quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O horror dos extremismos religiosos e financeiros






No caso pre­sente dos ataques re­correntes do exército de Israel à faixa de Gaza, o que mais faz confusão são duas vertentes opostas: uma, a violência exagera­da dos ataques Israelitas, outra, que se apresenta num outro cenário como contraponto da selvajaria que qualquer guerra gera, a publicidade dada pela or­ganização militar ISIS aos assassinatos, bem vistas as coisas, completamen­te irracionais, como que para elevar a um pedestal de feito heróico tais actos de abominável crueldade, por via de vídeos e fotos das decapitações, crucifi­cações e fuzilamentos.

WILLIAM TONET
FOLHA8

Segundo a opinião dum comentador do Facebook «A matriz de combate do ISIS é o da cavalaria ára­be: mobilidade e fluidez. Como curiosidade, esta campanha do Estado Is­lâmico tem muitas seme­lhanças com o deambular táctico do próprio profeta, há muitos séculos. A cava­laria é uma arma de ataque por excelência, mas é uma péssima arma de defesa (perguntem ao Lawrence da Arábia). E aqueles jiha­distas não têm a disciplina necessária para se trans­formarem em infantes e defender, com eficácia, ci­dades. Assim, recorrem à arma psicológica defensi­va mais antiga da humani­dade: o terror. Ao espeta­rem cabeças em muros, e difundirem vídeos de fuzi­lamentos etc, a mensagem é mais “não venham aqui, senão é o que vos aconte­ce”, é o “you are the next” que muitos percebem. É uma coisa mais velha que os séculos. Como muito do que por ali há».
Segundo a mesma fonte, o amigo Carlos Roque, «Esta coisa do fundamentalismo islâmico começou com os árabes que andavam a estudar nos EUA no prin­cípio do século passado e oficializou-se com a cria­ção da Irmandade Muçul­mana em 1928, no Egipto. A Irmandade Muçulmana é a mãe da Al Qaeda, do Hamas (Palestina) e da Jihad islâmica (Síria e Pa­lestina) e o seu objectivo é o controlo global pelo Islão. Ora o Islão, no en­tender desta gente, não é uma mera religião. É um modo de vida, ao qual vem agregado um código civil, criminal, de costumes, com determinações sobre o que se come, o que se bebe, o que se veste e so­bre todo o resto» para, em seguida, rematar, «estes indivíduos não encaram o Alcorão como milhões de outros muçulmanos – um texto sagrado – vêem­-no como um manual de instruções para passar em santidade aquilo que é transitório e perfeita­mente secundário, a vida, até chegar ao verdadeiro objectivo, o céu. Com al­gumas nuances de atingir a glória em vida, sendo o martírio uma delas».
Deste retrato aterrador apenas retiramos o extre­mismo que uma religião, seja ela qual for, pode atingir como objectivo na manipulação da mente hu­mana, chegando ao ponto de sacralizar o assassinato de inocentes como acto de heroísmo.
Estamos realmente num dos cenários mais retró­grados e monstruosos que de possa imaginar e urge encontrar uma defesa à ameaça que essa gente tenta propagar, como se o terror difundido à sua maneira fosse uma ende­mia que pudesse abranger toda a humanidade.
Do outro lado, sentimos que a argumentação de Israel não se justifica, ao pretender que as suas tro­pas agem do modo que se impõe, isto é, sentindo-se ameaçados, atacam a raiz do mal apenas para defen­der a sua sobrevivência. O argumento não colhe, pois o que eles estão a fazer, à parte se apresentarem um pouco, para não dizer substancialmente confor­tados pela selvajaria direc­ta da ISIS («Vejam o que eles fazem, nós apenas nos defendemos»), recai nou­tro tipo de selvajaria, mas essa legalizada e acredita­da por todas as nações do mundo Ocidental.
Ora, tanto de um lado como do outro, instituiu­-se o horror como sendo inevitável e isso não pode ser. Portanto, tanto uns como os outros podem ser considerados crimino­sos de guerra, o que, bem vistas as coisas, pouco ou nada quer dizer na conjun­tura actual de dominação avassaladora das grandes potências mundiais. Elas não mexerão uma palha se esses ditos “crimes contra a Humanidade” lhes trou­xerem bons dividendos.
Mas ao ver aquela selva­jaria, lembrei-me das se­melhanças com o que se passa, em Angola, sob a liderança dos islamistas radicais no seio do MPLA, que também degolam os adversários, por pensa­rem diferente. A lista é enorme, desde Ricardo de Melo, Mfumlumpinga Landu Victor, Cassule, Ka­mulingue e Hilbert Ganga, todos degolados, uns por jacarés, depois das punha­ladas dos sabres, outros pelas escopetas especiais, armas brancas e balas in­cendiárias.
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