segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O VI Congresso da Ditadura Marxista-leninista (fim)



«No seu discurso de abertura do VI congresso do MPLA, partido a que preside, José Eduardo dos Santos referiu-se ao termo akuakuiza (os vindos de outros lugares), expressão que indica a aversão dos nativos de determinadas regiões do país (Angola) em relação aos quadros de outras proveniências. Dizia JES que "tal comportamento é pernicioso" ao desenvolvimento do país e pediu mesmo o seu "enérgico combate". Se o apelo de JES já peca por tardia, pois os técnicos e quadros doutras regiões há muito são catalogados como estrangeiros no seu próprio país, JES cometeu igualmente um lapso ao não ter apelado ao combate generalizado destas práticas separatistas e tribais a todos os níveis e sectores de actividades do país, referindo-se somente ao combate dentro do seu partido. De um homem que preside o maior partido e o país esperam-se, sempre, discursos de Estado e não circunscritamente partidários, como foi desta vez. Resta-nos agora aguardar que o MPLA, partido que governa Angola, inicie a luta contra a exclusão ou xenofobia interna e que esta luta se estenda no mais curto espaço de tempo a todos os segmentos da sociedade angolana. JES terá também de orientar um minucioso estudo sobre as causas deste destrato que sofrem os angolanos que se dirigem em missões de trabalho a outras províncias (bem identificadas), para se saber se estarão por trás disto sentimentos meramente separatistas, políticos, ou se motivados por "atraso" cultural (acentuada iletracia), falta de oportunidades ou doutra índole, pois regiões há onde se preza mais o estrangeiro branco do que o negro angolano doutra província.» In http://mesumajikuka.blogspot.com/

Só o que faz a Ajapraz, o Fundo Lwiny, a Fesa, o Movimento Nacional Expontâneo, e tudo o mais partidário está certíssimo. Desde que se idolatre o Chefe está tudo bem. Quem não o fizer incorre no crime, está ao serviço de um partido político, contraria o Chefe Supremo. E José Eduardo dos Santos adverte, discorda:

«Entretanto, exprime também a sua discordância com o facto de algumas ONG’s estarem a realizar tarefas e missões que competem aos partidos políticos.»

Em Luanda os fiscais do GPL- Governo da Província de Luanda, acompanhados por polícias e civis saqueiam, espoliam os bens da população. Isto mais parece outro Ruanda. Os próximos dias apresentam-se muito sombrios. É o retorno à barbárie. Esfomeados saqueiam outros esfomeados. Uma vendedora para reaver a sua panela com comida, o fiscal pede-lhe um cartão de recarga para o seu telemóvel. Entretanto o petróleo vai jorrando milhões de dólares que sustentam a FAMÍLIA opressora e a sua máquina de terror à Robespierre. E clamam que libertaram o povo angolano. As mulheres espoliadas enfurecidas gritam-lhes: «Devia vir mais o tempo das bombas para acabar com vocês!» Mas o nosso querido Líder tranquiliza-nos quanto à situação, emancipação da mulher angolana e assegura-nos:

«A mulher angolana é a principal guardiã do nosso legado histórico e cultural. É ela quem melhor transmite às novas gerações os valores positivos da nossa cultura, as nossas línguas, tradições, usos e costumes e as bases iniciais para a socialização das nossas crianças. É um papel insubstituível que devemos preservar e enriquecer com a contribuição do homem.»

Albert Camus. A França que mobilizou no seu auge mais de 400.000 tropas para a Argélia.


Em vastidão do território que tinha que ser patrulhado a Argélia é maior por isso nesse aspecto foi mais dificil para os franceses, Angola tem 1.264.314km quadrados, Moçambique 784.961km quadrados e a Guiné 36.125km quadrados, o que dá um total de 2.085.400km quadrados, a Árgélia possui 2.204.860km quadrados sendo por isso maior que as 3 colonias portuguesas juntas.

http://www.algosobre.com.br/historia/administracao-colonial.html

O PIB francês é muito superior ao portugues, em 1960 tinhamos 2.5 biliões de dólares enquanto o da França era 61 biliões.

Em poderio humano e económico aplicado à guerra foi mais complicado para Portugal do que para a França, em 1961 tinhamos 79.000 tropas e um orçamento de defesa de 93 milhões de dólares enquanto que a França tendo uma população na ordem dos 60 milhões tinha mais de um milhão de tropas e um orçamento de mais de 3 mil milhões de dólares.
no fim da guerra Portugal possuia um exército de 217.000 homens estando colocados em África 150.000 e o orçamento militar crescera para 523 milhões de dólares mesmo assim menor que a França que mobilizou no seu auge mais de 400.000 tropas para a Árgélia.

Em termos de numero de forças rebeldes para combater também foi pior para Portugal, em Angola havia 6.200 homens da UPA, 4.700 do MPLA e 500 da UNITA dando um total de 11.400 rebeldes em Angola, embora eles também lutassem entre si. Na Guiné o PAIGC possuia 6.500 homens e em Moçambique a FRELIMO tinha 9.600 guerrilheiros, dando um total de 27.500 rebeldes nas 3 colónias, na Árgélia a França combatia 8.000 homens do FLN. Na Argélia havia 50 soldados franceses por rebelde enquanto que na guerra portuguesa era 5 portugueses por rebelde.

Um erro que os franceses cometeram frequentemente e que Portugal salvo a operação "Nó Gordio" sempre tentou evitar era as "grandes operações" que envolviam milhares de tropas, eram dispendiosas, levavam muito tempo a organizar e era dificil de manter segredo o que levava as forças rebeldes a evitar o confronto, atacando aquartelamentos enfraquecidos pelos seus efectivos estarem mobilizados nessas operações, os franceses com o tempo também as deixaram de fazer, Portugal dedicou-se a fazer pequenas patrulhas de homens, regularmente, tendo contacto directo com as populações, ajudando-as mas ao mesmo tempo mostrando força militar, a pressão constante das patrulhas era muito mais eficaz por ser discreta e pouco dispendiosa.

A tortura era formalmente proibida por Portugal, nunca foi aceite ao contrário dos franceses na Argélia, era vista como algo que afastaria os aliados e afastaria-nos do nosso objectivo de conseguir a lealdade da população, incluindo os guerrilheiros capturados, sendo a experiencia francesa um exemplo a não seguir, porque afastou cada vez mais os argelinos da França mesmo tendo sucessos militares. É errado dizer que os portugueses nunca utilizaram tortura mas não era aceite pelos comandantes e a informação revelada era considerada suspeita, sendo a pratica de tortura pelos portugueses muito limitada. Quando um guerrilheiro era capturado era, no possivel, bem tratado, muitos até se juntavam às forças portuguesas.

Em numero de militares mortos na Guerra da Argélia foi superior ao da Guerra Colonial, nas colónias morreram durante 13 anos 8.500 portugueses sendo 6.000 europeus e os restantes africanos, na Argélia morreram mais de 17.000 franceses em 8 anos de guerra.

A Argélia pode ter sido mais intenso a nivel de combate mas a guerra de guerrilha exigiu mais de Portugal do que da França, uma maior percentagem da população combateu e morreu e um maior investimento financeiro em relação aos recursos existentes.
http://forumdefesa.com/forum/viewtopic.php?p=39921&sid=a334e28b84764d00a2fe80b5bbd01620
Imagem: http://recollectionbooks.com/bleed/Encyclopedia/Camus/camusQuote2.jpg

Todas as dicas para investir em Angola e Moçambique


Continuam na mesma… cada vez piores. Não entendem nada de África e muito menos de Angola. Sempre com a mesma filosofia da miséria e espoliação das populações. Como muito facilmente se vê pela pobreza dos textos que parecem naturalmente encomendados. Pois… o principal investimento que deve ser feito em Angola é o combate à corrupção. Sem isso nada adianta, fica o apenas vem para aqui para especularem no compadrio da FAMÍLIA angolana. E criar, apoiar mais desestabilização e violência sociais, o que já é um facto muito incerto. A miséria das populações já é insustentável. E a energia eléctrica… simplesmente não existe. É para angolano ver e estrangeiro ludibriar. São geradores eléctricos que geram napalm por todo o lado. E assim não se vai a lado nenhum. Não se pode viver continuamente de mentiras. Para bem investir em Angola aconselho-lhes a leitura de L’Afrique Noire Est Mal Partie de René Dumont, Éditions Du Seuil. Cultura Tradicional Bantu, de PE. Raul Ruiz de Asúa Altuna, Edições Paulinas. E também Albert Camus sobre a Argélia. Depois podem investir à vontade.
Evidentemente que nenhum aventureiro perde tempo com leituras.



