terça-feira, 18 de maio de 2010

A Ocidente do Paraíso (61). O pai da Marta pegou na caçadeira e farejou montanha acima à caça.


A correspondência com a Marta era intensa. Desabrochava, notava-se a sintomatologia das promessas ao amor. O namoro avançava, como o sol que quando nasce irradia a sua beleza festiva. Ela insistia-me para passar umas férias com os seus pais em Vila Nova de Tazém, na Beira Alta, pois já tinha combinado com eles. Queria que me conhecessem, e esperava que também gostassem de mim.

Fui de comboio. Quando cheguei o pai da Marta aguardava-me. Fazia muito frio. Fomos num automóvel de caixa aberta que lhe pertencia. Ao chegarmos mostrou-me o aposento em que ficaria instalado. Um quarto espaçoso, bem arejado, com muitas mantas na cama. Na sala de estar havia uma lareira acesa e foi para lá que me dirigi. A mãe da Marta serviu-me uma sopa de legumes, garantindo-me que fazia bem, e era óptima para o frio.
As mantas não chegavam para o frio das noites.

De manhã fui saudado com uma surpresa. O pai da Marta pegou na caçadeira e farejou montanha acima à caça. Quando me viu, mostrou-me com satisfação dois coelhos que seriam daí a pouco preparados e repastados. Foi com mágoa que lhe pedi desculpa, confessando-lhe que não gostava de comer coelho, frango ou aves. Desculpou-se com alguma tristeza e admiração, porque desconhecia tal incómodo. Revivi a situação da tropa, e lá vieram as batatas fritas com bife.

Os terrenos eram imensos. À velocidade de cerca quarenta quilómetros à hora de automóvel, percorremos durante mais de meia hora a via principal que os delimitava. Havia muita coisa. Campos de oliveiras, videiras, frutas, batatas, etc. Era um verdadeiro império que herdaria com a Marta.

Participei na campanha da azeitona. Toldos estendiam-se no chão. Varávamos nas ramagens das oliveiras e a azeitona caía. A que se mostrava mais teimosa, inacessível, ficava para depois com escadas, e os ramos mais escondidos ripavam-se. Havia muita azeitona, que mais tarde se preparava para alimentação e para a produção de muito azeite. Notava-se facilmente que o lavrador estava contentíssimo. Jubilava pelo ano de boa colheita. E das videiras viria a boa água-pé que não podia faltar. Dos porcos saíam apetecíveis lombinhos para assar, e do presunto defumado uma delícia.

O pai da Marta informou-me que enviou para os meus pais batatas e outros produtos, o que agradeci efusivamente, nomeando-me como membro, que eu já fazia parte da família. A apanha da azeitona terminara. O muito frio ainda continuava. Contentei-me, observei e vivi o suficiente com estas pessoas honestas, simples e trabalhadoras. Levantavam-se ao pôr-do-sol e, pode-se dizer, quase se deitavam quando ele se despedia até amanhã. Pareciam que estavam numa ilha, onde praticamente os contactos com o exterior não existiam. Quando tentava encetar um diálogo sobre a política salazarista, que evidenciava o ostracismo a que estavam votados, apenas sorriam, desculpando-se que não entendiam nada disso. Apenas queriam viver a sua vida simples, e passar o resto da sua velhice com os ganhos obtidos na região dos Dembos, em Angola.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A Ocidente do Paraíso (60). Comecei a ficar com medo de dormir.


Nas duas primeiras semanas acordava sempre com o mesmo pesadelo. Que alguns inimigos subiam pela parede até ao segundo andar. Que já estavam a abrir a persiana, e vinham armados com punhais para me matarem. Despertava em alta gritaria e depois ficava muito cansado. Algumas vezes a cabeça ficava a zunir, e pensava que ia enlouquecer. Mas conseguia acalmar-me. Comecei a ficar com medo de dormir. O médico receitou-me calmantes que tomei durante uns dias e assim já conseguia dormir tranquilo.

Tinha que arranjar emprego. Respondi a um anúncio no Diário de Notícias, que pretendiam vendedores. Era condição fundamental saber inglês. Fui à entrevista, preenchi um questionário onde as habilitações mínimas exigidas eram o sétimo ano. Escrevi que tinha tais habilitações, que o meu inglês era razoável, e que na vida militar o meu posto foi alferes. Claro que era mentira. Davam uma reciclagem de inglês o que não me foi difícil. Não desconfiaram de nada. Integraram-me numa equipa de três elementos. A empresa intitulava-se Tematron Internacional. Vendia pequenos computadores para crianças. No visor o petiz encostava um lápis electrónico e respondia se era por exemplo um A. Se errado, aparecia no visor ERRADO, ou CERTO se fosse a letra certa. Também funcionava com números.

O aborrecido era o vencimento que consistia nas comissões das vendas. Os contactos com os clientes efectuavam-se ao meio-dia, ou à hora do jantar. Eram as horas ideais quando a família habitualmente se reunia. E as crianças gostavam do brinquedo, faziam pressão sobre os pais para o comprarem. Os contactos seleccionavam-se da lista telefónica. A preferência, claro, ia para engenheiros, médicos, advogados e similares. Porque o preço do brinquedo não era nada barato. Como não tinha transporte próprio, eu e outros colegas andávamos longas distâncias de autocarro ou a pé. Depois de vários dias não consegui vender nada. O cansaço já me dominava. Saía de casa de manhã, e almoçava uma sandes em qualquer lado. Com fome prosseguia a minha luta. O dinheiro começou a escassear e desesperado desisti.

O meu irmão, a seguir-me na ordem de nascimento tinha o péssimo hábito de ouvir música com o som muito elevado no seu gira-discos. Já lhe tinha falado para baixar o som, mas não prestava nenhuma atenção. O meu sistema nervoso começou a abalar-se. Ouvi a voz do meu pai a reclamar, que tinha estado de serviço de noite e que necessitava dormir. O meu irmão fingiu que não ouviu. Então, pensei que durante a minha ausência o lar entregou-se na anarquia. Disse-lhe para baixar o som. Ao contrário do que esperava… elevou-o. Vi com surpresa o meu irmão em posição de luta. Alto e forte, treinava carate. Sabia que ele já tinha protagonizado algumas surras. Mas não me intimidei com isso. Peguei no gira-discos, atirei-o ao chão e partiu-se em pedaços. Ele veio na minha direcção para me agredir, esquivei-me e dei-lhe dois socos na cara. Ficou a chorar. Primeiro a minha mãe, depois o meu pai, acorreram pensando que eu ia matá-lo. O meu pai repreendeu-me com dureza. Depois fiquei admirado com a minha violência. Decididamente a minha casa não era local saudável. Já pensava em ir-me embora, mas para onde?!

Imagem: http://iriscelta.multiply.com/photos/

sábado, 15 de maio de 2010

Terrorismo Católico?


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sexta-feira, 14 de maio de 2010

A caminho de Awschvitz


As seitas religiosas não são o parte coração da nossa aflição. Na nossa caminhada para Awschvitz é o pavor da proliferação das seitas imobiliárias que nos persegue com os seus ritos sanguinários e secretos, com financiamentos das seitas bancárias. Que sofisticada é esta democracia do Inferno.
A caminho deste Awschvitz sem arame electrificado porque não tem energia eléctrica. Um país desorganizado é como casebres em ruínas, onde fazem morada ratos e outros espécimes.
Entretanto o preço do petróleo sobe, parece atingir o tal patamar agradável de produtores e consumidores. 75, 80 dólares o barril, e os descamisados aumentam nos supermercados dos caixotes do lixo.

A prole dos esfomeados bandeirantes invade, aumenta os grupos que fazem concorrência na recolha do lixo. Há dois petróleos: um para os endinheirados do Politburo e outro para espoliados e esfomeados.

