sexta-feira, 13 de junho de 2014

Libertação Social.Folha volante do Bloco Democrático, Maio 2014




É impossível não conde-nar a repressão que se viveu neste dia 27 de Maio, em Luanda. Estes acontecimentos mostram, mais uma vez, o verda-deiro rosto do regime autocrático de JES que já perdeu a razão.
N o seguimento da con-vocação de uma vigí-lia, pelo Movimento Revolucio-nário Angolano (MRA), os esbir-ros da ditadura começaram o seu trabalho, com vista a impedir a realização da manifestação. Na semana anterior ao dia da mani-festação um grupo de bófias, procurando fazer-se passar por membros do MRA, distribuiu panfletos no bairro do jovem activista Manuel Chivongue (Nito Alves), apelando à violên-cia, para o desacreditar e a diri-gentes da oposição, nomeada-mente do BD, recorrendo à men-tira e a argumentos racistas. Um deles foi apanhado e conduzido a PN que o largou sem um termo de identidade sequer.
N a antevéspera da ma-nifestração, a PN cer-cou a Praça da Independencia, interditando-a, mesmo para acti-vidades de lazer. No dia da mani-festação foi montado, desde ce-do, um forte aparato policial (PN, PIR, milícias e muita bófia a civil) foi montado nas redonde-zas da Praça da Independência, desde a Unidade Operativa, onde a circulação rodoviária foi corta-da.
A ordem era simples e lapidar: ”o Chefe dis-se: tudo que respirar corta, não importa a idade”, sexo ou condi-ção física. A ordem era para re-primir sem contemplações e de forma generalizada.
Em consequência dessa bru-talidade fardada de azul cerca de de 30 pessoas foram presas por presumidamente querem ir para a Praça da Independência que esta-va de facto sitiada.
Há a registar, o espancamen-to de vários manifestantes, parti-cularmente o dirigente do Bloco Democrático e Vice-Presidente do Sinprof, Manuel de Vitória Pereira que foi brutalmente ver-gastado nas costas com bastões de ferro e de choque (ver página seguinte) e o jovem Serafim Si-meão, entre outros.
Os presos, mais tarde, foram largados de forma desumana, atirados à rua, há muitos quiló-metros (50 a 100km) de distância do local onde foram detidos. No entanto, durante toda a tarde e já de noite, vários grupos de jovens manifestantes procuraram entrar-na Praça da Independência
O regime de JES per-deu a razão e já só muito poucos nele acreditam ou teimam em aceitar que este é um comportamento de Estado e que esta é a forma de se tratar quem não concorda com o rumo de desgraça e roubalheira que o país tomou.


REPRESSÃO REPETIDA A 27 DE MAIO 

Folha volante do Bloco Democrático, Maio 2014

O BLOCO DEMOCRÁTICO CONDENA VEEMENTEMENTE A BRUTALIDA-DE, A FALTA DE LIBERDADE E A FALTA DE RESPEITO PELOS DIREITOS HUMA-NOS QUE SE VIVEU NESTE DIA EM LUANDA

David Saleio contorce-se com dores, deitado na carrinha que recolheu os manifestantes tortu-rados em Luanda

Revú apoia Revú

Não podia ser de outra maneira, o BD ao tomar conhecimento de que o Movimento Revolucionário Angolano (MRA) estava a organizar uma mani-festação, para o dia 27 de Maio, as 19 horas, no Largo da Independência, com o slogan: “27 de Maio, Chega de Chacinas em Angola”, deu imediatamente o seu apoio.
A convocação da manifestação foi dada a conhecer ao GPL, a 12.05.2014. A Central Angola 7311, divulgou e motivou para a manif, nu-ma salutar e fraternal união entre os jovens de vários movimentos e comis-sões.
Vários sectores da sociedade civil angolana aderiram à ideia da manifesta-ção. O BD apelou também aos parti-dos políticos da plataforma da oposi-ção a aderirem à manifestação. E como “a união faz a força”, a ditadura fedoren-ta decidiu reprimir, por todos os meios, os manifestantes, antes mesmo da hora marcada.
Apesar das garantias dadas pelo Comandante-geral da Polícia Nacional de que a sua corporação garantiria a segurança dos manifestantes e a ordem pública, como é indicado na Constitui-ção, um forte aparato repressivo foi montado e a Praça da Independência, 48 horas antes, foi cercada.
O Bloco Democrático não pode deixar de condenar os actos bárbaros da PN e de chamar à atenção da opini-ão pública, nacional e internacional, para o teor racista, homicida, xenófo-bo, de incitação à violência, à discrimi-nação, ao bairrismo, à divisão de clas-ses sociais e quase ao tribalismo dos panfletos que um grupo de agentes dos Serviços de Informação e Segurança do Estado estava distri-buir no bair-ro do activis-ta Manuel Nito Alves (Viana) e em outros bair-ros da cida-de. Cai assim a mascará, mais uma vez, de quem é que afinal anda a atiçar a vio-lência e o racismo em Angola.
Tudo isto faz parte de um plano para criar mau sentimento para com os jovens do MRA e contra a sua iniciati-va de manifestação, mas a determina-ção dos activistas do MRA é grande e a moral elevada. ovo angolano já aos direitos humanos e à Constituição da República de Angola. O BD apela ao povo angolano para que não caia nessas teias de incitação de ódio, racismo e violência, o BD apela ao povo para que continue a apoiar os jovens pacifistas e tudo se mantenha em bem. O Bloco Democrático, apela aos órgãos de polícia e de segurança de Estado para que terminem de imediato com quaisquer pla-nos de perseguição ou prisão antecipada. Que não haja introdução de indivíduos que venham a gerar estragos, vandalismo, vio-lência ou agressões para depois incrimina-rem os jovens manifestantes do MRA. Igualmente o BD exige que a polícia não faça qualquer agressão ou prisão sem justa causa dos manifestantes. A polícia tem que ser apenas o garante da lei. O BD exige também que a polícia não faça o fecho da área da manifestação para impedir o acesso dos manifestantes. O BD exige que a polícia não esteja a revistar as pessoas. O BD exi-ge que a polícia não esteja a confiscar qual-quer equipamento de captação de imagem ou telemóveis das pessoas ou manifestan-tes, esse é ilegal! O BD apela a que as unidades médicas façam respeito ao seu juramento e atendam todos os feridos, caso cheguemos nova-mente a esse ponto! O BD está consciente que o direito à indig-nação e ao protesto é um direito que assis-

