terça-feira, 8 de junho de 2010

A Ocidente do Paraíso (68). Colonos! Vão para a vossa terra! Vamos matá-los todos!


No escritório informaram-me que alguém estava à minha espera, com uma carta para me entregar vinda de Portugal. Com grande surpresa vi que era do Neves.

Paris, 5.12.74
Meu Caro
Tive hoje a agradável surpresa de encontrar entre a documentação vária que tenho guardada, um papel contendo o teu nome e endereço. Não imaginas como fiquei contente. Eu que tantas vezes me tenho lembrado de ti e dos bons momentos que passámos lado a lado no RTm (Regimento de Transmissões) aturando o cabo Silva ou entretendo-nos a fazer aviões de papel.
Pois meu grande amigo por aqui ando desde há dois anos, altura em que, tendo sido mobilizado para ir combater os patriotas Guineenses, preferi o exílio que ir matar e morrer numa guerra que me parecia já na altura injusta e perdida.
Foste e continuas sendo o único indivíduo da tropa que me mais saudades me deixou e praticamente o único que recordo. Creio que a já considerável consciência antifascista que possuías fermentou bastante a minha admiração por ti
Por tudo isso te escrevo hoje. Gostaria saber que é feito de ti e poder voltar a ver-te um dia. Espero pois com ansiedade as palavras que por certo não deixarás de me escrever.
Um forte abraço do Neves.
1 bis, Bed Montmorency PARIS 16eme

Depois de ler a carta do Neves fiquei muito pensativo… tantos revolucionários que andam por aí e não têm qualquer documento que justifique a sua luta por uma causa, que ateste a sua militância. Esta carta tornava-se um documento precioso para a história, que em qualquer momento podia ser divulgada, mas preferi guardá-la nos meus arquivos pessoais.

Em vários locais vêem-se escritas a vermelho as palavras, MPLA VITÓRIA OU MORTE, o que incomoda muita gente. Nos subúrbios a agitação é intensa sobretudo à noite. Muitos europeus fogem para a cidade e instalam-se em casa de amigos. Nas casas a arraia-miúda escreve, OCUPADO MPLA. Os roubos e a insegurança aumentam, fazem parte do dia-a-dia. As greves são constantes e selvagens. Aumentam-se os vencimentos anarquicamente, o custo de vida sobe astronomicamente. Fazem-se novas greves, os salários voltam a subir e os preços também. A inflação não pára. As empresas não suportam tal estado de coisas e vão-se abaixo. As ameaças são constantes: «Colonos! vão para a vossa terra! Vamos matá-los todos!»
Por precaução as famílias fogem de Angola, fica apenas o seu chefe, a ver o que isto vai dar. Muitos abandonam Angola definitivamente porque não existem condições para trabalhar. O nosso chefe da mecânica recebeu uma proposta da Volkswagen do Brasil e para lá foi.

Imagem: http://pissarro.home.sapo.pt/memorias23.htm

Entretanto, na lavagem de dinheiro do Banco do Vaticano


Ainda no Banco do Vaticano suspeito de lavagem de dinheiro

ATILA , Lisboa, Portugal. 01.06.2010 17:24
VATICANO
A Reppublica ficou surpreendida? que estranho, o Vaticano sempre foi o lugar onde se fizeram as maiores traficâncias, já agora relembro uma que está tão esquecida tão esquecida que até querem fazer de Santo o Papa Pio XII...A história é antiga mas vale a pena levantar a poeira há muito sossegadinha...S.S. Pio XII era um grande admirador daqueles dois anjos que davam pelo nome de Mussolini e Adolfo, vi com estes meus dois olhos no Museu do Ateísmo na defunda Lelinegrado numerosas fotos de S.Santidade a fazer saúdes com taças de champagne com S.Maldade Adolfo Hitler. Ora finda a guerra - a coisa correu mal ao Adolfo - o Vaticano prestou-se a ser plataforma de fuga para a América Latina dos seus amigos de cruz ao peito (só que gamada, claro...).Pero il Mondo si muove!! Amém!! Heil!! o que seija....


ATILA , Lisboa, Portugal. 01.06.2010 16:44
IOR
O Vaticano sempre foi governado por mafiosos de sotaina e o maior deles chamava-se e chama-se Ratzinguer..Já se esqueceram do Banco Ambrosiano e da santa aliança entre a IOR a Mafia e Loja P2 que até meteu o assassinato do Sr. Geli o qual supostamente se enforcou em Londres...S.S. o Pastor Alemão então homem para todo o serviço enviou o Monsenhor Marcinkus de volta para a América para fugir à justiça italiana, o que seria um escândalo..E recebemos o chefe dos mafiosos com tanto carinho e devoção e o senhor faz um ar tão piedoso que até doi..Amém!!

Mantua , Paris. EU. 01.06.2010 16:36
Ai o Pápa Meninos ao ataque !
Então a par da Pedofilia, agora também há lavagem do móné da Padralhada ? Antigamente, ficavam-se por lavar os pés aos pedintes ! - Mas que Gente ! ... será que vem aí o Apocalipse Now ?

Anónimo , Porto. 01.06.2010 16:34
Só agora é que descobriram?
Agora nada uma febre de investigar os bancos quanto toda a gente sempre soube que eles faziam de tudo, legal e ilegal para ganhar $. A crise chega e este ponto. os contribuintes já não tem mais para espremer, vai-se para o nível seguinte: bancos e religião. Será que chegarão à politica?

ah , anonimo. 01.06.2010 16:13
Qual o verdadeiro segredo de Fátima
Santa Sé e Vaticano não escapam à crise económica global 04.07.2009 - 17:35 Por LusaA Santa Sé fechou 2008 com perdas de quase um milhão de euros (911.514 euros) e o Estado do Vaticano com défice de 15,3 milhões de euros, informou hoje fonte oficial do Vaticano. czpt@hotmail.com , Barcelona, Catalunha. 04.07.2009 20:51PIBSe considerarmos as receitas da santa sé como seu PIB teremos um muito interessante PIB per capita de 92.017 €... nem os árabes que vivem sentados em cima de petróleo. Sim senhores, ganda negócio!!! Porque do estado do Vaticano só dão resultado de exploração, não valores envolvidos no negócio, mas suspeito que iria pelo mesmo caminho. E o papa recebe em doações dos seus fiéis nada menos que 38,72 milhões €, não é mau salário, não. Por isso se agarram tanto à sua "verdadeira fé", não é?

Anónimo , coimbra. 01.06.2010 16:00
Milagre dos Pães
Com certeza é uma LAVAGEM COM ÁGUA BENTA, Estão perdoados!!!!!!

Anónimo , eu. 01.06.2010 15:54
na missa de domingo um padre apelava aos pais que não dessem dinheiro aos filhos..."dêm a instituições"

frb , portugal. 01.06.2010 15:25
Qual é a admiração ? sempre lavou.
Não sei porquê o espamto ou admiração. É histórico que sempre lavou e ainda mais apoiou as MAFIAS.

Filipe , Lisboa. 01.06.2010 15:24
???
claro, o facto de dois dos maiores bancos italianos (Intesa San Saolo e a Unicredit) também estarem sob investigação não interessa para nada... o que interessa é bater no Vaticano. É como a pedofilia: só existe na Igreja, toda gente sabe!

Anónimo , huevo. 01.06.2010 15:03
Que novidade...
E o ouro Nazi? Já tem rasto?

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Canal de Opinião: por Mia Couto. Pobres dos Nossos Ricos


Maputo (Canalmoz)
http://www.canalmoz.com/default.jsp?file=ver_artigo&nivel=1&id=6&idRec=8060

- A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos. Mas ricos sem riqueza. Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.
Rico é quem possui meios de produção. Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.
Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro. Ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.

A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos "ricos".
Aquilo que têm, não detêm. Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.
É produto de roubo e de negociatas.
Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram. Vivem na obsessão de poderem ser roubados.
Necessitavam de forças policiais à altura. Mas forças policiais à altura acabariam por lançá-los a eles próprios na cadeia.
Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade. Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem (...)

