domingo, 23 de fevereiro de 2014

Presidente ucraniano não sai e fala em golpe de Estado



Viktor Yanukovich diz que todas as decisões hoje tomadas pelo Parlamento são ilegais. Entre elas, está a libertação imediata da principal líder da oposição, Yulia Timoshenko.

http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=26&did=139925

O Presidente ucraniano, cujo paradeiro é desconhecido desde sexta-feira à noite, falou à televisão nacional este sábado para garantir que não se demite nem abandona o país.

Viktor Yanukovich classifica de golpe de Estado o que se está a na Ucrânia. “Os acontecimentos testemunhados pelo nosso país e todo o mundo são um exemplo de golpe de Estado”, disse.

O Presidente garantiu que não tem intenção de abdicar do cargo ou deixar a Ucrânia que afirmou que todas as decisões tomadas hoje pelo Parlamento são ilegais.

Comparou ainda a situação na Ucrânia ao momento em que os nazis tomaram o poder na Alemanha, nos anos de 1930.

O Presidente ucraniano referiu ainda que o seu carro foi atacado este sábado por tiros, mas não mostrou qualquer ferimento.

“O meu carro foi alvejado, mas eu não tenho medo. Tenho pena do meu país”, afirmou.

Classificou ainda os seus opositores de malfeitores que estão a aterrorizar o país e anunciou que vai viajar pelo sudestes do país, para se encontrar com as populações.

As declarações de Yanukovich são citadas pela agência de notícias russa Interfax, que não especifica a localização do Presidente ucraniano. A entrevista terá, contudo, decorrido na cidade de Kharkiv, no nordeste do país, uma vez que os edifícios administrativos estão ocupados pela oposição.

Uma das decisões tomadas hoje pelos deputados reunidos no Parlamento ucraniano foi a libertação imediata da antiga primeira-ministra e líder da oposição Yulia Tymoshenko. A libertação deve ocorrer ainda hoje.

Outra decisão foi a eleição de um novo presidente do Parlamento, Oleksander Turchynov, pertencente ao partido de Yulia Tymoshenko, Pátria.

A crise política na Ucrânia começou em finais de Novembro de 2013, quando milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra a decisão do Presidente de suspender os preparativos para a assinatura de um acordo de associação com a União Europeia e de reforçar as relações com a Rússia.

A situação nas ruas foi-se agravando e, na terça-feira à noite, polícia e manifestantes envolveram-se em violentos confrontos na praça Maidan, junto ao Parlamento de Kiev. Apesar das tréguas anunciadas na quarta-feira, a manhã de quinta foi marcada por uma escalada da violência e a morte de, pelo menos, mais 49 pessoas.

As divisões são agravadas também por factores linguísticos, geográficos e religiosos. Os ucranianos que vivem no Leste do país falam russo, pertencem à Igreja Ortodoxa Russa e sentem-se próximos de Moscovo, enquanto os ocidentais tendem a falar ucraniano, ser fiéis da Igreja Ortodoxa da Ucrânia ou Católicos de rito bizantino e sentem-se mais próximos do Ocidente.

Hoje, a situação nas ruas de Kiev é de calma, apesar de os autoproclamados grupos de autodefesa terem tomado os acessos ao bairro governamental, onde se situa o Parlamento, o Palácio Presidencial e o banco central.
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