Um Politburo que obriga à proliferação de geradores numa cidade capital que nos intoxicam, nos derretem a vida, não nos merece qualquer consideração. É este o rumo deste moderno Awschvitz, agora empossado no comité de especialidade da subida dos preços.

E a Igreja e esta ditadura estão na mesma moldura.
Atabalhoaram, transformaram um povo numa espécie animal desconhecida.
O que esperar de um povo educado por governantes experimentados no roubo e na corrupção. Convicto, este povo segue tão salutares exemplos.

Imagem: http://www.artistas.angoladigital.net/etona/index.htm#



Subsídios para a novel literatura angolana


Excessivos escritores e poetas que labutam com ardor… revolucionam nas suas especialidades os seus comités. As medíocres obras lavradas nos campos incultos, exaustos do tudo sem agricultura, apascentam gado tresmalhado sem pasto, nas obras sem páginas.

E são eles que movem a única história de um partido único. Tecem-lhe considerações, literatura bajulada e sempre premiada.

Glória a tantos escritores e poetas que enaltecem os feitos da novel literatura angolana.

Camaradas escritores e poetas únicos, louvai-vos!


«REPÚBLICA DE ANGOLA
MINISTÉRIO DA JUVENTUDE E DESPORTOS
CASA DA JUVENTUDE
C.P. 179-VIANA; TEL: 222-291603/291338; fFAX: 222 2913388 E-mail:casa.ju.ventude@hotmail.com

Fonte: CLUB-K.NET

À
COMISSÃO INSTALADORA DO
BLOCO DEMOCRÁTICO

Att: DIGNÍSSIMO Dr. LUIS FERNANDES
DO NASCIMENTO


LUANDA
06.05.010

GDCJ

Os Mais Distintos Cumprimentos

Honra-nos acusar a recepção de V. Refª de nº 10/CIN.BD/10, datada de 27 do pretérito mês de Abril de cujo teor enobrecemos.

Excelências!

Após uma análise e ponderação, e, a luz das constantes do Decreto - Executivo nº 128/06 de 6 de Outubro por um lado e, por outro, dada a imcompatibilidade de calendário expressamente manifesta nos nossos contactos verbais e telefónicos havidos, fomos forçados a não satisfação da pretensão que nos é presente, facto que incomensuravelmente deploramos.

Outrossim, lamentamos a forma menos aconselhada da tramitação havida do expediente em tela e dos constrangimentos daí advindos pois, o procedimento em causa, não faz parte do nosso apanágio.

Com os protestos de reiterados cumprimentos, desde já despedimo-nos,

DE
V. EXªS
O DIRECTOR

PAULO MARIA AUGUSTO

Imagem: http://www.chargeseditoriais.com/

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Chegados e refrescados


Receio que Angola embarque num primitivismo tão bárbaro, tão desumano, e que dele não consiga mais desembarcar.

Sempre as mesmas palavras bolorentas, dos mesmos governantes com cheiro a naftalina. Enquanto a miséria galvaniza a fome. Conversas anormais, num país anormal, animal.

O inglês chegou, espoliou-me o emprego. O luso-angolano instalou-se e quer que trabalhe sem me pagar. Um banco chegou e ordenou aos seus capangas imobiliários que me destruíssem o casebre para o substituírem por um de betão. Dizem que fica mais bonito, e muito mais caro, acessível a poucos bolsos, imundos, oleosos, cadavéricos petrolíferos.

Qualquer estrangeiro chega, dá-me ordens, olha-me com desdém, ainda no convencimento secular de que continuo inferior, submisso, passos atrás escravos.

Sobem os preços até onde querem. Há uma impunidade geral para o poder dos novos-ricos e estrangeiros. E para nós atiram-nos, obrigam-nos a comer o lixo dos seus condomínios dos terrenos colonizados.

Seja o que for que se faça, é tudo condizente com o modismo, baseado na vigarice, no permanente cambalacho. Estrangeiros mal chegados passam a chefes disto e daquilo, renovando, saudando o revanchismo.

Provocam-nos com mil subterfúgios para nos obrigarem, escorraçarem dos empregos, para neles colocarem os familiares e amigos. Isto está uma trampa daquelas.

E continua-se com a produção de filhos em série. Filhos não para a nação, mas para a escravidão. Produzir muitos filhos para mostrar que ele é um macho reprodutor. A miséria reproduz-se.

Os seres humanos dividem-se em selvagens e incivilizados.

História do nosso Pravda


O Pravda (no alfabeto cirílico Пра́вда, Verdade) foi o principal jornal da União Soviética e um órgão oficial do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética entre 1918 e 1991. O jornal ainda existe e está em circulação na Rússia, mas ficou mais conhecido nos países ocidentais por seus pronunciamentos durante o período da Guerra Fria. Existe ainda um certo número de outros jornais menos famosos em outros países que também se chamam Pravda.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pravda

Pravda de Viena
O Pravda original foi fundado por Leon Trotsky como um jornal Social-democrata russo voltado para os operários. O jornal era publicado no exterior para evitar censura e de lá enviado para dentro da Rússia. A primeira edição foi publicada em Viena, capital da Áustria, em 3 de outubro de 1908. A redação era constituída por Trotsky e, em épocas diferentes, Victor Kopp, Adolf Joffe e Matvey Skobelev. Os dois últimos tinham pais ricos e sustentavam o jornal financeiramente.

Como o Partido Social-Democrata Russo era dividido em múltiplas facções e Trotsky se apresentava como um 'social-democrata sem facção', o jornal gastava boa parte de seu tempo tentando reunir as tendências do partido. Os editores tentaram evitar as edições segmentadas que dividiram os emigrados russos e concentravam-se em assuntos de interesse dos trabalhadores russos. Junto a um estilo de redação vívido e fácil de compreender, rapidamente o jornal tornou-se muito popular na Rússia.

Em janeiro de 1910, o comitê central do Partido realizou uma plenária extraordinária com representação de todas as facções. Foi firmado um acordo abrangente para tentar reunificar o partido. Como parte desde acordo, o Pravda de Trotsky foi transformado num órgão central financiado pelo partido. Lev Kamenev, um dos líderes dos bolcheviques e colaborador próximo de Lenin, entrou para o conselho editorial, mas renunciou em agosto do mesmo ano, após o fracasso da reconciliação. O jornal publicou sua última edição em 22 de abril de 1912.

Pravda de São Petersburgo
Após a derrocada do compromisso de janeiro de 1910, a facção bolchevique do PSDR começou publicar um semanário legalizado em São Petersburgo, o Zvyezda ('A Estrela"), em dezembro do mesmo ano. Quando os bolcheviques racharam formalmente com as outras facções em sua conferência em Praga, em janeiro de 1912, decidiram também transformar Zvyezda, até então publicado três vezes por semana, em um jornal diário.

Os bolcheviques finalmente realizaram seu plano quando a primeira edição do novo Pravda foi lançada em São Petersburgo, em 22 de abril de 1912. A publicação continuou legalmente (ou seja, sujeita à censura oficial) até ser fechada pelo governo em julho de 1914, no início da Primeira Guerra Mundial.

Devido ao assédio da polícia, o jornal teve de mudar de nome oito vezes em apenas dois anos [1]:
Рабочая правда (Rabôtchaia Pravda, A Verdade Operária)
Северная правда (Severnaia Pravda A Verdade do Norte)
Правда Труда (Pravda Truda, A Verdade do Trabalho)
За правду (Za Právdu, Pela Verdade)
Пролетарская правда (Proletarskaia Pravda, A Verdade Proletária)
Путь правды (Put' Právdi, O Caminho da Verdade)
Рабочий (Rabôtchi, O Operário)
Трудовая правда (Trudovaia Pravda, A Verdade Trabalhista)

No que parecia ser um desenvolvimento menor naquele tempo, em abril de 1913 Trotsky revoltou-se tanto contra o que lhe parecia uma usurpação do nome do 'seu' jornal, que escreveu uma carta amarga a Nikolai Tchkheidze denunciando Lenin e os bolcheviques. Em 1921, Trotsky conseguiu ocultar o conteúdo da carta para evitar constrangimentos, mas quando começou a perder poder no final dos anos 1920, a carta foi levada a público por seus oponentes dentro do Partido Comunista em 1924 e usada para mostrá-lo como inimigo de Lenin.