(Mia Couto)

2010-06-07 06:41:00

Imagem: ricbrsp.spaces.live.com/?_c11_

Dhlakama reage ao “caso MBS” . “A Frelimo faz campanhas com dinheiro da droga”


“…e não só, os próprios e dirigentes da Frelimo estão ligados a esta empresa de droga”

“O Grupo MBS está a matar a economia moçambicana, quando importa produtos manufacturados fora do país e os vende a preço de fábrica” – Afonso Dhlakama “A Frelimo, queira ou não, está implicada nesta história da droga. Os altos dirigentes da Frelimo estão implicados nesta história, porque fazem parte do MBS”- presidente da Renamo

Nampula (Canalmoz)
http://www.canalmoz.com/default.jsp?file=ver_artigo&nivel=1&id=6&idRec=8061

– O presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, disse em entrevista exclusiva ao Canalmoz que o empresário Mohamed Bachir Sulemane “meteu o país numa situação lamentável e grave, para uma nação que se queira afirmar no mundo”.
Segundo o presidente da Renamo, “O Grupo MBS é grande financiador do partido Frelimo, em geral, e das suas campanhas eleitorais”, o que quer dizer “a Frelimo faz campanhas com dinheiro da droga, e não só, os próprios e dirigentes da Frelimo estão ligados a esta empresa de droga”.

O líder da Renamo disse que o Grupo MBS em parte está matando a economia moçambicana, na medida em que este grupo “importa milhões e milhões de toneladas de produtos diversos, sem pagar impostos alfandegários”. O Grupo MBS faz parte dos interesses do partido Frelimo e, para que facture muito rapidamente, não paga impostos, por isso vende os seus produtos a preços baixos, inundando o mercado nacional e impedindo que os produtos das indústrias nacionais se afirmem e tirem lucros”, acusa o presidente da Renamo.
“As indústrias nacionais, como pagam impostos e têm de amortizar as dívidas que têm com os bancos, então a subir o preço para justificar os impostos e a amortização das dívidas, com isso ninguém compra os seus produtos, visto que os produtos do Grupo MBS são baratos, como resultado da venda de drogas, e isso acaba contribuindo para a falência das indústrias nacionais, que acabam assim por perder o mercado”, prosseguiu.
Afonso Dhlakama entende que a política económica nacional é selvagem e “um país sente-se orgulhoso quando importa menos e exporta mais, e a política económica de Moçambique não defende a indústria nacional”.

“Não duvido do envolvimento do MBS”

Indo directo ao caso denunciado pelo Departamento do Tesouro dos EUA, Afonso Dhlakama disse: “não duvido do envolvimento do Grupo MBS em tráfico de drogas”, porque o MBS “tem fortes ligações com a Frelimo e as mercadorias desta empresa não são fiscalizadas quando passam pelas fronteiras. Isto acontece com ordens do próprio partido e do próprio Governo”, acusou directamente Afonso Dhlakama.
Entretanto, o presidente da “Perdiz” disse que “várias vezes já ouvimos a Polícia da

República de Moçambique a anunciar que foi apanhado um camião com toneladas de haxixe e outro tipo de drogas ou detectado um navio na costa moçambicana com droga, mas em nenhum dia ouvimos que os donos da droga foram identificados, presos ou julgados. As drogas ficam sem dono” – disse, para depois afirmar que “a PRM só sabe dizer que apanhou drogas e nunca sabe dizer quem é o dono, os tribunais nunca receberam processos desta natureza, para julgar”.
Dhlakama questiona: “quem está a proibir a divulgação dos donos da droga? Quem tem força para proibir e fazer calar o assunto? Não será o mesmo Governo que está a dar ordens para a não publicação dos nomes dos donos?”.
O próprio General deu a resposta: “é este mesmo Governo – que é a Frelimo – que trabalha com o Grupo MBS”.

“Pacheco não sabe o que está a dizer”

Mais adiante, Afonso Dhlakama tratou de reagir às declarações do ministro do Interior, José Pacheco, segundo as quais o empresário Mohamed Bachir Sulemane tem a sua ficha limpa em Moçambique, tendo dito que “ Pacheco não sabe o que está a dizer” e “é a Polícia que Pacheco dirige que tem anunciado que apanhou haxixe sem dono e nunca veio a público para dizer ao povo os nomes que estão na ficha suja”.
Para o nosso entrevistado, “as drogas que têm sido apanhadas têm donos, mas os donos nunca foram revelados. Já que ele diz que o nome de Bachir está limpo, então que nos diga agora mesmo os donos daquela droga que tem sido apanhada em Moçambique, já que ele é conhecedor daqueles que são traficantes e não traficantes”, continuou o presidente da Renamo.
Dhlakama afirmou que “a Frelimo, queira ou não, está implicada nesta história da droga. Os altos dirigentes da Frelimo estão implicados nesta história, porque fazem parte do MBS”.
O nosso interlocutor lamenta ser uma pouca-vergonha “que no nosso país haja pessoas riquíssimas através da droga e que fazem campanhas usando este dinheiro ilícito”.

Guebuza deve demitir-se

Dhlakama sublinhou que, “face a este escândalo, imediatamente Guebuza deve demitir-se, assim como o seu Governo”.

Europeus e americanos são culpados

Dhlakama disse que o comportamento do Departamento do Tesouro dos EUA ao fazer tal denúncia é porque a situação atingiu o auge e, como tal, o nosso entrevistado atribui culpa aos europeus e aos americanos, “porque temos sempre dito que os dirigentes da Frelimo fazem e desfazem no país e não só são traficantes de drogas, que é proibido a nível internacional, também são antidemocráticos, não aceitam a democracia, governam o povo à força, por isso não há justiça, nem respeito pelos direitos humanos. Ainda há escravatura em Moçambique, mas quando falamos, sempre dizem que é propaganda”.
Dhlakama disse que “agora, que eles abriram os olhos, vão acreditar no que temos vindo a dizer: o dinheiro dos impostos dos filhos dos americanos e dos europeus é juntado com o dinheiro da droga em Moçambique e esta é uma realidade”, concluiu Dhlakama.

(Aunício da Silva)

2010-06-07 06:43:00

Escândalo: Esposa De Zuma Engravidou Do Guarda-Costas


Destaques

Sábado, 05 Junho 2010 15:15
Joanesburgo - O presidente polígamo da África do Sul Jacob Zuma enfrenta um novo escândalo em sua vida pessoal, desta vez envolvendo relatos da imprensa local de que sua segunda mulher estaria grávida após ter tido um caso com seu guarda-costas.

Fonte: Reuters CLUB-K.NET

Guarda-costas matou se depois da gravidez

O jornal Star disse no sábado que a Agência Nacional de Inteligência foi convocada a investigar informações que vieram à tona esta semana de que Nompumelelo Ntuli Zuma teria tido relações com Phinda Thomo, um membro de seu corpo de segurança. Thomo se matou depois que a gravidez se tornou óbvia, informou a mídia local.

O gabinete afirmou na sexta-feira que os relatos violavam sua privacidade e eram parte de uma campanha coordenada para manchar sua imagem.

As informações, levantadas pela primeira vez no meio da semana pelo jornal Ilanga, editado no idioma Zulu, são baseadas em carta anônima escrita por "familiares preocupados" e vazada a vários órgãos de imprensa.

"Os relatos parecem ser parte de uma maliciosa campanha em curso para arruinar o direito do presidente e de sua família a privacidade e dignidade", afirmou a Presidência em comunicado.

"O presidente Zuma permanece envolvido em matérias de Estado e não será desviado de suas obrigações", afirmou.

Zuma, cuja animada vida privada tem muitas vezes ofuscado seu status de líder da maior economia da África, deve retornar este sábado de visita de Estado à Índia, onde estava acompanhado de Ntuli Zuma.

Qualquer que seja a verdade, o último escândalo a emanar da complexa situação marital do presidente de 68 anos tende a causar constrangimento na África do Sul enquanto o país se prepara para sediar a Copa do Mundo, que começa no dia 11 de junho.

Em fevereiro, Zuma confirmou ter tido um filho ilegítimo com a filha de Irvin Khoza, um amigo próximo e chefe do comitê local de organização do Mundial.

Casamentos múltiplos fazem parte da cultura Zulu e são permitidos na África do Sul. Zuma, um tradicionalista Zulu, já foi casado cinco vezes, mas atualmente tem apenas três mulheres. Ele tem 20 filhos.

O fechamento de jornais e o jornalismo público. “Não vamos fazer um novo Pravda!”




O fechamento dos jornais Tribuna da Imprensa e Gazeta Mercantil, além de agravar o problema do desemprego crônico de jornalistas, aumenta a também trágica concentração de informação na sociedade. A tragédia está em curso e não se escuta ainda uma proposta alternativa capaz de resolver uma das grandes dívidas acumuladas durante mais de século para com o povo brasileiro, a dívida informativo-cultural. O Brasil está em pior posição que o nível de leitura de jornal na Bolívia, país mais pobre da América do Sul. O artigo é de Beto Almeida.

