quinta-feira, 18 de março de 2010

A intolerância da divina hipocrisia dos eleitos de deus


Dois mil anos de hipocrisia, ignorância, superstição e inquisitórias matanças de hereges não lhes chagam?! Actualmente a existência das igrejas não faz qualquer sentido. Para quê insistir num deus de analfabetos?!

Pobres criaturas que insistem no viver das ruínas de Angola. Edificam-se, fecham-se na escuridão dos tempos sem povos. Em dois mil anos de civilizações destruídas.

«O “Folhinha” votado ao ostracismo
Na edição nº 996 do Folha 8, datada do 27.02.10, o grande título de capa, “Crise nas Forças Armadas”, referia-se a um caso altamente comprometedor para a volumosa, poderosa e avassaladora máquina propagandista do Governo, “superiormente” coordenada por JES, príncipe desencantado, mas aparentemente capaz de encantar com os seus discursos tão plenos de promessas como de graça!

Até à data, pedimos desculpa, mas estamos cansados de procurar uma que tenha sido cumprida! Nisto, enquanto continuamos a caminhar garbosamente para uma “espécie” de “democracia” “atípica”, o nosso bissemanário foi afastado, sabe-se lá por que raio de cargas de água, da asa amiga da Rádio Ecclesia, que ele, o nosso “Folhinha”, sempre tinha defendido – salvo o direito que lhe assiste de não estar de acordo com algumas questões ligadas aos padres de Cabinda e a encarceramentos arbitrários de livres pensadores.

E como prova, temos a assinalar alguns mal-entendidos de fresca data e um episódio que consideramos significativo por não ter qualquer aparente razão de ser. Nesse dia, 27.02.10, o nosso grande título de capa, letras garrafais e fotografia estendida por toda a capa, de nada serviu para captar o interesse da Ecclesia em falar do assunto atinente.

Silencio total sobre o caso. Uma semana mais tarde, 06.03.10, um confrade nosso levou exactamente o mesmo assunto para a capa, claramente a reaquecer um “pitéu” que nós, os do Folha 8, tínhamos cozinhado. E esse sim, o artigo reaquecido e servido no que se poderia denominar um 2º serviço, mereceu toda a atenção do nosso amigo Manuel Vieira. Foi preciso a intervenção do Justino Pinto de Andrade para pôr os pontos nos “is” ao lhe relembrar que o Folha 8 já tinha publicado um artigo sobre a mesma matéria. Pergunta: por que razão discriminar deste modo um semanário da trincheira que é a mesma que a da Rádio Ecclesia, na defesa dos mais pobres e dos “danados da Terra”?»

Sem «luz» por razões políticas?


Moradores do Bairro Huambo, ao Rocha Pinto, acusam o director da agência local da EDEL de não lhes fornecer «luz», alegadamente por pertencerem a um conglomerado residencial onde o «Galo Negro» tem militantes e simpatizantes em números consideráveis.
Alguns bons milhares de moradores do Bairro Huambo, comuna do Rocha Pinto, ao município da Maianga, estão sem energia eléctrica há 120 dias, por alegada decisão do director da agência local da EDEL, Francisco Kapita, que assim terá procedido por na sua maioria pertencerem ao «Galo Negro», como soube o Semanário Angolense de alguns munícipes lesados.

A interrupção selectiva do fornecimento da «luz», segundo os queixosos, foi iniciada há três meses, quando o bairro foi surpreendido com a chegada de uma «brigada» da agência local da distribuidora, com o intuito de efectuar cortes no bairro sem uma causa justificável. Eles dizem que, mesmo com os seus contratos feitos e contas regularizadas, os funcionários acabaram por efectuar os cortes, sem mais explicações, ficando-se a saber mais tarde que tal se devia a supostas (mas sempre inaceitáveis) razões políticas. «Acho que situações do género já não deviam acontecer mais num país que está a marcar alguns passos rumo ao desenvolvimento. O bairro é composto por pessoas de distintos partidos, pelo que Francisco Kapita não tinha que particularizar a distribuição de energia eléctrica por motivos políticos.

É uma aberração», disse um dos queixosos, que preferiu escudar-se no anonimato. Em face disso, vários moradores do Bairro Huambo cogitam a possibilidade de realizarem uma manifestação de protesto, além de escreverem para a direcção central da empresa distribuidora para os devidos esclarecimentos. Segundo contam, os moradores lesados já fizeram tudo para que Francisco Kapita recuasse, mas sem sucesso, devido à sua intransigência. Mesmo implorando.

«Às vezes, perguntámo-nos se a EDEL é uma empresa pública ou é pertença do director da agência da Samba para ele proceder desta maneira. O governo tem de disciplinar isso», disse um outro queixoso, revoltado. «Tenho o contrato feito, tenho as minhas conta pagas, mas mesmo assim não escapei das loucuras do senhor Kapita: deixou-me a casa sem corrente eléctrica. É demais», acrescentou um munícipe que confessou ser simpatizante de um partido da oposição, considerando que isso não é motivo para ser discriminado.

Kapita nega O Semanário Angolense ouviu Francisco Kapita, por telefone, a propósito do assunto, tendo ele negado as acusações, referindo, em contrapartida, que a sua agência só efectuara cortes nas casas de clientes faltosos em relação a contas com a empresa. «A energia da EDEL é um bem que deve ser consumido por todos que se sintam capazes do ponto de vista financeiro. Os nossos compatriotas desta zona da Maianga querem consumir a energia gratuitamente», justificou-se. Segundo Kapita, não existem razões para se separar os clientes em função da sua filiação partidária. O que acontece, como diz, é que, quando solicitada, a empresa concede energia provisoriamente, dando o prazo de um mês para firmar o contrato.

Ao fim desse tempo, quem não regularizar a sua situação, fica sem ela. «A zona tem clientes insuportáveis que ficam durante dois meses sem se preocupar com os seus contratos. Depois, quando lhes é retirada a corrente eléctrica, recorrem a comunicação social com historietas desse tipo», disse Francisco Kapita. Aproveitou a ocasião para revelar que, independentemente desse caso, a zona está às escuras devido à danificação de dois de alimentação, estando a sua agência, no momento, preocupada com a superação dessa avaria. Por fim, disse que as tais «razões políticas» apontadas pelos queixosos não colhiam, por sermos todos «uma nação». Quanto ao consumo de energia, isto é para quem está capacitado para pagá-lo, já que ela não é de borla.
O resto é conversa.

quarta-feira, 17 de março de 2010

A Ocidente do Paraíso (25). Vão parar à Pide vão, vão parar à Pide vão, vão, vão, vão.


Numa tarde no Frederico estava numa das minhas leituras, o Mota e o Quitério aparecem. Mandaram vir dois cafés, depois perguntaram-me se queria ir com eles à Cidade Universitária assistir a um concerto de baladas. Claro que aceitei o convite e lá fomos.
O local onde os trovadores se exibiriam era amplo. Estava lotado. Conseguimos lugares em pé. O tema das baladas era a canção de protesto. Os primeiros a tocarem foram o Duo Ouro Negro. Creio que cantaram apenas duas músicas do folclore angolano. Uma delas falava de uma serpente. Alguém não gostava e começou a depreciar:
- Estes gajos vieram aqui fazer o quê? Falar de uma serpente, o que é que isso tem a ver com a nossa luta?!
Poucos gostaram da sua actuação. Quando surgiu Adriano Correia de Oliveira foi o delírio.

Pergunto ao vento que passa
noticias do meu país
E o vento cala a desgraça
e o vento nada me diz

Uma poesia tão elucidativa. Bem tocada e cantada que encantava os nossos corações, e a nossa alma sedenta de justiça e liberdade. E noutra composição.

- E as armas não lavram terra…

Todos batemos muitas palmas. Agradecemos e incentivámos a sua luta por um Portugal livre da opressão.

A seguir Zeca Afonso. O barulho com que foi recebido parecia que o edifício ia desabar. Já há muito que o conhecia pela balada do Menino de Oiro dos seus tempos de Coimbra. Mas Zeca já não era o mesmo, evoluiu muito. As suas composições agora eram um desafio directo ao regime. Extremamente vigiado pela PIDE, receava que a polícia de choque surgisse e nos atacasse à bastonada como era hábito. Quando isso acontecia comportavam-se como verdadeiros cães raivosos. Mas estranhamente não apareceram. E o Zeca nas suas descobertas folclóricas.

Vamos cantar as janeiras
vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro vamos
às raparigas solteiras.

Zeca, claro, era muito inteligente, senão vejamos o coro:
Pam pará pi pam pam. Pam pará pi pam pam. Que traduzido significa:
Vão parar à Pide vão, vão parar à Pide vão, vão vão vão. O Zeca achincalhava o regime sem que eles se dessem conta. As suas actuações tinham que ser efectuadas em segredo, porque senão toda a polícia de choque aparecia em força e o espectáculo não seria realizado. Assim como veio, também foi discretamente.
Isto deu-me uma ideia. Porque não criar uma antologia pessoal da canção de protesto? Comprei alguns cadernos escolares e escrevi neles tudo o que se relacionava com tal tema. A certa altura dei-me conta que os cadernos que comprei já não chegavam. Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Luís Cilia, Manuel Alegre, Fiama Hasse Pais de Brandão, Manuel Freire, Padre Fanhais etc.

