terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Jornal de Angola, 28 de Janeiro de 2010


Porta-estandarte do marxismo-leninismo e órgão oficial da nova Constituição

Salários de Janeiro da Função Pública estão disponíveis

Reposição da verdade. Igreja desmente notícias sobre detenção de padre

Província do Bié. Líderes religiosos apelam ao respeito pela nova Constituição da República.

Editorial. As virtudes do desporto. Na noite em que os Palancas Negras foram eliminados pelo Ghana, membros do Governo e dirigentes desportivos foram aos balneários do Estádio Nacional 11 de Novembro felicitar os nossos atletas.

É preciso criar regras e mecanismos de controlo para todos os segmentos do mercado financeiro, sem deixar nenhuma área na obscuridade.

Diversos perdeu-se passaporte em nome de Shon Mei Huang

Sector das pescas no Kwanza-Sul com saldo positivo no ano passado

Palanca. Inaugurada escola primária

Investimento privado. Malange ganha projecto imobiliário. Um condomínio de 29 vivendas começa a ser construído este ano.

Kuando-Kubango. Distribuição de sementes para as associações rurais

Huambo. Agricultores do vale do Calai sem mercado para batata rena

Imagem: Luanda, desenvolvimento económico e social




segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

A Ocidente do Paraíso (3). Mais uma vez adormeci com fome


- Mãe! Mãe! Vi uma cobra grande entrar na oliveira!
Ela olhou-me e levantou a mão para me bater. Suspirou, não disse nada, e arrastou-me para casa. Mas no outro dia a vizinha também lhe disse que viu uma grande cobra na oliveira, e a minha mãe confessou-lhe:
- O meu filho já me tinha falado disso mas pensei que me estava a mentir. E como ele só faz asneiras não lhe dei atenção.
Elas falaram qualquer coisa que não entendi. De seguida vieram com panos enrolados, atearam-lhes fogo e colocaram-nos dentro do buraco, e ficaram à espera com uma enxada e uma forquilha. A cobra acabou por sair, mas não teve tempo para nada porque a enxada certeira da minha mãe caiu exactamente na sua cabeça, e a vizinha com a forquilha fez o resto do trabalho. A partir daí nunca mais me aproximei da oliveira.

Até hoje nunca consegui entender. E creio que também ninguém se apercebe porque a Humanidade desde que existe – penso ser esta a questão número um – sempre foi a luta contra a fome. E por mais evoluídos que estejamos a fome aumenta. Várias personalidades ao longo da história deram grandes contribuições para se acabar com este flagelo. Vários partidos comunistas de todo o mundo apontavam na sua propaganda, que a fome acabaria para sempre e nós acreditámos e por isso os ajudámos a tomarem o poder.

Com alegria até oferecíamos a nossa vida, porque enfim seríamos libertados para sempre da miséria, e reinaríamos num paraíso eterno. É a mesma conversa das religiões. É por isso que sempre afirmo que entre um partido político e a religião, não existe diferença nenhuma. Ambos nos prometem o paraíso.

Para isso teríamos que conquistar os meios de produção. Esses meios ficariam então ao nosso dispor para sempre, devido à aliança operária e camponesa. Mas a detenção dos meios de produção nas mãos dos operários falhou, porque os engenheiros e intelectuais eram considerados inimigos da classe operária, e sem estes o sistema ruiu por completo, advindo daí uma grande miséria, uma grande fome que até hoje continua.

Depois com o liberalismo e o neoliberalismo da economia e a globalização, as grandes corporações unem-se numa só para comandarem o mundo e outra vez o advento da nossa escravidão. Parece ser sempre assim a História da Humanidade. No fundo acabaremos por depender de uma só pessoa que acabará por governar todo o mundo e a fome aumentará cada vez mais. Mas acho que tudo isso se deve à divisão do mundo em continentes. Não deveriam existir continentes na divisão do mundo, mas apenas um. De qualquer modo as ideologias ajudam a destruir a vida das pessoas.

Mais uma vez adormeci com fome. Acordei devido a uma grande trovoada cujos relâmpagos intensos iluminavam o interior da casa e os trovões faziam tremer tudo.

Alguém bate à porta com força. Como estava cheio de medo, mais fiquei ainda porque no local deserto onde vivíamos, e com a chuva intensa, só poderia ser talvez uma assombração. A minha mãe levantou-se e foi abrir a porta perante o meu terror de quem seria. Só poderia ser um monstro. Que alívio… era a minha avó materna que entrou ensopada:

Image: http://tramagal-geocaching.blogspot.com/2009/10/festas-do-15-de-agosto-de-1954.html

Quem desrespeitou a velha constituição, respeitará a nova? (2)


E contra um ditador, só um bom democrata o vence. E ainda nos garantem que não existem demónios. Então o que é Angola? Não é um Estado de direito da feitiçaria?! E quando não há democratas os ditadores são livres e proclamam a democracia. E em hipocrisia os ditadores não devem nada à Igreja. São seus fiéis apóstolos. Entendem-se às mil maravilhas. Isto não é

Angola, é uma ilha cercada de tubarões por todos os lados.
Agora, confundir anarquia marxista-leninista com democracia conduz-nos a limites intoleráveis de convivência. Entretanto, pedaços de prédios vão caindo, afastando os transeuntes agora receosos dos passeios. Como é rotina habitual não existem soluções governamentais para evitar as derrocadas prediais, políticas e sociais.

O governo é como um drácula que mantém a população à sua mercê para lhe beber o sangue quando bem lhe apetecer. É um governo eficaz com um trunfo na manga para a célebre Solução Final: estamos em ruínas, no caos económico e social. Onde param os tão aprovados planos para a agricultura? Apenas quimeras! Porra! Agricultura é muito trabalhosa, e o nosso governo não tem tempo para tal tarefa.

E insiste-se na ignóbil patranha. Na infantilidade irresponsável, ignóbil, do nosso desenvolvimento sem energia eléctrica. As empresas dos sectores… de nenhuns sectores, simplesmente não funcionam. Desconhecem em que tempo estão porque muito naturalmente perderam-se nele. Ainda não ultrapassaram o período da história da lâmpada alimentada a gás. O mais importante é resolver os problemas dos palácios principescos. E da maneira que as coisas se desenvolvem acabaremos nos charcos doutro Uganda. Pretendentes não nos faltam.

Perante o marasmo reforçado do analfabetismo e da feitiçaria, o projecto Nação-Angola esfumou-se. Tal e qual como A Queda da Casa Usher. O nosso governo segue os ditames dos contos góticos de Egar Allan Poe. Parece um governo de fantasmas para as nossas almas danadas. É um governo das morgues e daí para os cemitérios. Lá porque o poder é idiota, nós não nos obrigamos a sê-lo, e além disso e felizmente alguns não o são.

E quando é que isso das democracias da fome acaba? Então vejam que coisa mais sórdida: bancos a trabalharem com geradores e como tal com informação não fiável.
E já não somos povo. Somos um bando imprestável de parasitas, de moscas que se enxotam e que retornam incomodativas, inconstantes, agressivas, destruidoras. Um povo que jaz nas ruínas, no que ainda fingem viver com o que a colonização deixou.