Beto Almeida (*)
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16091

No mês passado foi a vez do fechamento do jornal Gazeta Mercantil, com 90 anos de história e deixando a marca de ter sido um periódico qualificado, avaliação partilhada até mesmo pelos discordantes de sua linha editorial, voltada para o público empresarial.

Antes havia ocorrido o fechamento do também legendário Tribuna da Imprensa, agravando o problema do desemprego crônico de jornalistas, já sem ter para onde correr, além de fazer aumentar a também trágica concentração da informação nesta sociedade.

Se olharmos para cenário internacional também registram-se sucessivos fechamentos de jornais, seja nos EUA ou na Europa. No Brasil, especialistas prevêem a continuidade desta trágica tendência de falência de jornais, de redução de postos de trabalho e de lamentável estreitamento das fontes informativas.

A tragédia está em curso e não se escuta ainda uma proposta alternativa capaz de resolver uma das grandes dívidas acumuladas durante mais de século para com o povo brasileiro, a dívida informativo-cultural. O povo brasileiro é vítima de indicadores raquíticos de leitura de jornal e revista, são trágicas as estatísticas da Unesco, estamos em pior posição que o nível de leitura de jornal na Bolívia, país mais pobre da América do Sul.

Comecemos nos indagando se o mercado será capaz de evitar o fechamento do jornais, o desemprego de jornalistas e gráficos e a concentração da informação em poucas empresas. Não tem sido. Ao contrário, o mercado tem se tornado cada vez mais cartelizado, cada vez menos concorrencional, inclina-se notavelmente para o oligopólio, devasta as esperanças dos que ainda sonhavam com um jornalismo com capilaridade, com regionalização, capaz de assegurar informação diversificada, plural e acessível a todo os brasileiros. Falemos do tamanho da tragédia: somadas, as tiragens de todos os pouco mais de 300 jornais diários brasileiros não atingem a marca dos 7 milhões de exemplares. Indigência democrática! O povo brasileiro está praticamente proibido da leitura de jornais, portanto, proibido de ter acesso a uma tecnologia do século XVI, a imprensa de Guttemberg.

Exército de diplomados desempregados
O mercado tem discutido alternativas a isto? As universidades? O movimento sindical? Não se registram debates sobre como assegurar a massificação da leitura de jornal e revista. Nem mesmo a Fenaj que acaba de ser derrotada na sua luta para manter a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo apresenta - nem antes, nem agora - alternativas para evitar que estes profissionais não formassem apenas um imenso exército de diplomados-desempregados. É preciso regulamentar a profissão, mas também é preciso assegurar o fim da proibição à leitura de jornal. Também devemos elaborar políticas públicas - já que o mercado exibe sua incapacidade - para que os brasileiros assim como recebem do estado merenda escolar, remédios, camisinhas, dentaduras, bolsa família, também recebam jornais e revistas para a sua informação. Seria nada mais do que assegurar o cumprimento da Constituição quando esta estabelece a informação como um direito do cidadão. Para que , afinal, que isto não seja apenas retórica legislativa...

Para se avaliar como o sistema de proibição da leitura de jornal vigente contra os brasileiros é tão trágico e paradoxal basta informar que a indústria gráfica registra capacidade ociosa crônica de 50 por cento de suas instalações anualmente. E isto é crônico! Ou seja, povo sem ler, jornalistas e gráficos desempregados e indústria gráfica paralisada na metade do tempo!!! Por que não juntamos os tres ingredientes acima numa política pública de jornalismo para a sua superação da crise? Será que com a nossa indigência de leitura, com a nossa dívida informativo-cultural podemos nos dar ao luxo de ficar esperando indefinidamente por soluções de mercado, quando o este apenas nos sinaliza com freqüência exuberante a sua tendência de fechamento de mais e mais empresas jornalísticas, mais desemprego e mais concentração?

Uma oportunidade perdida
Não é que não existam tentativas de criar condições e instrumentos para que o povo tenha acesso à leitura e à informação cidadã e qualificada. Uma destas tentativas se deu quando em 1994 o professor Cristovam Buarque elegeu-se governador do Distrito Federal. Um grupo de jornalistas reunidos pelo Sindicato dos Jornalistas de Brasília apresentou ao recém eleito um elenco de medidas destinado a assegurar à população candanga o acesso a informações, a jornais etc. Propunha-se a criação de uma Fundação Brasiliense de Comunicação, com a participação e controle social, capaz de reunir a Rádio Cultura FM, montar uma tv a cabo mas com a democratização e popularização de tvs receptoras que superassem o confinamento sócio-econômico da Lei da Cabodifusão e um sistema de imprensa que se uniria à idéia da Agência Brasília de Notícias, que funcionou, embora sem muita repercussão.

Os jornalistas haviam feito um levantamento do número de equipamentos gráficos e de profissionais de comunicação disponíveis na estrutura do GDF para a edição de um jornal diário, que seria sustentado pelas empresas estatais locais, com distribuição massiva e possivelmente gratuita. Havia capacidade gráfica ociosa, havia jornalistas disponíveis, havia a proposta, havia e ainda há a necessidade social de democratizar a informação. Sonhava-se com um jornal de espírito público, plural, diversificado, chegando às grandes massas trabalhadoras, à população mais carente na periferia do Plano Piloto, havia disposição sustentar este sistema público de comunicação. Entretanto, não havia decisão política para implementá-lo.

A primeira reação da assessoria do novo governador foi: “Não vamos fazer um novo Pravda!” Ninguém havia proposto um jornal nesses moldes. A proposta previa participação social, haveria diversidade informativa, aliás, provavelmente superior ao jornalismo praticado pelo mercado, dado o grau de interferência do cartel de anunciantes na linha editorial, via departamento comercial das empresas, seu verdadeiro “editor”. Não era um pravda, mas a verdade é que faltou audácia, faltou acreditar nas utopias para além dos discursos.

A oportunidade foi perdida. Nem mesmo as antenas e torres de repetição do sinal da Rádio Cultura FM foram instaladas, com o que o sinal da emissora, que poderia inclusive ser uma cabeça de rede de rádios públicas, educativas e universitárias, continuou e continua até hoje alcançando sofrivelmente apenas o Plano Piloto. A TV educativa ou cultural do GDF até hoje não foi criada. E os 93 por cento dos recursos gastos em publicidade naquele período destinaram-se apenas à maior rede de tv e ao maior jornal local.

A amarga ironia é que a idéia do jornal de distribuição gratuita foi aproveitada, anos depois, por um grupo empresarial local, sendo hoje o jornal “Coletivo” um sucesso e uma das poucas possibilidades de informação a que tem direito o povo pobre do Distrito Federal. Setenta mil exemplares são distribuídos diariamente a cada fim de tarde na Rodoviária do Plano Piloto, chegando a todas as regiões do DF. Gratuitamente. Sustentado com publicidade das estatais locais. Descartada pela esquerda,a idéia foi assumida pelo empresariado. Ou seja, pelas mãos dos que sempre impedem e travam o desenvolvimento da comunicação pública, comprovando-se que a idéia do jornal público e gratuito era e é plenamente viável.

Será que nem diante do irreversível processo de fechamento de jornais nos tomamos de senso de realismo , de audácia e de responsabilidade para propor um programa público para a massificação da leitura de jornais?

Nascem jornais públicos, fecham jornais privados
Exemplos nos chegam a cada dia. Evo Morales, cansado de perceber que os jornais privados estão editorialmente comprometidos com a fragmentação da Bolívia, com os planos nacionais e internacionais de desestabilização da democracia, e que eram jornais inacessíveis à grande massa pobre de bolivianos, lançou o jornal “Cambio”, destinado a ser um órgão de informação de circulação popular, a preços populares. Também agora na Venezuela, quando praticamente todos os jornais encontram-se enfileirados na oposição ao governo eleito de Hugo Chávez, ressurge o jornal popular e público “Correio do Orenoco”, recuperando o nome original do periódico fundado por Simon Bolívar, no qual foi redator o General José Inácio Abreu e Lima, brasileiro que lá é considerado herói na luta de libertação contra o Império Espanhol.

Mas, não apenas em governos considerados de esquerda surgem iniciativas deste naipe, como alguns poderiam objetar. Também na França há sólidas experiências bem sucedidas de jornalismo público, como o periódico editado pelo sistema previdenciário francês que chega à casa de cada segurado, com informações sobre toda a realidade nacional e internacional, sobre a cultura e a economia, e não apenas sobre temática previdenciária.

Assim, há razões públicas defensáveis para que o governo salvasse um jornal de tradição de 90 anos como a Gazeta Mercantil. Não apenas porque provavelmente também estará em débito com os cofres públicos. Quantas vezes empresas jornalísticas em dificuldades financeiras recorreram aos cofres públicos para superar suas crises? E seguiram depois condenando editorialmente o papel do estado mas, na primeira dificuldade, batem novamente às portas do estado?