Após um período de relativa calma social entre 1908 e 1911, o triênio 1912-1914 foi uma época de tensões sociais e políticas crescentes na Rússia, após a execução da Lena em abril de 1912. Em contraste com o Pravda de Trotsky, que fora publicado para os operários por um pequeno grupo de intelectuais, o Pravda bolchevique era editado na Rússia e publicava centenas de cartas e artigos escriros por operários. Uma combinação destas tensões com a participação ativa dos trabalhadores ajudou a popularizar o jornal: sua tiragem flutuava entre 20.000 e 60.000 exemplares, uma soma respeitável para a época, especialmente considerando a perseguição do governo e o baixo nível de instrução dos leitores. Outra diferença entre os dois Pravdas era o fato de que a versão de Trotsky era financiada por patrocinadores ricos, enquanto a dos bolcheviques passava por dificuldades financeiras na época e dependida de contribuições dos próprios operários.

Apesar de Lenin e os bolcheviques editarem muitos jornais dentro e fora da Rússia antes da tomada de poder em 1917, foi esta versão do Pravda de 1912-1914 (junto com a Iskra em 1900-1903) que foi mais tarde considerado pelos comunistas como o verdadeiro precursor do jornal oficial, pós-1917, Pravda. A significância do Pravda de Trotsky foi diminuída e depois da expulsão de Trotsky do Partido Comunista, o Pravda original foi simplesmente ignorado pelos historiadores soviéticos até a perestroika.

Apesar de Lenin ter sido o líder dos bolcheviques em 1912-1914, ele viveu na Europa em exílio (em Cracóvia entre a metade de 1912 e a metade de 1914) e não podia exercer o controle direto do Pravda. Viatcheslav Molotov foi o editor de fato, que controlou o jornal em 1912-1914, enquanto outro promeminente bolchevique, incluindo, brevemente, Josef Stalin (até a sua prisão e exílio em março de 1913) serviu no conselho de acordo como as circunstâncias lhe permitiram. Como mais tarde se descobriu, um dos editores, Miron Tchernomázov, era um agente de polícia disfarçado.

Para evitar o rompimento no caso de prisão, os editores bolcheviques verdadeiros não eram oficialmente responsáveis pelo jornal. Ao invés disto, o Pravda empregava cerca de 40 "editores" nominais, geralmente trabalhadores, que eram presos e iam para a prisão sempre que a polícia fechava o jornal [2].

Durante este período, o conselho editorial do Pravda frequentemente tentava evitar multas governamentais ou proibição de direitos moderando seu conteúdo. Esta atitude levou à atritos repetidos entre Lenin e os editores, estes últimos, as vezes, alterando os artigos de Lenin ou até mesmo se recusando a publicar os trabalhos de Lenin. Estes atritos foram usados por Nikita Khruschov no final de 1961 ao tentar desacreditar Molotov.

Entre dezembro de 1912 e outubro de 1913, o Pravda também foi campo de batalha na luta de Lenin com os deputados bolcheviques na Duma, que estavam procurando fechar acordos com os deputados mencheviques, enquanto Lenin insistia numa ruptura total com os mencheviques. Em janeiro de 1914, Kamenev foi enviado para São Petersburgo para dirigir o Pravda e a facção bolchevique na Duma.

A deposição do tsar Nicolau II pela Revolução de Fevereiro de 1917 permitiu a reabertura do Pravda. No início de março daquele ano, Kamenev e os membros do comitê central Stalin e Muranov voltaram do exílio na Sibéria e assumiram o conselho editorial. Sob influência de Kamenev e Stalin, o Pravda inicialmente adotou um tom relativamente conciliatório em relação ao Governo Provisório e conclamou a uma conferência de reunificação com a facção menchevique.

Após retornar para a Rússia, em abril (junto com Grígori Zinoviev), Lenin condenou duramente o Governo Provisório e as tendências de unificação em suas Teses de Abril. Poucos dias depois, o tom do editorial do Pravda mudou, e passou também a condenar o Governo Provisório como "contra-revolucionário". A partir de então, o Pravda passou a seguir essencialmente a posição editorial de Lenin. Após a Revolução de Outubro de 1917, o Pravda chegou a vender 100.000 exemplares diariamente.

Período Soviético
A sede do jornal foi transferida para Moscou em 31 de março de 1918. O Pravda se tornou uma publicação oficial, ou "órgão", do Partido Comunista da União Soviética. A partir de então, o Pravda passou a ser o veículo preferencial para pronunciamentos e anúncios públicos de políticas estatais e de governo, situação que permaneceu até 1991.

Havia também outros jornais que funcionavam como órgãos de instituições estatais e departamentos do governo, como por exemplo o Izvéstia — que cobria a política externa da URSS — era o órgão do Soviete Supremo; o Trud era o órgão do movimento sindical; o Komsomolskaia Pravda era o órgão do Komsomol; o Krasnaya Zvyezda, das Forças Armadas; e o Pionerskaia Pravda, que era o órgão do Movimento dos Pioneiros soviéticos.

No período após a morte de Lenin, em 1924, o Pravda seria usado como base política por Nikolai Bukhárin, um dos líderes rivais do Partido, que era o editor-chefe do jornal e por meio dele construiu uma reputação de teórico. Semelhantemente, o mesmo ocorreu após a morte de Stalin, em 1953, no vazio de poder que se seguiu. Nikita Khruschov então usou seu controle editorial sobre o Pravda como arma para disputar o poder com Gueórgui Malenkov, que editava o Izvéstia.

Período Pós-Soviético
Em 22 de agosto de 1991, um decreto do então presidente russo Boris Iéltsin fechou o Partido Comunista e confiscou todas as suas propriedades, incluindo o Pravda. Na ocasião, a equipe de jornalistas não resistiu nem lutou pela história do jornal. Em vez disso, no entanto, registraram o título e abriram um novo jornal com o mesmo nome poucas semanas depois.

Meses mais tarde, o então editor-chefe Guenádi Selezniov (já membro da Duma) vendeu o Pravda para uma família de empresários gregos, os Yannikos. O editor-chefe que o substituiu, Aleksandr Ilyin, entregou a marca-símbolo do Pravda — as medalhas da Ordem de Lênin — e o certificado de registro para os novos proprietários.

Por essa época, ocorreu uma séria divisão na redação: mais de 90% dos jornalistas que trabalhavam para o Pravda desde antes de 1991 pediram demissão. Eles fundaram sua própria versão do jornal, mais tarde fechada sob pressão do governo. Os mesmos jornalistas, então, liderados pelos ex-editores do Pravda Vadim Gorshenin e Víctor Linnik, lançaram em janeiro de 1999 o Pravda Online, o primeiro jornal online em russo; e há também versões disponíveis em inglês, italiano e português.

Não existe qualquer relação entre o novo Pravda impresso e o Pravda Online, apesar de jornalistas de ambas as publicações manterem contato mútuo. O Pravda em papel tende a analisar eventos de um ponto de vista esquerdista, enquanto o jornal em versão da Web geralmente tem abordagem nacionalista.

Enquanto isso, em 2004, um guia urbano em linha também chamado Pravda foi lançado na Lituânia. Esta publicação não tem nenhuma semelhança com o Pravda original comunista, apesar de ironicamente prometer, como missão, "noticiar a verdade e nada mais que a verdade".

