Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Emboscada de Corda contra Motociclista. Por Maka Angola


O motociclista António Paulo sofreu ontem, 24 de Dezembro, uma emboscada na via pública, em Cafunfo,  combinada entre agentes policiais e guardas privados, que lhe causou graves ferimentos no pescoço. A vila de Cafunfo situa-se no município do Cuango, na província da Lunda-Norte.

Por ordem de efectivos policiais, guardas da empresa privada de segurança Bikuar, montaram a emboscada nas imediações da Travessia de Katewe, com uma corda a atravessar a estrada, de acordo com António Paulo. A Bikuar presta serviços à empresa de exploração de diamantes Sociedade Mineira do Cuango.

Ao passar, a uma certa velocidade, “os guardas puxaram a corda, que me atingiu no pescoço, caí da motorizada e comecei a sangrar muito”, explicou a vítima.

Segundo o motociclista, que prestava serviço de moto-táxi, da referida travessia à Cafunfo, a punição deveu-se à sua indisponibilidade para pagar, minutos antes, 1,000 kwanzas ao chefe do controlo de reguladores de trânsito, conhecido apenas por Gasparito.

“O Sr. Gasparito mandou-me parar e, pessoalmente, cobrou-me 1,000 kwanzas de ‘taxa’ para poder circular à vontade o dia todo. Eu disse que ainda não tinha ganho nada e não tinha dinheiro. Continuei a minha viagem”, disse António Paulo.

Em reacção, “o Sr. Gasparito ordenou ao colega dele Tony, para perseguir-me. No meu regresso, o Tony já estava no posto da Bikuar e quando me viu gritou para os guardas puxarem a corda da emboscada”, esclareceu.

O ferido foi levado à 2ª Esquadra policial, em Cafunfo, enquanto o agente Tony apreendeu a motorizada.

Por sua vez, o oficial de dia, conhecido apenas por Imperial, procedeu à acareação dos factos com os envolvidos, incluindo o guarda da empresa Bikuar, que executou a ordem de puxar a corda.

Como resultado do inquérito informal, o oficial Imperial ordenou a evacuação do ferido para o Hospital Central de Cafunfo, onde foi tratado apenas com a emissão de uma receita para a compra de medicamentos.

O mesmo oficial encarregou também o agente Tony, como o responsável pelo acidente, de assumir os custos com o tratamento de António Paulo, que teve de recorrer a um posto médico privado, onde contraiu uma dívida de 11,000 kwanzas.

Esta manhã, António Paulo foi apresentar queixa formal à Secção Municipal de Investigação Criminal (SMIC), na 2ª Esquadra. Na presença do correspondente do Maka Angola em Cafunfo, o oficial de serviço informou que não estão a receber queixas hoje e pediu desculpas pelo inconveniente.

Homicídios

Os actos de violência de agentes policiais e militares, contra cidadãos indefesos, têm estado a aumentar na região do Cuango.

A 20 de Agosto passado, por volta das 19 horas, uma patrulha conjunta de soldados das FAA, pertencentes à 75ª Brigada de Infantaria, e agentes da Polícia Nacional detiveram três garimpeiros, nas imediações de Katewe, no posto de Controlo do Rio Café.

Os garimpeiros telefonaram ao seu patrocinador, conhecido apenas como Ruben, e um dos soldados falou directamente com ele, tendo exigido o pagamento de US $500 para a libertação dos garimpeiros. O patrocinador alegou não ter tal montante, nem mesmo o valor de rebaixa para o resgate, fixado em US $300.

Houve discórdia, segundo agentes da polícia que descreveram o caso ao Maka Angola. Um cabo das FAA, identificado apenas como Nando, disparou contra o cidadão da República Democrática do Congo, Lefu Kule, de 32 anos.

Os outros dois companheiros puseram-se em fuga. Mais tarde regressaram ao local e encontraram Lefu Kule semi-enterrado numa vala. No dia seguinte, pela manhã, a polícia procedeu à investigação do corpo, e por cinco dias impediu a família de remover o corpo. O comandante municipal da Polícia Nacional, Celestino Caetano, ordenou o enterro de Lefu Kule por um dispositivo fortemente armado da Polícia Nacional e das FAA. À família do malogrado foi apenas permitido cavar a sepultura, no cemitério junto ao aeródromo de Cafunfo.

A 13 de Dezembro, a mesma área de Katewe registou outro caso de homicídio imputado a efectivos da Polícia de Guarda Fronteira. O cidadão da República Democrática do Congo, Hobei Makila, de 37 anos, foi morto por um agente policial, que o atingiu com um tiro no lado esquerdo do maxilar.

Um grupo de agentes policiais havia interceptado uma moto-táxi, cujo passageiro era Hobei Makila. Segundo depoimentos de testemunhas oculares, incluindo do taxista, um dos agentes revistou o cidadão congolês, encontrou US $100 num dos seus bolsos e “confiscou-o”. Por ter reclamado a devolução do seu dinheiro foi baleado. Acabou por falecer no Hospital Central de Cafunfo.

Efectivos da Polícia Nacional procederam ao seu enterro no Bairro Gika, na área de Ngonga Babi.


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