segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

JES considera “Riquinho” o empresário que mais recebeu dinheiro do Estado angolano


Luanda - Uma avaliação, em meios do circulo presidencial considerou a recente reunião que o Presidente da República teve com os empresários angolanos como uma das mais frontais ocorridas nas hostes do partido no poder. O debate foi marcado com acesas intervenções de conhecidos empresarios que apresentaram queixas contra ministros e governadores por inviabilizarem seus projectos e de concorrerem com eles.

Fonte: Club-k.net
Reunião com os empresários marcada por fortes acusações
As queixas foram feitas na presença das pessoas visitas no momento em que os empresários foram solicitados a apresentar as suas preocupações e dificuldades ao Presidente José Eduardo dos Santos.

Henriques Miguel “Riquinho”, tido como um o empresário que mais frontal foi na reunião, iniciou a sua intervenção dizendo ao Presidente que todos que estavam naquela sala (integrada igualmente por ministros, políticos) eram empresários e que desafiava alguém (em referencia ao Ministro) que não era ao mesmo tempo empresário. “Riquinho” disse ainda ao Presidente que as empresas (dos ministros) eram as principais concorrentes dos empresários que estavam na sua condição.

Por seu turno, o Presidente da República, reagiu dizendo que “Riquinho” era um dos empresários que mais recebeu dinheiro do Estado angolano. Riquinho, por sua vez, reconheceu os reparos e admitiu alguns erros que lhe são apontados.

Outra intervenção registrada foi a do empresário Bartolomeu Dias que queixou-se de ter encomendado fardas para a policia Nacional, ao tempo do Ministro Roberto Leal “Ngongo” e que até ao momento não lhe pagam. Fez saber que como resposta aquela instituição governamental alega que os seus gastos não estavam cabimentado.

Bartolomeu Dias falou ainda do caso de um terreno seu na província de Benguela que lhe foi confiscado pelas autoridades locais. Quando o Presidente da República perguntou o destino que terão dado ao seu terreno, o empresário respondeu que o governador provincial Armando da Cruz Neto ofereceu ao Ministro dos Desportos, Gonçalves Muanduma. Outra queixa idêntica em torno da governação de Benguela partiu de um o empresário da Huila, Luis Nunes.

Ainda sobre as províncias, uma outra queixa recaiu em torno do executivo de Faustino Muteka, no Huambo. A reclamação partiu de Lidia Amões, herdeira e filha mais velha do malogrado Valentim Amões. A jovem gestora reclamou ao Presidente que o Grupo empresarial que dirige tem estado a fazer investimentos na província mas não tem sido assistidos pelo executivo local. Lembrou que o ultimo apoio que tiveram das autoridades foi apenas na véspera do funeral do seu malogrado pai, líder fundador do Grupo Valentim Amões (GVA).

Um empresário de Malange que naquela província lidera uma associação de camponeses queixou-se ao Presidente que tem tentado a já muito tempo uma audiência com o PCA do Banco Poupança e Credito (BPC), Paixão Júnior mas sem sucesso. Em reação, José Eduardo dos Santos orientou Paixão Júnior que também esteve presente na sala da reunião, a se reunir com o empresário logo após ao intervalo do debate que calhou na hora do almoço.

A reunião dos empresários foi uma iniciativa do MPLA. Iniciou das 10h até as 18h da tarde do dia 19 de Janeiro, no futungo de belas e foi conduzida pelo próprio Presidente da República, sem no entanto ter interrompido ou cortado as intervenções dos queixosos. Mediante ao que foi escutando, José Eduardo dos Santos, assumiu que “alguma coisa esta mal”.

Para além de empresários, com destaque para duas filhas suas, Isabel e Tchizé dos Santos, estiveram presentes na reunião, membros do Bureau Político do MPLA, Ministros e governadores províncias que vieram acompanhado por delegações das suas respectivas localidades de trabalho.

“Os jovens devem revoltar-se perante a falta de oportunidades e pobreza” Erick Charas explode em Grande Entrevista:


“O colono apenas mudou de raça! Os colonos brancos também diziam que queriam combater a pobreza absoluta.” – Erick Charas

“É sentimento geral de que há necessidade de nos libertarmos dos nossos libertadores. Estão há muito tempo no poder e não representam a ninguém”— Erick Charas

“A Frelimo, com aqueles que a estão a liderar hoje já caducou” – Erick Charas
Maputo (Canalmoz) – Num País onde os que pensam diferente e dizem o que lhes vai na alma recebem, regra geral, adjectivos pouco simpáticos – embora alguns delirem com isso – não sabemos qual será o adjectivo que será atribuído ao entrevistado do Canalmoz – Diário Digital e Canal de Moçambique – Semanário Impresso, depois da presente entrevista. A nós cabe dizer que se chama Erick Charas, é patrão do grupo Charas, proprietário do único jornal impresso e de distribuição gratuita em Moçambique. A certa altura da entrevista diz ser membro do partido Frelimo. Diz ter ambiciosos projectos sociais destacando-se o “Casa Jovem”, na cidade de Maputo, de 120 milhões de dólares (construção de 26 prédios) que visa criar habitação para a juventude a preços bonificados.
Usámos seus projectos como pretexto para o entrevistar e acabámos por falar de assuntos polémicos como aquilo a que chamou de “necessidade de os jovens se revoltarem perante a falta de oportunidades e pobreza”.
Charas dá respostas longas e pelo meio faz perguntas ao entrevistador. Ou seja, quer ser ele o jornalista no meio da entrevista. Em certos casos tivemos que o interromper para lhe colocarmos as nossas questões. Disse durante a entrevista que “o País está a ser Governado por pessoas com ideias velhas” e, na sua opinião, “é por isso que continuamos pobres”. Disse-nos que ficou muito feliz com o que aconteceu em certos países quando viu movimentos de libertação que se achavam donos das pessoas a serem derrubados por jovens. Aliás disse que as manifestações de 01 e 02 de Setembro, em Maputo e algumas cidades do País, foram um grande aviso de que os jovens podem tomar o poder a qualquer altura e mudar a história.
“É sentimento geral de que há necessidade de nos libertarmos dos nossos libertadores. Estão há muito tempo no poder e não representam a ninguém”, disse Charas a certa altura.
Para deixar as conclusões ao critério do leitor optámos por publicar a entrevista no clássico pergunta-resposta.

Siga a entrevista que não perderá o seu tempo:

Canalmoz/ Canal de Moçambique (Canal): Quando foi criado o Jornal “A Verdade”, houve muito cepticismo em relação ao projecto, principalmente em relação ao título gratuito. Porquê um jornal gratuito? Qual é o móbil do jornal?

Erick Charas (Erick): O jornal A verdade é gratuito fundamentalmente, porque surgiu depois de ter sido feito um estudo, um plano de negócios e traçados os respectivos objectivos. Surgiu como melhor alternativa e opção para levar a informação ao povo. Depois dos estudos e pesquisas que fizemos tinha-se chegado à conclusão de que se a intenção é massificar o acesso à informação, há que tomar em consideração aquilo que o povo tem. Não estamos a falar de um grupo de privilegiados que tem capacidade. Estamos a falar da maioria que pode parecer que tem dinheiro para gastar, mas tem milhares de opções para gastar o seu dinheiro. Portanto a ideia fundamental foi observar esse respeito de direito que o povo tem de estar informado. Pensamos que a informação é um direito para nós nos constituirmos como cidadãos.

Canal: Há jornais que devido à sua génese em termos de proveniência de fundos tinham que ter a tarefa do jornal A verdade: advogar a informação junto do povo.

Erick: Olha, o jornal Notícias é considerado jornal do Estado, mas é um jornal privado. Mas os accionistas deixam muito a desejar porque tem o Banco de Moçambique. E tu vais dizer que o Banco de Moçambique é o meu banco institucional. Como é que o accionista de um jornal que é meu concorrente é o banco central? Nalgum momento a coisa não fica bem. Mas o pior de tudo é que mesmo depois disso, de sabermos que é um jornal privilegiado com fundos indirectos do Estado, e é para lá onde o Estado sem concurso manda os seus anúncios, com isso tudo, esse jornal é que tinha a obrigação de pensar todos os dias como vai chegar mais ao povo. Mas o jornal que tem a maior ligação com o Estado não pensa nisso e faz uma ninharia de cópias. Faz um esforço mínimo para replicar a sua ligação com o Estado em termos de informação e alcance.

Canal: Por falar em jornal Notícias que no nosso caso é considerado jornal do Estado embora seja de uma SARL… Primeiro pelos próprios administradores da máquina Estado e depois na esfera pública em geral, há uma percepção deturpada em relação ao anúncio e principalmente ao anúncio do Estado, publicidade do Estado. Como olha para esta questão?