«Ana Cunha Almeida 14/12/09 00:07 DIÁRIO ECONÓMICO

Quais os sectores em que vale a pena apostar e como melhor fazê-lo, num suplemento especial de 16 páginas.

Petróleo. Até agora tem sido essencialmente o sector petrolífero a dominar o mercado angolano, com um peso de 38,9% para o PIB e um potencial extractivo de 2,1 milhões de barris por ano. Mas esta é uma imagem que se pretende cada vez mais longe da nova Angola que, aos poucos, vai emergindo. É certo que o Governo vai continuar a aumentar a produção petrolífera nos próximos dois anos acima da quota imposta pela Organização dos Países Produtores de Petróleo. Segundo o Plano Nacional 2010/2011, apresentado conjuntamente com o Orçamento Geral de Estado à Assembleia Nacional, o país vai produzir 1,9 milhões e 2,02 milhões de barris de crude por dia em 2010 e 2011, segundo as previsões da Sonangol. Hoje em dia, a produção nacional esá cotada em 1,6 milhões de barris por dia. E as receitas provenientes do petróleo "irão representar apenas 40% no orçamento e a tendência será reduzi-la subsequentemente", como admitiu recentemente ao jornal "Expansão", Ana Dias Lourenço, ministra do Planeamento.

Se esquecermos o "ouro negro", passamos de imediato para os diamantes. Mas essa é uma outra área de negócio onde Angola quer ter uma nova imagem, longe da ideia de corrupção e de exploração de mão-de-obra, associada muitas vezes a esta actividade. A meta para 2010 apontava para a produção de 19 milhões de quilates, o que colocaria Angola no terceiro maior produtor de diamantes do mundo. Mas a crise deitou este objectivo por terra. O país varia entre a quarta e a quinta posição, conforme as fontes dos rankings, logo a seguir à Rússia (Alrosa), África do Sul (De Beers) e Inglaterra (BHP Billiton e Rio Tinto).

Sectores para todos os gostos

Se há uns anos, os portugueses controlavam no país os sectores da Construção e Banca, hoje, assiste-se, de forma crescente, a um investimento em sectores tão distintos como Alimentação e Bebidas, Máquinas, Madeira e Mobiliário, Cerâmica, Metalomecânica, Tecnologias de Informação, Educação, Saúde e Consultoria. "Há oportunidades em muitos sectores, incluindo a Agricultura, Pescas e Pecuária que são muito importantes para Angola", acrescenta Mira Amaral, presidente do BIC português. E reitera que "Angola não é só Luanda, os portugueses já estão a perceber e a investir noutras cidades".

Mas, a verdade é que o sector da Construção - fruto de ter sido uma das actividades que mais cedo despoletou o interesse e investimento por parte de empresas portuguesas - é aquele que ainda tem a maior fatia do bolo de investimento directo de Portugal (2,8 mil milhões de dólares, representando 46%) em Angola .

A par da Construção, Carlos Bayan Ferreira, presidente da Câmara de Comercio Indústria Portugal Angola, destaca também que as empresas com actividade na banca, telecomunicações e metalurgia "são, tendo em consideração o processo de recuperação da economia angolana, aquelas que mais se destacam no terreno, dada a sua articulação efectiva com os projectos de reabilitação das infra-estruturas nacionais e a implementação de projectos como o Programa Nacional de Habitação".

Nesta fase, o governo de Angola entende que todos os sectores são prioritários e todos, à sua maneira, têm grandes potencialidades. Ao nível da Construção e Obras Públicas ainda há muito por fazer ao nível de infra-estruturas como estradas, vias férreas, portos, aeroportos, energia, água e saneamento básico. Adjacente ao aumento da construção e da melhoria das condições habitacionais também se prevê um aumento de consumo de materiais de construção. A realização do CAN 2010 - Campeonato Africano das Nações exigiu a construção de quatro estádios, designadamente em Luanda, Benguela, Cabinda e Lubango, que impulsionou bastante este sector.

A Indústria é outro sector em ascensão. Aliás, os últimos dados de 2008 mostram que 30% das exportações portuguesas para Angola foram oriundas deste sector, e tudo graças à notoriedade dos produtos industriais portugueses. Também aqui há muito por fazer e prevê-se o aumento da instalação de novas unidades industriais, com necessidades diversas em equipamentos e serviços inerentes. Há ainda na vertente industrial, a exploração e transformação de recursos naturais nos sectores petrolífero e diamantífero.

No sector dos Serviços há grandes projectos governamentais para o desenvolvimento das Telecomunicações. Há também, como lembra o AICEP, necessidades ao nível de assessoria institucional, reestruturação da administração pública e do sector privado em áreas de consultoria, e-governence e procurement. Mas o país carece igualmente de formação em recursos humanos a todos os níveis.

Quando faamos de bens de consumo, as variáveis são outras. Angola já evoluiu bastante nos últimos anos. Houve um manifesto crescimento do consumo privado, prevendo-se para os próximos anos um grande aumento das importações. A clássia média emergente, com grande poder de compra e apetite para o consumo sobretudo de produtos de qualidade a par do desenvolvimento das redes de distribuição que abranjam a totalidade do território, chegando ao maior número de pessoas ajudam a potenciar este sector.

Na chamada distribuição organizada destaque para a criação de centros logísticos de distribuição (CLOD), sendo que o designado CLOD de Malange já foi adjudicado a uma empresa portuguesa por 160 milhões de euros, segundo o AICEP.

Em Angola existe apenas um centro comercial, o Belas Shopping, em Luanda, estando já projectados outros ‘shoppings' tanto para Luanda com para outras capitais de província.»
Imagem: http://www.chargeseditoriais.com/

Jornal de angola 05 de Dezembro e 2009



Diário do Povo. Órgão marxista-leninista tolamente partidarizado
Banco Millennium Angola, um banco canceroso

Direitos humanos estão na agenda permanente do Governo

Caixa social das FAA denuncia inscrição de falsos pensionistas

Cabinda continua na via do progresso

Editorial. Direitos humanos em Angola. Da parte das autoridades angolanas tudo está a ser feito, desde aos esforços para criar instituições ligadas aos direitos humanos ao da ratificação de Tratados Internacionais, as bases estão a ser lançadas, esperando-se por isso que os seus parceiros sociais façam a sua parte, que passa pela apresentação de propostas e sugestões para um contínuo aperfeiçoamento dos documentos que primam pela promoção, respeito e observância dos direitos humanos.

Mercados. Bolsas da Europa terminam a subir

Movimento Espontâneo. Palancas têm apoio do Kwanza-Norte

Diversos precisa-se. Para o Huambo, gerente de restaurante expatriado. Para o Huambo pasteleiro/cozinheiro expatriado.

Diversos perdeu-se passaporte em nome de Zhang Zhongxiang

Mundo já conhece a Taça das Nações Angola 2010

A partir do próximo ano. Alunos de Songo ganham escolas com cobertura de chapas de zinco.

Militantes do MPLA doam sangue ao Hospital Regional do Lobito

Angola ainda vive problemas de tecnologias de informação

Segurança social moderniza serviços na Huíla



domingo, 13 de dezembro de 2009

Para os incautos


De: perder Geraldine Gerald
Abidjan, Costa do Marfim
África Ocidental.

Re: recurso para a assistência negócio urgente e confidencial!

