quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Ah! como é tão bonito


Ah! Como é tão bonito viver sem energia eléctrica e sem água
Ah! Como é tão bonito ver os nossos queridos governantes ordenaram selvagens destruições dos casebres dos idiotas sem petróleo para depois construírem os seus complexos turísticos, e neles empregarem estrangeiros desempregados e angolanos na recolha das sobras dos seus repastos.

Ah! Como é tão bonito ver os nossos governantes tão inchados de dólares transportados nos oleodutos bancários dos mercenários.
Ah! Como é tão belo viver no desemprego e ver os estrangeiros, bwé de chineses, como se fosse toda a China. E os estrangeiros da vanguarda corrupta comerem, beberem â farta e lançarem-nos olhares de desprezo, como se fossemos lixo. Têm razão, já o somos.

Ah! Esta independência que nos persegue e tudo nos tira e na morte nos desconsola.

Ah! Como é tão exuberante ver e ouvir o nosso rei falar dos seus negócios pessoais, impessoais, familiares, pois que Angola é toda deles. Não sabem?! Já privatizaram o Mussulu, até a igreja lá na ilha da Cazanga está a afundar-se, aquela da Ilha dos Padres. E no Wako-Kungo as populações espoliaram-nas e obrigaram-nas a refugiarem-se nas montanhas, como fugitivas de um grande maremoto. Já não são angolanos, são montanheses.
E no Lubango o governador – nomeado comandante de campo de extermínio – decerto diplomado pela GESTAPO – está a enviar as populações para as câmaras de gás que previamente construiu sob o olhar manhoso do nosso Fuhrer.

Ah! Como é tão bonito ver do palácio, devidamente protegido pelo exército particular, sentir, apreciar o desenvolvimento económico da miséria. Da estrangeirada que rouba impunemente as terras milenares dos autóctones apenas porque… SÃO NEGROS.
Ah! Como é tão bonito ver Angola entregue, vendida, empossada pelos estrangeiros.

Ah! Como é tão bonito ver a juventude tão sabiamente instruída nas universidades da delinquência, tão violentas.
Ah! Como é de beleza tão invulgar ver Luanda e tudo o que resta das cidades de Angola libertas de negros, porque com eles Luanda fica feia, tudo fica tão medonho, e ao enxotá-los para bem longe os estrangeiros e os falsos angolanos viverem numa boa, afastados dos negros imundos, tão porcos, tão chatos, tão animalescos.
Ah! PORRA! Fora com esses porcos!

Ah! Como é tão horrível ver as mamãs nas ruas escorraçadas pela polícia e similares, humilhadas, porretadas, até a miséria dos seus haveres confiscados apenas porque ousam lutar para não morrerem de fome.

Exigimos saber quem está por trás disto! Que seja demitido e julgado no Tribunal do Povo!

Imagem: zequinhabarreto.org.br

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