segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

LIMA em Luanda alerta. «Muitas raparigas têm estado a desaparecer»





A responsável provin­cial da LIMA (Liga da Mulher Ango­lana), organização feminina da UNITA, Tita Mi­randa, ouvida a propósito pelo Semanário Angolense, disse que o país agora tem uma cultura diversificada e por isso as pes­soas já não sabem enquadrar-se e nem valorizam a sua própria cultura. «Por isso, começamos a depender das culturas alheias, porque quase não temos identi­dade», sublinhou.
Para ela, o anúncio do «Ca­sino Royal» é muito estranho e duvidoso, uma vez que existem muitas raparigas angolanas que desaparecem diariamente, sem que se investigue a fundo a ra­zão desses desaparecimentos. «Ninguém sabe ao certo o que acontece realmente nessas cha­madas ‘casas de jogos’», preci­sou.
Tita Miranda disse que os ango­lanos, hoje, estão mais preocupados em conhecer o que é feito lá fora, esquecendo-se dos perigos que ad­vêm dessas culturas imitadas.
«Porquê só mulheres e com essas idades, se existem também bons rapazes especializados nessas áreas em Angola? Qual é a intenção? Nós sabemos que as candidatas para esses lugares vão servir para seduzir os clien­tes e fazer outras coisas que não adianta dizer e isso não é novi­dade para ninguém. Como os jovens estão à procura de um emprego que lhes garanta um salário que possa acudir às suas necessidades, quando aparece alguém a oferecer um salário de 100 mil Kwanzas e com bónus, parece ser uma oportunidade única e vão logo atrás, sem saber as reais intenções das pessoas que estão por detrás desses ne­gócios», elucidou.
Por isso, a dirigente da LIMA na província de Luanda defende a necessidade de haver progra­mas educativos direccionados à juventude para que não caíam em tentação. «É preciso sempre ter em conta os prós e os contras, porque não se deve correr atrás de tudo que brilha, porque nem sempre o que brilha é ouro», aconselhou.
Tita Miranda frisou ainda que, como arranjar emprego não está fácil, uma das formas para melhor aliciar as jovens mulhe­res é precisamente acenar-lhes com bons salários e os bónus. «Quem não quer ter um bom sa­lário?», questionou.
Tita Miranda é de opinião que a Inspecção-geral do Traba­lho devia estar mais atenta com essas instituições, para evitar situações que comprometam a sociedade, direccionando-as para programas que beneficiem efectivamente a juventude an­golana de modo geral e não com empregos de «massagistas» em casas de jogo…
In Semanário Angolense, edição 596 de 20 de Dezembro de 2014
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