Os prédios utilizados como se vivessem em qualquer pardieiro e que desabam aos poucos, brutalmente. E que a qualquer momento desabarão em uníssono, perante a malvadez, a impunidade do deixa andar, do quero lá saber da incompetência marxista-leninista. E tudo o marxismo-leninismo nos legou. Os incêndios das instalações eléctricas nos prédios são constantes.

Qualquer um faz-se de entendido no assunto de electricidade, e claro, a destruição é num instante. Este povo agora vive feliz destruindo. Sob a batuta governativa adquiriram a propensão de destruir seja o que for. Assim, este povo já não serve. Já não presta para nada, exceptuando quando chegar o dia das eleições… aí sim, é outra vez povo... mas a independência já caducou.

E todos, incluindo a governação, querem é ver-nos pelas costas. A governação envia-nos para os campos de concentração das tendas, a que romanticamente chamam jangos, que é onde estamos bem. Do que resta da bela cidade de Luanda construída pelos portugueses e a curto prazo copiada quase à actual Haiti. Estamos horríveis, imprestáveis, nos píncaros da feitiçaria, da idiotice e da canalhice. Pobre povo nos campos petrolíferos sequestrado. Sempre malignos no prazer mórbido de verem os outros sofrerem. Até a noção do amar atiraram para o profundo do Mar.

O amor é o sentimento mais profundo e arrebatador que ainda existe no Universo. Não existe nada nem ninguém que o detenha. Submeter as populações à miséria total e completa não é governar, é exterminar. E um governo que promove o desenvolvimento económico com geradores, é fumarento, poluidor, estupor. É a desgraça, o apocalipse de Luanda.

Enquanto o governo se expande na poluição ambiental e sonora pelas dezoito províncias, em Luanda é particularmente infernal. Angola vai longe, perde-se na vastidão do terror democrático. Angola, o exemplo da mediocridade humana. A luta não era contra o colonialismo, era e continua a ser contra o povo angolano.

O MPLA vai para a frente de guerra em Cabinda com uma retaguarda prenhe de problemas, muito insegura. E todos os esforços se conjugam. E a Igreja lambe-se de contentamento. Oh! Como é salutar, levantar de madrugada, chegar à varanda e sentir, respirar o ar poluído pelo fumo venenoso dos geradores deste poder desregrado, infiel, mercenário, totalitário, sem políticas de bem-estar. Angola continua coutada de caça marxista-leninista.

Como uma das tais passeatas de homenagem às homenagens pela Constituição do poder eterno e manutenção da espoliação e destruição do reino Jingola. Se os do MPLA clamam apenas para eles os frutos deste pomar e ainda crucificam os que reivindicam algumas migalhas, isso tem um nome: tribalismo. Podem chamar-lhe o que quiserem, mas uma coisa é certa: este poder é incerto.

Imagem: Conseguirá a nova Constituição acabar com esta imagem?

A macacada incendiou outra vez a instalação eléctrica


Outro apagão, dia 13Fev10 das 23.00 às 17.27 do dia 14Fev10. O macaco habitual pegou num alicate, abriu a caixa da escada, puxou os fios e fez mais um incêndio. Espantoso é que os vizinhos acham isto normal, com a melhor das naturalidades.

Costumo colocar a seguinte questão: se fosse um branco ou mestiço iam todos na porta dele fazer confusão e insultos sem parar.

Pelo descarrilar desta carruagem estão óptimos para a sementeira da colonização. Necessitam mesmo, a colonização outra vez faz falta. É a única solução.

Jornal de Angola, 18 de Janeiro de 2010


Porta-estandarte do marxismo-leninismo e órgão oficial da nova Constituição

Programa de melhoria da vida das populações. Lunda-Norte reforça sistema de saúde. Governador leva ambulâncias e medicamentos aos municípios.

Kwanza-Norte. Secretário da igreja Batista elogia apoio do governo

Lei Magna. Presidente da Assembleia quer Governo a participar na aprovação da Constituição.

Transparência nos petróleos. Ministério escolhe fornecedores nacionais. Operadores do sector petrolífero devem consultar lista de empresas nacionais para as suas compras.

Namibe cidade plantada no deserto. Exploração artesanal de inertes fora de controlo.

Editorial. Vitória do futebol africano. Os angolanos de todos os cantos do país têm-se esmerado em mostrar a todos quantos nos visitam a hospitalidade que nos caracteriza. O terrorismo está condenado ao fracasso apesar de haver gente volta e meia apostada em ressuscitar fantasmas.

Chutos do CAN na bola do progresso

Do apoio ao Egipto aos festejos na vitória dos Palancas Negras

Imobiliário vende-se. Empresa de construção civil

Finanças no Kwanza-Norte. Cobrança de impostos tributários regista aumento de receitas no Dondo.

Apesar da proibição. Adolescentes continuam a ter acesso ao álcool

sábado, 13 de fevereiro de 2010

«No largo Dr. António Agostinho Neto em Kinshasa.»













Via email. «A vassoura do bruxo partiu-se e o tipo teve que aterrar de emergência por cima da estátua do Dr. António Agostinho Neto.... isto é um facto e contra factos não há argumentos.»

Jornal de Angola, 10 de Janeiro de 2010


Porta-estandarte do marxismo-leninismo e órgão oficial da nova Constituição

Indústria madeireira em Cabinda. Serrações mal aproveitadas fazem prosperar venda ilegal. Governo investiu milhões nas empresas privadas estão a falhar.

A nossa irrecusável devoção ao futebol

Mulheres marcham a favor do CAN

Diversos perdeu-se passaporte chinês passado em nome de Yu Yongjia e Yu Yong Zhi.

Filantropia. Fundo Lweni reforça apoios

Benguela. Lançado projecto SOS criança

Huambo. Leiloadas motorizadas apreendidas pela polícia

Zaire. Universidade dá cursos técnicos

Estradas foram asfaltadas na província do Bié

Imagem: campo de concentração de Luanda



sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A Ocidente do Paraíso (2). Com os meus infantis cinco anos a minha mãe mandou-me comprar fósforos


Capítulo I
Resplandecer

Tramagal, Portugal, 1954.

Quando em crianças, vivemos num mundo de fadas, duendes, na magia de outra dimensão. Pela convivência com estes actos, os adultos estão sempre próximos de nós porque acreditam que não temos a noção do que fazemos. E quando eles se afastam surgem as tragédias da nossa irracionalidade que poderiam facilmente serem evitadas.

Com os meus infantis cinco anos a minha mãe mandou-me comprar fósforos na mercearia próxima. No regresso, e já próximo da minha casa havia uma sebe com considerável volume de vegetação seca que delimitava a propriedade de um agricultor de terrenos vastos. Deu-me para pegar nos fósforos e atear fogo à vegetação para ver como era, mas com o cuidado de o apagar assim que as chamas ganhassem vida. Peguei-lhe fogo por duas ou três vezes e consegui apagar as chamas. Então experimentei vê-lo mais tempo a arder. As chamas alastravam, tentei apagá-las, mas de repente veio vento mais forte e o reino das chamas revelou-se com grande intensidade.

