quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A patranha da energia eléctrica e da água continuam desaguadas



Se o governo é anárquico, a energia eléctrica também o é, como tudo o mais. Uma pergunta se impõe: com toda a anarquia autorizada superiormente, quem é que manda, quem dirige Angola?!

Com as construções anárquicas deles, Ordens Superiores, autorizadas debaixo da linha de alta tensão e por causa da poeira daí resultante, os cortes de energia eléctrica em Luanda agora retornaram-se, superabundantes, evidentes, anárquicos. O mapa a seguir do mês de Setembro ilustra-o, é uma digna maratona anárquica.

14Set 08.52-09.56 13Set 08.43-08.58, 18.12-19.02 11Set 06.12-09.45 10Set 04.19-04.56 09Set 06.07-11.42 08Set 03.15-05.00

E não adianta a EDEL atribuir culpas aos moradores dos prédios. A EDEL é responsável – ou irresponsável? - pela coluna montante dos prédios, não é só da portinhola como enfatizam. E depois criam empresas para a manutenção das colunas montantes dos prédios a cobrarem preços chorudos?! Que grande cambalacho. Mas como isto ainda anda pelos tempos do famosíssimo poder popular da energia eléctrica das bananas…

Acompanhei pessoalmente a anarquia da EDEL quando na entrada da portinhola do prédio ligou um cabo eléctrico para alimentar um estabelecimento da Emaxicon. Aqui cometeu mais uma ilegalidade porque está a destruir a alimentação do prédio. Depois ligou directamente no cabo da rua uma extensão para alimentar um banco que só tem dez ares-condicionados. E próximo constroem mais uma réplica maníaca à Dubai de um arranha-céus. Claro que a energia eléctrica está como está, nos 160-170 volts.

A EDEL tem que reforçar os cabos de alimentação POR TODA A CIDADE. Porque não há nenhum cabo eléctrico que resista a tamanha anarquia instalada. Os prédios dos novos-ricos corruptos serão alimentados por geradores?! Que risada, que patranha angolana.

E do reino aquático… aos poucos e poucos a água vai escasseando porque é desviada para a selva dos edifícios dos novos-ricos.
E assistimos à teimosia da publicidade da constante incompetência.

Seguem os cortes do Mês de Agosto
30Ago 01.18-12.07 28Ago 05.17-16.06 27Ago 14.07-15.18 22Ago 00.58-04.23 15Ago 05.17-07.10, 13.11-13.54, 14.36-15.24 12Ago 13.13-13.36, 23.55-00.10 do dia 13Ago. 04Ago 12.48-15.00 01Ago 12.43-13.31

A sua chamada está a ser transferida para o correio de voz.
A rota marcada encontra-se temporariamente congestionada. Por favor tente mais tarde.
Chegou à caixa do correio de voz de…

terça-feira, 14 de setembro de 2010

«Os destinos nas ruas da nossa amargura. Informação de assaltos em Luanda»



Os assaltos recomeçaram…
Companheiros,

Fonte: email

Das Zonas críticas na cidade, a Rainha Ginga nas
1. Imediações do Petro, Colégio Júlio Verne,

2. Zona das imediações do Eixo Viário,
Petro de Luanda,

3. Miramar (rua e imediações do cinema), Largo
da Unidade Africana

4. Imediações da Endiama, e Robert Hudson
estão entre as piores…

De seguida estão o Bungo, imediações do BINGO, Rádio Vial, largo
do Porto (Hotel Presidente) estão entre as áreas onde te podem
desmontar o carro completamente (desde o Tablier até às jantes,
se interessarem), com alarme ou sem ele…

O ideal é não parar por estas bandas.

Outras Zonas perigosas são: zona do Prenda, próximo ao túnel,
Hotel Alvalade, Zona da Liga, Combatentes, essencialmente na
parte superior (feira Ngoma), praia do Bispo (à Coreia), Vila Alice
em quase toda a extensão, Zona da 147, imediações da igreja de
São Paulo, Kinaxixe, etc… e as formas de identificá-las são de
locais onde há obras paralisadas (normalmente no seu interior há
plantações de liamba e são dormitórios dos delinquentes);
Locais aproximados aos de “comes e bebes” , próximo de mercados,
etc …

Algumas destas dicas baseiam se em informações policiais e estatísticas
da frequência de assaltos.

Imagem: sannitas.blogspot.com


Editorial – 2. Vamos todos apoiar agora a ‘Campanha r2k’ (Right to Know)


Maputo (Canalmoz) - O povo moçambicano distinguiu-se pela solidariedade para com o povo sul-africano, vítima da discriminação e da opressão durante a Era do Apartheid. Hoje, tal como outros povos, somos chamados a manifestar de novo a nossa solidariedade para com a África do Sul, desta vez para com os nossos colegas da comunicação social sul-africana.
No país vizinho do Rand, importantes forças políticas movimentam-se para amordaçar a comunicação social independente. Pretendem jornalistas subservientes, que reflictam e disseminem a “verdade oficial”. O objectivo, é estancar a posição consequente assumida por colegas nossos na denúncia do compadrio, do nepotismo, da corrupção, da aliança com o crime organizado, do tráfico de interesses e do jogo sujo no âmbito da adjudicação de contratos.
Desejam essas forças hostis à Liberdade de Impressa instituir um Tribunal para a Comunicação Social, alicerçado numa nova Lei da Protecção da Informação. Por outras palavras, querem a imposição de um sistema de censura.
Não deixa de ser sintomático que os autores da iniciativa representam os sectores directamente envolvidos nesses males que afligem a nova África do Sul democrática.
Mas a classe jornalística sul-africana não está só. Intelectuais, estudantes, a sociedade civil, em suma, os cidadãos de todo país unem as suas vozes em torno da campanha pelo Direito de Saber. O Canal de Moçambique também já depositou o voto de solidariedade para com os colegas sul-africanos em www.r2k.org.za
Vamos todos ajudar a estancar uma sinistra iniciativa do governo sul-africano para que não sirva de inspiração aos que cá dentro vêem na denuncia do nepotismo, e na denúncia da corrupção e dos privilégios de quem governa à custa do erário público, um atentado à segurança do Estado.
A África Austral e o Mundo estão agora a enfrentar uma nova luta pela Liberdade. A luta contra os fascistas tem de ser permanente. A luta é contínua. A Liberdade tem de vencer.
A Luta constante dos jovens moçambicanos fez o governo rever políticas erradas. Provou-se mais uma vez que vale a pena lutar.

(Canal de Moçambique) 2010-09-09 07:14:00
Imagem: ibismz.or

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Desiderato, de Gil Gonçalves


(a
Patrícia Martinelli)

Você está triste
desconsolada
inconfortável
Não encontro mais
os silêncios
dos seus enigmas
olhares
Você está de futuro
amuado
Você está a navegar
longe do mar
na secura do tempo
e do encontrar
olhar
Decerto anseia
medicina para todos os momentos
e estações anuais
sem vendavais
O seu viver está repleto
de sonhos sazonais

Parece tudo composto e ansioso por ventanias, tempestades tão humanas agressivas, de desumanas. E o amor tão fabricado, tão desusado, tão materializado, como os climas, alterado. Como a inconstante perseguição dos gatunos nas ruas feridas, porque já não existe mais pão. Todos finalmente caminhamos para o vão. E nas noites as feras humanas descem dos seus escuros covis e soltam-se, acolhem-se nas iluminadas ruas para resgatarem o que lhes espoliaram. Já não há cidades, agora são agências bancárias e funerárias.

Mas a candura da juventude permanece imutável na entrega, nos encantos da escravidão e dos destinos do amor. E sempre nos esperam íngremes escadarias e portas fechadas no mistério do além das fechaduras. Tanto ruído inventado, inusitado apenas para que os nossos corações desfaleçam no sem tempo da amizade, esta coisa tão descartável. E a vozearia humana que na altitude da amplitude ultrapassa as mais altas montanhas. Fazer ruído também é negócio.

E tantos milhões de pessoas que caminham procurando não sabem o quê. E por ali se ficam na prostração do viverem para consumirem toneladas de sedativos. E as crianças ininterruptamente a chorarem porque as suas mães se esgotaram indefensáveis, na inércia, sem as consolarem.

O nosso pensamento é frequentemente assediado pela mensagem de que é necessário conseguir algo para comer, e prosseguirmos conforme a grande explosão do bigue-bangue. Nascemos de uma explosão, daí o nosso carácter agressivo, bélico.

