Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

domingo, 9 de novembro de 2014

Angola. K&P Tortura Garimpeiros no Cuango





Rafael Marques de Morais
MAKAANGOLA

A 8 de Setembro de 2014, efectivos da empresa privada de segurança K&P Mineira foram secretamente filmados a torturar dois garimpeiros, assestando-lhes com a face da catana nas nádegas e nas plantas dos pés.
Como se vê nas imagens (http://youtu.be/E9e7w2gxHiM), os garimpeiros são torturados num posto de observação da referida empresa, na comuna do Luremo, dentro da concessão diamantífera da Luminas.
Um dos torturadores trata, várias vezes, a sua vítima, um cidadão da República Democrática do Congo, como “cão de merda”, “vai morrer, cão de merda”. O garimpeiro implora “pardon [perdão]”.
Desde 2004, o jornalista Rafael Marques de Morais tem produzido vários relatórios sobre a violação sistemática dos direitos humanos nas Lundas. A tortura da catana é um método padrão, que tem sido utilizado na perseguição aos garimpeiros pela Alfa-5, Teleservice, Bicuar, a K&P e por efectivos das Forças Armadas Angolanas. Não obstante as denúncias, a verdade é que os abusos e a impunidade fazem lei, por ordem ou omissão dos detentores do poder.
Para que se compreenda melhor o poder da K&P e a falsidade do discurso oficial sobre o combate ao garimpo, no seu relatório “Operação Kissonde: Os Diamantes da Humilhação e da Miséria”, o referido jornalista escreve: 
“A K&P Mineira exerce um duplo papel ao prestar serviços à Sociedade Mineira Luminas e, ao mesmo tempo, à Sodiam/LKI e Ascorp. No primeiro caso, tem a missão de expulsar os garimpeiros da área de concessão da Luminas, fazendo-o com total arbitrariedade e violência. No segundo caso, protege e acompanha a Sodiam/LKI e a Ascorp no agenciamento e patrocínio dos garimpeiros, bem como nas transacções com estes.”
Passados oito anos, tudo permanece na mesma. A Lazar Kaplan International (LKI) retirou-se de Angola, devido ao termo da sua parceria com a Sodiam, a empresa do Estado angolano criada para a comercialização de diamantes.
A K&P Mineira tem como sócios altas patentes da Polícia Nacional, nomeadamente: o comissário Elias Dumbo Livulo, comandante provincial da Polícia Nacional no Huambo; o comissário-chefe Eugénio Pedro Alexandre, director nacional da Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC); o comissário Alfredo Eduardo Manuel Mingas “Panda”, embaixador em São Tomé; o comissário José Alfredo “Ekuikui”, ex-comandante-geral da Polícia Nacional.
Em 2013, Arkady Gaydamak, traficante de armas russo-israelita, declarou em tribunal, em Londres, ter sido o fundador da K&P, com o auxílio de antigos operativos da Mossad, os serviços secretos israelitas.
“Eu criei, com a assistência do então comandante-geral da Polícia Nacional, o general Qwekee [comissário Ekuikui], uma empresa de segurança denominada K&P, que era apoiada e treinada por oficiais de inteligência israelita da minha empresa SCG. A segurança da Ascorp continua a ser garantida pela K&P”, afirmou Gaydamak no tribunal londrino.
Por sua vez, a sociedade mineira Luminas é um consórcio entre o magnata russo-israelita Lev Leviev (51 por cento), a Endiama (38 por cento) e o deputado do MPLA general António dos Santos França “Ndalu” (11 por cento).

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