O incêndio descontrolou-se. Fugi com alto pânico e apresentei-me perante a minha mãe com ar de anjo. A tremer de medo entreguei-lhe os fósforos. Mas já se sentia muito bem o cheiro a queimado. A minha mãe olhou-me desconfiada ao mesmo tempo que observava a caixa de fósforos onde facilmente se notava que tinha sido utilizada. Rapidamente compreendeu. Entretanto as chamas aproximavam-se da nossa casa, e algumas pessoas com baldes de água e outros apetrechos de ocasião afligiam-se, lutavam contra o incêndio.

Com muito trabalho conseguiram finalmente extinguir as chamas. Nunca ninguém conseguiu saber o porquê do mistério do incêndio, porque a minha mãe guardou silêncio. Receei que ela me mataria de porrada mas não. Limitou-se a olhar para mim durante um tempo que me pareceu nunca mais acabar, e percebi que ela estava muito preocupada, talvez a pensar que o seu primeiro filho não batia bem da cabeça.

Numa área considerável de terreno contíguo à nossa casa, a minha mãe cultivava feijão verde. Eu ajudava-lhe na rega mantendo os canais da água sempre limpos, livres de obstáculos de tal modo que quando despejava água, ela circulava livremente e alimentava, chegava a todo o plantio. E o verde feijoal crescia, desenvolvia-se muito rápido. Como não havia ninguém que brincasse comigo, passava grande parte do tempo no que para mim já era uma pequena floresta cheia de gnomos verdes. Até que tive uma ideia.

Decidi arrancar todas as vagens e escondê-las. Não sem antes desfazê-las em pequenos bocados. Para isso abri alguns buracos na terra e nela enterrei tudo. Assim iria fazer com que a minha mãe descobrisse que mistério seria aquele. Como é que as vagens tinham desaparecido misteriosamente. A minha mãe surpreendeu-me porque muito rápido desvendou a cabala. Sem sequer me indagar fosse o que fosse, foi buscar um chinelo daqueles de madeira e desancou-me barbaramente. Não fosse a vizinha acudir-me, acho que o meu corpo ficaria bem amassado. E ela insistia, garantia:
- Eu mato-o! Eu mato-o! Ficámos sem comida. Esse maldito filho destruiu tudo, incluindo a parte que também era para vender.

Pelo sim pelo não, a minha única vizinha achou por bem levar-me para sua casa, e por lá ficar até que a minha mãe se resignasse, se tranquilizasse.
No dia seguinte a minha mãe resgatou-me e levou-me para o seu aconchego. O estado de sítio terminara e quase tudo voltou à normalidade. Uns dias depois seguia tranquilo na segurança de uma das mãos da minha mãe, quando vi uma cobra grande entrar no buraco de uma grande, velha e meditativa oliveira que vivia a escassos metros frente à porta da nossa casa.

Image: http://tramagal-geocaching.blogspot.com/2009/10/festas-do-15-de-agosto-de-1954.html

Quem desrespeitou a velha constituição, respeitará a nova? (1)


Quer dizer, o mesmo Presidente, o mesmo partido, o mesmo governo, as mesmas pessoas… prometem-nos o mesmo começar de novo e os mesmos novos métodos de trabalho. Entretanto, fortalecendo o status quo, a Igreja vai-nos abençoando.

Ontem abençoava Salazar e o colonialismo, hoje abençoa o MPLA. De modos que dependemos sempre da hipocrisia clerical, sacerdotal. Quem vai para padre é porque não sabe fazer mais nada.
«Estádio da Ombaka foi inaugurado ontem com a bênção da igreja católica.
Kwanza-Norte. Secretário da igreja Batista elogia apoio do governo.
Reposição da verdade. Igreja desmente notícias sobre detenção de padre.
Província do Bié. Líderes religiosos apelam ao respeito pela nova Constituição da República.» In Jornal de Angola

E se o MPLA contratou as igrejas para criarem um conflito religioso que depois vira tribal, e servindo isto muito bem para apartar definitivamente a UNITA?! É de especular porque muito em especial a Igreja não desarma, continua insistente, abertamente, frontalmente a provocar, a insultar, a vergar a UNITA ao satanismo. Há decerto por traz disto outro número da Besta dolarizada. E bastas, fartas alvíssaras. As igrejas são como os bancos, estão sempre a inaugurar novas dependências. Os bancos cobram juros, as igrejas dizimam em nome do Senhor.

O futebol também é uma religião, o seu deus é a bola. Angola tem religião que já é poluição, não tem energia eléctrica, mas tem desenvolvimento económico. Que o testemunhem os que enriquecerem rápido e sem regras. Espezinhando de qualquer modo o semelhante. E depois querem viver sem problemas? Loucos! Que fizeram de Angola um país de sirenes. E quanto mais nos afundamos, mais depressa eles regressam à superfície.

O mais importante é inaugurar empreendimentos que promovam a miséria das populações. Nunca se viu tanta gente com tanta propensão para a destruição. Mas o que é que o MPLA vai fazer com tantos analfabetos? Vai governar muito bem! Já não surpreende tanta irresponsabilidade. Tudo está sombrio, cadavérico. Até nas igrejas à revelia do Senhor instalam trepidantes aparelhagens sonoras e berram-lhe. É só barulho.

Mas que bom exemplo para as pobres almas que aspiram ao céu, para junto Dele. Existirá mesmo um paraíso com tal barulho estridente e eterno? Mas, só sabem berrar para o Senhor? Não sabem que Ele fica bem chateado e descarrega a sua ira nos sacerdotes e nos outros aprendizes da religião? A Opus Dei devia fazer-lhes umas visitas de vez em quando.

A questão fundamental continua: mas o que é que se faz com um povo analfabeto? Se todos se obrigam ao roubo para sobreviverem, como é que isto vai acabar? Povo assim é óptimo para colonizar. Angola até parece estar sem governo. Até porque há duas angolas: uma com um presidente, um palácio, ministros, petróleo e diamantes… com tudo. Outra Angola sem governo, sem água, sem luz… sem nada, exceptuando os campos da morte. Mas o MPLA não sabe que sem energia eléctrica reduz Angola a pó?

No Ocidente é a democracia ocidental, em Angola é a democracia petrolífera, do quintal. Enquanto o MPLA persistir com a sua doutrina marxista-leninista, Angola não conseguirá abandonar o campo de concentração em que se fincou. E o outro presidente de Angola é, são as empresas imobiliárias. Aos poucos e poucos caminhamos para outra desgraça, para o esquecimento das campas e das valas comuns.

Imagem: campo de concentração de Luanda

A intolerância zero. Extractos bancários viciados: um apresenta-se como real, outro, fictício


Epok é um operativo, por isso não se sente à vontade nas vestes de administrativo. Tosse algumas vezes, para ver se consegue dar por terminado o relambório, mas debalde:
- Continua Epok.
- Meu rei, o contabilista indica os métodos que utilizam para nos roubarem.
- Ai é! Grande burro. Creio que vai acabar com um saco de plástico na cabeça.
- Continuando meu rei… omissão da facturação. Omissão ou diminuição das existências. Falta de gestão das existências. Emissão de documentos a simular pagamentos aos sócios. Omissão das contas bancárias em divisas. A conta Caixa, credora. No fim do ano emitem-se documentos de outras empresas, as quais funcionam como fantasmas. Movimentação de divisas sem a criação da conta Caixa em divisas. Casas de câmbios e agências de viagens utilizadas para lavagens de dinheiro.

