APELO AO PR JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS. O banco millennium Angola na rua rei Katyavala roubou-nos o terreno e nele montou um gigante gerador que dia e noite nos mata com fumo mortal. Não se justifica este crime horrível porque há energia eléctrica. Os moradores já se queixaram mas em vão. Já há anos que vivemos de janelas e portas fechadas. Apelamos para que V. Ex.ª ordene o fim imediato deste crime e que os culpados sejam enviados para a justiça e que os lesados recebam as devidas indemnizações.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A Espionagem “Privada” - Nguituka Salomão



Lisboa -  A recente  notícia "Samakuva ‘reativa’ BRINDE" avançada pelo Club-K.net a  11 de Abril 2012 não me surpreendeu, mas achei por bem tecer algumas considerações a volta do “assunto”.
Club-k.net

DEFINIÇÃO
O uso ilegal do SINSE ao serviço do partido no poder
A espionagem é a prática de obter informações de caráter secreto ou confidencial sobre governos ou organizações, sem autorização destes, para alcançar certa vantagem militar, política, econômica, tecnológica ou social. A prática manifesta-se geralmente como parte de um esforço organizado (ou seja, como ação de um grupo governamental, privado, partidário, ou empresarial). Entende-se entretanto que todo o esforço organizado e direcionado a contrariar o acima mencionado, é; contra-espionarem. Um espião é um individuo/agente recrutado/empregado/assalariado ou não para obter (legal ou ilegalmente) tais segredos, quer por governos, empresas, partidos etc. A definição vem sendo restringida a um Estado que espia inimigos potenciais ou reais, primeiramente para finalidades militares, mas ela abrange também a espionagem envolvendo empresas (conhecida como espionagem industrial) e pessoas físicas, através de contratação de detetives particulares (espiões).

INTRODUÇÃO
Ao 5 de Janeiro de 2011, o mundo ficou surpreendido por uma notícia um tanto ou quanto insólita; a fabricante Francesa de automóveis Renault admitiu que seus “ativos estratégicos” estavam ameaçados por um caso de espionagem industrial, que o próprio governo não hesitou em comparar a uma “GUERRA ECONOMICA”. A Renault – na qual o Estado Francês possui uma participação de 15% - e sua sócia Japonesa Nissan, tinham já investido 4 bilhões de euros no desenvolvimento do carro elétrico, um projeto super secreto da empresa – o objeto do ato de espionagem.

Nos dias seguintes, Christian Husson, director jurídico e de ética da multinacional (a ‘camuflada’ secreta privada da Renault), informou a imprensa da demissão de três altos diretores suspeitos de terem divulgado no exterior (da Renault) informações consideradas sensíveis alegando a necessidade de “proteger sem demora os ativos estratégicos, intelectuais e tecnológicos da empresa”.

Chegou-se a especular que a indústria Chinesa (entenda-se a secreta Chinesa) estava na origem da espetacular “fuga de informações”. Veio ao de cima muito recentemente a seguinte noticia; Peugeot a primeira construtora de automóveis do mundo a lançar o primeiro hibrido; elétrico e Diesel.

Como é óbvio, a Renault investiu/gastou bilhões de euros e “ queimou muito ‘fosforo” para depois, um concorrente com apenas um “estalar de dedos” ‘ganhar’ de bandeja o inteiro projeto, praticamente sem ‘esforço nenhum’.

O GRANDE NEGOCIO DA ESPIONAGEM PRIVADA

Antecedentes

Roubar segredos económicos ou industriais não é realmente nada de novo, nem é inovação do seculo XX (o seculo da ‘espionite’). Faz mais de 1.400 anos que dois monges fizeram o papel de espiões industriais por contrabandearem da China o segredo de como fabricar a seda, segredo que a China guardou com esmero como a menina dos olhos, entenda-se com muito êxito por mais de 3.000 anos (nunca um segredo foi mantido secreto por tanto tempo).

Um Jesuíta Francês conseguiu no início do seculo XVII, contrabandear da China, os segredos e os materiais para fabricar Porcelana. No seculo XVIII, um aprendiz de boticário alemão, Johann Friedrich Boettger, independente dos Chineses ou Franceses, descobriu como fabricar Porcelana e passou a fabrica-la em Dresden. Em contrapartida, operários viraram virtuais prisioneiros das fábricas de Porcelana, pois os espiões industriais vindo de todos os ‘cantos’ passaram a chegar a Dresden, estes chegaram a seduzir as esposas e filhas dos operários, no esforço de descobrir o segredo.

