quinta-feira, 2 de maio de 2013

Regime critica “ostentação” de Chivukuvuku Júnior







Londres  – Circula em meios, com sentimentos afectos ao regime angolano, um esboço (com fotografias anexadas) criticando uma suposta “ostentação” de um adolescente apresentado como filho do Presidente da Convergência Ampla de Salvação de Angola (CASA-CE), Abel Epalanga Chivukuvuku.
Fonte: Club-k.net
Alegam que ostentação  não está apenas no MPLA
Os autores do esboço, entitulado “a vida “miserável” do filho de Abel Chivukuvuku”  declaram que “a ostentação não é um síndrome exclusivo dos filhos dos dirigentes do MPLA como muitos de nós compulsivamente propagandeamos e copiosamente vomitamos.” 

O reparo que fazem terá sido em função de imagens retiradas das redes sócias em que o jovem Chivukuvuku Júnior mostra fotografia de duas viaturas (land rover e um Mercedes) de casa e numa outra o rapaz aparece em festa/discoteca ou ambiente fora do país com os seus amigos, a que os autores do esboço classificam por “vidas mulatas”.  Por conseguinte lançam perguntas ao ar, questionando os rendimentos do progenitor do jovem.

“O calor das caprichosas festas partilhadas na Internet, revelam o gosto e a apetência pela luxúria do progenitor de Abel de Chivukuvuku, que orgulhosamente repudia o laxismo nos suculentos discursos pseudo-patrioticos, pela defesa da moral e dos bons costumes cristãos.” Escrevem os autores questionando ao líder da terceira força política em Angola “aonde vem o dinheiro que o teu progenitor exuberantemente exibe e esbanja? Que rendimentos permitem o teu educando levar esta vida “mulata” quiçá “branca”?”

Ainda de acordo com o esboço, os seus protagonistas questionam a origem  dos rendimentos de Abel Chivivukuvu “rendimentos permitem o teu educando levar esta vida “mulata” quiçá “branca”? Contigo no poder o que teremos? Luxúria, laxismo, álcool e prostitutas...”

Anexado ao esboço, da criticas estão  fotografias subtraídas na internet em que o jovem Chivukuvuku Jr, aparece com os   amigos e respectivas companheiras.




quarta-feira, 1 de maio de 2013

Angola. Professores em Greve na Huíla: Sindicalistas Detidos


Por Lázaro Pinduca:
Agentes da Polícia Nacional detiveram hoje dois membros da direcção do Sindicato Nacional de Professores (SINPROF) na Huíla, Paulo Simão e Albino David, respectivamente fiscal de direcção e oficial de informação. Os sindicalistas encontram-se detidos desde as 10h00 no Comando Municipal da Polícia Nacional, no Lubango, e aguardam por julgamento sumário, segundo fonte policial.
Ambos distribuíam panfletos sobre a greve de professores, convocada pelo sindicato, que teve início ontem, 29 de Abril. Os docentes em greve reclamam melhores condições laborais e o pagamento de dívidas em atraso.
João Francisco, secretário provincial do SINPROF, disse ao Maka Angola que “houve intimidações por parte de elementos do partido MPLA e do próprio governo provincial para que não se aderisse à greve”.
Segundo o sindicato, o grau de aderência à greve é estimado em 80 porcento.
O secretário provincial do SINPROF denunciou também a presença da polícia anti-motim em vários estabelecimentos de ensino do Lubango, incluindo as escolas do Iº ciclo do ensino secundário Mandume, 27 de Março e 1º de Dezembro (vulgarmente conhecida por Popular) e a Escola de Formação de Professores. “Os nossos representantes foram persuadidos pela Polícia de Intervenção Rápida (PIR), acompanhados pelos inspectores provinciais Azevedo Alexandre Hossi e Benedito Zeferino, a retirarem os nossos panfletos, visto ter havido colaboração dos directores das referidas escolas [em apoiar e divulgar a greve]. “Nós, SINPROF, vamos responsabilizá-los criminalmente por estarem a violar a lei de greve”, disse João Francisco.
As pressões sobre os dirigentes sindicais têm incluído também acusações e ameaças veladas através de cartas anónimas que começaram a ser recebidas dois dias depois do sindicato ter decretado a greve.
As cartas anónimas nomeiam João Francisco e Osvaldo Congo, secretário municipal do sindicato no Lubango, como “malfeitores” e exortam os professores a que estejam “atentos e vigilantes” à “influencia” destes dois líderes sindicais.
“[E]stejamos atentos e vigilantes com esses indivíduos [João Francisco e Osvaldo Congo] pois querem iniciar a primavera angolana cumprindo assim com os seus patrões que diariamente instigam-lhes para estas prática [sic] e entregar o país nas mãos alheias”, lê-se ainda nas missivas enviadas anonimamente.
A greve geral dos professores foi decretada em reunião da assembleia-geral do sindicato a 20 de Abril, no Lubango.
Em reacção, a 24 de Abril, o governador provincial da Huíla, João Marcelino Tchipingi, declarou a greve como ilegal. No seu comunicado, o dirigente argumentou que a assembleia de professores não reuniu o número mínimo de membros exigido por lei e por isso era ilegal.
João Francisco refutou, em nome do SINPROF, as declarações do governador. “Para além de um número considerável de professores nunca visto nas nossas assembleias, estiveram presentes os representantes do sindicato dos 14 municípios que constituem a província. É uma pena. O governo provincial, que nós convidámos para a assembleia geral, não se fez presente”, afirmou o sindicalista.
O SINPROF na Huíla tem vindo a reclamar os pagamentos em dívida aos professores desde há 12 anos, que incluem as colaborações de 2001 a 2010. Os professores exigem também os subsídios de exame, em atraso em muitas escolas, que abrangem quase todos os 14 municípios da província. No total, os os sindicalistas reivindicam pagamentos de subsídios que totalizam 33 porcento dos seus salários, incluindo de abono familiar, de direcção e chefia, de férias, entre outros. Os docentes exigem ainda a actualização das suas categorias profissionais.
Como sucessos na melhoria das condições de laborais e de vida dos professores, o o governador João Marcelino Tchipingui mencionou a bancarização recente dos seus salários.
O líder do SINPROF contrariou, ao Maka Angola, o optimismo da entidade patronal e justificou a decisão de avançar para a greve geral de professores. “Nós [SINPROF] fizemos tudo para poder negociar com a entidade empregadora. Não fomos tidos nem achados. Vocês viram, [a greve] é decisão da Assembleia. A nós cabe cumprir”.
A 2 de Fevereiro deste ano, mais de 700 professores saíram às ruas no Lubango, numa manifestação em que exigiam melhores condições laborais e o pagamento de dívidas em atraso. A marcha de protesto decorreu sem incidentes, apesar da presença da Polícia de Intervenção Rápida, fortemente armada.
Imagem: Assembleia geral do SINPROF, 20 de Abril, Lubango.

