sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Millennium Bcp/ Teixeira Duarte SA (IV)


Goldman Sachs espera que petróleo desça para os 30 dólares em 2009.
In Diário Económico

Quem se aproveita do Mpla para nos explorar, é mil vezes pior que ele, e suplanta um milhão de vezes as serpentes mais venenosas.

E o nosso petróleo beberemos. Os nossos diamantes comeremos. Nas torres, prédios, condomínios e dependências bancárias do Millennium Bcp e quejandos, cagaremos. Aos nossos arcos, flechas e tangas voltaremos.

Banco pregador da nossa desgraça. E disse o pregador Millennium Bcp:
Há coisas que são intemporais e a previsão meteorológica diz que vai vir muita chuva famélica, disto todos sabemos. Então para quê continuarmos a arrombar os cofres de Angola? E os nossos desgovernos sabem-no? Fingem… são países só com dirigentes, porque povo há muito que não existe. Uma coisa o esfomeado nunca sabe… o que irá comer amanhã?

Os portugueses são futebolistas, tem a inteligência nas pernas, por isso não sabem andar.

Estamos como os leões velhos, não saudáveis. Os filhos dos famintos dispersam-se, perderam-se na fome, e não sabem o que querem. O nosso segredo é fazermos tudo em degredo. Adormecemo-los com narcóticos poderosos. Quando acordam ficam cheios de visões, como no tempo dos profetas sem igrejas. De vez em quando tentam espantar-nos com os seus temores. E acabam eles por estremecer. São apenas espíritos que se arrepiam nos seus devaneios. Já fomos mais justos que Deus, e assim queremos continuar, mas os tempos infelizmente estão sempre a mudar. Não confiamos no nosso povo, são muito falsos, traiçoeiros, são mais maldosos que o Petróleo.

Mesmo que lhes ponhamos boas escolas, boas casas, rebentam com tudo, depois dizem que foi o desgoverno. Até se queixam de uma simples torneira estragada, que lhes inunda a casa. E que o governo não resolve nada, não nos ajuda. São muito sacanas, um povo safado, estafado. Não procuram sabedoria - nunca lhes ensinaram a ler - e quando se lhes fala nisso, inventam uma doença. Dizem que não têm tempo. A cabeça começa a doer quando se lhes dá um livro para ler. Mas são muito simples, muito humildes. Basta uma caixa de papelão vazia, alguns pacotes de bolacha, cigarros, umas bebidas, e já está o negócio montado. Não são muito exigentes. Não são empreendedores porque já chegam os problemas que têm. Para quê complicar as coisas? E nós Millennium Bcp/ Teixeira Duarte SA adoramo-los, e apoiamos o Mpla, para que lhes continue na senda do analfabetismo.

Millennim Bcp apela aos esfomeados a que busquem o Petróleo
Vá, respondam! Para qual dos demónios se virarão?! A ira é o nosso prazer; são tolos porque são famosos. Tentam construir casas, um milhão; mas logo são amaldiçoadas. Parece que os vossos filhos estão a salvo; mas não há ninguém que os liberte. Os famintos não têm nada para devorar; nem espinhos têm para comer; e os assaltantes estão sempre atentos. Da terra não sai nada; Só aflição. Nascem para trabalhar, o que não há; por mais que se levantem, estão sempre a cair. Buscarei sempre o Petróleo; não adianta contestarem. As coisas diabólicas são feitas pelo Petróleo; e são tantas que já lhes perdemos a conta. Terra com chuva a mais, as colheitas destruídas; esse é o dom do meu Petróleo. Só os nobres têm direito aos lugares altos; daí vêm a vossa salvação. Os mais espertos, despertos que nós, aniquilamo-nos; e as vossas mãos não carregarão nada. Não admitimos concorrência de sábios; os conselhos partem-se de nós.

De dia e de noite, sem luz, para que andem às apalpadelas. A minha mão forte pega na espada para castigar os prevaricadores. Esta é a esperança dos pobres. Bem aventurados os que o Petróleo castiga; nunca desprezem os nossos castigos. Porque as vossas chagas e feridas não serão curadas, é preciso ter sorte, que os hospitais tenham medicamentos. Das angústias não se livrarão, porque o Petróleo vos tocará. Nunca se livrarão da fome da morte; nem da guerra, nem da violência da minha espada. Por mais que fujam não se livrarão dos açoites; serão assolados por marchas forçadas. Não os temerei e da vossa fome rirei. Comerão as pedras e a terra dos campos. Tudo faltará nas vossas habitações; viverão sempre em tendas. Não terão sementes para multiplicar; a erva crescerá.

Gil Gonçalves
Imagem: Wilson Dadá no Morro da Maianga

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