República de Angola e, por via disso, ter aproveitado o embalo para criticar a UNITA em decorrência da responsabilidade política que a mesma tem no sobredito processo.

José Katchiungo, igualmente professor universitário, também já foi alvo da censura da rádio "Despertar". Porquê? Por ser conotado com a ala que apoia Abel Chivukuvuku.

Ora bem. Se a rádio "Despertar" ousa censurar as declarações de militantes da própria UNITA (é o caso de José Katchiungo), quanto mais Fernando Macedo (e muitos outros, entre os quais me incluo) que não milita em partido político nenhum em Angola e não dizem Ámem à "Bíblia" do Galo Negro.

É evidente que se Fernando Macedo tivesse sido censurado na Rádio Nacional de Angola (RNA), tal não constituiria novidade. É mais do que óbvio que se José Katchiungo tivesse sido censurado na Televisão Pública de Angola (TPA), tal não seria de espantar.

Agora, na rádio "Despertar"?! (Não) Acredito!

É assim que a UNITA quer ser alternativa ao MPLA? É, digo eu.

Que moral política tem a UNITA tem, desta forma, para criticar o ministro da Comunicação Social, Manuel Rabelais, e concomitantemente as linhas editoriais da RNA, a TPA, a Angop e o Jornal de Angola? Nenhuma, digo eu. Valha-nos, por isso, os ideiais de Viriato da Cruz, perdão, valha-nos Deus!

Já o disse (mas nunca é demais repetir) há práticas do MPLA que a UNITA critica mas que, intramuros, faz igual ou pior que o partido no poder. Diante de tudo isso, só nos resta dizer que os angolanos estão entregues à bicharada!»

Imagem: http://www.chargeseditoriais.com/