Notório caso de espionagem industrial entre estados (a titulo de exemplo), dos nossos dias envolveu a ex-URSS, Reino unido e França, na produção do célebre supersónico Concorde, projetado pelos governos e firmas Anglo-Francófonas. Os espiões Soviéticos conseguiram ‘roubar’ tantas informações que os Soviéticos conseguiram fazer vôos experimentais com seu próprio supersónico, o TU-144, mesmo antes dos Ingleses e Franceses com o seu Concorde.

 
O Lucrativo negócio

OS ESPIÕES industriais, em muitos países, tornaram-se mais numerosos do que os espiões políticos, “a ganancia e a falta de lealdade são fatores básicos para o crescimento da atividade”. Todavia, suas atividades talvez constituam novidade para a maioria das pessoas. Por quê? As firmas que são vítimas deles amiúde preferem não divulgar o ocorrido, visto que isto poderia trazer vantagens para seus competidores. Também, tais notícia poderia prejudicar a imagem da firma.

O espião talvez filme inteira reunião de alto nível de uma organização de um prédio vizinho, com uma camara de alta velocidade. De que serve tal filme? Um perito em leitura de lábios que veja tal filme poderá quase ‘milimetricamente’ reconstruir o conteúdo da reunião.

Por causa da facilidade com que se pode gravar o som, o espião industrial, com maior probabilidade, obterá a informação secreta que deseja por meio de “ouvidos” de modernos mini-aparelhos eletrônicos. Atualmente, o espião pode obter com relativa facilidade um microfone não maior do que o botão duma camisa e amplificadores do tamanho duma unha. Ou usará um microfone disfarçado em caneta, com o qual capta conversas a mais de 90 metros de distância. Há até um gravador que não é maior que um cubo de gelo; tem seu próprio transmissor e pilhas e capta qualquer conversa num raio de seis metros e o transmite a mais de 75 metros de distância, onde pode ser captado por um simples recetor de FM.

O espião talvez prenda tal aparelhinho em baixo de uma mesa de reuniões ou o oculte numa escrivaninha dum executivo, suas pilhas duram dias, se não semanas. Até um cinzeiro ou uma aparente azeitona num Martini pode ser um “aparelho de escuta” eletrônico, como são chamados. Hoje qualquer um dos itens acima citado está a mão de semear no mercado, em alguns mercados da Europa e na China, pode-se adquirir nos “streetseller” (o equivalente ao nosso zungueiro).

Consta-se, já em 1952, a célebre e engenhosa KGB logrou instalar um invulgar (para a época) minúsculo aparelho de escuta (bug) no interior da embaixada Norte Americana em Moscovo, inserido no selo da América da escrivaninha do embaixador dos EUA, e o surpreendente facto é que a escrivaninha ‘veio’ dos EUA e tivera sido inspecionada dezenas de vezes. Em 1985 a CIA detectou que o KGB logrou introduzir no interior da embaixada dos EUA um grande número de máquinas de escrever ‘grampeadas’ (produzidas e encomendadas nos EUA).

Os Soviéticos no entretanto divulgaram por sua vez que detectaram na embaixada da URSS em Washington DC, muitos ‘bugs’ eletrónicos, entre eles um tijolo com um transmissor oculto, que foi ‘inserido’ na altura da construção do edifício.

Segundo o semanário alemão Der Spiegel, que apresentou longa história sobre o assunto, o custo da espionagem industrial é cerca de 6 bilhões de marcos por ano para a indústria alemã. Para as firmas Estadunidenses, o custo atinge cerca de 8-10bilhões de dólares ano. Com efeito a espionagem industrial diz-se representa uma das maiores ameaças a indústria moderna.

Por detrás de um simples anuncio como o ilustrado a seguir “ a Sony a gigante mundial da eletrónica, prevê despedir no corrente ano cerca de 100.000 empregados em todas as sucursais do mundo…” pode ser a consequência de uma intrincada ação de espionagem industrial.

Para se ter vaga ideia da dimensão da espionagem industrial, sabe-se que, nos últimos quatro anos, 1’000.000 mini-instrumentos eletrónicos usados por espiões industriais foram vendidos na Alemanha.

A contra-espionarem industrial também é operação onerosa, visto que as firmas procuram proteger-se dos espiões de seus concorrentes (internos e externos). É usual encontrarmos nas páginas amarelas das grandes cidades, anúncios de oferta de serviços de “Contra-espionarem industrial ou comercial”. A principal agência de detetives dos EUA diz-se empregar cerca de sete mil especialistas na área.