Erick: (Risos) … Olha, eu vou usar uma palavra para classificar isso e eu não sei como depois vais usar. Eu acho que é um processo pornográfico. Três anos depois de estar na imprensa e é preciso ver, eu não sou jornalista, não fiz formação em jornalismo, Nunca escrevi e nunca escrevi matéria jornalística – pergunte aqui no jornal, nunca escrevi nenhum texto para o jornal – a estou agora a lutar há semanas para ver se escrevo o meu primeiro texto para o jornal (risos)… especificamente para o leitor. Então eu não sabia nada o que era isso de imprensa. A única conclusão a que eu tinha chegado é que se achava que a informação era deficitária. Repara que não estou a falar da qualidade de informação, estou a falar do alcance, onde esta informação chega. Depois de analisar chego à conclusão de que estamos num mercado que não segue nenhuma regra: implícita ou explícita. Se calhar as coisas vão mudar e começarão a mudar daqui para a frente. Mas, neste momento, o anúncio é usado como, nem diria moeda de troca, mas como uma pistola, como uma arma violenta. Tu tens um anunciante que é uma empresa de telecomunicações que usa o poder de compra do anúncio para determinar e forçar aquele meio para dizer e fazer o que eles querem. E no primeiro dia em que não fazes, ou não te pagam ou deixam de fazer o anúncio. Quer dizer, é tudo pornográfico, e não há nada que regule isso. Tu passas para as agências, que unilateralmente decidem para aonde é que vai o anúncio. Não tem nada a ver com o que lê, para quem é dirigido o anúncio, o público-alvo, ou seja conceitos básicos e fundamentais de marketing. Estou ainda a falar do sector privado. Ainda não cheguei no sector público… As pessoas que determinam isso estão a pensar em anunciar onde vão ganhar mais comissão e não necessariamente onde vai dar resultados. O anúncio é usado como uma forma de repressão. É usado para fazer exactamente aquilo que a lei de imprensa não permite fazer numa sociedade democrática. E no contexto do Estado não é diferente. O Estado usa o poder de compra que tem que é no anúncio das suas informações e concursos públicos, e se fores analisar, porque as contas não são públicas o Estado deve gastar por aí 10 milhões de dólares em anúncios, mas determinam unilateralmente onde vão gastar num único jornal. Não manda para nenhum jornal privado, e não venham dizer que não sabem. Nós neste momento falamos formalmente e informalmente com o Estado. Já se falou com o Banco de Moçambique. Há questões muito implícitas que acabas de ter as empresas privadas até forçadas a anunciar num jornal como o Notícias enquanto as empresas não querem. Mas como o accionista do Notícias é o Banco Central, qualquer banco que tem que publicar o seu relatório de contas tem, é obrigado a pôr no Notícias. Mas como estamos no país em que estamos, optam por passar por cima dos outros. Quando eu levantei estas questões, de várias formas, é sempre respondido “porque o nosso governo é fantástico e tal”, a tentarem descredibilizar o assunto. Dizem que as pessoas é que querem ganhar muito dinheiro. Que é preciso notar que a lei de procurement determina que o anúncio público deve ser feito no jornal de maior tiragem e circulação. Isso pressupõe que tem que haver uma contagem independente. Mas aí tu te perguntas tens um GABINFO, Conselho Superior de Comunicação Social para quê? Tens estes todos órgãos que são tutelados pelo Estado e que não estão nem preocupados se a informação que a gente publica na nota editorial é idónea ou não. Se estas instituições funcionassem iam permitir que as coisas também funcionassem como deve ser. Portanto, logo à partida está tudo definhado. Tu tens o dinheiro que vai para o orçamento de Estado para o procurement. Porque o dinheiro é doado e nós subscrevemos como país, as regras de transparência que apresentamos a eles são as nossas leis de como vamos gastar o dinheiro. A primeira diz que todas as compras serão por concurso público, sendo o concurso público através de anúncio no jornal de maior tiragem e circulação.

Canal: Onde o Governo busca informação sobre circulação dos jornais?

Erick: Ora, o Governo é o primeiro a falhar nisso e ninguém quer saber. O governo decide unilateralmente que o Notícias é o mais lido. Não estou a falar nem que a publicidade tinha de vir para o A Verdade ou qualquer outro jornal. O que eu pretendo é questionar aonde foram buscar esta informação, de que o Notícias é o jornal mais lido? Tu acabas por ter um jornal que pelo benefício desta desorganização e falta de cumprimento da Lei acaba por encontrar a sua sustentabilidade por garantir visibilidade àquele que o deixa comer. Então é óbvio que toda gente considera que o Notícias é o jornal do Estado, um jornal que é obrigatório existir em todas as instituições do Estado. Então vamos perguntar: o Estado subscreve o Notícias? Paga? Porque não subscreve o Canal de Moçambique, o Savana exactamente em todos os jornais. Aí vão te dizer que ah não, nós subscrevemos em alguns sítios. Mas eu te posso garantir que há sítios que subscrevem o Notícias mas são obrigados a não subscrever o Canal de Moçambique. Veja que estamos a falar simplesmente de subscrever. Já que o Estado não está a par das tiragens tinha é que subscrever todos os jornais. Se não tinham que instituir um sistema formal de contagem e auditoria em que no resto do mundo chama-se Bureaux de Auditoria de Circulação. Aí a pessoa que faz o jornal, fica valorizada, o Estado e suas instituições credibilizados.

Canal: O Jornal a Verdade não se interessava com os assuntos que constituía digamos a agenda setting do debate moçambicano, mas ultimamente virou quase que radicalmente de abordagem. Qual é a ideia?

Erick: Eu acho que é uma viragem na percepção e esta é a melhor parte. Em três anos, bem ou mal muita gente lê o jornal A Verdade mais e mais. Da mesma forma que começámos isto a pensar que havia muito cepticismo por aí fora, quando lançámos o projecto, o cepticismo era encaminhado directo a mim. Houve gente que disse que o A verdade não podia durar três meses. Esquecem-se que uma pessoa faz um plano de negócios. Se não durasse é porque o plano de negócio iria falhar, não é? É porque a gente faz coisas sérias neste país. O que acontece é que de repente tinhas muitas pessoas, particularmente aqui na cidade de Maputo que não tinha acesso a informação. Acordou, com muita sorte não choveu e sei lá quantos, ou foi trabalhar ou foi para o dumba-nengue ou foi à procura de emprego, e tinha a informação em conversa com os amigos ou passou pela zona privilegiada onde tinha um aparelho de TV. O ponto é que as pessoas não tinham acesso constante a informação. E nós temos visto regularmente, todas as semanas, as pessoas a correrem atrás do jornal. Em função disso, as pessoas que não liam estão a tornar-se elucidadas. Estão a saber mais, estão a dizer mais. E há os que viram este jornal como social e para pobres. O facto é que nós desconsideramos o pobre neste país. Há quem pense que o pobre não pensa, o pobre não tem acção, o pobre não faz. Mas se esquecem que foi o povo que nos deu a voz. Quando eu digo pobre, me refiro àquele que foi desconsiderado no contexto da informação.
A grande verdade é que o jornal é lido por aquelas pessoas que quero que leiam. Chegamos ao contexto nas redes sociais e foram esses leitores que nos seguiram e nos ligam. Em função disso fez com que as pessoas começassem a ver mais o jornal. E aí começou a vir uma questão de percepção. Se calhar no contexto na abordagem, falo especificamente dos editoriais que definem o posicionamento do jornal, mas é preciso perceber que as coisas são evolutivas. Para eu manter o jornal, é preciso escrever aquilo que o leitor quer ver e saber no jornal. O que nós fizemos por exemplo nas eleições intercalares foi mais visto, porque estamos a ser muito lidos. Mas em termos de cobertura não foi muito diferente do que fizemos nas eleições de 2009 nem nas outras eleições. Se a gente for buscar o histórico, nós fizemos o suplemento de eleições tal como havíamos feito no passado. Desta vez introduzimos coisas novas como a cobertura pelas redes sociais. Mas eu não ia dizer necessariamente que viramos para um contexto mais político. Muito pelo contrário. A admiração continua a ser pelo povo. Se o povo disser que nos quer mais agressivos nós nos tornaremos mais agressivos, porque a nossa força está no povo. Pensamos que já há jornais muito bons na praça que tratam bem os assuntos políticos.


“Os que estão no poder pensam que estão lá como direito vitalício”
Canal - O debate nacional gira agora em torno de uma alegada marginalização da juventude: pobreza versus oportunidades. Como é que olha para esta questão? A juventude moçambicana tem esperança?

Erick: (Risos) Esperança…qual é? Eu acho que é uma pergunta para a própria juventude, porque se calhar já não sou tão jovem assim. Mas no fundo eu acho… (pausa)… Não queria ser muito drástico. Mas temos que em primeiro lugar acreditar no País. Acontece que nem tudo que está a ser feito no país hoje a gente vai ter o efeito e consequência hoje. E acho que a juventude tem que estar e tem que se preocupar muito com o que vem no futuro. Isso porque não é fundamentalmente no contexto de oportunidades por aquilo que está a surgir por aí fora. Isso surge mais à frente, mas é pelas bases da construção disto hoje que virá o futuro. Estamos a falar de questões que não são tangíveis: moral, valores, ética. O pior está a ser feito hoje em função de acordos mal feitos, em função do que o Governo tem fundamentalmente no seu interesse próprio em primeiro lugar. Estou a falar das pessoas que estão no poder que levam os grandes temas como a juventude para o último ponto da agenda. A juventude está a ser sistematicamente usada como elemento de eleição.
A juventude é usada, ponto de exclamação.

Canal: Como assim?