Continuo na procura incessante por entre incontáveis religiões, qual é a que nos serve, que nos poderá dar alguma utilidade. Mas não sinto alguma diferença entre elas e qualquer ditadura, mas contudo deslumbro-me no encontro com o divino Deus. Ambas têm os mesmos afundamentos e contrições, e o abismo para onde pretendem conduzir-nos já há muito se escavou pela inclemência humana.

Deixa-te cercar pelo verde, ama intensamente as plantas, oferece-lhes a tua melhor amizade. Venera os rios, os mares, as montanhas, as águias, os falcões, e as outras famílias. Deixa-te acariciar pelo orvalho do anoitecer e do amanhecer. Deixa que a chuva escorra pelo teu corpo, sente-te como cascata chuvosa a percorrer os sulcos medianos das folhas em apoteose. Se desejas atingir a plenitude da liberdade, estende a tua alma ao esplendor da libertação da tua natureza e da Natureza.
É este apenas o amor que ainda te resta. Que a tua luta nunca seja uma batalha perdida.

José dos Ribeiros Tormentosos


E sem Roque Santeiro, é a mesma coisa que ficar sem o Silicon Valley.
Com as seitas religiosas e o meu Pravda hipnotizo o desenvolvimento do angolano. Como não sei fazer mais nada, sem o senso (?) da minha escrava inteligência (?) logo, dependo em absoluto da bajulação. Há que saber quais serão os homens que enfrentarão os agora ratos… ao que antes chamavam de população, de povo libertado.

E os navios voltaram, sulcam o mar das plataformas petrolíferas e carregam escravos negros da cor do petróleo, do ouro negro da escravidão. Uma coisa que nos é inconfundível como angolanos, é desconhecermos por completo qual será o nosso futuro. A esperança já morreu. E na fome que este desgoverno nos ordena, Angola é o cemitério para a sua população em adiantado estado de decomposição. Só os milhões de dólares petrolíferos vivem para matarem as populações à fome. E a função principal do GPL, Governo da Província de Luanda, é o levantamento desordenado de terrenos livres para neles lá destruírem qualquer coisa. O que se passa em Moçambique é exactamente a cópia de Angola. Os mesmos partidos estão há muito irmanados na mesma causa: destruírem os seus países e aniquilarem as populações. E o que acontece em Moçambique é o desespero das populações que já não têm mais em quem acreditarem. Perguntem ao português José Sócrates, o especialista em piromania africana. Uma boa governação não se vê quando os preços do petróleo andam elevadíssimos, e onde qualquer um governa muito bem. Mas, uma boa governação vê-se quando os preços são demasiado baixos, e aqui não existe lugar para idiotas. Há homens que quando agregados num qualquer comité de especialidade esquecem os amigos, abandonam as amizades de sinal político contrário. E isto é também alimento para o fogo das confrontações e convulsões sociais.
Presentemente, nesta irrealidade o que se passa é a emissão de bilhetes criminais diários praticados por afrontamentos de qualquer indivíduo que nos cerca e nos horripila: «você, vocês, têm que sair daqui, este local é para o Presidente da República». «E o dinheiro que gastei, gastámos, nas nossas casas? E vamos para onde?» «Vamos arranjar-lhes lugar num Zango» E como tal tudo se deseja anormal. É insustentável, é impossível que permaneça assim por mais tempo.
É que o ódio aumenta intensamente, inexoravelmente.

Editorial
Noticiário, Luanda
O Nosso Estimado e Querido Líder
Inaugurou hoje as pioneiras bibliotecas públicas
nos degredados bairros desta cultural cidade
Não, não! Os americanos não fugiram do Iraque
é apenas uma retirada estratégica
Assim como farei (faremos) num futuro
abastado de próximo
Até a esperança espoliámos ao povo angolano
A minha nobre missão é a função de destruir o PR
usurpar-lhe o lugar. Eu e mais a minha equipa
o iremos governar
Um golpe de estado, pronto! Pensam que sou burro?!
ham! ham! Eu sei o que faço.
Adentro atiçando o ódio de tudo e todos contra o PR
e depois das chamas, vencerei!
Eu não estou aqui para jornalizar é para queimar!
Os nossos pirómanos à Nero incendiaram-na
a nossa A Capital em chamas com diluente, um diluimento
hordas das desordens em cumprimento.
E ninguém foi preso. A NKVD só prende opositores
sempre atentados nesses roqueiros dos santeiros
Mas não há por aí alguma oposição (?) para protestar
uma manifestação?
E o Justo Justino?! Fala, fala, parece muito vaidoso
Mas o Martin Luther King fazia manifestação
E o Justo Justino não! Mas que atrapalhação
Ninguém sabe o que fazer, não! não!
Este é o derradeiro colonialismo na sua mais atroz
legal e moderna crueldade.
Onde há petróleo as populações extinguem-se
Que ninguém se iluda! Nós estamos no poder
destruir Angola com o apoio internacional
incondicional da camaradagem chinesa
a espoliação total e completa de Angola serão certas
«Papá! Papá!» «Fala meu filho!»
«Pelo amor de Deus! Tira o MPLA daqui depressa!»
«Meu filho, em Angola, Deus premeia os maus e castiga os bons»

Nestes tempos do José dos Ribeiros Tormentosos
a história da Maria Antonieta prevalece
não enobrece, repete-se

«Angola é o único país que assinala o 8/Setembro como sendo o dia internacional do jornalista»


É mais uma originalidade angolana, das poucas que a teimosia da inércia e do orgulho ferido vai conservando no parque jurássico das recordações de um passado que parece querer regressar todos os dias.

In morrodamaianga.blogspot.com/

domingo, 12 de setembro de 2010

Dirigente da UNITA morta a pedrada


Huambo - Anastácio Vianeke, secretário provincial da UNITA no Huambo, acusa o MPLA de ter morto a pancadaria a presidente da LIMA de Calilongue, Mundundu, município do Ukuma.

Bastidores
Sexta, 10 Setembro 2010 11:06
*António Capalandanda
Fonte: Voz da America CLUB-K.NET

Em declarações a Voz da América, o político disse que, a dirigente da organização feminina do Galo Negro foi apedrejada pelos militantes do partido no poder, pelo facto de ter vestido uma camisola e lenço com o timbre da sua organização partidária.


“ No dia 3 de Agosto de 2010, foi morta a pancadaria, a pedrada, a Srª. Paulina Chinossole, presidente da LIMA do Mundundu, sector de Calilongue, só pelo facto de ter trazido posta a camisola da UNITA e um lenço também com o timbre da UNITA. Foi morta a pancadaria por dois homens e quando se acompanhou os rastos desses homens esses rastos foram ate a casa do secretario do MPLA nesse mesmo sector de Calilongue.”

Paulina Chinossole de 46 anos de idade foi assassinada, segundo a fonte, na noite de 3 de Agosto de 2010, na mesma altura em que elementos supostamente afectos ao MPLA incendiaram a casa do secretário do comité local dessa formação política.

Acrescentou ainda que, o incidente ocorreu após o governador da província, Faustino Muteka, ter orientado as forças armadas angolanas, policia nacional, bem como as autoridades tradicionais e membros do MPLA para a pratica de intolerância politica.

“ No mesmo dia a noite queimaram a casa do secretario da UNITA daquela área, nesse momento, o secretário está sem casa, sem nenhum haveres, tudo ficou queimado” lamentou o dirigente.

Vieneke avançou que, “ no dia 4 são detidos quatros elementos familiares da malograda: são sobrinhos, irmãos, detidos pela polícia do Mundundu e consequentemente enviados para Ekuma.”

A Voz da América, tentou sem sucessos ouvir as autoridades províncias. Entretanto, numa carta dirigida ao delegado provincial do Ministério do Interior, com conhecimento da direcção da UNITA , Faustino Muteka, exigira a abertura de um processo de investigação e apuramento dos motivos que levaram esse acto bárbaro, punindo os infractores.

No seu relatório a que a Voz da América teve acesso, o Galo Negro conclui que, desde a vigência do governador, Fautino Muteka, os administradores municipais e comunais não aceitam receber os membros do seu partido para saudações, muito menos para conversações e debates.
A malograda deixa viúvo e cinco filhos.

sábado, 11 de setembro de 2010

Com o MPLA a nossa morte é certa! Nem os peixes lhe escapam


Mais um desastre ecológico. Ilha de Luanda, peixe morto por todo o lado.
Hoje, 11 de Setembro, no noticiário do almoço da Rádio Ecclesia, que nos espantou com a notícia de que no início da ilha de Luanda e zonas marítimas limítrofes, toda a espécie de peixe jaz morta na superfície marítima.