Seis empresas do mesmo sócio maioritário, mas os seus custos suportam-se apenas por uma, e as receitas ocultam-se. No fim do ano emitem-se documentos falsos, de fornecimentos para a única que funciona. Auto financiamento, grandes negociatas e ostentação de riqueza com os vencimentos não pagos aos trabalhadores. As empresas de construção civil são as mais sacanas, as que mais roubam e exploram num reino onde não existe contabilidade.

Não havendo prestação de contas, o reino a qualquer momento implode, como o subprime. Por exemplo: 800 tijolos, mas só gastaram 200. Aditamentos a orçamentos omitem-se. Omissão dos movimentos na contabilidade, de pagamentos de dívidas por parte das Finanças. Tentativa de corrupção aos funcionários das Finanças com o pagamento de uma comissão de 20%, ou superior, se a dívida for paga. Depois de receber a divida, esta não é movimentada na contabilidade.

Viaturas vendidas mas, continuam no inventário, não se fez o abate. Sobre-facturação, por exemplo: Uma resma de papel custa 5 dólares, vende-se a 8, a diferença paga-se numa conta no estrangeiro. Viaturas pagas por empresas estatais desaparecem dos inventários, passando para nome pessoal dos directores. Ocultação de documentos comprometedores em divisas.

Não reconciliação de contas bancárias. Extractos bancários viciados: um apresenta-se como real, outro, fictício, apresenta os movimentos conluiados com os funcionários bancários. É daqui que nasce a riqueza misteriosa. Ameaças de morte ao Técnico de Contas. Estes empresários são cleptómanos de uma voracidade tão intensa, que até roubam um vulgar CD-ROM virgem. Este reino está acabado, imolado, não temos empresas, nem empresários, temos cantineiros.

Epok está bem chateado, disfarça a temperatura elevada do seu termómetro cerebral. Não nasceu para estas coisas. Como bom sipaio, reforça a maledicência:
- Meu rei, acho que procedemos mal. Nunca demos valor aos Técnicos de Contas. O reino distancia-se para além de um quilombo.

http://patriciaguinevere.blogspot.com/2009/03/o-cavaleiro-do-rei-11-novela.html
Imagem: Campo de concentração de Luanda

Jornal de Angola, 07 de Janeiro de 2010


Porta-estandarte do marxismo-leninismo e órgão oficial da nova Constituição

Transparência. Conta Geral do Estado melhora meios de gestão

CAN 2010. Direcção da UNITA pede mais isenção à organização

Palestra União dos Escritores. Combate ao terror requer concertação

Kwanza-Sul. Tocota é um paraíso turístico adormecido. Da montanha do dragão jorra água quente medicinal.

Editorial. O dialogo democrático. Ninguém mais vai fazer uma leitura enviesada de um texto constitucional que ficou sem fundamentos em 1992 e muito menos impô-lo, em nome de uma ciência jurídica.

Movidas pelo desporto. Mulheres marcham pelo futebol

Kwanza-Sul. Projectos sociais em fase de arranque na Conda. A estação de captação e tratamento de água está a ser reequipada para melhorar a distribuição à população.

Saúde. Mortes por cólera no Huambo

Imagem: campo de concentração de Luanda

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A Ocidente do Paraíso (1). Prefácio


A meus pais
que finalmente contemplam
a magnífica paisagem eterna
depois de resistirem
às tormentas da vida.

A Patrícia Martinelli
que me maravilha
com a sua doce, terna
e eterna amizade

Prefácio

Estou nessa selva do mundo do trabalho tentando sobreviver rsrsrs.
Não é fácil ser super criativa, inteligente, eficiente, inovadora… o tempo todo!!! eca... estão mistificando o papel do trabalho? Temos que ser super?
Bom, às vezes penso em só arar um canteiro de palavras e vê-las brotar em versos por aí...
(Patrícia Martinelli)

Creio que a Patrícia Martinelli espelha muito bem a nossa actual vivência tão imobilizada, tão amarrada da nossa selva do trabalho e em mais em tudo o que nos rodeia. Afinal passados tantos séculos, tantos milénios e conseguimos apenas uma extraordinária vitória… sermos infelizes. Produzimos infelicidade a rodos, a esmo.

Lembro-me muito bem quando na minha juventude subjugado pela superstição e escravidão da religião, onde instigado por todos os poros tinha que ser obediente a Deus e aos grandes senhores e muito especialmente temê-los.

Mais tarde quando comecei a aprender, a descobrir o Caminho, vi que caminhava num reino empestado de hipocrisia. Creio que a Igreja ao impor-nos a sua santa ignorância é a causadora de todos os males que avassalam este mundo e o outro. Essa religião destrói-nos, corrói-nos as almas, coloca-nos prematuramente nos ritos funéreos dos cadáveres.

Continuamos sem rumo e nas mesmas regras das grandes corporações internacionais e religiosas. Numa sociedade doentia porque teimosa na imposição do regresso à ditadura global, do governo electrónico mundial, marcial. Controlados ao ínfimo pormenor por robôs numa Idade Média electrónica. Caminhamos a passos seguros e rápidos para a grande prisão planetária onde já incrustam os primeiros gradeamentos.

Os acontecimentos que se seguem baseiam-se na vivência com um amigo que me acompanhou ainda éramos crianças e depois do encontro final quase quarenta anos passados. Depois do seu falecimento lembrei-me de narrar a sua vida. Creio que era muito simples, humilde e humano, daquelas pessoas que dificilmente encontramos. No fundo trata-se apenas de um Homem. Um desconhecido que provavelmente ninguém se lembrará. Mais um… na luta pela sobrevivência na selva da mediocridade humana. Acho que ainda não aprendemos o suficiente para vencer a selva da vida, ou a vida na selva.

Enquanto existirem seres humanos a morrerem de fome neste mundo, dificilmente acreditarei na democracia. Receio que seja mais uma ilusão. Enquanto houver fome no mundo, ou mortes por falta de assistência médica, porque não têm dinheiro, acredito que a democracia, ou melhor dito, as democracias navegam muito longe da realidade.

Dêem-me uma alavanca e dominarei os aventureiros e especuladores.

No fundo todos procuramos, sermos apenas livres e lutarmos por melhores condições de vida.

Esta é a história de mais um ser humano que morreu porque não tinha nada para comer… proibiram-lhe o alimento espiritual.

Enquanto não acabarmos de vez com as ditaduras que teimosamente nos desafiam, nos oprimem, nunca seremos felizes.

Escrever com simplicidade é tão difícil quanto ser bondoso.
William Somerset Maugham

G.G.

Imagem: http://tramagal.blogspot.com/



A Epopeia das Trevas (FIM). A Patrícia Martinelli


E findamo-nos sem essência, sem o germinar das lápides atiradas ao abandono do tempo. Depois reencontradas nas cavernas escuras e escusas, sem a iluminação da alta voltagem inofensiva do sublime amor.

