sábado, 12 de abril de 2014

A Arte de redimir sem nada mudar



Dissemos uma vez e hoje com mais actualidade e pertinência repetimos que o colonialismo negro é pior que o colonialismo branco.
FOLHA 8
O que hoje vemos após 12 anos de paz podre pouco mais é do que o calar das armas, resume-se ao espectáculo prá -vista-ver, no erguer de infra-estruturas por vezes mal-amanhadas em locais inadequados (de recordar a ZEE), no brotar de torres em Luanda a ornar com as suas gigantescas carcaças uma Marginal de luxo e muito bonita, é verdade, mas que não nos faz falta nenhuma, no adorno de edifícios, com lindas pancartas de fachada nas quais se escreveu, aqui a palavra Universidade, além Hospital, sem pessoal habilitado por dentro.
O nosso progresso resume-se a isso e também no abrir de milhares de quilómetros de estradas feitas à pressa que se esburacam quase tão depressa como foram feitas, enquanto, por todo país, se vê a agitação de gente, uma multidão imensa de angolanos que luta para sobreviver e apenas vê o cada vez mais profundo fosso que os separa da elite que vive desalmadamente dos frutos do cabritismo, compadrio, peculato e corrupção.
Governar deste modo selvático é cultura do regime vigente, sustentado por reiterados actos de matar, prender e desempregar as personalidades dissidentes do sistema e o mais recente exemplo dessa desgovernação foi-nos recentemente dada pela necessidade de JES intervir no “caso das zungueiras”, que não é caso nenhum, mas doença endémica do regime.
Essas mulheres aqui em Luanda vêm passando mal desde que começaram a existir nas mais baixas camadas dos extractos sociais, mas a situação por que estão a passar piorou desde que Bento Bento foi nomeado governador de Luanda.
Em 2012, mal tomou posse do seu pelouro avisou que uma das medidas mais urgentes do seu consulado seria estancar a actividade comercial nas artérias de Luanda, especialmente no São Paulo e nos Congolenses, assim como em Viana. Nos dias que correm, por ter implantado a sua táctica favorita de controlo “milimétrico e depois disso ter decidido bestializar as medidas administrativas, Bento Bento está cada vez mais isolado e vai a caminho de uma derrocada política anunciada, tantas são as pulgas que se agitam em seu redor.
A situação foi ganhando contornos cada vez mais sombrios, e tão negros que depois de as organizações da sociedade civil angolana terem condenado “a chantagem, perseguições e assédio sexual por parte de elementos da Polícia Nacional e da Fiscalização contra as vendedoras ambulantes (zungueiras), a páginas tantas, já lá vão alguns meses (bastante mais de um ano), os deputados do MPLA e da CASA-CE juntaram-se à onda de protesto e revelaram mesmo que preparariam acções práticas para ajudar aquelas vendedoras”.
Pelas vozes dos seus respectivos representantes, Lindo Bernardo Tito, porta-voz da CASA-CE e o jurista João Pinto, vice-presidente da bancada parlamentar do MPLA, "foram proferidas palavras de solidariedade, alento e garantia de nos próximos dias darem atenção aos maus tratos contra as vendedoras ambulantes”. Mas, como de costume, vãs foram as palavras e quase nulos os efeitos do que não passou de um processo de boas intenções.
Os estigmas da má governação
Os estigmas de uma má governação apresentam-se o mais das vezes sob forma de desprezo pelos mais pobres, de violência, mentira, incumprimento de promessas feitas, assassinatos de opositores. Tudo isso está plantado, diremos mais, está na massa do sangue vertido pelos guerrilheiros que ainda mandam em nós, angolanos.
Por outro lado, é mais que evidente que não se pode esperar nada do governador de Luanda neste caso das zungueiras (…) Violência, roubo e atropelos da lei são recorrentes desde sempre e com a Dipanda, passaram de mal para pior! Portanto, durante anos e depois de tantos crimes contra a lei, contra a ética e contra os direitos humanos, eis que agora, há pouco menos de um mês, o Presidente da República, repentinamente, descobre que o seu regime é servido por torcionários que sujam e de que maneira a sua imagem?...
É mentira!
JES sabia de tudo e deixou andar, JES é o único responsável por esta situação que está muito longe de ser redimida, tanto mais que BB, quase no final do seu discurso copy-paste às zungueiras abriu o jogo e confessou, se calhar sem se dar conta que confessava, qual era o verdadeiro objectivo desta palhaçada gizada por JES, não para resolver os problemas da zunga, como ele disse, mas apenas para evitar que saísse à rua no dia seguinte, sábado, dia 15 de Março, uma manifestação de protesto reclamando respeito pelos direitos das mulheres zungueiras e dos vendedores ambulantes, que a sua Polícia e os seus fiscais (de JES), maltratam, roubam e assassinam desde o tempo do partido único. Sendo esta a realidade, no final do blablá foi preciso avançar a gasosa tradicional para atenuar a extrema desconfiança dos presentes que sempre foram tratados como lixo.