A maior agencia privada de inteligência do planeta, é a STRATFOR com sede em Texas (EUA) cujos serviços são ‘inclusive’ solicitados pela CIA, FBI, HOMELAND SECURITY, NASA, Departamento de Estado etc., com contactos próprios no interior dos serviços secretos de quase todos os países do planeta, mantêm agências e ‘assalariados’ (cerca de 20.000) em todo o mundo. Esta poderosa agencia privada de espionagem tem escritórios (encoberto) na Africa do Sul e atua em Angola sob a cobertura das empresas petrolíferas.
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ESPIONAGEM ENTRE PARTIDOS POLITICOS
Até aqui, descrevemos a atividade da espionagem industrial, sem fazer referência propositada a espionagem politica, e esta não quer dizer forçosamente que é aquela exercida de um estado contra o outro estado, assim como a atividade de espionagem industrial não é forçosamente uma atividade de um estado contra outro estado. O célebre caso do Watergate foi a evidência pública da espionagem politica (entre partidos políticos), que para efeitos do presente artigo vou permitir-me chamar de “espionagem partidária”.

Ora se as empresas são alvos de espionagem e atos de sabotagem, pelos seus concorrentes, não é menos verdade que os partidos políticos na concorrência ‘democrática’, não recorram a atos subtis e nitidamente ilegais de espionagem por parte dos concorrentes. É caso assente que nos regimes ditatoriais com verniz a ‘la democracia’ como é o caso de Angola, os partidos no poder utilizem indevidamente os serviços secretos do estado, para fins exclusivamente partidários isto é privado.

O SINSE vs Partidos Políticos

É caso corrente em Angola que o SINSE, mantem uma aberta e nítida atividade de confronto com os partidos políticos, com vista a fragiliza-los ou mesmo se possível “extingui-los do mapa político nacional” em benefício do MPLA-JES.

O SINSE, introduz (infiltra) agentes desestabilizadores no seio dos partidos políticos, semeia a desconfiança e a intriga entre os membros da direção em particular e os da massa militante no geral, no intuito de desarticular as atividades destes, minar a confiança e simpatia dos cidadãos para com tais instituições ou partidos, e assim beneficiar as atividades do MPLA-JES, assim este está sempre a par dos planos estratégicos e das tácticas dos adversários, e como são ‘proprietários exclusivos’ da comunicação social, do erário público, das forças da ordem (as policias e as ‘clandestinas’ milícias) e dos TRIBUNAIS… fazem da ilegalidade, rotina com a maior das impunidades dando a entender ao cidadão comum que tal comportamento “é normal”.

O MPLA-JES esta com tudo…para os partidos da oposição só lhes resta a ‘inteligência’, saber transformar a sua fragilidade em Agilidade, humildade em Argucia e a aparente fraqueza em PODER.

“Gato escaldado!..”
Face ao comportamento descrito do MPLA-JES, e a utilização ilegal e antidemocrática dos órgãos de inteligência do estado, ao serviço do partido no poder, não resta outra alternativa aos partidos da oposição, senão ativarem cuidados especiais de proteção do seu “património intelectual”, se tais cuidados especiais são entendidos como ativação de órgãos de inteligência, então que assim seja. Nada impede que uma empresa, grupo de pessoas ou partido politico, defenda os seus interesses ou “ativos estratégicos” quer seja em forma de uma empresa de proteção física como a “Angosegu” ou de contra-espionagem, para proteção de “ativos estratégicos”.

O que aconteceu ao PADEPA e a ‘irmã’ FNLA foi/é um serio aviso a ‘navegação’ tenho alertado sempre que a oportunidade “me caia as mãos”. Samakuva deveria seguir os conselhos do kota Samuel Chiwale, quando declarou apos os acordos de entendimento de Luena, que “desmantelar a Brinde é suicídio” se assim acontecesse o pleito de 2008 não teria as consequências horrorosas que ‘exibe’ hoje. A Brinde sim deveria a muito ser apenas reformulada, e redefinido os meios, métodos de trabalho e obviamente objetivos alcançar, tipo “comissão de ética” ou Gabinete de Estudo, Pesquisa e Analise (GEPA).

Por outro lado estou profundamente convicto de que só a utilização de conhecimento de ‘inteligência’ pode fazer com que os partidos políticos de ‘proa’ sobrevivam no espectro político nacional e consequentemente lograr desativar a fraude eleitoral, assim como aconteceu recentemente no ‘vizinho’ Senegal.

“A Pátria não é ninguém, são TODOS. Não é uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo. É o céu, o solo, o povo, as tradições, a consciência, o lar, o berço dos filhos, o túmulo dos antepassados, a comunhão da LEI e da LIBERDADE! – Rui Barbosa


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