Lista de detidos
Das cerca de 30 pessoas que fo-ram detidas, durante a repressão da ditadura e que viriam a ser lar-gadas à sua sorte no km 30 Km, Catete e, muito mais longe, em Cassualala (há muitos quilómetros do local de detenção), alguns no-mes foram divulgados pelas redes sociais:
1. Raul Mandela,
2. António Camilo,
3. Pedrowski Teca,
4. Manuel Nito Alves,
 Adolfo Campos,
 Emiliano Catumbela,
 McLife Bunga,
 Agostinho Pensador,
 Edson Miguel,
 Bernardo,
 Panguila
12. Tito
13.Edson Miguel
 Abrão Cativa
 David Saleio
 Serrote Simão
 Serafim Simeão
 Manuel de Vitória Pereira
...Afonso “Feridão”
 António Caquienze “Duke”,
 Manuel Pedro Kiosa (Steven)
 Sampaio Kimbamba,
 Alex Chabalala
 Santos Contuala

...


Citações de alguns Revús
1. “Fecharam-nos no carro celular da PIR. Éramos 17 ao todo. Um agente atirou uma granada de gás lacrimogéneo dentro da viatura e fechou as portas” ( Nito Alves)
2. “Fomos atacados com porre-tes que dão choques eléctricos, e pisoteados com botas, ao ponto de até as pessoas que não acre-ditam em Deus terem pedido a Sua intervenção, para a sua sal-vação” “A pancadaria foi tanta, que um dos manifestantes defecou ali mesmo” (Adolfo Campos)
3. “O meu torturador disse que foram mandados por José Eduardo dos Santos e ameaçou matar a mi-nha família caso continuemos a protestar” (Edson Miguel)
4. “Vocês querendo ou não, vamos morrer em nome da liberda-de” (Bernardo)

MANUEL VITÓRIA PEREIRA foi, mais uma vez preso pela PN e foi bar-baramente torturado. “Foi o mais cas-tigado”, segundo Adolfo Campos, “por ser branco, membro da oposição e pela sua idade”. Ele é o rosto da determinação e coe-rência ! O Libertação Social dei-xa aqui os factos em dircurso directo:
“S ão aproximadamente 14-30.
Entro no “Parque da Indepen-dência”, onde se têm feito feiras do livro e lançamento de discos. Um porteiro sentado faz-me recuar dizendo que o preço da entrada são 50 kwanzas. Pago e vou sentar-me na esplanada, a uma das mesas, sozinho.
Distraído com o telemóvel, ten-tando escrever um sms, sou in-terrompido e vejo-me cercado por vários polícias que me con-vidam a ir falar com o chefe. Insisto na pergunta do porquê da situação e intimam-me a obe-decer.
Saio do parque acusado de ter reunido com mais alguém e sou obrigado a entrar num carro celular.
Sou levado com mais um cidadão que diz ser Serafim Kapembe Lorenço Simeão e dirigente juvenil da CASA-CE. Reclamava de não ter feito nada e começou a ser batido. Começámos a levar pancada ali mesmo.
P arando a viatura num local que penso ser uma instalação da PIR foram-nos retiradas as camisas, que os nossos agressores nos embru-lharam nas cabeças, à laia de turbante, mas tapando a visão.
Fomos empurrados para dentro de um camião debaixo de cacetada com bastões eléctricos.
No camião e sem a venda demos en-contro com um grupo maior de jo-vens, onde reconheci Manuel Nito Alves, que me acode dizendo “não batam no doutor”. Ali fui ainda mais surrado e até pisado.
M esmo sendo obrigado a ficar deitado de cara para baixo ouvia os gritos, pancadas e estalidos dos ins-trumentos de tortura, principalmente ao jovem que implorava por água.
Na primeira e na segunda viatura, fui mimoseado por nomes como “branco”, filho da puta, estrangeiro e laton barbudo, no tom mais odioso que se pode imaginar. E foi ainda co-mo “branco” que fui chamado pela última vez e obrigado calçar-me à pressa e a pular do camião. Não sabia onde estava nem se já estava livre. No chão, fui fotografado por agentes da PIR e homens à civil.
L evei algum tempo a perceber que não ia entrar numa prisão, mas sim estava abandonado num lugar tal-vez distante. Perguntei a pessoas que me disseram ser Viana e qual o sentido do táxi de regresso.
Fui ver mais tarde os meus pertences na pasta de trabalho que trazia. Parecia não faltar nada, mas encontrei o passa-porte do Serafim Simeão, cujo destino ainda é incerto e que anseio estar livre, depois do que já sofreu” ( by Manuel Vitória Pereira).
VAMOS FAZER BLOCO