A surpresa veio do meu pai. Um passageiro conhecido que costumava viajar para Paris, perante a insistência do meu progenitor, trouxe-lhe uma encomenda. Fados, de Adriano Correia de Oliveira. Inicialmente o meu pai pensou que eram de facto os fados do lamento nacional, mas quando verificou que os fados eram de outros ventos, entregou-me o LP.

Imagem: nossaradio.blogspot.com/2008_12_01_archive.htm

Dificuldades para a execução do nosso programa de «Reforma Educativa» (Fim)


No ensino primário quase que se extinguiu a reprovação de alunos, pois, encontramos turmas inteiras em que não se note reprovação ou, se for o caso, uma a duas reprovações por turma. Será que os alunos demais e, os seus professores, são verdadeiros artífices da pedagogia?

Gil Gonçalves e Kandumbu Sangalo

De algum tempo para cá, a avaliação do professor tem sido, e ainda é, feita através dos resultados dos estudantes: «se o valor percentual alcançado para as negativas é maior, fica rotulado como péssimo ou mau professor; o contrário, é o melhor ou bom professor». Reparem, neste moldar, nunca levanta a questão para o professor, cujos seus alunos todos passaram de classe. Não será que este professor será também péssimo? – Não se acredita, na nossa realidade, que num universo de 60 alunos, não haja um reprovado sequer. Este pormenor não é tido em conta. Porém, é honesto avaliar que, numa turma de 60 alunos, todos ficarem reprovados, seja como que algo inconcebível ou sem sentido.

Ainda sobre a reforma ou a deformação de estudantes, nota-se que da 4ª à 6ª classe tem-se um professor para todas as cadeiras: «saber se, porém, que, todos os professores ou a maioria vem dos institutos politécnicos, IMNEs e PUNIVs; a realidade aí encontrada está dividida por cursos e, não se acredita que hoje haja um tal professor que domine todas as cadeiras neste nível».

No 1º e 2º ciclos (ou médio) encontramos outros dos tantos problemas. Cadeiras sem manuais, professores com dois a três (3) programas, professores a trabalhar em três turnos (20) vinte tempos lectivos semanais o que perfaz no máximo ter seis (6) turmas e 60 alunos por turma ou mais. Todavia consta desde o manual de avaliação das matérias de ensino e aprendizagem o chamado MAC (média da avaliação contínua do dia ou do mês). Como será possível, o professor corrigir todos os dias estas avaliações ou, qual será, neste caso, o acompanhamento a dar ao aluno.

Na verdade o cabeça da reforma contradiz-se: «diz querer uma coisa e, não querendo em simultâneo». Quis que houvesse reforma (onde as turmas tivessem no máximo 30 alunos, sem preparar as infra-estruturas capazes para o efeito). Como resultado as estruturas existentes são abarrotadas, isto é, duas turmas numa sala, perfazendo 60 alunos. As escolas recentemente construídas não contemplam o estatuído nos decretos sobre reforma educativa: «sem cantinas, sem primeiros socorros, sem biblioteca, sem laboratórios e, sem computadores».

Como se não bastasse, os alunos do Mutu-ya-Kevela, ex/liceu Salvador Correia, foram retirados. Construí-se uma escola do I ciclo e, os alunos do I ciclo (Mutu-ya-Kevela), não foram integrados na mesma escola. Foram para lá os do II ciclo – PUNIV Ingombota – Escola 3030; saídos de escola boa em termos de estrutura, indo para esta que não passa do afunilamento do ensino reformado que clama por uma contra-reforma.

Mpinda Simão actual ministro, foi o Vice-ministro para o ensino geral, está melhor abalizado, sobre as inconveniências do actual sistema educativo e aprendizagem. Porém, ele é o defensor do professor do I e II ciclos funcionar com 20 tempos, 3 turnos para algumas cadeiras, 3 a 2 programas 6 ou mais turmas.

Neste contexto deu o fardo aos professores sem experimentá-lo, pois, ele – sendo do ensino geral nunca deu aulas, apesar do decreto descrever este dado. Não criaram condições suficientes para avaliar este tipo de ensino, auscultando os que ministram tais aulas para as denúncias dos verdadeiros problemas.

Então perguntamos: «que plano tem o governo sobre o estudante? Que produto espera deste seu plano?».

Tem o plano de eternizar-se no poder ou não tem plano. Mas os seus filhos não estudam nos programas por eles gizados; logo querem que os substituam, depois que arrumarem as botas. Querem neste programa de ensino, formar bonifrates balofos, tolos, ignotos, asnos e néscios. Agora sim, viva o novo programa C, o programa dos cegos que dirigem o país, com a sonolência dos políticos nocturnos da nossa época, uma estirpe jamais vista.
Viva a Constituição “C”, dos cegos que agarra o leme para dirigir o barco. Viva!

O assalto ao comboio descarrilado


Há, o comboio apitou três vezes, o último comboio do Katanga, o assalto ao comboio-correio, o comboio expresso do oriente, etc. e entre nós temos, o assalto ao comboio descarrilado.

O comboio Angola descarrilou definitivamente. Os seus carris mantém-se irremediavelmente improvisados, o que faz com que nenhum comboio da governação consiga neles carrilar.

«Um escândalo chamado BNA
"Como é que um banco emissor pode ter autoridade sobre os bancos
comerciais, se não consegue arrumar a sua própria casa?

Gustavo Costa in Novo Jornal(5-03-10)» e MORRO DA MAIANGA

Como é que um banco emissor pode infundir confiança no mercado, se as fugas de informação partem do seu interior?
Como pode um banco emissor ter ignorado as denuncias feitas, durante anos, por bancos comerciais relativas à subtracção de 1OO a 15O mil dólares/dia em cada remessa de um milhão de dólares?
Como é que um banco emissor pode exigir aumento de qualidade dos serviços dos bancos comerciais para assegurar a introdução de novos produtos como o leasing, factoring, sociedades de capital de risco, correctoras de bolsa e outros, se há mais de oito anos que não consegue influenciar em conjunto com o Ministério das Finanças a aprovação da regulamentação da lei das actividades financeiras?

O que aconteceu no Banco Nacional de Angola configura o desmoronamento de uma das instituições mais nobres da nação.
sistema bancário.
O que aconteceu no Banco Nacional de Angola coloca-nos à beira
do precipício.
Aqui chegados, uma pergunta se impõe: onde estiveram,
ao longo destes anos todos, os serviços de supervisão do Banco Nacional de Angola para impedir o descomando e o desfile de desmandos que tomaram de assalto a instituição?»

terça-feira, 16 de março de 2010

A Ocidente do Paraíso (24). 101 Perguntas a um Guerrilheiro, por Alberto Bayo.


- O Eusébio é um grande jogador e a Amália Rodrigues uma grande fadista. Graças a eles o nosso país é conhecido em todo o mundo. – Zombou o Mota.
- Não esquecer também as touradas. Tenho um irmão que é forcado. A propósito, amanhã é dia de tourada no Campo Pequeno, quem quiser ir, diga para eu comprar os bilhetes. - Toureou o Quitério.

De súbito o Quitério olhou para duas revistas que estavam bem visíveis na mesa. Eram, A Seara Nova e O Comércio do Funchal. Gostava muito de as ler porque revelavam o desconhecido Portugal. Habitualmente quem as comprava era o Zé Luís, que depois circulavam de mão em mão. A Seara Nova tinha alguns artigos que para mim eram difíceis de entender, pois que ainda não tinha bagagem cultural suficiente. Mas só a presença delas na mesa denunciava quem éramos, porque a PIDE entendia que quem as lia era comunista. O Mota levantou-se e foi buscar o Diário de Noticias, poisou-o em cima das revistas e elas desapareceram da paisagem. Entretanto o Pide levantou-se, disse-nos boa-noite, e foi-se embora. O Quitério recomeçou o debate:
- Estão a ver esta merda? Um gajo não pode estar em lado nenhum a conversar em paz. Estou a estudar às escondidas o Capital do Marx. Se me apanham ai de mim! Já viram isto?!

Mostrou um texto cujo título era, 101 Perguntas a um Guerrilheiro, por Alberto Bayo. Explicou que se tratava de um guerrilheiro do PAIGC que foi apanhado e interrogado pela PIDE, onde o elemento fundamental da sua actuação consistia no uso de uma corda. O que permitia aos guerrilheiros a sua sobrevivência. Demonstrava sobretudo que o uso dela era uma peça muito importante na luta de guerrilhas, e que Portugal seria derrotado na guerra contra a Guiné. O Zé Luís acrescentou:
- Nem tudo está perdido. Resta-nos a CDE, a Comissão Democrática Eleitoral do Francisco Pereira de Moura, contra a UN, a União Nacional dos fascistas...
O Quitério interrompe:
- A CDE nunca ganhará nada. Até já estão a invadir as suas instalações e a confiscar os panfletos. A prenderem e a interrogarem alguns candidatos. Bom, o que nos resta é darmos o salto para a Suécia, para fugirmos à guerra colonial, e lá no exílio continuarmos a nossa luta contra o regime. Mas de qualquer modo com a actuação da CDE, eles ficam a saber que afinal existe oposição, e de quem se trata. Só que depois não terão grande espaço de manobra e posteriormente serão bem vigiados e condenados a viverem na miséria e na perseguição. Qualquer pretexto servirá para os eliminar.