Pravda nas artes
O autor americano de ficção científica, Robert A. Heinlein, escreveu uma monografia de não-ficção no jornal, baseada em suas experiências como turista na Rússia durante o período Soviético, intitulada "'Pravda' significa 'Verdade'".
The Moon is a Harsh Mistress (em português "A Lua é uma amante ríspida"), um conto da revolução Lunar também de Heinlein, contem um jornal (publicado em Novy São Petesburgo) chamado Lunaskya Pravda.
No filme Alphaville, o agente secreto Lemmy Caution afirma, a certa altura, estar trabalhando para o Figaro-Pravda, obviamente uma união de Pravda com Le Figaro.
Pravda está frequentemente presente em trabalhos artísticos do Realismo Socialista.

Imagem: Primeira página de uma edição do Pravda. A manchete diz: "Declaração da Liderança Soviética"

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Angolano, essa actual assombração


Presentemente, o angolano chafurda na maldade. Empurrado, educado no modo animalesco, compete-lhe na sua função estragar, destruir o outro. Perdeu-se por completo na noção do bem e destrambelhou-se na louca correria do mal.

Move-o a ânsia do destruir, provocar o cataclismo. Sente-se muito feliz com a desgraça alheia. Militante fanático da religião da feitiçaria, nela se entrega, conspira. Fazer e ver o semelhante sofrer com a morte mais cruel.

Selvajaria, assim se perde nas cavernas dos tempos, o homo angolensis. Que já se adensou no ultimo estádio do futebol da involução.

Desapareceu, já não existe. Não anda, arrasta-se na morte que é a sua amiga sincera. E tudo apagou, e com isso destruiu-se, demitiu-se.

E em passos largos atingiu a meta da outra vez irremediável colonização e escravidão. Que da maneira que as coisas estão já não consegue retroceder. As naus esperam-no, as espumas vermelhas marítimas dançam ao som do último kizomba, nos corpos arroxeados da nova tragédia de uma nação exaurida com governantes, mas sem povo.

Imagem: Angola em fotos

O bando do banco do Papa, Vaticano S.A.




Agora já entendem porque é que existem governos corruptos que funcionam na mais completa legalidade. Porque o banco da Igreja é seu aliado, protege-os, lava-lhes dinheiros. Afinal, Deus não passa de um vulgar corrupto, numa religião imunda. Esta tem sido a causadora das nossas desgraças, porque corrompe governos que nos governam em nome de Deus. Em nome da religião tudo o que é ilegalidade se legaliza. A religião é o melhor exemplo da podridão.

«Os negócios do banco do Vaticano
Para quem pensava que o problema da Igreja era só a pedofilia, aqui vai mais uma acha para a fogueira, retirada do semanário Expresso, de cuja notícia deixo um breve, mas significativo, resumo.

«Dentro das malas [com o arquivo completo das finanças do Vaticano e, em especial, do Instituto das Obras Religiosas (IOR)] estava o arquivo pessoal de monsenhor Renato Dardozzi. A sua especialidade era evitar que assuntos financeiros degenerassem em escândalos. Sob o título Vaticano, S.A., Gianluigi Nuzzi reconstitui num livro parte do que aconteceu entre 1980 e 2000.

A revelação mais importante é que foi constituído um IOR paralelo que chegou a movimentar € 270 milhões. A rede paralela terá sido criada por monsenhor Donato de Bonis, já falecido, prelado do Banco. Os documentos do arquivo incluem cartas do presidente do IOR, Angelo Caloia, dirigidas ao Papa ou ao secretário de Estado, alertando para as ilegalidades que ia descobrindo. Numa delas afirma que os títulos emitidos pelo IOR reflectem pagamentos ilegais a políticos, com montantes que depois lhe foram devolvidos limpos.

A partir do arquivo e de outras fontes, Nuzzi reconstitui a existência, no IOR, de contas bancárias de Vito Ciancimino, o já falecido presidente da Câmara de Palermo, condenado pelas suas ligações à Cosa Nostra. As cartas do alarmado presidente do banco do Papa referem os nomes insólitos dos titulares das contas pelas quais passava dinheiro sujo: Mamã de Bonis, Luta contra a leucemia, Missas, Meninos pobres, Manicómios».
http://adignidadedadiferenca.blogs.sapo.pt/


"Monsenhor Renato Dardozzi foi, desde 1974 até finais do século XX, conselheiro das figuras mais importantes na gestão do banco central da Igreja, o IOR. No final da sua vida, Dardozzi determinou que o arquivo que ele próprio elaborou, com todos os processos que acompanhou, se tornasse público. Vaticano S.A. contém o essencial das informações recolhidas por este prelado, sendo um documento de grande interesse histórico que expõe a frenética actividade da Igreja, durante duas décadas, visando, sob a capa de obras de caridade, secretíssimas manipulações políticas, subornos, pagamentos a políticos corruptos e elementos da Máfia, e até mesmo um elaborado sistema de lavagem de dinheiros: um paraíso fiscal inexpugnável em plena cidade de Roma" (ed. Presença)
http://lishbuna.blogspot.com/2010/05/vaticano-s.html

Esta é para os nossos chicos espertos


Novo B.I. britânico “hackeado” em 12 minutos!
O cartão de Identificação que o governo britânico quer implementar, conhecido como National ID card, foi hackeado.

http://manualdosabotador.blogspot.com/2009_08_01_archive.html

Para isso, o jornal diário Daily Mail, contratou Alan Laurie, um esperto em segurança informática, que apenas 12 minutos, hackeou, clonou e modificou este cartão, necessitando para tal, apenas de um telemóvel Nokia e de um pc portátil.
O Reino Unido, apresentou recentemente um novo sistema de identificação para estrangeiros que estudam nesse país.
Após ter copiado os dados de um ID, utilizando apenas um telemóvel e um Pc portátil, foi capaz de criar um clone. Este cartão contém até 50 dados do portador, incluindo detalhes físicos, nome, direcção, impressões digitais e outros tipos de informação.

CARTÃO ID BRITÂNICO HACKEADO

Após ter clonado o cartão, modificou vários dados, incluindo ainda linhas de texto, facilmente verificáveis/detectáveis por qualquer corpo de polícia. Inseriu linhas de texto, dizendo “ sou um terrorista, dispara se estiver na mira".
Com esta prova, a tecnologia e padrões de segurança aplicados a este ID, a que o governo britânico classificou de “infalsificável”, caiu em questão de 12 minutos!!!

Os bancos são divinos, devemos orar por eles


Há sim senhor uma conjura mundial que nos governa, espolia e oprime. A Santa Igreja é o mais miserável de humano que existe desde sempre. Uma quadrilha disfarçada de homens eleitos por Deus. Como é possível esta gente viver no nosso seio, e ainda nos darem lições de moral? Banqueiros disfarçados de Igreja. Creio que não falta muito para a derrocada que se avizinha. Parece que já se pode entender bem a causa de tanta revolta ao longo da história.

Este é o mais hediondo poder que reside e nos escraviza no céu e na terra.

«ESTE LIVRO
As cartas secretas de um monsenhor importante
Um interminável arquivo de documentos confidenciais e inéditos (estratos bancários, cartas, relatórios confidenciais, actas do conselho de administração, balanços secretos do IOR*, cópias de transferências e referências «codificadas» a contas).

recursos.wook.pt/recurso?&id=1602664

Foi este o material que me permitiu penetrar nos segredos do Vaticano e aos quais tive acesso por vontade expressa do monsenhor Renato Dardozzi (1922-2003), uma das figuras mais importantes na gestão das finanças da Igreja, de 1974 até final da década de 1990. Durante mais de vinte anos, Dardozzi foi um dos poucos, pouquíssimos, monsenhores presentes nas reuniões confidenciais dos colaboradores mais próximos do pontífice sobre as delicadas tramas da Santa Sé.

Horas passadas nas saletas de portas duplas entre estuque trabalhado, veludo e alusões para pôr de pé arrojadas operações em nome da Igreja, desactivar autênticas bombas financeiras, abafar escândalos e afastar prelados sem escrúpulos apenas a um nível abaixo do santo padre. O caso dos acontecimentos ocorridos com o Ambrosiano nos tempos do arcebispo Paul Marcinkus parecia encerrado mas, de tempos a tempos, este regressa envolto, como sempre, sob um manto de silêncio. O Vaticano desenvolve os seus negócios na absoluta discrição, protegendo a delicada relação entre a teocracia que representa e o dinheiro.

