quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Dirigentes da Casa-CE no Namibe foram presos




Secretário provincial e o seu adjunto foram detidos no Tombwa, onde as autoridades locais destruiram redes de pescadores.

Armando Chicoca
VOA

O secretário provincial da Casa-CE Sampaio Mucanda e o secretário provincial adjunto Francisco Kadjamba foram detidos  hoje, 24, depois de chegarem àquela localidade para tentarem obter a libertação do secretário municipal do partido Valentino Eduardo Calenga que já havia sido detidos pelas autoridades.
Este último tinha sido detido sob acusação de incitar pescadores locais à violência  na sequência da destruição das redes dos pescadores locais por alegadamente estarem envolvidos na pesca ilegal de peixe miúdo.
Mucanda e Kadjamba tinham-se deslocado ao Tombwa na companhia de um advogado para tentarem a libertação do seu colega quando foram presos
Dezenas, senão mesmo centenas de famílias, foram afectadas pela operação dos fiscais, revela
“Na minha opinião deviam também nos matar porque agora na mesma vamos morrer à fome, é do peixe que sobrevivíamos”, lamentou  Antónia que disse cuidar de 19 crianças órfãs.
A destruição das redes de pesca  levou a escaramuças e os pescadores disseram que a polícia disparou armas automáticas para os dispersar. Não houve feridos.
“O administrador municipal de Tchindongo disse que não foi ele quem mandou os fiscais das pescas destruir, eles vão pagar. Nós consideramos isto uma pura mentira porque o administrador é pai de todos os que residem na sua área de jurisdição, ainda que são cegos ou morcegos são teus filhos”, reagiu um outro pescador inconformado.
Os danos causados aos homens do mar estão avaliados provisoriamente em mais de 60 mil dólares.
O secretario provincial da Unita no Namibe Ricardo Ekupa de Noé “Tuyula” esteve no local, na passada segunda-feira e disse que os que destruíram as redes de pesca destas comunidades terão que responder em tribunal e indemnizar às vítimas.

Decapitado cidadão francês raptado na Argélia




Hervé Gourdel, turista e guia de alta montanha, foi raptado no domingo na Argélia. Tinha 55 anos.


O movimento argelino Jund al-Khilafa, ligado ao Estado Islâmico (EI), divulgou esta quarta-feira de tarde um vídeo intitulado "Mensagem de sangue para o Governo francês", em cujas imagens é exibida a decapitação de Hervé Gourdel. A notícia é avançada pela agência France Press. 
O Presidente francês já se pronunciou. " Hervé Gourdel foi assassinado cobardemente ", afirmou Hollande. 
O vídeo no qual os jihadistas reivindicam a decapitação de Hervé Gourdel, de 55 anos, ainda não foi autentificado pelas autoridades. O francês, turista e guia de alta montanha, tinha sido raptado no domingo na Argélia.
No dia seguinte, os radicais islâmicos lançaram um ultimato à França, exigindo o fim dos ataques da aviação francesa no Iraque contra o Estado Islâmico. Se a ordem não fosse acatada por Paris em 24 horas, o refém pagaria com a vida.
O Presidente François Hollande recusou o ultimato na terça-feira e adiantou que os ataques franceses contra as posições do EI no Iraque continuariam. O mesmo disse esta tarde o primeiro-ministro, Manuel Valls, na Assembleia Nacional, onde salientou que o vídeo ainda não estava autenticado.

Paixão pela fotografia e viagens
Hervé Gourdel, de 55 anos, dissera ele próprio quem era num primeiro vídeo divulgado pelos terroristas na segunda-feira, 22 de setembro. Aí surgia sentado entre dois homens armados e com a cara encoberta. Na mensagem, o movimento exigia o fim "nas próximas 24 horas" dos ataques aéreos franceses contra o Estado Islâmico no Iraque.