No dia seguinte o Quitério arrastou-me, explicando-me que era necessário que o acompanhasse para que me inteirasse do que se passava no país e assim aprender a luta dos estudantes.
Havia uma reunião de protesto contra a guerra colonial no Instituto Superior Técnico. Quem entrava era vigiado para detectar possíveis infiltrados da PIDE. No interior os oradores expunham as suas opiniões. Eram unânimes em condenar a guerra colonial e que o poder devia ser entregue a esses povos. Não demorou muito porque quatro mastodontes da PIDE, sempre trajados à civil, apareceram e encerraram a reunião. Depois deles saírem os estudantes estacionaram no portão de entrada. Como vingança, nos dias seguintes boicotaram as aulas.

Imagem: http://recordacoescasamarela.blogspot.com/2009/01/seara-nova-edio-especial-maio-1974.html

Dificuldades para a execução do nosso programa de «Reforma Educativa» (2)



Entretanto, os mesmos espertos inventaram qualquer coisa que faísca de vez em quando. A incompetência dá vida, gera o caos. Estamos tal e qual como nos campos de concentração nazis à espera que a guerra acabe. Afinal ainda não acabou, porque a miséria reforçou-se e não há antibiótico que a sane. Que os americanos cheguem, nos libertem e acabem com o nazismo ainda vigente e as suas sementes. Neste nazismo imobiliário nem os cemitérios escapam. Mas que grandes makas este Politburo fabrica.

Gil Gonçalves e Kandumbu Sangalo

A principal causa das mortes em Angola era a malária. Agora, parece?! Ou são mesmo os acidentes de viação. Que futuro cadavérico. Sinceramente, só pode ser gozo. Estão acamados, muito afastados, noutra dimensão. Isto só pode ser para risada. Não tem nada, absolutamente nada a ver com os autóctones? Exceptuando a meia dúzia que ainda passeia no poder e nos espolia. Só pode ser o exemplar ensino da universidade que ministra a cadeira da eficaz lavagem de dinheiro.

Assim uma espécie de como os bancos estrangeiros e nacionais têm sempre bons lucros, muito fáceis em Angola. Claro, a espoliarem terras e a destruírem os haveres do Pai Tomás angolano, e do Terror estalinista nas ruas de Luanda.
«De kem é a culpa angolanos??? Nossa e de mais ninguém, nós legitimamos nosso sofrimento. Nem um grito de socorro colectivo, é bater palmas, mexer a bunda, deitas umas lágrimas de crocodilo de kdo em vez... e a vida continua. E a clínica por ser no alvalade "nem tem nome"!!!! Se fosse no Zenga já saberiamos o nome...» Comentário em http://mesumajikuka.blogspot.com/

Não é nada fácil sair do ambiente da ignorância, especialmente onde impera a superstição da Igreja. Fazem-nos crer que existem demónios por todo o lado, quando na verdade o verdadeiro demónio é a Igreja.
A Sonangol, que é um governo paralelo, já disse que tem de diminuir custos e rever contratos. Porque com os preços actuais e futuros do barril petrolífero, assim não dá. Decerto dará para exaurir em potentes estádios de futebol. E porque não numa universidade? Numa biblioteca? Estas medidas contradizem tudo o que a idiotice e analfabetismo dalguma intelectualidade que suga as riquezas do país, reforçadas com as declarações dos lambe botas da nova identidade cultural.

Que a nossa economia continuará, não se afectará pela conjuntura internacional. Com declarações marxistas-neocolonialistas, de quem se perdeu no tempo, e dele não pensa sair. Caminhemos meus senhores, decididos para a eminente destruição do que resta do ensino em Angola.

A reforma educativa exercida em todo o ensino geral, peca, por defeito, desde a cabeça aos membros. Foi concebida ao mais alto nível do órgão regente, sem ter em consideração as suas estruturas de base. Ademais, concebida por alguém que nunca a experimentou.

Estamos a falar de todo o ensino não universitário, isto é, do primário, secundário (1º e 2º) e/ou médio que, em não mais de dez anos, se reformou. Esta reforma parece-nos deformadora: «o aluno é avaliado durante o ano lectivo, em três (3) trimestres; os (3) equivalem a 30%, porém a última prova equivale a 70%; se o aluno por qualquer circunstância tirar uma nota rasa (baixa) em determinada cadeira – nuclear ou específica, é tido por reprovado». O trabalho do professor durante o ano lectivo é quase irrelevante; pois, até o aluno preguiçoso, se tiver copiado, na última prova (exame/prova escola), passa de classe.

Imagem: FOLHA 8

segunda-feira, 15 de março de 2010

A Ocidente do Paraíso (23). Seria desta que iríamos todos presos, e acusados de malditos comunistas que até comem pessoas?


Numa manhã com o Quitério na baixa de Lisboa, na Rua do Ouro, ouvimos de repente um som que fazia lembrar as reses em louca correria como num filme de caubóis. Eram muitos estudantes que fugiam da polícia devido a uma manifestação. Tivemos tempo para nos refugiarmos numa porta, enquanto assistíamos à fuga desordenada do que parecia uma manada humana. Se não nos resguardássemos decerto seríamos esmagados. Quando a tormenta humana terminou, respirámos de alívio. De volta a casa íamos comentando o acontecido. Enquanto nos despedíamos o Quitério disse-me que depois do jantar nos encontraríamos no Frederico.

Quando cheguei o ambiente estava animado. Parecia um comício. Estava o Zé Luís, o Mota, o Quitério, a equipa toda. O Quitério estava agitado:
- Este país é uma merda. Não temos liberdade. Não temos direito a manifestar a nossa opinião. Se emitimos uma crítica somos logo acusados de comunistas. Se falamos contra a guerra das colónias somos presos pela Pide. Todos os meios de comunicação são censurados. Por causa de tudo isto somos o país mais atrasado da Europa.
O Zé Luís intervém.
- De facto isto está muito grave. Toda a nossa juventude está a ir para a guerra. Os campos estão a ficar abandonados. Muita gente está a dar o salto para a França e outros países. A ignorância aumenta e a miséria também. Por causa da política de Salazar e dos orgulhosamente sós, estamos nos três efes. Futebol, Fátima e Fado.
O Mota atalha pelo lado eclesiástico:
- Fátima? As aparições? Garantiram-me que se tratava de uma senhora que era amante de um alto senhor, e que combinavam os seus encontros no local onde os pastorinhos apareciam. Como este povo é ignorante e supersticioso, acreditam em tudo o que lhes dizem. A Inglaterra libertou-se das suas colónias. Deu-lhes a independência. Com a política que Salazar segue está a levar o país para o caos.
Alguém vê o futuro económico sombrio:
- Se ficarmos sem as colónias que será de nós? Vem quase tudo de lá. Ficaremos na miséria. E o petróleo também vem de lá!
O Zé Luís irrita-se:
- É ao contrário! Quem está a pagar a guerra somos nós. Os prejuízos são muito elevados. Apenas beneficiam meia dúzia de pessoas. Esta guerra já é um comércio. Não esquecer que o rei do aço nos EUA, já fez uma fortuna colossal com a guerra do Vietname. A Suiça é um país pequeno e vive essencialmente dos relógios e do turismo. Portanto não necessitamos das colónias. Devemos dar a independência, entregar o poder...
Alguém fez sinal para acabar com a conversa, e começaram a falar de futebol.
- Eu gosto muito do Benfica!
- Quem é que tem os resultados dos jogos?!

Esta súbita mudança de conversa deveu-se à entrada de um suspeito. O Zé Luís disse que era um bufo da PIDE. De facto o seu aspecto e a sua postura levavam a essa conclusão. Tinha cerca de quarenta e cinco anos. Chapéu meio enterrado na cabeça. Barrigudo e com um fato quase vulgar. O casaco tinha lapelas largas. Já me tinham dito que servia para esconder o distintivo. Rosto e olhar duros, que pareciam mostrarem algum ódio. No balcão disse algumas palavras, voltou-se e olhou para todo o lado. Veio ocupar precisamente a mesa ao nosso lado. Tomou um café. Começou a ler o jornal que trazia, A Capital. Fiquei muito preocupado. Aliás estávamos sempre com medo. Seria desta que iríamos todos presos, e acusados de malditos comunistas que até comem pessoas?

