quarta-feira, 30 de abril de 2014

UNITA denuncia (em carta ao governo francês) abusos do regime angolano


Paris - A UNITA em França dirigiu nesta terça-feira, 29, uma carta aberta ao ministro dos Negócios Estrangeiros francês, à imprensa e aos defensores dos direitos humanos naquele país denunciando o governo do Presidente angolano pelos abusos cometidos em 35 anos no poder.

Fonte: Lusa
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O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, é recebido hoje no Palácio do Eliseu, em Paris, pelo Presidente francês, François Hollande, por ocasião de uma visita oficial para reforçar as relações entre os dois países.
"Na Angola do senhor José Eduardo dos Santos não há progresso humano ou económico, menos ainda político. Ao invés disso, ele dirige o país com mão de ferro há 35 anos como um partido único e a dita democracia faz-se ainda esperar", referiu a carta aberta da delegação da UNITA (União Nacional para Independência Total de Angola, na oposição) junto da diáspora angolana em França.
De acordo com o documento, "todos aqueles que se opõem aos ditames do senhor dos Santos, definham nas prisões ou são simplesmente suprimidos fisicamente".
"(...) Os dirigentes [angolanos] torpedeiam sem cuidado sobre qualquer tipo de acordo ou compromisso político, que vise levar permanentemente a paz e a estabilidade social, que a maioria do povo angolano reclama com determinação há três longas décadas", sustentou ainda a carta.
O documento sublinhou ainda que "sozinhos a bordo (do poder), submetem a população angolana à fome mais lancinante. Isto, sem lhes dar uma oportunidade de sair do caos que reina em todo o território nacional".
"O MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola, no poder) lidera uma campanha desenfreada fazendo crer que estão a implementar o multipartidarismo em Angola. Na realidade, não há nada disso! Esta abertura política, da qual se vangloriam tanto, não passa de um simulacro de democracia", indicou ainda.
O documento referiu as mudanças feitas na Constituição, criticando a forma pela qual o Presidente deve ser escolhido, através de eleição indireta, pelo parlamento, sendo uma forma de não permitir a participação de outros partidos no Governo.
De acordo com o texto da carta, há perseguição aos opositores ao Governo angolano e mesmo o "assassínio de manifestantes", dando como exemplo o caso de Alves Kamulingue e Isaías Kassule, assassinados por terem organizado uma manifestação em 2012.
Na carta, a UNITA afirmou que "a liberdade de imprensa é desrespeitada em Angola", há censura, perseguição e a imprensa privada tem um "espaço residual".
"Hoje, o Presidente angolano, no poder desde 1979, enriquece a sua família com o dinheiro do petróleo em detrimento do seu povo", acrescentou.
"A produção petrolífera de Angola gira em torno de 1,625 milhões de barris por dia atualmente, prevendo-se que para 2015 seja 2 milhões de barris diários. Isso explica, em parte, que Isabel dos Santos, filha mais velha do Presidente de Angola, seja a primeira bilionária africana", sublinhou o documento.
"A maior parte dos angolanos vivem com menos de dois dólares por dia, numa miséria extrema, num país que se tornou o Eldorado da África", referiu, acrescentando que, muitos não têm acesso a água potável e a eletricidade.
"Nós apelamos solenemente à opinião pública internacional em geral, aos investidores e aos organismos defensores dos direitos humanos em particular, a estarem vigilantes, porque o povo angolano sofre enormemente com os efeitos nefastos da política do Presidente dos Santos e que não esqueçam que, antes do petróleo, já havia um povo que sofre há cinco séculos. Um povo que precisa de proteção", finalizou o texto.

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