terça-feira, 25 de julho de 2017

Relatório Económico de Angola 2016. Alexandra Simeão



A Universidade Católica de Angola, mais uma vez, prestou um serviço de utilidade Pública, merecendo o direito à outorga deste Estatuto pela pertinência e eficácia do seu trabalho em prol de um país mais justo, eficiente e sem distorções, ao publicar o Relatório Económico de Angola 2016, elaborado pelo Centro de Estudos e Investigação Científica, CEIC.

CORREIO ANGOLENSE

Este relatório é o resultado de um trabalho de profunda análise e pesquisa da realidade económica angolana, tendo em conta os aspectos mais relevantes das dinâmicas do sistema económico e conta com o apoio do Reino da Noruega.
A apresentação foi feita pelo Dr. Alves da Rocha, Director do CEIC, tendo provocado uma enorme preocupação face à confirmação do agravamento da situação financeira do país, que não permite fazer um prognóstico optimista até 2021, com a certeza reiterada da falta estrutural de divisas, exíguas receitas fiscais, aumento da dívida pública, medíocre crescimento do PIB, falência de muitas empresas pela incapacidade de importar, incremento do desemprego e uma taxa de inflação que se manterá nos dois dígitos.
A esperança da diversificação da economia nacional foi derrotada à nascença e por isso foi retirada do Relatório pela ausência de relevância e por não ter produzido quaisquer factos que permitissem continuar a avalia-la ou que suscitassem novidade tendo em conta que não se registou nenhuma evolução, digna de registo, na intenção de diversificar o que quer que fosse nos últimos três anos.
Em substituição foi criado um capítulo sobre a Desigualdade que é uma matéria de profunda preocupação pois está directamente relacionada com o fraco desempenho da nossa economia e foi feita a inclusão do capítulo sobre Agricultura que é um sector chave para a criação de soluções referentes à diversificação da economia e à redução da desigualdade.
Foi feito uma balanço do desempenho económico em Angola referente ao  período 2004/2008 onde se registou um crescimento superior a 11% ao ano mas que não foi capaz de combater a pobreza tendo em conta que o processo não é automático. A informação institucional tem feito sucessiva referência a um aumento anual do emprego em Angola, mesmo no actual período em que o crescimento económico acontece no sentido inverso ao esperado, o que é uma impossibilidade manifesta em Teoria económica e traduz uma preocupante inconsistência dos dados estatísticos oficiais.
A economia angolana está em recessão desde 2014 nunca assumida pelo governo que de forma infantil se atreveu a defender, na Assembleia Nacional, que apenas tinha havido um “abrandamento”. Este ano o INE publicou a informação de que em 2016 o PIB tinha crescido menos 3,6%, tendo posteriormente retirado esta informação do seu site, pelo embaraço que esta informação terá provocado, demonstrando que há falta de seriedade por parte de quem faz constantemente avaliações isentas de rigor.
Foi prestada a informação de que a possibilidade de se reverter o actual quadro apenas seria possível no caso de existir vontade política para implementar as reformas estruturais necessárias nos domínios da produtividade, competitividade, diversificação, eliminação do excesso burocracia promotora da corrupção, inovação e melhoria do ambiente de negócios.
De forma categórica foi feita a crítica ao governo angolano por preferir contratar, reiteradamente, consultorias externas, em detrimento das Universidades angolanas que deviam assumir um papel preponderante na elaboração de Estudos sobre assuntos de interesse nacional enquanto centros de produção científica e de capital académico.
Há que felicitar o Governo angolano pela periódica publicação das contas públicas nacionais que permitem que instituições como o CEIC possam aferir conclusões com base em dados oficiais o que impede os ataques e as interpretações eivadas de prepotência contra todos aqueles que ousam equacionar os problemas nacionais sem qualquer tipo de maquiagem.


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