Imagem: http://albertofigueiredo.zip.net/images/nossa_senhora_de_fatima.jpg

Dificuldades para a execução do nosso programa de «Reforma Educativa» (1)


Na verdade vivemos, e quando partimos para não mais voltarmos, prosseguimos sem sabermos o que é o ensino, este verdadeiro amor, este sublime desejo inalcançável. É por isso que em Luanda qualquer farda ordena. E o conceito de analfabetismo alterou-se. Quem sabe ler e escrever e não tem acesso à Internet, também é analfabeto.

Gil Gonçalves e Kandumbu Sangalo

Até que a água sem caudais, fora dos sistemas do ensino, timidamente ainda subia alguns degraus dos andares dos arruinados prédios. Agora que a desviaram para os estádios e prédios só deles, sumiu. Outra vez, sempre no regresso sem saída de 1975. Não se consegue sair deste universitário ano. Parámos no tempo sem ensino, sem tino. Os relógios avariaram, perdemo-nos e encontramo-nos no tempo da fome. É isso, fomos deportados, continuadores da gloriosa escravidão. Confeccionados e amordaçados por este temeroso, teimoso poder apoiado pelo ocidentalizado despudor.

Os bancos continuam a alimentar o sistema financeiro do terrorismo educacional. São cúmplices, espoliam as populações planetárias. E o fundamentalismo deste terrorismo alimenta-se como a marabunta. Os bancos não alteram as regras da matança dos campos de concentração internacionais, e dos alocados locais nacionais bancos demoníacos. E o fundamentalismo deles alicerça-se, grita avassalador, destruidor, vencedor: Kalunga é grande! Kalunga é grande! Acabem com a espoliação deste analfabetismo bancário e o terrorismo internacional e nacional fracassará.

Onde está a luta de libertação? Pifou?! Até este preciso momento Angola não viveu nenhuma luta de libertação. Acontecem sim, é brutas escaramuças entre descolonizados contra a opressão de alguns negreiros. O colonialismo negro tomou o poder pela força para prosseguir na campanha da mais terrível escravização dos semelhantes, com tal selvajaria que espanta o que ainda resta da civilização. Aguardamos esperançados que a verdadeira luta da nossa libertação se reinicie e a educação se pronuncie.

Que salutar apoio ao sistema nacional de ensino, as barulhentas, insuportáveis e indesejáveis igrejas em Angola importam outro inferno, outro poder. Que salutares, que dirigentes: o da Igreja e o do Governo. Qual deles dirige?! Os dois submetem-se às leis de dirigentes enfermos.

A Igreja que nos esconde, não nos ensina, o que tudo se resume a desumanas vigarices, vendedores, governadores da ignorância e da superstição. Pregadores das promessas milenárias que nunca se cumprirão. Apenas têm o desejo de que o dinheiro lhes caia facilmente nas mãos escondidas e mal disfarçadas nas costas corcundas, recurvadas. Mãos pesadas pelo chumbo que fingem informar… como na maior hipocrisia de todos os tempos. Um Deus inventado, deformado e mal informado. Formado e ainda não reformado.

Fabricantes com inúmeras fabriquetas de lascívia sexual, mundial… mestres da pedofilia. E demais indústrias de analfabetismo para dominarem e escravizarem os povos. Porque assim a dinheirama é boa trama. Com rebanhos de estuporados que trabalham para os sustentarem. Sacerdotes de um Deus que sempre reinventam. Destruidores de nações, da Humanidade e da… Liberdade de Imprensa. Sempre na vã tentativa do renascimento inquisitorial. Um Voltaire não lhes chegou, aprontam outro.

O nosso programa de reforma educativa contempla-nos com três classes de escritores angolanos. Os da corte do Politburo, os proscritos e os párias. E importam-se sistematicamente com outras classes de ensino: Importam a política portuguesa. Se o sistema político português não funciona, porquê teimar em mantê-lo? Nesta dimensão paralela procuramos inventar um sistema revolucionário de energia eléctrica.

domingo, 14 de março de 2010

A Ocidente do Paraíso (22). O pior surgiu quando lhes perguntei o que era entropia.


Envergonhado pedi-lhe desculpa e agradeci os conselhos. Entretanto ele perguntou ao Quitério se já tinha, O Fenómeno Humano de Pierre Teilhard de Chardin, porque estava muito interessado em conhecer a sua personalidade. Fiquei muito atento à conversa e disse que também gostaria de o ler. Risada geral. E o Zé Luís: «Ler esse livro?!! Se nós não o entendemos quanto mais você.» Depois insisti com o Quitério a sós que também gostaria de o ler. Mas só depois deles. Assim foi.

Para compreender o livro tive que escrever outro. Além do dicionário também anotava o que eles me iam explicando. O pior surgiu quando lhes perguntei o que era entropia. O Zé Júlio, que quase não falava, disse-me para ir ao Instituto Superior Técnico, que lá tem um livro, compras e depois ficas a perceber. É que nenhum deles me sabia explicar o que era.
Repentinamente alcunharam-me de Zé Maluco, todos. Senti-me muito deprimido. Não é nada fácil sair do ambiente da ignorância, especialmente onde impera a superstição da Igreja. Fazem-nos crer que existem demónios por todo o lado, quando na verdade o verdadeiro demónio é a Igreja.

O Luís apareceu e chamou-me a sós. Desconfiei que era para me pregar alguma partida. Disse-me que estava com o carro do pai dele e que ia comer uma miúda ali para os lados da Pontinha. Desconfiado, lá fui. Chegámos. Enquanto fiquei à espera no carro vi que era verdade. O Luís vinha acompanhado de uma moça que deveria ter entre dezasseis a dezoito anos. Cabelo mal penteado, a saia um pouco amarrotada, seios fartos, que a falta de dois botões da blusa os deixavam assomar à janela dos prazeres. Entraram no carro.

O corpo era agradável, e se bem cuidado e com indumentária apropriada ela mostraria a plenitude da sua beleza, mas mesmo assim dava para a notar escondida nos trapos que vestia. Acho que era uma prostituta que vivia nas barracas. Mas não, não era. De facto era uma pobre mulher que vivia nos casebres, mas não era prostituta. Gostava muito do Luís. Ele conduziu um pouco e parou o carro. Saímos e fomos para um terreno de vegetação fechada. O Luís ficou com ela enquanto eu aguardava. Passados alguns momentos ouvi gemidos baixos, depois mais altos.
- Ai Querido! Ai Querida!
Minutos depois ouvi ele dizer:
- Espera aí que vou falar com o meu amigo.
Piscou-me o olho e fez-me sinal. Avancei mas ela recusou a minha presença. Tentei acariciar-lhe os seios, ela segurou as minhas mãos com força:
- Não, não quero!
- Querida deixa-me chupar as mamas.
- Não, não quero. Não sou nenhuma puta... chama o Luís!
O Luís ouviu a conversa e aproximou-se:
- Filha, gosto muito de ti, compreende… faz o jeito ao meu amigo. Nós viemos de longe como sabes, e lá nos Olivais-Sul há uma crise muito grande de mulheres. Não as há, entendes?!
- Está bem aceito… mas faço isto por ti!
O lenço com que ela estava a acabar de limpar o ventre ainda molhado, húmido do gozo do Luís poisou-o ao lado. Estava sem sutiã. Agarrei nos dois seios ao mesmo tempo, e um após outro suguei-os com força. Ela disse que já estavam tesos. Acariciei-lhe a vagina e o clítoris. A gemer disse-me para mexer mais devagar porque lhe estava a doer. Penetrei-a docemente e depois num ímpeto sem fim acabei num jacto final de leite oprimido, liberto com um suspiro de grande satisfação.

Imagem: http://www.traca.com.br/livro/413266/o-fenomeno-humano#../../util/thumb.php?imgThumb=413266.jpg&larThumb=600&altThumb=500&pathImagem=../capas/&path2=413266

Títulos do semanário FOLHA 8, número 998 de 13 de Março de 2010


Destaque
Foi o MPLA que escreveu o discurso de José Sócrates?
Desempenho positivo. Diplomacia positiva da TAAG em Lisboa
Errar humano é. Sinceras desculpas. Tânia Burity tem legitimidade de se queixar do F8 em nome da sua honra.
EUA denuncia roubalheira de dirigentes angolanos. Quem desvia os fundos públicos é “tirador” ou gatuno?
Vai-se ou não cumprir a lei militar. Dos Santos terá coragem de nomear um ex-Kwacha como CEMG das FAA.
FAA podem testar a «bomba» da reconciliação Nacional
Dificuldades para a execução do nosso programa da Reforma Educativa
Por ocasião do 13 de Março. Samakuva aponta o dedo aos chefes dos “gatunos” do erário público.
A mensagem da TPA sobre Nandó. Quais as razões de se correr atrás de um boato? O que se passa existe ou não se passa?
Obra exclusiva F8. O cavaleiro Epok, o petrolífero (20). Reino Jingola, algures no Golfo da Guiné.
Livre circulação no espaço lusófono? – Talvez um dia, assim haja vontade.

Dossier
África decadente. Causas dos golpes de Estado.