Querida,

Estou me apresentando como perder Geraldine Gerald a única filha do chefe tarde e Sra. Martins Gerald. Meu pai era muito rico mercador coccoa em Abidjan , capital econômica da Costa do Marfim, meu pai foi envenenado à morte por seus sócios, durante um dos seus passeios em viagem de negócios.Minha mãe morreu quando eu era um bebê, e desde então meu pai me levou tão especial. Antes da morte do meu pai em novembro de 2007 em um hospital particular aqui em Abidjan secretamente ele me chamou ao seu lado cama e me disse que ele tem a soma de sete milhões e quinhentos mil United State Dollars ($ US7.5M) deixou em fixo / conta provisória em um dos banco principal aqui em Abidjan, que usou o meu nome como sua filha só para os familiares no depósito do fundo.

Ele também me explicou que era por causa dessa riqueza que ele foi envenenado por seus sócios. Isso devido à crise incessante política neste país e evitar se matar por seus inimigos eu deveria procurar um sócio estrangeiro em um país da minha escolha onde irá transferir este dinheiro e usá-lo para fins de investimento, tais como imóveis ou de gestão hoteleira .

Por favor, estou procurando honrosamente sua ajuda das seguintes maneiras:

(1) Para fornecer uma conta bancária em que este dinheiro seria transferido para:

(2) Para servir como guardião deste fundo desde que eu ainda sou uma menina pequena:

(3) Para fazer arranjo para mim vir para seu país para continuar a minha educação e também para garantir uma autorização de residência em seu país:

Além disso, estou disposto a oferecer-lhe 15% do montante total recebido a título de compensação pelo seu esforço / entrada após o sucesso da transferência desse fundo para a sua conta indicada no exterior. Além disso, Pls indicar as suas opções para me ajudar como eu acredito que essa operação seria concluir no prazo de sete (7) dias, você indica seu interesse em me ajudar, antecipando-se a ouvi-lo com urgência.

Obrigado e que Deus abençoe.
Atenciosamente,
Geraldine Gerald

Recebido via email

Elementar meu caro Watson!


Mike, | 09/12/09 12:27
Eram todos estrelas a Islandia um país riquissimo e desenvolvido, a Irlanda um modelo de crescimento exemplar, a Grécia com um crescimento do PIB impressionante (tal como Angola) passando mesmo Portugal nos ultimos 6 anos.


Portugal era o patinho feio no meio disto tudo.....Com a crise, chegamos á conclusão que o crescimento desses países era um "balão de ar", com pouca sustentabilidade (tirando a Irlanda).
A Grécia afunda a cada dia que passa, a Islandia já fechou portas, a Espanha vai demorar anos a resolver o problema dos 20% de desempregados e a Irlanda ainda tem sistema financeiro porque o Governo injectou biliões de dolares.
Nós não somos uma estrela, mas também não somos o patinho feito nesta historia.

LOPES CARLOS, Bélgica | 09/12/09 12:28
1. No passado dia 4 de Outubro de 2009 houve Eleições Gerais na Grécia . Por favor, vão à internet e procurem os discursos eleitorais dos vários Partidos Politicos Gregos. Comparem com as noticias recentes sobre a DIVIDA EXTERNA, o DEFICE , as OBRAS FARAONICAS ( Jogos Olimpicos, Metro de Atenas, reabilitação de Psiri ,etc ), a INCAPACIDADE de fazer as REFORMAS URGENTES ( nomeadamente da Segurança Social demasiado generosa num País de Velhos, etc ).
2. Agora, sigam os proximos capitulos ( Desemprego, desespero da Juventude Grega, etc ) e tirem as vossas conclusões

Elementar meu caro Watson!

Imagem: http://www.chargeseditoriais.com/

sábado, 12 de dezembro de 2009

O VI Congresso da Ditadura Marxista-leninista (2)


Todas as pessoas são iguais perante a lei do MPLA. Quem não o for ou não o aceitar é proscrito, antipatriota, anti-revolucionário… anti-tudo sem quaisquer oportunidades. Iguais perante a lei… quem tiver dinheiro para pagar a soltura da prisão ou fazer esquecer ou desaparecer o processo judicial. Mas a clarividência do nosso Chefe máximo continua, acentua-se. Afinal ele é o nosso timoneiro incontestado e esclarecedor:
«O meio para a materialização destas intenções é a realização da democracia política, económica, social e cultural, consagrando o princípio segundo o qual todas as pessoas são iguais perante a lei e têm as mesmas oportunidades.»

Os bancos em Angola são pioneiros no crédito à população. Os micro-créditos funcionam plenamente. Vê-se pelo enxame populacional estabelecido nas ruas, ruelas e esquinas. Os bancos em Angola desenvolvem um exemplar combate contra o analfabetismo promovendo o ensino e a criação de bibliotecas. Expandiram o ensino à distância pela Internet. Devido a isto até um êxito notável aconteceu na agricultura. Em especial os bancos portugueses investem parte dos lucros na literatura. Não, não! Quem disse que os bancos portugueses levam tudo daqui e não deixam nada (!).

Os bancos em Angola não promovem a destruição dos casebres para depois financiarem condomínios e outras coisas de betão. Estes bancos sabem o que fazem, investem muito bem. De tal modo que Luanda não tem mais nada para destruir. Já a destruíram. E continuam impunes no roubo de terrenos, taxas elevadas, sistema informático… «Não temos sistema». Claro que têm poder associado a outros irresponsáveis e de má-fé da nossa praça. É por isso que não lhes custa nada mandarem assassinar quem se lhes atravesse no caminho.
Antes dos bancos chegarem vivíamos numa boa. Quando se arrastaram para aqui atrás dos preços elevadíssimos do petróleo a nossa vida infernizou-se. Instalam-se com as suas dependências do terror que mais parecem gozar do estatuto de embaixadas. E desmandam, criminalizam. Esta tralha já não dá mais para suportar e lamentavelmente terá que rebentar.

Os bancos em Angola dão-nos um futuro de abastança. A população sorri-lhes pelos níveis de riqueza almejados. Milhares, milhões de desempregados confirmam-no. Que farão os bancos para contrariarem tal desastre social que provocaram? Conseguirão sobreviver aos ataques das hordas esfomeadas, desempregadas, abandonadas, espoliadas, torturadas, escravizadas?!

Angola não tem guerra, mas tem gente a mais com armas. Em Angola, os bancos dão desenvolvimento económico e social. Angola tem muito petróleo. Por isso tem muitos bancos com muitos milhões de lucros que fazem milhões de populações muito felizes. Mas mesmo assim alguma sacanagem terrorista bancária apresenta nos seus balanços em Angola prejuízos. E ninguém contesta, para quê?! O terrorismo internacional bancário é mesmo assim. Será sempre assim?! Os angolanos com habitações muito condignas, muito bons empregos, água e luz sem interrupções. Sem os bancos o povo angolano seria muito infeliz. Bancos em Angola são a nossa felicidade. Em Angola, os bancos apoiam o bem-estar e a felicidade das populações.

E José Eduardo dos Santos corrobora mais uma vez com a notabilidade que o caracteriza. Afinal quase cinquentenário no poder, este dá-lhe o mérito de Guru, o único com experiência em Angola para governar eternamente nesta Angola e depois lá na outra no azul do céu estelar. E assim nasce-lhe sabedoria, a eloquência. Ele é como… ele é o nosso pai:
«É igualmente a aplicação racional do princípio da regulação do sistema financeiro, e do bancário em especial, harmonizado com o da livre iniciativa económica dos empresários e da adopção de uma política fiscal progressiva, que garanta a geração constante de riqueza, uma redistribuição equilibrada do rendimento nacional e a eliminação das assimetrias regionais.»

Imagem: http://www.chargeseditoriais.com/

Jornal de Angola 04 de Dezembro de 2009




Diário do Povo. Órgão marxista-leninista totalmente partidarizado
Banco Millennium Angola, um banco da junta militar

Governo faz progressos na salvaguarda dos direitos fundamentais dos cidadãos.

Com criação de fundo soberano Angola é um mercado urgente

As notícias sobre a fraude no BNA são “ especulativas e irresponsáveis”. João Maria de Sousa promete desvendar os meandros da fraude.