Esta história humana presente é o calvário, o purgatório, o martírio do amor sem a proporção divina das zebras desequilibradas entre o amar e sem viver. Condenámo-nos à nascença a amar, mas recusam-nos, teimam em nos odiarem. Não é ser, é ter alguém no Governo em quem confiar. Não existe nada de divino em que acreditar. Temos que apreender a dizer não, a este faz-tudo de amor clonado em vão. Evitemos que estes vendedores revendam o ardor da paixão. Não podemos resumir esta contenda nos gestos augurais das suas vestais até já continentais.

As plantas ondulam porque amam o vento. Se ele lhes faltasse o ódio reinaugurar-se-ia de verde amarelecido.
As asas do estímulo vivencial são o código genético desconhecido que nos faz voar, perfumar, o aroma para amar. E quem isto ousar proibir, também será proibido.

Os sensores do amor quando activados desordenam-se. No futuro serão bloqueados porque perigarão os instrumentos sensíveis das naves interplanetárias. E será imaginado, recriado um longínquo planeta amoroso para amantes eternos. É que os circuitos do amor desafiam as leis e a velocidade física. Não há, nunca existirá máquina que calibre a sua invisível intensidade. Porém, ele, o amor, esforça-se e tem mais que força, perenidade para viajar pelo infinito do Universo.

Deixai que os sedentos bebam da sua água pura, para que a impureza humana na poluição das águas não cause pandemias, e aconteça a sua extinção. Apenas um minuto de imensidão amorosa vale milhões de anos planetários. Para quê lutar se estamos sempre presos nos tentáculos das suas areias movediças, acariciantes, desse eterno sentimento. Tudo se extingue e parece em vão, o amor não! O amor tem muitas pernas mas quatro estão sempre presentes: duas femininas e duas masculinas. O útero da deusa mãe aguarda o seu convidado e os pés dos amantes movem a escala Richter.

Promete pois que amarás o amor e que nunca te cansarás da sua tentação. A diferença que existe entre o rico e o pobre é que o pobre é rico de amor. E o rico vive na pobreza espiritual à procura do amor. A plenitude virá quando soarem as badaladas cardíacas, rítmicas do relógio bioquímico do nosso coração. Não haverá tormenta que nos domine, que nos separe, porque estamos acorrentados, desmaiados nesse sem sentido, perdidos nos outros sentidos.

Que se santifiquem os mártires do amor, e que nos próximos tempos um salmo planetário seja cantado na cosmologia. E dos suicidas infelizes apenas porque amaram… serão edificadas estátuas de beijos com luz estelar aos viajantes espaciais com a inscrição:

AOS INFELIZES DO AMOR TERRENO QUE APENAS AMARAM

Imagem: campo de concentração de Luanda




























A Epopeia das Trevas (118). O problema da fome já está resolvido, vão-nos eliminar e não terão mais despesas para nos suportar


O amor perdido é como a fome. Quando conseguimos comida
saciamo-lo. E acreditamos que ele está próximo, que voltou
A comida voa sem retorno, as asas do amor também
Quando da fome me libertar, prometo amar
o amor
Até lá adquiri a certeza, tenho o direito de me revoltar
porque não me deixam alimentar. Quase meia centúria
mal conduzida
Para o trânsito proibido dos tubarões onde não se pode amar
Nem o trigo nos deixam semear. Os campos estão lavrados
armas neles vão plantar. O problema da fome já está resolvido
vão-nos eliminar e não terão mais despesas para nos suportar
Têm muito tempo para dispararem, para nos matarem
Nem um segundo para amarem
Grande parte do tempo da nossa vida é gasto em eleições
E sofremos com estas desilusões
Porque não há um partido político do amor

Se critico a Igreja, sou excomungada, herética hierarquizada
Se blasfemo o Islão, espera-me a Jihad, a intifada, a cimitarra
Se ouso opor-me ao comunismo, enviam-me para um gulag
Se luto contra o capitalismo, prendem-me porque persigo o marxismo
Se exijo a parte do rendimento do petróleo que me pertence prendem-me
ou assassinam-me por incitação à violência
Se faço uma manifestação contra a corrupção, premeiam-me com seis meses de prisão
Se denuncio as democracias ocidentais que repartem os biliões de dólares com os seus amigos petrolíferos, eliminam-me, acusam-me de nacionalista
Se exijo emprego e pão, dão-me o sarcasmo da fome
Se não sou militante do partido do governo, espancam-me
Se há muita fome e miséria surgem muitas frentes de libertação nos enclaves Se há um só Deus porque existem guerras religiosas?!
Se há tiroteio depois das eleições, é porque o partido que governa é o melhor, insubstituível, imperdível
Se o petróleo está sempre primeiro, a fome está sempre no último lugar
Se me emprego na prostituição, o único emprego que há e onde a concorrência é tão elevada, desleal, que obriga a preços muito baixos... prendem-me porque sou debochada, sem carácter
Se as iluminadas, ortodoxas, peculiares… igrejas teimam, queimam-nos com o sol das teocracias. São estas, a subserviência das democracias
Se não tenho luz e água, um qualquer arauto tranquiliza-me: «a revolução ainda não terminou»
Se sai um colonizador entra outro
Se não tenho direitos, perdi a existência, a minha defunta independência, não sou ser humano! Perdi-me!
Onde está a minha liberdade?!
No próximo movimento de libertação!

Fui às compras na cidade próxima
Não tive sucesso. As mulheres fugiam muito preocupadas,
perguntei-lhes: fogem porquê?!
«Estávamos muito bem, de repente sentimos chicotadas nas costas»
Sabem quem foi?
«É um jacaré, um espírito. Toda a gente está a fugir com medo
Ninguém consegue escapar-lhe»

Imagem: campo de concentração de Luanda

Jornal de Angola, 04 de Janeiro de 2010


Porta-estandarte do marxismo-leninismo e órgão oficial da nova Constituição

Tribunal de Contas aumenta auditorias

Lunda-Norte revela planos para o próximo ano. Água potável para mais de 25 mil famílias e vários centros médicos.

FNLA considera o 4 de Janeiro início das revoltas

Baixa de Cassange é referência histórica de Angola. Região Marca o ponto final à escravatura de que o povo angolano era alvo.

Editorial. Livres e independentes. Valeu a pena todo o sacrifício consentido durante a luta armada de libertação nacional. Libertámo-nos do colonialismo e estamos hoje a construir uma sociedade em que não haja pobreza, analfabetismo, fome, doenças. Somos livres e independentes e saberemos, com trabalho e sabedoria, levar Angola a patamares de desenvolvimento que criem bem-estar para todos os angolanos.

O consumidor angolano está muito virado para ver fisicamente o produto que compra e a pagar com dinheiro vivo. Começa a existir, mas ainda não está disseminado, o mecanismo de pagamento on-line. Rui Santos, membro da Direcção da Associação Tecnológica de Angola (ATA)

ZAIRE. Polícia considera “exemplar” comportamento da população

Melhoria da vida de populações foi a prioridade em Cambambe

Imagem: Campo de concentração de Luanda


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Mais um prémio da emulação socialista


10Fev10 das 13.46 às 19.55 horas. O nosso querido Politburo martirizou-nos com mais um apagão. Estes outra vez regulares cortes de energia eléctrica destinam-se a testar as reais capacidades da resistência do nosso heróico e generoso povo.

A nossa revolução prossegue imparável… como sempre… para o precipício marxista-leninista.