As intensas actividades da holding da Santa Sé representam um dos segredos mais bem guardados do mundo. Até o balanço consolidado da Igreja, divulgado todos os anos em Julho, apresenta somente dados genéricos. Este silêncio é intencional e preservado todos os dias, a todo o custo. Apesar da discrição, esta ausência de informações, que fomenta os rumores, permanece todavia uma das regras de ouro dos banqueiros das sotainas compridas, os quais são bem mais reservados do que os seus esquivos colegas laicos. O silêncio protege toda a sua economia e, portanto, também os negócios mais discutíveis que caracterizam a vida financeira da Igreja Romana. O silêncio protege a relação de confiança com os fiéis, evitando assim os estragos do passado mais recente.

Enfim, o silêncio é indispensável para que o grupo de cardeais possa consolidar o poder que eles próprios representam, sobretudo depois dos escândalos da Banca Privata Italiana de Michele Sindona, do Ambrosiano de Roberto Calvi e do IOR com o arcebispo Paul Marcinkus. Escândalos que comprometeram a imagem da Igreja Romana e que ocuparam João Paulo II durante vinte anos numa cansativa obra de reabilitação depois de mortes misteriosas, como a de Albino Luciani, papa por trinta e três dias, e a do próprio Sindona, envenenado na prisão com uma chávena de café fumegante aromatizado com cianeto. E os homicídios por resolver, como o de Calvi, encontrado morto debaixo da Ponte Blackfriars, em Londres.

Escândalos que não deviam, nem devem, repetir-se para não ofuscar a relação de confiança que existe entre quem é crente e quem difunde a palavra de Deus. Se, pelo contrário, este silêncio fosse novamente quebrado, se as finanças do Vaticano se libertassem por um só momento do jugo da hipocrisia, por um lado, e do preconceito, por outro, as repercussões sobre a legitimidade do seu papel e utilidade seriam imprevisíveis, bem como os custos para a sua imagem. Assim, por detrás das paredes do Vaticano é o silêncio que impera sempre que as operações dos banqueiros do papa, arcebispos ou purpurados, fazendo uso do dinheiro dos fiéis, se tornam arrojadas, ou até ilegais. O IOR continua a ser um dos lugares mais inacessíveis e é a custo que o Vaticano admite a sua existência. Nas páginas oficiais da Santa Sé não se fala nisso, nem sequer é feita qualquer referência.
É como se as finanças do Vaticano não existissem.

Agora todos devem ficar a saber
O próprio monsenhor Dardozzi tinha feito do silêncio uma regra de vida. Nunca fez uma declaração, entrevista ou fotografia. Nem sequer uma citação. O seu interminável arquivo, que reconstrói, a partir de dentro, os acontecimentos financeiros mais inquietantes da Igreja Romana, não poderia ter sido tornado público antes. É somente depois da sua morte que Dardozzi abandona o caminho obscuro que traçou para si durante toda a sua vida. Eis a sua última vontade testamentária: «Tornar públicos estes documentos para que todos saibam o que aconteceu.» Perceber quem é Dardozzi torna-se indispensável para avaliar os mais de quatro mil documentos recolhidos em vinte anos de actividade no Vaticano.

Nascido em Parma em 1922, chega ao sacerdócio tardiamente. É apenas em 1973, com cinquenta e um anos completados, que descobre a sua própria vocação, é ordenado sacerdote e apresenta-se à Santa Sé com um currículo de prestígio. Licenciado em matemática, engenharia, filosofia e teologia, renuncia, em favor da Igreja, a uma brilhante carreira no grupo STET (telecomunicações), o qual já o via na direcção-geral da SIP e director da Scuola Superiore per le Telecomunicazioni Reiss Romoli. Dardozzi fala fluentemente cinco línguas, frequenta o jet set internacional e conhece o secretário de Estado Agostino Casaroli através do padre R. Arnou, abade teólogo com quem colaborou na feitura de várias obras.

A relação pessoal e o entrosamento total com Casaroli, dominus do aparelho do Vaticano nos anos de Karol Wojtyla, bem como as suas competências profissionais e a sua discrição, fazem com que venha a ter uma ascensão rápida. Dardozzi age sob delegação directa do ministério-chave do Vaticano, a Secretaria de Estado, o braço operativo do pontífice. É precisamente após o convite da Secretaria de Estado, em 1974, que começa a sua colaboração com a Santa Sé. Goza de livre acesso aos segredos do IOR.

Casaroli envolve-o, desde logo, nos negócios do Ambrosiano, confiando-lhe os cargos de controlo económico e financeiro, até que o leva a participar, como conselheiro, nos trabalhos da comissão bilateral, constituída juntamente com o Estado italiano, para a averiguação da verdade na derrocada financeira da banca de Calvi. Normalmente, à quinta-feira ao almoço despe o vestuário burguês, veste o talar preto e comprido e dirige-se aos aposentos do papa. É um dos poucos italianos convidados para a mesa de João Paulo II, o qual prefere comensais polacos.

A actividade de vigilância de Dardozzi prossegue também com o sucessor de Casaroli, o cardeal secretário de Estado Angelo Sodano. Em 1985 torna-se director da Pontifícia Academia das Ciências e chanceler em 1996. Alia assim o controlo dos negócios menos apresentáveis da década de 1990 ao compromisso do alto estudo científico, começando pelo estudo da Questão Galileana, por vontade do santo padre e que teve ressonância a nível mundial, e pressionando o então cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação da Fé, a aprofundar o conhecimento das cartas de Galileu. Para cada um dos acontecimentos financeiros que acompanha, Dardozzi recolhe documentos e toma notas, guardando-os em pastas de cartolina amarela criadas para o efeito, conservadas e entregues a mim pelas pessoas a quem o mesmo monsenhor as confiou, pessoas essas que hoje, pelas razões óbvias, preferem manter o anonimato.

Fazer regressar a Itália estas cartas e encontrar um lugar adequado para pôr a salvo este património de informações não foi tarefa fácil. A operação desenvolveu-se em duas fases. A primeira, mais trabalhosa, exigiu meses de deslocações para digitalizar todas as cartas, reuni-las em CD-ROM e trabalho de pesquisa; depois, carregar os documentos para a página que hoje é pública e acessível a todos (www.chiarelettere.it, na opção Vaticano S.p.A.). A segunda, mais perigosa, consistiu em fazer regressar os documentos originais a Itália: o arquivo encontrava-se em local seguro na Suíça, no cantão de Ticino, guardado por alguém que não sabia que o tinha, na vizinhança de um cruzamento de auto-estrada.

Parti de Milão numa madrugada no final do Verão de 2008. Duas malas Samsonite de quarenta quilos aguardavam-me além-fronteira. A entrega foi rápida. Um café com a aldeã idosa que para minha sorte nunca desce às caves das casas da sua quinta. Regressado a Itália, começou o trabalho. Este não é um livro contra o Vaticano; é um livro que relata os factos cometidos por homens que gozaram de uma confiança mal depositada. Pretende ser um testemunho relativamente a tudo o que acontece para lá da Colunata de São Pedro, para lá das divisas azul-cobalto da Guarda Suíça.

Pretende, sobretudo, relatar a realidade opaca da finança do Vaticano com base nos documentos de quem, entre as décadas de 1970 e de 1990, viveu na primeira pessoa todos os grandes acontecimentos que abalaram o Vaticano, a Itália e o mundo inteiro. Na primeira parte reconstitui-se a gestão das finanças do Vaticano passo a passo com base nas cartas secretas de Dardozzi. Uma vez fechado o arquivo de Dardozzi, na segunda parte, resultado de factos e de testemunhos inéditos, relata-se as operações financeiras arrojadas e que terão levado monsenhores e prelados a apoiar o nascimento de um novo grande partido do centro, depois da queda da Democrazia Cristiana, e até a reciclar dinheiro da Máfia.»