A “Bandeira” de Bento Bento
No seu papel de papagaio, o senhor governador de Luanda apenas repetiu o que JES lhe tinha mandado dizer, ou seja, que fosse ordenada a suspensão imediata de todos os fiscais que violam, maltratam ou extorquem os bens das zungueiras, assim como a anulação das multas emitidas contra as vendedoras dos mercados formais e informais, isso sem esquecer as orientações do chefe supremo para se proceder à abertura de todos os mercados construídos até ao momento, de maneira a que a partir desse dia a venda normal de bens passasse a ser feita, onde não há mercados, unicamente em ruas definidas pela administração ou direcção das cidades e centralidades e cumprirem com as orientações, inclusive por efectivos da polícia e fiscais, nesse sentido. Como antes, esta é a Bandeira que segundo parece, ninguém viu!
O que valeu foi, no final do seu fidelíssimo relato, como o blablá não tinha chegado para convencer, avançar com a tal gasosa tradicional para atenuar a extrema desconfiança dos presentes. E o senhor “governado” BB disse: «O presidente disponibilizou dinheiro para compensar a perda deste vosso dia de trabalho e 5 mil kwanzas serão entregues a cada um dos que aqui estiveram presentes». Pouco faltou para termos ali mais uma maratona, com as suas “birras” e pinchos!
No dia seguinte a este entremez - ai Jesus, como o nosso Presidente é bom - ninguém reparou que, à parte os 5 mil kwanzas e a promessa de castigar os fiscais mais nervosos, absolutamente nada tinha sido concedido como facilidades às zungueiras.
Ninguém não é bem assim, o que parece é que a única pessoa que se deu conta disso teria sido o presidente da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda (CACL), o general José Tavares Ferreira, que, pelos microfones da Rádio Nacional de Angola (RNA), no domingo passado (05.04), deu ultimato às zungueiras dizendo que “a partir da próxima terça-feira (08/04), não quero ver nenhuma zungueira na rua”. Ora, ao dizer isto, ele não desautorizou orientação nenhuma do governador de Luanda, Bento Francisco Bento, ele apenas se serviu do final do seu discurso na Cidadela para pôr em evidência o que nem os mais astutos analistas da nossa praça viram, isto é, que JES não tinha dado absolutamente nada às zungueiras no que toca a pretensas facilidades.
Mas governar em Angola é assim, não tem maka! Há “marginais de encher o olho”, torres, estradas feitas à pressa, Hospitais e Universidades ocos, há falta de luz, de água, esgotos a céu aberto, não há emprego… é normal! A coberto da ignorância secular do bom Povo angolano e da conivência silenciosa dos pseudo-analistas que invadiram a corte da Cidade Alta.
Foto: O general José Tavares e Bento Bento. A emoção ao rubro neste escaldante aperto de mão!

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