Depois do extermínio do mercado Roque Santeiro, agora é a vez do grande mercado marítimo. Este MPLA está louco incurável. Alguém que o pare, antes que seja demasiado tarde.

Sabe-se que nessas zonas existem empresas que prestam serviços à Sonangol como subsidiárias, claro, e os resíduos venenosos deitam-nos para o mar. E como a palavra de desordem do MPLA é matar! Matar! Está tudo certo.

Este MPLA é um exímio matador. São estas as promessas da tal vida e de um futuro melhor.

Entretanto a nossa estimada Isabel dos Santos move-se no Mussulu. É tudo dela e deles. Também desloca, altera, destrói os fundos marinhos do Mussulu, a comida das espécies, os viveiros, para dar passagem a barcos de grande porte. É só turismo em mais uma ilha Santoro.

E com essa destruição dos fundos marinhos… o peixe foi-se. Há mais de um mês que os nativos de lá para sobreviverem comem apenas arroz. (imposição pela força do arrozal comunista chinês (?).

Agora o MPLA decidiu o método final para nos acabar de vez: o envenenamento.

Com o MPLA a nossa fome é:
CERTA!

E no Mussulu todos os povos estão a ser escorraçados porque o poder Santino e Isabelino vendeu-se, vendeu e vende Angola à estrangeirada, uma coisa que nem sequer lhes pertence, pois Angola é dos seus ancestrais e actuais naturais, não agora desta meia dúzia de imorais.

E contra estes aventureiros os nativos vencerão.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Editorial – 1. A maioria qualificada real desqualificou a “maioria qualificada” virtual


Maputo (Canalmoz) - Depois do 05 de Fevereiro de 2008, que abalou Maputo e outras grandes áreas urbanas do País, o Povo voltou a protestar. Falou, falou, falou, ninguém o quis ouvir, até que teve de dar nas vistas para os autistas não continuarem a ignorar quem já partiu o cinto de tanto o apertar. Não foram os “sem rosto”que se rebelaram. Foi o Povo! Foi a “Maravilhosa” maioria qualificada real que respondeu ao silêncio da chamada “maioria qualificada” – a virtual – que se esqueceu que há mais moçambicanos que não podem esperar mais por pão para a boca e estavam incapazes de se conterem.
Nós há muito que vínhamos avisando. Nem de propósito voltámos a avisar, em Editorial, na nossa última edição de quarta-feira 01 de Setembro (impressa de véspera), cuja distribuição foi afectada pelas manifestações e por isso só chegou às mãos dos leitores na sexta-feira 03 de Setembro.
Esses últimos acontecimentos violentos de 01 e 02 de Setembro, que paralisaram completamente as cidades de Maputo e Matola – o chamado ‘Grande Maputo’ – vieram mais uma vez provar a importância do diálogo como via privilegiada para se revolverem disputas.
O governo voltou a dar provas de que prefere o confronto. Assim abriu caminho para a violência se instalar. Mandou as forças policiais abrirem fogo sobre os manifestantes. Fizeram-no com balas reais. Vimos povo a matar povo. Vimos esfomeados a balear esfomeados. Ficou o luto, as feridas, os novos heróis. O Povo continua com fome. Mas parece que finalmente o Conselho de Ministro abriu os olhos e rendeu-se aos governados. Fez-se luz na cabeça dos senhores que precisaram de fomentar a desordem com o seu autismo para que as soluções fossem avaliadas e encontradas. Mais uma vez foi preciso o povo encostar o Governo à parede.
Até dentro da própria Frelimo, o partido no poder, havia muita gente a celebrar o entalão que o Povo deu ao seu presidente Armando Guebuza e seu governo. Imperava o cinismo. O Governo rendeu-se. Ficou uma vez mais provado que o Povo sempre vencerá.
Esqueceram-se mais uma vez, certos senhores que se julgavam donos e senhores absolutos de Moçambique, que o País não pode voltar a ser palco de violência.
Contudo, foi necessária violência para acordarem.
Defendíamos e defendemos que é preciso financiar o Povo e deixar funcionar a economia.
Entendemos que as medidas anunciadas são um bom começo, mas ainda não são a solução.
É preciso reduzir os impostos para se alargar efectivamente a base tributária.
É preciso acabar-se com o compadrio. É preciso pôr-se termo ao nepotismo.
É preciso acabar a protecção à fuga ao fisco pelos ‘empresários’ do regime.
É preciso mandar parar a compra desenfreada de viaturas de luxo para os senhores ministros, magistrados e quejandos do aparelho de Estado e institutos públicos.
É preciso acabar com os meninos do regime a alienarem bens do Estado a torto e a direito.
É preciso pagar melhor a quem trabalha.
É preciso que o trabalho dê para comer.
É preciso que se deixe de perseguir empresas que não pertencem aos que não são da ‘tal elite’.
A cegueira, a luta pelo poder, o autismo, está constantemente a levar-nos para o abismo. E foi isso que fez com que o Povo se revoltasse.
Pena que tivesse sido necessária a violência para o Governo aprender a ouvir. Só sabe ouvir à força. Porquê?
Os que só pensam nos seus próprios umbigos têm de reflectir. São eles os agitadores. Os malandros têm rosto. O povo tem rosto. Já todos sabemos quem é quem.
Como jovem nação, já pagámos um preço elevado pelo facto de uma certa formação política ter-se assumido, ao arredio dos fundamentais princípios democráticos, como força dirigente do Estado e da sociedade, vedando o acesso das demais sensibilidades políticas nacionais à coexistência e à harmonia. Reprimiram as vozes dissonantes. Suscitaram violência. Só ouviram com violência.
É preocupante que menos de duas décadas após uma tenebrosa guerra civil, voltemos a escutar vozes que fazem eco de clichés que ainda ressoam nos ouvidos de todos os moçambicanos em vários cantos desta Pátria de todos nós. São sempre as mesmas vozes do tempo em que irmãos se digladiavam pelo resgate da democracia amordaçada à nascença. São sempre os mesmos e seus pares.
Desta vez foi o ministro do Interior José Pacheco e o seu constante mau hábito de lançar achas na fogueira. Já o havia feito aquando dos tristemente célebres acontecimentos de Montepuez e de Mocimboa da Praia, quando era governador provincial de Cabo Delgado. Lá mandou matar gente. Agora voltou a mostrar a sua verdadeira face, porventura do regime e de toda uma pretensa ‘elite’ decadente, corrupta e completamente alienada, ao afirmar que os que estavam nas ruas a protestar contra a opulência e contra a carestia de vida são “bandidos, malfeitores e marginais”.
Esqueceu-se o ‘bom’ do ministro Pacheco que “pó seco” voa.
Esqueceu-se o ‘bom’ do ministro que é difícil os ‘sem pão’ entenderem os argumentos dos que esbanjam fundos do erário público com luxos extravagantes.
Esforçou-se o ‘bom’ do ministro por demonstrar a sua superioridade, mas saiu-se mal. Só deitou mais petróleo na fogueira. Tornou-se o principal responsável pelos prejuízos. Devia ter vergonha e demitir-se. Será que tem nível para isso?
A sua formação político-partidária voltou a exibir a sua mediocridade.
O país não é de um punhado de senhores.
O país somos todos nós.
Os moçambicanos são milhões.
O Povo tem face. Tem rosto e tem estômago. Tem fome.
Mais ainda: o Povo está farto de corruptos. Está cansado de quem finge que trabalha. Está farto de quem não tem soluções. Está farto de quem passa a vida a prometer coisas que nunca acontecem, que nunca se fazem.
Está farto daqueles que se esforçam por sufocar o desenvolvimento.
O Povo está farto de ver as mesmas estradas serem construídas várias vezes.
O Povo está farto de não ter estradas para escoar a produção.
O Povo está farto de ver as terras nas mãos de improdutivos.
O Povo está farto de ver serem construídas pontes sem estrada de um lado e do outro como acontece com a Ponte da Unidade recém inaugurada no Rovuma, entre Moçambique a Tanzania.
O Povo está farto de produzir para tudo depois apodrecer.
O Povo está farto de quem recorre ao fausto e à ostentação para intimidar os outros.
O Povo está farto de quem promove a exclusão.
O Povo está farta de ver o dinheiro dos impostos e dos doadores ser esbanjado em passeios político-partidários, de primeiras damas e quejandos.
Os miseráveis cansaram-se de ser ofendidos por hipócritas que vivem entranhados em alianças com o submundo do crime organizado.
Não se responde às barrigas vazias ou ao contar dos trocos quando o mês ainda vai novo, com argumentos vazios, acompanhados do estalar de mais escândalos reveladores do nepotismo implantado, desde Semlex’es aos Kundumba’s e outros pós.
Agora o Governo encontrou algumas soluções. Veremos que outras medidas mais vai tomar daqui em diante. O que se decidiu não chega. É um bom começo, mas não basta. É preciso que haja remodelações no governo. Menos ministérios. Há ministérios a mais que não servem para nada. Só servem para gastar dinheiro do Estado e acomodar incompetentes.
Por outro lado há mais Moçambique para além de Maputo à espera de outras soluções.
Faz falta também mais predisposição para o diálogo, menos obcecação pelo poder e mais democracia.