Entrevista
Comerciantes e empresários angolanos, abandonados pelo governo. O Estado não apoia os nacionais.

Nacional
No Rocha Pinto esquadrão da morte volta a atacar.
Demolições chegam à Huíla.

Sociedade
A morte e a vida são sublimes II
Folha familiar. Estudo indica. Homens infiéis têm QI inferior.
Filho intenta violar mãe
A economia angolana adentro. Estiagem no Tchindjende prejudica colheita.
Mendigo quer mototáxi. Estrada Benguela-Baía Farta, porque tarda a renovação?
Água poluída nas torneiras da Vila Alice. Camiões carregados a nova sedução dos meliantes.

Economia
Projecto “Quintas do Rio Bengo” vai lançar segunda fase.
Banca. Finibanco poderá abrir representações na Huíla e Benguela.
Polícia regista 27 infracções económicas em sete dias.

Actualidade
Caso frescura. David Mendes exige do Estado indemnização
Barra do Dande em cinzas. Incêndio misterioso atiçado por criança/velha fantasma, devasta acampamento de Mukuakuizas recalcitrantes.
Técnicos portugueses ilegais em Angola

A Quente
O “Folhinha” votado ao ostracismo. Depois do submarino, o “Táxi Amarelo!” Os últimos efeitos da crise mundial.

Lazerando
Língua ambígua. Os poetas não vão para o céu. Premonições de gato. Horóscopo.

Opinião
Pena di Guiné. Servir o país e os cidadãos, o verdadeiro papel da verdadeira e livre comunicação social.
As catrapumbas de Angola. Juro dizer a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade.

Top Secreto
Segredos da felicidade conjugal. Constituição partidocrata.

Crónica
Do outro lado do Oceano. Acomodação
Psicologia & Você. Sexualidade: a disfunção eréctil (Fim). Na hora da Leitura, o “kulaxingo” e a “entreajuda”.

Ciência & Educação
A eterna conspiração dos políticos contra os académicos (I)

Cultura
Dadaísmo apresenta “Olímias” em Luanda.
Espaço poético. Clarice Lispector.
“Le Blute Fin”, data de 1886. Descoberto novo quadro de Van Gogh, o primeiro desde 1995.
Exposição fotográfica homenageia mulher
Mitosofia. Em nome de Allah, corte-lhe a mão! (II).
Angola. Artes plásticas entre o debate e a afirmação.

Desporto
Girabola 2010. D’Agosto defronta Benfica. Drulovic já aprendeu a lição. CAN-2011. Palancas à prova em Madagáscar. Petrolíferos atentos no adversário.








sábado, 13 de março de 2010

A Ocidente do Paraíso (21). Mais tarde descobri que imitava o Fernando Pessoa… até na indumentária.


O António Eduardo Coelho da Mota era muito falador. Apresentava-se sempre impecável de fato e gravata. Alto e muito magro, de olhos largos, sempre barbeado e bem penteado. Sempre a perguntar ao Quitério qualquer dúvida que tivesse. Era muito agressivo e de carácter instável. Mudava de personalidade constantemente. Isso era devido a ser filho único conforme confessava. Os meus pais exigem muito de mim, lamentava-se. Uma coisa tínhamos em comum. O recenseamento militar e a mobilização para uma das colónias. Era necessário queimar o tempo que faltava.

Nesse pesadelo do tempo perdido das tardes, encontrava o Mota no Frederico a escrever num caderno. Escrevia muito. Com um chapéu e óculos sempre muito pensativo. Mais tarde descobri que imitava o Fernando Pessoa… até na indumentária. Outros jovens universitários apareciam ocasionalmente. Das conversas que mantinham, grande parte delas não entendia. Mas com o tempo fui aprendendo muita coisa com eles. O Quitério disse-me que devia ler muitos livros. Como ele ia à Biblioteca Municipal do Alvalade regularmente, disse-me para o acompanhar pois que lá podia trazer três livros gratuitamente e ao fim de quinze dias devolvê-los.

E foi assim que me reiniciei nos Grandes Mestres da Literatura Universal. As obras de Jorge Amado li-as quase todas. Mas o autor que mais gostei e creio que li tudo o que publicou foi, William Somerset Maugham. De estilo simples e humilde, muito viajado, com profundos conhecimentos, hábil narrador, honesto, dizia que escrevia para ganhar dinheiro, que conhecia mal a língua inglesa e que o seu êxito se devia aos tradutores. Impressionava-me os desfechos das suas obras. Especialmente, O Fio da Navalha, que habitou permanentemente na minha mente. A Biblioteca Municipal itinerante que funcionava num carro, também me permitiu muita leitura, porque aparecia próxima da rua onde habitava.

O Quitério e o Mota com outros intelectuais tiveram a ideia de fundar uma biblioteca doméstica que funcionaria na casa de um deles. Com jóia inicial e quotas mensais adquiriam os livros. Na realidade quem teve a ideia foi o Zé Luís. Era ele o chefe, destacava-se em tudo, no intelecto e cultura. Um jovem de fino trato, de educação refinada. Sempre muito simpático para quem quer que fosse. Tinha o hábito de cumprimentar sempre com um leve inclinar de cabeça. Quando surgia, instintivamente todos nos levantávamos para o saudar. Era directo e frontal. Tentei um diálogo com ele, na realidade queria impressioná-lo. Lia artigos científicos nos jornais, cortava-os e guardava-os, especialmente os do Eurico Fonseca no Diário Popular. Avancei com Von Braun:
- Você sabe que li um artigo sobre o Von Braun?
Você era o tratamento que ele dirigia a todos. Acho que pretendia manter uma certa distância.
- Ah Sim?! Então quem foi ele?!
- Sem ele não existiriam foguetões, não seria possível ir à Lua.
- Perguntei-lhe quem foi ele!
- Um alemão.
- Isso é cultura jornalística!
E como andava sempre com livros debaixo do braço, notei o seu olhar de censor romano.
- Muitos livros pouca sabedoria. Deixe de ler os artigos científicos nos jornais.
- Não tenho dinheiro para comprar livros científicos.
- Por isso mesmo deve ficar calado. Oiça as nossas conversas para aprender alguma coisa.

Imagem: http://oprincipiodoslivros.blogspot.com/2006/12/o-fio-da-navalha.html

Está cheia de saúde, Luanda desenvolve-se, não há PIB que se lhe compare.


O PIB sobe tanto que já ultrapassou o cume do Evereste.
Dizem que até se apoderou dos Himalaias, está muito Himalaiko.

E continuamente o tempo move-se e tudo, nós, tão parados, tão inalterados.

Prometeram a independência às populações para as espoliarem, e de século em século as arrastarem para a mais horrível sujeição.

Não são os filhos que as zungueiras carregam nas costas, É ANGOLA!!!

As empresas de saneamento prestam-nos mau serviço. Apenas limpam uma pequena parte das ruas. Grandes quantidades de idiotas, de ditadores e de especuladores imobiliários incham os contentores do lixo.





sexta-feira, 12 de março de 2010

«Guarda Presidencial Convocada De Emergência»


Lisboa – Soldados afectos a Unidade da Guarda Presidencial (UGP) foram convocados de emergência, esta Quinta feira, para estarem de plantão, às 5h (horas de Luanda) no respectivo posto militar por razões que de inicirio eram do desconhecimento dos mesmos. A convocatória abrange a todos incluindo aos elementos que hoje observam dia de pausa.

Fonte: CLUB-K.NET

A inesperada convocatória esta a ser associada a rumores “tendenciosos” postos a circular em Luanda que atribuíam o passamento físico do Vice-Presidente angolano, Fernando da Piedade Dias dos Santos. Ao regime esta lhe a ser igualmente atribuído sinais de suspeitas de tendências distabilizadora de malfeitores que expalharam tais rumores, sobre a segunda figura do Estado angolano.

A UGP, é um dispositivo de segurança cujos treinos dos efectivos é assegurado por assessores da Coréia do Norte. É dirigira por um comandante, o Tenente -general Alfredo Tyaunda que por sua vez reporta ao chefe da casa-militar, o general Manuel Vieira Dias “Kopelipa”.

A Ocidente do Paraíso (20). Depois o célebre Zip-Zip que originou a que Lisboa parecesse uma cidade abandonada


Lixo e normas de convivência não se ajustavam com os demais moradores. E a sapataria começou a sofrer assaltos. Porta arrombada, caixas de sapatos vazias. As semanas passavam e a situação mantinha-se. Ninguém sabia quem era, mas suspeitávamos que eram os da aldeia dos macacos. Até que depois as nossas suspeitas se confirmaram. Um grupo de jovens sem meios de vida surge no Café do Frederico. Com bons sapatos e a fumarem boas marcas de cigarros, a jogarem bilhar durante horas, a comerem sandes de fiambre, de presunto e com vestuário caro.

