Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

sábado, 17 de maio de 2014

“proibir a exibição da peça “ORAÇÕES DE MANSATA”, que deveria estriar hoje, pelas 20h30 de Luanda.”



É DECISIVO SOLIDARIZARMO-NOS COM OS ARTISTAS E DIZERMOS QUE MERECEMOS SER LIVRES E TER ACESSO A CULTURA. PODEMOS TODOS IR AO TEATRO NACIONAL CHA DE CAXINDE AS 20H E FICARMOS COM OS BILHETES COMPRADOS ATÉ EXIBIÇÃO DA PEÇA
MINISTRA PROIBE EXIBIÇÃO DE PEÇA HOJE E AMANHA NO TEATRO NACIONAL
A Ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, acaba de endereçar hoje (16horas) uma carta a Associação Chá de Caxinde, gestora do Cine Nacional a proibir a exibição da peça “ORAÇÕES DE MANSATA”, que deveria estriar hoje, pelas 20h30 de Luanda.
A Ministra refere na sua missiva razões “ técnicas e de segurança”.
A peça do dramaturgo guineense, Abdulai Sila, aborda, entre outros temas sociais, a questão da corrupção, tendo como pano de fundo “o desejo de possuir o poder e o abuso do poder adquirido”. O Grupo de Teatro, composto de 20 artistas de várias nacionalidades do espaço CPLP, recebeu a notícia quando já tinha o palco montado para o efeito.
A Direcção do Teatro Elinga, há mais de um mês que comunicou à Ministra sobre o interesse em exibir a peça, uma vez que a propriedade do Teatro Nacional é do Estado. O assunto correu sem que houvesse alguma oposição. Por isso, o Grupo de Teatro deslocou-se à Angola.
As razões (invocadas ou) mandadas invocar pela Ministra são, do ponto de vista do Bloco Democrático, mero pretexto. O regime Angolano não quer ver-se questionado quer directa, quer indirectamente, quer pela política ou pela arte, sobre os fundamentos do seu regime: um regime corrupto, assente num poder absoluto.
O instinto de malvadez vai ao ponto do anúncio da proibição ser feito exactamente a ultima da hora, com intuito de lesar, por um lado, o tempo e as finanças de grupos que vivem por amor à arte e que se esforçam por construir um mundo melhor pela crítica do que manifestamente está mal, não presta, deve ser banido da sociedade e, por outro, para a imprensa semanária escrita (hoje é sexta) já não poder tratar desse acto repressivo em cima do acontecimento.
Deve notar-se que a grande maioria dos bilhetes estão já vendidos ou reservados, esperando-se hoje a presença de representantes das Nações Unidas e da União Europeia e amanhã a presença de Eugénia Neto.
O Bloco Democrático opõe-se a estas práticas repressivas no domínio da cultura e apela a uma mais vigorosa posição nacional para que o Belo, possa fazer morada entre nós.
Luanda, 16 de Maio de 2014
Secretariado Nacional de Formação e Cultura do BD
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