(Canal de Moçambique) 2010-09-09 07:16:00
Imagem: meiobit.com

Assassinado locutor de emissora ligada à UNITA


Pretoria (Canalmoz) - O locutor Alberto Graves Chakussanga da Rádio Despertar foi assassinado na sua residência no Município de Viana em Luanda no último domingo, dia 5. A Rádio Despertar mantém, desde a sua fundação, uma posição contrária ao regime no poder em Angola.
Um comunicado emitido em Nova Iorque pelo Comité para a Protecção de Jornalistas (CPJ) afirma que as autoridades angolanas devem levar a cabo “investigações aturadas e independentes tendo em vista explorar todas as pistas possíveis de forma a chamar a juízo os responsáveis pelo crime”.
O assassinato do jornalista angolano ocorreu poucos dias após o Ministério da Comunicação Social (MCS) de Angola ter repudiado a postura da Rádio Despertar por alegadamente “nos seus conteúdos informativos incitar a população a rebelar-se contra as instituições legalmente constituídas e democraticamente eleitas”. O MCS considera que “esta postura viola os princípios constitucionalmente consagrados sobre o exercício da liberdade de imprensa, pondo em causa o processo de reconciliação nacional, a consolidação da paz e da estabilidade social que os angolanos perseguem.”
No dia anterior ao assassinato do locutor da emissora que substituiu a Voz da Resistência do Galo Negro (Vorgan) em Abril de 1998, o Bureau Político do partido no poder (MPLA) afirmava em comunicado saído da sua 3ª reunião ordinária, “conhecer indivíduos – recrutados – para denegrir, a qualquer preço, a imagem do seu Presidente.”
Reagindo à posição assumida pelo MPLA e o regime que dirige, a Rádio Despertar declarou que a sua “linha editorial pugna pelo pluralismo e defesa dos valores democráticos”, acrescentando que “a democracia é o regime em que todas as vozes devem ser ouvidas”, acrescentou.
O assassinato de Alberto Graves Chakussanga é mais um caso em que forças ocultas decidem silenciar jornalistas incómodos. A 18 de Janeiro de 1995, o director da publicação independente, ImparcialFAX, Ricardo de Melo, foi assassinado em Luanda. As autoridades nunca apuraram as circunstâncias da morte de mais esta voz de uma comunicação social não comprometida com o regime no poder. (Redacção / Club-k.net)

2010-09-10 06:32:00

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

MPLA teme revolta popular


Luanda - MPLA mostra-se receoso que a população em Angola proceda contra si, a semelhança do que aconteceu em Maputo, onde o povo saiu as ruas para rebelar-se contra o regime da FRELIMO. Esta terça-feira, o partido no poder em Angola segundo a Angop, considerou ser "uma situação grave e preocupante para o país", supostos “apelos sucessivos à desobediência civil” atribuídos a responsáveis da UNITA, através da Rádio Despertar”.

Fonte: JA/CK

"Não podemos cair em atitudes impensadas"

Numa conferência de imprensa convocada ontem, em Luanda, o secretário para a Informação do partido no poder, Rui Falcão, declarou que os "apelos sucessivos" começaram a surgir na segunda-feira na Rádio Despertar e têm respaldo nos recentes discursos de alguns dirigentes da UNITA, em particular do seu presidente.

Ao mesmo tempo que pede aos militantes, simpatizantes e amigos do MPLA a não reagirem a quaisquer provocações, incitações ou convites que contrariem a ordem instituída, Rui Falcão sublinhou que o MPLA tudo tem feito para melhorar a vida dos angolanos.

"Não podemos cair em atitudes impensadas e irreflectidas trazidas por pessoas que nada fizeram por este país, que o destruíram e continuam, pelas mais diversas formas, a querer atingir o poder", disse, acrescentando que o poder só é legítimo quando as atitudes são democráticas, o que não é o caso.

Rui Falcão lembrou, ainda, os avanços registados nas áreas económica e social. Explicou que o país saiu de uma situação de inflação endémica, com taxas mensais acima dos três mil por cento e que este ano deve ficar em torno dos 13 por cento. Para 2011, indicou, a inflação pode, pela primeira vez na história do país, ficar em um dígito.

"Isso pressupõe mais disponibilidade para o investimento público, mais crescimento, mais emprego e redução da miséria", disse.

Rui Falcão afirmou que é pensando nos angolanos que o MPLA continua a trabalhar na melhoria da governação e na gestão da coisa pública. "Conquistámos a paz e, fruto disso, obtivemos a estabilidade social e económica e estamos entre as economias que mais crescem no mundo. Mas há ainda quem não esteja satisfeito com o crescimento que Angola tem vindo a conquistar", disse.

Rui Falcão lembrou que os sinais de apelos à desobediência começaram a ser visíveis há cerca de um mês, quando um cidadão, intitulado como membro da UNITA, denunciou publicamente o conteúdo de teses preparadas para a JURA, Juventude do partido UNITA. Explicou que alguns dirigentes se apressaram logo a desmenti-lo. "Como se tratava de uma querela interna, entendemos que não devíamos nos imiscuir nos assuntos internos", frisou.

Na sexta-feira, o Bureau Político do MPLA repudiou, em comunicado saído da sua terceira reunião ordinária, a "estratégia seguida e suportada por diferentes instituições estrangeiras, perfeitamente identificadas, e organizações e indivíduos, incluindo cidadãos nacionais, recrutados para servirem de pontas-de-lança, visando manchar tudo quanto o Poder Executivo faça".

A atitude, segundo o comunicado, é a de tentar denegrir, a qualquer preço, a imagem do Presidente e o bom desempenho da economia angolana, mediante a criação de factos e o levantamento de suspeitas permanentes, com o propósito único de reduzir o apoio popular que tem merecido, condicionar o investimento estrangeiro no país e mitigar a diferença nas próximas eleições.

O comunicado acrescentava que a estratégia visa "derrotar o MPLA para entregar o poder àqueles que sempre serviram os seus interesses". "Conhecedor da estratégia gizada por essas organizações e instituições estrangeiras, aliadas a organizações e cidadãos nacionais contratados, o Bureau Político apela a todos os militantes a manterem-se firmes no cumprimento dos ideais do MPLA", sublinhava a nota.

«Angola é o único país que assinala o 8/Setembro como sendo o dia internacional do jornalista»


É mais uma originalidade angolana, das poucas que a teimosia da inércia e do orgulho ferido vai conservando no parque jurássico das recordações de um passado que parece querer regressar todos os dias.
In morrodamaianga.blogspot.com/

Ecos de tumultos em Maputo e Matola. Governo deve explicações ao povo sobre a produção de trigo



– considera o ex-estadista moçambicano, Joaquim Chissano, que apela para um diálogo permanente entre o executivo e a população

Maputo (Canalmoz) – O antigo estadista moçambicano, Joaquim Chissano, considera que uma vez que a população não sabe que não se produz trigo em Moçambique, nem de onde é que vem, muito menos sabe que há uma crise mundial desse mesmo cereal, o Governo deve descer à base e explicar isso e mais ao povo moçambicano. Joaquim Chissano respondia assim a uma das perguntas colocadas pelos jornalistas, na Praça dos Heróis, por ocasião da deposição de uma coroa de flores pela celebração de 36º aniversário da assinatura dos Acordos de Lusaka. A pergunta esteve enquadrada nos tumultos havidos entre 1 e 2 de Setembro corrente. Segundo ele, é preciso explicar à população que o trigo não é uma questão da vontade do Governo.
Para evitar as manifestações como as que se registaram semana passada nas cidade de Maputo e Matola, motivados pela subida galopante dos preços dos produtos da primeira necessidade, é necessário, segundo Joaquim Chissano que haja um diálogo permanente entre o Governo e a população.
Chissano foi mais longe ao afirmar que é preciso sentar-se à mesa com a população e explicar os processos pelos quais são desembolsados os fundos do Estado.
De acordo com o o ex-chefe de Estado e presidente honorário do partido Frelimo, não é fácil prever o que é preciso explicar porque as populações também fazem perguntas vagas, principalmente naquilo que não sabem. Chissano acusou, implicitamente, a população de estar a criticar o Governo sem antes perceber as razões que originam as tais críticas. “Por vezes é por ignorância de um processo. Eles não têm base para perguntar e, por isso, torna-se um processo muito difícil”, opinou implicitamente apelidando a população de ignorante.
O ex-estadista virou o cano para a imprensa e disse que esta pode desempenhar um papel didáctico fundamental, mesmo havendo tendências que admitem que esse não é seu trabalho. Contudo, apelou para que se faça esse trabalho como maneira de explicar à população, por exemplo, o que se passa com o petróleo, com os preços de produtos que sobem ou descem. Em suma Chissano está a propor que a Imprensa faça política e os políticos deixem de fazer o que lhes compete.