Luanda. Imagens: Bairro Ndala Mulemba


O bairro Ndala Mulemba, no município de Cacuaco, comuna do Kikolo, em Luanda, não tem água canalizada nem saneamento básico. Em épocas de chuva as inundações são frequentes e deixam o bairro em situação de caos generalizado.
Estas imagens foram captadas no bairro durante chuvas recentes.
Oiça aqui o debate áudio com moradores do bairro produzido pela Rádio Maka.



As Férias de Luxo da Administradora


Era uma vez uma administradora de uma empresa nacional de combustíveis chamada Sonangol, num país muito rico em petróleo onde a maioria da população vivia na miséria absoluta.
A administradora queria ir de férias a um país distante. A administradora só viajava em classe executiva pois, sendo uma alta funcionária de uma empresa nacional de combustíveis num país muito rico em petróleo, não iria passar as muitas horas de viagem num lugar apertado.
No seu país, a maioria da população viaja sempre em lugar apertado, ou mesmo muito apertado (e quase nunca de avião), por falta de transportes, de estradas e até de combustíveis.
A administradora queria levar consigo o seu marido, que sendo casado com uma alta funcionária de uma empresa nacional de combustíveis, num país muito rico em petróleo, só viaja em classe executiva. É uma questão de classe e, assim, tranquilamente, enquanto bebe champanhe, pode ler os melhores jornais e revistas internacionais. No seu país, a maioria da população é analfabeta por falta de um ensino adequado e até de lápis e cadernos.
A administradora e o seu marido têm três filhos que, tendo por mãe uma alta funcionária de uma empresa nacional de combustíveis, num país muito rico em petróleo, só viajam em classe executiva. É uma questão de classe e, assim, podem ver os últimos filmes de Hollywood e brincar com os melhores jogos de vídeo. No seu país, a maioria da população não tem televisão, leitores de DVD, consolas de jogos ou mesmo acesso a energia eléctrica.
A administradora precisava então de comprar cinco bilhetes de avião em classe executiva, ao custo equivalente a US $23,520.00 daquelas notas verdes americanas. É uma quantia que daria para alimentar, vestir, educar, transportar, cuidar da saúde e até mesmo aliviar o sofrimento de, pelo menos, várias dezenas de habitantes do seu país que (sobre)vivem, segundo as estatísticas das organizações internacionais preocupadas com os assuntos mesquinhos dos índices de desenvolvimento humano, com menos de dois dólares por dia.
A administradora Raquel David Vunge mandou então a sua secretária marcar as passagens aéreas para as férias de toda a família. Custou apenas 2,352,691.80 Kz. Em seguida a administradora enviou os recibos, solicitando “pagamento das férias” (tal e qual), a um director da empresa, de patente mais elevada, reverências mais solenes e, sobretudo, poderes mais mágicos para fazer aprovar solicitações de pagamentos de férias e outras. Muitas e diversas férias e outros gastos afins haverá, numa empresa nacional de combustíveis, num país tão rico em petróleo.
E foi assim, com poderes mágicos, que aqueles dólares todos, incluindo até os oitenta cêntimos, foram pagos logo ali, sem perguntas. Ninguém averiguou sobre o benefício da despesa de férias de família para o funcionamento da empresa nacional. Ninguém se lembrou da justificação de tal gasto para o bem do país, muito rico em petróleo, onde a maioria da população vivia na miséria absoluta.
Também ninguém perguntou porquê a liderança que, volta e meia abomina Portugal, autoriza pagamentos de férias para Lisboa, onde se fala mal da origem da riqueza de tão diligentes servidores públicos. E o povo angolano, sempre animado, paga as férias de tão ilustres famílias angolanas que, nesse Portugal de conquistadores conquistados, vivem tão bem.