Manuel de Vitória Pereira

nasceste no país errado”, “este país tem dono, é do JES”, PN

O BD, através do Secretário Nacional para as Relações Internacionais, Carlos Lopes, entre-gou uma Carta Protocolar à relatora da 55ª Reunião da Comissão Africana dos Direitos Humanos, a que anexou nove documentos, elaborados pelo partido, sobre diversas violações dos Direitos Humanos (DH), ocorridas no país.
Esta posição política do partido visou informar a Comissão Afri-cana dos Direitos Humanos (CADH), em particular, e a todos os participan-tes da 55ª Reunião sobre as ações de denúncia e acompanhamento que o BD tem realizado, apesar do silêncio de chumbo que a comunicação social faz sobre a nossa acção.
O BD espera que a CADH leve em conta o conteúdo probatório da documentação entregue pelo partido, quando abordar, com o Executivo angolano, esta matéria das violações dos Direitos Humanos que se têm agravado, nos últimos anos, em todas as províncias do país.
O BD vai continuar a acompa-nhar todas as acções da CADH e vai manter com esta um per-manente contato institucional, visando a denúncia sistemática de toda violação de DH que ocorra, de forma a contri-buir para a melhoria dos DH no país, permitindo aos angolanos o seu pleno exercício da Liberdade, Modernidade e da Cidadania.

A ditadura não mede os meios para atingir os seus fins que são a manutenção do poder e espoliação do bem público.
O arquitecto da fome continua a sua saga de se tornar um homem “muito rico” e não tem vergonha de o dizer, nem hesita em recorrer à brutalidade, ao terror e até ao jaca-résismo para manter o seu poder autocrata.
A ordem era de prende todos de forma indiscriminada. Até os jornalis-tas estavam sujeitos e foi assim que prenderam, sem nenhuma conside-ração pela profissão e pela liberda-de de imprensa, o jornalista da Rá-dio Despertar, Serrote Simão, aquém foram apreendidos os seus instrumentos de trabalho. Isto dei-xa claro que não há liberdade de imprensa.
A sanha repressiva e torturado-ra era tal que um grupo de 17 deti-dos foi metido numa carrinha da PIR e de-pois fizeram deflagrar uma granada de gás lacrimogéneo, deixan-do os detidos retidos no interior da carri-nha em sufoco (esta situação grave está comprovada por ví-deo).
Depois, os presos foram levados para a unidade da PIR e ameaçados de fuzi-lamento, depois de lhes terem sido vendados os olhos, deitados de bru-ços, no chão, foram ata-cados “com porretes que dão choques eléctricos, e pisoteados com botas, por todos o lado, como se corpos dos presos fos-sem uma massa de borra-cha.
Não podemos esquecer Ganga, Kassule, Kamu-lingue, Kussema, Mfulu-pinga, Ricardo Melo e tantos outros.
É preciso continuar a resistir! É preciso ousar para vencer.
Mais do que nunca a mobiliza-ção para a resistência pacífica à di-tadura que se quer entrincheirar em Angola é o caminho a seguir. A li-berdade é uma conquista que o po-vo chama! O silêncio e a aceitação do sofrimento só trarão mais infelicidade e sofrimento.
É preciso uma mobilização geral. A juventude tem um papel primordial. É preciso assumir uma atitude de cidada-nia activa, defendendo os nossos direi-tos.
Assume o teu país! Nascemos no país errado? Não temos direito a este país? Angola é a roça de JES? Não é a nossa Pátria bem-amada?
Recordando os nossos irmãos Kassule, Kamulingue, Kussema, Gan-ga, Mfulumpinga, Ricardo Melo e tan-tos, tantos outros, é preciso continuar e resistir!
É preciso divulgar o mais possível, para dentro e para fora, todos os factos e denunciar esta ditadura que se apre-senta lá e cá com pele de cordeiro.
Não foi possível transmitir a manifes-tação em directo pela internet (www.centralangola7311.net) mas va-mos procurar criar um canal perma-nente para informar o país e o mundo sobre o que se está a passar.
A LIBERDADE, MODERNIDADE E A CIDADANIA VÃO VENCER.

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