Por que ao invés de empréstimos, não pode o estado assumir o controle acionário de um jornal como o Gazeta Mercantil, ou como o Tribuna da Imprensa, aproveitando sua estrutura industrial, empresarial, seus recursos humanos, sua tradição informativa, sua marca social na sociedade e, com novos critérios administrativos, transformá-los em jornais de ampla circulação popular, com tiragens realmente massivas, de milhões de exemplares, a preços módicos ou mesmo distribuição gratuita, já que o direito à informação é um direito constitucional do cidadão?

O papel protagonista do estado
No início governo Lula, em 2003, divulgou-se a existência de um Proer da Mídia, pelo o qual as empresas de comunicação endividadas, tal como os bancos a que alude a sigla, recorreriam ao estado para escapar à ameaça de falência. Houve solicitação ao BNDES para reestruturação das dívidas das grandes empresas de mídia. Na época o então Ministro José Dirceu pronunciou a frase forte “a Globo é uma questão de estado”. Foi proposto então que a serem empregados recursos públicos no salvamento da empresa das dificuldades, que estes recursos fossem investidos como compra de ações, passando o estado a ser acionista destas empresas desvedoras, assegurando que os recursos não fossem empregados em vão, como já ocorreu, e em certas circunstâncias, mais de uma vez, com as crise repetindo-se.

Agora estamos diante de uma crise sem precedentes, crise internacional, até mesmo City Bank e a General Motors já se transformaram em empresas estatais, ocorrendo o mesmo com inúmeros bancos na Inglaterra, na Alemanha, na França. Aqui a Caixa Econômica anuncia que irá lançar um cartão de crédito próprio para não mais depender do cartel internacional que domina e impõe regras discricionárias ao segmento. Os exemplos estão aí. Será que mesmo assim não teremos capacidade, como sociedade, de realizar um debate sobre como garantir que o povo brasileiro tenha finalmente o acesso à leitura de jornal?

São muito positivas as iniciativas de comunicação partidas do campo público recentemente, seja o Blog da Petrobrás, as colunas O Presidente Responde, a criação da Empresa Brasil de Comunicação, além da convocação da I Conferência Nacional de Comunicação. Mas, o público ainda se queixa: “como sintonizar esta TV Brasil? Ela só pega na tv a cabo? Isto é pra quem pode pagar!” Da mesma forma que as colunas escritas diretamente pelo presidente, embora importantes, não chegam ao grande público, já que as tiragens de jornal continuam raquíticas e não existe ainda um jornal ou vários jornais populares de grande circulação, seja gratuita ou a preços bem módicos. Existiria alguma proibição escrita nas estrelas determinando que não se possa também uma política pública para a democratização da leitura de jornal no Brasil? Não é razoável que a EBC assuma também a publicação destes jornais? Não é razoável que o BNDES que tanto financia grandes empresas privadas e até transnacionais apoie um projeto de um jornal público, de massa, gratuito?

Enquanto isto, jornais fecham as portas e há prenúncios de que novas falências venham a ocorrer. Não é hora, portanto, de debater um programa público de massificação da leitura de jornal?

(*) Beto Almeida é presidente da TV Cidade Livre de Brasília

Imagem: http://www.novomilenio.inf.br/voto/corrupto.jpg

sábado, 5 de junho de 2010

Arquivos do insólito. Que a crise económica e financeira europeia possa afetar esse crescimento, de Angola)



E ninguém prende este homem por afirmações irresponsáveis, de genuína loucura e da mais tremenda vigarice. Este homem merece um qualquer lugar de Bispo no Banco do Vaticano, por exemplo. Este homem não é um banqueiro, é um grande trapaceiro. Ou, quanto lhe pagam pelo fomento do analfabetismo bancário em Angola? Com homens assim não é possível sobreviver na selva bancária. Até que o correcto será chamar, não um sistema bancário, mas uma selvajaria bancária sem regras. E assim a civilização bancária se despede.

«Angola: Presidente do BCP vê economia angolana a recuperar e afasta possibilidade de contágio da crise europeia

Luanda, 27 Mai (Lusa) - O presidente do Millennium BCP, Carlos Santos Ferreira, defendeu hoje em Luanda que o mercado angolano está de novo a recuperar e que não vê razões para pensar que a crise económica e financeira europeia possa afetar esse crescimento.

Lusa
http://aeiou.expresso.pt/angola-presidente-do-bcp-ve-economia-angolana-a-recuperar-e-afasta-possibilidade-de-contagio-da-crise-europeia=f585329

Luanda, 27 Mai (Lusa) - O presidente do Millennium BCP, Carlos Santos Ferreira, defendeu hoje em Luanda que o mercado angolano está de novo a recuperar e que não vê razões para pensar que a crise económica e financeira europeia possa afetar esse crescimento.
Para Carlos Santos Ferreira, que participou hoje no arranque de uma nova iniciativa do Millennium-Angola, denominada "Almoços Millennium", onde serão debatidos temas económicos de dois em dois meses, "os problemas que a moeda europeia atravessa não se vão repercutir em Angola porque é escassa a relação económica" entre a Europa e este país.
"Não faz sentido pensar que a crise na Europa e os problemas que o euro tem neste momento possam afetar a economia angolana. Não há nenhuma razão para isso, não há relação cambial, há pouca relação económica, não há a menor razão para pensar em contágio", notou.»

Imagem: http://img393.imageshack.us/i/polvo3nz6.png/

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A Ocidente do Paraíso (67). E mandar para as urtigas a riqueza e os bens que ela proporciona.


Fui para um bar nas proximidades. Havia camarão grande, fresco, apetitoso. Comi várias doses e bebi grande quantidade de cerveja. Paguei a conta, levantei-me e notei que a bebida atrapalhava-me o andar. Deixei-me ultrapassar pelo álcool. Apontei o rumo para casa. Já era noite. A primeira coisa que fiz foi procurar a Marta. O Avô disse-me que estava no quarto com o Aurélio. Tentei ver pelas janelas o que se passava no interior mas não consegui. A luz estava acesa. Tentei ouvir o que falavam mas em vão. Tentei silenciosamente abrir a porta mas estava fechada à chave. Creio que o meu cérebro se descontrolou. Bati levemente duas vezes à porta e não obtive resposta. As batidas do meu coração eram tão fortes, tão descontroladas que senti perder o meu controlo emocional. Bati com força na porta. A minha respiração estava profunda, muito agitada. Marta abriu e para meu espanto perguntou:
- O que é que tu queres?!
Fiquei sem palavras para responder. Esperava tudo menos isso. Olhou para dentro e quase gritou:
- Aurélio, só um momento!

O seu cabelo estava impecavelmente penteado. Nos lábios notavam-se algumas falhas de batom. Uma parte da saia estava amarrotada e deixava ver um pouco da coxa. Contrariamente ao habitual estava sem óculos.
- Marta… porque não me abriste a porta? O que estavas aí a fazer com o Aurélio?
Foi para a cozinha e vestiu uma bata que lhe cobria quase todo o corpo.
- Estava a conversar!
- Só conversas com ele e comigo não?

Virou-me as costas com desprezo e foi para a cozinha lavar pratos. Agarrei-lhe na bata e puxei-a de tal modo que ficou de frente para mim. Fez resistência para se libertar, mas perante a minha oposição, aumentei ainda mais a força e grande parte dos botões saltaram. Lamentou-se com voz baixa:
- Se agora me fazes isto, que será depois de casarmos.
Fiquei em silêncio a olhá-la. Depois abandonei-a e fui novamente para o bar. O Aurélio estava lá, aproximei-me dele e prometi-lhe:
- Aurélio, vou-te partir a cara.
Ele não me ligou e passados alguns momentos foi-se embora.

O Aurélio regressou na companhia da sua mãe. Ela ficou a aguardar no carro. Ele disse-me que ela queria falar comigo. Tinha-lhe muita consideração, e devido a isso anui e fui ao seu encontro. Fomos para casa. Ouvi uma grande lição de moral. Não consegui replicar porque entendi que o Aurélio manobrou tudo a seu contento. A realidade era bem diferente e preferi guardar silêncio, do que causar um grande desgosto a uma pessoa idosa, e com problemas de pressão arterial alta, que se queixava frequentemente de falta de ar. Decidi no outro dia abandonar o lar para sempre, e mandar para as urtigas a riqueza e os bens que ela proporciona.