(Egídio Plácido)

2010-09-08 07:19:00

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Bantus bajuladores poluídos


No interior dos prédios, os bajuladores partem e erguem novas paredes. Pouco tempo depois voltam a partir o que construíram e reerguem. Este é também um método da lavagem de dinheiro. Enquanto no exterior as ruínas continuam em risco de desabamento.
E o coro gospel ainda em formação bajuladora já tem presidente, vice-presidente e director técnico. É de certeza um coro da política gospel.

E um dos melhores investimentos é a bajulação
Bajulação é poluição. Tem desgovernadores e vices-desgovernadores
que analfabetizam o angolano
Sem bajuladores que seria dos ditadores
Ai! Esta Angola, esta nação nunca sobreviverá sem bajulação
Bajulação sempre para o aniversariante da nação
Esta Angola é de um fazendeiro com milhões de escravos
A bajulação é a arquitectura da destruição desta nação
E muito brevemente, naturalmente veremos erguer-se
finalmente o comité de especialização
da angolana bajulação
Que mais tarde se auto-promoverá
em mais outra afundação
na Angola dos bajuladores e dos afundadores
que afundam a nação
Vote no partido da bajulação, no admirável homem novo de Angola
(Que os chineses trabalham dia e noite
pois, mas o custo da obra duplica)
bajulador que definha o povo
esta população que não respeita nada nem ninguém
atolada na bebida porque escolheu o suicídio
da Nova Vida
Farrapos humanos que se arrastam nas nuvens negras
da existência presente. O amanhã não existe
Bebe-se no presente, no futuro da morte
Luanda não é uma cidade capital é um vasto cemitério
E Angola não é um país, é uma agência imobiliária
E todos os milhares de mortos pela independência foram-se em vão
E o nosso Querido e Imortal Líder com o cortejo fúnebre
(até os ratos fogem dos bajuladores) do seu exército nas ruas bélicas
vai para a guerra no campo de batalha de Luanda
Há muito que o povo angolano não vive de sonhos
acorda com pesadelos
Até dos restos mortais nos cemitérios erguem condomínios
Angola é o principal importador mundial de demónios
Estes libertadores são como Jesus Cristo
mas eles realmente existiram?!
E os chineses exportam o seu pó para Angola
Os coitados dos paquistaneses estão inundados de água
a nós invadem-nos de poeira
Mais um dia negro findou. Preparo-me, como é anormal
para tentar dormir. Para enfrentar mais um dia de selva bajuladora.
Mas, será que os selvagens da bajulação me permitirão dormir?!
E os homens novos das Novas Vidas libertam-se no infernal barulho
dos escapes livres das suas motorizadas.
Mostram-nos o horripilante estrondo da Angola da banana podre
Bajulador é que tem futuro!


Canal de Opinião : por José Flávio Pimentel Teixeira, 3 Set, 2010, 1h45. O Contrato Social



Maputo (Canalmoz) - Paulo Granjo, antropólogo português que há muito vem trabalhando em Moçambique, publicou no jornal Público o artigo “A Razão e o Sentido de Dois Motins”, sobre a situação em Maputo. Para ler com atenção, em articulação com o texto que colocou no seu blog: “Novos Motins em Maputo e Maria Antonieta na Costa do Índico“. Face a este último texto, mais completo (o jornal tem limites de espaço), tenho duas notas: uma irritação profunda; e uma discordância.
A irritação. Ao saber da proposta da substituição do pão (base da alimentação urbana) pela batata-doce e outros produtos imediatamente me lembrei da história de Maria Antonieta. Para quem não a saiba aqui a resumo: diz a história, muito provavelmente apócrifa e que contra ela foi usada na altura, que esta rainha de França tendo sido defrontada pelos pobres com pedidos de pão lhes terá respondido “se não têm pão que comam brioches”. O dito, por mais falso que tenha sido, ficou como símbolo da insensibilidade governativa – até pelo triste fim que a rainha veio a ter (guilhotinada após a revolução de 1789). E Paulo Granjo antecipou-se na “postagem”, inutilizando-me um proto-post, coisa que os bloguistas encartados raramente perdoam.
A discordância. Granjo avança como explicação para os acontecimentos a ideia da existência de uma particular concepção de poder, “tradicional” e “africana” que ancora o contrato social [para interessados no texto tem uma ligação para um artigo académico em que desenvolve o tema]. Ou seja, considera que pela vigência dessa ideia de “poder” “só em casos extremos deverá ser posto em causa o poder instituído; mas pressupõem, também e em contrapartida, que quem ocupe esse poder tem a obrigação de salvaguardar um mínimo de bem-estar e de dignidade das pessoas que governa. Pode (e tem o direito de) «comer mais», mas não de «comer sozinho» e à custa da fome dos outros.”.
A minha discordância não se prende com questões sobre a hipotética especificidade (e como tal da sua dinâmica explicativa), da realidade ou abrangência dessa proposta concepção “tradicional” ou “africana” de poder. Num registo destes (in-blog) o que me parece é que esta proposta interpretativa está presa a discursos locais (não “aos” discursos locais) – não o digo como defeito, digo-o como característica. E se assim é, se estamos face a discursos locais [às vezes a gente chama-lhes émicos] permite uma resposta nos mesmos termos. Através do dito popular, tantas vezes repetido de norte a sul, e significando (criticamente) a prática do poder: “os cabritos comem onde estão amarrados“. Entenda-se, o voraz cabrito onde amarrado come, não contratualiza.

(José Flávio Pimentel Teixeira, antropólogo, residente em Maputo)

2010-09-06 07:49:00
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Canal de Opinião: por Daniel Oliveira, in (www.arrastao.org). Libertaram o povo e esqueceram-se dele



A violência em Maputo explica-se pelo abandono a que o povo está entregue e o autismo em que vive a elite política. Os moçambicanos aceitam o poder instituído. Aceitam que ele coma mais do que todos. Mas não aceitam que coma sozinho.

Maputo (Canalmoz) - Como em 2008, Maputo explodiu em violência. Dez mortos. A miséria explica. A dúvida permanente em relação ao mais elementar que a sobrevivência exige também explica. Se nada é previsível não há ordem possível. E se o abandono é total e as elites políticas não garantem o mínimo dos mínimos não há autoridade que mereça ser respeitada.
Como explica o antropólogo Paulo Granjo , conhecedor da realidade moçambicana, o contrato social ali em vigor sustenta-se "em dois pilares aparentemente contraditórios, mas que deverão estar minimamente equilibrados: pressupõem, por um lado, que só em casos extremos deverá ser posto em causa o poder instituído; mas pressupõem, também e em contrapartida, que quem ocupe esse poder tem a obrigação de salvaguardar um mínimo de bem-estar e de dignidade das pessoas que governa". (http://antropocoiso.blogspot.com/2010/09/novos-motins-em-maputo-e-maria.html). Melhor ainda: o poder "pode (e tem o direito de) comer mais", mas não de "comer sozinho" e à custa da fome dos outros. Apesar de longe da pornografia angolana, a elite politica moçambicana não é apenas corrupta. É gananciosa na sua corrupção. E esta ganância é o maior dos pecados das elites nascidas dos movimentos de libertação. Não é a guerra, que talvez fosse inevitável. Não é a fragilidade das suas democracias, a moverem-se em terreno hostil e com uma história de colonialismo contra si. É aquilo que dependia destes líderes: ao menos garantirem o mínimo dos mínimos. E pelo menos por isso só eles podem ser responsabilizados.
Perante aumentos de preços de muitos produtos essenciais e do pão em cerca de vinte por cento, um responsável político teve o desplante de propor que os moçambicanos comessem mais batata doce. Qual Maria Antonieta, esta elite aristocrática que já se disse socialista vive completamente alheada do ansiedade quotidiana do seu povo. Não se limita a enriquecer à sua custa. Não se limita a roubar. O povo pura e simplesmente não existe para eles.
Esta explosões de violência, sem destinatário claro nem caminho, é o grito desesperado de um País entregue à sua sorte. A verdade é que a maioria dos líderes africanos soube libertar os seus povos. Mas depois esqueceram-se deles.