Mudanças do clima levam milhões à pobreza

Angola está empenhada em cumprir a sua parte. Afirma ministra do Ambiente sobre a cimeira da próxima semana na Dinamarca.

Editorial. A protecção dos deficientes. Temos em Angola inúmeros casos de pessoas que são fisicamente limitadas e que prestam relevantes serviços à Nação. É preciso que o Estado e organizações da sociedade civil promovam a inserção dos deficientes físicos em diferentes áreas da vida nacional, criando oportunidades para eles realizarem os seus sonhos.

Mercados. Dow Jones abriu em alta

Economia da zona euro sai da recessão

Imprensa. Jornais dos EUA anunciam cortes (no emprego)

Polícia Nacional garante protecção

Por causa do CAN. Lei sobre exploração sexual

Diversos negócios. Encomenda-se todo tipo de viaturas, durante 45 dias

Diversos perdeu-se passaporte chinês em nome de Wang Shuhua, Wang Songshou, Li Chenglong, Chun Fu e Nang Yinzhe.

Fuba de milho amarelo “Dona Maria” está imprópria para consumo

Ministério do Ambiente. Chevron financia acções ambientais para o desenvolvimento sustentado.

Habitação. Concluídas moradias do projecto Camama

Almoço de Natal no Lar de Órfãos

Huambo. Projecto Terra oferece às famílias propriedades agrícolas legalizadas

Kwanza-Sul. Agricultores preparam terras

População do Bié chamada a combater águas estagnadas

Bairro da Pedreira no Uíje. Centro infantil dá abrigo a milhares de crianças

Investimento. Rede ligada à empresa AAA lança hotéis em todo o país

Evolução da gripe A é irreversível




























sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Luanda, o marxismo-leninismo vencerá!


11Dez09. Mais um corte de energia eléctrica das 15.23 às 20.55 horas.

A marcha até à vitória final do marxismo-leninismo ainda se alonga, mas sob a sábia direcção do nosso Timoneiro, Líder, Arquitecto, Pai, Chefe, Deus, etc, etc, o nosso povo alcançará a liberdade, o pão, o trabalho e a felicidade.

O nosso povo é heróico e generoso, sofredor. Quase há cinquenta anos outra vez escravizado, não será de mais esperar outros cinquenta até ao culminar da grande marcha do glorioso marxismo-leninismo.

Sofrer agora para obter a gloria eterna depois. O nosso povo será finalmente livre. Sob a sábia direcção do nosso Guia Eterno, da nossa bandeira e do nosso Hino, o MPLA já deu muitas e muitas vitórias ao nosso povo.

Muitos e muitos cortes de energia eléctrica e muita e muita mais miséria vos esperam. Mas com o MPLA tudo será ultrapassado. O MPLA é a vanguarda da classe operária e camponesa. Um só partido, um só marxismo-leninismo.

Camaradas! O marxismo-leninismo vencerá!

Que vivam para sempre os sábios ensinamentos do nosso Aviador.

Imagem: http://www.chargeseditoriais.com/

A Epopeia das Trevas (77A). Aminetu Haidar


Não sei o que é democracia
alguém me pode ensinar?
Talvez o Ocidente
ou o Oriente
Não! Só o Ocidente
o único que entende
que até dá cursos de democracia
e de demagogia

Por vezes confundo-me tanto
Mas, porque só os Brancos
têm democracia
e os outros povos
tirania, mercadoria e especiaria?

Comovem-me, tão potentes
ardentes nas suas convicções
Acredito que me vão deixar morrer
na casa deles, na Europa
Considero que isto é puro terrorismo
e um grande atentado à vida
dos direitos humanos (?)

Tudo não passa de papéis
no lixo da História

Sou digna, luto pelos meus direitos
pela minha Liberdade!
A Europa não é livre
é reservatório de cães
abandona-me como um cão
A Europa é um cão

Deixo o meu último apelo
às árvores, montanhas
florestas, rios e tempestades
Que se unam
e vos derrubem

Assim falou Aminetu Haidar

Jornal de Angola 03 de Dezembro de 2009



Diário do Povo. Órgão marxista-leninista totalmente partidarizado
Banco Millennium Angola, um banco da ditadura


Dia internacional dos deficientes. Governo garante protecção integral à pessoa portadora de deficiência.

Assembleia paritária ACP-UE discutiu governação e reformas internacionais. Presidência sueca felicita Angola pelo sucesso.

Apoios passam de infra-estruturas para os empresários. BAD tem milhões de dólares para financiamento privado.

Ministro dos petróleos Botelho de Vasconcelos. Reservas certificadas garantem produção de quase dois milhões de barris por dia. Novos campos petrolíferos entraram em funcionamento. O fim da escassez de combustíveis.

Cabinda. Novo governador já está a trabalhar

Aumento dos compromissos com a União Europeia. Prioridade é para a modernização das infra-estruturas económicas e sociais.

Editorial. O poder do parlamento. Os poderes completam-se nas suas diferenças e tornam-se mais eficazes na sua autonomia. Mas todos têm um fim: engrandecer Angola e criar condições para que o povo angolano seja feliz.

Mazozo. Investir no meio rural para mudar a vida das populações. “Queremos melhorar as condições das populações de Mazozo. É um projecto de âmbito privado, no quadro do desenvolvimento rural.”

China autoriza cultivo de arroz transgénico.

Construção de campismo na Restinga (do Lobito) aumenta a capacidade de alojamento.

Conferência Nacional Sobre Direitos Humanos. “Defenda a dignidade, acabe com a discriminação.”

MPLA. A certeza de um futuro melhor

Criminalidade real em Angola é um fenómeno social complexo

Ministério do Interior. Caixa Social garante reforma digna a funcionários

Bombeiros chegam ao Bailundo

Cunene. Oshamukuyu já tem escola

Estudantes produzem produtos do campo

Angolanos têm potencialidades artísticas inigualáveis. Garante artista plástica moçambicana Daniela Ribeiro.

Ministro da economia aos administradores da Endiama. Empresas públicas devem criar riqueza.




















quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O VI Congresso da Ditadura Marxista-leninista (1)




A chefia não se impõe, nasce naturalmente.
Angola é o país onde tudo o que é presidente é vitalício. Claro que a doença espalha-se por todos os domínios da governação e da Nação.

E depois do fecho de mais este inglório Congresso os mwangolés que se preparem porque vão chegar brutas tempestades, brutos vulcões e terramotos.
Enquanto existirem ditadores com democratas a apoiá-los nunca existirá democracia. Como é possível votar na eleição de um presidente que já está eleito, que se elegeu? Com uma única lista? É possível sim! Na africana Angola. E com o apoio dos habituais, boçais comunistas. Que não fazem eleições nos países deles. E em Angola falam de democracia. De facto e de jure a democracia em Angola está moribunda.

Porque será que a Internet em Angola continua uma miragem? É o corte da informação marxista-leninista.
Enquanto os tubarões no mar luandense e angolense devoram populações dos casebres e as espoliam, a FAMÍLIA conluiada com os agentes do imperialismo internacional assaltam terrenos, destroem casebres para cinicamente construírem nas reservas de caça do Estado projectos sociais, mas edificam as suas construções particulares, José Eduardo dos Santos garante-nos o bem-estar social.
«O objectivo central do nosso Partido é a construção de uma sociedade de bem-estar social, democrática e com justiça social, dotada de um sistema de protecção e segurança social adequado, onde as classes e camadas sociais cooperam na realização do desenvolvimento económico e social da Nação, ao mesmo tempo que lutam pelos seus interesses específicos.»

Empregos na prostituição é que batem bem. Porque os que existem são só para estrangeiros e para a FAMÍLIA. Os estrangeiros remuneram-se justamente e os angolanos – mas ainda existem? Ainda não acabaram com eles? - injustamente. Ainda subsistem as promessas feéricas da Luanda-Dubai que rapidamente faliram. Em Angola existem de facto e de jure apenas meia dúzia de Técnicos de Contas, portanto as empresas têm o caminho facilitado para fugirem ao Fisco.

