sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Sempre mais um Iraque e outro Afeganistão




E todos os dias os preços sobem. Todos sabemos qual é a origem. Ouvimos a conversa habitual que: «vamos tomar medidas!». Contra quem? Contra a FAMÍLIA?! Luanda está outro Portugal, com a mestria que se lhe conhece.

Luanda está tão maravilhosa com o napalm da civilização. Com torres, condomínios e prédios dos milhões de dólares desviados dos partidos casebres. Luanda é dos filhos de um presidente. Luanda existe, Angola já não. Será como outro Afeganistão pois então. É Luanda só para o CAN2010. E limpam-lhe as ruas da arraia-miúda porque parece mal com tantos estrangeiros maioritariamente africanos que estão a trafegar. Como se eles não soubessem o que é miséria. Não… é só por causa de alguns brancos que não suportam moscas verdes que rodeiam negros.

E a hipocrisia internacional à Ocidental deslavam-se, apoiam, forçam até caírem de podres os dois dedos de uma mão que nos oprime.

Ontem foi mais um revolucionário, glorioso apagão marxista-leninista das 08.00 às 17.00 horas. E injustificam-se como se só eles existissem. Nunca ninguém chega a saber porque os cortes sistemáticos (anunciam a queda do regime?) acontecem. Aqui não há povo. Apenas um só povo e um só palácio que tartamudeia como a luz.

O carro cheio de polícias parou. Lestos alguns saltaram e não se preocuparam com a única coisa honesta que existe em Luanda: os vendedores honestos das ruas. Espoliaram todos os óculos de uma quase criança. Tinha aí doze ou catorze anos. E carregaram-nos, ele e dezenas de óculos. A explicação porque só roubaram os óculos da criança? Para estarem devidamente equipados no CAN2010.

Ontem pelas 17.00 horas vejo uma jovem zungueira na rua com apenas duas vassouras para vender. Há algo de muito errado porque ela quase não consegue manter-se em pé. Deve ter aí uns vinte anos. Chamo a Lwena para garantir que não estou errado. E num lamento de revolta exclamo:
- Lwena, olha… assim quer dizer que ela está completamente na miséria!
- Sim… é!.. deve estar com fome… acho que é por falta de comida.

Hoje pelas 11.00 horas da manhã outra zungueira está com uma pequena banheira com umas parcas coisas para vender. Senta-se, mas pouco depois não suporta a posição, deita-se e dorme. É a fome que a desfaleceu. Um segurança acorda-a e impede-a de dormir. Ela fica especada como uma vítima de um campo de concentração nazi antes de ir para a câmara de gás. Dir-se-ia que escapou do gás mas perecerá no campo de concentração de Luanda.

O governo das trevas encetou o plano final da exterminação do povo angolano.

As kinguilas (mulheres que cambiam divisas) na Mutamba, na baixa de Luanda, surraram nos fiscais do GPL-Governo da Província de Luanda.

Dois mil trabalhadores do GRN-Gabinete da Reconstrução Nacional da Presidência da República de Angola, há três meses sem vencimentos manifestaram-se. Pelo menos quatro foram presos. Dos vencimentos nada se sabe. In Rádio Despertar
Se até a Caixa Social das Forças Armadas Angolanas também não paga e cortou os subsídios… nem general escapa. In FOLHA 8

Só há dinheiro para estádios e para CANS2010, 2011, 2012.

Tudo soçobra. Está na hora das demissões voluntárias dos governantes e da hipocrisia da FAMÍLIA, dos portugueses, brasileiros e chineses.

Estamos numa zorra total. Noutro Iraque, outro Afeganistão.
Estrangeiros nacionais, internacionais e angolanos de ocasião. Deixem-nos viver como bantus. Não nos imponham os vossos modos de civilização exangues, sem vida. E não adianta igualar-nos ao Dubai porque faliu.

Abandono de trabalho (?) 04Dez09

quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

A Epopeia das Trevas (70). Desta minha desgraça, o petróleo enegrece-me


Não sou independente, ressalto a minha personalidade
Não realizei este sonho… continuo muito infeliz

O meu descontentamento porque nunca serei feliz
Proibiram-me de admirar as grandiosas obras de arte
Que humanos semelhantes produziram
Apesar que sou uma obra-prima
Não me deixam transmitir os meus sentimentos
Tudo o que sinto e penso, um oceano de perenidades
Uma beleza de imensidades, uma importação de sem serenidades

Uma ténue demonstração de beleza, uma mostra fugaz de humanidade
Da qual o ser humano parece amedrontar-se
E só a demonstra quando vê destruição?!
Aí a sua vida parece protegida
nesse elo desconhecido
A genialidade despertou-me a maldade
da Ocidental civilização atómica
Chegou a independência dos libertadores
negros
Com novas promessas, novos colonizadores

As trombetas tocam, alteram a tranquilidade
Os ditadores comerão as suas palavras
e durante milénios serão odiados
Os medíocres acompanhá-los-ão
com ou sem quatro estações

Não sou genial, apenas procuro o Caminho
da independência que me espoliaram
nem nas ruas posso vender
para sobreviver
porque logo soltam os cães
todos me querem morder

Desta minha desgraça, o petróleo enegrece-me
O sol reflecte-se na pele branca
Na minha absorve-se
De manhã sou azul do céu, à tarde amarela do sol
À noite sou chocolate Jasmim da Noite

Algo tão fundamental como o amor
Que aparece tão distante, longínquo
Como por vezes me parece o meu desespero
Tanta maldade me fizeram
e fazem. Desfazem-me

Não acredito em nada!