Jornal de Angola, 02 de Janeiro de 2010


Porta-estandarte do marxismo-leninismo e órgão oficial da nova Constituição

Violência doméstica controlada em Benguela

Huambo. Combate à fome e à pobreza é uma prioridade de Muteka

Água e energia eléctrica. Cândida Celeste promete no Namibe materializar governação participativa.

Finanças da província do Uíge registam diminuição de receitas

Diversos vende-se. Navios e embarcações comerciais e petrolíferas a bom preço

Diversos precisa-se. Prédios c/5º andares. Guest House de 15 Apartamentos, necessita-se p/compra urgente.

Em memória dos mártires da pátria desenvolvamos o país e reforcemos a democracia.

Condições de vida melhoram no Cunene. Projecto “Água para todos” fez com que a população deixasse de percorrer longas distâncias à procura do líquido. O governo provincial adquiriu grupos geradores para reforçar o fornecimento de energia eléctrica.

Cinema nacional com elevada produção

Novos desafios na gestão cultural

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A Epopeia das Trevas (117). Tantas e tantas fardas por todo o lado. Luanda é um gigantesco quartel militar


Sei agora que após a tua despedida da vida
o amor deixa rastos invisíveis, invencíveis
O Taj Mahal e o Mausoléu de Halicarnasso não superam a grandiosidade
desta tua prematura púbis cabeluda, onde anotavas
apontavas, desfloravas qual densa mata do Maiombe

Na eterna espera do teu regresso
talvez estejas a um minuto, ou biliões de anos-luz
num longínquo desconhecido. A distância que nos separa
desse muro cósmico, será nos próximos milénios assegurada
Quando os vindouros proclamarem o ressurgir da vida
do suspenso momentâneo actual
Por aqui cada dia tudo está a ficar demasiado violento
As tempestades, os ventos, ultrapassam as maiores batalhas
Rompem facilmente a História destas muralhas

Eras a minha sinfonia, a harmonia, antes da agonia
outra vez deste mar
Deste colapso esverdear. Até os pássaros deixaram de voar
Secaram tudo. As florestas, os bosques, os rios. Esconderam o encantar
do já nada existe para amar. Tudo está esclarecido, estarrecido
noutra dimensão a pairar. Nos confins da inconsciência
do reduzir outra vez tudo a pó

Outra melodia será universalizada quando este Jesus Cristo acabar
e outro surgir do fundo das águas
Ele está a ser modelado, e desta vez para sempre
será libertado. Não ouvirão parábolas, apenas o seu olhar de compaixão
Para os maldosos, crentes insistentes, não existirá perdão
Grande reconstrução, um gesto e uma bênção

Eras como o pranto dos jasmins, que ainda conservo no mesmo canto
na alcova do nosso recanto. Quando enlevados, abraçados
encalhados na ventania que anunciava os primeiros pingos
da agitação atmosférica próxima. Depois bem regados, enregelados
Como era possível dois desaparecerem e ficar um só corpo?
Ainda não consigo entender, para onde ia
o que acontecia ao outro ser

O meu sonho, os outros sonhos, terminaram
Só os pesadelos começaram, recomeçaram. Não há porvir
enquanto este governo e os seus aliados internacionais
persistirem em nos reduzirem a pó
A seguir o que resta do divino vai ruirá
Perco muito tempo à procura das nossas palavras perdidas
quando revivo o passado no ferro de engomar
Cada peça de roupa retrata momentos dos dias

Depois de tudo terminar, alimentamos o lamentar
Onde tudo começa e acaba só a morte o sabe

Onde estás, para onde fores lembra-te de mim
Há sempre um jasmim. Remodela os nossos passatempos
com novos pensamentos. Encontraste os jardins eternos
dos jasmins. Planta-os, rega-os. Finalmente tens tempo
para encontrar o amor vencido. O paraíso da morte está sempre desperto
no meu desespero de viver ao pé de ti, tão perto
Tarda, mas sei que vai chegar, me vai libertar
E só a morte nos liberta
Aqui continuamos no nascer e crescer desesperados,
acorrentados desejamos galgar as montanhas da feroz ditadura

Quando um simples monte se torna um obstáculo intransponível
Deixamo-nos vencer, obedecer a qualquer voz de comando
E obedientes de medo nunca venceremos, nunca triunfaremos

Tantas e tantas fardas por todo o lado. Luanda é um gigantesco quartel militar

Jornal de Angola, 29 de Dezembro de 2009


Porta-estandarte do marxismo-leninismo e órgão oficial da nova Constituição

Transparência e boa governação na mira. Medidas para “tolerância zero” em estudo. Chefe de Estado quer a participação dos cidadãos no desenvolvimento sustentável.

Presidente da Assembleia nacional manifesta confiança no futuro do país

Ministra promete registo predial simplificado

Jornal Folha 8 acusado de fazer jornalismo sem ética

Abraão Gourgel optimista. BNA garante um ataque cerrado a desestabilizares do mercado.

Estádio da Tundavala faz “chorar de alegria”. Aeroporto da Mukanka é também aberto ao tráfego e foi decretada tolerância de ponto.

Editorial. Água para todos. Os investimentos públicos têm dado prioridade à melhoria substancial das condições sociais das populações, no sentido de conceder-lhes uma boa qualidade de vida.

Mercados. Barril de “Brent” fecha com subida

China apresenta boas perspectivas para liderar a economia mundial

Estádio da Ombaka foi inaugurado ontem com a bênção da igreja católica

ESTÁDIO DA Tundavala. Novo empreendimento tem tecnologia de ponta

Perdeu-se passaporte chinês em nome de Wang Xiaojiang, Quiongjie, Zhon Jihua, Zhou Zheng Guo, Ge Yanliang, Xiaje Ni e Zhao Jianrong.

Namibe. Cândida Celeste promete o reforço do fornecimento de energia e água.
Kuito. População vai consumir mais luz
Zaire. Casas iluminadas na comuna de Kinzau

Huambo. Reabilitação de estádios incluído no programa de investimentos





segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

ATINGIMOS O ZERO (Fim)


Há também outros, sempre documentários diários. Não sei para que é a servidão de qualquer acontecimento mundial, este ser obrigatoriamente comentado pelo Papa vaticinador do Vaticano. Mais parece um comentador desportivo da nossa Rádio 5. E como é fácil ludibriar as massas sim e não católicas garantindo que a jovem Susanna Maiolo que o atacou sofre de perturbações mentais. Porquê escamotear a verdade? O que realmente aconteceu? Que amargura vive nessa mulher? Que atrocidades lhe fizeram?

Que loucuras globais, que mistérios se escondem nos políticos nas actuais políticas mundiais que nos governam tal e qual como num asilo de loucos? Isto não é a globalização mundial, é a loucura global, total, totalitária. Caminhamos como que hipnotizados para o suicídio da massiva globalização. E ninguém consegue submergir deste mergulho, desta escuridão.

É imperioso realizar transformações sociais profundas para resgatar as populações à dignidade sem promessas falsas. É que a feitiçaria anda a monte. Está tão disseminada por esta Angola descontrolada que se não for parada assistiremos, contribuiremos definitivamente para o golpe final da nação angolana, para gáudio dos especuladores nacionais e da conjura nacional e internacional. É que os jovens aderem massivamente aos comités clandestinos da especialidade da feitiçaria.