Não existem excepções. Em Angola é fácil corromper porque a miséria é demais. Já não existem índices para a medir. Não existe nenhuma empresa em Angola que não fuja ao Fisco. E quem esbanja são exactamente as empresas protegidas ou conotadas com o regime. É facto que Angola é propriedade de apenas uma família. O nome correcto de Angola seria: Angola dos Santos. Mas que empresas angolanas?! Só se forem as da FAMÍLIA e dos seus outros manos, é tudo deles. As demais são apenas cantinas de cantineiros. Aliás na sua intervenção ao VI Congresso do MPLA José Eduardo dos Santos não nos deixa lugar a dúvidas conforme afirmou:

«O MPLA preconiza, pois, uma sociedade na qual seja reconhecido o mérito do trabalho e a necessidade da sua remuneração justa, assim como a importância do papel do empresário, cujo objectivo final não será apenas o de criar e acumular riqueza para esbanjar, mas sim realizar investimentos onde for necessário, gerar empregos bem remunerados e contribuir para o aumento da produção de bens e serviços, cumprindo igualmente as suas obrigações fiscais.»

O Plano C é o nosso abc (fim)




Devaneios do Chefe Eterno
Os piores terroristas do mundo são os que vos fazem passar fome. Ainda que o preço do barril de petróleo chegue a mil dólares, a vossa fome aumentará. Porque o rei comprará duas ou dez bombas atómicas para amedrontar o mundo. Há reis que não sabem reinar. Andam com o reino no bolso. Uma das premissas fundamentais para o desenvolvimento de um reino, é a obrigatoriedade das vendas a crédito. Sem créditos não há desenvolvimento.

Mas nas dinastias milenares, obrigam-se os escravos esfomeados a trabalharem sem terem direito a nada. Infelizmente nos tempos modernos ainda existem reinos que parece se formaram antes de Cristo. Sentem-se felizes ao saírem dos seus palácios para observarem a miséria dos seus súbditos. Depois anunciam palavras bonitas: há quase cinquenta anos que vejo a vossa fome, esperem mais igual tempo que prometo acabar com as vossas vidas para sempre. Na verdade quero que todos se danem. Desde que tenha o meu bem-estar, o resto são palavras.

Cinquenta anos depois nesta cidade à procura de um local calmo e seguro. À espera do que os colonos deixaram desabe de vez. E tudo fique como à quinhentos anos atrás, na nossa cultura e tradição rejuvenescidas. Por mais que procuremos a liberdade nunca a encontraremos. Porque surge sempre um opressor no nosso caminho. E quanto mais dinheiro tiverem, mais opressão de chicote nos é assegurada. Quando na cidade moribunda todas as luzes se apagarem, só passados cem anos um sábio aparecerá. E dirão os sobreviventes que foi Deus que o enviou.

A verdadeira percepção da arte é quando vemos coisas que os outros não vêem. E a Natureza como a nossa mãe é disso testemunha. Para que um rico aumente a sua riqueza, são necessárias no mínimo dez milhões de pessoas que morram à fome. Os homens atingiram a perfeição. As suas leis são superiores às minhas. Já não necessitam de mim. Nos seus julgamentos observo-os e não me intrometo. Onde julgam, o seu pensamento é só um: dinheiro. Há muito se esqueceram do que lhes ensinei. Para um julgamento justo, primeiro é o amor. Segundo, é ainda o amor.

Onde o dinheiro prevalece a justiça empobrece. Orgulho-me da injustiça oferecida, e disso não se deram conta, porque só contam o dinheiro; uma vida de inutilidade; qualquer um de vós é escravo, um inútil; sim! Desde o faminto ao rei, ao mais rico, e até ao mais poderoso, todos vivem na inutilidade; o faminto obedece a quaisquer, porque deles recebe inutilidades sem pestanejar; o rei vive na suspeição de alguém lhe usurpar o trono; o mais rico não dorme com receio que os seus filhos, ou um amigo lhes roubem as fortunas; o mais poderoso reza a um deus desconhecido, que apareça na multidão de conselheiros, algum que anule o poder da nova nação que fatalmente surgirá sem corrupção. Muito poderosa sem as monstruosidades actuais.

Albert Camus. Para se ter uma idéia, os franceses estavam mais enraizados na Argélia, do que os portugueses em Angola




“Descemos em Dacar à noite, grandes negros, admiráveis em sua dignidade e elegância, em suas longas túnicas brancas, as negras com roupas antigas, de cores vivas, o cheiro de óleo de amendoim e de excremento, a poeira e o calor. São apenas algumas horas, mas reencontro o cheiro de minha África, cheiro de miséria e de abandono, aroma virgem e ao mesmo tempo forte, cuja sedução eu conheço.” (CAMUS, 1997: 53)

http://www.algosobre.com.br/historia/administracao-colonial.html

A dualidade de sentimentos em relação a África significará um embate pessoal e uma sensibilidade especial para com os povos africanos e descendentes. Novamente em seu diário de viagem, agora discorrendo sobre uma danceteria popular no Rio de Janeiro Camus escreve: “Nada diferencia esse dancing de mil outros pelo mundo afora, a não ser a cor da pele. A esse respeito, observo que tenho que vencer um preconceito inverso. Amo os negros a priori e fico tentado a ver neles qualidades que não têm...” (CAMUS, 1997: 78)

Enfim, parafraseando Edward Saïd afirmando que a obra de grandes escritores ocidentais não foge à mentalidade colonial, talvez seja mais justo afirmar que Camus foi antes de tudo um romancista, um poeta da realidade, e teve muita dificuldade em escolher entre dois mundos diversos, porém inerentes à sua formação identitária. Para Camus a riqueza de estar entre duas culturas, ser argeliano e francês, gerou belíssimas composições literárias, mas também muita culpa e angústia.

Graduada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e Coordenadora do Curso Preparatório Milton Santos, da Associação União e Consciência Negra de Maringá.
http://www.espacoacademico.com.br/013/13cpraxedes.htm



Bush revelou numa entrevista recente que, aconselhado por Henry Kissinger, estava lendo o livro de Alistair Horne, sobre a guerra da Argélia, A Savage War of Peace – Algeria 1954-1962.
Alistair Horne é um celebrado autor e historiador inglês especializado na história contemporânea francesa. Seu livro, publicado em 1978, é meio datado. Não toma em conta novas pesquisas, elaboradas com testemunhos argelinos e franceses, e documentos oficiais tornados públicos mais tarde (nos estudos de história recente, a renovação das fontes documentais pode envelhecer um livro rapidamente). Mas é uma obra importante.
Porém, achei estranhas algumas ilações feitas à partir do livro, comparando a situação dos franceses na Argélia, nos anos 1950, com a dos americanos no Iraque. Maureen Dowd tratou o tema de maneira irônica, ontem, no New York Times (reservado aos assinantes, mas achei outro link).
Há, é claro, a idéia central de Horne: uma guerra pode ser ganha militarmente e perdida politicamente. Mas isto já estava explicado no grande filme de Giulio Pontecorvo, A Batalha de Argel (1965), o qual tem sido mostrado aos militares americanos envolvidos no Iraque.
Quanto ao resto, tudo separa a Argélia, colônia de povoamento francesa desde de 1830, do Iraque atual.
Para se ter uma idéia, os franceses estavam mais enraizados na Argélia, do que os portugueses em Angola, onde haviam chegado em 1575. Em 1900, já havia cerca de 400.000 colonos franceses na Argélia. Na mesma época, Angola contava somente 10.000 colonos portugueses.
Assim, a guerra da Argélia se desenrolava num contexto colonial e histórico muito mais profundo que o da guerra do Iraque. Mal comparando, numa situação de ficção histórica, seria como se os chicanos do Texas (independente do México em 1836 e anexado pelos EUA em 1845), mantidos num estatuto colonial mas dotados de uma maioria demográfica, tivessem desencadeado em 1954 um luta de independência contra os colonos americanos.
http://sequenciasparisienses.blogspot.com/2007/01/angola-arglia-texas-e-iraque.html


Vou deixar algumas comparações entra a Guerra Colonial portuguesa e a Guerra da Argélia, agora tirem as suas conclusões porque além da dureza dos combates há muitas mais variantes que podem dificultar uma guerra deste género.

