domingo, 6 de abril de 2014

Vandalismo ganha terreno na Baixa de Luanda



Viaturas atacadas, passeios destruídos, sinais de trânsito danificados e, de estrago em prejuízo, as denúncias de vandalismo não param de aumentar na capital do país, perante a passividade dos agentes da ordem pública.
"Partem os faróis e os vidros dos carros, furam os pneus e, em alguns casos, também vandalizam a via pública". O relato chega ao Agora pela voz de José Fernandes, que viu a sua viatura danificada, "por se ter recusado a pagar para estacionar" o veículo.
"Os jovens lavadores de carros e engraxadores de rua, que frequentam os parques de estacionamento e os largos de empresas, estão à frente destas práticas indecorosas", acusa o luandense, que já apresentou queixa à Polícia contra o que diz ser um esquema de coacção.
"Eles ameaçam quem não queira satisfazer a suas imposições", conta José, que viveu o ataque às portas do Governo Provincial de Luanda, na Maianga.
A situação alastra-se por outras zonas do centro da cidade, segundo testemunhos recolhidos pelo Agora, junto de taxistas e funcionários de empresas localizadas na baixa.
RETROVISORES DANIFICADOS POR SE RECUSAR A PAGAR 1.000 KZ
No caso da professora Elisandra Gouveia, a Mutamba serviu de palco para os actos de vandalismo.
"Um rapaz, que aparentava ter 20 anos, ofereceu- se para lavar e controlar a minha viatura nos arredores da Igreja do Carmo, na Mutamba, em troca de 1.000 mil Kz", recorda a docente, que, tal como José Fernandes, sentiu no carro os efeitos de um não. "Como recusei, encontrei a viatura com os retrovisores danificados".
O fenómeno dá expressão às estatísticas da Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC), que vem alertando para o aumento da criminalidade infanto-juvenil. Segundo os últimos dados, divulgados na semana passada, em 2011 registaram-se 964 crimes cometidos por crianças e jovens, número que, em 2012, subiu para 969 e, em 2013, para 991.
EXCESSOS NOCTURNOS REFLECTIDOS NA DESTRUIÇÃO DE SINAIS DE TRÂNSITO E ÁREAS VERDES
Neste âmbito, outra situação constatada pelo Agora prende-se com a danificação das sinaléticas de trânsito, nomeadamente nas ruas Deolinda Rodrigues, Estrada Direita de Catete, Lweji-a-Konda, Ngola Kilwanje e Estrada Direita do Benfica.
"O derrube dos semáforos e outros sinais de trânsito acontece com frequência nos finais de semana, quando muitos jovens regressam embriagados das casas nocturnas", relata Amadeu Jacinto, residente no Sambizanga há 22 anos.
Por sua vez, a ambientalista Sónia Veríssimo lembra que os efeitos do vandalismo também se estendem às zonas verdes.
"Há, em quase todos os cantos de Luanda, jardins vandalizados, árvores perfuradas, queimadas e pintadas indiscriminadamente", sublinha, apontando o dedo aos taxistas e à juventude que, depois de uma noite de farra, extrapola os limites da condução.
"Os jovens estão a arruinar a ecologia, e a Polícia de ordem pública deve agir antes que a situação tome contornos alarmantes", sublinha Sónia.
Sobre a situação, o Agora ouviu uma fonte da 2.ª Esquadra da Polícia Nacional do distrito da Ingombota, que garante estar a par dos acontecimentos, embora tarde em apresentar uma solução.
"Temos conhecimento da situação e estamos a coordenar directrizes de actuação, a fim de dar resposta a estes actos de vandalismo".
O Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos vai realizar, de 8 a 9 de Abril, no Centro de Convenções de Talatona, a Conferência sobre a Cooperação Jurídica e Judiciária Internacional da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa, com o tema: "A globalização e os crimes transnacionais - Os instrumentos legais em matéria de cooperação cível, comercial e criminal".
O certame, a ser aberto pelo ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Rui Mangueira, visa capacitar os magistrados, operadores do Direito e os pontos sobre os instrumentos jurídicos internacionais, bem como harmonizar os procedimentos entre os Estados membros da CPLP. Visa também colher subsídios para o enriquecimento do anteprojecto de lei da cooperação judiciária internacional em matéria penal.
O encontro discute ainda sobre a "Importância da Rede Lusófona e dos Pontos Focais no âmbito da Cooperação Judiciária Internacional", além do estudo e apresentação dos casos práticos e contribuições para a elaboração do manual de boas práticas e modelos uniformes de todos os instrumentos de cooperação (experiências dos diversos países da CPLP, na sua relação com outras redes).
Os documentos a serem produzidos serão apresentados na próxima conferência de ministros da Justiça da CPLP, a ter lugar este ano, na República Democrática de Timor Leste.
AGORA

ANGOLA24HORAS
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