* Uma das instituições financeiras mais importantes do Vaticano. (NR)
Imagem: http://adignidadedadiferenca.blogs.sapo.pt/

terça-feira, 11 de maio de 2010

Não se concebia tanta espoliação


Há séculos que as igrejas abundam em África e as populações cada vez mais se afundam na miséria.

Povo abandonado é povo espoliado

Esta é a história da civilização da propensão à gatunice

Angola, isto já não é roubar. É o expoente máximo da selvajaria económica

Há homens que fazem obras de beleza extraordinária, outros destroem-nas

Não entendo! Quanto mais desenvolvimento tecnológico, mais miséria. A tecnologia é um subterfúgio para espoliar e desalojar as populações.

Não há nenhuma diferença entre as igrejas e os bancos, ambos são investidos pelos poderes divinos. São os representantes de Deus na Terra.

Imagem: http://www.overmundo.com.br/banco/inps-charge

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Negócios da primeira-dama de vento em popa


Ela também já terá amealhado o seu quinhão, especulando-se, além do envolvimento na Imporáfrica, o assalto a um espaço dos Correios, na baixa de Luanda.

Semanário AGORA

Os luandenses endinheirados já têm uma alternativa para cuidar da beleza, com a entrada em funcionamento do centro de estética Deana, em frente às bombas de combustível da Avenida Marginal. Mesmo com preços que não podem ser para qualquer bolso, o estabelecimento supostamente detido pela primeira-dama, com vista para o mar, tem registado casa cheia.

Por exemplo, para quem queira aprimorar o físico, existe um ginásio, com quatro opções de pagamento mensal, fixado em 400 dólares, trimestral em 900 dólares e semestral, de 1.270 dólares. Optando por uma frequência anual, o cliente terá de desembolsar 2.070 dólares, convertíveis em kwanzas ao câmbio de 99 por cada unidade da nota verde.

As massagens também não são para qualquer pé descalço. Os preços nesta área são a doer: por uma massagem tailandesa, o cliente terá de pagar 13.500 kz, ao passo que do tipo remodelador terá de compensar com 3.750 kz (cerca de 140 e 45 dólares, respectivamente). Existe ainda uma tabela expressa por minuto de 30 a 120 com preços que variam de 50 a 180 dólares.

O Day Spa possui igualmente um restaurante sofisticado no terraço que serve almoços de segunda à sexta-feira, sobretudo saladas e pratos quentes, bem como sobremesas, podendo o cliente escolher um dos grelhados à disposição. Por tudo isso está fixado um preço único e acessível de 5.300 kz. Desejando um ambiente menos requintado, o freguês poderá optar pelo rodízio de pizzas e massas servido também de segunda à sexta-feira por 2.950 kz no rés-do-chão. No restaurante Bay Side, com gerência brasileira, um fino custa 350kz.

Um empregado de mesa, abordado pelo repórter disse que as mesas ficam quase sempre lotadas ao almoço, devido aos funcionários da Sonangol que trabalham nas imediações. “Isto não é para qualquer um é para quem tem gosto e dinheiro”, comenta o mesmo empregado, formado na praça.

Além da Imporáfrica e da Deana da marginal, a esposa do PR, terá também interesses num sofisticado salão de beleza com o mesmo nome na rua Joaquim Kapango no Maculusso, além de outros investimentos imobiliários. “A tendência é ficar com a zona dos Correios. É mais certo que estes venham a desaparecer ou transferidos para um outro edifício provavelmente a construir. Nota-se que existe uma tendência voraz de se derrubarem as construções antigas para em seu lugar surgirem novos e modernos edifícios”, disse um funcionário público, alertando que o passado histórico da cidade está a desaparecer.

Com o desaparecimento do património de Luanda, e a julgar pelo avanço de obras novas em construções seculares na baixa luandense é provável que o Day Spa, com a multiplicidade de serviços, venha a conquistar outras paredes das imediações.

Imagem: morrodamaianga.blogspot.com/

Vamos fazer assim, uma espécie de intolerância zero chinesa


Costuma dizer-se não haver fumo sem fogo, mas a ser verdade este fumo, então estaremos mesmo a caminhar para o medo do fogo e as queimaduras, poderão ser do terceiro grau.

FOLHA 8

Segundo consta dos corredores da administração Dos Santos, na medida em que estamos a frequentar muita gente da China, vamos mazé fazer como eles, e neste momento já estará a preparar-se através do ministério de tutela, não se sabendo se sob proposta de um bajulador militante ou do ministro e ou do secretário de Estado, uma lei visando limitar o acesso à Internet, a exemplo do que ocorreu na China.

Assim vários operadores poderiam ser barrados de entrar no correio electrónico dos internautas angolanos, para a nossa frustração geral, ante o “efeito amarelo”, melhor, chinês com o Google e Hotmail.

Será o esplendor da ditadura se o gabinete de Dos Santos assim agir, mas seguramente poderá aguçar um amplo movimento de contestação, com capacidade de recrutar “soldados” noutros exércitos de descontentes. Até lá vamos todos esperar para ver…

Imagem: “Hum! Só mais um grande escândalo para que a minha popularidade atinja 100%”.
http://www.chargeseditoriais.com/

domingo, 9 de maio de 2010

Este é o fim Pepetela. Vivemos, ardemos neste Inferno


Ingenuamente lutámos, colocámos o poder numa bandeja disfarçada de punhais, de bárbaros escondidos. Que nos roubaram a independência e tudo nos espoliaram. Inauguraram-nos com a exemplar, a mais brutal selvajaria.

«Fazendo um rock triste, vamos, sim
Matar, matar, matar, matar, matar, matar»

Como acaba de noticiar o semanário AGORA… já encetámos o canibalismo?! E a seguir?! Vivemos no Inferno!
Temos que renovar, reparar o tremendo erro que cometemos. Estamos sempre prontos, dispostos, o tempo é nosso grande amigo, é-nos terno e eterno.


«O Fim
Este é o fim
Belo amigo
Este é o fim
Meu único amigo, o fim
Dos nossos elaborados planos, o fim
De tudo que permanece, o fim
Sem salvação ou surpresa, o fim
Eu nunca olharei em seus olhos... de novo
Você pode imaginar o que será?
Tão sem limites e livre
Precisando desesperadamente... de alguma... mão de estranho
Numa terra desesperada?

Perdido numa romana... selva de dor
E todas as crianças estão loucas
Todas as crianças estão loucas
Esperando a chuva de verão, sim
Tem perigo no extremo da cidade
Passeie pela estrada do rei, bem
Cenas estranhas dentro da mina de ouro
Passeie pela estrada do este, bem
Passeie pela serpente, passeie pela serpente
Para o lago, o antigo lago, bem
A serpente é longa, sete milhas
Passeie pela serpente… Ela é velha e sua pele é gelada
O oeste é o melhor
O oeste é o melhor
Vá lá, e nós faremos o resto
O ônibus azul está nos chamando
O ônibus azul está nos chamando
Motorista, aonde está nos levando?

O matador acordou antes do amanhecer, ele pôs suas botas
Ele tirou uma foto da antiga galeria
E andou pelo corredor
Entrou no quarto em que sua irmã vivia, e... então ele
Pagou a visita a seu irmão, e então ele
Ele andou pelo corredor, e
E ele veio até a porta... e ele olhou para dentro
"Pai?", "Sim filho?", "Eu quero te matar."
"Mãe... Eu quero... te foder."