Como estão abandonados pelo Politburo, que perde o tempo em estádios e na devassidão faraónica, a juventude abandonada, desempregada, sem futuro, espoliada dos poços de petróleo, sem fundo de desemprego – isto é a continuação do marxismo-leninismo – não tendo outra visão de vida, atira-se de corpo e alma para a feitiçaria. No fundo é a sobrevivência de Angola que se joga nos bastidores dos estádios de futebol. É o CAN 2010 da feitiçaria. E quase cinquenta anos depois o ministro das Obras Públicas, mais um general, Higino Carneiro, atesta quase com orgulho: «Não temos quadros.» Foi certeiro… como as nossas universidades que não merecem tal nome.

Dinheiro do Estado é para uso pessoal e para enriquecimento ilícito. Para universidades pessoais para formação exclusiva de quadros da corrupção. O dinheiro que se gastou nos estádios se fosse investido numa universidade de referência, os préstimos seriam os desejados. Mas como ainda nos sujeitamos aos caprichos pessoais de um chefe supremo, continuaremos subjugados pela FAMÍLIA e desempregados estrangeiros.

E enquanto descarrilados no comboio da paz, o futuro desestabilizado acontece, perece. Convém lembrar que a continuação da imposição da chefia e seus chefitos é tribalismo. Não formam quadros porque têm medo de perderem o poder. Havendo quadros devidamente formados manter-se-á a mesma perdição da subjugação da militância do sempre o mesmo partido com os mesmos políticos que sem inovação permanecem na utilíssima mesquinhez.

É um imenso prazer reinar em palácios rodeados de aparatos militares e outros esbanjamentos luxuosos, enquanto nas cercanias andrajosos arrastam-se na vã tentativa da obtenção de uma moeda ou de uma bênção. A África e particularmente Angola regridem para o tempo da caça aos escravos e dos irresponsáveis e incompetentes.

E nenhum é preso, nem demitido porquê?! Porque são marxistas-leninistas, foras-da-lei. Destruidores de povos e de nações. Promovedores de intempéries, de hecatombes. Como é possível este lixo da História ainda sobreviver? Porque as democracias fedorentas alentam-nos, dividem os despojos com os abutres. É terrificante ver intelectuais acomodados no sistema que já desistiram da luta. O marxismo-leninismo não pode triunfar.

E reforçam-se reinaugurando as estruturas do poder popular e dos comissários do povo para melhor responderem às características revolucionárias do processo em curso. Assim esmagarão qualquer tentativa golpista da reacção interna e externa.

E a igreja segue com a história que lhe é característica. Fingindo que luta contra a opressão, sempre camuflada do lado deste governo que continua genuinamente colonial. De facto se a igreja estivesse interessada há muito que Angola seria independente. Convém a manutenção dos escravos nos currais.

Quanto mais analfabetos melhor, não chateiam, bebem, dormem hipnotizados, abandonados, queimados pelos álcoois religiosos.

A Epopeia das Trevas (116). Acabou a vigarice da independência, voltei a lavar roupa. Consegui emprego como lavadeira


Ouvi um grande cientista afirmar que esta é a civilização da psique,
a psique do dinheiro. Nada mais fácil. Para enriquecer rápido
basta tirar um curso desses que explica como curar a mente.

Estamos a gerar filhos idiotas para internamento psiquiátrico.
Há uma degeneração somática devido às fobias
que assolam constantemente a mente.
É quase um milagre dormir em paz. As funções genéticas alteram-se
porque o sono não consegue ser reparador
Somos todos pacientes, acordamos a qualquer momento da noite com pesadelos
Não conseguimos dormir mais, e se insistimos acordamos com espasmos violentos
Porque não conseguimos retirar as preocupações que dominam o nosso cérebro
Este, quando a claridade do dia surge está como bêbado
Como se acabasse de jorrar uma garrafa de uísque
Na tentativa de o ajudar fuma-se um cigarro, depois outro
As próximas noites serão continuadas como uma floresta virgem,
onde aparecem escavadoras que desflorestam o sono reparador das noites
Surge a saída: os tranquilizantes que no início resultam
mas depois vazam-nos a existência
Porque não existe paz para a mente
Os filhos gerados desta mutação sem o verde planetário,
que existia, recebem os dotes dos progenitores e a sua missão é muito simples:
Destruirem os bairros, as cidades, os países, a Terra

Não há nada… nem ninguém que não se enterre
Nas comissões das corrupções sectoriais que enchem
os destemperados petrolíferos da fome
Oh! Como vos desnaturais

Acabou a vigarice da independência
voltei a lavar roupa. Consegui emprego como lavadeira
Lavo e engomo. Regressei ao passado colonial pois então! A minha luta com o tanque
de esfregar os tecidos não pára
Não consigo vencer o tanque. Há sempre roupa para lhe colocar e lavar,
e a ferro passar, engomar. A senhora proíbe-me de almoçar
Com fome saio fraca, quase a desmaiar

Meu Jasmim Branco! Foste e deixaste, abandonaste-me a tua Jasmim da Noite
Eras como um alaúde sem Idade Média. Não ouvirás os beija-flores
Não verás mais o prodígio do equilíbrio do seu sugar
Nem as marés quentes que se estendem, horizontais
E verticais sob os mangais. Alarmam, chamam os caranguejos das marés
Que se desabrigam a saírem das suas caves inundadas
Caminham como aranhas na maré-cheia, rotina marginal
Não me verás mais ondular no verde intenso do capim. Sem ti, senti
a memória passada do meu biquíni. Na frequência oscilante da fragrância marítima

Jornal de Angola, 21 de Dezembro de 2009


Porta-estandarte do marxismo-leninismo e órgão oficial da nova Constituição

Preferência para a matriz C. Sociedade civil de Malanje realça valias das três propostas.

Editorial. A reforma administrativa. O cidadão, quando em contacto com os serviços públicos, pretende que os seus problemas sejam resolvidos com celeridade, sobretudo agora que o país está a conhecer um grande crescimento económico, que se traduz particularmente no surgimento de muitas empresas em todas as regiões.

Sonangol garante resolver problema dos combustíveis no país em 2010

Namibe. Jornalista da TPA vence prémio de jornalismo

A importância da dieta alimentar no combate ao VIH-SIDA

Serviços de saúde. Directora do Hospital Geral do Lobito assegura assistência medicamentosa.




domingo, 7 de fevereiro de 2010

A Epopeia das Trevas (115). Uma grande empresa de negócios mundial é como uma grande igreja. Os negócios têm uma religião, a igreja também


Que não receia a escuridão da mente. Na dúvida aproxima-se
e pede-nos auxílio, porque se sente tranquilo, dominado
Apenas com a apresentação de uma vulgar cruz
reis, príncipes, grandes senhores foram dominados
Porque não terá que continuar assim?
A verdade é o temor eterno das coisas, e quem se aventurar a descobri-las
o Caminho que conduz ao Deus deles, terá funestas consequências
Porque quem o descobriu primeiro, esses são os eleitos
e nenhum deus admite concorrência
Uma empresa poderosa que domina o mundo aceita outra no mercado?!
Não! Porque isso é desleal! Acorrem de imediato os seus defensores
contratando os melhores advogados. São os segredos ocultos dos cultos religiosos

Uma grande empresa de negócios mundial é como uma grande igreja
Os negócios têm uma religião, a igreja também
De modo que, como somos todos cegos, estamos impedidos de o ver
As searas plantadas que os nossos pés delimitados pelos campos minados
da história da infâmia esbarram panfletários:
NINGÉM MAIS ROUBA! APENAS NÓS! EU!

