Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

domingo, 8 de março de 2015

Angola. O carnaval da “dolarização”






Todos os bancos, todinhos, enquanto não forem apan­hados a entrar em estádio de falência, são dignos de galardões pois trabalham com grande sentido patriótico para o enriquecimento de Angola, não a nossa, mas a de JES, seus parentes, amigos, serviçais e acólitos…
A lista dos prémios a bancos que nós apresentamos nesta edição num artigo de fundo sobre esta temática, está muito longe de ser exaustiva, porque a atribuição de Prémios a instituições bancárias pouco ou nada tem a ver com as razões invocadas pelos organismos outorgantes para justificar tais galardões. Estes Prémios são pura e simplesmente ferramentas principais duma campanha publicitária camuflada e multiplicam-se pelo ano adentro por toda a parte do mundo em função de pagamen­tos adequados e de um relacionamento baseado no tráfico de influências. Portanto, compreende-se, a nossa lista está muito longe de ser exaustiva.

O carnaval da “dolarização”
O país está cansado de tanta mentira descarada, ofensiva, cínica e, diremos mesmo mais, crimi­nosa. O governador diz ter vendido dólares aos bancos comerciais. Estes negam, escondendo mal o facto de os seus interesses de “bizne” sujo, por baixo da mesa, ser para eles muito mais importante do que satisfazer os interesses, ditos soberanos, do Estado. E quem ganha é o “mafarrico”, viva o mercado paralelo, a es­peculação e a corrupção, a Western Union está fechada ao povão e agora é só com esquema em dois bancos: Mille­nium e BAI. Entretanto, a Real Transfer subiu a venda dos dólares e aproveita, pois tem sócios do governo e é uma en­chente diária. É um carnaval de máscaras, Coincidiu e pro­longa-se até hoje, depois do nosso Carnaval com cortejo e dança na Marginal: CORTEJO DE MENTIRAS! Uma questão impõe-se: mentiras do governador do BNA ou dos bancos “comerdiais”? Pouco importa, mas o nosso saco está cheio. Basta!

Prémios em favor dos bancos I
Todos os bancos, todinhos, enquanto não forem apanhados a entrar em estádio de falência, são dignos de galardões, pois trabalham com grande sentido patriótico para o enriqueci­mento de Angola, não a nossa, mas a de JES, seus parentes, amigos, serviçais e acólitos. Vamos dar al­guns exemplos de grande significado. Para começar, temos os altos dignitários angolanos, escolhidos a dedo depois de terem passado pelas peneiras do regime JES/MPLA, sem­pre tiveram direito a beneficiar, ao longo dos tempos, da atribuição de prémios outorgados por vários organismos e instituições, não só de Angola mas também de várias in­stituições internacionais de renome – muito mais caras –, que se deram a trabalho de lançar um monte de piropos e conceder prémios e recompensas a individualidades e or­ganizações nacionais. Neste rol de elogiosas iniciativas des­tinadas a pintar, por cima do caruncho, a desgastadíssima fachada do referido regime, enquanto uns rejubilam, outros interrogam-se e dão-se ao trabalho ingrato de pesquisar a origem, os fundamentos e a validade das razões e feitos que possam justificar tais galardões.
A conclusão desse estudo indica que praticamente todas as altas patentes do Estado, enquanto não forem apanhadas em flagrante a roubar o que ainda há dentro dos cofres do Tesouro, são dignas de recompensa. E as que forem apanha­das, serão “castigadas”, mas isso não impede que possam vir a beneficiar de um posterior resgate, como foram os casos dos ex-ministros Manuel Rabelais e de Pedro de Morais, re­spectivamente da Comunicação Social e das Finanças.

Prémios em favor dos bancos II
Depois de ter sido distinguido em 2009 com o pré­mio “Banco do Planeta”, atribuído pelas Nações Unidas através da Unesco, o BES Angola obteve o Prémio de melhor instituição bancária do país no dia 3 de Outubro de 2012. A razão invocada nesse ano aludia a um alegado bom desempenho interno, precisa­mente numa altura em que essa instituição já navegava num pantanal lamacento, face à gatunagem do dinheiro dos deposi­tantes e do Estado. Não vamos perder tempo a repetir o que toda gente sabe e faz de conta que não sabe.
Quanto ao documento que anunciava mais esta vitória do BESA, nós no Folhas guardámo-la. É uma pérola da “Banga Angolana”. Leiam só: «Com as distinções atribuídas em 2012, o Banco Es­pírito Santo Angola soma agora 23 prémios internacionais, provenientes das mais prestigiadas organizações que analisam e avaliam a performance dos mercados financeiros internacionais. O banco volta assim a consolidar a sua posição de Melhor Banco em Angola (kkkkkkkkkkk…), um reconhecimento que traduz o esforço de melhoria contínua do seu posicionamento (pois cla­ro), a eficácia operacional e estratégica dos seus serviços (digno de Don Corleone mafioso) e a excelente performance das suas equipas, em todas as vertentes de actuação do banco (vertentes com fundos sem fundo) em suma, a celebração antecipada de uma realidade angolana: o roubo institucionalizado. Isto está mal, se calhar estamos mesmo a chegar ao
fim, camarada».

Imagem: myguide.iol.p
Folha 8, 07 de Março de 2015
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