Venha bem, tente conosco (3x)
E me encontre atrás do ônibus azul
Fazendo um foguete azul, No ônibus azul
Fazendo um rock triste, vamos, sim
Matar, matar, matar, matar, matar, matar

Este é o fim, belo amigo
Este é o fim, meu único amigo, o fim
Dói te libertar
Mas você nunca vai me seguir
O fim da gargalhada e das mentiras suaves
O fim das noites que tentávamos morrer
Este é o fim»

In The Doors. The End. Música do filme Apocalypse Now
http://letras.terra.com.br/the-doors/11513/traducao.html


«Pepetela: «Eu Vivo No Inferno!»


Lisboa - Angola mudou muito nos últimos anos e abraçou a ideologia capitalista e a economia de mercado. Um passo que acaba por chocar com a matriz de esquerda do partido no poder, o MPLA, ao lado do qual Pepetela combateu enquanto era um movimento de libertação de Angola e que representou enquanto governante.

Fonte: Hugo Rodrigues/Luís Ene CLUB-K.NET

Hoje, o escritor angolano não esconde o seu descontentamento pelo rumo que o seu país tomou.

Considerando existir, actualmente, «um ambiente favorável ao desenvolvimento económico de Angola», algo que se verifica «desde que houve a paz» e que leva a que comecem a surgir «infra-estruturas importantes» e até «mais algum emprego», Pepetela mostra-se preocupado com os desequilíbrios que existem na sociedade angolana.

«Não se sentem ainda as consequências sociais deste crescimento económico. Aparentemente, não está a haver desenvolvimento e sim enriquecimento de uma burguesia», que muitas vezes leva o dinheiro para além-fronteiras, disse. «Há uma diferenciação social que se tem agravado», resumiu.

Apesar de ser natural de Benguela, Pepetela fez de Luanda a sua cidade e escreveu, em tempos, sobre as belezas da capital angolana.

Mas as mudanças que a sua cidade sofreu devido aos fortes desequilíbrios sociais com que Angola se debate levam-no a ser assertivo na hora de descrever o que ela se tornou. «Eu não sou crente, mas partilho com eles uma noção: a do Inferno. Eu vivo no Inferno!», afirmou.

Luanda comporta, nos dias que correm, cerca de cinco milhões de habitantes, quando as infra-estruturas existentes foram concebidas para uma população de perto de 500 mil pessoas. «Há extensos bairros nos arredores sem água, luz ou esgotos».

Imagem: http://www.pauliddon.net/img/apocalypse%20now%20assault.png

sexta-feira, 7 de maio de 2010

ODISSEIA. Nunca quis ser primeiro-ministro


José Sócrates destruiu Portugal e os portugueses. Se continuar, demorar mais no poder, a Europa não lhe escapará, ele também a destruirá.

E a miséria está perene, como uma podre ditadura disfarçada de democracia.

É sempre assim, quanto mais miséria na população, mais riqueza na governação.

Os preços sobem, os governos caem. A democracia depende dos bancos. Como eles são uma lástima, a democracia é um absurdo. Não faz sentido, é impossível a coexistência entre democracia e bancos. A não ser que mude de nome para, democracia bancária.
São tantas as quadrilhas democráticas no paraíso.


«Sócrates: "Nunca quis ser primeiro-ministro"

José Sócrates afirmou hoje num liceu de Paris que "nunca quis ser primeiro-ministro" e que tem "mais orgulho em servir o país em momento de dificuldade".


"Nunca senti que o povo português me tivesse virado as costas", declarou também o primeiro- ministro português, que recordou as duas vitórias eleitorais que o levaram à chefia do Governo.
José Sócrates comentou também que a segunda vitória, nas legislativas de 2009, contrariou "muitos que estavam à espera que as coisas mudassem" e que, "surpresa-surpresa", foram confrontados com os 37 por cento de votação no Partido Socialista, disse o primeiro-ministro.

Em visita ao Liceu de Montaigne, no centro de Paris, José Sócrates citou vários poetas portugueses, com destaque para Fernando Pessoa, e recomendou aos alunos da secção internacional a leitura "do melhor poema do mundo", "A Tabacaria".

"Eu não sou nada. Nunca serei nada"»

Arquivos do insólito. Angola “crescimento excepcional”


Angola faz progressos na segurança alimentar.
Angola registou progressos significativos na segurança alimentar, invertendo a tendência contínua de falta de alimentos no continente africano. A afirmação foi feita pelo director-geral do Fundo da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), Jacques Diouf.

O “crescimento excepcional” da produção agrícola interna e do produto interno referiu, Jacques Diouf, estão na base dos progressos registados em Angola.

In Jornal de Angola 07 de Maio de 2010

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Cinco anos depois


Apesar da tua ausência, as florestas e os campos ainda permanecem, ainda recordam a tua presença.

Inesquecível, uma das tuas preocupações: se andares com os bons, serás bom, se andares com os maus, serás mau.

Ao abandonarmos o mundo material das ilusões, dos absurdos, a única recordação mais aprazível é a etérea.

E os ribeiros e as florestas conservam-te no nevoeiro da humidade de todas as manhãs.

Para ti, viver não é perecer. Viver é continuar sempre vivo no eterno. O meu coração e a minha mente ressuscitam-te.

Morremos e os mortos ressuscitam. O mundo dos mortos vive, e o nosso falece.

Já há muito que o mundo dos vivos é um gigantesco cemitério.

Repousa no meu espírito.

Arquivos do insólito. Não há democracias sem Estados fortes, e a legitimidade do Estado angolano


O futuro de Angola

Na semana passada, estive cinco dias em Luanda. Desloquei-me a convite do Instituto de Formação Avançada para Executivos, liderado pelo professor Mário Pinto de Andrade, para ensinar um curso de relações internacionais e fazer uma palestra sobre as relações entre a União Europeia e África.

03/05/10 00:03 | João Marques de Almeida DIÁRIO ECONÓMICO


Devo dizer que fiquei muito bem impressionado. Estava à espera de ver uma cidade em muito pior estado daquela que encontrei. Os convidados como eu são, naturalmente, poupados a verem os locais mais pobres, e há muitos numa cidade com o triplo da população da que deveria ter (cerca de seis milhões). Com excepção do transito caótico, o centro encontra-se relativamente arranjado e com obras de novos edifícios por todo o lado.

Mas o que mais me impressionou foi a vontade de aprender, a abertura para debater e a confiança no futuro. Percebe-se bem que estamos num país que saiu há oito anos de mais de vinte e cinco de guerra civil. Simultaneamente, existe uma clara consciência sobre a natureza dos problemas que Angola enfrenta. A vida política será marcada, nos próximos anos, pela necessidade de se construir um Estado eficaz, capaz de garantir a segurança e a ordem, e o desejo de mais democracia e liberdade. A longo prazo, ambos os objectivos serão compatíveis e reforçam-se mutuamente. Não há democracias sem Estados fortes, e a legitimidade do Estado angolano beneficiará se for capaz de construir um sistema democrático e pluralista. No entanto, o caminho terá tensões e até alguns choques entre o Estado e a democracia. A sensatez e a capacidade políticas serão fundamentais.

No plano económico e social, o fortalecimento das elites e de grupos empresariais terá que ser acompanhado pela formação de uma classe média importante e pela diminuição da pobreza. A legitimidade do desenvolvimento do país e a estabilidade social exigem que todos beneficiem do crescimento económico. Um aumento da pobreza e do fosso entre ricos e pobres trará instabilidade e conflitos sociais. No caso da política externa, é necessário entender devidamente o interesse nacional angolano. Em Portugal e na Europa em geral, nota-se por vezes alguma preocupação em relação à aproximação entre Angola (e outros países africanos) e a China. É uma preocupação injusta e exagerada. Injusta, porque se o governo angolano (como qualquer outro) entende aproximar-se da China, ninguém deve criticar tal decisão. A emergência de novas potências aumenta a liberdade diplomática da maioria dos países.