(Daniel Oliveira)

2010-09-06 07:50:00
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Canal de Opinião: por Paulo Granjo (*), in Jornal Público, Lisboa 02 Setembro 2010. A razão e o sentido de dois motins



Maputo (Canalmoz) – A revolta de 1 e 2 de Setembro corrente, em Maputo, vista, de Lisboa, pelo antropólogo Paulo Araújo, mereceu a nossa atenção e aqui a reproduzimos com a devida vénia:
Tal como em 5 de Fevereiro de 2008, Maputo viveu ontem um dia de barricadas de pneus ardendo nas ruas, pedradas a carros e montras, cidadãos mortos pelas balas das forças policiais.
Também como nesse Fevereiro, o motim foi convocado em rede por SMS e boca-a-ouvido, alastrando em bola de neve de um bairro popular a outro, à medida que o fumo das barricadas vizinhas ia sendo avistado.
Como em 2008, o móbil imediato dos protestos foi a brusca subida de preços. Então, dos "chapas", periclitantes carrinhas que servem de transporte público à esmagadora maioria. Agora, da água, electricidade, pão e arroz - sua base alimentar.
Em ambos os casos, ainda, os aumentos ameaçam as próprias perspectivas de subsistência de uma população que precisa de toda a sua criatividade e desenrascanço para, simplesmente, se manter no fio da navalha. Mas, para esses pobres, mais irritante ainda do que os aumentos foi - em 2008 e, muito provavelmente, agora - verem neles uma desconsideração, por parte de quem decide, para com as suas dificuldades e necessidades mais elementares.
Moçambique passou, com o fim da guerra civil, de um regime socializante e paternalista para uma política ultraliberal que trouxe o aumento do desemprego e das elites económicas, coincidentes ou ligadas às elites políticas. Trouxe também a erosão do controle local da população através de instituições partidário-estatais que, se podiam cometer abusos, também podiam canalizar as necessidades e reclamações populares.
O sentimento que hoje grassa nos bairros populares do Grande Maputo é o de uma incerteza global quanto ao futuro e à própria subsistência e, face ao poder político, a sensação de que as suas dificuldades se tornaram irrelevantes para os poderosos e de que não existem canais por onde as suas necessidades e protestos possam ser canalizadas de forma eficaz.
Esta situação e visão permitem que motins como o de ontem possam ser sentidos como a única forma válida de protesto. E que possam ocorrer sempre que uma nova medida política ameace a sua subsistência, enquanto vêem desfilar perante si o que consideram ostentações de riqueza e desigualdade.
Não quer isto dizer que quem protesta violentamente pretenda pôr em causa o Governo ou o partido que o ocupa desde a independência. Maputo é um baluarte da Frelimo e a maioria dos manifestantes de ontem terá votado nela o ano passado.
Só que a visão dos direitos e deveres entre governantes e governados predominante nesses bairros populares não coincide com o hábito europeu (e das elites políticas locais) de aceitar que basta a um Governo legítimo tomar decisões legais para que também elas sejam legítimas.
Estas pessoas consideram, antes, que o poder instituído não deve ser ameaçado, mas, em contrapartida, tem que garantir o essencial de bem-estar e dignidade às pessoas que governa. O governante pode "comer mais", mas não "comer sozinho", à custa da fome dos outros. Assim, por muito que o poder seja considerado legítimo, uma sua decisão pode ser ilegítima, se quebrar esse dever.
Ou seja, os amotinados de ontem (tal como os de 2008) protestavam contra uma decisão política concreta e protestavam contra a forma como o poder político é exercido. Afinal, protestavam contra aquilo que consideram uma quebra do "contrato social" que estabelecem com o poder instituído a que se submetem. Uma quebra que, com a repetição de motins no essencial iguais, afirmam já não tolerar.
Claro que, a cada novo motim bem sucedido (e o de 2008 era um claro motivo de orgulho nos bairros pobres), mais se reforça a imagem popular de que essa é a única forma eficaz de protesto. O que coloca o Governo moçambicano perante um difícil dilema: ou não cede às reclamações e aumenta exponencialmente a repressão policial, arriscando o apoio financeiro internacional de que depende, ou se torna mais "tradicionalmente" africano, considerador e dialogante, fragilizando com isso as suas práticas mais autoritárias e os actuais padrões de concentração de riqueza. (*) Paulo Granjo, Antropólogo, ICS-UL, in Jornal Público, Lisboa 02 Setembro 2010

2010-09-06 07:51:00
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sábado, 4 de setembro de 2010

Sempre a pensarem naquilo, do 27 de Maio


Sempre com as torpes ameaças, como se o tempo não se movesse.
Mas ele move-se e contraria-vos!
Regressar para lá, é o vosso desejo que contraria o nosso.
Por mais que atentem já não é possível porque a máquina do vosso tempo está descontrolada, brutalizada, parada.

Ainda e sempre sedentos do mesmo sangue. Um 27 de Maio não lhes satisfaz. É necessário renovar os milhares de mortos impiedosamente assassinados por outros renovados.

Que vivam para sempre os ensinamentos dos carrascos do outro 27 de Maio.

E actualmente a vida do mwangole é como se Angola sofresse um brutal tremor de terra.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Canal de Opinião, por Noé Nhantumbo. Quando a arrogância governativa virou a marca registada de um governo...


Falhanço do Black Economic Empowerment?... É preciso olhar para além do óbvio...