Imagem: Liceu salvador Correia
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A electricidade na versão angolana (Fim)


Convém ressaltar que sem energia eléctrica não há circulação de água nas tubulações. E é importante sempre lembrar que sem energia eléctrica… era uma vez a economia. Ou então ficarmos a adorar este poder que se quer eterno como os deuses no Olimpo, e que de vez em quando algum se disfarça de terreno, embrenha-se entre nós, e goza-nos com a demonstração dos seus poderes. Governar pela imposição da miséria e da fome, e com que os rendimentos de Angola caiam sempre na mesma FAMÍLIA, é inaceitável e passível de apresentação de contas à Nação.

O que até agora não aconteceu, e quando acontecerá?! Como é edificante a condução do poder que nos inebria, para as cavernas dos martelos de pedra. Os níveis de baixeza são tais que comparados por exemplo com os campos de concentração nazis, deixam muito a desejar. Um exemplo: nos campos de concentração da suástica existiam energia eléctrica e água sem cortes, que horripilante não é?!

E em cada canto, esquina, em todas as ruas vêem-se os miseráveis andantes com qualquer coisa nas montras das mãos silenciosas, esperando ansiosos por comprador. Mas o Politburo já lhes cortou todas as esperanças de vida. O Politburo já comprou e vendeu tudo. Nada mais existe para comprar e vender. A não ser as nossas almas… que o Politburo também vende. O Politburo é bom vendedor, consegue vender tudo.

Enquanto os palácios estrelam torres e condomínios cintilantes., magnificentes com a exclusão social e espoliação dos subservientes, nem se sabe qual é a cor que o poder ostenta. Mas a dos escravos sabe-se muito bem: é a cor da fome, a mais utilizada pelos pintores que servem os poderes dos esfomeados. É absolutamente mentira e de insanidade comprovada que a Terra é extraordinariamente multicolorida. É pura mentira. Na Terra só uma cor é visível. A negra, porque é a cor da fome e do apocalipse. Também é imperioso perguntar: para que servem uma infinidade de milhões de dólares nas mãos de uma só pessoa e dos quais não consegue justificar a sua proveniência?

Enquanto os espoliados perecem na mais atroz tortura diária? Qualquer médico consultado decerto diagnosticará que se tratam de patologias, de indivíduos que se acham muito inteligentes, desbravadores, cultivadores dos projectos das velhas, eternas vidas. De novas vidas abortadas, nunca concebidas. Sempre com as mesmas pessoas, com o mesmo poder e sempre nele. Pouco falta para cinquenta anos sempre no absurdo das mesmas palavras. Sempre com as mesmas promessas de que a vida vai melhorar. E sempre ao invés tudo para piorar.

Que conclusão se pode tirar disto? É simplesmente a continuação dos mestres ditadores da História. Como deve ser óptimo para estes deuses da africana tirania o sentimento da observação de milhões de negros e negras perdidos no pântano da independência, no júbilo da mais atroz podridão humana. Assim não é poder, é apodrecer na governação. Não é necessário um observador paciente para verificar que nos caixotes do lixo surgem agora figuras humanas não habituais. E não se desculpem nos meios de informação que lhes são servis: «que são malucos os que comem lixo.» Não, não são! Muito pelo contrário!

Nota-se que são de outras géneses sociais: desterrados das casas-casebres, excluídos por abandono de trabalho. Chineses, portugueses, brasileiros e de muitas outras nacionalidades não são. Mas são com certeza angolanos que procuram a independência prometida, mas perdida, procurada e não encontrada nos caixotes do lixo desta nomenclatura. Significa que governar é amontoar, encher contentores do lixo.

É a independência das transferências bancárias fraudulentas há imensos anos normalizadas, legalizadas e só agora em 2010 descobertas, desvendadas. Como se algo de novo se tratasse. Sempre foi assim, e com este atavio sempre assim brilhará. De modos que nada há de novo nesta frente da corrupção. Podem-lhe chamar Nova Constituição, III República, que em nada alterará o nome da miséria. Podem sim chamá-la de: Constituição da imposição da mais do que nunca abundante miséria. Mas será que esta tralha permanecerá sempre assim? Sim, permanecerá! E cada vez mais piorará, até que mais ninguém lhe sobreviverá.

Imagem: olivacijunior.blogspot.com

Banca moçambicana sob investigações de lavagem de moeda


Ainda sobre o “caso Bachir”

Prisão de Bachir só possível após investigação levada a cabo pelo Estado moçambicano, e se houver provas


Maputo (Canalmoz) – Despoletado o caso do alegado envolvimento de um dos maiores empresários do país com o mundo do narcotráfico, a seguir será investigado o sector bancário moçambicano, por ser considerado permeável à lavagem de capitais.
Informações em nossa posse indicam que está para breve uma investigação conjunta entre os Serviços Secretos dos EUA e o Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE) de Moçambique para apurar possíveis casos de lavagem de capital nos bancos moçambicanos.

Antes mesmo da publicação da declaração do presidente Obama sobre os “Barões da Droga”, consta que esta informação foi devidamente encaminhada ao Estado moçambicano, através da Embaixada norte-americana em Moçambique, por isso se decidiu a investigação conjunta entre o SISE e a CIA sobre as contas bancárias do recém-nomeado “Barão da Droga” , bem como sobre todo o sector bancário.

Junto de uma fonte governamental ligada à administração da Justiça, o Canalmoz soube que, perante o anúncio de um cidadãos nacional como “Barão da Droga”, feita por um outro Estado, o Governo não poderá tomar medidas imediatas, para além, apenas, de iniciar a investigação, finda a qual, e, com base nos resultados, o Ministério Público poderá, então, tomar medidas. “Ou, do outro lado, o Estado norte-americano terá que apresentar provas evidentes de que, de facto, Bachir é traficante de drogas, para se ordenar a sua prisão”, explicou a nossa fonte.
(Redacção)

2010-06-03 09:19:00

Imagem: www.controlesocialdesarandi.com.br/

Generais Do Regime Em Crispação


Destaques

Sexta, 04 Junho 2010 02:49
Luanda - O alegado mau ambiente que se instalou nas altas patentes do exercito angolano esta a ganhar visibilidade acompanhada de analises que apresentam o próprio chefe de Estado Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), general Francisco Furtado como fonte da falta de coesão entre os mesmos. (No mês passado a segurança elaborou um “assessment” com tema idêntico).

Fonte: CLUB-K.NET

Furtado alvo de criticas internas
Factos verificados e que denotam ambiente impróprio:
- O general Furtado incompatibilizou-se com o seu adjunto, Geraldo Sachipengo “Nunda”. Informação, por confirmar, alega na seqüência do ambiente clima menos bom, o comandante-em-chefe, JES terá chamado atenção de Francisco Furtado.

- Francisco Furtado esta em rotura com o Chefe do Serviço de Inteligência Militar (SIM) general António José Maria. Este, tido como muito rígido no trabalho e que o lhe terá avaliado pela negativa a sua gestão. (No mês passado a segurança militar preparou um “assessement” registrando casos de conflitos no generalato).

- O general Furtado desentendeu-se com o Vice- Ministro da defesa, general Agostinho Fernandes Nelumba “Sanjar”. O mau estar, entre ambos surgiu quando Francisco Furtado ascendeu para CEMGFA, passando a ter atitudes de desfeitas, para com o seu antecessor.
- O CEMGFA é criticado por uma corrente do estado maior integrada por majores e Coronéis. Estes queixam-se de atitudes menos sensíveis por parte do mesmo. Por sua vez, os oficiias generais levantam “velhos fantasmas” segundo a qual o mesmo nunca esteve habilitado para o posto de liderança do exercito. Julgam-lhe por não ter passado por uma academia de quadros em vias de ascender a oficial general. ( Furtado passou por uma escola de cadetes em Cuba no inicio da carreira militar).
De acordo com informações em meios militares, o general Francisco Pereira Furtado foi escolha ou “imposição” do general Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa”. Furtado era comandante da frente sul no Lubango. (Retribuiu o gesto de “Kopelipa” ao mover a queixa de crime de in insubordinação militar que determinou ao julgamento de Fernando Miala). A patente a quem os oficias generais indicaram para o posto é o general Mateus Ângelo “Vietname”, que melhor estava posicionado na linha de sucessão. JES afastou-lhe nomeado Vice-Ministro da Assistência e Reinserção Social.