Estava desvendado o mistério dos assaltos… eram eles. Creio que a Polícia Judiciária lhes vinha no encalço, porque pouco depois aparece em cena. Foram todos presos. Pouco tempo depois são soltos devido aos pais pagarem as despesas correspondentes e o motivo de serem menores. Claro que os assaltos aumentaram. Já não era só a sapataria, eram também as vivendas mais luxuosas que circundavam o bairro que entraram em pânico. Era uma grande onda de assaltos. E lá ressurgiam eles no Frederico quase como novos-ricos. E a Policia Judiciária também. Como solução para acabar com tantos assaltos enviaram os jovens para o reformatório. Os assaltos acabaram e os Olivais-Sul voltaram à normalidade.

Os clientes aumentam e o Frederico serve novos petiscos. Caracóis, caracoletas e camarão. Coloca uma máquina musical com os melhores êxitos do mercado. Para ouvir as músicas são necessárias moedas. A máquina não pára de tocar. Um rádiotécnico amigo convida-me para ir a casa dele ver a última novidade em som Hi-Fi. Coloca um disco com o quinto andamento da nona sinfonia de Beethoven. O efeito sonoro é de espantar. A partir daí a minha alma deixou de ser a mesma. Os coros de Beethoven perseguem-me constantemente como se o céu estivesse infestado de anjos. Mais tarde oiço o maestro António Vitorino de Almeida afirmar na TV que Beethoven está para além da própria música. O som invade os nossos lares. Com os Beatles é o despontar de uma nova civilização.

Alguns dos meus amigos tentam seguir a onda da proliferação dos conjuntos musicais que surgem por todo o lado. Criam conjuntos amadores à espera de uma oportunidade. Um deles até tem manager. Mas parece que apenas um dos componentes se esforça. É o Marinheiro que toca bateria quase todo o dia a imitar os Beatles. À noite reúnem-se no Frederico para fazerem o ponto de situação. Achava engraçadas as suas pretensões porque os restantes membros do conjunto passavam o tempo no Frederico a falarem de estratégias musicais. Claro que este conjunto e outros não demoraram muito. É necessário lembrar que John Lennon era um profundo conhecedor do folclore inglês.
As máquinas nos cafés e os equipamentos portáteis musicais começam a originar a poluição sonora.

Na TV do Café do Frederico acontecem coisas fora do vulgar. Aparecem os desenhos animados. O coelho, o pato e outras personagens da Warner Brothers. Durante estes poucos minutos de todos os dias o café enchia. Era risada. Uma grande alegria como nunca imaginei. Quando surgiu a série americana de caubóis Bonanza, o café ficava tão cheio que não havia mais lugar para ninguém. Depois o célebre Zip-Zip que originou a que Lisboa parecesse uma cidade abandonada aquando da sua emissão porque as ruas ficavam desertas. São nestes momentos que conheço dois personagens que irão influenciar a minha vida.

O José Lourenço da Graça Quitério tinha acabado recentemente o curso industrial. Pelas conversas que mantinha via-se que era muito erudito. Quando tomava a palavra todos o escutavam. Muito simples e humilde depressa despertou a minha atenção. Magro e baixo com um bigode ligeiramente farto, rosto pequeno e olhos profundos, coxeava ligeiramente devido a um acidente com um tractor em Ataíja, Alcobaça, donde era natural.

Imagem: http://www.britamtvdvd.com/Bonanza_S1V1[1].jpeg

quinta-feira, 11 de março de 2010

A Ocidente do Paraíso (19). Devido ao comportamento dos seus moradores passou a chamar-se aldeia dos macacos.


O Antunes, serenamente servia o seu cliente. Claro que preparava a sua vingança. No dia seguinte o Luís faz os mesmos pedidos, mas o Antunes já estava devidamente preparado para o receber, e gritou:
- Liguem a mangueira e tragam um tambor com água!
E o Luís levou banho. Os dias passaram. Luís veio com alguns amigos, juntaram duas mesas e fizeram uma despesa considerável. Mais tarde as mesas estavam cheias de garrafas de cerveja vazias. Eram quase horas de fechar, e pediram a ultima rodada. Beberam e o Antunes apareceu com a conta para pagarem. Luís pegou num saco cheio de moedas, de valor mínimo, que parecia não ter fundo, e entregou-as ao Antunes, este calmamente riposta-lhe:
- Grande filho da puta.

Quando o Luís aparecia ficávamos atentos, porque nunca sabíamos qual era a partida que ele iria fazer. Numa dessas vezes alguém concentrado lia o Diário de Noticias – as páginas eram gigantes – sentado, obrigava a que o corpo ficasse quase todo coberto. O Luís acendeu o isqueiro, aproximou-se da parte do jornal que quase tocava o chão e pegou-lhe fogo. A chama elevou-se rapidamente e gritou:
- Eh pá estás a arder!!!
- Hã!? Hã!?
Quando queria tomar um galão e não tinha dinheiro, sentava-se ao pé de alguém que se preparava para tomar o seu. Utilizava a ponta do guarda-chuva como colher para agitar o açúcar, como o galão já não dava para beber, o Luís ingeria-o assim mesmo.

O Frederico de vez em quando sentava-se à nossa mesa. Trocava opiniões, dava-nos conselhos, jogava aos matraquilhos, ao bilhar… era quase como um pai. Quando alguém se comportava indignamente não tinha meias medidas. Chegou ao ponto de expulsar clientes seguros pelas orelhas, pelo vestuário e até com um pontapé no rabo. Quando surgia um possível desordeiro, nós sabíamos que não demoraria muito a que ele não conservasse o ambiente salutar.

Forte e de altura acima do comum, a sua presença era suficiente para impor respeito. A sua esposa era bastante humilde e seguia os mesmos princípios. A filha quando começou a namorar, sentia vergonha de servir os clientes, de levar a bandeja às mesas. Pedia-nos por favor em voz baixa para os servirmos, quando eram clientes ocasionais. Isto só se verificava durante o dia porque à noite não era necessário. Em suma, o êxito do Frederico deve-se à intimidade que mantinha com os seus clientes, o que acho digno de realce para quem pretenda manter o seu futuro no negócio.

Depois instalou-se uma sapataria, e antes dela uma pequena tabacaria que entre várias coisas vendia jornais e algumas revistas. Era aqui que comprava o Diário de Lisboa, ou o República. O Diário de Lisboa porque preferia este a qualquer outro, devido à sua linha editorial. Acho que era o mais educativo. Voltando à sapataria, esta tinha muitos modelos de sapatos, o que para nós era motivo de satisfação. Depressa angariou muitos clientes e as vendas eram consideráveis.
Mas, na parte baixa dos Olivais-Sul existia uma pequena área que devido ao comportamento dos seus moradores passou a chamar-se aldeia dos macacos.

Imagem: http://www.oliveirasalazar.org/galeria.asp?idTema=68

Títulos do FOLHA 8. Número 997, de 06 de Março de 2010


Democracia ou teatocracia. Afinal qual é o nosso sistema político?
Mais liberdades no papel esvaziadas na prática
Editorial. O país lá(tinha)
Militantes querem eleições antecipadas. Samakuva a prova na “máquina da verdade”
Crise na Nova Democracia. Líder denuncia fraude e pirataria de Quintino Moreira
Apocalipse do Apóstolo São quase 50 anos de sofrimento. Igreja Católica não deve abandonar democracia.
Dos Santos põe fim aos boatos. Fontes Pereira não está na lista dos suspeitos sobre desvio de fundos.
Um apelo e uma história. Memorial do Kuito Kuanavale enaltece a enorme mentira do regime.

FMI inicia missão de revisão de empréstimo. Isabel dos Santos e Manuel Vicente poderiam ocupar lugar do Fundo Monetário.
Bacia de São Tomé e Príncipe na mesa. Nigéria quer mais colaboração de Angola no comércio e relações com África.
Obra exclusiva F8. O cavaleiro Epok, o petrolífero (19). Reino Jingola, algures no Golfo da Guiné.
Na lógica do Cónego Apolónio. Angolanos mentem quando falam de pobreza e miséria.
MPLA quer legislar. Lei para moralizar gestão pública.
Relatório sobre Direitos Humanos. AJPD exige nova postura da Polícia Nacional em Cabinda.

Entrevista. Assessor de Samakuva denuncia perseguição. “Querem matar-me por falar do rumo perigoso do país”
Nacional. Reverendo Wambo será processado
Oficial da FAN (Força Aérea Nacional) acusado de fraude

Sociedade. Inundação periga vida de cidadãos. Parteira “incentiva” parto na rua. Atraso salarial aumenta mortes no HPL (Hospital Provincial de Luanda.) Crianças infectadas afectadas pelo tabu. Folha familiar. Brincadeira acaba em separação. Casal negoceia divórcio sem separação.

Economia. Lucros suspeitos. Sonangol fala em 2 biliões mas não prova como…
Governo vai vulgarizar betão. Governo e a caça ao kumbú. FMI vai dar e fiscalizar o dinheiro ao governo. Movicel vai mal na informática. Péssimo serviço digital aos internautas.