Portugal teve uma grande vantagem em relação aos franceses que foi poderem aprender como lutar uma guerra de guerrilha antes de ela acontecer e adaptar o seu exército a esse estilo ainda antes da guerra, enquanto que os franceses tiveram que aprender durante a guerra e por eles proprios, apesar de terem sido muito lentos visto já terem combatido na Indochina durante 8 anos e continuarem com o mesmo sistema de guerra convencional no inicio da Guerra da Árgélia, só durante esta guerra é que os franceses mudaram o esquema de forças para combater guerrilhas.

A distância das colonias portuguesas a Portugal era muito maior do a distância da Árgélia à França, Luanda fica a 7.300km de Lisboa, Bissau a 3.400km e a cidade da Beira que era onde se encontrava a principal Base Aérea fica a 10.300km de Lisboa, enquanto que para os franceses chegarem a Árgélia apenas tinham que atravessar os 800km do Mar Mediterrâneo. Além disso Angola, Moçambique e a Guiné ficam muito longe também umas das outras, da Guiné até Angola são mais de 4.000km e de Angola até Moçambique são 3.000km. Enquanto os Franceses tiveram só uma guerra e podiam aplicar toda a sua atenção só na Argélia, Portugal teve 3 guerras ao mesmo tempo e tinha que dividir os seus recursos pelas 3 colónias.
Imagem: Albert Camus com a esposa.
http://blog.syracuse.com/shelflife/2007/11/camus.jpg
Imagem do jornal. http://www.jblog.com.br/media/56/20070702-030762a.pdf.jpg

Jornal de Angola 30 de Novembro de 2009




Diário do Povo. Órgão marxista-leninista totalmente partidarizado
Banco Millennium Angola um banco da Constituição C


Hoje é dia do idoso. Governo destaca contributo dos idosos no desenvolvimento económico do país.

Informatização dos Tribunais é projecto que está em marcha

Namibe. Jovens do Namibe aderem à JMPLA e entram no partido

Livro sobre a vida e obra do combatente Lúcio Lara

Assembleia parlamentar ACP-UE começa hoje em Luanda. Deputados discutem crise e reforma das instituições. Projecto de resolução apela ao cancelamento da dívida de todos os países pobres.

Editorial. Uma sólida base de apoio. Os dirigentes do MPLA perceberam que o partido está a ficar demasiado pequeno para os desafios do presente e para responder aos mais legítimos anseios do povo angolano. Alargou o Comité Central para responder aos anseios de muitos trabalhadores.

Canal angolano por satélite quebra o isolamento. A “UAU TV” foi lançada há duas semanas em Luanda para servir as zonas rurais.

Venezuela. Hugo Chávez ameaça intervir nos bancos. O presidente da Venezuela Hugo Chávez lançou advertência ontem aos banqueiros privados enfatizando que pode estatizar as instituições financeiras que continuarem “ a fazer negócios com o dinheiro do povo” em vez de dar empréstimos aos pobres.

Este é mais um testemunho internacional de que a paz permitiu ao nosso país desempenhar um papel institucional da maior importância para a estabilidade dos países africanos e do mundo e consolidar a sua economia.

Diversos, negócios. EGNIÇÂO de Rav4 e LANDE-CRUSER, encosto de viatura.

Sambizanga cria comissão para limpeza do município

Cazenga. Requalificação devolve dignidade aos moradores do bairro Cariango

Chuva traz boas colheitas. Jovens camponeses no desafio de ano agrícola. Cooperativas e associações precisam de máquinas e alfaias.



À Procuradoria-geral da República de Angola


Banco Millennium Angola, um banco canceroso
Banco Millennium Angola, um banco irresponsável e de má-fé.
Banco Millennium Angola, um banco marxista-leninista.

Banco Millennium Angola. Rua Rei Katyavala 109, Luanda. Roubaram o terreno das traseiras do prédio. Tem gerador que expele fumo mortal, trabalha dia e noite. É um banco do bando do terror, faz do nosso sono um pesadelo. Crimes, só crimes a todo o momento. Nas traseiras dos prédios escondem-se crimes que atentam contra a segurança do Estado.

Imagem: http://www.chargeseditoriais.com/

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A Epopeia das Trevas (76). Estes descolonizadores começaram e ainda não se acabaram



Aos que faleceram com as guerras e levaram
guardaram
escondem os seus silêncios nas sepulturas

Fiz muitas promessas no cume do Quilimanjaro
olhei para muito longe e confundi-me
Cercada pela savana perdida de verde
apenas restava o halo
das ditaduras
como um astro sem brilho
Muito longe, muito longe
das promessas que me fizeram
Que tudo seria maravilhoso
Mas tudo continua muito longe do alto do monte
Das promessas teimosas não acontecidas
Vejo vultos e imagens sem corpo
que não sonhei. Continuo muito longe do teatral perto

Viajo muito na recém opulência das negreiras cavernas das naus
Ouvia o comovente embalar salgado da água agitada
agora estou na escuridão da terra
até ela me voltam a espoliar
no regresso da expiação
dos crimes da governação

Não construímos, destruímos nações
Prometemos, ficamos, africamos, daí não passamos
Gloriosamente apreciamos o extinguir da chama
Libertadora, opressora que ateámos, e não sabemos mais
não podemos controlá-la
Apreciamos a luxúria do automóvel brilhante
do fato e gravata ocidental. Fazemos muitos internos discursos
e a Nação avança com ténues palavras perdidas
No vento desolador, nos incomensuráveis desígnios pessoais
do chefe africano
Povo é uma só pessoa. Povo, objecto de uso, de âmbito pessoal.

Desconhecidos pelos colonizadores que hoje
subtilmente são nossos grandes amigos
Nos anos da espera que são sempre muitos
que Deus deseja primeiro e nós esperamos
Ele promete Ramos balsâmicos do eucaliptal
na cafreal terra outrora mapeada
Da amizade não retribuída é difícil voltar atrás
Como são difíceis e complicados estes dias

Nos mercados compra-se, vende-se miséria
Para viver e sofrer, edifico a minha prostituição
a vida fácil, da difícil existência.
Corpos nus, no relento ambiental. Tudo o que é matéria tem limites

Tempestades ventosas

Obrigam-me a fazer muitos filhos, na esperança inglória
que algum chegue a presidente, ou ministro
Não consigo reverter a minha mente colonizada
perdida. Perdi a minha identidade cultural
Sorrio a minha angústia na companhia feérica dos esgotos
Até as praias me roubaram, a África privatizaram

Estes descolonizadores começaram e ainda não se acabaram

O Plano C é o nosso abc (2)



- Que discurso mais inteligente, que grandes ideias para um grande Chefe. Então Chefe significa que passamos avante com o glorioso Plano C?
- Evidentemente, mas por enquanto limitem-se a dar algumas surras nos opositores. Se eles exagerarem, fogo neles! O meu reino é para mil anos. E convém desde já incutir na nossa massa militante, em toda a população a palavra de ordem: o Plano C é o nosso abc, o Plano C é o nosso abc!
- Chefe, mas que clarividência. Chefe… e continuamos com as mesmas promessas de um milhão de casas, água e luz para todos até ao ano 3.000?! E que a fome vai aumentar, vai matar?!
- Isso e vamos-lhes prometer mais uma. Que lhes distribuiremos os lucros do nosso petróleo. Os pobres diabos vão acreditar. O que têm de bom é que acreditam em tudo. Também com os investimentos que fizemos no analfabetismo.
- Chefe, essa é de arrasar! O Plano C é o nosso abc!