Erick: A juventude não é parte de um plano. Eu arrisco-me a dizer que a juventude, onde está tem que ter muita esperança em si própria, porque o que está a ser feito não lhe considera muito. Não há, a nível do Governo, nenhum programa credível para a juventude. Não há um programa que seja concebido pensando que isto é para servir a nossa juventude. A juventude está cada vez mais mal formada. No tempo em que a gente andou na escola, não só a qualidade de ensino, que aliás era muito voluntária, era melhor. Eu tive professores que foram forçados a serem professores. Eram pessoas que saíam da nona classe para dar a sétima e davam com vontade e afinco como não acontece hoje. Não estou de jeito algum a desqualificar os professores. Estou a falar que na conjuntura do país que temos hoje: que vontade, que paixão, que motivação tem o professor para ensinar e construir um País, quando ele vê o que a gente vê todos os dias, aquilo que são os nossos governantes? Então é uma pergunta difícil de responder. Mas há factores que tentam levar a dizer que a juventude não pode ter esperança. A juventude tem que sempre acreditar em si: somos o futuro deste país. Mas a juventude deve deixar de pensar que há alguém que está no Governo a tomar conta dos nossos interesses. A juventude que está na escola tem que pensar que daqui a cinco ou sete anos, estas todas oportunidades que estão a aparecer nenhuma delas o vai contratar, porque a qualidade de ensino está muito má. E a culpa não é da juventude. É de quem administra o sistema de ensino. É daquele que determina aquilo de deve ser ensinado. A juventude tem que pensar assim: dizer olha: se eu não vou, o sistema não está a criar emprego para a massa juvenil. O governo sempre vai dizer que vocês são impacientes, mas yah, somos impacientes. É para esperar mais 50 anos? Em cinquenta anos uma pessoa morre. As coisas estão mais difíceis. Quando a gente senta e ouve aqueles relatórios do Banco de Moçambique, não fazemos ideia do que aquilo quer dizer. Subiu 15 porcento, baixou 15 porcento, a realidade continua a ser a mesma, tu continuas a não conseguir comprar tomate. E o preço de tomate não baixa porque vem do Botswana. Tu encontras as alfândegas que estão mais preocupadas em tirar o pouco que compraste na África do Sul de peúgas: até disso querem te tirar os direitos. E a coisa não pára por aí: no tomate, cebola, alho, querem tirar ganhos. Ao invés de ir contra os verdadeiros contrabandistas que temos tantos neste País que trazem televisores com outras coisas lá dentro…
Estas coisas que estão por detrás, a juventude não deixa passar despercebidas. Porque tu tens uma pessoa que senta e olha o mais velho a fazer, é muito provável que seja aquilo que possa vir a fazer quando um dia estiver no Governo. Em termos de esperança de pacote que está a ser montado para a juventude não é grande coisa. Agora a juventude tem que acreditar em si mesma.
A juventude tem que aprender a batalhar pelos seus direitos. É um direito seu que está em causa. A gente não pode ficar de braços cruzados porque o meu voto não vale nada e aquela gente ganha sempre. Yah concordo, mas um dia vai deixar de ganhar sempre e tu podes fazê-los perder sempre. E uma coisa é ganhar com cem porcento e outra coisa é ganhar com 99 porcento, porque aqui, pelo um falou. E a gente está a aprender isso todos os dias do poder da juventude no mundo.


No 1 e 2 de Setembro de 2010
Acima de tudo ficou escrito que nós podemos

Canal: Acontecimentos de 01 e 02 de Setembro de 2010…

Erick: Em Moçambique, por exemplo, há um grupo de gente que desqualifica, a começar pelo Presidente e os outros, o que aconteceu em 1 e 2 de Setembro de 2010 em Maputo. É completamente desqualificado. Mas aquilo aconteceu dois ou três meses antes de o fogo pegar no norte de África. Usamos aqui toda a tecnologia que o mundo usou. Pior: aqueles passos que foram usados pela máquina de repressão cá, foram os mesmos que foram usados nos países do norte de África. Então nós fomos os primeiros a explodir. Infelizmente explodimos sem vitórias. Mas eu digo que ganhou-se e muito: fomos à estrada e ficou recordado. Ficou lá escrito que as pessoas não gostam e não estão a favor da forma como o País está a ser Governado. E acima de tudo ficou escrito que nós podemos. Há quem discuta a forma etc. e tal, mas veja a Tunísia, veja o Egipto, veja tudo o que se está a passar a volta. Veja uma prestigiada revista como a Times declarar que a figura do ano foi o protestante. Tudo isso é obra da juventude. Portanto a esperança para a juventude está na nossa força. Temos que aprender a dizer não, a reclamar pelos nossos direitos e ninguém vai determinar o nosso futuro melhor do que nós.


A pessoas andam insatisfeitas com o nível de Governação que temos hoje
Canal: Há uma actualização que fez na sua página do Facebook em que dizia que era urgente que os moçambicanos se libertassem dos seus libertadores. A que libertadores se refere? E porquê? Qual seria a via, na sua opinião, para a tal libertação?

Erick: Yah. Isto é uma daquelas coisas que para já não é, e não pode ser atribuída a uma única pessoa. É uma conversa comum e é o sentimento que anda dentro de cada um que desde a independência continua a viver a mesma miséria. A maior parte das pessoas andam insatisfeitas com o nível de Governação que temos hoje. Diz isso. Diz que eu estou a ser gerido hoje pelos que já estão no Governo há trinta anos. Estávamos a falar da juventude há pouco tempo. Tu tens pessoas hoje, que são mais jovens e votam e determinam o futuro do País, que são mais novos em relação ao período em que as mesmas pessoas estão no poder e nada muda. E já falamos aqui 50 vezes que Graça Machel entrou para o Governo com 28 anos. Então nós continuamos a ser governados com ideias velhas. Não é possível quem nos Governa hoje, criar políticas e programas para aquilo que a gente tem hoje como necessidade. As regras que mandam viver de acordo com elas são antigas. Só contextualizar: tu olhas para outros lados e vês que os movimentos de libertação estão a cair. As pessoas não estão a lutar contra Governos que existem há dois ou três anos. As pessoas estão a lutar contra governos velhos com ideias velhas.

Canal: E no nosso caso qual será o móbil do protestante?

Erick: O protestante no mundo está a lutar hoje, contra duas coisas: a primeira é o sistema bancário que nos empobrece e a outra é aqueles que acham que é direito deles estar no poder. As pessoas hoje não sabem que aquele que está no poder, aquele que passa com carros de luxo e gasta como quer o Orçamento do Estado, é um representante meu. A pergunta mais interessante em termos de conversa que estava a ter muito recentemente com um jovem na flor da idade é essa. Ele virou-se e disse-me assim: mas olha lá, porque é que eu tenho de me levantar quando entra o presidente, ministro ou coisa parecida? No fundo no fundo ele é que deve vir até a mim dizer olá como estás? Porque ele trabalha para mim. Fui eu que o elegi.
Não estamos num País de reis. O nosso sistema foi constituído para dizer que aqueles que estão no poder, estão lá como direito deles. Mas não é! Aqueles que estão no poder, estão lá para fazer o melhor que podem para ternos uma vida condigna e não para eles se beneficiarem a eles próprios. E se não o fizerem é nosso direito escolher outro. Agora as falcatruas por trás não é comigo. A frase “temos que nos libertar dos nosso libertadores” quer dizer isso. A opressão colonial já foi com o colono. Acabou! Lutaram e também acabou, não podemos viver do passado. É o que vemos em Moçambique, Zimbabwe, era na Líbia, é na África do Sul. Soa todos brothers. Aqueles que lutaram contra o sistema representam exactamente o sistema contra o qual lutaram. O colono apenas mudou de raça, cor e etnia. A desconsideração pelo povo continua a mesma. O sistema colonial não trabalhava para o povo e tinha o povo como força de trabalho. Vais me dizer que o Governo hoje trabalha para o povo?


Esse partido que nos libertou…
Quem são essas pessoas hoje? É direito deles ficar no poder até morrerem?

Canal: Erick. O que os dirigentes da Frelimo representam para si como membro da Frelimo?

Erick: Até que ponto o sistema em Moçambique quer melhorar a vida povo? Veja o discurso de combate à pobreza. Qualquer sistema colonial podia dizer que também queria combater a pobreza. Portanto temos que analisar o que é hoje esse partido que nos libertou. Quem são essas pessoas hoje? É direito deles ficar no poder até morrerem? Se é que façam por escrito em forma de Lei e todos nós aceitamos. Porque olha, há países no mundo que dizem assim: este país tem Rei e quem sucede o Rei é o filho e depois vem o sobrinho e por aí em diante e ninguém discute. Então vamos dizer também que Moçambique tem donos e quem sucede os donos são os filhos dos donos e por aí fora. Mas que esteja escrito em forma de Lei (risos). Eles têm capacidade para fazer isso!? O parlamento é controlado por eles. Eles podem fazer isso. Ficamos uma espécie de Correia do Norte e a partir daí ninguém vai incomodar nenhum Governante e ficamos todos conformados sem protestos nem manifestantes. O que não podemos fazer é fingir que este País tem alicerces em conceitos democráticos. Porque não é verdade. Olha para uma coisa: tu vês o gás, o carvão a ser extraído. Existe alguma política por detrás disso para o bem comum? Não! Primeiro que tudo está o interesse pessoal desta gente.

Canal: Certa vez, um jornal o chamou ainda que de forma muito camuflada e recorrendo a recursos estilísticos de desencantado com a Frelimo? Erick Charas está desencantado com a Frelimo?

Erick: (Risos)…Para já não conheço esse jornal. Mas olha, isso depende do que é estar desencantado ou até mesmo encantado com a Frelimo. Praticamente se calhar estou a chegar a um ponto de dizer assim: a Frelimo, com aqueles que estão a liderar a ela hoje, já caducou. Precisa de novos líderes. Precisa de novo pensamento. Precisa de ser a representação do povo. É preciso ver que quando a Frelimo foi criada foi como uma representação da vontade de todo um povo de Rovuma ao Maputo, pobres e indigentes. O povo queria libertar-se de um sistema. Hoje a Frelimo representa o quê? Hoje os líderes da Frelimo representam a vontade de o povo sair da pobreza? Quando houve a guerra de libertação, os líderes da Frelimo estavam no mato. Rastejavam com o povo. O povo recebia-lhes na palhota e agradeciam. Hoje os líderes da Frelimo vão à palhota do povo com água mineral. Recusam-se a beber a água do povo. Então, desencantado não é um caso pessoal. Não é desencanto contra a Frelimo. Não. Que fique claro: eu sou membro da Frelimo e quando uma pessoa acredita em algo é em função dos seus ideais. Não estamos aqui a falar de sorvete. É em função daquilo que está escrito na constituição do partido. Agora eu pergunto: aquilo que está escrito na constituição do partido é aquilo que seus actuais líderes advogam? Não sei. Agora um jornal que vem chamar de desencantado, eu na verdade estou desencantado com muita coisa e em primeiro lugar com esse jornal que é um jornal engraxador. Eu até nem li isso. Porque no fundo um jornal não é para andar a engraxar. É para informar as pessoas.