Actualidade. Tolerância zero. Falcatruas do Governo.
Top Secreto. Santos (F.C.) de casa não fazem milagres. Bill Gates lottery for Internet expansion in the World 2010.
A Quente. A insustentável ligeireza do humor. Wisa, um valor certo. Colégios manhosos.

Opinião. Pena di Guiné. O dilema da Guiné-Bissau. É fundamental combater as causas! Ética & Existência. A apatia da juventude angolana face aos desmandos do governo é preocupante. Viriato da Cruz, encruzilhada da verdade histórica. Urbanizando. Crescimento das cidades como fenómeno urbano.

Crónica. Psicologia & Você. Sexualidade: a disfunção eréctil (II). Na hora da leitura. Canto da leitura. Os Imbangala e os portugueses (II).

Ciência e Educação. Professores deputados descobrem deficiências das associações de professores.

Cultura. Espaço poético. Ser mulher. Primeira obra de Galileu traduzida em português. Artes plásticas. Artistas angolanos solidários com o sofrimento haitiano. Mitosofia. Em nome de Allah, corte-lhe a mão. A língua na boca dos falantes. “decidiu realizar”



quarta-feira, 10 de março de 2010

A Ocidente do Paraíso (18). O jornal de hoje e o de ontem, um palito para os dentes, um copo de água e um pano para limpar a mesa!


«O Bairro dos Olivais Sul começou a ser construído em 1959. De promoção municipal, abrange uma área de 186 hectares destinada a 38250 habitantes, na maioria em regime de habitação social, distribuídos por 7996 fogos. Tal como na Alta de Lisboa, quis heterogeneizar-se o bairro com edifícios para realojamento e outros de venda livre. Com base nos ideais da Carta de Atenas, com ligeiras alterações ao mais purista e antecessor Olivais Norte, procurou fazer-se um bairro onde os conjuntos edificados estivessem ligados pela estrutura verde, com ruas de acesso restrito para cada bloco ligadas a um esquema viário principal. A qualidade de vida dos moradores foi uma das principais preocupações dos urbanistas do projecto, os arquitectos Rafael Botelho e Carlos Duarte. No entanto, é costume dizer-se que o projecto falhou.» In http://www.viveraltadelisboa.org/?p=251

Na nossa zona, próxima da rua Cidade de Vila Cabral surge o primeiro café. Inicialmente de pequenas dimensões, mas devido à grande afluência de clientes depressa cresce com uma esplanada considerável. O seu interior também aumenta e nasce um anexo com jogos de bilhar e matraquilhos. O café não tinha nome, não tinha letreiro que o identificasse, e nós demos-lhe um, o do nome do seu proprietário, Café do Frederico. A sua fama era tal nas redondezas que roubava clientes de outros cafés. Entretanto um outro aparece nas proximidades, aí a uns quatrocentos metros de distância do Café do Frederico. Era considerado de luxo porque uma pessoa mal vestida não podia nele entrar. Tinha anúncio luminoso muito bonito: CAFÉ TRÊS PORTAS, porque tinha três portas de entrada. Primava pelo silêncio absoluto, um local ideal para estudar, meditar e trocar ideias… sem ninguém que incomodasse.

Um investimento vultuoso. Muitos de nós saímos do Café do Frederico por vingança, porque como só existia o café dele, ele tratava-nos como bem entendia, e até com desprezo em algumas situações. Assim convencemo-nos que ele iria à falência. O Três Portas em pouco tempo começou a lotar, e o Frederico a vazar. As semanas iam passando, e de repente todos começaram a voltar para o Frederico. O Três Portas ficou às moscas, e acabou por falir por falta de clientes. Porquê? Esta era a questão que todos comentavam. Mas creio que era fácil de explicar: no Frederico estava-se à vontade, num ambiente sem cerimónias, com simplicidade, com rusticidade.

Além do Frederico, trabalhavam também no café, a sua esposa, a sua filha, e à noite o Antunes, que depois do seu serviço diário fazia biscate como empregado de café. Tinha cerca de cinquenta anos, era muito simpático, muito educado e brincalhão. Quando algum de nós não tinha dinheiro para pagar a despesa, não havia problemas, podia-se pagar no outro dia. Claro que existia no nosso círculo alguém mais ousado que entendia de vez em quando aborrecê-lo. Um desses, o Luís, de altura desmedida, chegava, sentava-se, o Antunes aproximava-se e perguntava-lhe o que queria, e o Luís:
- O jornal de hoje e o de ontem, um palito para os dentes, um copo de água e um pano para limpar a mesa!
- E vossa excelência não deseja mais nada?!
- Sim, acenda-me o cigarro por favor!
- Está satisfeito? Deseja mais alguma coisa?
- Sim, que horas são?
- É tudo?!
- Não, avise-me quando começar a chover.

Imagem: «Rua Cidade Vila Cabral, Olivais Sul, Deixem-me dizer-vos, que o bairro dos Olivais marcou a minha vida até aos dias de hoje, sempre vivi no "Meu bairro" fantástico, com muita área verde sem excessos de construção, os prédios muito bem “arrumados”, com bastante área pedonal, tudo muito bem estruturado e pensado para que as pessoas pudessem viver num ambiente tranquilo espaçoso e verde. Provavelmente tendo em vista o futuro. Junto anexo (na minha opinião) o melhor cartão de visita do "Meu Bairro".»
Adicionada por Nuno Melro Facebook

«Em Portugal é necessário ter licenciatura para estar na caixa do hipermercado a ganhar 600 euros»


Hugo, Estrangeiro. 03.02.2010 09:44
Emigramos porque sim, porque Portugal nao tem nada
Portugal nao tem nada para oferecer a quem nao esteja interessado em lamber botas, fazer carreira política ou progredir professionalmente. Mas é progredir, nao fazer carreira deixando os anos passar à espera da promoçao.


Em Portugal é necessário ter licenciatura para estar na caixa do hipermercado a ganhar 600 euros, e é preciso doutoramento na escola da vida para ser mil eurista. Portugal nao tem respeito pelos seus cidadaos e portanto os cidadaos devolvem a amabilidade com apatia, o que só cria um depressivo círculo vicioso. Portugal é bom para passar férias e fazer circuitos gastronómicos, enquanto rimos das trapalhadas que vao aparecendo nos telejornais. De resto, ZERO. E, sim, nao volto a Portugal, porque nao sei ganhar a vida com ordenados de 600 euros e nao faço da arrogancia um modo de vida.
«Em Portugal é necessário ter licenciatura para estar na caixa do hipermercado a ganhar 600 euros»

KKK, KKK. 03.02.2010 10:50
KKK
A pátria é aquela que nos recebe bem e nos trata de igual para igual , a pátria é onde nos sentimos livres e seguros , a pátria é onde podemos ganhar a vida hónestamente com dignidade sem exploração ,perseguição e humilhação , a pátria é onde os nossos filhos teem acesso a escolas seguras e a hóspitais condignos , a pátria é onde as pessoas nos respeitam pelo nosso caracter e dignidade húmana , a pátria é onde povo tem um espirito patriota , a patria é aquela onde as pessoas teem um espirito de entre ajuda e de benevolencia para com o proximo, a pátria é onde há justiça para todos de forma exemplar ... portanto Portugueses o mundo é redondo e náo retangular procurem a voça patria e deixem os ratos comerem-se uns aos outros ...
1.
2. JP, Almada. 15.01.2010 12:29
Pequena precisão para o 'quem foi?' de Johnny
Não foi Portugal, foi uma minoria, apenas alguns portugueses - e que nem portugueses deveriam ter direito a ser -identificáveis e conhecidos (ex. Álvaro Cunhal e Mário Soares eram os líderes dos 'gangues' rivais que disputavam o poder em Portugal e decidiram o destino de Angola naquele momento). Quem entregou o poder ao MPLA, quem abandonou os portugueses que lá viviam foram os comunistas e os socialistas que controlavam o poder em Portugal após o golpe de Estado de 25 de Abril. Uns para beneficiarem a mãe Rússia outros para se beneficiarem a si mesmos e aos EUA. Quando se prejudica de forma tão gritante os interesses de um país em benefício de outro(s) estamos perante um crime: traição. Mas neste Portugal de Abril isso já não interessa nada. A única coisa que interessa é rebentar ainda mais com o país e ganhar algum com isso.
1.
2. José Pedro, Copenhaga, Dinamarca. 08.01.2010 12:04
É tudo uma questão de perspectiva...
Para todos aqueles que acham bem o que está a acontecer em Itália fiquem a saber que existem cerca de 5 milhões de emigrantes portugueses por esse mundo fora ( (...) ). Dado este numero (igual a metade da populacão residente em Portugal!), não é dificil imaginar que poderá existir um lugar neste mundo onde o racismo é especificamente contra portugueses. Ora experimentemos então subsitituir a palavra "preto" por "português" no artigo em cima. Talvez nesse caso os comentários xenófobos que aqui são escritos aprovando o comportamento de alguns italianos fossem diferentes? É que a vida dá muitas voltas e quando menos se espera somos nós o alvo do racismo de outros.