O Chefe Eterno acusa os democratas de incompreensão.
Nunca gostei de violência; não entendo porque a procuram; não sei porque zombam de mim. Aprecio quem me venera; quem é corrupto vencerá; sinto os artifícios das vossas palavras. Merecem serem tratados como animais; os famintos nunca terão poder. Sereis governados e consolados pelo terror; nas epidemias, as vossas casas serão queimadas; os filhos que se salvarem serão abandonados. Ando sempre no erro, e que ninguém ouse corrigir-me; cresci e formei-me na violência da guerra, pratico-a porque não sei fazer mais nada. Falam contra mim e desprezam-me por causa do dinheiro do petróleo; Têm é inveja; suplico-vos que tenham pena de mim, porque não sei o que faço. Quem me dera escrever um livro sobre as minhas maldades, tento… mas o tacto não consegue. Receiem-me, porque a minha espada está sempre suspensa.
Tentam atrair os miseráveis contra mim; lembrem-se que tenho milhares de soldados ordenados. Não conseguirão fugir das minhas armas; guiadas pelos melhores raios, nem nos melhores esconderijos escaparão. Serão aniquilados pelo seu raio de acção.

O Chefe Eterno demonstra que aqueles que acreditam nele terão prosperidade
Já alguém ouviu queixar-me que passo fome? Ficam pasmados quando me olham; pelo esbanjamento que faço; quando adoeço, socorrem-me os melhores médicos; porque sou um nobre; a escumalha quando adoecer que procure um feiticeiro. Fazem filhos até ao infinito; outra coisa não sabem fazer; à espera que um deles seja rei. Vagueiam na vida a dançar noite e dia; como querem prosperar? O que ganham gastam num só dia; porventura alguém acabou com os dias? Com os meses? Com os anos? Quem quiser ter bens e paz basta lisonjear-me; diamantes e poços de petróleo não lhes faltarão. Não percam tempo a encontrar a sabedoria e a inteligência; isso é um dom meu; a sabedoria compra-se com o líquido negro. E os vossos passos são controlados; não se desviem do meu caminho.

Alguns salmos do Chefe Eterno
Meu rei, os nossos adversários são muitos. Não sei por quanto tempo os vamos aguentar. São mais de dez milhões. Todos contra nós. O meu rei é a minha salvação. Há quem tenha intenções de desbravar a nossa floresta humana. À rádio dos democratas nem um palmo do nosso reino. Nos próximos séculos um salmo nosso será cantado. Sim! Viemos para ficar, e daqui nunca sairemos.
Cada vez que a água suja é lançada de um balde, significa que uma nova notícia chegou. Que método tão primitivo que a agência real press utiliza para actualizar a informação. Os jornalistas inspiram-se com a água suja e o lixo que quase lhes cai em cima. Informação de água imunda e sujidade, que fazem acontecer a realidade do reino real. Mais três baldes de água imunda. O jornalista assustou-se. Parou o trabalho. Alguns pingos de água atingiram os computadores. Na parede a fotografia do rei sorri. Que Deus abençoe a hipocrisia da democracia ocidental que impõe em todo o mundo a diabocracia da fome. Por onde passam, as multidões de esfomeados saúdam-nos. Não é necessária uma guerra para destruir uma nação. As forças da Natureza são mais poderosas que qualquer arma.
Já não há pessoas inteligentes nem sábias. Toda a inteligência e sabedoria é empregue para destruir o que existe, e transformar tudo em dinheiro.
Só a Natureza é pura, sábia e inteligente. O homem é impuro e monstruoso, e nela não merece viver. O meu desporto preferido é ver as pessoas a morrerem à fome.

Albert Camus. As concepções colonialistas difundem-se através da escola, da igreja, da família



Como o depoimento acima indica, Albert Camus viveu sempre a ambigüidade de ser “pied noir” na França e um descendente de colonizador na Argélia. O escritor peruano Mario Vargas Llosa considera, por isso, que Camus foi sempre um homem de fronteira:

http://www.algosobre.com.br/historia/administracao-colonial.html

“Acho que para entender-se o autor de L’Etranger é útil levar-se em conta sua tripla condição de provinciano, homem da fronteira e membro de uma minoria. As três coisas contribuíram parece-me, para sua maneira de sentir, de escrever e de pensar. Foi um provinciano no sentido cabal da palavra, porque nasceu, educou-se e se fez homem muito longe da capital, no que era então uma das extremidades remotas da França: África do Norte, Argélia. Quando Camus instalou-se definitivamente em Paris, tinha cerca de trinta anos, quer dizer, já era, em essência, o mesmo que seria até sua morte. Foi um provinciano para o bem e para o mal, mas sobretudo para o bem, em muitos sentidos.” (LLOSA, 1983: 231).

Deve-se recordar, ainda, que Camus recebeu educação escolar essencialmente francesa e como “...é através da educação que a herança social de um povo é legada às gerações futuras e inscrita na história” (MUNANGA,1988: 23), observamos através de sua biografia que Camus, assim como os alunos árabes que estudavam com ele, ouvia na escola que havia uma hierarquia de civilizações e também que os seus ancestrais eram os gauleses, muito embora isso não queira dizer que os professores acreditavam que seus alunos árabes ou cabilas descendiam de Vercingétorix. Como assinala Todd (1998: 34), os franceses buscavam a assimilação pelo ensino: “confundindo seus interesses com os nossos, os indígenas compartilham conosco a herança do passado: nossos ancestrais tornam-se os deles”. Concebendo para si uma identidade que os situavam historicamente como os valorosos sucessores dos turcos, árabes, bizantinos, vândalos, romanos, cartagineses, justificavam com isso aquilo que consideravam uma missão civilizatória a ser desempenhada no continente africano. Essas idéias não pareciam nem contestáveis nem racistas aos alunos e aos professores franceses. Embora os professores não necessariamente concordassem com a existência de uma hierarquia entre as raças, valorizavam uma hierarquia das civilizações, desfavorável aos povos não europeus, sendo que a história da Argélia “é apresentada como uma pane de treze séculos entre as colonizações romanas e francesa.” (TODD, 1998: 34).

As concepções colonialistas difundem-se através da escola, da igreja, da família, enfim do meio social, mas é no convívio com seus melhores amigos que o jovem Camus se aproxima de uma visão crítica em relação ao colonialismo. Seus amigos afirmam que detestam “o estado de espírito dos colonos, que se apressam em afirmar que os árabes são preguiçosos, sifilíticos, hipócritas e ladrões. Mas esses colonos precisam dos “indígenas” para fazer os pequenos trabalhos na cidade e os grandes no campo. Revoltados com os salários miseráveis, Robert e Claude levam Albert a tomar consciência dos problemas sociais para além de Argel.” (TODD, 1998: 63)

Os alunos argelinos tinham, assim, uma educação eurocêntrica, que desconsiderava, por exemplo, a geografia e a história cheia de sol e luminosidade dos países africanos. Falava-se de ancestrais loiros de olhos azuis, escamoteando a cultura, a origem africana, como se antes da invasão dos europeus não existisse história nessa região.

Como vimos anteriormente há também uma hierarquia entre os franceses de origem européia instalados na África que são chamados por pieds-noirs para distinguí-los dos franceses da Europa, mas esses pieds-noirs quando na colônia, no caso a Argélia, sentem-se superiores aos povos de origem africana e muitos defendem a cultura assimilacionista, como por exemplo o tio de Camus, Gustave Acault que “despreza a burguesia, mas também diz “os indígenas” sem maldade. Aberto, ambivalente, como a esmagadora maioria dos “pés-pretos”, homem esclarecido, Acault acredita no homem universal. Os muçulmanos realizarão sua essência humana tornando-se franceses” (TODD, 1998: 47).

Neste processo de socialização as influências do ensino formal se combinam com as influências do cotidiano do bairro pobre e multicultural de Belcourt:

“na rua de Lyon, vozes francesas, árabes, espanholas, italianas se misturam. As crianças berram, os cães se perseguem e se “espicaçam”, os bondes tilintam, os burros surram. Na primavera, já ao amanhecer o sol bate nas cores e nos aromas. Cheira a canela, anis, açafrão, água sanitária, alho, azeitona, pimentão caramelado. Músicos passam com tantãs, flautas e castanholas. À tarde as pessoas dormem. Albert detesta as sestas obrigatória ao lado da avó – e aquele odor rançoso de mulher velha. Os bairros nobres, El-Biar, Hydra, o centro de Argel esvaziam-se no verão como uma pia enorme - mas não Belcourt. Lá as crianças em férias invadem as ruas e perturbam os comerciantes.” (TODD, 1998: 30)

Camus faz parte desta sociedade de encontro de culturas, recebe influência majoritariamente européia mas em seu cotidiano está o povo, o som, a luz, o cheiro, o gosto do norte da África, que jamais o deixará, mesmo se visualizados sob o prisma de um olhar eurocêntrico, como atesta uma anotação escrita em seu diário em julho de 1949, aos 36 anos de idade, em viagem rumo à América Latina:

Imagens:
Albert Camus. http://www.smh.com.au/ffximage/2006/04/06/writers.jpg
Cartão postal francês de 1918 mostrando um trocador de dinheiro argelino
http://pt.wikipedia.org/wiki/História_da_Argélia

Luanda, marxismo-leninismo avante!