“A nossa polícia está para lutar contra o seu povo”

Canal: Moçambique foi recentemente catalogado com uma classificação pouco simpática: quarto País mais pobre do mundo. Sente-se a viver num País pior que a Guiné Bissau?

Erick: (Risos)…Sabe duma cena? Em termos de catalogação, é um pouco como os Governantes deste País pensam. Pensam assim: ser quarto é melhor que ser último (gargalhadas). Temos feriados até dizer chega. Bebemos e engrossamo-nos até dizer chega. E no fundo no fundo enquanto nos mantemos alegres e espantamos com as nossas tristezas, pensamos que estamos muitíssimo bem. E na mesma condição viemos dizer que os cálculos foram mal feitos. Vieram dizer que não somos o quarto pior país do mundo mas o vigésimo. Mas tudo é mau. E aprendemos que mau é mau. É zero. Não há como minimizar o mau. Eu e infelizmente a maior parte do grupo que nos rodeia somos uns privilegiados, porque nos damos até o luxo de discutir qual é o nosso tipo de mau. Aposto contigo que 90 porcento da população moçambicana no nível de pobreza que vive não se dá se quer ao luxo de pensar que há pessoas que vivem pior do que eles. É a esses que tínhamos de perguntar em que nível é que estamos em termos de pobreza. Esses se calhar não terão dúvidas em te dizer que estamos no nível menos 50.

Canal: Nível menos 50, Charas?

Erick: Isso mesmo. Nível menos 50 de pobreza. Não vamos falar de quarto que até é uma classificação que os poupa.

Canal: Mas o Presidente da República esteve recentemente no parlamento e concluiu que o País está a progredir e que cada moçambicano tem contribuído para tal progresso?

Erick: Não estamos a progredir coisa nenhuma! Sabes, nós os privilegiados não temos o direito de olhar as coisas em sentido comum. Se os nossos governantes gerirem este País sem senso comum e não analisarem concretamente na base de indicadores credíveis; não olharem para a verdadeira realidade do País e chegarem à conclusão que aquele indicador não representa claramente aquela realidade, estamos a fazer zero serviço para este país. Se saíres para aí fora olhar para cada buraco, para cada pessoa sem problemas mentais e que come na lixeira, olhar para cada chapa cheio, para carrinhas transportando pessoas como animais, é nossa obrigação sermos no mínimo verdadeiros. E é preciso termos coragem e humildade suficiente para olharmos para o sofrimento das pessoas e dizer que efectivamente o País não está a crescer. Nós temos potencial para crescer. Estão a ser descobertos jazigos disto e aquilo, mas infelizmente não estamos se quer a traçar políticas claras e transparentes de como aproveitar esses recursos para acabar com a pobreza da maioria dos moçambicanos. Estamos a traçar muito bem políticas de benefício pessoal, principalmente se temos acesso às malhas do poder. E em compensação estamos a ensinar o povo a não contestar porque quando contesta mandamos a Força de Intervenção Rápida (FIR) para dar porrada ao povo. Uma polícia que luta contra o seu povo. Que crescimento é esse? Estamos a falar a verdade ou estamos a mentir? É vergonhoso estarmos num País onde as pessoas continuam a morrer por falta de medicamentos. Mas isso é um processo que passa primeiro pela declaração dos bens dos Governantes. Talvez a resposta esteja aí. Porque os seus filhos estudam fora do País? E quando ficam doentes onde são tratados? Chefe, eu estudei no ensino público deste País e na altura os filhos dos Governantes estavam aí a estudar comigo, porque os governantes daquela altura acreditavam no sistema de ensino do seu próprio país. Agora é o contrário. É vergonhoso que os filhos dos nossos governantes quando não estudam fora, estão em escolas privadas com sistema estrangeiro: estão na escola portuguesa, americana, francesa e por aí fora. Diz-me se o povo está diferente do que estava aquando da guerra?


Casa Jovem: um projecto social que ao invés de ajuda só recebe barreiras do Governo

Canal: O grupo Charas em parceria com seus aliados lançou um projecto ambicioso denominado casa “Casa Jovem” que para além de ser um negócio visa contribuir para aliviar a problemática de habitação na camada jovem. A quantas anda?

Erick: O projecto está em curso e a nos motivar cada vez mais. Aliás, a melhor notícia que tive hoje (quarta-feira antepassada), é que depois da chuva que deixou toda a capital do País alagada, a zona do Casa Jovem está brilhantemente aterrada. As nossas valas estão a drenar as águas como deve ser. Neste momento avançamos com a fundação de 15 prédios dos 26 que vamos fazer inicialmente. Está tudo em curso. Este ano prevemos começar com a entrega das casas àqueles que estão em frente. Infelizmente podia andar melhor, não sob ponto de vista de compradores ou construção. Falo necessariamente da questão do apoio. Estamos a falar de um projecto que fundamentalmente é para jovens. E que fique bem claro que aquele projecto podia ser vendido e podia ser implementado mais tarde. Eu sou o implementador do projecto no contexto do Casa Jovem em que teoricamente é para alguém. Fizemos uma parceria, no sentido de sermos contratados para desenvolver um projecto, a resposta que dei e que me faz ser convidado para várias parte do mundo e de Moçambique, é que as minhas intervenções devem ser de caris social. Eu disse que o projecto que se encaixa naquela terra, é o jovem. Há uma estrutura que detém a propriedade daquilo. Mas o que era importante dizer é para isso desenvolver e pela sua natureza o Governo tinha que estar envolvido como parte da sua responsabilidade em providenciar habitação. Numa primeira fase vamos entregar por aí 150 casas. É o que está escrito no contrato. Em prazos globais temos três anos. Mas nem tudo é em prazos globais. Tu tens pessoas que compram neste ano, têm um prazo, e as que compram no próximo ano, têm outro prazo. Mas posso te garantir uma coisa, as pessoas que entrarem para o projecto hoje, só terão as casas daqui a dois anos. Não há como. Neste momento temos acima de 400 pessoas que já compraram e estão à espera de receber as casas. E as pessoas que pagam são parte fundamental do financiamento. Na fase em que está o projecto já investimos perto de 30 milhões de dólares.


O Governo está a vender ao dobro, casas subsidiadas

Canal: Mas então qual é o investimento global?

Erick: Estamos a falar de um investimento de perto de 120 milhões de dólares. Esse investimento tem zero de privilégios do Governo. Eu já fui falar com o Primeiro-ministro, já entreguei os documentos a assessores de todos os governantes e até hoje, o projecto que é para beneficiar os jovens tem zero input do Governo. Não tem uma isenção se quer. Mas neste País isentam televisores e geleiras, centros comerciais e casas para jovens não tem sequer uma isenção. Achas que estamos num País normal mesmo? Mas nós vamos e estamos a fazer. Porque acreditamos em nós próprios.
Quais são os critérios para candidatar-se às casas? São dois. Primeiro tem que ter menos de 40 anos. A razão disso é porque eu determinei. E a ideia é ter menos de 40 anos no contexto da propriedade da casa. Em outras partes do mundo é feito assim. Eu quero que a propriedade seja de um jovem que tem menos de 40 anos. Segundo é teres capacidade de pagar. São critérios simples. E aqui está subdividido. Uma é em função do rendimento e agregado familiar a sua capacidade de endividamento nos bancos. Outra é tu sentares, como a maior parte dos nossos clientes fez e dizer: bem, quanto é que tenho de pagar em cada fase e ir trabalhar para conseguir o valor. Porque, por exemplo, o Governo está a vender ao dobro, as casas subsidiadas e porque é que eu serei o Robin Woods? E quando eu tiver casas aí vou vender a preço de mercado e neste ano tens casas Casa Jovem aí.

Canal: Consta-nos que o Casa Jovem foi exigido um estudo de impacto ambiental de primeira linha, enquanto naquela zona tem outros projectos de grande envergadura a quem não foi exigido o mesmo. O que está a acontecer?

Erick: Eu não. Vai perguntar isso ao Ministério da Acção Ambiental ou à própria ministra, o que eu posso te dizer é que não só fomos obrigados a fazer um estudo ambiental de classe A, que é o mesmo tipo de qualidade de estudo que fazem mega-projectos como a Mozal, a Vale, assim como os prazos previstos para aprovação e o seguimento do próprio estudo de impacto ambiental, nunca foram seguidos pela parte do Governo.

Canal: O que está a querer dizer?

Erick: Nós contratámos uma empresa. Contratámos a Impacto. Sem isso não teríamos licença de construção. Nos foi dito claramente. Os termos de referência do estudo de impacto ambiental que fundamentalmente a lei diz que o Estado, no caso o MICOA, tem três semanas para aprovar, levou cinco meses sem ser aprovado.