Beira (Canalmoz) - As características dos regimes políticos instalados em Maputo e Pretória só diferem de dimensão e de língua oficial utilizada. Pode haver de facto outras diferenças quanto aos manuais de procedimentos mas na essência estamos vivendo sob o signo de dirigentes políticos nacionais mas com a suas economias completamente dominadas por outras pessoas ou corporações que vão ditando o que se faz ou deixa de fazer na esfera económica. Quem governa supunha que entregando de mão beijada tudo ao capital internacional teria todos os problemas resolvidos.
Todo o conjunto de reclamações de populares nestes dois países e especialmente o que agora se verifica na capital moçambicana é fruto de uma governação que nunca soube escutar e entender a voz de seus próprios concidadãos. Imbuídos de espírito e mania de grandeza e de pessoas acima de qualquer questionamento, governantes que foram efectivamente eleitos por povos, se afastaram de maneira vergonhosa dos mais elementares hábitos de boa-governação. Afastaram-se com repulsa da austeridade e da contenção orçamental. Declararam um combate feroz à participação popular nos actos governativos em nome de supostas alegações de “segredo do negócio” e de outras artificialidades que só acabam protegendo uma acumulação feroz dos recursos públicos por eles próprios.
Onde está o peso real do salário mínimo oficial? Como podem os moçambicanos viver com este salário? E quanto a dizer que a culpa é da conjuntura o que isso tem de verdade?
Se na África do Sul a postura dos sindicatos tem obrigado governo local a negociar com os trabalhadores o mesmo não se verifica em Moçambique porque aqui os sindicatos quase que são uma caricatura do termo e do significado do mesmo. Nunca se viu em lugar algum sindicalistas mendigarem ao patronato a compra de camisetes e bonés para celebrarem o dia dos trabalhadores condignamente. As declarações que se ouvem dos diversos quadrantes afectos ao governo do dia tendem a abordar as manifestações populares de Maputo como obra do diabo e de aproveitamento oportunista de alguns bandidos e maltrapilhos.
Mas uma das perguntas que se podem fazer é “quem produziu estes miseráveis todos que agora aparecem estragando o descanso “merecido” da oligarquia governante”?
Quem é que tem gerido a coisa pública de maneira tão secreta e auferido salários e regalias escandalosas quando comparadas com o salário mínimo periodicamente estabelecido?
Para onde vão as nunca referidas contrapartidas financeiras pela exploração dos recursos naturais moçambicanos? Falam de migalhas como algumas realizações enquadradas na responsabilidade corporativa de empresas que lucram escandalosamente extraindo recursos naturais moçambicanos. Que significado e que impacto isso tem realmente para o país? Não se atrevem a abordar a necessidade de renegociação de contratos com a multinacionais como se isso fosse um pecado capital. Porquê?
Ou o país é efectivamente de todos ou então toda a mascarada chamada de governação não passa de artifício para lesar os governados nos seus direitos inalienáveis e fundamentais.
A questão que todos entendem é que não se pode falar utopicamente de igualdade absoluta. As pessoas entendem que o PR merece e deve ter todas as condições que o cargo lhe confere. Mas os cidadãos também entendem que não pode haver coabitação entre o esbanjamento escandaloso de recursos públicos e uma pretensa ofensiva de luta contra a pobreza.
O “empoderamento económico negro” baptizado como forma resolvente das injustiças históricas herdadas dos colonialismos transformou-se em instrumento eficazmente utilizado para o enriquecimento de uma minoria que até dos seus antigos companheiros da luta pela independência se esqueceu.
Se as pessoas se lançam nas ruas e reclamam é porque se sentem sufocadas. Já não aguentam mais viver ou suportar o peso das condições em que os seus governantes os colocaram.
É da responsabilidade dos governos gerirem os diferentes dossiers de interesse nacional e produzir soluções que tragam estabilidade, emprego, dignidade, paz e satisfação das necessidades humanas básicas. Governar não é só usufruir das mordomias que acompanham os cargos mas sobretudo servir os cidadãos utilizando todos os recursos intelectuais, económicos e sociais disponíveis para satisfazer os governados.
Mas a recusa continuada de escutar algumas vozes, que até gratuitamente, tem oferecido alternativas para abordar alguns dos dossiers mais significativos do país, e com possibilidade de libertar ou gerar recursos, que se canalizados para actividades essenciais, estariam oferecendo a números crescentes de moçambicanos outras condições de vida e sobretudo mais dignidade tem sido uma das características da arrogância governativa local.
É preciso tornar realidade o aproveitamento criterioso das condições naturais do país e deixar de sujeitar os governados à importação de tomate e cebola ou óleo da África do Sul. O país até pode produzir o tal trigo que se diz que subiu de preço nos mercados internacional.
É preciso que se diga com a “boca cheia” que alguma coisa de muito grave está falhando na abordagem eleita pelo governo como forma de colocar o país na senda do desenvolvimento. Os paliativos apresentados aos cidadãos como justificação de que alguma coisa está caminhando bem são clara e manifestamente insuficientes. Ao fim do dia os moçambicanos são transportados como “sardinhas enlatadas” para suas precárias casas e seus filhos ficam à espera de um jantar que muitas vezes não é confeccionado porque falta arroz, farinha, caril, carvão. É esta a realidade quotidiana de largos segmentos deste sofrido e martirizado povo.
Aventuras de mercado livre como foi dito as pessoas tem significado um hipotecar real das possibilidades nacionais de auto-sustento e de desenvolvimento de uma economia com significado para os cidadãos. Quem beneficia com a SADC senão a África do Sul e suas empresas?
Políticas de fomento de culturas industriais que só tem em vista beneficiar multinacionais e alguns governantes encarregues de administrar pelouros relacionados, tem se traduzido em défices crónicos, ilógicos e inaceitáveis de alimentos, poluição e desmatamento insustentáveis.
Onde está o governo e o que faz tal governo para criar condições que os moçambicanos aprendam a produzir para o seu sustento e para abastecer a indústria nacional?
Como se pode chamar de governar bem quando se é manifestamente incapaz de alimentar seu povo?
Para que serve toda a consultoria encomendada e todos os acordos de cooperação quando ao fim do dia a maioria só chora de fome?
Tem de haver limites respeitados pelos governantes na execução de suas políticas.
Reprimir ou tentar conferir um carácter de desacatos da ordem pública às manifestações de populares não vai resolver os problemas nacionais.
Este é o tempo de se debater os problemas do país que ultrapassa elogios encomendados ou tentativa de certos media de transferir as culpas para a conjuntura internacional desfavorável.
Não se pode embarcar por medidas tendentes a promover a globalização da economia nacional sem se olhar para o genuíno interesse nacional.
Mesmo os mentores da globalização continuam protegendo seus mercados...
Sem que o governo central se entregue na busca de soluções que se traduzam em desenvolvimento real e no estabelecimento de políticas que se centrem na austeridade e responsabilidade orçamental, a sementeira continuará a ser de conflitos, crises e a utilização da força policial para controlar manifestações.
Temos condições naturais de passar a produzir pelo menos a nossa alimentação sem termos que sofrer sempre alegando que a conjuntura internacional se altera ou é manipulada para esse fim.
Neste momento de crise o que se pede as autoridades governamentais e a todos os políticos é que assumam as suas responsabilidades.
Ceifar vidas humanas não é decerto o caminho a seguir.
Queremos tudo menos um governo arrogante e irresponsável.
Se há que “apertar o cinto” que sejamos todos a fazê-lo...

(Noé Nhantumbo) 2010-09-03 08:08:00
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Entre Governo e manifestantes. Presidente do MDM apela ao diálogo e respeito mútuos




Beira (Canalmoz) - O presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, teceu ontem duras críticas à governação chegando mesmo a afirmar que “a crise evidencia os limites e as fraquezas que o Governo de Moçambique tem em construir um Moçambique para Todos”.
O orador convidou, ao princípio da tarde de ontem, a comunicação social na Beira, para apelar para o diálogo. Face às manifestações violentas que ocorrem nas cidades de Maputo, Matola, e timidamente, nas cidades de Macia, Chibuto, Chókwè, Maxixe, Beira e Nampula, Daviz Simango defende que se deve encontrar uma plataforma de entendimento tendo em vista ultrapassar o impasse, privilegiando-se o diálogo, respeito mútuo e valorização da vida humana.
Segundo o presidente do MDM, o Governo do dia deve encontrar mecanismos para atenuar o custo de vida, particularmente dos produtos de primeira necessidade, através de medidas de alívio da carga fiscal.
O MDM, pela voz do seu presidente, defende ainda a a redução das despesas públicas, políticas agrárias claras e que se leve a sério a promoção de infraestruturas vitais para a produção de alimentos e a sua comercialização.
Também defende que se deve aproveitar os recursos internos, como o gás, para consumo público a preços acessíveis, adoptando-se igualmente medidas urgentes para a sua transformação interna em energia designadamente eléctrica.
Daviz Simango,que para além de presidente do MDM é presidente do Conselho Municipal da Beira, invocou que os fundos de reversão de Cahora Bassa sejam bem utilizados e renegociados os preços de exportação de energia de que beneficiam os grandes projectos como a Mozal, Sasol, areias pesadas, etc..
O líder do MDM pediu aos manifestantes para não vandalizarem os bens públicos, privados e dos cidadãos e, ao mesmo tempo, pediu que a Polícia prescinda de utilizar balas reais para a manutenção da ordem pública.
Defendeu ainda a necessidade de capacitação dos agentes da polícia para eventualidades futuras do género.
O presidente do MDM recomenda que se rompa com a artificial separação das chamadas “áreas” social e económica. “Não se pode esperar que a área social resolva o problema da pobreza enquanto a área política continua a promover a exclusão”.
“O combate à pobreza implica necessariamente um amplo e sustentável processo de distribuição da riqueza”, disse Daviz Simango.
O presidente do MDM lamentou a perda de vidas humanas e lamentou que esteja a haver vítimas com os acontecimentos violentos em curso. Afirmou que o MDM continua atento ao desenrolar dos protestos dos manifestantes e prometeu que exercerá o seu papel para que o desenvolvimento social de todos os moçambicanos seja uma realidade.
Todavia, Simango não deixou de lançar críticas ao Governo. Falou das políticas macroeconomias e para além de referir que têm sido mal sucedidas disse ainda que não estão à altura das responsabilidades e dinâmicas que a crise impõe.
“O Governo revela-se incapaz de criar uma estratégia para o relançamento da economia moçambicana, pois o mesmo sempre se recusou a desenvolver políticas comuns para defender o emprego, dinamizar as pequenas e médias empresas, a agricultura e melhorar a protecção social das famílias mais desfavorecidas”, disse a certa altura o presidente do MDM.
Acrescentou que “a crise evidencia os limites e as fraquezas que o Governo de Moçambique tem em construir um Moçambique para Todos”.
Daviz Simango criticou a ausência de medidas da parte do Governo para assegurar a satisfação das necessidades básicas dos cidadãos, bem como para a transformação da energia e água em catalisadores por excelência do desenvolvimento económico e social, tendo em conta tratar-se do tal “Made in Mozambique”.
Simango também deplorou a lentidão na construção de infraestruturas para dinamizar o desenvolvimento e escoamento dos produtos agrícolas para os mercados, a imposição dos preços dos combustíveis e a arrogância dos membros do executivo no tratamento das motivações dos manifestantes.