Vê-se nitidamente para onde mais esta tralha africana vai com apagões constantes:
08Dez09 das 18.15 às 21.20
09Dez09 das 08.08 às 12.50

Viva o regresso do marxismo-leninismo!

Jornal de Angola 28 de Novembro de 2009



Diário do Povo. Órgão marxista-leninista totalmente partidarizado

Boa gestão dos recursos nacionais. Governo aprova Política Nacional de Florestas.

Órgãos estatais com contratos suspensos. O Governo suspendeu, por um período de 60 dias, a celebração de contratos referentes a despesas de capital e de investimento público por parte dos organismos públicos.

Direitos humanos. Criada comissão para a produção dos relatórios

Programa de construção de um milhão de casas. Mais cem mil hectares destinados aos projectos habitacionais.

Editorial. Por um ambiente saudável. Num momento em que o mundo inteiro se prepara para gizar uma estratégia para levar à redução as emissões de gases com efeito de estufa, é necessário que salvaguardem a exploração racional dos recursos naturais, com o pleno respeito pelas gerações vindouras.

O Comboio da Constituição

Projecto de reabilitação da cafeicultura. Organização Inter-Africana do Café satisfeita com resultados de Angola.

EDEL. (Empresa de Distribuição de Electricidade de Luanda) Luanda deve milhões de Kwanzas.

Marcha em homenagem às vítimas da Sida sai hoje à rua em Luanda

Bié. Obras estão a ser fiscalizadas. Estradas asfaltadas nos municípios

Malária está controlada em Benguela

Comuna do Huambo. Está a se reerguer dos escombros. Infra-estruturas sociais criadas na Chiaka.










terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A Epopeia das Trevas (75). Como pode uma escrava ser libertada, na liberdade iletrada


A meio da manhã serviste-me cacusso
que ainda vivia, assado na delícia agitada do carvão em brasa
Olhámo-nos profundamente, muito para além das nossas almas
Oh!.. como depois foste tão delicioso
Quando recebi os teus lábios e espoliei
a morada do teu coração

As guerras trabalham a tempo inteiro
de manhã… de dia e à noite
Foi num desses períodos que perdi para sempre
o gosto de amar
A guerra dos falsos libertadores
Assassinaram o teu amor no Dondo

Ainda resguardei tempo para te ver, enquanto vivias
nos relâmpagos da trovoada canhoneada
Difundiam as divisões militares da divisão da Nação
Depois impediram-me de voltar
de te olhar pela última vez
Sei que deixaste de existir para sempre numa catacumbal
cratera
Numa abertura de terra chamada meu amor de Ndalatando

Os nossos gladiadores espadeiravam-se
E chamavam-se de movimentos de libertação
Andavam na busca do Santo Graal
finalmente encontraram-no
Escondido no petróleo, no brilho dos diamantes
e nas especiais especiarias
Das esmeraldas dos nossos corpos preciosas mercadorias
que vendiam e revendiam no ciclo vaivém infernal
das carnais naus
Não se importavam com a exportação corporal
do meu belo corpo, atraente e sensual
tão natural, carnudo de polpa mangal

Quem inventou o ser humano
deixou-o com vários curto-circuitos

A escrava nunca esquece a pessoa amada
é o amar como uma escrava
Sem nunca esperar um sorriso e confiar
na espera eterna de um carinho
Um beijo nas ondas do meu corpo
sem olhar para os teus olhos
Conservando o sofrimento das lágrimas
quando obediente sigo os teus passos
sempre unidos no meu íntimo areal

O meu destino é a posta-restante
Oiço as vozes celestiais do meu canto perdido nos florestais encantos
A minha simplicidade e humildade continuam comoventes
Ser ou não ser, eis a questão?! Puro e ledo engano
Ter ou não ter eis a imperfeição!
do meu Taj Mahal debaixo de cada árvore um templo
sem reino, expatriada

O tempo do templo deste outro colonialismo é uma teia
e nela continuo enredada
Sim! O tempo é um templo, o meu relógio parou
já não sei o que são horas
Porque demoras Liberdade?!..
Cativa da Santíssima Trindade

Como pode uma escrava ser libertada, na liberdade iletrada

O Plano C é o nosso abc (1)



Se Angola não tem contabilidade organizada, a energia eléctrica é de fingir, então os números do desenvolvimento económico saem donde?!
Inadvertidamente, inconscientemente ou voluntariamente contribuimos para a história da hipocrisia angolana. É por isso que angola sobe no crescimento económico da miséria. E de noite houve-se o miar horrorizado dos gatos acossados pelos chineses de panelas preparadas.

Entretanto pedaços de prédios em desintegração precoce caem com estrépito nas ruas. É muito perigoso circular por baixo deles. A qualquer momento a morte obriga-nos a fazer-lhe companhia. O estrangeiro constrói e o angolano detrói.
Pare, Escute e Olhe!

Esta democracia esconde outra mais sinistra. Chama-se desenvolvimento económico quando serve alguns especuladores imobiliários e financeiros. Desenvolviemnto social quando serve esfomeados. Não ouvem, não sentem, o borbulhar da democracia a afogar-se? Ser-se democrata angolano implica defender a ditadura para sobreviver, demonstrar democracia interna infalível, enquanto na ditadura petrolífera a fome alastra, e a democracia empresarial, colonial, avilta-nos com o desempenho económico: «Um cresciemento económico jamais visto, um país no rumo certo, único no mundo. O PIB, Produto interno Bruto, cresceu de 2002 a 2007 de 1.500 para 3.500 dólares. Imparável… este crescimento insustentável.

- Chefe… para o nosso Plano C funcionar como o do Estaline teremos que desandar, aniquilar toda a oposição partidária ou independente.
- Evidentemente meu Cabo-de-guerra. Acho que não chegaremos até esse promontório porque a nossa oposição é tão saborosamente estóica.
- É verdade Chefe… então esse da UNITA o Domingos Maluka, ou saluka, quando questionado na Rádio Ecclesia sobre o nosso primoroso Plano C, exortou a população a manifestar-se… como se o povo fosse um partido político. Fiquei muito confuso. Mas quem convoca manifestações são os partidos políticos ou a população?! É a nova democracia (!).
- Sabe, não é por acaso que a nossa oposição e a população andam subalimentados, esfomeados. Este é o nosso segredo mais bem guardado. Não sabendo alimentarem-se as cabeças não funcionam… andam sempre aéreas, etéreas. É por isso que não temos opositores. Este mal, anormal não anda só por aqui. É rotineiro, basta observar como a África Negra se desloca. Nós chefes eternizamo-nos no poder, rotineiros porque as cabeças opositoras têm um tremendo défice neoronal. E o importante é mantermos a continuidade da nossa dinastia. Resguardar, apoiar a fortuna da minha filha mais rica de Angola e dos outros filhos. As empresas estrangeiras já têm uma grande influência, já dividimos com eles o poder. Por isso é extremamente importante mantermos este status quo. Para garantir as nossas conquistas diamantíferas e petrolíferas da nossa luta revolucionária, qualquer opositor que se atreva a desafiar-nos caímos-lhes em cima com os nossos exércitos de terra, mar e ar. Mas primeiro acossamo-los com as nossas forças policiais e caninas. Nenhum escapará. Estamos muito bem apoiados pela hipocrisia Ocidental. A oposição não passará.