Canal: É complicado, quando o próprio Estado pontapeia a Lei…

Erick: Complicadíssimo meu caro. A pergunta que eu te faço é: o que é que um cidadão faz quando o Governo não cumpre a Lei? Vou aonde neste nosso País? Faço o quê? A ministra levou 5 meses para aprovar os termos de referência. Não estou a falar do estudo, dos custos que isto tudo implica. Veja que parte do que a gente fez em termos de drenagem resolveu o problema da zona toda, o que era tarefa do Governo. Eu estou a drenar coisas que vem das Mahotas, o que devia ser da responsabilidade do Estado. Para o bem do projecto fizemos uma vala de drenagem de 30 metros de largura (risos). Mais grave ainda veio o Conselho Municipal decretar que a estrada principal tem que ter 30 metros de largura e 5 metros de passeio, num projecto privado.

(Matias Guente / Canalmoz / Canal de Moçambique)

Espanha. Juiz processado por ordenar inquérito aos crimes do regime fascista de Franco


Pretória (Canalmoz) – Milhares de pessoas manifestaram ontem nas ruas de Madrid o seu apoio ao juiz Baltasar Garzón, que está a ser julgado por violação da Lei da Amnistia ao ter ordenado um inquérito aos crimes do regime ditatorial do Francisco Franco que vigorou em Espanha entre 1936 e 1975.
Entre a multidão, havia políticos socialistas, líderes sindicais e artistas. A palavra de ordem foi “Garzón, amigo, o povo está contigo”. O juiz, agora a trabalhar para o Tribunal Penal Internacional, pode ser condenado a uma pena máxima de 20 anos.
Entre os manifestantes contava-se Fernando León, que em declarações ao jornal El Pais afirmou estar ainda à procura do pai. León recordou que “Estava sentado ao colo do meu pai quando veio um falangista com uma arma e disse que tinha que o levar. Fuzilaram-no sete dias depois, com mais 22 pessoas, entre eles cinco mulheres e um menino de 14 anos”.
Em 1998, o juiz Garzón emitiu um mandado de captura contra o antigo ditador chileno, Augusto Pinochet, pelo facto de cidadãos espanhóis terem sido mortos e torturados durante a vigência do seu regime.
Garzón também moveu acções judiciais contra líderes militares da Argentina, relacionadas com o desaparecimento de cidadãos espanhóis durante o regime de ditadura militar que vigorou neste país de 1976 a 1983. (Redacção / El Pais)


domingo, 29 de janeiro de 2012

Ban Ki-moon pede aos líderes africanos que respeitem direitos dos homossexuais



Secretário-geral das Nações Unidas apelou aos líderes africanos que respeitem a homossexualidade que é ilegal em quase todos os países do continente.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, apelou hoje aos líderes africanos reunidos na abertura da cimeira da União Africana, em Addis Abeba, para que respeitem os direitos dos homossexuais.
http://aeiou.expresso.pt
"Uma forma de discriminação ignorada ou mesmo sancionada por muitos Estados há demasiado tempo tem sido a discriminação baseada na orientação sexual ou na identidade de género", disse Ban Ki-moon na capital da Etiópia.

O secretário-geral da ONU lamentou que os governos tratem as pessoas como cidadãos de segunda classe e como criminosos.

"Enfrentar as discriminações é um desafio, mas não devemos abandonar as ideias da declaração universal" dos direitos humanos, acrescentou Ban Ki-moon, para quem "o futuro de África depende também do investimento nos direitos cívicos, políticos, económicos sociais e culturais".

A homossexualidade é ilegal em quase todos os países africanos, com exceções como a África do Sul, e a discriminação contra os homossexuais é comum.
Obama apela a luta contra homofobia

No Uganda, o parlamento quer há meses endurecer a legislação contra a homossexualidade - já punível com longas penas de prisão - admitindo mesmo a pena de morte em casos de reincidência.

No início de dezembro, o presidente dos EUA, Barack Obama, apelou a todos os organismos no estrangeiro que assegurem que a diplomacia americana e a ajuda financeira ao desenvolvimento promovem a luta contra a homofobia.

Já no final de outubro, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, ameaçara excluir dos programas de ajuda do Reino Unido os países que não reconheçam os direitos dos homossexuais.


18.ª cimeira da União Africana

A 18.ª cimeira da União Africana começou hoje em Addis Abeba e deverá ser dominada por uma batalha pelo poder interno.

O tema da reunião é o comércio intra-africano, que não representa mais do que 10% das trocas do continente.

Mas o assunto dominante deverá ser a eleição do novo presidente do seu órgão executivo, tendo os Estados-membros de escolher entre o atual líder, o gabonês Jean Ping, e a sul-africana Nkosazana Dlamini-Zuma, ex-ministra dos negócios estrangeiros e ex-mulher do Presidente Jacob Zuma.
http://aeiou.expresso.pt/ban-ki-moon-pede-aos-lideres-africanos-que-respeitem-direitos-dos-homossexuais=f701910
Imagem: Inebriante, o amanhecer! A luminosidade abre caminhos perante o deslumbre ...
searasdeversos.blogspot.com


Não abusem da paciência dos angolanos


A aplicação "rigorosa das boas práticas internacionais quanto ao controlo migratório" fez com que vários portugueses fossem recambiados de Luanda para Lisboa.

Porque, pois claro!, “não estão em causa as relações com Portugal, país com o qual Angola tem fortes laços, culturais e históricos", é mera coincidência o facto de recentemente 16 cidadãos angolanos terem sido recambiados de Portugal.

"Estamos a fazer o que Portugal faz com os angolanos. A aplicação com rigor das boas práticas internacionais de controlo migratório", frisou Simão Milagres, porta-voz dos Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) de Angola.

Os cidadãos portugueses foram impedidos de entrar em Angola porque eram portadores de vistos ordinários, e comunicaram à entrada aos agentes do SME que vinham trabalhar para Angola, acrescentou o porta-voz do SME.

"Os acordos celebrados (com Portugal, de facilitação dos vistos de entrada em ambos os países) não anulam a legislação interna angolana", frisou Simão Milagres.

Os portugueses, apesar de viverem muito bem no seu país (só são mais de 800 mil desempregados, 20% de pobres e outros tantos a olhar para os pratos vazios), continuam a aventurar-se por terras angolanas, correspondendo aliás a um repto de Passos Coelho.

Como em tempos dizia o meu amigo Gil Gonçalves, “quando a cabeça não dá para mais nada, a única saída é embarcar para Angola e espoliar mais uns pretos”. Não é só a cabeça que não dá para nada, o próprio país é um deserto e os seus dirigentes uma resistente espécie de parasitas.

Mas, diga-se, a culpa não é só dos portugueses de hoje que, ao contrário dos de ontem, procuram sacar tudo o que podem, começando o exemplo pelos governantes, passando pelos gestores e administradores públicos e restante casta.

A culpa também é dos angolanos que colocaram os de ontem, muitos dos quais deixaram mesmo o cordão umbilical em Angola, ao mesmo nível dos de hoje, ou muitas vezes a um nível bem mais baixo.

Em Angola causa alguma estranheza o facto de, apesar da presença massiva de portugueses, eles nunca serem mencionados nos balanços do Serviço de Migração e Estrangeiros sobre a expulsão de expatriados.

E estranha-se porquê? Porque, mesmo considerando que esses cidadãos são súbditos de sua majestade D. Pedro Miguel Passos Relvas Coelho, as vítimas dos serviços de migração são por regra africanos e, de quando em vez, uns chineses.

E Maio de 2009, o Semanário Angolense dizia que “aos outros imigrantes é exigido o cumprimento da lei, mas aos portugueses não”. E acrescentava: “Muitos até falsificam documentos e dizem-se naturais de Malange – maioritariamente “nasceram” em terras da Palanca Negra –, Huíla, Benguela, mesmo sem nunca lá terem estado”.

E o jornal concluía: “É urgente investigar e descobrir quem promove e protege essa invasão silenciosa de portugueses”.

É verdade que são aos milhares os portugueses africanos que agora nasceram de gestação espontânea, uma espécie de mercenários que nada têm em comum com muitos outros portugueses de outrora, esses sim africanos de alma e coração.

Os novos descobridores vão para a África rica (caso de uma parte de Angola) sacar tudo o que for possível e depois regressam à sua normal e tipificada forma de vida, voltando a ter a porta sempre fechada aos africanos.

Com a conivência consciente de Eduardo dos Santos, que não dos angolanos, Portugal aposta tudo o que tem (lata) e o que não tem (dignidade) nos muitos mercenários que têm as portas blindadas e sempre fechadas, remetendo para as catacumbas todos aqueles portugueses que sempre tiveram a porta aberta.

Como é que se vê a diferença? É simples.

A grande diferença é que os portugueses europeus, os que agora aceleram na tentativa de chegar à cenoura na ponta da vara de Angola, sempre consideraram (quiçá com razão) que até prova em contrário todos os estranhos são culpados.

Já os portugueses africanos, os que deram luz ao mundo, os que choram ao ouvir Teta Lando, Elias Dia Kimuezo, Carlos Lamartine ou os N’Gola Ritmos, entenderam que até prova em contrário todos os estranhos são inocentes.

Em África, os portugueses africanos aprenderam a amar a diferença e com ela se multiplicaram. Aprenderam a ser solidários com o seu semelhante, fosse ele preto, castanho, amarelo ou vermelho. Aprenderam a fazer sua uma vivência que não estava nas suas raízes.

Na Europa, os portugueses aprenderam a desconfiar da diferença e a neutralizá-la sempre que possível. Aprenderam a ser individualistas mesquinhos e a só aceitar a diferença como exemplo raro das coisas do demónio.