Como é óbvio, vão aproveitar e explorar essa liberdade. Em vez de nos queixarmos, devemo-nos habituar a esta nova realidade estratégica. A preocupação é igualmente exagerada. Em relação a Angola, nenhum outro país possui as vantagens de que goza Portugal. Basta passar cinco dias em Luanda, para se perceber que a relação entre Angola e Portugal será sempre especial. Há um bom critério para verificar a aproximação entre dois países: o número de voos entre as duas capitais. Há catorze voos semanais entre Lisboa e Luanda. Nem os vizinhos de Angola se aproximam desse número. O poder e os interesses contam muito. Mas não substituem uma história e uma língua comuns. Para o mal e para o bem.

João Marques de Almeida, Professor universitário

Comentários
Realista, Porto | 03/05/10 09:03
Fico feliz por saber que as relações Portugal Angola vão bem. Queria só acrescentar (só) 3 notas. 1- Os portugueses não devem recear (e pelo contrario devem aplaudir) os investimentos angolanos em Portugal. 2- Os portugueses ja devem recear (ou pelo menos ter certas cautelas) com as finanças públicas de Angola. 3- Angola não é só a Luanda que o autor vizitou.. O interior é muito rico e a população tem que voltar a ocupá-lo e explorá-lo. Parem lá com os arranha-ceus em Luanda. Invistam nos acessos ao interior.


Vitor Mateus, Cacém | 03/05/10 11:48
Falta falar das dezenas de milhar de laços familiares entre portugueses e angolanos.


Camões, | 03/05/10 12:31
Bom artigo realçando o optimismo do povo angolano e dos esforços que o governo angolano está a realizar para desenvolver este belo país.
Portugal devia por os olhos neste país e ao invés das greves e manifestações que os sindicalistas organizam, deviam trabalhar mais. Só com esforço e dedicação é que se mudam as mentalidades. Em Angola, e apesar da destruição horrosa que a guerra trouxe, as pessoas são simpáticas, alegres e mostram diariamente vontade de desenvolveram o seu país. Em Portugal não vemos isso. Diariamente vemos as tropelias que são feitas aí. Tive que sair de Portugal por me encontrar desempregado e pelo meu subsidio ter sido injustamente cancelado. Angola é o país onde vivo e tenciono viver nos próximos anos. Os portugueses deviam começar a abrir a pestana em vez de fazer tantas greves. Elas não alteram nada.
As melhoras para a constipação em que vive Portugal.

Imagem: http://www.chargeseditoriais.com/

Luanda. Relatório da escuridão mensal


Neste período, registámos vários acidentes, dos quais resultaram vários cortes de energia eléctrica.
O trânsito eléctrico continua muito congestionado. São estes cortes que justificam o nosso desenvolvimento económico, porque o social… para que é que ainda pronunciam esta palavra?!

E deixaram-nos três dias sem água, sem aviso prévio e sem aviso posterior. Que democracia escura e seca.


Abril 2010
30Abr 19.44-20.23. 28Abr 19.18-01.00 do dia 29. 28Abr 05.58-07.02. 21Abr 14.26-15.20. 19Abr 10.37-12.04. 16Abr 03.49-05.12. 12Abr 09.10-18.07, 21.54-22.29. 11Abr 12.15-20.4, 22.28-23.29. 07Abr 02.03-03.08, 08.48-09.00. 06Abr 11.57-12.59

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A Ocidente do Paraíso (59). Também costumava acontecer quando ouvia um som parecido com o engatilhar de uma arma.


- Não... gosto de estar assim... gosto muito de meditar.
- Mas assim não pode ser. Uma pessoa tem que se divertir. Acho que você é muito triste. Mas apesar disso gosto de si… porque é muito sossegado.
Fiquei na defensiva e lembrei-me que o Avô me dissera que ela era divorciada. Sondei-a:
- É divorciada?
- O Avô já esteve a falar de mim, não é?! Sim… sou divorciada. Fui casada poucos meses. Ele passava a vida nas boates com mulheres e aparecia de manhã. Vi que era impossível e obriguei-o ao divórcio.
- Lamento muito…
- … Não me importo de casar novamente com alguém que me respeite, mesmo que seja pobre. Dinheiro não me falta. Sou filha única e os meus pais já estão velhos. Tenho um pretendente que mora aqui perto, mas não gosto nada dele. Bom… vamos jantar estou com fome!

Devido à intensidade do calor fui dormir no terraço. Estava num pesadelo, duas sombras aproximavam-se de mim. Levantei-me muito rápido, e já me lançava para o que pareciam serem dois inimigos, que me queriam matar. Eram a Marta e a tia que se assustaram muito com tal recepção. A síndroma do pânico tomava conta de mim. Também costumava acontecer quando ouvia um som parecido com o engatilhar de uma arma. Ou quando acordava de vez em quando em altos gritos, o que assustava as pessoas. Seria assim pelo resto da vida.

Estava no último lanche com o Avô. No outro dia seria o embarque que me levaria de regresso a casa. O Avô confidenciou-me que ouvira conversas da Marta, em que ela dizia gostar muito de mim. Para eu aproveitar, porque dificilmente arranjaria uma mulher assim. Segredei-lhe que ela e o Aurélio passavam muito tempo juntos. O Avô tranquilizou-me, que eram primos, e que esse relacionamento era apenas de amizade. Para eu evitar de pensar assim, porque não havia nada de mal.

Despedi-me de todos e intencionalmente guardei para o fim as despedidas à Marta. Pediu-me para escrever-lhe e confessou-me que também corresponderia.

Finalmente o avião chegou a Lisboa. O passaporte de disponibilidade foi-me dado no RAL1, Regimento de Artilharia Ligeira 1, a poucos quilómetros de casa. O meu pai aguardava-me. Não me despedi de ninguém. Cheguei a casa. Aproveitaria para descansar e consertar ideias. A odisseia da CCAV 3418, Companhia de Cavalaria 3418 em Angola terminara.

Missão impossível da Polícia. Contra milhões de esfomeados ninguém combate



«CRESCEM ASSALTOS NA PERIFERIA DE LUANDA
Até ao ano de 2002, quando a preocupaçao maior era acabar com a guerrilha, a questão da mitigação dos assaltos, à mão armada, em Luanda e noutras cidades do país, era tida como secundária. Os meios (humanos, técnicos e financeiros) eram quase todos eles canalizados para as "zonas quentes" e até mesmo delinquentes conhecidos eram recrutados para a "causa maior" da nação, a defesa da integridade territorial e da soberania.


Conseguida a paz, em 2002, começou-se a olhar um pouco mais distante da curva do nariz. Começou a falar-se sobre o policiamento de proximidade (o finado Isaias Chungufo foi dos primeiros a propagar entre nós o termo). A polícia viu-se apetrechada com novos meios técnicos e os homens recebem formação. Só que os defeitos "de fábrica" se mantêm. É a preguiça quando não é o carro avariado, São os charcos que impedem a circulação das patrulhas, os mesmos homens que foram parar à polícia de forma acidental, enfim, os males de sempre emperram ainda a rotação máxima e desejável da engrenagem policial, e vezes sem conta somos confrontados com informações sobre assaltos à mão armada nas ruas, nas paragens de transportes, em residências e em lugares que a priori o incauto nunca desconfia.

O bandido está em todo o lado. Excepto a prontidão da nossa polícia. Ontem mesmo (04.05) dois individuos que seguiam atrás de mim (19h30) foram assaltados em Viana por dois meliantes armados que se colocaram em fuga depois de consumado o acto. Cantinas têm sido assaltadas dias sim, dias também. Os nossos homens de farda azul sabem disso e na prática nada!

Hoje de madrugada, na zona do SEIS, em Viana, três residências foram simultâneamente asslatadas à mão armada sem que a polícia movesse alguma palha. Avisado ao telefone pela minha irmã ainda liguei para o 113. Tudo o que sei é que os bandidos levaram o que queriam e inclusive "pintaram o diabo". Apenas a polícia não se fez presente.

Que relação haverá entre os gatunos e aqueles que sendo sua tarefa combatê-los nada fazem?»