Natural de Nice, no sul da França, onde nasceu em 1959, Gourdel era um guia profissional de alta montanha e tinha como paixão ainda a fotografia e as viagens. Encontrava-se em Cabilia, na Argélia, na zona de Tizi Ouzou, quando foi raptado no domingo. Tinha chegado à região na véspera, segundo informou a sua mãe, de 82 anos. Pretendia praticar montanhismo nesta região, onde estiveram muito ativos, nos anos 1990, movimentos radicais islâmicos argelinos.
Na sua página no Facebook, descreve viagens ao Nepal e à Jordânia. Hervé Gourdel era casado e tinha um filho.

Quarta decapitação
A decapitação hoje levada a cabo pelos argelinos do movimento Jund al-Khilafa sucede a outros três casos idênticos consumados por militantes do Estado Islâmico. As vítimas anteriores foram dois jornalistas norte-americanos, James Foley e Steven Soltoff, a que se seguiu dias mais tarde um cidadão britânico, David Haines, trabalhador humanitário que fora sequestrado no ano passado.
Em todas estas mortes, as autoridades acreditam estar envolvido Jihadi John, um cidadão britânico com sotaque londrino.
O Estado Islâmico mantém na sua posse um outro refém britânico, Alen Hanning, apresentado pelos extremistas como a próxima vítima.

Imagem: Cartazes onde se pede a libertação e regresso de Hervé Gourdel são exibidos por manifestantes em Saint-Martin-Vesubie, sudeste da França /  JEAN CHRISTOPHE MAGNENET/AFP/Getty Images

Rádio Despertar e Folha 8 na fogueira da inquisição do petróleo







O GOVERNO ANGOLANO
AMEAÇA SUSPENDER DOIS ÓRGÃOS DE
COMUNICAÇÃO SOCIAL. ..
O Governo angolano ameaça suspender
dois órgãos de comunicação social
desalinhados
por, alegadamente, apelarem à desordem
pública.
Os visados são a Rádio Despertar e o
semanário Folha 8.
A intenção consta de um comunicado
divulgado na quarta-feira em que o
Ministério da Comunicação Social “insta” a
Rádio Despertar e o semanário Folha 8 a
corrigirem a sua conduta.
A Rádio Despertar está ligada ao principal
partido da oposição, a UNITA (União
Nacional para a Independência Total de
Angola).
O Folha 8 é dirigido por William
Tonet, jornalista, advogado e militante da
Convergência Ampla de Salvação de
Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE),
uma força política criada em 2012.
Os dois órgãos de comunicação são
acusados pelo ministério de apelarem à
desordem pública e à sublevação e de
ofensas e calúnias contra instituições do
Estado e titulares de órgãos de soberania
–segundo a leitura do comunicado feita
pela agência noticiosa oficial, a Angop.
O ministério avisa que se a decisão não
for acatada, poderão ser tomadas
medidas administrativas que
“podem culminar na suspensão
temporária das emissões da Despertar,
até decisão definitiva dos órgãos
judiciais”.
O mesmo se aplica, segundo a Angop, ao
Folha 8.
Numa entrevista à Radio France
International, William Tonet considerou a
ameaça de suspensão um
“comportamento anormal de quem não
sabe conviver com a democracia”. Afirma
que o comunicado não explica como
apelou o jornal à desobediência e
questiona se dizer que a dívida pública
angolana foi mal negociada com o
Governo russo ou falar da necessidade de
acabar com o fosso entre muito ricos e
milhões de pobres é "incitar à violência".
A tomada de posição do Governo visou,
disse, “os dois únicos órgãos que ainda
não foram comprados”.
O jornalista afirmou que o semanário que
dirige “não é ligado à oposição, é ligado à
democracia, à liberdade de imprensa e à
liberdade de expressão”.
“Ninguém da oposição põe um tostão na
Folha 8.”
A Rádio Despertar e o Folha 8 têm um
histórico de problemas com o poder
político angolano. O conteúdo da
programação da emissora foi no passado
contestado pelo Governo do Presidente
José Eduardo dos Santos.
Um jornalista foi morto em 2010 em
circunstâncias nunca esclarecidas.
William Tonet já esteve detido e foi
condenado por difamação, num caso de
denúncias de enriquecimento ilícito de
generais. Em 2012, os computadores do
jornal que dirige foram confiscados pela
polícia.
Defensor, como advogado, de jovens
que protagonizaram diversas acções de
contestação ao regime, nos dois últimos
anos, afirma na entrevista à RFI que se
considera um “alvo a abater”. “Sinto-me
perseguido e pronto a receber uma
bala”...

