Luanda - CONFERÊNCIA DE IMPRENSA DO BLOCO DEMOCRÁTICO
PRESIDIDA POR JUSTINO PINTO DE ANDRADE
Museu Nacional de
Antropologia
Dia 15 de Agosto de 2012
15h30m
Dia 15 de Agosto de 2012
15h30m
Minhas
Senhoras e Meus Senhores!
1. Antes de mais,
pretendo agradecer, em nome do Bloco Democrático, a todos vocês por terem
respondido positivamente ao nosso convite, e pedir também desculpas por
qualquer eventual perturbação que ele tenha introduzido na programação das
vossas tarefas. Nesta fase do processo político em curso no nosso país, sabemos
que os senhores jornalistas se desdobram em muitos afazeres para, assim,
conseguirem cobrir o essencial da movimentação política dos diversos actores
mais directamente envolvidos na campanha eleitoral.
2. Como é do vosso
conhecimento, o Bloco Democrático não é concorrente directo nas eleições que se
realizarão no dia 31 de Agosto. Estamos, porém, convencidos que a nossa
exclusão do processo eleitoral foi algo premeditado, algo preparado em
laboratório, pois havia o receio não só do carácter incisivo do nosso discurso
durante a campanha, bem como da presença e do activismo dos deputados que
elegeríamos para o futuro Parlamento. Ficou, pois, evidenciado que a forma mais
expedita para nos barrarem o caminho foi a exclusão fraudulenta.
3. Mas, o Bloco
Democrático de modo algum abdica das suas responsabilidades políticas face ao
povo angolano, daí que tenha desenvolvido um conjunto de tarefas que o tornam,
mesmo que indirectamente, parte activa do actual processo político.
4. Ainda antes da
nossa exclusão do processo eleitoral, desenvolvemos um vasto conjunto de
contactos com outros intervenientes, de que resultou o fortalecimento das
nossas relações institucionais. Podemos mesmo dizer que, a esse nível, foi
possível ver o carácter dinâmico da acção política do Bloco Democrático.
Mantivemos suficiente motivação para prosseguir o combate pelos ideais
democráticos que nos animam e desenvolvemos igualmente uma forte acção de
recuperação da confiança por parte dos nossos militantes e da larga base social
que subscreveu a candidatura do Bloco Democrático ao acto eleitoral.
5. A adversidade
da nossa não ida às eleições de 31 de Agosto não nos abalou, e temos mesmo
assistido a manifestações de solidariedade por parte de um número crescente de
cidadãos que mostram, assim, o quão grande era a esperança de eles participarem
com o seu voto para o êxito do Bloco Democrático no pleito eleitoral. Foi esse
espírito de vitória que fez temer a nossa presença e que estimulou a acção de
recusa fraudulenta praticada contra nós.
6. Temos
acompanhado com a devida atenção o desenrolar da campanha por parte de algumas
formações políticas. Fica por demais evidente que tudo foi feito, afinal, para
se garantir o afastamento de algumas formações políticas que emprestariam outra
dinâmica ao processo eleitoral.
7. O regime tem agora no terreno não apenas a sua máquina partidária, mas também forças que se mostram como verdadeiras sucursais. São poucas as formações políticas que fazem um verdadeiro combate político, como é típico nas verdadeiras democracias. Com a postura que algumas dessas formações políticas adoptam, quem perde é a democracia. Elas maculam até mesmo a imagem dos próprios políticos.
8. Em democracia, não é a subserviência que faz escola. Quem faz escola e marca o compasso político é a dinâmica e a oportunidade das ideias e das propostas.
9. Nós, no Bloco
Democrático, não temos dúvidas quanto ao carácter anti-democrático deste
regime, pois sabemos que ele é um sub-produto do processo de reciclagem da
velha ditadura. Por isso, com a nossa acção, queremos fazer alterar este estado
de coisas. Lutamos para que a verdadeira democracia prevaleça. Temos a firme
esperança de que ela vingará, não obstante todos os obstáculos que sejam postos
no nosso caminho.
Minhas Senhoras e Meus Senhores! Caros Senhores Jornalistas!
10. A nossa acção
directa, neste momento, passa pela participação activa no processo eleitoral
juntamente com as forças políticas que se batem para alterar a lógica perversa
que nos foi imposta. Instruímos os nossos militantes para serem parte do
processo de fiscalização do acto eleitoral, lá onde estiverem e nos espaços em
que se poderem inserir. Os militantes e simpatizantes do Bloco Democrático não
se podem alhear deste processo, como se ele não lhes dissesse respeito.
11. O
processo que está em curso diz respeito a todos nós e, por isso, temos que
estar presentes, sob variadas formas. Temos que cooperar com as forças que
propõem mudanças no conteúdo das políticas que julgamos erradas.
12. Nós não
podemos aderir a propostas meramente cosméticas. Basta de sermos enganados!
Basta de servirmos de suporte a todo o tipo de falcatruas que são engendradas
com vista a que uns poucos beneficiem das riquezas deste país. Esta é a altura
adequada para mostrarmos um “cartão vermelho” aos delapidadores das nossas
riquezas. Temos que lhes mostrar o nosso desencanto e a nossa raiva. E temos
agora em nossas mãos um instrumento precioso – o voto.