De uma maneira geral o exercito angolano é assolado por ambiente de clivagens, espelhadas nas seguintes constatações ou apurações:
- Há nos oficias militares sentimento de injustiça, face a forma que foi recentemente afasto o comandante da zona militar norte em Cabinda, general Jack Raúl. O mesmo esteve próximo de ser exposto a despromoção ou despatenteamento seguido da reforma compulsiva. (Esta desempregado actualmente).. Jack Raúl foi afastado no seguimento do ataque da FLEC contra a seleção do Togo e caluniado de ser cúmplice da causa separatista. Um empresário identificado por Polaco levou intrigas ao governador Mawete João Baptista citando o general como a pessoa que lhe tinha alertado que o regime iria começar a prender os activistas dos direitos humanos no enclave e que o mesmo deveria se ausentar.

- Relatos segundo a qual o afastamento do ex – Chefe de Estado da Marinha, Almirante António Feliciano dos Santos “Paxi” (nomeado adido de defesa em Washington), constitui um desprestigio tendo em conta que estava estatutariamente na linha de sucessão para o cargo de CEMGFA. Com ele foi também afastado o então Chefe Adjunto da Direcção de Armamento e Tropas Blindadas do Estado-Maior do Exército, Brigadeiro Augusto do Nascimento (Foi nomeado Adido de Defesa de Angola na Rússia)
- Acentuação da demonstração de ausência de confiança face aos generais provenientes do extinto exercito da UNITA. Há registro de afastamento dos mesmos em violação aos acordos de paz entre o Governo e o “Galo Negro”. Antes das eleições de 2008, o regime teria afastado o comandante da VII Região centro em Benguela, general Lucas Paulo "Kananay" e de seguida enviado para Rússia estudar. Em meios militares, próximos a UNITA, argumentou-se que um “general como Kananay que passou por acadêmicas marroquinas, não precisa de ir a Rússia estudar”. A hostilização aos oficias provenientes da UNITA foi acompanhada com acusações segundo a qual os mesmo teriam na altura das eleições, meios como viaturas para campanha eleitoral da UNITA, no interior do país.
- Crescente criticas sobre o pacote de lei constitucional. Há reclamações segundo a qual o regime importou de Portugal um projeto lei para Angola ao qual os mesmo invocam que esta a “ferir sensibilidades militares”.

- Tendência em compararem-se com os militares afectos a casa militar da Presidência da Republica. Observam que as promoções, a nível das funções, são automaticamente acompanhadas com a promoção da patente. Alegam também que os salários dos elementos da Casa Militar é superior aos seus. Por exemplo, um soldado da UGP ou da USP com a patente de sargento pode ter como salário cerca de 125 mil kwanzas ao passo que um com a mesma patente estando nas FAA ganha apenas cerca de kz 50 mil.

De acordo com a apreciação feita em círculos da inteligência militar, o mau estar entre generais do regime não ameaça a estabilidade do exercito angolano nem os precipita a atentarem contras as mesmas (como gesto de discórdia). Em comparação ao que acontece na Guiné invoca-se que os angolanos nunca se insurgiriam a estes actos indisciplinar tendo em conta ao poder financeiro a que são favorecidos. (Nos outros país, os generais são pobres e não habilitados).

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Prenúncio de uma grande tempestade?




Luanda, mercado Roque Santeiro

Na secção das carnes as senhoras estão catastroficamente agitadas, e narram o último acontecimento:
- Um senhor mais velho apareceu-nos hoje, vestido de branco e de barbas brancas que lhe chegavam quase a meio do corpo. E ele sentenciou-nos: «Eu é que mando no Roque Santeiro, não é o José Eduardo dos Santos, e ninguém deve sair daqui.»
E a vendedora prossegue como se fosse o relato de outra Anunciação:
- E o senhor das barbas brancas muito compridas falou mal, muito mal do José Eduardo dos Santos e não se calava, não se cansava de o improperar. Até que alguém se foi queixar dele e vieram os polícias para lhe molestarem, para o arrestarem. Os polícias chegaram… mas toda a gente jura que viu o senhor das barbas brancas muito compridas desaparecer-lhes no chão que estava nos pés de todos.

E o mercado Roque Santeiro agitou-se, está muito decomposto. Os povos não duvidam. É JESUS CRSITO QUE CHEGOU!


Moçambique. Chefe do Estado promete investigar presença da Al-Qaeda


No nosso país
E relativamente à explosão ocorrida numa loja pertencente a um indiano, na Beira, a polícia diz que o proprietário deve explicar como é que tal objecto explosivo apareceu no seu estabelecimento.

O presidente Armando Guebuza disse, ontem, não acreditar na existência de membros da organização terrorista Al-Qaeda em território nacional, conforme noticiou, na sua edição de ontem, o jornal “O País”, citando uma informação veiculada pelo jornal sul-africano “Sunday Times”. No entanto, segundo a Agência de Informação de Moçambique, o chefe do estado admitiu que as autoridades moçambicanas vão lançar uma investigação para confirmar a veracidade ou não desta denúncia.

http://www.opais.co.mz/index.php?option=com_content&view=article&id=6625:chefe-do-estado-promete-investigar-presenca-da-al-qaeda&catid=45:sociedade&Itemid=176

O pronunciamento do presidente Guebuza traz, contudo, a prudência que faltou ao porta-voz do comando-geral da PRM. Entrevistado logo pela manhã de ontem por diversos órgãos de comunicação nacionais, Cossa foi peremptório na sua convicção. Disse que “não há campos da Al-Qaeda em Moçambique. Nós conhecemos o país em que vivemos, não há campo nenhum da Al-Qaeda, em Moçambique, nem grupos de terroristas”.

Falando em Nice, uma cidade no sul da França, onde esteve a participar na 25ª Cimeira África-França, desde segunda-feira, Armando Guebuza deixou, no entanto, transparecer o seu cepticismo à volta do assunto. “Nós não temos conhecimento disso. Não me parece provável que isso aconteça, e os órgãos ligados à defesa e segurança em Moçambique devem estar muito atentos a essas questões”, disse Guebuza.
O Chefe do Estado foi ainda mais longe para consubstanciar o seu cepticismo: “Também queria dizer que os órgãos de defesa e segurança em Moçambique trabalham em colaboração muito estreita com os órgãos de defesa e segurança da região e, por conseguinte, há troca de informações. e, até agora, nós não temos conhecimento ao nível da região de algo dessa natureza”.

Sul-africanos também desmentem
Na segunda-feira, o ministro sul-africano da polícia, Nathi Mthethwa, desvalorizou a notícia do “Sunday Times” sobre as conspirações da parte de certos grupos militantes, incluindo a Al-Qaeda, asseverando que o Mundial, cujo início está agendado para 11 de Junho corrente, não enfrenta nenhuma ameaça de terrorismo.
Segundo a imprensa sul-africana, Mthethwa disse, em conferência de imprensa, que um grupo de investigadores sul-africanos se deslocou ao Iraque, na sequência da alegada detenção de um alegado militante da Al-Qaeda que havia abordado alguns dos seus amigos sobre a possibilidade de atacar as selecções da Holanda e da Alemanha durante o Mundial.

Nathi Mthethwa disse que os investigadores descartaram essa ameaça, acrescentando que os extremistas sul-africanos brancos detidos nas últimas semanas em conexão com alguns arsenais de armas são um “grupo de lunáticos”, e que não representam nenhuma ameaça à grande festa do futebol mundial.
Aliás, segundo a agência noticiosa “Bloomberg”, a célula da Al-Qaeda no Iraque refutou na semana passada as alegações de que estaria a esboçar planos para atacar o Mundial de Futebol da África do Sul, em comunicado emitido na noite de 24 de Maio e que foi colocado nos portais da internet usados por aquela organização.

A organização de Bin Laden refere que “os seus sonhos e aspirações” não se estendem até à cidade de Joanesburgo.
Polícia admite existência de intimidações
A PRM não admite a existência de campos terroristas em Moçambique, mas sim do que classificou de “intimidações”, e comparou-as ao episódio de Cabinda, na véspera do CAN de Angola, que culminaram com o ataque à selecção do Togo.
Segundo Pedro Cossa, as informações aparentemente em circulação visam desencorajar algumas equipas, assim como turistas, que queiram escalar o país durante o Mundial na vizinha África do Sul, para ficar com a ideia de existência de um clima de insegurança na região.

“Mas a questão de segurança no Mundial da África do Sul não é um caso exclusivo daquele país, mas sim de todo o continente africano e, como tal, todas polícias do continente estão atentas”, tranquilizou Cossa.
PRM sem meios para controlo de fronteiras
Cossa tem certeza de que não há operativos da Al-Qaeda em Moçambique, e que a polícia conhece todo o território nacional. mas também reconhece que esta mesma polícia não tem capacidade para controlar as fronteiras nacionais, mormente a sua costa. Reconheceu que todos os dias são detidos imigrantes estrangeiros no país, porque a corporação “não dispõe de meios capazes para o controlo da extensa fronteira moçambicana. A nossa costa é superior a dois mil quilómetros e não temos meios para controlar o país metro a metro, mas, na medida das nossas capacidades, controlamos a circulação de estrangeiros no nosso país”, apontou.

