sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Como vivem os ricos na cidade mais cara do mundo, luxo na miséria.





Têm muito dinheiro e gastam muito dinheiro. Em casas, barcos, aviões particulares, compras e festas – por tudo e por nada. Dez mil dólares numa noite? É normal. Setecentos mil numa festa de anos? Também.
As desigualdades sociais em Angola e Luanda em particular são enormes, aberrantes e absurdas para um País que ainda não se afirmou e tarda em encontrar-se!
COLECÇÃO DE CASAS, OS BAIRROS ELITISTAS E A MULTIDÃO DE EMPREGADOS
O carro circula na zona mais nobre da cidade. Bem no centro de Miramar, o condutor abranda, baixa um dos vidros escurecidos e anuncia-se. O segurança privado, armado com uma metralhadora AK47, repete o nome para um walkie-talkie. Dentro dos muros altos que rodeiam a moradia de sete quartos, alguém confirma que a pessoa é esperada e autoriza a entrada. Lá dentro estão outros cinco ou seis seguranças. E no acesso à garagem podem estar seis viaturas, todas de luxo, todas da casa, onde moram quatro pessoas.
A frota familiar inclui um BMW, um Audi, um Range Rover, entre outros carros topo de gama. Os automóveis podem ser conduzidos pelos proprietários ou por um dos cinco motoristas: um para o pai, outro para a mãe, um para os assuntos da casa, como levar as empregadas às compras, e dois para os filhos que ainda lá moram – os outros três já saíram de casa e têm carros e motoristas próprios. A família não dispensa a ama, para quando os netos lá vão, e a equipa de empregados completa-se com um jardineiro, uma cozinheira, uma lavadeira para tratar da roupa e três mulheres para “limpar e arrumar”, somando, o pessoal de apoio mínimo necessário em cada uma (seguranças, empregadas, motoristas, conforme os casos), são “pelo menos 15 a 20 mil dólares por mês”, só para empregados. Parece extraordinário, mas, em Luanda, não é. Mais casa, menos casa, mais carro, menos carro, mais empregado, menos empregado, este é apenas um de muitos exemplos de como vive a elite angolana na cidade mais cara do mundo. Pelo segundo ano consecutivo, Luanda ganhou a todas as outras 214 cidades avaliadas pela consultora merecer, no maior estudo feito sobre o custo de vida para os trabalhadores estrangeiros. Ao contrário destes, os membros da alta sociedade não precisam de arrendar casa pelos preços exorbitantes praticados na capital angolana, mas compram-nas, várias, nas zonas mais exclusivas e caras.
Teoricamente, daria para lá morar mas, com o trânsito mais do que caótico da capital angolana, os escassos 17 quilómetros de distância até ao
centro da cidade ficam, em hora de ponta, a umas imensas duas horas de caminho. Por isso, Talatona tomou-se mais um refúgio de fim-de-semana para as classes altas. “Há pessoas que chegam a comprar duas casas de uma só vez”, conta o vendedor.
de Luanda fica no primeiro e único hotel de cinco estrelas da cidade, o Hotel de Convenções de Talatona. O próprio director do La Piazza del Forno assume que “alguns preços praticados cá não são acessíveis a toda a gente”. Almoçam e jantam lá sobretudo “membros e ex-membros do Governo, administradores de grandes empresas, presidentes de bancos.



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