Com o re(in)gresso de milhares de portugueses africanos ao Portugal europeu, a situação alterou-se apenas por breves momentos. Tão breves que hoje quase se contam pelos dedos de uma mão os que ainda se assumem como portugueses africanos.

Isto é, muitos dos portugueses europeus que foram para África tornaram-se facilmente africanos. No entanto, ao re(in)gressarem às origens ressuscitaram a velha mesquinhez de um país virado para o umbigo, de um país de portas fechadas. Voltaram a ser apenas europeus.

Nessa mesma leva vieram muitos portugueses africanos nascidos em África. Esses não re(in)gressaram em coisa alguma. Mantiveram-se fiéis às suas raízes mas, é claro, tiveram (e ainda têm) de sobreviver.

Apesar disso, só olham para o umbigo de vez em quando e as suas portas só estão meias fechadas.

Acresce que muitos destes acabaram por constituir vida em Portugal, muitos casando com portugueses europeus. Por força das circunstâncias, passaram a olhar mais vezes para o umbigo e a porta fechou-se quase completamente.

Chega-se assim aos filhos, nados e criados como “bons” tugas europeus. Estes só olham para o umbigo e trancaram a porta. Por muito que o pai, ou a mãe, lhes digam que até prova em contrário todos (brancos, pretos, amarelos, castanhos ou vermelhos) são inocentes, eles já pouco, ou nada, querem saber disso.

Por força das circunstâncias, os portugueses africanos diluíram-se no deserto europeu, foram colonizados e só resistem alguns malucos que, por força dos seus ideais, admitiram que o presente de Portugal poderia estar na Europa, mas sempre e desde sempre tiveram a certeza que o futuro estava em África.


--
Orlando Castro
Jornalista (CP 925)
A força da razão acima da razão da força
http://www.altohama.blogspot.com
http://www.artoliterama.blogspot.com

Deputado Raúl Danda denuncia regime de JES de o querer matar


Luanda - Desde há algum tempo que venho notando coisas muito estranhas ao meu redor, desde movimentos de pessoas estranhas que me seguem de carro, depois do cair da noite, às ameaças directas, passando pelas calúnias e invenções de pessoas que deviam dar mostras de alguma idoneidade e responsabilidade.

Fonte: facebook Club.k-net

“MPLA quer matar-me por pensar diferente”

Há alguns dias tive que dormir em casa de pessoas amigas depois de ter sido alertado que estavam dois indivíduos (um negro e outro mestiço) à espera de mim (eram aproximadamente 22h00). Certamente não estavam à espera de mim para me oferecer rebuçados. Há cerca de 3 meses, a intuição (certamente o mudo conselho de Deus) disse-me que, ao chegar ao meu prédio, por volta das 23h00, e constatar que não havia luz, eu desistisse de subir os 4 andares que levam ao meu apartamento. Assim fiz e fui passar a noite numa unidade hoteleira. Soube, no dia seguinte, de fonte fidedigna, que os mesmos dois "companheiros" que colocaram "de serviço" para me vigiar e matar estavam lá naquela noite com o firme propósito de me assassinar.

Soube, entretanto, de informação segura vinda de alguém que trabalhos nos Serviços de Segurança (DISA, MINSE, SINFO ou SISE, ou o que quer que seja) que eu estava a ser seguido quase em permanência. Certamente não estrarei a ser seguido por alguém que pretende dar-me abraços fraternos.

Há alguns dias, o senhor governador de Cabinda, o General Mawete João Baptista, realizou uma reunião na sede do MPLA em Cabinda, na qualidade de primeiro secretário desse partido, e disse que eu o estava a incomodar muito, a meter-me na sua vida. Isso por causa das denúncias de má governação em Cabinda que eu venho fazendo com regularidade. Nessa reunião, o senhor Mawete disse que tinha dado orientações à tropa para tomarem medidas. Que outras medidas podem os militares tomar contra mim que não seja o assassinato? Acaso alguém se esqueceu que o Sr Mawete João Baptista, enquanto embaixador de Angola no Congo Democrático, foi autor do rapto e desaparecimento de opositores políticos ao regime do MPLA? Não sendo nada competente, do ponto de vista de gestão, terá havido outro motivo que ditou a indicação do sr. Mawete para governador de Cabinda senão a asfixia política, a intimidação, o assassinato e agora os graves desvios do erário público? Cabinda não tem luz, não tem água, não tem comida, falta gás de cozinha, estradas em condições, bens e serviços básicos... o atendimento hospitalar é mediocre, os desvios de dinheiro são a única coisa que cresce de forma vertiginosa. como não denunciar isso? No OGE para 2012, por exemplo, o Sr. Mawete inscreveu a verba de 700 mil dólares destinados à simples limpeza de um terreno onde se iria construir depois um hospital municipal. Quando questionei isso no Parlamento, não conseguiu dar resposta. Como deixar de denunciar isso?

Antes desta ordem para matar que ele proferiu na reunião de há alguns dias, meses atrás o Sr governador Mawete João Baptista, andou a falar aos 4 ventos que iria dirigir ou que tinha dirigido uma carta à Assembleia Nacional, em que me acusa de ter ido à Ponta Negra reunir-me com a FLEC. Ora vejam! Qual a intenção de levantar essas calúnicas se até são eles próprios (MPLA) que se encontram amiúde com a FLEC?

Será que o MPLA não consegue "desvincular-se" do espírito de partido único, da perseguição e do assassinatos dos adversários políticos, marchando rumo a uma verdadeira democracia? Querem mesmo continuar a fazer de Angola a quinta herdada da avó e partir para a eliminação física de todos quantos se oponham a essa forma de governar o país? Ainda não chegam as mortes de Ricardo Melo, Nfulupinga Nlandu Victor, para citar apenas estes?

Três certezas:

1. Deus está e estará sempre comigo, e vai defender-me desses comunistas malditos.

2 Só quem pensa que nunca vai morrer pode dar-se à satisfacção de esfregar as mãos de contente porque matou o Raúl Danda. Eu tenho pena desses assassinos que, se calhar, Deus nem lhes daria tempo de receberem o relatório da minha morte.

3. Venha o que vier, estarei sempre aqui na minha trincheira em defesa dos humildes, dos pobres, dos verdadeiros donos desta pátria, usurpada por meia dúzia de indivíduos. Ao lado deste grande povo, continuarei a lutar e a gritar "primeiro o angolano, segundo o angolano, terceiro o angolano, o angolano SEMPRE". Por cada Raúl Danda que assassinarem, tenham a certeza que nascerão outros cem.

Ninguém pode nada contra um POVO.

Raúl Danda

Juiz diz: “Suzana Inglês é da OMA, Mas Não é do MPLA” e Mihaela Webba contra-ataca



Luanda - Esta é a “resposta categórica” que o Conselho Superior da Magistratura Judicial (CSMJ) deu ontem, 25 de Janeiro, à reclamação apresentada pela UNITA. O CSMJ articula assim o seu argumento:

* Mihaela Webba
Fonte: Club-k.net
Professora Universitária responde Juiz do regime
“Em primeiro lugar começa-se por dizer que uma coisa é a OMA, uma organização feminina e outra coisa bem diferente o MPLA. O facto ser daquela organização da mulher, não implica ser do respectivo partido patrono. Na verdade, deve haver pessoas que são da OMA e que não são do MPLA (o mesmo podendo suceder, de resto, com membros da LIMA que não pertencem à UNITA).” “Nesta caso”, continuam os conselheiros, “para dar um exemplo muito simples, nem todas as trabalhadoras de limpeza, cozinheiras ou outra pessoa qualquer base destas organizações femininas – veja-se as religiosas - , são automaticamente dos respectivos partidos. Será demasiado forçada esta rotulação automática”.

Fiquei muito triste ao ler isto, não tanto por causa da ignorância dos membros do CSMJ, mas porque esta decisão traz a nu o estado lastimável em que se encontra a consciência jurídica dos magistrados. Lembrou-me a acusação das “sentenças encomendadas” feita há tempos por Raúl Araújo. Se a esse nível, guardiões da lei ofendem o Direito, ignoram a ética e corrompem a consciência com base na qual a Constituição manda que actuem, então pouco se poderá esperar da magistratura angolana.

Achei, por isso, ser meu dever vir a público recordar que o MPLA é um Partido de massas, cujos órgãos e organismos integram na sua composição pessoas da OMA, o braço feminino do MPLA. A OMA e a JMPLA são instituições do MPLA, dirigidas e comandadas pelo MPLA, para servir o MPLA, e só o MPLA.

A alínea c) nº 2 do artigo 29º dos Estatutos do MPLA, estabelece o seguinte: “a Conferência tem a seguinte composição: ....representantes da JMPLA, da OMA e de outras organizações sociais associadas ao MPLA”. Enquanto que o número 2 do artigo 31º, estatui: “Compete aos Comités intermédios: .... analisar a actividade da JMPLA, da OMA e das organizações de base e/ou outras que estejam sob sua dependência”; “O Comité é composto por...dirigentes da JMPLA, da OMA e de outras organizações sociais associadas”, estatui o artigo 32º.

Por sua vez, o artigo 34º dos Estatutos do MPLA, estabelecem: “A Comissão Executiva é integrada pelo 1º e 2º Secretários e por um número de membros eleitos pelo Comité, pelo 1º Secretário da JMPLA, Secretária da OMA e pela....”. Compete à Comissão Executiva:...garantir o normal funcionamento das organizações de base e dos organismos inferiores...desenvolver iniciativas e adoptar decisões sobre questões políticas, económicas e sociais da sua área de jurisdição”.