Esse país é uma vergonha e se disfarça muito mal as parecenças com uma ditadura. Afinal o ministério da Comunicação Social não tem voz para corrigir o Jornal de Angola? Jornal de Angola dá-se ao luxo de mentir inclusive e ninguém diz nada? Claro, pudera, o compadrio mora lá

Facebook


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Cidadãos mobilizam-se para nova alternativa política e económica para Angola





Proponentes querem organizar forum com participação de todos na busca de soluções para os problemas do país.

Manuel José
VOA

Um grupo de cidadãos da sociedade civil angolana está a promover a recolha de subscriçõe, para levar a cabo uma ampla concertação nacional para tirar o país daquilo que consideram o caos em que se  encontra mergulhado.
São angolanos oriundos de vários estratos sociais, como académicos, professores, estudantes universitários, entre outros profissionais sem qualquer vinculo partidário que pretendem uma solução diferente das tradicionais, para inverter o quadro social actual do país, pois consideram que o actual sistema não dá resposta aos problemas e necessidades.
A iniciativa aponta para a realização de um Fórum de Concertação Nacional, sem exclusão .
"Nenhuma das soluções até agora deu resultado, nem mesmo as eleições têm sido solução”, disse Adão Ramos, um dos organizadores,  acrescentando que “para que os angolanos se revejam nos símbolos nacionais actuais, é preciso uma solução que não passe por aquelas que já vêm sendo tradicionais”
Para Adão Ramos uma ampla concertação nacional não pode envolver apenas uma elite de angolanos, mas sim a maior parte dos que pretendem o bem-estar das pessoas".
"O manifesto está a circular na internet e através de suporte físico em papel para recolher subscrições, mas ainda não contém o formato daquilo que poderá ser essa concertação nacional apesar de haver já uma ideia bem sólida", disse.
O grupo de cidadãos fez um diagnóstico da sociedade angolana e chegou  à conclusão que em Angola se assiste à “escalada progressiva de violência entre cidadãos e autoridades, discriminação social baseada na filiação partidária, espancamento e extorsão de zungueiras, moto-taxistas e outros agentes da economia informal nas ruas, interdição de manifestações pacificas e maus-tratos aos manifestantes, escalada de corrupção, nepotismo, clientelismo, entre outros males”.
“O quadro 'e triste", acrescentou Adão Ramos, para quem, na visão deste grupo de cidadãos a culpa é de todos.
Imagem: Adão Ramos

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Angola. Jornalista ameaçado de prisão no Uíge





Repórter pretendia cobrir a visita de governador, mas foi impedido de entrar no local.
Um jornalista de uma publicação privada foi ameaçado de prisão depois de tentar entrar num local onde o governador da província do Uíge Paulo Pombolo efectuava uma visita de constatação de algumas obras em construção na província.

VOA

Elementos da segurança do governador impediram a entrada do jornalista Escrivão José que disse ser seu dever tentar fazer a cobertura do acontecimento.
“Quando você bate uma porta e não te abrem não entre”, disse um elemento da segurança que acrescentou que ter um cartão de jornalista não dá acesso ilimitado a todos os locais.
Já o director do gabinete de informação do governador que apenas se identificava  com o nome de Nilson disse que o jornalista deveria fazer uma carta a delinear o que pretendia perguntar ao governador.  “Eu vou fazer chegar e depois aguardas se pode ser ou não”, explicou .