Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Síria: guerra entra mais fragmentada do que nunca em 2015





Milícias curdas no nordeste lutam contra o Estado Islâmico de forma coordenada com os EUA

Mergulhada num conflito civil desde 2011, a Síria parece mais uma colcha de retalhos composta de feudos em guerra do que um Estado, deixando as potências externas mais relutantes em intervir apesar de o país se tornar um fator ainda mais desestabilizador para a região.

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Os Estados Unidos finalmente entraram na guerra síria neste ano, três anos depois de o presidente norte-americano, Barack Obama, dizer que o líder sírio, Bashar al-Assad, deveria deixar o poder.
No entanto, os EUA entraram de maneira relutante, para bloquear o avanço dos combatentes do Estado Islâmico no vizinho Iraque, e sem se aliar a Assad.
Com mais de 200 mil mortos e milhões de pessoas que tiveram de deixar suas casas, a desintegração da Síria pode piorar ainda mais no futuro devido à surpreendente queda dos preços do petróleo em dezembro.
A nova pressão econômica pode tornar ainda mais difícil que uma das facções do conflito ganhe uma vantagem decisiva.
As tentativas para encontrar uma “solução política”, que, segundo as potências mundiais, é a única saída para a crise, possivelmente um acordo entre Assad e seus oponentes, não deram em nada até agora.
No momento, não está claro nem mesmo o que faria parte de uma solução futura. As forças anti-Assad mais poderosas são grupos islâmicos radicais, como o Estado Islâmico e a Frente Nusra, ligada à Al Qaeda.
Para muitos analistas, as potências ocidentais e oponentes regionais do regime sírio, como a Arábia Saudita, veem agora as facções dominantes como grupos que eles não podem apoiar, o que limita as opções desses países.

– A ideia de oposição evaporou para a Arábia Saudita – afirmou Nasser Qandil, editor de um jornal libanês e ex-parlamentar, que tem boas relações com Damasco. “Eles sabem que as opções são o Estado Islâmico e a Nusra ou o regime. Não há terceira opção.”
Qandil disse que muitos na região e, talvez, até o Ocidente estão optando por uma estratégia de, segundo ele, “recuo”, o que significa deixar os combatentes sírios lutarem por conta própria.
Washington diz que o apoio aos adversários “moderados” de Assad é parte da sua estratégia. Entretanto, ao bombardear o Estado Islâmico diariamente e realizar alguns ataques contra a Frente Nusra, os EUA têm liberado a força aérea síria para lutar em outros locais contras outros oponentes.
As forças de oposição às quais o Ocidente já demonstrou algum apoio estão agora divididas em centenas de grupos, com diferentes ideologias e interesses.
Milícias curdas no nordeste lutam contra o Estado Islâmico de forma coordenada com os EUA, mas têm papel pequeno fora do enclave étnico.
Milícias pró-Assad têm hoje um papel no conflito que nunca tiveram antes.
– Cada vez mais lideranças regionais surgem na Síria, e elas estão se tornando mais difíceis para o governo controlar, o que aumenta a pressão sobre o regime – disse Lina Khatib, diretora de um centro de estudos sobre o Oriente Médio em Beirute.
“Acho que 2015 vai ser caos total para a Síria”.

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