A OMA também integra o órgão supremo do MPLA, o Congresso. O seu Comité Central é integrado igualmente por representantes da OMA. – Alínea d) do nº 1 do artigo 41º e nº 3 do artigo 45º dos Estatutos do MPLA.

A OMA é, portanto, uma organização histórica ligada intrinsicamente ao MPLA. Até mesmo crianças, estrangeiros e outros que não sabem ler ou não conhecem os Estatutos do MPLA, sabem que a mulher da OMA é do MPLA. Mas também sabem que uma “juíza da OMA” não é apartidária, nem independente nem imparcial. E sabem que, se ela estiver a organizar eleições como presidente da CNE, o MPLA vai manipular-lhe.

Quantas vezes vimos a Dra. Suzana Inglês nas suas vestes da OMA exercendo funções político-partidárias! A lei que aprova o Estatuto dos magistrados judiciais (Lei 7/94, de 29 de Abril) é clara: “os magistrados judiciais e do Ministério Público não podem pertencer a partidos políticos”. E no que diz respeito à OMA, a Constituição é ainda mais clara ao estabelecer imperativamente no número 6 do seu artigo 179º que “os juízes em exercício de funções não podem filiar-se em partidos políticos ou associações de natureza política nem exercer actividades político-partidárias”.

Não é uma questão de interpretação, é uma imperatividade. Não se trata, pois, duma imperatividade da norma jurídica como simples decorrência da força da autoridade. Ela deve, antes, ser vista como “expressão axiológica” do querer social. Por outras palavras, toda a norma jurídica obriga porque contém preceito capaz de realizar um valor, porque sempre consagra a escolha de um valor que se julga necessário preservar. Consequentemente, é o valor objectivado pela norma jurídica que dá a razão última da sua imperatividade. Este valor encerra tanto a ética como a justiça.

A ética deveria impedir que Suzana Inglês, uma senhora idónea, que por vontade própria deixou de ser magistrada judicial em 1992, surgisse agora a se candidatar para um concurso onde só deveriam concorrer “magistrados judiciais” no exercício das suas funções.
A ética deveria impedir que Suzana Inglês, conhecida advogada, inscrita na Ordem dos Advogados sob o número 130, exímia defensora de múltiplos processos judiciais durante os últimos vinte anos, aceitasse que o CSMJ a tivesse por magistrada judicial no mesmo período em que exerceu a advocacia.

A ética deveria também impedir que os dignos membros do CSMJ afirmassem que uma magistrada judicial nunca “cessou as suas funções” de magistrada judicial mesmo depois de ter abandonado a magistratura, por vontade própria, e ter exercido advocacia e outras funções públicas, quando a Constituição impõe que “os juízes em exercício de funções não podem exercer qualquer outra função pública ou privada, excepto as de docência e de investigação científica de natureza jurídica”.

A justiça, por sua vez, deveria impedir que tanto Suzana Inglês como os membros do CSMJ maculassem a percepção pública da sua independência em relação a José Eduardo dos Santos. É verdade que foi JES quem indicou a advogada Suzana Inglês para o Conselho Superior da Magistratura; Foi JES quem indicou Suzana Inglês para a CNE, em 2005. Foi JES quem voltou a indicar Suzana Inglês para presidente da CNE, em 2010. Tudo bem, podia fazê-lo porque a lei que governava a CNE na altura (lei 6/05 de 10 de Agosto) não exigia que o Presidente da CNE fosse um juiz em funções. Aliás, impedia que fosse um juiz. E Suzana Inglês ficou calada, nunca manifestou a sua condição “de juíza eterna” mesmo sendo advogada.

A nova lei que governa a nova CNE independente (lei 36/11, de 21 de Dezembro) exige que o presidente da CNE seja um juiz no exercício das suas funções, exactamente porque o juiz em funções não advoga, não pode estar filiado em partidos políticos, já tem ou devia ter a percepção de pessoa independente dos partidos políticos. Os outros membros, todos eles, são indicados pelos Partidos políticos e podem ser políticos. O presidente não pode.

Suzana Inglês pode, nos termos da nova lei eleitoral, ser membro da CNE indicada pelo seu Partido, o MPLA, mas não pode ser presidente da CNE, porque os requisitos são outros. A digna advogada é da OMA e todas as crianças sabem que as mamãs da OMA são do MPLA. Mesmo que os dignos membros do CSMJ digam o contrário, a OMA e o MPLA não deixarão de ser a mesma coisa.
Insistir no contrário é atentar contra a justiça e promover o desvalor da injustiça. E quem insiste em atentar contra a justiça, mesmo perante reclamações e protestos, audíveis e silenciosos, não vai organizar eleições justas!

Manuel Vicente “esconde” família na Arábia Saudita


Luanda - A possível indicação de Manuel Vicente como sucessor de José Eduardo dos Santos tem feito correr rios de tinta e tem sido gerado grande correria, intrigas, dúvidas e resistências nos corredores do poder.

Fonte: Blog do Nelo Esteves Club.k-net
Uma questão que tem passado despercebida do público é o facto de Manuel Vicente ter transferido, há mais de um ano, a sua família para a capital da Arábia Saudita, em Riad, onde vive de forma principesca numas das áreas mais luxuosas daquele reino.

Com a aproximação do dia de decisão sobre quem deverá suceder a José Eduardo dos Santos, ou secundá-lo como vice-presidente, a questão da transferência da família de Manuel Vicente passa a ser assunto público.

O que se passa afinal? Regra geral, quando os filhos vão estudar, deslocam-se à Portugal, onde Manuel Vicente tem casas e quarto cativo no Hotel Ritz de Lisboa. Outros vão para Londres, onde Vicente tem uma enteada a viver, muitos escolhem os Estados Unidos, entre outras paragens.

A Arábia Saudita é conhecida como um local perfeito de guarida a ditadores caídos em desgraça como Idi Amin Dada, ou mais recentemente Ben Ali, da Tunísia, bem como de figuras obscuras de mundo dos negócios internacionais.

Certamente, Manuel Vicente e o seu partido, o MPLA de que é membro do Bureau Político, devem ter uma explicação mais informativa e simples. Como o homem pode vir a governar Angola, é bom que se explique se o recuo para a Arábia Saudita é um seguro de fuga, para o caso das coisas correrem mal, ou não.
* Nelo Esteves

PR tenciona criar o cargo de ministro de Estado e da Coordenação Económica


Luanda - O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, tenciona proceder, na próxima semana, a um reajustamento dos órgãos de coordenação ao nível do Executivo, visando reduzir a concentração de tarefas, agilizar a implementação das decisões e deliberações, bem como melhorar a articulação intersectorial, aumentando assim a eficiência e a eficácia da acção governativa.

Fonte: Angop Club.k-net
Uma nota de imprensa dos Órgãos Essenciais e Auxiliares do Presidente da República, chegada hoje (sábado) à Angop, dá conta que, deste modo, o Chefe de Estado Angolano irá introduzir alterações na actual estrutura dos departamentos ministeriais e dos órgãos do Conselho de Ministros, bem como na coordenação dos órgãos e instituições de segurança nacional.

Nesta conformidade, refere o documento, o Presidente da República pretende criar o cargo de ministro de Estado e da Coordenação Económica.

Por outro lado, adianta que o Presidente da República preside a Comissão Económica e a Comissão para o Sector Produtivo, passando a ser coadjuvado pelo ministro de Estado e da Coordenação Económica.

O vice-presidente da República, que preside a Comissão para a Política Social, sublinha a nota, passa a ser coadjuvado pelo ministro de Estado e Chefe da Casa Civil.

O documento salienta ainda que o Presidente da República continua a dirigir o sector de Segurança Nacional, sendo coadjuvado pelo ministro de Estado e Chefe da Casa Militar.

Além disso, conclui a nota, o Presidente da República vai proceder à formalização da entrada em funcionamento da Comissão de Mercado de Capitais e do Fundo Petrolífero com a nomeação dos respectivos Conselhos de Administração.

Policia proíbe venda do disco do rapper Brigadeiro 10 Pacotes por tecer críticas a JES


Luanda - A Policia Nacional em Benguela é acusada de estar a proíbir os vendedores informais de tocarem música do rapper angolano Brigadeiro 10 Pacotes por tecer duras críticas ao governo e ao presidente da república, José Eduardo dos Santos.

Fonte: VOA Club.k-net
Na Praça do Caponte, comerciantes disseram à Voz da América que as autoridades policiais têm detido os que insistiam tocar aquela música no mercado. As acções policiais parece terem silenciado os vendedores

"Estado da Nação" é a mais polémica faixa musical do mais recente trabalho discográfico do Brigadeiro 10 Pacotes e muito ouvida em circuitos informais.

O Brigadeiro 10 Pacotes foca a sua letra nos problemas da sociedade, as desigualdades sociais, a violência política em Angola e o enriquecimento dos filhos de dirigentes de Angola.

Incorpora na sua música o espírito Underground, o estilo de rapper mais revolucionário também conhecido como "Rapper alternativo".

Pembele Zanzo, director provincial da polícia económica em Benguela desmentiu as queixas apresentadas pelos vendedores.

“A nossa acção no mercado informal caso a ocorrer tem-se centrado simplesmente no combate aqueles focos onde se vendem discos que não são produzidos legalmente ou contrafeitos e que não são vendidos nas casas autorizadas legalmente”, disse Pembele, sublinhando que “essas acções nunca visaram algum artista pré-seleccionado”.

O hip hop trouxe consciência social e temáticas que andavam esquecidas no meio artístico angolano. O Rapper underground é o estilo menos comercial dentro do Rap pois dentro do estilo a mensagem e a verdade das letras é o principal.