Explosão na beira
Sobre a explosão registada numa loja pertencente a um cidadão indiano, na cidade da Beira, província de Sofala, anteontem de manhã, Pedro Cossa respondeu que está em curso uma investigação. Revelou que foi criada uma comissão de inquérito para o efeito e que o proprietário da loja será chamado para explicar o que realmente ocorreu na sua loja, bem como explicar-se sobre a proveniência do material que terá provocado a explosão.

Moçambique. Dono do Grupo MBS indiciado de narcotráfico


O PRESIDENTE do Grupo MBS, Mohamed Bachir Suleman, figura numa lista de cinco individualidades estrangeiras indiciadas pelos Estados Unidos da América de pertencerem aos barões da droga. A informação vem contida numa carta do Presidente norte-americano, Barack Obama, apresentada aos membros de direcção e quadros seniores da Casa Branca e dos Comités do Senado das Forças Armadas e da Magistratura. Não foram apresentadas provas conhecidas sobre o assunto.

Maputo, Quinta-Feira, 3 de Junho de 2010:: Notícias
http://www.jornalnoticias.co.mz/pls/notimz2/getxml/pt/contentx/1029237

Entretanto, ao final da tarde de ontem, Mohamed Bachir Suleman convocou a Imprensa para desmentir o relatório americano, explicando que não tem e nunca teve qualquer ligação com o narcotráfico, que é um empresário de sucesso desde os nove anos e que, para melhor se elucidar, ainda ontem solicitou, com o conhecimento do Governo moçambicano, um encontro com o Embaixador dos EUA em Maputo, para exigir provas das acusações que lhe são imputadas.

“Convido as melhores polícias do mundo, como FBI e Interpol, a investigarem o assunto e verão que nunca estive envolvido em narcotráfico. Em circunstância alguma cheguei a ser interrogado ou abordado por qualquer entidade sobre tráfico de droga” – disse, sem deixar de parte a possibilidade de vir a pedir uma indemnização ao Governo americano, caso nada do que tem sido propalado seja provado.

O empresário é citado na carta de Barack Obama produzida no âmbito da secção 804, da lei de designação de barões da droga estrangeiros, como sendo o quinto da lista que incluiu Haji Agha Jan Alizai e Haji Bando, todos do Afeganistão, Ousmane Conte, da Guiné, e Sérgio Enrique Villarreal Barragan, do México, todos indiciados de narcotráfico.
A acção do Departamento do Tesouro dos EUA tem como alvo a rede de tráfico de narcóticos em Moçambique, com base na identificação de barões da droga realizada pelo Presidente Barack Obama. Com este caso, os EUA apontam que sobem para cinco os barões da droga no Continente Africano, estando os restantes na Nigéria e Guiné-Bissau.

No seguimento da identificação feita pelo Presidente Barack Obama a Mohamed Bachir Suleman, em conformidade com a lei de designação de barões da droga estrangeiros, o Departamento do Tesouro dos EUA aponta três empresas na sua rede de tráfico de narcóticos. Igualmente, em conformidade com a lei dos barões da droga, o gabinete de controlo de bens estrangeiros do departamento do tesouro designou o Grupo MBS Limitada, Grupo MBS – Kayum Centre e o Maputo Shopping Centre como traficantes de narcóticos, por serem empresas da sua propriedade ou estarem sob o seu controlo.

Assim, os EUA congelaram quaisquer bens que as três entidades possam possuir e que se encontrem sob jurisdição dos Estados Unidos e proíbe as entidades dos Estados Unidos de realizarem transacções financeiras ou comerciais com as mesmas.
Para os EUA, Moçambique está a tornar-se cada vez mais um país de trânsito para o envio de narcóticos e seus químicos precursores, servindo como ponto de transbordo de narcóticos como haxixe, marijuana, cocaína, heroína e mandrax (metaqualona), sendo a maior parte destas substancias consumidas na Europa e na África do Sul. Igualmente, de acordo com o relatório, uma combinação de fronteiras frágeis, agências de aplicação da lei com pouca formação e com falta de equipamento e um alto nível de corrupção dentro do Governo oferecem um ambiente facilitador para que os traficantes da droga operem em Moçambique.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A Ocidente do Paraíso (66). Brancos extremistas queriam criar um exército para liquidarem os negros.


Os dias sucediam-se e o nosso envolvimento aprofundava-se. Mas, por mais que queiramos existe sempre um senão. Quando conversava com a Marta, o Aurélio chegava, interrompia os nossos devaneios e ela lá ia… para junto dele. Passava mais tempo com ele do que comigo. Passei a questionar-me interiormente, e a duvidar do amor da Marta. Será que eles continuariam assim depois de nos casarmos? E quando estavam a sós no quarto faziam o quê? As dúvidas assaltaram-me de tal maneira que senti o meu sistema nervoso voltar ao sindroma da guerra.

O 25 de Abril chega. As primeiras reacções são de desalento e dúvida. Os portugueses vêem o seu futuro ameaçado. Os militares nos seus discursos em relação às colónias são evasivos. As suspeitas aumentam quando entre os militares surgem vários que apregoam a ideologia comunista. Em Angola nascem várias tendências de portugueses, que por todos os meios tentam manter a ligação a este país. De modo desorganizado, sem noção do que é política, na grande maioria incultos, a verem a árvore das patacas a fugir-lhes. Intolerantes e fundamentalistas, tentam por todos os meios manter as suas posições favoráveis. Mas já é tarde, demasiado tarde.

Tudo isto para mim era perfeitamente normal. Sabia de antemão que iria acontecer, por isso não me surpreendi nem me senti desprevenido. Brancos extremistas queriam criar um exército para liquidarem os negros. Outros tentavam formar partidos políticos à última da hora. Outros ainda defendiam uma Angola multiracial onde negros, brancos e mestiços coabitariam perfeitamente, pois a grandeza do país chegava e sobrava para todos. Mas a verdade era esta: Todos acabaram por escolher um dos três movimentos. As observações mais correntes eram: A FNLA era um movimento tribalista, eram todos do Norte, e os poucos brancos que lhe aderiram eram considerados alvos a abater. A UNITA era o movimento dos brancos. O MPLA era dos mestiços e de alguns brancos comunistas. Perante isto como conciliar o irreconciliável?! Era o caos, e este chegou com velocidade. A afirmação fundamentava-se em: «Não aceito ser mandado por negros. Com negros a mandar nem pensar».
Os planos de debandada geral começam a ser traçados.

Marta mostra-me catálogos de moradias e de mobílias. Aponta para uma:
- Este estilo de mobília americano é muito bonito.
Concordei inteiramente com as suas preferências. Ressaltei-lhe que gostava muito dela. Apreensivo, segredei-lhe que preferia contar com o dinheiro que eu ganhasse, para evitar problemas de dependência no futuro. Abraçou-me, beijou-me demoradamente e senti o seu sexo quente encostado ao meu. Afinal de contas desde que seja uma casa e uma mobília funcional que mais é necessário? Eram os preparativos finais para o nosso enlace matrimonial. Mas curiosamente o tempo passado comigo continuava a ser pouco em comparação com o dedicado ao Aurélio.

Era uma sexta-feira. Muito aborrecido e com imensos pensamentos desagradáveis, se a sua fidelidade era real ou não, porque as dúvidas que me assaltavam necessitavam de serem expelidas. Mas se na verdade já éramos marido e mulher, porque motivos passava a maior parte do tempo com o Aurélio? Tão juntos, tão encostados, com risadas tão amorosas e eu solitário a observá-los.

Imagem: http://pissarro.home.sapo.pt/memorias23.htm

A electricidade na versão angolana (2)


E lá se foi outra vez, faltou a luz. Como o fusível, os fusíveis, estão super reforçados, ardem e não são mais prestáveis. Servem unicamente para o lixo. O suporte dos fusíveis da portinhola também se desintegra e o cabo da rua também. Bem lá no fundo enquadra-se perfeitamente… é um acto de puro terrorismo urbano, mas como o poder popular é a lei, assim fica tudo normalizado, continuado, devastado, queimado. É impossível viver com tais imposições.