O silêncio da noite interrompe-se pela vozearia contaminada, alcoolizada
pela hipocrisia do Ocidente que finge, apoia, tiraniza as repúblicas do petróleo
que nos exterminam. Onde estão, onde ficam os intelectuais angolanos!?
Perderam-se algures offshore e onshore
Um povo não se conhece pela riqueza do solo, do subsolo
Um povo é rico pelo número dos seus intelectuais
Nunca pela adorada propensão alcoolizada, fomentada, injustiçada
Não havendo justiça há muita mão à disposição

Para amar basta brotar, gostar de dois promontórios e uma fenda
Não, não gostam… fingem. É um sentimento vago, que se esvai como a cópula
É um prazer momentâneo. O ser humano habituou-se
a não perder tempo com as súplicas da Natureza
E os banqueiros nunca dormem, obrigam as marés
dos mares de gente a apressarem-se, a carregarem as ondas do papel-moeda
Que tem um som similar à ondulação, um canto, um cheiro matinal
superior ao do mar, universal. Fabricam tudo

Não sabem que conseguiram criar fábricas onde o amor sai enlatado?
Agora tudo serve de negócio. É verdade!
Quero amar, vou a um supermercado e compro uma lata cheia de amor
Levo-a para casa, abro-a, apresento-a ao meu amado
E aí temos uma noite grandiosa de suspiros e ais enlatados
Depois despejamos tudo na pia, e o destino é o mar
Podem imaginar como o mar se sente. Nunca pensaram nisso,
repararem que todo o planeta assim procede
As pessoas sentem remorsos quando se aproximam da espuma branca marítima

Porque sabem que os restos do seu amor andam por ali perdidos
Creio que têm receio que os oceanos engravidem
E que as marés ao encherem inundem a leveza da neve transparente
As areias das praias com… como filhos enjeitados
Para quê tê-los, se não há tempo para os educar
Não se lhes dispensa nenhuma atenção
Nem sequer os levamos para contemplar uma árvore…
Para quê se o verde já foi comprado por algum dos inúmeros banqueiros
e insconstitucionais. Isto é assim: entre fazer amor e gerar um filho, há que escolher. Dez minutos de coito, e o dinheiro no seu banco deixa de render
Os pais teimosos que conseguem fazer filhos, no fim têm a surpresa habitual
As poupanças nos depósitos bancários utilizam-se para pagamentos a psicólogos e psiquiatras.

Outra vez sem energia eléctrica!


CHAMEM OS BRANCOS!!! Os camaradas da EDEL, Empresa Distribuidora de Electricidade de Luanda, repararam, não se sabe quantas vezes, o cabo que se queimou, que está sempre a se queimar, então, como estes bantus são todos electricistas, um deles mexeu nos condutores eléctricos da escada do prédio e incendiou. Ainda se nota o cheiro característico do queimar deixado pela energia eléctrica.

É a vigésima vez que este electricista bantu incendeia o prédio. Mas isto é geral, prática anormal em toda a Luanda. Os incêndios devidos a curto-circuitos são constantes. Parece existir um prazer mórbido em destruir. Há sim um gozo pela destruição, porque depois são apanhados a rirem. E tudo numa boa. Estes bantus ainda não têm noção do que são leis de convívio social. Ainda seguem escrupulosamente os ensinamentos do maravilhoso, saudoso, Poder Popular.

Angola teima em não querer sair das trevas. Em Angola e em Luanda as únicas coisas que funcionam são a demolição de casebres. Um Governo quase com cem membros e os fiscais do Governo da Província de Luanda que espoliam selectivamente, por exemplo são ávidos por óculos, os bens dos vendedores das ruas.

CHAMEM OS BRANCOS!!!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Luanda. A anarquia interminável da energia eléctrica.


Mais um super apagão. 03Fev10 das 23.30 às 00.50 do dia 06Fev10.
Com tantos prédios, torres, condomínios, estádios de futebol e outras inúmeras construções, os cabos eléctricos não suportam tal consumo. Mas, o mais importante é a anárquica instalação de aparelhos de ar condicionado potentes sem justificação e os incontáveis liga e desliga das empresas fornecedoras de energia eléctrica que destroem os cabos que transportam energia até às nossas habitações. E milhares de curiosos que se fazem passar por electricistas.

Luanda não tem energia eléctrica. Está tudo destruído como bem compete. E não vale a pena falar qual será a energia eléctrica que alimentará o tal projecto do milhão de casas. E sem quadros terão que entregar tudo aos estrangeiros e fatalmente regressarem ao destino do colonialismo. Não vale a pena virem com conversas e as ilustrativas politiquices porque isto é irremediável. Não me digam que também para isto é necessário um plano director.

Em saudação à nossa nova Constituição, o nosso querido Politburo saúda-nos mais uma vez com grande e colossal, extraordinário, revolucionário apagão marxista-leninista. Há sempre que reforçar, cerrar fileiras em torno do nosso querido Deus Líder para que tenhamos mais prémios destes, mais apagões. E continuaremos muito felizes na sua Graça.

E Luanda desenvolve-se com garrafas de cerveja cheias de óleo alimentar, uma tampa com um furo, uma torcida improvisada. É esta a energia eléctrica desta futura nova Constituição: Reduzir Angola ao pó da escuridão. A besta marxista-leninista regressa em força. E sendo tão maldosos, acabarão na maldade que criaram. E submissa a oposição condescende. Pouco ou nada mais lhe resta. Está como a religião, é a oposição benfeitora do rebanho da escravidão.

Como era de esperar, a actividade marxista-leninista ressurgiu em força… destrutiva como habitualmente nas sobras da energia eléctrica. E tal como num tremor de terra esperam-se muitas réplicas sem iluminação. É mais rentável investir em fábricas de cerveja e similares. Com a água de borla os lucros são fabulosos. Para quê investir na energia eléctrica. O petróleo é quanto baste. Em memória dos mártires da energia eléctrica e da água, desenvolvamos e reforcemos o marxismo-leninismo. Libertámo-nos do colonialismo e continuamos escravos do marxismo-leninismo.

Angola só está virada para a especulação imobiliária. É o paraíso mundial de tudo o que é especulador. Fantástico o número de empresas de construção civil e de negociatas imobiliárias para meia dúzia de novos-ricos. É simplesmente impossível… é uma aberração incurável.

Angola é o país do abandono de trabalho e de passaportes perdidos dos chineses. Como é monstruoso verificar diariamente nas páginas do Jornal de Angola. Até agora ainda ninguém veio a público explicar o motivo de tanto despedimento. Parece claro que só existe uma explicação: invasão dos lugares deixados à força pelos angolanos para os estrangeiros desempregados.