Face às censuras encontradass em canais oficias.Através dos candongueiros e praças os jovens rappers espalham as suas mensagens por todo país,

O mercado informal da Camponte é tido como uma verdadeira rede social. A julgar pela dificuldade de acesso à informação, ao transporte e à seriedade pedagógica, a música do Brigadeiro 10 Pacotes tem sido uma força na formação de consciência cidadã.

O rap tem uma batida rápida e acelerada e a letra vem em forma de discurso, muita informação e pouca melodia.

Portugal pede explicações a Luanda sobre portugueses impedidos de entrarem no país


Lisboa - Paulo Portas afirmou hoje que foram dez os portugueses aos quais as autoridades angolanas, na quinta-feira, recusaram a entrada no país, obrigando-os a regressar a Portugal.

Fonte: Lusa Club.k-net

"Abrigo do Protocolo de vistos": Angola & Portugal
Lisboa já pediu explicações a Angola sobre o caso dos portugueses que Luanda impediu de entrarem no país, afirmou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros português.

"Pedimos uma explicação às autoridades de Luanda, sabemos que alguns estão ao abrigo do protocolo de vistos, portanto há regras objetivas que funcionam", disse Paulo Portas, em declarações à imprensa à margem de uma conferência sobre as relações entre Portugal e a América Latina.

"Procuraremos, nesta circulação de portugueses para Angola, e vice-versa, reduzir o nível de problemas. Para isso é que existem diplomatas, para isso é que existem autoridades e serviços e, portanto, estamos a procurar dar sequência a essa preocupação", acrescentou o ministro.

Paulo Portas afirmou que foram dez os portugueses aos quais as autoridades angolanas, na quinta-feira, recusaram a entrada no país, obrigando-os a regressar a Portugal.

"Nas relações entre Portugal e Angola é importante a circulação das pessoas (...) estamos a verificar os vários casos e, aqueles que estão ao abrigo do protocolo de vistos, ou seja, seguem um conjunto de regras e de normas, obviamente têm que ser tratados", disse ainda o ministro.

O canal televisivo SIC Notícias disse hoje, citando o grupo de portugueses, - que o canal televisivo diz serem 19 - que à chegada ao aeroporto de Luanda foram encerrados à chave numa sala, onde foram acusados de terem vistos falsos.

"Temos de fazer o que pudermos - porque há, por mês, milhares e milhares de portugueses que circulam para Angola e vice-versa - para reduzir os níveis, que sempre podem acontecer, de problemas aqui ou ali", afirmou Paulo Portas.

Moco afasta possibilidade de se candidatar às presidenciais


Luanda - O ex-primeiro ministro angolano, Marcolino Moco, defende “respeito pelos princípios democráticos”. Em entrevista à DW África afasta ainda a possibilidade de se candidatar às presidenciais.

Fonte: DW Club.k-net
DW África: Recentemente publicou um ensaio intitulado “Angola - a terceira alternativa” no qual apresenta propostas para a construção de sociedade aberta. Em que consiste exatamente essa “terceira alternativa” ?
Marcolino Moco: Bem, eu chamo primeira alternativa às práticas do regime atual na sua arrogância, no seu descaramento em relação ao desvio dos bens públicos para utilização pessoal, na sua ideia de secar toda e qualquer opinião, na sua ideia de centralizar tudo em Luanda. A segunda alternativa é algo que já se começa esboçar e pode vir a desembocar numa revolução porque as pessoas, decorridos dez anos sobre o fim da guerra, começam a reagir contra este tipo de situação. E por fim a terceira alternativa que é um conjunto de propostas que eu apresento centrado no diálogo e no conceito de que governar é servir e não é servir-se. Exemplo mais flagrante é o da espoliação que deve parar. As pessoas, a família do presidente que têm as coisas que fiquem com elas. Mas que parem de uma vez com isso e que comecem a investir o dinheiro que arrecadaram no país e que comecem a submeter-se às regras. Assim começaríamos a construir um país de democracia aberta adaptado ao continente africano.

DW: Diz que as eleições do tipo ocidental não resolvem questões de fundo e que tem sido a mãe de muitas tragédias, particularmente em África. Quer explicar melhor esse ponto de vista no que concerne ao seu país?
MM: Está a vista de todos que as pressões que o Ocidente faz para a realização de eleições que nunca resolveram os problemas e nunca resultaram em grandes coisas, temos exemplos do Gabão e do Quénia. Enquanto antes das eleições não se resolvem os problemas fundamentais, as eleições não servem para nada. Eu costumo usar a seguinte parábola: quando você usa perfume no corpo sem primeiro tomar banho, o resultado é um cheiro nauseabundo, e por vezes é o que se faz aqui em África. Nas próximas eleições angolanas ou vai haver a rejeição dos resultados, ou então o regime vai se reforçar ainda mais. E a fraude já começou, porque o único candidato que domina todos os meios de comunicação públicos é José Eduardo dos Santos, e os meios privados que chegam ao interior do país são dos filhos dele e dos seus próximos e a falta de transparência na utilização dos bens económicos e financeiros é muito descarada.

DW África: Fala-se de uma aproximação do presidente José Eduardo dos Santos a outras figuras e partidos em Angola como interpreta esta aproximação?

MM: Esta aproximação enquadra-se naquilo que eu chamo a solução de primeira alternativa, que é dividir para reinar. Neste momento é claro que com as manifestações dos jovens e com a proximidade de eleições José Eduardo dos Santos está a fazer todos os jogos para dizer que zela pelo diálogo. Mas é um diálogo ínvio porque assenta não no interesse do país mas nos seus próprios interesses.

DW África: Vai candidatar-se às presidenciais?
MM: Não, como seria possível? O Presidente mudou as coisas de tal modo que só os partidos têm essa possibilidade ou então as coligações. Eu prefiro continuar como estou a fazer uma intervenção cívica política.

DW África: E nem como vice-presidente? Ou seu nome não foi apontado?
MM: Onde? Nem pensar. Eu não estou na direção do partido pelo que não posso ser apontado, nem aceitaria enquanto aqueles pontos que coloquei no meu ensaio não forem publicamente esclarecidos. Qualquer contato comigo só poderá ser feito na base desses dez pontos porque
Angola tem de começar a respeitar os direitos fundamentais das pessoas.

Jovens debatem o que foi feito e o que ficou por fazer por JES ao longo de 32 anos


Luanda - Esta sexta feira (27.01) realiza-se na capital angolana o primeiro Encontro Provincial da Juventude de Luanda.

*António Cascais
Fonte: DW Club.k-net
Papel da Juventude na construção da Cidadania
O lema do encontro é "A Juventude e o seu papel na construção da Cidadania". Ao longo de dois dias de debates, sexta-feira e sábado, irão ser apresentadas comunicações sobre o que foi (ou não foi) feito durante os 32 anos em que o Presidente angolano José Eduardo dos Santos tem estado no poder.

O coordenador do encontro é Alexandre Dias dos Santos, mais conhecido por "Libertador". Trata-se de um dos jovens que foram presos, na sequência das manifestações em 2011, mas que acabou por ser ilibado de todas as acusações.

Lançar a semente da cidadania

Alexandre Dias dos Santos “Libertador” nasceu em 1979,no Bairro Operário, Sambizanga, fundou o Movimento da Juventude do Sambizanga e também a organização Jovens Estudantes Universitários do Sambizanga. Ele explica que a conferência deste fim de semana visa debater "aspetos sociais e políticos de Angola, lançando a semente para progressivamente consciencializar os jovens no exercício da cidadania". O movimento jovem contra o regime de José Eduardo dos Santos "entrou numa nova fase", afirma.

" Temos novos desafios. Quando saíamos à rua, as forças de segurança tentavam aniquilar-nos. Então nesta conferência vamos criar novas estratégias para lidar com esse problema. Nós temos imagens dos polícias agressores, sabemos quem eles são. Então vamos criar novas estratégias através desta conferência provincial”, diz

"Ninguém vai conseguir impedir a juventude de construir uma sociedade verdadeiramente democrática"

“Libertador” não está sozinho. Na linha da frente da iniciativa estão os mesmos que ao longo de 2011 expressaram publicamente nas ruas da capital angolana o descontentamento pela continuidade de José Eduardo dos Santos na chefia do Estado, e que agora elegem o debate como espaço de intervenção. Um deles é o músico Carbono Casimiro, um dos símbolos do movimento juvenil.

Carbono Casimiro salienta que não foi fácil organizar o congresso. Alegadamente os serviços de segurança angolanos e a investigação criminal tentaram impedi-lo. Carbono Casimiro promete, no entanto, que aqueles que classifica como “inimigos da liberdade e da democracia” não vão conseguir impedir a realização da conferência.

"Eles não vão conseguir levar a nossa conferência abaixo: o congresso vai realizar-se numa casa que não é do regime, está a ser financiado com meios próprios. Nós estamos muito atentos e cortámos todas as possibilidades dos serviços de segurança impedirem esta nossa atividade”, frisa Carbono Casimiro.

De salientar que os trabalhos vão decorrer num restaurante no bairro popular do Prenda, espaço alternativo ao que tinham escolhido em primeiro lugar, cujos responsáveis recusaram, invocando "inconvenientes políticos e económicos".

Carbono Casimiro admite que o movimento tem muitos inimigos, a começar pelo partido no poder. Mas garante que ninguém vai conseguir impedir a juventude de construir uma sociedade verdadeiramente democrática. O movimento vai prosseguir o seu trabalho e alastrar-se às províncias, independentemente dos “partidos políticos gostarem ou não”.