3. Graça Afonso, graca.afonso@iol.pt. 08.01.2010 12:02
Será engano meu?
Será engano meu ou a Italia está a assistir a uma epecie de Noite de Cristal?Isso , como se sabe, aconteceu imediatamente antes da 2ªguerra!Isto está bonito!...

4. Mavdnov, Russia. 08.01.2010 11:46
Na Russia
que mania a dos italianos, portugueses, espanhois pensarem que sao brancos!! :) nao há espelhos nos vossos países??? Aqui na Russia seriam tratados de igual modo que tratram aos negros... é um pouco como aquela historia da mae que faz filho com dois maridos, um é o que é e outro é o que aparenta ser. O que aparente ser dá filhos que aparentam ser duas vezes entao, esses filhos como nao sao querem vingar-se dos que sao. Repito, latinos, vocês nao sao brancos... apenas uns miudos mimados com vontade de se afirmar. apareçam por cá num jogo do CSK.

5. Jorge Pinto, FUNCHAL. 08.01.2010 11:41
SOMOS OS MELHORES
Somos tão bons a acolher estrangeiros que até o país está cheio de criminosos, alguns deles itinerantes. Cá dentro acolhemos todos, bons e maus. Somos um país patusco. Só falta a polícia pedir desculpas formais aos ditos cujos.

Voltaire. E muitos crânios dos idiotas infalíveis conhecidos como santos.


Voltaire foi por muito tempo um crente no otimismo do papa: "Todo o mal é passageiro; todo bem é perene". Esta é uma bela filosofia para os bem afortunados. Adapta-se aos ricos. É perfeita para os padres e reis. Soa bem. É uma bela pedra para jogar num mendigo. É um artifício que nos permite ver com satisfação as desgraças dos outros.

http://www.mphp.org/racionalismo/voltaire---robert-g.-ingersoll.html

Esta não é uma filosofia daqueles que sofrem – para a indústria vestida de farrapos, para o patriotismo na prisão, para a honestidade na necessidade,. Esta é uma filosofia de classe, para poucos, e os poucos bem afortunados. E quando a desgraça os atinge, essa filosofia de desmancha e desaparece.

Em 1755 houve um terremoto em Lisboa. Este desastre terrível transformou-se numa interrogação.

Os otimistas foram levados a pensar: "O que meu Deus está fazendo? Por que o Pai Universal esmagou impiedosamente milhares dos seus pobres filhos mesmo no momento em que eles estavam de joelhos dando graças a Ele?".

O que poderia ser feito com esse horror? Se têm de haver terremotos, por que não acontecem em áreas desérticas e inabitadas ou em áreas no meio do mar, distantes? Este evento assustador mudou a teologia de Voltaire. Ele se convenceu de que este não é o mais perfeito dos mundos possível. Ele descobriu que o mal está aqui desde sempre, e para sempre.

Os teístas ficaram mudos. O terremoto foi uma negação da existência de Deus.

SUA HUMANIDADE
Toulouse era uma cidade privilegiada. Era rica em relíquias. O povo era tão ignorante como imagens de madeira, mas eles guardavam consigo os corpos ressequidos de sete apóstolos – os ossos de crianças mortas por Herodes, partes do vestido da virgem Maria, e muitos crânios dos idiotas infalíveis conhecidos como santos.

Nessa cidade o povo celebrava todos os anos, com grande alegria, dois eventos santos: a expulsão dos Huguenotes e o abençoado massacre de São Bartolomeu. Os cidadãos e Toulouse haviam sido educados e civilizados pela igreja.

Os poucos protestantes, discretos por serem minoria, viviam no meio desses chacais e tigres.

Um desses protestantes foi Jean Calas, um pequeno comerciante de produtos secos. Por quarenta anos ele esteve no seu negócio, e seu caráter era irrepreensível. Era honesto, bom e agradável. Tinha uma esposa e seis filhos – quatro rapazes e duas moças. Um dos filhos tornou-se católico. O filho mais velho, Marc Antoin, não gostava do trabalho do pai e das leis estúpidas. Ele não teve autorização de trabalhar na cidade, desde que se tornasse um católico. Ele tentou conseguir autorização negando que fosse protestante. Foi descoberto e ficou revoltado. Finalmente ele se desinteressou pela vida e cometeu suicídio, enforcando-se numa noite, na loja do pai.

Os fanáticos de Toulouse inventaram a história de que seu pai o matou para impedi-lo de se tornar um católico.

Com esta acusação terrível o pai, a mãe, um filho, uma serviçal e um hóspede de sua casa foram presos.

O filho morto foi considerado um mártir e a igreja se apossou de seu corpo.

Isto aconteceu em 1761.

Isto é o que eles chamavam de julgamento. Não havia qualquer evidência, mesmo a mais leve, com exceção do interrogatório. Todos os fatos eram favoráveis aos acusados. A força de união dos acusados não poderiam ter feito o ato.

Jean Calas foi condenado à tortura e à morte na roda. Foi em 9 de marco de 1762 e a sentença deveria ser cumprida no dia seguinte.

No dia dez o pai foi levado à sala de tortura. O carrasco e seus assistentes juraram na cruz cumprir a sentença de acordo com a lei.

Eles o prenderam nos pulsos por uma algema de ferro no muro de pedra quatro pés do chão. Então eles apertaram a corda de tal modo que as articulações dos braços e pernas foram deslocadas. Então ele foi interrogado. Ele se declarou inocente. Então as cordas foram distendidas até que a vida se esvaía no corpo distendido. Mas ele suportava.

Isto foi denominado "A questão ordinária".

Na boca da vítima era colocado um chifre contendo três quartilhos de água. Desta maneira, trinta quartilhos de água eram forçados a entrar no corpo do condenado. A dor era acima de qualquer descrição, mas Jean Calas permaneceu firme.

terça-feira, 9 de março de 2010

A Ocidente do Paraíso (17). A que seria a maior fábrica de cervejas em Vialonga, a Sociedade Central de Cervejas.


Mudei-me para uma empresa que pagava melhor. Tinham uma obra gigantesca e andavam à caça de trabalhadores especializados. Enviaram-me para a que seria a maior fábrica de cervejas em Vialonga, a Sociedade Central de Cervejas. Havia um prazo para a sua conclusão, e à entrada afixado num letreiro estavam os dias que restavam. Trabalhava-se de dia e de noite, sábados, domingos e feriados.

Responsabilizaram-me pela instalação da iluminação da sala de desenho, e também pela instalação dos telefones internos dos gabinetes administrativos. Quando não levava comida, e como alguém teve a ideia de improvisar um barraco grande que servia peixe frito quase intragável em bocados de papel dos sacos de cimento, o vinho não faltava, e lá almoçava e me safava. Quando a obra acabou o seu proprietário recebeu a medalha de comendador.

Um colega disse-me que estavam a construir vários prédios próximo de Cabo Ruivo e pagavam bem. Aceitei a proposta e com um aprendiz instalava tubos plásticos nos sulcos abertos das paredes. Verifiquei que o meu trabalho era mais lento que o dos meus colegas, e o encarregado criticou-me. Fui observar como eles trabalhavam, especialmente o tal que diziam ser o mais rápido de todos. Alarmado, vi que não era trabalho bem feito, porque os tubos eram colocados de qualquer maneira, com curvas muito apertadas onde depois os fios passariam com dificuldade. E as uniões colocadas nos tubos não respeitavam as regras.

Ou eram muito largas, ou restos de tubo mais largo com folgas que permitiriam mais tarde a infiltração de humidade ou água, e dando origem a incêndios. O que era necessário era acabar o trabalho de qualquer maneira, e desleixei-me um pouco. Lembrei-me que os mestres que me ensinaram a profissão eram muito exigentes na perfeição, e aqui isso não tinha qualquer valor.

O patrão disse-me que era urgente estender um cabo numa residência no Campo Pequeno e que seria trabalho para pouco tempo. Deu-me a morada e no outro dia de manhã lá estava para efectuar o serviço. O cliente explicou-me o trabalho que deveria ser feito, mas não se tratava só de estender um cabo, era trabalho por toda a casa, e incluía uma revisão à instalação. Ia tomando nota dos materiais necessários, e o cliente alterava constantemente as suas preocupações, não sabia o que queria, e o tempo ia passando.

Aparece o patrão. Depois de um bom dia, pergunta-me se o trabalho já estava terminado. Queria-lhe responder, mas não consegui. Levei uma chuva de palavrões, eu queria explicar mas ele não me deixava, e o tom de voz tornou-se insuportável, respondi-lhe simplesmente:
- Olhe vá à merda!!!

Peguei nas minhas ferramentas, e desalentado fui-me sentar num dos bancos existentes no Campo Pequeno. Acendi um cigarro, e fiquei longo tempo a meditar como seria a minha vida a seguir, pois que o serviço militar aproximava-se, e criminosamente já ninguém empregava trabalhadores nestas condições. A minha condição de desempregado avistava-se.

Imagem: Aqui enchiam-se latas com a cerveja Sagres Zer0%
http://www.cervejasdomundo.com/Central_de_Cervejas.htm