Custa a acreditar que no ano 2010 existam coisas destas. Um povo que navega no navio da destruição, na nau do Inferno, que é sem sombra de dúvidas o seu destino final. Já não se sabe para que serve a energia eléctrica. Serve de divertimento para os jovens da BDE. E quando, quando não, habitualmente, a luz falta, ouve-se o gerador de um banco arrancar, o de um general, dos indianos, dos portugueses, e demais tralha, e o dos angolanos – à salve-se quem puder – vê-se logo que é do mwangole pelo barulho, e pela gritaria das crianças: «é luzi!!! É luzi!!!» depois de tudo bem poluído por tantos geradores ligados, só se houve o aterrador barulho do gerador do mwangole. Sim! Onde houver barulheira insuportável, lixo e esgoto ao ar livre, está lá um angolano, quem mais poderá ser?! Angolano, o campeão da destruição da cidade.

Os desgovernados pelos biliões dos desfalques bancários desde o retorno à outra Idade Média de 1975. À bancarrota total e ainda incompleta. Faltam aqueles que ainda não conseguiram roubar a sua parte. Estes que desviaram muitos milhões são perseguidos, porque já não pertencem à FAMÍLIA. São os eleitores da luta de libertação, legalizaram-se para desviarem e espoliarem os filhos da terra sem ela. Depois de tudo serenar, continuará o mesmo poder na mesma FAMÍLIA. Os desvios retomarão legalizados, porque familiarizados.
A estrutura do poder popular está como que intacta, tal e qual como em 1975. Está assim mais marxista-leninista, porque as mesmas teias de aranha não largam o poder.

Andaram, e continuam com a especulação imobiliária. A energia eléctrica… que deus resolva com a ajuda de tantas igrejas, esta já é uma especulação religiosa. Não será muito difícil orar a Deus. Então, Ele contemplar-nos-á com o milagre da luz. Oremos pois irmãos, e faça-se conforme a Sua Vontade. No fundo este reino é de Deus, e só a ele pertence. Por isso e sem mais sombra de dúvidas, os nossos governantes reinam porque são eleitos por Ele, e só a Ele prestam contas.

Como Ele é etéreo e não entende nada de contabilidade, tal como tudo o mais, são coisas terrenas dos terráqueos. Talvez construindo uma igreja em cada esquina, quem sabe?! Este reino não é nosso, é só deles e para eles. E na euforia de 1975, juravam muito convictos: «nós corremos com os brancos, com os colonos, porque não precisamos deles para nada.

O que eles fizeram… mas eles não fizeram nada. Fomos nós – nós também somos capazes, e até melhor do que eles.» Confrange observar no contínuo que a vivência diária ainda se faz nas ruínas das construções portuguesas. Afinal, mas que gente mais balofa, estonteada que nada consegue edificar, a não ser palavreado infestado.

Apenas espalham casas-casebres por aqui e por ali, para que depois orgulhosamente sejam ceifadas pelas máquinas debulhadoras da eleita governação da nova Constituição, a cem por cento de votos. É o povo eleito da epopeia das casas-casebres. É o povo que formaram desordenado, medroso, supersticioso, que não é capaz de se organizar – nem nenhuma ONG, ou partido político da oposição o consegue – para exigir os reparos a que tem direito da água, da luz, do petróleo e diamantes.

Banco do Vaticano, um banco que lava o dinheiro e a imagem de Deus


A religião ainda subsiste porque faz bons negócios e porque há quem invista fortemente no analfabetismo e na crendice.

«Banco do Vaticano suspeito de lavagem de dinheiro
A justiça italiana está a investigar o banco do Vaticano por suspeita de envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro, avançou hoje o jornal La Repubblica.

01.06.2010 - 14:54 Por Lusa PÚBLICO ÚLTIMA HORA

O diário adianta que os alvos da investigação são o Instituto das Obras Religiosas (IOR), nome como é conhecido o banco oficial do Vaticano, e dez outros bancos italianos, incluindo grandes instituições como a Intesa San Saolo e a Unicredit.

Segundo o jornal, os investigadores desconfiam que pessoas que têm residência fiscal em Itália estão a usar o IOR como uma “cortina” para esconder diversos crimes, como fraude e evasão fiscal.

O IOR gere contas bancárias das ordens religiosas e associações católicas e beneficia do estatuto off-shore do Vaticano.

Os investigadores descobriram que foram feitas transacções de cerca de 180 milhões de euros, num período de dois anos, numa das contas geridas pelo IOR.

Em Setembro de 2009, o representante do Santander em Itália, Ettore Gotti Tedeschi, foi nomeado presidente executivo do IOR.

O arcebispo norte-americano Paul Marcinkus, que liderou o banco entre 1971 e 1989, esteve envolvido numa série de escândalos, entre os quais a falência de um banco privado, o Banco Ambrosiano, em 1982, entre acusações de ligações à máfia e terrorismo político.


Igreja Católica substituiu a administração do banco do Vaticano
O Papa nomeou ontem um novo presidente para o banco do Vaticano, Ettore Gotti Tedeschi, em substituição de Angelo Caloia, numa decisão em que foi substituída toda a administração e que faz parte da tentativa do Papa Bento XVI para maior transparência à instituição, segundo “The Wall Street Journal”, que a descreve como uma das mais secretas do mundo financeiro.

24.09.2009 - 10:08 Por Paulo Miguel Madeira

A decisão foi anunciada ontem pela Santa Sé, que emitiu um comunicado onde se diz também que além de Tedeschi (italiano), foram nomeados outros quatro administradores do Instituto das Obras Religiosas (o nome oficial do banco do Vaticano) – Carl. Anderson, (com nacionalidade norte-americana e cavaleiro supremo da ordem dos Cavaleiros de Colombo); Giovanni De Censi, (italiano e presidente do Credito Valtellinese); Ronaldo Hermann Schmitz (alemão) e Manuel Soto Serrano (espanhol).

Não são no entanto adiantadas no comunicado quaisquer justificações para a mudança de toda a administração do banco.

Ettore Gotti Tedeschi representa em Itália o grupo espanhol Santander (era presidente do Santander Consumer Itália) e é presidente do banco privado Sanpaolo IMI e da Caixa deDepósitos Italiana, além de ensinar ética e finanças na Universidade Católica de Milão e ser comentador de questões económicas no diário do Vaticano, “L’Osservatore Romano”.

O Instituto das Obras Religiosas é o banco de clero e gere as constas das ordens religiosas e das associações católicas, beneficiando do estatuto de extraterritorialidade concedido ao Vaticano.

A instituição tem estado associada a escândalos recentes no Vaticano, como os que o associaram a dinheiros da máfia siciliana ou à loja maçónica italiana P2.

A nomeação de ontem põe fim a duas décadas de consulado de Angelo Caloia, um economista e banqueiro que foi o primeiro presidente do banco que não era oriundo do clero e que é descrito, também por “The Wall Street Journal”, como “um dos funcionários mais poderosos e profundamente entrincheirados” do Vaticano.»

terça-feira, 1 de junho de 2010

Luanda. Maio, mapa do racionamento da energia eléctrica



Neste mês podemos afirmar que foi um milagre. Há muito que tal não acontecia. Os cortes de energia eléctrica acontecidos podem-se considerar insignificantes.

Louvo a Exª ministra da Energia, Emanuela Vieira Lopes, enviando-lhe um ramo de jasmins, um beijo, um fraternal e orgulhoso abraço pelo serviço prestado.
Mas, ainda há muito para fazer. Problemas e trabalho não faltam.

Quando há que criticar, critica-se, quando há que louvar, louva-se.

Entretanto,
Pelo comunicado a seguir dá a impressão que Luanda está em guerra. É que a energia eléctrica e a água continuam racionadas.

COMUNICADO
As empresas ENE E.P. e EDEL E.P. comunicam aos seus clientes e à população em geral, que devido à existência de um défice na capacidade de produção e distribuição à região de Luanda, têm vindo a efectuar restrições no fornecimento de electricidade na cidade de Luanda.
As interrupções têm incidência no período nocturno, podendo no entanto por razões imprevistas, ocorrerem fora deste período. Medidas estão a ser implementadas visando eliminar os constrangimentos oportunamente, pelo que pedimos as nossas sinceras desculpas pelos transtornos causados. As restrições da presente semana, vão incidir sobre as zonas descritas no mapa abaixo: In Jornal de Angola

Maio 2010, cortes de energia eléctrica.
27Mai 04.49-05.06. 25Mai 09.01-10.05. 23Mai 09.04-17.30. 22Mai 11.58-12-58. 21Mai 14.05-15.38, 18.12-02.10 do dia 22Mai

Imagem: http://www.radiacaouir.com/edicao_01/figura_01.html
Imagem dos jasmins: picasaweb.google.com/.