(Adelino Timóteo) 2010-09-03 08:12:00
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Editorial. Com Governo de Guebuza. Vida dos moçambicanos tornou-se um mar de espinhos



Maputo (Canalmoz) - A vida para a maioria esmagadora dos moçambicanos nunca foi um ‘mar de rosas’, mas agora é, seguramente, um ‘mar de espinhos’. Tudo subiu, menos o poder de compra. E, sem comida, o que se pode esperar de quem não tem nada a perder? O que se pode esperar de quem acreditou que se estava realmente a ‘combater a pobreza absoluta’ e agora viu que afinal ainda havia mais pobreza para além da que já sentia antes?
Evidentemente que só bom senso nos pode salvar. Mas, nesta altura, em que o “vinho já vai para vinagre, não retrocede o caminho; só por obra de milagre pode de novo ser vinho”, disse um dia o poeta português analfabeto, António Aleixo, em dias que em Portugal, o seu País, também governavam semelhantes auto-proclamados insubstituíveis.
Do Governo em funções só podemos esperar mais asneiras. Umas atrás das outras que já vimos, foram suficientes para agora o país estar de rastos. Começou pelos combustíveis e vai agora em alta velocidade a caminhar para as obrigações de tesouro com o Estado já de calças rotas. Os próprios bancos não tardarão, a não emprestar dinheiro aos privados porque já emprestaram tudo ao Estado.
O cenário que nos envolve é esclarecedor. Tudo a subir de preço e cada vez menos dinheiro para comprar. Pior: as empresas de tão depauperadas estão sem maneira de pagar melhor. O pão subiu. O gasóleo ainda só está a dois cêntimos de 31 meticais o litro, em Maputo, Beira e Nacala. Em todo o país a promessa do governo aos transportadores, há muito que foi violada. Em Inhambane, por exemplo, um litro de gasóleo já está a 34,30 MT o litro.
As moedas em que importamos as mercadorias valem hoje cerca de 40% mais, no caso do dólar americano, e mais de 100% mais, no caso do Rand. Por outras palavras o Metical vale menos 40% em relação ao dólar e vale metade em relação ao Rand comparativamente com o ano passado. Onde vão as promessas de Guebuza durante as eleições de 2009?
O país importa mais do que produz. Cada vez produz menos. As indústrias fecham umas atrás das outras. Os governantes estão mais virados para os seus negócios privados do que para governar. No Estado imputam os custos. Os familiares dão os seus nomes aos negócios encobertos dos ministros e até do presidente. Os lucros metem na algibeira. Sociedades do lado de lá da fronteira é negócio chorudo. Vida mais cara do lado de cá significa mais ‘mola’ do lado de onde se importam os produtos que não produzimos.
Para nos continuarem a enganar querem iludir-nos com ordens a proibirem o uso de moedas externas nos preços de referência das clínicas, mas veja-se como andam os stocks de medicamentos. Arrasados completamente.
Em meticais só se vai sentir os preços a subirem todos os dias. Querem obrigar, entretanto, a que só se mexa nos preços dos serviços uma vez por ano. O resultado vai ser vermos tudo a fechar como no tempo do dito ‘socialismo científico’.
Pode-se facturar em meticais, mas obviamente que se indexarão os preços ao USD ou ao Rand e todos os dias em meticais vamos ser surpreendidos com novos preços de mercadorias e serviços. Se isto for proibido como acaba de anunciar o ministro da Saúde, em mais uma das suas tiradas populistas, vamos voltar aos tempos do ‘não há’. Há gente, de facto que tem a cabeça dura…
O governo continua a gastar à farta. Aí ninguém quer mexer. Cortar na despesa pública, não querem. A senhora presidente da Assembleia da República acaba de receber, à custa do erário público, uma nova frota de viaturas de luxo de alta gama. O senhor primeiro-ministro, também.
Nos que governam já não se pode acreditar.
“Falas bem, mas antes queria que soubesses proceder menos em desarmonia com o que sabes dizer”, voltaria hoje a afirmar o tal poeta. Ser analfabeto não significa ser tapado…
Quando, dos países que ajudaram Moçambique a ressuscitar das cinzas de uma Guerra Civil sangrenta e altamente destruidora, nos chegavam avisos de crise económica e financeira sem precedentes nos últimos oitenta anos, os senhores que por cá, do seu ‘alto império’, sempre prometeram um futuro melhor e o fim da pobreza absoluta, foram espalhando a sua arrogância discursiva garantindo aos cidadãos que mal pior não nos afectaria.
Continuaram vivendo rodeados de luxo, à custa dos contribuintes que afinal somos todos, os que pagam impostos e outras contribuições directas e todos os outros que pensam que estão livres delas embora paguem também, e bem, muito, impostos indirectos.
Depois de tanta ‘esperança’ anunciarem e de acusarem de serem ‘profetas da desgraça’, quem alertava para o que poderia chegar-nos se não arredassem de nos levar para o abismo, foi para esta situação dramática que o governo nos trouxe.
Os que avisavam que vinham aí dias muito maus se os governantes moçambicanos continuassem a ignorar o momento tremendo por que estava a passar a economia mundial, foram chamados de ‘viperinos’. Era de esperar que esses mesmos senhores no Poder assegurassem aos moçambicanos, o mínimo. Mas o que hoje vemos é que mesmo quem comia já anda a fazer cortes tremendos no seu cabaz para os alimentos chegarem ao fim de cada mês. Os que já eram muito pobres já nem uma refeição por dia comem. Quem se ia safando começa a deitar as mãos à cabeça.
No dia 1 de Setembro de 2010, os chapas em Maputo poderiam subir o preço da rota para 10 meticais. Não subiram porque deixaram de circular.
Será um aumento de mais de 30 porcento. Dirão aqueles que pensam que o País termina no quilómetro catorze, junto ao Estádio Nacional do Zimpeto, que o diesel ainda não está a 31 meticais o litro. Mas os pneus também são precisos para as viaturas andarem. As peças sobressalentes, idem. Um pneu que custasse mil meticais quando o dólar se comprava por 25 meticais, como o USD agora custa cerca de 39,00 MT, certamente que tem de custar mais. Mil meticais eram quarenta dólares. Agora custando os mesmos 40 dólares em meticais o pneu terá de custar 1560,00 MT. Tudo isto porque o metical desvalorizou. E desvalorizou porque não produzimos, porque o governo está cheio de corruptos que se metem em trapalhadas como no caso da Semlex, empresa emissora dos Bilhetes de Identidade, Passaportes, DIRE’s e Vistos de entrada.
Vemos os parentes de quem governa a fazerem as negociatas mais corruptas deste mundo só não vendo quem não quer que aparecem a coberto dos seus progenitores.
Os polícias já se matam uns aos outros. Agora são mandados matar o povo. Até já as forças armadas.
Os funcionários públicos cobram por fora o que o governo não lhes paga. Salva-se assim quem pode.
Os ditos sindicalistas feitos com os governantes corruptos e tão corruptos uns como outros, já nada podem de tão enfraquecida que está a economia.
Os juízes a serem nomeados para altas funções em empresas depois de bons serviços prestados à máfia, ajudam a descredibilizar ainda mais o Estado.
É tudo isto e o que mais não dissemos que destrói o metical.
São os assaltos ao património do Estado como o que se quis levar a cabo na Beira com os edifícios da Administração Município. É o assalto ao Museu da Revolução. Primeiro põe-se o Estado a pagar as reparações e depois passa para cá que isso é meu porque eu lutei para este país ser livre…Que digam os Desmobilizados de Guerra se eles também não lutaram para este País ser livre…Depois querem prendê-los!...
São disparates atrás de disparates. É o senhor presidente da República a andar montado numa frota de helicópteros pagos com dinheiros públicos sem que tenha havido concurso público. É o mau exemplo a vir de cima. São os senhores do país da marrabenta no auge da arrogância. Gastam que se fartam. Pagamos nós.
Um dia o Povo farta-se e depois surpreendemo-nos com as consequências, dizíamos nós desde há muito. A resposta está aí. Maputo e Matola, duas cidades sitiadas. “Os pobres sentem-se bem com mais pão e luxo a menos”, meus senhores.

(Canal de Moçambique) 2010-09-03 08:17:00