13. Não podemos
condescender com os manipuladores. A nossa determinação em mudar este estado de
coisas tem que ser manifestada nas urnas. Não é demitindo-nos de votar, ou
votar em branco, que mostrará a nossa determinação. O nosso voto tem que estar
direccionada contra os delapidadores, os manipuladores, os corruptos e os
corruptores. Não há como confundir, porque eles não se confundem – estão bem
identificados. Mas estas eleições só poderão ter lugar se se dissiparem todos
os indicios de fraude e se for claro que o voto de cada cidadão vai contar ali
onde porá a cruz. De outra forma o regime legitima a resistência do povo contra
a fraude. Apoiamos assim o Amplo Movimento pela Verdade Eleitoral e controlo do
voto ja abraçado por sectores significativos da sociedade civil.
14. Nós, no Bloco
Democrático, fizemos uma escolha que foi fruto de uma longa discussão.
Definimos o partido que suporta o regime e os seus satélites como aqueles que
devem ser penalizados. E, mais importante ainda, definimos o espaço partidário
onde o compromisso pela abertura democrática é mais credível. Onde se fará o compromissos
de todas as forças vivas colaborarem para a emergência duma democracia sem
máscares e sem músculos.
15. Sabemos que a
forma de orientação do sentido de voto que escolhemos tem merecido análises de
todo o tipo. Há aqueles que concordam absolutamente. Há os que discordam. E há,
igualmente, quem veja nela uma forma dúbia de intervenção.
16. O Bloco
Democrático é um partido aberto e plural. É um partido que se constituiu com
vista a participar no processo de democratização do nosso país, e não para dar
continuidade ao totalitarismo. Por isso, não faria sentido caminhar junto ou
confundido com quem tem demonstrado grande adversidade à democracia. De modo
algum podemos também fazer o papel de uma falsa oposição.
17. Sabemos que
entre os partidos políticos concorrentes nenhum se confunde verdadeiramente com
os valores e ideais do Bloco Democrático. Mas é possível estabelecermos linhas
de cooperação para tirarmos a democracia do atoleiro em que se encontra.
18. A democracia não se faz com iguais. A democracia faz-se com diferentes, desde que estejamos todos animados pelo mesmo espírito.
19. Por isso, o Bloco Democrático apresentou ao PRS, a UNITA, e a CASA-CE uma Proposta de Acordo de Incidência Parlamentar, com vista a acelerarmos o processo de transformação democrática no nosso país. Convidamos igualmente a FNLA Ngola Kabangu, o PP e o PDP-ANA a apoiarem connosco essa proposta. Tivemos encontros, por nossa iniciativa, e obtivemos alguma receptividade. Julgamos, pois, ser possível cooperar com todos os que concordarem com este princípio de unidade para a mudança.
20. A nossa
Proposta de Acordo incide em 7 pontos fundamentais, que passamos a resumir e
que distribuiremos à comunicação social, tão-logo esta Conferência de Imprensa
termine. Os nossos eventuais parceiros já a possuem.
21. Queremos
também assinalar que seria vantajoso para todos eles estabelecerem, o quanto
antes, uma plataforma de entendimento, para aumentar o grau de confiança por
parte do eleitorado.
22. Logo que
possível, há que rever a actual Constituição e expurgá-la das normas que
permitem que se seja Presidente da República e se continue a dirigir um Partido
Político. Desconcentrar o excessivo poder que está nas mãos do Presidente da
República. Introduzir medidas práticas para uma efectiva separação do poder dos
Órgãos do Estado.
23. Temos que ser
capazes de pôr termo, por via pacífica, à guerra que se trava em Cabinda e agir
no sentido de reduzir a tensão que se assiste nas Lundas.
24. Um país
democrático não pode continuar a ter presos políticos. Devemos deixar de
funcionar como desestabilizadores de outros países africanos, próximos de nós
ou afastados.
25. Um Estado de
Direito Democrático não pode conviver intimamente com um aparelho de Estado
partidarizado.
26. A corrupção
mina os fundamentos do Estado Democrático e por isso deve ser combatida de um
modo vigoroso. Presentemente, a corrupção faz parte do regime e alimenta-o,
dá-lhe vida.
27. Temos a mais
profunda convicção de que só seremos verdadeiramente desenvolvidos e
competitivos quando formos bem educados e saudáveis. Daí que apontemos para a
aplicação de investimentos massivos e criteriosos nestas duas áreas da vida
nacional. Temos que ter coragem de investir forte e bem.
28. Se não
potenciarmos as infra-estruturas de água e energia, assim como a habitação,
nunca teremos um desenvolvimento sustentável.
29. Queremos que a
Nação discuta abertamente os seus problemas mais profundos. Só ultrapassaremos
as dificuldades que temos, se encontramos mecanismos de participação popular
efectiva. Esta é mais uma das nossas propostas de incidência parlamentar.
Meus Senhores e Minhas Senhoras!
30. O Bloco
Democrático reafirma aqui o seu compromisso em prosseguir na via do diálogo,
para que a democracia não seja apenas uma palavra oca entre os angolanos. O
regime acena-nos insistentemente com velhos fantasmas, criando receios e medos.
É possível mudar para a a derradeira via democrática. Não devemos ter receio de
mudar. Viva o Bloco Democrático!
LIBERDADE
MODERNIDADE CIDADANIA

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