Não surge ninguém em quem acreditar
Só ditadores e corruptos eleitos nas falsas eleições
que o Ocidente me impõe
Acredito em mim como um ser divino
Procuro o apoio, a saída da desesperança
da tortura das palavras
dos meus manos intelectuais (!)

Das torturas, tonturas do meu coração
Alguém em quem confiar com todas as minhas forças
Acreditar, confiar, amar ninguém
Que esteja sempre por perto e me diga:
Levanta-te e caminha que te amparo
No infinito dos céus e dos tempos

No finito terror bancário dos números sem universo

Jornal de Angola 24 de Novembro de 2009



Diário do Povo. Órgão marxista-leninista totalmente partidarizado.

Editorial. A reforma educativa. A reforma do ensino em curso é uma das grandes tarefas das autoridades, que asseguram que as mudanças introduzidas no sistema educativo há alguns anos estão a produzir resultados positivos. O que se pretende com essa reforma é que o sector da educação e ensino atinja níveis elevados de desempenho.

O que significa ser escritor

Empresário luso reconhece. Incremento de feiras em Angola demonstra progresso económico.

Investimento. BESA admite dispersar capital na futura bolsa de Luanda

Estimativa para 2010. Economia chinesa continua a crescer

Incentivos à compra incluem carros. Empresas oferecem cabazes para todo tipo bolso.

Apartamento T3, condomínio Astros, P/550.000 USD

Diversos perdeu-se passaporte em nome de Zhang Yingyu, Ding Shu Jun, Chen jwcun e Zhang Yan Feng.

A Escola Nacional de Administração-ENAD, realiza uma conferência subordinada ao tema: As Responsabilidades do Sistema Bancário no Fortalecimento da Economia Angolana.

Angola foi escolhida para albergar a XVIII Sessão da Assembleia Parlamentar Paritária dos países de África, Caraíbas, Pacifico e União Europeia.

“O ensino da matemática em Angola está mal” a afirmação é da professora do ISCED Mbiyavanga Bemba.

Kwanza-Norte. Responsável do INAC defende participação da sociedade civil no apoio social à criança.

Moxico. Jornalistas melhoram conhecimentos

Angolanos e moçambicanos juntos no ramo empresarial

Com efeito de estufa. Concentração de gases atinge nível pessimista




Luanda, desenvolvimento económico e social 03Dez09



Luanda, capital mundial dos apagões

03Dez09. Apagão das 08.00 às 17.00 horas

Abandono de trabalho (?) 03Dez09

quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

A Epopeia das Trevas (69). Governar é uma arte, os idiotas acham que não



Reconheci-te fugitiva da janela do avião
furtiva. Numa tarde africana sem fim
sempre demasiado pálida, sem serenidade
desgastada, com muita chuva tropical
Sempre no sonho que corria para ti
e abraçámo-nos
Olhámo-nos durante quase cinquenta anos
da História que nos persegue

Da doce ternura apunhalada
Enquanto a chuva violentava a nossa fragilidade
Porque o Universo deixou
é apenas
Um homem e uma mulher fingindo amarem
Despertei, perdi-te para sempre
É por isso que viajo na esperança
De encontrar-te à janela
de um avião furtivo

A minha terra natal era o meu mundo
Lembro-me de sentir a sua força
quando caminhava no seu chão fecundo
Agora ando carregada, perfumada, lançada ao imundo
Das gerações sem vida
da ditadura angolana
do seu petróleo
dos seus diamantes
do futebol e dos estádios reais
inflamantes, infamantes

Era graciosa, sem correntes, aprisionada no trânsito dos riachos
E dos seus jardins celestiais que me ensinavam a ser mulher
Divina como uma sinfonia
no capim celestial
Diziam-me que a Natureza era um quadro, uma pintura
executada pelos meus antepassados
Que vieram de muito longe

E que os bebés amamentavam-se da seiva das flores
Diziam deles que eram outras frágeis pinturas
Outras criaturas, outras flores no jardim celestial para sempre proibidas
de serem colhidas

Que foi assim que tudo começou no nosso Mundo
Os rios eram serpentes e o sol convidou-os a meditar na vida
Continuava tudo assim até que um ditador vendeu-nos
vendeu
Os raios do sol que brilhavam nas pedras transparentes
Perdi o presente e hipotequei o meu futuro

Sentava-me amanhecida no alto do morro do Moco
E esperava que o sol me cativasse
Em baixo as pessoas floresciam na transparência matinal
Movendo-se para a tristeza do infinito estender suplicante
Das mãos, do corpo na solução mendicante
Sem rumo, sem universo visual
Que jaz no palácio presidencial
dele, deles

O meu quotidiano terminou
Era um conjunto de recordações permanentes
É imperador, rei, o nosso presidente
decerto de Shaka Zulu descendente
Em pré guerra civil sempre vivente
Desesperando que o mandato messiânico arquitectado
sem eleições presidenciais
Perdure nas gerações vindouras, perpetuado

Governar é uma arte, os idiotas acham que não
Com as cabeças de picos agrestes tão distantes
Como uma sensibilidade difícil, onde não se planeja
Dirigir é tão suave, simples

O ditador complica o que é tão fácil